06/10/2009 - 10:54h País crescerá até 7% em 2010, prevê FGV

Para Ibre, economia retoma “exuberância” do período pré-crise; mercado volta a estimar expansão em 2009

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DA REDAÇÃO FOLHA SP

O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no ano que vem deve variar de 4,5% a 7%, de acordo com projeção do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Segundo análise da instituição, uma alta de 7% resultaria de uma recuperação em forma de V, “na qual a intensidade da retomada é equivalente à da contração ocorrida na virada de 2008 para 2009″. “O crescimento de 7% [do PIB] não é, de forma alguma, inconcebível.”
A Carta do Ibre aponta que a economia brasileira está retomando a “exuberância” do nível de atividade pré-crise.
A expansão mais consistente em 2010, porém, poderá trazer o maior desafio ao Banco Central desde a implementação do regime de metas de inflação, em 1999.
Na análise do Ibre, se a economia caminhar no ano que vem para uma taxa de crescimento próxima de 7%, o BC “enfrentará a situação desconfortável de ter que puxar o freio da política monetária em plena campanha eleitoral”. Já o cenário de 4,5% seria de mais tranquilidade para o BC, que poderia, sem o fantasma da pressão inflacionária, manter a taxa básica de juros em 8,75% ao ano.
Entre os fatores que devem estimular a economia em 2010, está o aumento do salário mínimo. Pelas regras atuais, o reajuste deve ser feito pela taxa de inflação do ano mais a taxa de crescimento do PIB verificada dois anos antes, o que elevaria o mínimo para R$ 505,90.

Mercado
Pela primeira vez desde o fim de março, economistas consultados pelo BC esperam uma variação positiva do PIB em 2009. Segundo a pesquisa Focus da última semana, a projeção é de crescimento de 0,01%.
Na semana anterior, a previsão era de variação zero do PIB. Desde março, porém, o mercado vinha prevendo retração na economia.
Em relação à taxa Selic, a previsão para 2010 foi aumentada pela segunda semana seguida, passando de 9,50% ao ano para 9,75%. Para 2009, continuou nos atuais 8,75%.
A projeção para o IPCA chegou a 4,31% para este ano.
Com a Folha Online

18/03/2009 - 16:02h Estados pedem revisão de dívidas com a União

Com o fim iminente do subsídio federal, pelo menos 13 das 27 unidades da Federação já discutem meios de realizar repactuação dos contratos

O Estado SP

De olho na queda dos juros prevista para os próximos meses, governadores e prefeitos decidiram que vão cobrar do governo federal uma nova renegociação das dívidas dos Estados e dos municípios com a União. Em pelo menos 13 das 27 unidades da federação, já estão sendo discutidos meios de se realizar essa repactuação, como a ocorrida em 1997.

“Não tem cabimento agora Estados e municípios pagarem juros maiores do que aquele que passou a prevalecer”, afirmou o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Ele se referia à possibilidade de que, pela primeira vez em mais de 10 anos, os juros cobrados dos Estados deixarem de ser subsidiados, ou seja, inferiores à taxa Selic. Para o governador paulista, a taxa básica de juros precisa cair ainda mais e essa discussão sobre as dívidas públicas terá de acontecer.

“Esse é um problema que ou já apareceu ou vai aparecer, na medida em que os juros declinam”, declarou Serra. “E quero dizer que é necessário que os juros declinem para que a economia brasileira não continue nesse mergulho para baixo.”

Hoje, o custo da dívida renegociada é de 6% ao ano mais correção pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI), a inflação medida pela Fundação Getúlio Vargas. Se a Selic (taxa básica de juros da economia) ficar abaixo de 6% ao ano, em termos reais (descontada a inflação), os governos estaduais e municipais estarão subsidiando a União – ou seja, o custo das dívidas renegociadas será maior do que o Tesouro Nacional paga para captar dinheiro no mercado.

O prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM), também defende a flexibilização da dívida. Com um gasto mensal de mais de R$ 200 milhões para honrar essa dívida, Kassab afirmou ontem em Brasília que tem o “maior interesse em encontrar um caminho para atenuar um pagamento tão pesado” – o que não aconteceria com a mudança dos juros, mas com a alteração na parcela da receita líquida atualmente destinada ao pagamento da dívida (13%).

O prefeito, porém, diz ser contra qualquer alteração na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para que essa renegociação seja efetivada. “É fundamental para o País que essa fique como está. Ela veio para ficar”, disse Kassab.

É que, para fazer uma nova renegociação das dívidas, o governo teria de propor uma mudança da LRF, pois seu artigo 35 proíbe a realização de operação de crédito entre um ente e outro da Federação, “ainda que sob a forma de novação (uma nova dívida para substituir a anterior), refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente”.

O governo da Bahia tem mesma posição. O secretário estadual da Fazenda, Carlos Martins, afirma que o governador Jaques Wagner (PT) é favorável à renegociação dos contratos, “mas sem rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal”.

INVESTIMENTOS

Em São Paulo, na Bahia e em Mato Grosso, os governos defendem redução das parcelas mensais de pagamento da dívida. O secretário da Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo, explica que o Estado já aderiu ao movimento liderado pelo Mato Grosso de pedir a renegociação das dívidas, desde que haja comprometimento de que os recursos que deixarem de ser pagos à União sejam usados em investimentos em infraestrutura, para atenuar os efeitos da crise.

“Em vez de pagar juros altíssimos à União, poderíamos ter esses recursos circulando na economia real, para garantir a perenidade dos empregos e gerar novos postos de trabalho”, afirma Eder Moraes, secretário da Fazenda do Mato Grosso.

Outros Estados que confirmaram que defenderão uma nova renegociação das dívidas são Acre, Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), se declararam indecisos.

CONTRAPROPOSTA

O coordenador do Grupo dos Gestores Financeiros (Gefin), órgão auxiliar do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), Cesar Ferreira, disse ontem que até sexta-feira apresentará aos secretários de Fazenda dos Estados uma minuta, em que são propostas algumas alterações no trato das dívidas com a União. Entre as propostas está uma reivindicação antiga, que é a mudança do indexador do IGP-DI para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA).
ADELSON BARBOSA DOS SANTOS, ANDREA VIALLI, EDUARDO KATTAH, ELDER OGLIARI, EUGÊNIA LOPES, EVANDRO FADEL, JOÃO NAVES, JÚLIO CASTRO, LUCIANO COELHO, RICARDO BRANDT, RICARDO RODRIGUES, WILSON LIMA,
SILVIA AMORIM e TIAGO DÉCIMO


RJ e ES são contra proposta

Wilson tosta – O Estado SP

Os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, ambos do PMDB, declaram-se contrários à ideia de renegociar os contratos das dívidas dos Estados com a União. “Acho extremamente delicado abrir uma discussão dessas em um momento em que o País acabou de receber completamente os efeitos da crise internacional, com efeitos no mercado de trabalho em dezembro e agora com os números do PIB, com queda de receitas da União, dos Estados e dos municípios”, avaliou Hartung. “Em uma hora dessas, não ajuda o País.”

Para o governador capixaba, no momento, “os entes federados devem cortar custeio, controlar despesas e ver o que é possível investir, sobretudo em setores que gerem maciçamente empregos”.

Cabral propõe alternativas para o momento. “Talvez, no curto prazo, o mais importante seja o Ministério da Fazenda dar mais espaço de endividamento sempre que os limites estejam abaixo do teto da Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso pode ter um efeito maior do que abrir uma grande discussão”, afirmou. “No curto prazo, o teto de 13% (da receita, para pagamento da dívida) protege os Estados, e se o real não se depreciar mais, o IGP-DI mais 6% ainda se compara com o custo de financiamento da União”, diz Cabral.

12/03/2009 - 09:23h Aumento de dose

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Celso Ming – O Estado SP

O ex-ministro Delfim Netto vai ter agora de encomendar uma missa ecumênica. Foi o que ele prometeu publicamente caso o Banco Central (BC) tesourasse os juros básicos em 1,5 ponto porcentual, o que ontem aconteceu.

É verdade que, nas últimas semanas, cresceu o cordão dos analistas que apostavam em cortes de até 2 pontos porcentuais. Mas o BC não é de tacadas assim.

Essa dose do corte, de 1,5 ponto, já reflete uma inusitada agressividade da autoridade monetária, o que não deixa de ser surpreendente para quem acompanha a posição, sempre tão conservadora, da atual direção. Surpreendeu até mesmo Delfim, experiente operador e observador da política econômica brasileira.

O BC foi surpreendente porque também a violência da crise atropelou as previsões dos seus diretores, que vinham fazendo dueto com o presidente Lula no samba da marolinha. Se não tivesse sido surpreendido, o BC teria se dado ao trabalho de administrar as expectativas dos agentes econômicos de maneira a que contassem previamente com o corte mais drástico.

O conteúdo do comunicado divulgado logo após a reunião parece passar a mensagem de que o tratamento de choque monetário (ou quase isso) ontem adotado se justifica porque a crise desembarcou no País mais braba do que o esperado, fator que deverá segurar o consumo interno e, assim, atrofiar no ovo a inflação que poderia tomar corpo.

Mas o que mais importa agora é olhar para a frente. Esta é uma questão que ficou especialmente importante por duas razões. Primeira, porque esta diretoria do BC não é de trabalhar aos solavancos. Sempre preferiu seguir mais devagar para poder ir mais longe. Significaria isso que está disposta a manter cortes de 1,5 ponto porcentual por vez, em mais uma ou duas reuniões do Copom? Aparentemente, não.

Em segundo lugar, não está tão claro que a inflação esteja sendo empurrada para dentro da meta, como parece indicar a atual curva de juros do mercado.

Tal como aferido pelo levantamento semanal do BC (Pesquisa Focus), o mercado espera para este ano uma inflação de 4,57%, ainda acima da meta. Além disso, os números do IPCA de fevereiro ontem divulgados pelo IBGE mostram que o avanço do custo de vida continua desproporcionalmente elevado: de 0,55% no mês e de 5,90% em 12 meses. Essas considerações sugerem que o contra-ataque à alta de preços teria de ser retomado.

O comunicado do Copom deixa claro que o impacto da crise global sobre a economia brasileira está sendo muito maior do que o anteriormente calculado pelo próprio BC.

Pode-se deduzir que o estancamento do crédito externo a partir da quebra do Lehman Brothers, em setembro (e isso não ficou explícito no comunicado), prejudicou o crédito interno, um dos conduítes da política de juros do BC. Assim, deve ter ficado mais importante reforçar a oferta de moeda na economia de modo a compensar a perda de eficácia da política de juros.

O próprio BC deixou claro que não se deve esperar por novos cortes automáticos dos juros básicos nas proporções ontem determinadas. O que vier depende do comportamento futuro da economia e do efeito da expansão monetária iniciada em janeiro.

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28/01/2009 - 11:15h Carga tributária da União cai, a dos Estados e Municípios sobe

Com a crise, carga federal pode cair a 24,31% do PIB

 

Marcelo Rehder – O Estado SP

 


A crise financeira mundial pode ter levado a um recuo inédito na carga tributária representada pelos impostos e contribuições federais. Segundo estimativas do consultor na área fiscal Amir Khair, a arrecadação federal teria atingido 24,31% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que representa queda de 0,05 ponto porcentual em relação aos 24,36% em 2007.

O cálculo leva em conta uma expansão de 5,5% na soma de todas as riquezas produzidas no País, estimada em R$ 2,946 trilhões. Se isso se confirmar, será a primeira vez que a carga tributária da União diminui na série histórica iniciada em 2003, da Secretaria da Receita Federal.

“Houve uma degringolada na arrecadação”, disse o consultor, referindo-se à queda de 6,7% ocorrida nos dois últimos meses de 2008. Parte dessa retração, ele atribui às bondades fiscais promovidas pelo governo, mas o que teria pesado mesmo foi a desaceleração da atividade econômica, devido ao aprofundamento da crise internacional.

Para Khair, a queda na arrecadação reflete não apenas o efeito direto da desaceleração dos negócios, mas também o aumento da inadimplência das empresas. “Quando estão apertadas financeiramente, a primeira coisa que as empresas cortam é o pagamento de tributos”, diz o consultor. “Não existe dados estatísticos, mas todo mundo que trabalha na arrecadação sabe desse efeito.”

