26/07/2008 - 18:13h “Sonho que os israelenses e os palestinos tenham a coragem de enfrentar o passado”

Após uma introdução dos jornalistas do Le Monde, um texto de Daniel Barenboim sobre sua vida, sua família, sua luta e sua visão sobre o que o obsede: o conflito israelo-palestino. Um texto cheio de humanidade e de paixão. Uma aspiração profunda ao entendimento, em favor da paz e um conhecimento apurado da historia. Pena que este texto não esteja em português. Mas para os leitores da língua de Molière, uma oportunidade imperdível de tocar a alma de um grande homem, que é também um grande maestro. LF

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Raphaëlle Bacqué et Annick Cojean - Le Monde

Zoom

Permission nous avait été donnée de nous glisser furtivement, en cet après-midi de juin, dans la vaste salle obscure de la Scala de Milan, où Daniel Barenboim, penché sur un pupitre faiblement éclairé, dirigeait une répétition du Joueur, l’opéra de Prokofiev. Il était concentré, le regard suivant alternativement ses partitions, l’orchestre dans la fosse et la scène où de jeunes chanteurs évoluaient dans un décor étrangement moderne. Soudain, l’air contrarié, il laissa échapper quelques mots en russe. Il interrompit la musique pour interpeller le chanteur, cette fois en anglais. Au moment de reprendre, il interrogea la régie, en français, pour savoir si la scène avait un bon retour du son ; il fit, en allemand, quelques remarques à un assistant ; et il donna à ses musiciens des indications… en italien.

On ne lui a pas demandé, ensuite, en quelle langue il rêvait. En espagnol, sa langue natale, puisqu’il est né en Argentine ? En hébreu, celle du pays qui accueillit très tôt sa famille, occupe son coeur, obsède son esprit ? C’est en tout cas dans un français parfait que le maestro exprima son rêve de paix entre les peuples israélien et palestinien. Un rêve qui est aussi un engagement ancien, profond, renouvelé, comme le prouve l’orchestre arabo-israélien qu’il a créé et qui se produit à Paris le 25 août. Comme le montre aussi ce passeport palestinien qu’il a reçu il y a peu, et dont il se dit immensément fier.

barenboim3.jpgDaniel Barenboim : “Je rêve qu’Israéliens et Palestiniens aient le courage d’affronter le passé”

Il n’y a pas de jour sans que je ne réfléchisse au conflit israélo-palestinien. Et il n’y a pas de jour sans qu’il me fasse souffrir. Tout ce que je fais est inspiré de cette souffrance, de cette blessure que le temps ne fait qu’augmenter.

Que je dirige à Berlin, que je fonde l’orchestre Divan, composé d’Israéliens et d’Arabes, ou que je donne, comme récemment à Jérusalem, un concert à destination de nos deux peuples. Ce conflit me ronge, m’obsède. Avoir serré, enfant, les mains de David Ben Gourion ou de Moshe Dayan ne m’a guère converti à la politique. Je considère que politiques et militaires n’ont fait qu’envenimer le conflit. Un conflit dont les racines sont profondément et uniquement humaines. C’est pour cela que je me sens qualifié pour évoquer le sujet. Cela fait si longtemps que je rêve à la “solution”.

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16/05/2008 - 12:52h Rancor por ‘60 anos de opressão’

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Paz - Shalom - Salam

Gilles Lapouge* - O Estado de São Paulo

Israel celebra seu 60º aniversário de fundação. Festas iluminam o país. Personalidades estrangeiras, entre elas o presidente George W. Bush, participam das comemorações. E os palestinos? Para os israelenses, a data é gloriosa. Para os palestinos é de luto, é o “dia da catástrofe”, ou “nakba. Já vimos algum dia um povo celebrar a sua “catástrofe”? O rancor palestino é total.

Até mesmo o moderado e indulgente presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, declarou em Ramallah que não receberia nenhuma delegação. E o premiê palestino, Salam Fayad, também mostrou seu mau humor: “Como vocês podem celebrar esta data enquanto o povo palestino padece sob o jugo de suas colônias e suas ações”, perguntou aos israelenses.

Por toda a parte é o furor. E uma rajada de críticas: a nakba começou em 1948, com a destruição de 400 povoados e o exílio de 760 mil palestinos expulsos de suas terras, enquanto 160 mil ficaram em Israel e se consideram cidadãos de “segunda classe”. Os palestinos forçados ao exílio tornaram-se 5 milhões. Israel proíbe seu retorno a um território que considera seu. Os que permaneceram em Israel, dizem-se vítimas de um apartheid. Mesmo a Corte Suprema de Israel reconheceu que eles eram discriminados.

