23/11/2009 - 12:00h Estadão dedica todas as cartas dos leitores ao IPTU cavalar de Kassab

Opinião – Forum de Leitores

INFELIZ ANO-NOVO

Depois de saber pelo Estado do brinde de infeliz ano-novo com que o nosso prefeito nos vai contemplar, reuni a minha família e comuniquei que estamos em economia de guerra. Nada de presentes, ceia de Natal, amigo secreto ou festas de réveillon. Esqueçam cinema, teatro, exposições, feiras e jogos de futebol em 2010. Afinal, precisamos economizar cada precioso centavo para poder quitar o novo IPTU. Faremos todo o sacrifício para não deixar de honrar o compromisso com o Município. Até o meu felino terá sua ração diária reduzida, pois também deve dar sua parcela de contribuição, como bom cidadão.

Wilson Roberto Moreira

wilsonrmoreira@globo.com

São Paulo

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LEVIATÃ

Se Thomas Hobbes (1587-1666) fosse vivo, descobriria, para seu espanto, que o monstro Leviatã por ele utilizado para representar a figura do Estado seria hoje um carneirinho se comparado à fúria tributária do Estado brasileiro dos dias atuais. São Paulo, por exemplo, vive dias dramáticos, com seus munícipes totalmente aterrorizados diante da sede insaciável de arrecadação de seu prefeito, que acena com aumentos estratosféricos do IPTU e de outros impostos. Como não há limite para a fixação das alíquotas, cuja majoração depende apenas de lei municipal aprovada pelos vereadores, a Prefeitura vai repetir essa façanha até matar a galinha dos ovos de ouro ou até que a sociedade tome alguma atitude para se salvar do monstro…

Antonio Roberto Testa

antonio@testa.adv.br

São Paulo

O prefeito Gilberto Kassab justificando os aumentos do IPTU com as melhorias feitas na cidade só pode ser piada de mau gosto. A pavimentação das ruas e calçadas está uma verdadeira indecência, um caos só. Buracos e ondulações por toda parte danificam veículos e põem pedestres em risco permanente. A nós, os contribuintes otários, resta apenas a esperança de poder dar o troco nas próximas eleições, saneando a cidade de gestores incompetentes e oportunistas.

Paulo Ribeiro de Carvalho Jr.

paulorcc@uol.com.br

São Paulo

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AQUI JAZ…

… a carreira política de um prefeito! O prefeito que, neste 2009, vem mostrando deficiências administrativas incríveis arrastará com sua desastrada iniciativa milhões de votos de seu mentor, o governador José Serra, para a candidatura Dilma Rousseff. E liquidará com alguns vereadores que apoiarem a descabida proposta (alô, sr. Police). Alegar que a planta genérica está desatualizada desde 2001 é uma meia-verdade. Teria sido esquecimento do prefeito não mencionar as centenas de milhares de novas unidades habitacionais construídas desde então e taxadas para IPTU com valores atualizados? Teria sido esquecimento ignorar que o IPTU vem sendo corrigido anualmente? Teria sido proposital não mencionar a significativa elevação da receita do Município com o ingresso de milhões de novos veículos comercializados no período, que transferem receita para o Município via IPVA? E as receitas com as infrações de trânsito, cuja destinação é bastante duvidosa? E a propalada valorização dos imóveis? Se não forem negociados, resulta em quantos reais no orçamento de seus proprietários moradores? A sociedade civil não aceita mais aumentos de impostos, taxas e tributos! Agora que a questão foi aberta, ao invés da discussão de aumentos, a sociedade organizada questionará a redução dos impostos. Os R$ 700 milhões esperados pela Prefeitura poderão ser obtidos e superados com a gestão adequada e honesta do hiperorçamento municipal. Sr. prefeito, dois lembretes: as ruidosas manifestações da sociedade que resultaram na rejeição de medida provisória que elevava impostos e a trajetória política da dona Marta.

Luiz Werner

lawerner@terra.com.br

São Paulo

Kassab quer subir em até 700% a base para calcular o IPTU. Por muito menos dona Martaxa perdeu a eleição. Lembram?

Mauro Roque

lauroroque@uol.com.br

São Paulo

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APOSENTADOS APAVORADOS

Kassab quer subir em até 700% a base para calcular o IPTU? Essa previsão de aumento creio ser coerente, principalmente se aplicada a imóveis de aposentados pelo INSS, que terão reajuste de uns 6%. Logo, não há do que reclamar… Será que Kassab pensa que toda a sociedade tem a mesma facilidade que os políticos para ganhar dinheiro neste país?

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Osasco

Comprei meu apartamento há muitos anos, em local hoje altamente valorizado. Tenho 77 anos, sou aposentado, honro meus compromissos com dificuldade financeira e, como muitos outros proprietários na mesma situação, estou muito temeroso pelo aumento do IPTU. Será que o prefeito Kassab levou isso em consideração? É uma questão de Justiça.

Ruy M. Forni

São Paulo

“Será que Kassab virou petista e agora procura prejudicar Serra em ano eleitoral?”

Ronny Cantarelli

São Paulo

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DESPROPÓSITO

Em tempos de inflação anual em torno de 5%, o aumento do IPTU conforme proposto pelo prefeito para 2010 é um despropósito.

James F. Sunderland Cook

sunderland2008@gmail.com

São Paulo

Mais lamentável do que o aumento do IPTU é a justificativa para o aumento proporcionalmente maior nas regiões ditas nobres, que, segundo o prefeito, foram beneficiadas ao longo dos últimos anos. O que observamos de fato, especialmente nessas regiões, é uma degradação contínua, promovida pelas diversas administrações, incluindo esta, que desrespeitam as leis de zoneamento e ignoram reclamações dos moradores. Faz-se vista grossa para o uso irregular dessas “áreas nobres” ao permitir à CET desviar o tráfego de veículos para seu interior, acompanhado de caminhões, vans de serviços, ônibus fretados ou não, sem falar na ação dos valets que se utilizam das ruas públicas de zonas residenciais para fins estritamente comerciais e em outros problemas graves. A Prefeitura não faz cumprir nem as leis e os decretos (50.566/2009, por exemplo) assinados pelo próprio prefeito! Parece que a palavra vale muito pouco, não é sr. prefeito? Então, como e por que acreditar que o acréscimo no IPTU “social” irá mesmo beneficiar a população menos favorecida? Parece óbvio, mas sempre vale como sugestão: procure primeiro ganhar um pouco de confiança de toda a população da cidade, não crie mais discórdias, não faça como os outros.

Carla Goldman

carla@if.usp.br

São Paulo

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DELÍRIO

Dizem que as pessoas podem “surtar” de repente. Deve ser o que aconteceu ao prefeito quando resolveu aumentar o IPTU da cracolândia em índices superiores aos da Avenida Paulista. O sr. prefeito já se deu ao trabalho de passar por lá e verificar in loco o estado deplorável dos imóveis e a frequência dessa zona, literalmente tomada por drogados? Aumentar a taxa por quê? Porque existe um projeto de revitalização que nunca saiu do papel? E que, depois desse tiro no pé que está tentando disparar, ficará ainda mais inviável? Caia na real, sr. prefeito! Tape os buracos da cidade antes de esburacar os nossos bolsos!

Sandra M. O. Nasrallah

sandranasrallah@gmail.com

São Paulo

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CALOTE GERAL

Os ilustres financistas da Prefeitura não percebem que aumento do valor venal de imóvel não é sinônimo de lucro no bolso? Poderá ser lucro um dia, em caso de venda do imóvel. É uma vergonha pagar aluguel em casa própria, principalmente conhecendo os limitados servicinhos “meia boca” prestados pela Prefeitura (posso fazer uma lista de duas páginas). É preciso trocar os cérebros burros ou mal-intencionados que cuidam tão mal das finanças da Prefeitura por cidadãos mais competentes e menos “espertalhões”, sob risco de calote geral. Talvez eu só volte a pagar na próxima gestão, que tal? Multa? Espero a anistia!

Ricardo M. Guerrini

ricguerrini@hotmail.com

São Paulo

22/11/2009 - 09:58h A (in)justiça social do IPTU de Kassab

http://www.estadao.com.br/fotos/kassab_serra_sergioNeves_p.jpg

IPTU maior não distingue áreas com ou sem obras

Mesmo acesso ao metrô, visto por Kassab como fator de valorização, não faz tanta diferença no novo cálculo

Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli – O Estado SP

“Não é justo uma pessoa beneficiada com largos investimentos, que teve o metrô que chegou perto de sua casa, pagar a mesma correção de imposto que o morador de uma área que não recebeu investimentos públicos.” A frase do prefeito Gilberto Kassab (DEM), proferida na última quarta-feira para defender os reajustes na Planta Genérica de Valores do município (uma das bases para o aumento do IPTU que deverá vir no ano que vem), acabou chamando mais a atenção dos paulistanos do que os próprios cálculos para o novo imposto. Depois de ver a então prefeita Marta Suplicy ser atacada quando mexeu no IPTU, Kassab resolveu agora enfrentar qualquer tipo de crítica da opinião pública afirmando que o projeto faria “justiça social”.

Segundo um levantamento feito pelo Estado com base nos dados oficiais apresentados pela Prefeitura, no entanto, a declaração é, no mínimo, uma meia verdade. Se o projeto de lei for aprovado por 28 dos 55 vereadores da Câmara, o aumento do IPTU de bairros que não receberam nenhum investimento público direto será praticamente igual ou até mesmo maior do que muitos endereços que ganharam avenidas, escolas, piscinões ou outras obras urbanas nos últimos dez anos. Há casos até como o Brás, bairro no centro que foi reformado pelos lojistas, e não pelo governo municipal, mas mesmo assim terá um aumento no imposto de quase 130%.

Mesmo o metrô, apontada atualmente como a principal melhoria de infraestrutura em São Paulo, não faz assim tanta diferença quando são analisados os novos parâmetros propostos pela Prefeitura. Enquanto em ruas da Chácara Klabin próximas à estação tiveram um aumento de 129% no valor do metro quadrado, segundo a revisão proposta na planta genérica, bairros como a Vila Nova Conceição e Jardim América, que estão bem longe de qualquer obra pública, valorizaram de 130% a 168%.

Perto da Ponte Octavio Frias de Oliveira, por exemplo, muitas ruas vão ganhar reajustes de 150% a 228%. Já em Heliópolis e Paraisópolis, onde há obras de reurbanização de favelas, o imposto poderá subir até 145% e 86%, respectivamente. O princípio da “justiça social”, no entanto, ganha assim distorções quando se analisa o Jardim Paulistano, Pacaembu ou Campo Belo – mesmo sem obras da Prefeitura, os reajustes vão de 83% a 210%.

“O errado também é a Prefeitura embutir uma valorização de até 100% para regiões que têm só uma expectativa de melhoria nos próximos anos. O morador dessa região – a cracolândia é um bom exemplo – não aumentou sua renda nessa proporção”, diz João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). “O governo fazer uma estimativa de correção, para ter uma base de dados, é correto. Agora, não é correto o governo aplicar a valorização do mercado e manter uma alíquota (0,8% a 1,6% sobre o valor venal do imóvel) alta que foi criada na época em que havia inflação e imprecisão nas estimativas.”

21/11/2009 - 10:01h IPTU de Kassab em debate

TENDÊNCIAS/DEBATES

A Prefeitura de São Paulo acerta ao propor o aumento do IPTU no ano que vem?

NÃO

Chega de aumento

AMIR KHAIR

O VALOR do IPTU de São Paulo é disparado o mais caro entre as capitais brasileiras e os 40 municípios do país com mais de 500 mil habitantes. A cidade tem 25% da população das capitais, mas arrecada 50% do IPTU total delas. Se aprovada a proposta do prefeito que aumenta o IPTU muito acima da inflação, essa disparidade crescerá ainda mais.
De 2001 a 2008, o IPTU da cidade cresceu 104,8%, e a inflação, 61,7%.
O IPTU é calculado multiplicando o valor venal do imóvel por uma alíquota que varia segundo faixas de valor e de uso (residencial, comercial, industrial ou terreno).
A Prefeitura de São Paulo pretende corrigir os valores venais -e acerta ao fazer isso, pois se trata de uma questão técnica que poderá permitir que dois imóveis de mesmo valor de mercado paguem o mesmo valor de IPTU.
Acerta também ao prever um fator que limita (”trava”) o aumento do IPTU entre este ano e o próximo, pois as distorções no valor venal poderão ser elevadas.
Mas, se isso é correto, por que já se esboça na sociedade paulistana uma forte reação a esse aumento?
É porque atingirá em cheio, em 2010 e nos anos sucessivos, a maioria dos imóveis com elevações muito superiores à inflação, com indesejáveis consequências sobre os orçamentos das pessoas e das empresas, que não estavam prevendo pagar o IPTU acima do nível de inflação, como ocorreu nos últimos oito anos.
O aumento pegará de forma mais intensa as empresas, que já sofreram forte impacto da crise e estão tentando se recuperar das perdas sofridas. E, com esse “presente”, no início do ano será reajustada a tarifa do transporte coletivo, tem o IPVA e despesas com material escolar, entre outras.
Muitos imóveis hoje isentos, apesar da elevação do valor venal de isenção para R$ 92.500, passarão a pagar IPTU com o aumento do valor venal.
Há um clamor na sociedade pela redução da carga tributária, considerada elevada nas comparações com outros países. Estamos recém-saídos da crise, e o momento, mais do que nunca, é na direção de reduzir, e não de ampliar a sobrecarga tributária sobre o paulistano.
Para tanto, seriam tecnicamente necessárias duas alterações na proposta apresentada pelo prefeito: a) compensar o aumento médio do valor venal dos imóveis com a redução das alíquotas que incidem sobre ele; b) reduzir a “trava”, de 40% para as residências e de 60% para os demais imóveis, para 15%, sem aumentá-la nos anos seguintes. A “trava” pode ser menor, pois a redução de alíquotas atenua os aumentos do IPTU.
A Comissão Municipal de Valores Mobiliários, criada pela Prefeitura de São Paulo em 1989 para acompanhar a valorização dos terrenos da capital, criticou os novos valores dos metros quadrados de São Paulo e pediu ao governo municipal uma revisão da Planta Genérica de Valores para não criar distorções futuras, desacreditando os novos valores venais.
A possibilidade de erro na forma massiva como é calculado o valor venal de cada imóvel pode ocasionar sérios problemas, sobretudo quando os aumentos de IPTU são exagerados.
Para evitar riscos de comoção na cidade por ocasião do recebimento dos carnês com o novo valor do IPTU, a prefeitura deveria disponibilizar imediatamente no seu site o valor venal e o valor do IPTU de cada imóvel relativos a 2009 e 2010, caso seja aprovada a proposta do prefeito. É o mínimo que se deveria fazer em respeito aos contribuintes.
O que surpreende é que o partido do prefeito (DEM) foi, ao lado do PSDB, o que mais se empenhou para derrubar a CPMF, visando reduzir a carga tributária. Conseguiram seu objetivo, impondo uma derrota ao governo federal no final de 2007. E agora? Esse aumento do IPTU será ignorado por esses partidos?
De qualquer forma, em reação a mais essa tentativa de aumento na carga tributária, já está se esboçando uma mobilização na sociedade para a não aprovação desse projeto, e a mídia está contribuindo para suprir a lacuna de informações, que está causando intranquilidade aos que já pagam um IPTU elevado sem receber a devida contrapartida em serviços da Prefeitura de São Paulo.


