12/02/2010 - 09:06h Justiça intima Kassab a drenar bairros inundados e limpar essas áreas em 30 dias

Jardim Romano, 26/01/2010. FOTO: JOSE PATRICIO/AE

Faz mais de 60 dias que os moradores sofrem com a inundação. Justiça interveapós ação de procuradores

Bairro alagado tem de ser drenado

Prefeitura deve limpar áreas da zona leste em 30 dias; enquanto isso, ação da Defensoria Pública fica suspensa

Eduardo Reina – O Estado SP

A Prefeitura de São Paulo tem 30 dias, desde ontem, para drenar e limpar as áreas alagadas no Jardim Romano, Chácara Três Meninas, Vila das Flores, Jardim São Martinho, Vila Aimoré e Vila Itaim, na zona leste da capital. A determinação foi dada pela 4ª Vara da Fazenda Pública da capital após audiência, ontem, a pedido da Defensoria Pública do Estado.

O compromisso inclui serviços de drenagem das águas pluviais nos bairros atingidos, com secagem e limpeza das vias, galerias pluviais, bocas de lobo e de todo o sistema de escoamento das águas da chuva. A ação da Prefeitura abrangerá inclusive “as áreas em que é inviável o escoamento natural por inexistência de sistema de drenagem, e será executada por sistema de sucção”. Quando os serviços estiverem sendo realizados, ficará suspensa a ação civil pública proposta para que fossem realizadas ações à garantia da saúde dos moradores dos bairros que sofrem desde 8 de dezembro com alagamentos.

Caso a Prefeitura não cumpra o prazo, o Poder Judiciário deverá tomar medidas administrativas contra o Executivo.

“Embora estejam no local há muitos anos, boa parte das famílias terá que ser removida para preservar a função socioambiental das várzeas do Rio Tietê e a Defensoria não é contra essa remoção, desde que a população seja ouvida”, explica o defensor público Carlos Henrique Loureiro, coordenador do Núcleo de Habitação e Urbanismo. Segundo ele, “ainda que bem intencionado, o Poder Público não pode, sob a justificativa de tentar resolver rapidamente esta situação, desprezar o direito das comunidades do Jardim Pantanal, que não estão em situação de risco, de participarem da construção do próprio destino, como princípio de respeito à dignidade humana e cidadania, escolhendo onde e como querem passar a morar e conviver na cidade”.

Ficou definido, ainda, que a Prefeitura entregará em dez dias cópia integral do expediente administrativo que levou à decretação do estado de calamidade. No mesmo prazo, o governo do Estado de São Paulo informará sobre a homologação deste decreto. Na audiência foi determinado também pelo juiz que o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) deverá remeter ao processo informações sobre as medidas adotadas nas áreas atingidas, em especial “sobre a limpeza do Rio Tietê e realização de obras” no entorno do Parque Ecológico do Tietê.

A Prefeitura alega que os serviços de drenagem e limpeza das áreas alagadas já estão sendo executados. “Ao suspender por 30 dias a ação da Defensoria Pública, relativa às operações da Prefeitura nas áreas alagadas do Jardim Pantanal, a Justiça reconheceu o direito de a Prefeitura prosseguir com todas as medidas que vem desenvolvendo para a drenagem da área, bem como a remoção de famílias que vivem em moradias construídas na várzea do Rio Tietê e vêm sendo vitimadas pelos alagamentos”, diz nota da Prefeitura.

08/02/2010 - 17:40h Polícia ataca moradores do Jd. Romano

Cerca de 200 pessoas faziam protesto em frente à Prefeitura; região da zona leste de SP está alagada há 2 meses

Fabiana Marchezi, da Central de Notícias – Agência Estado

SÃO PAULO – Cerca de 200 moradores da região alagada na zona leste de São Paulo faziam uma manifestação na tarde desta segunda-feira, 8, no Viaduto do Chá, em frente à Prefeitura. Durante o ato houve confronto com policiais militares, que usaram spray de pimenta e cassetetes para conter o protesto.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os moradores, que ocupavam a calçada da via, se reuniram no local por volta das 14 horas para cobrar uma solução das autoridades. Eles pretendiam ser recebidos pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).

A área alagada, que engloba sete bairros, está em estado de calamidade pública desde a semana passada. Nesta segunda-feira, o Jardim Romano completa dois meses de alagamento. Às 15h30, a assessoria de imprensa da Polícia Militar confirmava apenas um princípio de confusão.

03/02/2010 - 17:50h Jardim Romano: Cidadania “encharcada”

Blog Olhar sobre o mundo – Portal Estado

População desabrigada, casas interditadas, ruas alagadas. A rima é pobre e pouco poética, mas talvez mostre a recorrência dos fatos. Desde o dia 09 de dezembro de 2009, o Jardim Romano, no extremo leste de São Paulo, está debaixo d`água. E enquanto durarem as chuvas, o drama continua. Desde o primeiro dia, quase que diariamente, a equipe de fotojornalistas do ‘Estado’ acompanha esta história.

