02/08/2009 - 10:07h Brasil poderá assumir a liderança mundial num projeto reformista que implique uma mudança multidimensional “conduzida por homens de boa vontade para criar uma nova civilização”.

”Nosso pensamento está muito preso ao passado”

Para Edgar Morin, intelectuais devem ampliar participação nas reformas do mundo atual

Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP


Aos 88 anos, o filósofo, sociólogo, historiador e economista francês Edgar Morin trocou a revolução (”reduzida a uma dimensão violenta”) pela metamorfose, que, para ele, traduz uma “transformação natural e radical”; ao mesmo tempo, prossegue investindo contra a onda neoliberal que virou tsunami no mundo globalizado e, sobretudo, proclama o surgimento de uma religião da fraternidade, resultante do fato “de estarmos perdidos e, assim, necessitarmos uns dos outros”. Se há, como sempre, combatividade em suas palavras, o que se nota hoje neste que se destaca como um dos mais vigorosos pensadores em atividade na Europa é uma absoluta crença num futuro mais humanista – que, para tanto, passa pelo Brasil.

Morin, a propósito, passou pelo País no último mês, a convite do diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda. Veio para o relançamento da página dedicada a ele no Portal SescSP. E aproveitou para proferir – com o apoio do espaço cultural Universo do Conhecimento -, uma palestra sobre a urgência de um novo modelo geopolítico, Pensar o Sul. Depois dela, recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista exclusiva.

Nela, Morin anunciou uma nova montagem de seu clássico documentário Crônica de Um Verão, feito em parceria com Jean Rouch em 1960. Comentou também assuntos relacionados a três livros seus recentemente lançados, O Ano Zero da Alemanha (Editora Sulina, 319 págs., R$ 60) e, pela Bertrand Brasil, O Mundo Moderno e a Questão Judaica (208 págs., R$ 35), Cultura e Barbárie Europeias (108 págs., R$ 29), e o segundo volume de Cultura de Massas no Século XX – Necrose (208 págs., R$ 35).

De todos, o mais controvertido talvez seja O Mundo Moderno e a Questão Judaica, em que Morin – judeu marrano que abordou, entre outros temas, o preconceito racial em Crônica de Um Verão – afirma que o Estado de Israel possui uma marca dominadora e colonizadora. Na entrevista, ele não se mostra otimista a respeito de uma solução política entre judeus e palestinos. Defende a intervenção no plano internacional dos EUA e países europeus – e não teme que o chamem mais uma vez de traidor. Lembra que já foi chamado assim em relação à França por sua oposição à guerra da Argélia e também de “traidor do socialismo” por haver resistido à sedução stalinista. Está pronto para ser chamado de “traidor dos judeus” por ter manifestado sua “compaixão pelos palestinos que sofrem as misérias e humilhações de uma ocupação”.

Na entrevista a seguir são reproduzidos excertos de uma conversa que durou mais de três horas. Entusiasmado, Edgar Morin pediu que ela se prolongasse por mais um dia, pois queria falar sobre a “grandeza do Brasil”. Como Stefan Zweig, ele acredita que este seja mesmo “o país do futuro”, mas que precisa, antes, enfrentar seu maior obstáculo: a corrupção. E sugere para isso uma reforma no campo educacional, defendendo a transdisciplinaridade e o incentivo à ideia de solidariedade, que irá prevalecer necessariamente no futuro, segundo o filósofo.

Os trunfos do Brasil em relação ao restante do mundo, diz Morin, estão na miscigenação cultural e na biodiversidade da Amazônia. Se o País souber aproveitar isso, assegura, poderá assumir a liderança mundial num projeto reformista que implique uma mudança multidimensional “conduzida por homens de boa vontade para criar uma nova civilização”.

Certa vez o senhor disse que, para a educação reformar o espírito, ela precisaria ser reformada. Como a educação pode mudar num mundo em que o conhecimento parece servir mais a interesses econômicos que culturais?

http://www.mcxapc.org/images/photos/emorin.jpgÉ sempre o problema da transformação das instituições. Nesse sentido, é conveniente lembrar o exemplo da Universidade de Berlim criada por um educador prussiano liberal, Humboldt, no começo do século 19 (em 1810), e que marcou profundamente a educação europeia, fornecendo o modelo de outras universidades ocidentais. Da mesma forma, o pensamento neoliberal fornece hoje um modelo de universidade que precisa ser revisto, para que a reforma educacional acompanhe uma reforma moral, baseada na solidariedade planetária, e melhore a qualidade de vida. Para isso é preciso mudar nosso modo de pensar. Ou seja, no lugar de separar o conhecimento em compartimentos, devemos pensar como a complexidade pode levar a um conexão entre esses vários modos de pensar. Há, hoje, algumas universidades que resistem ao processo de uniformização do conhecimento, e uma delas fica no Peru, o que me leva a crer que uma reforma educacional acontecerá primeiro na América Latina e só depois na Europa. No Brasil, por exemplo, vejo algumas iniciativas na escola secundária que poderão frutificar, assim como nos centros de formação do professor.

O senhor fala muito em reforma. Parece que a palavra revolução foi abolida de seu vocabulário. O tempo das revoluções chegou ao fim?

