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	<title>Blog do Favre &#187; Itaipu</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Relatório preliminar do apagão mantém meteorologia adversa como causa</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 13:55:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[apagão]]></category>
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		<description><![CDATA[Chico Santos e Rafael Rosas, do Rio &#8211; VALOR
Um relatório inconcluso feito durante o dia de ontem por cerca de 70 técnicos de empresas e órgãos envolvidos com o blecaute ocorrido no sistema elétrico brasileiro na semana passada não esclareceu definitivamente as causas do evento, mantendo duas hipóteses, ambas decorrentes de condições meteorológicas desfavoráveis: as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">Chico Santos e Rafael Rosas, do Rio &#8211; VALOR</span></h2>
<p>Um relatório inconcluso feito durante o dia de ontem por cerca de 70 técnicos de empresas e órgãos envolvidos com o blecaute ocorrido no sistema elétrico brasileiro na semana passada não esclareceu definitivamente as causas do evento, mantendo duas hipóteses, ambas decorrentes de condições meteorológicas desfavoráveis: as três linhas que ligam a hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, ao Sudeste do país, foram desligadas simultaneamente na subestação de Itaberá (SP) ou por &#8220;descargas atmosféricas&#8221; (raios) ou pela perda de capacidade de isolamento de uma das linhas provocada por acúmulo de água da chuva nos isoladores.</p>
<p>As informações foram dadas no começo da noite de ontem pelo diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp. O ONS é o órgão encarregado de fazer funcionar o Sistema Interligado Nacional (SIN) de abastecimento elétrico e a reunião foi realizada na sua sede (centro do Rio). Chipp disse que o documento, denominado Relatório de Análise de Perturbação, estará concluído na sexta-feira ou, no máximo, na segunda-feira, para ser encaminhado ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e, em seguida, à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão fiscalizador do sistema.</p>
<p>Chipp disse que as conclusões a que se chegou até agora resultaram da análise dos registros feitos pelos equipamentos instalados nas principais subestações do SIN. Em linguagem bastante técnica, ele buscou explicar que o apagão, que atingiu 18 Estados e reduziu em mais de 52% a carga elétrica do país no dia 10 deste mês não tinha como ser evitado nas condições em que ocorreu, com intervalo de milésimos de segundo entre o desligamento de uma linha e outra.</p>
<p>Segundo os dados, um curto-circuito, provocado por raio ou por perda de capacidade de isolamento, desligou primeiro a fase B da linha nº 1 (cada linha tem três fases). Apenas 13,5 milésimos de segundo depois, houve outro curto na fase A da segunda linha e 3,2 milésimos de segundo depois, outro curto atingiu a terceira linha. O desligamento da primeira linha, naquelas condições, pode ter causado sobrecarga nas demais, gerando o desligamento em cadeia. Chipp disse que de 2000 a 2009 foram registradas nove ocorrências triplas e dez duplas de curtos-circuitos nas mesmas linhas sem provocar blecautes porque, naqueles casos, houve intervalos de três a cinco segundos entre cada curto.</p>
<p>O diretor do ONS, assessorado por técnicos, disse que, nas condições em que ocorreu, o blecaute não tinha como ser evitado. Segundo ele, o desligamento de uma das linhas, para reduzir a carga por medida de segurança, feito às 13h31 da tarde do mesmo dia foi apoiado nas informações meteorológicas recebidas permanentemente do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), acrescentando que as informações recebidas à noite não justificavam novos desligamentos, embora o tempo continuasse ruim. O blecaute começou às 22h13.</p>
<p>Segundo informações do setor obtidos pelo Valor, à tarde a chuva e o vento chegaram a caracterizar situação de ciclone na área de Foz do Iguaçu, o que não teria ocorrido à noite. Ante a insistência de jornalistas para saber se as informações meteorológicas recebidas pelo ONS poderiam ter subestimado a intensidade das chuvas, ventos e raios, Chipp, irritado, disse que a pergunta deveria ser feita aos órgãos meteorológico. Ele mostrou também irritação quando foi lembrado de que o Inpe soltou um aviso de que as condições de tempo em Itaberá não eram ruins na hora do blecaute. &#8220;Acho que o Inpe deve cuidar das condições climáticas. Do efeito disso quem cuida somos nós. As consequências para o setor elétrico são da responsabilidade do setor elétrico.&#8221;</p>
<p>Chipp concordou que o fato das ocorrências terem acontecido perto da subestação de Itaberá, para onde as três linhas convergem, pode ter facilitado o blecaute, mas disse que seria antieconômico fazer uma outra linha (redundância) por outro caminho, como sugeriram especialistas. &#8220;É antieconômico construir um sistema para suportar esse tipo de contingência. Presido um grupo que congrega as 12 maiores operadoras de sistemas do mundo. Ninguém tem esse nível de redundância.&#8221;</p>
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		<title>Energia: Para Mário Veiga, da PSR Consultoria, modelo é eficiente</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 15:25:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[MEIO-AMBIENTE]]></category>
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		<description><![CDATA[Sistema do Brasil não é frágil, diz especialista


Nelson Perez/Valor

 Engenheiro Mário Veiga, da PSR Consultoria: discurso de que faltou investimento pode representar, se vitorioso, custo adicional para o consumidor
Josette Goulart, de São Paulo &#8211; VALOR
O apagão que afetou 18 Estados, retirou a maior usina hidrelétrica do país do sistema e deixou São Paulo completamente às [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Sistema do Brasil não é frágil, diz especialista</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: xx-large;"><br />
</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Nelson Perez/Valor<br />
</em></span><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002386/imagens/foto17bra-madrio-a6.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<span style="font-size: x-small;"><em> Engenheiro Mário Veiga, da PSR Consultoria: discurso de que faltou investimento pode representar, se vitorioso, custo adicional para o consumidor</em></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Josette Goulart, de São Paulo &#8211; VALOR</span></h2>
<p>O apagão que afetou 18 Estados, retirou a maior usina hidrelétrica do país do sistema e deixou São Paulo completamente às escuras foi forte o bastante para que as culpas pudessem ser atribuídas ao governo, no clima pré-eleitoral em que o país já vive. Especialistas independentes negam que o sistema elétrico brasileiro seja frágil. O engenheiro eletricista Mário Veiga é um deles. Ele preside uma das consultorias mais prestigiadas no setor elétrico, a PSR Consultoria.</p>
<p>Com mestrado e doutorado na área de pesquisa operacional, Veiga diz que o Brasil tem um sistema complexo como complexa é qualquer rede elétrica, de qualquer país, e com equipamentos sujeitos a falhas. Ele acredita que apesar da pressão política, a diretoria do Operador Nacional do Sistema (ONS) está blindada e deve divulgar ainda hoje exatamente os fatores do apagão da semana passada. Com isso será possível consertar os erros e seguir em frente na gestão do sistema. E alerta que o discurso de que o que faltou foi investimento esconde um passivo futuro para o consumidor. O Valor chegou ao nome de Veiga após consultar mais de 10 especialistas e executivos do setor pedindo a indicação de um profundo &#8211; e isento &#8211; conhecedor do sistema elétrico nacional.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O sistema elétrico no Brasil é frágil?</em></p>
