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	<title>Blog do Favre &#187; interatividade</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>O futuro dos jornais</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jun 2008 14:43:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[FOLHA SP


  Blog de política mais popular dos EUA, Huffington Post radicaliza a noção de interatividade, mas ainda  depende das reportagens dos grandes diários; para sua fundadora, falar da morte dos jornais é &#8220;ridículo&#8221; 
 ERIC ALTERMAN
O jornal norte-americano está na praça há mais ou menos 300 anos. A folha veemente de Benjamin [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="4"><strong>FOLHA SP</strong></font></p>
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<p><font size="4"><strong></p>
<p></strong></font>  <strong>Blog de política mais popular dos EUA, Huffington Post radicaliza a noção de interatividade, mas ainda  depende das reportagens dos grandes diários; para sua fundadora, falar da morte dos jornais é &#8220;ridículo&#8221; </strong></p>
<p><strong> ERIC ALTERMAN</strong></p>
<p>O jornal norte-americano está na praça há mais ou menos 300 anos. A folha veemente de Benjamin Harris &#8220;Publick Occurrences, Both Foreign and Domestick&#8221; [Ocorrências Públicas Estrangeiras e Domésticas], só conseguiu tirar um número, em 1690, antes de ser fechada pelas autoridades de Massachusetts.<br />
Harris sugerira uma linha  dura e politicamente incorreta  quanto à remoção dos indígenas e chocara as suscetibilidades locais ao informar que o rei  da França tomava liberdades  com a mulher do príncipe.<br />
Mas foi apenas em 1721,  quando o impressor James  Franklin lançou o &#8220;New England Courant&#8221;, que as colônias britânicas na América do  Norte viram surgir algo semelhante aos jornais de hoje.<br />
Irmão mais velho de Benjamin, Franklin se recusava a  aderir às praticas costumeiras  de direitos autorais e atacava  os poderes estabelecidos na  Nova Inglaterra, logrando assim tanto independência editorial como sucesso comercial.<br />
Preenchia seu jornal com cruzadas (contra tudo, dos piratas ao poder dos pastores puritanos Cotton e Increase Mather), ensaios literários, vinhetas e ruminações filosóficas.<br />
Três séculos depois do &#8220;Courant&#8221;, já não é preciso ter uma  imaginação distópica para cogitar quem terá a honra ambígua de publicar o último jornal  de verdade nos EUA.<br />
Pouca gente acredita que os  jornais, na forma impressa de  hoje, tenham chance de sobreviver. Eles estão perdendo  anunciantes, leitores, valor de  mercado e, em alguns casos, o  próprio senso de missão, num  ritmo que teria sido difícil imaginar meros quatro anos atrás.<br />
Num discurso recente em  Londres, Bill Keller, editor-executivo do &#8220;New York Times&#8221;, declarou: &#8220;Onde quer  que editores e publishers se encontrem, a atmosfera é funérea. Os editores perguntam &#8220;como você está?&#8221; naquele tom  que se usa com um amigo que  acaba de sair de uma desintoxicação ou um divórcio&#8221;.<br />
Seu discurso foi publicado no  site de seu anfitrião, o &#8220;Guardian&#8221;, sob a manchete &#8220;Vivo  ainda&#8221;. Ainda. Mas as tendências de circulação e publicidade, a ascensão da web, que faz o  jornal diário parecer lento e  lerdo, e o advento da Craigslist,  que está extinguindo os classificados, criaram uma sensação  palpável de fim iminente.<br />
Nos últimos três anos, os jornais americanos independentes perderam 42% de seu valor  de mercado, segundo o empresário de mídia Alan Mutter.<br />
Poucas companhias foram  tão punidas em Wall Street  quanto aquelas que ousaram  investir no ramo jornalístico. A  McClatchy Company, a única a  dar um lance pela cadeia  Knight Ridder quando ela foi a  leilão em 2005, perdeu 80% de  seu valor acionário desde que  concluiu a aquisição de US$ 6,5  bilhões. As ações da Lee Enterprises caíram 75% desde que  ela adquiriu a cadeia Pulitzer,  naquele mesmo ano.<br />
As companhias jornalísticas  mais prezadas começaram, de  repente, a parecer um fardo  empresarial. Em vez de competir numa era de transformação,  as famílias que controlavam o  &#8220;Los Angeles Times&#8221; e o &#8220;Wall  Street Journal&#8221; venderam a  maior parte de suas ações.<br />
A New York Times Company  viu suas ações caírem 54% desde 2004, em especial no último  ano; em fevereiro, o Deutsche  Bank recomendou que seus  clientes vendessem ações do  &#8220;New Tork Times&#8221;. A Washington Post Company só evitou o mesmo destino ao se  apresentar como &#8220;empresa de  educação e comunicação&#8221;; seu  braço didático, a Kaplan, agora  responde por pelo menos metade do faturamento total.</p>
<p><span id="more-5654"></span></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.bernarrmacfadden.com/newspapers.gif" alt="http://www.bernarrmacfadden.com/newspapers.gif" /></div>
<p><strong>Máquina de dinheiro</strong><br />
Até pouco tempo atrás, os  jornais estavam acostumados a  operar como monopólios de alta margem de lucro. Por muitas  décadas, publicar o jornal dominante -ou único- de uma  cidade dos EUA de porte médio  equivalia a deter uma licença  para imprimir dinheiro.<br />
Mas na era da internet ainda  não apareceu ninguém com  uma solução para salvar o jornal, nos EUA e no mundo. Os  jornais criaram sites que se beneficiam da alta da publicidade  on-line, mas os valores vindos  dessa fonte não cobrem, nem  de longe, a perda de faturamento com a queda da circulação e  da publicidade impressa.<br />
A maioria dos executivos reagiu ao colapso de seu modelo de  negócios com uma espiral de  cortes orçamentários, sucursais fechadas, fusões, demissões e reduções de formato e  entrelinha. De 1990 para cá, um  quarto dos empregos no ramo  jornalístico desapareceu.<br />
A colunista Molly Ivins  [1944-2007] reclamava, antes  de morrer, da solução dada pelas companhias aos problema:  &#8220;Tornar o produto menor, inútil e desinteressante&#8221;.<br />