Bem, eu prefiro trocar a palavra revolução, que está desgastada pelo uso, por metamorfose. E por quê? Porque a palavra revolução foi reduzida a uma dimensão violenta. Essa violência cria apenas sistemas autoritários, como bem provou a União Soviética. Já a metamorfose permite uma transformação natural e radical como a de uma borboleta, que se destrói e se constrói para se transformar, para adquirir novas habilidades, como a de voar.

Já que tocou nesse tema, o da metamorfose, num de seus livros, O Homem e a Morte, o senhor fala de religião como um problema fundamental da humanidade, uma dificuldade de aceitar o fim. Deus ainda é um conjunto de ideias ou ele tomou outra configuração à medida que o senhor se aproxima do seu centenário?

No livro mencionado, parto da constatação de que, desde que os seres humanos surgiram, essa é uma questão fundamental da humanidade, sempre às voltas, desde tempos remotos, com religiões que tentam superar a morte. Então, temas como o renascimento e as religiões salvacionistas precisam ser estudados – a história de um Deus que morre e renasce, como a de Jesus, é fascinante. Nas sociedades arcaicas existem os espectros, os espíritos dos mortos, mas não Deus, e sim deuses, que são ideias, mas que obrigam comunidades a exigir sacrifícios humanos. Então, a questão é saber se as sociedades modernas podem viver sem religião. Não acredito em religiões de revelação, como o cristianismo e o islamismo, mas, além delas e das arcaicas, existe ainda uma terceira religião, que eu classificaria de laica, ou a religião da fraternidade humana. Estamos perdidos num pequeno planeta dentro de um sistema e, justamente por estarmos perdidos, precisamos ajudar uns aos outros. Assim, ou enfrentamos a metamorfose ou seremos destruídos.

A ideia de que se pode ser feliz, apesar disso, acompanha o senhor há pelo menos meio século, desde que rodou com o cineasta Jean Rouch o documentário Crônica de Um Verão, para o qual foi cunhada a expressão “cinéma verité”. Há mesmo uma possibilidade que o cinema seja a expressão da verdade, se ele passa por um processo de montagem, sempre um ato subjetivo, eletivo?

Quando rodamos Crônica de Um Verão, novos equipamentos cinematográficos estavam sendo testados, entre eles gravadores de som direto, que nos permitiram sair às ruas e perguntar aos entrevistados se eles se consideravam felizes. Fui muito influenciado na época pela linguagem de Robert Flaherty e Dziga Vertov e por um filme de Lionel Rogosin, rodado um ano antes de nosso documentário e chamado Come Back Africa (sobre o apartheid na África do Sul e como a separação racial afetou a vida de todos, do cidadão comum à cantora Miriam Makeba). Inicialmente, após um jantar, pensamos, eu e Jean Rouch, em chamar o filme de Como Vive Você? Já, então, pretendíamos explorar a questão da felicidade não apenas do ponto de vista material, mas psicológico. Temendo que ficasse um pouco monótono por conta dos depoimentos e das discussões sobre racismo e a guerra da Argélia, resolvemos incluir cenas de Saint-Tropez para introduzir um elemento alegre, o que resultou no título final. Na época, fomos muito criticados por conta da expressão “cinéma verité”. Diziam que não éramos portadores de nenhuma verdade, que tudo não passava de uma interpretação, e nos defendíamos dizendo que não tínhamos a pretensão de representar a verdade, e sim de procurar por ela. Não via o filme desde a morte de Jean Rouch (ocorrida em 2004) e, ao revê-lo, no ano passado, senti que ele está mais atual que nunca, ao falar da juventude desorientada dos anos 1960, que se parece muito com a de agora. Rodamos mais de 25 horas e ainda há muito material – que eu julgava perdido -, para explorar sobre ele. Recuperamos os negativos e estamos remontando com quatro horas de duração, pois a montagem original foi um massacre. Talvez possamos ter uma nova versão do filme em 2010.

No livro que acaba de ser lançado no Brasil, O Mundo Moderno e a Questão Judaica, o senhor afirma que o Estado de Israel tem uma marca colonizadora e dominadora. Como vê a solução para o impasse da questão palestina e o futuro das relações entre judeus e palestinos?

Chegamos ao momento crítico da situação. Israel não abre mão de seu atual modelo de desenvolvimento econômico, que implica a expansão territorial e a afirmação de sua marca colonizadora. O tempo da paz se desintegrou. Vale dizer, Israel passou de uma concessão sionista, socialista, de esquerda, para uma concepção nacionalista, com a religião ocupando cada vez mais o papel principal nessa história. Acho que essa desintegração impede que qualquer tipo de negociação de fato aconteça. Além disso, há o problema da Palestina, dividida em duas, sendo o Hamas outro grande obstáculo para a paz. Infelizmente, mesmo com a mudança da política americana após a saída de Bush, Obama ainda terá de enfrentar o conservadorismo de quem detém o poder em Israel. Temos a solução nas mãos, mas a política de Israel é contra ela. Só acredito numa pressão internacional forte dos EUA e da Europa, que até agora se mostrou passiva.

Nesse sentido, um dos problemas críticos do mundo globalizado parece ser o inevitável choque de civilizações. Parece cada vez mais grave o confronto entre a cultura ocidental laica e o fundamentalismo islâmico. Trata-se de um conflito entre o mundo ancestral e a modernidade?