<p align="justify"><strong>Mário Veiga:</strong> Não, o sistema elétrico brasileiro não é frágil. O que temos que fazer é separar o que é oferta de geração, que está associada ao risco de racionamento de energia, a oferta de transmissão, que é a infraestrutura que transporta essa geração até os centros de consumo, e a infraestrutura de gestão, quer dizer, a operação segundo a segundo nesse sistema. Na parte de geração estamos até com excesso de oferta, o que permite que Brasil absorva com facilidade taxas altas de crescimento do PIB. A parte de transmissão acompanha a parte de geração. Os leilões de construção de linhas são feitos para que as linhas necessárias e reforços estejam prontos quando entrarem novos geradores no sistema. Nos últimos nove anos, foram licitados &#8211; e a maior parte construídos -, cerca de 32 mil quilômetros de linha de alta tensão. Comparado ao comprimento total hoje, de 80 mil quilômetros, nota-se que os investimentos foram significativos em transmissão. Então, estamos bem na parte de geração e de infraestrutura de transmissão.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>E na parte de gestão de infraestrutura, que  tem recebido tantas críticas?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Na parte de gestão, as medidas que foram tomadas quando houve a reforma do setor foram de, primeiramente, centralizar a autoridade da operação no ONS. O ONS tem total autonomia e autoridade para operar o sistema minuto a minuto, da maneira mais eficiente possível. Esse é um desafio para qualquer operador do mundo, porque a cada segundo o total de energia produzida tem que ser exatamente igual ao de energia consumida. Essa operação é feita em três horizontes. Num olhar para os próximos três a cinco anos é que, estrategicamente, se decide como usar os reservatórios do país. Isso é feito por um processo de otimização bastante sofisticado, que leva em consideração literalmente bilhões de combinações de cenários futuros. Depois, essa decisão é detalhada na programação para as próximas 24 horas, em que o ONS, em coordenação com os centros regionais, determina o cronograma de produção de cada usina. Depois vai para o tempo real, em que, de segundo a segundo, a operação do sistema é ajustada para ficar sempre igual à demanda.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Parece um processo simples&#8230;</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> A rede elétrica foi considerada há alguns anos pela academia americana de engenharia como o sistema mais complexo jamais feito pelo ser humano. É a máquina mais complexa já feita. Isso porque existem centenas de milhares de componentes que têm que funcionar, segundo a segundo, como o programado. A vantagem desse sistema é permitir que geração barata chegue à casa dos consumidores. Quando a energia elétrica foi produzida e distribuída em escala comercial pela primeira vez, com a descoberta de Thomas Edison, cada quarteirão tinha seu próprio gerador, porque não havia capacidade de transmitir energia a distancias muito longas. Isso teria a vantagem de nunca haver um blecaute, porque é como se cada quarteirão fosse um sistema isolado. A desvantagem é que esses geradores funcionavam a óleo e eram caríssimos. Quando foi inventado o sistema de corrente alternada, isso permitiu que fossem construídas linhas de transmissão de longas distâncias. Se poderia, assim, construir mais longe um gerador maior e, portanto, mais barato, por causa da economia de escala. Então rapidamente, no mundo inteiro, os sistemas deixaram de ser isolados para se integrarem. Foi um processo que beneficiou os consumidores, porque contribuiu para reduzir o custo de energia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Não foi diferente no caso do Brasil, certo? </em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> No caso do Brasil, isso era fundamental por causa das usinas hidrelétricas. Se você pega o exemplo do Equador ou Peru, que são países de tamanho menor, um evento meteorológico pode causar uma seca simultânea em todo o país. O Brasil, por ter área muito grande, tem várias regiões climáticas. A vantagem de termos uma rede interligada é que pode funcionar como se fosse um portfólio. Igualzinho quando a pessoa tem varias ações na bolsa de valores para poder diversificar o risco. Quando chove na região Norte, não chove no Nordeste, quando chove no Sudeste, não chove no Sul. Então eu posso aproveitar muito melhor essa diversidade de produção hidrelétrica e ter um sistema com muita participação hidráulica, mas que seja seguro. O que o operador nacional faz permanentemente é, atraves do modelo de otimização, buscar energia de onde está chovendo, onde os reservatórios estão melhores, e transferir para regiões onde está chovendo menos e os reservatórios estão mais vazios. Isso permitiu ao longo do tempo que a produção de energia fosse muito eficiente e transferiu o benefício da energia mais barata possível para o consumidor.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Mas também traz o risco de apagões maiores?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> O fato de as hidrelétricas estarem localizadas a milhares de quilômetros dos centros de consumo torna a operação mais complexa do que naturalmente já é. Você tem cada vez mais a possibilidade do sistema entrar no que se chama de oscilação e que pode se traduzir em um apagão.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Como acontece essa oscilação?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> A cada segundo você tem fluxo de energia passando em todas as linhas de transmissão do sistema. Evidente que uma linha pode falhar. Pode cair um raio, pode haver uma falha nos componentes. Quando a linha falha é preciso tirá-la de operação e desligá-la. Isso é feito porque, se ela se danificar, vai levar meses para consertá-la e colocá-la de volta no sistema. Se essa linha é desligada, a energia que estava passando por ali, automaticamente, numa fração de segundo, vai por um outro caminho, porque a energia não pode desaparecer. Se der azar de que nesse outro caminho já estava passando quantidade grande de energia, ele vai ficar sobrecarregado. Nesse caso, equipamentos chamados relés identificam que aquele caminho está transferindo mais energia do que aguenta e a segunda linha também é desligada. A energia associada ao primeiro caminho, mais a energia do segundo, vai por um terceiro caminho, que por sua vez pode dar o azar de ser sobrecarregado e assim por diante. Aí se tem o efeito cascata e o apagão.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O senhor usou muito a expressão &#8220;se der o azar&#8221;. Então é azar mesmo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> É um pouco de azar sim, pelo seguinte: o operador do sistema não tem, em nenhum país, o controle de quanto fluxo está passando em cada linha, porque os fluxos se distribuem de acordo com as chamadas leis de Kirchhoff. Se eu tenho duas linhas em paralelo, eu não posso forçar que em uma linha passe uma quantidade de energia, e em outra linha, outra quantidade. A natureza automaticamente distribui a energia entre as duas linhas em função das características elétricas das linhas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Não há tecnologia para se medir esse fluxo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Poderia se fazer por meio de links de corrente contínua. Mas seria caríssimo.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Então ficamos à mercê das leis de Kirchhoff?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Quando se planeja a transmissão, é feita uma série de simulações com milhões de cenários, que permitem que seja possível levar em consideração que os fluxos se distribuem de determinada maneira. É simulada a retirada de cada linha, uma a uma, para verificar por onde passariam os fluxos e garantir que, tirando uma linha, esses fluxos ainda passariam por uma outra linha e não teriam problemas. O sistema é planejado para levar em consideração que os equipamentos falham. Porque eles falham mesmo. Então o sistema é desenhado levando em consideração que linhas podem falhar e é colocado um reforço no sistema, isto é, se criam caminhos alternativos de transporte de energia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Aparentemente não havia esse caminho alternativo na semana passada.</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Existe um problema particular quando se tem uma usina como Itaipu. Ela é muito grande, responde por 20% da geração do país, e está a 900 quilômetros do centro de carga. Então é como se todos os caminhos andassem juntos. Mas o sistema de Itaipu é protegido e não é qualquer raio que o derruba. Se pode perder uma linha, até duas linhas, que não dá problema. Mas ninguém desenhou ou projetou o sistema para a saída de três linhas de operação, como disse o ONS. E não é uma questão de colocar mais reforços, pois custariam centenas de milhões de reais, que onerariam a conta do consumidor.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Não há margem de manobra, então, quando caem as três linhas que ligam Itaipu ao Sudeste?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> O que torna a operação ainda mais complicada é que, como estes fenômenos ocorrem em frações de segundos, o ser humano não tem tempo de agir. É por isso que se faz uma pré-programação e o sistema está preparado para, quando determinada linha receber fluxo maior, que ela seja desligada. Mas algumas vezes pode acontecer de o equipamento falhar e não acionar a instrução dada para se desligar a linha. Aí aquilo que devia estar desligado continua ligado e se começa a ter problemas, porque toda a coreografia previamente ensaiada pode começar a falhar.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O sr. não acha que a explicação da causa do apagão está demorando? </em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Amanhã (hoje) vai sair a análise do ONS do que aconteceu. A demora é justificável, porque o sistema possui registros segundo a segundo do que aconteceu, como se fossem caixas pretas. O que os técnicos estão fazendo é olhando essas caixas pretas e verificando cada relé, cada chave, cada disjuntor para saber o que aconteceu.