Talvez isso ajude a explicar  por que o número decrescente  de americanos que compram e  lêem jornais diários gasta cada  vez menos tempo com eles: a  média é inferior a 15 horas por  mês. E meros 19% dos americanos com idade entre 18 e 34  anos declaram consultar jornais diários. A idade média do  leitor de jornais é de 55 anos -e  a curva aponta para cima.</p>
<p><strong>Artefato de museu?</strong><br />
Em &#8220;The Vanishing Newspaper&#8221; (2004), Philip Meyer arrisca a previsão de que o último  exemplar do último jornal aparecerá na porta de seu leitor em  algum dia de 2043. Talvez não  seja muito delicado lembrar  que essas declarações coincidem com a inauguração, neste  ano, do Newseum [museu de  notícias] de Washington, D.C.,  projeto de US$ 540 milhões.<br />
Mas o fato é que, cada vez  mais, isso que Bill Keller chama  de &#8220;adorável e antiquado feixe  de tinta e celulose&#8221; começa a  parecer um artefato digno de  ser exposto num museu.<br />
Quem vai tomando o lugar,  como se sabe, é a internet, que  está a ponto de ultrapassar os  jornais como fonte de informação política para os leitores  americanos -coisa que já aconteceu entre os jovens e os politicamente engajados. Já em  maio de 2004, os jornais ocupavam o último lugar entre as  fontes de notícia preferidas pelos leitores mais jovens.<br />
Segundo o relatório &#8220;Abandoning the News&#8221; [Abandonando os Jornais], publicado  pela Carnegie Corporation,  39% dos entrevistados com  idade inferior a 35 anos acreditavam que, no futuro, usariam a  internet como fonte de informação. Apenas 8% disseram  que recorreriam a um jornal.<br />
Há um elemento de injustiça  irônica no fato de que o leitor  que navega pela internet em  busca de notícias políticas muitas vezes acaba dando num site  que meramente reúne trabalho  jornalístico proveniente de um  jornal -embora esse fato não  será capaz de salvar os empregos ou aumentar as cotações do  ramo jornalístico.<br />
Um dos aspectos mais significativos na transição dos jornais de papel para o mundo da  informação digital diz respeito  à própria natureza da &#8220;notícia&#8221;.<br />
O jornal norte-americano  (bem como os noticiários noturnos) dirige-se a um público  vasto, de opiniões e valores  conflitantes, fazendo apelo a  um ideal de objetividade.<br />
Muitos jornais, no afã de demonstrar equilíbrio e imparcialidade, não permitem que  seus jornalistas exprimam suas  opiniões em público, participem de passeatas, trabalhem  em campanhas políticas, usem  broches políticos ou colem adesivos em seus carros.<br />
Numa conversa particular,  jornalistas e editores podem  até admitir que a objetividade é  um ideal, mas, como membros  de uma fraternidade suscetível,  poucos dentre eles se permitiriam demonstrar em público o  menor laivo de parcialidade.<br />
Os jornalistas preferem desdenhar a possibilidade de que  suas crenças pessoais possam  interferir em sua capacidade de  cobrir uma história com perfeito equilíbrio.<br />
Nesse meio tempo, a confiança pública nos jornais vem  caindo vertiginosamente.<br />
Um estudo recente da Universidade do Sagrado Coração  revelou que menos de 20% dos  americanos declararam acreditar &#8220;em todo ou quase todo&#8221; o  noticiário jornalístico -número que despencou 27% em apenas cinco anos.<br />
&#8220;Menos de uma em cada cinco pessoas acredita no que lê na  imprensa&#8221;, concluiu o relatório  &#8220;O Estado da Mídia&#8221; de 2007,  publicado pelo Projeto pela Excelência em Jornalismo. &#8220;A  CNN não goza de mais confiança que a Fox, a ABC ou a NBC. O  jornal local não é visto de modo  muito diferente que o &#8220;New  York Times&#8221;.&#8221;</p>
<table width="250">
<tr>
<td>
<hr noshade="noshade" size="2" /> <strong><em>Quase 9  em cada 10 americanos declararam que a mídia tenta, de caso  pensado, influenciar políticas públicas  </em></strong><br />
<hr noshade="noshade" size="2" /></td>
</tr>
</table>
<p>Os americanos que acreditam em discos voadores ou em  alguma teoria da conspiração  em torno do 11 de Setembro são  muito mais numerosos do que  aqueles que acreditam na noção de uma imprensa imparcial, que dirá &#8220;objetiva&#8221;.<br />
Quase 9 em cada 10 americanos declararam ao estudo da  Universidade do Sagrado Coração que a mídia tenta, de caso  pensado, influenciar políticas  públicas.<br />
Não menos alarmante é a rápida transformação que se deu  no entendimento e na demanda do público por &#8220;notícias&#8221;.</p>
<p><strong>Reinvenção</strong><br />
Em abril de 2005, numa palestra diante da Sociedade Americana de Editores de Jornal, dois anos antes da aquisição, por US$ 5 bilhões, da Dow Jones &amp; Co. e do &#8220;Wall Street Journal&#8221;, Rupert Murdoch advertiu os principais editores e publishers do ramo jornalístico: tinham chegado ao fim os dias em que &#8220;as notícias e a informação eram firmemente controladas por uns poucos editores, que decidiam o que podíamos e devíamos saber&#8221;. Ninguém mais aceitaria essa &#8220;figura divina&#8221;, que apresentava as notícias como quem revela o Evangelho. Os consumidores de hoje querem &#8220;notícias no calor da hora, atualizadas constantemente. Querem um ponto de vista, não apenas sobre o que aconteceu, mas também sobre as razões pelas quais aconteceu. Finalmente, querem poder usar essa informação em comunidades mais vastas -querem discutir, debater, questionar e até mesmo encontrar pessoas que pensam o mundo de modo semelhante ou diverso&#8221;.<br />
Um mês depois da palestra de Murdoch, um mestre em computação, Jonah Peretti, e um ex-executivo da AOL, Kenneth Lerer, se juntaram à ubíqua comentadora-candidata-ativista Arianna Huffington para lançar um novo site, que batizaram de Huffington Post.<br />
