30/09/2008 - 11:12h “Popularidade de Lula não é capaz de eleger postes”, diz governador da Bahia

Ruy Baron/Valor - 9/12/2005

Jaques: governador baiano mantém discurso conciliador em relação ao ministro Geddel Vieira Lima

Raymundo Costa, VALOR

Na reta final da campanha, a eleição embolou em Salvador, Bahia. Talvez mais que em qualquer outra cidade, o clima entre os aliados é tenso.

Os três dos dois candidatos cotados para passar para o segundo turno são da base de apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jacques Wagner: João Henrique, do PMDB, atual prefeito, e Walter Pinheiro, do PT. O terceiro é Antonio Carlos Magalhães Neto, ACM Neto, do DEM e herdeiro do carlismo.

Em poucos Estados a disputa pelo uso da imagem do presidente foi tão intensa, a ponto de levar o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), um dos fiadores da aliança PT-PMDB, ao ponto de ameaçar um rompimento com o governo. Jaques diz que não é de “esquentar” briga. Acredita na recomposição, apesar da “tensão” entre os aliados.

O governador da Bahia acha que não basta a popularidade para eleger “um poste”. É preciso haver sinergia com o eleitorado. “Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%!”, disse ao Valor, em conversa na sexta-feira. O petista também não vê o governador de Minas Aécio Neves como candidato pelo PMDB com o apoio de Lula. “Só se for na oposição”, diz.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O apoio do presidente e do governador desequilibra a eleição?

Jaques Wagner: Quando alguém diz ‘eu sou Lula desde criancinha’, quando é Lula só a partir do ano passado, as pessoas se dão conta. Até porque eu acho que as pessoas lêem errado as pesquisas. Quando ela diz assim: 60% dos eleitores dizem que o apoio do presidente Lula é benéfico, o que eles estão dizendo é que, para 66% do eleitorado, saber que o candidato que ele escolheu é aliado do presidente Lula, aumenta a vantagem dele em 60%. Mas é o que eu digo aqui é que 60% de 1% é 0,6%. Então o cara sairá de 1% para 1,6%. É que as pessoas querem ler assim: se o presidente Lula botar a mão eu saio de zero para 60%. O que não é verdade.

Valor: Não é automático.

Wagner: Não existe isso. É óbvio que quando você cria uma sinergia, quando há uma consciência coletiva, as pessoas raciocinam assim: eu vou votar nesse cara que ele é amigo do governador, é amigo do presidente e não é um babaca, para falar um termo bem objetivo. Agora, se o cara for um babaca, diz assim ‘pô Lula, você vai me perdoar mas nesse aí eu não voto não’. Então não funciona aquela idéia de eu ‘elejo um poste’. Não existe isso.

Valor: No entanto, o senhor acha que o PT vai crescer mais que os outros.

Wagner: Com essa identificação do 13, eu acho que os candidatos do PT ganham mais que os outros. Não é em detrimento dos outros.

Valor: O fato é que há reclamação. Como é que a base vai chegar em Brasília para as votações?

Wagner: Óbvio que a volta é uma volta com pontos de tensão. Não tem como. Toda eleição, evidente que mais na eleição municipal, não é um mar de rosas. A lógica municipal é mais intensa que a estadual e que a nacional. O que está em jogo agora? Os deputados estaduais e federais lutam fortemente para a eleição do seu prefeito, e isso na contabilidade dele significará uma posição melhor para a eleição dele em 2010. É essa a briga. E o governador? O prefeito pesa X para deputado estadual e federal e pesa um pouco menos para governo do estado e presidente da República. Evidente. Isso porque ele consegue muito mais coordenar o voto para deputado estadual e federal.

Valor: Mas a eleição de prefeitos agora não dará uma base melhor para a eleição do presidente e de governador de 2010?

Wagner: A população está estabelecendo uma lin ha direta entre ela e os cargos majoritários, principalmente governador e presidente da República. Vou dar o meu exemplo: eu tinha 50 prefeitos em 417. E ganhei na faixa de 230 cidades. Significa que nem os prefeitos que trabalharam contra convenceram a população. Eu não estou menosprezando, evidentemente que ele é um elemento da política, e da base de apoio, mas ele pesará muito mais na eleição de deputado estadual e federal, eventualmente na de senador, do que na de governador e presidente da República.

Valor: Por quê?

Wagner: Eu me convenço cada vez mais que as pessoas não querem intermediário para escolher governador e presidente. Por que dá tensão? Dá uma tensão maior aqui e vai dar uma tensão menor em nível nacional. É uma coisa até curiosa: onde você vai e ganha, em geral o cara vai dizer que foi ele que ganhou. Onde você não vai e o cara perde, ele vai dizer que você é que foi o culpado pela derrota dele.

Valor: A base fica unida?

Wagner: Está todo mundo mais maduro e todo mundo dá importância a estar participando de um projeto, até agora, exitoso, que é o do presidente Lula, em nível nacional, e na Bahia. até agora, a gente está bem. Então eu não acho que vá haver alguma sangria desatada.; Agora é fato que haverá uma tensão pós eleitoral normal. Eu, por exemplo, estou tentando ser o mais equilibrado possível. Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%. Quando está pau a pau, digamos um está com 40% e outro está com 38%, aí eu concordo que pode fazer a diferença.

Valor: O senhor e o ministro Geddel saem como entraram nessa eleição?

Wagner: Temos um ponto de conflito que foi produzido por alguém que não era meu nem dele, que é o prefeito atual, que foi eleito pelo PDT, com vice do PSDB, e baixíssima participação do PMDB, que não tinha nem interesse em ficar no governo. Tinha lá uma secretaria marginal. De repente, quando o cidadão viu que estava com problemas de sobrevivência política, ele teve de sair de um partido pequeno e procurar um partido maior para se abrigar. Ele é muito midiático. Eu até gosto dele, não é um mau caráter, não é um larápio, mas é um cara confuso. Confuso na política e confuso na gestão. Ele precisava de tempo de televisão. Quis vir para o meu partido, coisa que eu recomendei.

Valor: Mas o PT não quis?

Wagner: O vício do cachimbo deixa a boca torta. A gente vai amadurecendo mas alguns vícios vez por outra aparecem. Então apesar de o governador dizer: ‘rapaz, põe o cara pra dentro. A gente já está no governo, põe logo o cara no PT’, o meu partido não acolheu a minha sugestão, o pedido de seu governador. E ele acabou indo para o PMDB. Ao ir para o PMDB gerou então um pólo de tensão. Não por culpa dele, por culpa da conjuntura. Geddel e o PMDB receberam esse presente - tinham pouquíssima coisa em Salvador e ganharam um prefeito e uma prefeitura, como máquina política para fazer a operação da política, no bom sentido. É óbvio que gostariam de ter todo mundo em torno deles. Então lutaram por isso. Eu defendi a tese da minha base de sustentação (um candidato só), pelo menos na capital. As pessoas não se convenceram. Até porque diziam que ele é ruim de compromisso. O pessoal de pesquisa dizia que ele tinha dificuldade de ir até para o segundo turno. O argumento é que era melhor não jogarmos com uma hipótese só e perdermos para o PFL. A outra hipótese era o Imbassahy, com quem eu tenho relação. Mas isso não animava muita gente exatamente porque era um alinhamento com o PSDB nacional e as pessoas aqui não tinham interesse óbvio nessa aproximação. Quando acabar a eleição tem um rescaldo a ser tratado. E eu tenho que ficar administrando esse conjunto todo.

Valor: A base se mantém até 2010?

Wagner: Político é um animal objetivo, que eu dividiria em dois tipos: uns um pouco mais programáticos e outros, vamos dizer assim, mais conjunturais. Quem é mais programático, tende a continuar, apesar de ter havido um estremecimento com o chamado bloquinho (a união congressual de PSB, PCdoB e PDT). Mas eu acho que diminuiu essa tensão. Já vinha diminuindo antes, com a solução de São Paulo (a indicação de Aldo Rebelo para vice de Marta Suplicy). A relação do Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente do PSB) com o presidente é excepcional. O episódio de Minas, por mais que localmente tenha ha reflexos no PT - e há um rescaldo a ser cuidado internamente - , do ponto de vista externo da relação dos aliados o PT acabou marcando um tento positivo, porque bem ou mal apoiou um candidato do PSB com interligação do PSDB, o que mostra que, aos trancos e barrancos, o PT também consegue apoiar os outros.

