19/02/2009 - 12:23h O PSDB e a difícil arte de aprender a somar

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Maria Inês Nassif – VALOR

A divisão faz parte da dinâmica dos dois partidos que têm polarizado as eleições no país, o PT e o PSDB, mas o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou desenvolvendo mecanismos de disputa interna mais maleáveis à composição em torno de candidaturas que a legenda do governador de São Paulo, José Serra.

No PT, as piores brigas, as mais autofágicas, giram em torno do poder interno, que dá às tendências majoritárias maior poder não apenas sobre a máquina partidária, mas para conquistar espaços em governos petistas. Os embates não são personalizados: os atores se agrupam conforme suas posições políticas. Mais recentemente, assumiram importância os grupos comandados por políticos com bases clientelistas, donos de votos, mas ainda assim as tendências que se formam em torno desses personagens se integram à dinâmica interna de disputa política quer pelo controle de pedaços da máquina partidária, quer por espaços em governos, o que significa fazer alianças e compor. Os resultados de prévias partidárias, dados esses mecanismos menos personalistas que o PSDB de composição interna, acabam sendo melhor assimilados. Existe um pragmatismo maior nas decisões sobre candidaturas, pelo fato de não ser um partido onde as lideranças individuais têm um grande peso e porque a disputa entre os grupos mira também o horizonte pós-eleitoral, isto é, a composição dos governos, na hipótese de eleição dos candidatos do partido.

No PSDB, a personalização da luta interna dificulta a assimilação de disputas – incentiva, portanto, as divisões. A decisão sobre candidaturas nacionais sempre foi centralizada na direção nacional, que por sua vez não é produto da luta interna entre posições políticas, mas representa o consenso entre poucas lideranças. O cacife de cada postulante são os votos que ele pode arregimentar sozinho, como liderança política – e se supõe que a eles vão se somar posteriormente os votos resultantes da polarização com o PT (essa é a realidade na história recente, polarizar sempre com o partido de Lula); ou então o poder de desestabilizar, pela ameaça, seu adversário. Em 2006, o ex-governador Geraldo Alckmin desbancou a candidatura favorita dos cardeais tucanos, de José Serra, porque ameaçou disputar com ele na convenção nacional. Serra, que perdeu as eleições de 2002 em grande medida porque provocou a divisão do PSDB – apostando erradamente que o partido iria se unir mais na frente, durante a campanha – recuou e deixou Alckmin, nas eleições seguintes, às voltas com um partido igualmente dividido e tendo que administrar também uma derrota.

Nas eleições de 2010, essa incapacidade de assimilar discordâncias internas pode novamente comprometer o PSDB. O alarme já soou, tanto da parte do grupo de Serra como do lado do DEM. O ex-PFL não apenas está fechado com o governador de São Paulo na disputa pela Presidência, como abriu mão da vaga de vice, para que o PSDB tente negociar a saída do PMDB da base da candidatura governista – mas quer que seja o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o candidato a governador da coligação. O DEM tem se articulado para obrigar não apenas um entendimento entre Serra e o governador de Minas, Aécio Neves, sobre quem vai ser candidato (a preferência do ex-PFL, e a sua aposta, são em Serra), como uma rápida definição. Acha que a oposição tem que botar o bloco na rua, pois a última pesquisa Sensus/CNT revela, na sua avaliação, que a candidatura de Dilma Rousseff pelo PT já está consolidada junto ao eleitorado. Se não andar logo, a oposição corre o risco de ser atropelada pela candidata petista, mesmo tendo Serra como candidato, hoje o melhor colocado nas pesquisas.