Concebido inicialmente como alternativa liberal [nos  EUA, sinônimo de esquerda] ao  Drudge Report, o Huffington  Post começou reunindo noticiário e fofoca sobre política, ao  mesmo tempo em que organizava um blog com colunistas  arregimentados no rol preocupantemente vasto de amigos e  conexões de Huffington.<br />
Quase por acaso, os proprietários do Huffington Post descobriram uma fórmula que capitalizava sobre os problemas  do jornalismo impresso na era  da internet, e agora estão convencidos de que estão prontos  para reinventar o jornalismo  norte-americano.<br />
&#8220;Logo vimos que a chave para  a empresa consistia não em  imitar o Drudge&#8221;, rememora  Lerer, &#8220;mas em tirar vantagem  de nossa comunidade. A chave  consistia em pensar sobre o que  estávamos fazendo do ponto de  vista dessa comunidade&#8221;.<br />
No Huffington Post, explica  Peretti, a notícia não é uma coisa que se entrega de cima para  baixo, mas algo que é &#8220;compartilhado entre o produtor e o  consumidor&#8221;.<br />
Fazendo eco a Murdoch, ele  diz que a internet oferece ao  editor uma &#8220;informação imediata&#8221; sobre quais matérias interessam ao leitores, suscitam  comentários, são enviadas a  amigos e geram mais pesquisas  nos sites de busca. Um site de  notícias, segundo Peretti, tem  &#8220;uma vida que seria impossível  à base de papel e tinta&#8221;.<br />
O Huffington tem uma equipe de jornalismo (diminuta,  mas há esperanças de expandi-la no futuro), a maioria das matérias provêm de outras fontes,  impressas, televisivas ou particulares -a câmera ou o celular  de alguém. Os editores criam  links para o que lhes parece ser  a melhor matéria sobre um determinado tópico e lhes dão  uma manchete chamativa e de  viés liberal, seguida de um espaço aberto para comentários  dos leitores.<br />
Ao redor dos artigos noticiosos, encontram-se as postagens  muito veementes de uma hoste  de blogueiros célebres (Nora  Ephron, Larry David) ou nem  tanto -mais de 1.800. Os blogueiros não são remunerados.<br />
O efeito final pode parecer  caótico e confuso, mas, segundo Lerer, &#8220;esse modo de pensar  e apresentar a notícia é tão  transformador quanto foi a  CNN, 30 anos atrás&#8221;.<br />
Arianna Huffington e seus  sócios acreditam que esse modelo aponta para o futuro da indústria jornalística. &#8220;Todo  mundo fala da morte dos jornais, como se fosse um caso encerrado. Eu acho isso ridículo&#8221;,  diz ela. &#8220;A mídia tradicional só  precisa perceber que a palavra  digital não é o inimigo. Na verdade, é a palavra digital que vai  salvar os jornais, contanto que  eles a adotem de verdade.&#8221;</p>
<p><strong>Tese discutível</strong><br />
Parece uma ambição quase  risível, partindo de uma empresa com apenas 46 empregados  em tempo integral, muitos dos  quais mal têm idade para alugar  um carro. Mas, com US$ 11 milhões à sua disposição, o site  chega a arrecadar entre US$ 6  milhões e US$ 10 milhões por  ano. O que mais impressiona os  anunciantes -e deprime os  executivos de jornais- são os  números da expansão do site.<br />
Nos últimos 30 dias, graças,  em parte, às primárias democratas, as visitas saltaram para  mais de 11 milhões, segundo a  empresa. E, segundo as estimativas da Nielsen NetRatings e  da comScore, o Huffington  Post só perde em popularidade  para oito sites de jornais, subindo da 16ª posição que ocupava  em dezembro passado.<br />
Mas a idéia de que o Huffington Post possa competir com  (ou substituir) os melhores jornais tradicionais é discutível  sob outros aspectos ainda. As  fontes de reportagem original  do site são minúsculas. Não há  cobertura constante de esportes ou livros, e a seção de entretenimento é um amontoado de  fofoca virtual sem nenhum trabalho de verificação.<br />
E, por mais que o Huffington  Post tenha conquistado espaço  como lugar em que políticos  progressistas e vultos liberais  de Hollywood publicam seus  sentimentos anti-Bush, muitas  das postagens publicadas não  merecem o esforço de um simples clique com o mouse.<br />
As esquisitices não param  por aí. Enquanto um jornal tende a afiançar o que publica por  conta de um processo editorial  em que jornalistas e editores  devem checar suas fontes antes  de publicar uma matéria, a blogosfera depende de seus leitores -de sua comunidade-  exercerem algum controle de  qualidade.<br />
No Huffington Post, explica  Peretti, os editores &#8220;assinam  embaixo da primeira página&#8221; e  dão o melhor de si para assegurar que apenas blogueiros e  fontes confiáveis sejam postadas ali. Mas a maior parte das  postagens é veiculada antes  que qualquer editor tenha tempo de vê-las. Os editores só intervêm se algum leitor julgar  que uma postagem qualquer é  falsa, difamatória ou ofensiva.<br />
Os processos editoriais do  Huffington Post baseiam-se no  que Peretti chama &#8220;estratégia  &#8220;mullet&#8217;&#8221; (&#8221;negócios na frente,  festa nos fundos&#8221;, como quer  seu site BuzzFeed) (1).<br />
&#8220;A onda é a do conteúdo gerado pelo próprio usuário, mas a  maior parte desse conteúdo  não vale nada&#8221;, diz Peretti.<br />
A &#8220;estratégia &#8220;mullet&#8217;&#8221; convida o usuário a &#8220;discutir e deblaterar nas páginas secundárias,  enquanto editores profissionais cuidam da primeira página. Essa estratégia veio para ficar, porque o melhor meio de  aumentar a visitação é deixar  que os usuários tenham controle, enquanto o melhor meio  de aumentar a publicidade é  manter uma primeira página  limpa e bonita, onde o anunciante pode admirar a marca de  sua empresa&#8221;.<br />
Essa estratégia não é livre de  problemas. Durante a crise do  furacão Katrina, o ativista Randall Robinson postou relatos de  New Orleans segundo os quais  havia &#8220;pessoas comendo cadáveres para sobreviver&#8221;.<br />
Quando Arianna Huffington  ficou sabendo da postagem, entrou em contato com Robinson  e descobriu que ele não tinha  como comprovar suas fantasias. Huffington então pediu  que Robinson postasse um pedido de desculpas. A rapidez  com que a correção foi feita foi  admirável, mas não o suficiente  para impedir que a informação  incorreta fosse repetida em outros lugares.<br />