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por essa complexidade, parece que não é fora do normal ter demorado para voltar a luz&#8230; </em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Sim e não. Porque você também se prepara para a falha. Imagine que houve um blecaute num país e toda a demanda desapareceu. A linha pode ser religada em frações de segundo, mas isso não é feito, porque quando existe uma falha do país inteiro o operador sabe qual era o consumo um segundo antes de dar o problema, só que quando falta a luz, as pessoas desligam seus equipamentos. O operador tem um problema complicado, porque ele não sabe qual a demanda que vai ter no sistema quando ele religar. Vamos imaginar que o sistema estava consumindo 50 mil MW na hora que caiu a energia, mas pessoas desligaram seus aparelhos e a carga, se fosse religada, seria de 30 mil MW. Mas operador estimou 40 mil MW e se ele religar haverá novo desequilíbrio e o sistema cai de novo. Por isso é feita uma divisão no sistema, já pré-programada, que se chama de ilhamento. Se o ilhamento funcionar você continua tendo o sistema que caiu, mas sabe que ele foi isolado. Agora existem vários megaquarteirões e se começa a recuperar a geração para cada um separadamente. O ideal, que qualquer centro de controle busca, é que as falhas não ocorram, mas se ocorrerem que se consiga fazer o desligamento de maneira organizada. No relatório do ONS, um dos assuntos que vai ser discutido é se esse esquema de desligamento funcionou 100% como esperado ou, se pela magnitude da falha, não teria condições físicas de esse esquema funcionar. O que significa que caiu mais energia do que se esperava. Se pode usar o script mas também é preciso usar a experiência do operador.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Nunca se cogitou a possibilidade de Itaipu sair do sistema?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Não posso falar pelo ONS, mas em nenhum lugar do mundo se planeja o sistema para falharem três linhas de transmissão como aconteceu na semana passada. Certamente foi um evento absolutamente inesperado. O importante é saber se as três linhas falharam por um azar imenso, ou se houve uma causa comum, um megarraio nas três linhas, ou se na verdade quando uma falhou, houve algum problema na proteção que, de alguma maneira &#8211; isso certamente o ONS vai esclarecer -, teria levado à falha das outras duas. Então é o seguinte: se deu um azar cósmico e falharam as três ao mesmo tempo por razões independentes, aí realmente é um azar gigantesco e é muito pouco provável mesmo. O que é mais provável é terem falhado uma ou duas das linhas e ter havido mais um incidente que levou à falha da terceira. Em geral, as falhas que causam problemas nunca são espetaculares. São uma combinação inesperada de fatores que, cada um isoladamente, não traria problemas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Poderia ter sido evitado este apagão?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Prevenir-se do conjunto de pequenas causas é um grande desafio, porque estamos falando de milhares e milhares de componentes, e quando você pensa em todas as combinações de pequenos acidentes que podem no conjunto dar errado, você estaria analisando bilhões ou trilhões de possíveis causas. Tenta-se da melhor maneira possível se prevenir, com reforços, com caminhos duplicados, mas sempre é possível acontecer um problema.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O fato de Itaipu naquele momento estar gerando a plena capacidade pode ter contribuído? </em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Claro que se tivesse gerando pouco, e as três linhas falhassem, a energia poderia passar pelas outras. Mas se durante seis anos, que foi o tempo entre o último blecaute e agora, se tivesse criado um procedimento para Itaipu nunca gerar a plena capacidade, se estaria deixando de utilizar a energia hidrelétrica barata de Itaipu para utilizar algo mais caro. Quando se faz a conta, se vê que isso possivelmente não era uma solução razoável. O fundamental é que causas sejam explicadas, identificadas e erros corrigidos. Se foi algo imprevisto, paciência, tem que melhorar.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>De certa forma o sistema formou um ilhamento, mas que abrangeu todo o Sudeste..</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Quando se perde toda a energia de Itaipu, não tem jeito, lembre que a cada segundo o total de geração tem que ser o total de demanda, então se toda a energia de Itaipu sai do ar tenho que cortar essa demanda, e nas áreas que são mais afetadas pela energia que foi embora. Então não tem jeito, que o Sudeste ia ser cortado, ninguém tem dúvidas. A questão que o ONS vai esclarecer é se pelo fato de ter havido falha mais severa é que foi necessário cortar mais demanda do que a oferta de Itaipu.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Então o Sudeste sempre vai ser afetado pela saída de Itaipu?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> A gente fica traumatizado, mas é bom lembrar que é a primeira vez na história que houve a saída de Itaipu. Se Tucuruí falhar, vai afetar o Nordeste. Não tem almoço grátis. São os riscos que traz uma energia limpa, barata. Mesmo com todos os esforços para evitar que ocorram acidentes, nunca é impossível de se ter apagão. O importante sempre é que as recomendações e aperfeiçoamentos sejam implementados.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O sr. acredita que o ONS tem liberdade para divulgar exatamente tudo o que aconteceu, ou vai existir pressão política?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Não imagino que haja pressão política e uma das razões é que na lei do modelo do setor elétrico foi dada total blindagem política para a diretoria do ONS. Embora o ONS seja empresa privada, as empresas que contribuem não tem qualquer ingerência no ONS, nem o governo. Essa blindagem existe para dar todas as condições de o operador fazer um trabalho técnico, que sempre tem feito.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>A experiência vivida em outros apagões foi aproveitada?</em></p>
<p align="justify"><strong>Veiga:</strong> Várias recomendações da análise dos apagões de 1999 e 2003 foram aproveitadas. Não sei se todas, mas várias delas com certeza foram. Mas este é um processo que tem que ser constante. E não se é obrigado a implementar todas as propostas, porque alguma delas têm que comparar custo e benefício para saber se vale à pena. O fato de não ser implementada não significa que houve descuido ou descaso.</p>
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		<title>Resposta séria ao blecaute da inteligência serro-tucana</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 18:57:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Blecaute 
 LUIZ PINGUELLI ROSA &#8211; FOLHA SP




Não há sistema tecnológico sem falhas. Mas o sistema interligado é inteligente, pois otimiza o uso da geração hidrelétrica




AINDA PAIRAM algumas dúvidas sobre o blecaute que atingiu vários Estados brasileiros,  mais drasticamente São Paulo e Rio  de Janeiro.
É preciso esclarecer, porém, que o  ocorrido na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: large;"><strong>Blecaute </strong></span></p>
<h2><strong> <span style="background-color: #ffff99;">LUIZ PINGUELLI ROSA</span></strong><span style="background-color: #ffff99;"> &#8211; <strong>FOLHA SP</strong></span></h2>
<table style="height: 110px;" border="0" width="548">
<tbody>
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /><span style="font-size: x-large;"><strong><em>Não há sistema tecnológico sem falhas. Mas o sistema interligado é inteligente, pois otimiza o uso da geração hidrelétrica</em></strong></span><br />
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>AINDA PAIRAM algumas dúvidas sobre o blecaute que atingiu vários Estados brasileiros,  mais drasticamente São Paulo e Rio  de Janeiro.<br />
É preciso esclarecer, porém, que o  ocorrido na terça-feira foi totalmente  diferente do chamado apagão de  2001, quando o governo decretou um  racionamento obrigatório de energia  elétrica para toda a população, sob  pena de desligamento de residência  ou empresa por alguns dias caso não  fosse cumprido o corte no consumo.<br />
Naquela ocasião, havia falta de  energia para atender a demanda, pois  esta vinha crescendo mais rapidamente do que a capacidade instalada  no país. Enquanto houve chuvas suficientes para a geração hidrelétrica, o  sistema funcionou e o problema foi  adiado. Quando as chuvas se reduziram, os reservatórios estavam vazios  e faltou energia no sistema.<br />
Alertei o então presidente Fernando Henrique Cardoso por uma carta,  como coordenador do Instituto Virtual da Coppe/UFRJ, e cheguei a conversar com José Jorge, à época ministro de Minas e Energia.<br />
Naquele caso, houve falta de investimento. As estatais elétricas, a começar pela Eletrobrás, reduziram seus  investimentos, pois aguardavam a  privatização. Já as empresas privatizadas, a maioria delas distribuidoras  nos Estados, pouco investiram.<br />