Serra, por seu lado, está às voltas com a solução de uma equação difícil: como disputar com Aécio sem dividir o partido. Minas Gerais é o Estado com o segundo maior colégio eleitoral do país (10,86% do total de eleitores do Brasil) e, se não tem o poder de, por si só, garantir uma vitória de Aécio, se ele disputar a Presidência da República, pode ter o efeito de derrotar Serra, se for o governador paulista o candidato do partido à sucessão de Lula. Segundo um “serrista”, a questão agora é deixar claro para o eleitor mineiro que o PSDB não está subtraindo de Aécio as chances de tornar-se candidato a presidente, mas que o candidato será Serra porque ele é o que tem mais chances de vencer a candidata petista. Por esta razão Serra mandou recados para todos os lados que topa as prévias. Se elas vão ocorrer, é outra história. Mais para a frente, e antes da data marcada, a situação pode ser resolvida em favor do paulista com manifestações claras e inequívocas de maioria dentro do partido – o apoio declarado, por exemplo, dos 26 dos 27 diretórios estaduais do partido. Não existe entusiasmo com as prévias, até porque os “serristas” não acreditam que o governador mineiro tenha a intenção de se unir ao candidato vitorioso se perdê-las, mas a questão agora é não dar chances para que Aécio pareça vítima – nem pretexto para que ele deixe o partido e leve o eleitorado mineiro a votar contra a candidatura de Serra.

Enquanto isso, os grupos do PT se articulam em torno da candidatura de Dilma Rousseff. Praticamente não há resistências internas ao seu nome. A ministra, por sua vez, tem se aproximado e mantém conversas com as tendências petistas. É uma forma de se inserir na lógica do partido, de abrigar as discordâncias internas e, ao mesmo tempo, unificar as tendências que brigam pelo poder da máquina no mesmo palanque. Um jantar na residência da ex-prefeita Marta Suplicy foi uma aproximação com o PT paulista que rearticula um campo majoritário e, assim, a hegemonia no partido. Também tem marcada uma reunião com a tendência Mensagem ao PT, do ministro da Justiça, Tarso Genro.

O pragmatismo petista deve-se ao fato também de ser um partido que depende muito do seu grande líder, o presidente Lula, mas mais ainda de sua estrutura nacional e da identificação do eleitor com a legenda para conseguir votos. No caso do PSDB, o pragmatismo é menor porque disputam a ribalta grandes líderes num partido com pequena capacidade de se unificar nacionalmente.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br

17/02/2009 - 12:21h Do Blog de Paulo Henrique Amorim

Blogueiro da Folha emprega baixaria e machismo para atacar candidata do PT

17/fevereiro/2009 9:22
Por que Josias acha que notas são “vadias” e notícias “vagabundas”

Por que Josias acha que notas são “vadias” e notícias “vagabundas”

Imagine uma notícia sobre evento que reúna duas figuras importantes do partido do governo: ambas presidenciáveis e que exercem ou exerceram cargos de ministro de Estado.

Imagine também que as duas personalidades citadas são do sexo feminino; aparecem na foto, que supostamente ilustra esse texto hipotético, à frente de outras três mulheres – aliás, só há mulheres na suposta foto.

E, por fim, suponha que o título a encabeçar o texto em questão seja uma composição na qual se sobressaem as palavras VADIA e VAGABUNDA.

Por mais que a descrição acima pareça um quadro fictício, ela aconteceu de fato.

Foi a forma que o blogueiro Josias de Souza, da Folha (*) Online, encontrou para comentar o jantar que a ex-prefeita de São Paulo e ex-Ministra do Turismo, Marta Suplicy, ofereceu à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), no domingo (15/02).

A fotografia que ilustra o blog traz, em primeiro plano, Marta e Dilma, sob o título “Notas vadias de um domingo de notícias vagabundas” – veja reprodução abaixo.


Em tempo: esse texto é de autoria de Alberto Ramos, um dos editores do Conversa Afiada. O Conversa Afiada agradece ao amigo navegante que chamou a nossa atenção para essa manifestação típica do PiG (**) de São Paulo.

17/02/2009 - 11:05h Fumaça branca na chaminé do PT

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Raymundo Costa – VALOR

Lula e o PT têm Plano A, Plano B e Plano C para a sucessão de 2010. O primeiro é público e notório e já não provoca divergência significativa no partido: Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e “Mãe do PAC”. O segundo é Aécio Neves, governador tucano de Minas Gerais, cada vez mais uma carta fora do baralho do PSDB. O Plano C – mas só na hipótese de os dois primeiros falharem – é a prorrogação ou a instituição do terceiro mandato presidencial.

O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel cumpre tarefa ao dizer que não existe um Plano B a Dilma. É natural que o faça. O Plano A de Lula – que o PT assumiu integralmente — já foi posto em movimento. Começou quando Lula disse ao PT que era Dilma e o PT, na última reunião do Diretório Nacional, descascou a cebola sem chorar, camada por camada.

