25/08/2009 - 11:21h China supera a Alemanha como maior exportador

Comércio: Dados do 1º semestre mostram pequena vantagem chinesa

Ralph Atkins, Financial Times, de Frankfurt – VALOR

As exportações chinesas abriram uma ligeira dianteira em relação às da Alemanha no primeiro semestre deste ano, segundo novos dados divulgados ontem, em mais uma indicação de que a posição da Alemanha, de principal país exportador do mundo, está ameaçada.

A China exportou mercadorias em valor equivalente a US$ 521,7 bilhões no primeiro semestre do ano, enquanto o total da Alemanha foi US$ 521,6 bilhões, conforme anunciou a Organização Mundial do Comércio (OMC), com sede em Genebra.

Estes números de exportação são acompanhados de perto na Alemanha, a maior economia da Europa, que terá eleições nacionais no próximo mês. As vendas dos seus produtos industriais têm impulsionado em grande parte o crescimento econômico nos últimos anos e, durante toda a crise econômica, o governo da premiê conservadora Angela Merkel tem defendido firmemente o modelo econômico do país, voltado às exportações.

Foto Destaque

A Alemanha há muito tempo vem se preparando para que a economia chinesa, de crescimento muito mais acelerado, assuma o seu título de “campeã mundial de exportações”.

O valor provável das exportações alemãs e chinesas para o ano cheio continua, porém, incerto e dependerá decisivamente das oscilações das taxas de câmbio nos próximos meses.

Um euro forte poderia ajudar a reduzir as vendas da Alemanha. Os setores exportadores do país mostraram sinais de recuperação nos meses recentes.

“Está apertado demais para podermos extrapolar para o ano todo e, quem dirá, para o próximo ano”, afirmou Patrick Low, economista-chefe da OMC.

As exportações alemãs foram duramente abaladas pela queda na confiança mundial que se seguiu à derrocada do banco de investimentos americano Lehman Brothers, no ano passado.

Mas surgiram sólidos sinais de uma sólida retomada no crescimento. Em junho, mês mais recente para o qual há dados disponíveis, as exportações alemãs deram um salto de 7% na comparação com o mês anterior. Apesar disso, elas ainda ficaram 22,3% abaixo do nível do ano anterior. As exportações chinesas seguiram um padrão semelhante.

O aumento repentino nas exportações ajudou a explicar porque a Alemanha conseguiu registrar um aumento no PIB no segundo trimestre, na comparação com o trimestre anterior – dando a entender que o país teria saído da recessão antes dos EUA, Reino Unido e da maioria das demais grandes economias da UE.

Por sua vez, a recuperação na Alemanha está ajudando a elevar o desempenho global da zona do euro. As encomendas à indústria na zona do euro dispararam, numa alta de 3,1% em junho, na comparação com o mês anterior (leia texto ao lado), segundo dados da Eurostat, a agência oficial de estatísticas da União Europeia.

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Para Pequim, estímulo ainda é necessário

Agências internacionais – VALOR

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, disse que a economia de seu país “ainda enfrenta muitas novas dificuldades e problemas” e que o governo manterá suas políticas de estímulo uma vez que recuperação ainda carece de bases sólidas.

Wen disse que apesar de melhoras nas condições da economia chinesa, não se pode ser “cegamente otimista”. As declarações foram feitas ontem durante visita ao sul do país e veiculadas pelo site do gabinete do premiê.

“Ainda há muitos fatores de instabilidade e de incerteza pela frente e a situação econômica futura é ainda muito grave, embora tanto a economia mundial quanto a economia nacional estejam passando por mudanças positivas neste momento.”

O premiê advertiu também que os efeitos de algumas das medidas do governo podem começar a perder força enquanto outras levarão algum tempo até apresentarem resultados. No comunicado do gabinete com as declarações de Wen não há mais detalhes dos problemas mencionados por ele.

A cautela do líder chinês contrasta com um otimismo crescente entre muitos analistas que dizem que a China está fazendo progressos impressionantes para deixar para trás os efeitos da crise. Muitos têm repetido que a China será a primeira grande economia a sair da maior retração mundial desde os anos 30.

Wen prometeu que Pequim continuará aplicando suas políticas para incrementar a demanda doméstica, ampliar o crédito e melhorar eficiência. O país está pondo em prática a um plano de estímulo de US$ 586 bilhões previsto para durar dois anos. O objetivo é injetar recursos do Estado na economia para estimular o consumo doméstico por meio de maiores gastos públicos em obras e ampliação de crédito.

O Banco da Construção da China afirmou ontem, no entanto, que há o excesso de recursos no sistema bancário está criando uma bolhas do mercado, o que deu asas a temores de que autoridades chinesas estejam preparando – ao contrário da promessa de Wen – um aperto no crédito.

“Há incerteza na economia e bolhas no mercado de capitais”, disse Guo Shuqing, presidente do banco, o segundo maior do país. “O sistema bancário chinês ainda tem excesso de liquidez.”

No primeiro trimestre, bancos do país concederam um valor recorde de US$ 1,1 trilhão em novos empréstimos para ajudar a por em prática o pacote de estímulo do governo.

Foi o pacote que contribuiu para que a economia chinesa tivesse um crescimento de 7,9% no último trimestre – ante os 6,1% do trimestre anterior. O premiê e outras autoridades chinesas têm alertado, no entanto, que muitas empresas no país ainda registram resultados ruins e que outras áreas mostram que a fase de recuperação ainda não está bem fundada.

“A fundação da recuperação econômica não está estável, não está firme, não está equilibrada e certamente não podemos ser cegamente otimistas”, disse Wen.

A meta de crescimento do governo para este ano é de 8%. Estimativas de analistas privados variam de 7% a 9,4%.

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Demanda chinesa puxa o Japão

Bloomberg – VALOR

A demanda da China, a economia que mais cresce entre as principais do mundo, está contribuindo para tirar o Japão de sua mais grave recessão do pós-guerra, disse uma destacada economista do governo japonês.

“Não há dúvida de que a recuperação econômica da China está contribuindo para uma reação no Japão e em outras economias da região”, disse Tomoko Hayashi, diretora para economias externas da Secretaria de Governo em Tóquio.

Indústrias, da Honda à Komatsu, se beneficiaram no trimestre passado com o pacote de incentivo econômico da China, de 4 trilhões de iuan (US$ 585 bilhões), o que ajudou a economia do Japão a crescer pela primeira vez em mais de um ano. As exportações para a China superaram as vendas para os Estados Unidos e fizeram com que o país se tornasse o maior mercado externo do Japão este ano. O mercado chinês está compensando a fragilidade dos gastos do consumidor e das empresas no mercado japonês.

A “recuperação [do Japão] seguirá dependendo muito da demanda externa e do pacotes de estímulo no segundo semestre de 2009 e início de 2010″, disse Tetsufumi Yamakawa, economista-chefe para Japão do Goldman Sachs.

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Imóvel comercial dispara na China

Bloomberg – VALOR

A China superou os EUA e o Reino Unido juntos em vendas de imóveis comerciais no primeiro semestre do ano, disse a empresa de pesquisa Real Capital Analytics, sediada em Nova York.

As transações chinesas totalizaram US$ 31,2 bilhões, depois da disparada de vendas propiciada pelo boom de crédito patrocinado pelo governo chinês. As vendas nos EUA somaram US$ 16,2 bilhões no primeiro semestre, segundo o relatório, e as do Reino Unido, US$ 13,7 bilhões.

“Não há dúvida que de a China será um participante mais significativo no cenário mundial de transações de imóveis comerciais”, disse Dan Fasulo, diretor-executivo da Real Capital.

Cerca de US$ 62,8 bilhões em imóveis comerciais foram negociados mundialmente no segundo trimestre, 17% a mais que nos três meses anteriores, o que representa o primeiro aumento em 18 meses, disse a Real Capital.

Esse crescimento indica uma recuperação mundial. O total mundial de vendas no primeiro semestre foi de US$ 116,4 bilhões, 65% a menos que no mesmo período do ano passado e US$ 500 bilhões a menos que no pico no primeiro semestre de 2007. Espera-se que as vendas cresçam neste semestre.

14/08/2009 - 09:49h China deve liderar saída da crise na Ásia

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RETOMADA

O Estado SP

Todas as grandes economias da Ásia vão crescer no próximo ano, lideradas pela China, conforme a região sai da crise global, afirmou ontem a agência de classificação de risco Standard & Poor?s. O economista-chefe para Ásia Pacífico da agência, Subir Gokarn, disse que a China vai crescer entre 7,5% e 8% este ano – perto das estimativas do governo chinês – e entre 8% e 8,5% em 2010, com a Índia também contribuindo fortemente para a recuperação asiática. Por outro lado, a economia do Japão poderá ter contração entre 6% e 6,5% este ano, e deve crescer só em 2010, entre 0,8% e 1,3%.

10/06/2009 - 20:43h Shunga

desenhos eróticos japoneses

Publicado em artes e letras por seven – Fonte Obvious

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A indústria da pornografia é, provavelmente, tão antiga como o próprio mundo. Nas civilizações orientais, nomeadamente no Japão, pensa-se que a produção de desenhos eróticos remonta ao final do 1º milénio para consumo exclusivo da corte. A função primeira destes desenhos era, obviamente, a estimulação visual, mas também era utilizados para ensinar os jovens a comportarem-se em questões de sexo, desde os preliminares até à higiene. A partir do século XVI a produção e circulação de desenhos eróticos, então denominados shunga, conheceu um grande crescimento graças à técnica da gravura em madeira, tendo atingido níveis de elevada sofisticação e qualidade estética!

As gravuras shunga eram executadas e comercializadas quer isoladamente, quer em livros contendo doze imagens, denominados enpon, quer ainda em rolos, esta última forma a mais rara e também a mais cara. Os temas retratados eram variados e, por vezes, surpreendentes, uma vez que os japoneses possuíam preferências sexuais também variadas; a maior parte dos desenhos representava contudo cenas heterossexuais que podiam ir do simples amor sensual até à mais refinada pornografia. Curiosamente, devido à nudez não ter conotações eróticas no Japão, as figuras encontravam-se quase totalmente vestidas e revelavam somente os órgãos sexuais, exagerados em tamanho.

Até os maiores artistas da gravura tradicional japonesa se dedicaram a este género, à época considerado menor, tendo o cuidado de conservar o anonimato de modo a não prejudicar as suas carreiras “sérias”. Nomes como Utamaro, Hokusai, Hiroshige e, sobretudo, Kunisada executaram bastantes desenhos e contribuíram para elevar a sua qualidade estética. As gravuras shunga chegaram a atingir preços elevados e os artistas, trabalhando para empresários do ramo, faziam bom dinheiro. As autoridades fizeram diversas tentativas para limitar ou mesmo banir este género, todas sem sucesso: a arte shunga continuou a florescer. Hoje em dia permanece sob a forma de mangás

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22/05/2009 - 09:52h Crise global vai continuar mesmo depois da recessão

ENTREVISTA – NOURIEL ROUBINI

Para economista, movimento atual de recuperação das Bolsas não é sustentável

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
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O economista Nouriel Roubini concede entrevista em São Paulo; para ele, o crescimento do Brasil neste ano ficará entre 0 e -1%

DENYSE GODOY – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Nouriel Roubini à Folha ontem, após participar de seminário promovido pela Serasa Experian em São Paulo.

FOLHA – O senhor está sorrindo hoje! É difícil vê-lo assim nas fotos, nas imagens da televisão… Isso contribui para a sua fama de “Doutor Apocalispe”?
NOURIEL ROUBINI –
[Fica sério] A crise econômica é um assunto tão grave que, quando estou falando a respeito, simplesmente acho que sorrir não é apropriado. As pessoas me chamam de “Doutor Apocalipse” porque fui o primeiro a prever o atual desastre, mas prefiro ser chamado de “Doutor Realista”.
Não vejo, à nossa frente, uma depressão ou uma longa recessão, como muitos apontam. Creio que vamos sair desta crise no ano que vem. Ainda estou preocupado, no entanto, com determinados aspectos econômicos de curto prazo.

FOLHA – Alguns analistas afirmam já detectar aqui e ali sinais de recuperação da economia americana. Quais indicadores realmente apontam o começo de um restabelecimento e quais não devem ser interpretados assim?
ROUBINI –
Os índices mais importantes a acompanhar são os relativos a consumo, investimento das empresas, produção industrial e mercado imobiliário. Eles continuam caindo. Só que estão recuando menos do que o observado no ano passado -se apresentassem o mesmo ritmo de queda dos últimos meses de 2008, não estaríamos em uma recessão, mas em uma depressão profunda. Isso não significa uma luz verde, mas uma luz amarela, na minha opinião. Não se pode tomá-los como indicativos de retomada.

FOLHA – Então, em que ponto da crise nos encontramos agora?
ROUBINI –
Eu havia afirmado que a recessão dos EUA duraria 24 meses. Como começou em dezembro de 2007, deve terminar em dezembro de 2009. Transcorridos 17 meses, já passamos de dois terços do caminho, portanto, em termos de recessão. Entretanto, não chegamos nem perto do fim da crise bancária ou de crédito -esta deve levar mais dois ou três anos para passar.

