08/11/2009 - 13:57h Ministro chama imposto de carro 1.0 de aberração e propõe ”IPI verde”

Ele defende fim do incentivo ao ‘popular’ e repasse do benefício tributário aos carros econômicos de qualquer cilindrada

David Friedlander e Raquel Landim – O Estado SP


Entrevista
Miguel Jorge: ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior


Quem é:
Miguel Jorge

Jornalista, foi chefe de redação do Estado e seguiu carreira de executivo na Autolatina, Volkswagen e Santander

É ministro do Desenvolvimento desde março de 2007

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, trabalha numa proposta polêmica. Ele defende o fim do incentivo tributário para o carro com motor 1.0, o “popular” – que desde 1993 paga menos imposto que os carros com motores mais potentes. O ministro propõe a transferência desse benefício para automóveis de baixo consumo de combustível. Os carros mais econômicos, diz Jorge, pagariam um Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) menor. O “IPI verde”, como foi apelidado, já está sendo adotado para alguns eletrodomésticos, como geladeiras e máquinas de lavar.

Jorge defende o mesmo mecanismo para os carros. Diz que a potência do motor não é um critério correto para definir quem vai pagar mais ou menos imposto. Os automóveis 1.0 são tributados com IPI de 7%, enquanto as outras categorias recolhem até 25%, dependendo do modelo. “Tem de rever isso. Foi feito em cima de uma aberração”, diz. Ele afirma que a mudança não seria feita agora, mas seu ministério e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) estão trabalhando há pouco mais de dois anos nesse projeto.

Um dos auxiliares mais discretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas últimas semanas Jorge ganhou evidência por causa das retaliações do Planalto às medidas protecionistas adotadas pela Argentina contra produtos brasileiros. Para forçar os vizinhos a recuar, o Brasil acionou entraves burocráticos e bloqueou caminhões com carga argentina na fronteira. Sobre esse confronto, a discrição do ministro chega a ser mordaz: “Briga? Não tem briga.”

Nesta entrevista, ele também fala da criação de um banco federal totalmente voltado ao financiamento do comércio exterior e sobre os negócios que está tentando fechar com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A seguir, os principais trechos da entrevista:

A redução do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para eletrodomésticos e para materiais de construção vai continuar em 2010?

Eu defendo isso. Temos um programa de construção de casas em que o governo se dispõe a financiar R$ 36 bilhões para quem ganha três salários mínimos. Se você cobra IPI, esses R$ 36 bilhões vão financiar um número menor de casas.

É possível manter o benefício com a arrecadação do governo em queda?

A arrecadação vai reagir. Os empresários estão prevendo o melhor Natal dos últimos anos. Melhor que 2007, melhor do que 2008 seria sem a crise. Não falo em previsões de analistas, porque eles nunca acertam, não sabem o que está se passando, não sabem o que está por trás da análise. Falo das previsões de profissionais do setor. As indústrias de linha branca e automobilística, por exemplo, voltaram a contratar.

E a redução do IPI para os carros? Acaba mesmo este ano ou o benefício pode ser prorrogado?

Não vai ter redução de IPI. Em princípio, não vai ter.

O “IPI verde”, já implantado nos eletrodomésticos, pode ser aplicado também nos carros?

Estamos nesse processo há dois anos e pouco, com o pessoal do Inmetro. Naquela época não se falava em verde, mas em eficiência energética. Motores mais eficientes, que gastam menos, teriam um selo de eficiência, como tem na geladeira e na máquina de lavar. Mas, primeiro, o selo é voluntário. Ainda não estamos obrigando ninguém a colocar. Vamos avançar os estudos para que isso seja um programa nacional e, aí sim, discutir o processo de imposto baseado na eficiência energética.

Carros mais econômicos pagariam imposto menor?

Esse é o modelo. É uma questão de ser mais justo. Se você tem um equipamento mais eficiente e outro menos, por que não ter a vantagem do imposto para o equipamento mais eficiente?

Seria uma política permanente ou uma medida de emergência contra a crise?

Quando esses estudos estiverem mais avançados, gostaríamos que fosse uma política permanente. Sempre teve uma grande discussão na indústria sobre essa questão de diferenciar o IPI por cilindrada. O carro com a mesma cilindrada pode ser 30% mais eficiente do que outro, mas paga o mesmo imposto. Não é correto. Essa coisa do carro 1.0 é preciso ir às origens dos fatos. Isso começou com uma aberração dos anos 90. Tem de rever isso porque foi feito em cima de uma aberração. Não tem sentido dividir por cilindrada.

Que aberração?

Uma empresa, que era a única que tinha carro 1.0 na época, conseguiu no Ministério da Fazenda uma redução de 50% do IPI, que naquela época era 40% do valor do automóvel. O IPI passou a ser 20% para os carros 1.0 fabricados no Brasil. Esse era o pulo do gato: só uma empresa (o ministro se refere à Fiat) tinha 1.0 fabricado no Brasil, exportado para a Itália. Nem era vendido aqui. Essa empresa ficou dois anos e meio sozinha no mercado, com o IPI reduzido, uma vantagem competitiva brutal. As outras empresas também desenvolveram o motor 1.0, isso virou 70% do mercado, depois caiu, agora voltou com a política de incentivo contra a crise, já que eles são mais baratos e teve a ascensão das classes D e E.

O caminho então não é favorecer os mais pobres, mas buscar a eficiência energética …

Falando desse jeito fica meio esquisito… O que precisa é fazer a política que está sendo feita: dar à população D e E a capacidade de comprar o produto melhor. Não é facilitar a venda do produto que não tem qualidade.

Falando em facilitar a vida, até que ponto o senhor está disposto a ir na briga com a Argentina?

Que briga? Não tem briga.

O governo brasileiro está segurando mercadoria argentina na fronteira com a justificativa de que precisa avaliar documentos. Quanto tempo isso vai durar?

Vai durar o necessário. É um volume pequeno, não chega a 10% das importações.

O sr. conversou com alguém do governo argentino?

A Debora Giorgi (ministra da Produção da Argentina) ligou e o Ivan (Ramalho, secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento) falou com ela. Ele falou e me senti desobrigado de ligar. Mas parece que a conversa foi amena.

Em nome da parceria comercial, durante muitos anos o Brasil aceitou provocações da Argentina? Agora houve uma mudança de atitude do governo?

(Silêncio)

Pela primeira vez tem caminhão argentino parado na fronteira…

Sim, mas os perecíveis foram liberados. Frutas, uvas, pêssego. Quanto às outras cargas, vamos aguardar.

Mas é só a mercadoria argentina que precisa de avaliação?

Por enquanto, é.

Os problemas internos do Mercosul têm solução?

Têm solução. O que não pode é ter uma parceria que fica a critério de quem está no governo decidir como vai ser. As regras deviam ser claras e independentes das condições conjunturais da economia de cada país. Se não fosse assim, a União Europeia nunca existiria.

30/10/2009 - 09:56h Combatendo a crise e o aquecimento global

IPI continua menor só para eletrodomésticos “verdes”

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

geladeiraLinguaO governo estendeu até 31 de janeiro a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos da linha branca, mas limitou o benefício aos itens que consomem menos energia. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que novas medidas tributárias com esse objetivo ambiental serão anunciadas.

Geladeiras, fogões, máquinas de lavar e tanquinhos que recebem os selos A e B do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) terão, de 1º de novembro a 31 de janeiro, alíquotas de IPI menores que as vigentes antes de abril. Para os demais itens, volta a carga tributária normal. Uma geladeira Classe A, por exemplo, tinha incidência de alíquota de 15% até abril, início dos benefícios definidos pelo governo. Essa tributação caiu para 5% e será mantida até o fim de janeiro de 2010. Para os refrigeradores Classe B, a alíquota caiu de 15% para 5%, mas será de 10% nos próximos três meses.

Foto Destaque

Mantega disse que o governo, ao prorrogar o benefício tributário para a linha branca, não pensou nas eleições do ano que vem. Alegou que a medida pretende ampliar o emprego e manter o crescimento do varejo e da indústria, além de facilitar o acesso a esses bens de consumo duráveis para a população que tem renda mais baixa. “Não se espantem com novas medidas tributárias com esse caráter”, afirmou, ao comentar o aspecto ambiental da medida.

Para o ministro da Fazenda, os empresários do varejo e da indústria comprometeram-se com mais contratações de trabalhadores, mas o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, explicou que as contratações já foram feitas quando o governo reduziu o IPI. Agora, as indústrias devem apenas mantê-las. Kiçula também revelou surpresa ao saber da medida porque esperava apenas a simples prorrogação do benefício por mais três meses. Ele disse que o consumidor olha primeiro para o preço e depois para o gasto de energia.

Se a indústria já avisou que não vai ampliar o emprego, Luiza Helena Trajano, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), informou que a contratação de trabalhadores temporários no fim do ano, geralmente elevando em 5% o pessoal, deve subir para 10% ou 15% com a manutenção do benefício. “Lutamos muito para que essa redução do imposto aproveitasse o período do 13º salário, quando o poder de compra é maior”, disse.

Falando das redes de varejo, Luiza disse que sua empresa (Magazine Luiza) deve contratar 1,5 mil temporários, o que representa 10% dos total de empregados. Ela também estimou que a Casas Bahia, a maior do país, vai absorver mão de obra de cerca de 5 mil temporários em 2009. No setor, a linha branca responde por aproximadamente 30% das vendas.

O Walmart informou que não vai aumentar os preços da linha branca, mesmo para os produtos que perderem o benefício da redução do IPI. A empresa espera ter um desempenho de vendas em torno de 35% superior na categoria, para o Natal, ante o mesmo período do ano passado.

O diretor de relações institucionais da Whirlpool, Armando Ennes do Valle Jr., acredita que este será o melhor Natal dos últimos anos para a indústria de eletrodomésticos. “Vamos crescer entre 12% e 15% este ano em número de unidades”, disse.

A renúncia fiscal com a nova fase do benefício é de R$ 132,1 milhões. Para Mantega, a redução do IPI acaba em janeiro porque, na sua avaliação, a economia está em recuperação e, daqui a pouco, “andará com as próprias pernas”. Desde o início da redução do IPI para a linha branca deixaram de ser arrecadados R$ 380 milhões.

29/10/2009 - 10:37h Uso da capacidade da indústria tem 8ª alta seguida. Índice medido pela FGV supera o resultado médio dos últimos dez anos

Isto indica que as fábricas devem acelerar a retomada dos investimentos

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Márcia De Chiara – O Estado SP

Puxada pelo mercado interno, a indústria brasileira pisou fundo no acelerador neste mês. O uso da capacidade de produção das fábricas subiu pelo oitavo mês seguido e atingiu em outubro 82,9%. A marca supera a média dos últimos dez anos (82,2%) e empata com a média desde 2003, período recente de maior produção. Os números de uso da capacidade fazem parte do Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que atingiu neste mês 112,2 pontos, o maior nível desde setembro de 2008.