AMIR KHAIR , mestre em finanças públicas pela FGV-SP, é consultor. Foi secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (1989-1992).


A Prefeitura de São Paulo acerta ao propor o aumento do IPTU no ano que vem?

SIM

Uma questão de justiça fiscal

WALTER ALUISIO MORAIS RODRIGUES

A REVISÃO da Planta Genérica de Valores (PGV), que serve de base para o cálculo do IPTU, é tema sempre polêmico, que desperta discussões acaloradas. Nos últimos dias, os jornais têm noticiado que outras capitais, além de São Paulo, discutem a revisão do valor venal dos imóveis. Fica a pergunta: por que essas cidades pretendem revisar a PGV?
É importante esclarecer que a revisão da PGV é medida de justiça fiscal, que se presta a graduar o IPTU de forma isonômica e equitativa segundo a capacidade econômica dos contribuintes, conforme determinado pela Constituição. O IPTU é um tributo direto, que incide sobre o patrimônio, e é progressivo, por expressa determinação constitucional. Assim, os imóveis mais valorizados devem ser tributados de modo mais oneroso, a fim de que os mais modestos possam ter a tributação reduzida ou suprimida.
É preciso ficar claro também que os recursos originados pela cobrança do IPTU são aplicados diretamente no município. A educação, por exemplo, recebe mais de 30% desses recursos. Uma razão fundamental para a revisão da PGV decorre do fato de que, na maioria das cidades, os investimentos públicos e privados provocam mudanças no mercado imobiliário que se traduzem em alterações significativas do valor venal dos imóveis residenciais ou comerciais.
Na capital paulistana, um exemplo claro desse fenômeno ocorreu na região do largo da Batata, em Pinheiros.
Apesar de estar localizado ao lado de bairros muito valorizados, até pouco tempo atrás o largo da Batata era área pouco atrativa, em que predominava o comércio popular movimentado por um grande terminal de ônibus. Nos últimos cinco anos, fortes investimentos, realizados pelos governos municipal e estadual, estão mudando a região. E para muito melhor.
Em breve, uma nova estação da linha 4 do Metrô será ali inaugurada, o terminal de ônibus será totalmente remodelado, as calçadas serão alargadas e as ruas estreitas servirão de passagem apenas para pedestres. Além disso, a praça vai ganhar nova iluminação e o paisagismo será remodelado e ampliado.
O resultado imediato de tudo isso é que, mesmo sem as obras estarem totalmente prontas, a valorização imobiliária é expressiva na região -alguns apartamentos já dobraram de preço nos últimos dois anos. Por outro lado, há regiões na cidade em que, lamentavelmente, a desvalorização imobiliária é uma realidade.
Justamente para corrigir tais distorções é que se realiza a revisão da PGV. Em São Paulo, a última atualização ocorreu em 2001. Desde então, os valores sofreram apenas atualização monetária, com base na variação da inflação (IPCA), o que não reflete a dinâmica do mercado imobiliário.
A proposta de revisão, em discussão na Câmara Municipal, beneficia mais de 1 milhão de contribuintes, que ficarão isentos do pagamento do IPTU em 2010. Isso representa um crescimento de 21% no número de isenções em relação a 2009.
Ademais, quase 500 mil munícipes terão alguma forma de desconto na base de cálculo, ampliando-se assim em mais de 20% o número de beneficiados. A esses contribuintes devem ser somados outros 90 mil que, em razão da desvalorização imobiliária ocorrida em algumas regiões, sofrerão redução de até 70% no valor do imposto devido.
Desse modo, de um total de aproximadamente 3 milhões de imóveis cadastrados na capital, mais de 50% não se submeterão à cobrança integral do imposto. E, mesmo para os contribuintes que sofrerão reajuste no IPTU, o aumento não será integral, estando limitado a 40% para imóveis residenciais e a 60% para não residenciais. Tal medida beneficiará cerca de 3000 mil imóveis.
Por fim, é importante esclarecer que os novos valores de metro quadrado de terreno e de metro quadrado de construção, constantes da proposta de nova PGV, foram amplamente debatidos entre os representantes do poder público e da sociedade civil, em mais de 40 reuniões realizadas pelo Conselho Municipal de Valores Imobiliários desde 2002.
Assim, a revisão da Planta Genérica de Valores é uma medida de justiça fiscal e corretiva de distorções, tendo ainda caráter distributivo e social.


WALTER ALUISIO MORAIS RODRIGUES , 50, pós-graduado em economia pela Universidade Federal de Minas Gerais, é secretário municipal de Finanças de São Paulo.

21/11/2009 - 08:54h IPTU de Kassab: “considerando que o eleitor não tem boa memória, o prefeito tem agora os próximos dois anos para melhorar a imagem.”


Para especialistas, prefeito dá munição a rivais, mas decisão vem na hora certa

http://n.i.uol.com.br/ultnot/0810/26kassab_serra2.jpg

Fernanda Aranda – O Estado SP

Ao propor o aumento do IPTU em até 60%, Gilberto Kassab (DEM) rasgou um pedaço da bandeira política que levantou durante o período eleitoral, afetou a maior parte dos eleitores tradicionais, ofereceu escudo para o PT se defender de críticas históricas – a prefeita “Martaxa” é um exemplo – e os efeitos podem respingar na eleição presidencial de 2010, em que José Serra (PSDB), padrinho político de Kassab, é pré-candidato. Ainda assim, os mesmos analistas políticos ouvidos pelo Estado que fizeram essa lista de ressalvas acreditam que o prefeito também executou a “lição de casa” direito. Uma medida impopular, como a revisão de impostos, tem de ser feita no início da gestão, para ser amenizada até o fim do governo.

“Esse jeito de fazer política, de deixar toda a “maldade” para o início e dividir as bondades em prestações não é um jeito novo de governar. Maquiavel (o italiano Nicolau Maquiavel, pai da Ciência Política) já citava isso”, diz o presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos, Carlos Manhaneli. “Nesse sentido, Kassab fez tudo certo, como manda a cartilha”, avalia. Professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, José Paulo Martins Júnior também acredita que Kassab acertou o timing político. “Ele faz no momento certo. Não é logo em seguida às eleições, quando Kassab, em disputa com Marta (Suplicy, do PT), bateu no aumento de impostos, afirmou que iria reduzi-los e ainda sustentou que não iria aumentar as tarifas de ônibus”, lembra Martins Júnior. “Mas, considerando que o eleitor não tem boa memória, o prefeito tem agora os próximos dois anos para melhorar a imagem.”

Com o aumento de impostos, o prefeito paulistano mexeu no bolso de seu colégio eleitoral mais fiel, a classe média alta. A reportagem cruzou o mapa das isenções com o mapa do desempenho eleitoral de Gilberto Kassab no ano passado. Os distritos onde o então candidato do Democratas teve o melhor desempenho, com mais de 80% de votos (Jardim Paulista, Vila Mariana e Alto de Pinheiros), coincidem com os que sofrerão os maiores reajustes, justificados pela Prefeitura como locais onde seria necessária a execução de “justiça tributária”. “Essa mudança de posição com relação à questão tributária contradiz toda a temática de campanha de não onerar o cidadão”, afirma o professor de Ciência Política da PUC-SP Cláudio Couto. “Mostra também que as diferenças partidárias não são tão grandes.”

ELEIÇÕES

O cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas lembra que seria necessário fazer uma pesquisa para saber o quanto a medida de Kassab respinga em Serra em possível eleição presidencial. Mas a hipótese de efeito negativo não é descartada por Manhaneli e Martins Júnior. Já o cientista político Rui Tavares Maluf acha difícil que haja impacto. “São eleições diferentes, o eleitor aprendeu a separar.”

20/11/2009 - 12:55h IPTU de Kassab: aumento cavalar para todos


Aumento do valor venal é maior na periferia

Áreas de bairros distantes tiveram alta maior que outras com boom imobiliário

Para a prefeitura, partes da favela de Paraisópolis (zona sul) se valorizaram mais que a área do shopping Bourbon, aberto em 2008 na Pompeia

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

A revisão da planta genérica de valores, base para o cálculo do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), afeta mais a periferia que áreas nobres.
Áreas da favela de Paraisópolis e do Grajaú (zona sul), por exemplo, tiveram valorização maior, segundo os cálculos da prefeitura, que a área do shopping Bourbon, inaugurado em 2008 na Pompeia (zona oeste).
Segundo a prefeitura, em geral a valorização é resultado de investimento público e aquecimento do mercado.
O maior aumento que a Folha encontrou foi na rua Lagoa da Tocha, no Grajaú: o metro quadrado vai custar 690% a mais no ano que vem.
Na quadra da rua Turiaçu onde ficam o shopping Bourbon e o clube Palmeiras, o metro quadrado aumentou, para a prefeitura, 34,68%.
Em todos os cálculos, a Folha considera o valor cobrado no IPTU de 2009, e não o valor estabelecido na última revisão da planta genérica, em 2001.
Nas ruas Paraisópolis e das Jangadas, que passam na favela de Paraisópolis, a prefeitura estima um aumento mínimo de 102% no valor de mercado dos terrenos. Na rua Luigi Alamanni, dentro da favela de Heliópolis, o governo aponta reajuste de pelo menos 83%.
Já em áreas onde há boom imobiliário, como as ruas Henrique Sertório (Tatuapé, zona leste), Chamantá (Mooca, zona leste), Engenheiro Jorge Oliva e Praia do Castelo (Santo Amaro, zona sul), a alta nos cálculos da prefeitura não supera 37%.
Na rua Angelina Maffei Vita, em Pinheiros (zona oeste), onde mora o prefeito Gilberto Kassab (DEM), o aumento não passa de 56%, segundo consta na planta genérica de valores.
Segundo Amir Khair, economista e ex-secretário de Finanças da gestão Luiza Erundina (PSB, então no PT), é mais fácil haver valorização na periferia do que em áreas nobres.
“É mais fácil um imóvel de R$ 20 mil passar a valer R$ 40 mil que um de R$ 5 milhões ir para R$ 10 milhões. Com isso, muitas famílias podem sair da faixa de isenção.” (ES)

19/11/2009 - 10:10h Blog do Estadão ecoa reação ao aumento do IPTU por Kassab

18.11.09

Você é contra ou a favor do reajuste do IPTU em SP? Opine

Com a atualização na Planta Genérica de Valores (PGV), 1,7 milhão de imóveis em São Paulo – a maior parte localizada em bairros nobres e de classe média no centro expandido – pagarão mais imposto em 2010, enquanto imóveis com valor venal de até R$ 92,5 mil – segundo a Prefeitura, quase 54% – terão isenção. Para o prefeito Gilberto Kassab, trata-se de “justiça tributária”. Você concorda? Por quê?

Comentários:

Comentário de: Robinson Alves [Visitante]

18.11.09 @ 16:32

Sou contra. A prefeitura congela investimentos em áreas essenciais, corta verbas da educação, diminui a preservação de áreas verdes, congela investimentos no transporte público, ao mesmo tempo em que aumenta os gastos com publicidade e, de repente, lá vem aumento de IPTU, aumento de passagem de ônibus…Gilberto Kassab está se saindo melhor que a encomenda! Não sei se se lembram de ele ameaçar o povo com um “Marta aumentará o IPTU”. Agora, São Paulo já sabe…

Comentário de: Luciano Goes [Visitante]

18.11.09 @ 16:36

Não concordo com nenhum aumento de imposto, já pagamos imposto de mais, porque durante a campanha da sua re-eleição, ele não avisou o eleitor paulista que iria aumantar o imposto?? duvido que teria sido re-eleito!

Comentário de: Cláudio Luiz Ribeiro [Visitante]

18.11.09 @ 16:51

O prefeito tem seu ponto quando fala que a atualização não é feita desde 2001, mas para quem tanto criticou a “taxa do lixo” esse grande aumento é estranho.

Comentário de: anderson [Visitante] · http://oesp

18.11.09 @ 16:57

se o dinheiro fosse realmente para a saúde e educação tdo bem….mas não vai….

Comentário de: vanderzé [Visitante]

18.11.09 @ 17:03

SOU COMPLETAMENTE A FAVOR!!!O PREFEITO DEVERIA AUMENTAR 100%% . ESSA POPULAÇÃO PAULISTA QUER OBRAS E NÃO QUER PAGAR POR ELAS!!!O IPTU ESTÁ DEFASADO!!!CASSAB TÁ CERTO!!!O QUE NÃO PODEMOS ADMITIR É 0,38% DE CPMF!!!!HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

Comentário de: Vinicius Leite [Visitante]

18.11.09 @ 17:07

Vou dar o troco nele na proxima eleiçao. Ele nao perde por esperar. Ja temos encontro marcado. E desta vez nao ter a marta suplicy para sava-lo

Comentário de: AAP [Visitante]

18.11.09 @ 17:07

Prezados,
Esta pergunta não faz muito sentido porque o resultado sem dúvida, será 10 a 0 para o não. Não tem cabimento um sujeito que foi eleito como excelente admnistrador, engenheiro, etc.etc. que cria a solução mágica de resolver os problemas financeiros da cidade com aumento de impostos.
Até minha neta de 6 anos sabe como resolver o problema pedindo mesada mais alta porque ‘num tá dando vô!”

Comentário de: Luciana [Visitante]

18.11.09 @ 17:10

Não temos um sistema saúde pública decente, não temos segurança nas ruas e somos compelidos a ter segurança privada em frente a nossa porta. A cidade está sempre suja, varredor de rua só de vez em nunca e o Ilustre Prefeito ainda quer taxar ainda mais a classe média com o aumento do IPTU sob o argumento de que estara fazendo justiça tributária??? Não sou petista, aliás detesto o PT, mas preferiria continuar pagando a taxa de lixo do que pagar um aumento de 40% sobre o valor do meu IPTU, que aliás já é altissimo. A classe média precisa de algum retorno dos impostos, mas não há. Será que o nosso dinheiro será para bancar o leite ddos filhos das pessoas que sequer são daqui e que nós fomos obrigados a sustentar!!!???

Comentário de: Jose Marcio C Rocha [Visitante]

18.11.09 @ 17:13

É um absurdo sendo do DEM o pais precisando de reforma tributária onde os governos dos 3 niveis, precisam diminuir a carga, vem os novos prefeitos, como SP e BH aumentar o IPTU aos niveis nunca visto neste pais. Pau neles na proxima eleição. São mentirosos em seus discursos pré eleição.

Comentário de: cardoso [Visitante]

18.11.09 @ 17:15

a favor, sem comentários muitos comentários, querem melhorias e não querem pagar por isso.
Vá viver em CUBA, lá não se paga quase nada e também não se tem quase nada. Sejam felizes

Comentário de: enilda ferreira pacheco [Visitante]

18.11.09 @ 17:18

Se o dinheiro fosse realmente para a saude e a educaçao seria muito bom,mas infelizmente nao e aproveitado desta maneira.