Edição de imagens: Natália Russo e Nilton Fukuda

Detalhes dos pés do garoto Nathan Souza da Silva, de 5 anos, no dia de Natal. 25/01/2010. FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Detalhes dos pés do garoto Nathan Souza da Silva, de 5 anos, no dia de Natal. 25/12/2009.
FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE


Jardim Romano, 09/12/2009. FOTO: SERGIO NEVES/AE
Jardim Romano, 09/12/2009.
FOTO: SERGIO NEVES/AE
Enilson Rocha Chaves, 50 anos, pintor. Jardim Romano, 10/12/2009. FOTO: SERGIO NEVES/AE
Enilson Rocha Chaves, 50 anos, pintor. Jardim Romano, 10/12/2009.
FOTO: SERGIO NEVES/AE
Jardim Romano, 11/12/2009. FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE
Jardim Romano, 11/12/2009.
FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE
Jardim Romano, 11/12/2009. FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE
Jardim Romano, 11/12/2009.
FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE
Jardim Romano, 12/12/2009. FOTO: ANDRE LESSA/AE
Jardim Romano, 12/12/2009.
FOTO: ANDRE LESSA/AE
Jardim Romano, 12/12/2009. FOTO: ANDRE LESSA/AE
Jardim Romano, 12/12/2009.
FOTO: ANDRE LESSA/AE
Uma cobra morta no Jardim Romano, 14/12/2009. FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Uma cobra morta no Jardim Romano, 14/12/2009.
FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Jardim Romano, 12/12/2009. FOTO: SERGIO CASTRO/AE
Jardim Romano, 12/12/2009.
FOTO: SERGIO CASTRO/AE
FOTO: SERGIO CASTRO/AE
Jardim Romano, 15/12/2009.
FOTO: SERGIO CASTRO/AE
Jardim Romano, 16/12/2009. FOTO: JOSE PATRICIO/AE
Jardim Romano, 16/12/2009.
FOTO: JOSE PATRICIO/AE
Jardim Romano, 18/12/2009. FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Jardim Romano, 18/12/2009.
FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Larvas capturadas nas águas do Jardim Romano, 18/12/2009. FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE
Larvas capturadas nas águas do Jardim Romano, 18/12/2009.
FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE
Morador cobra soluções do prefeito Gilberto Kassab (esquerda). Jardim Romano, 14/12/2009. FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Morador cobra soluções do prefeito Gilberto Kassab (esquerda). Jardim Romano, 14/12/2009.
FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Rosalina dos Santos, 63 anos, mostra larvas capturadas nas águas do Jardim Romano, 18/12/2009. FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE
Rosalina dos Santos, 63 anos, mostra larvas capturadas nas águas do Jardim Romano, 18/12/2009.
FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE
Jardim Romano, 20/12/2009. FOTO: JOSE PATRICIO/AE
Jardim Romano, 20/12/2009.
FOTO: JOSE PATRICIO/AE
Jardim Romano, 21/12/2009. FOTO JONNE RORIZ/AE
Jardim Romano, 21/12/2009.
FOTO JONNE RORIZ/AE
Jardim Romano, 22/12/2009. FOTO TIAGO QUEIROZ/AE
Jardim Romano, 22/12/2009.
FOTO TIAGO QUEIROZ/AE
Jardim Romano, 21/12/2009. FOTO: JONNE RORIZ/AE
Jardim Romano, 21/12/2009.
FOTO: JONNE RORIZ/AE
Jardim Romano, 22/12/2009. FOTO: TIAGO QUEIROZ/AE
Jardim Romano, 22/12/2009.
FOTO: TIAGO QUEIROZ/AE
Jardim Romano, 22/12/2009. FOTO: TIAGO QUEIROZ/AE
Jardim Romano, 22/12/2009.
FOTO: TIAGO QUEIROZ/AE
Jardim Romano, 22/12/2009. FOTO: TIAGO QUEIROZ/AE
Jardim Romano, 22/12/2009.
FOTO: TIAGO QUEIROZ/AE
Jardim Romano, 25/12/2009. FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Jardim Romano, 25/12/2009.
FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Jardim Romano, 26/12/2009. FOTO: TIAGO QUEIROZ/AE
Jardim Romano, 26/12/2009.
FOTO: TIAGO QUEIROZ/AE
Jardim Romano, 28/12/2009. FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Jardim Romano, 28/12/2009.
FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Jardim Romano, 28/12/2009. FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Jardim Romano, 28/12/2009.
FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Jardim Romano, 28/12/2009. FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Jardim Romano, 28/12/2009.
FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE
Jardim Romano, 06/12/2009. FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Jardim Romano, 06/01/2010.
FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Jardim Romano, 07/12/2009. FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE
Jardim Romano, 07/01/2010.
FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE
JMilton Crispin, 67 anos, com o peixe que parece cobra, pescado na região. Jardim Any, 07/12/2009. FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE
Milton Crispin, 67 anos, com o peixe que parece cobra, pescado na região. Jardim Any, 07/01/2010.
FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE
Jardim Romano, 07/01/2010. FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE
Jardim Romano, 07/01/2010.
FOTO: EVELSON DE FREITAS/AE
Máscara do personagem do filme Pânico dentro de carro estacionado. Jardim Romano, 09/01/2010. FOTO: JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/AE
Máscara do personagem do filme Pânico dentro de carro estacionado. Jardim Romano, 09/01/2010.
FOTO: JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/AE
Jardim Romano, 10/01/2010. FOTO:SERGIO NEVES/AE
Jardim Romano, 10/01/2010.
FOTO:SERGIO NEVES/AE
Jardim Romano, 11/01/2010. FOTO:SERGIO NEVES/AE
Jardim Romano, 11/01/2010.
FOTO:SERGIO NEVES/AE
Prefeito Gilberto Kassab faz vistoria pelo bairro. Jardim Romano, 12/01/2010. FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Prefeito Gilberto Kassab faz vistoria pelo bairro. Jardim Romano, 12/01/2010.
FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Jardim Romano, 21/01/2010. FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Jardim Romano, 21/01/2010.
FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Jardim Romano, 21/01/2010. FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Jardim Romano, 21/01/2010.
FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE
Moradores do bairro fazem protesto no Centro de são Paulo, no dia do aniversário da cidade. 25/01/2010. FOTO: KEINY ANDRADE/AE
Moradores do bairro fazem protesto no Centro de são Paulo, no dia do aniversário da cidade. 25/01/2010.
FOTO: KEINY ANDRADE/AE
Jardim Romano, 26/01/2010. FOTO: JOSE PATRICIO/AE
Jardim Romano, 26/01/2010.
FOTO: JOSE PATRICIO/AE
Jardim Romano, 26/01/2010. FOTO: JOSE PATRICIO/AE
Jardim Romano, 26/01/2010.
FOTO: JOSE PATRICIO/AE
Jardim Romano, 27/01/2010. FOTO: PAULO LIEBERT/AE
Jardim Romano, 27/01/2010.
FOTO: PAULO LIEBERT/AE
Jardim Romano, 27/01/2010. FOTO: PAULO LIEBERT/AE
Jardim Romano, 27/01/2010.
FOTO: PAULO LIEBERT/AE
Jd. Romano / Alagado
Jardim Romano, 06/01/2010.
FOTO: VALÉRIA GONÇALVEZ/AE