O problema da última terça-feira  tem mais semelhança com o blecaute  de 1999, que também desligou São  Paulo e muitas outras cidades, algumas por muito mais horas do que o  recente incidente. Aquele problema  se originou em uma subestação de  transformadores em Bauru (SP), causado por uma sobretensão elétrica supostamente devida a um raio que  atingiu a linha de transmissão a muitos quilômetros de distância e se propagou até a subestação -que deveria  estar protegida. Como não estava, o  sistema falhou.<br />
O que ocorreu nesta semana foi a interrupção de três linhas que trazem a energia de Itaipu ao Sudeste, acarretando o desligamento de todas as turbinas da usina e causando o desligamento de várias outras linhas em cascata. Daí a propagação do blecaute ter atingido tantas cidades. O efeito é como uma série de pedras de dominó que caem uma por cima da outra.<br />
O desligamento das linhas em sobretensão é correto, pois as protege e  evita danos a equipamentos e perdas  de transformadores por sobrecarga.  Portanto, o desligamento automático  das linhas de transmissão é inevitável  em certos casos críticos como o de  agora. Os efeitos seriam muito piores  se o desligamento não ocorresse.<br />
No entanto, algumas questões ainda precisam ser respondias. A primeira delas é o que causou a sobrecarga.  Uma hipótese aventada é que raios  tenham causado tudo isso. Três linhas sofreram colapso, embora todas  sejam protegidas por para-raios, que  são fios paralelos ao longo das linhas.<br />
Talvez uma delas tenha sido atingida,  a sobretensão tenha se propagado indevidamente para dentro da subestação em que as outras também tenham  sido afetadas. É uma hipótese.<br />
Como evitar a repetição de blecautes? Não há sistema tecnológico com  0% de falhas. O que pode ser feito é  minimizá-las, tanto na frequência de  ocorrências desse tipo como na gravidade delas.<br />
Eliminar o uso da transmissão de longa distância seria uma bobagem, pois o Brasil é uma Arábia Saudita hidrelétrica. Integrando em um longo tempo a energia que se pode obter do potencial hidrelétrico brasileiro, o resultado é maior que a energia do petróleo do pré-sal. O sistema interligado é inteligente, pois otimiza o uso da geração hidrelétrica, complementada por outras fontes.<br />
Uma proposta que tem sido recentemente estudada em todo o mundo é  o de redes elétricas inteligentes, ou  seja, fazer uma gestão melhor das redes para diminuir incertezas, evitar  problemas de pico de tensão e falhas,  com um sistema de controle ponto a  ponto ao longo das redes.<br />
Nos Estados Unidos, Nova York sofreu um blecaute em 2003 que, sob  certos aspectos, foi mais grave.<br />
Há poucos meses, o professor Pravin Varaiya, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, esteve no Programa de Planejamento Energético da Coppe para participar de um seminário sobre essas redes inteligentes de energia elétrica. Mas os estudos ainda precisam avançar, inclusive para prevenir vulnerabilidades como o acesso indevido à rede por hackers.<br />
O que se mostrou vulnerável aqui  no nosso caso foi a enorme extensão  da área atingida e a grande população  que sofreu as consequências, pois não  se conseguiu ilhar a propagação do  efeito para circunscrever suas consequências a uma região menor. É necessário apurar os fatos para corrigir  as falhas e aperfeiçoar o sistema.</p>
<hr size="1" noshade="noshade" /><span> <strong>LUIZ PINGUELLI ROSA</strong> , 67, físico, é diretor da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e secretário do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. Foi presidente da Eletrobrás (2003-04).</span></p>
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		<title>Blecaute teve erro humano ou falha de equipamento</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 11:08:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Chico Santos, do Rio &#8211; VALOR
Erro humano ou falha de equipamento (computador) ao fazer as compensações geradas pelo desligamento automático de uma das linhas de Itaipu são as causas mais prováveis para o apagão de terça-feira, na avaliação de dois professores da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://oglobo.globo.com/fotos/2007/03/31/31_PHG_MUNDO_BLECAUTE.JPG" alt="http://oglobo.globo.com/fotos/2007/03/31/31_PHG_MUNDO_BLECAUTE.JPG" width="556" height="355" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Chico Santos, do Rio &#8211; VALOR</span></h2>
<p>Erro humano ou falha de equipamento (computador) ao fazer as compensações geradas pelo desligamento automático de uma das linhas de Itaipu são as causas mais prováveis para o apagão de terça-feira, na avaliação de dois professores da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Roberto Schaeffer e Carlos Portela. Portela disse ao Valor não entender por que a causa do acidente ainda não foi apurada, uma vez que, segundo ele, está, com certeza, registrada nos computadores das subestações envolvidas.</p>
<p>Nascido em Portugal, Portela é especialista na construção de grandes linhas de transmissão, como a de Itaipu. Na década de 1960, foi um dos responsáveis pela construção da linha de 1.450 quilômetros que leva energia da hidrelétrica de Cahora Bassa, em Moçambique, para a África do Sul. Ele disse que teriam sido necessárias três descargas atmosféricas (raios) simultâneas, com intensidade capaz de desligar uma linha de 765 kilovolts (kV), para que houvesse o desligamento das três linhas de corrente alternada de Itaipu. Sem contar as de corrente contínua, que têm quatro polos e podem funcionar com apenas um polo. &#8220;Acho improvável que isso tenha ocorrido. O normal seria que a carga da linha atingida fosse transferida para outra. Falta alguma coisa a ser revelada&#8221;, afirmou.</p>
<p>Na avaliação de Portela, que leciona engenharia elétrica na Coppe, a partir da falha, humana ou de equipamento, que gerou o desligamento de Itaipu, a sequência que se seguiu não chega a ser anormal, dados os mecanismos de proteção do sistema, que vão provocando desligamentos em cadeia.</p>
<p>Ele acha que a hipótese de Itaipu estar gerando energia acima do necessário é &#8220;improvável&#8221;, seja porque as variações de carga no Brasil não são elevadas, seja porque Itaipu já foi mais sobrecarregada, quando respondia por 34% da energia consumida no país. Para Portela, tudo pode ser esclarecido consultando-se os registros dos computadores das subestações.</p>
<p>Para Schaeffer, que é professor de planejamento energético da Coppe, &#8220;o governo quis rapidamente dar uma explicação para um problema, cuja resposta, na realidade, ainda não se sabia&#8221;. Na opinião do especialista, o evento inicial, a parada da linha de Itaipu, pode ter sido provocada por um evento meteorológico, como afirma o governo, ou por falha de um equipamento, mas &#8220;o mais sério foi a propagação do problema&#8221;.</p>
<p>Shaeffer disse não haver dúvidas de que as linhas de transmissão brasileira evoluíram nos últimos anos, e que a propagação do apagão só pode ser justificada por falha humana ou de equipamento. &#8220;Por ser parte muito importante do sistema elétrico brasileiro, o problema tem que ser rapidamente corrigido&#8221;, disse o especialista, para quem o apagão &#8220;acende uma luz amarela para que se trabalhe na melhoria da gestão&#8221;.</p>
<p>Para Schaeffer, o setor elétrico brasileiro tem muitos &#8220;caciques&#8221; dando ordens, o que pode gerar perturbações. Mas ele discorda de que, neste caso, a superposição de órgãos tenha tido alguma interferência no ocorrido. &#8220;Na operação, a atribuição é clara: o responsável é o ONS (a sigla do Operador Nacional do Sistema Elétrico)&#8221;, afirmou. Na avaliação de Schaeffer, ou falhou algum equipamento de Furnas (dona das linhas de transmissão) ou a gestão do ONS.</p>
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		<title>Blecaute: Especialistas consideram que sistema é seguro</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 10:42:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Colapso energético: Desligamentos são frequentes, afirmam técnicos
Josette Goulart, de São Paulo &#8211; VALOR
Mesmo diante de um blecaute que deixou os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul completamente às escuras por horas durante a noite de terça-feira e a madrugada de ontem, especialistas importantes do setor elétrico são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://mybelojardim.com/wp-content/uploads/2009/08/Linhas-de-alta-Tensao-de-Transmissao-de-Energia-450-338.jpg" alt="http://mybelojardim.com/wp-content/uploads/2009/08/Linhas-de-alta-Tensao-de-Transmissao-de-Energia-450-338.jpg" /></p>
<p><strong>Colapso energético: Desligamentos são frequentes, afirmam técnicos</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Josette Goulart, de São Paulo &#8211; VALOR</span></h2>
<p>Mesmo diante de um blecaute que deixou os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul completamente às escuras por horas durante a noite de terça-feira e a madrugada de ontem, especialistas importantes do setor elétrico são enfáticos ao dizer que o Brasil tem um sistema seguro.</p>
