16/09/2009 - 09:19h Corte na coleta: mais lixo na rua e emprego em risco

 

Prefeitura avisou as duas empresas que recolhem lixo na cidade que verbas terão redução de 10%. Uma delas, a Ecourbis, vai demitir 245 funcionários e cobra da administração a definição dos bairros que serão prejudicados

CRISTIANE BOMFIM, Jornal da Tarde

cristiane.bomfim@grupoestado.com.br

Avisada pela gestão Gilberto Kassab (DEM) de um corte de 10% no orçamento para coleta de lixo domiciliar e hospitalar, a Ecourbis, uma das duas empresas que prestam o serviço na cidade, afirmou ontem que deverá demitir na próxima semana pelo menos 245 trabalhadores e avisa: uma área equivalente ao porcentual do corte será prejudicada. “Quero que a Prefeitura defina qual a região que ficará sem coleta, porque não há como nos adequarmos à redução sem demissões”, diz o presidente da Ecourbis, Ricardo Acar. A empresa atende 45 bairros das zonas leste e sul, como Mooca, Moema, Vila Mariana e Itaquera, com um total de 6.252.186 habitantes. Em agosto, a Prefeitura já havia anunciado a redução de 20% nos gastos com a varrição, o que provocou a demissão de garis e o aumento da sujeira nas ruas.

Segundo Acar, na semana passada foram realizadas três reuniões com a Prefeitura para discutir o corte na coleta. “O problema é que eles não quiseram discutir e para me adaptar preciso cortar 10% dos custos, que são as pessoas”, afirma. Ele diz que, apesar de as empresas argumentarem que o serviço perderia qualidade, o secretário de Serviços, Alexandre de Moraes, não mudou de opinião. “Eles não quiseram discutir, apenas nos comunicaram que teríamos de nos adequar. E ponto”, afirma. O motivo seria o mesmo do corte na varrição: a queda na arrecadação da cidade com a crise financeira mundial.

A Ecourbis é responsável pela coleta diária de 6 mil toneladas de resíduos sólidos na cidade. “Com o corte, deixaremos de recolher 600 toneladas de lixo. O que o prefeito vai fazer?”, questiona Acar. Segundo ele, hoje a empresa possui 2.450 funcionários e 400 equipamentos, que inclui caminhões compactadores, de coleta de chorume e carretas para o transporte dos resíduos recolhidos. “Além do pessoal, serão menos 25 caminhões operando dia e noite”, afirma.

A última concessão da coleta de lixo na cidade foi feita em novembro de 2004 na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT). O contrato, com validade de 20 anos, dividiu a cidade em dois lotes. A Loga Logística, responsável por bairros da regiões central e norte, respondeu, por nota, que “está estudando o assunto e não tem posição oficial”. O valor do contrato para este período é de R$ 10 bilhões. Em 2007, a Prefeitura reduziu o valor em 17%. O gasto mensal da administração municipal antes do novo corte era de R$ 48 milhões, R$ 24,6 milhões repassados à Ecourbis.

“À primeira vista, o valor pode parecer alto, mas além da coleta dos resíduos, temos de transportar o lixo para o aterro. Além disso, temos de pagar pelo uso de um aterro particular, já que o municipal está com capacidade quase esgotada”, afirma Acar.

A Prefeitura diz que “foi solicitado às concessionárias de coleta de lixo domiciliar que façam adaptações nos trabalhos de forma que a verba a ser repassada às empresas se enquadre no orçamento de R$ 903 milhões para a limpeza urbana. As concessionárias deverão fazer uma readequação dos serviços de coleta, sem que isso prejudique a qualidade do serviço”.

Varrição

Dados do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana de São Paulo (Selur) mostram que o corte na varrição reduziu em 32,05% o serviço nas vias do município e em 26,45% nas calçadas. Mais afetada ainda foi a limpeza em vias de grande circulação, como a Radial Leste e as marginais do Tietê e do Pinheiros, cujo serviço era feito por máquinas. O corte foi de 100%. O balanço mostra aumento no número de demitidos pelas cinco empresas responsáveis. Agora são 3.274. Segundo o presidente do Selur, Ariovaldo Caodaglio, as empreiteiras entregaram às subprefeituras novos planos de serviços adequados à redução no orçamento. “Há ruas que não serão limpas, outras terão a frequência diminuída.” A Prefeitura diz que os planos estão em fase de elaboração.

