08/11/2008 - 15:23h O racismo ordinário do buffone

Sem pedido de desculpas a Obama


Berlusconi chama de imbecil quem criticou frase sobre o presidente eleito

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Rogério Daflon - O Globo

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, preferiu manter a polêmica acesa a fazer qualquer autocrítica em relação à sua frase após a vitória de Barack Obama nas urnas. O empresário e político — que declarara que o presidente eleito americano é “jovem, bonito e bronzeado” — se irritou anteontem diante das críticas ao fim da cúpula informal de chefes de Estado e governo da União Européia (UE), em Bruxelas.

— Todos (que o criticaram) deveriam estar numa lista de imbecis — disse ele, que, em seguida, foi indagado por um jornalista se pediria desculpa a Obama. — Você (que fez a pergunta) também deveria estar na lista de imbecis.

Em Roma, manifestantes protestaram contra a frase do premier. Em Chicago, o coordenador da campanha, David Axelrod, decidiu não se pronunciar sobre o assunto, e à noite, o governo italiano anunciou que Berlusconi teve “uma longa e cordial conversa telefônica” com Obama.

Jornalista austríaco faz declaração racista. Ao menos o político italiano pôde dizer que estava brincando.

Já o jornalista austríaco Klaus Emmerich, de 80 anos, nem isso. Ele falou a sério ao criticar a chegada de Obama à Casa Branca. Em transmissão ao vivo de TV sobre a vitória do democrata, Emmerich afirmou que não gostaria de ver o mundo ocidental “liderado por um homem negro”. Emmerich — excorrespondente da TV estatal ORF nos EUA —disse que os americanos ainda são racistas e que devem “estar muito mal se mandam um negro e uma mulher negra muito atraente para a Casa Branca”. Sem baixar o tom, o jornalista emendou, por fim, dizendo-se “curioso para ver como reagirá a América branca.

Seria como se o próximo chanceler (austríaco) fosse um turco; ninguém na Áustria gostaria”.

A estatal ORF condenou as declarações do jornalista. Para Francisco Carlos Teixeira, professor de história da UFRJ, manifestações racistas contra Obama não vão parar por aí: — No caso austríaco, é algo que não surpreende. Naquele país, o Partido da Liberdade é neonazista, e metade da Áustria vota nesse pessoal.

Teixeira disse que também não a vê a frase de Berlusconi como algo inesperado: — A frase mostra uma não aceitação à cor de Obama. Há que se lembrar que Berlusconi está à frente de uma coalizão de direita, com o Partido da Frente Nacional, herdeiro do Partido Nacional Fascista Italiano.

O professor prevê também manifestações racistas em algumas regiões dos EUA.

— Na análise do mapa eleitoral, vê-se forte rejeição a Obama onde houve grande imigração da região da Europa Central. São pequenos fazendeiros e produtores que vivem entre os Grandes Lagos e Golfo do México. E se vê a mesma coisa em alguns estados do Sul ainda com forte sentimento racista — observou Teixeira, ressaltando que Obama fez a a campanha como presidente de todos os americanos.

— Embora a estratégia tenha sido bem-sucedida, ele vai sofrer mais manifestações. Porque o racismo não é um problema social, mas cultural.

28/10/2008 - 09:30h Crise será revertida logo, diz especialista da OCDE

Mas reflexo nos bancos será maior, diz Schmidt-Hebbel

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Andrei Netto - O Estado SP

A manutenção da crise dos mercados financeiros na Ásia, com conseqüências nas bolsas de valores da Europa e das Américas, não afeta a confiança do economista-chefe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Klaus Schmidt-Hebbel. Em entrevista publicada pela revista OECD Observer, ontem, o expert previu que o derretimento dos mercados será revertido em curto prazo. Mas a crise financeira, entende, terá reflexos duradouros nos lucros e na capitalização dos bancos, assim como na confiança do sistema.

A equipe de Schmidt-Hebbel prepara o novo relatório da organização sobre a situação econômica de seus 30 países-membros e de outros 10 não-membros - Brasil incluso -, que será publicado em 25 de novembro.

Em declaração à revista, o economista adiantou alguns pontos: “Nosso cenário de base parte da premissa de que a crise nas negociações de curto termo nos mercados financeiros será resolvida em curto prazo, mas o lucro e a recapitalização dos bancos, como a reconstrução da confiança nos mercados, demorará mais tempo”.