Em apenas três meses, de julho a outubro, o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci)das 1.065 indústrias consultadas aumentou 3,1 pontos porcentuais. “É uma aceleração muito forte”, afirma o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo. Ele lembra que entre fevereiro e junho, em cinco meses, o acréscimo havia sido de apenas 2,2 pontos porcentuais. Com a rápida evolução da ocupação, a perspectiva é que o investimento na indústria volte antes do previsto. “O investimento volta nesta virada do ano”, prevê o economista.

Apesar da arrancada, o indicador de uso da capacidade de outubro de 82,9% está abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado (85,3%). “Não existe uma explosão do Nuci, ainda há ociosidade”, pondera.

Dos cinco segmentos pesquisados, três estão hoje com o uso da capacidade acima da média de dez anos: bens de consumo duráveis, bens de consumo não duráveis e material de construção. As vendas desses segmentos dependem essencialmente do crédito, da renda e da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fatores que jogam a favor do mercado.

Já o Nuci dos fabricantes de bens de capital e da indústria de bens intermediários ainda está abaixo da média, aponta a FGV. Campelo argumenta que os bens intermediários são muito voltados para a exportação, que recupera o fôlego, porém lentamente. No caso dos bens de capital, que são as máquinas e os equipamentos, eles dependem da volta do investimento.

De toda forma, o índice de confiança da indústria de bens de capital foi o que teve a maior taxa de crescimento neste mês entre todos os segmentos pesquisados. O ICI dos bens de capital aumentou 13,8% de setembro para outubro. Na análise do economista, esse resultado é um indicador antecedente de que a volta do investimento e a aceleração na produção e venda de máquinas deve ocorrer em breve.

Outro dado relevante, que reforça a perspectiva de forte recuperação, é que a produção para três meses atingiu neste mês o maior nível da série histórica iniciada em 1980. Quase a metade das empresas (49,8%) prevê produção maior até dezembro.

27/10/2009 - 10:14h Juro mais baixo aumenta venda de caminhões e já provoca fila de espera

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Chico Santos, do Rio – VALOR

A compra de caminhões novos por caminhoneiros, tanto microempresários como autônomos (pessoas físicas), está ajudando a alongar o prazo entre a encomenda e o recebimento do veículo, que já chega a três meses, dependendo do modelo e do fabricante. Após três anos patinando, o programa Procaminhoneiro, criado pelo BNDES em maio de 2006 para financiar a renovação da frota dos autônomos, disparou nos últimos três meses, após o governo reduzir, em junho, a taxa de juros de 13,5% para 4,5%. De agosto até 19 deste mês, o programa aprovou R$ 381 milhões em novas operações, contra R$ 341 milhões no ano passado.

“Pela primeira vez na história o governo federal conseguiu ter um programa que está permitindo ao caminhoneiro renovar sua frota”, disse Norival de Almeida Silva, presidente do sindicato dos caminhoneiros do Estado de São Paulo. Segundo ele, São Paulo tem 211 mil caminhoneiros autônomos – donos de 264 mil veículos – e está havendo uma corrida na categoria para trocar o equipamento. Entre aqueles que têm contratos de fretes firmes, a renovação chega a 90%, de acordo com Silva.

Foto Destaque

Embora o Procaminhoneiro financie a compra de veículos novos e usados, o sindicalista disse que os caminhoneiros estão preferindo comprar o caminhão novo e, em muitos casos, ficando também com o antigo para ajudar a fazer dinheiro para pagar o financiamento. Édson Moret, gerente de operações indiretas do BNDES, confirmou que a participação dos usados no total de operações aprovadas é pequena.

A redução da taxa de juros do BNDES Procaminhoneiro foi anunciada pelo governo no dia 29 de junho. Além de baixar a taxa em 67%, equalizando a diferença com recursos da União, o governo aumentou de 84 para 96 meses o prazo do financiamento para veículos novos. A linha de crédito total para o programa, que era de R$ 1 bilhão, passou a ser de R$ 1,8 bilhão. As montadoras estão pleiteando ao governo que o prazo de validade das condições atuais, limitado a 31 de dezembro, seja prorrogado.

Moret disse que a prorrogação depende de decisão de governo, porque os recursos para equalização saem do Orçamento da União, mas afirmou que da parte do banco não faltarão recursos, mesmo que as aprovações possam se aproximar de R$ 1 bilhão até o fim do ano. Atualmente restam R$ 760 milhões do total da linha a serem contratados, mas Moret avalia que, por se tratar de decisão interna do banco, não haverá problema se for necessário ampliar o volume de recursos.

Os números do BNDES mostram que o desempenho da linha foi negativo ao longo dos sete primeiros meses deste ano, com queda de 62,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados revelam ainda que o volume maior de recursos vai para as microempresas. Do total do ano passado, R$ 195 milhões foram para elas e R$ 146 milhões para as pessoas físicas. Até setembro deste ano, de R$ 332 milhões, as microempresas ficaram com R$ 186 milhões.

O gerente de vendas e marketing da Ford , Cláudio Terciano, disse que, graças à redução dos juros, a empresa está percebendo forte participação do programa Procaminhoneiro nas vendas. Segundo ele, 90% dos atuais financiamentos para caminhões estão saindo da Finame, agência do BNDES para financiar máquinas e equipamentos nacionais, e desses, 30% são do Procaminhoneiro.

Terciano disse que a disponibilidade de financiamento barato está fazendo com que as vendas de caminhões estejam alcançando o patamar do ano passado. Segundo ele, até o dia 25 deste mês a média diária de caminhões novos acima de 3,5 toneladas emplacados foi de 527 unidades, praticamente igual ao recorde de 530 registrado em setembro do ano passado.

18/10/2009 - 12:05h No Estado de São Paulo, São Carlos lidera geração de vagas em setembro, diz Ciesp


São Carlos (SP)

DA FOLHA RIBEIRÃO

A microrregião de São Carlos liderou o ranking estadual de contratações na indústria em setembro, segundo o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de SP).
O crescimento na geração de vagas foi de 2,66%, influenciado por indústrias de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (10,4%) e produtos alimentares (9,2%).
Segundo o Ciesp, foram contratados 850 trabalhadores na indústria no mês passado. “É um processo de retomada. A tendência é continuar crescendo, de maneira lenta. A indústria local se beneficiou da isenção do IPI dos automóveis e da linha branca”, disse Ubiraci Moreno Pires Corrêa, diretor do Ciesp de São Carlos.
A regional de Sertãozinho ocupou a quarta colocação no ranking estadual de geração de vagas na indústria em setembro, com variação positiva de 11,3%. Matão e Franca ficaram, respectivamente, na sétima e oitava colocações (veja quadro nesta página).
No acumulado do ano, a regional de Araraquara lidera o ranking estadual, com variação positiva de 22,6%.

15/10/2009 - 09:51h Reduzindo imposto: Lula prorroga corte do IPI para a linha branca

Informação foi dada durante viagem ao canteiro de obras da transposição do Rio São Francisco


Presidente Lula participa de cerimônia alusiva às obras de revitalização do Rio São Francisco Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação

Presidente Lula participa de cerimônia alusiva às obras de revitalização do Rio São Francisco
14 de outubro de 2009 – Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação


Leonencio Nossa, ENVIADO ESPECIAL, SERTÂNIA (PE) – O Estado SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu prorrogar a redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de produtos da linha branca. De olho no eleitorado da classe média baixa, ele avaliou que a manutenção dos preços reduzidos de geladeiras, fogões, tanquinhos e máquinas de lavar manterá o comércio aquecido no fim de ano e atenderá especialmente a uma parcela considerável de mulheres das periferias das cidades.

A informação foi dada na noite de ontem por um auxiliar do presidente, que o acompanha na viagem ao canteiro de obras da transposição do Rio São Francisco, no sertão pernambucano. O governo avalia, agora, quando fará o anúncio oficial da renovação – o prazo da redução vence no fim deste mês. Lula, segundo auxiliares, quer manter os mesmos porcentuais reduzidos. Empresários pediram ao governo que mantenha o desconto até o fim de janeiro.

Em sintonia com o Planalto, a equipe econômica já prepara a prorrogação da redução do IPI de geladeiras (que caiu de 15% para 5%), fogões (de 5% para zero), máquinas de lavar (de 20% para 10%) e de tanquinhos (de 10% para zero).

No início deste mês, o Estado revelou que o governo já planejava a prorrogação. Como o impacto fiscal é menor que a queda do IPI dos automóveis, cujas alíquotas começaram a ser majoradas há cerca de 15 dias, o Planalto passou a pressionar a Fazenda. Nas contas da Receita Federal, a redução de IPI da linha branca custará aos cofres público, até 31 de outubro, R$ 380 milhões.

No Planalto, o cálculo fiscal é temperado pela contabilidade política. A perda de arrecadação com o IPI seria compensada pela manutenção de empregos e redução dos preços de um produto cobiçado pelas classes mais baixas.

Dentro do governo, às claras, há quem defenda a prorrogação pelo menos até o fim do ano, quando se encerram os incentivos para os demais setores. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, por exemplo, tem destacado a importância do incentivo fiscal para manter as vendas aquecidas.

PIS E COFINS

O governo vai suspender, a partir de 1º de novembro, o pagamento da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre a receita bruta de venda no mercado interno de toda a cadeia produtiva da carne bovina. A medida consta da Lei 12.058 publicada no Diário Oficial e sancionada ontem pelo presidente Lula.

A lei teve como base a Medida Provisória 462, aprovada pelo Congresso no fim de setembro, cujo objeto principal é o repasse de R$ 1 bilhão aos municípios para cobrir as perdas de receitas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Mas, na tramitação na Câmara e no Senado, a MP ganhou 22 emendas sobre outros temas.

O frigorífico JBS Friboi informou que a cobrança de PIS/Pasep e Cofins para o mercado doméstico de bovinos representa 9,25% de sua receita bruta. Em comunicado, a empresa diz que a medida é altamente positiva para o setor.

COLABOROU NELIA MARQUEZ

NÚMEROS

R$ 380 milhões

é o custo da redução do IPI para a linha branca até 31 de outubro

5%

é a alíquota reduzida do IPI para as geladeiras

10%

é a alíquota para máquina de lavar

01/10/2009 - 15:37h Venda de carros bate recorde histórico em setembro

No último mês de isenção do IPI foram comercializadas 296,6 mil unidades.
Marca anterior era de junho, com 289,7 mil automóveis e comerciais leves.


IPI voltará a ser cobrado de forma gradativa (Foto:                 TV Globo/Reprodução)
IPI voltará a ser cobrado de forma gradativa (Foto: TV Globo/Reprodução)

Do G1, em São Paulo

As vendas de automóveis e comerciais leves em setembro alcançaram um recorde histórico na indústria automobilística. Foi o último mês do benefício da isenção do IPI para carros novos, impulsionando a venda de carros para 296.651 unidades de automóveis e comerciais leves, superando a marca anterior de junho, quando foram vendidos 289.792 unidades.