Não diria que se trata propriamente de um conflito entre o mundo moderno e a ancestralidade. Seria um choque de civilizações se o mundo muçulmano não estivesse ocidentalizado. O problema é a identificação da cultura islâmica com o radicalismo de organizações terroristas. No desespero dos países árabes-islâmicos, onde a democracia fracassou, o povo se agarra na lei islâmica com tábua de salvação. Ocorre o mesmo do lado de Israel, onde a visão religiosa escamoteia um problema nacionalista. Não se trata, mais uma vez, de um choque das civilizações, mas de um retorno à barbárie.

O Brasil escaparia a essa barbárie? O senhor costuma dizer que a pluralidade do País reflete a grandeza do Brasil, um possível modelo para o mundo. Como e onde vê essa grandeza?

Para alguém que vem da Europa, um continente de nacionalidades fechadas, o Brasil sempre me pareceu aberto a outras etnias – e é essa civilização da mestiçagem brasileira que me interessa. Vejo a grandeza do Brasil na pluralidade étnica de Salvador e na biodiversidade da Amazônia. Acho, porém, que é importante a restituição dos territórios e o reconhecimento das culturas das populações indígenas, porque o mundo considera a Amazônia patrimônio da humanidade, mas pensa pouco na preservação dessas culturas. A noção de desenvolvimento hoje corrente pode ser devastadora para os índios – e não apenas para eles, mas para toda a humanidade, considerando que a integração dos índios à sociedade não pode significar a desintegração da cultura indígena. Isso pode trazer consequências graves, como a degradação da floresta pelo uso de pesticidas nos projetos agrícolas dos latifundiários. Claro, há também a questão urbana e a favelização das cidades, tão grave como o crescimento do número de carros em circulação. O Brasil é um país pacífico, sem espírito colonialista ou de revanche contra os outros. É também um país em desenvolvimento, embora esse desenvolvimento seja o da classe média – o que pode representar no futuro uma intoxicação consumista. É preciso, antes de consumir, recuperar o hábito de reparar os objetos para que o mundo não vire um depósito de sucata.

O senhor falou da grandeza da Amazônia. Como vê, então, a possibilidade de proteger a floresta com a precária educação ambiental dos invasores?

Assentar os migrantes é, de fato, um grande problema, e acho que a demora em fazer uma reforma agrária no Nordeste pode significar o avanço da agroindústria na Amazônia, um perigo para a ecologia, como já disse. Infelizmente, a corrupção no Brasil ainda é muito grande – considero mesmo o problema principal do País. Respeito profundamente o passado e o presente do presidente Lula, mas acho que ele tem de enfrentar essa máquina infernal do liberalismo econômico que ainda vai destruir a Amazônia e as culturas indígenas, que são não só um patrimônio brasileiro, mas de toda a humanidade.

Sendo a Amazônia um patrimônio universal, o senhor acredita que o mundo assistirá passivamente à destruição da floresta ou que o Brasil será forçado a permitir a vigilância – vale dizer, a intervenção – estrangeira?

A África arranjou um jeito de parar com a devastação ao pressionar os países ricos a ajudar economicamente quem vive da exploração da madeira. O Brasil não é um país pobre, mas vai precisar da ajuda internacional para proteger esse patrimônio – porque não se trata só do território amazônico, mas da água, um bem universal. E também da solidariedade. Essa é a palavra que vai reger o futuro da humanidade, não mais o individualismo e a burocratização, que é o reverso da solidariedade. A grandeza do Brasil será um exemplo para essa civilização do futuro, que eu chamo de civilização do Sul, calorosa em oposição à cultura anglo-saxônica. Essa não suporta o toque e, infelizmente, influenciou muito a cultura brasileira, que sempre subestimou sua capacidade. O brasileiro não só assimila bem outras culturas, mas demonstra uma curiosidade inusual, uma cordialidade única.

Seu discurso sobre solidariedade e um futuro mais humanista contrasta com o literário. A literatura contemporânea parece mais inclinada à distopia. Como o senhor analisa esse ceticismo dos escritores?

A crise da humanidade deve-se em parte a uma crise do pensamento. A filosofia contemporânea está muito presa ao passado. O mundo dos intelectuais é, ao mesmo tempo, positivo e negativo. Nunca se precisou tanto deles e, ao mesmo tempo, nunca se viu tanta superficialidade nesse mundo. Penso num romance de Victor Hugo que se chama Quatrevingt-Treize (alusão ao ano 1793, em que Luís 16 foi decapitado e Robespierre espalhou o terror). Trata-se de um romance que mostra o horror provocado também por intelectuais de diferentes ideologias – um herói é condecorado por bravura e ao mesmo tempo condenado por negligência. Também é um ajuste de contas de Hugo com a história francesa e a própria história. É difícil escrever sem refletir sobre o presente, imaginando apenas o futuro. Temos de interagir com o mundo, participar dele, não apenas observar o que acontece. É o que mostra Muriel Barbery em L?Élégance du Hérisson (romance sobre um intelectual autodidata que, disfarçado de zelador inculto, interage com os moradores de seu prédio, entre eles um japonês). Recomendo entusiasticamente. É uma pequena maravilha.