As tensões entre os líderes da  mídia tradicional e os desafios  da internet foram prenunciados por um dos debates intelectuais mais instrutivos e acalorados nos EUA do século 20.<br />
Entre 1920 e 1925, o jovem  Walter Lippmann publicou  três livros que investigavam a  relação entre democracia e imprensa, entre eles &#8220;Public Opinion&#8221; [Opinião Pública", 1922],  que está na origem da profissão  de relações públicas e do campo acadêmico de estudo da mídia. Lippmann identificou uma  lacuna fundamental entre o  que naturalmente esperamos  da democracia e o que sabemos  sobre as pessoas.<br />
A teoria da democracia supõe  cidadãos bem informados sobre as pautas públicas e sobre  os indivíduos que se candidatam a conduzi-las. E, por mais  que esse fosse o caso entre os  cidadãos brancos e proprietários na Boston de Benjamin  Franklin, a sociedade capitalista contemporânea era grande e  complexa demais, na visão de  Lippmann, para que eventos  decisivos pudessem ser entendidos pelo cidadão comum.<br />
O jornalismo funciona bem,  segundo Lippmann, quando se  trata de &#8220;relatar o resultado de  um jogo ou o sucesso de um vôo  transatlântico ou a morte de  um monarca&#8221;.<br />
Mas, quando a situação se  complica, &#8220;por exemplo, quando se trata do êxito de uma dada  política ou da situação social de  um país estrangeiro, isto é,  quando a resposta não é apenas  um sim ou um não, mas sutil e  dependente de dados confiáveis&#8221;, o jornalismo &#8220;se torna  fonte de todo tipo de confusão,  de mal-entendido ou de simples distorção&#8221;.</p>
<p><strong>Elitista confesso</strong><br />
Lippmann comparava o americano médio -o &#8220;outsider&#8221;, como ele o chamava- a um &#8220;espectador surdo na última fileira&#8221; de um evento esportivo: &#8220;Não sabe o que está acontecendo, por que está acontecendo, o que deveria acontecer&#8221; e vive &#8220;num mundo que não tem como ver, entender ou dirigir&#8221;.<br />
Numa descrição que só pode  soar familiar a quem assiste canais de TV a cabo ou escuta  programas de debate no rádio,  Lippmann julgava que o público &#8220;demora a se excitar e não  tarda em se distrair [...] e só tem  interesse por acontecimentos  dramatizados na forma de um  conflito&#8221;.<br />
Elitista confesso, Lippmann  não via nada de chocante nessas conclusões. Não se espera  do cidadão médio que seja  fluente em física de partículas  ou em pós-estruturalismo; então por que deveria entender a  política do Congresso ou do  Oriente Médio?<br />
Para Lippmann, a melhor solução consistia, essencialmente, em jogar a democracia no lixo. Justificou suas opiniões  afirmando que só os resultados  interessavam.<br />
Mesmo supondo que as pessoas viessem a ser bem informadas a ponto de poderem se  governar sabiamente, &#8220;é mais  que duvidoso que a maioria se  desse a esse trabalho&#8221;.<br />
Em sua primeira abordagem  da questão, em &#8220;Liberty and  the News&#8221; [Liberdade e Notícia, 1920], Lippmann sugeriu  que se elevasse o lugar do jornalismo entre as profissões  mais respeitadas.<br />
Dois anos depois, em &#8220;Opinião Pública&#8221;, concluiu que o  jornalismo jamais poderia resolver o problema com &#8220;meros  30 minutos de ação num dia de  24 horas&#8221;. Numa das fórmulas  mais estranhas de sua longa  carreira, Lippmann propôs que  se constituíssem &#8220;agências de  inteligência&#8221; com livre acesso a  toda informação necessária a  controlar as ações do governo,  sem fazer muito caso de preferências democráticas ou debates públicos.<br />
Lippmann jamais chegou a  explicar qual seria o papel do  público nesse processo.<br />
O filósofo John Dewey considerou &#8220;Opinião Pública&#8221; &#8220;um  dos ataques mais poderosos à  democracia&#8221; e passou bons cinco anos tentando enfrentá-lo.<br />
O resultado, publicado em  1927, foi um livro muito tendencioso, denso e importante,  &#8220;The Public and Its Problems&#8221;  [O Público e Seus Problemas].  Dewey não contestou as afirmações de Lippmann sobre as  falhas do jornalismo ou sobre a  manipulação do público.<br />
Mas Dewey achava que o remédio de Lippmann era pior  que a doença. Para Dewey, a  opinião pública não era apenas  uma soma de opiniões individuais, como numa votação, mas  um foro de discussões.<br />
Para ele, o fundamento da  democracia estava menos na  informação do que na conversação, e membros de uma sociedade democrática precisavam cultivar o que James W.  Carey, estudioso do debate,  chamou de &#8220;hábitos vitais&#8221; da  democracia -a capacidade de  deliberar e debater perspectivas rumo a um consenso.<br />
Dewey criticou também a  confiança de Lippmann em elites baseadas no acesso à informação: &#8220;Uma classe de  especialistas distante dos interesses comuns logo se torna  uma classe com interesses próprios e informação privilegiada. [...] O dono do sapato é  quem sabe onde o sapato aperta, por mais que o sapateiro seja  a pessoa mais indicada para resolver o problema&#8221;.<br />
Lippmann e Dewey dedicaram boa parte de suas vidas a  tratar dos problemas que diagnosticaram: Lippmann como o  tecnocrata arquetípico e Dewey como o profeta da educação democrática. Se é que se  pode falar de um vencedor, o fato é que o futuro foi se aproximando do ideal de Lippmann.</p>
<table width="250">
<tr>
<td>
<hr noshade="noshade" size="2" /> <strong><em>O jornalismo  de verdade, em especial o investigativo, é caro; compilação  e opinião são baratos  </em></strong><br />
<hr noshade="noshade" size="2" /></td>
</tr>
</table>
<p><strong>Interesse público</strong><br />
A história da imprensa americana rumou exatamente para  o tipo de profissionalização que  Lippmann advogava. Nos anos  em que Lippmann escrevia,  muitos jornais continuavam  presos ao modelo partidário  dos séculos 18 e 19 (basta pensar em Thomas Jefferson e Alexander Hamilton duelando por  meio de seus respectivos jornais enquanto serviam no governo de George Washington).<br />