Apesar da queda prevista na esfera federal, Khair estima um aumento na carga tributária total, que inclui a arrecadação de Estados e municípios. Pelos seus cálculos, a carga teria atingido 35,15% do PIB, ante 34,79% em 2007. Para esse aumento, os Estados contribuiriam com 0,37 ponto porcentual e os municípios, com 0,04 ponto. Já a contribuição do governo federal, teria sido negativa, de 0,04 ponto. A soma não é exata, porque os números são arredondados.

O crescimento da arrecadação estadual se deve à substituição tributária que tem sido adotada cada vez mais pelos Estados em relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).Por este regime, os Estados passam a concentrar a cobrança do ICMS na saída da indústria, que reúne um número muito menor de empresas que o atacado e o varejo, o que facilita a fiscalização e diminui a sonegação de impostos.

De janeiro a novembro, o ICMS, principal fonte de arrecadação dos governos estaduais e maior tributo do País, cresceu 12,7% acima da inflação medida pelo IPCA, superando o crescimento ocorrido no conjunto das receitas da União no mesmo período (9,2%).

19/12/2008 - 10:00h Em janeiro, juro vai cair

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Banco Central reduzirá taxa básica para combater a desaceleração econômica brasileira

Vicente Nunes – Correio Braziliense

A taxa básica de juros (Selic) deverá cair 0,5 ponto percentual em janeiro próximo, dos atuais 13,75% para 13,25% ao ano, como contribuição do Banco Central para minimizar os impactos da crise financeira internacional na economia brasileira. Foi essa a conclusão da maioria dos analistas depois da leitura da ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual os juros permaneceram inalterados. Divulgado ontem, o documento mostrou que no BC já vê a inflação de 2009 convergindo para o centro da meta, de 4,5%, em meio a um quadro que combina consumo em queda, produção industrial menor, desemprego em alta e crédito ainda restrito. “Somente um fato muito sério fará com que o Copom não corte os juros no mês que vem”, disse Flávio Serrano, economista-sênior do Banco BES Investimento.

A tendência, segundo Serrano, é de que o Copom promova três reduções consecutivas da Selic em 2009, sendo duas de 0,5 ponto e uma de 0,25. “A partir daí, os juros ficarão estacionados em 12,5%, permitindo ao BC uma visão mais clara da atividade econômica. Se realmente constatar que a desaceleração será forte, inviabilizando por completo o repasse da alta do dólar para os preços, o BC retomará o processo de corte dos juros”, acrescentou. A baixa da Selic em janeiro, segundo ele, será ditada por dados relevantes que estarão à disposição do Copom: a retração da indústria e do comércio em novembro e os indicativos de um novo tombo em dezembro. É com base nesse cenário, inclusive, que os analistas, endossados pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, falam em queda do Produto Interno Bruto (PIB) de até 1,5% no quarto trimestre do ano.

Movimento
Na avaliação do economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, em princípio, há espaço para que o Copom promova redução de até dois pontos percentuais no juros, para 11,75%, ao longo de 2009, movimento que poderá até ser acentuado se a inflação cair para um patamar abaixo de 4,5%. “O BC identificou que a economia está sofrendo dois choques, um inflacionário, outro, deflacionário”, disse. “De um lado, a significativa arrancada do dólar criou uma inflação potencial, que, em algum momento, pode ser repassada aos consumidores. De outro, a restrição do crédito fez o consumo e os investimentos desabarem. O problema é que não se sabe qual desses choques prevalecerá. Caso o choque deflacionário se sobreponha, os juros terão de cair mais”, frisou.

Para os diretores do BC, apesar da certeza de piora da economia em 2009, há muitas incertezas à frente. Por isso, mesmo com os integrantes do Copom tendo discutido a possibilidade de derrubarem a Selic em 0,25 ponto na semana passada, optou-se pela manutenção da taxa por pura cautela. No entender dos diretores do BC, criou-se um cenário mais benigno para a inflação, com o equilíbrio entre oferta e demanda, cujo descompasso vinha sendo o principal motivo para o arrocho na política monetária. Mas é preciso lembrar que a demanda interna se mantinha robusta até o terceiro trimestre, devido ao aumento da renda a da maior oferta de emprego e do crédito. Agora, com o crédito escasso, a economia será movida, basicamente, pelos rendimentos dos trabalhadores. Caso, porém, não sejam suficientes para sustentar um crescimento do PIB em um nível adequado, o estímulo adicional virá por meio dos juros, para deleite do presidente Lula.


“Não houve contradição. O fato de discutir um assunto não quer dizer que houve decisão. Não vejo como a ata poderia ser mais clara”

Henrique Meirelles, presidente do Banco Central

“Não consigo entender o que aconteceu naquela sala. A maioria dos diretores defendia o corte de juros, mas foi pulverizada pela minoria. É incompreensível”

Aloizio Mercadante, deputado federal (PT-SP)

Gasolina mais barata

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central admite a possibilidade de a Petrobras reduzir os preços da gasolina e do diesel nos próximos meses, repassando aos consumidores parte da expressiva queda da cotação do petróleo no mercado internacional. A expectativa — e a torcida — é para que os preços caiam ao longo dos primeiros seis meses de 2009, como forma de aliviar a inflação e permitir cortes seguidos na taxa básica de juros (Selic) sem grandes traumas. Os analistas estimam que a gasolina esteja 52% mais cara no Brasil do que no exterior e o diesel, 19%.

Pelas contas de Flávio Serrano, economista-sênior do Banco BES Investimento, a cada 5% de baixa nos preços da gasolina nas bombas dos postos, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para o sistema de metas do governo, encolhe 0,2 ponto percentual. “Se realmente os combustíveis ficarem mais baratos, não será surpresa se a inflação fechar o ano que vem abaixo de 4,5%, o centro da meta perseguido pelo BC”, afirmou. Pelo governo, os preços da gasolina e o diesel já teriam caído. Mas a Petrobras alegou que precisa fazer caixa nesse momento de grande escassez de crédito.

Segundo o BC, ainda que os preços da gasolina e do diesel não tenham se alterado, o impacto da retração da cotação do petróleo de quase US$ 150 para US$ 40 o barril desde junho já se faz presente na economia brasileira, por meio da indústria petroquímica (resinas plásticas, por exemplo), base para as demais cadeias produtivas. O principal insumo da petroquímica, a nafta, ficou bem mais barato, assim como o querosene de aviação e o óleo combustível que move as fábricas de muitas empresas. “É por isso que os Índices Gerais de Preços (IGPs) estão desabando, ficando próximos de zero”, afirmou Serrano.

Os consumidores, no entanto, devem se preparar para pagar 2,6% a mais pelo gás de cozinha até o fim do ano e arcar com reajuste de 3,6% nas contas de telefonia fixa. Na média, estimou o Copom, os preços administrados pelo governo (tarifas públicas e serviços como planos de saúde e medicamentos) terão reajustes médios de 3,8% neste ano e de 5,5% em 2009. (VN)
Bate-boca no Senado

Ricardo Allan
Da equipe do Correio

Sob pesado tiroteio político por causa da manutenção dos juros em níveis altos, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, protagonizou ontem um bate-boca com o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Na audiência pública trimestral para discutir a atuação do BC, o senador se mostrou inconformado com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de deixar a taxa básica de juros (Selic) inalterada em 13,75% na semana passada. Constrangido, Meirelles foi obrigado a defender veementemente a decisão. Para ele, ainda não era o momento de baixar a Selic, apesar dos nítidos indícios de forte desaceleração econômica no país.

Logo no início da sessão, Mercadante usou a ata do Copom, divulgada ontem, para basear o seu ataque. “Não consigo entender o que aconteceu naquela sala. A maioria dos diretores defendia o corte de juros, mas foi pulverizada pela minoria. É incompreensível”, disse. Na avaliação do senador, a recusa em amenizar a política monetária pode agravar a situação econômica. “Lendo a ata, fiquei ainda mais convencido de que havia espaço para uma redução dos juros em pelo menos 0,25 ponto.”

Meirelles tentou explicar. “Quando a ata diz que a maioria considerou cortar os juros já naquele momento, não diz que a maioria decidiu por isso. Houve uma discussão sobre essa possibilidade, mas se concluiu que esse não seria o movimento adequado naquele momento”, disse. Para ele, as razões para a manutenção da taxa estão “muito claras” na ata. Meirelles apelou para que os senadores não fizessem um “encontro pós-ata”, o que, a seu ver, seria “altamente inadequado” e poderia dar sinalizações indevidas ao mercado.

Mesmo com o apelo, Mercadante voltou à carga, afirmando que a manutenção dos juros altos no Brasil num momento em que os demais países do mundo estão cortando suas taxas, prejudica a competitividade dos produtos brasileiros. “Na ata, não fica claro porque os diretores mudaram de opinião”, disse. Mais uma vez, Meirelles rebateu: “Não houve contradição. O fato de discutir um assunto não quer dizer que houve decisão. Não vejo como a ata poderia ser mais clara.” Para o presidente do BC, se o órgão tivesse errado a mão ao calibrar os juros, a economia não estaria crescendo tanto e a inflação estaria abaixo da meta.

10/12/2008 - 10:47h Debater é preciso

PT rejeita legado de Lula na economia

Cristiano Romero – VALOR

Se continuar atacando a política econômica do seu próprio governo, como fez no último domingo, o Partido dos Trabalhadores (PT) ficará sem bandeira para a disputa da sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A crítica a essa política, especialmente à gestão monetária e cambial, é uma marca histórica do candidato mais cotado da oposição neste momento – José Serra (PSDB), governador de São Paulo. Serra critica o modelo de estabilização que está aí desde 1994, ano em que foi lançado o Plano Real.

Ao assumir o poder, Lula abraçou o tripé superávit primário-câmbio flutuante-metas para inflação, que dá sustentação à política econômica desde 1999, e reforçou-o. Aumentou o superávit das contas públicas e manteve a autonomia do Banco Central (BC) na condução das políticas monetária e cambial. Com isso, tirou o Brasil de uma grave crise de confiança em 2003 e o colocou numa rota de crescimento sustentado que já dura cinco anos – e que só está sendo interrompida agora graças à mais grave crise internacional em oito décadas.

Ironicamente, os ataques de dirigentes nacionais do PT à política econômica (leia-se: ao Banco Central) ocorreram três dias depois de o Datafolha revelar que o presidente Lula goza de aprovação recorde (70%) e dois dias antes do anúncio, pelo IBGE, do crescimento de 6,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, quando comparado ao mesmo período de 2007. Foi a maior alta desde o segundo trimestre de 2004.

Os números mostram que a economia vinha pisando no acelerador. A velocidade de crescimento do consumo das famílias pulou, do segundo para o terceiro trimestre, de 6,7% para 7,3%. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que revela a taxa de investimento da economia, saltou de 16,2% para 19,7%.

É importante registrar que todo esse crescimento vinha acontecendo com a inflação embicando para baixo. Depois de começar o ano em alta e de acelerar em maio e junho, quando registrou, respectivamente, altas de 0,79% e 0,74%, o IPCA, o índice de preços oficial do regime de metas, recuou justamente no portentoso terceiro trimestre do PIB – para 0,53% em julho, 0,28% em agosto e 0,26% em setembro.

Isto mostrou, mais uma vez, que o Comitê de Política de Monetária (Copom) estava certo quando decidiu elevar os juros a partir de abril. O objetivo não era abortar o crescimento de 2008, já dado, mas prevenir a inflação em 2009 e, com isso, assegurar que a economia continuasse crescendo no ano que vem, num ritmo menor, mas ainda de forma acelerada. Pelo que se viu, a gestão das expectativas conduzida pelo BC, tão incompreendida mesmo no governo, deu certo.

Em meados de setembro, o mundo entrou em crise e o Brasil foi atingido de uma maneira mais rápida qua a esperada. Em outubro e novembro, a economia entrou em pânico e, embora ainda não se saiba exatamente qual será o efeito disso sobre a atividade econômica neste e nos próximos trimestres, espera-se agora uma desaceleração brutal do crescimento.