47 BAIRROS SÃO da capital
atendidos pela Ecourbis, entre eles Moema e Vila Mariana

AS EMPRESAS

A coleta de lixo domiciliar e hospitalar em São Paulo é feita pelas empresas Ecourbis e Loga Logística Ambiental. Juntas, elas recolhem diariamente 9.590 toneladas de resíduos. A Secretaria de Serviços é a responsável pela fiscalização do trabalho

Já o serviço de varrição de vias e calçadas é realizado por outras cinco empresas: Unileste, Delta Construções, Paulitec, Qualix e Construfert. Mensalmente são retiradas das ruas da capital 300 toneladas de lixo. A vistoria dos serviços prestados é feita por 83 fiscais das subprefeituras

15/09/2009 - 09:45h Kassab continua propalando inverdades: arrecadação este ano esta em patamares semelhantes a 2008

O Estadão não esclarece, mas aos poucos os dados aparecem. Contrariamente as repetidas afirmações de Kassab a “crise” não afetou a arrecadação da prefeitura e ela vai concluir o ano com um volume de recursos arrecadados semelhantes ao do ano passado, ano que foi recorde na arrecadação.

As falsas “previsões orçamentárias” do orçamento de Kassab serviram para ele contar com um índice absurdo de remanejamento, o que permitiu entre outras coisas, deslocar dinheiro para publicidade e propaganda. Serviram também para “vender” sua propaganda eleitoral, fazendo acreditar que existia dinheiro para promessas eleitoreiras (como zerar o número de crianças sem creche).

Agora, chegando aos finais do ano, Kassab esta obrigado a justificar a “previsão orçamentária”, contrastada com a realidade da arrecadação. Para isso ele tenta uma “justificativa”: a crise! Mas ela se desmorona quando se verifica que o dinheiro efetivamente arrecadado pela prefeitura é semelhante em valores reais à arrecadação de 2008, a maior dos últimos 20 anos.

Estes simples dados, de conhecimento de qualquer jornal, por motivações estranhas ao jornalismo não aparecem nos artigos que tratam do assunto. Pareceria que em lugar de esclarecer, os jornais alimentam a confusão procurada por Kassab para justificar a sua manipulação eleitoreira.

Fica aqui, novamente, o desafio: publiquem as cifras da arrecadação, os números. Comparem com os de 2008 e provem a “queda” provocada pela crise, que Kassab invoca. LF

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SP volta a ter arrecadação positiva, após 1 ano de crise

Daniel Gonzales – O Estado SP

Depois de um ano com a arrecadação de impostos em baixa, por causa da crise internacional, a Prefeitura registrou em agosto, pela primeira vez, um resultado positivo. Houve uma melhora de 8% na arrecadação da principal fonte de receita do Município, o Imposto sobre Serviços (ISS), em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com as análises feitas pela Secretaria municipal de Finanças.

No entanto, mesmo com esse aquecimento, o Orçamento de 2009 da cidade de São Paulo já ficou definitivamente comprometido pelo mau resultado dos primeiros meses do ano. Entre setembro de 2008 e agosto deste ano, o volume de impostos municipais que entrou nos cofres da Prefeitura ficou pelo menos R$ 5 bilhões abaixo da expectativa.

No entanto, o prefeito Gilberto Kassab se mostrou otimista em relação ao futuro. “Já vivemos uma fase de recuperação”, afirmou, ontem, em entrevista à Rádio Bandeirantes. Mesmo assim, a arrecadação projetada pela Prefeitura de São Paulo na peça orçamentária enviada à Câmara Municipal no ano passado, com expectativa de chegar a R$ 29 bilhões de janeiro a dezembro, deve atingir, no máximo, R$ 24,5 bilhões no fim do ano, segundo o prefeito. Kassab ressaltou, porém, que serviços essenciais da cidade, como limpeza urbana e iluminação, não ficaram nem ficarão comprometidos com o fluxo de caixa menor.

