22/05/2009 - 09:17h Temor sobre rebaixamento de países ricos afeta mercados

 Agência pode reduzir nota do Reino Unido; Bolsa cai 2,26%

TONI SCIARRETTA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Três dias após o mercado global falar em fim da crise e testar novos recordes, voltou a prevalecer ontem o pessimismo em relação às dificuldades enfrentadas pelas maiores economias do mundo para melhorar a saúde do sistema financeiro e criar condições para sair da recessão.
Ontem, o mau humor foi catalisado pela possibilidade de o Reino Unido perder o status de economia de risco zero de calote de sua dívida (leia texto na página B9). A agência Standard & Poor’s colocou em revisão para possível rebaixamento a nota “AAA”, a melhor na escala de risco, devido à expansão da dívida britânica.
Mas o temor do mercado é que o mesmo aconteça com os EUA, maior economia do mundo e que aumentou consideravelmente seu endividamento para conter os efeitos da crise.
Na próxima semana, o Tesouro dos EUA vai leiloar um lote gigante de US$ 101 bilhões em títulos públicos. A notícia derrubou em até 1,3% o preço dos papéis e elevou em 4,68% os juros dos títulos de dez anos, que atingiram 3,35% ao ano -em janeiro, eram 2,5%.
No mercado internacional de câmbio, o dólar americano recuou 0,9% em relação ao euro e 0,6% diante do iene, mantendo-se nos menores patamares desde janeiro deste ano.
Para acentuar o pessimismo, o ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan também rompeu o silêncio para afirmar que os bancos americanos precisam levantar muito mais capital (leia texto na página B10) e que há um potencial enorme de perdas de crédito ainda não contabilizadas. Segundo Greenspan, essas perdas só serão estancadas quando os preços dos imóveis se estabilizarem, o que pode estar longe.

Aversão ao risco
O resultado foi um retorno da aversão ao risco, movimento que derrubou ontem preços de ações, commodities e moedas emergentes em todo o mundo.
O petróleo recuou 1,6%, para US$ 61,05, em Nova York.
A Bolsa de Nova York teve baixa de 1,59% no índice Dow Jones e de 1,68% no S&P 500. A Bolsa Nasdaq recuou 2,26%.
No Brasil, até o discurso otimista do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sobre sinais “bastante claros” de recuperação da economia foi entendido como um recado de que a redução de juros poderá ter fim em breve.
Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), os juros para janeiro de 2010 subiram de 9,26% para 9,34%, enquanto as taxas para janeiro de 2011 passaram de 9,73% para 9,88% ao ano.
A Bolsa brasileira terminou a sessão em baixa de 2,26%, com o Ibovespa em 50.087 pontos. Durante a tarde, o índice chegou a cair 3,27% e voltou a trabalhar abaixo dos 50 mil pontos. “A Bovespa não teve motivo para se descolar e acompanhou o mercado lá fora. Os dados de desemprego até vieram melhor que o esperado, mas não permitiu um descolamento”, disse Kelly Trentin, analista da corretora SLW.
“O pessimismo internacional abriu espaço para correção na Bolsa”, disse Newtons Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.
Após três dias de queda, o dólar comercial voltou ontem a subir. Terminou o dia com valorização de 0,39%, novamente a R$ 2,037. Um dia após comprar cerca de US$ 1,2 bilhão em “cash” dos bancos, o BC voltou a adquirir a moeda americana. O volume, no entanto, não passou de US$ 52 milhões, um dos menores em maio. “O dólar deve cair mais até o final do mês, depois pode ter alguma recuperação”, disse Sidnei Nehme, diretor da corretora NGO.

18/03/2009 - 11:08h Recessão será mais profunda, diz FMI

http://colegiosesi.files.wordpress.com/2008/03/fmi-logo.jpg

Krishna Guha e Bertrand Benoit, Financial Times – VALOR

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anulará, amanhã, as previsões que anunciou para a economia mundial no início deste ano, e preverá uma recessão mais profunda, com um desaquecimento econômico mais severo na zona do euro.

Economistas do FMI reagiram ao ritmo e à gravidade do desaquecimento “à luz da grave contração na economia mundial nos últimos três meses de 2008 “, para formular previsões ainda mais pessimistas do que as feitas em janeiro sobre o crescimento em 2009.

Teresa Ter-Minassian, uma assessora de Dominique Strauss-Kahn, o diretor-gerente do FMI, emitiu ontem forte sinalização sobre o que esperar.

Citando previsões preliminares internas elaboradas em fins de fevereiro, ela disse que o FMI acredita que a economia mundial encolha 0,6% neste ano, em vez de crescer 0,5%, como havia previsto.

“O cenário será pior, mas o diretor-gerente já disse isso”, disse ela em Lisboa. “Essa é uma verdadeira crise mundial, que impactará todas as regiões e países do mundo em diferentes níveis de desenvolvimento”.

As previsões são de que a economia da eurozona irá encolher 3,2% em 2009, disse ela, contra a previsão anterior de declínio de 2%. Os EUA encolherão 2,6% (contra o 1,6% antes previsto) e o Japão 5% (contra os 2,6% antes previstos), sendo portanto a economia mais duramente atingida. Em Washington, o FMI disse que os números citados por Ter-Minassian são “não-oficiais” e estão “desatualizados”.

As iminentes revisões são anunciadas em meio a diferenças entre a Europa e os EUA sobre como atacar a recessão. Christoph Schmidt, um assessor econômico da chanceler alemã Angela Merkel, disse que a crescente dívida pública e a liquidez excessiva poderão empurrar os EUA para uma espiral inflacionária.

É improvável que os comentários do professor Schmidt sejam bem recebidos pelo governo Obama, que defende políticas fiscal e monetária mais frouxas em todo o mundo.

“Vejo um risco inflacionário nos EUA, no médio prazo, devido ao crescimento de sua oferta monetária”, disse ele. “Existe um risco de que [os governos] possam começar a considerar a inflação como uma maneira de reduzir a carga de endividamento público”.

Mervyn King, presidente do Banco da Inglaterra, defendeu que as grandes economias tomem medidas coletivas para impulsionar substancialmente o crescimento e que os governos “estejam dispostos a assumir o controle de quaisquer proporções de capital acionário que se revelem necessárias” em bancos vulneráveis.

O Banco do Japão apresentou uma minuta de plano para disponibilizar até 1 trilhão de ienes (7,7 bilhões de euros) em empréstimos subordinados a grandes bancos varejistas, em seu mais recente esforço para frear a crise econômica mundial.

A iniciativa do Banco do Japão acontece na esteira da decisão do Banco da Inglaterra de comprar dívida do governo britânico e do anúncio do Banco Nacional Suíço de seu plano para intervir nos mercados suíço.

25/02/2009 - 16:25h Picasso se aparece entre los clásicos

 Mujer sentada
mulher sentada, Pablo Picasso

La National Gallery abre sus puertas por vez primera al arte posterior a 1900 con una retrospectiva del artista

ÁNGELES GARCÍA – Londres – El País

Pablo Picasso desembarca en Londres para exhibir con insolencia sus indiscutibles galones de revolucionario del arte del siglo XX… pero no lo hace en cualquier contexto. La exposición Challenging the past (Retando al pasado), un espejo del pulso que el genio mantuvo siempre con grandes como Ingres, Manet, Delacroix, Goya o Velázquez, se abre hoy al público en medio, si no de la controversia, sí de la sorpresa: nunca un artista posterior a 1900 había traspasado las puertas del sagrado templo artístico de Trafalgar Square.

 Desnudo con manos juntas
Nu com mãos juntas, Pablo Picasso

El interés cultural (y económico) que despierta el artista español logró que el prestigioso museo londinense llegase a un acuerdo con la Tate Modern para que esta insólita exposición se pudiera celebrar aquí.

Una grandiosa fotografía de Picasso en blanco y negro firmada por Werner Bokelberg en 1961 descubre una mirada con tanta determinación que casi asusta. Esa mirada picassiana única es el hilo conductor de un fascinante conjunto artístico que arranca con seis autorretratos de diferentes etapas, que sigue por las obras centradas en los desnudos femeninos, avanza por los retratos masculinos y acaba deteniéndose en las obras creadas como versiones de los grandes maestros de la historia. En total, la muestra de la National alberga casi un centenar de obras prestadas por grandes museos de todo el mundo y de colecciones particulares: un pequeño tesoro cuya contemplación conjunta será difícil de repetir.

Ann Robbins, una de las dos comisarias de la exposición, destaca el carácter autobiográfico de una muestra que ella califica de “restrospectiva de restrospectivas”, porque entra en todos y cada uno de los grandes temas del artista malagueño.

 Desayuno en la hierba, según Manet
piquenique no parque segundo Monet, Pablo Picasso

La comisaria añade que la exposición sólo se ve de forma completa cuando se visualiza la colección permanente de la National Gallery. Su gran propuesta es contemplar la galería a través de los ojos del propio Pablo Picasso.

El concepto que Ann Robbins ha manejado en el montaje de la exposición intenta zanjar de manera contundente la polémica suscitada sobre la conveniencia de mezclar arte antiguo y arte moderno. Además de que no hay duda sobre la consagración de Picasso en el Olimpo de los grandes maestros, Robbins considera que la mirada clásica se enriquece con la moderna y al revés.

No es arriesgado sostener que, si bien Picasso no llegó a conocer la National Gallery, seguro que habría aprobado el lugar elegido para dar a conocer la esencia de su obra. Con la Venus del espejo de Velázquez como estrella principal, en las salas se agolpan pinturas de Piero della Francesca, Leonardo da Vinci, Turner, Hogart, Rembrandt o Zurbarán. Un feliz (y atrevido) encuentro entre Picasso y sus maestros que proyectará una luz especial en Londres.

Hombre con sombrero de paja y helado, de Pablo Picasso

homem com chapéu de palha e gelado, Pablo Picasso

01/02/2009 - 15:26h Governo britânico adverte contra greves ‘protecionistas’

Miles de trabajadores británicos se manifiestan contra los trabajadores extranjeros

AE-AP – Agencia Estado

LONDRES – Diante de uma onda de greves e protestos, o governo da Grã-Bretanha afirmou hoje que entende a frustração dos trabalhadores do setor de energia com a contratação de estrangeiros, mas advertiu contra o protecionismo. O secretário (ministro) dos Negócios, Peter Mandelson, disse que compreende a preocupação dos trabalhadores quanto a seus empregos num momento de recessão, mas ressalvou que o protecionismo “seria uma maneira certa de transformar uma recessão numa depressão”. “Seria um grave erro recuar de uma política na qual, pelas normas, as companhias britânicas podem operar na Europa e empresas europeias podem operar aqui.”

Dezenas de milhares de trabalhadores britânicos do setor de energia fizeram greves-relâmpago e manifestações em vários lugares da Grã-Bretanha nos últimos dias, em protesto contra a contratação de trabalhadores portugueses e italianos para a construção de uma refinaria de US$ 280 milhões, da empresa petrolífera francesa Total, no nordeste da Inglaterra.

Os protestos começaram quando foi anunciado que a construtora Irem, da Itália, estava contratando apenas trabalhadores italianos e portugueses, num momento em que a taxa de desemprego no Reino Unido alcançou 6,1%. “Não se deveria permitir que nenhuma empresa discriminasse contra qualquer um com base em onde as pessoas nasceram. Não se pode simplesmente dizer que somente italianos e portugueses podem se inscrever para empregos, como aconteceu neste caso”, disse Paul Kenny, secretário-geral do sindicato GMB, dos petroleiros britânicos.

Ontem, cerca de 700 funcionários da refinaria de Grangemouth, na Escócia, fizeram uma paralisação de protesto. Cerca de 400 trabalhadores e simpatizantes fizeram uma manifestação do lado de fora da refinaria da empresa suíça Petroplus em Wilton, no norte da Inglaterra. Na usina de energia elétrica de Aberthaw, em Gales, cerca de 50 pessoas fizeram um ato de protesto. Também houve manifestação na usina de energia de Kilroot, em Carrickfergus, na Irlanda do Norte.

Em Londres, um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown disse que o contrato com a construtora Irem foi feito “há algum tempo, quando havia falta de trabalhadores especializados no setor de construção no Reino Unido”. “Obviamente esse não é o caso agora e nós vamos falar com a indústria nos próximos dias para assegurar que ela está fazendo tudo o que pode para apoiar a economia britânica”, disse.