Após 60 dias o prefeito Kassab decretou “estado de calamidade” no Jardim Romano
(nota de LF)

03/02/2010 - 16:49h Jardins do A, do B …

Por Pablo Pereira – Blog da Garoa…

A cidade de São Paulo tem hoje cerca de uma centena de bairros nomeados com a palavra Jardim. Há os famosos Jardins, região entre as avenidas Paulista e Faria Lima, construídos no início do Século 20, pela Companhia City, que começou tudo com o Jardim América, sucesso imobiliário nos anos 30 e 40, com infra-estrutura bem acabada, no modelo inglês, construções de alto padrão e gente de alto poder aquisitivo. Depois surgiram as áreas mais verticalizadas. O ícone atual desse modo de vida requintado é a Rua Oscar Freire, no Jardim Paulistano, com suas lojas de grifes da Rebouças à Alameda Casa Branca.

Mas, nos últimos dois meses, há um outro Jardim muito presente na mídia. Submerso desde dezembro, o Jardim Romano é uma comunidade de periferia, que cresceu rápido com a expansão populacional no rumo dos alagados do Rio Tietê, perto da Rodovia Ayrton Senna, região paulistana de São Miguel, quase divisa com Guarulhos e Itaquaquecetuba.

São Miguel tem origem na relação dos índios Guaianaz com o Padre Anchieta, idos da segunda metada dos 1500, da qual surgiu a capela de São Miguel Arcanjo.

Muito pobre, o jovem Jardim Romano tem na vizinhança diversos outros jardins: Jardim Pantanal, Jardim Horizonte, Jardim Santa Margarida e Jardim Helena. São os Jardins do B – ou do C e do D, para não fugirmos das letrinhas que os especialistas em classe e renda usam para rotular camadas sociais.

Durante algum tempo, o Jardim mais famoso por suas misérias na cidade, principalmente na temporada das águas, foi o Jardim Pantanal. Deu bastante mídia. Hoje, não. Perdeu espaço para os vizinhos Romano e Helena, cujas ruas estão cobertas de água, lodo e descaso do poder público.

Essa área, após 60 dias de sofrimento, só agora parece que vai receber mais atenção da Prefeitura, via um Decreto de Calamidade, que promete ações pelos próximos … 90 dias. Romano já passou o Natal e o Ano Novo, mais o aniversário da cidade, dentro d’água e vai, provavelmente, passar o Carnaval também. Com o tempo do jeito que está e a velocidade do socorro, viverá por mais ou menos metade do ano na lama.