A cultura francesa perdeu o lugar que ela tinha no mundo. Ao que o senhor atribui essa falta de interesse?

Estamos falando da hegemonia da cultura norte-americana, mas é preciso lembrar a época do nouveau roman e da nouvelle vague, quando a cultura francesa estava no auge. Tratava-se, então, de uma literatura e um cinema experimental. O nouveau roman introduziu não apenas inovações que mudaram radicalmente o romance, como abordou temas até então ausentes na literatura. A nouvelle vague também foi um momento histórico importante, permitindo o advento do cinema de autor e uma liberdade nunca antes vista na escolha dos assuntos, não só na França como no resto do mundo. Isso vale tanto para os EUA como para o Brasil, se considerarmos o Cinema Novo como descendente da nouvelle vague. Não tenho acompanhando a produção contemporânea, mas a reverberação do movimento é inegável. Basta citar dois exemplos de ousadia não só formal como temática: Amores Perros e 21 Gramas, do mexicano Alejandro González Iñárritu. São filmes soberbos, ao lado do mais recente, Babel.

Frases

“O pensamento neoliberal fornece hoje um modelo de universidade que precisa ser revisto, para que a reforma educacional
acompanhe uma reforma moral e melhore a qualidade de vida. Para isso é preciso mudar nosso modo de pensar. No lugar de separar o
conhecimento em compartimentos, devemos pensar como a complexidade pode levar a um conexão entre vários modos de
pensar.”

“Não acredito em religiões de revelação, como o cristianismo e o
islamismo, mas, além delas e das arcaicas, existe ainda uma terceira religião, que eu classificaria de laica, ou a religião a
Fraternidade humana.Estamos perdidos num pequeno planeta
dentro de um sistema e, justamente por estarmos perdidos, precisamos ajudar uns aos outros.”

“O Brasil é um país em desenvolvimento, embora ele seja o da classe média, o que pode representar no futuro uma
Intoxicação consumista. É preciso recuperar o hábito de reparar os objetos para que o mundo não vire um depósito de sucata.”

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A corrida pelo poder

Antonio Gonçalves Filho


O livro de estréia de Edgar Morin, O Ano Zero da Alemanha (1946), escrito quando ele tinha apenas 25 anos, acaba de ganhar sua primeira tradução brasileira. A obra chega no mesmo momento em que é lançado aqui O Mundo Moderno e a Questão Judaica. Entre ambos, a distância de 63 anos não diminuiu a importância do primeiro, que trata de um tema correlato: a corrida pelo poder. Se, em O Ano Zero da Alemanha, Morin analisa o momento de transição em que as potências mundiais disputam o espólio alemão após a morte de Hitler, em O Mundo Moderno e a Questão Judaica ele mostra como os acordos internacionais só servem para tornar ainda mais explosiva uma região marcada pela violência das disputas territoriais, analisando a ação de um Estado que nasceu justamente das ruínas do nazismo.

Dois outros livros de Morin também lançados este ano dialogam entre si: Cultura e Barbárie Europeias e o segundo volume de Cultura de Massas no Século XX. No primeiro, o ensaísta propõe uma reflexão sobre o avanço da barbárie. A obra mostra como a Europa sobreviveu a cinco séculos de dominação bárbara. No segundo volume de seu estudo sobre massificação cultural, apropriadamente batizado de Necrose, Morin analisa o tecido morto de um organismo que sobrevive às crises que estouram entre 1965 e 1975, obrigando o mundo a repensar o conceito de cultura, que, para o filósofo, significa a capacidade de quebrar, de transgredir as fronteiras entre os diferentes domínios do saber. Este, aliás, é o tema de seu livro Diálogo sobre a Natureza Humana, escrito com Boris Cyrulnik.

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Um mosaico de sequências em oposição

Antonio Gonçalves Filho


É primorosa a edição de Crônica de Um Verão lançada pela Videofilmes. Vem com um encarte que traz o manifesto de Edgar Morin sobre o cinéma verité e faixas comentadas por Eduardo Escorel, Eduardo Coutinho e Carlos Alberto Mattos. No entanto, uma nova versão ampliada do documentário – que inaugurou o cinéma verité com base na experiência de Flaherty e nas teorias de Dziga Vertov -, deverá sugerir outras leituras. A montagem está sendo supervisionada pelo próprio Morin (uma vez que Jean Rouch não está mais entre nós).

Não se trata apenas de um problema técnico, esse o de reduzir 25 horas filmadas a quatro ou cinco horas. É certo que há meio século já foi difícil para a dupla Rouch-Morin extrair do material original um filme de apenas 85 minutos – ainda mais uma produção ambiciosa que usava a palavra ?verdade? para se vender. A simples transformação do tempo real em cinematográfico, segundo Morin, era capaz de produzir novos significados a partir da montagem – e, se na época, já foi difícil juntar depoimentos heterogênios sobre um tema um tanto vago – como você vive? -, 50 anos depois parece uma tarefa impossível.

Pelo menos agora Morin não será pressionado pela produtora, a Argos Filmes, a montar um filme palatável. Ele promete uma edição sem concessões. Em 1960, Morin concebeu essa montagem com base numa cronologia, que começava na primavera e terminava no outono, acompanhando a evolução de certo número de pessoas escolhidas para dar depoimentos sobre seu cotidiano – de um operário da Renault a jovens africanos imigrantes, passando por um mecânico e uma pesquisadora.