Comentário de: Claudio Marim [Visitante]

18.11.09 @ 17:22

O dinheiro do IPTU deve ser aplicado na melhoria da cidade e consequentemente da população. Havendo melhoria no bairro, no transporte, nas vias públicas, escolas, posto de saúde, consequentemente haverá maior procura no bairro e a valorização das habitações.
Acho justo o aumento do IPTU dentro dos padrões da área que recebeu todo esse investimento como Contribuição de Melhoria. Cabe aos moradores se reunirem e analisar se o local onde moram recebeu e obteve melhorias, discutir o percentual se é justo ou não. Cidadania se pratica dessa forma, reconhecendo os benefícios e aceitando seus custos.
Não se pode generalizar a atuação de um governo apenas por “um buraco na rua” é preciso ver o contexto que nos inclui.

Comentário de: fadua [Visitante]

18.11.09 @ 17:49

não concordo com aumento de imposto nenhum, ja pagamos impostos demais.

Comentário de: Duarte [Visitante]

18.11.09 @ 18:01

Temos um desconto enorme na folha de pagamento, contemplando FGTS, IRF, etc. A Empresa que gera um emprego gasta 100% a mais com impostos, ou seja, se paga 5.000 gasta 10.000, fazendo com que a mão de obra informal se alastre e qdo vamos comprar um produto ele ainda tem mais de 40% de imposto. Pagamos por saúde(planos de saúde), por educação(Escolas particulares), pelos serviços públicos “prestados” como energia, agua e esgoto! Ah pagamos pelo nosso asfalto também! Onde vai o dinheiro? Para manter a máquina de empregos? Não vêem que se o país crescer todos cresceremos com ele? E ainda querem aumentar mais!

Comentário de: jose maria roveran [Visitante] · http://www@yroverk.com.br

18.11.09 @ 18:29

discordo totalmente deste aumento pois já temos aumento de tudo, ipva icms água e luz telef, e outros mais, porém o governo não tem sensibilidade para avaliar que os aposentados não são lembrados no momento de aumento de salário. sem aumento.

Comentário de: Irapuan Siqueira Sousa [Visitante]

18.11.09 @ 18:38

Nós, o povo brasileiro já estamos cansados de tanta exploração. Devemos nos unir e banir do meio politico estes tipos de pseudos defensores do povo. Em 2010 diga não a Gilberto Kasab e sua turma de vereadores, que nada fazem.

Comentário de: Uga [Visitante]

18.11.09 @ 18:49

O que você pode esperar de uma pessoa que foi secretário de Planejamento do governo do ex-prefeito Celso Pitta, sendo responsável pela elaboração do Plano Diretor da cidade , esse cara é competente e tem experiência na coisa pública, esses impostos serão muito bem gastos em tudo quanto é coisa , menos na cidade de São Paulo , ele teve ótimos mestres em gestão pública ( Maluf /PItta).

Comentário de: Melissa [Visitante]

18.11.09 @ 19:18

Sou totalmente contra. Meu voto nunca mais ele terá!!

Comentário de: Roger [Visitante]

18.11.09 @ 19:44

1 – Por que o prefeito não revoga a lei de isenção de IPTU, em vez de aumentar o nº de imóveis contemplados com a benesse? Conceder isenção de um lado e aumentar IPTU de outro chama-se política Robin Hood. Demagogia eleitoreira às custas do bolso dos outros. Todos podem e todos devem pagar, nem que seja só um pouco.

2 – E os milhares de barracos irregulares que não pagam nada, merecem vista grossa do poder público? Deveriam pagar em dobro, para aprender que São Paulo não é a casa da mãe Joana.

Comentário de: Paaulo Afonso de Sampaio Amaral [Visitante]

18.11.09 @ 19:50

Sou contra o aumento do IPTU, ainda mais nos níveis estratosféricos propostos pela Prefeitura. Todo ano o imposto já é corrigido pela inflação. Essa alegação de que a Planta Genérica de Valores está defasada é pura balela. Não se pode esquecer, supondo verdadeira a alegação do Prefeito de que os imóveis aumentaram seu valor, que o imposto é uma obrigação pecuniária, que tem de ser solvida em dinheiro, ao passo que a tal valorização é puramente escritural. Finalmente – este ponto não tem sido ressaltado – aumentando o IPTU, a Prefeitura aumentará também o ITBI. Dois impostos estarão sendo aumentados.

Comentário de: HENRIQUE MERTEN [Visitante]

18.11.09 @ 20:59

SOU TOTALMENTE A FAVOR, AINDA MAIS EM SE TENDO A ABSOLUTA CERTEZA DOS NÚMEROS QUE OS GRANDES E MAIORES PREJUDICADOS COM ESTE AUMENTO VÃO SER OS OTÁRIOS QUE VOTARAM NO TURCO!

Comentário de: Vania [Visitante]

18.11.09 @ 21:58

O Kassab tem mesmo que aumentar o IPTU pois para aumentar seus gastos ele deve antes aumentar as receitas e o povo assim quis. QUEM MANDOU VOTAR NO HOMEM

Comentário de: Vânia [Visitante]

18.11.09 @ 22:28

Favor publicar.
Sou a favor. Tá muito barato paulistano tem dinheiro para pagar. E é KASSAB PRESIDENTE! Quem sabe ele aumente o imposto de renda. Quem mandou votar nele bem feito principalmente para o povo pobre do Morumbi, Jardins, Pinheiros não são tudu rico? bem feito!

Comentário de: eduardo ferreira [Visitante]

18.11.09 @ 22:56

KASSAB, meu salario nao é corrigido por planta generica? EU nao vivo de uma suposta valorizacao do meu imovel. VC quer que eu venda meu imovel , é isso?
Outra, isso é um BODE, daqueles colocados na sala , que qd retirados todos dao graças a Deus?

Vc quer aumetar o IPTU, diz que vai aumentar 40 , e qd aumenta só 20% , daremos graças a voce??

Esse truqe é tipico de comerciante da 25 de março , e nao cabe para um prefeito.

Voce passou dos limites das atitudes cretinas!

Comentário de: eduardo ferreira [Visitante]

18.11.09 @ 22:59 AS isençoes existem pois os menos favorecidos deixam de pagar o imposto, e cabe a PMSP cpobrar , o que gera um custo enorme para ela. S[ó por isso. QUem paga , sao os cidadaos da classe media, que tem nome a zelar.

19/11/2009 - 09:30h Associação Comercial vai protestar

Ontem cobrei posicionamento e ação de entidades, como a Associação comercial. Ela reagiu e recusa veementemente os aumentos de IPTU de Kassab. Ainda ficam calados Marcos Cintra e Afif Domingos, que não são cobrados agora, mas que gostam de aparecer nos holofotes para atacar o PT e sua política tributária. LF


Associação Comercial discorda do novo IPTU; para Secovi, medida não vingará

Filipe Vilicic – O Estado SP

Empresários e entidades do setor imobiliário ouvidos pelo Estado são contra o aumento de IPTU. Mesmo aqueles que normalmente se alinham com as decisões da atual gestão municipal parecem discordar dos reajustes sugeridos. A Associação Comercial do Estado de São Paulo (ACSP), por exemplo, interpreta a iniciativa da Prefeitura como abusiva. “Qualquer aumento nos impostos deve ter razões plausíveis ou cria uma reação contrária da sociedade”, diz Alencar Burti, presidente da instituição.

Para a ACSP, as justificativas apresentadas para os aumentos não são corretas. “Não dá para dizer, por exemplo, que o ajuste deve ser feito porque houve valorização dos imóveis”, defende Burti. “Apartamentos e casas podem valer mais, porém, seus proprietários não tiveram aumentos da ordem de 40% ou 60% em suas rendas para arcar com as propostas da Prefeitura.” A instituição planeja se unir a outros órgãos descontentes para promover protestos públicos na semana que vem. “As empresas acabam de sair de uma crise mundial e muitas ainda não têm estrutura para bancar mais impostos”, diz Burti.

O Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) também não concorda com a medida. “A Prefeitura fala que o aumento condiz com a melhora dos serviços municipais”, afirma João Crestana, presidente do Secovi-SP. “Mas não houve uma melhora compatível com os reajustes propostos, de até 60%.” Para o Secovi-SP, se os imóveis têm se valorizado nos últimos anos é por consequência de iniciativas privadas, que construíram shoppings e bairros planejados, e não por empreitadas públicas.

Crestana acredita que a Prefeitura vai desistir da decisão de aumentar o IPTU. “A proposta foi feita de forma impositiva, sem consultar a população”, afirma. “Por muito menos, acrescentamos “taxa” no nome de outros prefeitos.” Ele faz referência ao apelido Martaxa, dado à prefeita Marta Suplicy quando ela criou, entre outras cobranças, o IPTU progressivo, em 2001.

A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic) diz que o aumento vai afetar negativamente o mercado imobiliário. “Muitos inquilinos não renovarão contratos porque a elevação do IPTU será integrada aos aluguéis”, diz Eduardo Zangari, diretor de Locação da instituição. “E ainda será mais difícil locar imóveis vagos, porque seus aluguéis ficarão maiores.”

A Aabic ainda não vê lógica na elevação de até 60% do tributo. “Faltam razões técnicas, plausíveis e condizentes com a realidade da população”, protesta Zangari.

http://2.bp.blogspot.com/_yVno-tUW75Q/SgKnru_P6mI/AAAAAAAAGU0/sYXhxDqpe1g/s400/serra-kassab.jpg

Partidarios de Serra estão apreensivos com impacto eleitoral do aumento cavalar

Centrão e PT criticam projeto


Diego Zanchetta – O Estado SP

O projeto de correção da Planta Genérica de Valores (PGV) de São Paulo deve ser votado em primeira discussão na próxima quarta-feira na Câmara Municipal. Apesar de objeções colocadas ontem por líderes do “centrão” contrários a novas isenções, a proposta de aumento do IPTU deve ser aprovada em duas discussões sem dificuldades. A base governista tem pelo menos 41 dos 55 vereadores.

“Tentaremos levar o texto para a Comissão de Finanças na próxima terça-feira. A legalidade da correção da PGV está prevista no Plano Diretor”, afirmou ontem o líder de governo, vereador José Police Neto (PSDB). Líderes do centrão e normalmente aliados do governo, Adilson Amadeu (PTB) e Aurélio Miguel (PR) pretendem debater a PGV em plenário, com a sugestão de alterações.

“Eu sou contra dar isenções. Essa é uma medida que acaba onerando o cidadão que paga seu tributo”, afirmou o ex-judoca. Amadeu é contrário ao reajuste para bairros de classe média, como a Mooca e Santo Amaro. “Num momento como esses, no fim do ano, não é justo os vereadores repassarem mais tributo à população. Tenho recebido e-mails e telefonemas no meu gabinete de pessoas que são contrárias ao aumento”, afirmou o vereador.

A bancada do PT passou o dia atacando a nova proposta. “Com o freio de 40%, o aumento do tributo vai onerar principalmente a classe média”, disse Antonio Donato.

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Charge  do Portal do Guarda Civil, ironiza sobre agressão de Kassab a um municipe da cidade

IPTU é para Kassab pagar promessa eleitoral, diz PT

Midiacon

IPTU é para Kassab pagar promessa eleitoral, diz PTEle prometeu muito e não tem dinheiro para fazer tudo, disse vereador Antonio Donato (PT). (Foto divulgação)

Prefeitura de SP pode receber R$ 650 mi a mais com projeto de aumento que está na Câmara

Mesmo dizendo considerar a revisão do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) na cidade de São Paulo uma necessidade, o vice-presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, vereador Antonio Donato (PT), disse que o valor a mais que entrará no caixa da Prefeitura servirá para que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) cumpra suas promessas de campanha. Se aprovado, o total arrecadado será de cerca de R$ 650 milhões para o Orçamento municipal do ano que vem.

Ele prometeu muito e não tem dinheiro para fazer tudo. Prometeu três hospitais, olha o Orçamento, tem R$ 5 milhões para cada hospital, um hospital custa R$100 milhões <…> Não cabem todas as promessas no Orçamento. Tanto que ano passado eles fizeram Orçamento super inflado que não foi por causa da crise que cortou. A crise evidentemente que deu um impacto, mas era um Orçamento irreal.

O vereador disse que revisar o IPTU é uma necessidade porque tem muita distorção, já que a planta genérica da cidade, base para o cálculo do imposto, não era reajustada desde 2001, mas que o partido é contra revisar para “arrecadar mais”.

- Isso nós somos contra. Você pode fazer a revisão da planta, mas você pode diminuir as alíquotas e manter o IPTU no patamar que ele está no global. <…> Até porque é muita incoerência do prefeito, do seu partido e dos tucanos que primeiro criticaram todos os aumentos do IPTU da prefeita Marta e dizem que a carga tributária no Brasil é elevada. Estão fazendo aqui elevação da carga tributária.

De acordo com o prefeito, o secretário de Planejamento, Manoelito Magalhães, já avalia alguns destinos para o montante, e a primeira sugestão que a liderança do governo fará à Câmara é que sejam aumentados os investimentos em saúde, retomando um investimento de 20% do Orçamento.

- Outras vinculações também deverão ser respeitadas, como 31% para educação e o comprometimento de 13% das receitas para as despesas da dívida pública com o governo federal, mas isso será debatido nas próximas semanas.

Fonte: R7.com

19/11/2009 - 09:05h IPTU de Kassab: Base de cálculo do imposto subirá em até 700%

Ele prometeu muito e não tem dinheiro para fazer tudo, disse vereador Antonio Donato (PT). (Foto divulgação)Ele prometeu muito e não tem dinheiro para fazer tudo, disse vereador Antonio Donato (PT). (Foto divulgação)

Jornal da Tarde (JT)

A proposta de correção da Planta Genérica de Valores Imobiliários (PGV) reajusta em até 700% a base de cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), segundo levantamento realizado pela reportagem em 22 ruas, avenidas e praças de bairros de classes média e alta da capital. Esse é o caso da Avenida Giovanni Gronchi, na zona sul, onde haverá quadra em que o metro quadrado saltará de R$ 73,58 para R$ 589.

Região comercial reurbanizada e de onde foram retirados mais de 2 mil camelôs em 2006, o Largo da Concórdia, no Brás, terá o metro quadrado avaliado em R$ 1.728, acréscimo de 422% se comparado aos R$ 331 estimados hoje, se aprovado o projeto de Kassab. Vias residenciais ocupadas por prédios de classe média com até três dormitórios, casos das avenidas Sumaré, em Perdizes, e Brás Leme, em Santana, terão aumentos superiores a 100%.

Nas regiões mais nobres, o reajuste deve ser ainda maior. Um exemplo é a Avenida Europa, na zona sul, onde haverá salto de 163%. Também próximo da região dos Jardins, na Rua Oscar Freire, o aumento do metro quadrado do terreno será de 166%.

As áreas nobres da zona norte da capital também não escaparão da correção. O metro quadrado de prédios de alto padrão do Jardim São Paulo terá aumento estimado em até 285%. O mesmo ocorrerá na zona leste. No Tatuapé, na Rua Tuiuti, a rua comercial mais importante do bairro, o preço do metro quadrado subirá de R$ 560,93 para R$ 1.613, o equivalente a alta de 188%.