Quando olhamos para os dois territórios palestinos, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, o quadro é ainda mais terrível. O famoso muro, erguido em 2000, foi sentido pelos palestinos como uma camisa-de-força mortífera com o fim de privá-los de seus campos e poços, para sufocá-los lentamente, matá-los sem muito ruído. Para eles, o objetivo do muro é tornar impossível o retorno dos palestinos às terras das quais foram espoliados.

A isso tudo se juntam os tiroteios, os foguetes, às vezes as bombas. Na quarta-feira, quatro palestinos foram mortos em Gaza. Desde o início das negociações de paz projetadas por Bush em novembro, 467 palestinos foram mortos (bem entendido, a essas acusações os israelenses replicam que foram os palestinos que começaram. Mas hoje fazemos eco das palavras dos palestinos, e não dos israelenses).

Os palestinos são vítimas de uma perseguição similar àquela sofrida pelos judeus nos tempos infames de Hitler. Gaza é “um campo de concentração”. O bloqueio paralisa a região. A vida ali é desumana. Para os palestinos, trata-se de um holocausto cometido pelos antigos mártires judeus.

O estranho é que essas acusações também são feitas por judeus europeus. Em Londres, cem personalidades judaicas assinaram um texto, publicado no jornal The Guardian, em que afirmam: “Nós não celebraremos o aniversário de um Estado criado tendo como base o terrorismo, os massacres e a espoliação das terras de outras pessoas. Um Estado que procede à limpeza étnica e inflige uma monstruosa punição coletiva à população civil de Gaza. É tempo de reconhecer o preço pago por um outro povo pelo anti-semitismo europeu e o genocídio hitlerista.”

* Gilles Lapouge é correspondente em Paris

14/05/2008 - 22:44h ‘Ensaio sobre a cegueira’ faz sucesso na sessão de gala em Cannes

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Filme de Fernando Meirelles foi aplaudido por quase oito minutos, em contraste com recepção fria da sessão para a imprensa em Cannes

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CANNES - ”Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles, foi aplaudido com entusiasmo por quase oito minutos na sessão de gala realizada na noite desta quarta-feira no Palácio dos Festivais em Cannes. A reação contrastou com a recepção fria da sessão especial para a imprensa na manhã deste mesmo dia. A atuação de Alice Braga (foto) está colecionando elogios nas mais diferentes línguas.

Mas o principal assunto na Croisette não envolve Meirelles e sim aquele que promete ser o equivalente israelense ao romeno “4 meses três semanas e dois dias” que levou a Palma de Ouro no ano passado. Vindo de Israel, o documentário animado “Waltz with Bashir”, de Ari Folman está criando um boca-a-boca fortíssimo na Croisette. Jornalistas veteranos que somam de 10 a 20 coberturas do festival apostam que o filme não sairá daqui sem prêmios. A especulação é motivada pela celeuma que a produção está causando ao revolver os conflitos armados do Líbano nos anos 80.

Outro filme que tem despertado a curiosidade geral é “Surveillance”, de Jennifer Lynch. Quem já viu o longa garante que a diretora, conhecida por “Encaixotando Helena”, fez um filme à altura do pai, o cultuado David Lynch. “Surveillance” será exibido hors concours.

Entre os filmes da competição, que vai até dia 24, os mais esperados sção “Changeling”, de Clint Eastwood, e - para alegria dos brasileiros - “Linha de passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas. O impacto de “Diários de motocicleta” (2004) sobre Cannes garantiu uma força inabalável ao nome do diretor brasileiro por aqui.

12/05/2008 - 15:11h Morre Irena Sendlerowa, polonesa que salvou milhares no Gueto de Varsóvia

VARSÓVIA - A polonesa Irena Sendler, que salvou milhares de crianças judias durante a Segunda Guerra Mundial ao retirá-las do Gueto de Varsóvia, morreu na segunda-feira aos 98 anos, após uma prolongada doença, segundo o site do jornal Gazeta Wyborcza.

Ela estava internada no hospital Rua Plocka, que não quis comentar o fato, de ampla repercussão na imprensa local.