FOLHA – O senhor quer dizer que não se deve comemorar o fato de já ser possível avistar o final do período de contração?
ROUBINI –
Sim. No caso de economias avançadas como os EUA, a Europa e o Japão, o cenário para os próximos dois anos é de crescimento abaixo do potencial. O potencial americano é de um avanço de 2,75% a 3% ao ano, mas ficará abaixo de 1% em 2010, o que é medíocre. Apesar de não estar mais em uma recessão, tecnicamente falando, o sentimento no país será o de estar porque o desemprego seguirá subindo por ao menos um ano e meio. Assim aconteceu nas últimas duas retrações, em 1991 e 2001, e tende a se repetir.

FOLHA – Quais são as perspectivas para o Brasil?
ROUBINI –
O Brasil deve no máximo apresentar crescimento zero neste ano; o mais provável é que tenha uma pequena retração do PIB [Produto Interno Bruto], entre 0 e 1% negativo. Após fortes quedas no último trimestre de 2008 e no primeiro deste, o desempenho fica positivo no segundo, pelas nossas previsões. A sorte do Brasil é possuir um mercado doméstico robusto a ser explorado. Já as exportações dependem mais da recuperação do preço das commodities, que dependem da retomada da China. Com uma agressiva política de governo, a China realmente tem reagido nos últimos meses.

FOLHA – Os seus críticos argumentam que o senhor previu essa crise diversas vezes nos últimos anos, por isso acertou.
ROUBINI –
Ouvi essa história de que até mesmo um relógio parado está certo duas vezes por dia. Mas essas críticas são tolas e injustas, pois não fiz previsões genéricas sobre a crise, basta ler com atenção tudo o que escrevi. Fui bastante específico, dei detalhes sobre os problemas financeiros, quando e como seriam os seus desenvolvimentos. Por exemplo, falei, um ano e meio atrás, que dois grandes bancos de investimento dos EUA iriam à lona em dois anos. Adivinhe. Levou sete meses apenas para o colapso do Lehman Brothers e do Bear Stearns. Pode-se dizer na verdade que eu fui até muito otimista quando falei de prazos.

FOLHA – Onde o senhor tem investido o seu próprio dinheiro?
ROUBINI –
Nos últimos três anos, deixei na poupança ou em títulos de depósito interbancário, bem longe do mercado financeiro. Aí me falam: “Você ganhou quase zero”. Bem, é melhor ganhar zero do que perder 50%, não é? Continuo fora do mercado financeiro porque ainda vejo riscos de recuos macroeconômicos e no lucro das empresas, além de turbulências no setor financeiro. É claro que vai chegar o tempo de recuperação do preço dos ativos financeiros em nível global. Porém, só vejo isso ocorrendo daqui a um ano ou até um ano e meio. Não acredito que a escalada recente das Bolsas seja sustentável, porque o movimento está indo além do que os dados sobre a economia permitem. Por esse motivo, pode haver uma correção.

FOLHA – Como tem sido a vida de economista-celebridade? O que mudou na sua rotina?
ROUBINI –
Não acho que eu seja uma celebridade porque não tenho vida de celebridade. Trabalho 12 horas por dia, sete dias por semana, e gasto 80% do meu tempo viajando pelo mundo. Se eu fosse celebridade, não estaria passando a vida a conversar com jornalistas e outros pesquisadores -eu estaria pegando uma praia no Rio de Janeiro [risos]. É muito trabalhoso fazer análise porque requer que visitemos o mundo inteiro para falar com pessoas, empresários, investidores, autoridades. Não tenho uma bola de cristal.

FOLHA – Circula uma piada segundo a qual os únicos que estão lucrando com a atual crise são os advogados, por causa das falências de empresas, e os economistas, que nunca deram tantas palestras. Entendo que o seu trabalho seja desgastante; no entanto, é uma oportunidade de ganhar dinheiro e fazer o seu nome no planeta todo.
ROUBINI –
O momento é bastante complexo e interessante para os economistas. Aconteceram mais coisas no último ano e meio do que nos 70 anteriores. Só acho que não se pode dizer que alguém está tirando vantagem da pior crise financeira desde a Grande Depressão. Há enormes custos humanos, sociais, fiscais. É muito sério. Eu e os outros economistas estamos engajados em ajudar o mundo a entender o que aconteceu e a buscar uma solução.

05/04/2009 - 21:04h Kokigami: la décoration d’érection

Avez-vous entendu parler du Kokigami, l’art d’emballer son phallus dans un paquet-cadeau ? Créée de toutes pièces par deux Néo-zélandais, cette invention fumeuse a obtenu un succès tel que même les Japonais l’ont gobée.

Kokigami

En 1990, les Néo-Zélandais Burton Silver et Heather Busch publient un livre intitulé Kokigami, The intimate art of little paper costume, qui contient des modèles de décorations péniennes à découper et plier. Ils affirment que ces décorations péniennes relèvent d’un art ancestral, pratiqué au Japon sous le nom de kokigami. A les en croire, le kokigami est l’art de nouer des petits costumes sur son pénis et de l’habiller à l’aide de tissu, de papier, de rubans, de soie. But : faire de son érection une sorte de bouquet ornemental dissimulant en son cœur la fleur principale.

Les deux auteurs prétendent que cette tradition – soi-disant d’origine japonaise – remonte au Ve siècle. “Les origines du kokigami font toujours l’objet de débats académiques, affirment-ils. Certains proclament que cette tradition dérive en droite ligne de l’origami, art de plier le papier. D’autres considèrent qu’elle provient du kirigami, art de couper le papier. Dans les faits, le kokigami emprunte sa technique aux deux arts (plier et couper) mais la plupart des Universitaires s’accordent à dire que son origine remonte plus probablement à l’art du tsutsumi, ou art de l’emballage.” Bizarrement, il est impossible de retrouver la trace de ces écrits universitaires.

Plus bizarrement encore, sur internet et dans les dictionnaires érotiques (celui de Brenda B Love, par exemple), les informations concernant le kokigami ne font que répéter celles du livre écrit par nos diaboliques Néo-zélandais. Ces informations sont d’ailleurs totalement fantaisistes : “S’il faut en croire les premiers textes de la littérature japonaise, les nobles emballaient leur sexe avant de rendre visite à une dame. Plusieurs passages du Kojiki (recueil de récits fondateurs du Japon, datant de 712) parlent d’hommes passant “beaucoup de temps avec des soies fines et des rubans”. Vérification faite : aucune trace de telles pratiques dans le Kojiki. Mais l’idée d’hommes enveloppant leur pénis de jolies décorations semble si attirante que des centaines de sites – y compris au Japon – répercutent l’intox.

Il faut dire que le kokigami a tout pour séduire. C’est un art d’aimer et de prolonger le plaisir. “Plus complexe était l’enveloppement, plus longs les préliminaires, suggèrent Burton Silver et Heather Busch. D’une main légère, l’heureuse élue “ouvrait” le cadeau… prétexte à d’excitants effleurements et de douces caresses prolongeant le plaisir d’un strip-tease génital  jusqu’au “dénouement” final. La cérémonie du tsutsumi a hélas disparu, mais il en reste l’idée : celle d’un plaisir aiguisé par l’attente et par la retenue. Quand le bouddhisme arrive au Japon vers le VIe siècle, il ne met pas fin au culte phallique de la religion shinto mais l’absorbe. Il semblerait ainsi qu’au VIIe siècle certaines techniques du kokigami aient été développées par les prêtres shinto influencés par le bouddhisme : ils cherchent les moyens de transcender le centre physique de leur être, en explorant ses possibilités. Ils essaient d’entrer en contact avec ce moi intime, un peu de la même manière que des acteurs qui essaient de s’approprier un rôle.

Les informations sont délirantes, mais il est tentant d’y croire. Poussant l’insolence à ses extrêmes limites, Burton Silver et Heather Busch affirment d’ailleurs qu’il existe une similitude entre le kokigami et le théâtre no : “le mot koki désigne en effet une petite pièce de vêtement nouée autour de la taille par les acteurs, prétendent-ils. Tous les acteurs de no sont des hommes. Ils utilisent le koki pour pouvoir changer de personnalité rapidement. Le koki peut servir de chapeau, de masque et même d’arme. Le koki est l’accessoire des métamorphoses théâtrales.” Vérification faite, cette pièce de tissu n’existe absolument pas dans le théâtre no. On imagine mal d’ailleurs comment des acteurs pourraient ôter une lingerie sur scène, alors qu’ils sont engoncés dans de luxueux et raides kimonos.

Bien que le mot koki ressemble fort au mot anglais cock (”queue”), personne sur internet ne relève le mauvais jeu de mot. Même les Japonais répètent l’information. Seuls quelques sites nippons s’interrogent timidement : “le kokigami a-t-il existé ?”. Et s’il a existé, comment se fait-il que les deux seules images qui montrent des kokigami ressemblent à de mauvaises imitations d’estampes japonaises ? Personne ne s’étonne vraiment. C’est tout le talent des Néo-zélandais : ils ont créé une pratique érotique et lui ont inventé un passé historique. Ils ont berné la planète entière et – comble d’audace – ils veulent faire de leur supercherie une nouvelle méthode de thérapie. Dans leur livre, Burton Silver et Heather Busch affirment en effet que certains psychothérapeutes américains encouragent leurs patients à décorer leur pénis, avec des résultats intéressants. Ben voyons.

Fonte les 400 culs

18/03/2009 - 11:40h Krugman vê um ‘colapso coordenado’

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Bloomberg – VALOR

O Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman disse que o mundo atravessa um “colapso mundial coordenado”, cuja aparência “é pior na Europa e no Japão” do que nos Estados Unidos.

“O que começou como uma recessão relativamente branda” nos EUA “se tornou uma queda vertical”, disse Krugman em evento realizado em Bruxelas. “Esta é uma crise que está afetando gravemente a indústria de transformação.”

Krugman, que defendeu o aumento dos incentivos fiscais, disse que os instrumentos convencionais dos BCs não são suficientes para revitalizar o crescimento da economia. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e o do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Ben S. Bernanke, “não conseguem empregar suas ferramentas convencionais para enfrentar o colapso” econômico, disse o economista, da Universidade de Princeton.

Para o BCE, “toda a base intelectual do euro repousa na hipótese de que a política monetária pode, por si só, dar conta do recado”, disse Krugman. “O BCE ainda não cortou tudo o que podia (em termos de juros), mas ficarei surpreso se não acabar fazendo isso.”

“Trichet ainda está dizendo que não há risco de deflação na Europa, afirmação que, na minha opinião, expressa um estranho excesso de autoconfiança”, disse Krugman.

“Os Estados Unidos não estão fazendo o suficiente para combater a crise e a Europa está fazendo um pouco menos da metade do realizado pelos Estados Unidos”, disse Krugman. “Corremos um grave perigo.”

18/03/2009 - 11:08h Recessão será mais profunda, diz FMI

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Krishna Guha e Bertrand Benoit, Financial Times – VALOR

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anulará, amanhã, as previsões que anunciou para a economia mundial no início deste ano, e preverá uma recessão mais profunda, com um desaquecimento econômico mais severo na zona do euro.

Economistas do FMI reagiram ao ritmo e à gravidade do desaquecimento “à luz da grave contração na economia mundial nos últimos três meses de 2008 “, para formular previsões ainda mais pessimistas do que as feitas em janeiro sobre o crescimento em 2009.

Teresa Ter-Minassian, uma assessora de Dominique Strauss-Kahn, o diretor-gerente do FMI, emitiu ontem forte sinalização sobre o que esperar.

Citando previsões preliminares internas elaboradas em fins de fevereiro, ela disse que o FMI acredita que a economia mundial encolha 0,6% neste ano, em vez de crescer 0,5%, como havia previsto.

“O cenário será pior, mas o diretor-gerente já disse isso”, disse ela em Lisboa. “Essa é uma verdadeira crise mundial, que impactará todas as regiões e países do mundo em diferentes níveis de desenvolvimento”.

As previsões são de que a economia da eurozona irá encolher 3,2% em 2009, disse ela, contra a previsão anterior de declínio de 2%. Os EUA encolherão 2,6% (contra o 1,6% antes previsto) e o Japão 5% (contra os 2,6% antes previstos), sendo portanto a economia mais duramente atingida. Em Washington, o FMI disse que os números citados por Ter-Minassian são “não-oficiais” e estão “desatualizados”.

As iminentes revisões são anunciadas em meio a diferenças entre a Europa e os EUA sobre como atacar a recessão. Christoph Schmidt, um assessor econômico da chanceler alemã Angela Merkel, disse que a crescente dívida pública e a liquidez excessiva poderão empurrar os EUA para uma espiral inflacionária.

É improvável que os comentários do professor Schmidt sejam bem recebidos pelo governo Obama, que defende políticas fiscal e monetária mais frouxas em todo o mundo.

“Vejo um risco inflacionário nos EUA, no médio prazo, devido ao crescimento de sua oferta monetária”, disse ele. “Existe um risco de que [os governos] possam começar a considerar a inflação como uma maneira de reduzir a carga de endividamento público”.

Mervyn King, presidente do Banco da Inglaterra, defendeu que as grandes economias tomem medidas coletivas para impulsionar substancialmente o crescimento e que os governos “estejam dispostos a assumir o controle de quaisquer proporções de capital acionário que se revelem necessárias” em bancos vulneráveis.

O Banco do Japão apresentou uma minuta de plano para disponibilizar até 1 trilhão de ienes (7,7 bilhões de euros) em empréstimos subordinados a grandes bancos varejistas, em seu mais recente esforço para frear a crise econômica mundial.