Como senhor vê a questão de Minas?

Wagner: Internamente ainda tem muita coisa a ser trabalhada. Ficou a tensão com o Fernando Pimentel, vem a eleição para governador e ele evidentemente é um nome. Há insatisfações que terão de ser aparadas. Eu não sou de Minas e não quero me meter, mas o problema parece sido mais de método mesmo.

Como encaixar esse grupo no plano da sucessão federal.?

Wagner: Eu acho que a administração que foi feita em Minas, é óbvio que ela sempre terá contornos nacionais, mas na minha opinião ela terá muita influência na questão estadual. Eu acho que o Fernando e o Eduardo não têm peso para influir na questão interna do PSDB. Portanto não têm peso para ajudar o Aécio a ser o candidato do PSDB. Também não vejo nenhuma hipótese de o Aécio ser candidato em composição, vamos dizer, como Eduardo Campos, o PSB. A relação do PSB com o presidente é excepcional. O Ciro Gomes, o Eduardo. Então, sinceramente, eu não consigo ver a tal história de o Aécio vir ao PMDB para virar candidato, só se for para ser candidato contra o candidato do presidente Lula.

A eleição de São Paulo prova que não há como ter dois candidatos da situação?

Wagner: Se o presidente Lula desembarca em 2010 extremamente bem avaliado, e coloca uma candidatura à sucessão que mostre fôlego, não acho que os aliados atuais queiram sair fora. Tendo uma candidatura boa,. a tendência é manter isso tudo junto.

Valor: O PT vai para o segundo turno em Salvador?

Wagner: De há muito esta é a primeira eleição de Salvado equilibrada. Está dando o que eu imaginava: Neto tem o público deles (carlismo, que está na casa entre 23% e 25%, não cai mas também não sobe, que foi o índice do último candidato deles (César Borges); Imbassahy perde fôlego…

Valor: E foi abandonado pelos tucanos?

Wagner: Pelos daqui não, pelo Serra (José, governador de São Paulo) não, mas pelos outros talvez sim, porque ele está numa posição meio autônoma em relação ao comando nacional. Pinheiro está crescendo, e aí vamos ver. Qualquer dois dos quatro pode ir.

Valor: Para o governador seria mais fácil administrar uma disputa Neto-Pinheiro, não é?

Wagner: Politicamente, se forem dois aliados para o segundo turno a mensagem política é positiva, e a administração é difícil.

25/05/2008 - 20:36h Eleições municipais: com o pensamento em 2010

Disputa nas principais cidades do país definirá quem vai assumir o comando nas articulações políticas em torno da corrida pelo Palácio do Planalto daqui a dois anos. A situação mais acirrada ocorre no PSDB

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Gustavo Krieger - Correio Braziliense

Os principais candidatos à sucessão presidencial de 2010 começam a decidir seu futuro nas eleições municipais. Em especial em São Paulo e Belo Horizonte. O resultado nessas duas capitais e em um punhado de outras cidades indicará quem sai em vantagem nas articulações dos grandes partidos. A disputa mais acirrada é no PSDB de José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Os governadores de São Paulo e Minas Gerais são os principais personagens e Alckmin se transformou em peça fundamental nesse jogo.

O ex-governador e candidato derrotado à Presidência em 2006 aparece em boa posição nas pesquisas de opinião pública na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Está tecnicamente empatado com a ministra do Turismo, Marta Suplicy, candidata do PT, com 30% das indicações. Mas enfrenta enorme resistência dentro do PSDB, comandada pelo governador José Serra, que apóia a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

O que leva o governador a preferir um nome do DEM a um tucano é a projeção para 2010. Alckmin está alinhado com Aécio. Kassab, que foi vice na chapa de Serra em 2004, manterá a máquina da prefeitura engajada na campanha dele para a Presidência da República. É uma jogada de alto risco. Ele só ganha pontos se Kassab for reeleito. Nesse caso, terá garantido a prefeitura e esmagado Alckmin. Se o tucano vencer, o governador será o grande derrotado. Aécio terá uma trincheira na prefeitura. E se a divisão entre os dois ajudar a eleger Marta Suplicy, a culpa cairá sobre Serra.

No campo do adversário

O governador Aécio Neves corre menos riscos em São Paulo. Afinal, ele apóia o candidato do partido e o nome mais cotado nas pesquisas. Será difícil responsabilizá-lo pela divisão do tucanato. Seu apoio a Geraldo Alckmin é uma espécie de guerrilha contra José Serra no território do adversário. Mais importante para o governador mineiro é a articulação de uma grande aliança em Belo Horizonte. Ele tenta unir na mesma chapa o PSDB e o PT, proposta endossada pelos petistas mineiros, mas vetada pela direção nacional.

No caso, o que está em jogo não chega a ser o resultado da eleição. Com ou sem o PT, é muito provável que o secretário Márcio Fortes (PSB), candidato do governador, seja eleito. A aposta de Aécio é na ampliação de seu potencial eleitoral. Menos votado que Serra nas pesquisas, ele tem a seu favor a maior capacidade de agregar forças políticas do campo que apóia o governo Lula. A aliança com o PT seria um sinal muito forte dessa capacidade.

No PT, a principal candidata ficará longe das eleições municipais, mas estará atenta a elas. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não tem bases regionais e nem patrocina nomes em cidades específicas. Sua torcida é por um ótimo desempenho das legendas governistas, que faça o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sair das urnas como o grande vencedor. E, portanto, como o grande eleitor para 2010. As chances de Dilma dependem da força de Lula e do governo.

Projeção

Entre os petistas, quem tem mais chances de se fortalecer é Marta Suplicy. Ela pode sair das eleições como a protagonista da principal vitória petista, o que lhe daria enorme projeção dentro de um partido sem grandes nomes nacionais. Mas teria de decidir se deixa a prefeitura com um ano e meio de mandato, caso quisesse disputar a Presidência.

Outros petistas enfrentam quadros mais complicados. O ministro da Justiça, Tarso Genro, viu seu grupo ser derrotado nas prévias para escolher o candidato à prefeitura de Porto Alegre. E na Bahia, o governador Jaques Wagner pilota uma crise política. O PT rompeu o acordo para apoiar a reeleição do prefeito João Henrique (PMDB) e vai apostar em candidatura própria com poucas chances de vitória.

Situação mais confortável é a do deputado Ciro Gomes (PSB). Seu partido ficou livre para definir os melhores caminhos nas eleições municipais. Na maioria das cidades compôs com o PT, mas em algumas capitais juntou-se ao PSDB, como em Belo Horizonte. Essa versatilidade lhe dá a condição de sair das eleições municipais com a maior capacidade de fazer acordos. (GK)

07/05/2008 - 15:18h Governo da Bahia lança São João como produto turístico nacional

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de esq. a dir. Fatima Wagner, primeira-dama da Bahia, Domingos Leonelli, secretário de turismo (Bahia), Jaques Wagner governador do Estado e Marta Suplicy, ministra do Turismo

 

São Paulo (06/05) – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, disse, hoje à noite, durante o lançamento dos festejos de São João como produto turístico nacional, evento realizado pelo governo da Bahia, em São Paulo, no Armazém da Vila Olímpia, que “a Bahia faz mais um gol”. “O Forró é extremamente apreciado e a possibilidade de levar turistas para Ilhéus, Porto Seguro e Salvador, numa época em que menos turistas viajam para essas regiões, é uma descoberta”, afirmou.

Segundo a ministra, a parceria do governo da Bahia com a CVC fará “com que a roda do turismo e a da economia gire”. “Temos a expectativa de que aconteçam 1.700 viagens de ônibus no Estado e 417 municípios estejam festejando.”

A estratégia do governo da Bahia de ir a São Paulo para realizar o lançamento foi considerada mais um acerto, uma vez que se trata do maior emissor de turistas para o Estado. A ministra também observou: “O Carnaval da Bahia já é referência nacional, e o forró nós podemos construir. E é preciso dizer que a Bahia tem sido pioneira em coisas muito diferentes, como, por exemplo, no turismo étnico de afro-descendentes, que o Ministério está ajudando.”