<p>Dezenas de ocorrências de desligamentos automáticos de linhas de transmissão e unidades geradoras são registradas frequentemente nos boletins do Operador Nacional do Sistema, mas os sistemas são rapidamente ajustados e eventuais cortes de energia duram minutos. Não são sequer noticiados. Neste ano, por exemplo, duas linhas de Itaipu já tinham saído do sistema sem causar blecautes.</p>
<p>Na terça-feira passada foi diferente porque as cinco linhas de transmissão que transportam a energia de Itaipu deixaram de funcionar por um evento considerado atípico. Duas dessas linhas são de corrente contínua e operam na mesma frequência que a energia transmitida ao Paraguai. Saíram de operação por sobrecarga dos sistemas, que por proteção se autodesligam. O problema ocorreu nos outros três circuitos que sofreram um curto por descargas elétricas atmosféricas, segundo a informação oficial do governo .</p>
<p>Ocorre que, sem as três linhas em operação, toda a usina hidrelétrica de Itaipu saiu do sistema. Como ela é a usina responsável por fornecer 25% da energia do país, principalmente ao Sudeste, ao sair de operação ela tem poder de deixar a região às escuras. Sorte que foi durante a madrugada.</p>
<p>A preocupação do ONS com Itaipu vem aumentando nos últimos anos. Mas o operador já verificou que mesmo com duas das principais linhas de Itaipu desligadas é possível evitar blecautes no Sudeste. O ONS tem até mesmo um esquema especial de proteção para Itaipu que foi colocado em teste em 4 de julho desse ano. Está registrado nos boletins do ONS que nesse dia houve a queda de duas das linhas da usina e para proteger o sistema e evitar a sobrecarga foram tiradas de operação turbinas de Itaipu e de Tucuruí, distante 3.500 quilômetros de Foz do Iguaçu. A necessidade de reduzir a geração também em Tucuruí é para evitar que as linhas que ligam o Norte ao Sul sofram sobrecarga e causem um apagão em série nestas regiões.</p>
<p>O ex-presidente da Companhia de Transmissão Paulista e professor da Universidade de São Paulo, Sidnei Martini, lembra que no ano passado quando ainda estava na presidência da Cteep, também aconteceu de duas linhas de transmissão que ligam Itaipu ao Sudeste terem sido desligadas automaticamente por problemas meteorológicos. &#8220;Lembro que pensamos: nosso sistema é mesmo seguro pois conseguimos segurar a energia de Itaipu só com uma linha operando&#8221;, disse Martini. &#8220;Se fosse um sistema frágil teríamos tido muitos apagões nestes dez anos.&#8221;</p>
<p>No boletim interno do ONS (o jornal Ligação) de julho deste ano, um técnico do ONS reportava que o órgão estava se empenhando em um esquema especial de proteção para Itaipu e que todo esse empenho era necessário pela frequência com que ocorrem desligamentos desses dois circuitos próximos a usina. Isso preocupa uma importante fonte do setor, mas que lembra que são com apagões como o que ocorreu essa semana que os sistemas são aprimorados.</p>
<p>É por causa de seu poder de causar um blecaute caso saia de operação que a usina de Itaipu é vista como a infraestrutura mais crítica do país. Mas foi somente no ano passado que as autoridades brasileiras começaram a elaborar um plano nacional de segurança de suas infraestruturas para evitar ataques ou ter um plano de contingências que possa resolver rapidamente a situação e dar segurança a população que fica desprotegida.</p>
<p>O vice-presidente da Rede Energia, Sidney Simonaggio, destaca que apesar de uma grande parte do Brasil ter sido atingida, rapidamente os sistemas do Nordeste, Norte e Sul foram retirados do sistema interligado e a energia rapidamente foi restabelecida. Se fosse um sistema frágil, segundo Simonaggio, todo o país teria ficado no escuro.</p>
<p>Ao todo 18 estados foram atingidos. O apagão teve início às 22h13. Mas as 22h29, o Sul do país já estava religado. Em menos de meia hora, os estados do Norte e Centro-Oeste também. Antes das onze da noite, o Nordeste também teve sua situação regularizada. &#8220;Nosso sistema não é frágil&#8221;, diz José Cláudio Cardoso, presidente da Associação das Transmissoras.</p>
<p>A mesma frase foi usada pelo ex-diretor geral da Aneel, Jerson Kelman. Lembrou ainda Kelman que nenhum sistema é infalível e que o Brasil tem sim o risco do sistema interligado, ou seja, de uma queda em série. Mas ao mesmo tempo é esse sistema que impede que a falta de água nas hidrelétricas em alguma região reflita em falta de energia em outra. O professor da USP Ildo Sauer diz que o problema não é falta de investimento, mas que o apagão reflete uma fragilidade na gestão do sistema. Alguns especialistas lembram que o fato de termos um sistema completamente automatizado também é muito suscetível a hackers.</p>
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		<title>Especialistas criticam politização do apagão</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 20:07:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Vírgilio e Matarazzo (PSDB), tentando lucrar com o acidente que provocou o blecaute ontem
ELIZABETH LOPES &#8211; Agencia Estado
SÃO PAULO &#8211; O embate político que está sendo travado pela oposição e governo em torno do apagão é um sinal de que o debate eleitoral que já permeia o cenário sucessório de 2010 precisa ser mais qualificado. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://1.bp.blogspot.com/_Cnlp-CZMM8g/So6pWeR_EQI/AAAAAAAAAXY/H--l5IMQgYE/s400/AARTHUR+VIRGK%C3%8DLIO+iii.jpg" alt="http://1.bp.blogspot.com/_Cnlp-CZMM8g/So6pWeR_EQI/AAAAAAAAAXY/H--l5IMQgYE/s400/AARTHUR+VIRGK%C3%8DLIO+iii.jpg" width="294" height="293" /><img src="http://a1.twimg.com/profile_images/124985280/aam1.JPG" alt="Andrea Matarazzo" /></p>
<p><span style="font-size: x-small;"><em>Vírgilio e Matarazzo (PSDB), tentando lucrar com o acidente que provocou o blecaute ontem</em></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">ELIZABETH LOPES &#8211; Agencia Estado</span></h2>
<p>SÃO PAULO &#8211; O embate político que está sendo travado pela oposição e governo em torno do apagão é um sinal de que o debate eleitoral que já permeia o cenário sucessório de 2010 precisa ser mais qualificado. Para o cientista político Humberto Dantas, é preciso que as discussões deixem de se pautar apenas em tiroteios, críticas e ataques mútuos sobre eventos ocorridos. Já para o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, o uso político do blecaute pela oposição é um sinal de que o PSDB, principal adversário político do PT, ainda não encontrou um discurso capaz de polarizar com o governo Lula.</p>
<p>&#8220;Eu creio que questões como o blecaute de ontem, que trouxe transtornos e problemas a milhões de brasileiros de diversos Estados do País, não deveriam ser usadas apenas como instrumento de ataque político. Precisamos elevar o debate eleitoral, debater ideias e propostas que mudem a cara do Brasil, e não continuar na mesmice de um debate empobrecido, sem perspectivas práticas&#8221;, avalia Humberto Dantas, conselheiro do Movimento Voto Consciente.</p>
<p>A falta de robustez e qualificação no debate político-eleitoral também é criticada por Marco Antônio Carvalho Teixeira, pesquisador da PUC e da FGV de São Paulo. &#8220;A oposição, sobretudo o PSDB, ainda não conseguiu polarizar com o governo Lula em termos de propostas e projetos para o País, por isso fica pegando carona em eventos, como o apagão.&#8221; O cientista concorda que é fundamental discutir essa questão, mas não simplesmente como tema de manobra política. &#8220;Infelizmente não se está discutindo no País soluções e saídas para os problemas, mesmo que o objetivo seja desqualificar um adversário (político)&#8221;, reitera.</p>
<p>Independentemente da falta de conteúdo em determinados embates eleitorais, Carvalho Teixeira acredita que o governo do presidente Lula está levando vantagem nas discussões do campo político. &#8220;Se para 2009 os analistas previam um cenário ruim e a economia melhorou, provavelmente iremos chegar às vésperas das eleições 2010 com excelentes indicadores econômicos&#8221;, diz o pesquisador. &#8220;Vale lembrar que a despeito das discussões políticas e ideológicas, a grande massa de eleitores acaba votando mais com &#8221;o bolso&#8221;. Ou seja, se um governo está propiciando comida na mesa e dinheiro no bolso, a tendência é de continuidade.&#8221;</p>
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		<title>Blecaute afetou 18 Estados do Brasil, mostra relatório</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 17:19:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[apagão]]></category>
		<category><![CDATA[blecaute]]></category>
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		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[Furnas]]></category>
		<category><![CDATA[Itaipu]]></category>

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		<description><![CDATA[SOFIA FERNANDES colaboração para a Folha Online, em Brasília
Relatório de segurança operacional do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), fechado às 10h45 de hoje, indica que o blecaute ocorrido entre a noite de terça e a madrugada desta quarta-feira afetou 18 Estados do país.