“É Dilma ou não é Dilma”? Até agora a ministra era uma indicação bancada apenas pelo presidente. Resposta dos petistas: “É Dilma”. O PT assumiu a candidatura da ministra e logo vai receber a indicação de Lula para ela ser a candidata.

O PT então vai responder que o presidente da República é quem tem mais condições para dizer quem é melhor para sucedê-lo, dentre aqueles que integram sua equipe de governo, e em seguida homologa a indicação de Lula . Este é o ritual programado. Quando vai acontecer?

A ideia era fazer a indicação no ano que vem. Mas o Diretório Nacional concluiu que os fatos se precipitaram rapidamente. Todas as movimentações de José Serra, o provável candidato tucano, dizem respeito à sua sucessão, na visão do PT (o PSDB vê exatamente a mesma coisa em relação a Lula e Dilma) e o governo e o partido vão começar a mexer nisso também. Assim sendo, a formalização da candidatura da Dilma será feita o mais rapidamente possível.

O que é que se pode entender com o mais rapidamente possível, afinal, já que havia no Palácio quem disse que o nome da ministra seria anunciado no segundo semestre de 2008? Pelo roteiro traçado no Diretório Nacional é depois de ela concluir um ‘circuito de agendas’ em diversos Estados, juntando os movimentos sociais do campo e da cidade, mais o PT e a base de sustentação política do governo no Congresso. Depois desse périplo, o PT formaliza a candidatura.

Trata-se de uma agenda importante, pois não se destina apenas a fazer Dilma mais conhecida do eleitorado, algo que os marqueteiros acham fácil de fazer no mundo conectado em rede dos dias de hoje. O que há por trás da ideia é que Dilma seja não só a favorita do presidente Lula, mas também a candidata dos movimentos sociais, do PT e dos aliados nos quais se assentaram as bases do atual governo.

Sem densidade política, não bastará à ministra se tornar conhecida. Mas como fazer isso (literalmente, uma campanha antecipada), se Dilma é ministra de Estado, gerente do PAC e agora a ministra encarregada de evitar que a crise econômica mundial ataque o Programa de Aceleração do Crescimento, ainda hoje o carro-chefe da campanha da ministra. Há aspectos legais que limitam os movimentos de ação de Dilma como pré-candidata (só uma convenção do PT, em junho de 2010, oficializará a candidatura).

A proposta é que segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira ela se dedique à agenda de governo. E de sexta à noite até domingo à noite faça o ‘circuito de agendas.’ Assim como fez no último fim de semana, quando participou de um jantar na casa da ex-prefeita Marta Suplicy, em São Paulo. Apesar de todo o cuidado que ela tomou ao tratar do assunto, ficou claro que Dilma quer ser candidata e no PT já não há oposição – a não ser residual – a seu nome. Na realidade, saiu fumaça branca da chaminé do PT.

As principais personalidades do PT estiveram presentes, fizeram discursos. Dilma muito habilmente não se colocou como candidata. Disse que isso vai seguir o calendário do partido, que para ela já basta a honraria de ter sido indicada pelo presidente Lula. Realista, destacou que sua candidatura dependeria da conjuntura, da base aliada – “dos astros”, brincou um companheiro afinado com o projeto.

O resto dos convivas fez discurso “já de beija-mãos”, contou um dos presentes: ‘É você mesmo, nós estamos aqui para ajudar, queremos fazer, o presidente falou’. Dilma, modestamente, voltou a insistir que para ela já bastaria a glória de ter sido indicada por Lula. Mas que ela sabe bem o que é que é ser candidata do PT, que quer respeitar o cronograma do partido, a base aliada, os movimentos sociais, que o que a preocupa no momento é por o PAC pra frente.

Jura-se no PT que não existe uma meta a ser cumprida por Dilma em determinado prazo. Por exemplo: 25% das pesquisas de opinião, até o final deste ano.

Isso seria “chute de campanhólogo” Os problemas reais seriam a candidatura não decolar, a crise externa, uma eventual paralisação do PAC ou até uma crise do tipo ‘ mensalão’. que, evidentemente, ninguém espera no partido que aconteça, mas, diante dos antecedentes… Só então o governo recorreria aos dois outros planos na gaveta.