A ministra lembrou que o governador Jacques Wagner tem procurado atrair mais vôos dos Estados Unidos para a Bahia e que a secretária de estado norte-americana, Condollezza Rice, quando esteve no Estado, também disse que se empenharia por isso. Resumindo o que pensa, a ministra enfatizou: “O fato é que a Bahia tem características especiais, e algumas só ela tem.”

O governador Jacques Wagner destacou que o Ministério do Turismo tem sido parceiro da Bahia. E que é importante o estímulo para que se faça mais um produto baiano, para o turismo brasileiro. De acordo com Jacques Wagner, as comemorações de São João envolvem 417 municípios e mais fortemente próximo de 100, onde há festas organizadas pelas prefeituras.

“Esta é uma época boa para a gente lançar um novo produto porque, tenho certeza, o paulista, o carioca e o goiano vão gostar de ter, em Salvador, a praia, o sol, mas também de contar com a possibilidade de ouvir uma quadrilha, ou um trio, de dançar a quadrilha, ou de comer milho cozido e de viver uma tradição belíssima. São João é uma festa que se espalha por toda a Bahia. Além do Axé, de Gilberto, de Glauber, de Caetano, também temos forrozeiros importantes, que tocam um belo acordeon, um triângulo e uma zabumba”, enumerou Jacques Wagner.

Fonte MinTur

15/03/2008 - 00:17h Rice experiences Brazil’s unique culture during South American trip

condo_wagner_marta1.jpgSALVADOR, Brazil, March 14 /PRNewswire/ — While on an official visit to Brazil, Secretary of State Condoleezza Rice made one of her lifelong dreams come true: visiting the capital of Bahia, Salvador, one of theglobal centers for African culture outside of the African content.

“Coming to Bahia was a personal desire. I had been hearing about [it] for years; Salvador is a great city and all this is due to the Afro-Brazilian community here. Of course, I am of Afro-descent and I have always believed that Brazil and the USA, in certain aspects, are more alike than any other two countries in the world,” stated Rice, in an interview with Globo TV.

“Here we find the traditions of the European, Latin and African, everybody living side by side. So I wanted to come to Bahia and I can tell I was not wrong. It is beautiful here. I only regret having taken so long to come.”

Rice’s trip began with a ceremonial dinner with key leaders and Brazilian officials, including the Governor of Bahia, Jacques Wagner, and the Brazilian Minister of Tourism, Mrs. Marta Suplicy. Highlights included performances from two famous Brazilian musicians, Minister of Culture Gilberto Gil and singer/composer Carlinhos Brown.

Rice’s cultural tour also involved a visit to the famous Nossa Senhora do Rosario dos Pretos church which was built in 1704 and serves as an important symbol for the Afro-Brazilian community. She also visited the Afro Museum of Bahia in Terreiro de Jesus where she watched a performance by Olodum, one of the most famous Afro-Brazilian music and dance groups.

Upon the conclusion of her trip, Rice promised to promote Bahia and Brazil in the United States. Brazilian Minister of Tourism, Marta Suplicy, highlighted Brazil’s comprehensive communications strategy that promotesits cultural diversity in the American market.

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“Bahia is an important tourism destination for ethno-tourists and the African community, as it combines the historical and cultural sides to an impressive range of attractions, such as beaches, gastronomy, artistry and sports,” explained Minister Suplicy.

Interest in ethno-tourism, the exploration of ethnic origins, continues to grow. With cultural diversity that includes Africans, indigenous Indians and Portuguese, Brazil is one of the top, global ethno-tourist destinations.

Brazil’s Ministry of Tourism will invest $16 million USD to promote the country and its culture to Americans in 2008.

About EMBRATUR

The mission of the Brazilian Tourist Board, Embratur, is to promote Brazil in the international market as a destination for travelers. Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva has put a new tourism plan in place, the Aquarela Plan, which calls for generating consumer awareness about Brazil and attracting more tourists. The established target for the U.S. sector is increasing the annual numbers for tourists entering the country to 9 million, and attracting a total amount of $8 billion in revenue. There are eight Embratur offices globally including Lisbon (Portugal), Paris (France), London (U.K.), Frankfurt (Germany), Madrid (Spain) and Milan (Italy). There is also a Bureau for Tourism for Latin America, based at the Embratur office, in the city of Brasilia. For more information visit http://www.braziltour.com/site/en/home/index.php

SOURCE Brazilian Ministry of Tourism

14/03/2008 - 16:24h Rice discute turismo afro na Bahia

Secretária de Estado dos EUA, que visita hoje o Pelourinho, também deve falar sobre produção de combustíveis renováveis

Tiago Décimo, SALVADOR - O Estado de São Paulo

L'image “http://www.atarde.com.br/arquivos/2008/03/26362.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, desembarcou ontem à tarde na Base Aérea de Salvador (BA)para uma visita de 18 horas à capital baiana.

Condoleezza foi recebida pelo chefe de gabinete do governo baiano, Fernando Schmidt, e pela baiana Marly Trindade, que a presenteou com uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim. Ela escolheu uma de cor vermelha - no candomblé, a cor faz referência a Iansã, a rainha dos ventos - que foi amarrada em seu pulso esquerdo. Em seguida, Condoleezza seguiu para o Hotel Pestana, no bairro boêmio do Rio Vermelho. A secretária americana já havia manifestado desejo de conhecer a capital baiana.

Condoleezza veio a Salvador para discutir, principalmente, o programa de incentivo ao turismo étnico-afro, que vem sendo elaborado desde o ano passado pelo Ministério do Turismo e o governo baiano. O projeto, que já recebeu investimentos de R$ 1,3 milhão, é inspirado pelo crescente interesse dos afrodescendentes americanos em conhecer lugares no mundo com fortes raízes africanas.

Com 82% de seus 2,9 milhões de habitantes compostos por negros, Salvador é tida como a maior cidade negra fora da África. Outros temas, como a produção de combustíveis renováveis, também estão na pauta.

Fonte próxima da secretária americana revelou ao Estado que Condoleezza manifestou preocupação com a situação econômica da Argentina, país que ela considera de grande peso regional.

Segundo a fonte, ela reclamou que, no auge da crise entre o governo do então presidente Fernando De La Rua e o Fundo Monetário Internacional, em 2001, os EUA foram acusados de ter ficado ao lado do Fundo. “É uma injustiça, pois fiquei dois dias pendurada no telefone tentando ajudar o governo argentino”, disse Condoleezza, de acordo com a fonte.

A secretária jantou ontem com o governador da Bahia, Jacques Wagner, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, e a ministra do Turismo, Marta Suplicy, e outros políticos, artistas, diplomatas e empresários. Hoje de manhã, ela visitará o histórico bairro do Pelourinho. Às 10 horas, deve embarcar para Santiago, Chile.

14/03/2008 - 13:52h Condoleezza Rice visita Bahía a capital do turismo étnico

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Durante a visita da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, à Bahia o governador do Estado, Jaques Wagner, pediu apoio à autoridade norte-americana para o Projeto Inglês Para Todos, que irá beneficiar cerca de 60 mil jovens de baixa renda da Bahia.

Na ocasião, Wagner falou ainda sobre a importância do turismo étnico para a Bahia, cuja intenção é atrair afro-americanos para o Estado, e a necessidade de mais vôos diretos entre EUA e Bahia. Ele ainda agradeceu a visita da secretária e disse que era um privilégio recebê-la.

Condoleezza Rice, acompanhada de Jaques Wagner, governador da Bahía e Marta Suplicy, ministra de turismo visitando o Pelourinho e a Igreja do Rosário. Na noite anterior, junto com Gilberto Gil, a Secretária de Estado Norte-americana, eximia pianista, caiu no samba. 

23/01/2008 - 00:11h DIA INTERNACIONAL DE LEMBRANÇA



A FIERJ-Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, e o Escritório da ONU em nosso país, irão realizar no próximo dia 25 de janeiro, das 10h30às 12h00, no Palácio Itamaraty, à Rua Marechal Floriano 196, um ato público em honra ao DIA INTERNACIONAL DE LEMBRANÇA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO.