O desempenho das vendas de automóveis e comerciais leves no varejo foi  21,85% maior do que agosto (204,8 mil) e 19,8% superior em relação a setembro de 2008 (208,3 mil unidades). Os números foram divulgados nesta quinta-feira (1º) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).


No acumulado do ano, as vendas deste segmento aumentaram 5,49% em comparação ao período de janeiro a setembro de 2008, saltando de 2.096.396 unidades para 2.211.421 unidades.

Incluindo os emplacamentos de caminhões e ônibus, o total em setembro sobe para 308.713 unidades, número também inédito para o setor. Até então, o recorde mensal havia sido registrado em junho deste ano, com 300.174 unidades, conforme dados da Fenabrave.

Já o mercado geral de veículos, que engloba automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros produtos tracionáveis, teve alta de 13,59% em relação a agosto e caiu 1,27% comparando a setembro de 2008. Foram vendidos 456.477 veículos em setembro e 3.553.272 no ano.

Fim do IPI

“Apesar da crise, o desempenho das vendas de automóveis e comerciais leves foi positivo, uma conseqüência não apenas da redução da alíquota do IPI, mas também devido à oferta de crédito”, afirmou Sérgio Reze, presidente da Fenabrave.

“Com a volta do imposto, as vendas de veículos devem retrair um pouco devido, inclusive, à antecipação das compras. Mas, não causará grande impacto. O fim do benefício chega num momento em que a economia está praticamente restabelecida, há oferta de crédito e consumidores confiantes”, comentou o presidente da entidade.

A Fenabrave continua mantendo suas projeções de crescimento para até um dígito este ano, mas o percentual pode sofrer variações dependendo da resposta dos consumidores à volta gradativa das alíquotas de IPI. “Estimamos um crescimento em torno de 3%, mas se obtivermos os mesmo resultados do ano passado, já será um dado positivo para o setor”, conclui Reze.

30/09/2009 - 17:59h Vendas de carros sobem 18,4% em setembro ante agosto, diz fonte

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ALBERTO ALERIGI JR. – REUTERS – Portal Estado

SÃO PAULO – As vendas de automóveis e comerciais leves em setembro até o dia 29, no último mês com desconto cheio do IPI de carros, cresceram 18,4 por cento ante igual intervalo de agosto, afirmou uma fonte do mercado nesta quarta-feira.

No acumulado do mês até a terça-feira, as vendas totalizaram 271.145 unidades, disse a fonte à Reuters. Na comparação com setembro de 2008, exceto o último dia daquele mês, o número representa avanço de 13,8 por cento.

O volume indica uma média diária de vendas de 13.557 veículos, que se for mantida nesta quarta-feira fará setembro ultrapassar julho como segundo maior mês em vendas da história do setor no país, quando o total das vendas ficou em 273.581 veículos e comerciais leves.

O recorde ocorreu em junho, com 289.780 unidades vendidas, quando consumidores anteciparam as compras de automóveis diante da expectativa de que a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) terminasse no fim daquele mês.

O governo acabou por prorrogar pela segunda vez o desconto do IPI sobre automóveis em junho, em uma medida que foi adotada inicialmente em dezembro para ajudar o setor combalido pela crise econômica global.

“A alta (das vendas em setembro) era esperada justamente pelo mesmo fenômeno de junho, quando ficou aquela dúvida nos consumidores se o governo iria ou não prorrogar a medida de incentivo do IPI”, afirmou analista de setor automotivo Mariana Oliveira, da Tendências Consultoria.

“Para os próximos três meses, estamos esperando um recuo das vendas para um patamar próximo de julho e agosto, em torno de uma média mensal de 260 mil unidades”, acrescentou a analista, considerando o movimento de setembro como “atípico”.

De janeiro a setembro, com base nos números até o dia 29 deste mês, as vendas de automóveis e comerciais leves somam cerca de 2,18 milhões de unidades, um crescimento ao redor de 4 por cento sobre igual período de 2008.

A Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias, divulgará na quinta-feira as vendas de automóveis no país em setembro.

No próximo dia 7 é a vez da Anfavea, que representa as montadoras e também revelará os números referentes à produção.

PRODUÇÃO EM BAIXA

Apesar da alta nas vendas, a produção em setembro pode ter arrefecido devido às greves e paralisações neste mês que envolveram milhares de trabalhadores em fábricas de empresas como Volkswagen, General Motors, Renault e Ford durante negociações salariais.

Só na unidade da Volkswagen no Paraná, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, 14 mil veículos deixaram de ser produzidos em 17 dias de greve por reajuste salarial.

“A greve não foi tão extensa e nem tão intensa quanto se esperava, mas acho que deve ter afetado a produção na comparação com agosto”, afirmou professor de Economia Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios.

Os dados de setembro até o dia 29 apontam a Fiat na liderança, com vendas de 64.382 automóveis e comerciais leves no mês, informou a fonte. Em seguida aparece a Volkswagen, com 60.014 unidades.

30/09/2009 - 17:27h Expectativa da indústria para a produção é a melhor em 18 anos, diz FGV

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TATIANA RESENDE da Folha Online

O índice de expectativa para a produção da indústria atingiu neste mês o maior nível (139,2) desde abril de 1991, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgada nesta quarta-feira.

O indicador considera a projeção para o trimestre (setembro, outubro e novembro), no comparativo com os três meses imediatamente anteriores, e é a combinação entre as respostas dos empresários otimistas e dos pessimistas. Nesse confronto, 49,9% esperam ampliar a produção, patamar semelhante ao de agosto de 2008 (50,0%). Já os que preveem diminuição totalizam 10,7% –menor nível desde novembro de 2007 (5,7%).

Para Aloísio Campelo, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, esse indicador é “o mais operacional” entre os que compõem o Índice de Confiança da Indústria, que atingiu neste mês o maior nível desde setembro de 2008. O dado (109,5), que apresentou a nona alta consecutiva neste mês, está acima da média histórica e só 4,7% abaixo do patamar pré-crise. “Houve uma diminuição das incertezas.”

O setor de material de transporte, que engloba montadoras e autopeças, é o que tem a melhor expectativa sobre a produção, seguido de metalurgia, materiais plásticos e celulose, papel e papelão. A cadeia da indústria automotiva também lidera o otimismo na análise do índice de confiança geral e já está em um patamar mais elevado até do que a média histórica, considerando o período desde o Plano Real.

A partir de amanhã, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido em dezembro do ano passado para automóveis, com o objetivo de impulsionar as vendas, volta a subir gradativamente, até chegar à alíquota original em janeiro.

Emprego

A expectativa para o emprego no mesmo período é menos otimista do que para a produção. Isso mostra, na avaliação de Campelo, que a indústria vai em busca de aumento de produtividade e ampliação no número de horas extras antes de acelerar as contratações. De acordo com a pesquisa, 26,5% dos empresários projetam um incremento no quadro de funcionários e 14,4%, retração, resultando em um índice (112,1) que só é inferior ao de setembro de 2008 (115,1).

Na perspectiva da situação dos negócios para os próximos seis meses, o índice também é o melhor desde o agravamento da crise. “O mercado externo deve passar a ter mais relevância”, afirmou.

O nível de demanda global teve uma leve queda (-1,9%) entre agosto e setembro por causa do mercado interno (-0,7%), que já estava em um patamar alto. Já o nível de demanda externa cresceu 2,9%, mas ainda está abaixo da média histórica.

Na avaliação de estoques, 5,0% dos empresários o consideram insuficiente, e 4,5%, excessivo.”Esse indicador retrata o equilíbrio. Os estoques estão ajustados”, comentou Campelo. Corroborando o momento favorável, a utilização da capacidade instalada na indústria chegou a 81,9% em setembro, superior a agosto (81,3%) e bem próxima da média histórica (82,2%).

06/09/2009 - 11:34h Projeções para o PIB começam a entrar no azul


Se alta no segundo trimestre for de 2%, como disse ministro Mantega, revisões para cima vão se acelerar

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Marcelo Rehder – O Estado SP

A economia brasileira se recupera da crise e volta a crescer antes que o esperado, dizem os economistas e o governo. Turbinadas pelo desempenho favorável no segundo trimestre, as projeções para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano começam a transitar do negativo para o positivo.

O resultado do trimestre será divulgado sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já antecipou que o PIB cresceu entre 1,8% e 2% na comparação com os primeiros três meses do ano.

O número bate com a estimativa da MB Associados, que projeta crescimento de 2% do PIB na margem no segundo trimestre. “Consideramos também que o terceiro trimestre poderá ter um número parecido com isso, talvez um pouco menor”, diz o economista-chefe da empresa de consultoria, Sérgio Vale.

O fato é que cada vez mais aumenta a chance de o PIB terminar o ano do lado positivo, observa Vale. “Por enquanto, mantemos uma projeção de 0,2%, lembrando que estávamos com previsão de crescimento zero desde o fim do ano passado.”

Na ponta mais otimista do mercado já há algum tempo, a LCA Consultores prevê crescimento de 0,3% para este ano, enquanto a projeção das mais de 100 instituições financeiras colhidas pelo Banco Central no Boletim Focus é de, em média, uma queda de 0,3%.

“Se o resultado do segundo trimestre confirmar o que o governo está sinalizando, o primeiro impacto vai ser as projeções do Focus começarem a passar do negativo para o positivo”, diz o economista-chefe da LCA, Bráulio Borges.

Além disso, a economia brasileira dá fortes sinais de aceleração da recuperação em razão da retomada da produção industrial.”Temos elementos fortes para afirmar que o PIB está acelerando e isso pode levar a LCA a revisar para cima o crescimento do ano”, diz Borges.

MOTOR DA RECUPERAÇÃO

O que está empurrando o PIB para cima é o consumo das famílias, que já tinha mostrado recuperação no primeiro semestre, depois de ter caído no fim do ano passado.

O consumo se acelerou no segundo trimestre, impulsionado pelas medidas de isenção fiscal promovidas pelo governo federal, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis e dos eletrodomésticos da chamada linha branca (geladeiras, fogões e lavadoras).

“Muita gente diz que, quando acabar esse estímulo, também vai acabar a muleta que estava segurando o consumo familiar”, observa o economista da LCA. “Não é bem assim porque ela tirou o consumo do buraco, estimulou todo o mercado via efeito multiplicador e a economia dá sinais de que já consegue andar com as próprias pernas.”

A Tendências Consultoria Integrada aguarda a divulgação dos números do segundo trimestre para revisar suas projeções para o PIB do ano. “Atualmente, nossa previsão ainda é de retração de 0,6% e achamos que o resultado do segundo trimestre deve de fato surpreender “, diz o economista Bernardo Wjuniski. “Por enquanto, colocamos um viés de alta para os próximos trimestres, mas ainda não dá para avaliar se o número do ano vai ficar positivo.”

“Ainda tem uma boa margem de capacidade ociosa para ser ocupada, só que a gente acha que isso vai acontecer ainda de forma gradual e a indústria só deverá voltar ao patamar do pré-crise no final de 2010″, afirma Wjuniski.