Como assistente social, Sendler fazia visitas regulares ao gueto, o que lhe permitiu retirar 2.500 crianças escondidas em caixas, malas ou carrinhos.

As crianças eram então entregues a famílias polonesas fora do gueto, criado em 1940 pela Alemanha nazista para reunir os cerca de 500 mil judeus de Varsóvia. Fora dali, as crianças recebiam novas identidades.

Sendler chegou a dirigir o departamento infantil da organização Zegota, que ajudava judeus durante a guerra. Mas em 1943 ela foi presa e torturada pela Gestapo.

Só escapou da execução porque a Zegota conseguiu subornar autoridades nazistas, que a deixaram inconsciente e com braços e pernas quebradas numa mata.

Em 1965, Sendler recebeu uma condecoração do governo de Israel, e posteriormente foi declarada cidadã honorária do Estado judeu. No ano passado, foi indicada ao Nobel da Paz. Apesar da sua bravura, rejeitava o rótulo de heroína.

Fonte Agencia Estado

09/05/2008 - 17:55h Homenagem em Israel aos 250 mil homossexuais mortos pelos nazistas

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O prefeito de Tel-Aviv, Ron Hudai, comemorando o 60º aniversário de Israel, anunciou a construção de um monumento em homenagem aos 250 mil homossexuais mortos pelos nazistas.

O monumento, no Parque Meir, será triangular – uma lembrança do triângulo rosa que os nazistas obrigavam os homens homossexuais a usar, em local visível, “como forma de identificação de sua conduta pervertida”.

As mulheres homossexuais tinham de usar um triângulo preto.

Fonte Carta de Carlos Brickman

08/05/2008 - 12:56h Escritor diz que Israel é ‘anormal e sem limites’

Guila Flint

De Tel Aviv para a BBC Brasil

Comemorações dos 60 anos de Israel

Escritor diz que país, que celebra 60 anos, está em conflito permanente

O escritor israelense Sefi Rachlevsky defende em seu livro No Limit (Sem Limites) a idéia de que o Estado de Israel e sua sociedade têm um caráter “anormal”, em comparação com outros países.

“O que aconteceu aqui é uma verdadeira tragédia. A maioria dos imigrantes que vieram para cá, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, queria viver em um país tranqüilo, normal e secular”, disse Rachlevsky, em entrevista à BBC Brasil.

Mas, para o escritor, Israel, que completa 60 anos de existência nesta quinta-feira, está em conflito permanente com seus vizinhos e não é tranqüilo, normal ou secular. Rachlevsky diz que Israel é um país “sem limites”.

“Uma das questões básicas que demonstram a falta de limites é a interferência da religião nas questões do Estado, em muitos aspectos Israel é uma teocracia.”

“Imagine que Israel é o único país do mundo onde um judeu não pode se casar com uma pessoa não judia, aqui não temos casamento civil, só religioso”, afirma. “Não temos uma Constituição que possa traçar os limites entre o Estado e a religião.”

“Problemas de personalidade”

Rachlevsky usa instrumentos da psicologia para analisar o impacto da ausência de limites sobre a sociedade israelense.

“Uma criança criada sem limites terá problemas sérios no desenvolvimento de sua personalidade”, diz. “São os limites que possibilitam o desenvolvimento de uma personalidade saudável e a capacidade de raciocínio e até de memória.”

“Sem limites se cria uma situação cognitiva difusa e dificuldades de desenvolver um pensamento conceitual, uma diferenciação entre a vontade e a realidade, uma lógica organizadora.”

Para Rachlevsky a ausência de limites é a chave para entender Israel, tanto sob o aspecto do conflito com o mundo árabe como fenômenos internos observados na sociedade israelense.

Sefi Rachlevsky nasceu em 1966, um ano antes da Guerra de 1967, quando Israel ocupou os territórios palestinos da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, as colinas do Golã da Síria e o deserto do Sinai, do Egito.

Embora não tenha lembranças diretas dos primeiros 19 anos de Israel, antes da ocupação de 67, o escritor expressa uma certa nostalgia por aquele período.

“Aquela foi a primavera de Israel”, lembra. “Naquela época a sociedade israelense estava começando a consolidar uma certa normalidade, mas a ocupação destruiu esse processo, desde então não temos mais limites.”

De acordo com a análise do escritor, a falta de limites cria a violência, que se volta tanto para fora como para dentro da própria sociedade israelense.