30/01/2009 - 22:12h Manifestação contra os trabalhadores estrangeiros na Inglaterra

Miles de trabajadores británicos se manifiestan contra los trabajadores extranjeros

Miles de obreros británicos se manifiestan contra los trabajadores extranjeros


La protesta iniciada hace cuatro días en una refinería se extiende a todo el sector energético

PATRICIA TUBELLA | Londres – El País

La huelga puntual que arrancara hace cuatro días en una refinería de Lincolnshire contra el empleo de trabajadores extranjeros ha acabado extendiéndose por la geografía británica como una mancha que sugiere ciertos tintes xenófobos. Miles de empleados de diversas plantas energéticas en Inglaterra, Gales y Escocia salían este viernes a la calle para reclamar al Gobierno laborista la adopción de medidas proteccionistas que detengan la proliferación de contratos con compañías foráneas, un recurso que abarata los costes y suele traducirse en el empleo de mano de obra procedente sobre todo del este de Europa.

El núcleo de la protesta se centra en la promesa de Gordon Brown, al poco de asumir el cargo como primer ministro (junio 2007), asegurando que velaría por procurar “empleos británicos a los trabajadores británicos”. Ese falso y populista compromiso -el gobierno no puede frenar el libre tránsito de trabajadores entre los países de la Unión Europea- ha acabado volviéndose en su contra en un contexto de crisis económica cuyas estadísticas de desempleo ya rozan los dos millones de personas (6,1% de la población activa). Y el mensaje ultraproteccionista, de tremendo calado entre las clases más golpeadas por la recesión, es explotado ahora más que nunca por la ultraderecha del Partido Nacional Británico (BNP, en sus siglas inglesas), que presenta claros visos racistas.

El origen de las protestas

La mecha de las movilizaciones prendía en la refinería de Lindsey (nordeste de Inglaterra) a raíz del contrato para la construcción de una planta de desulfurización que la empresa Total ha suscrito con el grupo italiano IREM. La población de la zona alega que los más de quinientos trabajadores contratados por esta última firma son italianos y portugueses venidos expresamente para acometer el proyecto, excluyendo a la mano de obra local que empieza a engrosar las abultadas cifras de paro. Los sindicatos británicos aducen que ese gesto obedece a motivos de ahorro, mientras que la firma implicada esgrime la carencia de trabajadores cualificados entre la oferta local. Total ha garantizado que la operación no entrañará “despidos directos” en su factoría, pero los obreros desconfían de la promesa.

“La nuestra no es una manifestación contra los trabajadores extranjeros, sino contra las compañías que discriminan a los trabajadores británicos”, aseguraba Bobby Buird, dirigente del sindicato mayoritario, Unite, añadiendo que “reivindicar nuestro derecho al trabajo no es una lucha xenófoba”. Algunos medios británicos, encabezados por The Times, apuntaban sin embargo la presencia del elementos del BNP en la trastienda de las protesta y reorientando su lemas contra la mano de obra foránea.

“Permanezcan en casa”

Como medida de precaución, los responsables de Total recomendaban a los contratados extranjeros de su planta de Lindsey que permanecieran en sus viviendas, mientras un millar de trabajadores británicos se manifestaban pacíficamente y rodeados por un importante dispositivo de seguridad frente a la sede de la compañía reclamando al ejecutivo la protección de sus empleos. A esa consigna acabaron sumándose otros mil huelguistas en la proveedora de gas Milford Haven, al oeste de Gales, y centenares de empleados de seis grandes compañías energéticas escocesas, de una segunda refinería del nordeste de Inglaterra o de una estación eléctrica galesa, entre otros paros de ámbito más reducido. El comité de empresa de la planta nuclear de Sellafield (noroeste) también debatía el apoyo a los huelguistas.

El suministro energético en las islas británicas está por el momento garantizado, aunque la protesta amenaza la ya precaria estabilidad del gobierno de Gordon Brown, situado 12 puntos por debajo de la oposición conservadora en las últimas encuestas. “Entiendo la ansiedad de la gente sobre sus trabajos. Nuestra acción se dirige a garantizar que puedan retenerlos, a ayudar a quienes pierden su empleo para que encuentren otro y a alentar la formación de los jóvenes. Ese es el modo correcto de encarar el problema”, declaraba el primer ministro desde el Foro de Davos. Pero el hincapié que hizo Brown en la necesidad de evitar la tentación proteccionista difícilmente contribuirá a calmar los ánimos de unos huelguistas que han proclamado la globalización como su bestia negra.

23/01/2009 - 09:55h Estatização, a única saída para os bancos?

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O Banco de Inglaterra em Londres. foto: Toby Melville/Reuters

Célia de Gouvêa Franco – VALOR

O que os governos dos países mais duramente afetados pela crise financeira devem fazer com os bancos? Nacionalizar todo o sistema? Estatizar imediatamente os bancos que estão às vias de quebrar? Ou deixar as instituições mal administradas irem à lona porque o custo de intervir seria muito alto para os contribuintes e tiraria dinheiro de prioridades como fazer as economias voltar a se expandir? Ou ainda optar por continuar a fazer o que estão fazendo: injetar dinheiro nos bancos e adicionalmente aumentar a regulamentação.

À parte a questão do emprego (ou, mais apropriadamente, do desemprego), dificilmente haverá tema econômico que atraia no momento mais atenção internacional do que o futuro do sistema bancário e como tirá-lo do emaranhado de problemas que travam a concessão de crédito, com graves implicações para o crescimento dos países. Está claro que a primeira rodada de ajuda governamental aos bancos, anunciada depois de setembro, não foi e não é suficiente para salvar os bancos e resgatar as empresas que dependem de empréstimos para o dia-a-dia dos seus negócios e para investir. Sem uma solução para os bancos, aumenta exponencialmente o risco de uma depressão.

Políticos, economistas, empresários, bancários e banqueiros querem dar sua opinião, defender e criticar o aumento da participação do Estado no setor financeiro, propor alternativas ao controle estatal ou apoiar sua ampliação. Neste ponto, gostaria de abrir um parênteses para uma observação pessoal – passados quatro meses desde a eclosão da fase mais aguda desta crise financeira brutal, continuo surpresa com a rapidez com que a discussão sobre o papel do governo na economia voltou ao centro dos fóruns e embates depois de décadas em que o assunto era considerada carta totalmente fora do baralho do debate econômico. Por ora, o foco é a estatização de bancos, mas há quem creia que existe espaço para uma ampliação do debate para outros segmentos.

Uma simples consulta a sites de discussão acadêmica e a blogs de prestigiados comentaristas das principais publicações econômicas do mundo mostra a importância do tema hoje e a polêmica que provoca entre economistas dos mais variados matizes e dos dois lados do Atlântico.

Abrigado sob o guarda-chuva do “Financial Times”, Willem Buiter, professor da London School of Economics e ex-economista-chefe do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, dedica seus dois artigos desta semana a analisar a possibilidade do governo de Sua Majestade a Rainha Elizabeth II encampar os bancos do Reino Unido. Os títulos dos dois comentários (encontráveis em http://blogs.ft.com/maverecon/) não poderiam ser mais claros: “Tempo para que os bancos passem ao controle público total” e “O governo britânico consegue impedir que o sistema bancário do país suma pelo esgoto sem arriscar uma crise da dívida soberana?”

Especialista em instituições financeiras, com formação em Cambridge e Yale, Buiter não mede palavras ao prever que no espaço de um ano todos os principais bancos de varejo inglês, incluindo os mais conhecidos dos brasileiros, como o HSBC e o Barclays, acabarão sob controle (temporário) do setor público, uma profecia que pareceria uma alucinação desvairada poucos meses atrás. E mais: na sua opinião, esses bancos hoje atuam como zumbis – têm capital suficiente para se manter, mas pouco fazem do que se espera que bancos façam, empréstimos. É compreensível que eles se mantenham retraídos quanto à concessão de crédito em épocas de crise, mas predominaria um comando ainda mais severo do que a simples cautela, em parte porque a expectativa de entrada do governo em bancos, como acionista minoritário, estaria aumentando o medo da insolvência. Bancos que têm o governo como sócio querem se livrar dele o mais rapidamente possível e buscarão operações com o menor risco possível.

Nesse cenário, Buiter defende que o governo britânico assuma integralmente todos os bancos – e a partir daí ele explica, em um dos seus artigos, toda uma proposta detalhada sobre o qua aconteceria com o sistema bancário do Reino Unido, incluindo a sugestão de que sejam demitidos os altos executivos e membros dos conselhos, sem a concessão de benesses. O grau de detalhamento do seu plano mostra como o debate sobre a estatização dos bancos avançou de forma acelerada nas últimas semanas.

Essa mesma sensação de que está se aproximando o dia em que haverá consenso sobre a nacionalização do sistema bancário permeia um artigo do economista Luigi Zingales, professor da Universidade de Chicago, intitulado “Sim, nós podemos, Mr. Geithner” (em uma referência tanto ao mote da campanha à presidência de Barack Obama, quanto ao seu secretário de Tesouro, Tim Geithner. (http://www.voxeu.org/index.php?q=node/2807). De formação muito diferente da de Buiter, Zingales propõe medidas para o governo americano muito semelhantes ao plano apresentado por Buiter para o Banco da Inglaterra.

Curiosamente, Zingales começa o tópico específico sobre o sistema financeiro com um alerta: Geither deveria lembrar que o que é melhor para os bancos não é necessariamente o que é melhor para os Estados Unidos.

Bancos bem capitalizados são um ingrediente essencial para o país, diz Zingales, e resolver a crise do setor é essencial e urgente. Mas a melhor solução não seria simplesmente colocar mais dinheiro nos bancos. Por causa do custo elevadíssimo para os contribuintes e também porque seria a semente para uma nova crise. Para ele, a atual crise nasceu com a solução dada pela seção de Nova York do Fed (o banco central dos EUA) no caso do Long Term Capital Management há dez anos. De acordo com ele, até agora, todo o dinheiro aplicado por Washington no sistema bancário não minorou o problema do setor produtivo – as empresas continuam com dificuldades para levantar financiamentos.

Célia de Gouvêa Franco é secretária de redação. A titular da coluna é Claudia Safatle.

E-mail celia.franco@valor.com.br

09/01/2009 - 18:42h França Arte : De Chirico, Warhol, Kandinsky o os irmãos Pollock

LE MONDE

De Chirico
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” Picasso et les maîtres” n’est pas encore terminée au Grand Palais que la question est déjà posée : le printemps 2009 sera-t-il, en matière d’expositions, aussi nourri que l’automne 2008 ? Premier élément de réponse, le 12 février, à l’ouverture de la rétrospective “Giorgio De Chirico – La Fabrique des rêves” au Musée d’art moderne de la Ville de Paris. Elle est attendue avec d’autant plus de curiosité que cet artiste italien d’origine grecque n’a pas été montré en France depuis longtemps et que l’exposition s’annonce complète : paysages et natures mortes étranges, période dite “métaphysique” des intérieurs peuplés de mannequins, retour à l’Antiquité des années 1920, pastiches de Titien ou de Courbet des années 1950. Postmodernité ironique ou reprises laborieuses ? On pourra juger sur pièces jusqu’au 24 mai.

 Jackie Kennedy de Andy Warhol
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Warhol aimait De Chirico. Verra-t-on au Grand Palais les sérigraphies qu’il lui dédie ? Du 18 mars au 13 juillet “Le Grand Monde d’Andy Warhol y sera présenté, centré sur les relations de Warhol avec les célébrités de son temps. Dès le 20 février, la Maison rouge lui consacre une exposition plus précise, “Warhol 70″, qui montrera jusqu’au 3 mai les programmes télévisuels réalisés par l’artiste de 1971 à 1987, date de sa mort. Au Grand Palais encore, du 6 avril au 6 juin, “La Double Image – D’Arcimboldo à Dali” : Jean-Hubert Martin, commissaire de l’exposition, revient sur un sujet qu’il avait traité à Düsseldorf en 2003 sous le titre “L’Enigme sans fin” : les images cryptées dans d’autres, les falaises à profil de vieillards, tous les jeux et équivoques de la perception visuelle.

 Kandinsky
Wassily Kandinsky

Moins de surprises au Centre Pompidou, qui célèbre deux artistes majeurs du XXe siècle. Du 18 mars au 20 juillet, c’est “Alexandre Calder – Les Années parisiennes 1925- 1930″ : une introduction à ce qui devrait être enfin, un jour, la grande rétrospective Calder. Cette cérémonie en majesté, c’est Kandinsky qui en bénéficiera, du 8 avril au 17 août avec “Kandinsky – Absolut, Abstrakt”, un parcours complet en une centaine de toiles, de Munich vers 1905 à la mort à Neuilly-sur-Seine en 1944.