O Plano B prevê a filiação de Aécio Neves ao PMDB até setembro. A insistência do governador mineiro na realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB às eleições de 2010 seria o pretexto para o rompimento do tucano, uma vez que o partido definitivamente não parece disposto a fazer uma eleição primária e está cada vez mais sob o controle de José Serra, governador de São Paulo.

A última saída é a prorrogação com a aprovação do terceiro mandato. Assunto que vai ser discutido na comissão que tratata do fim da reeleição e da aprovação do mandato de cinco anos, posta em movimento no final do ano passado pelo fiel escudeiro João Paulo Cunha, (PT-SP). Em resumo, se uma alternativa não der certo, haverá outra sempre à mão.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail raymundo.costa@valor.com.br

16/02/2009 - 11:01h Amadurecimento político II

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Dilma não vai a encontro organizado pelo PT mineiro

César Felício e Sérgio Bueno, de Belo Horizonte e Porto Alegre – VALOR

Nascida em Minas Gerais, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deixou de comparecer ao encontro do PT mineiro com os prefeitos eleitos pela sigla no Estado, neste sábado. Deste modo, Dilma evitou entrar em um território onde o partido está dividido. Antes de uma entrevista do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, à revista ” Veja ” , que acirrou a sua disputa pela candidatura a governador com o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, a ministra havia confirmado presença.

Os participantes do encontro assistiram apenas a uma breve mensagem gravada da ministra, em que ela destaca a importância de se estabelecer ” parcerias e alianças com outros partidos para melhorar o nosso país ” . As duas alas do PT mineiro colocaram a disputa interna em segundo plano em seus discursos e prometeram empenho para abrir espaço para a ministra na disputa presidencial em 2010. ” Vamos baixar a bola. Temos que reproduzir em Minas uma grande aliança ” , disse em discurso o deputado estadual André Quintão, um aliado de Patrus.

Na noite anterior Dilma participou de um jantar oferecido em São Paulo pela ex-prefeita Marta Suplicy com o objetivo de aproximar a ministra da sigla. Durante o encontrou ela condicionou sua candidatura ao PT, mas descartou que seja objeto de restrição. “Não vejo nenhuma resistência, o PT tem me recebido de forma muito fraterna”, disse ela.

A ministra afirmou que sua candidatura dependeria de uma conversa com o presidente Lula e de avaliação do PT. “Como as duas coisas não estão dadas, não posso dizer que sou candidata, ainda”, disse ela. Antes do início do encontro que reuniu as bancadas federal e estadual do PT, além de prefeitos e vereadores da Grande São Paulo, Dilma admitiu o desejo de ser candidata. “As coisas tem sua hora, a minha ainda não chegou, mas minha grande ambição é dar continuidade ao governo do presidente Lula”, disse

Mais cedo, também na sexta-feira, a ministra cumpriu mais uma etapa na sua maratona de anúncios e inaugurações de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dessa vez na região metropolitana de Porto Alegre. Ela aproveitou para responder às acusações da oposição de que o governo estaria fazendo campanha antecipada.

Segundo Dilma, o que incomoda a oposição é o fato de que o governo “está trabalhando” e que tem “um projeto para o Brasil”. Ela afirmou que os oposicionistas têm o direito de fazer críticas, mas disse que “não parece que eles tenham um projeto”. Mesmo assim, elogiou o pacote de estímulo à economia anunciado semana passada pelo governador tucano José Serra, outro pré-candidato à eleição de 2010. “O governo federal vai contribuir no que puder”. (Com a FolhaPress)

15/02/2009 - 15:48h Amadurecimento político


Corrida presidencial
PT paulista fecha com Dilma

Em jantar oferecido por Marta Suplicy, ministra recebe manifestações de apoio dos colegas de legenda. Petistas vão trabalhar para realizar eventos no estado que a coloquem em evidência


Alessandra Pereira
Da equipe do Correio Braziliense

José Patríicio/AE
Palocci estava entre os 60 convidados da recepção que Marta organizou para Dilma Rousseff

 São Paulo – Foi com um jantar em plena noite de sexta-feira 13 que a cúpula do PT paulista deu sua bênção à provável candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A semana em que a ministra manteve-se em evidência a ponto de incomodar a oposição terminou com uma elegante recepção na casa da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, na qual cerca de 60 expoentes da legenda em São Paulo afinaram o discurso e começaram a dar lastro partidário à preferida de Lula para a disputa da corrida de 2010. Os caciques paulistas negaram resistências manifestando reiteradas vezes a unidade em torno de Dilma. A ministra retribuiu no mesmo tom, fazendo rasgados elogios à história do PT e ao significado da legenda para sua geração.