Schmidt-Hebbel acredita que “muitas economias da OCDE” entrarão em recessão “cedo ou tarde” em razão da “crise sistêmica”. “A questão é por quanto tempo”, disse, referindo-se ao tempo de recessão. “A retomada será mais lenta do que em desacelerações anteriores.” Segundo o especialista, o momento é propício para cortes em taxas de juros pelos bancos centrais e para estímulos fiscais temporários, que teriam como efeito reaquecer o consumo e a produção.

O economista-chefe da OCDE alerta que um dos riscos da crise atual é o custo orçamentário que as intervenções nos mercados causarão aos balanços dos governos. O ponto positivo é o controle indireto dos preços das commodities, como petróleo e alimentos, já em curso. O especialista considera, porém, que as medidas anunciadas pelos governos nos Estados Unidos, na Europa e, recentemente, na Ásia restauraram a confiança e reconstruíram instituições financeiras arruinadas. “Foram medidas sem precedentes de escala”, definiu, elogiando a coordenação internacional das decisões. “Agora veremos o quanto rápidas e efetivas serão essas ações.”

De acordo com um relatório da OCDE, a importação de produtos pelos países-membros do G-7 - Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Japão - caiu 1,4% no segundo trimestre de 2008, em relação ao primeiro. No mesmo período, as exportações cresceram 4,9%.

Na Alemanha, a balança comercial nos últimos 12 meses - encerrados em junho - variou positivamente: as exportações cresceram 7,1%, enquanto as importações, apenas 2,1%. Nos Estados Unidos, a tendência foi equivalente: crescimento de 3,9% no volume exportado e de 1,9% no importado. No Japão, exportações e importações caíram.

25/10/2008 - 16:15h La rue et la gauche se mobilisent contre Silvio Berlusconi

LE MONDE

Manifestation d'étudiants de l'université de La Sapienza à Rome, le 23 octobre 2008.
AFP/ANDREAS SOLARO Manifestation d’étudiants de l’université de La Sapienza à Rome, le 23 octobre 2008.

ROME CORRESPONDANT

Jusqu’à présent, il a fait ce qu’il voulait ou presque. Depuis son élection à la présidence du conseil italien, Silvio Berlusconi a imposé le rythme et les thèmes de la vie politique italienne sans avoir à craindre que quiconque ne le fasse choir du piédestal où il trône, fort d’une cote de popularité à 60 %. La rue ? Muette au point que le cinéaste Nanni Moretti a parlé de “disparition de l’opinion publique”. La crise ? Traversée sans dommages pour son image, donnant des conseils boursiers aux petits actionnaires (”Ne vendez pas”) et des assurances aux banques (”L’Etat garantira l’épargne”). La gauche ? Trop faible, trop divisée pour compter.

Aujourd’hui, la rue se réveille. Depuis plusieurs jours, des dizaines de milliers de professeurs, d’étudiants, de lycéens battent quotidiennement les pavés des grandes villes contre la réforme conduite par la ministre de l’instruction, Mariastella Gelmini. Elle prévoit des coupes budgétaires de plusieurs milliards d’euros et la suppression d’environ 140 000 postes dans les prochaines années. Les manifestations ont pris un tour plus violent, illustré par des heurts avec la police, notamment à Milan.

Le “Cavaliere” a menacé de faire intervenir la police pour évacuer les contestataires qui bloquent les lycées et universités. Mais ces déclarations martiales n’ont pas convaincu les étudiants de renoncer à leur action. Au contraire : “Non seulement la mobilisation continue, mais elle augmente. C’est désormais la société dans son ensemble qui se rend compte que le gouvernement met en danger le développement économique du pays”, affirme un communiqué de l’Union des étudiants italiens (UDU). Deux grèves sont annoncées : le 30 octobre dans les écoles et les lycées ; le 14 novembre dans les universités. Jeudi 23 octobre, M. Berlusconi a démenti tout projet de recours à la force, et Mme Gelmini s’est dite prête à recevoir les syndicats et les parents d’élèves. Une première tentative de dialogue ?

A cours d’argument et craignant que cette contestation ne finisse par agir comme un acide sur ses bons sondages, M. Berlusconi s’en est pris à ses cibles habituelles : médias et centre-gauche. Aux premiers, il reproche de “diffuser l’angoisse” et des fausses nouvelles ; au second, de chercher dans la rue une revanche à son échec dans les urnes lors des élections générales d’avril.

