07/10/2009 - 14:48h Estudo aponta inovação como saída para setor têxtil

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Chico Santos, do Rio – VALOR

“O crescimento exponencial” dos produtores asiáticos de têxteis e confecções, liderados pela China, causou a desestabilização dos demais produtores, inclusive o Brasil, e tornou fundamental para estes “desenvolver estratégias competitivas diferenciadas, baseadas na utilização da inovação tecnológica como um instrumento relevante para inserção no mercado mundial”.

A conclusão é do estudo “Panorama da Cadeia Produtiva Têxtil e de Confecções e a Questão da Inovação”, recém-divulgado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O trabalho foi realizado por Ana Cristina Rodrigues da Costa, gerente do departamento de bens de consumo, comércio e serviços da área industrial do banco e por Érico Rial Pinto da Rocha, estagiário do setor.

Passados mais de oito anos desde que o BNDES realizou um estudo setorial detalhado da cadeia têxtil e de confecções (setembro/2000), o novo trabalho constatou que os mesmos gargalos detectados na versão anterior permanecem válidos.

Entre esse gargalos apontados pelo estudo estão a crescente entrada de bens importados, “muitas vezes contrabandeados”, participação “insignificante” nas exportações mundiais e concentrada nos elos de menor valor agregado da cadeia, especialização em fibras naturais – apesar de o consumo mundial crescer mais para o lado das fibras químicas e dos tecidos mistos -, parque de máquinas com idade média elevada, falta de ações coordenadas na cadeia produtiva, alta informalidade, baixa capacidade técnica e gerencial e dificuldade de acesso ao crédito.

Neste contexto, e diante da ofensiva asiática, não é estranhável que a participação brasileira nas exportações mundiais do setor tenha recuado de 0,7% para incipiente 0,3% em 2007, em um contexto no qual o valor do comércio mundial da cadeia cresceu 50% de 2000 a 2006, atingindo a soma de US$ 530 bilhões, 27,2% dos quais abocanhados pela China.

Apesar dos reveses, os técnicos do BNDES constatam que a importância da indústria têxtil e de confecção para a economia brasileira permanece intacta. Essa relevância é facilmente percebida quando se sabe que em 2007 o setor empregava 1,56 milhão de pessoas, número equivalente a 17,3% de todos os empregos gerados pela indústria de transformação no país.

As oscilações cambiais tiveram papel decisivo no comportamento das importações e exportações brasileiras, mas o crescimento do comércio mundial também foi um agente importante, tanto que em 2004 e 2005 – já em pleno ciclo de valorização do câmbio, só quebrado em setembro de 2008 – houve crescimento das exportações.

O estudo constata que, historicamente, a indústria têxtil e de confecções brasileira tem o foco voltado para o mercado interno. O Brasil é o sexto maior produtor mundial, responsável por 2,5% da produção total, mas ocupava em 2006 apenas o 46º lugar entre os maiores exportadores.

Para Carlos Eduardo Castello Branco, chefe do departamento ao qual estão subordinados os autores do estudo, o atual ciclo de valorização do real é novamente um obstáculo à conquista do mercado externo pelo setor têxtil brasileiro, mas representa também uma janela de oportunidade para que as empresas renovem seus parques fabris a custos favoráveis. Isto porque a quase totalidade das máquinas usadas no setor tem origem externa, principalmente da Alemanha, Itália e, mais recentemente, da China.

Renovar o maquinário, um tipo de inovação de fora para dentro, é apenas um dos requisitos apontados pelo BNDES para que a indústria têxtil e de confecções brasileira seja capaz de defender seu próprio mercado e disputar a demanda global. Desenvolver produtos de maior valor agregados diferenciados por estilo – “tribos”, como a do surfe, a da música eletrônica e outras-, faixa etária e gênero, além de ser capaz de dar resposta rápidas às tendências do mercado consumidor, são caminhos considerados essenciais para a sobrevivência do setor.

Paralelamente à oferta de crédito, o BNDES está trabalhando em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e a Associação Brasileira de Estilistas (Abest) no esforço para combinar o desenvolvimento de tecidos inovadores com a “reconhecida força do design brasileiro”, explica Ana Cristina.

De 1999 a 2007, o setor têxtil e de confecções, um dos prioritários na atual política industrial brasileira , batizada de política de desenvolvimento produtivo (PDP), captou anualmente no BNDES valores que foram de R$ 485,9 milhões, em 1999, a R$ 220,4 milhões, em 2004. Em 2008, com a economia pisando no acelerador, um ponto fora da curva: R$ 1,35 bilhão. De janeiro a junho deste ano, o valor foi de R$ 208,7 milhões, indicando que o fluxo deverá retornar à média histórica.

Os técnicos do BNDES destacaram que, apesar da queda dos valores, o número de operações saltou de 1.852 nos primeiros sete meses do ano passado para 5.206 no mesmo período deste ano. No subsetor de confecções, principal gerador de empregos, o total de operações passou de 1.323 para 4.294 (mais 224,6%).

