31/08/2012 - 10:52h Aviso aos navegantes

@Blogdofavre (https://twitter.com/Blogdofavre) é meu microblog no twitter. Ele nasceu como extensão deste Blog e foi ocupando pouco a pouco quase todas as suas funções.

@Blogdofavre no twitter conta com quase 10 mil “seguidores”, muitos dos quais repercutem e comentam, tudo no espaço dos 140 toques, que é o limite do microblog.

O twitter se amolda melhor a mobilidade e ao ritmo de nossa vida, particularmente das diversas atividades profissionais das pessoas. É rápido e fácil de consultar nos celulares.

Por outra parte, minhas ocupações profissionais tem se multiplicado, tanto nas diversas campanhas eleitorais, como nas consultorias que realizo. O tempo é cada vez menor e tem sido escasso para escrever no blog.

Por isso, a partir de hoje, este blog transfere toda sua vocação de espaço de informação, compartilhamento de leituras, vídeos, literatura etc. para o twitter @blogdofavre.

Aqui ficará reservado para eventuais artigos ou comentários que não tenham outro espaço para serem expostos, sem regularidade e ao sabor do acaso.

Luis Favre

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26/08/2012 - 17:35h Do teatro grego ao Facebook


A figura do político com seu programa é sucedida pelo ativismo dos tecnoatores, que se articulam pelo livre acesso à informação

26 de agosto de 2012

MASSIMO DI FELICE – O Estado de S.Paulo

Num fim de tarde e no começo da primavera, todos os moradores das cidades gregas tinham que cumprir a obrigação de subir as colinas para chegar ao teatro e assistir às apresentações cujas temáticas abordavam questões éticas e políticas. Sempre construídos numa posição estratégica, geralmente numa parte alta que se debruçava sobre o mar, os teatros gregos apareciam como um lugar irreal no interior dos quais, através de efeitos técnicos e narrativos (o coro, as máscaras, a música), o público era conduzido ao delírio e à comoção. Era exatamente por meio desse elemento emotivo e nesse excesso de empatia (hybris) que o cidadão grego recebia os valores morais e a ética sobre os quais fundavam-se as leis e a vida de sua cidade.

Tal função político-pedagógica do teatro antigo demonstra claramente a importância da cultura do espetáculo e sua profunda relação com a política na cultura ocidental.

Desde seus primórdios no Ocidente o público, o espetáculo e a cultura política formaram um único universo, incindível, que foi o verdadeiro embasamento da democracia – nascida, como observava criticamente Platão, como “teatrocracia”, isto é, como a ditadura do espetáculo e do julgamento popular. Evento fútil para os seguidores das verdades, competição imprevisível e prazeroso entretenimento para moradores das antigas cidades da Magna Grécia, de fato, as representações teatrais marcaram o nascimento do encontro entre a comunicação, o espetáculo e a política.

Do teatro grego para as competições de oratória no foro romano, até os palanques midiáticos da era televisiva, a democracia e a competição política apresentaram-se no mundo ocidental em forma de espetáculo público, ou seja, de apresentação de argumentações e programas submetidos ao julgamento dos espectadores. Estes eram chamados a opinar e escolher suas peças preferidas, o discurso mais bonito ou seus candidatos.

Teatro, imprensa, rádio, cinema e TV construíram na historia da nossa civilização a forma/conteúdo da participação e as arquiteturas para a disputa do consenso. Embora com características distintas e diferente poder de difusão das informações, tais práticas mantiveram a mesma arquitetura analógica comunicativa, baseada na distribuição unidirecional das informações de um emissor (ator, jornalista, locutor, apresentador televisivo ou político) para o público espectador, que batia palmas, vaiava, opinava, escolhia e votava. Tal distinção identitária entre quem produzia e distribuía a mensagem e o público espectador chega inalterada à época da eletricidade e da TV. Se a sociedade do espetáculo e o marketing político têm origem antiga e anteriores às estratégias comunicativas descritas por Maquiavel em O Príncipe, é evidente que a interação entre política e televisão introduz um conjunto de elementos novos na linguagem e nos conteúdos da política moderna.

Em primeiro lugar, o incremento da importância das estéticas e do visual do candidato. Em segundo, sua capacidade de adaptação à necessidade de elaboração de respostas rápidas e agilidade na contra-argumentação impostas pela velocidade da linguagem e pela especificidade da temporalidade televisiva. E terceiro, só para citar os mais notórios, sua total submissão à audiência e à programação televisiva. Nesse sentido, o mais conhecido conceito de Marshall McLuhan, “o meio é a mensagem”, pode nos orientar para entender a relação entre TV e política. É suficiente observar como a atuação dos marqueteiros e as estratégias comunicativas mudaram nas últimas décadas a forma de fazer política e a qualidade do seu discurso.

A linguagem televisiva tornou os discursos e os programas políticos mais visuais e transformou os profissionais da política em personagens midiáticas preocupadas com suas rugas, a cor do seu cabelo e o ângulo de tomada da câmera. Mas, sobretudo, o alto custo de produção da mídia de massa aumentou os custos da política e, consequentemente, favoreceu a difusão de atuações ilícitas e da corrupção, chegando a fazer coincidir na opinião pública do mundo inteiro a imagem do político – e mesmo a atividade política – com aquela da corrupção e da desonestidade.

Com o advento da comunicação digital esse modelo comunicativo, que permaneceu presente no decorrer da história nas distintas épocas midiáticas e culminou com a forma da espetacularização da política televisiva, entra definitivamente em crise. Com a difusão das mídias móveis e das redes sociais digitais, muda a arquitetura de produção e distribuição das informações, alterando aquele modelo antigo que uniu o teatro grego à TV. Se a mídia e a política de massa criavam público e buscavam consenso através da comunicação frontal, as arquiteturas interativas digitais nos propõem a forma de produção colaborativa de conteúdo que se desenvolve mediante a interação reticular de sujeitos ativos. Do YouTube ao Facebook e à Wikipedia assistimos à passagem de uma forma receptiva de comunicação a uma forma interativa e coletiva.

Se por milênios os fluxos comunicativos foram unidirecionais e a forma de distribuição dos conteúdos mantinha as dinâmicas piramidais da emissão de informações de um centro (emissor) para uma periferia (receptor), a revolução comunicativa digital introduz, pela primeira vez na história da humanidade, um modelo comunicativo interativo, baseado no sistema de rede que, anulando a distinção identitária entre emissor e receptor, oferece a todos os internautas (tecnoatores) o mesmo poder comunicativo e igual oportunidade de acesso. Além disso, tal ruptura comunicativa inaugura um tipo de interação que ativa a comunicação e a torna possível somente no interior das interações dinâmicas entre interfaces, redes e internautas, conferindo aos últimos o papel de construtor das informações e produtor de conteúdos.

Os pressupostos dessa nova cultura midiática interativa são o exato contrário da forma analógica. Para a descrição das arquiteturas comunicativas das interações digitais parece, consequentemente, necessário substituir o conceito de público para aquele de redes, nas quais o significado e o conteúdo do comunicar não são mais pré-codificados e estabelecidos pelo emissor, mas construídos e viabilizados pelo processo interativo.

Essa passagem da mídia de massa para a personal mídia, do analógico para o digital e do ver para o tecnoagir não deixará de alterar a natureza da sociedade e os significados da ação política.

De um ponto de vista político midiático, nossa época é marcada por uma paradigmática transformação que vê o advento de uma nova forma de democracia. Ela é baseada na articulação de consenso através da construção colaborativa de redes informativas que articulam novas formas de sinergia entre indivíduos e informações. Mais que sobre o consenso e apresentação de candidatos, essas novas formas de atuação produzem mudanças diretamente sobre os territórios por meio da participação e da troca informativa de rede de cidadãos. À figura do político portador de um programa e líder de uma corrente partidária sucede o ativismo dos tecnoatores, que através do livre acesso às informações articulam-se, discutem e produzem informações de forma colaborativa. Em todos os continentes produz-se uma forma tecnoinformativa de participação, cidadania e processos de transformações sociais. Foi assim que os cidadãos das antigas cidades gregas tornaram-se autores e atores das tramas encenadas no final da tarde no começo de outras primaveras.

14/08/2012 - 17:30h É preciso repensar o que entendemos por mídia, diz filósofo

Luis Ushirobira/Valor / Luis Ushirobira/Valor
Para Zielinski, o conceito de modernidade na América Latina ainda é muito impregnado com a influência europeia


Por Diego Viana | VALOR

De São Paulo

Com o avanço das tecnologias midiáticas na modernidade, descobrimos que não entendemos mais nem a mídia, nem a modernidade, nem o papel da tecnologia: é hora de questionar novamente todos esses conceitos. Esta é a proposta do pensador alemão Siegfried Zielinski, fundador da arqueologia da mídia, que estuda o tema segundo um paradigma de multiplicidade e diferença que ultrapassa as fronteiras da modernidade como a conhecemos.

Fundador da Academia de Artes e Mídia de Colônia (Alemanha) e professor de teoria da mídia, arqueologia e variantologia na Universidade das Artes de Berlim, Zielinski esteve no Brasil na última semana para uma série de eventos em Salvador, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo.

Em suas apresentações, desenvolveu temas abordados na série “Variantologia”, de cinco volumes, que deve ganhar uma versão brasileira. Também tratou de questões presentes em “Arqueologia da Mídia” (Annablume, 2006), seu único livro traduzido no Brasil. Para ele, é preciso reencontrar as articulações entre técnica, ciência e arte para além da influência europeia.

Nesta entrevista, Zielinski fala também da redescoberta do pensamento do filósofo tcheco naturalizado brasileiro Vilém Flusser, que viveu de 1941 a 1972 no Brasil e foi professor da Universidade de São Paulo. Zielinski dirige o Arquivo Flusser em Berlim.

Valor: Sua obra recente gira em torno da articulação entre técnica, arte e ciência. São áreas que, por muito tempo, o Ocidente viu como incomunicáveis.

Siegfried Zielinski: Em outras culturas, a separação não é tão forte. Na tradição árabe-islâmica não é assim. A modernidade europeia foi baseada na criação de diferentes disciplinas e campos bem separados. O poeta Novalis e outros românticos, há 200 anos, viram que corríamos o risco de entrar num beco sem saída com tanta separação. A unidade de pensamento do mundo, combinando a natureza, o corpo e a mente, era fundamental para a poesia romântica. Isso incluía a unidade entre ciência e poesia. Talvez tenha sido a última ideia saudável de universalização.

Valor: Sua série “Variantologia” já atingiu cinco volumes. O que define a variantologia?

Zielinski: O conceito de variantologia é muito poroso. É um neologismo que inventei para falar da multiplicidade das formas de relação entre artes, ciências e tecnologias em diferentes partes do mundo, entrando profundamente na questão histórica. Uso o exemplo do termo América “Latina”. É uma construção europeia: o conceito de modernidade no continente tem uma referência forte na tradição europeia. A pesquisa de tempo profundo tenta ir além dessas constelações históricas. Que tipo de heterogeneidades funcionaram antes da chegada dos europeus, que poderiam ser usadas para criar um tipo diferente de futuro?

Valor: Como é o procedimento?

Zielinski: Primeiro, constrói-se um modelo aberto de pensamento, um convite a repensar as relações entre arte, ciência e tecnologia. Como teórico da mídia, penso que o conceito de mídia que temos chegou a um beco sem saída. A mídia se tornou sistêmica e não se pode mais fazer revoluções com ela. Temos de repensar seu contexto sistêmico e redescobrir as múltiplas possibilidades das tecnologias de mídia. Buscar a variedade das relações históricas, que nos expliquem diferentes maneiras de entrar no futuro.

Valor: No ano passado, o senhor publicou um manifesto em que defendia a “esquizofrenia normal”, ou seja, “viver on-line e ser off-line”. Qual é o núcleo do argumento?

Zielinski: A ideia é simples: há partes da vida que não são formalizáveis e acessíveis para as máquinas. Temos de garantir que permaneçam assim. Nas demais partes, altamente formalizáveis, é útil trabalhar com máquinas e redes, capazes de comunicar a informação formal. Proponho, simplesmente, a separação. Concentrar as partes que não são formalizáveis no “ser off-line” e a capacidade de calcular e organizar no on-line. Não vejo outra alternativa. A conectividade como dispositivo geral é uma armadilha. Convivo muito com gente jovem na universidade, e recentemente uma estudante exemplificou essa armadilha. Enquanto falava sobre a dependência da internet entre jovens, ela mandava mensagens de texto para 20 colegas que estavam sentados na sala, escutando-a. Ao final, ela tinha recebido 18 respostas. Mesmo nessa situação em que temos de ouvir um semelhante, estamos on-line. Talvez “esquizofrenia” seja um termo forte demais, mas temos de aprender a dançar nessas duas cordas-bambas, evitar o que chamo de psicopatia midiática, danos psíquicos permanentes por excesso de conexão.

Valor: Sua apresentação no Rio sugere a formação de um instituto da modernidade no Sul.

Zielinski: Não há um único conceito de modernidade, há muitos conceitos que competem entre si. Penso a modernidade como uma atitude experimental sobre o mundo, então tenho de aceitar que há muitas posturas assim. E diferentes períodos em que esse experimento acontece. Vamos deixar esse conceito florescer, para então se perguntar se ainda temos de pensar em termos de modernidade. Talvez acabemos por descobrir que não precisamos mais. E tudo bem. Talvez essa instituição termine em sua própria dissolução.

Valor: A obra de Vilém Flusser, que viveu no Brasil, foi quase esquecida no país e agora é redescoberta. O que motiva esse retorno?

Zielinski: A recepção de Flusser acontece em ondas. Ele deu muitas ideias, não respostas, e perguntou coisas relevantes para a atualidade. As relações homem-máquina e as tecnologias de comunicação estão num ponto difícil de discernir. Não sabemos aonde ir. Ninguém tem boas soluções e é aí que Flusser entra. Suas perguntas são provocantes, ajudam a ter ideias para lidar com fenômenos tecnológicos. Sua família quase inteira foi morta pelos nazistas, e mesmo assim Flusser é esperançoso, diferentemente de outros teóricos da mídia, que são apocalípticos. Sua construção antropológica do mundo é algo que se dirige para o futuro, não para o passado. Estamos nos atirando no futuro e há possibilidades de torná-lo concreto.

Valor: A certa altura da Primavera Árabe, as sublevações foram apelidadas de “revolução do Twitter”…

Zielinski: É uma interpretação superficial da relação entre técnica, política e comunicação. A tecnologia exerce um papel importante nos processos culturais, mas não os causa, como os apologistas da internet creem. Vejo assim a questão da computação: computadores e máquinas de rede são basicamente dispositivos de pensamento: “Denkdinge”. São dispositivos para pensar e calcular. Não substituem partes da vida ligadas às sensações e às emoções. São máquinas racionais. Calcular é a forma mais extrema de razão. Precisamos delas e elas de nós, mas essa distância deve ser resguardada.

Valor: Onde se deve estabelecer a fronteira entre o físico e o virtual?

Zielinski: Em 1991, quando montei a academia de Colônia, os primeiros visitantes vieram da maior loja de departamentos da Alemanha. Havia 1.300 pessoas trabalhando para preparar o futuro da distribuição de mercadorias, com uma visão absolutamente clara. Haveria a separação entre dois grupos de consumidores: os de massa, para os produtos de massa, que usariam sistemas on-line; e os elitistas, de artigos de luxo, que rejeitariam a compra on-line.

Valor: O luxo é off-line, então?

Zielinski: É preciso ser luxuoso no sentido cultural. Sou fã de Georges Bataille, um propugnador de uma relação poética com a vida. É a recusa a contar todo o tempo, calcular tudo. E inclui estar fora do ar às vezes. Trabalho em casa, tenho uma assistente e um escritório. Não preciso ficar conectado. Meus colegas americanos passam várias horas por dia em suas máquinas. No meu tempo livre, faço coisas sensacionais que os outros não fazem, porque estão on-line.

01/08/2012 - 09:00h Brasil é 72º em ranking de inclusão digital

Por Guilherme Serodio | VALOR

Do Rio

O Brasil é o 72º país no ranking mundial de inclusão digital. Com uma taxa de inclusão de 51,2%, o país está acima da média mundial de 49,1%, aferida em 156 países.

O levantamento foi divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas a partir de dados do Instituto Gallup, que aferem o índice ITIC de inclusão digital. O ITIC mede o acesso de pessoas com 15 anos ou mais à telefonia móvel e à telefona fixa, além do computador residencial e ao acesso à internet em casa.

A Suécia, com ITIC de 95,8%, lidera o ranking, seguida pela Islândia (95,5%) e Cingapura (95,5%). Os piores países do ranking estão na África: são a República Centro Africana (5,5%) e o Burundi (5,8%).