O modelo do século 20, em  que os jornais lutam por ter independência política e tentam  atuar como árbitros em prol do  interesse público estava apenas  nascendo.<br />
À medida que a profissão ganhava sofisticação e respeito,  em parte devido ao exemplo de  Lippmann, os melhores jornalistas, apresentadores e editores foram assumindo lugares  comparáveis socialmente aos  de senadores, ministros e executivos. Ao mesmo tempo, e  conforme o que Dewey previra,  esses mesmos personagens vieram a se identificar mais com  seus assuntos do que com seus  públicos.<br />
Deixando de lado as eleições,  a política veio a se parecer mais  e mais com um negócio para especialistas e um espetáculo para os ignaros -exatamente como Lippmann queria e Dewey  temia. Exceção feita às &#8220;cartas  ao editor&#8221;, o papel do leitor se  tornou puramente passivo.<br />
O primeiro desafio ao modelo de Lippmann veio da direita. Muitos conservadores suspeitavam do esquerdismo da grande mídia, supostamente incapaz de cobrir com imparcialidade assuntos como o movimento pelos direitos civis ou a campanha presidencial de Barry Goldwater.<br />
A reação veio na forma de  &#8220;think tanks&#8221; e veículos de mídia destinados a desafiar e contornar a grande mídia.<br />
A vitória de Ronald Reagan  não dependeu apenas do apelo  pessoal do candidato, mas de  um longo trabalho ideológico  conduzido em revistas como a  &#8220;National Review&#8221;, de William  F. Buckley Jr., e a &#8220;Commentary&#8221;, de Norman Podhoretz,  bem como nas páginas editoriais do &#8220;Wall Street Journal&#8221;,  editadas ao longo de três décadas por Robert Bartley.<br />
A ascensão do que seria conhecido como o contra-establishment conservador pode  ser entendido nos termos de  uma comunidade deweyana  tentando tomar as rédeas da  autoridade democrática das  mãos de uma elite a la Lippmann.<br />
A versão à esquerda dessa comunidade demorou mais tempo a se formar, em parte porque  a esquerda levou mais tempo  para tomar distância da mídia.<br />
Até o fim da década de 70,  boa parte da grande mídia de  fato dava mostras do &#8220;viés de  esquerda&#8221;, que ainda incomoda  os conservadores.</p>
<p><strong>Comunidades</strong><br />
Mas o esforço de recrutar  pessoal do contra-establishment conservador, combinado  ao investimento financeiro da  direita numa rede de &#8220;think  tanks&#8221;, grupos de pressão, revistas, estações de rádio e redes  de TV exerceu sobre a grande  mídia uma espécie de atração  gravitacional rumo à direita,  que acabou criando um contexto simpático a candidatos conservadores com que Goldwater  jamais teria sonhado.<br />
O nascimento da blogosfera  mais à esquerda, com sua capacidade de contornar as grandes  instituições da mídia, representa um retorno do desafio  deweyano a nossa compreensão lippmanniana do que seja  ou não seja &#8220;notícia&#8221; e pode parecer um renascimento da noção de discurso democrático  cultivada pelo filósofo.<br />
A internet constitui uma plataforma que permite a criação  de comunidades -a distribuição é barata, rápida e eficiente.  O velho modelo democrático  supunha uma nação de cidades  ianques povoadas por fazendeiros de boa índole e boa informação. Graças à internet, todos  podemos participar de um debate deweyano sobre presidentes, políticas e propostas. Basta  ter uma conexão decente.</p>
<p><strong>Sem investigação</strong><br />
O Huffington Post conquistou lugar ao sol no verão e no  outono de 2005, quando Arianna Huffington atacou as reportagens de política militar e estrangeira de Judith Miller para  o &#8220;New York Times&#8221;, valendo-se de todo tipo de fontes.<br />
O Huffington Post certamente não foi o primeiro site a se  valer de informações dos leitores para atacar a grande mídia.<br />
Por exemplo, blogueiros conservadores em sites como Little  Green Footballs deleitaram-se  em derrubar Dan Rather depois que este veiculou documentos dúbios, que supostamente provavam o tratamento  especial oferecido a George W.  Bush quando servia a Guarda  Nacional no Texas.<br />
Jornalistas mais tradicionais  tendem a não se impressionar  com o estilo de reportagem  praticados pelos blogs. O jornalismo de verdade, em especial o  investigativo, é caro, não cansam de lembrar; compilação e  opinião são baratos.<br />
E é verdade: não há nenhum  site que gaste o que os melhores  jornais gastam em suas reportagens. Com todos os cortes, o  &#8220;New York Times&#8221; conserva  1.200 pessoas na Redação -50  vezes mais que o Huffington  Post.<br />
O &#8220;Washington Post&#8221; e o  &#8220;Los Angeles Times&#8221; têm 800 e  900 empregados editoriais,  respectivamente. A sucursal do  &#8220;New York Times&#8221; em Bagdá  custa US$ 3 milhões anuais. O  Huffington Post se beneficia  desse investimento, mas não  carrega nenhum dos custos. É  difícil imaginar blogueiros com  a experiência, por exemplo, de  Barton Gellman e Dana Priest,  do &#8220;Post&#8221;, ou de Dexter Filkins  e Alissa Rubin, do &#8220;Times&#8221;.<br />
Em outubro de 2005, numa  conferência em Phoenix, Bill  Keller reclamou dos blogueiros  que apenas &#8220;mastigam e reciclam notícias&#8221;, em contraste  com o &#8220;jornalismo de verificação&#8221; do &#8220;Times&#8221;.<br />
&#8220;Os blogueiros não mastigam  notícias, eles cospem notícias&#8221;,  protestou Arianna Huffington  numa postagem em seu blog.<br />
Como muitos blogueiros de  esquerda, ela se irrita com a  idéia de que a imprensa tradicional é superior à blogosfera  quando se trata de publicar a  verdade mais dolorida.<br />
Nos momentos finais rumo à  Guerra do Iraque, por exemplo,  &#8220;toda a grande imprensa, incluindo o &#8220;Times&#8221;, perdeu todo  o seu verniz de confiabilidade  absoluta, ao mesmo tempo em  que se tornava claro que as novas mídias mereciam confiança  dos leitores e espectadores -na  medida em que se corrigem  com muito mais rapidez que os  velhos veículos&#8221;.<br />