Todos esses personagens emergem da vida cotidiana para falar de seus sonhos e discutir temas como a guerra da Argélia, as relações inter-raciais e o exibicionismo moderno (o biquíni acabava de conquistar Saint-Tropez). A montagem de Rouch desses depoimentos chegou a uma edição final de sete horas. A de Morin, quatro. Morin eliminou três horas. Rouch não concordou. Morin queria um mosaico “composto de sequências em oposição” conduzidas pelo tema “como você vive”. Rouch queria um filme mais biográfico. Para complicar, o produtor Anatole Dauman não dava nenhum crédito a Morin e tampouco aceitava a montagem de Rouch.

Revendo o filme, é compreensível a preocupação do produtor. Os próprios personagens não gostam muito do resultado. Nem mesmo os realizadores. Ficam frustrados e decidem que o ideal seria fazer uma versão de quatro horas para ser exibida em cineclubes, porque Crônica de Um Verão não era apenas um filme etnográfico como os outros de Rouch, mas um documentário “existencial”. E isso implica assumir o olho da câmera como psicanalítico. Não foi por acaso que alguns críticos, na época, acusaram a dupla Rouch-Morin de fazer psicanálise com ela. Teriam os dois o direito de convocar pessoas para um projeto como esse?

Passados quase 50 anos, essa é uma pergunta ainda difícil de responder, especialmente quando se acompanha o depoimento de uma deprimida. O filme é híbrido e desordenado, como admite Morin, mas de uma coisa ninguém pode acusá-lo: falta de ousadia.

04/12/2008 - 18:59h La homofobia divide a la ONU

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La UE quiere que 60 países apoyen el fin de las condenas por orientación sexual – El Vaticano se une al islamismo integrista contra una declaración no vinculante

S. POZZI / E. DE BENITO – Nueva York / Madrid – El País

La declaración para despenalizar la homosexualidad se cuece a fuego lento en las Naciones Unidas. Pero como indican fuentes diplomáticas metidas en la negociación de este controvertido texto en Nueva York, el tiempo apremia, y aunque se producen avances, encontrar una zona de consenso no es fácil.

El objetivo es tenerla lista para el próximo 18 de diciembre, un día antes del receso de la Asamblea General. La iniciativa surgió de Francia, como presidente de la Unión Europea. Pero ahora es asumida por sus 27 miembros. Además, es apoyada por otros tantos países latinoamericanos, asiáticos y africanos.

Las declaraciones de la Asamblea General no son jurídicamente vinculantes. Su valor es más bien político. Por eso, el propósito de la UE es conseguir el mayor número de países firmantes, para darle peso. “Lo ideal sería llegar a las 60 firmas” de 192 miembros, indican los negociadores europeos, que reconocen que ir más allá en este momento complicado. Con ello se superarían los 54 apoyos que consiguió una propuesta llevada por Noruega el año pasado en la que se instaba a la Comisión de Derechos Humanos a que se “otorgue la debida atención” a las discriminaciones por orientación sexual.

El texto que está sobre la mesa consta de 13 párrafos, con los que pretenden “reafirmar los derechos de estas personas, dentro de mecanismos internacionales existentes”. “Se trata de lanzar así un movimiento global contra una práctica intolerable”, según explican los relatores de la iniciativa, que reiteran que “la idea no es crear nuevos derechos, sino hacer la despenalización posible”.

El corazón de la iniciativa es su párrafo 11, y está redactado para meter bajo el mismo paraguas a gays, lesbianas, bisexuales y transexuales. Para ello se pide a los países que tomen “las medidas necesarias, administrativas y legislativas, para garantizar que la orientación sexual y la identidad de género no sean bajo ninguna circunstancia causa de sanción penal, en particular ejecución, arresto o detención”. La mención a la pena capital no es casual, ya que, según el último estudio de la Asociación Internacional de Gays y Lesbianas (ILGA, en inglés), hay ocho países en los que los actos homosexuales están castigados con la muerte: Arabia Saudí, Emiratos Árabes, Irán, Mauritania, Sudán,Yemen y algunos Estados del norte de Nigeria.

El asunto salta periódicamente a los medios de comunicación, sobre todo cuando algún gay de uno de estos países intenta conseguir asilo en la UE. El último ha sido el iraní Abbas Bagherian Noveiri, a quien Chipre acaba de admitir, después de tres años de residencia ilegal. Bagherian afirma que desde los 15 años ha sido detenido al menos cinco veces por sus relaciones con otros hombres. Durante su estancia en la cárcel fue golpeado, según recoge la ONG IRQR, dedicada a prestar amparo a los gays iraníes.

La declaración se completa con otro párrafo en el que se hace mención a la no discriminación de los países por orientación sexual o identidad de género, por considerar que violan claramente los Derechos del Hombre. En casi 90 países hay legislaciones que castigan las relaciones homosexuales, por lo que no es de presumir que den su apoyo a la propuesta. Además, está la cuestión de los grupos que actúan al margen de la ley, como los paramilitares colombianos, un país donde el debate de una ley de parejas de hecho intensificó los ataques contra los activistas homosexuales. Uno de ellos, Manuel Antonio Velandia, tuvo que huir en 2007 a España, después de que su casa fuera atacada con granadas y de recibir amenazas tanto él como su familia. “Si hubiera sido yo sólo no me importaría, pero me convertí en un peligro para mis hermanos”, declaró ayer Velandia.