Esta data, criada pela ONU para marcar o Dia de Libertação do Campo de Extermínio de Auschwitz, foi criada com a recomendação para que sejam promovidas ações políticas e educacionais em todos os países membros da ONU.

A exemplo de anos anteriores, quando a FIERJ e a ONU marcaram a data, também este ano teremos este evento, desta vez, amplificado pela honrosa presença do Exmo. Sr. Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, do Exmo. Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, do Exmo. Sr. Governador do Estado da Bahia Jaques Wagner, diversas autoridades de todos os escalões, militares, ex-combatentes brasileiros e de nações amigas, partisans, líderes comunitários e religiosos.

Além das manifestações das autoridades em alusão à data, haverá também a inauguração da exposição organizada pelo Museu Judaico do Rio de Janeiro, HOLOCAUSTO NUNCA MAIS.

A presença de todos é muito importante, pela memória dos que tombaram, e pelo alto significado da luta contra o preconceito, o racismo, a discriminação, o anti-semitismo, e todas as demais formas de intolerância correlata, e principalmente contra o esquecimento e a tentativa de apagar o Holocausto da história, perpetrado pelo idólatras do fascismo e do nazismo.

Sergio Niskier - presidente da FIERJ

06/11/2007 - 08:24h Marta e Wagner rechaçam terceiro mandato de Lula

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Dois dos nomes cotados dentro do PT para disputar a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Jaques Wagner (BA) e a ministra Marta Suplicy (Turismo), rechaçaram ontem à noite em São Paulo a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente.

A petista ainda aproveitou para alfinetar a oposição tucana, que, em 1997, esteve à frente da emenda que instituiu a reeleição no Brasil e acabou beneficiando o então presidente, Fernando Henrique. “Lula é uma pessoa muito democrática no sentido de não admitir casuísmo, e nós já tivemos alguns recentes no país. Mas isso [o terceiro mandato] vai ficar por aí, a oposição falando, falando, para ver se perturba um pouco o ambiente, mas o tema não prospera no PT”, disse ela.

O governador da Bahia, diante de platéia formada por cerca de 500 empresários na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), também se posicionou contra o terceiro mandato. “Nenhum tipo de casuísmo é bem-vindo no momento atual”, disse ele, em evento que tinha como tema o potencial econômico da Bahia. Wagner citou como exemplo negativo o caso de seu Estado, em que o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM), morto este ano, comandou a política por quase duas décadas.

Pela manhã, Wagner já havia criticado as articulações em torno da proposta que estabelece o terceiro mandato para Lula. Ele disse que a chance de terceiro mandato é zero: “Para mim, a chance é zero, pelo que conheço do PT e do presidente Lula. É criar um casuísmo para mudar as regras e beneficiar B ou C. A história do PT sempre foi de crença na instituição democrática”, disse.

02/10/2007 - 13:13h Geddel comanda desmonte do carlismo

Paulo Totti para Valor

Ruy Baron/Valor

Às 10h00 de segunda-feira nos sofás da sala de estar de um apartamento em ensolarado edifício do bairro de Ondina, 14 pessoas esperam a oportunidade de trocar algumas palavras com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB). Ao meio-dia, já serão mais de 20 os visitantes. Comissões de prefeitos, vereadores, deputados estaduais conversam com Geddel na sala de jantar, paredes nuas e sem luxo, com uma mesa em condições de assentar mais de dez pessoas. Os encontros individuais ocorrem num gabinete ao lado, mais exíguo e também despido de ornamentos. “O ministro hoje teve que transferir alguns encontros para a própria casa porque havia muita gente querendo falar com ele. Não sei o que vai acontecer com os que estão lá na sede da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), onde o ministro costuma despachar todas as segundas”, diz uma assessora. “No sábado e no domingo ele vai para o interior e na segunda o interior todo parece que vem para cá. É a nossa rotina”.

Tanta atividade não é exclusiva do ministro. Com a agenda sobrecarregada na terça-feira, o governador Jaques Wagner (PT), por exemplo, só começou às 13h30 uma audiência marcada para as 11h. Quatro pessoas ainda aguardavam na ante-sala e, ao lado do gabinete, às 14h30, a mesa do almoço continuava posta à espera do governador e dois convidados. O prefeito João Henrique Carneiro (ex-PDT, hoje PMDB), na mesma tarde, depois de uma circulada pelo centro da cidade para “fiscalizar o comércio” (e fechar uma agência do Real ABN Amro, por irregularidades num alvará), foi receber vereadores na prefeitura, ao lado do Elevador Lacerda, e correu ao gabinete de despachos do governador, no Centro Administrativo estadual, para a assinatura de um contrato com a Infraero destinado à construção de viadutos que facilitarão o acesso ao aeroporto Luís Eduardo Magalhães.

A primeira-dama, Fátima e Jaques Wagner, governador da Bahia

Do outro lado de Salvador, no escritório de um conjunto conhecido como As Torres Gêmeas, na avenida Tancredo Neves, o ex-governador Paulo Souto (DEM) acabava de voltar, quarta-feira, do velório da mulher de um prefeito do interior, recebia um outro prefeito, dava entrevista pelo telefone à Rádio Metrópole e aguardava a chegada de uma equipe da TV Bahia.

Em Brasília, na sexta-feira, o senador César Borges (ex-PFL, ex-DEM, e, a partir desse dia, oficialmente no PR), saía do gabinete do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (vice-presidente do PR), e ia direto para o aeroporto, para um fim de semana em suas bases na região de Jequié, onde o sertão começa a 360 quilômetros de Salvador. Na manhã do mesmo dia, no bairro da Pituba, as escadas que levam ao terceiro andar, e também os corredores e as quatro pequenas salas do modesto escritório de Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), estão tomadas por correligionários (é sexta-feira e três deles vestem-se de branco, da gravata aos sapatos). O deputado chega sem seguranças, cumprimenta cada um, despacha com alguns deles no próprio corredor, reúne-se individualmente num gabinete apertado com meia dúzia de outros, e sai para uma participação ao vivo na TV Bahia. Aos 28 anos, casado, ACM Neto tem pouco tempo para a filha de sete meses, Lívia, para jantar fora, ir ao cinema, fazer com a mulher um programa de jovens. Sábado e domingo terá novos compromissos, obviamente políticos, com agenda não revelada.

Na plácida Bahia, todos os expoentes da política demonstram excepcional disposição para o trabalho nestes dias que antecedem o 5 de outubro, data limite para a troca de partido dos que pretendem concorrer por outra legenda às eleições municipais de 2008. No país inteiro, há movimentação e expectativas. Mas, na Bahia, a situação é diferente e especial. Pela primeira vez, desde os anos 60 do século passado, Antonio Carlos Magalhães não está presente, não disputa, não decide, não influi pessoalmente (pró ou contra) numa eleição. E sem ACM, o avô, como ficam os prefeitos, acostumados com o alinhamento automático ao poder estadual e, por meio dele, ao poder federal, um disciplinado verticalismo que lhes assegurava não só a eleição, mas os favores no exercício do mandato que os levaria à própria reeleição ou à sobrevivência de seu grupo?

Nenhum dos grandes próceres da Bahia disputará eleições municipais, mas o cacife de cada um no jogo do poder estadual começará a ser calculado pelo número de fichas de filiação de prefeitos e vereadores que empilhar no seu estoque partidário a partir de sexta-feira.

Em 2004, dos 417 municípios da Bahia, 370 elegeram prefeitos do então PFL ou de partidos perfilados com Antonio Carlos. PMDB e PSDB elegeram perto de 40 e o PT saltou de 7 para 19. O PDT fez o prefeito de Salvador, com 75% dos votos. Nas duas cidades do interior mais populosas, o PFL tem o prefeito reeleito de Feira de Santana e o PT, o prefeito de Vitória da Conquista. Nos maiores colégios eleitorais do Estado, à exceção de Salvador, os carlistas elegeram cinco prefeitos, o PT quatro e o PMDB, um. Muitos dos prefeitos, num êxodo a que se juntaram vereadores, deputados estaduais e federais, abandonaram o DEM já na derrota para Jaques Wagner em 2006, mas a restruturação completa do quadro partidário ocorrerá somente agora, quando se saberá se e como, morto Antonio Carlos, sobreviverá o carlismo.