Na reunião da corrente Construindo um Novo Brasil, o antigo Campo Majoritário rebatizado após o mensalão, que controla o PT, buscou-se um culpado para a crise. Acharam três: o PSDB, o BC – “o último bastião da ortodoxia no Brasil”, nas palavras do ex-ministro José Dirceu – e suas políticas neoliberais. Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, Dirceu defendeu a completa reformulação da política econômica. Disse que é preciso mudar a política de juros, o superávit primário e o câmbio.

Quando esteve no governo, Dirceu, registre-se, foi crucial para o que o então ministro Antonio Palocci convencesse o presidente Lula a seguir a política econômica herdada do governo do PSDB. Com o tempo, constatando os benefícios que essa política lhe trazia (ou alguém ainda tem dúvida de que foi a estabilidade que tirou Lula do atoleiro político de 2005 e o conduziu à reeleição no ano seguinte?), o presidente decidiu ser seu principal avalista e isso, claro, ajudou a estabilizar a economia.

No mercado, são poucos os que ainda duvidam do caráter pragmático de Lula. O presidente não é, definitivamente, um reformista, mas está longe de entregar os pontos na economia. Suas escolhas o fizeram perder aliados ao longo do caminho – o mais notável deles foi a ex-senadora Heloísa Helena, que deixou o PT para fundar o PSOL -, mas o aproximaram da maioria da população. Quando dispara contra a política econômica de Lula, o PT deixa sem discurso seu candidato à sucessão.

As bases do discurso de Serra para 2010 estão lançadas. Em apenas dois anos de gestão em São Paulo, o governador levantou mais de R$ 20 bilhões para investir em infra-estrutura. Está dando um banho no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da ministra Dilma Rousseff, sua possível adversária na disputa presidencial – e não por deméritos da ministra, mas porque é mesmo difícil, no plano federal, fazer investimento público dentro do atual quadro institucional.

Com sua política de investimento agressiva, Serra quer se diferenciar de Dilma como gestor eficiente, realizador de obras. Com críticas impiedosas à condução da economia, procura se distinguir de Lula na seara onde o presidente tem obtido mais sucesso e, portanto, pode transferir votos. Se o PT não defender o legado do seu próprio governo, ficará sem discurso.

Banco Central: o dia em que Lula piscou

Em seis anos de governo, o presidente Lula reiterou a autonomia do BC, mas não foi sempre que fez ouvido de mouco à artilharia contra a instituição. Em abril deste ano, estimulou o presidente do BC, Henrique Meirelles, a sair candidato a alguma coisa em 2010 – menos à presidência, claro – e, ato contínuo, convidou o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, para substituí-lo.

Respeitável crítico da política econômica, Belluzzo declinou da oferta, preocupado com uma possível rejeição a seu nome no mercado financeiro.

Cristiano Romero é repórter especial e escreve às quartas-feiras.

E-mail cristiano.romero@valor.com.br

18/11/2008 - 13:09h Estudo indica receita recorde nos municípios

Em 2007, prefeituras tiveram para gastar R$ 30 bi a mais em relação ao ano anterior, mostra ONG

http://www.serratalhada.pe.gov.br/sites/5600/5698/materia_marcha.jpg

Wilson Tosta – O Estado SP

Dois estudos da organização não-governamental Transparência Municipal mostram que os municípios brasileiros viveram, em 2007, recordes de receitas, mas também de concentração de arrecadação na Região Sudeste e em duas cidades, São Paulo e Rio de Janeiro. No ano de melhor desempenho econômico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anterior às eleições municipais de 2008, as prefeituras tiveram para gastar R$ 217 bilhões, R$ 30 bilhões a mais que em 2006 – supostamente, uma arma preciosa para os prefeitos candidatos à reeleição. A desigualdade ficou patente na divisão dos recursos per capita: cada R$ 1 de dinheiro público municipal captado pelos cofres públicos no Nordeste no ano passado correspondeu a R$ 1,47 no Sudeste.

“O problema é a pobreza, a má distribuição de renda”, diz o economista e geógrafo François Bremaeker, consultor da ONG, gestor do Observatório de Informações Municipais e autor das pesquisas. “A concentração é muito forte, principalmente em termos de Sudeste, de Estado de São Paulo e em São Paulo capital, que pega quase metade da receita tributária (própria) dos municípios paulistas.” A alta de recursos nas prefeituras no ano pré-eleitoral pode ajudar a explicar o alto índice de reeleição. Segundo a Confederação Nacional dos Municípios, de 3.357 prefeitos que tentaram um segundo mandato em 2008, 66,88% tiveram sucesso. Do total de eleitos, 40,36% já estavam no cargo este ano, ante 23,6% em 2004 e 37,1% em 2000.

Um dos trabalhos, As Finanças Municipais em 2007, afirma que as cidades brasileiras tiveram, no ano passado, receitas 16,19% maiores que em 2006. Foi um crescimento de 11,73% reais, considerando-se a inflação pelo IPCA, ou de 8,3%, se usada a correção do IGP-DI. Em 2006, os municípios receberam R$ 186,8 bilhões. A participação das prefeituras na arrecadação do setor público também atingiu seu pico no ano passado, quando as cidades chegaram a 17,06% de participação, contra 16,97% em 2006 e 16,38% em 2005. O estudo mostra que a receita orçamentária dos municípios, no ano passado, foi constituída por 67% de transferências, 17,1% de receitas tributárias e 15,9% de outras receitas.

O outro estudo, As Receitas Tributárias Municipais em 2007, dá exemplos da extrema concentração de receitas municipais. O Sudeste teve mais, R$ 110.161.460.773 – 50,75% da receita orçamentária de todos os municípios. Na outra ponta, o Centro-Oeste somou apenas R$ 13.033.062.038. Na distribuição per capita, segundo Bremaeker constatou no trabalho anterior, o Sudeste permaneceu na liderança com R$ 1.414,62 por habitante, mas a região com pior colocação foi o Nordeste, que, no geral, somara R$ 45.430.192.280, mas ficou com R$ 881,52 por pessoa. O Centro-Oeste, menos habitado, apresentou receitas maiores por pessoa, R$ 1.209.89, à frente de Norte e Nordeste.

Bremaeker, que fez a pesquisa com base em números da Secretaria do Tesouro Nacional, destaca a extrema dependência de verbas federais apresentada pela maioria dos 5.562 municípios pesquisados. “Em 81% das cidades, o Fundo de Participação dos Municípios é a principal fonte da arrecadação.” A maior participação no bolo das transferências está nos 994 municípios com entre 20 mil e 50 mil habitantes, que receberam 17,1% do total, seguidos pelas cidades entre 10 mil e 20 mil, com 12,8%. Na receita tributária municipal, São Paulo e Rio, somados, tiveram 32,3% de tudo em 2007.

AVALIAÇÃO

O cientista político Jairo Marconi Nicolau, do Iuperj, chama a atenção para a variação de apenas 10% na proporção de prefeitos reeleitos de 2004 para 2008 e relativiza o peso do uso da máquina, que, supostamente, seria mais forte em prefeituras com mais dinheiro em caixa, como em 2007. Ressalta, porém, o peso da avaliação do prefeito nas taxas de reeleição que, avalia, tem sido decisivo. “É claro que os prefeitos usam a máquina, mas quando o prefeito está em baixa, não tem jeito. O prefeito com boa aprovação faz um esforço para tornar a eleição plebiscitária. Se ele vai bem, por que vão querer mudar?”

23/10/2008 - 08:22h De volta ao poço

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Por Angelo Pavini, VALOR

A instabilidade voltou com força aos mercados ontem e deve ter seus reflexos nas cotas dos fundos de investimento nos próximos dias. Além da queda da bolsa para o menor nível desde setembro de 2006, que afetará os fundos de ações, e da alta do dólar, de 12% em dois dias, chama a atenção o forte ajuste dos juros dos títulos públicos, de mais de um ponto percentual ao ano. Ontem, os papéis prefixados longos, as NTN-Fs, com vencimento em janeiro de 2012, preferidas dos estrangeiros, chegaram a pagar 17,77% ao ano, para 16,17% do dia anterior.

Essa alta deverá atingir em cheio os fundos de renda fixa, que têm papéis prefixados, e até alguns fundos DI. O impacto vai ser diretamente proporcional à porcentagem de prefixados de cada carteira e do prazo dos títulos, mas é provável que vários renda fixa tenham cotas negativas hoje. Fundos multimercados que achavam que o pior da crise já tinha passado e arriscaram aumentar aplicações em câmbio, bolsa e juros também devem sofrer. Mas a maioria dos gestores vinha mantendo a maior parte do dinheiro em caixa ou no overnight, o que deve limitar as perdas.

A alta dos juros refletiu ontem um misto de medo dos mercados com a saúde financeira dos bancos e com o impacto da alta do dólar na inflação e uma aversão maior ao risco no exterior com relação aos países emergentes por conta de a Argentina estar estatizando o setor de previdência privada. O receio aqui começou ironicamente com as medidas do governo para que bancos oficiais possam comprar instituições privadas em dificuldades, levantando a questão da existência de problemas. Havia boatos de fundos estrangeiros em dificuldades liquidando posições na BM&FBovespa e vendendo títulos para honrar compromissos no exterior. Por isso o impacto forte nos papéis de 2012, mas que se espalhou para outros vencimentos e títulos .

“Muitos vêem a América Latina como uma coisa só e ficam com medo que o que a Argentina fez ocorra aqui”, afirma André Schibuola, sócio da Precision Asset Management. O ambiente de forte oscilação acaba contaminando ainda outros investidores, que também saem do mercado para reduzir seu risco, criando um círculo vicioso. “Não me surpreenderia se hoje mais gente saísse do mercado por exigência de suas áreas de controle de risco ao ver os números de ontem”, diz Schibuola. Para ele, os fundos de renda fixa vão sofrer com a puxada dos juros. “Devemos ter números péssimos nas cotas, tanto por conta dos papéis públicos, quanto dos privados, que também devem ter subido”, diz.

Olhando para além da crise, a alta dos juros acaba criando oportunidades para o investidor. Depois do ajuste das cotas, a rentabilidade das carteiras de renda fixa deve aumentar para quem entrar agora. Papéis indexados à inflação também se tornam atrativos, com remuneração real perto de 10% ao ano mais a variação do IPCA, com a proteção adicional para o caso de a alta do dólar pressionar os preços.

Se olharmos o comportamento do mercado de juros, o que ocorreu foi uma típica zeragem de posição, quando os investidores vendem tudo e saem do mercado, diz Marco Sudano, diretor de Tesouraria do Itaú. “Basta olhar o comportamento distinto entre o dólar e os juros”, diz. Ontem, o dólar subiu 6,67%, perto dos 4,99% do dia anterior, acumulando 12% em dois dias. Mas o juro, que havia subido menos de 0,50 ponto percentual no dia anterior, avançou em média 1,20 ponto percentual, proporcionalmente muito mais que o dólar. “O que parece é que alguém teve de zerar suas aplicações e vendeu a qualquer preço, puxando as taxas”, explica. E isso leva outros participantes do mercado a fazerem o mesmo.

Sudano lembra que o mercado brasileiro de renda fixa tem bastante participação de estrangeiros, seja diretamente nos mercados da BM&FBovespa, seja no exterior, por meio de um banco intermediário. Esse banco, por sua vez, acaba fazendo sua proteção, ou seja, o hedge, na BM&FBovespa. “O que pode ter acontecido é que um banco resolveu liquidar a posição de um cliente no exterior e com isso o obrigou a vender os papéis aqui”, afirma Sudano. Ele lembra que os bancos, pelo aperto de liquidez, estão mais rigorosos com relação às margens de garantia. “No exterior, os negócios não são feitos em bolsa, são no mercado de balcão, e os ajustes de garantias são feitos de acordo com critérios de cada banco”, diz. É diferente da BM&FBovespa, onde o ajuste das perdas e ganhos é diário. “Pode ser que o banco resolveu apertar as margens do cliente no contrato de balcão e ele resolveu vender tudo”, diz. A pressão maior nos papéis de 2012 seria outro sinal de que o culpado da oscilação seria um estrangeiro.