15/09/2009 - 09:00h Ruas continuam sujas e vereadores querem fazer a CPI da varrição

Ontem: Secretário diz que cidade está extremamente limpa. Hoje: jornal Agora mostra a sujeira e a Folha informa que mesmo com Cidade suja: Após varrição, Kassab reduz coleta de lixo. Em ambos os casos, um comum denominador: a oposição entre as afirmações demo-tucanas e a realidade. LF

André Vicente/Folha Imagem
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Rua no Bom Retiro continua com sujeira acumulada

Aline Mazzo, Bruno Ribeiro e Gilberto Yoshinaga do Agora

Três das cinco ruas mostradas pelo Vigilante Agora do último domingo, que revelou que só 37% das varrições programadas pela prefeitura realmente ocorrem, continuavam sujas ontem. Apenas as ruas Maria Paula (região central) e Darzan (zona oeste) estavam mais limpas do que na última sexta.

Já as ruas Anhaia, Doutor Falcão Filho e Capitão Mor Jerônimo Leitão, todas no centro, concentravam a mesma quantidade de lixo na via.

Os contratos da prefeitura com as empresas de varrição estão no alvo de diversos órgãos de fiscalização. A oposição ao governo na Câmara Municipal disse que vai apresentar hoje um requerimento pedindo instauração de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para avaliar esses contratos. Atualmente, três CPIs estão em andamento na Câmara de São Paulo.

O vereador Donato (PT) disse que deve ter, já amanhã, as 19 assinaturas necessárias para apresentar o pedido. Se conseguir, o pedido terá de ser votado em plenário e aprovado por 28 vereadores. O líder do governo, José Police Neto (PSDB), não comentou a possível CPI.

Já o Ministério Público Estadual disse que vai analisar se os contratos estão sendo cumpridos e que, daqui a pelo menos três dias, um promotor cuidará do caso.

A Corregedoria do Tribunal de Contas do Município afirmou que já há um procedimento investigativo aberto nas subprefeituras da Lapa, de Pinheiros, do Butantã e da Sé.

15/09/2009 - 08:38h Cidade suja: Após varrição, Kassab reduz coleta de lixo


Prefeitura de SP avisou concessionárias que cortará 10% das verbas para o serviço; empresas dizem que trabalho será afetado

Com o corte no repasse para as empresas de coleta, a prefeitura deve economizar algo em torno de R$ 18 milhões até o fim do ano

Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem

Lixo acumulado em calçada no Jardim Europa, zona oeste de São Paulo; prefeitura reduzirá repasse de verbas para a coleta de lixo

CONRADO CORSALETTE E EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Depois da varrição de ruas e do recolhimento de entulhos, agora é a coleta de lixo que sofrerá cortes em São Paulo.
Em reunião realizada na sexta passada com as duas concessionárias responsáveis pelo trabalho (Loga e Ecourbis), o secretário municipal de Serviços, Alexandre de Moraes, comunicou a redução de 10% no repasse de verbas para a área a partir do final do mês.
De acordo com relatos feitos à Folha por pessoas que participaram do encontro, Moraes justificou o corte dizendo que a prefeitura passa por sérios problemas de arrecadação. Ele pediu, então, que as concessionárias fizessem uma “readequação” do plano de coleta de lixo.
Empresários dizem que a redução dos serviços é inevitável.
A assessoria de imprensa do prefeito Gilberto Kassab (DEM) confirma a reunião de sexta e diz que ela integra uma série de encontros que o secretário tem realizado a fim de “adaptar os trabalhos de forma que eles caibam na verba de R$ 903 milhões” a ser destinada à limpeza urbana neste ano.
Os assessores do prefeito disseram ainda que “não dá para falar exatamente em 10% de redução” e que “haverá um replanejamento do trabalho para que a sua qualidade não caia”.
Os R$ 903 milhões citados se referem à mesma quantia que Kassab gastou no ano passado com o setor de limpeza urbana.
Até agora, no entanto, a intenção de desembolsar esse valor está apenas no discurso oficial. Os recursos do Orçamento reservados para limpeza, que inclui varrição, coleta, reciclagem, retirada de entulho, são de apenas R$ 765,6 milhões. O prefeito, portanto, terá de tirar verbas de outras áreas para dar conta dos gastos prometidos.