 Calder
http://www.djtfineart.com/images/artwork/full/calder039.jpg

L’abstraction serait-elle justement de nouveau à la mode ? Charles Pollock, frère aîné de Jackson, est à découvrir du 16 janvier au 24 mai à Saint Louis alors que le Musée Matisse du Cateau-Cambrésis montre, du 15 mars au 14 juin, “Ils ont regardé Matisse, une réception abstraite”, avec Pollock – Jackson cette fois -, Rothko, Newman, Hantaï, Viallat ou Rouan. Quelquefois abstrait, quelquefois figuratif, Gerhardt Richter est au Musée de Grenoble du 7 mars au 1er juin, pour une réunion de ses oeuvres conservées dans les collections françaises.

Jackson Pollock Blue – Moby Dick, ca.1943

Du côté des plus jeunes, Jean-Luc Moulène prend possession du Carré d’art de Nîmes du 28 janvier au 3 mai pour une rétrospective qui ne se limite pas à la photographie. Du 10 janvier au 20 mars, Franck Scurti présente ses récents travaux de céramique au Musée Picasso de Vallauris. A Nice, la Villa Arson accueille “Trivial Abstract” du 21 février au 24 mai : toujours l’abstraction donc, telle que la voit aujourd’hui l’artiste Pascal Pinault, commissaire de la manifestation. Pour juger des tendances actuelles de la création française, la deuxième édition de la “Force de l’art”, une quarantaine de créateurs actuels, dans la nef du Grand Palais du 24 avril au 1er juin.

A Paris, un bouquet d’expositions à caractère archéologique et historique : au Musée Guimet du 11 février au 25 mai, “Dvâravatî : aux sources de l’art bouddhique en Thaïlande” ou l’art méconnu du royaume de Dvâravatî, au centre de la Thaïlande, du VIe au XIIe siècles ; au Louvre, du 6 mars au 29 juin, “Les Portes du ciel : visions du monde dans l’Egypte ancienne” ; et, au Musée du quai Branly, “Recettes des dieux – Esthétique du fétiche” du 3 février au 10 mai et du 17 mars au 28 juin “Le Siècle du jazz”, concoctée par le critique Daniel Soutif.

Et un nouvel “anti-musée” proposé par Daniel Cordier : l’ancien résistant, secrétaire de Jean Moulin, devenu un des grands marchands des années 1960, a déjà donné en 1989 une collection exceptionnelle au Centre Pompidou. Plus de 500 oeuvres qui proposaient un regard différent sur l’art contemporain de celui auquel les conservateurs nous avaient habitués. Il recommence, avec près de 120 autres oeuvres, pour la plupart issues de civilisations “non occidentales”, à Beaubourg et aux Abattoirs de Toulouse, du 24 janvier au 19 avril.

Enfin, si vous n’avez pas pu voir Picasso au Grand Palais, tentez votre chance à Londres : la version anglaise de l’exposition, “Picasso, Challenging the Past”, sera à la National Gallery du 25 février au 7 juillet.

Philippe Dagen

27/12/2008 - 14:48h Uma idéia estranha em Paris

http://paris.metblogs.com/archives/images/2006/11/5C220074-paris-galeries-lafayette.jpg

Gilles Lapouge * – O Estado SP

Comerciantes franceses esperavam o Natal com angústia. Temiam um naufrágio. Após seis meses de crise, donos de mercearias, butiques de luxo ou hipermercados estavam com a pulga atrás da orelha. Mas foi o contrário. Os franceses gastaram muito. Eles se entregaram às compras “descontroladas”, segundo observadores especializados. No total, os gastos na festas de 2008 deverão ser iguais ou um pouco superiores aos de 2007.

Não demorou para aparecer o tradicional exército de sociólogos, psicanalistas, filósofos para explicar o paradoxo. Eles foram rapidamente convocados às estações de rádio e televisão para despejar os habituais oceanos de banalidades. Dois pontos de vista se destacam. Para uns, a França tem uma poupança enorme. Sendo assim, as famílias esbanjaram as reservas por estar convencidas de que a crise não será longa.

Para outros, é o contrário. Os franceses esperam um ano de 2009 execrável: falências, desemprego, suicídios. E resolveram gozar uma última vez antes do desastre, escolheram “morrer sorrindo”. É a síndrome do Titanic.

Uma idéia estranha circula por Paris: a presente crise não existe. Os políticos a inventaram, por razões obscuras, e os meios de comunicação, encantados, seguiram atrás. Tudo isso é uma mentira, um embotamento dos espíritos. A verdade é que tudo vai muito bem. Uma sondagem de opinião espantosa foi publicada: 50% dos franceses acham que “tudo vai muito bem”.

Nada parecido com isso na Inglaterra. Lá, as pessoas estão apertando o cinto. As grandes lojas, atoladas em encalhes, lançam liquidações com oito dias de antecedência, na célebre Knighstbridge, na Harvey Nichols, na Selfridges.

Woolworths, MFI e Zavvi (ex-Virgin Megastores) estão sob administração judicial. Espera-se a bancarrota de dez cadeias comerciais em janeiro.

Para o Natal, as lojas baixaram seus preços de 20% a 50%, mas os porta-moedas ficaram hermeticamente fechados.

A explicação seria a seguinte: a economia inglesa está sendo puxada cada vez mais pelos serviços e, sobretudo, os serviços financeiros. O parque produtivo inglês é reduzido e de baixa qualidade.

Assim, a crise, que é financeira, atingiu com toda força a Inglaterra, mais que qualquer outro país, e, singularmente, as altas finanças da City, o distrito financeiro de Londres.

Há semanas se recolhem os operadores arruinados com pás nas calçadas da City, como se fossem as folhas mortas de outono. Ora, esses traders, jovens luxuosos, esnobes, dândis, aristocráticos e vulgares tinham o hábito de esbanjar as enormes gratificações, suas gratificações imorais, no Natal.

Nada de gratificações neste ano. Em lugar das gratificações, chutes no traseiro! Nessas condições, com o traseiro dolorido e os bolsos vazios, quem iria despejar fortunas na Harrods, na Woolworths ou na Knightsbridge?

É essa a desgraça da Inglaterra. Já se explicou amiúde aos países subdesenvolvidos que é perigoso basear toda uma economia numa “monocultura”, de trigo, milho, cacau ou canela. Isso também vale para os países superdesenvolvidos, como a Inglaterra, que se entregou cegamente a uma “monocultura”, a monocultura do dinheiro.

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

17/12/2008 - 19:25h Bloody Sunday – Hunger

U2

On January 30, 1972, British troops opened fire on unarmed and peaceful civilians in Derry, Ireland during a civil rights march. This music video is a tribute to the 14 killed and others wounded – combining video/music of U2, video from “Bloody Sunday” (2002 movie), and photographs from that terrible day.

A trailer about a new film, ‘Hunger’, which looks at the last six weeks of the life of IRA hungerstriker Bobby Sands.
Artist Steve McQueen’s debut film Hunger also won the Camera d’Or prize at the Cannes Film Festival.

27/11/2008 - 21:48h Farewell, New Labour

Nov 27th 2008
From The Economist print edition

Gordon Brown’s fiscal stimulus has set the agenda for the next election

Getty Images

ONCE they started falling, the totems toppled like ninepins this week. For 11 years, New Labour preached the gospel of fiscal prudence: money would be borrowed only for investment, and public net debt kept below 40% of GDP. Economic boom and bust were over; steady prosperity was the shape of things to come. Against this benign background, Britain’s rulers felt “intensely relaxed” about the prospect of people getting filthy rich: in three elections Labour pledged not to raise the top rate of income tax, set at 40% in 1988.

Not one of these pillars has survived the revelations in this week’s £20 billion ($31 billion) fiscal-stimulus plan. Borrowing will hit 8% of GDP in 2009-10 and debt 57% of GDP in 2012-13, even on the government’s optimistic assumptions. The Treasury predicted in March that the economy would grow by 2.5% next year; it now thinks output will shrink by 1%. And a new 45% tax rate for the rich will be imposed from 2011. New Labour’s compact with the aspiring middle classes has collapsed, and what happens next is anyone’s guess.

The package that Gordon Brown, the prime minister, and his chancellor of the exchequer, Alistair Darling, have come up with will cut value-added tax (VAT) temporarily, give income-tax and other relief mainly to those on lower incomes or struggling with precarious jobs and mortgages, support small businesses and bring forward capital spending (see article). All this is to be paid for by a later squeeze on public spending, an increase in national-insurance (social-security) contributions and higher income taxes for the rich—after, needless to say, the next election. Will the package work, and what will it do to the political landscape?

The government’s economic ambition—shaving up to half a percentage point off a recession that looks set to be the rich world’s grimmest—is hardly vaulting. By itself, the stimulus seems modest, equal to about 1% of GDP rather than the 2% the IMF urged on countries that could afford it, and far less than the Americans are now contemplating. The cut in VAT may hardly be noticed amid the flurry of retailers’ frantic price-slashing—and many of the benefits will be felt abroad as Britons buy more foreign goods. Extra help for those with children and for pensioners is rightly targeted on those likely to spend most, but the amounts involved per family are peanuts. And the prospect of heavier national-insurance contributions from 2011 will surely put firms off hiring people.

Yet this modesty must be put into context. Tax revenues are set to plunge faster in Britain than in many other rich countries, thanks to a collapse in receipts from finance and property. Add in the spending, on unemployment benefits and so forth, that increases in a recession, and Britain will get a hefty rise in the budget deficit—and a commensurate fiscal boost—without the government lifting a finger. British manufacturers have already been helped by sterling’s slide. And the Bank of England still has more room to cut interest rates than many of its peers.



Soak the rich; it was such a success last time

The politics revolve around how to pay for the stimulus—and both parties have made fundamental errors of judgment. The Tories’ decision to oppose all unfunded tax cuts is a classic example of cutting off your nose to spite your face. Yes, fiscal discipline is important; but in times as dire as these stimulus is needed and stimulus, if it is to have any effect, has to be unfunded, at least in the short term. The Tories should have accepted that—and reminded people that the boost could have been bigger if Labour had not blown so much cash earlier.

Mr Brown’s error may be still graver. New Labour came to power in part because it persuaded upwardly mobile Britons that it had given up the politics of envy and resentment. Since then business has put up with ever more red tape and stealth taxes (Britain’s state is now bigger, as a share of the economy, than Germany’s). Mr Brown could have balanced the books in the medium term by slimming this bloated monster. Instead, he is playing to the gallery with the new 45% tax rate for the rich. This will affect only 1% of earners, raising at most £1.6 billion a year—and it runs directly against the enterprise culture Mr Brown once sought to foster. This looks like gesture politics of the class-war sort. Farewell, New Labour.

19/11/2008 - 09:46h Crise faz países ricos darem sinais de deflação

Agências internacionais – VALOR

A crise financeira internacional ameaça criar deflação nos países ricos e aprofundar os efeitos da desaceleração econômica. Analistas prevêem deflação no ano que vem e países como EUA e Reino Unido já registram retração ou desaceleração nos preços, aumentando os temores do mercado e forçando cortes de juros.

John Herrmann, presidente da Herrmann Forecasting, de Nova Jersey, disse que “a retração generalizada dos preços nos EUA mostra que a inflação foi contida, e que a deflação está se instaurando”. “Isso dá munição ao Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) para continuar cortando os juros”, concluiu.

Matthew Sharratt, economista do Bank of America de Londres, disse que a inflação ao consumidor no Reino Unido “é agora água passada”. “Ela vai cair para bem menos do que a meta [do Banco da Inglaterra] no ano que vem. Isso abre bastante o caminho para que as taxas de juros passem por uma redução profunda em dezembro.”

O presidente do Banco da Inglaterra [BC britânico], Mervyn King, disse na semana passada que a economia britânica deve estar em recessão e que as autoridades da área monetária vão reduzir o custo do dinheiro o necessário para combater a deflação. O banco prevê que a inflação do país vai desacelerar para menos que o limite inferior fixado pelo governo, de 1%, se o BC não reduzir a taxa referencial de juros a partir de seu nível atual de 3%.

Nos EUA, os preços pagos pelos produtores americanos tiveram em outubro sua maior queda de todos os tempos, num momento em que a economia mundial, que perde fôlego, fez com que a demanda por commodities estancasse. A queda de 2,8%, superior à prevista, seguiu-se à retração de 0,4% verificada em setembro, disse o Departamento do Trabalho.

O núcleo do índice, que exclui elementos como alimentos e combustíveis, subiu 0,4%, o que indica que as quedas dos custos das matérias-primas ainda não chegaram aos outros produtos.