Para Sudano, as taxas de juros ficaram completamente desconectadas do fundamento. Ele explica que o comportamento dos juros é diferente do do dólar, pois não é possível definir um valor justo para a moeda. “No câmbio, o que há é um preço de equilíbrio, a partir do qual há vendas ou compras, mas no juro, os participantes fazem contas e chegam ao que consideram um valor justo para as taxas no futuro”, explica. Por isso, a propensão do mercado em assumir posições de maior risco é maior no juro do que no câmbio. E as taxas são também freqüentemente confrontadas com as decisões do Banco Central no Copom. Para ele, as taxas justas são mais baixas que as atuais. “Mas no curto prazo, podem subir ainda mais”, diz ele. A oportunidade seria para quem olhar para o médio prazo, explica.

19/08/2008 - 12:41h Inflação para baixo com queda do preço dos alimentos

Inflação desacelera em seis capitais e sobe apenas em BH

 

Apresentaram desaceleração de preços: São Paulo; Brasília; Porto Alegre; Recife; Rio de Janeiro e Salvador

 

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Alessandra Saraiva, da Agência Estado

RIO – A inflação no varejo, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou elevação menos intensa de preços em seis das sete cidades pesquisadas para cálculo do índice. A única cidade a apresentar aceleração de preços, na passagem da primeira para a segunda leitura do indicador no mês, foi Belo Horizonte (de 0,43% para 0,60%).

Veja também:

linkCom alimentos, inflação pelo IPC-S é a menor desde março

linkInflação pelo IGP-10 desacelera e sobe 0,38% em agosto
linkIPCA desacelera a 0,53% em julho ajudado por alimentos

linkComo investir seu dinheiro no período de inflação video
linkDe olho na inflação, preço por preço
linkEntenda os principais índices
linkEntenda a crise dos alimentos especial

Segundo a entidade, os preços na cidade de São Paulo perderam força, no âmbito do IPC-S. A inflação na capital paulista subiu 0,36% no índice apurado até a sexta-feira da semana passada (dia 15), em comparação com a alta de 0,51% apurada na leitura anterior do IPC-S, de até 7 de agosto.Além de São Paulo, outras cinco cidades apresentaram elevação de preços menos intensa, no mesmo período. É o caso de Brasília (de 0,47% para 0,4%); Porto Alegre (de 0,65% para 0,23%); Recife (de 0,38% para 0,32%); Rio de Janeiro (de 0,2% para 0,15%); e Salvador (de 0,65% para 0,52%).Embora todas as cidades contribuíam para a formação do IPC-S, a inflação na cidade de São Paulo é a de maior peso no cálculo do índice. Ontem, a FGV informou que a segunda prévia de agosto do indicador também mostrou desaceleração, de 0,44% para 0,34%, na passagem da primeira para a segunda leitura deste mês.

Alimentos em queda

Um dos principais motivos para a desaceleração da inflação é a queda do preço dos alimentos. Estes preços estão caindo há algumas semanas e este movimento é explicado pela forte queda do preço das commodities no exterior. O fato é que o preço de alguns produtos subiram muito com a expectativa de demanda maior e como ativos para especulação financeira. Esta tendência de alta foi revertida nos últimos dias e o preço dos alimentos despencaram no exterior. Além disso, a queda do preço do petróleo contribui para a queda das cotações agrícolas, pois reduz o custo com transportes.

 

Para se ter uma idéia, os preços dos alimentos na capital paulista chegaram a atingir deflação de 0,02% no IPC-S de até 15 de agosto, após ter registrado alta de 0,50% no índice de até 7 de agosto. Segundo o economista, da FGV, André Braz, entre os destaques de quedas e desacelerações de preços no setor de alimentos estão as movimentações de preços em carnes bovinas (de 0,83% para -0,77%); hortaliças e legumes (de -3,05% para -4,55%) e arroz e feijão (de 0,54% para -0,36%).

Mas Braz comentou que, no caso de São Paulo, não é possível classificar como “generalizada” as taxas de inflação menos intensas no setor de alimentos. “Foram registradas várias quedas e desacelerações sim, em itens importantes. Mas ainda há alimentos subindo de preço”, disse. Segundo ele, na capital paulista, entre os exemplos de alimentos com preços em alta, estão as variações de preços em frutas (de 1,52% para 2,89%); e adoçantes (de -0,57% para 0,03%).

No Rio de Janeiro, segunda capital de maior peso no cálculo do IPC-S, perdendo apenas para São Paulo, também houve elevação de preços menos intensa (de 0,20% para 0,15%). “O Rio de Janeiro registrou a menor taxa de inflação entre as sete cidades pesquisadas”, disse. Ele explicou que a deflação nos preços dos alimentos na capital fluminense se intensificou (de -0,24% para -0,64%) principalmente porque houve uma grande queda de nos preços dos itens in natura, como hortaliças e legumes (de -4,5% para -8,22%).

Perspectivas

Em agosto, os preços dos alimentos devem continuar caindo ou subindo menos, contribuindo para taxas reduzidas do IPC-S nas capitais. “Mas não há como saber o que vai acontecer em setembro”, disse, explicando que ainda é muito cedo para antecipar o comportamento nos preços dos alimentos no próximo mês.

14/08/2008 - 16:13h Engraçado

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Durante palestra na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo Geraldo Alckmin declarou “A ex-prefeita falou que estava arrependida pelas taxas que criou. Agora ela precisa avisar para o PT do imposto sobre cheque emitido, que foi aprovado pela Câmara e que eles [membros do PT] estão quietinhos, só esperando a eleição passar, para colocar em votação no Senado”, arrancando risos da platéia.

Será que si ele tivesse informado aos ouvintes da Faap que foi no governo FHC que a carga tributária do Brasil passou de 27% do PIB a 36%, os estudantes teriam achado engraçado?

E o endividamento com o FMI, que Lula acabou resolvendo. Arrancaria risos? ou lágrimas?

Por acaso Alckmin contestará o que a jornalista Marta Salomon, da Folha de São Paulo, publicou em 7 de julho de 2008, falando do governo Lula:

“Governo eleva renúncia fiscal em 44%

Benefícios concedidos para estimular a economia deverão passar de R$ 76 bi, quase o dobro dos investimentos públicos previstos” ( Governo Lula: menos impostos para incentivar o investimento).

Agora, seguramente os estudantes da Faap, os cidadãos de São Paulo e até os jornalistas que acompanham a campanha eleitoral, não vão achar a a menor graça é ficar sabendo o que informou o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Este instituto, junto com a Associação Comercial do Estado de São Paulo, elaborou um “Impostômetro” que reproduz, em painel instalado na região central de São Paulo, uma simulação do que os contribuintes pagam na cidade de São Paulo com impostos.

Pois bem, segundo esses dados cada contribuinte do Estado pagou, em média em 2007, em ICMS e IPVA, o equivalente a R$1.835, valor 117% maior que o desembolsado em 2000. Estamos falando dos impostos estaduais e no período 2000-2007, ou seja de Alckmin.

O artigo do Jornal da Tarde que publicou estas informações destacou no lide: “Carga sobre paulistano fica 120% acima da inflação”.

Isto não inclui, nem o preço abusivo dos pedágios, nem os sucessivos aumentos acima da inflação destes mesmos pedágios durante o governo de Alckmin.

Depois de tomar conhecimento deste dados, dê uma boa risada.

Vamos, tente, você consegue. Sua capacidade de rir não será nunca inferior a dos alunos da Faap. LF

08/08/2008 - 18:36h “A pobreza e a desigualdade também diminuíram no Brasil, resultado das sólidas políticas sociais”, declara o FMI

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Brasil está em posição mais sólida para enfrentar choques externos, diz FMI

 

da Folha Online

A posição do Brasil para enfrentar choques na conjuntura externa está mais sólida que no passado, informou nesta sexta-feira o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Segundo o Fundo, o Brasil registrou nos últimos anos “crescimento vigoroso com baixa inflação”, devido às políticas macroeconômicas adotadas no período e um cenário favorável na economia internacional. A solidez a posição brasileira também foi “reconhecida recentemente com a reclassificação do risco soberano do país como grau de investimento”, diz o comunicado do Fundo.

“[O FMI] exaltou o retrospecto altamente positivo do governo brasileiro na condução da política econômica, um fator que, aliado às condições externas extremamente favoráveis nos últimos anos, deu grande impulso ao desempenho econômico do Brasil e aumentou a resistência do país a choques externos adversos”, diz o comunicado do Fundo. “O Brasil encontra-se hoje numa posição muito mais sólida do que no passado para enfrentar a deterioração da conjuntura externa.”

O Brasil recebeu no fim de abril deste ano da agência de classificação de risco Standard & Poor’s a nota “BBB-”, que já garante ao país o grau de investimento. Antes, a nota do Brasil era “BB+”. Já no fim de maio, a agência Fitch Ratings elevou a nota do Brasil de “BB+” para “BBB-”, também colocando o país no grau de investimento. O rating é uma avaliação, feita por empresas especializadas, sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros.

O FMI destacou o crescimento “próximo dos 6%” nos últimos trimestres, impulsionado pela “intensa” demanda interna. “A pobreza e a desigualdade também diminuíram, resultado das sólidas políticas sociais”, avaliou o Fundo. “Além disso, um dos pilares da política macroeconômica do governo tem sido a ênfase das autoridades no crescimento mais elevado e sustentável, com o respaldo do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento].”

Inflação

Apesar da avaliação positiva, o Fundo citou a situação da inflação no país: nos 12 meses até junho de 2008 os preços no país subiram 6,1% –reflexo da alta dos preços dos alimentos e também à expansão da demanda interna. “O impacto inicial da alta dos alimentos já começa a se espalhar para outros bens e serviços; o núcleo da inflação subiu de 3,4% há um ano para 5,4% em junho”, destacou o fundo.

Hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 0,53% em julho, com a pressão menor dos alimentos. Em junho, o índice teve alta de 0,74%. O índice divulgado hoje foi o menor desde novembro de 2007 (0,38%).

Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 6,37%, acima dos 6,06% identificados nos 12 meses imediatamente anteriores, aproximando-se ainda mais do teto superior à meta, de 6,50% estipulado pelo Banco Central. O IPCA é o índice de preços utilizado pelo governo para o regime de metas de inflação. A meta para este ano e o próximo é 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais.

No mês passado, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC elevou em 0,75 ponto percentual sua taxa básica de juros –a Selic, que passou de 12,25% para 13% ao ano.

O Fundo também apontou a deterioração na situação das contas externas, que apresentaram “saldo negativo pela primeira vez desde 2002″. “O volume de importações continuou a crescer acima de 10% enquanto as exportações cresceram de forma mais lenta e as remessas para o exterior subiram, em parte como conseqüência do aumento do investimento estrangeiro direto nos últimos anos”, informou o FMI.

“A entrada líquida de capital totalizou quase 7% do PIB em 2007, com um nível recorde US$ 35 bilhões (cerca de 3% do PIB) em investimento estrangeiro direto. A valorização do real em termos efetivos reais foi de 16,5% em 2007, sobretudo como reflexo do desempenho macroeconômico vigoroso do país no contexto das relações de troca favoráveis. As reservas internacionais cresceram US$ 95 bilhões em 2007, totalizando US$ 201 bilhões no fim do primeiro semestre.”

Contenção

O Fundo avaliou que o Brasil deve conter o crescimento da demanda interna, “pois as pressões inflacionárias vão além do que seria apenas efeito dos choques mundiais nos preços das commodities, e o saldo das contas externas apresentou uma rápida reversão de superávit para déficit”.

Para o FMI, “um aperto das finanças públicas contribuiria para o ajuste e ajudaria a aliviar a pressão sobre a política monetária”. “Por este motivo, consideraram acertada a decisão das autoridades de adotar uma meta de superávit primário mais elevada em 2008, considerando que a contenção do crescimento dos gastos públicos –desde que se proteja o gasto em áreas prioritárias– seria essencial para reequilibrar as políticas macroeconômicas.”