Enilson Rocha Chaves em 10 de dezembro (foto de Sergio Neves/AE)
Enilson Rocha Chaves, 10/12/2009 (foto de Sergio Neves/AE)

Como lembra o livro São Paulo, 450 bairros, 450 anos, o vizinho Jardim Helena é mais o antigo naquele pedaço. É do final dos anos 50, quando a região ainda concentrava população indígena, tinha diversas chácaras e era explorada por olarias. Em seguida veio ali por perto o Irene, que passou a ser bairro nos anos 60.  Depois, o Pantanal, que é do início dos anos 80, nasceu da ocupação dos terrenos por população sem-teto em busca de alternativa de moradia.

É a repetição de uma ocupação desordenada nos arredores da cidade, como ocorre em outras áreas de mananciais e encostas – e pelo país afora. Os terrenos existem, a população precisa se estabelecer, mas o poder público é um fracasso. Está sempre a reboque, correndo atrás, sem visão nem de médio prazo.

01/02/2010 - 18:06h Lotação na enchente

Blog de Eduardo Reina


Que os paulistanos enfrentam diariamente filas para pegar ônibus, trem e metrô todo mundo já está cansado de saber. Mas fila para pegar o barco para ir trabalhar ou à escola é novidade. Isso acontece no Jardim Romano, no Jardim Pantanal, zona leste da capital, que há quase dois meses estão alagados. O pessoal se organiza em fila aguardando o bote do Corpo de Bombeiros para atravessar as ruas inundadas, no flagra do competente Gilberto Travesso. São Paulo inovando.
Postado por Eduardo Reina

28/01/2010 - 09:16h População reivindica limpeza e canalização dos corregos, em protestos contra o descaso de Kassab

Novas ruas alagam no Jd. Romano

Água avançou 10 metros além da área já afetada desde dezembro

Vitor Hugo Brandalise – O Estado SP


PROBLEMA VELHO, MUDANÇA NOVA – Em busca de área seca, moradores têm de cruzam as vias que alagaram pela primeira na zona leste

São 50 dias embaixo d”água e a situação não melhora no Jardim Romano, zona leste da capital. Só piora. Com as intensas chuvas do início da semana, pontos que ainda não haviam sido atingidos pelas enchentes já estavam tomados de água ontem, pela primeira vez desde que o problema começou no local.

A Defesa Civil municipal estima em 10 metros o avanço das águas nesta semana, relativo ao perímetro mapeado a partir de 8 de dezembro, quando a água começou a subir. Pelo menos outras quatro ruas do bairro, onde a água não chegava – ou “não passava do meio-fio” -, tiveram suas casas invadidas.

A cena mais comum ontem foi, novamente, a de pessoas retirando pertences de casa – era uma segunda leva de moradores afetada. Carregavam geladeiras, fogões, aparelhos de televisão e todo tipo de sacolas de roupas e utensílios.

“É o repeteco do que aconteceu nos outros lugares. Parece que, agora, chegou nossa vez de sofrer”, disse a dona de casa Albertina Noleto, de 43 anos, moradora da Rua Duarte Martins Mourão. “O problema é que a água desce um pouco, aí chove de novo e sobe bem mais do que desceu”, contou, enquanto acompanhava vizinhos carregarem sua geladeira para cima de uma caminhonete.

Em pontos da Rua André Furtado de Mendonça e da Avenida Manuel Lopes de Camargo, a água também subiu pela primeira vez – na madrugada de ontem, chegou à Igreja Nossa Senhora do Rosário, tida como “ponto seco” na região. “Era um lugar que a água não chegava nunca. Se chegou até ali, dá medo pelo resto do bairro”, disse o motorista Nelson Claudino, de 43 anos. “Vai terminar só quando a chuva acabar, porque pelo visto não adianta esperar nada de ninguém.”

A julgar pelos planos das autoridades, não há data para o sofrimento terminar. A Subprefeitura de São Miguel Paulista informou que vai aguardar as chuvas cessarem, para recomeçar o bombeamento da água. Enquanto isso, os planos são realizar cadastro de moradores e tentar suprir necessidades básicas da população.

Segundo Sylvio Sena, da Defesa Civil, por causa das chuvas, a ordem é “intensificar a atenção”. No cadastro da Secretaria Municipal de Habitação, são 18 mil pessoas atingidas pelas enchentes, em nove bairros de São Miguel. Ontem, segundo os bombeiros, 33 ocorrências foram registradas.

PROTESTOS

Ao meio-dia, um grupo de cerca de 30 pessoas de Vila Itaim – também afetada pelas chuvas -, vizinha ao Jardim Romano, fecharam duas ruas em protesto contra as condições de limpeza. Por volta das 13 horas, o grupo ocupou o gabinete do subprefeito de São Miguel, Milton Persoli, exigindo que ruas, bueiros e córregos fossem limpos. Após a reunião, a subprefeitura informou que 180 funcionários e 30 caminhões foram destacados para o serviço de limpeza.