Para o economista do Centro de Políticas Sociais (CPS/FGV) Marcelo Neri, que coordenou a pesquisa, “o celular é a plataforma que puxa a inclusão digital no Brasil”. Sem contabilizar o acesso à telefonia móvel, o ITIC brasileiro cairia para 39,3%.

No país, as desigualdades também são grandes. Os municípios com melhor desempenho são aqueles onde a população possui maior renda e nível escolar. A lista é liderada por São Caetano do Sul (SP), com ITIC de 82,6%, seguida por Santos, com 78,1%, e Florianópolis, com 77%. As três têm índices semelhantes aos dos países considerados os mais inclusivos do mundo.

No outro extremo, os municípios de Fernando Falcão, no Maranhão (3,7%); Chaves, no Pará (3,78%); e Uiramutã, em Roraima (4,5%) assemelham-se às nações africanas de pior desempenho.

A mesma lógica se aplica aos bairros das metrópoles brasileiras. Moema, em São Paulo, é o distrito com maior índice de inclusão digital (93%). No ranking global, o bairro ficaria na quinta melhor posição, entre a Nova Zelândia e a Holanda. No Rio de Janeiro, a Lagoa é o distrito com maior índice de inclusão (88,9%).

Nos centros urbanos brasileiros, mesmo as favelas apresentam taxa de inclusão digital acima da média mundial de 49,1%. O complexo da Maré, com ITIC de 55,9%, Jacarezinho (54,4%) e Complexo do Alemão (50,8%), todos no Rio, também estão acima da média brasileira, de 51,2%.

Para Neri, o bom desempenho das favelas está baseado na propagação do uso dos telefones celulares. Por ser um dispositivo mais barato e tecnologicamente acessível, “o celular é a tecnologia que está onde os pobres estão, seja na África ou no Norte e Nordeste [do Brasil]“, disse o economista. O aumento da telefonia móvel na última década acompanha o crescimento da classe C, afirmou Neri. “O celular é o símbolo da nova classe média”. Para o economista, o aparelho é a plataforma ideal para a inclusão digital das classes mais pobres.

Entre 2001 e 2009, o acesso dos brasileiros à telefonia móvel cresceu 165%, passando de 30% para 81,5% dos domicílios, segundo dados da Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) do IBGE. O salto se contrapõe ao recuo de 14% da telefonia fixa nas residências no mesmo período.

Atualmente 87% dos domicílios brasileiros têm cobertura de telefonia móvel, enquanto os computadores com internet estão em apenas 40% dos lares do país. Na média mundial, esses números são respectivamente de 79,9% e 36,2%.

09/07/2012 - 17:32h Conectados para trocar experiências com colegas


O cardiologista e clínico geral Renato Vieira troca informações sobre diagnósticos com outros médicos por meio da rede social Doctors Way, que reúne 2500 participantes


Por Adriana Fonseca | VALOR

De São Paulo

Recentemente, o cardiologista e clínico geral Renato Vieira recebeu em seu consultório uma paciente de longa data. Ela apresentava uma lesão avermelhada na região da boca e do nariz. Apesar de acreditar tratar-se de rosácea, uma doença de pele, ficou na dúvida em diagnosticá-la dessa forma. Foi então que recorreu, em tempo real e pela internet, aos colegas. “Pedi permissão da paciente, tirei duas fotos da lesão com o meu celular e, no mesmo momento, transferi os arquivos e perguntei o que eles achavam”, explica Vieira.

A pergunta não foi simplesmente jogada na internet. Foi feita em uma rede social voltada apenas para médicos, a Doctors Way, lançada há nove meses. “Quase que instantaneamente, os colegas dermatologistas começaram a responder confirmando que se tratava mesmo de um caso de rosácea”, lembra o médico, que orientou sua paciente a não ficar exposta à luz solar e a evitar alimentos muito quentes, além de encaminhá-la a um dermatologista.

Em poucos minutos, Vieira discutiu o caso que acabara de surgir em seu consultório com outros colegas de profissão. Situações semelhantes já haviam surgido e foi a partir da necessidade pessoal de compartilhar informações médicas que ele e o colega Fernando Maluf fundaram uma rede social que só aceita médicos – é preciso inserir o número de CRM para se cadastrar. Hoje, há mais de 2.500 profissionais cadastrados na Doctors Way.

Na internet, os médicos criam um perfil, como acontece no Facebook. Só que em vez de compartilhar episódios da vida particular, pedem a opinião dos colegas sobre exames e diagnósticos, leem estudos sugeridos por outros integrantes da rede e notícias especializadas da área, publicam artigos médicos e ainda podem assistir a aulas e trechos de congressos. Tudo de forma gratuita. “Tenho 16 anos de formado e atendo apenas no meu consultório, em São Paulo. Às vezes, sinto dificuldade de falar com colegas sobre dúvidas que surgem no dia a dia”, diz Vieira, explicando porque criou o site. “Acredito que profissionais de locais mais remotos sintam ainda mais essa necessidade”, diz. Segundo ele, mais de 160 perguntas já foram feitas nos nove meses de vida do site e cada uma recebe, em média, quatro respostas.

As redes sociais, popularizadas há alguns anos pela troca de informações pessoais entre amigos, estão ganhando a esfera profissional no Brasil. E não necessariamente com a função de expor o currículo ou procurar emprego, como acontece no LinkedIn. A função dos sites segmentados por área profissional, como o Doctors Way, é ampliar o networking, integrar a comunidade e ajudar no dia a dia de trabalho.

Assim como os médicos, os profissionais de recursos humanos também se uniram virtualmente. Capitaneada pela seccional São Paulo da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), a People surgiu no começo de abril com o intuito de ampliar e facilitar a conexão de quem atua na área. “O objetivo é gerar debates virtuais sobre gestão de pessoas, em complemento aos encontros presenciais promovidos pela associação”, explica Donizetti Moretti, diretor da ABRH-SP. Segundo ele, o site já conta com 2.400 cadastros e 23 grupos de estudos. Os temas mais comuns são desenvolvimento de lideranças e engajamento de pessoas. Também são movimentados os debates sobre legislação relacionada a recursos humanos.

Psicóloga e sócia da ASDP Consultores, especializada em seleção e coaching, Yara Leal de Carvalho é uma das participantes da People. Ela é facilitadora do fórum que discute assuntos ligados à geração Y e conta que a rede social ampliou a conexão entre os participantes do grupo, que já se encontravam presencialmente uma vez por mês. “Usamos a rede para trocar textos e vídeos sobre temas de nosso interesse”, afirma Yara, que também participa do grupo de discussão sobre coaching. “A internet amplia a possibilidade de estudos e aprofunda o networking”, ressalta.

Os executivos expatriados também têm na internet um ponto de encontro. Na rede social global InterNations, 480 mil pessoas que estão vivendo fora de seus países de origem trocam informações, quase sempre em inglês, sobre os mais variados assuntos – desde como gerenciar uma pequena empresa no país estrangeiro e administrar a papelada relacionada aos vistos até dicas de onde saltar de paraquedas.

Com a crescente comunidade de expatriados no Brasil, a rede inaugurou, neste ano, duas regionais brasileiras: Campinas e Goiânia. Os novos grupos se juntam a outros três do país já existentes na rede social desde 2009 – São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília – e às mais de 300 comunidades ativas do site, uma para cada cidade. “O número de membros da InterNations residentes em Campinas e Goiânia tem aumentado constantemente. Os canais vão atender melhor às necessidades desses expatriados e ajudá-los a se comunicar e a organizar encontros”, afirma Valentina Griffin, gerente de relações internacionais da rede social para a América Latina. No Brasil, o site tem cerca de 10 mil usuários cadastrados.

Na comunidade de São Paulo, por exemplo, a maior da América do Sul, os usuários da rede social marcam happy hours, indicam restaurantes, pedem sugestões de escola para os filhos e até ideias do que fazer em um domingo pela manhã. O site também funciona para troca de informações sobre carreira e negócios. Para organizar melhor o conteúdo da página, os fóruns são divididos em cinco áreas: conversas sobre a cidade, dúvidas relacionadas à expatriação, empregos, moradia e dicas de lojas.

Lançada em 2007, a InterNations surgiu a partir da ideia de três amigos: Christian Leifeld, Philipp von Plato e Malte Zeeck. Os três estudaram e trabalharam em diversos países estrangeiros e descobriram, nessas temporadas longe de casa, como é difícil se ambientar em uma nova cidade. Hoje, quem comanda os negócios é o alemão Zeeck, de 35 anos. O executivo fez o colegial nos Estados Unidos e passou, durante a graduação, por Suíça, Itália e Brasil. Já no mercado de trabalho, atuou na Espanha e na Índia entre outros locais.

Na InterNations, o acesso é gratuito para alguns serviços, como a participação nos fóruns de discussão e a busca por outros membros. Usuários pagantes, identificados como “albatross members”, têm outros benefícios como entrada gratuita nos encontros presenciais promovidos pela rede, prioridade nas listas dos eventos, permissão para ver quais membros visitaram o seu perfil e número ilimitado de mensagens para outros usuários. O custo de se tornar um “albatross member” vai de 3,95 libras mensais no pacote de 12 meses, até 5,95 libras por mês no combo trimestral.

21/06/2012 - 08:25h Ao repudiar controle da mídia, Bernardo diz que internet supera TV em audiência

Por Rafael Bitencourt | VALOR

De Brasília

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, buscou tranquilizar os segmentos que serão afetados pela proposta de marco regulatório da comunicação eletrônica em discurso proferido no 26º Congresso Brasileiro de Radiodifusão. Ele fez questão de rebater os rumores frequentes de que o governo usará o novo regulamento como mecanismo de controle das empresas de comunicação.

Bernardo aproveitou a presença de importantes executivos no evento para firmar posição de repúdio a qualquer ameaça à liberdade de expressão. Mais do que isso, o ministro defendeu o novo marco como forma de assegurar o espaço dos veículos tradicionais de comunicação – como o rádio, TV e jornais – frente ao avanço das novas mídias, especialmente aquelas que usam a internet como meio de disseminação de conteúdo.

“Abominamos a censura e o que se chamou de controle sobre a mídia”, ressaltou Bernardo no congresso organizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Para ele, o controle do conteúdo veiculado pelos órgãos de imprensa contrariam os valores defendidos pela presidente Dilma Rousseff.

As mudanças no setor, segundo o ministro, precisam considerar a constatação de que os usuários de internet já superaram os da TV aberta em número de horas. Na avaliação do governo, este cenário tende a se acentuar, já que as empresas de telecomunicações, cada vez mais, têm ampliado o número de conexões banda larga. A meta do Ministério das Comunicações é levar o serviço de internet a 70% dos lares até 2014, o que corresponderia a 40 milhões de domicílios atendidos.

Outro risco enfrentado pelos segmentos tradicionais da imprensa é refletido pela perda de participação no mercado publicitário. O ministro destacou que a internet já responde por 12% do mercado publicitário, perdendo somente para a televisão aberta. “A verdade é que existe hoje, no Brasil e no mundo, um novo mercado, que não pode mais ser chamado nem de radiodifusão nem de telecomunicações, mas sim de ‘comunicação eletrônica’”, disse.

De acordo com o ministro, a ofensiva representada pelo crescimento do mercado de TV por assinatura também deve ser objeto de preocupação, especialmente das emissoras de TV aberta. Bernardo ressaltou que a TV paga já reúne mais de 14 milhões de assinantes e deve se expandir ainda mais a partir das alterações que têm ocorrido no ambiente regulatório.

“Essa realidade coloca as tradicionais empresas jornalísticas, bem como as empresas de rádio e televisão, em competição cada vez mais direta com conglomerados de projeção global, como as operadoras de telecomunicações, fabricante de equipamentos e gigantes da internet”, afirmou Bernardo.

Durante palestra no evento, o ministro questionou se a regra que obriga o controle de empresas jornalísticas por capital brasileiro vale também para as empresas de internet. Outra dúvida está relacionada à atuação dos veículos que vendem conteúdo online ou em televisores conectados devem ser submetidos às exigências impostas à TV paga ou radiodifusão. “Até hoje inexiste qualquer lei que discipline como isso dever ser feito”, afirmou.

16/06/2012 - 07:06h Fora do ar

O blog teve problemas técnicos esta semana. Mil desculpas aos leitores. Esperamos voltar amanha e normalizar a situação.

Obrigado pela compreensão

02/05/2012 - 18:08h The man who started the hacker wars

The New Yorker

Reporting & Essays

Radical hackers took up Hotz

Radical hackers took up Hotz’s fight, although he never considered himself a cause.


Annals of Technology

Machine Politics

by May 7, 2012

In the summer of 2007, Apple released the iPhone, in an exclusive partnership with A.T. & T. George Hotz, a seventeen-year-old from Glen Rock, New Jersey, was a T-Mobile subscriber. He wanted an iPhone, but he also wanted to make calls using his existing network, so he decided to hack the phone.

Every hack poses the same basic challenge: how to make something function in a way for which it wasn’t designed. In one respect, hacking is an act of hypnosis. As Hotz describes it, the secret is to figure out how to speak to the device, then persuade it to obey your wishes. After weeks of research with other hackers online, Hotz realized that, if he could make a chip inside the phone think it had been erased, it was “like talking to a baby, and it’s really easy to persuade a baby.”

He used a Phillips-head eyeglass screwdriver to undo the two screws in the back of the phone. Then he slid a guitar pick around the tiny groove, and twisted free the shell with a snap. Eventually, he found his target: a square sliver of black plastic called a baseband processor, the chip that limited the carriers with which it could work. To get the baseband to listen to him, he had to override the commands it was getting from another part of the phone. He soldered a wire to the chip, held some voltage on it, and scrambled its code. The iPhone was now at his command. On his PC, he wrote a program that enabled the iPhone to work on any wireless carrier.

The next morning, Hotz stood in his parents’ kitchen and hit “Record” on a video camera set up to face him. He had unruly curls and wispy chin stubble, and spoke with a Jersey accent. “Hi, everyone, I’m geohot,” he said, referring to his online handle, then whisked an iPhone from his pocket. “This is the world’s first unlocked iPhone.”

Hotz’s YouTube video received nearly two million views and made him the most famous hacker in the world. The media loved the story of the teen-age Jersey geek who beat Apple. Hotz announced that he was auctioning off the unlocked phone. The winning bid, from the C.E.O. of Certicell, a cell-phone-refurbishing company, was a 2007 Nissan 350Z sports car and three new iPhones. Later, on CNBC, Erin Burnett asked Hotz if he thought that day’s uptick in Apple stock was due in part to his efforts. “More people want iPhones now if they can use them with any sort of provider,” he said, and added that he “would love to have a talk right now with Steve Jobs” about it.

“Man to man?” Burnett said.

“Man to man.”

Apple and A.T. & T. remained conspicuously silent. Unlocking a phone was legal, but it could enable piracy. Many hardware manufacturers sell the devices at a loss, recovering the costs through monthly contracts or software sales. When Steve Jobs was asked at a press conference about the unlocked iPhone, he smiled awkwardly and said, “This is a constant cat-and-mouse game that we play. . . . People will try to break in, and it’s our job to keep them from breaking in.” Hotz never heard directly from Jobs.



Steve Wozniak, the co-founder of Apple, who hacked telephone systems early in his career, sent Hotz a congratulatory e-mail. “It was like a story out of a movie of someone who solves an incredible mystery,” Wozniak told me. “I understand the mind-set of a person who wants to do that, and I don’t think of people like that as criminals. In fact, I think that misbehavior is very strongly correlated with and responsible for creative thought.”

Hotz continued to “jailbreak,” or unlock, subsequent versions of the iPhone until, two years later, he turned to his next target: one of the world’s biggest entertainment companies, Sony. He wanted to conquer the purportedly impenetrable PlayStation 3 gaming console, the latest version of Sony’s flagship system. “The PS3 has been on the market for over three years now, and it is yet to be hacked,” he blogged on December 26, 2009. “It’s time for that to change.”

“My whole life is a hack,” Hotz told me one afternoon last June, in Palo Alto, California. He had moved there the previous month. He was now twenty-one, stocky, and scruffy. He wore a gray T-shirt under a gray hoodie, ripped bluejeans, and brown suède moccasins. “I don’t hack because of some ideology,” he said. “I hack because I’m bored.”

The word “hacker,” when it was applied to technology, initially meant college students and hobbyists, exploring machines. At worst, a hacker was a prankster. In the early nineteen-seventies, Wozniak, the hacker archetype, built a system that let him make free phone calls. Among others, he called the Vatican, pretending to be Henry Kissinger, and managed to get a bishop on the line. Over time, “hacker” acquired a more sinister meaning: someone who steals your credit cards, or crashes the electronic grid. Today, there are two main types of hackers, and only one is causing this kind of trouble. A “white hat” hacker—an anti-virus programmer, for instance, or someone employed in military cyberdefense—aims to make computers work better. It is the “black hat” hacker who sets out to attack, causing havoc or ripping people off. A recent series of attacks on Brazil’s largest banks, which took down their Web sites for a short time, is an example of the malicious black-hat type. The number of black-hat intrusions is rising: in the U.S., the Department of Homeland Security has reported a spike—fifty thousand between October and March, up ten thousand from the same period last year.