Superávit primário do setor público consolidado é o quanto de receita o governo federal, os Estados, os municípios e as empresas estatais conseguem economizar, após o pagamento de suas despesas, sem considerar os gastos com os juros da dívida. Hoje, a meta de superávit primário para o ano é de 3,8% do PIB, mais uma economia de R$ 14,2 bilhões (0,5% do PIB) para fazer uma poupança para momentos de crise. Nos últimos 12 meses, o governo fez um superávit de R$ 116 bilhões (4,27% do PIB).

Fundo soberano

O FMI avaliou que é preciso estudar com cuidado o formato e a finalidade do fundo soberano do Brasil e não utilizar os recursos desse fundo de tal forma a não aumentar direta ou indiretamente as pressões sobre a demanda interna.

“Também considerou-se que a transparência das operações do fundo é essencial para manter a confiança na política macroeconômica, inclusive na área de operações cambiais, que deveria ser coordenada cuidadosamente com o Banco Central”, diz o comunicado. “Os recursos disponíveis seriam melhor empregados na redução do ainda elevado nível de endividamento público do país.”

23/07/2008 - 19:26h Inflação não voltará, podem tirar o cavalo da chuva, diz Lula

BC surpreende e anuncia aumento maior dos juros, para 13% ao ano

EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) anunciou nesta quarta-feira um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros. Assim, em decisão unânime, a taxa Selic subiu de 12,25% para 13% ao ano.

A decisão surpreendeu a maioria dos analistas do mercado financeiro, que esperavam um aumento de 0,5 ponto. Parte dos economistas, no entanto, já previa que o BC poderia acelerar o ritmo de alta dos juros para evitar uma disparada da inflação.

Entenda como a taxa básica de juros influencia a economia

“Avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13% ao ano, sem viés”, informou o comitê em nota após a reunião.

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Trata-se do terceiro aumento da taxa em 2008. No início do ano, a Selic estava em 11,25% ao ano. Com a alta da inflação, o BC iniciou uma nova série de aumentos dos juros para tentar segurar a escalada de preços. Foram dois aumentos de 0,5 ponto percentual.

Agora, os juros voltaram ao mesmo patamar de janeiro de 2007. O maior nível da taxa Selic no governo Lula foi alcançado no início do governo, em fevereiro de 2003 (26,5% ao ano).

Novos aumentos

Esse não deve ser o último aumento de juros neste ano. Os economistas ouvidos pelo próprio BC esperam que a taxa básica termine 2008 em 14,25% ao ano.

O mercado espera uma nova alta para 13,25% na reunião do Copom no início de setembro; outra para 13,75% em outubro; e para 14,25% em dezembro –o Copom se reúne a cada 45 dias, aproximadamente.

Em janeiro de 2009, os juros chegariam a 14,75% e só voltariam a cair, na previsão do mercado, no segundo semestre, para terminar o ano em 13,75% a.a..

Inflação acima da meta

A alta dos juros é uma tentativa do BC de evitar que a inflação estoure o teto da meta para 2008. A meta definida pelo governo para o IPCA (indicador oficial de inflação medido pelo IBGE) é de 4,5% (centro da meta), com tolerância de dois pontos, podendo chegar a 6,5% (teto da meta).

O próprio BC prevê uma inflação de 6% para este ano e de 4,7% para 2009, ambas acima do centro da meta.

A instituição também já admite que há 25% de chances de a inflação estourar o teto da meta para este ano. Para os economistas ouvidos pelo BC, o IPCA vai terminar 2008 em 6,53%.

Apesar do discurso de parte do governo de que a inflação estaria restrita aos preços dos alimentos, o BC já admite que ela tem contaminado outros setores da economia.

Parte desse efeito será sentido nas tarifas e aluguéis reajustados pelos IGPs (Índice Geral de Preços), por exemplo, que devem fechar o ano acima de 12%, na previsão de mercado financeiro.

Enquanto for necessário

O próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que, mesmo tirando os alimentos da inflação, o IPCA acumulado em 12 meses já supera os 6%.

Na avaliação de Meirelles, os preços no Brasil estão sendo influenciados não só pelo aumento internacional dos alimentos, mas também pelo forte consumo interno e pelo aumento do crédito.

O volume de crédito país bateu novo recorde no mês passado, apesar do aumento dos juros. Mesmo assim, já se verifica uma desaceleração nos empréstimos das pessoas físicas.

Por isso, os diretores do BC vêm afirmando que para segurar a inflação, continuarão aumentando os juros “enquanto for necessário”.

06/07/2008 - 09:53h ”Economia não vai levar uma cacetada”

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Ministro fala em fim de um ciclo do capitalismo e diz que os países emergentes, sem desequilíbrios fiscais, importam inflação

Ribamar Oliveira – O Estado de São Paulo

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não tem dúvida da existência hoje de uma crise econômica mundial, que começou com a crise imobiliária dos EUA (o chamado subprime) e foi agravada pelo choque de preços das commodities. “Estamos no fim de um ciclo econômico capitalista. Neste momento, é preciso fazer ajustes e preparar um novo ciclo”, disse em entrevista ao Estado.

Nesse cenário, Mantega diz que o desafio dos países emergentes é “combater a inflação sem abortar o crescimento”. Para o ministro, o atual surto inflacionário resulta fundamentalmente do choque de preços das commodities agrícolas, metálicas e do petróleo.

O governo, alerta o ministro, já adotou medidas para desacelerar o crescimento, com o objetivo de evitar que a inflação contamine outros setores da economia, mas não vai derrubar o crescimento. “Não é para dar uma cacetada na economia, mas é para moderar a demanda, moderar o crescimento. Adequá-lo à nova realidade”, disse.

Segundo ele, se as medidas já adotadas não forem suficientes, o governo poderá anunciar outras. “Armamento não nos falta e o usaremos porque ninguém quer a volta da inflação”. Mantega admitiu que a inflação em 2009 também poderá ficar acima do centro da meta, como este ano, se o choque de preços continuar. “Se a gente conseguir não ultrapassar a margem de tolerância em nenhum momento eu me dou por muito satisfeito porque outros países já ultrapassaram”, afirmou.

O Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) diz que o mundo vive a maior turbulência financeira desde a Segunda Guerra. Alertou para o risco de uma estagflação. Qual é o seu cenário para a economia internacional?

O cenário para os países avançados é de estagflação mesmo (redução do crescimento e aumento da inflação). Nos EUA, a atividade econômica cai e a inflação sobe. A União Européia está com quase 4% de inflação. Ou seja, a inflação é maior do que o crescimento. É um cenário negativo. Mas existe uma nova realidade no mundo, que não havia nos anos de 1970. Agora temos países emergentes, que também estão sofrendo um surto inflacionário, mas mantêm um nível de crescimento. O grande desafio dos países emergentes, que têm dinamismo econômico, é combater a inflação sem abortar o crescimento.

Nos anos de 1970, diante de idêntico choque de petróleo e de outras commodities, boa parte dos países não fez o ajuste necessário. Esse erro do passado pode se repetir?

Acredito que não. A situação fiscal e das contas externas dos países era outra. Nos anos 70 havia um desequilíbrio fiscal na maioria dos países. Todo mundo vivia também com endividamento externo elevado. O Brasil estava acumulando uma dívida externa grande. Hoje, o cenário é distinto. A maioria desses países tem uma situação fiscal equilibrada. Portanto, a inflação não é originária de desequilíbrio fiscal.

Já se pode falar em crise mundial?

É uma crise mundial, não tenho a menor dúvida. Ela começou com a crise financeira do subprime nos EUA e engatou num choque de commodities. Estamos no fim de um ciclo econômico capitalista. Neste momento, é preciso fazer ajustes e preparar um novo ciclo. Na semana passada, o Banco Central Europeu aumentou a taxa de juro e os bancos centrais de vários países também já aumentaram. É que muitos países estão com taxa de juro negativa e não dá para funcionar assim. Certamente eles terão que fazer ajustes monetários e baixar a bola.

A situação brasileira é melhor do que outros países, mas a inflação voltou. É suficiente o que foi feito até agora ou o governo terá que adotar medidas mais fortes?

É difícil responder neste momento. Já tomamos várias medidas fortes. Já estamos praticando um superávit primário maior (a meta passou de 3,8% do Produto Interno Bruto para 4,3%). Em matéria de contas públicas, estamos tendo um desempenho melhor do que no ano passado. Isso significa reduzir a demanda do Estado. Os ajustes que estamos fazendo não são para abortar o crescimento da economia. Não é para dar uma cacetada na economia, mas é para moderar a demanda, moderar o crescimento. Adequá-lo à nova realidade. Isso significa uma ligeira desaceleração da atividade econômica.

Qual é a magnitude dessa desaceleração?

Um crescimento de 4,5% a 5%. A economia brasileira virou o ano passado crescendo 5,4% passando para 6%. Altamente acelerada. Nós tivemos que dar uma desacelerada. Aumentamos o superávit primário, que em geral tem uma eficácia grande, elevamos a taxa de juros, instituímos o compulsório sobre leasing de R$ 40 bilhões e aumentamos o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o crédito a pessoas físicas. O juro de longo prazo já subiu 3 a 5 pontos. O custo do capital já subiu.

Mas as expectativas inflacionárias continuam aumentando.

Existem coisas que não dependem de nós. Se o preço do petróleo sobe, se o preço da carne sobe, se o preço do trigo sobe, aí não tem jeito. Podemos subir a taxa de juros e fazer um superávit primário maior, que não acontece nada. O que nós temos que zelar é para que não haja um contágio. Se adotarmos medidas em excesso, é claro que derrubaremos a economia para além daquilo que é desejável.

O Conselho Monetário Nacional definiu a meta de 4,5% de inflação para 2010, mas a comunicação dessa decisão foi confusa.

O que ficou confuso foram as interpretações. O Bernard Appy (o então secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda) falou o menos possível. Ele disse apenas que a decisão do Conselho Monetário foi a de manter a meta de inflação de 4,5% em 2010.

Ele falou que o governo espera que a inflação convirja para 4,5% no máximo até 2010.

A gente tem que fazer sempre um esforço para fazer a inflação convergir para o centro da meta. Em 2008 não dá para convergir para o centro da meta…

E em 2009?

Então, nesse caso, o Banco Central tem que tomar medidas para impedir que haja um distanciamento do centro da meta. O fato é que nós temos razões para permitir esse distanciamento, que é o choque de commodities. Isso está na literatura da política de metas de inflação. O BC tem que buscar o centro da meta, porém, se houver um choque de oferta, e principalmente se ele for externo, o BC pode usar a margem de tolerância. Foi para isso que a margem foi feita.

O sr. não teme um processo de reindexação da economia? Esse processo não pode começar pelo salário mínimo, que vai passar a ser reajustado pela inflação passada e mais o crescimento do PIB?

Acho que o salário mínimo corre em raia própria e a sociedade está habituada com isso. Não se pode falar em indexação da economia a partir do salário mínimo. É um exagero. Agora, eu temo que haja um contágio da inflação em outros setores. Por isso que eu fiz um alerta de que não devemos ser alarmistas. Não é verdade que o dragão da inflação está de volta, que a indexação está de volta. Se nós todos falarmos dessa maneira, é capaz de voltar.

Mas o próprio governo não começou a indexação ao dar o reajuste para o programa Bolsa Família?

Não. O governo simplesmente corrigiu o benefício dado ao segmento mais pobre da população, aquele que está sendo mais atingido (pela inflação). O segmento mais pobre não está sofrendo uma inflação de 5,5%, que é o IPCA nos últimos doze meses. Ele está sofrendo 8,5%, 10% de inflação. Com uma inflação de alimentos, quem mais sofre é o assalariado de baixa renda porque ele utiliza uma parte expressiva de sua renda para adquirir alimentos.

O sr. não se preocupa de hoje não poder contar com o câmbio, com a valorização do real, para conter essa inflação?

A valorização cambial pode ser necessária em alguns momentos. Mas não é a melhor maneira de combater a inflação porque ela acaba desequilibrando as contas externas.