Veja fotos do apagão que atingiu grande parte do país
PM registra o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;"><strong>SOFIA FERNANDES </strong>colaboração para a <strong>Folha Online</strong>, em Brasília</span></h2>
<p>Relatório de segurança operacional do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), fechado às 10h45 de hoje, indica que o blecaute ocorrido entre a noite de terça e a madrugada desta quarta-feira afetou 18 Estados do país.</p>
<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/galeria-20091111-apagao.shtml"><strong>Veja fotos do apagão que atingiu grande parte do país</strong></a><br />
<a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u650671.shtml">PM registra o dobro de ligações para 190 durante apagão</a><br />
<a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u650665.shtml">Após apagão, CET suspende rodízio no período da manhã</a><br />
<a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u650663.shtml">Itaipu diz operar em condições normais, mas não informa causa</a></p>
<p>O número é maior do que o governo havia confirmado, <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u650715.shtml">de 12</a>. Segundo o relatório, foram afetados totalmente São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo.</p>
<p>Parcialmente houve impacto nos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Acre, Rondônia, Bahia, Sergipe, Paraíba, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte.</p>
<p>Ainda de acordo com o relatório, foram desligados 28,8 mil MW (megawatts) de carga no SIN (Sistema Integrado Nacional) nesses 18 Estados, o equivalente ao dobro da potência instalada de Itaipu. No Paraguai, houve interrupção de 980 MW de carga.</p>
<p>O problema começou às 22h13, quando ocorreu perturbação geral, envolvendo diretamente a região Sudeste e Centro-Oeste, desencadeando desligamentos automáticos.</p>
<p>O ONS informa ainda que, primeiro, foi desligada a linha de transmissão de Foz do Iguaçu (PR) até Tijuco Preto (SP). Depois, outras usinas hidrelétricas de São Paulo, com capacidade de 5,6 mil MW foram interrompidas. A geração de Angra 1 e Angra 2 também cessou na sequência.</p>
<p>O SIN abrange todo território nacional, exceto Amazonas, Roraima e Amapá. Segundo o relatório, o restabelecimento dos equipamentos e linhas de transmissão teve início imediato após o apagão.</p>
<p>Os dados do operador apontam que às 22h29 a carga da região Sul já estava restabelecida, da região Centro-Oeste às 22h50 e da região Nordeste às 22h55. Às 23h50 foi restabelecida a carga de Minas Gerais.</p>
<p>O restabelecimento gradativo de energia em São Paulo começou à 0h04 e no Rio de Janeiro e Espírito Santo à 0h40. À 1h44 foi restabelecido o SIN. Mas o problema todo foi sanado às 3h15 de hoje.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Caio Guatelli &#8211; 10.nov.2009/Folha Imagem<br />
<img class="alignnone size-full wp-image-16027" title="apagão" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/apagão.jpeg" alt="apagão" width="550" height="367" /><br />
Imagem mostra avenida Nove de Julho, em São Paulo, durante o apagão que atingiu parte do país</em></span></p>
<p><strong>Apagão</strong></p>
<p>O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou nesta quarta-feira que a <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u650745.shtml">origem do apagão</a> aconteceu em três linhas de transmissão nos Estados do Paraná e de São Paulo, o que acabou forçando o desligamento da usina de Itaipu.</p>
<p>Duas das linhas ligam o município de Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP), e a outra fica entre Itaberá (SP) a Tijuco Preto (SP) &#8211;as três linhas são de Furnas.</p>
<p>Segundo o secretário, as três linhas não chegaram a cair, foram desligadas por conta de condições meteorológicas adversas na região de Itaberá. Todo o sistema já voltou, e o apagão durou cerca de quatro horas, segundo os cálculos do ministério.</p>
<p>Os ventos e chuvas fortes não causaram danos a equipamentos, afirmou Zimmermann. O apagão começou às 22h14 e durou cerca de quatro horas.</p>
<p><strong>Estados</strong></p>
<p>Na cidade de São Paulo, o apagão <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u650715.shtml">causou pânico</a> nas ruas, paralisou trens e o metrô, prejudicou o trânsito, e deixou diversas pessoas presas em elevadores. A Polícia Militar informou, porém, que não houve registros de ocorrências graves. Diversas cidades da Grande São Paulo e do Estado também foram afetadas.</p>
<p>Devido ao blecaute, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos na manhã desta quarta-feira (11). Ainda não se sabe, porém, quantos municípios do Estado foram afetados.</p>
<p>Segundo o governo federal, o Estado do Rio foi o mais afetado do país e chegou a ficar totalmente às escuras. Por isso, o governador Sérgio Cabral (PMDB) determinou que o Bope (Batalhão de Operações Especiais), da Polícia Militar, reforçasse o policiamento na cidade do Rio. Houve caos no trânsito e nos transportes públicos.</p>
<p>Em Minas Gerais, o apagão deixou às escuras dezenas de cidades da região metropolitana de Belo Horizonte e do interior do Estado. Houve queda de energia em várias partes do Espírito Santo, inclusive em Vitória.</p>
<p>No Rio Grande do Sul, houve interrupção no fornecimento de energia por cinco minutos em cidades da região metropolitana de Porto Alegre. Segundo a AES Sul, 70 mil imóveis ficaram sem luz em São Leopoldo e Sapucaia do Sul.</p>
<p>Em Santa Catarina, houve interrupção no fornecimento de energia em Joinville, Blumenau, Lages, Concórdia e Videira. Segundo a Celesc (Companhia de Energia Elétrica de Santa Catarina), houve oscilação no abastecimento de suas subestações.</p>
<p>No Paraná, o apagão foi sentido em ruas do centro de Curitiba. Enquanto em parte da área central as luzes permaneciam acesas, em outras houve queda de energia nos postes e em edificações. Após cerca de dois minutos, a energia foi retomada nos locais onde o abastecimento foi interrompido.</p>
<p>O apagão também atingiu parte das regiões extremo sul, norte e sertão da Bahia, segundo a Coelba (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia). O apagão durou poucos minutos no Estado.</p>
<p>Com <strong>Agência Folha</strong></p>
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		<title>Explicações para o apagão e o tucano ridículo</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 14:06:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Blog de Nassif

Por Henrique
Para Paraguai problema foi na CESP:
Descartan que sabotaje al sistema eléctrico nacional haya provocado el apagón
La Nacion, Py
La Administración Nacional de Electricidad (ANDE), descarta que el apagón generalizado producido anoche en nuestro país y el Brasil haya sido consecuencia de un sabotaje al sistema eléctrico. “Hasta el momento las informaciones recabadas desde [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><a title="Explicações para o apagão" rel="bookmark" href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/11/explicacoes-para-o-apagao/">Blog de Nassif<br />
</a></h2>
<h2>Por Henrique</h2>
<p><strong>Para Paraguai problema foi na CESP:</strong></p>
<h3>Descartan que sabotaje al sistema eléctrico nacional haya provocado el apagón</h3>
<p>La Nacion, Py</p>
<p>La Administración Nacional de Electricidad (ANDE), descarta que el apagón generalizado producido anoche en nuestro país y el Brasil haya sido consecuencia de un sabotaje al sistema eléctrico. “Hasta el momento las informaciones recabadas desde el Centro Nacional de Operaciones de la Ande y del sector de Operaciones de la Itaipú Binacional, a las 21:13 hs. de ayer se registró la desconexión total de las unidades generadoras de Itaipú de 50 y 60 Hz, en principio como consecuencia de una falla en una línea de 440.000 Voltios perteneciente a la empresa brasileña CESP, que atiende la región de la ciudad de Sao Paulo”, según la ANDE.</p>
<p>Esta desconexión provocó en primer lugar un colapso eléctrico en el Brasil en la región sur – sudeste y centro oeste con un corte de carga en el Brasil del orden de 17.000 MW.</p>
<p>La generación total perdida en Itaipú fue de 10.900 MW, posteriormente y como consecuencia de lo detallado se produce un apagón general en el Paraguay, afectando a todo el país, a raíz de la desconexión de las unidades generadoras de Itaipú y de las líneas de interconexión con la central Yacyretá ocurrido 2 minutos más tarde.</p>