Segundo a mediana de 76 prognósticos captados pela Bloomberg News, os preços no atacado dos EUA cairiam 1,9% em outubro. O acompanhamento do Índice dos Preços ao Produtor pelo Departamento do Trabalho dos EUA remonta a 1947.

A inflação ao consumidor do Reino Unido desacelerou em outubro mais do que o previsto pelos economistas – a maior desaceleração de pelo menos 11 anos. Os preços ao consumidor subiram 4,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, comparativamente à alta de 5,2% registrada em setembro, disse o Departamento de Estatística Nacional em Londres. A mediana das projeções captadas em sondagem junto a 27 economistas foi de 4,8%. A taxa agora ultrapassou pelo 13º mês a meta de 2% fixada pelo BC.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, disse ontem que “ainda” não observa tendências de deflação na zona euro. Trichet destacou que os planos de relançamento adotados serão bons “nos países onde há margem de manobra”.

Ele disse que o BCE “reduzirá as taxas de juros se for preciso”.

Anteontem, o Comissário Europeu dos Assuntos Monetários, Joaquín Almunia, havia alertado para o risco de uma possível deflação como consequência da crise econômica internacional.

14/11/2008 - 10:42h Seqüência do Bretton Woods fracassará

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Gideon Rachman – Financial Times – VALOR

Atribuo toda a culpa a Dean Acheson. O estadista americano, há muito falecido, foi uma grande figura na conferência original de Bretton Woods, em 1944, e posteriormente ajudou a inventar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Acheson deu a suas memórias o modesto título de “Present at the Creation” (presente à criação, em inglês) e, ao fazê-lo, inadvertidamente alimentou as fantasias de grandiosidade dos líderes do grupo dos 20 (G-20) países com maior economia, que se reúnem em Washington no fim de semana. Por que eles não poderiam também chegar ao status de quase deuses, reordenando as instituições do mundo?

Alguns dos líderes que se dirigem a Washington são surpreendentemente francos sobre o prazer que estão tendo. Nicolas Sarkozy, o dinâmico presidente da França, congratulou-se por sua “sorte” em ter a chance de refazer o sistema financeiro mundial. Gordon Brown, primeiro-ministro britânico, visivelmente deleita-se com a idéia de ser um líder intelectual mundial.

Como a maioria das seqüências, no entanto, o Bretton Woods II não chegará nem perto do original. A primeira conferência criou o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Seu substituto será mais maçante e gerará menos conseqüências significativas.

O primeiro motivo é que a crise financeira mundial – mesmo tão grave como é – está longe de ser a Segunda Guerra Mundial. A guerra destruiu a ordem estabelecida e, portanto, os estadistas que desenharam as instituições do pós-guerra tinham um papel em branco para rabiscar.

O segundo é que não há tempo suficiente. A conferência original de Bretton Woods teve os benefícios de dois anos de preparação, não duas semanas.

O terceiro – especialmente importante – é que os países que se reunirão em Washington neste fim de semana divergem. Os europeus, que adoram todas as formas de governança internacional, pressionam por novos reguladores mundiais para o sistema de finanças internacionais. Os americanos e chineses – mais zelosos de sua soberania nacional – estão mais cautelosos.

Por fim, ao contrário do ocorrido no Bretton Woods original, os Estados Unidos não têm o poder nem a inclinação para impor um novo conjunto de planos para o resto do mundo.

Este último ponto é algo que os europeus, em particular, mostram dificuldade em compreender. Sua visão geral é a de que há duas formas opostas de arrumar o mundo. A primeira – associada com o temido presidente George W. Bush – era baseada no poder e “unilateralismo”. A segunda – que esperam ser adotada pelo santificado Barack Obama – é baseada em um EUA repreendido, que trabalha com os outros para construir uma nova ordem multilateral. Parte da excitação européia em relação ao Bretton Woods II é baseada na idéia de que a era da primazia dos EUA acabou – e que amanhece uma nova era multilateral.

Em 1944-45, entretanto, instituições multilaterais como o FMI, Banco Mundial e Organização das Nações Unidas (ONU) nasceram da força dos EUA e não de sua fraqueza. Um dos motivos para o Bretton Woods ter funcionado é que os EUA eram claramente o país mais poderoso na mesa de negociação e, portanto, no fim das contas tinha capacidade para impor sua vontade aos outros, incluindo uma Grã-Bretanha freqüentemente consternada. Na ocasião, uma alta autoridade do Banco da Inglaterra descreveu o acordo alcançado como “o maior golpe desferido contra a Grã-Bretanha depois da guerra”, em grande parte porque ressaltava a forma como o poder financeiro havia passado do Reino Unido para os EUA.

O encontro do próximo fim de semana também reconhece mudanças no poder global. Os entusiastas do G-20 gostam que o grupo não seja o cansado e velho G-8, que vêem como sendo composto principalmente de países europeus exauridos destinados a entrar no matadouro da história. O G-20 inclui novas potências emergentes, como China, Índia, Brasil e África do Sul.

Isso é importante. Um sistema internacional que não acomode a China, Índia e outros novos emergentes claramente não pode funcionar no longo prazo. Contudo, trazê-los ao sistema não é garantia de sucesso. Quanto mais vozes ao redor da mesa do Bretton Woods II – e mais igualdade houver entre eles -, mais difícil será chegar a um acordo.

De fato, o mundo emergente multilateral e multipolar – há muito defendido por aqueles desconfortáveis com o poder americano – mostra todos os sinais de ser altamente inepto.

A ONU está cada vez mais paralisada – assolada por uma liderança fraca e um conselho de segurança bloqueado. Nos últimos 12 meses, a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) fracassou. E se as negociações da OMC não conseguiram produzir resultados, que chance haverá de sucesso em uma tarefa muito mais difícil, como a de negociar um acordo mundial de mudanças climáticas no próximo ano?

As rodadas comerciais anteriores foram concluídas com êxito, em parte, porque foram costuradas por Europa, América e Japão. Porém, na rodada mais recente, os países em desenvolvimento – em particular a Índia – ficaram poderosos demais para serem ignorados. Este é certamente um avanço para a justiça e equidade mundiais, mas torna muito mais difícil atingir um acordo. O mesmo problema provavelmente afligirá as negociações sobre mudanças climáticas no próximo ano, nas quais a China desempenhará papel central.

Ter montes de países na mesa de negociação não é por si só um fator destruidor de consensos. Havia 44 países no Bretton Woods original. Porém, o que se precisa é de liderança. Em 2008, como em 1944, o líder mais plausível é os EUA. Isso torna duplamente infeliz o fato de que o presidente americano anfitrião em Washington será Bush e não Obama.

Sob o comando do presidente Bush, os EUA descobriram que não podem liderar o mundo por meio do exercício da força bruta. A tarefa do presidente eleito Obama será ver se os EUA agora podem liderar por meio da persuasão. Infelizmente, ele não estará presente à recriação neste fim de semana.

14/11/2008 - 09:50h Alemanha não resiste à crise e entra em recessão

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Maior economia européia vive seu pior momento desde o pós-Guerra; OCDE prevê contração nos EUA, Japão e UE

Jamil Chade, Genebra; Andrei Netto – O Estado SP

A maior economia da Europa não resiste e entra em recessão. A Alemanha, conhecida como a locomotiva do Velho Continente, anunciou ontem que sua economia se contraiu pelo segundo trimestre consecutivo. A queda no crescimento coloca o país em sua pior situação nos últimos 12 anos, o que deve ter repercussões em toda a Europa e mesmo para as exportações brasileiras. Para o Deutsche Bank, 2009 pode ainda registrar o pior desempenho econômico da Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Segundo os dados oficiais, o PIB foi reduzido em 0,5% entre agosto e outubro. No segundo trimestre, a queda já havia sido de 0,4%. Tecnicamente a recessão é declarada quando uma economia registra contração por dois trimestres consecutivos. França, Reino Unido e Irlanda já estão na mesma situação da Alemanha, mas a esperança era de que a maior economia do bloco resistisse.

O cenário é bem diferente do que os políticos alemães previam. No início da crise, a chanceler Angela Merkel deixou claro que a Alemanha “não entraria em recessão”. Agora, a queda é superior até mesmo às previsões mais negativas dos analistas. A última recessão foi registrada em 1996.

Desta vez, o temor é de que a crise seja prolongada. A Bolsa de Frankfurt já perdeu mais de 40% neste ano e a falta de confiança dos empresários bate recorde. O consumo também caiu e o país deve perder o posto de maior exportador do mundo, posição que ocupava havia quatro anos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já havia alertado que 2009 verá uma contração da economia alemã de 0,8%.

Todo o bloco europeu também deve sofrer com a recessão. Em meados da semana passada, foi a Inglaterra que admitiu estar em recessão.

OCDE PESSIMISTA

Estados Unidos, Japão e os 15 países da zona euro, cujas economias já enfrentam a estagnação, também devem sofrer recessão severa em 2009. A estimativa é do relatório de previsões econômicas da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), divulgado ontem, em Paris.

Segundo os especialistas, os 30 países-membros da entidade crescerão 1,4% em 2008, mas enfrentarão queda de 0,3% no PIB em 2009. Em 2010, vem a retomada. O maior decréscimo no próximo ano se dará nos Estados Unidos: -0,9%.

Os Estados Unidos devem enfrentar quatro trimestres de contração. A crise se agrava de forma progressiva no país: no terceiro trimestre, a retração será de 0,3%, chegando no fim do ano ao fundo do poço, com 2,8% negativos. Em 2009, a previsão é de decréscimo de 2% no primeiro trimestre e de 0,8% no segundo. A queda brusca na primeira metade do ano levará à retração do PIBdo país a valores próximos de 1%.

Só no segundo semestre de 2009, conforme os experts da OCDE, começa o reaquecimento nos EUA. Em 2010 a previsão é de 1,6% de crescimento.

O relatório da OCDE confirma o recuo também na União Européia. No grupo de 15 países que adotam a moeda única – entre os quais Alemanha, França, Itália e Espanha -, também deve viver quatro trimestres consecutivos de contração: -0,5% no terceiro trimestre de 2008, -1% no quarto, -0,8% no início de 2009 e -0,4% no segundo trimestre do próximo ano.

Jorgen Elmeskov, diretor de Estudos Econômicos da entidade, disse que os 30 países que integram a OCDE – Brasil não incluso – entram em recessão, com perspectivas de desaceleração prolongada da atividade.

O relatório também reitera a convicção de que os grandes países emergentes, como China, Índia e Brasil, embora em desaceleração, sustentarão o crescimento internacional durante a recessão no G-7. “O crescimento em países não-membros da OCDE também se desacelera”, diz Elmeskov, “mas é claro que o nível de elevação do PIB destes emergentes ajuda os países desenvolvidos a enfrentar a crise”. Questionado pelo Estado sobre quando China, Índia e Brasil voltarão a acelerar, o economista não respondeu. “Vamos divulgar um relatório exclusivo sobre o tema em 25 de novembro.”

13/11/2008 - 11:18h Reino Unido: maior desemprego em 11 anos

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Número fica perto de 2 milhões de pessoas. BC britânico prevê queda do PIB de 2% em 2009 e pode cortar juros de novo

O Globo

LONDRES. Os sinais de que o Reino Unido será, ao lado dos Estados Unidos, um dos dois países mais afetados pela crise financeira mundial se fortaleceram ontem. O número de desempregados chegou perto da marca de dois milhões no terceiro trimestre, o maior nível desde 1997, enquanto a taxa de desemprego atingiu 5,8%, o maior índice desde o início de 2000. Já o Banco da Inglaterra (o banco central britânico) divulgou relatório apontando que a economia do país pode encolher até 2% em 2009. Segundo o BC, o Reino Unido provavelmente já entrou em recessão no terceiro trimestre e não deve se recuperar até o segundo semestre do próximo ano.

Ao todo, 1,82 milhão de pessoas estavam sem trabalho no Reino Unido entre julho e agosto, o que representa uma alta de 140 mil casos em relação ao trimestre anterior. O número é o maior em 11 anos. Do total de desempregados, 16,1% se concentram na Grande Londres. O número de desempregados entre 18 e 24 anos subiu em 53 mil entre o segundo e o terceiro trimestre, para 579 mil pessoas, o maior nível desde 1995.

Para responder à situação, o ministro do Emprego, Tony McNulty, já anunciou que vai dobrar para seis milhões de libras (US$ 8,977 milhões) o volume de recursos disponíveis para os auxílios aos desempregados do país.

O número de pessoas solicitando auxílio-desemprego aumentou em 36.500 em outubro, frente a setembro, para 980.900, a maior alta mensal desde 1992.