19/11/2009 - 08:43h IPTU de Kassab: Em rua de favela e esgoto a céu aberto, valorização foi de 139%. IPTU na cracolândia subirá bem mais que na Paulista

http://camila-arocha.zip.net/images/favela.jpghttp://www.aguaforte.com/antropologia/osurbanitas/revista/asp24_av_paulista.jpg

Ruas de área degradada do centro se valorizaram mais de 80%, segundo a prefeitura

Na Paulista, que passou por reforma, a valorização proposta pela gestão Gilberto Kassab é de 4% na maioria dos trechos

EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Nos cálculos da Prefeitura de São Paulo, que servirão de base para o aumento do IPTU em 2010, a cracolândia, no centro, se valorizou mais nos últimos oito anos que as avenidas-símbolo da cidade Brigadeiro Faria Lima e Paulista.
O projeto de revisão da planta genérica de valores enviado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) à Câmara Municipal propõe que o valor venal dos imóveis na cracolândia seja aumentado em até 165%.
A Folha apurou os valores de três ruas da cracolândia -dos Gusmões, dos Protestantes e do Triunfo. Na maioria dos trechos dessas ruas, o aumento é superior a 80%.
A prefeitura rebatizou a área de Nova Luz e pretende construir um novo bairro no local, onde hoje viciados consomem drogas em plena luz do dia. O projeto de revitalização da região caminha a passos lentos, mas o governo diz que já foram feitos muitos investimentos ali.
Já na avenida Paulista, que teve troca de calçadas e está prestes a receber uma nova estação de metrô, a valorização proposta é de, na maioria dos casos, 4%. Em trechos do lado dos Jardins, a prefeitura chegou a apontar até uma desvalorização de 3%.
Na Faria Lima, que receberá uma estação de metrô e onde novos empreendimentos surgem permanentemente, a prefeitura aponta valorização média de 21% na maioria dos trechos. Há áreas da Faria Lima em que a prefeitura enxergou desvalorização de até 35%.
A planta genérica de valores é o principal fator usado no cálculo do IPTU, mas não é o único. Uma forte alta no valor venal é um indicativo de que o imposto terá aumento, mas só com esse dado não é possível saber o percentual exato.
Por decisão de Kassab, o reajuste máximo será de 40% para imóveis residenciais e 60% para os demais -a diferença em relação ao valor venal deverá ser cobrada nos anos seguintes.
Com o aumento do imposto para 1,7 milhão de imóveis, Kassab espera arrecadar R$ 744 milhões a mais em 2010. O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara. Os vereadores podem fazer mudanças, mas o texto deve ser aprovado sem dificuldades.
Segundo técnicos do mercado imobiliário, a cracolândia se valorizou muito pouco desde 2001, ano da última revisão da planta genérica. Nem o projeto Nova Luz, dizem, justificaria um aumento dos valores dos imóveis neste momento.

Baratas no bueiro
“Quando chego pela manhã, é comum terem defecado na porta da minha loja”, conta Eduardo Ferreira Mello, 43, dono de uma loja na rua dos Gusmões. “Depois que anoitece, a rua se enche de “noias’; parecem baratas saindo do bueiro. É de ficar horrorizado.”
Funcionária de outra loja da rua, Roberta do Espírito Santo diz que os gastos mensais com segurança chegam a R$ 530. “E o IPTU está em R$ 281 por mês. É caro ficar aqui.”
A poucos quarteirões, na rua do Triunfo, o lojista Antônio César Amorim instalou uma câmera de vigilância. Ele diz que paga R$ 700 de IPTU por ano e tem como vizinhos um hotel de travestis, um cortiço, uma loja que foi assaltada no fim de semana e uma boca-de-lobo aberta há meses onde um rapaz caiu na semana passada e quebrou a perna. “Aqui, só vendo para você crer.”

Colaborou MARIANA BARROS , da Reportagem Local

Em rua de favela e esgoto a céu aberto, valorização foi de 139%

TALITA BEDINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Na rua Professor José Nelo Lorenzon, na Barra Funda, há uma favela de palafitas sobre um córrego cor de lodo que recebe todo o esgoto da região. Nos cerca de 600 metros de extensão da rua, há ainda prédios do Projeto Cingapura e casas de alvenaria, que já foram regularizadas após terem sido invadidas muito tempo atrás.
No último ano, os ratos e pernilongos continuaram a invadir as casas. O esgoto continuou a transbordar e a causar enchentes na época de chuvas e o asfalto permaneceu destruído.
Se algo mudou, foi para pior, dizem os moradores. Mesmo assim, sem nenhuma melhoria, as casas e os apartamentos da rua passaram a valer o dobro para a prefeitura -houve um aumento de até 139%.
“Aqui continua a mesma coisa. Esse córrego era para ter virado uma avenida, que até hoje não saiu do papel. Não tem iluminação, não tem asfalto”, diz a desempregada Maria do Carmo Dias, 56, moradora da rua.
“A gente vive quase dentro do córrego. Só falta começarem a cobrar IPTU”, diz a dona de casa Salete Gomes Batista, 47, que é isenta do pagamento, assim como o restante da rua.
A valorização confunde até corretores de imóveis da região. “Nada justifica esse reajuste. Se ainda tivessem canalizado o córrego, mas não teve melhoria nenhuma por lá”, diz Fernando Pires, dono da imobiliária Salam. José Marcos Ribeiro, da Horus Imóveis, concorda. “Na região, houve uma valorização de 70%, em média. Foram construídos muitos empreendimentos próximos, hipermercados, universidades. Mas aumentar o valor em mais de 100% é muita coisa”, afirma.

18/11/2009 - 14:09h IPTU: Porque não se manifestam agora? Não estão mais cansados? Cadê o Marcos Cintra?

Cadê a Fiesp? Cadê a Associação Comercial? Cadê Marcos Cintra? Ele está no governo de Kassab, como secretário. Cadê Afif Domingos, hoje secretário de Serra? Não são contra o aumento da carga tributária? contra os impostos e os aumentos abusivos da tributação? e o DEM? e o PSDB? Onde estão os animadores entusiastas do Cansei?

Vejam o que diziam em 2001.

LF

27 de outubro 2001

Críticas atingem aumento e isenções

DA REPORTAGEM LOCAL

Sete entidades de classe divulgaram ontem um documento com suas posições sobre as alterações no IPTU. Nele, além de propor que o aumento se limite a um reajuste da 10% da Planta Genérica de Valores, elas criticam a progressividade e a diferenciação de alíquotas e pedem a redução da faixa de isenção e a criação de um grupo de acompanhamento dos recursos arrecadados.
O documento é assinado pelo SindusCon-SP, pela Fiesp, pelo Secovi-SP, pela Força Sindical, pelo Alshop, pela Associação Comercial e pelo Simpi.
“A progressividade abre um precedente. Hoje é 1,8%. Amanhã poderá ser 2%, 3%”, diz Artur Quaresma Filho, presidente do SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Sobre o aumento de 10%, Quaresma admite que ele não levará a uma atualização real de toda a planta, mas defende que a prefeitura faça uma proposta de atualização no decorrer de três anos.
“Os 10% são a reposição da inflação mais o nosso investimento na cidade. A questão é que esse investimento precisa ter um limite.”
A prefeitura rebate. “Não posso não cobrar sobre o valor que sei ser real. Isso é renúncia de receita. É crime fiscal. É o mesmo que pedir para o Estado fazer o ICMS incidir sobre preços de 96″, diz Fernando Haddad, chefe de gabinete da Secretaria das Finanças.
As entidades também criticam o fato de a prefeitura estar reajustando a planta e propondo a progressividade no mesmo ano. Para elas, é um aumento duplo. Além disso, dizem, o peso do imposto não sairá das pessoas físicas.
“O comerciante vai aumentar seus preços, e, no final, é a população que vai financiar o reajuste”, diz Wagner Artuzo, conselheiro do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), entidade que não assina a carta divulgada, mas que concorda com ela.
Haddad, da prefeitura, rebate. “O IPTU não tem representatividade nenhuma nos custos das empresas. Os paulistanos pagam R$ 5,4 bilhões de CPMF. O IPTU somará R$ 1,7 bilhão.”
As isenções são outro alvo de críticas. As entidades afirmam que quem é isento perde o direito de cobrar ações do governo.
“Pode haver até uma espécie de auto-lançamento: as pessoas que não podem pagar dão o que puderem, o que dão de dízimo à igreja”, sugere Quaresma.
No setor imobiliário, de acordo com as entidades, o maior efeito deve ser nos aluguéis. Os inquilinos, dizem, vão pressionar por descontos para arcar com o IPTU.
“Isso pode levar a desocupação dos imóveis e a uma maior periferização”, diz Artuzo, do Creci.
A prefeitura questiona. “Duvido que um proprietário prefira ter o imóvel vazio do que absorver o IPTU. Isso é pouco inteligente. E os donos não são pouco inteligentes”, dispara Haddad. (SC)” (Folha SP – 27/10.2001)

6 de novembro 2001

Representantes da Fiesp e da Associação Comercial de SP defendem aumento máximo de 10% no imposto

Para os empresários, a mudança nas regras de cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano defendida por Marta Suplicy não reúne um só ponto positivo.
Pela proposta, as alíquotas de IPTU subirão de 1% para porcentagens progressivas que vão de 0,8% a 1,6%, para imóveis residenciais, e de 1,2% a 1,8%, para comércio, indústria e terrenos.
Os índices são aplicados sobre fatias do valor venal dos imóveis. Esses valores estão contidos na Planta Genérica de Valores, que foi atualizada. A correção média será de cerca de 22%.
Os empresários alegam que o pacote de mudanças, entre outros problemas, provocará desemprego e até risco de as empresas deixarem a cidade. Quanto ao teto de 60% e 80% de aumento, proposto pela prefeitura respectivamente para imóveis residenciais e comerciais, eles defendem o índice único bem menor. Admitem discutir um máximo de 10% e que a progressividade e a nova Planta Genérica de Valores sejam rediscutida para vigorar só em 2003.
“Se tiver uma inflação, vamos dizer, de 6,8% ou 7% [neste ano], estamos dando 50% a mais do que seria”, disse o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, sobre a proposta de correção de 10%.
Ontem, ele criticou a proposta da prefeitura de isentar 1,6 milhão dos 2,5 milhões de contribuintes. “Com o intuito de criar uma justiça social, eles vão criar uma grande injustiça. Vão gerar desemprego e informalidade.” (Folha de SP – 6 de novembro 2001).

17 de outubro 2001

TENDÊNCIAS/DEBATES

O IPTU PROGRESSIVO

O demagógico IPTU do PT

MARCOS CINTRA

A Prefeitura de São Paulo poderá dar uma grande contribuição para o aumento do desemprego e dos preços e para mais empresas deixarem a capital rumo a outras cidades da região metropolitana. Tudo isso por conta da intenção de aumentar a arrecadação tributária por meio da adoção do IPTU progressivo na cidade.
Em 2001, 2 milhões de contribuintes do IPTU devem gerar uma receita de R$ 1,3 bilhão. Para o próximo ano, de acordo com o projeto apresentado, 980 mil contribuintes deverão gerar uma arrecadação com IPTU da ordem de R$ 1,9 bilhão. Ou seja, uma arrecadação 46% maior deverá ser imposta a uma base 51% menor, de modo que essa concentração da carga do IPTU deverá atingir de forma mais pesada a indústria e o comércio, que terão de arcar com 75% dos R$ 536 milhões a mais que a prefeitura pretende arrecadar com o tributo.
Em 2001, a indústria e o comércio deverão contribuir com 40% do IPTU arrecadado. A proposta apresentada pretende elevar essa participação para 50%.
A prefeita Marta critica a Lei de Responsabilidade Fiscal e a renegociação da dívida municipal -dois elementos importantes para o controle da gestão financeira municipal- como responsáveis pela falta de recursos para investimentos. Afirma que o IPTU progressivo, além de equacionar essa falta de dinheiro, é uma questão de “justiça social”. Usa um argumento falso para justificar um ato insensato de elevação de imposto, justamente no momento em que o mundo inteiro discute a diminuição da carga tributária como forma de enfrentar a crise econômica mundial.
A cidade de São Paulo registra inúmeros fatores que limitam sua competitividade econômica. O trânsito caótico, o ISS de 5% (cidades limítrofes cobram menos de 1%), a explosão da violência e as enchentes constituem os principais itens do elevado custo São Paulo, que torna a atividade produtiva no município cada vez mais inviável. O IPTU proposto poderá ser um fator de incentivo à saída de empresas da cidade de São Paulo para outras regiões.
A indústria e o comércio atuam hoje num ambiente recessivo, que deve se intensificar nos próximos meses. As empresas estão operando no limite, tanto de preços como de impostos. A elevação da carga do IPTU irá pressionar ainda mais os custos empresariais. Isso certamente será transferido para os preços finais dos produtos.
De acordo com dados da própria Secretaria Municipal de Finanças, haverá casos -como os de lojas e escritórios na região dos Jardins- em que o IPTU será reajustado em mais de 100%. Isso num período em que os negócios se retraem e a inflação de 2001 deve ficar abaixo de 10%.
A carga tributária brasileira beira os 35%. Isso tem contribuído significativamente para limitar a geração de empregos no país. O IPTU maior deve jogar mais lenha na fogueira do desemprego na capital. A maior pressão desse item nos custos de produção poderá levar a cortes de pessoal.


Por trás do rótulo de “justiça social” do projeto, há a intenção única de assaltar o bolso dos contribuintes


Em resumo, o PT, para extrair ainda mais recursos dos agentes privados, tenta ganhar apoio popular ao elevar o número de isentos do IPTU.
Propõe-se que os isentos passem de 540 mil para 1,6 milhão. Esses contribuintes deixam de pagar o tributo diretamente, mas vão arcar com esse custo tributário por meio da elevação nos preços dos bens que consomem e também com mais desemprego. Isso sem falar nas empresas que podem sair da capital rumo às cidades próximas, o que poderia gerar maiores custos de transporte para os seus trabalhadores.
O IPTU mais alto para a indústria e o comércio, na verdade, será um custo indireto adicional para os classificados como isentos. Vale citar que, no caso dos imóveis residenciais com valor de mercado acima de R$ 90 mil -limite de isenção do IPTU, caso o projeto seja aprovado como está-, seus contribuintes vão arcar com custos extremamente elevados, que superam muito os índices de inflação.
Isso ocorre justamente num momento em que a renda disponível da classe média vem caindo devido à elevação dos preços administrados pelo setor público -acima da inflação- e por causa da carga tributária crescente.
O IPTU do PT não passa de demagogia. Na realidade, por trás do rótulo de “justiça social” do projeto, há a intenção única de assaltar o bolso dos contribuintes.
Os maiores prejudicados do projeto do IPTU, em última instância, serão justamente aqueles que os defensores da proposta dizem querer proteger.


Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, 56, doutor em economia pela Universidade Harvard (EUA), professor e vice-presidente da FGV, é deputado federal (PFL-SP) e coordenador do governo paralelo da cidade de São Paulo. mcintra@marcoscintra.org

FOLHA SP – 17/10/2001

18/11/2009 - 10:23h 60% vão pagar mais IPTU em 2010

1,7 milhão de proprietários terão aumento; valor venal levará em conta até face da rua e há revisões de mais de 300%

Diego Zanchetta e Felipe Grandin – O Estado SP

Os proprietários de 1,7 milhão de imóveis em São Paulo, a maior parte localizada em bairros nobres e de classe média no centro expandido, vão pagar Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) até 60% mais caro em 2010. O reajuste médio geral para toda a capital, que tem 2,8 milhões de imóveis registrados, será de 21%. Já a correção geral da Planta Genérica de Valores (PGV) resultará em um aumento médio de 31%. Ao todo, 60% dos donos de imóveis de São Paulo serão taxados com IPTU maior.