Hotz likes to hack according to the early definition of the word: getting inside a machine to see how it works, and changing it. To him, hacking is almost a sport, played against someone in a position of authority. “It’s a testosterone thing,” he told me. “It’s competitiveness, but it isn’t necessarily competitiveness with other people. It’s you versus the system. And I don’t mean the system like the government thing, I mean the system like the computer. ‘I’m going to stick it to the computer. I’m going to make it do this!’ And the computer throws up an error like ‘No, I’m not going to do this.’ It’s really a male thing to say, ‘I’m going to make you do this!’ ”

We were sitting in Hotz’s apartment, on the ground floor of a building near Stanford. Red Bull cans and take-out menus littered the kitchen. Plastic wrappings, scattered cash, and empty computer boxes covered the living room. One box was overturned and being used as a dining table. A blue air mattress sagged in a corner. Hotz tossed a wad of cash from his pocket to the ground and sat with his legs crossed on a desk chair before three giant computer monitors. He held an iPad 2 that he had bought that afternoon at the Apple Store on University Avenue. Around the room, whiteboards were filled with scrawled notes and algorithms. One had a list labelled “Morning Routine”: “7:15 a.m., one snooze? . . . shower . . . floss/brush/wash . . . vitamins . . . dress nicely . . . water plants.” Another list, labelled “Uncomfortable Things,” included “Call Therapist” and “Join Gym and Use It.”

Hotz talked about how he wrote his first computer program when he was five, while sitting on his father’s lap at their Apple II. By fifth grade, he was building his own video-game console with an electronic-projects kit from Radio Shack. His parents often found household appliances (remote controls, answering machines) gutted. “He always liked learning stuff, and if that was how he did it, great,” his father, George Hotz, Sr., a high-school computer teacher, told me. Hotz, bored with his classes and letting his grades slide, became known at school as an inventive joker who rolled down the hallways in wheeled sneakers and once hacked several classroom computers to simultaneously play Beethoven’s Ninth Symphony. His mother, Marie Minichiello, a social worker, told me that although she punished him for his acts of mild disobedience, she always supported him. “I didn’t want school to kill his passion,” she said.

When Hotz was fourteen, he beat thousands of students from more than sixty countries to reach the finals of the Intel International Science and Engineering Fair. He appeared on the “Today” show with his invention, a small robot on wheels that could plot the dimensions of a room using infrared sensors, and wirelessly transmit the information to a computer. “Well, I think it’s very cool to be good in science,” Katie Couric told her viewers, as Hotz, in an ill-fitting dark suit, stepped forward, “and George Hotz is an example of that.” Couric asked if the technology could improve automated vacuum cleaners. But Hotz was more excited about helping soldiers fight terrorists. “They can send it into a complex before the military infiltrates it!” he said, his voice not yet broken. “Well, I’m impressed, George,” Couric replied, nudging him in the shoulder. “You’re a little brainiac, you.”

In high school, Hotz built the Neuropilot, a sort of Segway controlled by brain waves, which you could drive around by thinking about it. Companies had explored similar technology for controlling video games, but building hardware controlled by brain waves still seemed like science fiction. The Neuropilot worked, though the movements were not always precisely translated from the driver’s brain. During his senior year, in 2007, Hotz built a “Star Trek”-inspired 3-D display called “I Want a Holodeck,” which again made him a finalist at the International Science and Engineering Fair. This time, he topped the electrical- and mechanical-engineering category and won fifteen thousand dollars. Before a Forbes photo shoot for a story about his achievement, Hotz smoked pot for the first time. In the photograph, he told me, smiling, “my eyes are bloodshot. It’s great.”

While he was talking, Hotz had been playing with the iPad 2. He planned to spend the night hacking it but needed computer cables. We drove to Fry’s Home Electronics. It was around midnight, and as we approached a desolate intersection, hip-hop cranking from the car’s sound system, the light changed to red. With an angry swerve of the wheel, he cut through an adjoining parking lot and kept driving, muttering, “Fuck these assholes. Stupidest red light ever. It makes no sense at all.

“I live by morals, I don’t live by laws,” he went on. “Laws are something made by assholes.”

After high school, Hotz enrolled at the Rochester Institute of Technology but dropped out a few weeks later, to take up an internship at Google, in Silicon Valley. “We were not surprised or disappointed when he decided to leave school,” his father told me, though he admitted that he sometimes worried about his son, who spent a lot of time alone. Hotz supported himself through donations from people who had downloaded software he’d written and given away free; one program let people jailbreak the iPhone 3GS. His hacks generated enough income that he was able to buy an old white Mercedes. But after a few months he grew bored at Google and in 2009 moved back home to New Jersey. Since his iPhone feat, geeks often sent him devices just to see if he could hack them. That year, someone mailed Hotz a PlayStation 3 video-game system, challenging him to be the first in the world to crack it. Hotz posted his announcement online and once again set about finding the part of the system that he could manipulate into doing what he wanted. Hotz focussed on the “hypervisor,” powerful software that controls what programs run on the machine.

To reach the hypervisor, he had to get past two chips called the Cell and the Cell Memory. He knew how he was going to scramble them: by connecting a wire to the memory and shooting it with pulses of voltage, just as he had when he hacked his iPhone. His parents often gave him gifts that were useful for his hobby: after he unlocked the iPhone, they bought him a more expensive one. For Christmas, 2009, they gave him a three-hundred-and-fifty-dollar soldering iron. Sitting on the floor of his room, Hotz twisted off the screws of the black PS3 and slid off the casing. After pressing the iron to the wire, he began pulsing the chips.

Next, he had to write an elaborate command that would allow him to take over the machine. Hotz spent long nights writing drafts of the program on his PC, and trying them out on the hypervisor. “The hypervisor was giving me shit,” he recalls. It kept throwing up an error message—the number 5—telling Hotz that he was unauthorized. He knew that, if he got through, he’d see a zero instead. Finally, after several weeks typing at his computer, Hotz had composed a string of code five hundred lines long. He ran it on the PS3 and nervously watched the monitor. The machine displayed a sublime single digit: 0. Hotz called the code his “Finnegans Wake.”

On January 23, 2010, a little more than a month after posting his challenge, Hotz announced on his blog, “I have hacked the PS3.” He later posted instructions for others to do the same, and freely distributed the code. Hotz had hacked the two most iconic and ironclad devices of his generation. “Nothing is unhackable,” he told the BBC. “I can now do whatever I want with the system. It’s like I’ve got an awesome new power—I’m just not sure how to wield it.”

Sony responded by releasing a software update that disabled OtherOS, the feature through which Hotz had accessed the hypervisor. OtherOS enabled the machine to run Linux, the alternative operating system to Microsoft Windows and Apple OS. Running Linux essentially turned the PS3 from a single-purpose gaming console into a desktop computer, which people could use to write programs. They were furious that Sony had robbed them of this capability. “I am EXTREMELY upset,” a comment on Sony’s blog read. Some wanted to rally around Hotz, and organize: “THIS IS MADNESS!!! HACKERS UNITE!!! GEOHOT WILL LEAD US INTO THE LIGHT!” But many were angry at Hotz, not at Sony. “Congratulations geohot, the asshole who sits at home doing nothing than ruining the experience for others,” one post read. Someone posted Hotz’s phone number online, and harassing calls ensued.

Recalling the controversy, Hotz seemed genuinely unfazed. “All those people flaming me, I could care less,” he told me. He spent the summer of 2010 biking through China, and that fall, back at his parents’ house, he read Ayn Rand, which he said made him want to “do something.” “We let him get away with murder,” his father admitted. “But he never did bad things. He always did what he felt was right, and we were happy with that.”

In late December, Hotz decided once again to try to hack the PS3 in a way that would give him total control and let him restore what Sony had removed. On New Year’s Eve, Hotz and some high-school buddies played beer pong and watched the Times Square ball drop on TV. He woke up hung over on the couch at a friend’s house, with a towel stretched across him as a blanket, and stumbled back to his parents’ to fix some macaroni and cheese and think things through. Hotz wanted control of the PS3 metldr (pronounced “metloader”), a part of the software that, functioning like a master key, “lets you unlock everything.”

Hotz knew that the metldr key was hidden within the PS3, but now he realized that he didn’t necessarily have to find and break into the secret place. He could run a special decryption program in a different part of the machine, and make the key appear there. He had to figure out how to speak to the metldr, and then command it to appear. Within ten minutes, he had coded the PS3 hack.

The cursor blinked, indicating that Hotz had the power to do anything with the PS3: install OtherOS, play pirated games, or run obscure Japanese software. He prepared a Web page and a video documenting what he had done. But he hesitated. Although Apple had never sued anyone for jailbreaking, Sony had reacted fiercely to previous modifications of the PlayStation. Sony had also long boasted about the security of the PS3. Hotz wasn’t just undoing years of corporate P.R.; he was potentially opening the door to piracy.

With this concern in mind, Hotz wrote code that disabled the ability to run pirated software using his hack and added a note in his documentation: “I don’t condone piracy.” Still, he wanted a second opinion. Before he put the site live, he signed into an online chat channel where hacker friends hung out, and asked them whether he should release his hack. “Yeah,” one told him. “Information should be free.” Hotz told me, “This is the struggle of our generation, the struggle between control of information and freedom of information.” Also, on the day of the hack, unbeknownst to his parents, Hotz was high. He told me he had taken Vicodin and OxyContin, which filled him with a sense of invulnerability. “You just feel good about everything,” he recalled. He pushed a button on the keyboard and uploaded the instructions for his PS3 jailbreak.

On January 11, 2011, Hotz was playing Age of Empires II on his computer in New Jersey when he received an e-mail from Sony announcing a lawsuit against him. The company requested a temporary restraining order for violating the Computer Fraud and Abuse Act and facilitating copyright infringement, such as downloading pirated games. According to the Entertainment Software Association, piracy costs the industry eight billion dollars a year. Sony was also seeking to impound his “circumvention devices,” and it wanted him to take all the instructions offline immediately.

As soon as the news hit the Web, geeks rushed to Hotz’s site, seeking the tools while they could. At Carnegie Mellon University, David Touretzky, a computer scientist and proponent of freedom of information online, made copies of Hotz’s files. Touretzky blogged that Sony was “doing something breathtakingly stupid, presumably because they don’t know any better. . . . Free speech (and free computing) rights exist only for those determined to exercise them. Trying to suppress those rights in the Internet age is like spitting in the wind.” The Electronic Frontier Foundation, a digital-rights advocacy group, released a statement saying that the Sony v. Hotz case sent a “dangerous message” that Sony “has rights in the computer it sells you even after you buy it, and therefore can decide whether your tinkering with that computer is legal or not. We disagree. Once you buy a computer, it’s yours.”

But Sony believed that Hotz’s hack was sending a dangerous message of its own. If people were free to break into their machines, game creators would be cheated out of royalties. Cheaters could tweak the games in order to beat everyone who stuck to the rules. Riley Russell, the general counsel for Sony Computer Entertainment of America, said in a statement at the time, “Our motivation for bringing this litigation was to protect our intellectual property and our consumers.”

On January 14th, Hotz went on “Attack of the Show,” a popular news program for gamers on G4, a cable-television network. When the host asked what he was being sued for, Hotz joked, “Making Sony mad.” He was serious, though, about his mission to keep information free. Later, he uploaded a hip-hop video on YouTube, which he titled “The Light It Up Contest.” He sat in front of his Webcam in a blue sweatshirt, his computer in the background. “Yo, it’s geohot,” he rapped, as the beat kicked in, “and for those that don’t know, I’m getting sued by Sony.” It was a surprisingly catchy tune about a complex issue from a whiz kid brazenly striking a pose. Hotz went on, bouncing in his desk chair, “But shit man / they’re a corporation / and I’m a personification / of freedom for all.”

Hotz’s rap earned him sympathy in chat rooms but not in the courts. A California district court granted Sony the restraining order against Hotz, preventing him from hacking and disseminating more details about its machines. It also approved a request by Sony to subpoena information from Twitter, Google, YouTube, and Bluehost, Hotz’s Internet provider, including the Internet Protocol addresses of anyone who downloaded the instructions from his site—a move that further incensed digital-rights advocates. Sony also gained access to records from Hotz’s PayPal account. In some circles, the rebel leader was becoming a martyr. As one fan of Hotz’s posted: “geohot = savior of mankind.”

Martyrs win devotees, and soon Hotz had gained the allegiance of the most notorious hackers: a group called Anonymous. In the past few years, the group has become famous for engineering elaborate online attacks and protests, often in the name of free speech and “lulz,” which is Internet-speak for laughs. Group members fought against the Church of Scientology, which they believed to be suppressing free speech online, and shut down government Web sites in defense of WikiLeaks. More recently, coders have joined the Occupy Wall Street movement, and threatened to release a list of people collaborating with the Zetas, a Mexican drug gang. At the time of the Sony hack, Anonymous had become its own pop-culture meme. On Comedy Central, Stephen Colbert called Anonymous members a “global hacker nerd brigade.” Others referred to them as “the paramilitary wing of the Internet.”

Anonymous is an international, decentralized, shape-shifting hive. All you have to do to join is say you are part of it. No one goes by his or her real name. As in any shadowy group, some members are more extreme than others. A few years ago, I was invited to attend a secret meeting of Anonymous activists, at an Indian restaurant in Hollywood. While Anonymous is often characterized as a group of malicious cyber-terrorists, they struck me more as a group of earnest young protesters with a dark sense of humor and a brilliant knack for viral marketing. Anons, as members call themselves, are the best publicists on the Internet: through social media, they mobilize, inform, outrage, and entertain in ways that the Yippies could never imagine, and they do it all really fast.

In early April, an Anonymous member created an Internet relay chat room called Operation Sony, or #OpSony. “It is the duty of Anonymous to help out this young lad, and to protest against Sony’s censorship,” the mission statement read. Around the world, curious coders logged into their phones and laptops to discuss plans.

As the chat room filled, Anons began digging up personal contact information on Sony’s lawyers and debating the most effective tactics: Flash mobs outside Sony stores? Sending black faxes, which would waste all the ink in their machines? Eventually, they settled on a distributed denial of service, or DDoS, attack, overwhelming Sony’s Web sites with simultaneous visits until they crashed.

On April 4th, Anonymous announced the plan to the public in a press release: “Congratulations, Sony. You have now received the undivided attention of Anonymous. You saw a hornets nest, and stuck your penises in it. You must face the consequences of your actions, Anonymous style.” Within hours, both Sony.com and PlayStation.com were down. Anonymous posted a video on YouTube with its demands: Drop the case against Hotz and allow for modifications on the PS3. Over an image of a Guy Fawkes mask, which the group uses as a symbol, text read, “Leave Fellow hackers like geohot alone.”

Internet protests, like street protests, have a way of spinning out of control. People chant peacefully, but then someone throws a rock through a window and rioting begins. No sooner had the hacker war begun than one Anon declared a splinter faction, SonyRecon, calling for personal hacks against Sony employees and the judge in the geohot case. Other Anons posted the phone numbers, family-member names, and addresses of Sony executives. They even published a description of the C.E.O.’s house, and proposed various methods of attack:

<sonyrecon335> We’ll shit on his doorstep, then run away

<e-hippie741> dude

<e-hippie741> you’d shit on someones doorstep

<Hit_X> ring the kids school and pull a prank like hes been rushed in hospital:

<e-hippie741> do you love geohot that much

Back in his parents’ house, in front of the glowing computer screens in his cluttered bedroom, Hotz clicked with mounting apprehension through the news of Anonymous’s plans. “I hope to God Sony doesn’t think this is me,” he remembers thinking. He didn’t believe in secretive online warfare, much less in defecating on someone’s doorstep. “I’m the complete opposite of Anonymous,” he told me. “I’m George Hotz. Everything I do is aboveboard, everything I do is legit.”

On April 11th, Sony announced that it had reached an agreement with Hotz, who denied wrongdoing but consented to a permanent injunction barring him from reverse-engineering any Sony product in the future. But Hotz’s supporters felt that the injunction was a form of censorship. Some of his defenders made “FREE GEOHOT” shirts, and others went to Sony stores in cities such as San Diego and Costa Mesa to protest. Black-hat hackers called for more destructive attacks against Sony.