C’est une première. Après avoir moqué son principal adversaire, le président du conseil semble lui reconnaître un rôle d’opposant qu’il refusait jusqu’alors de lui accorder. Rendu inaudible et humilié par sa défaite au scrutin d’avril, le centre paraît retrouver une visibilité et une crédibilité que les sondages ne traduisent pas encore. Walter Veltroni, secrétaire général du Parti démocrate, après nombre tâtonnements, semble avoir trouvé la voie d’une opposition résolue qui n’hypothèque pas la possibilité d’un dialogue. Ayant retrouvé son rang de premier opposant au président du conseil, M. Veltroni doit en apporter la preuve chiffrée, en rassemblant un million de personnes - objectif ambitieux qu’il s’est lui même fixé -, samedi 25 octobre, à Rome, contre la politique de M. Berlusconi. Un chiffre que les capacités de mobilisation de l’appareil et un comptage généreux devraient lui permettre d’atteindre.

UNE PREMIÈRE

Pour en arriver là, M. Veltroni a dû faire violence à sa réputation d’homme indécis. Après avoir supporté sans trop broncher les critiques de son principal allié, Antonio Di Pietro, leader du parti de l’Italie des valeurs (IDV), qui lui contestait le leadership de l’opposition au nom d’une vision plus intransigeante de l’antiberlusconisme, l’ancien maire de Rome a rompu son alliance. Une manière de clarifier la ligne du parti et de l’ancrer résolument au centre gauche. “Collaborateur”, lui a lancé M. Di Pietro.

Le succès de ce rassemblement ne signifie pas forcément la fin des contestations pour M. Veltroni. Décrit dans les médias proches du pouvoir comme un homme hésitant et peu charismatique, le secrétaire général du PD doit compter sur une opposition interne active. Certains dans le parti, dont l’autre poids lourd Massimo D’Alema, n’hésitent pas à parier sur une cuisante défaite du PD aux élections européennes, entraînant du même coup le départ de son actuel secrétaire général.

M. Berlusconi, qui connaît les ressorts humains et les arcanes de la politique italienne, le sait mieux que quiconque. La coalition des contestations - une première depuis son élection - peut encore se rompre sous la pression des divisions internes de ses opposants.
Philippe Ridet

25/10/2008 - 16:08h Centenas de miles de italianos manifestam contra Berlusconi

Fonte Le Monde


Os organizadores da manifestação dizem que reuniram mais de 2 milhões de pessoas na rua contra Berlusconi e sua política de xenofobia

24/10/2008 - 12:07h Berlusconi quer isolar alunos estrangeiros

http://www.lauracima.it/wp-content/uploads/2008/10/preparazione%20al%20corteo%20no%20Gelmini.jpgEstudantes tomam ruas de Roma em protesto contra plano do governo


Flavia Guerra, ROMA - O Estado de São Pauloberlusconi_tapa.jpg

As ruas da capital italiana foram tomadas ontem por mais de 20 mil estudantes inconformados com a reforma educacional proposta pelo presidente Silvio Berlusconi para “mudar a história da educação no país”. Uma das medidas mais polêmicas do plano é a separação dos estudantes italianos e estrangeiros nas escolas. A reforma também prevê a demissão de 80 mil professores e a diminuição da carga horária.

“É praticamente um apartheid”, afirmou Simone, de 14 anos, filha de brasileira. “O governo diz que os estrangeiros não entendem italiano, mas como vão aprender se estiverem separados?” Para grêmios estudantis, a reforma representa um retrocesso sem precedentes na educação do país.

O Decreto de Lei Gelmini, de autoria da ministra da Educação, Maristella Gelmini, foi promulgado em setembro e aguarda a aprovação no Senado para passar a valer.

Após uma semana de manifestações estudantis em todo país, Berlusconi e a ministra convocaram uma entrevista coletiva para “responder a todas as mentiras da esquerda”. Segundo Gelmini, as medidas servem para cortar gastos exorbitantes do setor. O presidente também decretou a ocupação das escolas pela polícia.

Outros pontos polêmicos da reforma são o aumento do número de alunos por sala - para 33 - e a adoção de um professor único em todos os níveis do ensino básico. “Um mesmo professor não vai saber ensinar matemática, artes, italiano, física e química”, afirmou um aluno do Liceu Clássico de Roma.