Discurso e prática
No dia 13 de agosto, a Folha revelou que Kassab havia determinado o corte de 20% nos contratos de varrição. Na sequência, o sindicato dos garis divulgou que pelo menos 1.600 varredores de rua seriam demitidos por causa da medida.
Na terça-feira da semana passada, uma chuva forte inundou ruas e expôs a sujeira da cidade, que ajudou a entupir bueiros e agravar a enchente.
A fim de evitar mais desgaste, Kassab afirmou, então, que não reduziria os gastos com limpeza em relação ao pago no ano passado. Prometeu incrementar a verba da área tirando dinheiro de “grandes obras”, sem dizer quais.
Na mesma sexta-feira em que o prefeito se comprometia publicamente a não reduzir os gastos do setor, seu secretário comunicava, numa reunião privada, o corte de 10% para as concessionárias de lixo.
Juntas, as duas concessionárias recebem atualmente cerca de R$ 46 milhões por mês para realizar a coleta. Com o corte no repasse, a prefeitura deve economizar algo em torno de R$ 18 milhões até o fim do ano.
Os contratos do lixo foram fechados em 2004, último ano da gestão Marta Suplicy (PT). Na época, foram criticados pela oposição em razão da longa duração: 20 anos. O sucessor da petista no cargo, o hoje governador José Serra (PSDB), tentou cancelar o acordo por meio de ação judicial, sem sucesso.
Kassab, ao assumir a cidade, mudou os termos dos contratos. O prefeito passou a pagar uma quantia menor para as concessionárias. Em troca, adiou os investimentos que elas teriam de fazer no setor.

11/09/2009 - 09:56h SP não mapeia áreas de risco desde 2003

Levantamento é o principal instrumento da prefeitura para planejar obras e evitar soterramentos como o que matou 2 garotos na terça

Em favela na zona leste, parte do barranco que não recebeu contenção deslizou e quase desmoronou sobre casa onde moram 7 pessoas

Leonardo Wen/Folha Imagem
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Débora Avelar junto a área desmoronada no fundo de sua casa, na favela do Bueru (Penha, zona leste de São Paulo)

 

CONRADO CORSALETTE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A Prefeitura de São Paulo não mapeia as áreas de risco desde 2003. O levantamento é o principal instrumento para o planejamento de obras de contingência a fim de evitar tragédias em dia de chuva forte.
Sem dados consolidados para priorizar investimentos, a administração municipal acaba intervindo só pontualmente em novas áreas invadidas, como aquela onde dois garotos morreram soterrados durante o temporal de terça passada.
A Promotoria de Habitação e Urbanismo, que exigiu da prefeitura a elaboração do levantamento de seis anos atrás, considera “um problema grave” a inexistência de um novo mapa, já que invasões e formação de novas favelas são constantes.
Em 2003, a prefeitura identificou 522 áreas de risco. Havia 27,5 mil moradias ameaçadas, sendo 42% em locais de risco considerado alto ou muito alto.
Os pontos foram localizados, na época, em 192 favelas. A prefeitura vai iniciar em breve novo mapeamento, desta vez mais amplo (leia texto nesta página). Segundo dados de 2008, o município possui 1.565 favelas.
Ex-diretor do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), o geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos diz que “mais grave” é o fato de muitas obras não terem sido feitas ainda, apesar de a prefeitura saber que elas são necessárias desde 2003.
A gestão Gilberto Kassab (DEM) gastou até o final de agosto só 21% dos R$ 29 milhões reservados no Orçamento deste ano para “contenção em áreas de risco”. O volume de gastos para remoção e reacomodação de famílias é maior: 65% de R$ 38 milhões orçados.