At 4:15 P.M. on April 19, 2011, technicians at the San Diego offices of Sony Network Entertainment noticed that four of their computer servers were rebooting without authorization. The team took the systems offline and began examining the activity logs. Their investigation confirmed that someone had broken into the servers, and possibly into others. Sony immediately shut down the PlayStation Network, their online-entertainment hub. The company concluded that it had been the victim of a sophisticated attack that had exposed the addresses, passwords, birthdays, and e-mail addresses of seventy-seven million PSN subscribers, who pay to play games and watch movies. “While there is no evidence at this time that credit card data was taken, we cannot rule out the possibility,” Patrick Seybold, a company spokesman, wrote in a blog post on PlayStation’s Web site. Though it remained unclear whether someone from Anonymous was responsible for the hack or whether it was just someone taking advantage of the chaos, the events were clearly linked.

Security experts called it one of the biggest data breaches of all time. Sony announced that it would keep the PSN down indefinitely—at an estimated cost of ten million dollars in lost revenue per week—as it raced to plug the holes. Anonymous denied responsibility and temporarily suspended its campaign against the company.

At 4:51 A.M. on April 28th, Hotz uploaded a lengthy rant against the PSN hackers. “Running homebrew and exploring security on your devices is cool,” he wrote. “Hacking into someone elses server and stealing databases of user info is not cool. You make the hacking community look bad, even if it is aimed at douches like Sony.” Hotz was pointing out the distinction between white- and black-hat hackers. Still, he knew he had helped loosen a boulder that was now crashing down a hill.

On May 1st, the company discovered a data breach on the Sony Online Entertainment service, exposing twenty-four million personal accounts. Technicians also found a file that had been planted on one of their servers as a kind of digital graffiti. It was titled “Anonymous,” and read, “We Are Legion.” At a press conference in Tokyo that day, Kaz Hirai, the chief executive officer of Sony Computer Entertainment, and two other executives walked onto a stage and faced the packed crowd. “We offer our sincerest apologies,” Hirai said and, setting his microphone on a table, bowed low with the others for eight seconds as the cameras flashed. They said that some network services would be back up in a few days. But it took two weeks to fully restore the system.

Sony soon had a new force to contend with: an Anonymous splinter group called Lulz Security, commonly known as LulzSec. Members were like the merry droogs of the net; on their Twitter feed, nicknamed the Lulz Boat, they identified themselves as “the world’s leaders in high-quality entertainment at your expense.” Their first bit of dark comedy came on May 30th, when they hacked the PBS Web site, in retaliation for what they thought was unfairly negative coverage of the WikiLeaks founder, Julian Assange. They posted a fake news story reporting that the late rappers Tupac Shakur and Biggie Smalls had been hiding out in New Zealand. “Local townsfolk refuse to comment on exactly how long or why the rappers were being sheltered,” the story read. “One man simply says ‘we don’t talk about that here.’ ”

The day after the PBS prank, the group began tweeting a series of warnings to Sony. “Hey @Sony,” one read, “you know we’re making off with a bunch of your internal stuff right now and you haven’t even noticed? Slow and steady, guys.” Some saw the warnings as more geohot backlash for the company. “The group is sending a message to Sony for messing with one of their own, hacker George Hotz,” a blogger wrote.

On June 2nd, LulzSec hacked the Sony Pictures Web site, compromising what it claimed to be more than a million passwords of consumers who had put their personal information on the site. (Sony later put the figure at thirty-seven thousand.) The group’s purpose, it explained in a statement, was not to come across as “master hackers” but to expose the continued weakness of Sony’s security systems. Lulz’s statement said that Sony was “asking for it,” because the company stored the passwords in plain text, instead of encrypting them. The statement went on to encourage fellow-hackers to “tear the living shit out of it while you can; take from them everything!” LulzSec members broke in using a rudimentary technique called SQL Injection, which allowed them access to unauthorized data on the Sony Pictures site. “From a single injection, we accessed EVERYTHING,” they said. “Why do you put such faith in a company that allows itself to become open to these simple attacks?”

Black-hat hackers began posting corporate e-mails, and, during the summer of 2011, attacks on media, technology, and other institutions came almost daily. Nintendo got hacked, and so did Sega, Electronic Arts, the News Corporation, Booz Allen Hamilton, NATO, and Lady Gaga. Even the C.I.A. was hacked, LulzSec claimed. It was the Summer of Lulz. Hotz didn’t mean to inspire a hacker war, but he doesn’t regret what he did. One night at a restaurant in Palo Alto, he clarified his position on the attacks against Sony. “If being a techno-libertarian leads to online anarchy, so be it,” he said. “I’m not a cause. I just like messing with shit.”

Hotz defines a hacker as “somebody with a set of skills,” and points out that the skills alone don’t make you good or evil. It’s up to you to decide how to use them. Facebook’s Mark Zuckerberg may be his generation’s most famous hacker, but Hotz most embodies its original spirit. He hacks for the technical challenge and the fun. He doesn’t identify as white-hat or black-hat, preferring to think of himself more like someone twisting wrenches under a sink. “Hacker is to computer as plumber is to pipes,” he once blogged. When I met him again, later in the summer, at DefCon, a hacker convention in Las Vegas, he wasn’t at a bar with guys in long black coats, plotting some corporate takedown. He was alone on a couch in a back room, coding on his laptop.

A month after his settlement with Sony, last spring, Hotz moved back to California to take a full-time job at Facebook. He wouldn’t say what he worked on, other than design technology to improve the site. Some saw his transition as a shrewd move by Facebook to co-opt a hacker before he might compromise the company. Others flamed him for cashing in. “You have to love the amount of suck and sell-out that George Hotz contains within his flimsy nerd shell,” a detractor wrote online.

One of my interviews with Hotz took place in Palo Alto just after he’d started the Facebook job, before word had leaked online. He showed up wearing a new blue-and-white Facebook T-shirt, a member of the Valley’s coolest frat. He was waking up early (as his “Morning Routine” whiteboard reminded him) to get to work. “Everything is very fast-moving and the culture is young,” he said, and then handed me his business card, which read, “I am the most illegal circumvention device of them all.” Eight months later, Hotz quit. He didn’t want to discuss why, but suggested that having a day job didn’t suit him. “Facebook is a fun place to work,” he told me, “but I wonder how people stay employed for so long.” He travelled in Panama, then returned to Palo Alto. He wouldn’t say what he was going to do next, only that he won’t be sharing his exploits on the Internet anymore. “I’m through with all that,” he said.

He wasn’t the only one. On March 6, 2012, U.S. officials announced the indictment of six élite hackers from Anonymous and LulzSec. A federal law-enforcement official told me that the arrests were “very significant—these are core members.” Hotz had never made contact with LulzSec or Anonymous members, even when they were crusading on his behalf, and he was agnostic about their fate. The brash young man from the rap video who described himself as “a personification of freedom for all” had retired from battle. He refused to make what he called “a moral judgment” of the indicted hackers. “I’ll make a technical judgment,” he told me. “If they were that good, they wouldn’t have got caught.”

Even with the arrests, other Anons have sworn to keep up the campaign. Companies are working hard, too. “The last year has demonstrated how sophisticated cybercriminals can be,” Jim Kennedy, the senior vice-president of strategic communications for Sony Corporation of America, wrote me in an e-mail. Sony created a new position—a corporate executive in charge of global-information security and privacy—and promoted Nicole Seligman, who as general counsel had been targeted by hackers, to president of the Sony Corporation of America. Kennedy admits that security remains an unceasing fight. “In the end, it must be recognized that no system is absolutely foolproof,” he wrote. “Constant vigilance is essential.”

Last May, engineers from Sony invited Hotz to a meeting at its American headquarters, a half hour’s drive north, in Foster City. (“We are always interested in exploring all avenues to better safeguard our systems and protect consumers,” Kennedy told me.) Nervous but curious, Hotz walked into the building eating from a box of Lucky Charms, dropping marshmallows across the lobby. “If there were going to be lawyers there,” he recalled, “I was going to be the biggest asshole ever.” Instead, he found a roomful of PS3 engineers who were “respectful,” he said, and wanted to learn more about how he had beaten their system. During the next hour or so, the man who had started the hacker wars described his methodology. ♦

ILLUSTRATION: Ron Kurniawan

Read more http://www.newyorker.com/reporting/2012/05/07/120507fa_fact_kushner#ixzz1tjOU7M1H

18/01/2012 - 17:00h O peixe morre pela boca


Fotocharge sobre Lamar Smith que circula na internet.

Images & Visions

O jornal português Expresso publicou uma matéria sobre Lamar Smith, um republicano membro da Câmara dos Representantes dos EUA, que foi apanhado fazendo precisamente aquilo que quer punir com prisão. Lamar Smith é o autor da SOPA (Stop Online Piracy Act), uma proposta de lei que pretende censurar nos EUA, todos os sites e blogs que divulgam conteúdo protegido por direitos de autor. Se a lei for aprovada, o governo norte-americano pode impedir o acesso a determinados sites, bloquear as suas fontes de pagamento e retirá-los dos resultados de busca e da publicidade on-line. Recentemente descobriu-se que o seu site oficial continha como pano de fundo uma fotografia sem crédito. Só que essa fotografia pertencente ao fotógrafo DJ Schulte não teve a sua publicação autorizada em momento algum.

01/07/2011 - 09:00h Operadoras terão 90 dias para vender internet mais barata

Banda larga: Após seis meses de negociações, teles fecham acordo sobre serviço com o governo federal

Ruy Baron/Valor

Paulo Bernardo, ministro das Comunicações: Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) não terá recursos públicos


Rafael Bitencourt | VALOR

Depois de dois adiamentos, as operadoras de telefonia fixa assinaram, ontem, a terceira edição do Plano Nacional de Metas de Universalização (PGMU 3). Com o documento, assinado em Brasília, as companhias passaram a integrar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) do governo federal e terão que oferecer acesso à internet com velocidade de 1 megabit por segundo (Mbps) ao custo de R$ 35 mensais. Segundo o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, as ofertas têm que começar a ser vendidas em 90 dias.

A abrangência da oferta ficou definida por um parâmetro de “escalonamento” que trata do atendimento de cidades em um período de três anos. O objetivo é chegar a 100% dos municípios brasileiros até 2014, com uma cobertura em 70% dos domicílios por meio de redes fixas e móveis da terceira geração de celular (3G).

Além de levar internet com preços mais baixos às casas dos consumidores, as operadoras terão que criar ofertas mais atraentes para vender infraestrutura a empresas de menor porte, que não detém rede própria de transmissão de dados. A avaliação do ministro é de que os preços no atacado podem cair 30%.

O PGMU 3 chegou à sua versão final após seis meses de negociações e dois adiamentos consecutivos. O documento era a parte que faltava para a renovação dos contratos de concessão das operadoras de telefonia fixa pelos próximos cinco anos.

Os últimos detalhes do PGMU 3 foram definidos ontem – último dia do prazo estipulado pelo governo -, pelo Ministério das Comunicações e as concessionárias. Durante as negociações, Oi e Telefônica foram as empresas mais atuantes por serem as mais afetadas pelas atualizações dos contratos de concessão. Também participaram do debate a Sercomtel, de Londrina (PR), e a CTBC Telecom, que atua em algumas regiões de Minas Gerais e São Paulo.

As principais dificuldades do governo em negociar com as prestadoras ocorreram quando o PGMU 3 passou a ser encarado como um grande trunfo para garantir boa parte dos investimentos privados no PNBL, programa instituído ainda no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para massificar o acesso à internet em alta velocidade no país. O plano, que tinha como meta ampliar de 11,9 milhões para 40 milhões o números de domicílios brasileiros com acesso à web, envolveu esforços consideráveis, como a reativação da Telebrás. A grande questão que pairava sobre o PNBL era sobre quem iria fazer os investimentos necessários para atingir esse objetivo: o governo, ou as empresas. Em coletiva de imprensa em Brasília, Bernardo foi enfático. “Este plano não terá recursos públicos”, disse.

O acordo com as empresas só tornou-se viável quando Bernardo, após consultar a presidente Dilma, na noite de quarta-feira, cedeu ao pleito das empresas em alguns pontos do PGMU 3. Ideias como a exigência de entrega de pelo menos 40% da velocidade contratada pelos usuários foi abandonada. Atualmente, as empresas comprometem-se a entregar apenas 10% do que é previsto no plano de serviço. Outro aspecto abandonado foi a imposição de metas mais rígidas com relação à qualidade dos serviços prestados.

Bernardo afirmou que essas questões serão contempladas em novos regulamentos previstos para ser aprovados ainda este ano pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O ministro assegurou que todas as exigências estarão implementadas em 2012.

O ministro disse também que a Eletrobras e a Telebrás mantêm negociações para criar uma empresa, em sociedade, para administrar redes de fibras ópticas a ser utilizadas no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Até agora, haviam sido firmados apenas contratos entre as duas estatais prevendo o uso das redes de dados instaladas nas linhas de transmissão de energia elétrica.

“É provável que essa parceria mude e a Eletrobras entre como sócia na exploração dos serviços”, afirmou Bernardo. Segundo ele, foram realizadas reuniões esta semana entre as duas empresas para tratar do tema, que teria sido proposto pela estatal do setor elétrico. “Eles preferiram isso”, acrescentou.

O ministro esclareceu que qualquer injeção de recurso da Eletrobras será feita na nova companhia. Ele explicou que a uma empresa não será usada para “capitalizar” a outra.

19/06/2011 - 17:00h Lésbicos do armário virtual

Lúcia Guimarães – O Estado de S.Paulo

A garantia do anonimato é uma proteção contra ditaduras e um recurso fundamental para a imprensa denunciar corrupção e crimes em democracias. O caso bizarro da falsa blogueira lésbica síria, que por sua vez contou com ajuda de uma falsa lésbica americana do site GLS LezGet Real, não vai ser lembrado apenas por ter colocado em risco vidas não virtuais. Deve provocar reflexão sobre a credulidade no mundo online e sobre a política de identidade.

Há cinco meses, o americano Tom MacMaster, casado, 40 anos, estudante de pós-graduação da Universidade de Edimburgo, na Escócia, se identificou como Amina Abdullah Arraf e decidiu criar o blog Gay Girl in Damascus (Menina Gay em Damasco).

Paula Brooks, responsável pela edição do LezGetReal, ajudou a colocar o blog no ar. A personagem inventada por MacMaster era irresistível para a imaginação ocidental. Uma sírio-americana vivendo sob a opressão de um regime assassino e se arriscando para encorajar gays do mundo árabe a sair do armário.

No dia 6 de junho, um post supostamente assinado por um primo de Amina afirmava que ela tinha sido capturada por membros do Partido Baath, do presidente sírio, Bashar Assad. A mídia tradicional denunciou o sequestro de Amina e o site Libertem Amina Abdallah atraiu 14 mil seguidores no Facebook. Mas Paula Brooks ficou desconfiada e, ao investigar a origem do servidor do blog chegou a Tom MacMaster, na Escócia. Ele confessou ser um romancista fracassado e justificou a fraude como exercício de imaginação literária inspirado pela rejeição de sua ficção.

No dia seguinte, foi a vez de Paula Brooks sair do armário virtual como Bill Graber, um veterano militar do Estado de Ohio, casado e com 58 anos. Paula Brooks é o nome da mulher de Graber, que não tinha a menor ideia das atividades paralelas do marido.

Comparado ao pilantra MacMaster, Graber não passa de um ladrão de galinha. MacMaster não só instigou sírios a se arriscar procurando Amina. Ele roubou a foto de uma mulher real que identificou como Amina e forjou uma relação romântica online com uma franco-canadense, numa troca de mais de mil emails.

Bill Graber diz que editava o LezGetReal sob pseudônimo porque havia testemunhado as agruras vividas por um casal de amigas lésbicas. E estava convencido de que jamais teria credibilidade como um ex-militar heterossexual, de um Estado conservador, escrevendo sobre a vida gay. Ele está certo, embora não se absolva da desonestidade.

Na Europa e nos Estados Unidos, a correção política multicultural tende a conferir legitimidade gratuita a narrativas pessoais de opressão. Num momento em que 20 milhões de pessoas estão registradas para criar avatares no mundo virtual do Second Life, a identidade, para muitos, deixou de ser um substantivo singular.

Chego a pensar se o deputado Anthony Weiner, que caiu em desgraça e renunciou por tuitar fotos de seu pênis para um punhado de mulheres, não começa a parecer um exemplo de coragem para a era digital. Afinal ele não fotografou o órgão alheio.

Há um aspecto curioso da indignação da comunidade gay com Bill Graber. Alguns comentários levam a crer que a mentira foi mais nociva porque ele falsificou a identidade de uma lésbica. Se ele fosse uma lésbica se apresentando como outra, quem sabe, estaria perdoado porque sua condição de minoria ainda seria legítima.

