21/10/2009 - 10:06h Indefinição é estratégica, diz Serra a aliados

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Raquel Ulhôa e Vandson Lima, de Brasília e São Paulo – VALOR

Sob pressão do DEM, da ala serrista do PMDB e de setores do próprio PSDB para que assuma logo a candidatura à Presidência da República, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), reafirmou ontem, em Brasília, em conversas fechadas com tucanos e demistas, que essa indefinição é estratégica e não impede sua atuação como articulador de alianças nos Estados.

Serra esteve em Brasília para a posse do ministro José Múcio no Tribunal de Contas da União (TCU) e foi levado pelo presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), à sede do PSDB, ontem reuniu-se com o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN). Ontem, foi dia de tucanos e demistas atuarem para diminuir a tensão entre os aliados.

A iniciativa da conversa com o governador partiu de Agripino, que telefonou ao governador para tentar contornar o mal-estar causado pelas declarações do presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), no fim de semana, manifestando preferência pela candidatura do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), à Presidência da República.

“Eu disse a ele que o Rodrigo, como presidente do partido, recebe os humores de lideranças do Brasil inteiro e procura interpretá-los”, relatou o senador. Segundo ele, ambos conversaram sobre a necessidade de “acabar com o tiroteio pela imprensa, que só interessa ao adversário”.

Nos últimos dias, aumentou a pressão de deputados e lideranças estaduais do DEM para que o PSDB decida o candidato. Alegam que apenas o presidenciável tem força para comandar as articulações nos Estados para formação de alianças para a eleição de 2010. Há problemas de montagem de palanques em vários Estados, como Paraná, Goiás e Rio de Janeiro.

A mesma avaliação é feita pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um dissidente do seu partido, que apoia Serra. “Entendo a necessidade dele de governar São Paulo e de dar prioridade ao Estado agora. Mas deve ser levada em conta a dificuldade de composição nos Estados. Fica difícil conquistar pessoas sem um candidato definido. A gente pode perder lideranças por causa dessa indefinição”, disse Jarbas.

A avaliação é que, enquanto a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), conta com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva – de quem é candidata a presidente -, a oposição está desarticulada, desmobilizada. Dilma avança e o PSDB se apresenta com dois candidatos, numa postura que não mobiliza e não convence os aliados.

Em jantar na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, na segunda-feira, do qual participaram Sérgio Guerra e Aécio, foi discutida a necessidade de mudança de estratégia pelo PSDB. Já que não há definição entre Serra e Aécio – que, no entanto, procuram mostrar unidade -, agora é preciso acabar com a fase dos eventos partidários internos e saírem, os dois, para um corpo-a-corpo mais efetivo com o eleitor.

“A etapa interna no partido está vencida. Agora, haverá contato mais direto com a população”, explicou Guerra. Ainda não está definida como será essa agenda: se os pré-candidatos viajarão juntos ou não. Em conversas com aliados, Serra afirma que nem a ministra se apresenta como candidata. Além disso, cita que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) se lançou e não teve crescimento nas pesquisas de intenção de voto por causa disso.

Embora já tarde, todos concordam que dezembro deve ser a data-limite para que Serra e Aécio se acertem e um deles seja apontado como candidato. Outra afirmação de Rodrigo Maia é que o DEM considera importante ocupar a vaga de vice-presidente na chapa encabeçada por um tucano.

Um dos maiores aliados de Serra no DEM é o ex-presidente do partido e ex-senador Jorge Bornhausen (SC), que tem forte ligação com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Ele diz não haver racha e que o partido irá com PSDB “de qualquer maneira, não há possibilidade de rompimento”.

O governador José Serra pretendia levar para março a definição, por acreditar que o partido naturalmente optaria por ele, líder nas pesquisas de intenção de voto, e para não enfraquecer sua posição em São Paulo.

Aécio sabe disso. Está animado pelas recentes manifestações do DEM – matéria de “O Globo” de domingo e entrevistas de Maia, colocando Aécio como um candidato “agregador” e com melhores perspectivas. Viu nisso o momento ideal para rechaçar a hipótese de sair vice e estipular prazo máximo para janeiro. Senão, ele desiste e parte para uma disputa ao Senado.

No PSDB, dirigentes afirmam que o incômodo com a indefinição de candidatura a presidente é “unânime”, mesmo assim há irritação com a postura do DEM, principalmente do seu presidente. Há quem diga que quem é parte da aliança tem de estar sujeito à vontade de quem tem mais força.

20/02/2009 - 12:29h Encarcerado no PMDB

Maria Cristina Fernandes – VALOR

http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2008/02/jarbas-vasconcelos.jpgSó há dois tipos de políticos: aqueles que levantam grana para fazer política e os que fazem política para levantar grana. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) tem militado ao longo de seus 40 anos de vida pública na primeira categoria. Nesta militância tem companheiros egressos de quase todos os partidos. É compreensível que se sintam minoritários face ao portentoso exército que cerra fileiras do outro lado. Mas não é esta militância, de um lado ou do outro, que pavimenta a chegada ao poder. É a política. E não são visíveis hoje os rumos da oposição neste campo. É este o resumo da entrevista do senador à ‘Veja’.