Susto

Na noite de terça, a dona de casa Débora Avelar, 48, ouviu um estrondo que julgou ser um trovão. Saiu para conferir e tomou um susto: a terra da encosta de quase dez metros nos fundos de sua casa descia para seu quintal. Havia uma árvore pendurada por parte da raiz. Um barraco de alvenaria construído na parte de cima da encosta também parecia pendurado, só que por finas vigas de concreto.
A chuva passou. Apesar do susto, a dona de casa, sua filha e seus cinco netos não se feriram. Estão orientados pela Defesa Civil a deixar o imóvel.
A família mora na rua Paratigi, numa favela da Penha, zona leste. O local foi mapeado e rotulado pela prefeitura como área de risco seis anos atrás.
Ainda na gestão da petista Marta Suplicy (2001-2004), as obras na rua foram classificadas como “demanda prioritária”, mas nada saiu do papel.
Só em 2008 a prefeitura começou a concretar a encosta, mas não terminou a obra. A parte do barranco que não recebeu a contenção foi justamente a que quase desmoronou sobre a casa de Débora.
“Vieram na véspera da eleição e consertaram metade”, reclama o aposentado Orlando Pandori, 75, vizinho de Débora, referindo-se ao período em que Kassab disputou a reeleição.
Um dos responsáveis pelo mapeamento de 2003, o geólogo do IPT Eduardo Macedo diz que na Europa, por exemplo, o mapeamento de áreas de risco são anuais e as obras, constantes. Ele diz que, no caso de São Paulo, não adianta mapear todo ano, pois o poder público tem limitações de verba para obras.
Para Macedo, a prefeitura vem “atacando as regiões prioritárias”. Ele diz que, apesar da defasagem de dados, a Defesa Civil atua em áreas não cadastradas a fim de evitar tragédias.
Para Rodrigues dos Santos, a solução só virá quando a prefeitura inibir invasões. “É preciso parar de trabalhar só depois, sob a ótica de Defesa Civil”, diz.

Morte de irmãos foi em local sem mapeamento

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A encosta na Cidade AE Carvalho (zona leste) onde morreram na terça dois irmão de três e oito anos não está no mapa de áreas de risco da Defesa Civil da Subprefeitura de Itaquera.
Mas André Pereira de Melo, 30, e Marizete Barbosa, 27, dizem que o risco de deslizamentos existe há cinco anos, quando uma queda da encosta destruiu a casa que construíam.
Segundo a Subprefeitura de Itaquera, o descarte de entulho no local provocou o acidente de terça.

outro lado

Prefeitura diz monitorar áreas não mapeadas

DA REPORTAGEM LOCAL

A Prefeitura de São Paulo afirma que, apesar de contar com um mapa desatualizado, monitora as regiões que não constam do levantamento de 2003.
A gestão Kassab diz que irá realizar um novo mapeamento neste ano, desta vez mais abrangente.
Assim como no primeiro mapeamento, os responsáveis pelo trabalho serão geólogos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), órgão ligado ao governo estadual.
A assessoria do prefeito afirma que, neste ano, 6.200 famílias foram beneficiadas com obras de contenção. Esse número chega a cerca de 18.700 famílias se contadas as obras a partir de 2005, segundo os assessores.
A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras diz ter em andamento 19 novas obras para conter desmoronamentos. Outras 12 obras estão em fase de licitação, afirma a pasta.
“Cada subprefeitura conta com um Grupo de Monitoramento de Áreas de Risco, composto por coordenador de Defesa Civil, agente vistor, assistente social e engenheiro”, diz nota oficial da secretaria.
“Além disso, durante os períodos de chuvas ou em situações de emergência, recomenda-se que não somente o grupo mas toda a equipe técnica da subprefeitura esteja voltada para os atendimentos necessários”, acrescenta a nota.
Sobre a obra inacabada na rua Paratigi, a secretaria diz que realizou o possível “com as dotações orçamentárias disponíveis”.
A pasta informou que “já existem tratativas” para complementar as obras de contenção da encosta.
O custo estimado para isso, informa a secretaria, é de cerca de R$ 600 mil.

 Por memória

Editorial do Estadão 24 dezembro 2008

(…) A Defesa Civil tem plano para retirar moradores de áreas de alto risco de desabamento quando chover 60 milímetros por três dias consecutivos numa mesma região da cidade. É o alerta máximo para se colocar em prática o plano emergencial de evacuação. No entanto, o mapa de riscos, com áreas sujeitas a enchentes ou desabamentos, em períodos de chuvas na capital, é de 2003 – portanto, é preciso atualizá-lo.