Há pouco mais de 400 anos, William Shakespeare criou charadas sexuais deliciosas. Viola, de Noite de Reis, se apresenta como homem (seu irmão Cesário) para o amado duque Orsino e desperta a paixão da Lady Olívia. Tudo acaba bem na quadrilha da troca de papeis. O poder da narrativa de ficção nos joga nos braços dos personagens.

A outra possível lição do Aminagate é a importância de não se encarar a blogosfera e a mídia social com lentes de Polyanna. Evgeny Morozov, um acadêmico visitante da Universidade Stanford, alerta para a falácia da utopia cibernética, em The Net Delusion: The Dark Side of Internet Freedom (A Ilusão da Net: O Lado Negro da Liberdade na Internet). Ele aponta uma falta de senso crítico na mídia tradicional, que vê nos blogueiros e internautas de sociedades autoritárias militantes do bem. Morozov mostra que a Internet é usada com enorme eficácia como arma de repressão por governos como o iraniano e o chinês. Não há escassez de extremistas online que dispensam apoio oficial.

Hoje, as palavras “realidade” e “virtual” andam de braços dados. Até o momento em que o soldado sírio de carne e osso derruba sua porta de madeira, na madrugada.

20/01/2011 - 17:00h Midias sociais teriam impacto na vida politica

Estudo nos Estados Unidos diz que a internet fomenta engajamento em grupos diversos

Andre Machado – O GLOBO

A imagem do internauta costumava ser a de uma pessoa que se escondia atras do computador, com um perfil individualista. Hoje, com as redes sociais e o Twitter, esse conceito caiu por terra. Pesquisa recente do Pew Research Center nos Estados Unidos com
2.303 pessoas a partir de 18 anos revelou que 80% dos usuários da grande rede participam de grupos e organizações voluntarias de caráter social, politico ou religioso. Entre os que tem Facebook (ou outra rede social) e Twitter, esse numero sobe para 82% e 85%, respectivamente.

Cinquenta e três por cento dos internautas membros de um grupo acreditam que as mídias sociais os ajudaram a influenciar na politica, levando um candidato a ser eleito, e 46% acham que as interações on-line levam a maior conscientização sobre um assunto.
Outros 38% dizem que a internet pode trazer mudanças a sociedade, e 33% acreditam que a atuação dos grupos na rede torna mais fácil levantar dinheiro para uma causa.

De todos os ouvidos, 75% dos internautas afirmaram que a rede tem um grande impacto na comunicação entre os membros de um grupo, e 68% disseram que as mídias sociais ajudam os grupos a chamar a atenção para um assunto. A conexão com outros grupos
também se torna mais dinâmica, bem como a organização de atividades, segundo 67% e 65% dos usuários ouvidos, respectivamente. Ja 64% acreditam que esse fenômeno tem alto impacto social.

Mais da metade (55%) dos internautas entrevistados diz que as mídias sociais permitem recrutar novos membros para os grupos com maior rapidez, enquanto 35% opinam que os grupos com recursos on-line tem menos problemas em encontrar pessoas para assumir
funções de liderança.

Uso de Facebook e Twitter promove interação maior

As mídias sociais também permitem acesso em tempo real a noticias e informações sobre os grupos, segundo 53% dos pesquisados, enquanto 36% se sentem mais propensos a convidar amigos para fazer parte das associações.

O uso de Facebook, Twitter e mensagens SMS do celular só faz aumentar a interação dentro dos grupos e com outros grupos. Sessenta e dois por cento dos internautas do estudo estão no Facebook, 74% mandam SMS regularmente e 12% recorrem ao Twitter. Entre os usuários ja envolvidos em grupos diversos, 48% dizem que essas associações tem perfis no Facebook, enquanto
30% montaram blogs e 16% se comunicam bastante através do Twitter.

As redes sociais mantem os membros dos grupos informados. 65% dos que estao nelas leem constantemente mensagens e updates sobre o que esta acontecendo com a comunidade, e 30% postam noticias sobre as atividades. Dos tuiteiros, 63% acompanham sempre os tweets sobre seus grupos, e 21% também postam sobre eles. Finalmente, 45% contam que enviam e recebem mensagens de texto com as ultimas novidades.

Nem todos concordam com as conclusões do Pew. John Biggs, editor do site Crunch-Gear contextualizou: – O estudo e uma boa noticia, mas confere a internet um poder sobre eventos sociais e políticos que ela pode ter ou não – ponderou no site. No fim das contas, a internet e só um meio de comunicação que reduz o custo de atingir milhares de pessoas.

Para Kristen Purcell, diretora de pesquisa do Pew, o uso das mídias sociais e o ingresso em grupos afeta o comportamento das pessoas. Uma das coisas que chamam a atenção é como as pessoas ficam mais engajadas uma vez que entram ativamente num grupo – comentou ela no estudo. – E, embora muitos gostem da dimensão social desse envolvimento, o que eles querem mesmo e obter algum impacto. Muitos dizem que, pertencendo a um grupo, alcançaram algo que não haviam conseguido lograr sozinhos. 

14/01/2011 - 18:15h Ícones da arquitetura em um clique

Meu site: Um time de apaixonados por design lança um site que pretende ser referência para estudantes.

Daniel Wainstein/Valor
Raul di Pace irá disponibilizar para os internautas mais de 30 mil imagens de obras arquitetônicas de seu acervo pessoal


Por Marjorie Umeda – VALOR

Como seria um Google da arquitetura? Um grupo de amigos e familiares com interesses em comum: todos apaixonados por design, arquitetura, arte e comportamento resolveu encarar o desafio. Em um dos vários encontros que esse pessoal faz regularmente, surgiu a ideia de criar um site sobre os temas que tanto gostam. Assim nasceu o conceito do Eye4Design (www.eye4design.com.br), que tem estreia prevista para o dia 9 de fevereiro. Encabeçando o time, estão os arquitetos Raul di Pace e Filipe Troncon e as publicitárias Maria di Pace e Roberta di Pace. Todos apoiados pelo arquiteto e paisagista Ugo di Pace, pai de Raul. “Mais do que apresentar tendências, queremos servir de referência. Percebemos que os estudantes têm carência de informação especializada. Também iremos colocar matérias e entrevistas com pessoas do ramo para agradar aos que simpatizam com essas áreas”, diz Roberta, esposa de Raul.

Um dos principais atrativos do site será as fotos do acervo pessoal de Raul di Pace, que serão disponibilizadas pouco a pouco na plataforma. Ele possui uma coleção com mais de 30 mil imagens de prédios arquitetônicos de vários lugares do mundo, capturadas durante 40 anos, graças a um hábito, ou melhor, uma mania que adquiriu ainda no tempo da faculdade.

Arquivo pessoal
Em Roma, na Itália, dois edifícios que constam na coleção de Pace e que ele considera uma visita obrigatória para os amantes de arquitetura

O processo acontecerá por etapas porque muitas das imagens ainda estão sendo digitalizadas. Estudante inconformado, ele não se contentava em saber sobre os ícones da arquitetura apenas através dos livros e das aulas da faculdade. “O meu pai é arquiteto, na minha família tem outros profissionais da área. Cresci influenciado por todos, tanto que nunca nem pensei em ser outra coisa na vida. No entanto, quando fui estudar, não me sentia satisfeito em aprender a distância. Decidi me lançar ao mundo para entender melhor épocas, processos, escolas e a paixão dos profissionais.” A estreia de Di Pace foi na França, com Le Corbusier. “Fui à Poissy conhecer a Villa Savoye, construída em 1929. Fiquei deslumbrado. Eu adorava o Corbusier. Sabia da sua importância e grandeza, mas só tive dimensão real do seu trabalho estando ali, ao vivo. É uma experiência que expande qualquer tipo de compreensão.” Isso foi no segundo ano da faculdade e ele nunca mais deixou de viajar com essa finalidade. “Antes, eu o acompanhava mais, porque achava interessante. Mas com o tempo fui perdendo um pouco a disposição. Ele muitas vezes viaja quilômetros, horas, para visitar um prédio e esse é o interesse e o foco dele. E não basta tirar uma foto. São várias imagens. E se, de repente, a luz do dia muda, começa tudo de novo. Admiro essa paixão do meu marido, mas também gosto de fazer outras coisas como conhecer restaurantes, por exemplo”, diz Roberta.

Em Roma, uma visita que marcou Pace foi o Parco della Musica Auditorium. “Essa obra de Renzo Piano, de 1994/2002, me atrai de uma maneira particular. Acho que ele é um dos maiores nomes da segunda metade do século XX. Apuro não só com o projeto, mas com os detalhes e como ele emprega os materiais.” Na mesma rua, está a MAXXI da Zaha Hadid, finalizada em 2009. “Ela é uma das melhores arquitetas da geração contemporânea. O museu é espetacular. Você pode viajar dentro dele por diversos caminhos. Em cada visita que fiz ao museu, não vi nada de menos ou de mais no trabalho dela. É uma obra na medida, sem excessos.” Para Pace, essas observações oferecem mais do que elementos arquitetônicos. “Ao estar frente a frente com um ícone como esses percebe-se como as pessoas da região vivem, como a cidade se organiza, enfim, ganha-se a compreensão do porquê as coisas são como são.”

Arquivo pessoal
O Parco della Musica Auditorium, de Renzo Piano, e a MAXXI, da Zaha Hadid, finalizada em 2009

No site, será possível fazer uma busca das fotos pelo período, pelo arquiteto e pelo estilo. Tudo para que o internauta não fique perdido como Pace em sua recente viagem ao Japão. “Fui para lá apenas com o guia de obras arquitetônicas japonesas, todo escrito em japonês, idioma que eu não domino. Diferentemente do que a gente pensa, poucos falam inglês.” Pace conta que precisava apontar o lugar no mapa e ter instruções por sinais para chegar até o destino. “Uma vez, o motorista do ônibus até desceu e foi me acompanhando por uma quadra para me mostrar o caminho, acho que era nítido que eu estava perdido.”

O site estreia como um portal de referência temático. No entando, a equipe enxerga um potencial maior para a plataforma. “Como a nossa parte de design também é muito forte, acreditamos que temos capacidade para em pouco tempo trabalhar com e-commerce”, diz Roberta. Dado o interesse dos estudantes, também há planos específicos para esse público. “Podemos fomentar o intercâmbio de universidades entre o Brasil e outras partes do mundo”, diz Pace.

14/01/2011 - 17:33h O melhor francês, você decide

Com votação pela internet, mostra de ótimos filmes recentes da França é exclusivamente virtual


Divulgação
Qu’ un Seul Tienne et Les Autres Suivront. Três figuras se cruzam no espaço tenso do parlatório de uma cadeia


Luiz Carlos Merten – O Estado de S.Paulo

É uma iniciativa pioneira no mundo. A Unifrance, a Ancine do cinema francês, inicia hoje o primeiro festival de cinema online do mundo. Não é bem assim. O repórter observa para a diretora geral da entidade, Régine Hatchondo, que a mostra de cinema de São Paulo já abriu essa janela para a internet.

Ela não sabia, mas de qualquer maneira observa que My French Film Festival, junte todas as palavras, acrescente o ponto e com, não se desenrola em nenhum espaço físico, mas integralmente na rede. De hoje a 29, durante duas semanas, em qualquer lugar do planeta será possível se conectar no site e assistir aos dez longas e dez curtas selecionados pela comissão nomeada pela Unifrance a partir de uma solicitação feita a produtores e distribuidores da França.

“Vamos começar do princípio”, diz Régine. Desde que assumiu a direção geral da Unifrance – e viajando através do mundo, incluindo o Brasil -, ela percebeu que o público dessas iniciativas (festivais e encontros) era majoritariamente maduro. Régine conversa com o repórter do Estado em seu escritório no bairro de Pigalle. A sala está uma baderna – ela se desculpa – e o curioso é que as paredes são ornadas com cartazes de Os Incompreendidos e de filmes de diretores da velha guarda, que François Truffaut detestava. A Unifrance não promove nem tem compromisso com um cinema francês em especial. Ela abrange o leque todo. Régine prossegue – “Em todo o mundo, as pesquisas apontam o público dominante das salas como jovem. Como conquistar essa audiência para o cinema francês? Através da ferramenta da internet.”

Assim como o público, os realizadores também são jovens. “Se a ideia é formar público, vamos fazer com que os jovens possam se identificar com os novos diretores que vão fazer o cinema de amanhã.” Os filmes são produções dos últimos dois anos. A maioria quase não circulou no mundo (exceto em festivais) e a ideia é dar visibilidade a esses filmes e diretores.

Filosofando. Colocar os filmes na internet não facilita a pirataria, uma praga que atinge o cinema no mundo? “Quem quer piratear não precisa de estímulo. Vai fazê-lo de qualquer maneira”, ela observa um tanto filosoficamente. e acrescenta: “Os países da Ásia e da América Latina são os que mais pirateiam nossos produtos. Graças a parcerias com os distribuidores locais, como a Imovision, e ao apoio da allocine.com, que detém 75% da audiência da internet na França, com 8.2 milhões de acessos semanais, conseguimos fazer com que o festival seja gratuito em toda a América Latina.”

Quanto isso vai representar em termos de acessos? “Não quero arriscar para não me decepcionar. E, depois, é a primeira edição do festival. Tem gente que arrisca mais de 100 mil. Vamos esperar pelos números.” Com legendas em português, os filmes permitirão quantos acessos os internautas quiserem, Haverá prêmio do público, outro de blogueiros selecionados em diversos países – o Brasil está nessa – e um prêmio do júri internacional, formado por jornalistas especializados.

Os três mais fortes. Entre os longas selecionados, há um, Complices, de Frédéric Mermoud, que já foi exibido na Mostra de São Paulo. É um dos melhores. Os nove restantes são completamente inéditos no Brasil e pelo mais dois são muito bons – Qu”un Seul Tienne et Les Autres Suivront, de Léa Fehner, que recebeu o Prêmio Louis Delluc, para melhor filme de diretor estreante em 2009, e Adieu, Gary, de Nassim Amaouche. Um filme de gênero policial (Complices), outro sobre três personagens cujas vidas se cruzam no parlatório de uma penitenciária (Qu”un Seul Tienne) e o terceiro sobre operários que estão sendo descartados numa pequena cidade periférica (Adieu, Gary).

Mais opções. Mesmo que esses sejam os melhores, não faltam atrativos para os demais. Por exemplo: o retrato acurado de família de La Famille Wolberg, de Axelle Ropert; o olhar sobre o universo das baladas em Bus Palladium, de Christopher Thompson; a aventura em Espion(s), de Nicolas Saada; o mundo da representação, por meio de um falso documentário, em Le Bal des Actrices, de Maiwen, e elas, as atrizes, são Jeanne Balibar, Romane Bohringer, Julie Depardieu, Matrina Foie, Karin Viard e Charlotte Rampling; a periferia sem violência nem drogas de Tout Ce Qui Brille, de Géraldine Nakache e Hervé Mimran; e os destinos cruzados, aqui sim com violência, de Tête de Turc, de Pascal Elbé.

Você vai ajudar a escolher o melhor. Através do facebook, em duas páginas – myfrenchfilmfestival e frech film epidemic -, você também poderá concorrer a viagens a Paris e a Nova York (durante o festival da Unifrance, em março).

10/01/2011 - 17:56h ‘As melhores faculdades são as que ensinam valores como a ética’

- O Estado de S.Paulo

ENTREVISTA David Klatell, professor de Jornalismo da Universidade Columbia

Em visita ao Brasil no fim do ano passado para o lançamento do curso de pós-graduação em Jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o professor David Klatell, da Universidade Columbia, defendeu que o jornalista profissional continuará imprescindível para a sociedade, mesmo com as novas mídias e formas de divulgação.

O jornalista profissional ainda é necessário em uma sociedade onde as pessoas podem se comunicar pelo Twitter?

Claro. Quase todas as redes sociais veiculam opiniões, não fatos. Ainda se precisa do jornalista profissional para colocar as coisas em perspectiva. O jornalismo profissional tem a obrigação de prestar serviço público, melhorar a sociedade. Precisamos dos dois – cidadãos-jornalistas ativos e jornalista profissionais ativos -, mas há uma grande diferença.

As nova mídias mudaram a carreira de jornalismo?

É cedo para dizer, mas acho que a resposta é sim. Há dez anos, não havia acesso a tanta informação capaz de ser compreendida pelo público. Hoje, a informação está em qualquer parte – não é o acesso a informações que os jornalistas controlam. Qualquer pessoa pode entrar online e procurar informações, mas será que ela consegue entender essa informação, colocá-la em perspectiva, fazer com que tenha sentido? Normalmente, não. E é isso que o jornalista vai continuar a fazer.

E o que uma boa escola de jornalismo deve ensinar? É possível, por exemplo, ensinar ética?