Adesões

Nenhum dos próceres ouvidos pelo Valor arriscou previsão sobre o placar final dessa corrida por adesões. A exceção foi o ministro Geddel Vieira Lima, presidente de honra do PMDB na Bahia (o irmão, Lúcio, é o presidente da executiva regional). “O carlismo é hoje uma Ong em desagregação”, disse Geddel, referindo-se não só às derrotas sofridas pelo PFL, em 2004 nas eleições para prefeito em Salvador e em 2006 para o Senado e o governo do Estado, como à crise que sucedeu à mudança do nome do partido para Democratas e culminou com a saída do senador e ex-governador carlista César Borges para o PR. Às vésperas do encerramento do prazo de filiações, Geddel contabiliza como certa a adesão de 70 prefeitos ao PMDB e esperava chegar a 100, “ou perto disso”. Jaques Wagner diz que a corrente que ACM chefiou continua forte eleitoralmente e, apesar de fragmentada, merece respeito. “Minha vitória em 2006 foi no primeiro turno e com folga. Mesmo assim, a diferença foi de cinco pontos (52,5% a 47,5%). Isso é pouco para considerar que o adversário desapareceu”.

Paulo Souto e Antonio Carlos Magalhães Neto reconhecem que sua corrente perdeu substância. A derrota de 2006 é atribuída por ambos à “avalanche lulista” que soterrou a oposição em todo o Nordeste e, diz Paulo Souto, “a uma certa fadiga de material. Depois de 16 anos ininterruptos, o eleitor quis experimentar uma mudança”. A atual debandada é vista como resultado natural da necessidade de aproximação com o poder. “Fomos beneficiários disso durante muito tempo”, diz Paulo Souto, pragmática e sinceramente. Dois dias depois, ACM Neto faria o mesmo raciocínio. Numa comprovação de que o carlismo sempre teve bons analistas do contexto político da Bahia, um assessor do jovem ACM simplifica numa frase a situação atual de sua corrente: “Estamos sendo picados pelo nosso próprio veneno”.

Antonio Carlos Magalhães
Geddel Vieira Lima, que testemunhou de perto a prática política de Antonio Carlos Magalhães - foi seu inimigo pessoal por mais de dez anos e, atraído por Luís Eduardo, se tornou próximo ao final da década de 90, para ser novamente inimigo após a morte do filho do então senador - faz uma longa descrição do que consideraria o “veneno” de ACM.

Estamos sendo picados pelo nosso próprio veneno, É natural. Nos beneficiamos disso durante muito tempo”

Diz Geddel: “ACM cresceu na ditadura, uma época em que o governador era nomeado em agosto e a eleição geral era em outubro. Então, prefeitos, deputados, todos queriam o apoio do governador para eleger-se, manter-se no poder e evitar cassações. ACM fortaleceu-se regional e nacionalmente com a nomeação em rodízio de subservientes e a perseguição aos adversários. Na redemocratização, aproximou-se de todos os presidentes. No primeiro mandato de Fernando Henrique reuniu mais poder até do que na ditadura. Brigou com FHC mas manteve o controle de todos os cargos federais que nomeara. Houve esperança de modernização quando o filho começou a aconselhá-lo. Mas Luís Eduardo morreu. Depois, houve os dois escândalos de grampos, um na Bahia em episódio pessoal que a imprensa explorou bastante e o outro em Brasília no caso do painel do Senado. A herança de ACM não exibe um chefe político formado, árvore para abrigo na intempérie. É natural que os políticos procurem esse abrigo em outras paragens”.

A movimentação de Geddel indica que pretende acolher a orfandade à sombra de sua autoridade de ministro e de “chefe de partido” aliado dos governos federal e estadual. O ministro parece gostar da expressão “chefe de partido”. Usou-a três vezes em seu contato com o Valor. Perguntado se tentou atrair César Borges para o PMDB, Geddel respondeu: “Não o procurei. Ele incorpora todos os defeitos do carlismo. Morto o dono do estilo, eu não iria chamar para o PMDB quem quer preservar esse estilo.”

César Borges, que sai do DEM por não concordar com o controle da legenda pelo ex-governador Paulo Souto, acabou no PR e recebeu do presidente de honra do partido, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, e do vice-presidente Alfredo Nascimento, uma carta atribuindo-lhe “o irrestrito comando sobre os destinos do PR na Estado da Bahia”, o que representa a deposição do atual presidente, deputado federal José Carlos Araújo. Jaques Wagner disse ao Valor que não teve interferência no ingresso de Borges na base de apoio ao governo federal -”isso é coisa de Brasília” - mas, para evitar surpresas, apressou a cerimônia de adesão da bancada estadual do PR à sua própria base de apoio (três deputados hoje e mais três que virão nos próximos dias). Em Brasília, Borges disse que pretende chegar ao PR baiano “com uma bandeira branca” e que não se recusa a dialogar com Wagner, se convidado. Sobre a adesão a um partido da base federal, Borges disse que continua contra a CPMF, mas, no Senado, trabalhará para um acordo entre governo e oposição sobre o tema.

Apesar da ausência de previsões que reflitam a realidade e não os desejos, o PMDB baiano é o partido com a maioria das adesões pré-5 de outubro (na prática, o prazo para o recrutamento se esgota amanhã, pois dois dias serão gastos na tramitação da nova filiação na Justiça Eleitoral). A adesão mais visível foi a do prefeito de Salvador, João Henrique, ao PMDB no mês passado. O pai do prefeito, ex-governador João Durval Carneiro (ACM indicou-o candidato do PDS em 1982 para substituir Clériston Andrade, morto num acidente de helicóptero em plena campanha) derrotou Rodolpho Tourinho (PFL) em 2006 e elegeu-se senador pelo PDT. O PMDB é o mais forte aliado do governador Jaques Wagner. Geddel indicou o vice, ex-deputado estadual João Pereira, e tem várias secretarias no Estado e na prefeitura. Na atração dos “órfãos”, o PT segue a orientação nacional, recusa adesões “não ideológicas” e isso facilita o inchaço dos outros partidos que apóiam o governador. Com seu estilo calmo e muita articulação nos bastidores, preferindo usar a palavra “liderança” à “chefia” ou “comando”, tão ao gosto dos políticos mais tradicionais da Bahia, Wagner conseguiu vitória em todas as votações importantes na Assembléia. Na semana passada, eram 38 deputados num total de 63, e com a atração mais recente de deputados do PR e outras aproximações, sua maioria pode chegar a 46, quatro cadeiras a mais do que o carlismo dispunha na legislatura passada. ACM Neto inclui o PSDB, do deputado federal Jutahy Magalhães e do ex-prefeito Antônio Imbassahy, na “linha auxiliar ” de Wagner. O presidente da Assembléia, com efeito, é do PSDB e facilita a tramitação dos assuntos de interesse do governador.


Aos 48 anos, casado, duas filhas, Juliana, 8, e Mariana, 4, Geddel diz que não quer ser governador em 2010. “Leitor de Ortega y Gasset, sou eu e minhas circunstâncias. Respeito a fila. Jaques tem a preferência. Se quiser ser reeleito, eu o apóio e me candidato ao Senado. O pacto com Jaques será respeitado. Jaques me apoiou para o ministério de Lula e se ele for candidato a presidente em 2010, ou a vice, destaco, pode contar comigo”.

O ingresso do prefeito no PMDB foi, segundo Geddel, “pactuado” com Jaques Wagner, que prometeu apoio a João Henrique para a reeleição em 2008, uma decisão incômoda para as bases do PT de Salvador, que pretendiam mais uma vez lançar a candidatura do deputado federal Nélson Pellegrino. “O ciúme existe”, diz Geddel, “mas Jaques e eu somos políticos sensatos”.

O carlismo está disposto a explorar o provável ressentimento do PT e de outros partidos da base de Wagner com o crescimento de Geddel. “Geddel pode criar problemas ao Jaques. A coabitação com o PMDB não é uma coisa boa”, diz Souto. “O culpado é o próprio PT, que deu tantas asas ao Geddel”, diz, por sua vez, César Borges, que, segundo amigos e inimigos, sai do carlismo mas continua carlista.