Não é a primeira vez que Jarbas se rebela contra seu partido ou contra o poder. O que impressiona é como a oposição à qual hoje se filia tenha sido capaz de encarcerar um espírito como o seu nos limites das páginas de uma revista.

O senador pernambucano resistiu ao golpe militar abrindo diretórios do MDB pelo interior de seu Estado; rebelou-se contra a eleição indireta, ausentando-se do colégio eleitoral que escolheu Tancredo Neves; e segurou, como presidente do partido, a campanha de Ulysses Guimarães, quando a maioria de seus correligionários pulava para o barco de Fernando Collor de Mello.

Fez política nadando contra a maré dentro do PMDB, mas não se furtou a deixá-lo quando viu sua carreira ser ameaçada pela burocracia do partido que, em 1985, montou uma convenção municipal para derrotar suas pretensões de se candidatar a prefeito do Recife.

Jarbas saiu do PMDB e foi para o PSB, quando montou a chamada “Frente Popular do Recife”, reunindo PT e PCdoB, além do então deputado federal Miguel Arraes, com quem depois romperia. Elegeu-se prefeito do Recife derrotando um obscuro deputado lançado por seu partido. Passadas as eleições, Jarbas voltou para o PMDB e foi, paulatinamente, reconquistando a legenda.

A eleição que salvou a carreira política do então deputado federal, tendo sido determinante para a história do Estado naquele momento de retomada do poder pelos civis, só foi possível graças a uma infidelidade partidária.

Hoje a história não se repetiria face à decisão dos tribunais superiores de que o mandato é dos partidos, saudada como indício de moralização dos costumes políticos. Foi uma decisão ansiosamente aguardada pelos partidos de oposição, que nela viram a salvaguarda para a defecção de seus correligionários rumo ao curral governista. E teve entusiasmado apoio do próprio Jarbas.

Ainda é cedo para se concluir que o PMDB vai compor chapa com a ministra Dilma Rousseff, mas, para ser substantivo, um movimento pró-Serra no partido hoje teria que partir de posições que internamente detenham poder, como o presidente da Câmara, Michel Temer (SP).

Se a cacicada do PMDB, com os redobrados poderes da fidelidade partidária, limita seus movimentos na política nacional, o senador também enfrenta problemas no plano regional.

Ao contrário do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que atira para o céu e preserva pontes na terra face a interesses do governo de sua aliada Yeda Crusius (PSDB), Jarbas hoje tem mitigadas chances de ver seu grupo retomar o poder em Pernambuco.

O governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), está na faixa dos 80% de aprovação e conta com o apoio da quase totalidade dos 49 deputados da Assembleia Legislativa. Na última vez que foi ao Recife, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalizou publicamente sua candidatura à reeleição.

No início do primeiro governo Lula, quando o ex-ministro José Dirceu (PT) tentou fechar uma aliança com o PMDB que só viria a se concretizar anos mais tarde, o então governador Jarbas Vasconcelos foi a ponta de lança dessa aproximação, respaldada pela simpatia do presidente que nunca esqueceu da visita que o então emedebista lhe fez na prisão.

Dirceu chegou a almoçar no Palácio do Campo das Princesas com Jarbas. Comunicou ao então deputado Eduardo Campos que, em 2006, o lulismo juntaria o então governador e o prefeito do Recife à época, João Paulo (PT), numa única chapa como candidatos, respectivamente, ao Senado e ao governo do Estado.

Veio o mensalão, Dirceu caiu e Jarbas acabou se afastando da esfera petista. Eduardo Campos, que saiu do ministério da Ciência e Tecnologia para reforçar a retaguarda governista na Câmara no auge do mensalão, foi ganhando espaço até que, em 2006, derrotou o candidato jarbista à sua sucessão.

Na entrevista, o senador diz não ter mais pretensão de disputar cargos. Seus correligionários no Estado ficaram em polvorosa, mas não há motivos para desacreditar dele.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

18/02/2009 - 14:33h O SHOW DE HIPOCRISIA NÃO ACABA AÍ

Enviado pelo leitor Alexandre

fonte: Balaio do Kotscho

Ainda no rescaldo da “bombástica” entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) à Veja, em que o ex-governador pernambucano, depois de 43 anos de militância, agora descobriu corrupção no seu próprio partido, e aproveitou para baixar a lenha no governo Lula, como de costume, ninguém se lembrou de lhe fazer uma singela pergunta sobre o seu suplente, o ex-deputado Roberto Freire, presidente do PPS.

Jarbas denunciou o seu PMDB, entre outras mazelas, de só querer cargos no governo, mas não foi perguntado sobre as boquinhas que o recifense Freire, que mora em Brasília, descolou na Prefeitura de São Paulo, como denunciou na semana passada o vereador José Américo, do PT.

Mesmo sem nunca ter morado em São Paulo, o ex-candidato comunista à Presidência da República foi nomeado por Gilberto Kassab para dois conselhos: a Emurb (Empresa Municipal de Urbanismo) e a SPTurismo, responsável pela organização de eventos como o Carnaval.