05/08/2008 - 10:07h Tartuffo: Berlusconi esconde seio em pintura de Tiepolo

Il tempo scopre la verità e fuga la menzogna

http://www.rositour.it/Italia/Veneto/Vicenza/Museo%20Civico_G.B.%20Tiepolo-Il%20tempo%20scopre%20la%20verit%C3%A0%20e%20fuga%20la%20menzogna.jpg
Giambattista Tiepolo

http://www.lastampa.it/redazione/cmssezioni/politica/200808images/tiepolo01g.jpg

Porta-voz diz que decisão de mudar imagem evidente em entrevistas de líder italiano veio de assessores; ex-vice-ministro critica a medida

Quadro é reprodução de obra de pintor veneziano; canais do premiê exploram sexualidade, e sua vida amorosa é alvo de dúvidas

DA REDAÇÃO - FOLHA DE SÃO PAULO

Assessores do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, mandaram cobrir o seio de uma personagem retratada numa tela do século 18, sob o pretexto de que a imagem poderia “incomodar” telespectadores ou leitores de jornais.

O episódio, qualificado de “uma loucura” por Vittorio Sgarbi, vice-ministro da Cultura em um gabinete anterior do premiê, foi o grande assunto na Itália no fim de semana.

O quadro é uma cópia de “O Tempo que Desvenda a Verdade”, pintado provavelmente em 1743 pelo veneziano Giovanni Battista Tiepolo (1696-1770).

Foi o próprio Berlusconi quem o escolheu para decorar o salão em que recebe a mídia no palácio Chigi, em Roma, luxuosa sede do governo italiano.

O jornal “La Stampa” notou que, durante as entrevistas coletivas, o seio nu e arredondado da personagem alegórica “pairava sobre a calva do premiê como se fosse uma auréola”.

Apesar de o patrimônio histórico do país reunir milhares de telas e esculturas em que a nudez é retratada sem nenhum preconceito e com a maior naturalidade artística, o porta-voz de Berlusconi, Paolo Bonaiuti, disse ao “Corriere della Sera” que a decisão partiu “de assessores responsáveis pela imagem do primeiro-ministro”.

Sem moralismos

O chocante, na história, é que o direitista Berlusconi não tem seu comportamento associado ao conservadorismo com relação à sexualidade. As emissoras comerciais de TV de que é proprietário têm programas de variedade em que bailarinas se apresentam quase nuas da cintura para cima. O premiê, lembra o jornal britânico “Guardian”, também não tem travas na língua ao conversar em reservado sobre suas aventuras amorosas de juventude.

O mesmo jornal diz que, no mês passado, Berlusconi, de 71 anos, cancelou uma entrevista coletiva em que seria inevitavelmente indagado sobre suas relações com a ministra da Igualdade, Mara Carfagna, 34. Ela é uma lindíssima morena, foi dançarina e apresentadora numa das TVs do atual primeiro-ministro. O marido de uma outra apresentadora de TV o está processando, sob o argumento de ter sido demitido da emissora depois que Berlusconi assediou sua mulher, versão que os advogados do premiê julgaram fantasiosa.

Mesmo que tudo não passe de pura maldade -que não é politicamente explorada pela oposição de esquerda-, o fato é que pintar uma redinha sobre os seios fartos e arredondados da personagem de Tiepolo foi qualificado de censura.

“La Stampa” comparou os assessores do premiê a Daniele Da Volterra, pintor medíocre que cobriu o sexo dos personagens de “O Julgamento Final”, parte das cenas bíblicas retratadas por Michelangelo na capela Sistina, no Vaticano. Volterra, lembra o jornal italiano, tinha por apelido “Braghettone”, o que significa “cuecão”.

Com agências internacionais

04/07/2008 - 12:52h Príncipe de Mônaco aprova extradição de Salvatore Cacciola para o Brasil

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MARTA SALOMON - Folha de S.Paulo, em Brasília

O governo brasileiro vai anunciar ainda hoje a extradição do ex-banqueiro Alberto Salvatore Cacciola, condenado no Brasil a 13 anos de prisão pela prática de crimes.

O último recurso de Cacciola foi recusado na semana passada pela Corte de Apelação de Mônaco. O endosso do Executivo daquele país, entrave que restava pra efetivar a extradição, já foi dado, anunciará hoje o Ministério da Justiça.

Cacciola foi preso pela Interpol em Mônaco, em setembro do ano passado, enquanto passava um final de semana de lazer, longe da Itália, país pelo qual tem a nacionalidade e de onde não poderia ser extraditado para o Brasil por conta de acordos diplomáticos.

Em 1999, quando o Banco Central promoveu uma maxi-desvalorização do Real, os bancos Marka e FonteCindam receberam socorro de R$ 1,5 bilhão.

O argumento para o repasse foi o de que, sem respaldo do caixa público, poderia haver crise de confiança no sistema financeiro nacional, com a iminente quebra de instituições.