Pelo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) cerca de 5.500 famílias moram em 562 pontos de risco, em encostas e margens de córregos. Desse total, 315 pontos são considerados de muito alto e alto riscos. Nas áreas mais perigosas há cerca de 11.500 moradias, onde habitam 57.500 pessoas. Considerando-se, porém, que os locais de risco com o correr do tempo vão se tornando ainda mais arriscados, é preciso que se faça, a respeito, uma rigorosa atualização de dados.

Segundo o coordenador de áreas de risco da Secretaria das Subprefeituras, Marcel Sanches, a Secretaria estima que metade dos 562 pontos de risco foi eliminada nos últimos quatro anos porque a administração municipal investiu R$ 28,5 milhões em intervenções, realizando – até 31 de outubro – 57 obras, das 108 previstas, beneficiando 6.200 famílias. Seria importante, no entanto, a Secretaria dar pormenores sobre a situação dos pontos de risco que continuam perigosos. Em se tratando de segurança para vidas humanas, a informação precisa é absolutamente essencial.” (…)

 Jornal AGORA 10 de fevereiro 2009

Áreas de risco serão mapeadas só após as chuvas

Adriana Ferraz do Agora

A Prefeitura de São Paulo vai fazer um levantamento das áreas de risco da cidade no período pós-chuva. O edital para a contratação de uma nova análise só será lançado em março e, por isso, os resultados poderão ser usados apenas no verão de 2010.

A falta de planejamento vai impedir, por mais um ano, que o período crítico seja trabalhado com dados mais atualizados. Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da própria prefeitura, o primeiro trimestre acumula 42% das chuvas registradas em um ano.

A previsão do tempo para esta semana confirma a necessidade de um trabalho direcionado para evitar tragédias em temporais.

“Amanhã [hoje], por exemplo, vai chover o dia inteiro, mas mesmo sem pancadas fortes é possível que aconteçam inundações, por conta do volume d’água”, afirmou o meteorologista da CGE Michael Rossini Pantera.
De acordo com a previsão do CGE, fevereiro deste ano deve superar a média histórica de 217 mm -cada milímetro representa um litro de água no espaço de um metro². Nos nove primeiros dias deste mês, já choveu o equivalente a 34% do esperado.

Mapeamento de 2003
A última pesquisa contratada pelo município para áreas de risco é de 2003, ainda na gestão Marta Suplicy. Na época, 57.500 pessoas viviam em 562 pontos que foram considerados perigosos por estarem próximos a encostas e margens de córregos. Quase a metade oferecia risco alto ou muito alto.

“De lá pra cá, solucionamos praticamente 70%. Sabemos, porém, que a cidade é dinâmica, que cresce com rapidez e, por isso, estamos contratando uma atualização”, disse o chefe-de-gabinete da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, Lacir Baldusco.

O atraso no planejamento é justificado por um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado com o Ministério Público Estadual, em 2005. “O estudo estava previsto, mas foi estabelecido que a prefeitura fizesse outros serviços, como limpeza de boca de lobo e drenagem, por exemplo. Só no ano passado, investimos R$ 100 milhões em obras de intervenção.”

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) assegurou que está tomando as providências para atender a população no período de chuvas. Disse que a prefeitura tem planos específicos para regiões prioritárias.

“Já fizemos bastante coisa nos primeiros quatro anos e continuaremos fazendo. Choveu muito na região [referindo-se a Americanópolis, onde uma mulher morreu afogada dentro de casa no último sábado], que já é complicada. Já melhorou, mas precisa melhorar ainda mais”, disse.

O programa de ações refere-se às mesmas obras citadas por Baldusco. Kassab não comentou a defasagem no mapeamento das áreas de risco de deslizamento.

A secretaria promete que, além de investir no estudo novo de encostas, pesquisará também as áreas de inundação.

11/09/2009 - 09:41h Kassab só gastou 6% do previsto para combater enchentes

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Bruno Ribeiro do Agora

A Prefeitura de São Paulo tinha reservado cerca de R$ 27,7 milhões neste ano para fazer obras classificadas como “emergenciais” para combate às enchentes. Mas só gastou R$ 1,7 milhão até o fim do primeiro semestre. O valor gasto equivale a 6% da grana separada no Orçamento. Na terça-feira, a capital parou com mais de cem pontos de alagamento.