31/05/2008 - 11:52h Governo Serra: pedágios mais caros a partir de julho. Aumento é o dobro da inflação

Pedágios vão subir 11,5% em média, em 1º de julho

É o maior reajuste desde 2004; contratos das estradas concedidas à iniciativa privada variam pelo IGP-M, mais que o dobro da inflação

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Daniel Gonzales – O Estado de São Paulo

Os pedágios em rodovias concedidas à iniciativa privada em São Paulo vão subir praticamente o dobro da inflação anual em 1º de julho. As tarifas de 91 praças das 13 empresas concessionárias de 41 estradas vão aumentar, em média, 11,52%, segundo a Agência Reguladora de Transportes do Estado (Artesp). Será o maior reajuste dos pedágios desde 2004.

O aumento corresponde a um cálculo com base na variação acumulada do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) entre junho de 2007 e este mês. A última variação que faltava para a composição do reajuste, a de maio, foi fechada anteontem: ficou em 1,61%.

No ano passado, o reajuste dos pedágios foi de 4,39%. Em 2005, ficou em 9,07% e, em 2004, o aumento foi de 7,04%. Apenas em 2006 houve variação negativa do índice e os pedágios baixaram em 0,32%.

TABELA

Ainda não está pronta a tabela com os valores exatos das novas tarifas, que só deve sair daqui a 15 dias e vem sendo calculada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Por enquanto, é possível fazer, apenas, projeções (mais informações nesta página). Por causa do arredondamento dos centavos, os reajustes de cada pedágio podem ser maiores ou menores do que o índice proposto. As tarifas variam apenas de 10 em 10 centavos.

O porcentual de aumento, segundo o coordenador técnico da Associação Nacional do Transporte de Cargas, Neuto dos Reis, é aplicado sobre uma tarifa quilométrica. Ela é diferente para as estradas que fazem parte de sistemas (como o Anchieta-Imigrantes) e para as que têm pistas duplas ou simples. “Para se chegar ao valor de cada pedágio, multiplica-se essa tarifa pela extensão, em quilômetros, do chamado trecho de cobertura de pedágio (TCP), que é diferente ao se considerar cada praça de pedágio, de cada rodovia.”

No caso de uma rodovia que foi duplicada ou estendida, por exemplo, o TCP será maior e, conseqüentemente, o pedágio pode subir mais que os 11,52%. Nas estradas em que o pedágio é cobrado em apenas um sentido, o total obtido é multiplicado por dois. “Estimo que o aumento nos fretes das cargas, que vai acabar chegando ao consumidor, ficará em torno de 3% diante desse aumento dos pedágios”, prevê Reis.

Os contratos de concessão das rodovias, segundo a Artesp, prevêem reajuste dos pedágios pelo IGP-M. Quando as concessões foram assinadas, o índice costumava ser inferior a outros indexadores de inflação, como o IPCA ou INPC. Mas, com o tempo, acabou ultrapassando os demais.

Assim, os pedágios sempre sobem mais que a inflação medida pelo IPCA, que no mesmo período foi de 5,29%, levando-se em conta a projeção desse índice para o mês de maio.

07/04/2008 - 07:47h Transporte urbano mobiliza debate eleitoral

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Caio Junqueira, Sérgio Bueno, Vanessa Jungerfeld, Carolina Mandl e Ivana Moreira, de São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Recife e Belo Horizonte

VALOR

No ano em que o trânsito bateu sucessivos recordes de congestionamento em várias capitais do país, o transporte urbano deve se transformar num dos mais acirrados temas de debate da campanha eleitoral. Desde as últimas eleições municipais, a frota nacional de veículos cresceu 27%. Esse crescimento, impulsionado pelo financiamento facilitado, levou a mais municipal das políticas públicas, o transporte público, a deixar de ser um problema exclusivo das faixas de renda que dele dependem para se transformar também numa preocupação de classe média.

Com quase seis milhões de veículos nas ruas, São Paulo terá um debate marcado pela radicalização da disputa política. Os três principais partidos que pretendem lançar candidato -PT, PSDB e DEM- participaram de maneira direta ou indireta da administração da cidade nos últimos dez anos e já buscam culpados pela situação. A discussão programática deve ceder lugar à troca de farpas e busca de culpados pela situação, que, calcula-se, gera um prejuízo anual que o economista da Fundação Getúlio Vargas, Marcos Cintra, calcula em R$ 30 bilhões.

Dos três, o PT, que deve lançar candidata a ministra do Turismo, Marta Suplicy, prefeita entre 2001 e 2004, é o que se julga em posição mais confortável para atacar tanto a provável candidatura do tucano Geraldo Alckmin, que governou o Estado de 2001 a 2006, quanto do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que deve tentar a reeleição. “Nossas críticas à gestão Serra-Kassab se basearão em não terem dado continuidade aos corredores de ônibus que a Marta introduziu. E só foram se preocupar com trânsito após os recordes de engarrafamento. Já Alckmin participou dos 12 anos dos tucanos no Estado e foi o que menos fez metrô”, afirma o presidente municipal do PT, vereador José Américo.

Secretário de Transportes Metropolitanos na gestão Alckmin e atual presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano, Jurandir Fernandes é o principal técnico em transportes ligado aos tucanos. Para ele, o futuro prefeito terá de investir em corredores de ônibus, mas corredores “de verdade”. “Tem que ser exclusivos mesmo, sem taxi, autoridades ou polícia, não parar nos cruzamentos e ter possibilidade de ultrapassagem.”

Sobre as críticas à gestão Alckmin, Fernandes diz que se trata de “oportunismo político”. “Temos 20 km de linhas que ficarão prontas até 2010. Tem que considerar não linhas inauguradas, mas colocadas em obras. Retomamos a linha 2 e demos início à linha 4 do metrô, além da linha de trem de Osasco a Grajaú.”

Kassab vai explorar o aporte de recursos no metrô – o que a Prefeitura de São Paulo não fazia há 30 anos – que pode vir a chegar a R$ 1 bilhão, além da ampliação em duas horas do rodízio de veículos na cidade.

No Rio, há cerca de 240 novos veículos a mais circulando diariamente na cidade, em um espaço limitado geograficamente pelo mar e pelas montanhas. Para o secretário municipal de trânsito, Arolde de Oliveira, os candidatos precisarão se ater em especial ao intenso crescimento mobiliário e comercial das regiões que agregam Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. “Há novos pólos de tráfego que não estavam previstos nos planejamentos urbanos anteriores. Todas as vias chegaram ao limite. Esgotaram-se as possibilidades de duplicação”, diz.

Como exemplo, cita o túnel Rebouças, inicialmente projetado para 80 mil veículos diários e por onde hoje passam mais de 200 mil; e a linha amarela, projetada para menos de 100 mil e hoje com fluxo de 200 mil veículos/ dia. “As obras que devem centrar o debate nesta área são algumas poucas duplicações, além da criação de corredores de ônibus e aquisição de ônibus interligados.” O secretário também aponta o alto índice de idosos na cidade como fator que piora o tráfego. “Há cada vez mais idosos se habilitando a dirigir. E eles dirigem com mais cautela, os reflexos já não são os mesmos. Acabam dirigindo mais devagar.”

Na capital gaúcha, a velocidade média dos ônibus nos corredores chega a 23 km/ h, quase 30% acima do melhor desempenho registrado em São Paulo. “Porto Alegre vive uma situação razoavelmente confortável”, afirma o secretário de Mobilidade Urbana, Luís Afonso Senna. Segundo ele, a velocidade nos corredores de ônibus vem se mantendo estável. Ainda assim, melhorar o transporte coletivo para estimular a redução do uso dos automóveis e evitar, no futuro, a necessidade de rodízio é a bandeira comum aos candidatos. Todos também defendem a construção do metrô.

Uma das metas do prefeito José Fogaça (PMDB), possível candidato à reeleição, é implantar os “Portais da Cidade”, que prevêem a construção de três estações de transbordo de onde partirá uma linha tronco para atender a área central da cidade.

Para a candidata do PT à prefeitura, a deputada federal Maria do Rosário, é preciso reverter a redução do número de usuários do sistema, de 33 milhões para 25 milhões por mês nos últimos dez anos. Rosário defende a criação de linhas que ligam bairros entre si sem passar pelo centro, maior freqüência dos ônibus, um controle mais rigoroso das planilhas de custos das empresas e até a ampliação de subsídios para, por exemplo, portadores de deficiência.

A deputada federal Luciana Genro (PSOL) defende uma auditoria nas planilhas de custos para verificar se as margens de lucro das empresas não estão “exageradas”. Segundo ela, de janeiro de 2001 a agosto de 2007 (sem incluir o reajuste de fevereiro deste ano) as tarifas subiram 114%, enquanto o IPCA aumentou 59%. A deputada admite ainda conceder isenção aos trabalhadores desempregados com subsídio integral para evitar impacto nos preços pagos pelos demais usuários.

Candidata pelo PCdoB, a deputada federal Manuela D’Ávila também vê na implantação do metrô uma “pauta urgente” para a futura administração, desde que combinada com o sistema de ônibus e ciclovias. Melhorar o conforto e a freqüência dos ônibus, qualificar os profissionais do setor e exigir mais investimentos das empresas são propostas do candidato do DEM, o deputado federal Onyx Lorenzoni.

Em Florianópolis, as últimas pesquisas da prefeitura apontam a questão viária como uma das principais preocupações da cidade. O prefeito Dário Berger (PSDB), candidato à reeleição, criou a tarifa única e fez algumas obras que melhoraram o fluxo de veículos. Entretanto, a cidade ainda carece de transporte marítimo em ligações importantes entre a ilha e o continente, hoje feita por duas pontes: Colombo Salles e Pedro Ivo Campos. A ponte Hercílio Luz, cartão postal de Florianópolis, está desativada. Além da falta de transporte marítimo, Florianópolis não possui um sistema cicloviário. Há trechos de ciclovias, que dificilmente se conectam. Para a oposição, Berger não fez investimentos necessários. “É visível que os acessos à cidade estão saturados. Essa ligação não recebe investimentos desde a década de 90, quando foi inaugurada a última ponte”, diz Joares Ponticelli, presidente do PP em Santa Catarina.

No Recife, a situação do trânsito é tão caótica que a Câmara Municipal deve votar, este mês, um projeto do vereador Liberato Costa Júnior (PMDB) para a implantação de rodízio, inspirado no modelo paulistano. A principal diferença, porém, é que no Recife a proibição de circulação será durante o dia todo, e não apenas nos horários de pico. A restrição não atingiria o bairro de Boa Viagem, cujas principais vias ficam paradas diariamente. “Recife tem apenas 200 quilômetros quadrados e não tem mais por onde crescer. Foi se expandindo verticalmente”, diz.

Os candidatos temem a reação do eleitorado à medida. Para o candidato do PMDB, Raul Henry, a restrição à circulação de carros ainda precisa ser melhor avaliada. De acordo com o deputado federal, o pedágio no centro da cidade pode ser uma alternativa ao rodízio. “Mas ainda estamos avaliando para montar o programa de governo.” O que ele dá como certo em suas ações, caso seja eleito, são os investimentos em obras públicas voltadas para novas vias na cidade, além da ampliação do transporte coletivo.

Para Mendonça Filho (DEM), a solução para amenizar o trânsito no Recife está em ampliar a “mobilidade dos cidadãos” . O candidato pretende incentivar os recifenses a andarem mais, por exemplo. “Em muitas áreas, Recife não tem calçadas. Pretendemos municipalizar as calçadas das principais vias que hoje estão sob responsabilidade privada”, explica. Uma nova via ligando o centro da cidade ao bairro de Boa Viagem também está nos planos do ex-vice-governador. Ele descarta o rodízio: “Não vejo necessidade no curto prazo.” Um dos poucos candidatos que não se recusa a admitir o rodízio é o deputado federal Cadoca (PSC). “Ainda precisa ser mais estudado, mas pode ser uma saída em uma situação de emergência.”

Em Belo Horizonte, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), conseguiu autorização da Câmara Municipal para vender a participação acionária que o município tinha na Copasa, a estatal de saneamento básico. Uma grande parte dos recursos será utilizada na conclusão de obras viárias. Com a proposta aliviar o trânsito no centro, o prefeito se envolveu em projetos polêmicos como a transferência da rodoviária para a zona oeste. A proposta, já aprovada, esbarra nos interesses dos comerciantes do centro.