A iniciativa do Banco do Japão acontece na esteira da decisão do Banco da Inglaterra de comprar dívida do governo britânico e do anúncio do Banco Nacional Suíço de seu plano para intervir nos mercados suíço.

09/03/2009 - 09:31h BCs prevêem queda de 2% no PIB mundial

Previsão é mais pessimista que a do FMI e a da ONU

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Jamil Chade – O Estado SP

Presidentes dos bancos centrais mais poderosos do planeta desembarcaram ontem na Suíça com números assustadores de baixo do braço. Cálculos preliminares apontam que o PIB do planeta pode ter a pior queda em décadas e que a contração seja de 2% em 2009, um cenário bem mais negativo que as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou da ONU. A América Latina ficaria estagnada e, no máximo, teria uma alta no PIB de 0,5%. A crise seria, portanto, mais profunda e mais abrangente do que se calculava até agora.

Ontem, os maiores bancos centrais do mundo se reuniram na Basileia para começar a avaliar a situação da economia internacional. A percepção é de que os problemas enfrentados pelo sistema financeiro são mais importantes do que foram avaliados na última reunião dos BCs, em janeiro. Desde então, os novos números apontaram para a pior retração nas economias dos Estados Unidos, Reino Unido e outros em três décadas.

Durante o encontro, bancos centrais debateram políticas anticíclicas, se governos devem ou não gastar nesse momento, como e a que taxas de juros os pacotes de socorro deveriam ocorrer. O FMI havia indicado que o mundo poderia ter um crescimento de 0,5% em 2009, puxado pelos países emergentes. Já a ONU, na semana passada, admitiu que isso poderia não ocorrer e que os emergentes não conseguiriam segurar a crise. O resultado seria uma contração de 1% no PIB do planeta.

Agora, as projeções trazidas por vários presidentes dos BCs, mesmo que não oficiais, é ainda pior. “A situação é muito grave e esses números (de 2% de queda) podem de fato ocorrer. Todos, inclusive os emergentes, estão sendo afetados. Os números de crescimento mundial podem ser muito baixos se considerarmos que a economia americana caiu em 6%, no Japão a queda foi de 12% e, na Europa, ainda será duramente afetada nos próximos meses”, afirmou o vice-governador do BC da Arábia Saudita, Mohamed Al-Jasser.

Falando em condição de anonimato, um presidente de um banco central latino-americano apontou que não está descartado que o PIB mundial sofra uma contração de 2,2%. “A América Latina tem a chance de ficar com um pouco da cabeça fora da água, mas não muito”, disse. Segundo ele, a queda nas atividades dos países ricos deve afetar ainda mais as exportações nos próximos meses dos países emergentes. Outro problema é a fuga de capitais, que estaria preocupando os latino-americanos. Só o Brasil perdeu US$ 100,8 bilhões desde o início da crise.

Na reunião da Basileia, outro ponto em debate hoje será o tamanho do rombo nos bancos e um eventual controle maior para garantir que o que ocorreu não se repita.

Durante o fim de semana, os governos da Bélgica e do Reino Unido socorreram seus bancos. O governo britânico elevou sua participação no Lloyds Banking Group e a Bélgica fechou a venda do Fortis ao BNP Paribas. Segundo o BIS, o rombo nos bancos europeus já chegaria a US$ 2 trilhões.

07/03/2009 - 11:04h Indústria cai em todo o mundo

EUA, Japão, Argentina, Chile e Coreia tiveram retração

Patrícia Lara – O Estado SP

Os resultados da produção industrial em janeiro no Brasil foram decepcionantes. Ainda assim, com seus 2,3% de crescimento, o Brasil é um dos poucos países que conseguiram sair do campo negativo após a paralisia produtiva que se espalhou pelo mundo no fim de 2008.

Entre os países que já divulgaram dados de janeiro, apenas a Coreia do Sul conseguiu apresentar um número positivo. A produção industrial sul-coreana cresceu 1,3% em janeiro em relação a dezembro de 2008 e despencou 25,6% no primeiro mês de janeiro, ante igual mês de 2008. Em dezembro, a produção na Coreia havia recuado 9,6% em relação a novembro.

Entre os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), apenas a Rússia já divulgou dados de janeiro. Com a economia altamente ligada às exportações de petróleo, a produção industrial despencou 19,9%, em janeiro contra dezembro, e 16% ante igual mês de 2008. Em dezembro, a produção russa, no entanto, havia subido 3,8% no comparativo mensal.

Na região, a Polônia mostrou que a sua produção encolheu no primeiro mês do ano 5,8%, ante dezembro, e 14,9%, no comparativo anual.

A Argentina registrou um tombo no seu ritmo produtivo em janeiro. Houve queda de 6,1% em relação a dezembro, em bases sazonalmente ajustadas. No resultado anual, a contração foi de 4,6%, após ajustes sazonais.

No Chile, a queda da produção se acelerou para 8,9% em janeiro, na comparação anual, após recuar 3,7% em dezembro.

ÁSIA

Com economia fortemente orientada pelo desempenho de suas exportações, o quadro produtivo de Taiwan mostrou deterioração acentuada. Houve queda recorde da atividade fabril de 43,11% em janeiro ante o mesmo mês de 2008, de acordo com dados ainda preliminares. O desempenho vem na sequência de um declínio de 32,04%.

Ainda na região asiática, mas inserido no grupo dos chamados desenvolvidos, o Japão viu sua produção cair 10,0% em janeiro, ante dezembro, mês que já havia mostrado queda de 9,8%. Nos EUA, a produção industrial cedeu 1,8% em janeiro, no mês, após queda de 2,4% em dezembro.

15/02/2009 - 09:46h Agora, todos nós somos suecos

http://notasaocafe.files.wordpress.com/2008/10/chappatte_24102008_1.jpg

Matthew Richardson Nouriel Roubini *, The Washington Post – O Estado SP

O sistema bancário dos Estados Unidos está à beira da insolvência e, se não quisermos ficar como o Japão nos anos 90 ou os Estados Unidos nos anos 30, o único meio de salvar os bancos é a estatização.

Como economistas defensores do livre mercado, professores de uma escola de administração no coração da capital financeira do mundo, sentimo-nos como se dizendo uma blasfêmia quando propomos que o governo assuma totalmente o controle do sistema bancário. Mas o sistema financeiro dos Estados Unidos chegou a um ponto tão crítico que não há muita escolha. E, embora o recente plano do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, para salvar os bancos contenha muitos elementos corretos, basicamente ele chega tarde demais.

A enrascada dos empréstimos hipotecários subprime sozinha não nos forçaria a tomar essa atitude. A soma de US$ 1,2 trilhão envolvida foi apenas o início do problema. Os outros US$ 7 trilhões – que incluem empréstimos para imóveis comerciais, dívidas com cartão de crédito, empréstimos alavancados e títulos de alto rendimento – correm o risco de perder grande parte do seu valor. E ainda existem mais alguns trilhões de dólares em títulos corporativos com classificação AAA ou AA e empréstimos e hipotecas “jumbo”com pagamento garantido cujo valor também vai despencar, à medida que a recessão se aprofunda e mais empresas e famílias deixam de pagar seus empréstimos e hipotecas.

No ano passado, nossa previsão era de que os prejuízos a serem contabilizados pelas instituições financeiras dos Estados Unidos chegariam a US$ 1 trilhão, subindo possivelmente para US$ 2 trilhões. Fomos acusados de exagero. Mas a partir daí as baixas contábeis pelos bancos ultrapassaram a marca de US$ 1 trilhão.

Agora, instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Goldman Sachs estão prevendo prejuízos de mais de US$ 2 trilhões.

Mas, se você acha que US$ 2 trilhões é uma soma muito grande, analise os nossos cálculos mais recentes no RGE Monitor, website financeiro que dirigimos: essas estimativas sugerem que o total de perdas sobre empréstimos feitos por bancos nos Estados Unidos, mais a queda do valor de mercado dos ativos mantidos por esses bancos chegará a US$ 3,6 trilhões. O setor bancário americano está exposto à metade desse valor: US$ 1,8 trilhão. Mesmo com os fundos recebidos do primeiro pacote de ajuda federal, no ano passado, o capital aplicado para respaldar os ativos dos bancos foi de apenas US$ 1,4 trilhão, deixando o sistema bancário americano com um rombo de US$ 400 bilhões.

Dois importantes elementos do plano de Geithner são: 1) “aplicar o teste de stress” aos bancos para separar as instituições viáveis daquelas próximas da bancarrota; 2) criar um fundo de investimento com dinheiro público e privado para compra de ativos podres. São medidas necessárias para se ter um setor financeiro próspero.

Mas, infelizmente, o plano não vai solucionar nossas dificuldades financeiras porque ele subentende que o sistema está solvente. Se executado de modo justo para os contribuintes (ou seja, fim dos “agrados” na forma de títulos abaixo do preço, ações preferenciais, garantias de empréstimo ou seguros sobre ativos), só vai confirmar o quão péssimas as coisas estão.

A estatização é a única opção que nos permitirá solucionar o problema dos ativos tóxicos de maneira disciplinada e permitirá também, finalmente, a retomada dos empréstimos. Naturalmente, a economia ainda continuará em má situação, mas a espiral da morte em que estamos será interrompida.

A estatização – ou “liquidação judicial”, se isso soar mais aceitável – não será fácil; entretanto, aqui vai uma série de princípios para o governo se pautar. Em primeiro lugar, e este é o ponto mais difícil, determinar quais são os bancos insolventes. O teste de stress de Geithner seria muito útil nesse caso.

O governo deveria começar com os grandes bancos que têm dívidas fora do país, e determinar quais são solventes e quais não são, para evitar o pânico. De outro modo, permitir a falência de um grande banco provocará uma corrida imediata àquela ação, e aos títulos da dívida de longo prazo de outros. Haverá muitas dificuldades, mas as autoridades reguladoras devem manter uma postura firme.

Em segundo lugar, estatizar imediatamente as instituições insolventes. Os investidores em ações serão eliminados, e os detentores de títulos da dívida de longo prazo terão créditos somente depois que os depositantes e outros credores de curto prazo forem reembolsados.

Em terceiro lugar, uma vez que uma instituição passe para o controle do Estado, separar seus ativos em bons e ruins. Os ativos ruins serão avaliados de acordo com os valores atuais (embora reduzidos). Novamente, como no plano de Geithner, o capital privado poderá adquirir uma fração desses ativos ruins. Quanto aos bons, voltariam a ser privados, quer mediante uma IPO (oferta pública inicial), quer por uma venda a um comprador estratégico.

Os ganhos auferidos pelos ativos bons e ruins iriam, em primeiro lugar, para os correntistas, e depois para os detentores de títulos da dívida, com a possível participação do governo para cobrir os custos administrativos. Se os correntistas forem reembolsados, o governo poderá de fato começar a ter lucros.

Em quarto lugar, fundir todos os ativos ruins restantes em um único empreendimento. Os ativos poderão aguardar o vencimento ou serem vendidos com os ganhos e os riscos decorrentes para os contribuintes.

O resultado final seria um sistema financeiro saudável com muitos bancos novos capitalizados com ativos bons. Os bancos insolventes, grandes demais para falir, seriam desmembrados em partes menores, com menos probabilidade de ameaçar o sistema financeiro como um todo.

Também seriam instituídas reformas em matéria de regulamentação, a fim de reduzir as chances de dispendiosas crises futuras.

A estatização dos bancos tem precedentes. Em 1992, o governo sueco assumiu o controle dos bancos insolventes, limpou-os e depois voltou a privatizá-los. Obviamente, o sistema bancário sueco era muito menor do que o americano. Além disso, algumas das atuais instituições americanas são muito maiores e mais complexas, o que dificulta a análise. E os mercados globais de capital permitem que jogar com o sistema seja mais fácil do que em 1992. Mas nós acreditamos que, se for aplicada de maneira correta, a solução sueca funcionará nos EUA.

A agência encarregada de reestruturar os bancos na Suécia não era uma entidade burocrática sem controle: ela delegou todos os detalhes da limpeza aos bancos privados e aos administradores contratados pelo governo. O processo foi surpreendentemente tranquilo.

Basicamente, hoje somos todos “suecos”. Usamos todas as nossas balas, mas o bicho-papão continua se aproximando. Vamos pegar nossa bazuca e acabar com ele.

*Matthew Richardson e Nouriel Roubini são professores da Escola de Administração Stern, na Universidade de Nova York. Ambos trabalharam no livro a ser lançado Restoring Financial Stability: How to Repair a Failed System (Restaurando a estabilidade financeira: como consertar um sistema falido)

14/02/2009 - 15:41h É intolerável!

Jogo simula estupro e aborto de mulher e filhas

Blog Page not found de  Fernando Moreira

 

Rapelay

Os criadores garantem que é apenas diversão. Para mim, um terrível equívoco. A produtora japonesa Illusion lançou um jogo em que o objetivo é estuprar uma mulher e suas duas jovens filhas em uma estação de metrô. E não fica só nisso. Depois do ataque sexual, o jogador tem que fazer com que as suas vítimas abortem. O nome do game bizarro é “Rapelay”.

Se o jogador não conseguir que as suas vítimas abortem ele perde e o seu personagem é jogado na linha do metrô. O game permite que vários jogadores “brinquem” ao mesmo tempo contra apenas uma mulher.