Sim. Pode-se ensinar liderança, serviço público, inovação. São coisas possíveis de serem ensinadas – o que ocorre nas melhores escolas. Na verdade, é só na faculdade que se pode aprender essas coisas. Não dá para aprender numa redação porque estão todos ocupados com o trabalho diário e ninguém vai te ensinar.

A nova geração de jornalistas está preparada para fazer o trabalho que é exigido hoje?

Estamos numa época de transição. Acredito que estarão preparados, porque o público demanda informação sobre a cidade em que mora, serviços que precisam e a educação que seus filhos recebem. O jornalismo é o mecanismo para informá-lo. Acredito que os jornalistas terão de mudar, mas serão capazes de fazer isso. Os jovens são muito espertos e esforçados.

Que conselho daria para um jovem que quer ser jornalista no Brasil?

É muito simples: trabalhe ainda mais. / LUCIANA ALVAREZ


QUEM É

David Klatell é dirigente do departamento de Estudos Internacionais e Professor de Prática Profissional da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, nos EUA, onde foi reitor acadêmico e vice-reitor da Escola de Jornalismo até 2008.

10/01/2011 - 10:41h Governo quer usar rede da PF para levar internet ao campo

André Borges | VALOR

De Brasília

A rede de dados que hoje é usada pela Polícia Federal para investigações policiais passará a ser usada para levar internet de alta velocidade à zona rural de todo o país. O projeto, que está nas mãos do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, faz parte do pacote de ações que o governo preparou a pedido da presidente Dilma Rousseff para expandir o acesso à banda larga no país.

O orçamento para o projeto também já está garantido, segundo o ministro das Comunicações. “Já reservamos R$ 70 milhões para fazer a migração dessa faixa de frequência”, disse Bernardo ao Valor. “Nos últimos anos nós levamos o computador para as grandes cidades do país, agora vamos levar o computador para a roça”, acrescentou.

Dada a alta capacidade de cobertura do sinal da frequência de 450 megahertz (MHz) a 470 MHz usada pela PF, a tecnologia tornou-se peça-chave para acelerar o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). O governo enxerga nessa faixa de frequência o caminho mais barato e rápido para expandir o acesso à internet.

As vantagens financeiras são claras, segundo o governo. Maximiliano Salvadori Martinhão, gerente-geral de certificação e engenharia de espectro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), afirma que, com apenas uma antena, essa faixa de frequência pode atingir uma distância de cobertura de até 50 quilômetros, enquanto que, para cobrir a mesma área com uma rede de terceira geração (3G), seria preciso instalar 18 estações com torre, antena, transmissor e sistemas de controle. A vantagem das redes 3G, no entanto, é que, como elas operam em frequências mais altas, conseguem trafegar um volume de dados muito maior. Por isso são mais usadas em regiões de alta densidade populacional.

“Esse cenário faz com que essa faixa ofereça o perfil ideal para a zona rural. Temos uma rede de longo alcance, o que reduz a necessidade de instalar muitos equipamentos, voltada para um público menor, o que reduz a possibilidade de congestionar a rede”, afirma Martinhão.

Com a decisão do governo, os agentes da Polícia Federal passarão a utilizar outra frequência de transmissão. Segundo a Anatel, o plano de realocação está pronto. Os policiais passarão a utilizar uma faixa mais baixa, de 380 MHz a 400 MHz.

O projeto de comunicação da PF começou em 2007 e de lá para cá a polícia já investiu aproximadamente US$ 100 milhões em equipamentos, comenta Valdecy Urquiza Júnior, delegado e coordenador de tecnologia da informação da Polícia Federal.

A cobertura da frequência é nacional. Nos últimos três anos a PF já montou 100 estações rádio-base fixas e 220 repetidores digitais, além de 9 mil terminais móveis portáteis e veiculares. “Essa rede foi utilizada, por exemplo, nos trabalhos de segurança da presidente Dilma Rousseff no dia de sua posse”, diz Urquiza Júnior.

Parte dessa infraestrutura poderá ser reutilizada, mas estudos da PF apontaram que será preciso fazer a substituição e a configuração de diversos equipamentos que suportam a rede, inclusive os 9 mil terminais móveis em uso. O prazo de migração do sistema foi estimado em 18 meses. O custo para a migração levantado pela Polícia Federal está de acordo com o orçamento que já foi reservado pelo governo, de R$ 70 milhões. “A migração depende, portanto, da liberação dos recursos orçamentários necessários à substituição dos equipamentos”, comenta Urquiza Júnior.

Com a saída da Polícia Federal da faixa de frequência de 450 megahertz – rede que também tem alguns MHz hoje utilizados por companhias de radiotáxi – o governo terá de decidir como vai oferecer a tecnologia ao mercado. Entre as opções em discussão, afirma Maximiliano Salvadori Martinhão, da Anatel, o governo poderá decidir pela outorga direta às operadoras, por chamamento público ou por licitação. “Essa questão está em debate e será definida em breve, é um tema de urgência máxima para a agência”, explica o gerente-geral de certificação da Anatel.

Tecnicamente, o uso da frequência de 450 MHz para disseminar sinal de banda larga deverá se apoiar nas estruturas de fibra óptica espalhadas pelo país. Basicamente, a ideia é que sejam instaladas antenas em pontos onde as fibras não chegam e, a partir dali, seja propagado o sinal de internet sem fio. A estatal Telebrás, reativada para liderar o Plano Nacional de Banda larga (PNBL), deverá ser uma das principais parceiras desse projeto, mas as operadoras privadas também poderão participar da iniciativa, segundo a Anatel.

08/01/2011 - 18:47h 95% dos usuários do Twitter têm menos de 500 seguidores

INTERNET

DE SÃO PAULO – Mais de 95% dos usuários do Twitter são seguidos por menos de 500 pessoas, segundo pesquisa da empresa Sysomos, que monitora estatísticas de redes sociais.
Segundo o estudo, isso poder ser reflexo da adesão maciça de internautas ao microblog entre janeiro e agosto do ano passado, período no qual 44% dos que hoje têm perfil no microblog abriram sua conta.
Os perfis considerados inativos, com cinco seguidores ou menos, diminuíram de 46% em 2009 para 32% em 2010.
Mesmo com a expansão, os dados mostram que poucos usuários concentram o tráfego de mensagens do site, já que 22,5% fazem 90% das postagens, e que só 2,2% respondem por quase 60% delas.

Para me acompanhar no twitter @blogdofavre

08/01/2011 - 09:59h Bernardo enterra plano de regulação de mídia

Ministro alega que banda larga é a prioridade do governo e afirma que proposta deixada por Franklin Martins precisa de ‘exame detalhado’

Leonencio Nossa e Lisandra Paraguassú – O Estado de S.Paulo

O governo enterrou o projeto de regulação da mídia elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins. Após encontro com a presidente Dilma Rousseff no Planalto, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse em tom diplomático que há outras prioridades para serem tocadas, como o projeto de banda larga, que pretende apresentar até o fim de abril.

“A banda larga vai ter prioridade e premência porque vamos discutir também o plano geral de metas de universalização”, afirmou. Pela tradição de Brasília, um governo “enterra” um projeto quando não estipula prazo para envio ao Congresso nem classifica a proposta como prioridade na agenda, dizem assessores.

Paulo Bernardo disse que é preciso um “exame detalhado” do projeto para a possibilidade de abrir uma discussão ainda no âmbito do governo e relatou ter recebido a proposta nesta semana de ex-assessores de Franklin Martins. “Certamente, vamos ter que olhar cada ponto. Todos sabem que tem discussões de caráter econômico, regulação entre setores, disputas. Tem discussões relativas aos direitos dos usuários, tem questões que dizem respeito à própria democracia. Vamos examinar tudo e ver como vamos encaminhar.”

Taxado como antidemocrático por alguns setores, o projeto de regulação da mídia só ganhou corpo nos últimos meses do governo Lula. O então presidente chegou a cogitar o envio da proposta ao Congresso, mas preferiu deixar a decisão para Dilma.

Paulo Bernardo disse que a presidente demonstrou satisfação com as declarações dele à imprensa contra a concessão de rádio e TV a políticos, como já dissera em entrevista ao Estado. O ministro é contra a concessão, mas reconhece a dificuldade de regulamentação do texto constitucional no Congresso.

07/01/2011 - 10:00h Paulo Bernardo diz que projeto sobre regulamentação da mídia não deve ir para o Congresso

Flávia Barbosa e Mônica Tavares – O GLOBO

BRASÍLIA – O governo Dilma Rousseff não vai encaminhar ao Congresso Nacional o anteprojeto para a Lei de Comunicação Eletrônica elaborado na gestão do ex-presidente Lula sob a coordenação do ex-ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social. A nova equipe pretende reabrir a discussão e até submeter à consulta pública a proposta, que prevê a regulamentação da mídia. O texto provocou forte reação da sociedade civil organizada, que teme controle prévio dos meios de comunicação e um cerco à liberdade de imprensa.

“Vou conversar com o Palocci e com a presidente para ver como a gente vai encaminhar isto”

O novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse ao GLOBO que o projeto ainda será tema de discussão entre ele, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Mas a intenção inicial é reabrir o debate com a sociedade – que era dado por encerrado no governo anterior.

- Eu já recebi o projeto, vou examinar, vou conversar com o Palocci e com a presidente para ver como a gente vai encaminhar isto – disse Paulo Bernardo. – Em conversa preliminar com ela (Dilma), aventei a possibilidade de fazermos uma consulta pública, de fazermos um amplo debate sobre isto e depois o governo formaria a sua posição final para mandar para o Congresso, onde com certeza vai ter um outro grande debate, um longo debate – acrescentou o ministro.

De acordo com Paulo Bernardo, não há um prazo definido para que a proposta seja finalizada, especialmente porque o tema é complexo. E também tem forte caráter econômico – por tratar da convergência de mídias, redefinindo, por exemplo, que empresas podem prestar quais tipos de serviço – e mexer com questões delicadas, pertinentes à democracia e à liberdade de expressão, “que todo mundo sabe que são importantes, fundamentais preservar”, afirmou o ministro.

- Então, tudo vai ter que ser bem conciliado – disse Paulo Bernardo.
Regulamentação de três artigos da Constituição

O projeto polêmico do governo Lula tem o propósito de regulamentar três artigos da Constituição. O primeiro, o artigo 220, trata da liberdade de expressão e de criação, o artigo 221, que aborda programação e conteúdo, e o artigo 222, que estabelece limite de 30% ao capital estrangeiro em empresas jornalísticas e obriga que sejam brasileiros natos os dirigentes e responsáveis editoriais destes grupos.

O texto também prevê a criação de uma agência para regular o conteúdo veiculado pelas mídias – como monitoramento dos programas de rádio e TV para verificar, por exemplo, se há cumprimento das classificações por faixa etária e de cotas de produção nacional.
Entendimento em vez de enfrentamento

A posição expressa por Paulo Bernardo ameniza, ao menos no discurso, o tom beligerante do governo anterior. Em seminário internacional sobre comunicação eletrônica, em novembro, organizado pela Secom, Franklin Martins disse que a discussão sobre o marco regulatório da mídia seria feita “num clima de enfrentamento ou de entendimento”.

Paulo Bernardo afirmou que deverá ser discutida a aplicação do artigo 222 da Constituição aos portais de internet. Representantes dos jornais e dos radiodifusores têm questionado a prestação de serviço jornalístico por portais controlados por capitais estrangeiros.

As principais empresas de comunicação também questionam a entrada de grupos editoriais no Brasil que têm dirigentes brasileiros no papel, mas seriam abertamente mantidos por capital estrangeiro:

- Isso já foi parar no Supremo – reconheceu Paulo Bernardo, para o qual, porém, a regra é clara: – Isso já está definido, já tem regulamentação, de qual pode ser a participação de capital estrangeiro em órgãos de mídia – afirmou.

03/01/2011 - 08:46h “Sem imposto, banda larga teria acesso massificado”

Entrevista: Ministro diz que não se pode esperar a reforma tributária para que comunicações avancem

Ruy Baron/Valor
Paulo Bernardo, novo ministro das Comunicações, proporá um “pacto” aos Estados para reduzir o ICMS no setor


Cristiano Romero e André Borges | VALOR

Interessado em massificar o acesso da população à internet de alta velocidade, o governo Dilma Rousseff vai propor aos Estados a redução da carga tributária que incide sobre as contas de banda larga e de novos serviços de telecomunicação. A informação é do novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que, em sua primeira entrevista, informou ao Valor que proporá um “pacto” aos Estados para reduzir o ICMS – à União caberá diminuir o PIS e a Cofins.

A ideia de Bernardo é usar um modelo parecido ao aplicado à indústria de computadores, favorecida pela chamada Lei do Bem. “O ICMS sobre comunicações é de 33% sobre o preço do produto. É uma carga alta”, afirmou.

O governo não pretende esperar pela reforma tributária. O plano, segundo Bernardo, é criar um pacote específico para o setor. Em contrapartida, ele espera que as operadoras reduzam suas tarifas e melhorem a qualidade dos serviços, uma situação que, de acordo com o ministro, é resultado de uma estratégia equivocada das teles.

“Não dá para entrar nessa história de que o preço é alto só por causa dos impostos”, comentou. “As empresas têm a decisão estratégica no Brasil de fornecer serviços caros para pouca gente. Em minha opinião, é uma visão curta.”

Bernardo revelou que criará uma nova secretaria no ministério para tratar de temas como inclusão digital e novas tecnologias. A mão de Bernardo também vai pesar sobre a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), que será presidida por Wagner Pinheiro, que, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, comandou a Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. A estatal ganhará um novo estatuto e Bernardo passará a ser o presidente do conselho de administração.

Valor: O governo privatizou o Sistema Telebrás em 1998 e, desde então, o Ministério das Comunicações sofreu um certo esvaziamento. Agora, a presidente Dilma Rousseff acena com um fortalecimento do ministério. O que mudará nas Comunicações?

Paulo Bernardo: Eu poderia fazer uma analogia com o que aconteceu com o Ministério de Minas e Energia, que passou pelas mesmas mudanças, na mesma época, um processo que envolveu as agências reguladoras. O governo Lula reafirmou a convicção de que é o governo que elabora as políticas públicas do setor. As agências regulam e fiscalizam o cumprimento da lei. Hoje, essa definição está mais clara na área de energia do que na área de comunicações. A principal encomenda da presidente Dilma é que nós façamos essa definição, apoiando políticas públicas, seja para radiodifusão, comunicação social, telecomunicações, banda larga ou para inclusão digital. Essas áreas estão avançando a passos acelerados no Brasil e a melhor ajuda que podemos dar é ter políticas que ajudem a ampliá-las ainda mais, além de supervisionar a questão regulatória.

“As empresas têm a decisão no Brasil de fornecer serviços caros para pouca gente. É uma visão curta.”

Valor: O senhor acredita que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), da forma como está posicionada hoje, tem condições de abarcar todas os temas do setor, de telefonia à banda larga, passando por radiodifusão?

Bernardo: A Anatel tem um quadro técnico mais numeroso que o do ministério, com mais pessoas preparadas para exercer suas funções. A agência está trabalhando numa proposta para modernização de sua governança. Com certeza, a Anatel tem suas deficiências, até porque é uma agência nova, mas é bom lembrar que, quando o presidente Lula assumiu o governo, as agências não tinham sequer um quadro próprio de funcionários. Todos os quadros foram criados no nosso governo. Hoje, as agências têm funcionários de carreira. Já o ministério tem uma estrutura mais modesta. Com certeza precisaremos de reforço.

Valor: O senhor já definiu como se dará essa ampliação?

Bernardo: Hoje temos só duas secretarias, sendo uma para a área de telecomunicações, que inclui banda larga, e outra que cuida do setor de radiodifusão. Vamos criar uma terceira secretaria, mais voltada para os novos problemas que se apresentam, como a questão da inclusão digital. A atenção para esse assunto foi um pedido da presidente Dilma. À medida que identificarmos as necessidades, vamos fazer novos concursos para contratar técnicos.

Valor: Qual é a principal justificativa para o refortalecimento do ministério?

Bernardo: O país que queremos, com a perspectiva de ser a quinta economia do planeta, precisa tirar o atraso nas questões de infraestrutura de telecomunicações. Nós já elaboramos uma proposta determinando que todas as obras públicas federais tenham uma malha de fibra óptica associada, seja uma ferrovia, um gasoduto, uma linha de transmissão de energia. Estamos notificando agências como a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), a ANP (Agência Nacional de Petróleo) e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), informando que, quando forem definir investimentos, já incluam esses projetos no orçamento da obra. Além da expansão do acesso, vamos cuidar da qualidade do serviço.

Valor: Por exemplo?