Para casas e apartamentos, a revisão da PGV enviada ontem à Câmara pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) aumenta o valor do m² construído em até 90% – um dos fatores que serão usados para calcular o novo valor venal. Os outros dois fatores que serão embutidos no cálculo – o valor do m² do terreno e o fator de depreciação do imóvel – não foram detalhados, o que dificulta o cálculo rua por rua.

Sobre esse novo valor venal incidirá uma alíquota que varia de 0,8% (imóveis até R$ 77,5 mil) a 1,6% (a partir de R$ 620 mil). O teto para o valor do m² residencial em 2010 será de R$ 4.800. O governo já sabe que a proposta pode resultar em um acréscimo de R$ 644 milhões ao Orçamento 2010.

Esse projeto também concede a isenção do tributo a 184.151 imóveis com valor venal de até R$ 92,5 mil, o que beneficia principalmente moradores de bairros dos extremos oeste (Perus, Rio Pequeno, Jaguaré) e leste (Itaquera, Itaim Paulista, Guaianases) da capital, segundo o secretário de Finanças, Walter Aloísio Rodrigues. Outros 80.050 imóveis nas áreas mais periféricas terão redução do tributo. Para os próximos anos, entretanto, 276 mil imóveis, já taxados com aumento de até 40% em 2010, serão atingidos por novos reajustes.

O teto do aumento para os próximos anos não foi definido. Mas o governo já calculou que 64.475 imóveis terão reajuste acima de 70%. Na nova planta, há casos de imóveis comerciais de áreas nobres taxados com até 312% de correção. A região residencial do Jardim Anália Franco, por exemplo, a área mais nobre da zona leste, terá reajuste de R$ 286,6%. Também é possível saber que o m² construído das casas com mais de 500 m² e quatro dormitórios subirá de R$ 575 para R$ 1.050.

“A correção atinge as áreas que foram valorizadas com a chegada de mais investimentos públicos, como o metrô. A região dos Jardins é um bom exemplo”, afirmou o secretário de Finanças, ao ser questionado se poderia citar um bairro da cidade que teria aumento do imposto. O porcentual de aumento por região só poderá ser divulgado após o projeto ser aprovado pelo Legislativo, segundo a pasta de Finanças. A variação para os 2,4 milhões de imóveis residenciais (1,318 milhão de casas e 1,163 milhão de apartamentos) terá um teto de 40% de elevação, enquanto o índice de 60% vale para 335,8 mil proprietários de estabelecimentos comerciais e de indústrias. A PGV define um novo valor de m² para cada lado de cada quarteirão da cidade. Dessa forma, moradores de uma mesma quadra poderão ter aumento ou isenção, de acordo com a rua para a qual o imóvel está voltado.

O governo fez apenas um resumo das mudanças em audiência pública realizada ontem pela manhã na Comissão de Finanças da Câmara, que terá de aprovar o projeto em duas votações até dezembro. Na PGV também foram detalhados quatro novos padrões de cobrança para apartamentos, residências e edifícios comerciais e industriais de “alto luxo”.

DESCONTOS

O projeto do prefeito também alterou a forma dos descontos para imóveis de baixo e médio padrão. O desconto de R$ 24.496,04 era aplicado ao valor venal desses imóveis, antes de incidir o cálculo da alíquota do IPTU. Os imóveis beneficiados com desconto desde 2001 tinham valores de R$ 61.240,12 a R$ 122.480,22. Agora, também para o cálculo da alíquota, serão descontados R$ 37 mil dos imóveis com valores venais entre R$ 92.500,01 e R$ 185 mil.

TIRE SUAS DÚVIDAS

O que muda na nova PGV? A Planta Genérica de Valores de São Paulo passa agora a definir um novo valor de metro quadrado para cada lado de cada quarteirão da cidade. Anteriormente, os valores eram por quadras inteiras. Dessa forma, moradores de uma mesma quadra poderão ter aumento ou isenção, de acordo com a rua para a qual o imóvel está voltado

Como se calcula o IPTU?

Sobre o valor venal incide a alíquota do IPTU, que varia de 0,8% (imóveis até R$ 77,5 mil) a 1,6% (a partir de R$ 620 mil). Para saber como será o reajuste por bairro, é necessário fazer os cálculos dos novos valores por m² para cada uma das quadras

De quanto será o aumento? Em 2010, o reajuste médio geral para toda a cidade será de 21%. A correção geral da PGV resultará em aumento médio de 31%

Quem já era isento? Cerca de 900 mil imóveis da capital já não são taxados. Além das propriedades com valor baixo, também recebem o benefício aposentados, pensionistas, hospitais, igrejas, associações de moradores e donos de imóveis atingidos por enchente

Quem ficará isento? A isenção será concedida a 184.151 imóveis com valor venal de até R$ 92,5 mil e beneficia principalmente bairros nos extremos oeste e leste

Como serão os descontos: Serão descontados R$ 37 mil dos imóveis com valores venais entre R$ 92.500,01 e R$ 185 mil, antes de se fazer o cálculo da alíquota

estadao.com.br

Reajustar o IPTU resulta em “justiça tributária”?

A enquete ficou no ar até 23h de ontem e 353 pessoas responderam sobre as mudanças no valor do imposto dos imóveis

86%

NÃO

14%

SIM

18/11/2009 - 09:44h “É preciso responsabilidade social”. Aumento cavalar do IPTU mostra a verdadeira cara dos demo-tucanos

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/cp18112009.jpg


Renda de proprietário não subiu tanto

LUCILA LACRETA ESPECIAL PARA A FOLHA

Atualizar a Planta Genérica de Valores para aproximar o valor venal de um imóvel do seu valor real, isto é, do de mercado, pode ter sua validade, por exemplo, para corrigir o valor deste patrimônio. Mas é preciso cuidado no momento da definição das alíquotas que incidirão para a cobrança do IPTU.
Caso sejam mantidas as mesmas alíquotas que hoje incidem no IPTU em relação ao imóvel com um valor tão atualizado como pretende a prefeitura, certamente serão gerados problemas insolúveis para as famílias, uma vez que não tiveram sua renda valorizada na mesma proporção para manter este patrimônio que hoje se valorizou.
Poderão ser promovidas injustiças naquelas famílias que, numa situação extrema, terão que perder o seu imóvel ou mesmo vê-lo deteriorar-se diante das dificuldades de conservação ou na negociação de uma locação ou venda, uma vez que pagar este imposto acarrete enorme peso dentro do orçamento familiar limitado.
Uma coisa é atualizar a Planta Genérica de Valores aproximando-a da realidade. Outra é a alíquota que vai ali incidir na cobrança do IPTU.
O administrador público deve refletir muito sobre quais seriam as consequências de um aumento real no imposto a ser cobrado dos paulistanos, uma vez que não se tem a segurança no mercado em relação à oferta e à manutenção dos empregos.
O aumento do valor do patrimônio imobiliário não ocorre na mesma proporção do aumento da renda do proprietário para mantê-lo. O locador de um imóvel tentará repassar o custo para os locatários. Ao não conseguir, a cidade vai se deteriorando e se desvalorizando.
Fala-se no aumento da arrecadação, porém não se vê melhora nos serviços municipais de manutenção e de conservação da cidade, no fornecimento de transporte público de qualidade, entre outros. Tem cabimento os bueiros estarem entupidos? E o que falar da limpeza pública? E as vias e passeios públicos, em que estado de deterioração se encontram?
Há que se ter a justa medida do que se pode taxar e da real capacidade contributiva do cidadão paulistano. É preciso responsabilidade social para não sobrecarregar demasiadamente o cidadão que já é aviltado pelo poder público, sem a correlata contrapartida dos serviços públicos e sociais que deveriam ser garantidos a todos pela municipalidade.
Pode-se ter argumento favorável em princípio para aumentar a Planta Genérica de Valores, porém há tantos aspectos negativos por ela gerados que esse se torna irrelevante.

LUCILA LACRETA é arquiteta urbanista, diretora técnica do Movimento Defenda São Paulo, mestre em urbanismo pela Universidade de Michigan, conselheira do Consema e ex-conselheira do Conselho Municipal de Política Urbana

18/11/2009 - 09:15h O aumento do IPTU nas cartas dos leitores da Folha e do Estadão

IPTU
“Se o prefeito Gilberto Kassab promove aumentos de mais de 40% no “hipertu” por considerar as melhorias implantadas, imagino qual seria o aumento se a cidade estivesse limpa, segura, iluminada, com postos de saúde e escolas para todos. Mudaria até de nome.”
CARLOS GASPAR (São Paulo, SP)


***

O Estado SP

AUMENTO DO IPTU

Cumprindo as suas promessas de campanha furadas, o prefeito Gilberto Kassab decide aumentar em até 60% o IPTU em 2010. Isso é que é gestão transparente! O pior é que isso vai depor contra o governador José Serra nas eleições de 2010. Quem inventou o monstro que o acalente.

Boris Becker borisbecker@uol.com.br

São Paulo

O IPTU com aumento de até 60%? Kassab demonstra que é discípulo de Serra. Acorda, Brasil!

Angelo Antonio Maglio angelo@rancholarimoveis.com.br

Cotia

Ah, se arrependimento matasse!

Victor Germano Pereira victorgermano@uol.com.br

São Paulo

KASSAB ESTÁ CERTO

IPTU de uns aumenta e outros ficam isentos. É a lógica dos impostos: quem tem mais paga mais.

Aliana Cândida Silva alianacandida@yahoo.com.br

São Paulo

ABSURDO

O aumento dos benefícios de uma infinidade de aposentados, que Lula ainda vai determinar, não será suficiente para cobrir o valor do aumento do IPTU que Kassab quer cobrar. Que país é este?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

IMPOSTO ALTO X SERVIÇO RUIM

O prefeito Taxab quer aumentar o IPTU em absurdas porcentagens com a desculpa de que os imóveis se valorizaram. Mas só no ato da venda é que o proprietário tem o benefício – e relativo, porque terá de comprar outro imóvel também valorizado, a não ser que vá morar no cemitério, e já paga o Imposto de Renda ao governo federal. Dupla taxação, como é habitual. E quanto ao estado calamitoso das ruas, todas repletas de buracos e valetas, que depreciam o valor dos imóveis e semoventes, sem o correspondente desconto no IPTU e IPVA? Os governantes só pensam em esvaziar o bolso

do cidadão e na próxima eleição.

Mário A. Dente dente28@gmail.com

São Paulo

É inadmissível pensar em reajustar o IPTU numa cidade onde shoppings pagam valores irrisórios e a Prefeitura deteriora nossas ruas, desvalorizando nossos imóveis. E onde o IPTU já é, ilegalmente, diga-se de passagem, reajustado anualmente (o único no País). A população de São Paulo certamente protestará e lutará para que o PSDB-DEM nunca mais se eleja nesta cidade e neste Estado. Principalmente seus vereadores e deputados estaduais.

José F. Souza frnc2@hotmail.com

São Paulo

SUICÍDIO POLÍTICO

Obrigada, prefeito, pelo aumento no IPTU. É dessa maneira ingrata que o senhor trata o eleitorado que o elegeu para que continuasse a boa gestão que fez no primeiro mandato, ao assumir a Prefeitura no lugar de Serra? Só que o segundo mandato está deixando muito a desejar: ruas sem calçamento, lixo nas ruas, proibição dos fretados com o consequente aumento de carros em circulação, e agora este aumento do IPTU? O senhor não viu o que fizemos com a Marta? Pelo visto, a classe política nunca deixa de subestimar a inteligência do eleitorado. Só que há um pequeno detalhe: em São Paulo encontra-se o eleitorado mais consciente do País, que não se contenta com pão e circo. Parabéns, prefeito, o senhor acaba de decretar o seu suicídio político.

Tereza Sayeg tereza.sayeg@gmail.com

São Paulo

17/11/2009 - 15:02h Kassab diminui os domicilios isentos de IPTU, em relação a 2001

http://www.estadao.com.br/fotos/kassab_serra_sergioNeves_p.jpg

“O projeto que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vai mandar nesta terça-feira à Câmara Municipal com a revisão da planta genérica de valores vai aumentar o valor de isenção dos atuais R$ 65,5 mil para R$ 92,5 mil.

Com isso, diz a prefeitura, vai aumentar o número de isentos. Atualmente, a isenção do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) atinge 900 mil contribuintes. A cidade tem 2,96 milhões de imóveis cadastrados.

Mesmo com a ampliação de 10% nas isenções, a prefeitura não chega aos patamares de 2001, quando foi feita a última revisão da planta genérica de valores e foi aprovado o IPTU progressivo. Na ocasião, cerca de 1,1 milhão de contribuintes ficaram livres do imposto. Desde então, mais de 200 mil imóveis perderam o benefício.” (Folha Online).

Ou seja, Kassab tributou com o IPTU 200 mil domicilios que tinham sido isentos por Marta Suplicy e agora, para tentar fazer engolir o aumento cavalar, vai isentar uma parte pequena deles.

O correto, nesse caso, seria dizer que Kassab reduz as isenções em relação a 2001 e não que ele ira isentar 1 milhão de domicílios, como alguns jornais noticiam.

Aumentam o IPTU e a carga tributária e acusam o PT de aumentar impostos. É o pior é que tucanos e jornalistas afins pretendem que o eleitorado de São Paulo é bem mais informado e consciente que o do resto do Brasil.

Não é piada, não. Mas se você acreditou e votou em Kassab, não esqueça, sorria…

LF

17/11/2009 - 14:45h Cidade suja


São Paulo (SP) Lixo jogado na calçada, impede que os pedestres circulem próximo a estação Palmeiras Barra Funda. 16/11/2009. Foto: Elizeu Araujo de Souza/FotoRepórter/AE


Orçamento de Kasab será de R$30 bilhões em 2010, graças aos impostos e multas. IPTU com aumento cavalar e aumento da tarifa de ônibus, já em janeiro. Aumento também dos salários de Kassab e do alto escalão.

São Paulo merece?

LF

17/11/2009 - 10:25h IPTU de SP terá aumento de até 60%

http://www.corintimao.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/10/kassab_blog.gif

Mudança nos valores venais vai onerar mais os imóveis comerciais; residências sofrerão reajustes de até 40%

Felipe Grandin e Marcela Spinosa – O Estado SP

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) enviará hoje à Câmara Municipal projeto de lei que prevê aumento de até 40% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para imóveis residenciais e de até 60% para os não residenciais de São Paulo. A proposta também amplia a faixa de isenção para imóveis com valor venal de até R$ 92,5 mil. Segundo a Prefeitura, quase 54% dos imóveis da capital terão isenção ou alguma forma de desconto.

O projeto revisa a Planta Genérica de Valores (PGV), base de cálculo do imposto. Kassab informou ontem que os estudos de revisão haviam sido concluídos pela Secretaria de Finanças e se estabeleceria “um freio” de 40% para o aumento do IPTU (na realidade, o valor chegou a 60%, no caso de imóveis comerciais). O objetivo é aproximar os valores venais dos imóveis – usados para calcular o IPTU – daqueles praticados pelo mercado. Os principais afetados pelo reajuste serão os proprietários de imóveis no centro expandido que se valorizaram nos últimos anos, principalmente os bairros de classe média alta, como Itaim-Bibi, Moema e Vila Nova Conceição.