<p>La carga total interrumpida en el Paraguay fue de 1.401 MW. La recomposición total del sistema eléctrico – pese a la gravedad del hecho – en el territorio paraguayo demoro solo entre 15 y 20 minutos.</p>
<p>Cabe resaltar que se descarta totalmente toda posibilidad de sabotaje en el sistema, visto que el origen del colapso eléctrico que afecto a ambos países tuvo su origen en una perturbación en el sistema eléctrico brasileño.</p>
<h2>Por Marco Aurélio</h2>
<p>Notícia mais recente segundo a Folha on-line</p>
<p>O secretário executivo do Ministro de Energia, Márcio Zimmermann, afirmou nesta quarta-feira que a origem do apagão aconteceu em três linhas de transmissão nos Estados do Paraná e de São Paulo. Entre as linhas, duas ligam o município de Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e a outra fica entre Itaberá (SP) a Tijuco Preto (SP).</p>
<p>Segundo o secretário, as três linhas foram desligadas por conta de “condições meteorológicas diversas”. Todo o sistema já voltou e o apagão durou cerca de quatro horas, segundo os cálculos do ministério.</p>
<h2>Por paulo frança</h2>
<p>A BBC Brasil está publicando uma entrevista com engenheiro de Itaipu pelo lado do Paraguai, na qual ele afirma que o problema começou realmente em São Paulo, num curto-circuito. Abaixo, o trecho inicial:</p>
<p>Marcia Carmo</p>
<p>De Buenos Aires para a BBC Brasil</p>
<p>O Rio de Janeiro também foi afetado pelo apagão</p>
<p>O chefe da divisão de operações do sistema elétrico do Paraguai, na Administradora Nacional de Eletricidade (Ande, equivalente à Eletrobrás), engenheiro Luis Alberto Villordo, disse à BBC Brasil que um “curto circuito” no estado de São Paulo teria desencadeado a falta de energia no Brasil e no país vizinho.</p>
<p>“Houve um curto circuito numa linha de transmissão que atende a região de São Paulo. Esta falha não foi contida e foi se alastrando, contaminando outras linhas de transmissão de energia até chegar à hidrelétrica de Itaipu”, disse Villordo, por telefone, falando de Assunção.</p>
<p>Segundo ele, um temporal teria provocado o curto circuito arrastando o problema até Itaipu, de onde parte a energia para vários Estados brasileiros e para o Paraguai.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/_Cnlp-CZMM8g/So6pWeR_EQI/AAAAAAAAAXY/H--l5IMQgYE/s400/AARTHUR+VIRGK%C3%8DLIO+iii.jpg" alt="http://1.bp.blogspot.com/_Cnlp-CZMM8g/So6pWeR_EQI/AAAAAAAAAXY/H--l5IMQgYE/s400/AARTHUR+VIRGK%C3%8DLIO+iii.jpg" /><br />
<strong> <span style="font-size: xx-large;">&#8221;Eles criticaram FHC, mas não resolveram&#8221;, diz líder do PSDB</span></strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Clarissa Oliveira &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Em Brasília, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), não tardou ontem para devolver as críticas que seu partido recebeu do PT na época da crise energética que atingiu o governo Fernando Henrique Cardoso (veja a memória dos grandes apagões e as declarações a respeito do ministro Edison Lobão, na página C3). &#8220;No passado, eles não aceitaram as explicações do governo de que havia uma causa climática para o problema. E a verdade é que, depois de todo esse tempo, eles não resolveram o que eles próprios diziam ser o problema&#8221;, afirmou ontem o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, que jantava com alguns amigos em um restaurante em Brasília quando foi avisado num telefonema sobre a falta de energia em pelo menos 12 Estados, além de parte do Distrito Federal e do Paraguai.</p>
<p>Ao afirmar que os blecautes são comuns em seu Estado, ele disse não aceitar as explicações iniciais do governo. &#8220;Se eu descer em Nova York no inverno vestindo uma camisa polo, vou ficar resfriado&#8221;, ironizou. Virgílio disse que não seria &#8220;leviano&#8221; de utilizar o termo &#8220;apagão&#8221;, como ficou conhecida a crise energética sob o governo tucano. Mas não economizou nas críticas ao governo petista. &#8220;O fato é que as mesmas pessoas que tanto nos criticaram agora estão sentadas em Brasília, protegidas pelo fato de não estarem sujeitas ao sistema de fornecimento de Itaipu&#8221;, continuou.</p>
<p><strong>RÉPLICA</strong></p>
<p>O líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), encarregou-se de devolver os ataques. Disse que não há comparação entre a crise que atingiu o governo FHC e o problema ocorrido na noite de ontem na rede. &#8220;Esta foi uma questão climática. O apagão deles foi um problema de falta de planejamento, um problema sistemático que prejudicou o Brasil por um ano&#8221;, reagiu o petista. &#8220;A oposição, mais uma vez, demonstra que não tem discurso&#8221;, completou Vaccarezza. Segundo o líder petista, o governo federal tomou imediatamente todas as providências para contornar a questão, assim que foi avisado sobre o problema na rede energética.</p>
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		<title>PT: reflexões de Gleisi Hoffman</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2008 13:40:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por onde o PT se renova

Rosângela Bittar &#8211; VALOR
Aguerrido, como se sabe, no presente, mesmo sem muitas opções à escolha, o PT, ao contrário de seus principais adversários, preocupa-se, sim, com o futuro, e tem permitido que novas lideranças, insinuadas nas duas últimas eleições majoritárias, desenvolvam suas chances. Exemplo puro desta situação é o da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por onde o PT se renova</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://ptcuritiba.org.br/files/2008/07/gleisi7.jpg" alt="http://ptcuritiba.org.br/files/2008/07/gleisi7.jpg" width="500" height="334" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Rosângela Bittar &#8211; VALOR</p>
<p>Aguerrido, como se sabe, no presente, mesmo sem muitas opções à escolha, o PT, ao contrário de seus principais adversários, preocupa-se, sim, com o futuro, e tem permitido que novas lideranças, insinuadas nas duas últimas eleições majoritárias, desenvolvam suas chances. Exemplo puro desta situação é o da paranaense Gleisi Hoffman, 43 anos, dois filhos, duas campanhas eleitorais &#8211; candidata a senadora, teve 2,3 milhões de votos (começou com 2%) quando o vencedor ganhou com 2,5 milhões, e candidata a prefeita de Curitiba, recebeu 18% porcento dos votos &#8211; é atualmente presidente do PT do Paraná.</p>
<p>Vestida com elegância clássica, bastante articulada e pensamento organizado para o perfil do meio em que vem galgando degraus, Gleisi, depois de transitar dois dias em Brasília para contatos no governo e no partido, exibiu, docemente mas firme, uma avaliação resumida e realista sobre a política, tal como praticada no seu Estado e no seu partido, mostrando como vê o futuro e as tarefas mais urgentes.</p>
<p>&#8220;Não estou pensando em mim ou em 2012, o foco é 2010, para construirmos um bom palanque para a Dilma no Paraná&#8221;, afirma, referindo-se ao objetivo imediato, a candidatura da ministra chefe da Casa Civil a presidente da República, com apoio do presidente Lula. Neste palanque a que se refere há, para governador do Estado, dois nomes também em processo de construção. Um, Jorge Samek, presidente de Itaipu Binacional, e o outro o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, seu marido. Não está definido qual deles será o candidato do PT nem as alianças que serão firmadas com outros partidos para as demais candidaturas, mas é o trabalho a partir de agora</p>
<p>&#8220;Vamos fortalecer o projeto local com a consciência de que precisamos dar muita atenção ao projeto nacional&#8221;, assinala, indicando qual é a sua expectativa política, no momento: &#8220;Ter feito o Presidente da República, ter mudado tanto o país, e não conseguir manter isto&#8221;&#8230;Não pode, subentende-se de suas reticências.</p>
<p>Há algo com que Gleisi convivia mal, uma estranheza imposta a uma técnica formada na política pela prática eleitoral, mas que agora, como presidente do partido, terá que enfrentar, além de procurar formas de mudar as regras não escritas de que não gosta: a articulação política, interna, no PT, e com partidos aliados. &#8220;Estas articulações são conversações sem nenhum resultado concreto, articulações abstratas, e a vida está correndo&#8221;, traduz. Se há algo que a mobiliza é o desejo de levar a vida real para a política, interferir de forma direta no seu conteúdo. Destaca, por exemplo, que recentemente o Paraná registrou o assassinato brutal de cinco meninas, e o assunto ficou confinado à segurança. &#8220;Temos que trazer isso para a política, não adianta ficar só na polícia&#8221;.</p>