Inicialmente restrito ao mercado japonês, onde foi lançado em 2006, o jogo começou a chegar ao Ocidente em versões piratas ou por sites de venda. A Amazon, que chegou a vender o “Rapelay”, tirou o game das suas prateleiras.

Estupro e aborto viraram brincadeira?

07/02/2009 - 11:08h À beira da catástrofe

Ce lundi, le 44e président doit tenir une conférence de presse destinée à présenter son équipe économique. (AFP)

Paul Krugman * – O Estado SP

krugman_paul.jpgUma coisa não muito engraçada ocorreu no caminho da recuperação econômica. Nas duas últimas semanas, o que deveria ter sido um debate extremamente sério sobre como salvar uma economia em situação desesperadora, se transformou num teatro político trivial com republicanos despejando todos os velhos clichês sobre gastos perdulários do governo e as maravilhas dos cortes de impostos.

É como se o pavoroso fracasso econômico dos últimos oito anos não houvesse acontecido – e, no entanto, por incrível que pareça, os democratas ficaram na defensiva. Mesmo que um grande pacote de estímulo seja aprovado no Senado, existe um risco concreto de que partes importantes do plano original, em especial a ajuda a governos estaduais e municipais, sejam amputadas.

De alguma maneira, Washington perdeu qualquer senso do que está em jogo – da realidade de que podemos perfeitamente estar caindo num abismo econômico, e que se o fizermos, será muito difícil sair dele.

É difícil exagerar o tamanho das dificuldades econômicas que enfrentamos. A crise começou no setor imobiliário, mas o estouro da bolha imobiliária da era Bush acionou a queda das pedras de dominó não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.

Os consumidores, com a sua riqueza dizimada e seu otimismo abalado pelo colapso dos preços das moradias e um mercado acionário em queda, cortaram seus gastos e aumentaram fortemente sua poupança – uma boa coisa no longo prazo, mas um golpe enorme na economia neste momento. Os incorporadores de imóveis comerciais, observando a queda dos aluguéis e a escalada dos custos do financiamento, estão cortando seus planos de investimento. Empresas estão cancelando planos para expandir a capacidade por não estarem vendendo o suficiente para usar a capacidade de que dispõem. E as exportações, uma das poucas áreas fortes da economia americana no último par de anos, estão despencando agora na medida em que a crise financeira atinge nossos parceiros comerciais.

Enquanto isso, nossa linha principal de defesa contra recessões – a capacidade habitual do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de amparar a economia cortando taxas de juros – já foi ultrapassada. O Fed cortou as taxas que controla basicamente a zero, mas a economia continua em queda livre.

Não é de surpreender, portanto, que a maioria das projeções econômicas advirtam que na falta de uma ação governamental estaremos a caminho de uma recessão profunda e prolongada. Alguns analistas privados preveem um desemprego de dois dígitos. O Escritório de Orçamento do Congresso está um pouco mais otimista, mas ainda assim seu diretor advertiu recentemente que “na falta de uma mudança na política fiscal… o déficit na produção nacional em relação aos níveis potenciais será o maior – em duração e profundidade – desde a Depressão dos anos 30″.

O pior de tudo é a possibilidade de que a economia se veja, como aconteceu nos anos 30, presa numa prolongada armadilha deflacionária.

Já estamos mais perto de uma deflação que em qualquer ponto desde a Grande Depressão. Em particular, o setor privado está experimentando cortes generalizados de salários pela primeira vez desde os anos 30, e haverá muito mais disso se a economia continuar se debilitando.

Como assinalou o grande economista americano Irving Fischer, há quase 80 anos, a deflação, uma vez iniciada, tende a se autoalimentar. À medida que as receitas em dólar caem em face de uma economia deprimida, o peso da dívida se torna mais difícil de suportar, enquanto a expectativa de novas quedas de preços desestimula os gastos com investimento. Esses efeitos de deflação deprimem ainda mais a economia, provocando mais deflação, e assim sucessivamente.

E armadilhas deflacionárias podem durar muito tempo. O Japão teve uma “década perdida” de deflação e estagnação nos anos 90 – e a única coisa que permitiu que o Japão escapasse de sua armadilha foi um boom global que intensificou as exportações do país.

Quem salvará os Estados Unidos de uma armadilha parecida agora que o mundo todo está em retração ao mesmo tempo? Será que o plano econômico de Obama, se aprovado, garantirá que os Estados Unidos não tenham sua década perdida?

Não necessariamente: alguns economistas, eu inclusive, acham que o plano é insuficiente e deveria ser substancialmente maior. Mas o plano de Obama certamente melhoraria nossa sorte. E é por isso que os esforços de republicanos para tornar o plano menor e menos eficaz – para transformá-lo em pouco mais que outra rodada de cortes de impostos ao estilo Bush – são tão destrutivos.

O que Barack Obama deveria fazer então? Eu me incluo entre os que acham que o presidente cometeu um grande erro em sua atitude inicial, de que suas tentativas de transcender o partidarismo terminaram fortalecendo políticos que recebem ordens de marcha de Rush Limbaugh. O que importa agora, porém, é o que ele fará em seguida.

Já é hora de o presidente Barack Obama partir para a ofensiva. Ele precisa, sobretudo, não se esquivar de assinalar que os que se colocam no caminho do seu plano em nome de uma filosofia econômica desacreditada, estão colocando em risco o futuro da nação. A economia americana está à beira da catástrofe, e boa parte do Partido Republicano está tentando empurrá-la por sobre essa beira.

*Paul Krugman é articulista

07/02/2009 - 10:32h Brasil é o único que não sofrerá “forte desaceleração” nos próximos 6 meses, prevé OCDE

OCDE prevê piora na economia brasileira

Andrei Netto – O Estado SP

Seis meses depois da explosão da crise do sistema financeiro internacional, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) diagnosticou a “desaceleração” da economia brasileira. A análise, revelada ontem, em Paris, foi feita a partir dos Indicadores Compostos Avançados e revela que as perspectivas econômicas dos países desenvolvidos e emergentes para os próximos seis meses são as piores verificadas desde os anos 1970. Mesmo assim, o Brasil ainda enfrenta uma situação menos grave se comparada a de 34 grandes mercados.

Os Indicadores Compostos Avançados servem para indicar a tendência de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no horizonte de um semestre. De acordo com o levantamento, o Brasil é o único não classificado com avaliação “forte desaceleração” dentre os 35 analisados. Pelo método utilizado, quedas abaixo de 100 pontos são interpretadas como declínio da atividade econômica em um futuro próximo – de quatro a oito meses. Além de ter o melhor indicador (total de 98,8 pontos), o Brasil é país é o que menos perdeu desempenho em 12 meses (-5,4 pontos).

“Está claro que os efeitos da crise financeira global se mostraram com algum atraso no Brasil”, explicou ao Estado, Gyorgy Gyomai, economista da OCDE e autor do relatório. Segundo ele, os indicadores de comércio assinalavam um panorama favorável para o Brasil mesmo quando outros países davam sinais de declínio da atividade. “Os mais recentes eventos, como a evolução das exportações, mostram que a economia brasileira reagiu com atraso e que a crise também afetará o país”, estima. “Não está claro se o declínio da atividade será menos dramático no Brasil ou se ele seguirá com retardo a desaceleração das economias OCDE.”

As estatísticas, relativas a dezembro, também apontaram a perspectiva de aprofundamento da recessão em países industrializados e emergentes. Na zona OCDE, a desaceleração foi de 8,2 pontos em 12 meses, chegando a 92,9 pontos. Na zona euro, a queda foi de 8,2 pontos em relação a 2007, com 93,8 pontos. Nos Estados Unidos, o recuo foi de 9,5 em um ano, com total de 91,3 pontos.

Todas as grandes sete maiores economias – Estados Unidos, Japão, China, Alemanha, França, Reino Unido e Itália – estão em fase de “forte desaceleração” da atividade, segundo a entidade. A maior queda na comparação anual entre os países do G7 foi registrada pela Alemanha, com recuo de 11,8 pontos, para 90,9 em dezembro. O indicador no Japão caiu para 92,2 em dezembro, uma queda de 7,3 pontos em relação ao mesmo período do ano passado.

“Os indicadores compostos avançados para a maior parte dos países da OCDE atingiram níveis jamais vistos desde os anos 1970, no momento dos choques petrolíferos”, diz o texto.

Dentre os demais BRICs – China, com recuo de 14 pontos no ano e total de 87,6 pontos; Índia, com 7,5 pontos e soma de 94,4 pontos; e Rússia, com queda de 17,7 e total de 86,7 pontos – também são classificados como “em forte desaceleração”.

01/02/2009 - 19:58h Okita, star des années 1790

Il existe une femme dont on ne sait presque rien. Elle vivait à la fin du XVIIIe siècle, au Japon. Seuls ses portraits peints par Utamaro demeurent. Etait-il amoureux d’elle ?

Okitachan

A la BNF, jusqu’au 15 février, il est possible de voir une extraordinaire exposition d’estampes pornographiques japonaises mais surtout les portraits des femmes considérées comme les plus sublimes beautés du XVIIIe siècle. Prostituées de haut rang, courtisanes, marchandes de fleur ou simples mères au foyer, elles sourient, tirent la langue et resserrent parfois le haut de leur kimono qui s’est entrouvert sur un sein pommelé… Parmi elles, il s’en trouve une dont l’histoire reste un mystère. Okita travaillait dans une maison de thé appelée Naniwaya, située à Edo (aujourd’hui Tokyo), près du Temple d’Asakusa. En 1793, Utamaro la représente en train de servir le thé, la tête inclinée, souriante, ses phalanges recroquevillées sous la tasse qu’elle tend gracieusement…

«De cette estampe, on n’a répertorié à ce jour qu’environ 8 exemplaires dans le monde, explique Gysèle Lambert, commissaire de l’exposition. Beaucoup d’artistes ont fait le portrait de cette jeune fille. Mais Utamaro, particulièrement, l’a représentée à de nombreuses reprises et l’a propulsée au panthéon des plus belles femmes de l’époque. Elle faisait partie des trois Bijin (les trois Grâces, on dirait les trois Miss Japon 1793) avec Ohisa et Toyohina.»

A la BNF, on peut d’ailleurs voir Okita sur une autre gravure  de 1793 : La parodie du chariot brisé. Placée entre deux courtisanes célèbres de l’époque, elle se dresse au centre de l’image, dans une robe ornée de paulownias (son emblème), repliant une main devant sa gorge, avec des doigts si fins, si minces, qu’ils ressemblent à des mains de poupée. A l’époque Edo, on dit d’une belle femme qu’elle a les doigts comme des salanx, des poissons minuscules et presque transparents. Que sait-on d’Okita ? Pas grand chose à part qu’elle était belle.

Estampebnf

«On sait qu’elle avait 16 ans en l’an 5 de l’ère Kansei, c’est à dire en 1793, raconte Christophe Marquet, spécialiste de l’histoire de l’art d’Edo. A cette époque, les femmes commençaient à travailler dans les bordels dès 13-14 ans et atteignaient rarement l’âge de 25 ans. Okita n’était pas une courtisane, mais elle a fait partie de ces femmes qu’on pourrait maintenant comparer aux serveuses des Maid Café.» Une idole ? A l’époque Edo, un peu comme maintenant, il y avait donc au Japon des phénomènes de mode liés aux bijin (les jolies filles). «Les patrons des maisons de thé recrutaient uniquement des bijin pour attirer les clients, confirme Christophe Marquet. Okita devait certainement en attirer beaucoup.»

Dans un film magnifique, 5 femmes autour d’Utamaro (Carlotta), le réalisateur Mizoguchi raconte qu’Utamaro était amoureux d’elle. Mais qu’Okita en aimait un autre et qu’elle a fini par tuer… avant d’être condamnée à mort. Dans ce film très romancé, Okita occupe la place centrale d’une tragédie romantique et rebelle. La jeune fille n’a d’yeux que pour une sorte de dandy factice, Shôzaburô, séducteur infidèle qui la trompe et s’enfuit avec une rivale. Alors Okita, folle de jalousie, part à leur poursuite, retrouve les amants et fait kidnapper Shôzaburô… qui la trompe à nouveau. «Oublie-le. Renonce à lui comme une vraie femme d’Edo», supplie Utamaro. Okita réplique : «Je ne peux pas me contenter de sourire et souffrir.»

Armée d’un couteau, elle part à la recherche des amants qu’elle assassine. Puis, alors que les policiers la recherchent partout, Okita fait ses adieux au peintre : «Je ne veux pas être dupe d’un amour tiède ou égoiste. Uta, n’est-ce pas pareil avec vos dessins ? Est-ce que l’estampe qui me représente n’exprime pas la même idée ? Toute ma vie j’ai agi exactement comme je l’entendais. Qu’on me décapite, qu’on me pende ou qu’on me brûle vive, j’accepte mon châtiment. Je l’aimais tellement. Je devais être châtiée. Uta, c’est ça l’amour ? C’est ça l’amour n’est-ce pas ?» Utamaro ne peut pas dire non. Dans ce monde éphémère, la beauté passe, la gloire aussi. Même l’amour semble condamné à périr… ce qui fait tout le charme de ces estampes en hommage au “monde flottant”.