A presença de representantes das três instâncias partidárias e das diferentes correntes internas do PT comprovou a “absoluta unanimidade” do nome de Dilma entre os paulistas, garantiram parlamentares como o vereador José Américo, presidente do diretório municipal do PT. Ele e os presidentes nacional e estadual do partido, respectivamente Ricardo Berzoini e Edinho Silva, estavam entre os primeiros a chegar à residência de Marta, no Jardim Europa, na Zona Sul da capital paulista. Também compareceram nomes como o ex-presidente da Câmara Federal Arlindo Chinaglia, o atual líder da bancada, Cândido Vaccarezza, os senadores Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante, e o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo, além de prefeitos e parlamentares como os deputados Vicentinho, Antônio Palocci e João Paulo Cunha.

Recebida com carinho pela anfitriã Marta, e com orquídeas pelo senador Suplicy, Dilma, atenta às investidas da oposição, que acusa Lula de antecipar a corrida eleitoral, manteve-se discreta e em nenhum momento assumiu diretamente a candidatura, nem ao longo do jantar. Aos jornalistas que esperavam sua chegada, enfatizou: “Eu não estou candidata e também ainda não sou candidata. Porque para eu ser candidata já teria que ter debatido este tema com o presidente e ainda não o fiz. E teria que ter o apoio do meu partido. As duas coisas não estão dadas ainda.” Em seguida, ela disse que o Brasil está “maduro para ter uma mulher presidente”, afirmou que “dar continuidade aos projetos do governo Lula” é sua maior ambição, negou enfrentar resistências internas e considerou a si mesma o que há “de mais vívido” no PT.

Durante o jantar, Dilma fez um rápido discurso no qual destacou conquistas do governo. Às palavras da ministra seguiram-se falas de diferentes petistas defendendo o lançamento do nome dela para a sucessão em 2010. Dilma foi praticamente aclamada como candidata pelos paulistas, mas manteve a discrição, colocando-se “à disposição do partido”. Com o consenso em torno da ministra, o PT quer agora pavimentar o caminho para a candidatura no estado. O primeiro passo será marcar agendas com a presença de Dilma. “Nossa ideia é dar mais visibilidade a Dilma e programar agendas relacionadas às ações de governo, ao trabalho da ministra à frente do PAC. A ministra concordou, desde que seja fora dos horários de expediente dela”, disse o vereador José Américo.

análise da notícia
Disputas internas superadas em prol de 2010

O amadurecimento político é um dos fatores que contribui neste momento para que o PT, aos 29 anos, opte por não gastar tempo em disputas internas desnecessárias diante do monumental desafio que será tentar vencer os adversários e o próprio carisma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para manter o comando do país no final de 2010.Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, no entanto, os pesos pesados históricos da legenda em São Paulo, estado que detém o registro de nascimento do PT, não estão ratificando o nome de Dilma Rousseff à sucessão presidencial por ser ela a “eleita” de Lula para a disputa. Além da falta de um sucessor natural, os petistas estão endossando as qualidades políticas e a competência da ministra nascida mineira e com carreira projetada entre os gaúchos.

Quem conhece a estrutura interna do PT sabe que, se houvesse outra aposta, mais orgânica e com a mesma musculatura política já desenvolvida pela ministra, a legenda seria capaz de contrariar as preferências de seu maior líder. O fato é que, como diz o vereador José Américo, a ministra tornou-se pouco a pouco unanimidade entre os petistas, porque provou, para eles, ser “muito competente e muito boa mesmo.”