Um dos possíveis candidatos a substituir Pimentel, o secretário estadual de desenvolvimento econômico Márcio Lacerda (PSB), já levou à ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, proposta para retomar as obras do metrô, atrasadas há mais de duas décadas, num modelo de Parceria Público Privada, com contrapartida das três esferas de governo. Além da conclusão da primeira linha, Lacerda defende a construção da segunda, que levaria o metrô até a Savassi, tradicional e refinado centro de compras da capital mineira.(Colaborou Raquel Salgado, de Salvador)

04/04/2008 - 03:54h Em defesa da cautela

VALOR 

O Ministério da Fazenda aposta numa acomodação da inflação e do crescimento nos próximos meses e defende uma “cautela não tempestiva” no debate sobre se o Comitê de Política Monetária (Copom) deve ou não, na próxima reunião, dia 16, aumentar a taxa básica de juros. Acha que o Copom deveria novamente manter a taxa em 11,25% ao ano e deixar para a próxima reunião, dia 4 de junho, uma eventual decisão de elevar a Selic. No decorrer desses 48 dias, vários indicadores de conjuntura seriam conhecidos, ajudando o Banco Central a ter melhores condições de avaliar para onde estão indo a inflação, o crescimento interno e externo, os preços das commodities, dentre outros indicadores. O quadro agora ainda é de muitas incertezas.

Segundo dados divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o nível de utilização da capacidade instalada da indústria (Nuci) diminuiu em fevereiro, de 83,1% para 82,9%, indicando maturação de investimentos. Isso afastaria os riscos de pressões inflacionárias. A avaliação do secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, é de que nos próximos dois meses os dados vão fortalecer os argumentos dos que acham que não há excesso de demanda. “A capacidade instalada vai se estabilizar num nível mais alto”, espera ele.

“As incertezas sobre o cenário externo e interno recomendam cautela. Uma redução pode estimular ainda mais o crescimento da demanda agregada, enquanto que uma elevação pode estimular uma valorização excessiva e temporária do real”, escreveu Barbosa num texto levado na semana passada a um debate na FGV/SP, em defesa da precaução. Ele sustenta que a inflação vai se desacelerar naturalmente, sobretudo pela reversão dos preços dos dos alimentos que, no segundo semestre, caem para o patamar de 5% a 6% ao ano, em comparação com os atuais 11%.

Uma das grandes preocupações do governo é com os efeitos do aumento dos juros na taxa de câmbio agora, quando o superávit virou déficit em conta corrente. Nos últimos anos, o principal canal de transmissão da política monetária para o controle da inflação foi via taxa de câmbio, depois expectativas e, por último, demanda, dizem os economistas da Fazenda. Como o câmbio tende a parar de se valorizar, não virá daí a contribuição para manter a inflação na meta. Economistas de bancos privados estão revendo a projeção da taxa de câmbio. Fala-se que o dólar poderá custar, no fim deste ano, uns R$ 2,00. Uma desvalorização que teria impacto na inflação, mas que seria possível acomodar no intervalo da meta, asseguram fontes da Fazenda, lembrando que o centro da meta é 4,5%, mas há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais, para acomodar eventuais choques.

Para corroborar com o argumento da cautela, esses economistas citam que apesar do aumento do consumo de bens duráveis, os preços industriais caíram. O grupo de TV, som e informática teve deflação de 9,8% em 12 meses terminados em janeiro; o de mobiliário e eletrodomésticos teve deflação de 1,4%; e nos veículos, a inflação foi de 2,5% , abaixo da meta.

Meta de 4,5% de IPCA é centro, não é o teto

O discurso da precaução, porém, contradiz, de certa forma, o sentido de urgência que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, colocou na necessidade de se frear o consumo, quando cogitou da redução dos prazos do crediário. A pressa de Mantega decorreria, explicou fonte oficial, do fato de que há economistas no governo temendo que o crescimento neste ano seja de 6% ou até mais. E, também, do temor do ministro de que, se elevar os juros, o Copom estará selando o pior dos mundos: vai acentuar o diferencial da taxa de juros interna e externa, atrair mais dólares para o país, valorizar mais a moeda doméstica, estimular importações, desestimular exportações e, assim, piorar o cenário de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos. Ele teria tentado se antecipar ao Comitê, para evitar que esse consume a elevação da Selic dia 16.

Foi esse cenário de muitas dúvidas e receios que fez crescer, nos últimos dias, o debate sobre a política econômica, montada no tripé metas para a inflação, superávit fiscal e regime de câmbio flutuante, tendo os juros como o fiador da meta de inflação. Em meio à exploração de idéias, algumas surgiram com vida curta, como a de reduzir os prazos do crédito; outra, mais temerária, como uma eventual mudança do regime de câmbio flutuante, foi ontem totalmente descartada por Mantega.

O debate sobre meta de câmbio não é de todo novo. O primeiro texto produzido no governo sobre possibilidades a serem exploradas na área cambial, ainda que mantendo o regime de flutuação, foi de autoria de Nelson Barbosa, sob o título “Inflation Targeting in Brazil: Is There An Alternative?” (Meta de Inflação no Brasil: há uma Alternativa? “), apresentado originalmente numa conferência sobre metas de inflação, realizada em Buenos Aires em 2005.

Nesse trabalho acadêmico, Barbosa diz: “Uma taxa de câmbio estável não significa taxa de câmbio constante. O que é preciso é um regime de flutuação suja assimétrica, que não deixe a taxa de câmbio apreciar muito em função de bolhas especulativas, mas que enfrente a depreciação com medidas macroeconômicas restritivas usuais. Em resumo, um piso móvel, mas sem teto para a taxa de câmbio”. Vários países adotam um piso informal. Não o divulgam, mas o perseguem. De certa forma, o governo tentou fazer isso de 2005 para cá, quando decidiu por um programa de acumulação acelerada de reservas cambiais, embora não tenha segurado piso algum.

Nesse sistema, chamado de “slinding floor” (piso móvel), ou “flutuação suja assimétrica”, como denominou Barbosa, não haveria uma meta explícita de câmbio e os instrumentos que o governo tem para intervir são diferentes. No caso de uma valorização excessiva, o governo compraria reservas. Em caso de desvalorização, ao invés de queimar reservas, o governo aumentaria os juros e o aperto fiscal, como fazem os asiáticos. O problema é que com juros internos mais elevados que os externos, isso vira operação “enxuga gelo”, de elevado custo fiscal. E o fato é que, assegurou Mantega, o câmbio seguirá flutuante.

O mais recomendável mesmo é manter a política econômica atual, se possível aumentar a dosagem do esforço fiscal e afastar as idéias extemporâneas.

Claudia Safatle é diretora adjunta de Redação e escreve às sextas-feiras

claudia.safatle@valor.com.br

05/03/2008 - 22:01h 250 dólares!

VALOR

415 ÷ 1,66 = 250. Essa conta mostra um resultado, para dizer o mínimo, surpreendente. De acordo com ela, o novo valor do salário mínimo em vigor no Brasil desde primeiro de março último, que é de 415 reais, convertido pela taxa de câmbio definida na abertura do mercado em 4 de março, de 1,66 reais por dólar, corresponde a exatos 250 dólares. Isso faz com que o Brasil se alinhe, juntamente com o Chile, dentre os países com os mais altos pisos salariais registrados na América Latina da atualidade. Diante de número tão admirável, a pergunta que surge imediatamente é qual o seu verdadeiro significado, isto é, quanto desse valor expressa tão somente uma ilusão monetária, causada pela desvalorização do dólar aqui e mundo afora. A resposta é que, evidentemente, esse fenômeno joga um papel importante, mas está longe de ser a única razão para a disparada em dólar do valor do salário mínimo.

(mais…)

22/10/2007 - 11:40h Governo Lula: País tem ciclo mais longo de crescimento em 30 anos

Sergio Lamucci
Valor

Julio Bittencourt/Valor

Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC: ajuda das contas externas

O Brasil cresce há 22 trimestres consecutivos. Mesmo não sendo muito extenso, é o ciclo mais longo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) pelo menos desde o início dos anos 80. Ele supera os 15 trimestres registrados entre 1984 e 1987, e os 12 que ocorreram entre 1993 e 1995, período turbinado pelo Plano Real. Por enquanto, o ciclo perde para o milagre dos anos 70, embora falte ao país uma única série de PIB capaz de olhar a evolução trimestral em prazos mais dilatados.

Além de longo para padrões brasileiros, o atual ciclo tem outra boa característica: ele combina investimento e consumo. As empresas têm investido em ampliação da capacidade produtiva há 14 trimestres e o aumento simultâneo de crédito, renda e emprego tem permitido às famílias manter seu consumo em alta há 15 trimestres – em todos os casos, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
É essa tripla combinação de PIB em alta, ampliação da capacidade produtiva e expansão da demanda interna – amparada por contas externas sólidas e inflação sob controle – que faz os analistas estimarem que esse ciclo pode se sustentar por muitos mais trimestres, ainda que o ritmo do crescimento esteja aquém do obtido por colegas emergentes como China e Índia.
O investimento em alta firme é a característica mais celebrada do atual ciclo de crescimento, como aponta o economista Juan Jensen, da Tendências Consultoria Integrada. O aumento deve ficar próximo de 10% neste ano, seguindo-se ao avanço de 8,7% de 2006. Para o ex-diretor do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman, economista-chefe para a América Latina do ABN AMRO, a queda consistente dos juros reais, num cenário de inflação mais baixa e controlada, é fundamental para explicar o crescimento do investimento na construção civil e em máquinas e equipamentos.
Depois de passar anos muito acima dos 10%, os juros reais (descontada a inflação) estão na casa de 7%. Projetos que não eram viáveis com juros reais de 13% ou 14% se tornam atrativos quando a taxa cai pela metade. “Houve aumento significativo da previsibilidade no país”, diz o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores. Com a expectativa de inflação tranqüila e expansão firme da demanda por muito tempo, as empresas ganharam confiança para apostar na ampliação da capacidade produtiva.
Ainda que seja vista como excessivamente rigorosa por vários analistas, a política monetária teve papel importante na tarefa de alongar os horizontes de planejamento na economia de 2002 para cá, por ajudar a derrubar a inflação e manter sob controle as expectativas inflacionárias. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que atingiu 12,3% em 2002, deve fechar 2007 na casa de 3,9%.
Schwartsman destaca a virada espetacular nas contas externas como um dos pontos que conferem mais sustentabilidade ao atual ciclo de crescimento. “O balanço de pagamentos deixou de ser um problema. A demanda doméstica e as importações podem aumentar com força, sem prejuízo para as contas externas”, resume ele.
O resultado em conta corrente, que mostrou um déficit de 4,5% do PIB em 2001, se tornou superavitário a partir de 2003, e atualmente está na casa de 1% do PIB, graças principalmente aos saldos comerciais superiores a US$ 40 bilhões por ano. O cenário externo benigno, com crescimento expressivo da economia global e baixa aversão ao risco, foi decisivo nesse processo. “Em agosto, os preços das exportações brasileiras estavam 65% acima da média de 2002″, nota Schwartsman.
Ao exportar mais, o país pôde passar a importar mais, permitindo que a demanda interna cresça com força sem pressionar a inflação, como diz Jensen. Outra boa notícia é que as importações de bens de capital estão entre as que mais crescem, sustentando a ampliação da capacidade produtiva das empresas. De janeiro a agosto, aumentaram 33%.
O consumo das famílias também mostra um bom desempenho, impulsionado em grande parte pela expansão impressionante do crédito. Com juros menores e prazos cada vez maiores, o total de empréstimos e financiamentos acumula alta de 24,8% nos 12 meses até agosto, mantendo um ritmo forte mesmo depois do crescimento anual na casa de 20% registrado entre 2004 e 2006.
Para o economista-chefe do Morgan Stanley, Marcelo Carvalho, há espaço para o crédito continuar a crescer nesse ritmo nos próximos anos. Ele diz que, com a consolidação da estabilidade macroeconômica, os prazos puderam aumentar significativamente. “Há financiamento de automóveis de sete anos e empréstimos imobiliários de 30″, reforça Borges.
Carvalho lembra que os juros dos empréstimos, ainda que elevados, estão em queda. Para completar, houve inovações institucionais importantes, como a do crédito com desconto em folha de pagamento e as relacionadas aos financiamentos imobiliários, caso da alienação fiduciária (medida que permite a retomada do imóvel em caso de inadimplência). “O papel do crédito no atual ciclo de crescimento é muito importante”, diz Carvalho.
Borges ressalta ainda o aumento consistente do emprego e da renda para sustentar a expansão de 15 trimestres consecutivos do consumo das famílias. Segundo cálculos da Tendências, a massa salarial real (descontada a inflação) está em alta, no acumulado em 12 meses, desde abril de 2004. Para este ano, a expectativa é de um crescimento entre 5,5% e 6%. Os trabalhadores se sentem mais seguros para consumir e entrar em empréstimos e financiamentos. Outro ponto positivo do atual ciclo é que a indústria voltou a dar sinais de vitalidade, estimulada pelo desempenho do mercado interno.
O economista Alexandre Mathias, diretor de renda fixa da Unibanco Asset Management (UAM), diz que o atual ciclo rompeu com o padrão de arrancadas e freadas que predominou a partir de 1980 porque foram corrigidos ou atenuados os principais problemas macroeconômicos do país. “Nos ciclos anteriores, o próprio crescimento acentuava os desequilíbrios externos, inflacionários ou fiscais, o que levava a crises. Desta vez, o quadro é diferente.” Se ainda há muito o que avançar, não parece haver nenhum risco iminente de que a fase atual de expansão seja detida no médio prazo, avalia Mathias.