«Okita était la star du début des années 1790, conclut Christophe Marquet. Mais à partir de 1795, on ne la voit plus sur aucune estampe. Passé 25 ans, une femme n’intéressait plus personne. Quant au film de Mizoguchi, il relève de la spéculation pure. On ne sait même pas qui était Utamaro. Certains pensent qu’il était le fils d’un patron de bordel du Yoshiwara. Ça expliquerait pourquoi il ait pratiquement vécu toute sa vie dans le quartier réservé. Il avait ses entrées dans tous les établissements. Il a fréquenté toutes les courtisanes renommées de son temps. Mais on ne sait pas de quelle femme il a été amoureux.»

Estampes japonaises. Images d’un monde éphémère : du 18 novembre 2008 au 15 février 2009.
Bibliothèque nationale de France : 58 rue Richelieu, 75002 Paris
Du mardi au samedi de 10h à 19h. Dimanche de 12h à 19h.
Entrée : 7 € – Tarif réduit : 5 €

Le DVD Cinq femmes autour d’Utamaro, réalisé par Kenji Mizoguchi, est distribué par Carlotta.

07/01/2009 - 09:51h 2009 moldará o destino do mundo

http://www.galizacig.com/imxact/2008/02/finances_590.jpg

*Martin Wolf – VALOR

Bem-vindos a 2009. Este é um ano que determinará o destino da economia mundial, talvez por gerações. Alguns observadores acalentam esperanças de que poderemos restaurar o crescimento econômico mundialmente desequilibrado em meados desta década. Eles estão errados. Nossa escolha é somente sobre o que o substituirá. É entre uma economia mundial mais bem equilibrada e desintegração. Essa escolha não pode ser adiada. Tem de ser feita neste ano.

Estamos aprisionados na mais grave crise financeira mundial em sete décadas. Em conseqüência, o mundo não dispõe de agentes privados dispostos a tomar empréstimos em larga escala. A alternativa – depender de enormes déficits fiscais americanos e expansão do crédito concedido por bancos centrais – é um expediente temporário, embora necessário. Mas isso não proporcionará um retorno duradouro ao crescimento. Mudanças fundamentais são necessárias.

Já deve ter ficado claro – até mesmo para obtusos e complacentes – que esta crise se iguala em gravidade às piores que já impactaram os países avançados na Era do Pós-Guerra. Em recente atualização de um estudo seminal publicado 12 meses atrás, Carmen Reinhart, da Universidade Maryland e Kenneth Rogoff, de Harvard, detalham o que isso significa. Assinalam as similaridades entre grandes crises financeiras em países avançados e emergentes e, ao combinar alguns casos graves, chegam a conclusões perturbadoras.

Crises bancárias são agudas, apontam eles, e a produção declina, em média, durante dois anos. Colapsos nos mercados de ativos são profundos, com quedas nos preços reais das moradias, também em média de 35% num prazo de seis anos, e queda de 55% nos preços das ações ao longo de 3,5 anos. A taxa de desemprego cresce em média 7 pontos percentuais em quatro anos, ao passo que a produção cai 9%.

Não menos importante, o valor real da dívida governamental salta, em média, 86%. Isso se deve apenas em pequena medida ao custo de recapitalização dos bancos. Deve-se bem mais ao colapso nas receitas tributárias.

Até que ponto a atual crise igualará a gravidade da pior registrada no passado? A continuada disposição do mundo em financiar pelo menos os EUA – embora não necessariamente países deficitários menores e mais periféricos, como o Reino Unido – é uma razão para otimismo. Isso efetivamente permite que o governo americano articule um vasto programa de socorro fiscal e monetário.

Mas, como os professores Reinhart e Rogoff apontam em outro estudo, esta é uma crise mundial, não regional. O estudo nos recorda que os EUA são ainda, para bem ou para mal, o pivô da economia mundial. Nas grandes crises em décadas recentes, a demanda americana salvou o mundo. Isso foi verdade durante os anos 90, depois da crise asiática, e novamente depois do colapso nas bolsas, em 2000. Mas quem, com exceção de seu próprio governo, socorrerá os EUA? E em que escala precisará agir?

Essa questão é abordada em outro estudo seminal, o mais recente na série de autoria de Wynne Godley e dois colegas para o “Levy Economics Institute” do “Bard College”. O argumento que fundamenta a análise deve, nesta altura dos acontecimentos, ser bastante familiar aos leitores desta coluna.

O que torna o socorro tão difícil é a força que motivou a crise: a interação entre persistentes desequilíbrios externo e interno nos EUA e no restante do mundo. Os EUA e alguns outros países deficitários crônicos têm, atualmente, uma capacidade estruturalmente deficiente para produzir bens e serviços comerciáveis. O restante do mundo, ou, mais precisamente, um número limitado de países com grande superávit – especialmente a China -, têm o oposto. De modo que a demanda vaza sistematicamente dos países deficitários para os superavitários.

Em épocas de demanda aquecida, isso não é problema. Em períodos de colapso nos gastos privados, como agora, trata-se de um problema enorme. Isso significa que os esforços de socorro americanos precisam ser suficientemente grandes não apenas para aumentar a demanda por produção americana, mas também para ampliar a demanda pelo excedente produtivo de grande parte do restante do mundo. Esse foi um ônus com que o Japão, quando afetado por sua crise, não teve de arcar.

O que aconteceu com os gastos privados americanos decorre do colapso na tomada de empréstimos: entre o terceiro trimestre de 2007 e terceiro trimestre de 2008, a concessão líquida de empréstimos ao setor privado americano caiu aproximadamente o equivalente a 13% do PIB – de longe a mais aguda queda na história da série. Com a tomada de empréstimos fora do cenário, a poupança privada líquida – diferença entre receitas e despesas – provavelmente permanecerá positiva durante anos, enquanto as famílias irão pagando suas dívidas, querendo ou não.

Em vista do persistente déficit estrutural em conta corrente, qual deve ser a ordem de grandeza do déficit fiscal para equilibrar a economia em algum ponto próximo do pleno emprego? Considerando, inicialmente, que o setor privado incorra em um superávit financeiro de 6% do PIB e que o déficit estrutural em conta corrente seja de 4% do PIB, o déficit fiscal precisa ser de 10% do PIB, indefinidamente.

E para chegar a esse ponto, o estímulo fiscal precisa ser enorme. Uma injeção arbitrária de US$ 760 bilhões, ou 5,3% do PIB, não é suficiente. Os autores argumentam que “mesmo com a aplicação de estímulos fiscais quase inacreditavelmente grandes, a produção não crescerá o suficiente para impedir que o desemprego continue a crescer no decorrer dos próximos dois anos”.

Agora consideremos o que acontecerá se, após dois ou mais anos de monstruosos déficits fiscais, os EUA continuarem atolados em desemprego e crescimento lento. As pessoas começarão a perguntar por que o país está exportando tanto de sua demanda para sustentar empregos no exterior. Eles irão querer sua demanda de volta. A última vez em que esse tipo de coisa aconteceu – na década de 1930 – o desfecho foi uma rodada devastadora de desvalorizações em que cada país tenta beneficiar-se em detrimento dos outros, e protecionismo. Poderemos ficar confiantes de que conseguiremos evitar tais riscos? Ao contrário, o perigo é extremo. Depois que tiver início uma reversão da integração da economia mundial e o desemprego disparar, os demônios de nosso passado – o nacionalismo, acima de tudo – retornarão. Os avanço de décadas poderão desmoronar quase do dia para a noite.

No entanto, temos uma oportunidade de ouro para nos desviarmos desse curso. Hoje, sabemos mais. Os EUA têm, em Barack Obama, um presidente com enorme capital político. Seu governo estará determinado a fazer tudo o que puder. Mas os EUA não são suficientemente fortes para socorrerem, sozinhos, a economia mundial. Os EUA necessitam colaboração, especialmente dos países superavitários. Os EUA e um punhado de outros países avançados já não têm condições de absorver os superávits mundiais de poupança e mercadorias. A crise é prova disso. O mundo mudou, e por isso devem mudar suas políticas. Isso precisa ser feito já.

Martin Wolf é colunista do “Financial Times”.

25/12/2008 - 12:00h Feliz Natal? Sim, Feliz Natal

XL Christmas Outdoor Rope Light, SANTA CLAUS, 45X120 cm, chasing animated effect Stars a group of two light-up one group by another from bottom to uplula_caricatura2.jpg

 

 

 

Alberto Tamer – O Estado SP

É Natal, é dia de paz, é dia para ser feliz. Nada de notícias desagradáveis que perturbem a nossa festa familiar. Nada dos números sombrios que povoam a coluna desde outubro.

Mas será mesmo possível ficar tranqüilo com a recessão que fustiga o mundo? Sim. É só olhar para o que ocorre lá fora e o que ocorre aqui, no Brasil.

Nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, na Rússia, na Finlândia, em todo o Leste Eurpeu, tudo vai mal. Economias entram em recessão, o comércio entre os países definha, o desemprego aumenta de forma assustadora. Ninguém confia em ninguém porque ninguém sabe o que vai acontecer num futuro que já está aí.

Aqui, sem dúvida alguma, o quadro é outro. E vejam bem que nem usei o advérbio “ainda”, que geralmente levanta restrições.

Sim, estamos indo até bem em meio à tempestade que pressagia furacões selvagens que arrasam as economias mais sólidas.

Quem afirma isso, agora, não é mais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sempre otimista, ou seus ministros, mas o Banco Central. Sim, o Banco Central realista que conseguiu manter-se isento na onda de afirmações e desmentidos sobre a invulnerabilidade da economia nacional. Ele foi sempre muito severo, sempre disse e agiu como tinha de agir, não mentiu nem uma vez.

Pelo contrário, desdisse a todos no governo que, com suas previsões ligeiras, incluindo as do Lula, classificavam como marola as ondas gigantescas que se formavam lá fora. E agora desdiz, mais uma vez, ao prever um crescimento menor do que o governo projeta para 2009.

Sempre pediu, pregou e agiu com realismo.

Pois é, o Banco Central que está dizendo agora que nossa economia será afetada, sim, vai crescer menos, mas está conseguindo reagir bem. Nós e a China. Ninguém mais.

Nós podemos crescer 2,3%, ao contrário do que afirma o governo, mas os outros beiram crescimento zero.

O relatório do último trimestre do Banco Central não chega a ser otimista, mas afasta qualquer pessimismo prematuro. Não foi um ano festivo, mas não foi também trágico. Tivemos três trimestres bons e estamos tendo um quarto apenas regular. É isso o que dizem os técnicos do Banco Central.

2,2 MILHÕES DE EMPREGOS

Afinal, foram criados no País, 2,2 milhões de empregos até novembro, enquanto nos Estados Unidos estão perdendo quase 2 milhões.

Aqui, foram fechadas 40 mil vagas em novembro. Nos Estados Unidos, foram 550 mil só em um mês.O mercado interno lá e na Europa recua há meses jogando a economia na recessão. Aqui, ainda está aquecido. Sei que comparações como essa não adiantam muito, mas revelam que temos, neste momento, uma economia mais resistente.

Tudo indica que vamos ser menos feridos pela crise que se alastra mundo afora, mas podemos evitar a recessão.

ESPÍRITO DE NATAL? NÃO

Talvez o leitor mais crítico possa achar que estou contaminado pelo espírito de Natal, que vejo tudo sob o olhar das estrelas que iluminam o presépio de Jesus. Sei que encontram, nas entrelinhas, algumas contradições com colunas anteriores, mas estou sendo sincero com vocês.

Nosso Natal será um Natal mais feliz se compararmos com outros que o mundo está vivendo, imerso no desemprego crescente, na recessão. Posso afirmar que está sendo um bom Natal. Há sombras que se aproximam, mas estamos preparados para que não escureçam tanto nosso futuro.

Pode parecer pouco, mas é muito.

FELIZ NATAL, LEITOR AMIGO!

Por isso, leitor, estou tranqüilo ao dizer que há riscos sim, mas estamos bem, muito mesmo se pensarmos como poderíamos estar, se nada tivesse sido feito.

Não vou dizer que estamos bem porque poderíamos estar pior. Não, não.

Estamos bem porque você, leitor, vem sustentando a demanda interna, e você, empresário, investe menos, mas não deixou de investir. Há cautela, sim, mas há confiança também em que, juntos, vamos superar o que pode vir. Confiança em que poderemos enfrentar esta crise e nos sairmos bem.

Por isso, leitor amigo e fiel, que tem me acompanhado nestes 15 anos de coluna pelos caminhos de Londres, Paris, Genebra, Bruxelas, estou tranqüilo ao desejar a você e à sua familia,muita paz e alegria neste Natal em que se renovam a fé e a esperança no nosso futuro, no futuro do Brasil.

Seja Feliz , meu amigo.

Muito feliz.

*E-mail: at@attglobal.net

16/12/2008 - 13:20h Entre o antes e o depois

rui_falcao.jpgEm consonância com estratégias semelhantes adotada pelos governos do Japão e dos países da Europa, de prevenção e reação ao aprofundamento da recessão, o governo Lula anunciou na semana passada um conjunto de medidas de vigência imediata, que se resumem na redução de impostos e na promoção dos investimentos, para evitar o desemprego e estimular o consumo. Outras providências virão se a situação o exigir.

Essa é, provavelmente, a primeira vez na história do Brasil em que medidas preventivas destinadas a sustentar a atividade econômica contemplam diretamente os trabalhadores. Visam à manutenção do poder aquisitivo, por meio da redução do Imposto sobre a Renda, do salário e do emprego, a retomada da produção e o restabelecimento dos fluxos de crédito, sem falar da preservação da rede de proteção social, que atende, entre outros programas, os beneficiários do Bolsa-Família.