“Nos primeiros anos do Estado havia uma solidariedade interna, as pessoas podiam deixar as portas de suas casas abertas, se alguém caísse na rua muitos corriam para socorrê-lo.”

Jimmy Carter

Rachlevsky também menciona uma ausência de limites morais e de parâmetros de conduta. “Veja como o governo de Israel tratou o ex-presidente americano Jimmy Carter, em sua última visita (em abril).”

“Nenhum país do mundo trataria Carter com tanta grosseria. Olmert se recusou a encontrá-lo e até os serviços de segurança se negaram a colaborar com os agentes americanos que o acompanhavam.”

O governo israelense criticou o livro que Carter escreveu, no qual acusou Israel de conduzir um regime de apartheid em relação aos palestinos.

Outro tema que despertou a indignação de Israel foram os encontros de Carter com líderes do Hamas, e o resultado foi o boicote do ex-presidente americano durante sua visita ao país.

Mas para Rachlevsky “isso não se faz”. “Não é só uma Constituição que falta em Israel, faltam normas de conduta, uma noção do que se faz e do que não se faz.”

“Carter intermediou o acordo de paz entre Israel e o Egito (em 1979), o maior país árabe, e Israel deveria agradecer e tratá-lo com a gentileza que ele merece, embora não concorde com suas posições atuais.”

Rachlevsky considera a colonização israelense nos territórios ocupados um dos efeitos mais significativos do caráter “sem limites” de Israel.

“Como pode um Estado enviar seus cidadãos para morar fora de suas fronteiras e depois lutar contra o próprio Estado e minar o próprio conceito de Estado?”, pergunta.

O escritor manifesta preocupação com a própria capacidade de Israel de continuar existindo e afirma que a ausência de limites pode destruir Israel “tanto por fora como por dentro”.

“Se Israel quer sobreviver vai ter que começar tudo de novo, realizar uma mudança enorme, como começar do zero. Terá que estabelecer fronteiras físicas e políticas, princípios básicos de conduta para a sociedade e seus líderes, uma Constituição e construir um sistema de valores.”

29/04/2008 - 19:51h Brasileiros vão registrar em livro e documentário marcha para lembrar Holocausto

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Auschwitz

Luisa Guedes, O Globo Online

RIO - A partir desta terça-feira, cerca de 10 mil pessoas vão repetir uma manifestação realizada há 20 anos para lembrar o Holocausto, cruzando a Polônia e seguindo para Israel na chamada Marcha da Vida. Dessa vez, a reconstituição da trilha de muitos judeus - na morte ou na terra prometida - será registrada em livro pelo publicitário Márcio Pitliuk e o fotógrafo Márcio Scavone, dois dos 400 brasileiros que embarcaram para a viagem por antigos campos de concentração e locais sagrados para o povo judeu. Parte do trabalho que será publicado no fim do ano poderá ser acompanhada no GLOBO ONLINE durante os oito dias de marcha.

O percurso da “morte à vida” também será registrado em documentário dirigido por Jéssica Sanders, indicada ao Oscar e vencedora do Sundance Festival. Idealizador do projeto, orçado em R$ 3 milhões, e único judeu na equipe de 20 pessoas que embarcou para a Polônia, Márcio Pitliuk, que será responsável pelos textos do livro, conta que ficou impressionado com a reação da equipe durante a preparação para o trabalho.

” Auschwitz é uma fábrica da morte. É um pesadelo que não tem tamanho. Achei que não ia conseguir voltar lá, mas vou ter que encarar agora “

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- Quando eu levei (à Polônia) o pessoal da equipe que não é judeu e não tem tanta vivência com o Holocausto, vi o choque deles ao descobrir o tamanho da coisa. A gente fala em três milhões de pessoas, mas parece um número qualquer. Quando chega num campo como o de Treblinka, onde 800 mil pessoas foram mortas em 10 meses, a pessoa se dá conta de que 800 mil pessoas é uma cidade grande - contou Pitliuk, ainda em São Paulo, onde vive, antes de enfrentar de novo o terror dos campos de concentração. - Auschwitz é uma fábrica da morte. É um pesadelo que não tem tamanho. Achei que não ia conseguir voltar lá, mas vou ter que encarar agora - acrescentou.

A excursão ao passado começa em Cracóvia, onde será realizada uma cerimônia que relembra o fim do Holocausto. Em seguida, os participantes refazem a caminhada de três quilômetros entre o campo de concentração de Auschwitz e Birkenau, campo de extermínio. A marcha passará ainda pelos campos de Treblinka e de Majdanek e pelo Gueto de Varsóvia. Da Polônia, o grupo segue para Israel.