Na zona norte, cerca de cem moradores do Jardim Maristela bloquearam de manhã um trecho da Estrada Turística do Jaraguá, para protestar contra a enchente que deixou pelo menos 300 famílias desabrigadas. A manifestação começou às 11h30 e durou até a chegada de representantes da Subprefeitura de Pirituba. Os moradores reivindicam a limpeza e a canalização do córrego e a verificação de problemas com o escoamento no Piscinão Anhanguera, inaugurado em 3 de dezembro. A subprefeitura prometeu colocar 30 funcionários para limpar a área.

COLABOROU ISIS BRUM

27/01/2010 - 15:23h Após nova cheia, moradores invadem subprefeitura de SP

FABIANA MARCHEZI – Agencia Estado

SÃO PAULO – Um grupo de 60 moradores iniciou um protesto hoje à tarde na sede da Subprefeitura de São Miguel Paulista por conta de um novo alagamento ocorrido ontem no Jardim Pantanal, zona leste de São Paulo. Os manifestantes afirmam que só sairão do gabinete do subprefeito quando suas reivindicações forem atendidas.

Pela manhã, cerca de cem moradores do bairro Jardim Maristela, na zona norte do município, fecharam a Estrada Turística do Jaraguá também em manifestação por conta dos prejuízos causados pela cheia de ontem. Os moradores usaram os objetos destruídos pela inundação para bloquear uma das faixas da estrada, prejudicando o tráfego.

A Rua Antônio Furquim Pedroso, uma das mais atingidas pelas águas, também foi bloqueada. De acordo com a Polícia Militar (PM), o protesto durou cerca de 2h30, e foi encerrado depois que representantes da Subprefeitura de Pirituba prometerem uma reunião, hoje, na sede do órgão.

19/01/2010 - 09:31h Defensoria pública contesta Estadão e rafirma ação judicial contra Kassab

http://www.estadao.com.br/fotos/JardimRomanoEnchente_ANdreLessa091213_tl.jpg


Fórum dos leitores – O Estado SP


CONTESTAÇÃO

O Núcleo de Habitação e Urbanismo da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, em respeito à opinião editorial desse importante meio de comunicação, veiculada em 16/1 (A3), em relação à nossa atuação institucional, gostaria de ressaltar que o controle de políticas públicas não constitui medida que viola, de forma absoluta, o princípio da independência dos Poderes. É algo excepcional, que deve ser encaminhado com cautela, mas também com coragem, já que se trata de preservar a supremacia da Constituição. É fato que as políticas públicas devem ser conduzidas pelo Poder Executivo, mas todos, sem exceção, estão sob o domínio da lei, e isso vale também para o poder público, daí se falar em Estado de Direito. E tanto é assim que, cotidianamente, o controle de políticas públicas é exercido pelo Poder Judiciário, especialmente em relação ao direito à saúde. Vale Lembrar, nesse sentido, que a ação da Defensoria Pública trata justamente de garantir o direito à saúde dos moradores das comunidades do Jardim Pantanal pela efetivação do direito ao saneamento básico. As comunidades vêm sofrendo com constantes alagamentos há mais de um mês, o que têm causado graves riscos à sua saúde, mesmo tendo o poder público, durante todo esse período, sido instado extrajudicialmente a tentar resolver essa situação de emergência sanitária. Embora estejam no local há muitos anos, boa parte das famílias terá de ser removida para preservar a função socioambiental das várzeas do Rio Tietê. Mas, ainda que bem-intencionado, o poder público não pode, sob a justificativa de tentar resolver rapidamente a situação, desprezar o direito das comunidades do Jardim Pantanal de participarem da construção do próprio destino, como princípio de respeito à dignidade humana e cidadania, escolhendo onde e como, razoavelmente, querem passar a morar e conviver na cidade. E é por essa razão que o Núcleo pediu a suspensão das remoções. Cabe, por fim, esclarecer que o pedido de suspensão das remoções não abrange as famílias que estão em situação de risco em razão da instabilidade do solo da margens do Tietê, e isso está expressamente no pedido da ação civil pública, disponível no portal da Defensoria (www.defensoria.sp.gov.br), na notícia sobre a atuação do Núcleo.

Carlos Henrique A. Loureiro, defensor público, coordenador do Núcleo de Habitação e Urbanismo da Defensoria Pública do Estado de São Paulo

cloureiro@defensoria.sp.gov.br

________________________


SÃO PAULO

N. da R. – O editorial apontou as atribuições formais dos defensores, limitando-se a criticar

as exigências excessivas e muitas vezes irrealistas feitas pelos defensores públicos de São Paulo à Prefeitura.