Folha Online

Entenda o caso envolvendo o ex-banqueiro Salvatore Cacciola

Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, foi protagonista de um dos maiores escândalos do país. O caso atingiu diretamente o então presidente do BC (Banco Central), Francisco Lopes.

Em janeiro de 1999, o BC elevou o teto da cotação do dólar de R$ 1,22 a R$ 1,32. Essa era a saída para evitar estragos piores à economia brasileira, fragilizada pela crise financeira da Rússia, que se espalhou pelo mundo a partir do final de 1998.

Naquele momento, o banco de Cacciola tinha 20 vezes seu patrimônio líquido aplicado em contratos de venda no mercado futuro de dólar. Com o revés, Cacciola não teve como honrar os compromissos e pediu ajuda ao BC.

Sob a alegação de evitar uma quebradeira no mercado –que acabou ocorrendo–, o BC vendeu dólar mais barato ao Marka e ao FonteCindam, ajuda que causou um prejuízo bilionário aos cofres públicos.

Dois meses depois, cinco testemunhas vazaram o caso alegando que Cacciola comprava informações privilegiadas do próprio BC. Sem explicações, Lopes pediu demissão em fevereiro.

A chefe interina do Departamento de Fiscalização do BC era Tereza Grossi, que mediou as negociações e pediu à Bolsa de Mercadorias & Futuros uma carta para justificar o socorro. O caso foi alvo de uma CPI, que concluiu que houve prejuízo de cerca de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos.

A CPI acusou a alta cúpula do Banco Central de tráfico de influência, gestão temerária e vários outros crimes. Durante depoimento na comissão, Lopes se recusou a assinar termo de compromisso de falar só a verdade e recebeu ordem de prisão.

Em 2000, o Ministério Público pediu a prisão preventiva de Cacciola com receio de que o ex-banqueiro deixasse o país. Ele ficou na cadeia 37 dias, mas fugiu no mesmo ano, após receber liminar do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello –revogada em seguida. Pouco tempo depois de se descobrir o paradeiro do ex-banqueiro, o governo brasileiro teve o pedido negado pela Itália, que alegou o fato de ele ter a cidadania italiana.

No livro “Eu, Alberto Cacciola, Confesso: o Escândalo do Banco Marka” (Record, 2001), o ex-banqueiro declarou ter ido, com passaporte brasileiro, do Brasil ao Paraguai de carro, pego um avião para a Argentina e, de lá, para a Itália.

Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão pelos crimes de peculato (utilizar-se do cargo exercido para apropriação ilegal de dinheiro) e gestão fraudulenta.

O então presidente do BC, Francisco Lopes, recebeu pena de dez anos em regime fechado e a diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, pegou seis anos. Os dois entraram com recurso e respondem o processo em liberdade.

Também foram condenados na mesma sentença outros dirigentes do BC: Cláudio Mauch, Demosthenes Madureira de Pinho Neto, Luiz Augusto Bragança (cinco anos em regime semi-aberto), Luiz Antonio Gonçalves (dez anos) e Roberto José Steinfeld (dez anos).

10/06/2008 - 15:30h A direita em ação: Berlusconi quer proibir a justiça de autorizar escutas telefônicas contra corrupção

Italia prohíbe a jueces y fiscales las escuchas en casos de corrupción

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MIGUEL MORA - Roma - El País

Berlusconi limitará los ‘pinchazos’ a la mafia y el terrorismo

Cinco años de cárcel para el magistrado que ordene un pinchazo telefónico. Cinco años para quien lo realice y para quien lo filtre, y cinco años para los periodistas que lo publiquen. Ése es el núcleo duro del proyecto de Ley que el Gobierno italiano quiere aprobar el viernes. El primer ministro, Silvio Berlusconi, trata de esta manera de prohibir a jueces y fiscales el recurso de intervenir los teléfonos de sospechosos salvo en los casos de delitos más graves: terrorismo, mafia y violencia sexual. La medida excluiría los pinchazos como método de recogida de pruebas en los procesos que afectan a crímenes de cuello blanco: corrupción, prevaricación, sobornos, extorsión, estafas o delitos empresariales.

Las asociaciones de jueces, editores y la oposición advierten de que si se lleva adelante la reforma, Berlusconi dará el golpe de gracia a la Justicia. El presidente de la Asociación Nacional de Magistrados, Luca Palamara, ha mostrado su perplejidad por el plan y ha señalado que, “si el Gobierno selecciona mucho los delitos susceptibles de ser investigados con escuchas, se empobrecerá el Estado de derecho y se restringirán las posibilidades de investigar”. Palamara sugiere que delitos comunes como la extorsión y la corrupción quedarían de hecho “despenalizados”.