“Infelizmente, temos de mostrar que a atualização da planta genérica é uma necessidade”, disse o prefeito. Kassab afirmou que a PGV não é revisada desde 2001 e os valores mudaram muito. “É uma questão de justiça tributária, até porque há pontos na cidade que tiveram investimentos expressivos do poder público.” Para entrar em vigor em 2010, a proposta terá de ser aprovada ainda neste ano por 28 dos 55 vereadores.

Segundo a Prefeitura, o projeto também estabelecerá novos padrões de construção para o enquadramento de edificações de altíssimo padrão, que se tornaram comuns. Conforme estudos da Secretaria de Finanças, houve mudanças de mais de 300% no valor venal de alguns imóveis desde a última atualização da PGV.

Para Amir Khair, economista especialista em contas públicas e ex-secretário municipal na gestão Luiza Erundina (PT), mesmo com a trava o reajuste é exagerado. “É um golpe muito violento no bolso do contribuinte.” Segundo ele, o governo deveria compensar a alta reduzindo a alíquota do imposto, que varia de 0,8% a 1,6% do valor venal do imóvel.

Já Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), defende o reajuste integral, de acordo com a variação do valor venal. “Se houve aumento de 300% (no valor venal) e o imposto sobe 40%, o governo está penalizando aqueles que pagam o imposto justo e deixando de receber o valor correto”, diz. O especialista afirma que a medida prejudicará a classe média e beneficiará a classe média alta. “Os imóveis que tiveram maior valorização nesse período foram os de alto padrão, que não terão o imposto reajustado na mesma medida.”

O líder do governo na Câmara, José Police Neto (PSDB), defendeu a medida. “O contribuinte não pode ser penalizado por um erro do governo, que não atualizou a planta”, afirma.

Falta definir ainda o impacto dessa mudança na arrecadação. Esse número é aguardado pela Comissão de Finanças, que analisa o Orçamento de 2010. Antes de a trava ser estabelecida, a expectativa era de aumentar em quase R$ 1 bilhão a receita anual com IPTU, de R$ 3,1 bilhões para R$ 4 bilhões

Em Santos, o IPTU terá até 4,2% de aumento em 2010, informou ontem a prefeitura. Os imóveis com valor venal de até R$ 25 mil são isentos. Aposentados e pensionistas com renda de até 6 mínimos têm desconto de 50%.

COLABOROU REJANE LIMA

A PROPOSTA

De quanto será o aumento: os detalhes serão anunciados hoje, mas os limites para a variação positiva do valor do imposto serão de 40% para os imóveis residenciais e de 60% para os imóveis não residenciais

Quem terá isenção: a proposta isenta, de acordo com a Prefeitura, mais de 1 milhão de contribuintes do pagamento do imposto, concedendo o benefício fiscal para os imóveis residenciais com valor venal de até R$ 92.500,00

Quem terá desconto: mais de 470 mil munícipes serão beneficiados por alguma forma de desconto no cálculo, de acordo com o governo, sobretudo os proprietários de imóveis que tenham valor venal superior a R$ 92.500,00 e inferior a R$ 185.000,00

Imposto de SP é um dos mais altos do país

FOLHA SP

São Paulo já paga um dos IPTUs per capita mais altos do Brasil. Um dos motivos é que os imóveis na cidade custam mais do que em outras capitais. Outro é que as alíquotas locais são altas demais.
É o que diz o economista Amir Khair, secretário de Finanças na gestão da ex-petista Luiza Erundina (1989-1992), hoje no PSB.
Desde 2001, quando foi feita a última revisão da planta genérica de valores, usada como base de cálculo do IPTU, o valor venal dos imóveis vem sendo reajustado pelos índices de inflação. As alíquotas não sofreram correção.
“Fazer a revisão da planta genérica é uma questão técnica. Defendo que o valor da planta tem de ser o mais próximo possível do valor de mercado. Mas aplicar um limite é uma decisão política. O de 40% vai aumentar carga tributária”, afirmou Khair.

16/11/2009 - 17:55h Kassab decide aumentar IPTU em até 40%

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/kassab_estadao.jpgEVANDRO SPINELLI da Folha de S.Paulo

O IPTU de São Paulo vai aumentar em até 40% em 2010. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) definiu o valor do reajuste no fim de semana.

A prefeitura vai reajustar, na verdade, a planta genérica de valores, uma tabela que define o valor venal dos imóveis em cada rua da cidade. Essa tabela serve de base para o cálculo do valor a ser pago de IPTU.

No mês passado, a Folha antecipou que os estudos da prefeitura já apontavam para correção de até 357% no valor do IPTU, caso da rua Barão de Ladário, no Brás.

De acordo com Kassab, independentemente do novo valor venal dos imóveis, o reajuste máximo será de 40% em 2010. Ele chama isso de “trava”.

Kassab também afirmou que muitos imóveis terão redução de IPTU. “Eu posso adiantar que será um número muito grande de pessoas que estarão isentas”, disse o prefeito.

A Secretaria de Finanças está elaborando o projeto de lei que será encaminhado nesta terça-feira (17) à Câmara Municipal. A pasta não informou o número de contribuintes que estarão isentos nem quantos terão o teto do reajuste.

16/10/2009 - 10:54h Invocando pretextos, Kassab quer aumentar IPTU já

A valorização dos imóveis é invocada para justificar aumento do IPTU, como a “crise” foi invocada para justificar falta de investimentos nos hospitais, corte na varrição etc.

A valorização em alguns bairros é real e supera a inflação? Certo, mas em outros não. Fora o fato de Kassab manter ao longo do ano R$4 bilhões no banco e contar com receitas de R$ 25 bilhões (mais do dobro do último ano da Marta em 2004), nada justifica que a mudança nos valores em alguns bairros, permita um crescimento global dos impostos municipais.

O aumento dos impostos, inicialmente anunciado para depois das eleições de 2010, parece agora que será antecipado.

Uma parte desse reajuste iria agora para aprovação dos vereadores, limitado a 70%?

Kassab generalizaria assim a todos os domicílios, o aumento do valor arrecadado com o IPTU que aplicou para 25 mil deles em janeiro deste ano?

Em efeito, em janeiro de 2009 o aumento em até 70% no valor do IPTU passou pela restrição na concessão de desconto no valor venal para cálculo do imposto e a mudança afetou 25 mil imóveis. Ou seja os donos de mais de um imóvel residencial só tiveram direito ao abatimento em uma das propriedades. isto continuá a valer este ano, pois trata-se da aplicação de uma lei municipal aprovada pelos demo-tucanos por iniciativa de Serra em 2005 e que começou a valer para o IPTU 2009.

Agora Kassab parece inclinado, segundo os jornais, a generalizar esse 70% a mais, para todos os imóveis que pagam IPTU (uma parte dos que tinham sido isentados pela Marta, voltaram a pagar por conta do aumento do valor genérico da planta).

Ontem, editorial da Folha de São Paulo constatava, com razão, que “Em vez de onerar ainda mais quem paga seus impostos em dia, a prefeitura deveria cobrar com mais eficiência dos contribuintes que não o fazem. A soma dos débitos dos dez maiores devedores de IPTU em São Paulo supera R$ 500 milhões, metade do valor que seria obtido com o aumento do imposto predial.” (FSP editorial 15/10/2009).

O editorial concluía que “a iniciativa de elevar o IPTU é de uma incoerência lamentável.”. Incoerente com a propaganda demo-tucana, não com a prática.

Ao contrário, o aumento dos impostos por parte dos demo-tucanos é bem coerente com a prática deles nos governos. Não foi durante os 8 anos da presidência de FHC que o Brasil conheceu o maior aumento da carga tributária em relação ao PIB, de toda sua história? Não é em São Paulo onde o tributo indireto constituído pela cobrança de valor absurdos nos pedágios, configura uma verdadeira dupla tributação? Não é aqui que o IPVA é escorchante?

Incoerentes? Não. Hipócritas e sicofantas, seguramente.

Luis Favre

http://4.bp.blogspot.com/_tA1QKeMZ5lg/R6BhdVNA4oI/AAAAAAAABCU/x9Ejk50DCnA/s400/COM+SERRA+E+KASSAB.jpg

FHC, Serra e o preposto Kassab: coerentes na prática de aumentar a carga tributária

”É o Taxab”, diz vereador petista

EDUARDO REINA – O Estado SP

Na Câmara Municipal, poucos vereadores se dispõem a falar abertamente sobre o assunto. “Não vou passar o ridículo de comentar o que não existe”, diz um vereador de grande influência no bloco chamado de centrão. Já a oposição comemora a possibilidade da existência do reajuste e dá o troco: “É o Taxab”, diz João Antonio, líder do PT, em comparação ao apelido dado à ex-prefeita Marta Suplicy, chamada de “Martaxa” em 2003, quando propôs alíquota progressiva de IPTU. O petista acredita que o vaivém de informações sobre índices é um mero balão de ensaio de Kassab para observar a reação dos políticos e da população.

“Fala-se em reajustar a PGV nas regiões onde houve valorização do imóvel. Mas isso é um critério subjetivo. Quem garante que houve valorização nas áreas próximas de novos terminais de metrô? Mas também teve região que desvalorizou, como na Baixada do Glicério, no centro, e no entorno da Favela do Tijuco Preto, na zona leste. Nesses locais haverá diminuição de imposto?” Para João Antonio, a possibilidade de aumentar o IPTU é “a busca de receita para ano eleitoral”, mas considera que se o projeto for realmente apresentado será aprovado pela base.

Um parlamentar da base governista concorda, apesar de admitir que não sabe exatamente quando virá e como será o projeto. Mas não tem dúvida de que a matéria passará em plenário. “Se o prefeito mostrar os estudos com dados sobre os bairros, o projeto será aprovado, sim”, ressalta.

sorriava

Aumento de IPTU irrita os tucanos

Já assessores de Kassab dizem que crítica de aliados é inadequada

Diego Zanchetta – O Estado SP

A possibilidade de o prefeito Gilberto Kassab (DEM) enviar nos próximos dias à Câmara Municipal um projeto para reajustar os valores do IPTU ampliou a insatisfação da equipe ligada ao governador José Serra (PSDB) lotada nas Secretarias de Finanças e de Planejamento da Prefeitura de São Paulo. Para esses assessores e técnicos, os reajustes do tributo e da tarifa de ônibus logo no início de 2010 vão ter impacto negativo direto na cada vez mais provável candidatura à presidência de Serra.

Apesar da animosidade, parte da base governista no Legislativo já foi avisada ontem de que o projeto chegará à Comissão de Finanças até o dia 25, com possível teto de 70% para os aumentos. Os tucanos defendem que existem outras alternativas para elevar a arrecadação, como viabilizar parcerias público-privadas (PPPs) para a construção de creches, ampliar o combate à sonegação de impostos e o Programa de Parcelamento Incentivado (PPI), fazer concessões urbanísticas de bairros e vender 524 imóveis municipais atualmente desocupados. O próprio Serra disse a Kassab que teme o aumento. Pela primeira vez, porém, o prefeito e os assessores mais próximos consideraram a interferência tucana inadequada.

Kassab acredita que a repercussão negativa do reajuste do IPTU não será tão grande, uma vez que o aumento será bem inferior aos mais de 300% previstos em um estudo inicial feito pela Comissão de Valores Imobiliários. O prefeito está decidido a enviar a correção ao Legislativo, com a previsão de aumentar em R$ 1 bilhão a arrecadação já para 2010. “Ele não terá outra chance de ganhar fôlego para os investimentos nos próximos anos se não fizer essa correção agora. Não podemos agir à mercê de uma candidatura à presidência o tempo todo”, desabafou um assessor do prefeito, irritado com a pressão de técnicos próximos do governador.

Como o estudo da correção da Planta Genérica de Valores (PGV) do IPTU foi feito só para uma parte da cidade e não haverá tempo de fazer cálculos para todas as regiões até o fim de outubro, a saída de Kassab deve ser mandar um projeto ao Legislativo com os valores de mercado já usados no cálculo do Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). Nessa conta, o valor do imóvel é estipulado com base numa cesta de índices, com estimativas de preços elaboradas com mais de cem imobiliárias, corretores e construtores da capital.

Ontem o governo falava em fixar um teto de 70% para o aumento no primeiro ano, em 2010, com o pagamento escalonado nos anos posteriores para o imóvel que tiver um aumento superior a esse índice. Mas ainda há técnicos na Secretaria de Finanças que defendem um teto de até 130%, o que poderia elevar a arrecadação do IPTU de R$ 2,9 bilhões anuais para R$ 4,1 bilhões.

Com apoio de 40 dos 55 vereadores, Kassab também vê um bom momento político para conseguir a aprovação da nova PGV. No fim de semana, o prefeito deve reunir-se com aliados e com o próprio Serra para anunciar os detalhes do projeto. Prevista para hoje, a primeira audiência pública para discutir o Orçamento de 2010, estimado em R$ 28,1 bilhões, foi cancelada. “Precisamos saber agora como será o impacto com o novo IPTU”, afirmou Milton Leite (DEM), relator do Orçamento.

ANIMOSIDADE

Desde o início do segundo governo, em janeiro, o PSDB vem perdendo espaço na administração. O resultado mais emblemático dessa disputa foi o pedido de demissão do secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andréa Matarazzo, aliado político e amigo pessoal do governador. No início de setembro, Matarazzo havia criticado publicamente os cortes de verbas para os serviços de varrição, o que irritou o prefeito. Uma semana depois, o tucano acabou deixando o cargo.

Outros subprefeitos tucanos foram substituídos por políticos do DEM e por novos aliados do PV e do PR. Publicamente, contudo, o prefeito nega as desavenças e diz continuar seguindo as orientações de Serra, seu principal padrinho político.

15/10/2009 - 09:29h Aumento do IPTU pode ocorrer já em 2010

Prefeito não descarta reajuste para o ano que vem; data para envio do projeto de revisão para Câmara não está definida

Última alteração dos valores venais de imóveis na cidade foi feita em 2001; desde então, houve apenas a correção anual da inflação

sorriava

Ver também

“Gestão” Kassab: O aumento do IPTU pode chegar a 357%, mas em 2011. Primeiro você vota no bonequinho demo-tucano em 2010, depois ele te cobra (ontem)

Kassab aumenta IPTU até 70% (30/janeiro/2009)

EVANDRO SPINELLI E MARIANA BARROS – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), disse ontem que vai “parcelar” o aumento do IPTU que sua gestão está preparando.
A ideia é estabelecer um teto de reajuste. O percentual ainda não foi definido. Se o teto for, por hipótese, 100%, imóveis que tiverem 150% de aumento do imposto pagariam 100% no primeiro ano e os outros 50% no ano seguinte.
“Nós iremos colocar uma trava na atualização [do valor do IPTU], até por causa da crise. E também não é justo a atualização ser feita de uma vez só.”
Kassab confirmou que o governo já iniciou os estudos para aumentar o imposto na cidade, conforme revelou a Folha ontem. Na avaliação do prefeito, como a última revisão da planta genérica de valores da cidade -que define o valor venal do imóvel- foi feita em 2001, na gestão Marta Suplicy (PT), muitos contribuintes estão pagando valores defasados de IPTU. Desde então, houve apenas a correção anual da inflação.
Com os oito anos de defasagem, imóveis que se valorizaram, por exemplo, com a chegada de estações de metrô ou a construção de shoppings, pagam IPTU com valores anteriores à revisão. Por isso, o impacto é grande com a revisão. Dados preliminares apontam que, sem um teto, haveria reajuste de até 357% na rua Barão de Ladário, no Brás (região central), por exemplo.
Kassab disse que a data de envio do projeto para a Câmara não está definida. Ele admitiu que pode ser ainda este ano, para valer já a partir de 2010, mas descartou relação com a eleição do ano que vem.
“Não será uma eleição ou outra que irá alterar qualquer adoção de medidas da nossa parte”, afirmou.
“A revisão da planta genérica é uma obrigação do prefeito.
Ele não pode deixar defasar tanto, porque isso vai criando distorções. A atualização precisa ser feita para que não existam injustiças”, afirmou o presidente do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo), José Augusto Viana Neto.
Ele disse que a entidade vai acompanhar os estudos que a prefeitura vai apresentar para a revisão da planta genérica. “É bom ter muito cuidado. Isso precisa ser muito fiscalizado pela sociedade.”
O líder do PT na Câmara, João Antonio, criticou a medida. “O que justifica o aumento se a prefeitura tem R$ 3 bilhões no mercado financeiro?”
O petista disse, inclusive, que Kassab ainda pode mudar de ideia. “Esse é o governo do “se colar, colou”. Eles jogam uma informação e, se houver resistência, eles não aplicam. Fizeram isso várias vezes”, afirmou.