31/12/2009 - 11:25h ”Fiz o que era do interesse da cidade”

Para Kassab, a população considera justos os reajustes de IPTU e de ônibus e a retenção da taxa de inspeção veicular

Bruno Tavares e Iuri Pitta – O Estado SP


Entrevista
Gilberto Kassab: prefeito de São Paulo

Gilberto Kassab (DEM) é um prefeito otimista: encerra 2009 satisfeito com o próprio desempenho e confiante de que a população vai compreender medidas como os aumentos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e da passagem de ônibus e a retenção da taxa de inspeção veicular em 2010. “As pessoas precisam ter respeito por mim, no sentido de saber que estou zelando pelos interesses da cidade”, disse. Ao avaliar seu primeiro ano de mandato como prefeito eleito, Kassab destacou avanços nos “pilares” da gestão – educação e saúde – e os projetos em “transporte público” – com metrô e monotrilho ganhando espaço e receita antes destinados aos ônibus.

A cidade está melhor em 2009 do que em 2008?

Não tenho dúvidas. A cidade avançou em diversas áreas, principalmente em saúde e educação, pilares da gestão. Avançamos em uma das prioridades administrativas, que é a transparência. Algumas transformações importantes, como o meio ambiente, os parques criados, a inspeção veicular que hoje é nacional. Na questão das ações vinculadas à gestão mais austera, nós acertamos na dosagem, tanto é que fechamos o ano sem nenhum problema na cidade.

O ano termina sem problemas financeiros, mas houve as enchentes e a situação do Jardim Romano. Isso não está relacionado aos cortes orçamentários?

Não, até porque o Jardim Romano é algo que se arrasta há 30 anos. Pela primeira vez, uma administração enxergou o problema e trouxe um projeto – isso faz três anos, que é o projeto Parque Linear Várzea do Tietê. Esse projeto apresentado pelo governador e por nós prevê a solução definitiva de moradia para essas famílias, em função da constatação de que a impermeabilização chegou a tal ponto que agora choveu, alagou e a drenagem não é suficiente. Infelizmente, os últimos 30 anos de administrações erraram: além de não retirar as famílias, incentivavam as famílias. Por que nós pudemos responder rapidamente ao problema? Porque nós já tínhamos o projeto.

Está convicto de que a Prefeitura agiu de forma rápida? Que os moradores acham isso?

Sim, todos sabem. Em duas semanas as questões estão todas encaminhadas. As pessoas lá não podem estar satisfeitas. São pessoas desesperançadas. Uma família que tem como única opção morar naquele local… O importante é que nossa resposta já existia e, no curto prazo, fomos bastante presentes.

São Paulo é uma das cidades que menos usou recursos do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Por quê?

São Paulo tem uma diferença em relação a outros municípios, que são as áreas (para as unidades). Nesse projeto da zona leste tem recursos do Minha Casa, Minha Vida.

Ainda sobre habitação, e as remoções na Av. Roberto Marinho?

Não é uma simples remoção, é um projeto habitacional. As pessoas vão morar em construções em condições de dignidade. E com recursos já reservados dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção). É um grande projeto de reurbanização.

É uma meta entregar o projeto até o final do seu mandato?

É difícil falar em prazos. Os recursos existem. A obra é não só o túnel, a avenida e a urbanização, mas também a construção de 10 mil moradias. E já temos recurso, o que nós dá a tranquilidade de dizer que é um projeto irreversível.

Será o grande projeto da gestão?

Não, o grande projeto nosso é saúde e educação.

Mas em relação a transporte…

É metrô. Após 30 anos, a cidade investe em metrô. É um absurdo, é constrangedor. Estamos provando que é possível investir no metrô, tanto que vamos investir R$ 2 bilhões em oito anos.

Mas o metrô é uma obra do governo do Estado.

É uma mentalidade velha, arcaica, de quem quer por nome em placa, tem a vaidade de fazer licitação. Eu estou preocupado com a cidade. As pessoas cumprimentam na rua a gestão: “Puxa vida, é isso mesmo, é metrô.” O prefeito não querer colocar dinheiro no metrô é uma coisa de 50 anos atrás.

Mas foi a conjuntura política que permitiu isso, com o sr. na Prefeitura e Serra no governo estadual.

Não, qualquer que fosse o governador. É uma questão de convicção. Era um compromisso meu e do Serra, que estamos honrando.

Não se tem deixado de lado a construção de corredores de ônibus? O sr. não fez nenhum quilômetro.

Meu compromisso é de três corredores de ônibus, está no Plano de Metas: o Expresso Tiradentes, o Celso Garcia e o da zona sul. O Celso Garcia vai ser na forma de metrô, é um upgrade. O Expresso Tiradentes e o corredor zona sul vão ser na forma de monotrilho. Isso mostra que a nossa prioridade é o transporte público.

Mas e os ônibus? Os modais não devem se complementar?

Aqui não se complementa, se substitui. Tenho compromisso de três corredores, consegui viabilizar, porque é mais caro. Aqui, em vez de 500 mil pessoas usarem ônibus, vão usar metrô. Aqui, em vez de 500 mil pessoas usarem ônibus, vão usar monotrilho. Vai diminuir o número de ônibus, o que é muito bom para a cidade.