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, diz que existem sinais claros e evidentes de que o pior da crise realmente ficou para trás. “Estamos numa fase de recuperação com uma velocidade e vigor ainda não muito consolidados”, diz Francini.

Segundo ele, o importante é que, comparativamente com o mundo, “o preço que nós pagamos foi barato, no sentido que ofendeu muito mais a outros países do que nos ofendeu e já estamos numa rota de recuperação”.

Embora não exista uma projeção formal da Fiesp com relação ao PIB, Francini diz que a entidade previa queda de 1%, mas ultimamente se fixou em torno do número de 0,5% negativo.

“Ainda que o governo tenha voltado a ter opinião sobre um desempenho positivo do PIB este ano, indicando que ele pode chegar a 1%, achamos que vai ser difícil chegar no zero”.

Já o economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, aposta que o crescimento do PIB este ano deverá ficar entre 0,2% e 1,2%. “Vemos uma recuperação consistente principalmente na ocupação da capacidade ociosa da indústria, que foi a mais afetada pela crise global.”

Previsão para 2010 chega a 4,8%

Para a Tendências, ritmo da recuperação surpreende

A recuperação acelerada da economia em 2009 abre espaço para um crescimento forte no ano que vem. “A princípio, 2010 já abriria com um carry-over (o que é repassado do crescimento de um ano para o outro) de 1,3%, o que não é garantia de crescimento para o ano, mas, dadas as condições positivas da economia esperadas para o período, 4% de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) estariam praticamente garantidos”, diz o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

A Tendências elevou suas projeções para o ano que vem, com base nos últimos números da economia. Agora, a consultoria já projeta alta de 4,8%, sendo dois pontos porcentuais decorrentes de efeito estatístico.

Para Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, o PIB cresce neste terceiro trimestre a um ritmo de 3% em relação ao período anterior. “Isso mostra que economia vai entrar embalada em 2010.”

Borges avalia que o processo de recuperação já se espraia pela economia. “Se antes era nítido no consumo, agora vai ficar claro que a recuperação alcançou grande parte dos setores da economia”, afirma Borges. “Até o exportador, que já começa a observar melhorias na quantidade de produtos exportados, deve ficar mais feliz.”

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, prevê a retomada dos investimentos nos próximos meses. “O crescimento imaginado para este ano esta fortemente influenciado pela ocupação da capacidade ociosa que a crise provocou nas fábricas”, diz. ” Possivelmente a partir do fim do ano, além de crescer pelo lado da ocupação da capacidade ociosa, também haverá uma retomada dos investimentos.”

Ele nota que a crise reduziu a produção, interrompendo a expansão dos investimentos. “O que ocorreu no fim do ano passado não foi o abandono de projetos de investimento, mas postergação.”

13/08/2009 - 10:02h Brasil pode gastar mais se for responsável

 

Alberto Tamer* – O Estado SP

 


Por que a economia mundial está saindo da recessão mais cedo do que se previa? Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, responde refletindo o pensamento de quase todos: basicamente por causa da grande intervenção governamental. Os países em que ela foi mais intensa, Estados Unidos, China, Brasil, estão se livrando antes. Os que tardaram ou foram tímidos, todos na União Europeia, vão demorar e sofrer ainda muito. Esse é um fato insofismável. Foi isso que evitou a segunda grande depressão da história, afirma Krugman.

HÁ UM LIMITE. QUAL?

O Brasil antecipou-se ao lançar uma política fiscal ousada e consistente que está funcionando bem, mas chegou a hora de perguntar: qual foi o custo e até quando o governo poderá mantê-la sem pôr em risco o equilíbrio fiscal e a sua credibilidade externa? Esse tema tem provocado discussões acaloradas entre economistas e a equipe econômica. Até o sempre tranquilo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, perdeu a calma e chamou de especuladores os que condenam a política anticíclica e a acusam de pouco responsável por seus efeitos negativos na estabilidade fiscal.

A resposta mais consistente e bem documentada veio, em artigo de Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti, no Valor desta segunda-feira. “Há espaço ainda para manter o estímulo, mas há riscos de gastos permanentes de difícil reversão”, como vem ocorrendo, afirmam.

O estímulo do governo à economia foi significativo. Em 12 meses, o superávit fiscal primário situava-se pouco acima de 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Em julho, recuou para 2% e a projeção é que feche o ano entre 1,5% e 1,8%.

“Há, assim, um estímulo fiscal superior a 2% do PIB.”

Comparando com o esforço de outros países para impedir uma recessão profunda, poder-se-ia argumentar que o estímulo fiscal brasileiro é até modesto. Nos Estados Unidos, o déficit – não superávit – passou de 3% do PIB em 2008 para 13% neste ano; a dívida pública, que era de 41% do PIB em 2008, está perto de 55% neste ano, segundo o Congresso. Estima-se que, se nada for feito, poderá chegar a 85% do PIB em 2019.

“Os EUA podem elevar até fortemente a dívida pública porque têm uma reputação de disciplina fiscal e nunca tiveram um default. As mudanças macroeconômicas dos últimos anos permitem ao Brasil realizar uma política fiscal contracíclica (a atual), mas nosso passado nos obriga a fazê-lo em dimensões muito mais modestas”, afirmaram Pastore e Pinotti.

Para eles, o fantasma do crescimento explosivo da dívida pública não é mais tão aterrador como no passado. Hoje, a dívida pública consolidada é apenas um pouco acima de 40% do PIB mas as taxas de juros, que incidem sobre ela, vêm caindo continuamente, reduzindo seu peso.

Eles estimam que se for deduzida a inflação, de 4,5%, dos juros e um crescimento mesmo modesto de 3,5% no próximo ano, “serão necessários superávits fiscais inferiores a 2% do PIB para estabilizar a dívida líquida. Conclusão: não se ressuscita o fantasma do default, que já tivemos, “mas aumenta a tentação de elevar os gastos e reduzir mais o superávit primário”. Isto é, o risco não está em manter a atual política de estímulo fiscal, mas de usá-la mal com gastos permanentes. E essa tentação de gastar mais e com menos responsabilidade é ainda maior num ano eleitoral em que o governo já tem um candidato. Gastar mais aumenta a demanda, ajuda sair da recessão, mas a eleger o novo presidente também. Este é o risco. Gastar mais em áreas que dão mais resultado eleitoral, mas tem retorno pouco sustentável e efeitos fiscais danosos.

ENTÃO É MUDAR TUDO?

Não. Nem aqui nem nos Estados Unidos, onde só há notícias positivas. Graças aos benefícios fiscais e tributários a economia americana que estava caindo 6%, recuou apenas 1% no segundo trimestre. Está saindo do fundo do poço. Na China, o enorme pacote de estímulo essencialmente à demanda interna e, mais ainda, empréstimos bancários de mais de US$ 1 trilhão em alguns meses, estão fazendo que a economia cresça 7% neste ano. Em ambos, o objetivo que está sendo alcançado, é restabelecer a confiança do consumidor e reanimar o mercado interno. No Brasil, também. Poucos duvidam que o PIB será positivo neste trimestre e poderemos terminar um ano com um índice pelo menos de estabilização após dois trimestres negativos.

Por isso, não há como condenar a política fiscal, mesmo que ela reduza o superávit. É o preço que estamos pagando para evitar que o desemprego aumente e a recessão se prolongue. Todos os indicadores econômicos de consumo, emprego, construção civil são positivos. Essa política deve ser mantida.

O risco, alertam Pastore e Pinotti, com muita propriedade e comprometer-se com gastos permanentes que não podem ser desfeitos quando a situação voltar à normalidade; o risco é acreditar que simplesmente o aumento do consumo, mesmo ao custo de uma redução do superávit e do equilíbrio fiscal, representa uma solução permanente para voltar a crescer.

O governo está acertando com política anticíclica mas precisa resistir à enorme tentação de gastar mais já que o superávit fiscal ainda permite. Mas será isso possível num ano eleitoral? O que acha o leitor?

*E-mail: at@attglobal.net

13/08/2009 - 09:12h Lula tinha razão, foi uma “marolinha”

Bem na foto

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Celso Ming – O Estado SP

À medida que se consolida a percepção de que a crise global não foi tão destruidora como parecia e que, afinal, a virada está a caminho, é preciso perguntar quais as consequências de tudo isso para o Brasil.

Sortudo ou o que for, o presidente Lula ficou com a razão. Comparada com as projeções feitas pelo Morgan Stanley e seu economista-chefe, Marcelo Carvalho, de que o PIB do Brasil mergulharia 4,5% neste ano, a afirmação de Lula de que isso não passaria de “marolinha” estava bem mais correta.

Terça-feira, o presidente executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, avisava que o PIB brasileiro no segundo semestre avança ao ritmo de 4% ou 5%. Assim, ainda que o resultado líquido do ano fique perto de zero por cento, para 2010 já se pode esperar números próximos dos 4%.

Como esta coluna já fez em outras oportunidades, não dá para fechar os olhos para a atual deterioração das contas públicas. Em apenas nove meses, o déficit do setor público saltou de 1,8% do PIB para 3,2%. E o enorme despejo de recursos na economia, que o governo alardeia como sendo política anticíclica, baseou-se em despesas de má qualidade, na medida em que se concentraram não em investimentos, que trariam retorno, mas em despesas correntes, com o funcionalismo público e aposentadorias, que ficam nisso.

Mas não se pode negar a qualidade do resto. Fato inédito, a economia brasileira sai dessa crise com reservas externas superiores às que tinha no seu início. Os juros básicos (Selic) estão em seu nível mais baixo desde 1999. A inflação ficou enquadrada na meta (e em queda). O desemprego está mais baixo do que nos países ricos. E o crédito segue em expansão e já permite o esticamento dos financiamentos habitacionais para além de 20 anos. São condições que, por si sós, constituem credenciais de grande validade para novas decolagens.

A crise e as circunstâncias trouxeram outros benefícios de longo prazo. Acabou, por exemplo, o risco de apagão no sistema de energia elétrica, um pouco porque a derrubada da atividade industrial reduziu o consumo e outro pouco porque o extraordinário período de chuvas encheu os reservatórios e ficou afastada a ameaça de insuficiência de energia elétrica por pelo menos mais três anos.

É provável que o crescimento do PIB deste ano seja alguma coisa acima de zero por cento, como novas projeções estão indicando. Mas, mesmo que seja zero, será o quinto ou o sexto melhor desempenho do planeta, atrás apenas da China, Índia, Indonésia, África do Sul e, talvez, Colômbia.

Assim como o governo americano terá de enfrentar a estratégia de saída da crise, o governo brasileiro terá de normalizar o regime tributário dos setores que foram beneficiados com isenção de IPI.

A queda das vendas da indústria automobilística em julho, de 4,9% em relação a junho, parece comprovar que os benefícios se limitaram a antecipar as compras; não criaram mercado novo. E, se foi assim, a indústria voltará a ter dificuldades nos próximos meses.