Para el líder de la oposición, Walter Veltroni, las escuchas son “un instrumento fundamental de lucha contra toda forma de actividad ilegal”, aunque se ha mostrado de acuerdo en regular a fondo su publicación en los medios de comunicación.

La Liga del Norte, socio de Berlusconi, ha puesto también reservas a la idea, porque considera que puede dañar la imagen de firmeza del Ejecutivo. Pero el Gobierno ha empezado a preparar a la opinión pública para la reforma con dos argumentos: económico y el respeto a la intimidad.

El ministro de Justicia Angelino Alfano recordó ayer que en 2007 hubo 125.000 personas espiadas en Italia, y que “prácticamente todo el país habría sido interceptado alguna vez”. Además, declaró que las grabaciones suponen la mitad del total de los gastos judiciales. “Es necesario reducir ese exceso defendiendo la privacidad de los ciudadanos pero sin debilitar a las fuerzas de seguridad”, concluyó Alfano, quien recordó que en EE UU se hacen 1.700 pinchazos anuales y en Suiza 1.300.

Berlusconi siempre ha declarado su antipatía por el Grande Fratello judicial en un país que ha vivido casos tan llamativos como el Manos Limpias que dirigió Antonio di Pietro a principio de los 90. Il Cavaliere “tiene pesadillas con los pinchazos, y todos los días pregunta al ministro Alfano si la ley está lista”, ha contado La Repúbblica, recordando que, en los últimos años, el propio jefe del Gobierno, decenas de sus amigos y miembros de Forza Italia, diputados, senadores, alcaldes y empresarios de todas las tendencias han sufrido pinchazos y han sido, después, procesados.

Aunque la promulgación de diferentes leyes ha ido dilatando hasta el infinito los procesos y una parte importante acaba prescribiendo, Il Cavaliere ha declarado la guerra a un sistema “que no deja vivir en paz a los ciudadanos”. En la campaña prometió acabar con las escuchas.

Algunos medios críticos han apuntado que el proyecto de ley le favorece antes que a nadie a él mismo, ya que está siendo investigado por corrupción en el llamado caso Saccá, conocido a finales de 2007 gracias a la filtración de los pinchazos de decenas de diálogos mantenidos entre Berlusconi y el director de RAI Ficción, Agostino Saccà. Estos revelaron las presiones del entonces líder de la oposición a Saccà para que éste contratase a algunas actrices de su preferencia.

Algunos juristas han advertido de que la reforma impedirá a los jueces, por el principio del tempus regit actum, utilizar las pruebas obtenidas en pinchazos ordenados antes de la entrada en vigor de la ley. Uno de ellos sería, precisamente, el del caso Saccà.

08/06/2008 - 16:29h Milhares de ciganos protestam em Roma contra xenofobia

da France Presse, em Roma

Cerca de 3.000 ciganos protestaram neste domingo em Roma contra a xenofobia, após sérios distúrbios envolvendo essa etnia na Itália, que culminaram em incêndios de vários acampamentos.

Essa é a primeira vez que eles se manifestam na Itália, onde calcula-se que vivam 150.000 ciganos, muitos de origem romena ou da ex-Iugoslávia mas em sua maioria italianos.

Alessandro Bianchi/Reuters
Ciganos protestaram em Roma contra xenofobia
ao som de música tradicional

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Os manifestantes marcharam ao som da música tradicional e levando placas onde se podia ler “Não a xenofobia”, “os ciganos nunca foram a guerra” e “não a informação racista”.

Vários acampamentos de ciganos foram incendiados por populares em maio próximo de Nápoles, no sul.

O episódio que desencadeou os ataques foi a suposta tentativa de seqüestro de um bebê por uma jovem cigana.

Apesar da investigação sobre esse caso não ter encerrado, o jornal “Il Giornale”, do chefe de governo Silvio Berlusconi, teve como manchete de capa, no dia 19 de maio, “Como os ciganos vendem as crianças”.

A justiça da Itália não tem nenhum caso comprovado de seqüestro de crianças por ciganos.

O governo inclusive já nomeou um responsável que irá coordenar a questão cigana em Roma, Milão e outras grandes cidades, com o objetivo de acabar com os acampamentos ilegais.