Para participar de uma reunião por mês, Roberto Freire recebe módicos R$ 6 mil _ de cada conselho. Como se ignoram os conhecimentos especializados de Freire nestes dois campos da administração municipal paulistana, só há uma explicação: nas últimas eleições, seu PPS apoiou o DEM tucano de Kassab.

Em troca, o partido ganhou a suprefeitura da Lapa, entregue à ex-vereadora e ex-petista Soninha. Será que o bom Jarbas e o repórter que o entrevistou não sabiam de nada disso?

leia íntegra:

“Câmara e STF, um show de hipocrisia”
http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/

18/02/2009 - 14:05h O barraco no PMDB


Ninguém pode dizer que se enganou com o PMDB e seus caciques regionais. Mas a política brasileira poderia ser ainda pior sem eles, como aliás já foi provado

Por Luiz Carlos Azedo – Correio Braziliense

luizazedo.df@diariosassociados.com.br

O senador Jarbas Vasconcelos , ex-governador de Pernambuco e fundador do partido, armou o maior barraco no PMDB e ficou por isso mesmo. A cúpula da legenda resolveu deixá-lo falando sozinho, embora a repercussão de sua entrevista à revista Veja, na qual acusa o partido de corrupção e fisiologismo, continue grande na mídia. Aparentemente, Jarbas cansou de ser escanteado pelos demais caciques da legenda e resolveu abrir uma dissidência que, pelo teor das acusações, não tem volta e deixa o PMDB na berlinda.

Fiel da balança
Não vou entrar no mérito da discussão aberta por Jarbas, que resolveu lavar a roupa suja de seu partido em público, para alegria da imprensa, pois quebrou a monotonia da cobertura política. Tão pouco quero adivinhar suas motivações íntimas, que para alguns analistas seriam fundar outro partido e virar vice da candidatura do governador paulista José Serra (PSDB) a presidente da República. Também não discuto suas críticas ao governo Lula, principalmente ao Bolsa Família, que para alguns são coisas de quem não gosta de pobre. Vou fechar o foco no que julgo mais importante: o PMDB começa a pagar o preço de ser o fiel da balança na sucessão de Lula em 2010.

Com seus governadores, prefeitos e parlamentares, a força renovada do PMDB no Congresso foi construída de baixo para cima, nas duas últimas eleições, e sua presença no governo Lula é muito mais uma consequência do que a causa desse fortalecimento. A legenda é fiadora da governabilidade do país. Sem o apoio do PMDB, o governo Lula não teria sustentação política no Congresso e ficaria à matroca. Não é à toa que ocupa seis ministérios na Esplanada, muito menos que tenha conquistado as presidências do Senado e da Câmara, ocupadas respectivamente por um antigo desafeto de Jarbas, o senador José Sarney (AP), e um suposto aliado, o deputado Michel Temer (SP).

A propósito, há uma curiosa assimetria nas relações do PT com o PMDB nas duas casas do Congresso. No Senado, as relações entre os dois partidos do “governo de coalizão” vão de mal a pior. Jarbas apoiou o petista Tião Viana (AC), que deveria ter retirado a sua candidatura anti-Sarney e não o fez porque recebeu o apoio da oposição. Na Câmara, ao contrário do que se poderia supor, o PT nunca esteve tão afinado com o PMDB, numa aliança que serviu de eixo para eleição de Michel Temer, diga-se de passagem, com apoio dos partidos de oposição.

Uma esfinge
Ninguém pode dizer que se enganou com o PMDB e seus caciques regionais. Mas a política brasileira poderia ser ainda pior sem eles, como aliás já foi provado. Ocorre que a cúpula do PMDB — da qual Jarbas se excluiu — há muito não estava tão unida como agora. E transformou a legenda numa esfinge, capaz de devorar aqueles que não forem capazes de decifrá-la. Ninguém, por exemplo, precisa falar ao ex-presidente José Sarney que ele é um personagem do passado, que teima em protagonizar o presente. Ele sabe disso melhor do que ninguém.

Mas qual Sarney? O da UDN Bossa Nova, que era suspeito de ser comunista? O deputado da Arena que apoiava o regime militar? O dissidente que articulou o PDS e se filiou ao PMDB para ser vice do presidente Tancredo Neves? O presidente da República que legalizou o Partido Comunista? O chefe de Estado que autorizou o Exército a reprimir os operários de Volta Redonda? O oligarca que resolveu embarcar na candidatura de Lula em 2002? Ninguém sabe o que Sarney fará na eleição de 2010, só que ele está no jogo.

Temer, com a sua troika de escudeiros na bancada de deputados do PMDB — Henrique Eduardo Alves (RN), Eliseu Padilha (RS) e Eduardo Cunha (RJ) —-, dá as cartas na Câmara. Qual é a do presidente licenciado do PMDB, um notório equilibrista da política? Para onde irá essa turma em 2010? Ninguém sabe ainda, pois operam ao mesmo tempo com o governo e a oposição, num jogo em que garantem apoio ao presidente Lula mas se reservam ao direito de lançar um candidato próprio ou apoiar um candidato não oficial desde que não seja um anti-Lula. Por isso, dividir o PMDB anula esse jogo.