Los negociadores no quieren entrar a polemizar sobre la posición que están adoptando países concretos u organizaciones religiosas. Pero en los pasillos de Naciones Unidas en Nueva York advierten de que el Vaticano se encuentra en una situación complicada, porque los países musulmanes más extremos están utilizando a la Santa Sede como escudo.

El Vaticano se opone a esta declaración porque acaba añadiendo “una nueva categoría” a los protegidos contra la discriminación, y porque además teme que se cree una reacción en cadena a favor de las uniones entre personas del mismo sexo y revertir la discriminación contra el matrimonio tradicional entre heterosexuales. Éste es uno de los motivos por el que Estados Unidos no ha ofrecido su apoyo, ya que se trata de un asunto que divide al país. En el mundo sólo es aceptado por cinco países: España, Holanda, Bélgica, Canadá y Suráfrica.

Pero, al mismo tiempo, en la Santa Sede no quieren que los miembros de este colectivo sean castigados con la pena de muerte, encarcelados o multados. El Vaticano pretende así tomar distancia de la posición de los países islámicos más radicales, haciendo visible su posición. Pero en el recuerdo está la alianza que forjaron en 1994 en El Cairo para tumbar una propuesta reconociendo el derecho al aborto.

24/08/2008 - 10:31h Abominação no circo das eleições

Emissoras de TV e grupos conservadores fazem a festa com lançamento do panfleto mentiroso The Obama NationThe Obama Nation: Leftist Politics and the Cult of Personality A imagem “http://readwritenow.files.wordpress.com/2008/03/obama_sc_04_01_2007-731285.jpg?w=318&h=470” contém erros e não pode ser exibida.

Caio Blinder – O Estado de São Paulo

No sentido mais estrito de uma resenha literária, não há muito o que dizer sobre The Obama Nation. Dando o troco no trocadilho infame do título do livro do autor Jerome Corsi sobre o candidato democrata, trata-se de uma abominação O material lançado dias antes da convenção partidária que irá coroar Barack Obama é um pegajoso ataque político. Corsi compilou tudo de desfavorável já publicado sobre Obama (em geral na Internet), inclusive mentiras, rumores desacreditados e distorções com o objetivo transparente de alertar sobre as idéias, questionar o patriotismo e avacalhar a vida pessoal do candidato.

Corsi já esteve lá. Há quatro anos foi co-autor de um livro que manchou a reputação heróica na guerra do Vietnã do então candidato democrata John Kerry. O livro talvez tenha contribuído para a derrota de Kerry contra George W. Bush, aquele que se safou de combate no sudeste asiático. Corsi não esconde o desejo de repetir o feito, ou seja, impedir uma vitória de Obama em novembro. E começa pela capa. Há uma foto de um Obama com um jeito reflexivo, enigmático e, mais sintomaticamente, sinistro.

Corsi é venenoso e engenhoso. Ele construiu uma contranarrativa à história pessoal de Obama, que essencialmente impulsionou sua carreira política. Em dois best-sellers autobiográficos e inúmeros discursos, Obama conta sua história de filho de pai negro do Quênia e mãe branca do Kansas, que descobriu sua identidade e, se culminar a jornada na Casa Branca, transcendendo os rancores raciais e sociais, mostrará que o sonho americano está mais vivo do que nunca.

O Obama de Corsi é filho de “polígamo alcoólatra”, a mãe preferia “homens de cor” do Terceiro Mundo para serem seus “parceiros” e o candidato se identifica mais com seu “sangue africano” do que com suas raízes americanas. O livro trata Obama como um ser alienígena, exótico e e extremista. Corsi retoma as distorções sobre “uma extensa educação muçulmana” quando o garoto Barack vivia na Indonésia e insiste que ele é tomado por uma “fúria” negra. Obama não passa de um político maquiavélico e corrupto, com pose de bom moço. Com suas posições radicais de esquerda e alguns sentimentos “antiamericanos”, ele irá dividir o país ainda mais, caso seja eleito.

Sem apresentar evidências, Corsi sugere que Obama possa ainda usar drogas (o candidato admitiu que fez isto na juventude) e divaga que alguém que tentou esconder do público seu hábito de fumante inveterado pode estar escondendo coisas muito piores. Além das infâmias e bobagens, há erros factuais no livro. Alguns menores (Obama menciona sua meia-irmã Maya na autobiografia Sonhos do Meu Pai) e outros mais significativos, como sugerir que o candidato seria a favor da retirada das tropas americanas do Afeganistão. Pelo contrário, ele defende o reforço.

Isto é o de menos em meio aos comentários bizarros e conspiratórios. Corsi faz o possível para não parecer um maluco da Internet (ele se define como repórter sênior do site de extrema direita World Net Daily) e na capa do livro faz questão de exibir suas credenciais acadêmicas: Jerome R. Corsi, Ph.D. (ciências políticas em Harvard). Para quem tiver paciência, são 59 páginas de anotações bibliográficas (no total, o livro tem 364 páginas).