O ineditismo da iniciativa não passou despercebido pela grande imprensa e por seus colunistas, em geral inclinados a desqualificar, por preconceito, tudo o que emana do Palácio do Planalto. Desta vez, porém, sem deixar de apequenar o feito tanto quanto possível, chegou-se a admitir num gesto irônico que “o presidente Lula descobriu o crédito como instrumento de ação política”, ou que “parece estar havendo agora mais realismo na equipe econômica”… “caminho pragmático que agora começa a trilhar”.

São, em geral, avaliações que intentam reduzir o programa anti-recessão a uma iniciativa de caráter imediatista e gerencial, que teria sido inspirado ao acaso das circunstâncias politiqueiras, como um súbito lampejo oportunista que se tivesse abatido sobre a cabeça do presidente ou de algum de seus ministros. Como a sugerir que, mesmo de um governo do qual nada se espera, pode ocorrer, como a um relógio parado, que dê a hora certa duas vezes por dia.

Tudo isso para não reconhecer que nada há de improvisação no conjunto de medidas anunciadas. Com tal relutância, não se compreenderão os fundamentos de sua motivação nem o alcance de suas implicações. Sob o risco de manter a sociedade privada de seu significado, não se pode passar por cima de seu aspecto novidadeiro, para interpretá-las como mera extensão do receituário a que esteve sujeita a condução da política econômica em passado recente. O receituário do governo FHC, por diferenças doutrinárias, nada tem de aproveitável nas atuais circunstâncias, ao contrário: só serviria para agravar ainda mais o problema.

A cartilha fundamentalista, que manteve o governo FHC passivo diante da crise social gerada pelo seu programa de estabilização, privaria os seus operadores de enxergar o caminho de saída – a necessidade de intervenção do Estado no estímulo à demanda agregada, à retomada dos investimentos e do emprego. A propósito, certamente não é por acaso que os autores do livro virtual “Como reagir à Crise – Políticas Econômicas para o Brasil”, lançado na semana passada por um grupo de economistas que desenharam e implementaram o programa neoliberal tucano, não dedicam um único capítulo ao impacto da crise sobre o emprego e a renda dos trabalhadores. Entre os autores, o ex-ministro da Economia, Pedro Malan, e o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Para assegurar o pleno emprego, diziam eles, bastaria confiar na capacidade do mercado de se auto-regular e de restabelecer espontaneamente a confiança dos investidores. O resultado foram oito anos de estagnação e desemprego, o pior período da história econômica brasileira para os trabalhadores.

O que há de novo no governo Lula é que, assim como os governos do Japão e dos países europeus, ele não se conforma em deixar de lado os instrumentos que lhe são postos à disposição pelo Estado para debelar a crise, em vez de se submeter à passividade gerencial dos fundamentalistas. O livre mercado, deixado a seu suposto automatismo, somente leva a crises recorrentes de acumulação, à concentração da renda e à exclusão social.

O que há de novo, a inspirar a estratégia de resposta à crise, é o restabelecimento da Política na condução dos assuntos do Estado, como instituição capaz de promover a necessária acomodação dos interesses conflitantes, num ambiente democrático de participação e deliberação. Não se trata, pois, de restringir o sentido das medidas a um suposto oportunismo do político Lula – de “ter descoberto o crédito como instrumento de ação política”-, e sim de reconhecer que foi a reinstitucionalização da Política que tornou possível ao governo recorrer ao crédito para estimular a atividade econômica.

Com o restabelecimento da Política em seu papel de pactuar conflitos de interesses, estamos diante de um novo horizonte de valores, construído a partir de uma concepção integral da cidadania, sustentada por sujeitos políticos conscientes, autônomos e ativos. Sob o enfoque da cidadania consagrada nos termos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, cabe ao Estado não apenas assegurar o direito à liberdade individual e à iniciativa privada, mas também prover o acesso aos direitos sociais, o que lhe confere a responsabilidade de desempenhar um papel estratégico no fortalecimento da democracia. Pois, como está inscrito na Constituição Federal e como mostrou o Prêmio Nobel de Economia Amartya Sen, a democracia somente é sustentável se assentada também na realização e defesa dos direitos sociais, ou seja, na eqüidade.

Longe de se constituir em investida oportunista, o conjunto consistente de medidas anti-recessão apresenta-se a nós, do Partido dos Trabalhadores – sem exclusão de demais partidos da base aliada -, e certamente a toda sociedade como uma aplicação natural dos princípios e diretrizes que conformam a dimensão da sustentabilidade.

Em termos elementares, a sustentabilidade é sinônimo de estabilidade, permanência no tempo, duração, reiteração. A estabilidade democrática estará em perigo sempre que o Estado e os governos se omitirem na promoção do bem-estar e da melhoria das condições sociais dos grupos mais vulneráveis. Inversamente, a democracia se fortalecerá sempre que a estratégia de crescimento econômico estiver associada à realização dos direitos sociais e à participação popular. São esses os fundamentos que inspiram a estratégia de resposta à crise – e que nada têm de imediatismo oportunista ou de improvisação.

Como parte da estratégia de desenvolvimento sustentável, que caracteriza o modo petista de governar, são medidas que se orientam pelos princípios da prevenção, precaução, participação, compensação e compromisso com a melhoria contínua, entre outros. A implementação de tal estratégia implica mudança nas relações de poder, como pré-condição e como resultado da incorporação da participação popular nos processos de decisão. É dizer que o propósito que orienta o governo na definição das medidas destinadas a atenuar os efeitos negativos da crise é indissociável de seu compromisso de manutenção do bem-estar social e do fortalecimento da democracia.

Eis a diferença de qualidade, que o preconceito não permite enxergar.


Rui Falcão, 65 anos, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão Marta Suplicy.

07/12/2008 - 15:11h O GASTO DE HOJE PREJUDICARÁ A ECONOMIA DE AMANHÃ?

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por Paul Krugman* – Zero Hora

krugman_paul.jpgNeste momento, há um intenso debate sobre quão agressivo deve ser o governo dos Estados Unidos na tentativa de recuperar a economia. Muitos economistas, inclusive eu, estão clamando por uma grande expansão fiscal para evitar que a economia siga em queda livre. Outros, no entanto, preocupam-se com o fardo que o enorme déficit orçamentário irá colocar sobre as futuras gerações.

Mas as preocupações com o déficit estão totalmente equivocadas. Sob as condições atuais, não há conflito entre o que é bom no curto prazo e o que é bom no longo prazo; uma forte expansão fiscal pode, na verdade, melhorar as perspectivas de longo prazo da economia.

A alegação de que os déficits orçamentários enfraquecem a economia a longo prazo é baseada na crença de que o financiamento governamental desloca o investimento privado – o governo, ao emitir muita dívida, eleva rapidamente a taxa de juro, deixando as empresas pouco dispostas a investir em novas plantas e equipamentos, e isso, por sua vez, reduz a taxa de crescimento da economia a longo prazo. Sob circunstâncias normais, esse argumento faz muito sentido.

Mas as atuais circunstâncias estão muito além da normalidade. Imagine o que poderia ocorrer no próximo ano se a administração Obama capitulasse frente aos falcões do déficit e encolhesse seus planos fiscais. Isso levaria a taxas de juro mais baixas? Certamente, não conduziria à redução das taxas de juro de curto prazo, que são mais ou menos controladas pelo Federal Reserve. O Fed já está mantendo essas taxas o mais baixas possível – virtualmente, em zero – e não mudará essa política a menos que veja sinais de que a economia está ameaçada de superaquecimento. E essa não parece ser uma perspectiva realista em breve.

E sobre o juro de longo prazo? Essas taxas, já no nível mais baixo em meio século, refletem principalmente taxas futuras de curto prazo. Austeridade fiscal pode empurrá-las ainda mais para baixo – mas somente criando expectativas de que a economia poderia se manter profundamente deprimida por um longo tempo, o que iria reduzir, não elevar, o investimento privado.

A idéia de que apertar a política fiscal quando a economia está deprimida na verdade leva à redução do investimento privado não é apenas um argumento hipotético: é exatamente o que ocorreu em dois importantes episódios da história. O primeiro ocorreu em 1937, quando Franklin Roosevelt equivocadamente deu ouvidos aos preocupados com déficit de sua própria era. Ele reduziu de forma acentuada o gasto do governo, entre outras coisas cortando o Works Progress Administration (agência criada em 1935 para gerar empregos e sair da Grande Depressão) pela metade, e ainda elevando impostos. O resultado foi uma severa recessão, e uma queda abrupta no investimento privado. O segundo episódio teve lugar 60 anos depois, no Japão. Em 1996-97, o governo japonês tentou equilibrar seu orçamento cortando gastos e elevando impostos. E outra vez a recessão que se seguiu conduziu a uma queda drástica no investimento privado.

Apenas para ser claro, não estou afirmando que a tentativa de reduzir déficits orçamentários sempre é ruim para o investimento privado. Você pode se basear no caso da restrição fiscal de Bill Clinton nos anos 90, que ajudou a abastecer o maior boom de investimentos dos EUA da década, o que por sua vez ajudou a provocar uma recuperação no crescimento da produtividade.

O que torna a austeridade fiscal tão má idéia, tanto nos EUA de Rooselvet quanto no Japão dos anos 90, foram circunstâncias especiais: nos dois casos, o governo recuou frente a uma armadilha de liquidez, uma situação na qual a autoridade monetária cortou taxas de juro tão rápido como possível, e a economia ainda continuou a funcionar bem abaixo de sua capacidade. E nós estamos no mesmo tipo de armadilha hoje – motivo pelo qual preocupações com déficit estão deslocadas.

Mais uma coisa: expansão fiscal será ainda melhor para o futuro dos EUA se uma grande parte dessa expansão tomar a forma de investimento público – construção de estradas, reforma de pontes e desenvolvimento de novas tecnologias, iniciativas que tornam a nação mais rica no longo prazo.

O governo deve ter uma política permanente de grandes déficits orçamentários? Claro que não. Embora a dívida pública não seja tão ruim como a maioria das pessoas acredita – é basicamente dinheiro que nós devemos a nós mesmos –, no longo prazo o governo, como os indivíduos, tem de equilibrar o gasto e a receita.

Mas neste momento temos um rombo no gasto privado: os consumidores estão redescobrindo as virtudes de poupar no mesmo momento em que as empresas, escaldadas por excessos passados e limitadas pelos problemas no sistema financeiro, estão cortando investimento. Com o tempo, essa lacuna poderá fechar, mas até que isso ocorra o gasto do governo terá de ser feito da forma mais eficiente possível. Caso contrário, o investimento privado e a economia como um todo irão despencar ainda mais.

A questão essencial, então, é que as pessoas que consideram a expansão fiscal de hoje ruim para as futuras gerações entenderam tudo errado. O melhor plano de ação, tanto para os trabalhadores de hoje quanto para seus filhos, é fazer o que for necessário para conduzir a economia no rumo da recuperação.

Paul Krugman – New York Times News Service

- Professor de Economia e Assuntos Internacionais da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times, Paul Krugman passa a integrar o time de colunistas do Dinheiro por meio do New York News Service.

Formado na Universidade de Yale em 1974, foi integrante do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca do ex-presidente Ronald Reagan e assessor do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão Trilateral e da Organização das Nações Unidas (ONU). Ganhador do Prêmio Nobel de Economia deste ano por ter formulado uma nova teoria sobre o comércio, Krugman é conhecido mundialmente por suas duras críticas ao presidente norte-americano, George W. Bush. Por exemplo, atacou o engajamento na guerra do Iraque e, recentemente, o modo como Bush administrou o resgate do sistema financeiro. Para o colunista, a atual crise é a maior já vivida pelos Estados Unidos desde o crash de 1929.

06/12/2008 - 11:35h Brasil tem cenário melhor que resto do mundo, diz OCDE

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Tendência no país permanece de avanço, enquanto perspectiva global é de forte desaceleração

Entre os países analisados, só o Brasil não aparece em desaceleração; em outubro de 2007, apenas três não tinham cenário positivo

FOLHA SP

Em um cenário de aprofundamento da desaceleração para a economia global em outubro, o Brasil aparece como o único ponto positivo, apesar de já dar sinais de recuo. Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), entre os principais industrializados e emergentes como China e Índia, só o Brasil não aponta para uma “forte desaceleração”.

De acordo com relatório mensal da entidade que reúne 30 dos países mais ricos do mundo, os dados “continuam a apontar para um enfraquecimento em todas as sete grandes economias, mas, comparado com o mês anterior [setembro], o cenário se deteriorou significativamente para as economias que não integram a OCDE, com China, Índia e Rússia agora também enfrentando fortes desacelerações”. O Brasil, diz a OCDE, está em um cenário de inflexão, isto é, está em expansão, mas a curva aponta para uma perda de ritmo.

Entre os 31 países analisados pela OCDE, apenas o Brasil não aparecia com forte desaceleração em outubro. Cenário bem diferente do registrado no mesmo período de 2007: nessa época, apenas Japão, Coréia do Sul e Nova Zelândia, entre os 34 países estudados, apareciam em cenário de desaceleração.

Em outubro do ano passado, o mundo já começava a sentir os efeitos da crise, mas eles ganharam ainda mais força nos últimos meses, especialmente a partir de setembro, quando ocorreu o pedido de concordata do banco de investimento americano Lehman Brothers.