Em todo o caso, se o governo Lula não fizer nenhuma grande besteira, a economia brasileira tem tudo para mostrar bom resultado no ano que vem.

CONFIRA

Como o mercado esperava, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manteve os juros básicos entre 0% e 0,25% ao ano. O que surpreendeu muitos analistas foi o tom brando com que o Fed tratou da recuperação da economia.

Muitos acreditavam que a recente melhora da atividade levaria o BC americano a acabar com o afrouxamento no primeiro semestre de 2010.

No entanto, o Fed fala em garantir um nível excepcionalmente baixo para os juros por um período prolongado. Uma das prováveis consequências disso é a desvalorização do dólar ante outras moedas, como o real.

10/08/2009 - 12:36h Indústria brasileira interrompe demissões e já começa a contratar

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Um quarto das empresas do setor quer ampliar os quadros até setembro; montadoras abriram 300 vagas em julho

Márcia De Chiara e Cleide Silva – O Estado SP

A indústria parou de demitir e começa a contratar. Os resultados de junho de pesquisas, tanto de órgãos do governo como de entidades privadas, indicam que o emprego industrial ou tem uma pequena queda, ou dá sinais de recuperação em relação a meses anteriores.

Em julho, pela primeira vez em oito meses, o emprego na indústria automobilística cresceu: foram abertos 300 postos de trabalho, conforme será divulgado hoje pela Anfavea. Além disso, a partir do mês passado, foram anunciadas perto de 2 mil vagas nas montadoras.

Assim como na indústria automobilística, há contratações significativas nas siderúrgicas, nas fábricas de eletrodomésticos e até na indústria calçadista. Em razão da reversão no quadro, é consenso entre empresários, sindicalistas e economistas que a fase de demissões em massa ficou para trás. Com os estoques ajustados e o mercado doméstico aquecido, as indústrias se preparam para a temporada de contratações.

Quase um quarto (23,2%)das 1.115 indústrias consultadas pela Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da FGV em julho pretende ampliar as contratações até setembro, enquanto 15,3% delas planejam demitir.

Pela primeira vez desde outubro de 2008, a fatia de empresas que quer contratar supera a que planeja demitir. Em dezembro, no auge da crise, a situação era inversa: 32,5% planejavam cortes e 15,5%, contratações.

Também pela primeira vez desde outubro de 2008, o indicador de emprego previsto para os próximos três meses em julho superou a média desde 1995, aponta a FGV. No mês passado, esse indicador ficou em 107,9 pontos, ante a média histórica de 101,4 pontos e do resultado de junho (97,2). O indicador de emprego previsto é calculado a partir do saldo entre o porcentual de empresas que pretendem contratar e as que planejam demitir, somado 100 e descontada a sazonalidade.

Dos 14 gêneros pesquisados, 13 registraram crescimento no indicador de emprego previsto em julho ante junho, apesar de continuar abaixo do mesmo período de 2008. Só no setor químico não houve crescimento no indicador de emprego previsto. “A recuperação do emprego previsto em julho ante junho é quase generalizada”, afirma o coordenador técnico da pesquisa, Jorge Ferreira Braga.

A indústria de material de transporte, que inclui as montadoras, é a que teve maior recuperação no emprego previsto para três meses. A Valeo Iluminação, por exemplo, que fornece para grandes montadoras, contratou 70 trabalhadores entre maio e julho. Neste mês, 40 foram efetivados.

“Entre agosto e outubro, há perspectiva de mais 30 contratações”, conta o diretor de Recursos Humanos, Francisco Cuesta. Para ele, o cenário é claro até setembro. “O que preocupa é como vai ficar o mercado com a volta do IPI .”

10/08/2009 - 12:03h Tendência de demissão se reverte

Tanto o indicador do IBGE quanto o da FGV mostram que a indústria pretende contratar mais empregados

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Márcia De Chiara – O Estado SP

Mais importante do que a intensidade da recuperação do emprego industrial que começa a se desenhar para os próximos meses é a reversão na tendência: de aumento nas demissões para ampliação nas contratações. Três indicadores de junho, dos quais dois apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além do indicador de emprego previsto para três meses para o emprego industrial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), confirmam a mudança de rota.

Pela primeira vez desde novembro do ano passado, a população ocupada na indústria nas seis regiões metropolitanas do País cresceu 1,7% em relação ao mês anterior, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Foram criadas 58 mil vagas em junho. “Sem dúvida, é um primeiro sinal de recuperação”, afirma o gerente da PME do IBGE, Cimar Azeredo.

Apesar da reação em junho ante maio, ele pondera que a população ocupada na indústria caiu 4,2% no primeiro semestre, 5,2% de outubro de 2008 a junho deste ano e 5% em junho deste ano ante o mesmo mês de 2008. Para ele, o crescimento da ocupação no mês é importante porque a indústria, que responde por 16,4% da ocupação total, incluindo os demais setores, “dá o tom” do emprego.

Outra pesquisa, também do IBGE, que apura apenas o emprego industrial, porém em todas as regiões do País, revela que o emprego na indústria caiu 0,1% em junho ante maio. No mês anterior, o recuo havia sido maior, de 0,5% na comparação com abril. O resultado confirma, de certa forma, um arrefecimento no ritmo de queda.

Também revela que a mudança na trajetória do emprego industrial começou antes nas grandes cidades, já que o outro indicador do IBGE, que cresceu em junho ante maio, mede a ocupação industrial nas seis regiões metropolitanas.

O indicador de emprego dessazonalizado da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em queda mês a mês desde novembro do ano passado, está diminuindo o ritmo de contração. Entre dezembro e abril, a queda média mensal havia sido de 0,9%; em maio, o recuo foi de 0,4% e, em junho, o último mês disponível, a retração foi de apenas 0,2%. “É o oitavo recuo seguido, mas, nos últimos dois meses, a queda perdeu força”, afirma o economista da CNI Marcelo de Ávila.

Segundo o economista, a expectativa da CNI é de que o emprego industrial volte a crescer em algum momento neste semestre porque o ajuste mais forte nos estoques está terminando. Na opinião de Ávila, essa retomada do emprego em pouco mais de um semestre não indica que as demissões feitas pelas empresas foram precipitadas, quando a crise se acirrou a partir de setembro do ano passado. “É caro demitir”, argumenta.

SINDICATOS

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, a fase mais aguda de cortes da mão de obra terminou. “Faz um mês que as indústrias pararam de demitir e só estão contratando.” Apesar de ainda não ter números consolidados, ele notou uma movimentação positiva, com contratações pulverizadas. “Há empresas contratando cinco, outras dez. É o reflexo da retomada.” O sindicato representa 260 mil metalúrgicos, distribuídos em 11 mil empresas.

10/08/2009 - 11:45h Mercado interno aquecido puxa o emprego

http://www.sdr.com.br/negocios1.gifFabricantes de eletrodomésticos, calçados e siderúrgicas contratam

Márcia De Chiara – O Estado SP

Nas fábricas de geladeiras, fogões e máquinas de lavar, que também foram beneficiadas pelo corte do IPI, o cenário é favorável ao emprego. A Whirlpool contratou 1.300 trabalhadores temporários desde maio em Rio Claro (SP) e Joinville (SC). Desse total, 400 foram efetivados em junho. “A tendência é efetivar os demais”, diz o diretor de Relações Institucionais , Armando Annes do Valle.

A Electrolux também contratou, desde maio, 600 trabalhadores como efetivos nas fábricas de Curitiba (PR), São Carlos (SP) e Manaus (AM). “Estamos avaliando novas contratações para este semestre. Pode chegar a mil vagas”, afirma o diretor de Marketing, Ricardo Cons. Ele diz que o crescimento das vendas de mais 20% no mercado doméstico no primeiro semestre m razão do corte do IPI a partir de abril provocou o aumento nas contratações. Hoje, com aproximadamente 7 mil funcionários, a companhia já repôs o total de trabalhadores dispensados na virada do ano.

A maior procura no mercado interno por carros, máquinas de lavar e geladeiras puxou a produção de aço e as contratações nas siderúrgicas. A CSN, por exemplo, abriu 700 vagas até julho em Volta Redonda (RJ) e tem previsão de ofertar mais 200 postos de trabalho no mês que vem. Desse total, 411 trabalhadores foram efetivamente contratados. A maioria é de ex-funcionários demitidos na virada do ano.

A recuperação no emprego industrial não ocorre apenas nos bens duráveis, que foram beneficiados pela maior oferta de crédito e o corte no IPI. A indústria de vestuário e calçados figura numa lista da FGV de oito segmentos com maior peso na produção industrial e com perspectivas favoráveis de recuperação do emprego previsto para três meses.

Nessa direção, a Bottero, maior fabricante de calçados femininos em couro, acaba de abrir 400 vagas nas três unidades no Rio Grande do Sul. “Já preenchemos metade delas. As demais devem ser ocupadas até o fim deste mês”, prevê o diretor Administrativo e Financeiro, Marco Antônio Coutinho.

Depois de demitir 150 funcionários no segundo semestre de 2008, a empresa repôs os quadros no primeiro semestre. Coutinho diz que a mudança de rota ocorreu em razão dos bons resultados deste ano. O faturamento e a produção cresceram 10% entre janeiro e junho deste ano ante igual período de 2008.

“O mercado interno, que responde por 85% das vendas, está bom para nós, que fabricamos calçados de couro”, diz Coutinho. Animado com o cenário, ele já prevê a abertura de mais 400 vagas para o primeiro semestre do ano que vem.

24/07/2009 - 08:49h Melhorou

 

 

Celso Ming,O Estado SP

 

 

celso.ming@grupoestado.com.br


Esta crise não deixa de ser um tanto esquisita. É a maior paradeira global desde os anos 30 e, no entanto, a economia brasileira vai passando por ela com algumas avarias, sim, mas inteira.

Ontem, por exemplo, saíram os números da Pesquisa Mensal do Emprego levantada pelo IBGE e o que se viu não deixou de surpreender: crescimento do nível de ocupação de 0,8% em relação a maio. Nas contas do IBGE, em junho havia 40,8 milhões de pessoas em idade de trabalhar (população em idade ativa) nas seis regiões metropolitanas cobertas pela pesquisa (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio, São Paulo e Porto Alegre). E, entre essas, 21,1 milhões estavam trabalhando num emprego ou numa ocupação remunerada. Donas de casa ou voluntários, embora ativos, não entram nessa conta porque seu trabalho não é remunerado. Outro dado, correspondente ao anterior, é o que aponta para o nível de desocupação. Caiu 0,7 ponto porcentual em junho (em relação a maio) e se mantém estável desde junho do ano passado – justamente o período de crise.

Esses números causaram alguma surpresa porque os analistas que lidam todos os dias com indicadores econômicos não esperavam por dados tão otimistas.

Mas existem boas explicações para isso. Em primeiro lugar, há as políticas anticíclicas tomadas pelo governo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na venda de veículos e de aparelhos domésticos. Elas devem ser criticadas por não promoverem riqueza permanente. Esses recursos não foram utilizados, por exemplo, na realização de projetos de infraestrutura, como estradas, hidrelétricas, pontes e terminais portuários; vão ficar na antecipação do consumo. Em todo o caso, contribuíram para o aumento do emprego.