Até o dia 31 de junho, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras empenhou (disponibilizou para serem gastos) R$ 18 milhões do dinheiro reservado, segundo o relatório de execuções orçamentárias, disponível na internet, que mostra como a prefeitura aplica seu dinheiro.

A prefeitura só utilizou até agora R$ 1,7 milhão. O restante tem de ser liberado com rapidez, uma vez que a temporada de chuvas começa em menos de dois meses.

A secretaria respondeu com valores diferentes dos que estão no relatório e disse que as obras seriam em regiões como Ipiranga e Aclimação, entre outros.

Fora isso, a mesma secretaria tinha uma verba de R$ 87 mil só para cuidar da limpeza de canais e galerias que recebem as águas das chuvas. Mas não usou um centavo sequer desse recurso.

O relatório mostra ainda que as subprefeituras também estão gastando menos do que o previsto para cuidar dos córregos e canais da cidade. A reportagem checou os gastos das 31 subprefeituras da cidade e verificou que, no Orçamento da cidade, estavam reservados R$ 115,4 milhões para fazer esse serviço. Mas as unidades, até junho, só tinham gasto menos de um terço desse dinheiro, R$ 34 milhões. Assim como no caso das obras, R$ 86 milhões da grana já está empenhada.

A limpeza dos córregos é tão importante para a prevenção de alagamentos quanto a coleta de lixo e varrição de ruas, assuntos que estão no centro das discussões sobre as enchentes que pararam a cidade na última terça-feira.

A subprefeitura que menos investiu na limpeza dos córregos foi a do M’Boi Mirim (zona sul de SP). A prefeitura previu gastar quase R$ 7 milhões nesse serviço no Orçamento. Já empenhou R$ 3,8 milhões, mas só gastou R$ 354 mil no primeiro semestre. A de São Mateus (zona leste de SP) está no outro oposto. Já usouR$ 3,2 milhões dos R$ 6,6 milhões que previa gastar neste ano. Quase toda a grana do ano reservada para a limpeza dos córregos já estava empenhada até o final de junho.

Varrição

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem que está analisando como a varrição das ruas e a coleta de lixo da cidade estão sendo feitas e comentou que haverá punição se houver irregularidades.

Ele voltou a dizer que não vê problemas no serviços e, ao ser questionado, não informou quantas multas foram aplicadas nas empresas. Os garis prometem greve na quarta-feira.

11/09/2009 - 09:13h Corte na varrição afeta mais bairros nobres, Zona Leste e Centro de SP

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Empresa que atende as subprefeituras da Lapa,de Pinheiros e do Butantã demitiu 45% de seus garis após Prefeitura reduzir em 20% os gastos com a varrição de lixo nas ruas. No total, são 15 distritos, em uma área de 103 km2

Cristiane Bomfim – Jornal da Tarde

As subprefeituras de Pinheiros, da Lapa e do Butantã foram as mais prejudicadas pela redução em 20% no orçamento de varrição das vias públicas, anunciada no mês passado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Bairros nobres da capital, como Itaim Bibi, Jardim Paulista, Lapa, Perdizes, Vila Leopoldina e Morumbi, perderam 450 dos 1.000 garis responsáveis pela limpeza das ruas. Os trabalhadores demitidos eram contratados da terceirizada Delta Construções. As três subprefeituras são responsáveis por 15 distritos, que ocupam área total de 103,5 quilômetros quadrados, com população de 916.843 habitantes, segundo dados da Prefeitura de São Paulo.

Levantamento realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Prestação de Serviços em Limpeza Pública (Siemaco) a pedido do Jornal da Tarde mostra que, até o início de agosto, as cinco empresas contratadas pela Prefeitura para a varrição de ruas empregavam 8.153 pessoas. Destas, 2.219 já foram demitidas. A segunda região mais prejudicada é a zona leste, que agora possui 1.110 garis, ante 1.800 no início de semestre, uma redução de 38,3% nos quadros.