Para chegar a essa previsão, a OCDE usou os chamados indicadores antecedentes, que são vários dados dos países aglutinados para “tentar indicar momentos de mudanças na atividade econômica com aproximadamente seis meses de antecedência”. Ele é, por isso, considerado um termômetro para as economias dos países.

No caso brasileiro, em que são usados dados como produção industrial e exportações, o índice da entidade mostra tendência de crescimento desde junho de 2006.

No final do mês passado, a OCDE previu que a economia brasileira vai se desacelerar. Segundo ela, o PIB brasileiro vai se expandir em 5,3% neste ano e 3% em 2009 -mesma estimativa que foi feita dias antes pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

Ela afirmou ainda que vários dos seus países-membros caminham para a pior recessão desde o início da década de 1980 e que deve crescer 8 milhões o número de desempregados até 2010 nos 30 integrantes da entidade, chegando a 42 milhões de pessoas sem trabalho. Para a OCDE, os Estados Unidos, o Japão e a zona do euro (bloco de 15 países europeus) terão 12 meses consecutivos de contração, a partir do terceiro trimestre deste ano.

26/11/2008 - 18:23h La danse de la jalousie

Il existe au Japon une croyance selon laquelle certaines femmes – sous l’effet de la jalousie – se dédoublent en serial killers. Les 27 et 28 novembre, la danseuse japonaise Noe Tawara incarne une des plus célèbres meurtrières de l’histoire du paranormal.

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Il y a des femmes jalouses qui – sans le savoir – deviennent des assassins. On les appelle ikiryo. Ce sont des “fantômes vivants”, des entités  animées par une passion destructrice et incontrôlable. Au Japon, la plus célèbre d’entre elles s’appelle Dame Rokujo. Dans le Dit du Genji (roman rédigé en l’an 1000 par Murasaki Shikibu), Rokujo répand la terreur. Nuits après nuits, son ikiryo vient hanter des femmes qui finissent par succomber… Rokujo tue d’abord une jolie rivale, puis s’en prend à l’épouse de celui qu’elle aime. La danseuse Noe Tawara lui prête ses traits gracieux. Vêtue d’un kimono noir qui traine à ses pieds comme une mare d’encre maléfique, elle évolue au fil d’une chorégraphie très lente et étrange.

Parfois, je suis juste une femme amoureuse, raconte Noe. Je brûle d’un feu ardent. Parfois, je me transforme en démon et je deviens quelque chose qui n’est ni homme ni femme. Je suis possédée.
Parfois, je reprends conscience et j’essaye d’exorciser ma haine. Puis, à la fin, quand tout est fini, je me réveille et je comprends que j’ai tué quelqu’un. Comment survivre à cette terrible culpabilité ?
”. A la fin de sa danse, Noe Tawaratoute de blanc vêtue – pose un voile funèbre sur sa tête. Au Japon, le blanc est la couleur de la mort. C’est la couleur des os, des cendres et de la neige. La couleur des aubes nouvelles aussi, car au Japon – pays des cycles et des métempsychoses – on ne meurt jamais que pour renaitre…

Noe Tawara dit que ses performances ont un rapport avec le sacré : adepte de jiuta mai, elle pratique en effet une forme de danse très particulière, créée au XVIIè siècle par des prêtresses (miko) et des acteurs de kyogen, afin de divertir aussi bien les humains que les dieux. Progressivement récupéré par les geisha, le jiuta mai devient la danse d’amour par excellence. Quand une apprentie geisha offre son pucelage à l’homme qui devient, officiellement, son “protecteur” (dana) et qui fait d’elle une geisha, une vraie, il lui faut par exemple accomplir devant lui la danse de jiuta mai nommé kurokami (“cheveux noirs”) symbole de la beauté absolue. “Le noir est la couleur de la féminité, explique Noe Tawara. C’est la couleur du luxe, du sexe et de la beauté… Voilà pourquoi kurokami fait partie des danses les plus populaires dans les maisons de thé japonaise. Quand les clients demandent à une geisha de l’exécuter, ils imaginent en rêve qu’elle est amoureuse d’eux et qu’elle les a choisi comme protecteur…”.

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Le répertoire du jiuta mai repose en partie sur ce jeu d’illusion troublant. La plupart des chorégraphies mettent en scène une belle femme séduite, éprise ou éplorée, qui incline gracieusement sa nuque en zieutant de côté un homme invisible : va-t-il succomber ? M’aime-t-il encore ? Suis-je l’élue ? Reviendra-t-il se serrer contre mon coeur ? “La geisha mime les émois du coeur et les hommes qui le regardent danser se disent : c’est à moi qu’elle jette ces regards.” Personne n’est dupe bien sûr. Dans ce monde flottant que l’on appelle “le monde des plaisirs” (ukiyo), mimer l’amour c’est un peu le faire. Danser le jiuta mai, c’est déjà se donner un peu. Sur scène, Noe Tawara retire donc son kimono, change de tenue et s’enroule en tournant dans une longue ceinture (obi) afin que tous puissent voir son corps gracieux se métamorphoser en celui d’une héroïne.

La tradition au Japon veut que les acteurs se changent sur scène : dans le théâtre kabuki, ils changent de costume, de coiffure et de maquillage sous les yeux du public. Dans le no, l’acteur – avant d’arriver sur scène – doit marcher le long d’une passerelle appelée hanamichi et le public doit assister à sa matémorphose : quand il pose le premier pied sur le hanamichi il est encore lui-même. Au deuxième pas, il se met à entrer dans le rôle. Quand il arrive sur scène, il n’est plus lui-même. Il est le personnage, totalement. Nous, Japonais,nous aimons assister à ces métamorphoses. Peut-être parce que notre pays est constamment agité par des mouvements tectoniques… Nous marchons sur un sol en mouvement. De même, notre coeur change à chaque minute. Notre identité vacille. Nos amours deviennent parfois destructrices et parfois elles s’éteignent. Rien ne dure dans ce monde éphémère.

Jeudi 27 novembre, à 20 h30 au théâtre de l’Utopie : 39 rue Thiers, La Rochelle.
Noe Tawara interprètera d’abord une danse de kabuki (Iwai jishi), puis de Jiuta-mai (Enno tsuna), puis une chorégraphie originale, consacrée à l’amour (Le Feu Intérieur).

Vendredi 28 novembre, spectacle sur l’île de Ré, Centre Culturel La Maline (ARDC) : Noé dansera Aoi no Ue, l’histoire dramatique de Dame Rokujo.

26/11/2008 - 15:46h Novas medidas de socorro mudam o papel do banco central dos EUA

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Jon Hilsenrath e Deborah Solomon, The Wall Street Journal – VALOR

O governo dos Estados Unidos se comprometeu a injetar mais US$ 800 bilhões nos conturbados mercados de crédito, sendo que desta vez a maior parte do dinheiro virá diretamente do banco central, o Federal Reserve, que assim passa a ser um agente financeiro em quase todos os cantos da vida americana.

Nos próximos meses, o Fed vai comprar até US$ 600 bilhões em dívida emitida ou garantida por empresas de crédito imobiliário com fortes laços com o governo: Fannie Mae, Freddie Mac, Ginnie Mae e Federal Home Loan. As autoridades esperam que isso derrube os juros das hipotecas e ajude o setor imobiliário. Além disso, o Fed, com apoio do Tesouro, que é o Ministério da Fazenda nos EUA, vai oferecer até US$ 200 bilhões em financiamento para investidores para que possam comprar títulos de dívida atados a créditos estudantis, automobilísticos e de cartões e a empréstimos para pequenas empresas.

Essas ações também representam novos passos dados pelo governo de George W. Bush para resolver a crise financeira no fim de seu mandato, e chegam poucos dias depois de o secretário do Tesouro, Henry Paulson, ter sugerido que poderia adiar o comprometimento de mais verbas oriundas do programa de US$ 700 bilhões para alívio de ativos problemáticos, o Tarp, aprovado pelo Congresso em outubro. Os mercados pioraram nos últimos dias, em parte devido a incertezas quanto aos planos do governo.

Paulson disse que as medidas visavam a aumentar a disponibilidade de financiamento para o consumo e aquisição de casa própria. “Nada é mais importante para sair desta correção do mercado imobiliário do que a disponibilidade de financiamento hipotecário acessível”, disse ele. Paulson acrescentou que o mercado para papéis lastreados por dívida de consumidores “paralisou” no mês passado, tornando quase impossível para milhões de americanos encontrar juros palatáveis para financiar desde computadores até cursos universitários.

Esses mercados pioraram bastante nas últimas semanas. No fim da semana passada, por exemplo, a dívida emitida pela Fannie Mae tinha juros 1,8 ponto porcentual acima dos de títulos do Tesouro de igual prazo. Essa diferença era de apenas 0,7 ponto porcentual em setembro, logo depois de o governo ter assumido controle da gigante hipotecária e sua co-irmã, a Freddie Mac.

Conforme aumentava o custo para a Fannie e a Freddie se financiarem, os juros de hipotecas também subiam. Investidores festejaram o novo plano, e as taxas de crédito imobiliário caíram cerca de meio ponto porcentual ontem, após as notícias, algo que pode ajudar quem quer refinanciar sua casa ou comprar uma.

“Isso vai liberar consumo que de outra forma não ocorreria”, disse Susan Wachter, professora de mercado imobiliário da faculdade de administração Wharton, da Universidade da Pensilvânia. “Vai aumentar diretamente a demanda por casas e ajudar com o problema da queda constante dos preços de imóveis.”

O custo de crédito imobiliário tem subido nos EUA em parte porque investidores de outros países, especialmente bancos centrais, recuaram recentemente devido, em parte, a temores quanto ao mercado americano de casas e à ambigüidade do governo. A Fannie e a Freddie também tiveram limitada sua capacidade de comprar títulos lastreados por hipotecas.

Nos últimos meses, o Fed já disponibilizou suas linhas de crédito para corretoras e empresas não-financeiras. E até anunciou planos de começar a comprar alguns dos complexos títulos de dívida que estão no centro da crise financeira – instrumentos conhecidos como obrigações de dívida garantida (CDO, na sigla em inglês) – através de seu resgate da gigante seguradora American Internacional Group Inc.

Conforme o Fed expandia sua atividade de financiamento, seu balanço inflou de US$ 900 bilhões em agosto para mais de US$ 2 trilhões. Com os novos programas, deve ficar ainda maior. O Fed, ao contrário do Tesouro, não precisa tomar emprestado para financiar seus programas de resgate. Um banco central pode na prática criar dinheiro novo injetando recursos – também conhecidos como reservas – no sistema bancário, algo que o Fed está fazendo agora.

É algo parecido com o que o Japão fez nos anos 90 e também nesta década, quando o Banco do Japão injetou dinheiro nos bancos do país num processo conhecido como “afrouxamento monetário quantitativo”. O Fed está levando esse processo um passo à frente. Ele não está apenas injetando dinheiro, mas também decidindo para onde esse dinheiro deve ir por meio de seus próprios programas de financiamento.

“O Fed está indo mercado a mercado, dizendo: ‘Onde o crédito está entupido?’ e tentando lidar com isso de maneira direta”, disse Laurence Meyer, ex-diretor do Fed e hoje vice-presidente da consultoria econômica Macroeconomic Advisers.

Essa abordagem traz vários riscos. Os mercados podem se tornar dependentes do financiamento do Fed, o que pode retardar uma recuperação. Diretores do Fed estão preocupados com a maneira como poderiam sair dessas linhas de crédito, mas acham que isso é um problema que terão de enfrentar só depois que a crise passar, algo que ainda vêem como um futuro distante.

No âmago, a abordagem do Fed – somada ao volumoso estímulo fiscal planejado pelo futuro governo de Barack Obama – também é inflacionária. Mas dados os problemas em formação na economia americana no momento, como alta do desemprego e queda do consumo, as autoridades do Fed não vêem na inflação um risco iminente.

Há outros riscos – especialmente o de nada dar certo e mais dinheiro se tornar necessário. Além do mais, o Fed poderia ter perdas em todos os empréstimos que conceder, especialmente com a economia tão frágil. O banco central está tomando precauções. Por exemplo, o Tesouro aceitou assumir os primeiros US$ 20 bilhões em perdas da nova linha de crédito de US$ 200 bilhões para financiamento de carros, crédito imobiliário e outros empréstimos para consumo.

Pela estrutura dessa linha de crédito, o banco central vai emprestar dinheiro a investidores – por meio de bancos conhecidos como “dealers” – e os investidores, por sua vez, podem usar o dinheiro para comprar títulos de dívida de alto nível atrelados a crédito ao consumidor. Se a inadimplência de consumidores subir bastante e esses títulos ficarem em atraso, a conta vai cair no colo do Fed e do Tesouro.

O programa de crédito imobiliário é mais direto. A partir da próxima semana, o Fed vai começar a comprar US$ 100 bilhões em dívida emitida pela Fannie Mae, Freddie Mac e outras empresas patrocinadas pelo governo. Ele também planeja comprar US$ 500 bilhões em dívida lastreada por hipotecas que essas firmas avalizam.

O Fed espera aumentar a cotação da dívida com suas compras, o que reduziria o rendimento dela e, teoricamente, os juros de hipotecas.

Com o novo plano, o Tesouro na prática comprometeu US$ 330 bilhões dos US$ 700 bilhões do programa de resgate. Ele precisa de autorização do Congresso para ir além de US$ 350 bilhões.