O mesmo pode-se dizer do crédito, que continua em expansão. O que arriou foi o crédito externo, em consequência da interrupção das operações ativas dos bancos internacionais. Mas, aqui no Brasil, não há nada de especialmente errado com os bancos e em seis meses o crédito cresceu de 41,3% para 43% do PIB.

O terceiro fator de aumento de emprego é o bom desempenho da construção civil. Os números do IBGE não estão indicando aumento no setor, mas apenas manutenção da atividade, o que, em tempos de crise, já é motivo para comemoração.

Os novos números sobre o nível de ocupação (e desemprego) não podem ser tomados isoladamente. Devem ser comparados com o bom desempenho do comércio exterior (saldo, no ano, de US$ 16 bilhões até a terceira semana de julho); com a inflação em queda, que converge para meta; com a redução dos juros básicos ao patamar mais baixo em dez anos; e com a excelente situação das reservas externas, agora de US$ 210 bilhões, que contribui para a manutenção de um bom nível da confiança. É verdade que o crescimento da atividade econômica continua baixo, provavelmente alguma coisa acima de zero por cento, e que as despesas correntes do governo estão crescendo demais. Em todo o caso, vai-se firmando a percepção de que o Brasil vem tendo um excelente desempenho ao longo desta crise e que vai sair bem melhor do que entrou quando tudo tiver acabado.

Confira

Tem de estar lá – Se a Ata do Copom, a ser divulgada na próxima quinta-feira, não mencionar o risco eleitoral com que a política monetária terá de lidar, deve-se compreender que, no entendimento do Copom, o risco eleitoral não é relevante.

No entanto, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vem afirmando que o chamado risco eleitoral já tem sido fator relevante na formação dos juros de longo prazo.

Por risco eleitoral entenda-se a insegurança nos juros (ou no câmbio) futuros provocada pela falta de conhecimento do que será a política do próximo governo para esses setores.

15/07/2009 - 12:04h Com forte impulso do consumo, PIB deixa recessão para trás

lula_ok.jpgConjuntura: Previsões mais otimistas apontam para alta de mais de 2% no 2º trimestre

Sergio Lamucci, de São Paulo – O Estado SP

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2009 confirmará que a recessão ficou para trás, com um crescimento que pode superar 2% em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal, segundo as previsões mais otimistas. Divulgados ontem, os números de vendas no varejo de maio reforçaram a avaliação de que o consumo das famílias – o principal motor da demanda – avança a um ritmo razoável, impulsionado pela massa salarial, que nos 12 meses até maio ainda cresceu 6,6%, descontada a inflação. A possibilidade de que o PIB tenha uma variação ligeiramente positiva no ano aumentou, embora vários analistas ainda apostem em contração em 2009.

No quarto trimestre de 2008, o PIB recuou 3,6% sobre terceiro, devido ao impacto da crise global. No primeiro trimestre deste ano, houve nova queda, de 0,8%, caracterizando um quadro de “recessão técnica”, marcado por duas retrações trimestrais seguidas do PIB.

O economista-chefe do Banco Safra de Investimento, Cristiano Oliveira, diz que, desde o começo de abril, a economia brasileira indica que o pior momento para a atividade ficou para trás. Segundo ele, o grande destaque é o consumo das famílias, que continua a exibir “uma robustez bastante relevante”. A queda dos juros, a política fiscal expansionista, a redução de impostos em setores como o automotivo e a desaceleração apenas moderada do ritmo de expansão da massa salarial explicam esse desempenho, diz Oliveira.

Esses fatores impulsionam as vendas no varejo, que em maio cresceram 0,8% em relação a abril, feito o ajuste sazonal. Nesse cenário, Oliveira projeta preliminarmente uma alta de 2,3% para o PIB no segundo trimestre, na comparação com o primeiro.

No começo do mês, ele revisou a sua estimativa para o resultado do ano de crescimento zero para um avanço de 0,3%. “Outro ponto importante é que o impacto máximo do afrouxamento da política monetária deve ocorrer no quarto trimestre deste ano”, afirma Oliveira.

O estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, elevou ontem a sua projeção para a alta do PIB no segundo trimestre de 1,1% para 1,4%. A revisão foi motivada pelo desempenho favorável das vendas no varejo. Ele esperava estabilidade em relação a abril, mas houve uma expansão de 0,8%. Para o segundo trimestre, Lintz projeta crescimento de 1,6% do consumo das famílias.

Com isso, Lintz também mudou a sua estimativa para o PIB no ano. Em vez de uma queda de 1,2%, ele passou a projetar retração de 0,9%. Um dos problemas é que a “herança estatística” (o carry over) que 2008 deixou para 2009 é muito negativa, de 1,5%. Isso significa que, se a economia se mantivesse no nível do fim do ano passado, o PIB encolheria 1,5% neste ano. Mas há outros motivos para a cautela de Lintz: a massa salarial vai perder fôlego ao longo do ano e o setor automotivo terá um quarto trimestre mais fraco do que os anteriores, já que a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos vai aumentar gradualmente a partir de outubro. Além disso, o impacto da redução do esforço fiscal do governo tende a ser menor daqui para frente.

A economista Silvia Ludmer, do Banco Fator, estima uma alta de 1,5% para o PIB no segundo trimestre. Segundo ela, o consumo mostrou um resultado mais positivo no semestre, enquanto a produção industrial teve um comportamento fraco, ainda influenciado pelo processo de redução de estoques. Para o PIB do ano, ela espera uma retração de 0,1%. “Se houver alguma revisão, ela tende a ser para cima.” Silva acha que o consumo deve reservar menos surpresas positivas daqui para frente, dada a perspectiva menos favorável para a massa salarial. Na indústria, pode haver alguma recuperação mais expressiva nos próximos meses, encerrada a desova de inventários.

Os economistas do Bradesco , por sua vez, apostam numa alta de 2,2% para o PIB no segundo trimestre. “Há uma perspectiva de continuidade do crescimento do setor de serviços, pelo lado da oferta”, apontam os analistas do banco, ressaltando os bons resultados do comércio varejista e os sinais de que o setor de intermediação financeira também foi bem, graças à recuperação do crédito, especialmente para a pessoa física. Para o ano, o Bradesco projeta queda do PIB de 0,5%, em grande parte devido ao efeito estatístico negativo.

A economista Marcela Prada, da Tendências Consultoria, estima crescimento no segundo trimestre de 0,5% em relação ao primeiro, mas diz que o número pode ser revisado para cima, com a incorporação dos resultados do varejo.

Já a situação na indústria é mais complicada, observa ela. De janeiro a maio, houve recuperação em relação aos meses imediatamente anteriores, mas o nível de produção ficou bem abaixo do registrado nos mesmos períodos de 2008. Para junho, estimativas com base na produção de automóveis, consumo de energia e fluxo de veículos pesados apontam um resultado menos favorável à produção industrial. O BNP Paribas projeta queda de 0,3% em relação a maio e de 11,3% sobre junho de 2008.

27/06/2009 - 10:00h Venda de carros atinge melhor nível da história

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Junho pode superar a marca de 288 mil carros vendidos em julho de 2008

Cleide Silva – O Estado SP

As montadoras estão prestes a fechar o melhor mês da história do setor. Até quinta-feira, foram vendidos no País 241,4 mil veículos novos. As empresas acreditam que, até o dia 30, conseguirão ultrapassar o recorde de 288,1 mil unidades comercializadas em julho do ano passado, incluindo caminhões e ônibus.

O resultado será obtido, em parte, por causa de antecipação de compra de consumidores que temiam o fim do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis. Na segunda-feira o governo federal vai anunciar nova prorrogação da medida, em vigor desde meados de dezembro.

Neste fim de semana, quase todas as marcas estão realizando feirões ou ações nas próprias concessionárias ainda com o mote de último fim de semana de IPI reduzido. A medida possibilitou a redução de 5% a 7% nos preços dos carros com motores 1.0 a 2.0. Somado ao imposto menor, fábricas e revendedores ampliaram os descontos e os automóveis estão, em média, 9% mais baratos em relação aos preços sugeridos na tabela de dezembro.

Há casos em que os descontos são maiores. No primeiro feirão que a francesa Peugeot realiza este ano, no estacionamento do Shopping Center Norte, na capital paulista, o compacto 206 1.4 flex é oferecido por R$ 24.990, 19% abaixo do preço de tabela anterior à redução do IPI. O modelo sedã 207 Passion 1.4 flex tem desconto de R$ 2,5 mil e é vendido por R$ 36.990.

A Renault realiza feirão no terreno ao lado do Playcenter, também na zona norte de São Paulo, enquanto Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford optaram por ações nas concessionárias. Somente no segmento de automóveis e comerciais leves, as vendas até o dia 25 somam 232,8 mil unidades, cerca de 15% a mais que em maio.

Com caminhões e ônibus, os negócios chegam a 241,4 mil unidades, enquanto em todo o mês de maio foram vendidos 247 mil veículos. Há vários modelos de carros em falta, com espera de até 40 dias.

O melhor desempenho deste ano foi em março, com 271,4 mil veículos vendidos. Inicialmente, o corte do IPI estava previsto para três meses e deveria acabar no dia 30 daquele mês, quando houve corrida às lojas. O governo federal decidiu manter a desoneração por mais três meses, prazo que venceria na quarta-feira.

Na segunda-feira, em encontro em Brasília com representantes das montadoras e das centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vão anunciar oficialmente a manutenção do corte de imposto para os automóveis e também para os setores da linha branca e materiais de construção, além de incluir máquinas e equipamentos no pacote.

No setor automotivo, um dos entraves está no segmento de caminhões, que também teve o IPI de 5% suspenso no período. Ao contrário do que ocorreu com os automóveis e comerciais leves, com vendas praticamente empatadas com as de igual período de 2008, os negócios com veículos pesados caíram quase 20% neste ano.

Há empresas do segmento de caminhões e ônibus estudando corte de trabalhadores, por isso não querem se comprometer com o governo em manter empregos caso essa contrapartida seja sugerida novamente.

“Não vamos abrir mão de manutenção de empregos”, disse ontem o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. A medida só entrou em pauta quando houve a prorrogação do corte do IPI. Ainda assim, foram fechados este ano 6,4 mil postos de trabalho referentes a contratos temporários vencidos e programas de demissão voluntária.

INADIMPLÊNCIA

Outra preocupação é o constante aumento da inadimplência nos financiamentos de automóveis. Segundo o Banco Central, 5,4% dos contratos estavam com atrasos acima de 90 dias em maio, ante 5,2% em abril. É o maior nível desde 2000.

Pesquisa informal feita em agências de cobrança de São Paulo pela MSantos, especializada no varejo de carros, mostra 20% dos contratos com atrasos de até 30 dias, 12% de 60 a 90 dias e 5,4% acima desse período, o que pode sinalizar para um aumento do calote nos próximos meses.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ainda não vê o índice de atraso acima de três meses como preocupante. Antes de 2008, contudo, a média estava na casa dos 3,5%.

26/06/2009 - 09:33h O IPI-HOP do governo Lula: Produção da Whirpool bate recorde em maio

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O Estado SP

EFEITO IPI

O diretor de Relações Institucionais da Whirpool, Armando Ennes do Valle Júnior, afirmou que a produção da companhia, voltada para itens da linha branca, bateu recorde em maio, resultado que deve se repetir em junho. A empresa, dona das marcas Brastemp e Consul, teve alta de 20% nas encomendas em maio, chegando a 25% apenas nas máquinas de lavar roupa, puxada pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

17/06/2009 - 13:00h Supermercados sustentam vendas no comércio

PEDRO SOARES – FOLHA SP

DA SUCURSAL DO RIO

Com o rendimento ainda em alta apesar da crise, as famílias foram às compras na Páscoa e garantiram crescimento de 6,9% nas vendas, em volume, do comércio varejista em abril ante o mesmo período de 2008, segundo o IBGE. É a maior taxa desde outubro de 2008 (9,8%), quando o comércio não havia sido ainda abalado pela turbulência externa.
Com a inflação menor neste ano e com o reajuste real do salário mínimo antecipado, os supermercados e as demais lojas de alimentos inflaram as vendas do varejo, beneficiadas pelo calendário. A Páscoa caiu em março em 2008 e em abril neste ano. Com disso, o setor supermercadista vendeu 14,1% a mais do que em abril de 2008.
Apesar do desempenho em abril, as vendas do varejo como um todo tiveram a pior performance no acumulado do primeiro quadrimestre do ano desde 2004, início da pesquisa. Subiram 4,5% no período.
Na comparação livre de influências sazonais com março, as vendas do comércio caíram 0,2%, num sinal de estabilidade, na avaliação do IBGE.
Segundo Nilo Lopes de Macedo, técnico do IBGE, o rendimento continua em expansão, mas as famílias estão menos confiantes com a manutenção do emprego e com o futuro da economia. Preferem, diz, gastar com itens mais baratos e evitar “dívidas de mais longo prazo”, apesar da melhora do crédito a partir de abril.
Nesse contexto, os supermercados, ramo de maior peso no varejo, leva vantagem e lidera o crescimento. De acordo com a Apas (Associação Paulista de Supermercados), as vendas se mantiveram em maio e nos primeiros dias de junho no mesmo ritmo de abril.

Câmbio
“Além de não ter havido perda de renda, muitas pessoas ressabiadas com a crise cortaram custos supérfluos e reduziram a alimentação fora do lar e compram mais alimentos para consumir dentro da casa”, diz Martinho Moreira, presidente da Apas.
O dólar, cuja cotação voltou a cair, também impulsionou as vendas de produtos importados e beneficiou o setor de supermercados. “Sempre que o dólar cai, o comércio melhora”, diz Carlos Thadeu de Freitas, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio).
É que, além da redução direta de artigos importados, muitos alimentos e outros produtos são feitos com matérias-primas vindas do exterior ou cotadas em dólar.
O câmbio deu um impulso também às vendas de artigos de informática e comunicação, barateados com a valorização do real. As vendas cresceram 27% em abril, em níveis próximos à fase anterior à crise externa.
O retorno do crédito também ajudou o setor, segundo Freitas. Esse efeito, no entanto, não beneficiou o ramo de móveis e eletrodomésticos, dependente dos negócios a prazo.
As vendas de móveis e eletrodomésticos recuaram 10% na comparação com abril de 2008. Nesse caso, os consumidores postergaram suas compras à espera da redução do IPI para produtos da linha branca (fogões, lavadoras e geladeiras), que só veio na segunda metade de abril. “A redução do IPI só vigorou em dez dias de abril. Em maio, os números vão ser bem melhores”, diz Luiz Góes, sócio da consultoria Gouvêa de Souza, especializada em varejo.

Ver também Alta do comércio e crescimento das receitas do setor mostra a força do mercado interno e das medidas de desoneração do governo federal

17/06/2009 - 12:26h Faltam automóveis nas lojas

http://www1.bestgraph.com/gifs/transport/voitures/voitures-05.gifPerto do fim do prazo de redução do IPI, faltam automóveis nas lojas

Modelos de maior saída só têm entrega prevista para julho, quando termina oficialmente a redução do imposto

Cleide Silva – O Estado SP

A duas semanas do fim do prazo oficial de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, modelos de maior saída desapareceram das concessionárias. A maioria dessas versões só tem entrega prevista para julho, quando o benefício terá acabado, caso o governo decida suspender a medida que zerou a alíquota do imposto para modelos 1.0 e cortou à metade a de carros com até 2.0 de potência.

A redução, em vigor desde dezembro, inicialmente teria validade por três meses, mas foi prorrogada por mais três, com prazo de vencimento em 30 de junho. Agora, o governo estuda se mantém o corte – que reduziu os preços dos carros novos entre 5% e 7% -, se aumenta o IPI gradualmente ou se retoma a alíquota normal, de 7% a 13%.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, voltou ontem a dizer que é contra a nova prorrogação e a retomada gradual das alíquotas. Ele defendeu a manutenção do corte apenas para o setor da construção civil, pois a medida iria ao encontro do programa do governo de construção e financiamento de casas populares.

O ministro admitiu, porém, que negociações sobre o tema entre governo, montadoras e sindicatos ainda não começaram, o que deve ocorrer na última semana do mês. “Até o último momento vou dizer que sou contra a prorrogação”, disse Miguel Jorge, ao citar representantes do setor automobilístico que alegam que “toda vez que se fala em prorrogação, diminuem as vendas”.

Na dúvida, os consumidores tentam antecipar compras, mas enfrentam falta de produtos. “Quase todos os modelos têm fila de espera de 20 a 30 dias, com exceção de Palio Fire e Mille Fire”, informou Daniel Queiroga, gerente da revenda Fiat Amazonas, grupo que tem seis lojas na capital paulista.

Na concessionária Toyota Caltabiano, na zona oeste, quase toda a linha Corolla e Hilux só tem entrega para daqui a 30 ou 45 dias, admitiu a gerente Maria de Lourdes Gameiro. “Para pronta entrega só temos algumas versões de menos saída, como Corolla XEi com câmbio mecânico, que custa cerca de R$ 64 mil”. Versões mais sofisticadas, como a de câmbio automático e banco de couro estão em falta. Essa versão está com preço reduzido em R$ 3,2 mil após o corte do IPI e é vendida a R$ 72,4 mil.

Na linha Volkswagen, a maior espera é pelo Voyage 1.0, de 20 a 25 dias, segundo o gerente da Amazon, na zona leste, Marcos Leite. “A fábrica está produzindo o que pode, fazendo horas extras aos sábados, mas não dá conta da demanda”, disse. “Muitos clientes pedem para eu garantir o preço reduzido até a entrega, mas não posso.”

Em outras revendas Volkswagen consultadas pelo Estado, também há fila de até 30 dias para a versão mais barata do novo Gol. A General Motors informou que “há espera em algumas lojas de 15 a 20 dias para Celta, Classic e Prisma”, mas revendas consultadas informaram que também faltam Meriva e Vectra. Na Ford, a espera para Fiesta, Ka e EcoSport é de 10 a 15 dias.

VENDAS EM ALTA

Na primeira quinzena de junho foram vendidos 117,8 mil veículos. Só em automóveis e comerciais leves foram 113,3 mil unidades, 6,4% a mais que em igual período de maio e cerca de 1% acima do volume do mesmo período de 2008. No acumulado do ano, foram vendidos 1,267 milhão de veículos, 3 mil a mais em relação ao ano passado.

A indústria trabalha com expectativa de vendas de cerca de 270 mil veículos até o fim do mês, volume próximo ao de março, quando também houve corrida às lojas por receio do fim da redução do IPI.

A medida foi adotada em meados de dezembro, quando as vendas despencaram em consequência da crise internacional e da falta de crédito. Desde então, as vendas estão praticamente empatadas com as do ano passado, quando não havia crise. O crédito também voltou ao bancos.

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a vontade de tornar a redução do tributo uma política permanente para o setor automotivo. Miguel Jorge, porém, acredita que a intenção de Lula é de um plano mais amplo de redução de impostos, mas sem esperar a reforma tributária, ainda longe de solução. O ministro quer ainda que seja tratada de forma isolada a discussão sobre a redução do IPI para carros, produtos da linha branca e material de construção.

17/06/2009 - 12:06h Venda de produtos da linha branca cresce 30%

 geladeira_empurrando.gifProblema da falta de produtos não atingiu todas as redes

Márcia de Chiara, Rodrigo Petry, Cleide Silva – O Estado SP

As vendas de eletrodomésticos da linha branca, que tiveram Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) reduzido, cresceram no varejo até 30% em resposta à queda nos preços e alguns modelos de máquinas de lavar roupas e geladeiras já começaram a faltar nas lojas, informam varejistas.

No Magazine Luiza, por exemplo, faltam geladeiras e máquinas de lavar, conta a presidente da rede, Luiza Helena Trajano. “A indústria já está aumentando sua produção para atender aos pedidos do varejo. Estamos com um crescimento médio de 25% dos produtos da linha branca que tiveram redução de IPI.”

Nas Lojas Cem, falta um ou outro modelo, principalmente de lavadoras, diz o diretor de Relações com o Mercado, Valdemir Colleone. “Não chega a ser um desabastecimento.” A maior dificuldade ocorre nos modelos de eletrodomésticos intermediários, como lavadoras de 10 quilos, cita o executivo. Ele conta que, após o corte no IPI, as vendas da rede cresceram 30% em maio ante o mesmo mês de 2008.

A dificuldade de abastecimento não atinge todas as redes. As Casas Bahia, maior varejista do setor, informam que não faltam produtos da linha branca e que têm estoques para 30 dias.

O Wal-Mart, que registrou um acréscimo de 30% nos itens da linha branca desde o corte de IPI, informa que está abastecido, mas ressalta que o prazo para atender os novos pedidos colocados pelo varejo está maior.

Para o diretor das Lojas do Baú, Décio Thomé, com a substituição tributária para os eletrodomésticos que passaram a recolher, a partir deste mês, imposto na indústria, aumentou a burocracia. E, segundo, essa mudança está emperrando o fluxo de mercadorias. “Para a minha rede não existe falta de produto. Nem pontual.”

INDÚSTRIA

“Faltando produto não está, mas todos os varejistas estão pedindo na mesma hora”, conta Patricio Mendizábal, presidente da Mabe, donas das marcas GE e Dako. Segundo ele, no caso de alguns modelos de geladeiras e lavadoras, a entrega leva entre dois a quatro dias, o que significa de um a dois dias de atraso do produto para o varejo. “Os estoques estão baixos e estamos acelerando a produção com horas extras.”

Lourival Kiçula, presidente da Eletros, que reúne a indústria de eletrodomésticos, admite que possa ocorrer a falta de um ou outro modelo. “Mas o abastecimento está absolutamente normal.” Segundo ele, o varejo trabalhou com estoques baixos no primeiro trimestre e a indústria com nível baixo de produção. Com o corte de IPI, as vendas cresceram 20% em maio e começou a corrida para repor os estoques.

“A indústria de eletrodomésticos não estava preparada para o grande aumento de vendas que se verificou após a redução do IPI”, disse ontem o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Ele acha que o setor repetiu o erro da indústria automobilística. Quando houve a redução do IPI, as montadoras tinham mais de 300 mil veículos em estoque. Muitas fábricas deram férias coletivas por longos períodos e, com o aquecimento das vendas, faltaram produtos.

16/06/2009 - 17:55h Alta do comércio e crescimento das receitas do setor mostra a força do mercado interno e das medidas de desoneração do governo federal

Com a Folha acontece uma coisa curiosa, ora ela destaca nos dados econômicos, a comparação com o ano anterior, ora com o mês precedente.

Em ambos os casos o destaque vai para o que for negativo.

Agora na Folha Online lemos no corpo da notícia, com os dados do IBGE:

“Em relação a abril de 2008, houve alta de 6,9%. No acumulado do primeiro quadrimestre, o comércio tem crescimento de 4,5% na comparação com o mesmo período um ano antes. No acumulado dos últimos 12 meses até abril, as vendas cresceram 7,1%.

Ao mesmo tempo, a receita nominal de vendas no comércio cresceu 0,2% em abril, na comparação com março. Em relação a abril de 2008, a receita teve expansão de 13%, com destaque para o setor de hiper e supermercados, cuja alta foi de 22%.”

Porem o título da nota é queda do comércio,

Vendas do comércio caem 0,2% em abril, informa IBGE

. O que não deixa de ser verdade. Como também é verdadeira a afirmação do IBGE, citada na nota da Folha: “Segundo o IBGE, o resultado de abril indica estabilidade nas vendas no comércio varejista”.

No blog de Miriam Leitão, “O economista-chefe da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, acrescentou, no entanto, que os resultados incorporam parcialmente os efeitos da redução do IPI sobre os produtos de linha branca (geladeiras, fogões, máquinas de lavar e tanquinhos). O imposto sobre esses artigos foi reduzido em 17 de abril deste ano.- Houve queda porque a redução do IPI ocorreu em meados de abril, ou seja, não pegou o mês cheio. O crédito também estava mais caro e curto no mês, o que melhorou a partir de maio.”

Qual é o significado dos dados de abril, mais ainda com as informações fornecidas pela Miriam Leitão? Vendas do comércio consolidadas que traduzem a força do consumo e das medidas de incentivo adotadas pelo governo federal. Confirmação do que foi a capa do jornal O Globo hoje:

“A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os eletrodomésticos da linha branca empurrou fortemente as vendas do setor, em especial de geladeiras e lavadoras de roupas. As vendas subiram 20% em relação a maio de 2008 e, em algumas redes, o crescimento chegou a 52%. Com isso, mostra reportagem do Globo nesta terça-feira, as redes de varejo já encontram dificuldades para repor seus estoques.”

A vitalidade do comércio é um dos elementos que mostram que o Brasil está recuperando bem mais rápido que os países ricos, da crise global.

É simples assim LF

16/06/2009 - 15:46h A recessão e o bolso dos brasileiros

Marcelo Neri – VALOR
O recém-criado Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) da FGV vaticinou: o Brasil está em recessão! A divulgação da queda do PIB brasileiro do primeiro trimestre, de 1,8%, a segunda queda consecutiva – confirma a recessão corrente. Mais do que a contração, houve parada súbita do crescimento que vinha se mantendo invicto há alguns anos. Houve forte dispersão do crescimento entre países, indo do crescimento de China (6,1%) e Índia (5,8%), similar ao do Brasil pré-crise, até a queda do Japão (-14,1%) e da Rússia (-9,1%).

Como a crise afetou a renda de brasileiros de diferentes classes econômicas? Os impactos da crise sobre os fluxos de renda familiar do trabalho da população em idade ativa nas áreas metropolitanas brasileiras estão aqui traduzidos, na composição de estratos econômicos, em rendas mensais de todas as fontes (classes E, até R$ 804; D, até R$ 1.115; C, até R$ 4.807, e A/B daí para cima).

A classe C se apresenta como a mais numerosa, com mais da metade da população (53%), embora do ponto de vista de renda a classe dominante seja a classe A/B, onde os cerca de 15% na população desta classe se apropriam de 55% da renda.

No imediato pós-crise, leia-se de setembro a dezembro, houve apenas pequena redução de 0,6% da classe A/B, que vinha crescendo acima das demais. Houve manutenção do movimento das demais classes: a classe C seguiu crescendo a 1,2% e as classes D e E mantém a tendência de queda. Já em janeiro, houve forte retração dos estratos mais altos: a classe A/B cai 2,74% e a classe C cai 2,2%. Apenas em janeiro, cerca de 760 mil pessoas dessas classes caíram às classes D e E. Entre os meses de fevereiro e abril temos um perfil semelhante ao período de setembro a dezembro de 2008, com continuidade da queda branda da classe A/B.

Como consequência da virada do ano, a tendência acumulada do pós-crise é de deslocamento das pessoas do estratos de renda mais altos para os mais baixos. O gráfico comprova que as tendências dos últimos anos foram subvertidas: as classes que ganhavam mais participação passaram a perder mais, e vice-versa. Senão, vejamos: no período pré-crise há ampliação dos estratos de maior renda e perda dos mais pobres. O aumento acumulado das classes A/B e C desde fevereiro de 2003 foi de 35% e 25%, respectivamente, com correspondente perda da participação das classes D e E de, -16% e -40%. Em seguida, quando tomamos o período pós-crise (setembro de 2008 a abril de 2009), observamos queda acumulada da classe A/B (-6,8%), seguido da queda de 0,8% na classe C e consequente crescimento das classes D (3,3%) e E (5,7%). De toda forma, as variações de renda destes anos, quando se olha em conjunto os últimos anos (de 2003 a 2009), mostram que houve melhora expressiva no poder de compra dos brasileiros nas grandes metrópoles: o aumento acumulado desde fevereiro de 2003 das classes A/B e C foi de 25,8% e 24%, respectivamente, com correspondente redução da participação das classes D e E, de -13,1% e -36,9%.

A crise começou nas bolsas lá fora, e aqui chegou ao bolso do cidadão comum. Além de torcer para que a retomada recente da bolsa chegue logo ao bolso do brasileiro, o que se pode fazer para proteger o mercado interno? Mais do que forte contração, houve parada súbita da renda dos brasileiros que só depois encontrou eco na redução dos juros. A pergunta que não quer calar é: por que não colocamos uma política monetária fortemente expansionista em campo logo ao primeiro anúncio da crise? Resposta provável: o Banco Central brasileiro é escaldado de inflação e não de recessão, mas não como o Fed dos EUA. Nosso maior temor é a hiperinflação, como o Bundesbank alemão, enquanto o do Fed é a grande depressão. Isto não tem nada a ver com a independência do BC. Quem deve escalar a política monetária é a autoridade monetária, mas era preciso partir para a redução dos juros logo no primeiro anúncio da crise que se aproximava.

Por que adotamos o tempo todo respostas permanentes à crise quando esta é essencialmente transitória? A crise é de natureza mais crítica do que crônica. Há que se fazer sintonia fina de instrumentos com a escassez de demanda nos mercados de bens e serviços vigente. Precisamos agir de maneira rápida e localizada no tempo. O PAC e o novo programa habitacional têm de ser tirado do papel durante a crise. Outras respostas com efeitos mais permanentes são mais demoradas para implementar e seus efeitos ultrapassam o tempo de duração da crise. Por exemplo, o reajuste do salário mínimo vai gerar impactos fiscais permanentes para o período pós-crise. Seria melhor buscar um abono temporário para ele. Conseguiríamos ser mais generosos em tempos de crise com os pensionistas e aposentados se o ganho fosse restrito aos tempos de crise. Acabamos num mundo pior, com menores impactos durante a crise e maiores impactos no pós-crise, quando eles jogam contra.

Já a redução tópica do IPI é uma medida bem sintonizada com a crise, induzindo a antecipação de compras. A dificuldade da redução do IPI é que ela é localizada – deveríamos pensar em soluções mais horizontais, abrangendo maior número de setores. Soluções localizadas devem buscar os mais pobres, que tendem a ser mais restritos no mercado de crédito e, portanto, a apresentar maior propensão ao gasto dos recursos fiscais repassados, mesmos repasses transitórios. Esta é uma diferença básica para a redução de imposto de renda às pessoas físicas que tendem a poupar os recursos face ao risco crescente de desemprego.

Marcelo Côrtes Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV, é autor de”Microcrédito: o Mistério Nordestino e o Grameem brasileiro”, “Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas” e “Ensaios Sociais”. E-mail: mcneri@fgv.br

16/06/2009 - 11:00h Imposto menor já provoca falta de eletrodomésticos

Estoques zerados

O Globo

RIO – A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os eletrodomésticos da linha branca empurrou fortemente as vendas do setor, em especial de geladeiras e lavadoras de roupas. As vendas subiram 20% em relação a maio de 2008 e, em algumas redes, o crescimento chegou a 52%. Com isso, mostra reportagem do Globo nesta terça-feira, as redes de varejo já encontram dificuldades para repor seus estoques.

No Magazine Luiza, que tem uma rede de 450 lojas, as vendas cresceram 25% e há dificuldade para recompor os estoques:

- Hoje não tenho uma máquina de lavar para entregar. E a Brastemp (Whirpool) também não tem – diz a presidente do Magazine Luiza, Luiza Trajano.

Outras redes confirmam que o item mais difícil de entregar são as lavadoras.

Hoje não tenho uma máquina de lavar para entregar. E a Brastemp (Whirpool) também não tem


Gladimir Somacal, diretor de compras da Colombo, disse, por sua vez, que o plano de elevar de 35 dias para 50 dias seus níveis de estoque, para aproveitar o último mês de vigência do IPI menor (que começou em 18 de abril e vale por 90 dias), esbarra na indústria, já que alguns fabricantes não estão conseguindo entregar produtos na proporção que o varejo gostaria.

Nesta semana, o governo começa a avaliar se vale ou não a pena prorrogar a redução do IPI sobre automóveis, linha branca e materiais de construção. Uma das propostas em estudo seria, especialmente no caso de automóveis, fazer um teste por um curto período de tempo, de um ou dois meses. Ou seja: manteria-se o benefício por um prazo inferior aos três meses de praxe para verificar – como na primeira prorrogação para montadoras – se o incentivo realmente ainda se justifica.

Se dependesse do Ministério da Fazenda, o benefício não seria prorrogado. O argumento é de que as vendas já tiveram uma forte recuperação.

Leia a reportagem completa no Globo Digital (conteúdo exclusivo para assinantes)