— Pelos próximos 12 a 18 meses, o desemprego só vai aumentar — disse ao “Independent” o economista-chefe do Institute of Directors, Graeme Leach.

Inflação deve recuar de 5,2% para a 1% até 2010 E o tom do Banco da Inglaterra diante do cenário econômico se tornou ainda mais pessimista. A autoridade monetária ressaltou que as condições mudaram dramaticamente desde agosto e a contração da economia pode chegar a 2% no próximo ano.

— É difícil saber de forma precisa por quanto tempo estaremos em recessão. Acho que provavelmente estamos em recessão agora — disse o presidente do BC britânico, Mervyn King.

A inflação no Reino Unido deve cair para 1% até 2010, contra os atuais 5,2%. A meta de inflação no país é de 2%, o que significaria que há espaço para corte de juros, movimento que o BC está preparado para fazer, segundo King. Na semana passada, a taxa de juros foi reduzida em 1,5 ponto percentual, para 3%, o menor nível desde 1955.

— Nós certamente estamos preparados para cortar a taxa novamente se isso for necessário.

Há muitas coisas para aprender entre agora e nossa próxima reunião.

A expectativa dos mercados é que a taxa fique abaixo de 2% em um ano.

Enquanto isso, as pequenas empresas britânicas temem a falência, num ambiente sem crédito. Pequenas companhias e representantes do setor bancário se reuniram no Fórum de Pequenos Negócios para debater como podem ser retomados os empréstimos para as empresas, atualmente escassos, segundo reportagem do “Independent”.

Pequenos empresários defendem que o governo pressione os bancos pela liberação de recursos. As condições de muitos financiamentos já foram modificadas e as empresas temem ainda mais dificuldades com o agravamento da recessão.

12/11/2008 - 18:00h Brown aboga por estímulos fiscales coordinados para afrontar la recesión

Gordon Brown
Gordon Brown- AP

El primer ministro británico esgrime como ejemplos a China y España

WALTER OPPENHEIMER – Londres – El País

El primer ministro británico, Gordon Brown, defenderá en la cumbre global del próximo fin de semana en Washington que las grandes economías del planeta pongan en marcha “estímulos fiscales” de manera coordinada para afrontar la recesión. Brown citó como ejemplo a seguir los paquetes de ayudas fiscales aprobados en países como China y España, pero no explicó cuáles son sus planes específicos para el Reino Unido.

Los estímulos fiscales se han convertido en la panacea para los tres grandes partidos políticos británicos. Los liberales-demócratas hace ya semanas que defienden recortes de impuestos y ayer se sumaron también los conservadores. Su líder, David Cameron, presentó un plan de recorte de impuestos a las empresas de 2.500 libras (algo más de 3.000 euros) por cada trabajador que contraten que lleve más de tres meses desempleado. De esta manera, aseguró, se podrían crear 350.000 nuevos empleos sin coste para el Estado porque las ayudas fiscales se compensarían mediante ahorros en el pago del subsidio de paro.

Los “estímulos fiscales” defendidos por el primer ministro se conocerán cuando la semana que viene, o quizá la siguiente, el ministro del Tesoro y canciller del Exchequer, Alistair Darling, presente en el Parlamento el tradicional minipresupuesto de otoño. Entre las medidas que se barajan están el incremento de las ayudas para gasóleo de calefacción, un nuevo aplazamiento de las nuevas tasas que gravan el gasóleo y una extensión de las vacaciones fiscales de determinadas tasas.

Pero esas medidas parecen insuficientes para tener un impacto serio en la actual situación, y el Gobierno podría estar preparando un anuncio más impactante. Algunos analistas especulan con la posibilidad de un recorte del IVA, dado el alarmante parón del consumo. Ayer se supo que las ventas al detalle han sufrido en octubre su caída más pronunciada en cuatro años y que el gasto de las familias está a niveles históricamente bajos debido al miedo al desempleo.

El primer ministro ha esbozado las ideas que piensa presentar en la cumbre de Washington. “Mi mensaje es que tenemos que ser internacionalistas, no proteccionistas; intervencionistas, no neutrales; progresistas y no reactivos; tener visión de futuro, no quedarnos congelados por los acontecimientos”.

Allí desbrozará los cinco puntos que, en su opinión, hay que tener en cuenta a la hora de reformar las estructuras financieras internacionales: la recapitalización de los bancos y la reactivación del crédito a negocios y familias; mejor coordinación internacional de la política fiscal y monetaria; un nuevo fondo de rescate para el FMI; un nuevo acuerdo comercial y mayor transparencia.

El secretario de Estado español para la UE, Diego López Garrido, dijo ayer en Londres que España coincide con las propuestas que llevará Brown a la cumbre de Washington en cuanto a la regulación de los mercados

Gordon Brown irá a Washington con un ojo puesto en la crisis financiera y otro en los réditos políticos domésticos que puede sacar de ella. Una encuesta de Populus publicada ayer por el diario The Times confirmaba su resurrección política: los laboristas, que hace un mes estaban a 15 puntos de los conservadores, están ya a sólo seis (41% a 35% ahora, 45% a 30% hace cuatro semanas).

12/11/2008 - 10:01h Indicadores confirmam recessão na Europa

Desemprego britânico é recorde e indústria européia desacelera

Dados aumentam o temor de uma recessão global profunda; produção industrial na zona do euro despenca

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Nathália Ferreira e Cynthia Decloedt, da Agência Estado

LONDRES – Dados sobre a economia européia divulgados nesta quarta-feira, 12, reforçaram o temor de uma grave recessão mundial. No Reino Unido, o número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou 36.500 em outubro, na maior alta desde dezembro de 1992 e o nono mês consecutivo de avanço, mostraram dados do Escritório de Estatísticas Nacionais. Já a produção industrial nos 15 países da zona do euro despencou em setembro, com a variação anual mostrando o maior recuo em mais de cinco anos e meio.

O dado britânico ficou levemente abaixo do esperado por economistas, que previam aumento de 40 mil pedidos. Por outro lado, o número de setembro foi revisado para alta de 36.300, ante 31.800 divulgada anteriormente. A taxa de desemprego subiu para 3% em outubro, de 2,9% no mês anterior, atingindo o maior nível desde março de 2001. O aumento ficou em linha com o esperado.

Na zona do euro, a produção industrial caiu 1,6% em setembro ante agosto e cedeu 2,4% em comparação a setembro do ano passado, segundo dados divulgados pela agência de estatísticas da União Européia. A queda de 2,4% é a maior desde fevereiro de 2002, quando recuou 3,2%.

A retração mensal foi um pouco menor do que o esperado, mas a variação anual superou o previsto. Economistas ouvidos pela Dow Jones previam queda mensal de 1,8% na produção e anual de 1,3%. As informações são da agência Dow Jones.


Reino Unido continuará em recessão até o 1º semestre de 2009

A estimativa é do Banco da Inglaterra, que prevê ainda risco de deflação, caso a taxa de juro não seja alterada

Nathália Ferreira, da Agência Estado

LONDRES – A economia do Reino Unido se contraiu 0,5% no terceiro trimestre e entrou em uma recessão no segundo semestre deste ano, afirmou o Banco da Inglaterra (BoE) em seu relatório de inflação trimestral. Segundo o documento, a economia britânica continuará em contração no primeiro semestre de 2009 e deverá começar a se recuperar no segundo semestre do próximo ano.

O BoE disse que há uma série de visões sobre a direção da economia no Comitê de Política Monetária, com a principal incerteza sendo a fraqueza da libra esterlina. Contudo, o BoE disse que, no geral, os riscos ao crescimento e à inflação estão “amplamente balanceados”.

Segundo o banco, a taxa de inflação no Reino Unido irá cair “bem abaixo” da meta de 2,0% no médio prazo, se a taxa básica de juro permanecer em 3,0%. De acordo com o BoE, há algum risco de deflação a partir do final de 2009 caso o juro não seja alterado. Contudo, a autoridade monetária disse que o risco de um período de queda de preços é relativamente pequeno.

“Na projeção central, a inflação desacelera fortemente no curto prazo, conforme as contribuições dos preços de energia e alimentos caem. Mais adiante, a inflação cai bem abaixo da meta de 2%, refletindo uma margem mais larga de capacidade ociosa e o menor impacto dos preços de importação”, afirmou o BoE.

O banco central acrescentou que as perspectivas para o crescimento econômico e a inflação são “extraordinariamente incertas”. Para o crescimento, o BoE projeta que a economia irá se contrair a uma taxa anual de cerca de 2% até o segundo semestre de 2009, se os juros se moverem em linha com as expectativas do mercado, que seria de uma taxa básica de 2,75% no segundo semestre do próximo ano.

No entanto, dentro da projeção central, o crescimento irá se recuperar no segundo semestre de 2009 e irá “crescer de certa forma acima da taxa média histórica” até 2011. As informações são da Dow Jones.


Desemprego na Grã-Bretanha atinge nível mais alto desde 1997

REUTERS

LONDRES – O desemprego na Grã-Bretanha subiu para seu nível mais alto em mais de uma década no terceiro trimestre, à medida que a economia caminha rumo à recessão, mostraram dados oficiais nesta quarta-feira.

A Agência de Estatísticas Nacionais informou que o número de pessoas sem emprego subiu para 1,825 milhão em três meses até setembro, o nível mais alto desde o último trimestre de 1997.

Isso fez com que a taxa de desemprego da medida internacional ILO subisse para 5,8 por cento, a mais alta desde o período entre janeiro e março de 2000.

O número de pessoas utilizando benefício de auxílio-desemprego subiu em 36.500, o maior aumento desde dezembro de 1992, quando a Grã-Bretanha passou por uma severa recessão.

11/11/2008 - 14:01h A crise sem lágrimas

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Antonio Delfim Netto – VALOR

Estamos todos cansados de falar da crise financeira que agora aterrissa na economia real. Dos que a produziram, de como sairemos dela e como vamos enfrentar a próxima… É inegável que a Inglaterra (depois das trapalhadas nos EUA feitas pelo acadêmico Bernanke e o prático Paulson) deu o caminho para o início da solução: mostrou que não se tratava de um simples problema de liquidez, mas de uma desarticulação entre o patrimônio das instituições financeiras e os riscos que tomaram, alavancando-o com operações exóticas que não registravam em seus balanços como passivos contingentes.

Todos sabemos que, quebrada a confiança no setor financeiro, o colapso do setor real é apenas uma questão de tempo. Não adiantam argumentos ideológicos ou o recurso a duvidosas teorias científicas: quanto mais demorar a intervenção do Estado na forma de fornecimento de capital temporário (para deixar aberta a porta de saída) e do suprimento de liquidez, tanto maior e mais duradoura será a crise financeira e a redução da produção física, com o aumento do desemprego correspondente.

Um fato evidente e reconhecido é que o sistema financeiro nacional ficou fora desse processo. Ele é hígido e pouco alavancado, mas nem por isso foi poupado do pânico da morte súbita da confiança, que é o fator catalítico sem o qual o sistema econômico não funciona. É claro que não podemos substituir a queda de renda do setor exportador, derivada de uma eventual redução da demanda física de nossos produtos, ou evitar a quase certa redução dos seus preços em dólares. Parte do efeito-preço, entretanto, será compensada internamente por uma saudável desvalorização do real (que ajudará também a exportação industrial) cuja “supervalorização” foi produto de uma política monetária oportunística e míope.

Com as disponibilidades que dispomos (as reservas e o swap do Fed), se tivermos imaginação e agilidade poderemos usar nosso sistema bancário para restabelecer boa parte do financiamento externo que desapareceu. Por outro lado, é evidente que o financiamento interno que era feito por nosso sistema bancário, com base no funding com recursos externos, poderá, em boa parte, ser também substituído pela liquidez interna sem pressões maiores sobre os preços e não menores sobre o nível de atividade.

Até aqui o governo tem respondido com agilidade à crise, mas, infelizmente, não tem encontrado apoio adequado na pesada máquina burocrática que o país carrega. Sua ação tem sido tímida no conforto que só ele pode dar ao sistema financeiro e à economia real para que não reduzam, por simples precaução (elegantemente importada!), suas atividades. Não adianta enganar-se: o crédito das instituições financeiras estatais e privadas não está fluindo como poderia e deveria e o crédito ao setor agrícola para o custeio (que é datado!) deixa muito a desejar. A compra de insumos (fertilizantes, por exemplo) está paralisada nas mãos dos pequenos importadores (os grandes não estão fazendo a sua parte), porque os agricultores não têm crédito para comprá-los. Com alguma determinação, esses seriam problemas facilmente solúveis, mas não adianta resolvê-los em janeiro, às vésperas da colheita da safra 2008/09.