Diante da pedreira esperada para o ano que vem contra os tucanos, seja tendo como adversário o governador paulista, José Serra, ou o mineiro, Aécio Neves, o PT paulista deixa as articulações em torno da sucessão estadual em segundo plano e, ao menos aparentemente, consegue consenso em suas quatro maiores correntes internas em relação à candidatura presidencial. E sai na frente ao começar construindo a unidade partidária em torno de Dilma por São Paulo. (AP)

15/02/2009 - 11:44h Todos juntos: PT paulista demonstra unidade com Dilma

Ricardo Galhardo, Flávio Freire e Adauri Antunes Barbosa – O Globo; Marciele Brum – Agência RBS

SÃO PAULO – Em uma ponta do piano que decora a sala de estar de Marta Suplicy estava o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), visto como desafeto da ex-prefeita; na outra ponta, o deputado José Mentor (PT-SP), aliado de Marta absolvido no caso do mensalão. A cena dos dois deputados – rivais na disputa interna do PT – tocando piano a quatro mãos no jantar em homenagem à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sexta-feira à noite, é usada pelos participantes do encontro para explicar o clima de união do PT paulista em torno da virtual candidata à Presidência. (Para você, Dilma está em campanha?)

- O PT de São Paulo entendeu direitinho o recado do presidente Lula. Se havia alguma resistência de paulistas a Dilma, acabou ontem (sexta) – disse um dos participantes, pedindo sigilo.

O PT de São Paulo entendeu direitinho o recado do presidente Lula. Se havia alguma resistência de paulistas a Dilma, acabou


Dos mais de sessenta convidados, apenas o deputado José Genoino (PT-SP), que comemorava os 90 anos do pai no Ceará, não compareceu. As bancadas municipal, estadual e federal do PT paulista, prefeitos da região metropolitana e dirigentes partidários de diversas tendências se reuniram para beijar a mão de Dilma. (Leia mais: PPS se propõe a apoiar qualquer candidato do PSDB)

Marta e os presidentes nacional, estadual e municipal do PT paulista, Ricardo Berzoini, Edinho Silva e José Américo, deixaram o jantar com a incumbência de elaborar uma agenda para alavancar a campanha de Dilma no estado mais populoso do país.

- Uma agenda política, nos fins de semana, desvinculada do trabalho – detalhou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos participantes.

Casa de Marta é palco de sorrisos entre rivais

A ordem – que partiu do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva – era dar uma demonstração de unidade, abrir as portas do PT paulista – principal núcleo de poder do partido – a Dilma e dirimir dúvidas sobre possíveis resistências à sua candidatura à Presidência em 2010.

Coube a Marta Suplicy apresentar Dilma – mineira com carreira construída entre Porto Alegre e Brasília – ao PT paulista.

Marta abriu a noite exaltando a união do partido em um curto discurso ao lado da lareira. Dilma falou em seguida, destacando a necessidade de dar continuidade aos programas de Lula.

- Só uma candidatura do PT pode garantir esta continuidade – afirmou a ministra chefe da Casa Civil.

A própria Dilma Rousseff admitiu, antes do jantar, que precisa submeter ao partido a sua candidatura, mas deixou clara a intenção de disputar, dizendo que o Brasil já está maduro o suficiente para ter uma mulher presidente, e que ‘ainda’ não é candidata.

Outra demonstração de unidade foi a presença dos principais pré-candidatos do partido ao governo paulista: Arlindo Chinaglia, Antonio Palocci e a própria Marta.

Estou gordo, vou ocupar muito espaço


Nomes que correm por fora, como o prefeito de Osasco, Emídio Souza (apadrinhado por João Paulo Cunha), Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy, também compareceram.

O marido de Marta, Luís Favre, fez as vezes de fotógrafo. Dilma, paciente, posou ao lado das bancadas, com prefeitos e dirigentes. Na hora da foto com a numerosa bancada federal, surgiu uma indicação de que Palocci largou na frente na disputa pela candidatura petista ao governo do estado.

Atendendo a pedidos gerais, o ex-ministro da Fazenda sentou-se no centro do sofá, entre Dilma e Marta. Palocci, que depende de uma absolvição no processo sobre a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa – ainda tentou se esquivar:

- Estou gordo, vou ocupar muito espaço – argumentou.