A manifestação foi criada em 1988 por Abraham Hirshson, um sobrevivente do Holocausto. Seu objetivo era, principalmente, fazer com que jovens estudantes pudessem conhecer os locais do “shoah”, como é chamado em hebraico o assassinato de milhões de judeus pelo regime nazista. A marcha, que acontece todos os anos desde a primeira edição, é aberta a todos. Agora, a organização fica a cargo da ONG internacional March of the Living .

Estima-se que 20% dos participantes não sejam judeus. Entre os brasileiros, 200 são estudantes de escolas judaicas que receberam subsídios para a viagem. Os outros 200 são adultos que arcaram com os custos por conta própria.

11/02/2008 - 09:42h “Compartimos una tierra y un destino”

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Por Daniel Barenboim
Para LA NACION, Milán 2008

Con frecuencia he afirmado que los destinos de los pueblos palestino e israelí están indisolublemente unidos, y que no hay solución militar para el conflicto. Mi reciente aceptación de la nacionalidad palestina me ha dado la oportunidad de demostrarlo de manera más tangible. Cuando mi familia se trasladó a Israel desde la Argentina en la década de 1950, una de las intenciones de mis padres era ahorrarme la experiencia de crecer como parte de una minoría… una minoría judía. La tragedia de eso es que mi generación, a pesar de haber sido educada en una sociedad cuyos aspectos positivos y valores humanos han enriquecido enormemente mi pensamiento, ignoró la existencia de una minoría dentro de Israel -una minoría no judía- que había sido la mayoría en toda Palestina hasta la creación del Estado de Israel, en 1948. Parte de la población no judía permaneció en Israel, y el resto se marchó por miedo a ser desalojada por la fuerza.

En el conflicto palestino-israelí ha habido, y aún hay, una incapacidad de admitir la interdependencia de las dos voces. La creación del Estado de Israel fue consecuencia de una idea judeo-europea que, si pretende extender su leitmotiv al futuro, debe aceptar la identidad palestina como leitmotiv igualmente válido. Es imposible ignorar el desarrollo demográfico: en Israel los palestinos son una minoría, pero en rápido crecimiento, y ahora es más necesario que nunca escuchar su voz. Los palestinos hoy constituyen aproximadamente el 22% de la población de Israel. Es un porcentaje mayor que el representado por una minoría judía en cualquier país en cualquier período de la historia. El número total de palestinos que viven en Israel y en los territorios ocupados (es decir, en el Gran Israel para los israelíes o en la Gran Palestina para los palestinos) es mayor que el de la población judía.

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14/01/2008 - 15:35h Elgar, Jacqueline du Pré e Daniel Barenboim


Um Daniel Barenboim jovem, dirigindo Jacqueline du Pré (prematuramente falecida) no Primeiro Movimento (Adagio - Moderato) do concerto para violoncelo de Elgar. Um clássico que escolhi para saudar o gesto magnífico da Autoridade Palestina e de Daniel Barenboim .

14/01/2008 - 15:23h Daniel Barenboim adopta la nacionalidad palestina en gesto por la paz

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Jerusalén, 13 ene (EFE).- El famoso pianista hispano-israelí Daniel Barenboim ha adoptado la nacionalidad palestina en un gesto por la paz y la convivencia, dijo hoy a Efe el ex ministro de Información de la ANP, Mustafa Barguti.

“Nosotros se la hemos concedido en agradecimiento por su solidaridad con el pueblo palestino en momentos difíciles y por su contribución a la música palestina y él se ha sentido honrado”, declaró.

El pasaporte le fue concedido al maestro por el presidente de la Autoridad Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abás, con carácter honorario, aunque con él disfrutará de todos los derechos en el territorios de Cisjordania y Gaza como cualquier otro ciudadano.
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14/01/2008 - 14:51h Un passeport palestinien pour le chef d’orchestre israélien Daniel Barenboïm

 

 