O novo prefeito de Roma, o ex-neofacista Gianni Alemanno, ordenou que a polícia da capital esvaziasse na sexta-feira um acampamento instalado no bairro popular de Testaccio, próximo do centro. Seus 122 habitantes, todos italianos, foram levados para um bairro da periferia.

07/06/2008 - 15:57h Cineasta italiano Dino Risi morre aos 91 anos

L'image “http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/07/07_MVB_cult_dinorisis.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs. ROMA - O diretor de cinema italiano Dino Risi, que retratou a vida agridoce da Itália no pós-guerra, morreu no sábado, aos 91 anos, informaram familiares.

Risi foi conhecido como um dos mestres de comédia italiana. Esteve doente por algum tempo e faleceu em sua casa, em Roma, onde viveu durante vários anos.

Entre seus filmes mais famosos estão “Poveri ma Belli” e “Il Sorpasso”. Em 1974, seu longa “Profumo di Donna” (a primeira versão de “Perfume de Mulher”) obteve duas indicações ao Oscar.

Risi nasceu em Milão, em 1912, e trabalhou com diretores como Mario Soldati, Alberto Lattuada e Mario Monicelli antes de realizar seus próprios longas-metragens.

Ele foi um dos cineastas que impulsionou as carreiras de estrelas como Sophia Loren e o falecido Vittorio Gassman.

04/06/2008 - 13:24h Ciganos são bode expiatório

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Gilles Lapouge* - O Estado de São Paulo

Tempos horríveis estes para os ciganos italianos, principalmente os chamados “romas”, de origem romena. O premiê italiano, Silvio Berlusconi, acaba de conceder poderes extraordinários para os chefes de polícia de Roma, Nápoles e Milão fazerem um novo censo dos ciganos e expulsarem os que têm problemas com a Justiça.

Será que Berlusconi tem o direito, na União Européia, de perseguir as pessoas desse modo? Os romas são três quartos romenos e um quarto italianos. Portanto, são cidadãos da UE e não podem ser detidos ou expulsos. Mas Berlusconi não está nem aí com isso. Bruxelas se comoverá com a sorte deles? Isso não é tão certo, embora seja desejável.

As medidas contra os ciganos têm precedentes assustadores. Em 1939, sob o nazismo, eles foram tachados de “raça inferior”. Cerca de 30 mil foram expulsos para o Leste e começaram os massacres e o confinamento em guetos. Em 1942, Heinrich Himmler, chefe da SS, deportou os ciganos alemães para campos de concentração.

As medidas de Berlusconi não têm nenhuma relação com tais horrores. Mas não podemos deixar de nos sentir chocados ao ver as mesmas pessoas perseguidas pelo mesmo “crime”: o de pertencer a uma determinada etnia. Pode-se até explicar o gesto de Berlusconi: a Itália padece. A crise é feroz. Nápoles, incapaz de administrar o próprio lixo, apodrece ao sol. Em casos semelhantes, todo líder procura um bode expiatório. O que Berlusconi tinha à mão era o povo cigano.

Sem desculpar Berlusconi, é preciso reconhecer que tal comportamento não é exclusivo dele: em 2007, seu predecessor, Romano Prodi, que não é de direita, mas de centro-esquerda, baixou um decreto que lhe permitiu expulsar ciganos.

A maldição que recai sobre os ciganos também é antiga. Eles deixaram seu berço, a Índia, na Antigüidade, e espalharam-se pela região do Mediterrâneo. Tinham uma fama detestável: os gregos os apelidaram de “intocáveis”.

Nas sociedades modernas, a sorte dos romas italianos mostra que o problema da imigração não pára de se agravar. A crise intensifica o ódio pelos imigrantes, esses sujeitos que vêm “tirar o nosso emprego”. Os países europeus endurecem suas leis, expulsam, separam as famílias, desprezam. Hoje, a Europa, que por muito tempo deu lições de direitos humanos, não exibe um rosto bonito. Ela é feia. Em todas as capitais, afiam-se as armas contra os imigrantes. O código civil é reformulado. A imigração é tratada como crime.

Evidentemente, não podemos esquecer que a imigração em massa representa um desafio. Mas a solução não é lotar aviões fretados, como faz o presidente francês, Nicolas Sarkozy. É necessária na Europa uma política de imigração firme, coerente, diferente das histerias anticiganas de Berlusconi. Uma política que tenha dois pilares: no interior, a solidariedade e a integração; no exterior, acordos de cooperação com os países de emigrantes.

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

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17/04/2008 - 08:23h Bach e Berlusconi

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VERISSIMO - O Globo

A obra de Bach é o exemplo mais alto do rigor com emoção, ou da emoção represada pela pia sobriedade germânica, que definia o barroco alemão.