Mas Huffington não tem o  que dizer sobre a relação parasitária que quase todos os sites  mantêm com o jornalismo impresso.<br />
Há um ano, o Huffington  Post fez um gesto na direção de  um trabalho de reportagem  mais original e profissional ao  contratar Thomas Edsall, veterano de 40 anos no &#8220;Washington Post&#8221; e em outros jornais.  Quando recebeu a proposta do  Huffington Post, Edsall sentiu  que o &#8220;Washington Post&#8221; se  deixava mais e mais &#8220;mover pelo medo -da queda da circulação, da perda de anunciantes,  dos lucros em queda, da ameaça da internet, da irrelevância&#8221;.<br />
&#8220;O medo levou o jornal a corromper o trabalho de reportagem.&#8221; Mas exemplos como o de  Edsall ainda são raros.<br />
Assim, por mais que se simpatize com os ataques de Huffington ao &#8220;Times&#8221; e com as críticas de Edsall ao &#8220;Post&#8221;, é impossível não se preocupar com o que será feito das notícias e da democracia quando não houver mais jornais que invistam seus recursos e seu orgulho profissional na tarefa de trazer a nós, mesmo que imperfeitamente, a informação que precisamos ter.<br />
Num episódio recente dos  &#8220;Simpsons&#8221;, uma versão cartunizada do jornalista Dan  Rather abria um debate com  &#8220;Ron Lehar, jornalista do  &#8220;Washington Post&#8217;&#8221;, ao que  Nelson, antípoda de Bart, gritava: &#8220;Haha! A sua mídia está  morrendo!&#8221;.  &#8220;Nelson!&#8221;, advertia Skinner.  &#8220;Mas está mesmo!&#8221;, replicava o rapaz.  Nelson está certo. Os jornais estão morrendo, e o futuro que se anuncia assim é  complicado. Há três anos, Rupert Murdoch advertia: &#8220;Fomos incrivelmente complacentes, esperando que a tal da  revolução digital fosse passar  ao largo&#8221;.<br />
Hoje, todos os jornais sérios estão fazendo o que podem para se adaptar. Alguns,  como o &#8220;Times&#8221; e o &#8220;Post&#8221;,  provavelmente sobreviverão  a esse momento de transformação tecnológica, cortando  pessoal e aumentando sua  presença on-line. Outros vão  tentar nichos locais. Os editores dizem que agora &#8220;sacaram  a coisa&#8221;.<br />
Mas os jornalistas tradicionais, à maneira de Lippmann,  tendem a desdenhar tanto as  críticas dos blogueiros como  também o fermento democrático de que essas críticas  provêm.<br />
Há pouco, o &#8220;Chicago Tribune&#8221; decidiu fechar os canais de comentário on-line  nas matérias de cunho político. Seu editor, Timothy J.  McNulty, queixou-se, não  sem razão, de que os canais de  comentário começavam a parecer &#8220;uma comunidade de  extremistas destemperados&#8221;.<br />
Arianna Huffington, por  sua vez, acredita que os modelos vão acabar por convergir, à medida que os dólares  da publicidade continuem a  migrar para a esfera on-line:  &#8220;O HuffPost vai gerar mais e  mais reportagem original, enquanto o &#8220;Times&#8221; e o &#8220;Post&#8221; vão  continuar a seguir o modelo  de hoje, mas cada vez mais  on-line&#8221;.<br />
Por sua vez, os grandes jornais que sobreviverem não  poderão desdenhar o apoio  do terceiro setor. O Instituto  ProPublica, financiado pelos  bilionários liberais Herb e  Marion Sandler e dirigido pelo ex-editor do &#8220;Wall Street  Journal&#8221; Paul Steiger, quer  propiciar à grande mídia o tipo de jornalismo investigativo que hoje parece em via de  abandono por muitos jornais.<br />
O Centro para a Mídia Independente, liderado por David Bennahum, ex-colaborador da &#8220;Wired&#8221;, há pouco  contratou Jefferson Morley,  do &#8220;Washington Post&#8221;, e Allison Silver, do &#8220;Los Angeles  Times&#8221; e do &#8220;New York Times&#8221;, para dirigir o site &#8220;The  Washington Independent&#8221;.  Mas imaginar que a filantropia poderá preencher todas as  lacunas geradas pelos cortes  de pessoal é puro &#8220;pensamento positivo&#8221;.<br />
Estamos no umbral de um  mundo de notícias caótico e  fraturado, caracterizado por  mais diálogo e menos jornalismo de primeira qualidade.  A transformação dos jornais -de empresas dedicadas  à reportagem objetiva em feixes de comunidades engajadas com suas próprias &#8220;notícias&#8221;- significará a perda de  uma narrativa nacional em  torno de &#8220;fatos&#8221; consensuais.<br />
As notícias irão inevitavelmente adquirir coloração &#8220;azul&#8221; ou &#8220;vermelha&#8221;. Antes de Adolph Ochs assumir o &#8220;New York Times&#8221; e publicar seu famoso mote &#8220;sem medo nem favor&#8221;, a cena americana era dominada por jornais partidários. E a cultura jornalística de muitas nações européias há tempos aceitou a noção de narrativas em competição, com jornais específicos assumindo as visões de cada facção. Talvez não seja por acaso que muitos desses países têm um nível de participação política superior ao dos EUA.<br />
Mas a transformação há de  gerar sérias perdas. Os jornais  ajudaram a definir o sentido  dos EUA para seus cidadãos.<br />
Para escolher uma data ao  acaso, na manhã de 11 de fevereiro eu fui buscar a versão  impressa do &#8220;Times&#8221; na porta  de casa e, além das notícias  que eu poderia encontrar em  qualquer lugar -Obama vencendo Hillary de novo, e  George W. Bush tentando  condenar à morte seis prisioneiros de Guantánamo-, a  primeira página trazia uma  combinação única de artigos  e matérias que, sem uma instituição que as gerasse e publicasse, jamais fariam parte  de nossa consciência coletiva:  uma reportagem de Nairóbi,  por Jeffrey Gettleman, sobre  o impacto da violência étnica  no Quênia na classe média local; uma nota de Doha, por  Tamar Lewin, sobre o avanço  das universidades americanas no Qatar; e, num furo que  o Huffington Post depois viria a reproduzir, uma matéria  de Michael R. Gordon sobre  um estudo da Corporação  Rand que criticava a atuação  de Bush no Iraque.</p>
<p><strong>Comunidade imaginada</strong><br />