Chinaglia sentou-se à esquerda de Marta. Atrás ficaram os mensaleiros João Paulo e Mentor.

Dirceu, tido como contrário a Dilma, não apareceA ausência mais comentada foi a do ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, tido como um dos principais lideres da resistência paulista ao nome de Dilma como candidata a presidente.

Dilma informou que viajará toda sexta-feira, com o presidente Lula, para fiscalizar o andamento de projetos. Sobre a decisão do DEM de denunciá-la ao Tribunal Superior Eleitoral por campanha eleitoral antecipada, ela disse que a oposição está incomodada com os investimentos do governo:

- Por que o presidente chegou a dizer que cortará o meu batom e não cortará uma obra do PAC? É porque saímos com investimentos pesados agora. Essa crise vai passar, e o Brasil estará em melhores condições – disse a ministra, que cumprimentou operários, pôs um capacete e acionou uma máquina.

O discurso de Dilma nesta sexta foi semelhante ao que fez durante o Fórum Social Mundial. Dilma tem intensificado nos últimos dias os compromissos públicos, que garantem maior visibilidade a ela, seja na festa do PT , seja em inaugurações ao lado de Lula , seja no Encontro Nacional de Prefeitos.

Nesta sexta, em Recife, Lula também reagiu à oposição. Segundo ele, a acusação de campanha antecipada é ‘absurda’ e ‘pequena’, e a ministra vai continuar viajando para inaugurar obras do PAC.

04/12/2008 - 16:47h Na França a mesa é coisa séria

Cartas de Paris

A prática de fooding

Paris é cheia das manifestações culturais, e esta semana o assunto são os eventos fooding. O conceito foi criado há sete anos por um grupo de chefs e outros aficionados pela cozinha francesa que militam pela inovação, pela abertura da cozinha tradicional. Pode-se questionar a falta de originalidade do nome (uma fusão das palavras em inglês comida e sentimento), jamais a qualidade dos eventos e dos restaurantes que eles chancelam.

Este ano, além da tradicional premiação dos melhores do ano, a semana fooding vai realizar acontecimentos culinários em espaços especialmente criados para o evento. São, ao mesmo tempo, uma amostra da inventividade do grupo e a ocasião de participar de happenings divertidos, tipo o desafio feito ao mais temido crítico culinário da cidade, que vai passar para o outro lado do balcão e cozinhar para uma clientela louca para pregá-lo na cruz.

Invenção, eles dizem. Liberdade. Reivindicação que faz sentido num país em que a preservação da tradição culinária pode se tornar quase limitante. Basta dizer que a receita da baguete francesa assada em cada padaria é regida por lei. Basta dizer que o presidente deles quer propor à Unesco um tombamento das culinária francesa como patrimônio cultural da humanidade.

Longe dos atos oficiais, esta relação apaixonada com a comida se deixa perceber no dia a dia – no hábito quase religioso de ir ao restaurante. Por restaurante entenda-se algo bem além do clichê taças de cristal, conta astronômica e um pratinho deste tamanho.

Tem restaurante para todo bolso, para todo público, em ambientes formais ou completamente informais. Sair para comer bem é, ao lado da paixão nacional pelo cinema, o programa oficial dos parisienses. Para eles, não faz o menor sentido ficar horas em um bar, só bebendo.

Outra coisa que fui percebendo com o tempo é que, ao contrário do hábito brasileiro, a refeição mais importante do dia deles é o jantar. A hora de diminuir o ritmo, sentar com todo tempo do mundo, começar pela entrada, passar pelo prato principal, provar um pedaço de queijo, terminar delicadamente com uma sobremesa leve.

A preferência é disparado o jantarzinho tête à tête ou um petit comité de, digamos, cinco ou seis amigos no máximo –, nada das nossas mesas compridas à italiana. Um bom prato, um bom vinho, uma boa conversa: está feita a noitada parisiense perfeita.

Carolina Nogueira é jornalista e mora há dois anos em Paris. Em Brasília, ela foi repórter do Correio Braziliense e do Jornal do Brasil e hoje é servidora licenciada da TV Câmara. Mãe dos gêmeos João e Pedro, faz mestrado em literatura lusófona na Sorbonne. Ela tem um blog chamado Le croissant. Fonte Blog de Noblat