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Le chef d’orchestre israélo-argentin Daniel Barenboïm a annoncé, samedi 12 janvier, à l’issue d’un concert à Ramallah (Cisjordanie), avoir accepté un passeport palestinien, évoquant le “grand honneur” qui lui était fait. “J’ai aussi accepté l’offre parce que je crois que les destinées (…) du peuple israélien et du peuple palestinien sont inextricablement liées. Nous avons le bonheur – ou le malheur – de vivre ensemble. Je préfère croire le premier au second”, a-t-il ajouté.
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07/10/2007 - 14:29h ISRAEL: UM TIRO DE CANHÃO NO CONSENSO NACIONAL

O assunto da semana em Israel foi a entrevista da top model israelense Bar Refaeli ao maior jornal do país, o Yedioth Aharonoth (”Últimas Notícias”). Bar, de 22 anos, é a Gisele Bündchen daqui. É tão parecida com Gisele que até substituiu a brasileira como namorada do ator Leonardo DiCaprio.

* “Não me arrependo de não ter feito serviço militar porque me dei bem”
* “A frase mais imbecil que já ouvi foi ‘É bom morrer pela pátria’. Não é melhor morar em Nova York ?”
* “Por que meninos de 18 anos precisam morrer? Para que moremos em Israel? Qual a diferença, Uganda ou Israel? Para mim não importa”
* “Se eu pudesse fazer mágica, que não existisse mais o Estado de Israel e que todos os israelenses se espalhassem pelo mundo com casa e dinheiro, claro que faria isso”

A moça tem a coragem de manifestar opiniões que muitos dos seus compatriotas não gostariam ouvir.


A rebelde Refaeli. Ao lado recebida com seu namorado
DiCaprio por Shimon Peres

15/08/2007 - 13:58h Relatório diz que Israel abandonou sobreviventes do Holocausto

BBC de Tel Aviv - O controlador-geral do Estado de Israel, o juiz Micha Lindenstrauss, publicou nesta quarta-feira um relatório acusando o governo israelense de cometer “falhas graves” no tratamento aos sobreviventes do Holocausto que moram no país.

Segundo o relatório, dos cerca de 250 mil sobreviventes que moram em Israel, 50 mil deles recebem uma pensão do Estado e outros 57 mil recebem pensões de outros países, principalmente da Alemanha. Os 143 mil restantes “infelizmente, não recebem ajuda alguma do Estado”, diz o documento.

Para o juiz, o governo tem a obrigação legal e moral de agir imediatamente para reparar as falhas, e qualquer adiamento pesará na consciência do Estado.

O cargo ocupado por Lindenstrauss tem funções semelhantes às de um ombudsman das atividades do Estado, incluindo a adoção de políticas públicas.

O relatório sobre a maneira como o Estado de Israel trata os sobreviventes do Holocausto residentes no país, elaborado durante o último ano, foi entregue pelo juiz nesta quarta-feira ao presidente de Israel, Shimon Peres.

“É inconcebível que essas pessoas, que já passaram por um sofrimento infernal, não recebam o tratamento adequado por causa de obstáculos burocráticos”, afirma o controlador.

“O Estado age lentamente e, em vista do fato que a população dos sobreviventes, que é idosa e doente, diminui a cada ano que passa, o governo deve acelerar sua ação e fazer tudo o for necessário para garantir a eles uma vida digna.”

A Federação das Organizações dos Sobreviventes elogiou o relatório e declarou que esta é a primeira vez na história de Israel que existe um plano objetivo para dar uma solução ao sofrimento dos sobreviventes.

Segundo a Federação, muitos deles vivem abaixo da linha da pobreza e não têm meios para comprar medicamentos ou artigos de primeira necessidade.

Os sobreviventes que não recebem pensões adicionais vivem apenas de uma aposentadoria mínima de cerca de 1,1 mil shekels (equivalentes a R$ 550) por pessoa, enquanto o salário mínimo em Israel é de 3,7 mil shekels (cerca de R$ 1,8 mil) e o salário médio é de 7,6 mil shekels (cerca de R$ 3,8 mil).

A decisão do governo israelense, de destinar o valor de 120 milhões de shekels (cerca de R$ 60 milhões) para melhorar as condições de vida dos sobreviventes, levou milhares deles às ruas há duas semanas.

De acordo com as organizações dos sobreviventes, “o valor que o governo resolveu dar é ridículo e significa apenas 83 shekels (cerca de R$ 40) por mês, por pessoa”.

Um dos sobreviventes, Hanoch Mandelbaum, disse à radio pública de Israel que “graças a Deus” não precisa da ajuda do governo, pois recebe uma pensão da Alemanha. “Mas fico indignado com a insensibilidade do governo de Israel.”