A justaposição desses tópicos díspares forma um terreno comum a todos os leitores  do jornal e uma imagem do  mundo que todos habitam.<br />
Em seu livro &#8220;Comunidades Imaginadas&#8221; [recém-lançado no Brasil pela Cia. das  Letras], de 1983, o cientista  político Benedict Anderson  recorda a comparação hegeliana do ritual de leitura do  jornal à prece matutina: &#8220;Cada qual sabe que a mesma cerimônia é repetida simultaneamente por milhares ou  milhões de outros, em cuja  existência confiamos, mas sobre cuja identidade não fazemos a menor idéia&#8221;.<br />
Ao menos em parte, é a &#8220;comunidade imaginada&#8221; do jornal diário que forja as nações  em que vivemos.  Por fim, vale pensar naquelas pessoas, aqui ou longe daqui, que dependem do esforço  jornalístico para escapar de  várias formas de tortura,  opressão e injustiça.<br />
&#8220;As pessoas fazem coisas  terríveis umas com as outras&#8221;, diz o veterano fotógrafo  George Guthrie na peça  &#8220;Night and Day&#8221;, de Tom  Stoppard. &#8220;Mas a coisa piora  quando todo mundo está no  escuro.&#8221; Desde que o &#8220;New  England Courant&#8221; de Franklin começou a circular, o jornal diário fez mais do que  qualquer outro veículo para  produzir a informação de que  a nação tanto precisa para  não &#8220;ficar no escuro&#8221;.<br />
A internet conseguirá lançar a mesma &#8220;luz&#8221; sem os  exércitos de jornalistas e fotógrafos que os jornais tradicionalmente empregaram? É  uma questão que talvez os democratas mais ardentes não  queiram responder.</p>
<hr noshade="noshade" size="1" /><font size="-1"> <strong>Nota</strong><br />
1. &#8220;Mullet&#8221; significa &#8220;tainha&#8221;, &#8220;salmonete&#8221;,  mas também um estilo de corte de cabelo,  curto e comportado na frente, em cima e nos  lados, mas comprido atrás. De onde vem a explicação que está no texto, do próprio autor:  &#8220;Negócio na frente, festa nos fundos&#8221;.</font><font size="-1">   <strong>ERIC ALTERMAN</strong> é jornalista norte-americano, colunista da &#8220;The Nation&#8221; e professor na  Universidade da Cidade de Nova York.  A íntegra deste texto foi publicada originalmente na &#8220;New Yorker&#8221;, em 31/3.  Tradução de Samuel Titan Jr.<br />
</font></p>
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		<title>Quase a metade dos internautas lê blogs</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 16:09:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Ferramenta foi absorvida pelo mercado e pela mídia, mas grande parte dos blogs é produzida por internautas amadores
Rodrigo Martins &#8211; O Estado de São Paulo
Se há dez anos o blog era uma ferramenta desconhecida para os brasileiros, hoje 45,5% dos internautas acessam esse tipo de site, aponta o Ibope/NetRatings. Mas uma coisa não mudou: em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/04/quase-a-metade-dos-internautas-le-blogs/4464/" rel="attachment wp-att-4464" title="blog_banheiro.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/04/blog_banheiro.jpg" alt="blog_banheiro.jpg" /></div>
<p></a><strong>Ferramenta foi absorvida pelo mercado e pela mídia, mas grande parte dos blogs é produzida por internautas amadores</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Rodrigo Martins &#8211; O Estado de São Paulo</strong></p>
<p>Se há dez anos o blog era uma ferramenta desconhecida para os brasileiros, hoje 45,5% dos internautas acessam esse tipo de site, aponta o Ibope/NetRatings. Mas uma coisa não mudou: em sua maioria, os blogs continuam sendo diários virtuais para amadores contarem experiências pessoais. Há, lógico, sites de outros tipos: jornalísticos, corporativos, etc. Mas são minoria.</p>
<p>&#8216;Os dez blogs profissionais mais populares, independentes e em portais, têm só 10% da audiência da blogosfera. O resto é pulverizado. Os diários virtuais, que são em maior número, são no conjunto os que recebem mais visitas&#8217;, afirma o pesquisador do Ibope Inteligência, José Calazans.</p>
<p>E segundo ele, o internauta não é fiel. &#8216;Em 65% dos casos, ele entra em blogs ao buscar no Google, por exemplo, uma atração turística. Aí lê o relato de quem esteve lá&#8217;, aponta. &#8216;A fidelidade é mais comum em blogs ligados a portais, com público mais velho. Os jovens não se importam com a fonte. Eles buscam no Google e lêem no site que for indicado.&#8217;</p>
<p>Em busca dessa fidelização, o blog se espalha pelos portais dos veículos de mídia. Dos jornais e canais de TV aos provedores, há quem chegue a ter mais de cem blogs, como o IG. &#8216;Temos 170&#8242;, conta o diretor de conteúdo do portal, Caíque Severo. &#8216;Com o blog o leitor interage com o colunista, comenta&#8230;&#8217;</p>
<p>&#8216;E atrai todos os públicos&#8217;, explica a diretora de conteúdo do UOL, Márion Strecker. &#8216;Mas não está nem perto da ser a maior audiência. Temos alguns dos blogueiros mais populares da internet, mas eles não trazem nem 1% dos visitantes do UOL.&#8217;</p>
<p>Os jornais também aderiram aos blogs. No Globo Online, são 90. &#8216;A idéia é ter um cardápio variado. De TV a esportes radicais&#8217;, comenta o editor executivo de interatividade, Aloy Jupiara. &#8216;Atendemos a nichos específicos que o jornal não cobre sempre.&#8217; Para o editor-chefe de Conteúdo Digital do Grupo Estado, Marco Chiaretti, os blogs trazem um aprofundamento das informações. &#8216;E estreitam a relação do leitor com o jornal.&#8217;</p>
<p>Os blogs também começam a surgir nas emissoras de TV. A Globo tem 20 blogs, ligados a programas como Malhação e Video Show. No último Big Brother, cada confinado postava em seu blog. Na MTV, a meta é ter 40 blogs até o meio do ano. Hoje são 20. &#8216;Serão sobre assuntos diversos. É um meio a que os jovens estão acostumados&#8217;, diz Mauro Bedaque, diretor de internet.</p>