Um sinal de que PMDB e PT não estão tão afinados é o que ocorre neste momento com a escolha de um novo membro do Tribunal de Contas do Estado, em vaga tradicionalmente preenchida por um indicado pela Assembléia. A bancada do PT tem candidato, Zilton Rocha, e o PMDB resolveu indicar o pai de seu líder na Assembléia, nada menos do que Leur Lomanto, recém-saído da desprestigiada diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Foi uma decisão da bancada. Não poderia vir de Brasília e emasculá-la”, diz Geddel.

Alan Rodrigues  
• Paulo Souto, ex-governador

Com esse quadro, o que faz o DEM para garantir a sobrevivência? Paulo Souto e ACM Neto fazem a mesma análise do passado e pensam igual sobre o futuro. O deputado considera que, “no sistema eleitoral brasileiro”, as chefias locais dependem muito do poder estadual ou do poder federal. “Perdemos os dois. O eleitor nos tirou do poder e só ele pode nos colocar de volta”, Por isso, o DEM, com os poucos aliados que lhe sobrarem, pretende falar diretamente ao eleitor. A defesa da redução dos impostos, adotada nacionalmente, será um dos instrumentos desse contato. “Em 2006 tínhamos apoio de 380 prefeitos, 42 dos 63 deputados estaduais, 25 dos 39 deputados federais e, mesmo assim, perdemos”, contabiliza ACM Neto. Já as lideranças intermediárias, diz, são atraídas de duas formas: pelo exercício do poder ou pela expectativa de poder. “Perdemos a primeira, mas podemos ser a segunda”. A Prefeitura de Salvador pode ser o início do caminho de volta. Para Souto, as chances de vitória na capital são boas, devido principalmente “ao desempenho fraco do atual prefeito”. Neto acrescenta que em pesquisa da Qualy, uma empresa baiana, os que consideram ruim ou péssima a administração de João Henrique são o dobro dos que lhe atribuem nota boa ou ótima. Segundo a pesquisa, ACM Neto tem 15% das preferências para prefeito. “Mas só vou decidir lá por dezembro”, afirma. Na eleição para a Câmara, Neto teve na capital 107 mil votos de um total de 437 mil. Sobre alianças, diz ele que César Borges se comprometeu a apoiá-lo. Pelo telefone, de Brasília, César Borges afirmou que não se lembra da promessa.

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

Souto e ACM Neto poupam até aqui o governo de Jaques Wagner, mas destacam que a violência aumentou na capital e na região metropolitana. Assessores de Wagner dizem que os dados sobre criminalidade no governo de Souto eram manipulados. “É criminoso dizer isso”, responde Souto. “Mas mesmo os números do atual governo mostram que a violência aumenta a cada mês”. Perguntado se confirma a fama de que o carlismo, apesar de tudo, era um primor de gestão, Wagner responde: “Montaram uma boa máquina arrecadadora. Mas no restante, especialmente na área social, o desempenho foi muito fraco”. Ao assumir, Wagner revelou a herança de uma dívida de R$ 400 milhões. Uma auditoria mais profunda, diz sua assessoria, indicou o comprometimento do orçamento de 2007 em R$ 1 bilhão. A Bahia, na atual gestão, foi um dos poucos Estados do Nordeste que não teve problemas em seus hospitais. “Isso ocorreu porque entreguei a Saúde em bom estado”, diz Souto.

O cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, diretor do Centro de Recursos Humanos da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, é o mais conhecido estudioso do fenômeno que ele próprio passou a chamar de carlismo. Crítico severo (e documentado) do carlismo e simpático ao PT, Paulo Fábio não acha que o carlismo desapareceu: “Perdeu substância nos últimos anos, mas nunca passou mesmo de 30%”. A volta do carlismo ao poder seria um retrocesso, mas ele revela um temor maior: o de que Jaques Wagner, empolgado com o sucesso, “desmanche seu projeto de governo em nome da unanimidade, a Bahia una sob seu comando”. Diz o professor: “Tornar-se o coveiro do carlismo é até possível, mas isso só será conseguido se recorrer aos mesmos métodos do carlismo. Ter oposição é bom para a democracia. Jaques tem que afastar de si esse cálice”.

25/09/2007 - 09:19h O ex-banqueiro e a sucessão de 2010

Há pelo menos 181 fugitivos brasileiros na lista de procurados da Interpol. Se o ministro Tarso Genro distinguir a cada capturado o mesmo empenho que dedica ao ex-banqueiro Salvatore Cacciola, não faz outra coisa até o final do governo. Genro é ministro da Justiça, não é capitão de mato. É claro que não irá tratar pessoalmente da extradição do primeiro traficante preso no exterior. A distinção a Cacciola é parte de uma disputa que movimenta o PT e outros partidos da base aliada: o testamento eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro da Justiça esteve impecável nas primeiras horas após o anúncio da prisão de Cacciola, sábado retrasado. Rapidamente encaminhou as tratativas com o Itamaraty e já no início da semana seguinte tinha uma diplomata a postos para levar o pedido de extradição às autoridades do principado de Mônaco, onde o ex-banqueiro foi preso. Agilidade suficiente para sinalizar o interesse inequívoco do Estado de ter de volta e julgar o ex-banqueiro, o mais notório dos brasileiros na lista de fugitivos da Interpol.
Segundo o Ministério da Justiça a viagem de Genro a Mônaco era necessária para reforçar “o interesse do governo brasileiro” no pedido de extradição. É pouco. O governo já havia deixado patente esse interesse. O ministro dá ao caso de Cacciola um caráter excepcional, merecedor de tratamento excepcional. Dificilmente terá o mesmo comportamento em relação a outros fugitivos menos notórios. Além disso, é uma atitude de risco: e se as autoridades de Mônaco negarem a extradição, como é que fica o ministro da Justiça brasileiro?
No PT e nos outros partidos aliados há só uma explicação para a iniciativa de Genro: o ex-banqueiro Cacciola é mídia certa e o ministro aproveita a carona para fazer um factóide. Com isso espera se posicionar melhor numa disputa que se desenha intensa, desencadeada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao dizer que o candidato do governo em 2010 pode sair de qualquer um dos partidos da aliança. E nisso Tarso Genro não está só: se Lula não pode concorrer pela sexta vez seguida, todos são candidatos à herança lulista.

Testamento eleitoral de Lula está em aberto


Sem um nome natural, o PT incomoda-se com a desenvoltura de aliados como Nelson Jobim (PMDB) e Ciro Gomes (PSB). Em poucos dias de governo, Jobim já apareceu caracterizado de bombeiro, nos escombros do acidente da TAM, vestiu farda do Exército e falou grosso com militares supostamente insatisfeitos com o lançamento de um livro sobre mortos e desaparecidos da ditadura. Ciro volta a ser o melhor Ciro de 2002 e diz que a “A CPMF é assunto de branco que não quer pagar imposto, para que o povo perca o Bolsa Família”. O PT observa Sérgio Cabral (PMDB) com atenção, mas ainda não o tem na conta de adversário a ser tirado do testamento de Lula.
Internamente, chegam a seis as alternativas com as quais o PT trabalha para 2010. Tarso Genro é uma delas, mas leva a desvantagem de tentar a indicação por meio do enfrentamento com um grupo mais poderoso no partido, no qual José Dirceu ainda dispõe de influência. O governador Jaques Wagner (BA) também entrou setembro com uma viagem aos EUA e reuniões com organismos financeiros internacionais. Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) tem o que o PT avalia ser a melhor obra e a que deu mais resultados, mas não tem visibilidade.
Marta Suplicy (Turismo) é sempre mencionada, mas a avaliação é que está destinada a repetir José Serra: se for candidata a prefeito, no mínimo mantém a atual bancada de 12 vereadores do PT, se perder a eleição; se vencer, pode ampliá-la para 14. Qualquer outro candidato pode derrubar a bancada para cinco vereadores. Missão cumprida, ela poderia se candidatar ao governo do Estado em 2010. Como Serra.
A aposta de Dilma Roussef (Casa Civil) é o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Se transformar o Brasil num “canteiro de obras” em 2008, como promete, poucos petistas têm dúvidas de que seu nome passa a ser quase automático. Nesse ritmo, o ex-ministro Antonio Palocci resolveu acelerar sua volta ao primeiro plano da política. Depois de relatar a emenda que prorroga a CPMF, pode assumir a função de relator da reforma tributária. E voltou a fazer caminhadas com Lula. Sem Lula na chapa pela primeira vez, o importante para petistas e não-petistas é estar com Lula em 2010.


Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras no jornal Valor

18/08/2007 - 12:50h O 1º round de Serra e Aécio

A cúpula do DEM transmitiu ao governador de São Paulo, José Serra, a seguinte mensagem: está disposta a abrir mão da vaga de vice na chapa presidencial do PSDB em 2010, seja para acomodar um peemedebista, seja para alojar um tucano. A oferta é um lance para ajudar Serra a consolidar o favoritismo na disputa interna do PSDB pela candidatura ao Palácio do Planalto.

Obviamente, há uma contrapartida: apoio do PSDB à reeleição de Gilberto Kassab para prefeito de São Paulo no ano que vem. No entanto, há um tremendo obstáculo. Pesquisa Datafolha publicada no domingo 12 de agosto mostrou que o ex-governador e ex-candidato a presidente Geraldo Alckmin lidera a corrida paulistana com boa vantagem em relação aos demais concorrentes. No cenário atual, Alckmin se elegeria prefeito da maior cidade do país.

Para ajudar Serra, o DEM se comprometeria a apoiar a candidatura de Alckmin a governador em 2010. Ou seja, o cenário ideal para Serra seria reeleger Kassab e ser candidato a presidente com Alckmin precisando do seu apoio para voltar ao Palácio dos Bandeirantes.

Detalhe: Alckmin está mais interessado em ser prefeito de São Paulo. Se ele optar por esse projeto, fará o jogo de outro presidenciável tucano, o governador de Minas, Aécio Neves. Serra sabe disso, e está preocupado.

As articulações para as eleições municipais do ano que vem são uma espécie de primeiro round entre os dois presidenciáveis tucanos. Serra tem a seu favor o apoio de caciques tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e a liderança em todas as pesquisas sobre a sucessão presidencial de 2010.

Já Aécio busca se viabilizar por meio de amplas articulações políticas. Flerta com o PT, sinalizando para Lula que não seria um candidato a presidente hostil à sua administração. Uma vez na Presidência, trataria bem Lula e o PT.

Aécio também busca pontes com PSB, PDT e PC do B, três legendas que hoje tem expectativa real de poder com a possível candidatura do socialista Ciro Gomes. Ciro conta com a simpatia de Lula.

Num cenário admitido no Palácio do Planalto, Lula assistiria o jogo sucessório de camarote. O PT lançaria um candidato –por exemplo, o governador da Bahia, Jaques Wagner. Ciro concorreria com apoio de forças que hoje sustentam o lulismo. Aécio seria um oposicionista amigo, que, se naufragar na disputa tucana, poderia ainda tentar a sorte pelo PMDB.

Lula acha que já passou da hora de Aécio migrar do PSDB para o PMDB, pois avalia que o tucanato não lançará o mineiro. Mas Aécio teme essa aventura. Se perder a disputa no PSDB, poderá se enfraquecer para sair candidato por outro partido. Nesse dilema, vai ficando onde está.

A Serra, que mantém boa relação política e pessoal com Lula, resta o caminho de uma oposição mais dura. Seus aliados preferenciais são os democratas (pefelistas). E ele pode pescar apoios no PMDB, partido que o apoiou em 2002 e no qual tem bases sólidas. Exemplos: dois ministros de Lula o adoram, Nelson Jobim (Defesa) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). O governador paulista tem outro grande sonho. Chegar a um acordo para que Aécio aceite ser o seu vice. O mineiro, porém, tem dado sinais de que prefere holofote próprio.

 

 

Kennedy Alencar, 39, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.E-mail: kalencar@folhasp.com.br

13/08/2007 - 19:14h O quebra-cabeça petista

Thomas Traumann

Os resultados das prévias estaduais para o congresso que o PT organiza na virada do mês prenunciam várias mudanças no partido. Eis algumas previsões:

* O mandato do presidente do PT, Ricardo Berzoini, será encurtado. A nova eleição deverá ocorrer em dezembro. Berzoini é candidato, mas pode ser substituído por um nome de consenso, como o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel;

* a surpresa das eleições internas é a musculatura das duas tendências ligadas à ministra Marta Suplicy. Junto com a ala de Arlindo Chinaglia, elas serão o fiel da balança na disputa de poder no PT;

* está em curso a criação de uma nova maioria petista, juntando os lulistas mais fiéis como Luiz Dulci, governadores como Jaques Wagner, Antonio Palocci e os grupos de Marta Suplicy e Chinaglia;

* autoproclamado refundador do partido, o ministro Tarso Genro será isolado na nova composição petista.

Janela Indiscreta, coluna da revista Época (para assinantes).

16/07/2007 - 19:40h G1 Entrevista Jaques Wagner, governador da Bahia

A Primeira dama e governador da Bahia na abertura do PAN

O estado da Bahia viveu, durante 30 anos, “com alguns intervalos”, sob um governo que impunha-se pelo medo e o constrangimento. Esta é a opinião do governador Jaques Wagner (PT), que assumiu o estado em janeiro deste ano rompendo a hegemonia de 16 anos do grupo político comandado pelo então PFL, atual DEM (Democratas).

Foto: Editoria de Arte

Para Wagner, foi durante esses 16 anos que oito empresas montaram e desenvolveram o esquema de fraude em licitações de obras públicas na Bahia que criaria ramificações em outros cinco estados, desmontado pela Polícia Federal nas operações Octopus e Navalha.

“Isso tudo aconteceu antes de a gente chegar aqui. Aliás, todo mundo sabia. Em qualquer restaurante onde tem empresários jantando, o pessoal sabe que havia um grupo que dominava as contas de prestação de serviço da Bahia”, disse ao G1.

Questionado por que a oposição não fez a denúncia, então, o governador não tergiversa: “O problema é que você tinha o Judiciário sob controle, uma boa parte da imprensa igualmente sob controle, uma Assembléia Legislativa que fazia ordem unida. Era o estado do medo. Várias pessoas, até de organizações sociais, preferiam não comprar briga”.

O G1 procurou dois ex-governadores do grupo político ao qual Wagner se refere. Um deles, Paulo Souto, governou a Bahia entre 2003 e 2006 e entre 1995 e 1998. Atualmente, é presidente do DEM na Bahia. Ele disse que só comentaria a entrevista de Wagner após a publicação.

O senador César Borges (DEM-BA), governador entre 1999 e 2002, afirmou que Jaques Wagner não tem projeto para a Bahia e governa “olhando pelo retrovisor”. Segundo ele, o estado cresceu e se tornou a sexta economia do país sob os governos do então PFL. Leia a reportagem.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista de Jaques Wagner, a 11ª da série com governadores ao G1.

G1 - Os professores da rede estadual finalizaram uma greve que durou 55 dias. Mas o Sindicato dos Trabalhadores em Educação disse que o inicio das aulas era mais uma resposta à sociedade que um acordo com a proposta do governo. Os estudantes ainda correm o risco de ficar sem aulas?
Jaques Wagner -
Não creio, acho que os professores baianos têm responsabilidade e creio que sabem que os 55 dias já criaram uma dificuldade muito grande.

Foto: Lúcio Távora / Agência A Tarde / AE

Agência Estado

O governador em seu gabinete em Salvador
(Fotos: Lúcio Távora / Agência A Tarde / AE)

G1 - Não foi possível chegar a um acordo sobre o aumento salarial dos professores?
Wagner -
Para primeiro ano de governo, recebendo o estado com todos os problemas, [o salário dos professores] é acima da inflação. Sinceramente, acho que [a paralisação] foi uma precipitação. Entendo o anseio dos professores, mas não se pode imaginar que em seis meses se corrijam problemas de 10, 20 anos.