O mesmo acontece com a falta de conforto negado às “pequenas” (mas absolutamente hígidas!) instituições financeiras, que são, a um só tempo, fator de concorrência num sistema onde ganhos de dimensão estão produzindo enorme concentração, e prestadoras de serviços preferenciais para os pequenos e médios industriais e comerciantes. Todos sabemos que a higidez e a solvabilidade de um banco não têm relação com o seu tamanho. Dependem da confiança que nele depositam os que compram os seus papéis. Tanto os “grandes” como os “pequenos” são, por definição, extremamente vulneráveis às crises de confiança como a que estamos vivendo. A prova disso foi o que aconteceu com notáveis bancos americanos, europeus e japoneses, que há pouco tempo eram considerados “grandes demais para quebrar”.

É absolutamente claro que os mecanismos criados pelo governo e a ação tímida e torturada da autoridade monetária em dar pleno suporte a todo o sistema – com intervenção na capitalização transitória e no fornecimento de liquidez – têm sido insuficientes para restabelecer o fluxo financeiro das “pequenas” (mas absolutamente hígidas) instituições financeiras. O processo ou é inaceitável por elas, porque mortal (quem pode ir ao “redesconto” sem parecer uma casa de tolerância?) ou cruel demais (quem pode entregar-se sem morrer à discrição dos “grandes”, sejam eles públicos ou privados?). Afinal, quem ainda não sabe que a liquidez dos grandes “empoça” à espera das grandes oportunidades de lucro fácil. Eles são “predadores”, na direção dos quais a autoridade monetária insiste em espantar a “presa”…

Vamos ousar. O crescimento de 2009 não está escrito nas estrelas, nem está na história de 2008. No caso brasileiro, temos condições um pouco melhores do que a maioria dos países emergentes: temos energia interna para sustentar um nível certamente menor, mas não catastrófico, da atividade econômica sem sacrificar o “espírito de desenvolvimento” que ressuscitamos apenas em 2006. O que será 2009? Não, necessariamente, o que os analistas prevêem. Ele será o que formos capazes de fazer dele com nossa inteligência e ousadia. E isso exige uma ação decidida e mais ágil do Estado para: 1) dar “conforto” ao setor privado financeiro e real para tomar os seus riscos; e 2) não reduzir os investimentos do PAC, ainda que isso custe um corte duro nas despesas de custeio, obviamente excluídas as políticas sociais.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

E-mail contatodelfimnetto@terra.com.br

11/11/2008 - 13:22h Considerações sobre Bretton Woods II

Luiz Gonzaga Belluzzo – VALOR

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Desde o século XVIII os teóricos e praticantes da moderna economia política debatem os conflitos e contradições entre a moeda universal (e seu caráter mercantil) e o exercício da soberania monetária pelos Estados nacionais.

No final do século XIX, a metástase da Revolução Industrial para os Estados Unidos e para a Europa Continental foi acompanhada pela constituição de um sistema monetário global, amparado na hegemonia da Inglaterra. Essa construção política e econômica do capitalismo suscitou, no imaginário social e na prática dos negócios, a “ilusão necessária” acerca da naturalidade e impessoalidade do padrão-ouro e de suas virtudes na promoção do ajustamento suave e automático dos balanços de pagamentos.

Ao promover a ampliação do comércio internacional, o padrão-ouro impôs a reiteração e a habitualidade da mensuração da riqueza e da produção de mercadorias por uma unidade de conta abstrata. Assim, para escândalo de muitos, a confiança na moeda universal em sua roupagem dourada promoveu a expansão da moeda bancária, suscitando a progressiva absorção das determinações funcionais do dinheiro – unidade de conta, meio de pagamento e reserva de valor – por uma representação, um signo desmaterializado garantido pelas finanças do Estado.

Nos anos 20 do século passado, o declínio da Inglaterra coabitou com incapacidade política do poderio econômico americano em afirmar sua hegemonia. Isso tornou problemática, após o hiato de moedas inconversíveis da Primeira Guerra, a restauração do padrão-ouro, mesmo sob a forma atenuada do Gold Exchange Standard que permitia a acumulação de reservas em dólares e libras. Em sua ressurreição, o padrão-ouro foi incapaz de reanimar as convenções e de reproduzir os processos de ajustamento e as formas de coordenação responsáveis pelo sucesso anterior. Os déficits e os superávits tendiam a se tornarem crônicos. Os países superavitários – sobretudo França e EUA – se empenharam em “esterilizar” o aumento das reservas em ouro para impedir os efeitos indesejáveis sobre os preços domésticos.

Nos trabalhos elaborados para as reuniões que precederam as reformas de Bretton Woods, Keynes formulou uma proposta mais avançada e internacionalista de gestão da moeda fiduciária. Ela previa a “administração” centralizada, pública e supranacional do sistema mundial de pagamentos e de provimento de liquidez. O Plano Keynes visava, sobretudo, eliminar o papel perturbador exercido pelo ouro – ou por qualquer moeda-chave – enquanto último ativo de reserva do sistema. Tratava-se não só de contornar o inconveniente de submeter o dinheiro universal às políticas econômicas do país emissor, mas também de evitar que assumisse a função de um perigoso agente da “fuga para a liquidez”.

Na verdade, os países trocariam mercadoria por mercadoria e o dinheiro internacional, o Bancor, seria reduzido à função de moeda de conta. Os déficits e superávits seriam registrados em uma espécie de conta corrente que os países manteriam junto à Clearing Union, a câmara de compensação encarregada de vigiar o sistema de taxas fixas, mas ajustáveis e de promover os ajustamentos entre deficitários e superavitários. No novo arranjo institucional não haveria lugar para a livre movimentação de capitais em busca de arbitragem ou de ganhos especulativos.

Em 1944, nos salões do hotel Mount Washington, na acanhada Bretton Woods, a utopia monetária de Keynes capitulou diante da afirmação da hegemonia americana que impôs o dólar – ancorado no ouro – como moeda universal. Talvez por isso, o segundo pós-guerra conte a história conflituosa da reafirmação do dólar como moeda-reserva e narre as desditas da reprodução dos desequilíbrios globais e da sucessão de ajustamentos traumáticos dos balanços de pagamentos na periferia.

Essas características do arranjo monetário realmente adotado em Bretton Woods sobreviveram ao gesto de 1971 – a desvinculação do dólar ao ouro – e à posterior flutuação das moedas em 1973. Na esteira da desvalorização continuada dos anos 70, a elevação brutal do juro básico americano em 1979 derrubou os devedores do Terceiro Mundo, lançou os europeus na “desinflação competitiva” e culminou na crise japonesa dos anos 90. Na posteridade dos episódios críticos, o dólar se fortaleceu, agora obedecendo ao papel dos Estados Unidos como “demandante e devedor de última instância”.

A crise dos empréstimos hipotecários e seus derivativos, que hoje nos aflige, nasceu e se desenvolveu nos mercados financeiros dos Estados Unidos. Na contramão do senso comum, os investidores globais empreendem uma fuga desesperada para os títulos do governo americano. Assim como nas crises cambiais dos anos 90, protagonizadas pela periferia (México, Ásia, Rússia, Brasil e Argentina), os papéis do governo dos Estados Unidos oferecem repouso para os capitais cansados das aventuras em praças exóticas e reservam os tormentos da volatilidade cambial para os incautos que acreditaram nas promessas de recompensa pelo bom comportamento.

Bretton Woods II, ou coisa assemelhada, não vai enfrentar conturbações geradas pela decadência americana. Vai sim acertar contas com os desafios engendrados pelo dinamismo da globalização impulsionada pela grande empresa e ancorada na generosidade da finança privada dos Estados Unidos. O processo de integração produtiva e financeira das últimas duas décadas deixou como legado o endividamento sem precedentes das famílias “consumistas” americanas, causa e efeito da migração da indústria manufatureira para a Ásia “produtivista” e da acumulação de mais de US$ 5 trilhões de reservas nos cofres dos emergentes.

Na posteridade da crise asiática, os governos e o Fundo Monetário Internacional ensaiaram a convocação de reuniões destinadas a imaginar remédios para “as assimetrias e riscos implícitos” no atual regime monetário internacional e nas práticas da finança globalizada. Clamavam por uma reforma da arquitetura financeira internacional. A reação do governo Clinton – aconselhado pelos conselheiros de Barack Obama, Robert Rubin e Lawrence Summers – foi negativa. Os reformistas enfiaram a viola no saco. Mesmo depois da queda do subprime, não vai ser fácil convencer os americanos a partilhar os benefícios implícitos na gestão da moeda reserva.

Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, escreve mensalmente às terças-feiras. BelluzzoP@aol.com

25/10/2008 - 12:00h Recessão no Reino Unido derruba bolsas européias

Economia britânica recuou 0,5% no 3º trimestre, o pior índice desde 1992, o que deixa o país à beira da recessão; resultado teve impacto no mercado

Jamil Chade, GENEBRA – O Estado SP

http://clabedan.typepad.com/photos/uncategorized/euronextmeta_b20041220124939_1.jpgA constatação de que a recessão não é mais uma ameaça para alguns países europeus, mas sim uma realidade, derrubou as bolsas da Europa. Ontem, o Reino Unido revelou que sua economia encolheu 0,5% no 3º trimestre e o país está à beira da recessão. Outro temor é de que os emergentes não servirão de colchão para evitar uma recessão mundial e também vão sofrer uma desaceleração. Como conseqüência, as empresas européias com investimentos nesses mercados também recuaram ontem nas bolsas.

Na Europa, o índice Dow Jones Stoxx 600 caiu 4,7%. Depois de baterem quedas de mais de 8%, as bolsas conseguiram uma leve recuperação. Mesmo assim, fecharam com fortes quedas. Em Londres, o índice FTSE perdeu 5%; o índice francês Cac cedeu 3,53%, enquanto o Dax, da bolsa alemã, caiu 4,95%. Em Moscou, a queda foi de 14% e o pregão foi suspenso até a semana que vem. Já a FTSEurofirst 300 caiu 5,4%, a pior taxa desde maio de 2003.

Enquanto isso, o desemprego não pára de subir na Espanha e a atividade industrial despenca na Alemanha. Na França, as principais empresas do setor automotivo revelaram que estão cortando produção.

No total, US$ 10 trilhões desapareceram do mercado desde o início do ano. As perdas no mês foram equivalentes a um terço de todo o prejuízo do ano nas bolsas. Com a queda na Ásia, o índice MSCI atingiu o ponto mais baixo desde 2003. No ano, já soma perdas de 48%.

O dia de ontem foi ainda marcada pelo resgate de US$ 2 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Islândia, além de um pacote de US$ 40 bilhões criado pelos noruegueses para salvar seus bancos.

Mais uma vez, foram os bancos que tiveram as maiores quedas nas ações. O HSBC teve redução de 17,7% diante da possibilidade da desaceleração nos mercados emergentes. O Standard Chartered, também com ampla exposição nos emergentes, somou perdas de 15,8%.

Outro temor do mercado europeu ontem era de que os países emergentes não fiquem mesmo imunes à recessão, principalmente depois da crise na Argentina e do fato de a Coréia ter anunciado ontem sua pior taxa do PIB em quatro anos.

Nesse caso, quem mais sofreu foi a bolsa espanhola, onde estão cotadas muitas das empresas com investimentos na América Latina. A queda ontem foi de 5,2%, com média abaixo de 2004. O Santander perdeu 10,43% e o BBV, 8%. No total, a bolsa de Madri teve sua segundo pior semana da história. No ano, já perdeu 44,9%.

Mas o que mais assustou investidores e analistas foi a constatação de que a economia britânica sofreu uma contração de 0,5% no terceiro trimestre, o pior índice desde 1992. Isso coloca o país à beira da primeira recessão desde 1991. Irlanda e França já estão tecnicamente em recessão. O chanceler britânico, Alistair Darling, admitiu: “Esse é o dia em que a recessão se tranformou em realidade”.

O mercado já esperava dados negativos dos ingleses, mas a taxa de 0,5% foi considerada surpresa. O resultado provocou a primeira queda na libra esterlina em 37 anos, assim como uma redução do valor das ações de todas as empresas britânicas.

Se a economia do Reino Unido cair no quarto trimestre, o país tecnicamente entra em recessão. Segundo a Ernst & Young, já está desde julho. ParaEm 2009, a previsão de queda é de 1%.

Para o vice-governador do Banco da Inglaterra, Charles Bean, a crise financeira “é a maior na história da humanidade”. Ele ainda alerta que o impacto na economia real está apenas começando.