07/09/2007 - 12:02h Para IBGE, repique da inflação não deve se generalizar pelos setores da economia

Valor Online

RIO – Com elevação acumulada de 4,18% em 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se aproxima do centro da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional para 2007. Para os responsáveis pelo cálculo do indicador, porém, o ganho de força da inflação em agosto ainda não mostra risco de uma alta generalizada de preços para diferentes setores da economia.

Eulina Nunes, coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não acredita em risco de que a tendência de alta de preços se espalhe, o que poderia tornar mais conservador o comportamento do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que ontem decidiu, por unanimidade, reduzir em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros da economia brasileira, para 11,25% ao ano.

Este ano, tanto em setembro quanto em outubro, haverá o benefício de taxas menores, até negativas, no caso do telefone fixo, tendo em vista a conversão de pulso para minutos. Por outro lado, há a incógnita dos alimentos, que podem continuar a crescer. Mas olhando no geral, podemos dizer que essa inflação é muito concentrada nos alimentos, afirmou Eulina. Em outros itens, o que se observa é até uma certa ajuda no sentido de conter a inflação, como no caso dos preços administrados, que em outros anos pressionavam a inflação e este ano tendem a beneficiar.

(Rafael Rosas | Valor Online)

07/09/2007 - 11:58h Lula sai em defesa de ritmo menor no corte de juro

Reuters/Brasil Online Portal O Globo

SÃO PAULO (Reuters) – Aproveitando entrevista a emissoras de rádio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a iniciativa de sair em defesa da decisão do Banco Central de reduzir o ritmo de corte da taxa de juro. Nesta quarta-feira, a instituição votou por um corte de 0,25 ponto percentual na taxa, que passou para 11,25% ao ano . Lula ressaltou que o governo perseguirá o objetivo cumprir a meta de inflação.

- O BC vai continuar acompanhando o cumprimento da meta, acompanhando par e passo, junto com o ministro da Fazenda, a economia, para que a gente não permita que aconteça agora o que já aconteceu em outros momentos: parecia que tudo estava certo, daqui a pouco desarranja tudo- afirmou o presidente. – A inflação, quando atinge dois dígitos, ninguém segura mais. E nós não iremos permitir que a inflação saia da meta – acrescentou.

Quem estiver apostando na volta da inflação para ganhar dinheiro, eu queria aproveitar a rádio de vocês para dizer: tire o cavalo da chuva


O corte menor decidido por unanimidade pelos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) ficou dentro do que esperavam analistas diante de índices de inflação que mostraram recentemente um repique dos preços.

Nesta quinta-feira, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,47% em agosto , contra alta de 0,24% em julho.

A meta central de inflação deste ano é de 4,5% com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O IPCA, que baliza a meta, acumulou em 12 meses até agosto uma alta de 4,18%, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira.

No mercado, analistas apostam que o IPCA deve fechar o ano com alta de 3,92%, de acordo com a mais recente pesquisa feita pelo BC, divulgada na segunda.

- Quem estiver apostando na volta da inflação para ganhar dinheiro, eu queria aproveitar a rádio de vocês para dizer: tire o cavalo da chuva – afirmou o presidente.

07/09/2007 - 11:07h Reflexões pessoais sobre a inflação

O presidente faz bem em manifestar preocupação com o incipiente movimento inflacionário. O aumento dos preços constatados não correspondem a movimentos conjunturais e sim a uma combinação de aquecimento da demanda por commodities no mercado mundial e o crescimento econômico brasileiro, que se acompanha com o aumento significativo do poder de compra da população, gerando pressão inflacionária por excesso de demanda.

Os instrumentos disponiveis para enfrentar um eventual descontrole, e o IPCA de agosto é um alerta, são a politica de juros do BC, uma redução dos aranceles e taxas de importação dos ítens que mostram maior tendencia alcista e um monitoramento estrito dos orgãos responsaveis em toda a cadeia para detectar e punir severamente as especulações.

Segundo os jornais, Lula lembrou que o BC decidiu reduzir a taxa em “apenas” 0,25 ponto percentual, ante 0,50 nas duas reuniões anteriores. “É porque não arredaremos o pé da nossa responsabilidade”, justificou. “Quem estiver apostando na volta da inflação para ganhar dinheiro, quero aproveitar a rádio para dizer: tirem o cavalo da chuva.”

Foi o próprio Lula quem levantou, na entrevista no Palácio do Planalto, o tema do aumento da inflação. Ele disse que alguns setores da economia, como o da alimentação, têm elevado os preços. Mas reiterou que o governo não permitirá que a inflação volte. “Porque na hora em que a inflação voltar, o prejuízo é direto no bolso das pessoas que vivem de salário, no bolso das mais pobres.” (O Estado de São Paulo).

A inflação afeta mais os assalariados e os mais pobres, como mostra os índices apurados em agosto (ver aqui no blog Alta nos preços dos alimentos afeta mais a população de baixa renda ).
Comprova-se assim o acerto do presidente Lula em ter recusado permanentemente as pregações de alguns de seus companheiros em favor de metas de inflação mais relaxadas e de menor rigor nas ações do Copom. Qual seria a situação hoje se estes conselhos tivessem sido levados adiante?

Mas não é só na taxa de juros, nem nas tarifas das importações que o governo deve manifestar intenção de utilizar para não permitir qualquer descontrole. É também no gasto público e na continuação do ajuste fiscal que se encontram os instrumentos para manter a inflação baixa, combinada com a pressão contra os especuladores.

Por enquanto os índices são apenas um sinal. A inflação continua abaixo do centro da meta fixada, a qual comporta um teto e um piso. Mas o alerta lançado pelo presidente Lula é uma clara determinação política: ninguém vai brincar no governo com o poder aquisitivo das classes populares.

Luis Favre

07/09/2007 - 11:03h Recaída

Celso Ming para O Estado de São Paulo (para assinantes)

O assunto do dia não é o novo corte dos juros, mas a recaída inflacionária.

Ainda é preciso observar melhor esse movimento para identificar a natureza da estocada. Mas dá para dizer que os indícios são de que a forte procura por bens e serviços está permitindo que a inflação de demanda ponha a cabeça para fora da toca.

Os economistas identificam dois tipos de inflação. O primeiro é o de custos. Simplificadamente, é a alta de preços que decorre de fatos sazonais ou fortuitos. É geada que estraga a produção de verduras; um furacão, como o Katrina, de 2005, que desorganiza a produção de petróleo numa região importante; a seca que quebra a safra. Essa inflação não tem a ver com o volume de dinheiro da economia e, portanto, não pode ser rebatida com alta dos juros. Ocorre por elevação dos custos ou queda da oferta.

O outro tipo é a inflação de demanda. Aparece quando o poder aquisitivo do consumidor aumenta mais do que a oferta de bens e serviços. Agora, por exemplo, a massa salarial está se expandindo mais do que o PIB. Pelas contas do Dieese, vem crescendo a 7,6% ao ano. Em parte, isso é efeito do aumento de 8,6% do salário mínimo deste ano (de R$ 380). O crédito para pessoas físicas está se expandindo a 25%. E os juros, em queda desde setembro de 2005, despejam cada vez mais dinheiro na economia. A expansão do consumo está perto dos 10%. A indústria de veículos festeja vendas 27,4% maiores neste ano.

Um sinal de alerta saiu dia 5, com a divulgação de um avanço surpreendente do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em agosto, de 1,39%. Este não é o termômetro oficial de inflação. Sua metodologia dá peso enorme (60%) para a evolução dos preços no atacado. Mas é aí que está o ferrão. Na ponta atacadista, em 30 dias os preços saltaram 1,96%, uma enormidade diante do 0,37% de julho.

O IPCA, este sim o índice levado em conta pela política de juros, avançou menos: 0,47%. Mas esse número aponta para dois fatos inquietantes. O primeiro é o de que, ainda que mais baixo do que o do avanço do IGP-DI, é o dobro do visto em julho (0,24%). O risco é o de que essa alta seja repassada para o custo de vida, com base na regra de que o atacado de hoje é o varejo de amanhã.

Quando se fala da ameaça de inflação, os de sempre logo disparam: “Por que essa obsessão com uma esticadinha dos preços, especialmente quando a inflação está no seu ponto mais baixo em mais de 50 anos? Deixe que os mortos enterrem seus mortos…”

Aí tem duas coisas. A primeira é que é mais fácil matar a cobra no ovo do que no capinzal. Segunda, o governo Lula já entendeu qual é o preço de uma escapada da inflação e a recompensa eleitoral por evitá-la. Ele não vai deixar que, no ano que vem, quando serão escolhidos perto de 6 mil prefeitos, a inflação corroa o poder aquisitivo do eleitor. E isso pode implicar juros caindo mais devagar. Ou deixando de cair.

Tomara que também aqui o pessoal da Associação dos Alcoólicos Anônimos tenha razão. Dizem eles que as recaídas são parte do processo de recuperação.

07/09/2007 - 10:59h Alta nos preços dos alimentos afeta mais a população de baixa renda

Jacqueline Farid para O Estado de São Paulo (para assinantes)

As famílias da camada de renda mais baixa da população estão sendo mais prejudicadas com a alta dos produtos alimentícios. A inflação apurada para os mais pobres, no acumulado de janeiro a agosto, superou a dos mais ricos em 2007, fato que não ocorria desde 2003.

O INPC, que mede a inflação para famílias com rendimento entre um e seis salários mínimos, subiu 0,59% em agosto e acumula em 2007 alta de 3,13%, enquanto o IPCA, que se refere às famílias com renda de um a 40 salários mínimos, registra inflação um pouco menor, de 0,47% no mês e 2,80% no ano.

A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, observou que “os mais pobres estão sendo mais prejudicados e as evidências são de continuidade” da inflação maior para essa camada.

O argumento é o de que os itens que deverão ajudar a conter a inflação em setembro, como telefone fixo e combustíveis, têm peso menor no INPC do que no IPCA, enquanto os alimentos devem continuar mostrando elevação de preços, mesmo que em ritmo menos acelerado.

O reajuste nos preços dos produtos alimentícios no IPCA foi de 6,73% no ano até agosto, variação muito maior do que o aumento total de 1,23% ocorrido nesse grupo de produtos em todo o ano de 2006.

Eulina explicou que os alimentos foram bastante pressionados pela chuva no primeiro trimestre, mostraram estabilidade em abril e, já em maio, sofreram impacto dos aumentos do leite. “A inflação está muito concentrada nos alimentos e em agosto houve um espalhamento maior nesse grupo, enquanto os não alimentícios dão até uma certa ajuda para conter a taxa”, explicou Eulina.