A bizarrice, as tolices conspiratórias e ofensas pessoais fazem parte do currículo do doutor em filosofia Corsi. Ele já escreveu que o papa João Paulo II era “senil”, qualificou o islamismo de “vírus”, definiu John Kerry como “anticristão” e insinuou que Hillary Clinton seria lésbica. Corsi tampouco dá muita colher de chá para os republicanos de George W. Bush. Acusou o presidente de fazer pouco para guarnecer a fronteira sul dos EUA e é um proponente da conspiração da União Norte-Americana, sobre a existência de uma “organização supranacional” que em breve fará a fusão dos EUA, Canadá e México.

Envergonhado, o conservador respeitável Peter Wehner, na revista Commentary, lamenta as diatribes de Corsi. Wehner escreve que o livro é “errado e repelente”. Para Wehner, os ataques contra o candidato democrata devem ser centrados nos méritos de sua filosofia de governo. Mas a abominação está rendendo uma farra no circuito de talk-shows no rádio e televisão.

The Obama Nation foi escrito, publicado e se tornou uma controvertida sensação graças a um modelo de negócios em que poderosas casas editoriais têm pequenas unidades que publicam material combustível de extrema direita. O livro de Corsi foi publicado pela Threshold Editions, uma divisão da Simon & Schuster, sob a supervisão de Mary Matalin, a lendária marqueteira republicana (mulher do também lendário marqueteiro democrata James Carville) e ex-assessora do soturno vice-presidente Dick Cheney.

O modelo funciona bem pois existe uma caixa de ressonância nos talk-shows e o empenho de clubes do livro e grupos conservadores para fazer da obra um best-seller, com a compra antecipada no atacado. E de qualquer forma, o desconto do livro de Corsi é estupendo. O preço de capa é US$ 28. Na Barnes & Noble, eu paguei apenas US$ 17.98 (com imposto). Mesmo assim, foi um custo abominável.

25/09/2007 - 15:33h Un enfoque islámico sobre VIH/SIDA

Días atrás te presentamos la posición de distintas religiones en relación a temáticas vinculadas con el VIH/SIDA. Por eso Espacio Positivo decidió entrevistar a tres representantes del Catolicismo, el Judaísmo y el Islam para que conozcas cuáles son sus discursos y sus opiniones en relación a la problemática. Hoy le damos la palabra al Islamismo. Y también a vos, para que nos digas tu opinión. El Islam es una actitud ante el mundo y el Creador; es el camino de la salud, la paz y la salvación. Y por todos estos sentidos no es sólo una religión, sino más bien un modo de vida sustentado en una doctrina, una cosmovisión que abarca todos los temas e intereses humanos. El término Islam incluye las ideas de paz, salud y salvación, y significa sumisión a la voluntad de Alah –Dios- y obediencia a su ley. Así por lo menos lo define la Organización Islámica Argentina.

Todas las enfermedades tienen un mismo enfoque para el Islam. Las diferencias radican en su ámbito de gravedad y en las posibilidades de cura. Por eso no existe para el VIH/SIDA un enfoque religioso particular. Entonces, aunque hay diferentes perspectivas en relación al virus, prima aquella que permite sostener y alargar la vida del hombre. Omar Abboud, secretario general del Centro Islámico de la República Argentina y ministro de Derechos Humanos y Sociales del Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires opina que el primer tipo de responsabilidad que existe es “la individual”. Pero agrega que el Islam transmite una idea central en términos de equilibrio, que si bien está basado en multiplicidades de puntos, cuatro son los centrales: la relación de la persona con lo sagrado, con el resto de la creación, con otros hombres, y con sí mismo. “En la creencia de un día de juicio final, la persona también deberá hacer referencia a la administración de su salud, y por ello recibirá interrogantes, siempre en términos de la vida postrera”, dice Abboud.

Mucho se ha dicho sobre el lugar de la mujer en el Islam. Existen diversos estereotipos en torno a la imagen de la mujer musulmana, que incluyen ideas de discriminación y opresión frente al hombre. Sin embargo, el secretario general del Centro Islámico aclara: “No existen diferencias de sexo en relación al cuidado de la salud y el cuerpo. Cuando Dios se refiere en el Corán a esa multiplicidad de aspectos, siempre le habla a las y los creyentes”. “Las recomendaciones básicas, que tienen que ver con la higiene, atañen a ambos”, agrega. Por su parte, sostiene que el uso de preservativos “no está vedado en aquellos casos donde se prioriza la vida”, siempre entendiendo que son métodos con una doble función: el control de natalidad y los riesgos en la salud. “La especificidad de cómo lo uses, tiene que ver con tu intención”, asegura Abboud.

No existe una normativa religiosa que obligue a una persona con VIH a declarar su estado. El secretario general del Centro Islámico dice que es un compromiso ético interno “mantener la preservación del otro”, pero eso no significa que el Islam lo considere como una acción lícita. De hecho, dos ejemplos considerados ilícitos por la religión son: el consumo de drogas y el no informar un estado de positividad durante una relación sexual, ya que se puede transmitir el virus sin consentimiento de la persona.