Colaboraram ANDRESSA TAFFAREL E MARCO RODRIGO ALMEIDA

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Não há melhorias que justifiquem aumento, dizem contribuintes

JAMES CIMINO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

“Se meu imóvel valorizou 10%, foi muito”, diz o comerciante Eribaldo Belchior Ximenez Filho, proprietário de um edifício de cerca de 8.000 m2 no Largo da Concórdia (zona leste de SP), que poderá sofrer um reajuste de 124,75% no valor do IPTU, segundo estudo proposto pela prefeitura de São Paulo revelado ontem pela Folha.
Pela nova tabela, o IPTU da edificação, que abriga a loja de utensílios Rei das Ofertas, passaria de R$ 71.300,80 para R$ 88.947,48. Ximenez Filho analisa os boletos do IPTU desde 2006, quando adquiriu o imóvel, e calcula que seu valor venal aumentou em 5,32%. Nesse período, o IPTU subiu 5,40%.
“A reforma do Largo da Concórdia foi muito boa, mas houve uma piora geral em termos de segurança. A limpeza das calçadas é muito ruim, a iluminação pública é deficitária. As obras boas do Kassab, como o Cidade Limpa, não exigem gasto nenhum. Não vejo um recapeamento. Então ele aumenta a tributação com base em quê? Concordo em pagar, desde que haja contrapartida”, afirma o comerciante, eleitor do prefeito. Ele fala em não votar mais em Kassab caso não haja uma contrapartida que justifique o aumento de seu IPTU.
“Ele devia se preocupar em tirar os camelôs que ficam aqui em frente atrapalhando a clientela de entrar na minha loja”, reclama Luciano José Felipe, 37, sócio da boutique Alan Terrier, na rua Barão de Ladário, no Brás, que deve receber o maior aumento: 357%.
Felipe diz que a justificativa da prefeitura para o aumento (a valorização imobiliária devido à construção do shopping Mega Polo naquela rua) é descabida. “O público do shopping é de atacadistas. O meu é de varejistas. Repassar esse custo para minha mercadoria é inviável. A crise econômica e até a gripe suína reduziram meu faturamento em 50%. Aí o IPTU vai pular de R$ 465 para R$ 2.125 por mês?”, questiona.
Raciocínio semelhante tem Hassan Mohamad Moussame, 31, dono do restaurante Casa Líbano, também na Barão de Ladário. “Imagine se eu aumentar o preço da esfiha em 400%? Vai para R$ 12? Não vivemos mais na hiperinflação, em que podíamos repassar uma despesa dessa direto para o consumidor.” Moussame paga atualmente R$ 2.500 por ano no imóvel de 300 m2. Com o reajuste, pagará R$ 8.900.
Na praça Vialboim, onde o IPTU deve subir 46,35%, a medida também é impopular. Elza Mendonça D”Horta, síndica do edifício Louveira, diz não entender por que houve valorização. “O movimento dos restaurantes tirou a paz de todo mundo. Alguns edifícios aqui da frente estão alugando para estudantes da FAAP, que fazem a maior algazarra. Ele devia pôr policiamento na praça e nos liberar do IPTU”, diz a síndica, que não revela quanto paga de imposto para que “a prefeitura não aumente mais ainda”.

15/10/2009 - 09:00h Preposto de Serra desmente seu patrão

Uma pequena nota na Folha de São Paulo fornece ao leitor o porta-retrato fiel de José Serra, em seu relacionamento com o prefeito eleito da capital paulista, Gilberto Kassab.

“SERRA DIZ QUE NÃO ACREDITA EM AUMENTO DO IMPOSTO
Após uma conversa com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) por telefone, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem que não era verdadeira a informação de que a prefeitura estuda reajustar o IPTU em até 357%. “Isso é conversa”, disse. A notícia, no entanto, foi confirmada pelo próprio Kassab. Após participar da formatura de 665 universitários, Serra afirmou que não seria necessário ouvir Kassab para saber que a notícia não era verdadeira.” (FSP 15/10/2009)

A reação de Serra é também significativa do autoritarismo com que pretende impor sua vontade aos outros, no caso ao jornalista. Sendo o patrão do preposto Kassab, ele não só desautoriza o prefeito, como considera que sua palavra basta e Kassab nem precisa ser ouvido.

Provavelmente a nota valerá ao jornalista um puxão de orelhas, pois Serra não gosta de ver assim exposta sua arrogância e autoritarismo. Mostrando assim a alma, percebesse a justessa da observação de Ciro Gomes sobre Serra, “o que tem de mais feio é a alma”.

Em tempo, o preposto confirmou o aumento dos impostos. LF

14/10/2009 - 10:05h “Gestão” Kassab: O aumento do IPTU pode chegar a 357%, mas em 2011. Primeiro você vota no bonequinho demo-tucano em 2010, depois ele te cobra

Edição São Paulo

Primeira Página da Folha de S.Paulo
Fac-símile da capa da edição de 14/10/2009

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Prefeitura planeja revisão geral do IPTU

Objetivo é rever imposto de acordo com a valorização imobiliária de cada região; dados preliminares apontam para reajuste de até 357%

A última revisão geral do valor de mercado dos imóveis foi feita em 2001; novo valor do imposto deve passar a valer em 2011

EVANDRO SPINELLI E MARIANA BARROS – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A gestão Gilberto Kassab (DEM) já iniciou estudos para aumentar o IPTU na cidade de São Paulo de acordo com a valorização imobiliária de cada região nos últimos oito anos.

Dados obtidos pela Folha apontam para um aumento de até 357% -caso da rua Barão de Ladário, no Brás, beneficiada pela revitalização do largo da Concórdia e pelo fortalecimento do comércio no centro.

O estudo, comandado pela comissão de valores imobiliários da Secretaria Municipal de Finanças, já foi realizado para áreas como Higienópolis, Pacaembu, Barra Funda, Limão, Vila Maria e Santana.

A Folha apurou que o próprio Kassab defende a revisão do imposto. Diz que ela é justa considerando a valorização imobiliária de vários bairros, principalmente aqueles onde foram construídos shoppings ou estações de metrô.

Ele acredita também que algumas áreas terão redução do imposto, porque o valor de mercado dos imóveis se desvalorizou no período. A comissão começou o trabalho pelas áreas que tiveram valorização.

O prefeito só não definiu quando encaminhará o projeto ao Legislativo, pois teme a repercussão negativa que a medida pode causar -2010 é ano eleitoral, no qual ele apoiará o governador José Serra (PSDB).

O mais provável é que o projeto seja encaminhado para análise dos vereadores entre outubro e novembro de 2010, depois das eleições, para valer a partir do ano seguinte.

Em 2006, Kassab já tentou mudar o IPTU, mas acabou recuando. Na época, prometeu não mexer no IPTU até o fim daquele mandato (2008).

A última revisão geral do valor de mercado dos imóveis foi feita em 2001, primeiro ano da gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT). De lá para cá, os valores sofreram apenas a correção da inflação do período.

Áreas próximas à marginal Tietê, onde as inundações deixaram de ser frequentes, também se valorizaram, segundo a comissão, em até 307% -casos da Vila Maria e do Tatuapé.

Na região da Vilaboim, em Higienópolis (centro), o reajuste deverá ser de 46,35%.

Luiz Paulo Pompéia, da comissão de valores imobiliários e diretor da Embraesp, empresa especializada em avaliações de patrimônio, estima que a planta genérica esteja defasada em até 30%. Com a revisão, a prefeitura pode arrecadar até R$ 1 bilhão a mais por ano -hoje, a receita é de R$ 3,1 bilhões.

Segundo ele, nas regiões mais verticalizadas a defasagem é maior, e áreas vizinhas a favelas e vulneráveis a enchentes se desvalorizaram.

Eduardo Della Manna, diretor de legislação urbana do Secovi (sindicato das imobiliárias), defende a revisão do IPTU a cada três anos, para manter o valor da planta genérica condizente com o de mercado.

20/09/2009 - 12:22h Kassab é Serra

Durante vários meses este blog, e os vereadores do PT, foram quase os únicos a mostrar que Kassab utilizava a “crise internacional” como pretexto para justificar sua grave incompetência. Uma “gestão” sem planejamento e sem projetos. Exclusivamente preocupada com marketing e propaganda.

Um orçamento fictício, para “vender” promessas eleitorais, e uma realidade de arrecadação abundante, -maior até que a de 2008- com mais de R$ 3 bilhões mantidos no banco (cada ano a mesma coisa, devem ter algum acerto aí).

Durante vários meses os jornais ignoraram os repetidos alertas e desafios deste blog. Os dados aqui apresentados não ganharam qualquer destaque.

Mas agora não dá mais. O descalabro está a vista de todos e ninguém pode continuar tapando o sol com a peneira.

Os jornais bem que tentaram peneirar a verdade, por motivações políticas e eleitorais: Kassab é Serra e a situação de um pode afetar diretamente a situação do outro.

Alguns vem na mudança de atitude da imprensa uma manifestação da vontade de impedir a candidatura Kassab em 2010, para privilegiar um candidato único demo-tucano, impondo a solução Alckmin (até para forçar Serra e impedir que Alckmin saia do PSDB como está fazendo Chalita).

Não tenho elementos para julgar se isto é verdade, atribuindo aos jornais uma ação coordenada e partidária.

Em todo caso a publicação das verdades do descalabro demo-tucano na principal cidade do país, reforça a credibilidade da imprensa e resultam em ganho indiscutível para os cidadãos poderem refletir sobre o poder municipal com isenção. LF

Alguns links do blog que mostram os repetidos alertas sobre estes assuntos você encontra clicando no tag Kassab, embaixo.

20/09/2009 - 11:29h “Que crise? prefeitura arrecada mais do que em 2008″. Capa do Jornal da Tarde. Os dados estão também no jornal O Estado SP

Kassab congela R$ 4 bi de 20 secretarias

 

 

Na prática, gestão adia investimentos previstos em Plano de Metas 2012

Receita da Prefeitura com impostos cresceu 3,19%

Diego Zanchetta – O Estado SP

Exatamente um ano após apresentar à Câmara Municipal um Orçamento superior a R$ 29 bilhões, com a promessa de investimentos recordes em obras e “no social”, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) já reviu para baixo os gastos em 20 das 21 secretarias da Prefeitura de São Paulo com dotações previstas em 2008. Fora o alardeado corte na limpeza pública e os congelamentos de verbas na Saúde e na Educação, a revisão no planejamento do governo atingiu também a Guarda Civil Municipal, a reforma de bibliotecas e os projetos para aumentar a mobilidade dos deficientes. A publicidade, porém, único setor preservado, não só escapou como recebeu incremento de R$ 46 milhões.

Segundo o Sistema de Execução Orçamentária da Prefeitura, foram congelados até agora R$ 4,09 bilhões pelo governo municipal – isso foi feito tanto por meio de decretos e bloqueios no início do ano como por contingenciamentos nas secretarias, como mostra a arte embaixo. Outro reflexo da reorganização financeira é a redução do tempo que o prefeito terá para cumprir seu Plano de Metas, até 2012. Muitas promessas de campanha, que constam do plano, previsto em lei aprovada pelos vereadores, continuam no papel – após 9 dos 48 meses da gestão. Caso não cumpra as metas ao fim do governo, o prefeito poderá responder processo de improbidade administrativa.

Do R$ 1 bilhão que se prometeu investir no Metrô, em quatro anos, por exemplo, não foi liberado nada, assim como os R$ 30 milhões reservados para o início da construção do Hospital Municipal de Parelheiros, no extremo da zona sul, e o corredor de ônibus da Avenida Celso Garcia, na zona leste – três das principais promessas da campanha à reeleição. O projeto de transformar ônibus em bibliotecas itinerantes, da Secretaria Municipal de Cultura, também não teve um centavo liberado dos R$ 974,6 mil previstos.

O congelamento já afeta até as Secretarias de Segurança e da Assistência Social. De um total de R$ 20 milhões para a modernização das ações de segurança preventiva e comunitária, R$ 9 milhões foram congelados. A verba destinada à construção e à reforma de prédios e imóveis da GCM também teve retenção de R$ 1,1 milhão, de um total de R$ 1,2 milhão. Para a construção de albergues, congelou-se R$ 1,3 milhão de um total de R$ 1,8 milhão.

A pasta campeã de congelamento é a da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida. Ao todo, 77% da verba de R$ 15 milhões da pasta foi retida. Só para as obras de melhoria da acessibilidade – como as reformas de calçadas sem guias rebaixadas – estão represados R$ 4,1 milhões. Na Cultura, a reforma e ampliação de bibliotecas e de centros culturais teve R$ 9,2 milhões congelados.

Kassab vem afirmando que até dezembro vai suplementar a verba da limpeza urbana em mais R$ 132 milhões, chegando a R$ 903 milhões. Segundo o governo, os repasses para empresas de varrição e coleta de lixo entre janeiro e agosto totalizaram R$ 500 milhões, o mesmo valor de 2008.

A administração diz que os congelamentos não afetam os serviços essenciais em saúde, educação e transporte, que o contingenciamento é momentâneo e os R$ 4 bilhões serão liberados até dezembro.

 

Clique no quadro para ampliar

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Contingenciamento ocorreu após eleições

Em dezembro, corte foi de R$ 2 bi; em fevereiro, R$ 5 bi

O contingenciamento de verbas em São Paulo ocorreu ainda no Legislativo, em dezembro, um mês após as eleições. Com a crise financeira mundial, o governo, junto com o aliado Milton Leite (DEM), relator do Orçamento, definiu que a estimativa inicial deveria ser reduzida em R$ 2 bilhões. Em fevereiro, o Executivo fez um corte ainda maior, que ultrapassava R$ 5 bilhões.