E quem depende do ônibus? O ano começa com aumento de tarifa.

Depois de três anos.

Mas o passageiro vai pagar mais.

Eles compreendem. É inédito isso. Depois de 30 anos, é a primeira vez que ficaram três anos sem ter reajuste.

A retenção do valor da inspeção veicular não soa como nova taxa?

De jeito nenhum. Os milhões de pessoas que usam transporte público acham que quem tem o transporte individual agora não pode ter essa restituição. Se você acha (que é) uma taxa, então o governo federal que explique. Agora, você vai perguntar a minha opinião em relação a essa medida? Eu apoio, acho correto. Seria privilegiar o transporte individual. Não tem sentido. Tanto é que não teve reação.

A reação foi de mais um custo.

O dinheiro não cai do céu. Você acha justo colocar R$ 300 milhões na inspeção veicular? Neste ano, como não era obrigatório, quem fez, a Prefeitura restituiu. Estou preocupado com o ar da cidade. Agora que é obrigatório, não vou te dar R$ 50 e deixar de pôr no metrô. Entendeu a filosofia?

A filosofia do sr. mudou a partir da resolução federal? Por que começou restituindo e voltou atrás?

Porque antes não era obrigatório, era ambiental. Agora é obrigatório. Acho justo socialmente. Duvido que algum município vá restituir. Só falta essa. Pago para ver.

O sr. encerra o ano com aumento do IPTU e da passagem do ônibus e a inspeção ambiental. Houve queda na aprovação do governo. Preocupa esse desgaste político?

Fui eleito para fazer o que é correto, o que é importante para a cidade. As pessoas precisam ter respeito por mim no sentido de saber que estou zelando pelos interesses da cidade. Entendo que o IPTU tem de ser atualizado e, em relação à tarifa do ônibus, se pudesse, ficaria mais um ano sem dar (reajuste), porque a prioridade é estar ao lado dos menos favorecidos.

A população vai compreender?

Para mim, o importante é que se saiba que não está sendo criada taxa, que não estão sendo aumentados impostos.

A gestão do sr. é uma vitrine para o seu partido, principalmente depois do escândalo no Distrito Federal. Como lida com isso?

Minha preocupação é com a cidade. Sou prefeito para corresponder à expectativa dos paulistanos. O cidadão não está preocupado com partido. Não existe partido na gestão. Aqui existe aliança, com o PSDB, com o PPS, com o PV.

É possível imaginar uma fusão de partidos?

Em São Paulo, essa aliança é sólida, como se fosse um partido só. Evidente que, se tiver a mesma identidade no plano nacional, é como se fosse uma coisa só. Não tenho porque não falar que não é boa a fusão, mas isso são circunstâncias que podem ou não ocorrer. Nas próximas eleições precisamos reproduzir essa aliança novamente para o governo do Estado e no plano nacional, se possível.

O sr. tem candidato para o governo do Estado?

Meu candidato vai ser o candidato do governador José Serra. Tem vários nomes sendo apresentados: o secretário Aloysio Nunes Ferreira Filho, por quem todos sabem que eu simpatizo, o secretário Geraldo Alckmin e o secretário Afif Domingos, sem falar no vice-governador, Alberto Goldman.

O sr. não?

Não. É meu primeiro mandato majoritário. Assim como eu senti quando o Serra era prefeito que a cidade pedia para ele sair, as pessoas pedem para eu não sair. Eu tenho o compromisso de não sair. Vou ficar até o final.

COLABOROU DIEGO ZANCHETTA

29/12/2009 - 09:01h Sem solução para Jardim Romano, Prefeitura conta apenas com remoção

Bairro tem os piores alagamentos desde o dia 8 e inexistem alternativas viáveis para até o fim do verão

Renato Machado e Rodrigo Brancatelli – O Estado SP

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou ontem a criação de 3.265 moradias populares para moradores de áreas de risco na Várzea do Tietê, zona leste de São Paulo. Nove áreas serão desapropriadas nos bairros da Penha, Itaquera, Guaianases e Itaim Paulista, com uma área total de 142 mil m² e custo de cerca de R$ 300 milhões. Para os moradores do Jardim Romano, no entanto, as boas notícias só são dadas com o verbo no futuro. No presente, a região voltou à estaca zero – ontem, o bairro sofreu com os piores alagamentos desde as chuvas do dia 8. E técnicos da Prefeitura afirmam que não há soluções emergenciais para o Jardim Romano até o fim dos temporais de verão.

“Remover os moradores das áreas de risco é a solução definitiva para a região. Enquanto isso, vamos intensificar a limpeza dos bueiros e das galerias. Mas não há nada que se possa fazer para que o bairro não alague mais”, diz o subprefeito de São Miguel, Milton Persoli.