05/08/2007 - 12:10h TENTANDO SOBREVIVER

Newsletter de Osias Wurman: Noticias da rua judaica

Os cerca de 100 mil sobreviventes do Holocausto que moram em Israel estão em “pé de guerra” com o governo de Ehud Olmert a quem acusam de insensibilidade. O motivo foi a proposta do primeiro-ministro para uma ajuda mensal individual, em torno de 20 dólares, para os sobreviventes. As organizações das vitimas da Shoah ameaçam pressionar o governo através de lideranças judaicas internacionais.

04/08/2007 - 17:36h Reflexões pessoais sobre o acordo PT - Baath da Síria

O presidente do PT e o secretário de relações internacionais do partido, assinaram no mês de maio um protocolo de acordo com o partido Baath da Síria.

Como disse a carta enviada ao Centro Simon Wiesenthal pelos companheiro Ricardo Berzoini e Valter Pomar “Ter um acordo de cooperação com um determinado partido, não significa necessariamente que o PT esteja de acordo, total ou parcial, com a ideologia, com a história e com as ações governamentais destes partidos.”

Isto é verdade e não significa, é claro, que possamos ignorar a ideologia, a história e as ações dos partidos com que estabelecemos acordos de cooperação.

Considerar o partido Baath da Síria como um partido democrático ou de esquerda ou ao menos uma organização antimperialista seria um equivoco que o PT não fez e seguramente não fará. Tenho dúvidas, inclusive, se o Baath é realmente um partido ou uma simples correia de transmissão do poder ditatorial da familia Assaf que governa esse país com mão de ferro, e de pai para filho, faz quase meio século.

Uma coisa é considerar como legitima a reivindicação da Síria de restituição dos territórios ocupados por Israel (como é o caso do Golán) e outra, diferente, endossar a política reacionária, ditatorial e anti-democrática do regime do Baath. O protocolo assinado não entra nestas questões, nem em qualquer acordo ou compromisso político, o que é saudável, porem é bom evitar declaracões confusas ou simpáticas para com um regime que faz muito tempo deixo de ser “progressista”. Os dirigentes petistas devem, na minha opinião, estar atentos para que ninguém possa associar nosso partido a essa ditadura, mesmo secular e com rotulo “socialista”.

Pretender que o regime sírio é adversário da “política imperialista norte-americana” é só parcialmente verdadeiro e isto não faz deles, ipso facto, nossos amigos e aliados. Este raciocínio é reducionista e infantil, além de não condizer com a tradição do PT.

Vale lembrar que foi o regime de Assad e do Baath que em 1970 colaborou com Hussein da Jordania para massacrar a OLP e o povo Palestino (40 mil mortos), fechando suas fronteiras e obrigando os partidários de Arafat a se refugiar em condições mais que precárias no Líbano.

Convém insistir também que a rejeição da ocupação por Israel do sul do Líbano nunca significou apoio a ocupação da Beeka pelas tropas da Síria, cuja retirada do Líbano, junto com as de Israel, configurou um primeiro passo importante no caminho de negociações pacificas e de restituição da soberania nacional do povo libanês.

Nossa solidariedade para com o povo palestino e sua luta pela constituição de um Estado Palestino democrático e independente, que respeite a existência e a segurança do Estado de Israel; postura oficial do PT e manifestação inequívoca de nosso engajamento em favor dos oprimidos no oriente-médio, assim como repúdio a política dos governos de Israel que com apoio dos USA pratica uma linha belicista na região, nunca podem servir para avalizar nem grupos islâmicos radicais, nem regimes ditatoriais e partidos reacionários ou grupos terroristas. Faz bem ao PT reafirmar isto permanentemente.

Não estamos discutindo das necessárias e normais relações diplomáticas, comerciais, econômicas e culturais com os diversos governos da região por parte do governo brasileiro e que devem continuar e se aprofundar.

Não estou questionando contatos políticos com forças políticas das mais diversas no mundo e no médio-oriente, em particular, o que faz parte do pluralismo e tradição democrática do PT e que não exige assinatura de nenhum protocolo especifico. Não precisamos dar atestados “democráticos” a partidos com os quais nos reunimos de vez em quando e com os quais não temos nada em comum. E menos ainda a partidos como o Baath.

Se a democracia é um valor universal como consta da posição histórica do PT, ela tem que nortear também nossos compromissos políticos no plano internacional.

Luis Favre