“A referência para o Orçamento de R$ 29 bilhões eram os indicadores de arrecadação do segundo trimestre de 2008, quando o País estava crescendo. Em dezembro, quando já era nítida a queda nas receitas, tivemos de rever (o Orçamento)”, argumenta o vereador, que na quinta-feira deve receber o Orçamento para 2010. “Estimo que a peça que vou receber não poderá ultrapassar R$ 25,7 bilhões. Tivemos um índice não muito bom de arrecadação no segundo trimestre, e é isso que será referência. Ainda temos reflexos da crise.”

A arrecadação municipal neste ano aumentou 5% – a expectativa, em setembro de 2008, era de 15%. Essa estimativa frustrada causou o corte, por exemplo, de R$ 54 milhões nos serviços de varrição, e um congelamento na Saúde que já beira R$ 1 bilhão. “Foi feito um Orçamento ficcional para a eleição. Para poder embutir todas as promessas de campanha, chegou-se a um número irreal de R$ 29 bilhões”, critica o vereador Antonio Donato (PT).

DESGASTE

Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), já teria sido possível prever um Orçamento menor em setembro. “O prefeito foi pouco realista e, somando-se a isso, tivemos uma queda da receita, mas o governo acabou fazendo congelamentos em áreas erradas, que geram muito desgaste político, como a limpeza.”

O líder do governo na Câmara, José Police Neto (PSDB), tem rebatido as críticas no plenário. “Não existe corte na limpeza. A mesma verba liberada no ano passado, de R$ 903 milhões, será liberada neste ano para o setor”, disse. Para a oposição, Kassab faz congelamento para poder repassar os R$ 600 milhões de subsídios previstos às viações e cumprir a promessa de manter a passagem a R$ 2,30 até janeiro.

“Falta um controle maior da Prefeitura sobre as empresas de ônibus”, diz o ex-secretário municipal de Finanças Amir Khair. Em janeiro, a tarifa do transporte público deve subir para R$ 2,70.

O governo nega e defende os gastos com a chamada “tarifa social”. Kassab tem defendido os gastos com publicidade como “prestação de serviços” em campanhas de prevenção à gripe suína e de combate às enchentes.

 

kassab_estadao.jpgReceita da Prefeitura com impostos cresceu 3,19%

Daniel Gonzales – O Estado SP

A receita obtida pela Prefeitura com impostos, de janeiro a agosto deste ano, teve aumento de 3,19% em relação ao mesmo período de 2008.

São recursos do ISS (Imposto sobre Serviços), IPTU (Predial e Territorial Urbano) e repasses estaduais, como a cota-parte do IPVA (sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e federais, entre outras fontes.

Apesar disso, a capital vem tendo vários congelamentos de verbas em serviços essenciais, como coleta e varrição de lixo, saúde e outras áreas.

Segundo planilhas do sistema eletrônico do Orçamento Municipal (NovoSeo), entraram nos cofres da capital neste ano, até agosto, R$ 15,17 bilhões. O total arrecadado no mesmo período de 2008 foi de R$ 14,70 bilhões.

Para executar os cortes, iniciados a partir do primeiro semestre, a Prefeitura tem usado como argumento a crise financeira internacional. Segundo suas previsões, o desaquecimento da economia iria reduzir o Orçamento atual, dos R$ 27,5 bilhões previstos, para cerca de R$ 24bi a R$ 25 bi até dezembro.

No entanto, esse Orçamento, no qual se baseiam os congelamentos, é “virtual”. É uma previsão de receita a ser arrecadada até o final do ano.

Para a Prefeitura, ele foi superestimado em 2008, antes da crise internacional (que estourou em setembro) e não poderá ser cumprido.

Conforme o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vem afirmando desde maio, isso ocorrerá por causa de uma “queda na arrecadação dos impostos”.

Mas a economia mundial apresenta sinais de reaquecimento e o fenômeno também já tem reflexos na contabilidade da Prefeitura de São Paulo.

De acordo com levantamento feito no NovoSeo por integrantes da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal, quando se consideram as maiores fontes de renda da cidade, nota-se que o ISS, imposto diretamente ligado à atividade econômica, teve um aumento de 7% na sua arrecadação em julho deste ano em relação a junho.

Também houve aumento em relação ao mesmo período do ano passado. Em julho, foram arrecadados R$ 498,5 milhões em ISS, ante R$ 466,5 milhões arrecadados no mesmo mês de 2008.

Com o ligeiro aumento das receitas, Kassab garantiu que em 2010 não haverá cortes na limpeza pública.

O IPTU, até agora, teve aumento de 5,4% na arrecadação, fechando julho com um total de R$ 2,25 bilhões – de janeiro a julho do ano passado, o montante arrecadado somava R$ 2,1 bilhões.

QUEDA

Mas os repasses que a administração municipal recebe referentes ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços), -2%, e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), -19%, apresentaram queda.

A arrecadação com o Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) também caiu em julho, para R$ 357 milhões – em 2008 foram R$ 419,3 milhões no mesmo mês.

18/09/2009 - 10:54h Valor mostra que arrecadação de Kassab em 2009 subiu 5% em relação a 2008. Crise é pretexto para incompetência

 Clique na imagem do VALOR para ampliar

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Contas públicas: Arrecadação subiu 5% no ano; prefeitura esperava 15%

Ver também Estadão foi ver onde está o dinheiro que Kassab diz que está faltando e vejam só:

Frustração de receita explica corte de gasto em São Paulo

Luciano Máximo, de São Paulo – VALOR

A prefeitura de São Paulo passou pelos primeiros sete meses deste ano em uma situação fiscal melhor que a de outros entes da federação. Ajudada pelo melhor desempenho do setor de serviços em relação à indústria e à rentabilidade das empresas, a arrecadação da capital paulista cresceu 5,5% em termos nominais de janeiro a julho, em confronto com o mesmo período de 2008, resultado superior à variação de 1,05% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do governo estadual e à queda de 1,4% dos ganhos com tributos do governo federal, na mesma comparação.

Mesmo em posição de aparente conforto, o prefeito Gilberto Kassab (DEM), temendo os efeitos da crise global na economia municipal, fez dois contingenciamentos no orçamento da prefeitura desde janeiro totalizando R$ 6,3 bilhões – equivalentes a 23% do orçamento de R$ 27,5 bilhões aprovado para 2009. O percentual é elevado. Na na esfera federal, por exemplo, o corte foi de R$ 21,6 bilhões, ou 2,8% do orçamento da União.

O projeto orçamentário original, enviado para aprovação da Câmara de Vereadores no ano passado, previa receita de R$ 29 bilhões, alta de quase 20% sobre o total de recursos empenhados pela administração pública em 2008. Na Câmara, ele foi reduzido para R$ 27,5 bilhões, aumento de 15% sobre 2008. Diante das expectativas, a alta de 5,5% na arrecadação municipal até julho indica uma frustração de receitas, mas nem a Secretaria Municipal de Finanças nem a de Planejamento, atenderam aos pedidos de entrevista do Valor para explicar os cortes de despesas que atingem vários serviços, como limpeza pública, habitação, saúde, entre outros.

Como a previsão para o fechamento do orçamento no ano pode ser atualizada de acordo com a evolução dos gastos e da arrecadação, no balanço financeiro de julho a Secretaria de Finanças destaca que ainda espera contar com receitas orçamentárias da ordem de R$ R$ 25,757 bilhões no fim de 2009. Para adequar as despesas a uma receita ainda inferior ao orçamento, Kassab deverá enfrentar críticas de aliados e oposicionistas e manter os cortes em áreas que afetam diretamente o cotidiano da população. Na quarta-feira, o prefeito admitiu redução de R$ 57 milhões para a merenda das creches.

Serviços de limpeza é a área que mais sofre. De acordo com relatório de detalhamento de gastos da Secretaria Municipal de Planejamento, atividades de varrição, coleta de lixo e o pagamento às empresas concessionárias perderão quase R$ 275 milhões neste ano em relação ao valor empenhado no ano passado. O paulistano começou a sentir os reflexos dessas medidas na semana passada, quando o acúmulo de lixo nas ruas da cidade ampliou o efeito negativo das fortes chuvas, causando alagamentos e engarrafamentos caóticos. Mais problemas são esperados com a greve dos garis, programada para segunda-feira.

O corte de verbas para esses serviços, contudo, não decorreu só da frustração com as receitas previstas. Já no orçamento aprovado pela Câmara em dezembro, a partir da proposta original da prefeitura, os valores destinados para limpeza pública eram menores que os empenhados em 2008. Na varrição, por exemplo, foram empenhados R$ 337,2 milhões no ano passado, e para 2009 a verba orçada para a mesma rubrica, definida antes dos contingenciamentos, foi de R$ 263,9 milhões – 21,7% menos.

Para o economista Amir Khair, ex-secretário municipal de Finanças na gestão de Luiza Erundina, então no PT, o governo Kassab errou ao planejar o orçamento. “No ano passado, o governo supervalorizou as receitas previstas na lei de diretrizes orçamentárias (LDO), mas no caminho apareceu a quebra do Lehman Brothers, que com certeza traria impactos negativos para a arrecadação”, lembra Khair.

O vereador Antonio Donato (PT), vice-presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal, tem dois argumentos para a confusão no planejamento financeiro da prefeitura. “Kassab enviou a LDO inflada no meio da campanha eleitoral e agora ele precisa de recursos para garantir os subsídios do sistema de transporte antes de aumentar as tarifas no ano que vem.”

Segundo Donato, até agosto a prefeitura empenhou R$ 508 milhões para o pagamento de compensações tarifárias às empresas de ônibus e lotações da capital. O gasto previsto com transporte no ano é de R$ 600 milhões. “Considerando que o valor empenhado mensalmente varia de R$ 50 milhões a R$ 75 milhões, a prefeitura vai precisar tirar recursos de outras áreas para manter o subsídio com a tarifa atual.” O vereador, que busca abrir uma CPI para investigar os cortes, diz que a prefeitura vai poder “respirar” a partir de janeiro, quando o preço da passagem deverá subir de R$ 2,30 para R$ 2,70 e os subsídios serão reduzidos.

Aliado de Kassab e integrante da mesma comissão, o vereador Floriano Pesaro (PSDB) confirma que a prefeitura deverá aplicar as verbas da limpeza pública para suprir o “buraco” do transporte. “Por que guardar dinheiro e deixar a cidade afundar no lixo e na água? Justificativa eleitoreira é uma bobagem. Passamos por uma grave crise e o próprio prefeito admitiu que cortou [gastos] com medo de a arrecadação não chegar no previsto. Mas no caso das passagens, ele tem que honrar sua promessa política de não subir tarifas este ano. Hoje temos um buraco imenso nesse setor e eu acho que ele vai tirar das áreas que sofreram congelamentos.”

Sem dar entrevista, a Secretarias de Planejamento, em uma curta resposta por e-mail, apenas justificou que foi feito, este ano, uma adequação da despesa à receita, que não cresceu com a mesma intensidade dos últimos anos. “É o que recomenda a boa gestão e a lei de responsabilidade fiscal”.

Khair avalia que os cortes feitos até agora podem ser revistos. “A tendência até o fim do ano é claramente de retomada da atividade e de alta da arrecadação, logo, os cortes podem ser atenuados.”

18/09/2009 - 09:25h “Faz tão mais mal à saúde comer demais como comer de menos” diz Kassab, horas antes de recuar. Agora não vai mais cortar uma refeição em creches

http://www.abima.com.br/arquivos/e_abima/263_3NASON6MUCOMNVFN0XBUXJKGLO1KXP.JPG

A decisão foi divulgada ontem à tarde; de manhã, prefeito tinha defendido a medida dizendo que comer demais faz mal

Em nota, a prefeitura informou que fará pesquisa sobre a situação alimentar das crianças para detectar eventuais “carências” 

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

Horas depois de dizer que comer demais também faz mal à saúde, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), desistiu de cortar uma das cinco refeições diárias das creches administradas pelo município. Em nota distribuída pela Secretaria da Educação no início da noite, a assessoria de imprensa do órgão afirmou que a medida foi tomada para “tranquilizar as famílias”.
Com o corte noticiado pela Folha ontem, cada creche teria de optar por retirar o café da manhã ou o jantar das crianças -60 mil seriam afetadas.
Pela manhã, questionado sobre a medida, Kassab disse que não era um corte, mas uma decisão técnica motivada pela redução do tempo de permanência das crianças nas creches -de 12 horas para dez horas, em vigor desde janeiro.
Na entrevista, afirmou: “Para ser sincero, tecnicamente existe uma exposição de motivos que mostram que as crianças não podem ter uma alimentação superdimensionada. Faz tão mal à saúde comer demais como comer de menos”.
Na nota, mais tarde, a secretaria informou que manterá a “alternativa de fornecimento de cinco refeições, respeitadas as necessidades específicas dos alunos de cada unidade”.
A partir de agora, de acordo com a pasta, será feita também uma ampla pesquisa com famílias e diretores para avaliar a situação alimentar das crianças -e solucionar “carências”.
O secretário da Educação, Alexandre Schneider, havia defendido a medida ao escrever em seu blog: “Se mantivéssemos as cinco refeições estaríamos alimentando as crianças a cada duas horas e desobedecendo todas as recomendações que regem uma alimentação saudável para esta faixa etária”.

Entrevista
De manhã, apesar de defender a redução na quantidade de refeições, Kassab afirmou que não havia sido consultado. Negou também que a medida tenha sido tomada em razão de questões financeiras. “É inacreditável que alguém possa acreditar que existirá restrição financeira à merenda”, disse.
Com a mudança, as despesas mensais da prefeitura com alimentação nas creches seriam 20% menores -de R$ 2,85 milhões para R$ 2,28 milhões. Leia trechos da entrevista de Kassab pela manhã:

Pergunta – Por que cortaram uma das refeições das creches?
Kassab
– Não houve corte. O que houve foi uma redução na carga horária das crianças.

Pergunta – Mas reduziu de cinco para quatro refeições diárias.
Kassab
– Tecnicamente existe uma exposição de motivos que mostram que as crianças não podem ter uma alimentação superdimensionada. Faz tão mais mal à saúde comer demais como comer de menos. Portanto, a prefeitura tem orientação técnica em relação à refeição dada às crianças.

Pergunta – Muitas crianças vão à creche só para ter refeição porque elas não conseguem ter em casa. Elas estavam com refeições demais?
Kassab
– Não acredito. Acredito que as refeições são muito bem balanceadas e continuarão sendo. O que houve foi a mudança no tempo de horas que as crianças permaneciam na escola.

Pergunta – Tem uma crise financeira na prefeitura?
Kassab
– Não, não há crise. A saúde financeira da prefeitura está adequada para o momento que vivemos. Nós tivemos uma redução nas receitas de R$ 5 bilhões. Fizemos ajustes no Orçamento que nos permitem manter a prioridade nas ações quanto à saúde e à educação.

Pergunta – Por que está cortando a merenda?
Kassab
– Acho inacreditável alguém supor que uma administração vá cortar a merenda. Tem muita coisa para cortar até cortar a merenda.

Pergunta – Por que o corte foi feito agora se a carga horária foi reduzida desde o começo do ano?
Kassab
– Volto a dizer que as decisões são técnicas e jamais financeiras.

Pergunta – O sr. foi consultado antes dessa decisão ser tomada?
Kassab
– Não, [sobre] as questões técnicas rotineiras eu não sou consultado. Quando tomo conhecimento, se discordo, posso até pedir para ser revisto.
(EVANDRO SPINELLI, JOSÉ ERNESTO CREDENDIO E ALENCAR IZIDORO)