Depois a música alemã transbordou para o romântico e o bombástico, mas Bach ficou como um parâmetro de gravidade, algo como a gravidade que nos mantém presos à Terra.

Voltamos sempre a Bach para nos certificarmos de que certas leis universais não mudam com os gostos musicais, e nos emocionamos sempre com a redescoberta. Mas o velho parâmetro também dava os seus pulinhos.

Gostava do barroco italiano e foi influenciado pelas suas firulas.

Transcreveu obras de Corelli e outros — inaugurando o hábito, que existe até hoje, de chamar cópia de homenagem — e algumas transcrições ficaram famosas, como a do concerto para quatro violinos do Vivaldi que ele adaptou para quatro cravos, e o concerto em ré menor para oboé e basso contínuo do Alessandro Marcello, que tem um adágio tão bonito que poderia ter sido composto pelo Bach sem intermediário.

Mas Bach não estava livre de críticas pelas suas recaídas da gravidade e teve um contemporâneo que chamou uma das suas homenagens de “um pouco italiana demais”. Não sei como é a frase em alemão, mas ela é um bom alerta em qualquer língua. Pode-se, deve-se ser italiano — tem até aquela outra frase, “sejamos todos italianos, a vida é muito curta para sermos outra coisa” —, mas dentro dos limites do razoável. A própria Itália às vezes exagera e fica italiana demais. Toda vez que elege o Berlusconi, por exemplo. Que ele é um mascalzone todo mundo sabe, mas isto parece fazer parte da sua atração para os italianos. É um empresário de sucesso numa sociedade em que, como poucas, as pessoas de sucesso são a nobreza — como era o caso do Agneli — e o seu sucesso é que faz sucesso. É o dono da TV no país, e ela vende sua imagem de dinamismo e confiança em horário integral.

Mas nada disso explica totalmente as suas vitórias. O que completa a explicação é o hábito italiano de, periodicamente, ultrapassar os limites que na música seriam entre o alegre e o frívolo e o barroco e o rococó, ou entre o que encantava o Bach e o que dava razão aos seus críticos, e na política separam o inusitado do incrível. Vez que outra, os italianos ficam incríveis.Mas é claro que Berlusconi pode cair numa semana. Neste caso, a política italiana seria rococó no bom sentido.

27/12/2007 - 14:18h Operação Condor: Brasil quer investigação

Tarso diz que não pode extraditar brasileiros para Itália por Operação Condor, mas pode processá-los

Jailton de Carvalho - O Globo

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem que a Constituição não prevê a extradição de brasileiros para outros países, mas nem por isso os militares e policiais acusados de envolvimento no seqüestro e assassinato de dois ítalo-argentinos durante a Operação Condor estão livres de prestar contas à Justiça. Tarso Genro deverá pedir à Procuradoria Geral da República que abra uma investigação sobre a suposta participação dos brasileiros na morte de Horacio Domingo Campiglia e Lorenzo Ismael Viñas, segundo acusação do procurador italiano Giancarlo Capaldo.
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25/12/2007 - 12:31h La Justicia italiana volvió a pedir las capturas de Videla, Massera y otros represores por el Plan Cóndor

Videla e a Junta Militar Argentina, assassinos procurados pela responsabilidade da Operação Condor não são só argentinos

Las autoridades judiciales en Roma reactivaron las órdenes de arresto de unos 140 ex militares de la Argentina, Paraguay, Uruguay, Chile, Brasil y Bolivia. Ocurre tras la detención, ayer en el sur de Italia, del ex responsable del servicio secreto uruguayo Néstor Tróccoli.
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22/12/2007 - 18:37h As Earth Warms, Virus From Tropics Moves to Italy

David Yoder for the International Herald Tribune

“I thought, O.K., my time is up,” said Antonio Ciano, a Castiglione resident who became so sick after catching chikungunya he said he could not stand up.

Published: December 23, 2007
The New York Times

CASTIGLIONE DI CERVIA, Italy — Panic was spreading this August through this tidy village of 2,000 as one person after another fell ill with weeks of high fever, exhaustion and excruciating bone pain, just as most of Italy was enjoying Ferragosto, its most important summer holiday.

“At one point, I simply couldn’t stand up to get out of the car,” said Antonio Ciano, 62, an elegant retiree in a pashmina scarf and trendy blue glasses. “I fell. I thought, O.K., my time is up. I’m going to die. It was really that dramatic.”

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