<p>Nas empresas, o movimento também cresce. Carrefour, Tecnisa, Philips, Natura, Close Up e até o George Foreman Grill já aderiram. &#8216;Mas a maioria das companhias ainda tem medo de se expor nos blogs, abrir espaço para comentários&#8230;&#8217;, revela Patrícia Gil, diretora da consultoria corporativa Máquina Web.</p>
<p>Quem está na onda jura que funciona. &#8216;É uma forma de chegar aos jovens&#8217;, explica Luana Inocentes, gerente de produtos do George Foreman Grill. &#8216;Esse público pede inovação. E o blog tem sempre novidades&#8217;, conta a gerente de marketing da Close Up, Camila Gravina.</p>
<p>O Carrefour montou um blog para todos os públicos. &#8216;Os varejistas são parecidos, têm os mesmos produtos e preços. É preciso se diferenciar&#8217;, opina a gerente de relacionamento com o cliente, Renata Freitas. &#8216;O blog faz o cliente se lembrar da marca&#8217;, completa o diretor de marketing da construtora Tecnisa, Romeo Busarello.</p>
<p>E como fazer para os internautas acessarem o blog da empresa? &#8216;É preciso ter um conteúdo diferenciado. Não adianta falar de produtos da marca&#8217;, explica o gerente de internet da Philips, Alessandro Martins. &#8216;Assim, consegue-se fidelizar o internauta para que volte e, inclusive, acesse outras seções do site&#8217;, finaliza o gerente de internet da Natura, Mario Orlandi Júnior.</p>
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		<title>A Tv digital começa amanhã. Para poucos.</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Dec 2007 21:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[do Blog de Dirceu
Amanhã, às 20h30, começam as primeiras transmissões da TV digital brasileira, com a difusão em alta definição (High Definition) de um discurso do presidente Lula. O programa será gerado em cadeia, diretamente da Sala São Paulo, na Estação Júlio Prestes, por um pool de emissoras (Cultura, Band, Rede TV, Globo, Record e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span class="suma_corpo">do Blog de Dirceu</span></p>
<p>Amanhã, às 20h30, começam as primeiras transmissões da TV digital brasileira, com a difusão em alta definição (High Definition) de um discurso do presidente Lula. O programa será gerado em cadeia, diretamente da Sala São Paulo, na Estação Júlio Prestes, por um pool de emissoras (Cultura, Band, Rede TV, Globo, Record e SBT). O presidente Lula estará presente ao evento, ao lado dos ministros das Comunicações, Hélio Costa, e da Casa Civil, Dilma Roussef. Inicialmente, a transmissão abrangerá apenas a Grande São Paulo, mas a previsão é de que, a partir do próximo semestre, a TV digital esteja disponível também no Rio de Janeiro, devendo atingir todo o país até 2013 e substituindo totalmente o padrão analógico até 2016.</p>
<p>Os poucos brasileiros que puderem ver as imagens digitais vão perceber que sua qualidade é muito superior. E serão poucos os brasileiros porque embora a TV continue a ser gratuita, só quem pode pagar por um televisor digital, da ordem de R$ 7 mil, ou por um conversor (a caixinha que vai acoplada ao televisor tradicional e tem a função de converter os sinais digitais recebidos em analógicos), cuja versão mais barata custa R$ 499. E o usuário precisa pagar isso apenas para melhorar a qualidade da recepção, já que as demais funções de interatividade prometidas ainda não estão disponíveis.</p>
<p>O fato de a TV digital estrear no país de forma elitista mostra que houve um desacerto na construção de sua política. O governo optou pelo padrão japonês que é mais evoluído tecnicamente, mas muito mais caro, pois sua base instalada basicamente se limita àquele país. Embora a falta de escala fosse uma das críticas mais consistentes à escolha do padrão japonês – o preferido dos radiodifusores, pois preserva o seu modelo de negócios e o seu controle sobre a verba publicitária da TV &#8211; , o governo brasileiro, por meio do ministro Hélio Costa, assegurou à população que o país teria conversor a menos de R$ 200 na estréia do sistema. O que não se confirmou. Tanto que o ministro passou a ameaçar os fabricantes com a isenção de tributos para os importados.</p>
<p>Mas esse, embora grave, não é o único problema. O governo justificou a escolha do padrão japonês pelo fato de ser o único a garantir a efetiva mobilidade e ter mais recursos de interatividade, o que permitiria seu uso para a inclusão digital. Na prática, os primeiros modelos de conversores saem sem nenhum recurso de interatividade, o que vai, no futuro, obrigar o usuário que investiu nessa caixinha a ter de trocá-la. Tanto que os órgãos de defesa do consumidor estão alertando a população para não comprar conversores agora.</p>
<p>Há outros equívocos na definição do modelo de televisão digital, como a multiprogramação, uma das grandes possibilidades trazidas pela tecnologia digital, não ter sido estimulada, o que levou a uma reprodução do status quo no novo modelo. Cada emissora comercial recebeu 6 MHz de espectro, sem pagar nada, e vai usá-lo todo para transmitir um só canal em alta definição, quando esse mesmo espectro poderia ser usado para transmitir até quatro canais em padrão standard.</p>
<p>Como o modelo já está definido, o que é preciso fazer daqui pra frente é corrigir o que é possível ser corrigido. Acelerar a incorporação do software Ginga, desenvolvido no país com recursos públicos, aos conversores, pois é ele que vai tornar disponíveis as funções de interatividade. Desenvolver aplicativos de governo eletrônico para a TV digital e criar um modelo racional de canal de retorno, através do qual o usuário vai interagir com o programa,.<br />
Qualquer que seja ele. Também é preciso definir logo regras de política industrial, como a isenção de IPI e Cofins para a fabricação do conversor em todo o país e não só em Manaus (o que mantém os preços altos). E se abrir uma discussão pública sobre como será estimulada a migração da TV analógica para a digital e qual o destino que será dados aos canais analógicos em 2016, quando forem devolvidos à União pelos radiodifusores.</p>
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