Bernardo: Hoje temos 200 milhões de celulares no país, mas o preço das tarifas ainda é muito alto e o nível de serviço é deficiente. O percentual de domicílios com computador e internet cresceu muito durante o governo Lula, mas temos capacidade de fazer com que o acesso a essas tecnologias seja igual ao de uma televisão, que não é mais um luxo para poucos. O serviço tem de ser de boa qualidade e mais barato. Milhares de pessoas foram guindadas da condição de muito pobre para classe média nos últimos anos. Hoje, muitos cidadãos já têm condições de comprar um computador por R$ 799. Não é correto, porém, que tenha de gastar R$ 110 por mês com internet.

Valor: As operadoras reclamam da questão da carga tributária sobre o setor. Qual a opinião do senhor sobre isso?

Bernardo: A carga tributária é alta. Quando fui secretário de Fazenda [do Mato Grosso do Sul], pude ver que, somados, os tributos sobre os setores de combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e de bebidas respondem por 75% da receita de ICMS.

Valor: Por que existe essa concentração?

Bernardo: Porque são setores fáceis de fiscalizar, com baixa sonegação. Você cobra do grande fornecedor e não de milhões de pessoas. O que ocorre é que os Fiscos, de maneira geral, tiram proveito disso. O ICMS sobre serviços de comunicação é de 33% sobre o preço do produto. É uma carga alta. Evidentemente, temos que enfrentar esse problema olhando para a realidade atual. Não dá para chegar de repente em um Estado propondo que deixe simplesmente de cobrar o ICMS. Todos têm contas a pagar.

Valor: Então, qual é a saída?

Bernardo: Há serviços de telecomunicação que não são explorados hoje e que, se você oferece com imposto menor ou até imposto zero, não sofrerá impacto. Vamos ser sinceros. Quem tem banda larga hoje? No Rio de Janeiro ou em São Paulo, por exemplo, esse percentual ainda é pequeno. Agora, se você decide jogar o imposto lá embaixo para massificar o acesso, surgirá uma receita que hoje não existe. Os Estados poderiam até zerar o imposto [dos novos serviços]. Vejamos o caso do computador, por exemplo, que, depois da redução dos impostos promovida pela MP do Bem, gerou mais emprego, produtividade, lazer, desempenho escolar. Isso dá um giro fantástico na economia. Este ano foram vendidos cerca de 13 milhões de computadores no Brasil.

Valor: O senhor não vai esperar a reforma tributária para fazer mudanças no setor?

Bernardo: Não vou esperar. Acho que tem de ser feita a reforma tributária, mas isso leva pelo menos um ano para ser discutido. É um assunto complexo. Então, poderíamos ter um pacto em que o governo e os Estados abrissem mão de impostos para apoiar serviços novos e massificar o acesso. Por outro lado, não dá para entrar nessa história das teles de que o preço é alto só por causa dos impostos.

Valor: Não é?

Bernardo: Acredito que as empresas tenham a decisão estratégica no Brasil de fornecer serviços caros para pouca gente. Em minha opinião, é uma visão curta. Posso vender mais barato e ganhar na escala. Acredito que a discussão sobre o programa de metas de universalização vai resolver parte disso.

Valor: As teles reclamam que o governo quer embutir metas de banda larga num programa de expansão que trata de telefonia fixa. Como o senhor avalia esse assunto?

Bernardo: É verdade. Há metas que de fato são de telefonia, como a telefonia rural, que estamos tratando. Mas há espaço para rediscutir o tema da banda larga. No passado, já abrimos mão da instalação de PSTs (Postos de Serviços de Telecomunicação), por exemplo, para ter banda larga nas escolas. Trocamos a meta de construção dos postos por internet rápida nas escolas e essa iniciativa está funcionando, as teles estão cumprindo a meta.

Valor: Isso significa que há espaço para o governo ceder em alguma exigência do plano de metas?

Bernardo: Claro que há, podemos discutir, dialogar. O que acredito é que temos espaço para acelerar a expansão da rede e diminuir os custos do acesso à tecnologia.

Valor: Qual vai ser o papel da Telebrás e das teles no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL)? Há possibilidade de compartilhar a execução do programa?

Bernardo: A participação das teles sempre esteve presente em todos os debates que fizemos. A Telebrás é um instrumento que reativamos com a visão de que vamos fazer estrutura de rede e nos associar com o setor privado, que pode ser as teles ou simplesmente os provedores de internet. A tele ou o provedor é que vai prestar serviço para o consumidor. No debate do PNBL, levantou-se a hipótese de as teles não terem interesse em levar o serviço até os rincões. Bem, nesse caso, a Telebrás pode chegar ao usuário final. Agora, convenhamos, aí não é mais essa empresa que vai fazer isso. Eu acho, sinceramente, que há provedores interessados em prestar o serviço. O que o provedor precisa é de um preço bom, com velocidade boa. O melhor a fazer é uma negociação, definir qual o preço que nós queremos. Trinta reais para o consumidor final? Para fazer com esse valor, tem que fazer o quê? Tirar imposto?

“Hoje, o presidente do conselho de administração é o presidente dos Correios. Temos que mudar isso.”

Valor: A Telebrás vai chegar a esse valor. A questão é saber por que as teles não podem chegar. É isso?

Bernardo: Com certeza. Queremos que a banda larga seja popularizada e, para isso, tem que ter, além da qualidade, que tem que melhorar muito, preço acessível. Fala-se em R$ 30, R$ 35, eu acho que é razoável. Com isso, conseguiríamos massificar. A forma de fazer, onde vamos precisar ter uma parceria com as teles, com os provedores do interior, tudo isso será tratado agora.

Valor: Ainda não há um modelo?

Bernardo: O modelo está definido. A Telebrás já tem uma definição de trabalho, um plano. Agora, se pudermos somar esforços com o setor privado, não tenham dúvida de que faremos.

Valor: O setor de telecomunicação pretende atuar no mercado de TV a cabo e também produzir conteúdo, aproveitando-se da convergência tecnológica. Qual é a sua visão sobre isso?

Bernardo: Este é um dos pontos do contrato [de renovação das concessões de telefonia] que adiamos para maio. Há um capítulo que trata disso, elaborado pela Anatel, que autoriza as teles a participarem do fornecimento de TV a cabo. Quanto ao conteúdo, não suspeito que as teles queiram produzir conteúdo. Elas vão contratar gente para fazer isso. Pode ser algo bom porque, se começarem a oferecer TV a cabo e houver exigência de conteúdo local, elas vão ter que contratar produtoras e pessoal. Isso, evidentemente, tem que ter uma regulação.

Valor: Por quê?

Bernardo: Porque o setor de telecomunicação tem um faturamento que equivale a 13 ou 14 vezes o das redes de TV. Se deixarmos o mercado se resolver, provavelmente, as teles vão engolir as TVs. Seria uma luta desigual. Nós temos essa preocupação. Há um projeto [o PL 29] aprovado na Câmara, que se tornou o PL 116 no Senado. O projeto pode ter defeitos, mas ele avança nessa questão. É bom ter uma regra para definir os limites de operação de cada setor.

Valor: Existe da parte do governo Dilma interesse em controlar conteúdo?

Bernardo: Claro que não! Já não havia interesse também no governo Lula. O ex-ministro Franklin Martins fez um trabalho de fôlego sobre esse tema. E não há pretensão nenhuma em controlar o conteúdo. Há muito ruído, paixão, debate ideológico, mas ninguém está discutindo controle. O máximo que existe é um debate sobre o que fazer com manifestações racistas ou que ponham em risco a questão da infância e da adolescência em programas de rádio e TV. Assim mesmo, essa é uma discussão a posteriori e não uma tentativa de proibir conteúdo.

Valor: E o controle do conteúdo jornalístico das empresas de radiodifusão?

Bernardo: De modo algum. Não houve no governo Lula nem haverá no governo Dilma. Ninguém está preocupado com isso. E se estivesse, seria tolhido pelo Congresso e pela opinião pública.

Valor: Os Correios vêm perdendo espaço, no mercado, para empresas privadas, que exploram nichos de negócio mais lucrativos. Quais são os seus planos para a estatal?

Bernardo: É bom lembrarmos que os Correios são uma empresa maravilhosa, um dos maiores empregadores do Brasil (tem 108 mil trabalhadores). As pesquisas mostram que é a terceira instituição mais confiável do país. Até novembro, teve lucro acumulado de R$ 700 milhões. Está funcionando, mas eu acho que tem deficiências.

Valor: Em que áreas?

Bernardo: Ela tem os problemas de toda empresa pública no Brasil. Por exemplo, a empresa vai comprar um insumo básico, umas caixas grandes de plástico para envio de correspondência, e o Tribunal de Contas estabelece que ela tem que dar 180 dias para os fornecedores apresentarem proposta porque, senão, algum fornecedor pode querer entrar, há um problema de molde… Isso é um problema.

Valor: Há outras áreas em que o senhor identifica problemas?

Bernardo: Para contratar transporte aéreo, a ECT gasta R$ 300 milhões por ano. A lei exige que ela contrate por apenas um ano. Uma empresa área, por sua vez, que tenha contrato de um ano não consegue financiamento, leasing, para oferecer o serviço. O contrato tem que ser um pouco mais longo. Então, temos que fazer alguns ajustes que possibilitem o aumento da eficiência. Além disso, é uma empresa que precisa de atualização tecnológica. Tem seis mil pontos de atendimento, apenas 40 ou 50 municípios em todo o país não possuem agência da ECT. Tivemos também alguns problemas de gestão. A despeito disso, a empresa andou.

Valor: No governo Lula, foi discutida a possibilidade de a ECT ter um braço aéreo. O senhor vai retomar essa proposta?

Bernardo: Esta é uma possibilidade, mas não é algo imediato. A primeira mudança será contratar bem o transporte aéreo e depois avaliar porque, se a empresa tem hoje dificuldade para comprar caixotes de plástico, imagine o que enfrentará para comprar avião e suas peças. Nós vamos nos preocupar em modernizar a empresa, atualizá-la tecnologicamente, mudar a gestão, o estatuto…

Valor: Que mudança o senhor fará no estatuto?

Bernardo: Hoje, o presidente do conselho de administração é o presidente da ECT. Não pode. Temos que mudar isso. No setor privado, há empresas que nem deixam mais que os diretores integrem o conselho. No novo estatuto, o ministro das Comunicações indicará o presidente do conselho. A presidente Dilma prefere que eu seja o presidente. A empresa vai precisar de apoio, então, vai ser importante estar no conselho.

03/01/2011 - 08:25h “Empresas têm obrigação de prover internet popular”

Orientação de Dilma, conta Bernardo, é negociar com o produtores nacionais venda de tablets por R$ 400 a R$ 500


Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE
Desafio. ‘É mais fácil fazer impeachment do presidente do que a cassação de concessão de rádio’


Lu Aiko Otta e Karla Mendes – O Estado de S.Paulo

Ligadíssima em novas tecnologias, a presidente Dilma Rousseff quer massificar o acesso à internet. A oferta de serviços de banda larga a preços populares, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), é o que ela chama de “xodó 2.0″. O primeiro xodó é o programa Luz Para Todos

“Ela acha que isso poderá, num prazo razoavelmente curto, significar um aumento muito grande da produtividade do trabalho, melhor aproveitamento da estudantada na escola, melhor desempenho dos professores, as empresas serão altamente beneficiadas”, diz Paulo Bernardo, em entrevista ao Estado.

Bernardo, que hoje toma posse no Ministério das Comunicações, foi incumbido de mapear, na indústria nacional, quem é capaz de fornecer equipamentos para o setor de informática e comunicações. Dilma quer que a nova classe média possa comprar tablets a prestação. Medidas de incentivo na forma de crédito e tributação favorecidos poderão ser adotadas.

Também por orientação de Dilma, toda a diretoria dos Correios será mudada hoje. A regulamentação da mídia, tema polêmico conduzido no governo passado pelo ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins, agora ficará sob responsabilidade de Bernardo. Ele acha que é preciso acalmar os ânimos e ampliar o debate, mas garante: não haverá censura.

O Ministério das Comunicações será “refundado”, como defendeu Franklin Martins?

Percebi, pela conversa da presidente, que ela tem uma expectativa grande. Falou uns 20 minutos sobre a incorporação de milhões de pessoas ao uso de novas tecnologias. Acha que isso poderá, num prazo razoavelmente curto, significar aumento muito grande da produtividade do trabalho, melhor aproveitamento da estudantada na escola, melhor desempenho dos professores, as empresas serão altamente beneficiadas. A verdade é que a internet é absolutamente imprescindível.

Quais serão suas prioridades?

A prioridade premente que é a discussão do Plano Geral de Metas de Universalização da telefonia que foi adiado de 1.º de janeiro para 2 de maio e prevê ampliação de acesso à banda larga.

Como fica a Telebrás nessa discussão de acesso à banda larga com preços populares?

Há uma parte que as empresas privadas vão fazer e outra que a Telebrás vai fazer. O presidente Lula falou, e a Dilma concorda, que o mercado deveria ter resolvido isso. A experiência mostrou que não. Então, estamos entrando para empurrar o setor. Mas as empresas têm obrigação de fornecer o serviço, elas são concessionárias, ganham dinheiro com serviço público. Elas têm corresponsabilidade. Querem o quê? Fornecer para a classe média que ganha R$ 10 mil por mês? E o povão do Morro do Alemão vai ficar sem serviço? A verdade é que o setor fez opção de oferecer o serviço caro para poucos. E a banda é meio larga, porque a Coreia está discutindo um acesso de 1 giga, enquanto nós falamos de 1 mega.

É atendimento para a nova classe média?

Tem uma classe média ascendente no País. Este ano, o número de passageiros novos em aviões chegou a 9 milhões. Essas pessoas também compram um desktop no varejo por R$ 799. Não faz sentido pagarem R$ 120 para ter acesso à internet. A Dilma falou assim: “chama os produtores nacionais de computador e faz uma negociação com eles para fornecer tablets com preço mais popular”. Preço popular seria R$ 400, R$ 500, algo que a prestação caiba no bolso.

E os Correios? O aparelhamento da estatal pelo PMDB acabou com a credibilidade dos serviços. Como fazer para recuperá-la?

A orientação que a Dilma deu foi a seguinte: no primeiro dia, nomear a diretoria e dar metas claras para melhorar a gestão. Ali há alguns problemas prementes. Por exemplo, o concurso, que está pendente há dois anos. Temos também um conflito em torno das franquias. E a licitação não concluída para transporte aéreo. O governo gasta R$ 300 milhões por ano com esse serviço, deveria ser um cliente mais do que vip.

Os Correios vão ter aquela empresa de logística?

Isso é algo que está sendo discutido. Vamos propor uma medida legal para permitir que os Correios tenham empresa subsidiária. Mas, se vai ter uma empresa de aviação ou não, isso é outro problema. Hoje estamos com dificuldade para comprar caixa para carregar carta (por causa do processo de licitação). Como é que vai comprar peça de avião? Neste momento, não teremos empresa de avião.

E sobre regulação de mídia? Primeiro, estamos falando da regulação de mídia eletrônica, não estamos falando dos jornalões. Entendo que é assunto sensível. Mas ninguém no governo Lula falou de censura, tampouco no governo da Dilma. A gente deveria colocar a bola no chão para discutir com tranquilidade. A Constituição prevê que a mídia tem de ter conteúdo nacional, produção de caráter regional, não pode fazer apologia ao racismo, não pode veicular mensagens de caráter discriminatório. Acho que é bem razoável se falar em porcentual de produção nacional. Quem faz jornalismo tem de fazer produção local. O Franklin cita um dado muito interessante, que mostra que o faturamento das teles é 14, 15 vezes maior que a radiodifusão. Se você deixar resolver no mercado, pode ser que o resultado seja péssimo. Em vez de aumento da produção nacional, vamos ter menos produção, pois vai ficar mais cômodo comprar tudo lá fora.

Vai ter agência de regulação?

Todos os países desenvolvidos do mundo têm agência. E ninguém vai lá xeretar o que você vai falar. Depois que você falou, se fez alguma propaganda incitando a pedofilia ou o racismo, por exemplo, ela olha aquilo e toma providências. Faz uma advertência para o difusor, e é isso.

Discute-se limitação de capital estrangeiro na mídia. Como fica?

Isso já tem regulamentação. Hoje um órgão de comunicação pode ter 30% de capital estrangeiro. A dúvida que se tem é se um portal na internet é um órgão de comunicação ou não, faz jornalismo ou não. Essa é a briga.

Qual a sua opinião?

Eu acho que se deveria aplicar para eles a mesma regra dos órgãos de comunicação: pode ter 30% de capital estrangeiro. E acho que deveria ter um corte, quantos por cento de produção própria para ser considerado um órgão de jornalismo, digamos assim. Tem de ver como resolve isso, pois alguns sites só repetem e outros têm um porcentual de produção próprio.

Em relação à concessão de rádio, vai mudar alguma coisa?