<p>Outro exemplo de quem reconhece ser a articulação política seu papel, mas pretende reinventá-la, é a questão agrícola. &#8220;O Paraná é um estado agrícola, o futuro da economia e da solução da crise está no agronegócio. Enfrentamos problemas sérios, como a crise do álcool, temos grandes produtores no Paraná, precisamos dar respostas&#8221;.</p>
<p>Gleisi se volta também para seu partido, o PT, que, segundo identifica, sofre um vácuo no planejamento do futuro. &#8220;Éramos um partido de esquerda, ganhamos as eleições em um país continental, passamos a administrar com uma coalizão de forças que não tinham a mesma visão dos problemas, isto gerou uma crise no partido. Quando nos preparávamos para viver este debate, veio outra crise, a do mensalão, e gastamos nossa energia nisto em vez de discutir os grandes temas. Chegou a reeleição do presidente, e nós não paramos para pensar&#8221;.</p>
<p>Afastando o conformismo com o que está posto, Gleisi dá indicações de que vai mudar, a começar do discurso. Política substantiva, não usa adjetivos para o governo, para a oposição, nem mesmo para os adversários locais. A análise é objetiva: &#8220;Beto (Richa) fez mais que (Cássio) Tanigushi, capitalizou bem os investimentos federais e nós não conseguimos capitalizar para o PT&#8221;. Ou: &#8220;As pessoas estavam indiferentes, não estavam querendo discutir política e não conseguimos politizar a campanha&#8221;. Richa, do PSDB, foi reeleito com quase 80% dos votos no primeiro turno, e Gleisi diz que, quem via a campanha de perto, imaginava que a disputa estava equilibrada. As pessoas me cercavam e diziam: &#8216;Estou em dúvida, gosto muito de você, mas gosto muito do Beto, por que te colocaram nisso logo agora?&#8217; Na campanha para o Senado, Gleisi viajou todo o Estado, saiu mais conhecida mas com idéias mais diluídas. Na campanha municipal acredita ter sido possível expor melhor as idéias e explicar quem é, de onde veio e para onde quer ir.</p>
<p>Militante do PT desde 1989, Gleisi, formada em Direito, Administração Financeira e Gestão Pública, fez sua carreira, em alguns momentos, de forma paralela à de Paulo Bernardo. Foi Secretária de Reforma do Estado no Mato Grosso do Sul quando ele assumiu lá a Secretaria da Fazenda. Em outra fase, transferiram-se para Londrina, onde Paulo Bernardo foi Secretário de Fazenda e, ao deixar o governo para ser candidato a deputado, Gleisi se viu compatibilizada a assumir a Secretaria de Administração e Gestão. No Congresso, em Brasília, onde viveram outro período, trabalhou com Orçamento, área em que permaneceu quando integrou a equipe de transição para o governo Lula. Foi, no primeiro mandato do presidente, Diretora Financeira de Itaipu, de onde saiu para as recentes candidaturas.</p>
<p>Hoje, é presidente do PT no Paraná, e tem muitos planos. &#8220;Estamos fazendo uma intervenção política conjuntural. Isto nunca foi do PT&#8221;. Seu desafio é levar o partido à reflexão sobre seu papel meio a campanhas, eleições e sucessão. &#8220;Esta análise é que aproximará o partido da sociedade&#8221;. O que acha mais que necessário, principalmente em se tratando de um estado conservador, berço do MST onde, até por isto, o PT ainda inspira alta rejeição e onde, em 2006, o popularíssimo Lula foi derrotado no primeiro turno e só conseguiu empatar com seu adversário no segundo.</p>
<p><strong>Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras</strong></p>
<p><strong>E-mail rosangela.bittar@valor.com.br</strong></p>
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		<title>Lugo promete um Paraguai sem corrupção</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Aug 2008 16:08:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
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		<description><![CDATA[ Ex-bispo toma posse encerrando 61 anos de hegemonia do Partido Colorado, e diz que tentará negociar acordo de Itaipu

Janaína Figueiredo &#8211; O Globo
Enviada especial
ASSUNÇÃO. Duas semanas depois de ter obtido uma dispensa do Papa Bento XVI, o ex-bispo Fernando Lugo assumiu ontem a Presidência do Paraguai, numa cerimônia histórica para o país, após 61 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> Ex-bispo toma posse encerrando 61 anos de hegemonia do Partido Colorado, e diz que tentará negociar acordo de Itaipu</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.somosparaguay.com.py/imgnoticias/18006_2342008_lugo%20presidente.jpg" alt="http://www.somosparaguay.com.py/imgnoticias/18006_2342008_lugo%20presidente.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Janaína Figueiredo &#8211; O Globo</strong></p>
<p>Enviada especial</p>
<p>ASSUNÇÃO. Duas semanas depois de ter obtido uma dispensa do Papa Bento XVI, o ex-bispo Fernando Lugo assumiu ontem a Presidência do Paraguai, numa cerimônia histórica para o país, após 61 anos de hegemonia do Partido Colorado. Num palco montado em frente ao Congresso Nacional, e diante de uma multidão que invadiu uma das principais praças de Assunção, Lugo, que venceu a eleição de abril, prometeu acabar com a corrupção e com a desigualdade social, defendeu os direitos das comunidades indígenas e aproveitou a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, da Argentina, para reiterar suas demandas em relação a Itaipu e Yaciretá.<br />
O novo presidente paraguaio pediu “um maior impacto socioeconômico dos empreendimentos energéticos compartilhados com os povos irmãos do Brasil e da Argentina”.</p>
<p>— Iremos a nossos pares com o desejo de que estas causas nacionais se transformem em causas binacionais — enfatizou Lugo, que ontem não teve a oportunidade de conversar sobre o assunto com Lula. A negociação, disseram fontes paraguaias, começará numa futura visita do presidente paraguaio a Brasília.<br />
Num gesto simbólico, que buscou reforçar o perfil austero que pretende impor em sua administração, Lugo confirmou sua decisão de renunciar ao salário, estimado em US$ 4 mil. O presidente assegurou: “Não preciso de dinheiro, não entrei na política para enriquecer.” — Hoje (ontem) se inicia a história de um Paraguai cujas autoridades e habitantes serão implacáveis com os ladrões de seus povos — declarou o presidente, que assumiu o poder vestindo uma camisa estilo clerical branca e sandálias.<br />
A escolha foi bastante oportuna, já que ontem a capital paraguaia viveu um dia de calor sufocante, que provocou bastante mal-estar entre os chefes de Estado.<br />
Durante a missa realizada na catedral metropolitana, as presidentes Cristina Kirchner e Michelle Bachelet, do Chile, mal conseguiam respirar e apelaram para leques e lencinhos para suportar a elevada umidade paraguaia.<br />
Numa posse sem pompa e um pouco atrapalhada (o microfone falhou no momento em que Lugo devia prestar juramento), o novo presidente disse renunciar “a viver num país no qual alguns não dormem porque têm medo e outros não dormem porque têm fome”. Membro de uma família perseguida pela ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989), Lugo questionou os caudilhismos e pregou um governo de consenso. O combate à corrupção será um dos eixos de sua gestão.</p>
<p>— Não existem instituições corruptas e sim funcionários que se corrompem — frisou, citando de forma oblíqua a indústria de produtos falsificados no país. — Gostaríamos que Rafael Barret com sua “dor paraguaia” e Augusto Roa Bastos com sua “ilha rodeada de terra” descansem com a certeza de uma herança recuperada. Queremos que saibam Barret e Roa Bastos que Juan, Maria, Felipe, Roberto um dia decidiram virar as páginas de um Paraguai irreal e farsante e despertar um Paraguai real e histórico.<br />
<strong><br />
Clima de alegria nas ruas da capital paraguaia</strong></p>
<p>Nas ruas do centro de Assunção, o clima era de alegria. Famílias passaram horas observando os eventos organizados pelo governo e esperando a passagem do novo presidente, que, ao contrário de seus antecessores, optou por um jipe para ser levado do Palácio de López (sede do governo) até a catedral.<br />
— Esta é uma posse histórica, só o fato de não ter ocorrido uma tragédia, um assassinato, já é inédito. Houve uma mudança de governo e de partido, sem violência — disse o vice-presidente Federico Franco.</p>
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