“Fuimos creados a partir de un hombre y una mujer, y nos hemos dividido en pueblos y civilizaciones para que nos reconozcais”, manifiesta una de las oraciones del Corán, haciendo referencia a la diversidad sexual. Porque como todas las religiones, ésta también pone límites. “El fenómeno comprehensivo es que uno las acepte o no”, finaliza Abboud.

21/08/2007 - 22:31h The Politics of God

Times Magazine

Thomas Struth

Milan Cathedral, Milan, 1998

Published: August 19, 2007

I. “The Will of God Will Prevail”


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Thomas Struth

Chiesa dei Frari, Venice, 1995

The twilight of the idols has been postponed. For more than two centuries, from the American and French Revolutions to the collapse of Soviet Communism, world politics revolved around eminently political problems. War and revolution, class and social justice, race and national identity — these were the questions that divided us. Today, we have progressed to the point where our problems again resemble those of the 16th century, as we find ourselves entangled in conflicts over competing revelations, dogmatic purity and divine duty. We in the West are disturbed and confused. Though we have our own fundamentalists, we find it incomprehensible that theological ideas still stir up messianic passions, leaving societies in ruin. We had assumed this was no longer possible, that human beings had learned to separate religious questions from political ones, that fanaticism was dead. We were wrong.

An example: In May of last year, President Mahmoud Ahmadinejad of Iran sent an open letter to President George W. Bush that was translated and published in newspapers around the world. Its theme was contemporary politics and its language that of divine revelation. After rehearsing a litany of grievances against American foreign policies, real and imagined, Ahmadinejad wrote, “If Prophet Abraham, Isaac, Jacob, Ishmael, Joseph or Jesus Christ (peace be upon him) were with us today, how would they have judged such behavior?” This was not a rhetorical question. “I have been told that Your Excellency follows the teachings of Jesus (peace be upon him) and believes in the divine promise of the rule of the righteous on Earth,” Ahmadinejad continued, reminding his fellow believer that “according to divine verses, we have all been called upon to worship one God and follow the teachings of divine Prophets.” There follows a kind of altar call, in which the American president is invited to bring his actions into line with these verses. And then comes a threatening prophecy: “Liberalism and Western-style democracy have not been able to help realize the ideals of humanity. Today, these two concepts have failed. Those with insight can already hear the sounds of the shattering and fall of the ideology and thoughts of the liberal democratic systems. . . . Whether we like it or not, the world is gravitating towards faith in the Almighty and justice and the will of God will prevail over all things.”

This is the language of political theology, and for millennia it was the only tongue human beings had for expressing their thoughts about political life. It is primordial, but also contemporary: countless millions still pursue the age-old quest to bring the whole of human life under God’s authority, and they have their reasons. To understand them we need only interpret the language of political theology — yet that is what we find hardest to do. Reading a letter like Ahmadinejad’s, we fall mute, like explorers coming upon an ancient inscription written in hieroglyphics.

The problem is ours, not his. A little more than two centuries ago we began to believe that the West was on a one-way track toward modern secular democracy and that other societies, once placed on that track, would inevitably follow. Though this has not happened, we still maintain our implicit faith in a modernizing process and blame delays on extenuating circumstances like poverty or colonialism. This assumption shapes the way we see political theology, especially in its Islamic form — as an atavism requiring psychological or sociological analysis but not serious intellectual engagement. Islamists, even if they are learned professionals, appear to us primarily as frustrated, irrational representatives of frustrated, irrational societies, nothing more. We live, so to speak, on the other shore. When we observe those on the opposite bank, we are puzzled, since we have only a distant memory of what it was like to think as they do. We all face the same questions of political existence, yet their way of answering them has become alien to us. On one shore, political institutions are conceived in terms of divine authority and spiritual redemption; on the other they are not. And that, as Robert Frost might have put it, makes all the difference. More…

Mark Lilla is professor of the humanities at Columbia University. This essay is adapted from his book “The Stillborn God: Religion, Politics and the Modern West,” which will be published next month.

22/05/2007 - 15:16h Fury at Turkish ban on bikini ads

The Guardian de Londres

Helena Smith in Istanbul

The bikini has become the latest item to offend the Islamic-oriented authorities in Turkey. After a bungled attempt to outlaw alcohol, municipal officials in Istanbul have set their sights on billboard advertisements of the skimpy swimsuit.

The ban, revealed last week despite efforts by the mayor to play down the furore, has triggered outrage among swimsuit manufacturers.

Lambasting the move as more in tune with Iran than a country bent on joining the EU, appalled secularists said it proved that the ruling Justice and Development (AK) party had a hidden Islamist agenda.

“We’ve never had to get permission before and when we applied for it they told us we were hanging up immoral pictures,” said Moris Eskenazi, who jointly owns one of four firms reportedly stopped from placing the adverts.

“Istanbul’s urban planning department said the photographs were not up to EU standards and could cause car accidents.”

In recent weeks millions of Turks have taken to the streets to protest at the government’s perceived determination to raise the role of religion in daily life.

“The ruling party first want to remove women wearing swimsuits from billboards and then they want to remove them from the beach,” said Gulsun Bilgehan, a member of the Republican People’s party (CHP) who vowed to take the issue to the Council of Europe, of which Turkey is a member.