Já sabendo que os dados seriam negativos, o primeiro-ministro Gordon Brown já ousou pronunciar a palavra “recessão” nesta semana, alertando que praticamente seria inevitável. Politicamente, a recessão pode ser um fardo para o atual governo, que prometia estabilidade.

O maior sindicato de trabalhadores do Reino Unido – o Trade Union Congress – apelou para que o governo comece a pensar em um plano para salvar empregos e empresas, e não apenas os bancos. “O governo precisa mostrar o mesmo compromisso que teve em salvar os bancos agora, na luta contra a recessão”, diz a entidade.

Na Espanha, mais dados preocupantes. O desemprego, que já era o maior da Europa, continua em alta. O Instituto Nacional de Estatísticas apontou que o desemprego já chega a 11,3%, ante 10,4% no segundo trimestre. Em apenas três meses, 217 mil perderam o emprego. No total, já são 2,5 milhões de desempregados no país.

22/10/2008 - 08:57h Governos europeus mudam foco de ajuda para estimular a economia

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VALOR – David Gauthier-Villars, Leila Abboud, Sara Schaefer Muñoz e Mike Esterl, The Wall Street Journal, de Paris, Londres e Frankfurt

Cada vez mais receosos de que uma queda brusca no crédito bancário possa prejudicar ainda mais suas economias, governos europeus estão apresentando novas propostas para diminuir as conseqüências de uma provável recessão.

Ontem, o governo italiano informou que está elaborando um pacote de medidas para estimular a economia. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, propôs a criação de fundos soberanos para evitar que grandes empresas do continente sejam adquiridas por não-europeus a preço de pechincha e chegou a esboçar proposta de um “governo econômico” para a zona do euro.

As sugestões de Sarkozy foram feitas depois que o governo da França anunciou que vai injetar 10,5 bilhões de euros (US$ 14 bilhões) nos seis maiores bancos do país. A medida, tomada com a intenção de promover a retomada dos empréstimos bancários, demonstra a clara mudança do foco do governo, passando das instituições financeiras doentes para a economia real. O temor é que, se os bancos emprestarem menos, empresas e pessoas não vão gastar dinheiro, reduzindo a atividade econômica num período em que a maior parte das grandes economias européias parece estar rumando para a recessão.

Em outra medida para facilitar o crédito, bancos centrais europeus inundaram os mercados, ontem, com dinheiro por meio de leilões de fundos ilimitados, ajudando a baixar as taxas de juros. Leilões feitos pelo Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça ajudaram a baixar a Libor, a taxa de Londres que serve de parâmetro para empréstimos entre bancos.

Há sinais de que está cada vez mais difícil para as empresas obter financiamento. A empresa francesa de serviços públicos Veolia Environnement SA, por exemplo, havia garantido o financiamento de investidores externos para um projeto de infra-estrutura de abastecimento de água em Abu Dhabi de 400 milhões de euros. Ela foi depois informada que teria de pagar juros mais altos sobre o empréstimo. A empresa desistiu e, em vez daquele grupo, pegou financiamento do seu cliente, o emir de Abu Dhabi.

Na França, onde os bancos ficaram relativamente incólumes à crise, o financiamento para mutuários da casa própria caiu 26% no terceiro trimestre, segundo pesquisa do instituto de pesquisa Observatoire Crédit Logement e da agência CSA. A inadimplência está cada vez maior. Na Espanha, a venda de carros está em queda porque há mais requisitos para se conseguir financiamento.

Ao mesmo tempo, os bancos estão procurando ajuda direta. Ontem, no fim do dia, o Bayerische Landesbank informou que vai pedir uma injeção de capital de 5,4 bilhões de euros do fundo de resgate de 500 bilhões de euros do governo alemão, tornando-se o primeiro banco do país a levantar a mão para pedir socorro desde que o pacote de resgate foi aprovado pelo Legislativo federal, na sexta-feira.

Na Islândia, representantes do governo estão “atando pontas soltas” num pacote de resgate liderado pelo Fundo Monetário Internacional, segundo uma porta-voz informou ontem, na esperança de salvar uma economia estilhaçada pelo colapso do seu sistema bancário.

O plano francês para bancos foi uma surpresa. Na semana passada, quando governos da União Européia concordaram com um cardápio de medidas para restaurar confiança no setor financeiro, a maioria dos bancos franceses afirmou ter fundos suficientes. Mas o governo argumentou que quer que os bancos concedam mais empréstimos, a fim de que mais dinheiro flua para as empresas e famílias. A França está fazendo sua injeção de capital na condição de que os bancos se comprometam a aumentar, em 2009, o volume de crédito em 3% a 4% do total atual, de 1,85 trilhão de euros.

Autoridades francesas disseram que as injeções de capital não são um pacote de resgate. O presidente do Banco da França, Christian Noyer, disse que, em vez disso, o governo “está fornecendo o capital de que os bancos precisam para expandir sua atividade de crédito”.

Diferentemente do Reino Unido, onde o governo nacionalizou vários bancos agonizantes, o governo francês não vai receber ações das instituições financeiras que aceitarem sua ajuda. “De forma nenhuma este é um plano de resgate”, disse Baudouin Prot, diretor-presidente do BNP Paribas SA, que pretende aceitar a oferta do governo. “Assim que os mercados melhorem, devemos pagar a dívida.”

No Reino Unido já surgem diferenças entre bancos que concordaram em ceder uma fatia ao governo e outros que não. O Royal Bank of Scotland Group PLC, o Lloyds TSB Group PLC e o HBOS PLC devem receber 37 bilhões de libras esterlinas (US$ 63,5 bilhões) como parte do pacote de resgate anunciado na semana passada, enquanto o HSBC Holdings PLC e o Barclays PLC informaram que vão levantar capital por conta própria.

O plano britânico colocará membros aprovados pelo governo no conselho dos bancos e os proibirá de distribuir dividendos aos acionistas até que o governo resgate suas ações, o que analistas dizem que pode levar até cinco anos. Isso deixou alguns investidores receosos: as ações do RBS, Lloyds e HBOS caíram logo depois da notícia do plano de capitalização britânico, enquanto ações do Barclays e do HSBC subiram.

Ao longo do mês, a França anunciou uma série de medidas para apoiar sua economia. Ela também fez uma série de apelos por um plano pan-europeu de recuperação – sem muito sucesso. Ontem, Sarkozy disse a legisladores europeus, em Estrasburgo, que os 15 países que usam o euro deveriam criar um “governo econômico” para coordenar melhor suas políticas.

22/10/2008 - 08:33h Reino Unido a caminho da recessão

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Mervyn King,  presidente do BC inglês

Previsão é do presidente do banco central inglês. Indústria perderá 60 mil vagas

O Globo

LONDRES. O presidente do Banco da Inglaterra (o banco central inglês), Mervyn King, admitiu ontem que o Reino Unido está entrando em recessão.

Em sua mais sombria avaliação das perspectivas econômicas desde que assumiu o BC inglês, em 2003, King disse que o país deve enfrentar a pior fase de sua economia em 16 anos e que a piora do cenário no último mês foi a mais rápida de muitos anos.

Ao participar de encontro na Câmara de Comércio de Leeds, no norte da Inglaterra, King disse que os bancos precisam levantar uma significativa soma de capital no exterior.

Se isso não ocorrer, o gasto nacional vai crescer ainda mais rápido, elevando a possibilidade de uma recessão profunda e uma desvalorização da libra.

Maior queda na confiança da indústria em quase 30 anos — É difícil exagerar a gravidade e a importância dos eventos. Nosso sistema bancário nunca esteve tão perto de um colapso desde o início da Primeira Guerra Mundial — disse Mervyn King.

Até então, King vinha evitando o uso da palavra recessão.

Segundo ele, o termo deveria ser utilizado apenas para uma profunda contração no Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos num país) e não no caso de dois trimestres seguidos de pequena queda.

Apesar do cenário econômico pessimista, o presidente do BC inglês disse que o Comitê de Política Monetária ainda precisava avaliar a possibilidade de que um crescimento menor seja capaz de puxar a inflação para baixo. No dia 8 de outubro, o Banco da Inglaterra reduziu para 4,5% ao ano sua taxa básica de juros, em uma ação com bancos centrais de todo o mundo. A expectativa de analistas é que ocorra novo corte no mês de novembro.

Ontem, a Confederação da Indústria Britânica (CBI, na sigla em inglês) revelou pesquisa com a maior queda na confiança da indústria em quase 30 anos e a projeção de que 60 mil vagas de trabalho serão cortadas até dezembro. O índice de confiança da indústria britânica é o menor desde julho de 1980, quando a economia britânica estava no meio de uma recessão. A expectativa de queda na produção também é a maior em 28 anos, segundo o estudo.

— A forte queda na produção da indústria e as menores pressões de preço mostradas na pesquisa da CBI evidencia a necessidade de novos cortes agressivos na taxa de juros em novembro — disse o economista Howard Archer, da consultoria Global Insight.

14/10/2008 - 09:56h Gordon agiu bem

Paul Krugman – O Globo

http://wonkette.com/assets/resources/2008/02/krugman1.jpgTerá Gordon Brown, o premier britânico, salvo o sistema financeiro mundial? Tudo bem, a pergunta é prematura — ainda não sabemos a forma exata do pacote de resgate financeiro na Europa ou até mesmo nos EUA e se vai funcionar de fato. O que sabemos, no entanto, é que Brown e Alistair Darling, o chanceler de Exchequer (o equivalente ao nosso secretário do Tesouro), definiram o caráter do esforço global de resgate, com outras nações ricas correndo atrás deles.
Isso é uma virada inesperada.
Afinal, o governo britânico é um sócio júnior no que se refere a assuntos de economia mundial. É verdade que Londres é um dos grandes centros financeiros do mundo, mas a economia britânica é bem menor que a americana, e o Banco da Inglaterra não tem nem de perto a influência tanto do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) quanto do Banco Central Europeu.
Assim, ninguém esperava ver a Grã-Bretanha desempenhando o papel de líder.
Mas, o governo britânico tem demonstrado disposição para pensar claramente, e agir com rapidez. E essa combinação de clareza e decisão não foi ainda vista em nenhum outro governo ocidental, muito menos os EUA.
Qual é a natureza da crise? Os detalhes podem ser confusamente complexos, mas o básico é bastante simples. A explosão da bolha imobiliária levou quem comprou ativos baseados no pagamento de hipotecas a grandes perdas; essas perdas deixaram muitas instituições financeiras com muitas dívidas e pouco capital para prover o crédito de que a economia necessita; as instituições financeiras afetadas tentaram honrar seus débitos e elevar seus capitais vendendo ativos, mas isso fez com que os preços dos ativos caíssem drasticamente, reduzindo ainda mais seus capitais.
O que pode ser feito para conter a crise? Ajudar os mutuários, embora desejável, não pode evitar grandes perdas sobre maus empréstimos e, de qualquer maneira, vai demorar muito para fazer efeito em meio ao pânico atual. A coisa natural a fazer, portanto — e foi a solução adotada em crises anteriores — é lidar com o problema do capital financeiro inadequado, com os governos provendo as instituições financeiras com mais capital em troca de participação.
Essa espécie de meia estatização temporária, que tem sido chamada de “injeção de ações”, é a solução da crise, segundo muitos economistas — e fontes disseram ao “NYT” que é essa também a solução preferida por Ben Bernanke, o presidente do Fed.
Mas, quando Henry Paulson, o secretário do Tesouro dos EUA, anunciou o pacote de US$ 700 bilhões para salvar o sistema financeiro, ele rejeitou esse caminho óbvio. Em vez disso, sugeriu que o governo comprasse papéis podres das hipotecas, baseado na teoria de que… bem nunca ficou claro qual é a sua teoria.
Enquanto isso, o governo britânico foi direto ao coração do problema — e se mobilizou para enfrentá-lo com presteza. Na quarta-feira, assessores de Brown anunciaram um pacote de injeção de dinheiro nos bancos britânicos, garantia para as dívidas dos bancos para estimular a volta dos empréstimos interbancários, um passo crucial do mecanismo financeiro.
Numa reunião de cúpula no domingo, as principais economias da Europa continental se declararam prontas a seguir a liderança da Grã-Bretanha, injetando centenas de bilhões de dólares nos bancos e garantindo suas dívidas. E, quem diria, Paulson — depois de perder várias semanas preciosas — também mudou de curso, e agora pretende comprar participações nos bancos em vez de papéis podres (embora ele ainda pareça estar se movendo com uma dolorosa lentidão).
Como disse, ainda não sabemos se essas iniciativas funcionarão. Mas, finalmente, há uma política movida pela visão clara do que precisa ser feito. O que levanta a seguinte questão: por que essa visão clara teve que vir de Londres em vez de Washington? É difícil evitar a sensação de que a resposta inicial de Paulson foi distorcida por ideologia. Lembre-se, ele trabalha para um governo cuja filosofia de governo pode ser resumida a “privado é bom, público é ruim”, o que deve ter tornado difícil de enfrentar a necessidade de participação acionária do governo no setor financeiro.
Também imagino o quanto o esvaziamento do governo sob a gestão Bush não terá contribuído para a hesitação de Paulson. Em todas as áreas do Executivo, profissionais de renome foram empurrados para fora; pode ser que não tenha sobrado ninguém no Tesouro com estatura e experiência para dizer a Paulson que ele não estava fazendo sentido.
Sorte da economia mundial, porém, que Gordon Brown e seus assessores estejam fazendo sentido. E eles podem até ter nos mostrado o caminho para sair dessa crise.