G1 - O governo saiu desgastado?
Wagner -
Toda greve é um problema e é mal vista. Evidentemente, a população culpa todo mundo, professores e governo também, acha que o governo poderia ter feito alguma coisa para evitar, é normal. Política é isso mesmo, desgaste, recuperação, vivi muito isso ao lado do presidente Lula no seu primeiro mandato como ministro. Me preocupa, mas não me assusta.

G1 - A Bahia é o estado mais rico do Nordeste e o sexto PIB do país, mas tem o 22º IDH e a 15ª renda. Como é possível mudar isso?
Wagner -
Mudando a orientação no modo de governar. Esses números que você citou só confirmam minha tese. Recebi um estado que estava de costas para as questões sociais. É mesmo contraditório: como a sexta maior economia do país só consegue o 22º IDH? Essa é a herança – como não gosto de dizer “herança maldita”, mas é a herança perigosa, preocupante que recebi, fruto de uma visão de governos do PFL que se sucederam e governavam privilegiando grupos e esquecendo a maioria da população.

G1 – Como todo novo governo, o senhor conseguiu amealhar o apoio da maioria dos deputados na Assembléia e de muitos prefeitos, inclusive de alguns ligados ao ‘carlismo’ que o sr. derrotou nas urnas. Esse “inchaço” da sua base não causa distorções?
Wagner -
Evidentemente que é natural que qualquer governo quando chegue busque construir a sua maioria. Construímos uma maioria de 38 numa assembléia de 63, com deputados que muitas vezes militavam do lado de lá e, com nossa vitória, quiseram abraçar um novo momento.

Foto: Lúcio Távora / Agência A Tarde / AE

G1 - Como então o sr. diferencia o seu governo da tradição política que governou o estado por 16 anos?
Wagner -
Nós viemos de uma política de 16 anos que vinha constrangendo as pessoas. O método de governar do PFL era de intimidar, de subjugar prefeitos. Muita gente que estava lá, não estava lá por concordância, mas por necessidade de sobrevivência, ou porque tinha medo de ser perseguido etc. Está se vivendo um novo momento aqui, que é o fim de um ciclo claramente. Digo com tranqüilidade que a Bahia não será a mesma nem na política, nem na administração. Muitos esquemas e estruturas que estavam montadas não vão sobreviver porque viviam à sombra do estado. Essa forma de governar, para mim, já faliu. O PFL se manteve aqui constrangendo o Judiciário, que hoje tem autonomia, assim como a Assembléia Legislativa. Não acho que nenhuma hipótese vai conseguir retornar em qualquer futuro aquele modo de fazer política.

G1 - O sr. diria então que o chamado “carlismo” como forma de fazer política acabou?
Wagner -
Não uso esse termo. Gosto de chamar o “modo pefelista de governar”. Na minha opinião, não tem nenhuma hipótese de ressuscitar, principalmente na política e na gestão. Não gosto de ficar no bate-boca dos adjetivos, prefiro pegar os números. O PFL governa aqui há 16 anos, na verdade há uns 30, com pequenos intervalos. Se você faz um balanço de 16 anos, qual é? É a sexta economia porque fizeram uso excessivo da guerra fiscal para trazer empresas pra cá, comprometendo inclusive as finanças do estado e também porque tem historia de industrialização que não começou com eles, mas com outros governantes. Mas se você pega IDH, renda per capita, saúde, educação, estradas…

Foto: Lúcio Távora / Agência A Tarde / AE

Operação Navalha

G1 - As investigações da Operação Navalha, da Polícia Federal, mostram que estava na Bahia a origem do esquema de fraudes em licitações públicas. Como se explica que um esquema com tantas ramificações funcionasse impune há tanto tempo?
Wagner -
Essa pergunta tem que ser feita aos governos anteriores. Essas empresas se instalaram, viveram e montaram esse esquema nesses 16 anos. A investigação veio pra cá porque havia empresas que vinham pra cá e iam falindo, mudando de nome, fraudando o fundo de garantia, o INSS e mesmo assim continuavam sobrevivendo no estado. Na Bahia, precisava pedir licença para se instalar como empresa. Isso mudou completamente. Já entreguei todos os contratos para o Ministério Público Estadual para a investigação prosseguir. Isso tudo aconteceu antes de a gente chegar aqui. Aliás, todo mundo sabia. Em qualquer restaurante onde têm empresários jantando, o pessoal sabe que havia um grupo que dominava as contas de prestação de serviço da Bahia.

G1 - E ninguém da oposição quis fazer essa denúncia antes?
Wagner -
O problema é que você tinha o Judiciário sob controle, uma boa parte da imprensa igualmente sob controle, uma Assembléia Legislativa que fazia ordem unida. Era o estado do medo. Várias pessoas, até de organizações sociais, preferiam não comprar briga. Era o jeito de governar, via contrangimento. Eu tenho a caneta, então digo: “Você não gosta de mim, não vai votar com o governador, então sua prefeitura não vai ter nada”.

Foto: Luiz Tito / Agência A Tarde / AE

Agência Estado

Jaques Wagner discursa durante feira agropecuária (Foto: Luiz Tito / Agência A Tarde / AE)

G1 - O foco inicial da investigação, segundo a PF, foi a liberação de R$ 11,5 milhões pelo Ministério das Cidades para a Prefeitura de Camaçari, que é governada por um prefeito do PT, por intermédio da Gautama…
Wagner -
Não foi isso que “estartou”, a historia é um pouco diferente. Eles vieram investigar oito empresas, por isso o nome da operação era Octopus. No meio dessa operação, houve o vazamento de informação, que se atribuiu a pessoas da própria Policia Federal - até por isso a mudança do nome para Navalha (de “Navalha na Carne”). Aí apareceu o empreiteiro Zuleido Veras, que estaria financiando a festa de posse de um delegado da PF. Daí a investigação sai das oito e vai para essa outra empreiteira, que fez negócios com Camaçari nos governos anteriores. No governo do prefeito [Luiz] Caetano – é bom lembrar que já tem dois anos e meio, portanto tempo suficiente - não tem nenhuma fatura executada por essa empreiteira.

G1 – O sr. foi citado no início das investigações da Operação Navalha de uma maneira até inusitada, por ter usado uma lancha do empresário Zuleido Veras num passeio…
Wagner -
É, mas isso para mim é uma matéria requentada. Eu passeei numa lancha, já dei minhas explicações, acho um besteirol esse negócio. Digo sempre que a gente tem que buscar causa e efeito nas coisas. A própria “Isto É” já publicou a carta resposta.

G1 - Mas não é estranho que uma pessoa, que é apontada pela PF como comandante de uma organização de fraudes, gravitasse tão próximo do governo?
Wagner -
Se você quer explorar tem todos os elementos aí, mas acho essa uma matéria requentada. Ele não gravita nada, não tem nenhum negócio nem interesse. A ministra Dilma esteve aqui e eu pedi a um amigo para alugar uma lancha e, em vez de ele alugar, ele tomou emprestada a essa pessoa, mas não tem nenhuma relação nem pessoal nem comercial.

Foto: Lúcio Távora / Agência A Tarde / AE

G1 - O senhor já criticou a disputa entre as tendências internas do PT. Será possível chegar a um consenso no congresso do partido em agosto? Que PT o senhor acha que sairá do encontro?
Wagner -
Sim. Tivemos problemas duros, graves, que nos fizeram sofrer muito, mas como toda crise produz momento de superação. Não sou de nenhuma tendência do PT, sou do grupo independente. Creio que a própria eleição de 2006 mostrou, para a tristeza dos adversários do PT, que mesmo a população nos cobrando a responsabilidade pelos erros cometidos, continua reconhecendo que o PT tem contribuições a dar à democracia brasileira.

G1 - O seu nome é sempre citado como um dos presidenciáveis do partido.
Wagner -
São meus inimigos [risos].

G1 – Mas a presidência está nos seus planos?
Wagner -
Só converso do governo da Bahia. Dizem que quem vive de passado ou só pensa no futuro, esquece de viver o presente.

G1 - A aliança preferencial do partido no ano que vem e em 2010 é com o PMDB?
Wagner -
Não. Está muito cedo ainda. Todo mundo tem que cumprir sua tarefa. O governo do presidente Lula tem que melhorar mais ainda as condições do país. Temos 2008 pela frente, ainda temos muito chão.