“Acabei de ser comunicado que serei dispensado e que tenho de cumprir o aviso prévio. Se antes os garis já não davam conta de manter a cidade limpa, imagina agora”, afirmou ontem um trabalhador da Unileste, empresa responsável pela zona leste. A região possui extensão de 326,8 quilômetros quadrados.

A limpeza da região central da cidade que era realizada por 1.600 pessoas, hoje conta com 1.272 garis. A diminuição de 20,5% no efetivo é facilmente percebida por quem anda pela região da Rua 25 de Março. “Está cada vez pior, estamos ajudando os garis porque eles não dão conta. Antes as equipes passavam varrendo pelo menos dez vezes durante o dia. Hoje, eles passaram apenas duas vezes, e quando acabam de limpar já está tudo sujo de novo”, conta o ambulante Milton César Alves, de 40 anos. Os garis confirmam os relatos, mas pedem para não ser identificados. “Estou mais cansado porque tenho de fazer o mesmo trabalho que antes era feito por seis, sete pessoas. E aí a limpeza fica daquele jeito. A gente faz o que dá e isso é pouco para a rua mais movimentada da cidade”, afirmou um deles.

Para o presidente do Siemaco, José Moacyr Malvino Pereira, a situação de limpeza na cidade deve piorar. “A tendência é que as subprefeituras reduzam a demanda de serviço e priorizem áreas centrais e de maior movimento”, diz. Isso porque, segundo ele, as empresas não podem aumentar a jornada de trabalho dos garis ou ampliar a área que cada um tem de cobrir. A categoria ameaça entrar em greve na próxima semana caso as empresas não voltem atrás nas demissões. Segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o plano de varrição está sendo refeito, sem prazo para a conclusão. A pasta não disse como será essa reformulação.

As empresas que prestam serviço de varrição na cidade – Unileste, Construfert Ambiental, Qualix Serviços Ambientais, Delta Construções e Paulitec Construções – disseram que pronunciamentos são feitos pelo Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (Selur). O último levantamento do Selur diverge do fornecido pelo Siemaco. Segundo o presidente da entidade, Ariovaldo Caodaglio, foram 2.680 demissões em um quadro de 9.100 trabalhadores.

11/09/2009 - 08:58h Quem mente? Kassab ou os jornais? Diferença é de quase R$ 200 milhões

“Para este ano, o Orçamento para os serviços de lixo diminuiu para R$ 765 milhões. Alem disso, 20% dos recursos para varrição, R$ 54 milhões, sofreram contingenciamento”. Jornal O Estado de São Paulo.

 

“Orçamento de R$ 903 milhões é suficiente” Gilberto Kassab

 

Tabela do Jornal da Tarde (clique na imagem para ampliar)
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Kassab volta a dizer que recursos são suficientes

Cristiane Bomfim – Jornal da Tarde

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) voltou a afirmar ontem que o orçamento de R$ 903 milhões para toda a área do lixo, o que inclui varrição e coleta, “é mais do que suficiente” para que as empresas contratadas pela administração municipal prestem “um serviço de boa qualidade”. Ele, no entanto, não soube dizer qual a previsão de gasto somente para varrição neste ano. O corte nos gastos para esse serviço, anunciado em agosto, foi de R$ 54 milhões.

Kassab confirmou que as subprefeituras estão fazendo um programa de adequação no corte do orçamento, mas negou que isso prejudique os serviços prestados na cidade. “R$ 903 milhões são suficientes”, repetiu o prefeito, ao ser questionado de como será a reestruturação.

Entre as repetições “R$ 903 milhões é um volume razoável para uma área é importante”, o chefe do Executivo afirmou sentir “estranheza” no fato de “algumas pessoas não tenham a percepção de que a questão não é o recurso. A questão é se o modelo de contrato é correto”. Ao ser questionado se achava correto o modelo de contratação das empresas, Kassab disse que achava que “pode ser (correto), mas existe uma ação na Justiça pedindo a anulação destes contratos por parte da Prefeitura”. “O que não podemos é aceitar pagar mais recursos por uma área que é importante, mas tem um volume razoável de recursos: R$ 903 milhões”, disse, de novo. Kassab afirmou ainda que a responsabilidade pelas demissões de garis é das empresas contratadas pela Prefeitura para a realização do serviço.