PAUL KRUGMAN é colunista do “New York Times” e prêmio Nobel de Economia de 2008

12/10/2008 - 14:31h Segundo AFP, a cúpula dos países do Euro vai garantir o financiamento de todos os bancos até dezembro 2009

Le sommet de l’Eurogroupe s’est ouvert à Paris

AFP/GERARD CERLES

Le Monde

Le sommet extraordinaire de l’Eurogroupe, réunissant les dirigeants des quinze Etats appartenant à la zone euro, a débuté dimanche 12 octobre à l’Elysée, avec un but partagé par l’ensemble des participants : trouver une solution au niveau européen pour rétablir la confiance sur des marchés déboussolés par la crise bancaire. Le président de la Commission européenne, Jose Manuel Barroso, qui participe également à cette réunion, a estimé qu’”un niveau de coordination sans précédent” était désormais nécessaire “pour faire face à une crise sans précédent”. “Nous devons montrer aux citoyens européens et aux marchés la capacité et la détermination de l’Europe à agir de concert”, a-t-il déclaré après s’être entretenu avec le président français Nicolas Sarkozy et le premier ministre britannique Gordon Brown avant le début du sommet.

Selon un projet de déclaration commune que s’est procuré l’AFP peu après le début de la réunion, les quinze pays membres de la zone euro se disent prêts à apporter provisoirement leur garantie aux opérations de refinancement des banques et à éviter toute faillite, en ayant recours à leur recapitalisation si cela est nécessaire, jusqu’au 31 décembre 2009. Toujours selon le document obtenu par l’AFP, les garanties pour le refinancement des banques proposées par les gouvernements européens pourraient prendre la forme d’assurances ou de “dispositions similaires”. L’agence Reuters, qui s’est procuré un document énumérant les propositions de la présidence française de l’UE, rapporte que d’autres mesures susceptibles d’être adoptées sont la garantie des dettes bancaires à moyen terme, y compris pour les particuliers et une octroi de liquidités aux entreprises financière et non financières par la BCE tant que la crise se poursuit.

M. Sarkozy, qui doit exposer les conclusions du sommet dans un discours, dimanche en début de soirée, a souhaité “un plan ambitieux, coordonné, qui apporte des solutions”. “Ce que j’attends, c’est que l’Europe parle d’une seule voix”, a-t-il résumé. La chancelière allemande Angela Merkel a quant à elle annoncé que la réunion de dimanche lancera “un signal capital pour les marchés et un signal très important pour la force de la zone euro”. Selon la ministre des finances française Christine Lagarde, l’Eurogroupe devrait “mettre du muscle” sur le squelette du plan en cinq points adopté, vendredi, par le G7. Ce plan avait ensuite été approuvé par les 185 pays membres du Fonds monétaire international (FMI) .

LONDRES MILITE POUR SON “APPROCHE”

M. Brown, qui ne participera pas à la réunion, son pays n’étant pas membre de la zone euro, a déclaré dans la presse britannique qu’il tenterait néanmoins de persuader “les autres pays européens d’adopter l’approche globale que nous avons prise en Grande-Bretagne”. Londres devrait annoncer officiellement, lundi, un plan de sauvetage d’un montant total de 500 milliards de livres (636 milliards d’euros), qui passerait par la prise de contrôle majoritaire de deux grandes banques très affaiblies, RBS et HBOS, ainsi que l’entrée au capital d’autres banques pour un montant de 50 milliards de livres (63,6 milliards d’euros).

“Cette réunion a pour but de décider d’une action coordonnée commune pour la zone euro, pour que dans les prochains jours chaque pays puisse mettre en place des mesures qui stabilisent les marchés financiers”, a résumé Mme Merkel à son arrivée à l’Elysée. Car si tous les yeux sont tournés vers la réunion de Paris, au vu de la réouverture des marchés financier mondiaux, chaque pays prépare déjà son propre plan de sauvetage au niveau national.

Outre la Grande-Bretagne, l’Allemagne devrait annoncer le sien lundi. En France, un conseil des ministres extraordinaire a été convoqué lundi pour que des mesures soient prises en urgence. Au Portugal, le gouvernement a déjà apporté une garantie de 20 milliards d’euros aux “opérations de financement” des banques et en Norvège, l’Etat et la Banque centrale ont émis 350 milliards de couronnes (41 milliards d’euros) d’obligations pour accroître les liquidités.

11/10/2008 - 11:39h L’Eurogroupe au chevet des banques européennes

Angela Merkel, Nicolsas Sarkozy et Gordon Brown, le 4 octobre 2008 à l'Elysée.
AP/Virginia Mayo
Les 15 pays de l’Eurogroupe, dont les chefs d’Etat et de gouvernement se réunissent dimanche à Paris, discutent d’un dispositif de sauvetage du système bancaire européen “inspiré du plan britannique”, a-t-on appris samedi auprès de la présidence de la République française.

Le Monde

Les 15 pays de l’Eurogroupe, dont les chefs d’Etat et de gouvernement se réunissent dimanche à Paris, discutent d’un dispositif de sauvetage du système bancaire européen “inspiré du plan britannique”, a-t-on appris samedi 11 octobre auprès de la présidence de la République française.

La ministre française de l’économie, Christine Lagarde, a déclaré, sur France Info qu’une des pistes étudiées par l’Eurogroupe dimanche pourrait être une entrée plus importante des Etats européens dans le capital des banques, ” parce que celles-ci sont aussi sous capitalisées”.”On a vu la Grande-Bretagne, qui est en dehors de la zone euro, faire des propositions dans ce domaine et mobiliser 25 milliards de livres dans un premier temps pour participer à la recapitalisation des banques anglaises”, a-t-elle indiqué.”On va voir en ce qui concerne la zone euro, mais je suppose que c’est une des pistes”, a poursuivi la ministre, réaffirmant toutefois que mettre plus d’argent public dans les banques françaises n’était “pas nécessaire” en l’état actuel des choses. Ce n’est “pas demandé par les banques, même si on le leur proposait, donc a priori il n’y aucune raison”, a-t-elle fait valoir.

“Il y a deux modèles en concurrence. Le modèle américain, dont personne ne souhaite s’inspirer, et le modèle britannique. C’est de ça dont tout le monde discute”, a confirmé une source proche du président Nicolas Sarkozy. Selon Le Figaro, qui cite une source gouvernementale, les Quinze prépareraient un plan de sauvetage ayant pour “référence” le modèle britannique. “Les Quinze décideraient donc, d’une part, de recapitaliser massivement leurs banques et, d’autre part, d’en garantir les dettes”, précise le quotidien.

PAS DE RECAPITALISATION ENVISAGÉE POUR LES BANQUES FRANÇAISES

“Quand on regarde les banques françaises, on s’aperçoit qu’elles sont parmi les plus capitalisées de l’ensemble de la zone” euro, a poursuivi la ministre. Elle a indiqué ne pas pouvoir évaluer de combien de capital les banques européennes avaient besoin. “Je ne sais pas car la situation des banques varie beaucoup d’un pays à un autres”, a-t-elle dit. Un sommet des chefs d’Etat et de gouvernement de l’Eurogroupe se tiendra dimanche à Paris afin de “définir un plan d’action conjoint de la zone euro et de la Banque centrale européenne face à la crise financière”, selon l’Elysée.

11/10/2008 - 09:23h Os paradoxos da crise mundial

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Gilles Lapouge* – O Estado de São Paulo

O que fazem as bolsas no primeiro dia deste fim de semana? Despencam. Agora, de certo modo, elas sabem se arranjar. Enquanto esperamos que se acalmem, vejamos algumas coisas curiosas. A crise agiu como fabuloso “revelador”: dogmas incontestados caíram por terra, e são substituídos por outros dogmas, ontem considerados abomináveis. Mas por quanto tempo?

Há 15 dias, a Islândia era um paraíso econômico. Povo rico, país sério, bem administrado, segundo o modelo escandinavo. Pois bem, de todos os países da Europa foi o que caiu mais rapidamente. Naufrágio. O mais inquietante é que, para não soçobrar, teve de aceitar um empréstimo de 4 bilhões de Moscou. É o cúmulo! E se amanhã a Europa Central ou os Bálcãs fossem pedir esmola a Moscou? Seria o maior perigo político.

“Wall Street virou a Praça Vermelha. Nem mesmo os próprios russos ousariam estatizar a este ponto.” O homem que diz isso não é nem um “comediante” nem um provocador, nem um “esquerdista”. É o seriíssimo Jean-Claude Junker, presidente do Eurogrupo.

Nicolas Sarkozy, depois de eleito, tomou a bandeira dos “liberais”. Seu discurso era exaltado: livre iniciativa, desregulamentação, sabedoria do “mercado”, viva o dinheiro, viva o lucro, viva os bancos, viva a bolsa etc…Uma Margaret Thatcher reencarnada no presidente francês. Em 15 dias, outro Sarkozy tomou o lugar daquele. E decretou: “Os banqueiros são uns bandidos. Abaixo os patrões delinqüentes, abaixo a vergonhosa corrida ao lucro, a imoralidade. Viva o Estado.”

A União Européia tem meio século. Superou questões que lhe foram legadas por 2 mil anos de história e furor. A certa altura, eclode a crise e o que vemos? Uma Europa dividida em antagonismos. Uma Inglaterra que vai por um caminho, uma Alemanha que vai por outro, uma França que toma um terceiro… Foi necessário meio século para criar a União Européia; bastaram oito dias de crise para gerar uma “Desunião Européia”.

O que se vislumbra é uma enorme mudança geopolítica: países que dividiam o mundo e os lucros, que reinavam sobre os outros, cambaleiam. EUA, a velha Europa e Japão estão se juntando aos “pobretões”.

Ao contrário, os países emergentes parecem, por enquanto, suportar o golpe e reagir com prudência e energia. É nesses países, até ontem mais ou menos menosprezados, que os especialistas colocam suas esperanças. “A fé mundial resiste nos países emergentes”, diz Christian de Boissieu, presidente do Conselho de Análise Econômica. “China, América Latina e Índia poderão aparar o choque da recessão americana.”

A pergunta foi feita a Jean-Pierre Petit, economista-chefe da Exane BNP Paribas: “A crise acelerará a migração do poder econômico e político do Ocidente para os países emergentes?” Petit respondeu sem hesitar: “Este processo já começou”.

Os países emergentes, com a China à frente, são os grandes vencedores desta década. Estamos assistindo a uma transferência do poder econômico, financeiro, político e mesmo tecnológico. Por cinco anos, o consumo nos EUA e na Europa foi inchado pela bolha imobiliária, que só favoreceu as aplicações financeiras, aprofundou as desigualdades entre as gerações, fabricou o endividamento das famílias, o déficit externo, ameaçando explodir o sistema financeiro internacional.

E prossegue: “As aquisições de ativos ocidentais por fundos soberanos ou pelas multinacionais de países emergentes se multiplicarão. Evidentemente, esses últimos reduzirão o ritmo de expansão, mas deverão resistir. Uma das grandes diferenças em relação à crise de 1929 é precisamente o peso dos emergentes na economia global. Este é um motivo de esperança.”

No jornal Libération, Olivier Compagnon, da Universidade Paris VII, surpreende-se que a América Latina resista à crise: “Mais sólidas, as economias da América Latina aproveitam da alta das matérias-primas.”

E cita a presidente do Chile, Michelle Bachelet, que lança farpas cruéis e irônicas aos países “dominantes”. “Michelle Bachelet surpreendeu-se com o fato de que os países ricos e as instituições internacionais, que durante 25 anos ensinaram à América Latina as virtudes da “desestatização” e o “credo neoliberal”, agora possam descobrir bruscamente as virtudes da “regulamentação”.

* É correspondente em Paris.