(Colaboraram Serena Ng e James R. Hagerty)

24/11/2008 - 15:53h ‘O pior ainda está por vir’, afirma o chefe dos economistas do FMI

 

ZURIQUE, Suíça (AFP) — A crise financeira e suas repercussões poderão se agravar ainda mais, considerou o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, que considerou que a situação vai melhorar a partir de 2010, em declarações à imprensa suíça.

“O pior ainda está por vir”, afirmou Blanchard em uma entrevista ao jornal econômico suíço Finanz und Wirtschaft, antes de acrescentar que “será necessário muito tempo para que a situação se normalize”.

“Até o final do ano que vem, o crescimento será pela primeira vez levemente mais elevado que no trimestre anterior”, destacou o economista francês, que permanecerá no posto até o final de maio.

O crescimento econômico deverá se restabelecer a partir de 2010 e a situação se normalizará em 2011, acrescentou.

O FMI, que se declarou disposto a auxiliar a Letônia para que este país saia da crise, já apoiou vários países atingidos pela tempestade financeira, em particular Islândia, Hungria, Ucrânia, Sérvia e Paquistão.

Blanchard advertiu que o FMI não poderá respaldar todas as situações, em especial aquelas referentes à falta de liquidez.

As retiradas de capitais que geram problemas de liquidez, “podem ser tão grandes, que o FMI por si só não poderá contê-las”, disse Blanchard, antes de acrescentar que a retirada maciça de investimentos dos países emergentes representaria “centenas de bilhões de dólares”.

“Não temos esse dinheiro e nunca tivemos”, disse.

Dos 250 bilhões de dólares (199,8 bilhões de euros) que o FMI possui -o Japão contribuiu com mais 100 bilhões- o Fundo gastou nas últimas duas semanas 50 bilhões, indicou Blanchard.

Ele aconselhou os bancos centrais a baixar as taxas de juros para enfrentar a crise.

Os bancos centrais “deveriam aproximar de zero as suas taxas principais”, considerou Blanchard.

17/11/2008 - 12:05h G20, Brasil, Obama e a mídia

TODA MÍDIA – Nelson de Sá – Folha SP

MAIS PRÓXIMOS
Na manchete on-line do “China Daily”, “Líderes mundiais concordam em agir” de forma “mais próxima e coordenada” na crise, mas:
- Eles adiaram planos detalhados sobre a revisão do sistema financeiro e até um próximo encontro, na administração Obama.

OBAMA DIANTE DO G20

change.gov
 

Quanto a Obama, deu poucos sinais sobre a cúpula. Sábado pela manhã, no site de transição (acima), postou seu primeiro “Pronunciamento Semanal do Presidente Eleito” sobre o G20. Elogiou Bush por “iniciar o processo” e já passou para a cobrança do plano de estímulo que os democratas querem aprovar. Falando ao “60 Minutes” sexta, antes do G20, insistiu no pacote, que Bush rejeita.
As manchetes de Huffington Post e Politico, ontem, seguiram o “NYT” e destacaram que a marcação da nova cúpula para abril já pressiona Obama à ação.

ft.com
 

“FT” se mostrou simpático ao G20, mas ironizou o tamanho do grupo, comparado ao “Spruce Goose” de Howard Hughes

A MORTE DO G8
No dominical “Observer”, Larry Elliott escreveu que “Esta cúpula sinaliza o fim do clube exclusivo das nações ricas”. Sem Obama, foi como como “”Hamlet” sem o príncipe”, mas teve cinco “realizações”, sendo a maior delas que, “finalmente, soou o sino de morte para o G8″.

A MORTE DO G7
No “FT”, Clive Crook foi mais cético. Escreveu que, “para muitos, o encontro não importou pela simples razão de que o presidente eleito não estava lá”. Mas avaliou que “a coisa mais importante foi geopolítica” e que “seria bom se provasse ser a certidão de morte do velho G7″.

A ORDEM DAS CADEIRAS

washingtonpost.com
 

No “WP” (acima), destaque para os EUA, ladeados por Brasil e Japão, na cúpula de sábado. No “China Daily”, a foto on-line ressaltou o presidente Hu Jintao ao lado de George W. Bush, no jantar de sexta. Na home do espanhol “El País”, a foto posada de sábado, com o primeiro-ministro José Luis Zapatero logo atrás de Bush e Lula.
O “NYT”, ontem sobre o jantar, ironizou que “a verdadeira história foi a distribuição dos lugares à mesa”. Bush cercado por Lula e Hu “foi uma ilustração de como a crise refez a ordem econômica mundial”.

“BRAZILIANS, GO HOME”
Na “Newsweek”, “Conforme Brasil se torna ator mais poderoso, seus vizinhos se mostram vez mais agressivos”. Diz que a reação vem sobretudo de Bolívia, Paraguai etc. -e que, “ironicamente, Lula segue popular” nos mesmos. Mas sua “tolerância” está próxima do limite.

Leia a integra da coluna de Nelson de Sá na Folha de São Paulo

17/11/2008 - 10:09h ”FMI deveria ter US$ 3 trilhões”

Michael Spence: economista e ganhador do prêmio Nobel em 2001; Spence é favorável ao apoio do Fundo para os países emergentes, que foram abatidos pelo corte abrupto do crédito

Fernando Dantas, RIO – O Estado SP

 

Prêmio Nobel de Economia de 2001, junto com o crítico da globalização Joseph Stiglitz e George Arkelof, o americano Michael Spence participou de um grupo de 20 economistas que elaborou um documento de sugestões aos líderes do G-20, numa tentativa de influenciar as decisões que acabam de ser tomadas ao fim do encontro de Cúpula dos chefes de Estado neste fim de semana em Washington.

Em entrevista ao Estado por telefone, antes da conclusão da cúpula, Spence defendeu uma vigorosa ajuda financeira aos países emergentes, que, para ele, estão sofrendo com o corte súbito do crédito causado por razões que nada têm a ver com o fundamento de suas economias. Ele está relativamente otimista quanto ao Brasil e sugeriu um aumento da munição do Fundo Monetário Internacional (FMI) para até US$ 3 trilhões, que poderiam ser alcançados com o uso das reservas de China, Japão e países do Golfo.

Coordenador do relatório final da Comissão do Crescimento, um documento sobre desenvolvimento elaborado durante dois anos por diversos especialistas e divulgado em maio de 2008, Spence acha que a atual crise mostra que uma ênfase maior deve ser dada à manutenção da estabilidade econômica e financeira. Mas ele é cético quanto a uma reforma da arquitetura financeira internacional a curto prazo, pois as causas da atual crise ainda não foram entendidas. Spence virá ao Rio nesta semana para o encontro da Associação Latino-americana e Caribenha de Economia e da sessão brasileira da Sociedade Econométrica Internacional (Lacea-Lames). A seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual deve ser a prioridade das autoridades econômicas mundiais neste momento?

O mais importante, agora, é focar na crise financeira e econômica. O fato básico e simples é que os capitais estão saindo dos países em desenvolvimento, por causa dos balanços danificados nos Estados Unidos e na Europa. Não tem nada a ver com a situação econômica nos emergentes. Esses fluxos de capital têm de ser revertidos. Se o FMI tivesse ativos suficientes para apoiar aqueles países, poderia fazer. Mas não tem. Então, é preciso esquemas como o de swap (troca) de dólares do Fed (Federal Reserve, banco central americano).

O sr. acredita num novo papel para o FMI, na esteira desta crise?

Quando as pessoas falam de um novo papel do FMI, elas querem dizer uma entidade que tenha as funções atuais do FMI. Se o FMI pode ser reformado para representar esse novo papel, é uma outra questão. Mas o ponto sobre o qual todos concordam é a necessidade de uma entidade que tenha ativos substanciais ou uma capacidade substancial de acessar ativos, com autoridade e legitimidade para agir no contexto de uma crise. Esses ativos têm de ser muito maiores do que os US$ 250 bilhões do FMI. Um total de US$ 2 trilhões a US$ 3 trilhões parece adequado.

De onde poderiam vir os recursos deste FMI ampliado?

Os grandes detentores de reservas internacionais hoje são a China, o Japão e os países do Golfo. É preciso encontrar uma forma de os detentores destes grandes acúmulos de reservas as utilizem para estabilizar o sistema como um todo.

O sr. tem parecido cético em relação a uma reforma a curto prazo da arquitetura financeira internacional.

Pense bem: as mais sofisticadas instituições financeiras do mundo, repletas de algumas das pessoas mais inteligentes do mundo, conseguiram criar uma situação na qual havia tanto risco sistêmico que, quando a coisa estourou, cada uma daquelas instituições, praticamente sem exceção, estava danificada ao ponto de não poder atuar nem mesmo como intermediária no sistema de crédito e de pagamentos. Enquanto não sentarmos e pensarmos arduamente sobre isso, não podemos nem ao menos obter uma explicação coerente sobre o que aconteceu. Deveríamos admitir que não temos um conhecimento perfeito e colocar em marcha um processo planejado para tornar o sistema mais estável e seguro para todo mundo ao longo do tempo. Isso pode requerer mudanças freqüentes, à medida que descubramos coisas novas.

Como o sr. vê a situação do Brasil nesta crise?

As grandes economias em desenvolvimento bem administradas, como o Brasil, se sairão desta crise razoavelmente bem. Quer dizer, ninguém vai escapar, e é preciso ficar muito alerta para reagir adequadamente, e evitar danos maiores do que o inevitável. Mas acho que o Brasil está numa boa situação para fazer isso.

16/11/2008 - 13:01h Um novo ciclo com novos parâmetros

O objetivo é um crescimento menos dependente do uso de energias fósseis

ANTÔNIO PALOCCI – O GLOBO

http://www.estadao.com.br/fotos/apalocci.jpgEmbora a atual crise financeira ainda tenha muita história para contar e seus efeitos para a economia real estejam apenas no início, nos melhores círculos do pensamento econômico há pelo menos dois temas que ganham força.

O primeiro diz respeito à nova regulamentação das finanças. O segundo, à necessidade de projetar um novo ciclo de crescimento incorporando os desafios das mudanças climáticas.

A questão da nova regulamentação financeira não é um assunto banal. Não fazê-la significará a certeza de que caminharemos para uma próxima bolha.

Após os escândalos financeiros corporativos ocorridos nos Estados Unidos, onde o caso da Enron foi o mais vistoso, os reguladores americanos entraram em ação para aperfeiçoar os controles de gestão e a transparência das empresas. Isso culminou na aprovação, em junho de 2002, da lei de autoria do senador democrata Paul Sarbanes e do deputado republicano Michael Oxley, conhecida como Lei Sox, ou Sarbox.

De implementação cara e complexa, a Sarbox acabou mostrando pouca eficácia para evitar a atual crise, que se iniciou no mercado imobiliário americano, atingindo todo o sistema de crédito global. É certo que não era esse seu foco principal, mas esperavase mais de seu desempenho.
Por isso, novas regulamentações não deverão ser apenas um conjunto extenso e custoso de regras e procedimentos.

Ao contrário, elas deverão ser — ao mesmo tempo — eficientes e leves, resolvendo questões como níveis de alavancagem, limites e registros adequados de derivativos, sem, entretanto, impedir que o sistema crie produtos financeiros inovadores de redução de custos e mobilização de investimentos.

Além do o que fazer, haverá também muita polêmica sobre o quem deve fazer, na medida que a crise atual mostrou uma integração intensa das finanças em termos intercontinentais, deixando claro que sistemas de regulação de âmbito nacional são insuficientes.

A outra questão, referente à busca de um novo ciclo de crescimento em novas bases ambientais, é tema de preocupação de importantes líderes globais.

O presidente Lula tem atuado fortemente nessa temática, dado a importância do Brasil em termos de reservas florestais e fontes renováveis de energia. Gordon Brown é um líder natural para esses assuntos, dado que o Reino Unido tradicionalmente está muito presente no debate sobre as mudanças climáticas.

Barack Obama tratou com freqüência desse tema em sua campanha e em sua primeira entrevista como presidente eleito, ao se referir a combustíveis renováveis.

A França e a Alemanha mostram avanços importantes na busca de alternativas tecnológicas livres de carbono, enquanto que o Japão pratica políticas de mobilização social de razoável impacto na redução do desperdício de energia, como o “Cool Biz”.

Esses e muitos outros países discutem, agora, a oportunidade de conceber um novo ciclo de crescimento mundial sob novas bases, incluindo o uso de fontes alternativas ao carbono nos sistemas de energia, de construção civil e da indústria em geral, com um forte sistema de incentivos para tecnologias limpas, além do esforço para uma maior preservação das reservas florestais e outras riquezas naturais. O objetivo é construir um padrão de crescimento menos dependente do uso de energias fósseis, emissoras de gases de efeito estufa, responsáveis pelo agravamento do aquecimento global.

Para muitos, pode parecer uma preocupação um tanto romântica, ou pouco vinculada à realidade dos desafios que estarão diante das lideranças mundiais, dado a profundidade da crise atual.

Mas o fato é que os relatórios mais recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU têm confirmado riscos importantes para a temperatura global, caso o processo de desenvolvimento econômico continue desprezando tão solenemente os temas ambientais.

Hoje, ainda é muito difícil prever o resultado dos esforços para essa temática pós-crise. Mas o fato de elas estarem presentes na agenda dos formuladores de políticas e de lideranças mundiais significativas já é um bom começo.

ANTÔNIO PALOCCI é deputado federal (PT-SP) e foi ministro da Fazenda.