Há muitas críticas sobre o fato de políticos receberem concessão. Essa proposta está em discussão. Eu acho que isso deveria acabar: político não deveria ter concessão de rádio nem de TV. Mas precisa de aprovação do Congresso. E hoje é mais fácil fazer um impeachment do presidente do que fazer a cassação de uma concessão de rádio.



22/12/2010 - 17:27h Os melhores blogs de fotógrafos

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Clique na imagem acima e veja a relação completa dos blogs selecionados.

A revista Digital Photographer Brasil selecionou em sua última edição os melhores sites de fotografia do país. O blog Images&Visions foi um dos escolhidos.“O melhor amigo para o fotógrafo digital é a Internet, não tenha duvida. A grande rede de comunicação abriu uma oportunidade inédita de congregar pessoas por seu interesses- e no caso da fotografia, estreitar também laços pessoais e profissionais. Participar dessa conversa eletrônica sem fim é um imperativo do dia-a-dia; bom para as relações pessoais, bom para manter-se em dia com as novidades e bom para os negócios, também. A internet serve como um imenso manancial de conhecimento e sabedoria fotográfica e quem possui talento para escrever, além de clicar, acaba se saindo muito bem “na fita”. Daí veio a idéia de colecionar links para bons blogs que falam sobre fotografia – a paixão, a técnica, os assuntos, as pessoas”, comenta Mario Amaya, editor da Digital Photographer Brasil. Clique na imagem acima e veja a relação completa dos blogs indicados. Fonte: Fotocolagem e Blog Images & Visions

12/12/2010 - 17:21h Jovens trocam livros por ”leitura digital”

Gerações anteriores só liam as obras cobradas pela escola; agora, a prática é diferente: são sites, redes sociais, SMS e e-mails


Werther Santana/AE
Werther Santana/AE
Família conectada. Na casa de Hermina Ejzenmesser, além do computador de uso comum, o marido e os três filhos têm cada um o seu notebook; Renato (à esq.) é o mais antenado


Mariana Mandelli – O Estado de S.Paulo

No bolso do jeans, um BlackBerry. Na escrivaninha do quarto, um laptop. Dentro da mochila da escola, um iPod Touch com conexão wireless. Tudo ao redor dos jovens de hoje oferece conexão 24 horas por dia nas mais diversas redes sociais. Como deixar de lado todas as infinitas possibilidades que o mundo digital oferece e se dedicar à leitura de um livro, com suas centenas de páginas, cheias de palavras e letras inertes, exigindo concentração para serem decifradas?

Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) divulgados nesta semana afirmam que a leitura não está entre as prioridades dos jovens de 15 anos. Nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 46% dos estudantes afirmam que leem apenas para obter as informações que precisam; 41% só leem se forem obrigados; e 24% acham que ler é um desperdício de tempo. Apenas um terço disse que a leitura é um dos hobbies favoritos.

Apesar dos dados do Pisa, especialistas em educação e tecnologia discordam da ideia de que o jovem de hoje lê menos. Muito pelo contrário: afirmam que os adolescentes nunca leram tanto. A diferença é que, agora, não são só os livros que são “lidos”, mas vídeos, sites, SMS, e-mails e uma gama imensa de informações.

“O adolescente lê e escreve muito, comunica-se muito mais por escrito. As gerações anteriores liam só os livros da escola. Os jovens de hoje não: estão sempre se informando dentro dessa vida social digitalizada”, diz Rosa Maria Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP.

O que perdeu espaço na vida dos jovens não é o hábito de ler, mas a leitura formal que os livros, por exemplo, oferecem. “O texto existe, só que de outras formas, e agora oferece acesso amplo e irrestrito. A leitura digital é mais lúdica e interessante porque não é linear e permite uma liberdade multimidiática”, explica Claudemir Viana, pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Segundo Viana, trocar SMS com os amigos, postar no Twitter e ver recados no Facebook são atividades mais prazerosas que ler um clássico literário porque dão mais autonomia. “Se cansar do site em que está navegando, é só abrir um outro link. Não precisa mais ler página por página, na ordem. Por isso, o que o jovem está perdendo é a paciência, não a concentração.”

O maior desafio do jovem é lidar com a diversidade de estímulos que recebe de todos os lados – o que não significa que ele esteja mais distraído, afirmam especialistas. “O adolescente tem de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo. Ele é multifocal e deve se dividir por vários canais”, diz a psicóloga Ivete Palange, da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed).

Dar atenção a várias mídias sem perder o interesse no conteúdo de cada uma delas é o que acontece na casa da empresária Hermina Ejzenmesser, de 44 anos. Além do computador da família, de uso comum, seu marido e cada um de seus três filhos têm um notebook. Renato, de 16 anos, é o mais antenado: tem iPhone e usa diversos programas em seu laptop. “Antes, eu até gostava mais de ler livros, mas fui perdendo o estímulo. Gosto de jornal, mas se você for pegar para ler no fim da manhã, já está tudo velho”, diz Gustavo.

Para Hermina, o gosto de Renato por tecnologia é positivo. “Ele faz trabalhos em vídeo, edita e coloca áudio. E estuda muito com os amigos via Skype.”

Aptidões perdidas. Para os educadores, a falta de interesse pela leitura formal pode levar à perda da habilidade de se concentrar quando necessário. “O jovem não consegue mais ler um texto inteiro. Ele não cria essa habilidade porque não precisa mais dela”, explica Teresa Ferreira, psicopedagoga da Unifesp.

Ainda é cedo para afirmar o quanto isso pode ser prejudicial no futuro. Mas os especialistas alertam: ler apenas o essencial e aquilo que interessa pode levar à perda da aptidão para analisar situações com mais profundidade. “O jovem sabe de tudo o que acontece, mas não aprofunda o conhecimento dos fatos”, destaca a psicóloga Dora Sampaio Góes, do Programa de Dependência da Internet do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (Amiti), da USP. “A dúvida é: até que ponto essa abordagem generalista é benéfica?”

VANTAGENS E DESVANTAGENS

Leitura formal

Para os educadores, ler os livros clássicos faz com que as crianças e os jovens consigam formar referências culturais e, portanto, sejam capazes de aprofundar o conhecimento sobre o mundo e analisar os fatos de modo mais profundo. No entanto, a leitura dos materiais impressos, como também são os jornais e as revistas, são arbitrárias e não permitem a interação do leitor com a informação, que é sempre linear.

Leitura digital

Para os educadores, a possibilidade de ter contato com várias mídias ao mesmo tempo (como vídeo, áudio, imagem e texto) é o grande trunfo das novas tecnologias. O jovem consegue se comunicar de diversas formas e, por essa razão, nunca leu e escreveu tanto. Porém, ao dividir a atenção entre tantas mídias, o adolescente pode perder a capacidade de focar seu interesse em uma só coisa, prejudicando a concentração.

PRESTE ATENÇÃO…

1. Jornais. Assinar jornais é uma opção para motivar a leitura. Educadores sugerem que os pais comentem reportagens interessantes com as crianças.

2. Revistas. Comprar revistas para adolescentes, com temas do interesse dos jovens, pode ser um bom começo para exercitar a concentração.

3. Revistas em quadrinhos. Gibis são uma boa ideia para incentivar crianças muito pequenas a ler, porque contêm imagens e mensagens curtas.

4. Livros clássicos. Os pais devem dar o exemplo aos filhos, lendo bons livros e sempre deixando à vista, em casa, os clássicos da literatura.

5. Livros para adolescentes. Obras de ficção e de ação – inclusive best sellers – são de fácil leitura e costumam agradar crianças de todas as idades.

6. Sites. É ideal que os pais acompanhem o conteúdo das páginas em que os filhos navegam, para evitar a exposição a crimes virtuais.

10/12/2010 - 09:56h A política depois do WikiLeaks

Maria Cristina Fernandes | VALOR

Primeiro grande conflito armado transmitido em larga escala ao vivo e em cores, a Guerra do Vietnã marcou a ascensão da mídia nos ditames do poder. As imagens da guerra injusta numa sociedade embalada por ideais libertários impulsionaram a retirada dos americanos e a inflexão na sua política externa até a era Reagan.

Primeiro grande conflito armado vazado pela internet, a Guerra do Afeganistão repagina a influência da mídia. O WikiLeaks mostra um poder que mata, corrompe e subverte qualquer noção de ordem democrática mundial que os Estados Unidos algum dia possam ter pretendido representar.

O vazamento dos despachos de embaixadas americanas no mundo agora ganhou escala planetária, mas foi nos documentos do Afeganistão que o WikiLeaks começou a delinear seu alvo. As imagens militares de fuzileiros em helicópteros alvejando civis no Iraque e documentos mostrando os desmandos do governo de Karzai foram divulgados antes das eleições legislativas americanas. E pouco a impactaram. O eleitor que ainda vê no Afeganistão a resposta ao 11 de setembro inflou o Tea Party e acreditou ser capaz de castigar Barack Obama pelas promessas de emprego não cumpridas.

Julian Assange conseguiu até devolver notoriedade internacional à candidata derrotada à Vice-Presidência, Sarah Palin, para quem os Estados Unidos deveriam caçar o criador do WikiLeaks como a Bin Laden. A distância da Era de Aquário parece maior que quatro décadas. Custa imaginar que enredo a acusação de crime sexual contra Assange daria para Milos Forman.

Se a internet move a economia, por que paralisaria a política?

Em manifestos, o criador do WikiLeaks busca desamarrar sua guerrilha virtual de teses de direita ou de esquerda e firma seu único compromisso com os benefícios à população que podem advir de instituições mais transparentes. E nem os movimentos filhotes, como o Anonymous, desprezam a política tradicional. Num texto recente urge seus seguidores a pressionar parlamentares locais, prefeitos ou qualquer autoridade pública: “Peça seus comentários sobre os vazamentos. E grave cada palavra que for dita”.

Se o WikiLeaks dependesse unicamente da personalidade desse australiano de 39 anos que margeou a educação formal e cismou com o poder institucional ao enfrentar um processo pela guarda do filho, poderia ter sido ferido de morte com a prisão do seu criador esta semana em Londres.

A invasão de hackers nos serviços de Visa e Mastercard, que interromperam o recolhimento de doações ao site, é apenas uma medida da adesão da comunidade virtual à guerra pela informação livre. As empresas que repentinamente descobriram em seus estatutos vetos a parcerias com o WikiLeaks já estão sendo vítimas de campanhas virtualmente orquestradas que expõem contratos com entidades financiadoras de movimentos racistas, como o Ku Klux Klan. “Derrubem-nos e mais fortes nos tornamos”, diz o lema.

Os vazamentos do Afeganistão tiveram acolhida de parte da mídia americana que reconheceu o endosso dado ao engodo das armas de destruição em massa no Iraque. Já os vazamentos dos despachos de embaixadas americanas, que trouxeram à tona até estratégias de espionagem avalizadas pelo Departamento de Estado, colocaram na berlinda o grau de comprometimento da imprensa com a informação livre.

Ao advogar limites a essa liberdade, a diplomacia defende a tese de que é preciso consultar, especular e discutir até que um argumento possa se tornar uma posição oficial abertamente exposta à crítica. E que, sem confiança, não existe diplomacia. Muitos jornalistas também poderiam argumentar que sem o ‘off the records’, a informação passada sob sigilo do informante, não é possível produzir notícia.

O que há de mais comprometedor no WikiLeaks, no entanto, não é a política que consulta, especula e discute, mas a que corrompe. E os interesses cimentados pelo poder que corrompem são aqueles que a imprensa tem mais dificuldade em combater.

Os vazamentos custariam a ter repercussão sem os acordos que os permitiram ser editados nos principais jornais do mundo. O papel da imprensa na esfera pública passará a depender do seu grau de compromisso com os interesses que a comunidade virtual tem enfrentado e de sua disposição para resistir a pressões políticas.

É desastroso para a diplomacia americana que sua visão sobre um Berlusconi fantoche de Putin ou um Nelson Jobim como atalho a um Itamaraty anti-ianque seja escancarada ao contribuinte. O que é realmente comprometedor, porém, são os planos americanos para espionar o secretário-geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki-Moon, que passam até pelo rastreamento de seu cartão de crédito ou os subornos oferecidos a governos para que abriguem presos de Guantánamo.

A diplomacia americana sempre usou o apelo à liberdade de informação como trunfo de sua pressão sobre ditaduras não aliadas. A questão agora é como restringir essa liberdade sem apagar Thomas Jefferson do mapa da história americana – “Se eu tivesse de decidir entre ter um governo sem jornais e ter jornais sem um governo, eu não hesitaria nem por um momento antes de escolher a segunda opção”. Ainda que o vazamento de informações sigilosas seja crime em qualquer lugar do mundo, é nos fundadores da democracia americana que a Suprema Corte tem se baseado para garantir que sua divulgação não o seja.

Os críticos do WikiLeaks têm argumentado que os vazamentos só foram possíveis porque o ataque às torres de Nova York levaram a que o governo americano decidisse por compartilhar mais informações. E os vazamentos, que um chanceler italiano considerou o 11 de setembro da diplomacia, acabariam contribuindo para que o compartilhamento de informações fosse reduzido.

Essa visão talvez subestime a capacidade de a comunidade virtual romper as fronteiras que lhe são impostas. Se a economia não sobrevive mais sem a internet, tinha que chegar o dia em que a política deixaria de lhe ficar incólume.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

25/11/2010 - 09:37h Para Lula, acidente da TAM foi o o pior momento que viveu no governo


Vandson Lima | VALOR

O acidente com o avião da TAM em 2007 no aeroporto de Congonhas, no qual morreram 199 pessoas foi, na opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pior momento de seu governo. “Nunca vi tanta leviandade”, disse, em entrevista a blogueiros, sobre os comentários de setores da imprensa que acusavam o governo pelo acidente, que, posteriormente, foi comprovado como decorrente de erro dos pilotos. “Foi o dia mais nervoso da minha vida. Não quero que isso se repita.”

Na entrevista, Lula voltou a jogar lenha na quase apagada fogueira levantada pelo episódio da “bolinha de papel”, no qual o candidato do PSDB derrotado na disputa presidencial, José Serra, supostamente teria sido agredido por militantes petistas, às vésperas da eleição. Em entrevista a blogueiros ontem, em Brasília, Lula disse que Serra precisa se desculpar com os brasileiros por, segundo ele, ter inventado uma agressão. “Foi uma desfaçatez. Eu perdi três eleições (…) e jamais teria coragem de usar uma mentira daquela. O Serra tem que pedir desculpa ao povo brasileiro”, afirmou Lula.

Durante o evento, Lula bateu forte no que classificou como “mídia antiga” brasileira – jornais e revistas – e afirmou que se um historiador, daqui a 100 anos, resolver destrinchar o que foram os oito anos de seu governo, terá de fazê-lo recorrendo a periódicos estrangeiros ou à informação armazenada na internet.

A rapidez, a possibilidade de abrigar opiniões distintas e de desmentir notícias veiculadas oferecidas pela internet foram elogiadas por Lula: “Agora, quando o cidadão conta uma mentira, ele é desmentido na hora, em tempo real, e tem que se desculpar”, afirmou. Assim que “desencarnar do governo”, o que deve levar cerca de quatro meses, acredita, o presidente pretende virar “blogueiro e tuiteiro”, utilizando o espaço na rede mundial de computadores para debater questões como o escândalo do mensalão, de 2005, e o trabalho que pretende realizar em países da América Latina, Caribe e África. A criação de um instrumento que permita à sociedade acionar judicialmente veículos de imprensa que divulguem “falsas denúncias” está entre as medidas que o presidente ainda pretende tomar, antes de passar a faixa presidencial a Dilma Rousseff, em 2011: “Não existe maior censura do que a ideia de que a mídia não pode ser criticada”, observou.

Lula disse ser favorável ao controle do capital estrangeiro na gestão dos veículos de comunicação.

Sobre a indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que substituirá Eros Grau, Lula disse que, caso Dilma tenha algum nome para indicar, respeitará a posição dela. O presidente defendeu uma postura republicana na indicação de ministros para a Suprema Corte: “O único com quem tinha amizade era o Eros Grau. O [Cezar] Peluso eu não conhecia. O Direito pra mim foi surpresa, muita gente tinha dúvida, porque eu estaria indicando um ministro de direita, mas a atuação dele foi boa. Não pode indicar pensando na próxima votação na Suprema Corte”.

Apesar das recentes manifestações de preocupação do ministro do Esporte, Orlando Silva, Lula minimizou os atrasos nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, que acontecerão no Brasil. Para ele, não há qualquer risco quanto à infraestrutura necessária.

A dinâmica do encontro com o presidente pôde ser acompanhada ao vivo no Blog do Planalto e pela rede de microblogs twitter. Os participantes foram escolhidos pela organização do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas.