25/12/2008 - 12:20h Melhora o tratamento da questão das enchentes em São Paulo

Falando dos problemas das enchentes na cidade de São Paulo, o editorial do Estadão de ontem (ver aqui no blog Euforia natalina) -mesmo inteiramente favorável a administração Kassab- reconhecia que “o mapa de riscos, com áreas sujeitas a enchentes ou desabamentos, em períodos de chuvas na capital, é de 2003 – portanto, é preciso atualizá-lo.
Pelo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) cerca de 5.500 famílias moram em 562 pontos de risco, em encostas e margens de córregos. Desse total, 315 pontos são considerados de muito alto e alto riscos. Nas áreas mais perigosas há cerca de 11.500 moradias, onde habitam 57.500 pessoas. Considerando-se, porém, que os locais de risco com o correr do tempo vão se tornando ainda mais arriscados, é preciso que se faça, a respeito, uma rigorosa atualização de dados.”
Além de atualizar o mapa de risco, “com as áreas sujeitas a enchentes ou desabamentos”, é importante saber o que foi feito durante estes 4 anos nessas áreas e quais os projetos em andamento para reduzir o drama deste flagelo.
O jornal Folha de São Paulo disse ter recebido, já em 2007, um mapa mais recente . Segundo a Folha, Kassab tomo conhecimento do mapa há pelo menos dois anos (Kassab e a Folha aparentemente desconhecem o mapa de 2003). Mas independentemente de saber se o mapa de 2003 é o último mapeamento existente ou se outro foi realizado, atualizando os dados do precedente, o importante é saber o que foi feito até agora, após 4 anos de administração demo-tucana e às vésperas de iniciar Kassab um novo mandato de mais 4 anos. Mesmo se nos últimos 4 anos -com muito mais recursos- foram construidos muito menos piscinões que nos 4 anos precedentes, devemos supor -perante as informações coincidentes do Estadão e da Folha- que a situação nessa área está bem melhor.
A Folha está constatando hoje, com muita ironia, um “progresso” no tratamento do problema:
“A Prefeitura de São Paulo diz ter projetos para solucionar 14 dos 30 pontos crônicos de alagamentos na cidade, entre obras realizadas, em licitação ou estudos concluídos. Para um deles não existe uma solução técnica viável. E para os outros 15 não há projetos prontos, apenas estudos.
Essa lista dos trechos mais problemáticas -aqueles que nas chuvas ficam parcial ou totalmente intransitáveis- é conhecida pela administração Gilberto Kassab (DEM) há pelo menos dois anos. A situação é pouco melhor do que no início de 2007, quando a prefeitura informou à Folha os pontos principais. Na época, não havia previsão para 16 deles.
Conforme a Folha revelou ontem, 22 desses locais voltaram a causar transtornos neste ano, como aqueles vividos pelos paulistanos na última terça-feira, quando veículos e pessoas ficaram ilhados em várias partes da cidade.
Houve melhora também no número de obras realizadas ou em andamento neste ano em relação a fevereiro de 2007. Há quase dois anos, a prefeitura informava estar só com uma obra em andamento. Agora, são seis trechos com trabalhos em andamento ou concluídos.
Entre os trabalhos realizados está, por exemplo, o trecho da marginal Tietê sob a ponte das Bandeiras. Segundo o município, “o reservatório existente foi reformado com ampliação do número de bombas. O novo sistema já está em operação e, desde então, não foram registrados novos alagamentos”.
Esse trecho, segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), ficou parcialmente interditado das 15h40 às 18h18 da terça. Outros dois pontos onde a prefeitura diz ter feito obras ou serviços -avenida Dr. Ricardo Jafet com viaduto Saioá e avenida Professor Abraão de Morais com avenida Bosque da Saúde-, também ficaram alagados na terça.
Segundo a prefeitura, neste ano foram investidos R$ 321,3 milhões em ações antienchentes -94,75% da verba orçada.”
Ou seja, após 4 anos, a administração Kassab tem projetos para tentar resolver o problema em 14 pontos, dos 30 mapeados, e para o resto nem projeto tem. Dois anos atrás, segundo a prefeitura, tinha uma obra em andamento ou concluída, agora são seis. Segundo a Folha, em três dos seis o alagamento continua.
A ironia da Folha é mordaz. O descaso e abandono é posto em evidência, sem crítica ao prefeito, nem agressividade desmedida. O leitor atento percebe a incompetência e o jornal cumpre sua função de informar, com objetividade. Em relação ao editorial do jornal rival, o artigo da Folha mostra uma melhora no tratamento da questão das enchentes na cidade de São Paulo. Uma pequena melhora… do tratamento dado pela Folha. LF