27/05/2009 - 13:03h Governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT) reduz ICMS têxtil em troca de emprego

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Marcelo Déda, governador de Sergipe (na foto junto ao presidente Lula): “é a primeira de um conjunto de medidas anticíclicas no Estado”

 

Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

O governo de Sergipe oficializou ontem acordo com o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem do Estado (Sinfitec) para reduzir a alíquota de ICMS ao setor. As empresas terão a carga de ICMS reduzida de 5% para 3,5% por 12 meses, sendo que, para cada mês que a indústria mantiver ou elevar o nível de emprego, ela terá dois meses de ICMS reduzido. “A presunção é que mais à frente, haja melhora do quadro econômico e as indústrias consigam preservar os empregos”, afirmou o governador do Estado, Marcelo Déda (PT). A redução representará uma renúncia fiscal de R$ 1 milhão por ano para o Estado.

Conforme Déda, essa é a primeira de um conjunto de medidas anticíclicas no Estado. O governador observou que as indústrias têxteis no Estado empregam em torno de 5 mil pessoas e têm sofrido os efeitos da crise global e da concorrência com produtos importados da China. Em 12 meses, disse, a Santista Têxtil fechou uma unidade em Aracaju e a Fábrica Confiança também demitiu em função da crise.

Como parte do pacote anticrise, o governo também assinou acordo que inclui no sistema de regime tributário especial as indústrias de cosméticos que instalarem centros de distribuição no Estado. Nas operações feitas pelo centro de distribuição no Estado, o ICMS será reduzido de 12% para 5%. Recentemente, duas empresas de cosméticos se instalaram no Estado, a Leite de Rosas e a GUF Cosméticos. “O governo procura responder à crise com medidas anticíclicas ao setor que está com problemas e fomenta o setor que está bem para que ele se fortaleça”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Santana de Oliveira.

Sergipe viu sua arrecadação diminuir em função dos efeitos da crise global sobre a economia brasileira. De janeiro a abril, a arrecadação no Estado teve queda real de 3,1%, sendo que Fundo de Participação dos Estados (FPE), que representa 55% da receita do Estado, recuou 10,9%; a arrecadação de royalties encolheu 46%, e a da Cide, 69%. O ICMS, que representa 41% das receitas, teve crescimento real de 4,2%. Para o ano, afirmou o secretário estadual da Fazenda, João Andrade Vieira da Silva, o governo sergipano trabalha com previsão de queda real de 4% na arrecadação total, repetindo o resultado nominal de 2008.

Segundo o secretário, o governo tem feito esforços para atrair mais empresas ao Estado e compensar com arrecadação de ICMS parte das perdas causadas pela contribuição menor do FPE e do aumento de gastos com folha. Ontem foi anunciado pelo governo a instalação no Estado de 13 indústrias de diferentes setores, com expectativa de geração de 1.047 postos de trabalho e investimento total de R$ 94 milhões. Além das fábricas novas, quatro indústrias anunciaram ampliação de unidades, com contratação de mais 245 pessoas e investimento de R$ 13 milhões.

10/03/2008 - 20:01h A causa é boa

Parlamentares lançam frente para fortalecer setor têxtil

ANNE WARTH – Agencia Estado

santista-denim.jpgSÃO PAULO – Cerca de 200 parlamentares pretendem assumir o compromisso de criar 1 milhão de empregos no setor têxtil até o fim da atual legislatura, em 2010. Esse é um dos objetivos da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento da Indústria Têxtil e de Confecção Brasileira, que será lançada na próxima quarta-feira, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Os parlamentares já têm pelo menos três reivindicações que vêm sendo pleiteadas pelo setor: a rápida aprovação e tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional, com destaque para a desoneração da folha de pagamento; a obtenção de acordos setoriais bilaterais com grandes mercados, como Estados Unidos e Europa; e a exigência do cumprimento de normas técnicas, utilizadas pela indústria nacional, também para produtos importados.

Na prática, a exigência de normas funciona como uma barreira não-tarifária, e a adoção desse tipo de prática encontra resistências na Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, o Itamaraty prefere trabalhar pela obtenção de acordos multilaterais, como a Rodada Doha, em vez dos acordos setoriais bilaterais. Já a reforma tributária deve enfrentar uma longa negociação e disputa entre Estados no Congresso.

Atualmente, a indústria têxtil brasileira é a sexta maior do mundo, emprega 1,6 milhão de trabalhadores em 30 mil empresas e fatura R$ 65 bilhões ao ano. Mais de 80% das empresas atuam no ramo de confecções, o mais fraco de toda a cadeia produtiva. “A indústria têxtil e de confecção é a segunda maior empregadora de transformação e, lembrando que estamos no mês da mulher, 75% da mão-de-obra do setor é feminina”, declarou a senadora petista de Santa Catarina, Ideli Salvatti (PT-SC), uma das coordenadoras da Frente Parlamentar.

Desde 2006, o setor vem apresentando déficit na balança comercial por conta da concorrência de produtos importados e do câmbio valorizado. “O dólar baixo incentiva as importações e inibe as exportações, principalmente porque não temos margem para competir com os concorrentes. Os empresários têxteis carregam 40% de carga tributária no custo final dos produtos. Não há competência que dê jeito nessa desvantagem. Não existe mágica”, disse o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), também membro da Frente Parlamentar.