01/03/2008 - 10:43h Por trás da desinformação, a mão do gato

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A mão de Andrea Matarazzo na foto mostra a exposição a Gilberto Kassab. Kassab e Alckmin juntos contra o PT.
E a mídia?

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Na coluna CONFIDENCIAL da revista ISTOÉ da semana retrasada (edição 1999) apareceu uma notícia sobre suposta investigação do promotor Silvio Marques do MP do Estado de São Paulo. A “informação” publicada visava, por quem a “plantou” na revista, atacar com insinuações a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Da mesma maneira em que, no mesmo fim de semana, a Época, o JN e a Folha também informavam com fotos de Marta Suplicy sobre supostas irregularidades em relação a FINATEC.

Também com a ISTOÉ aconteceu o que aconteceu com as outras mídias. A informação era em parte truncada, boa parte errada e com falta de equilíbrio. (sobre a FINATEC ver aqui no blog Sem lícitação, governo Alckmin pagou R$417 milhões para fundações só entre 2001 e 2004 (resposta a Clóvis Rossi) - O Globo: Kassab mudou de tom -Kassab usa Folha para atacar PT - Finatec diz que negociou mais um contrato em SP - Ombudsman disse que Folha usa dois pesos - A manigância de Kassab - Matarazzo ficou exposta -Kassab agora culpa seu próprio secretário por contratar a FINATEC - Insinuação da mídia contra o PT silencia contrato de Kassab com Fundação de Brasília - Tucanos em “guerra suja”, agora querem atingir Marta).

Mesmo tratando de questões diferentes, aparece um denominador comum. No caso da FINATEC, a Folha em particular, nada dizia no domingo dia 24/2/2008, sobre o contrato da fundação com a prefeitura dirigida por Gilberto Kassab, do qual a Folha tinha conhecimento. Na nota da ISTOÉ atribuía-se à administração anterior contratos de emergência na questão do lixo, sendo que os contratos de emergência eram da administração Serra-Kassab.

A seguir reproduzo a nota da ISTOÉ da semana anterior, a resposta do Diretor técnico da LIMPURB (2002-2004) e a nota sobre o mesmo tema da ISTOÉ que saiu hoje. O leitor julgará. LF

CONFIDENCIAL ISTOÉ - edição 1999
Por HUGO STUDART

Marta e o lixo
Há um esqueleto no armário da ministra do Turismo Marta Suplicy, provável candidata do PT à Prefeitura paulistana. O promotor Silvio Marques investiga o empresário Fernando Simões, do Grupo Simões, pelos contratos com a Prefeitura para a coleta de lixo. Houve um contrato emergencial, sem licitação, na gestão de Marta. Seria por 12 meses; receberia R$ 16 milhões. O promotor viu fortes indícios do que chama de “emergência fraudulenta”. Simões prorrogou o contrato nove vezes e ganhou 16 vezes o valor original.


CARTA DE DIRETOR DA LIMPURB -
27/02/2008

IstoÉ errou, ao publicar nota, na última edição, apontando haver “um esqueleto no armário da ministra do Turismo Marta Suplicy”. A revista fez referência a um contrato emergencial, sem licitação, que teria sido firmado na gestão dela na Prefeitura de São Paulo. Esclareço que a empresa Julio Simões, do Grupo Julio Simões, foi contratada em 14 de abril de 2002 junto com mais oito empresas, mediante licitação pública na modalidade de CONCORRÊNCIA PÚBLICA nº. 012/SSO/01 (Processo Administrativo nº. 2001-0.147.308-3), para a realização, dentre outros serviços, o de coleta de lixo, cujo prazo de validade expirou para a coleta de lixo em 14 de outubro de 2004 (com a assinatura dos contratos de Concessão) e para os outros serviços de limpeza em 12 de abril de 2005. Foi na administração Serra/Kassab que foram firmados, pelo menos cinco contratações por emergência com a empresa Julio Simões, do Grupo Julio Simões, e que começaram em 13 de abril de 2005 e foram sucessivamente realizados até o final de 2006. Como se vê, o esqueleto é de outro armário.
Fabio Pierdomenico - Diretor Técnico do Departamento Municipal de Limpeza Urbana de São Paulo - LIMPURB de novembro de 2002 a dezembro de 2004


CONFIDENCIAL - ISTOÉ edição 2000

O empresário Fernando Simões, investigado pelo MP paulista por causa do contrato de coleta de lixo que ganhou da ex-prefeita Marta Suplicy, é mesmo articulado. O promotor Silvio Marques descobriu que ele também ganhou oito contratos sem licitação dos sucessores José Serra e Gilberto Kassab.

19/01/2008 - 16:07h Acho ergo est


 

René Descartes (1596 - 1650)

René Descartes (1596 - 1650)


Cogito ergo sum
(penso, logo existo), resumo do pensamento do filósofo francês Descartes, parece servir de inspiração a uma nova forma de jornalismo tupiniquim.

“Acho” ergo est, parece ser a divisa que parte do principio que a realidade é o que os articulistas ponderam nos jornais e danem-se os fatos.

O “mundo da fantasia” de Mauro Chaves (ver aqui Fantasia e realidade) é um exemplo dos mais recentes.

Outro exemplo é a pregação do “pânico” na questão da febre amarela. A articulista Eliane Cantanhêde, por exemplo, disse na sua coluna do 8 de janeiro 2008

“Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem… Vacine-se logo! ”

E depois de alguns parágrafos termina assim:
“O fantasma da febre amarela, portanto, paira sobre o país como um alerta num momento crucial, para que a saúde e a educação sejam preservadas antes de tudo o mais. Senão, Lula, o aedes aegypti vem, pica e mata sabe-se lá quantos neste ano –e nos seguintes. ”

A incidência da febre amarela nos últimos anos, porém, não autoriza esse “achismo” e não me consta que Eliane tenha escrito nada semelhante em 1999, 2000, 2001 ou 2003.

1996 - 15 casos

1997 - 3 casos

1998- 34 casos

1999 - 76 casos

2000- 85 casos e 42 mortes

2001 - 41 casos e 22 mortes

2002 - 15 casos e 6 mortes

2003 - 64 casos e 22 mortes - obs: 58 dos casos diagnosticados na região sudeste, principalmente MG

2004 - 5 casos e 3 mortes

2005 - 3 casos e 3 mortes

2006 - 2 casos e 2 mortes

2007 - 6 casos e 5 mortes

(fonte : Min.Saúde)

Outro exemplo é a reportagem da revista Istoé, nas bancas hoje, sobre as eleições a prefeitura de São Paulo. Chega a por aspas na suposta proclamação de candidatura de Marta Suplicy, quando é público e notório que o PT tomará sua decisão em função da conjuntura municipal em maio-junho e não de cálculos “futuristas” sobre 2010.

Neste caso o “acho”, combinado com anônimas fontes é uma “aposta”. Como na roleta com a cor vermelho ou preto, a candidatura da Marta também só tem duas opções. As probabilidades de achar certo são tão grandes como as do achar errado. Sempre poderá se argüir que o prognóstico não estava errado e que o candidato mudou de idéia.

Luis Favre