A região voltou a sofrer com os alagamentos em decorrência das fortes chuvas de domingo. Após menos de uma semana de trégua (e seca), as ruas do Jardim Romano se tornaram mais uma vez uma lagoa, transitáveis apenas de bote. Como no primeiro alagamento, não é possível utilizar agora caminhões com bombas, porque a água das ruas está no mesmo nível do rio e o solo encharcado não absorveria o excesso. Para evitar que o Tietê continuem invadindo o Jardim Romano, a Prefeitura chegou a considerar a construção de um dique ou uma mega bomba de R$ 150 milhões. Outras propostas, como erguer o nível de ruas que atualmente estão abaixo do rio, como a Capachós, também estão sendo avaliadas. No entanto, todas apresentam entraves técnicos.

A única saída para o bairro, segundo a Prefeitura, será a remoção de até 3 mil famílias e de todo o entulho nas margens do rio para a implantação de um parque linear, que vai atenuar o efeito das chuvas. O processo deve começar em março – até lá, as enchentes vão continuar.

“Quase todas as 340 unidades da CDHU já foram ocupadas pelas famílias que estavam em situação emergencial, e iremos fazer a partir de amanhã (hoje) o cadastro porta a porta de todas as famílias que estão na área de risco”, diz Elisabete França, superintendente de Habitação Popular da Secretaria de Habitação. “Essas famílias receberão uma verba de auxílio-moradia durante todo o tempo que demorar até a construção dos apartamentos.”

Enquanto o auxílio não chega, as famílias das áreas mais afetadas se acostumam com uma rotina de entra e sai no abrigo montado provisoriamente em uma escola pública. Ontem, foi a terceira vez que Cristina de Souza da Silva, mãe de sete filhos, levou finos colchonetes para lá para passar a noite. “Não aguento mais esse medo, não aguento mais ver a água entrando pela porta de casa”, diz. “Precisamos de uma solução rápida. Quero ficar na minha casa, lógico, mas ainda prefiro vir aqui para o abrigo, porque pelo menos consigo dormir.”

CRONOLOGIA

11 de dezembro
Para a Subprefeitura de São
Miguel Paulista, “não há o que
fazer”, a não ser esperar a água escoar. Famílias recebem
colchões e roupas

12 de dezembro
O governo do Estado diz que parte do bairro será desapropriada para dar lugar ao Parque Várzeas do Tietê, cujo início das obras está previsto para março de 2010.
Mas não informa prazo exato

14 de dezembro
Kassab promete remover de 3,5 mil a 7 mil famílias até o
fim de janeiro

15 de dezembro
A Prefeitura estuda como tirar a água do bairro. Kassab diz que será feita uma drenagem, “muito possivelmente” com bombas

16 de dezembro
Kassab e técnicos da Prefeitura e do governo do Estado se reúnem e concluem que não é possível bombear a água

17 de dezembro
A Prefeitura começa a cadastrar as famílias. Moradores receberão R$ 300 por mês para sair do bairro. Mas só uma pessoa é retirada do Jardim Romano

20 de dezembro
Prefeitura e o Daee escoam a água com auxílio de caminhões

22 de dezembro
Prefeitura começa a demolição de algumas casas

25 de dezembro
Com nova chuva, Jardim Romano alaga novamente; único caminhão da Prefeitura com bomba de sucção quebra

26 de dezembro
O prefeito afirma que mais de 600 famílias já foram cadastradas para deixar a área; 23 imóveis
haviam sido demolidos

19/12/2009 - 11:37h Bairro alagado em São Paulo já tem 9 casos suspeitos de leptospirose

Casas encontram-se infestadas de larvas nascidas na água suja e parada e há grande procura nos postos de saúde

Renato Machado e Eduardo Reina – O Estado SP

Além dos transtornos provocados pelas ruas alagadas há duas semanas, os moradores da região do Jardim Romano e de bairros vizinhos na zona leste de São Paulo começam a sofrer com as doenças transmitidas pela água, como leptospirose e diarreias. A Secretaria Municipal de Saúde contabilizou pelo menos nove casos suspeitos de leptospirose, transmitida pela urina de ratos. A doença pode ser fatal, caso não seja adequadamente tratada. As sete unidades de saúde da região registram ainda grande demanda de pacientes com diarreia, dor de cabeça, febre e vômitos.

A casa da aposentada Rosalina dos Santos, de 63 anos, como muitas outras, está infestada de larvas que nasceram na água suja que inundou o local. “Estou morrendo de medo porque não sei se é dengue ou algo pior. Minha casa e de todos os meus vizinhos estão cercadas por essas coisas”, diz Rosalina.

O perigo de infecção por doenças transmitidas pela água contaminada “é imediato”, de acordo com o infectologista Artur Timerman, do Albert Einstein. “Essa população precisaria de antibióticos para evitar a leptospirose. O correto seria tomar vacina também contra hepatite e febre tifoide.”

Todos os casos suspeitos de leptospirose são de moradores com dor no corpo, febre alta e mal-estar. As primeiras suspeitas provocaram uma corrida em busca de atendimento e, por isso, a Assistência Médica Ambulatorial (AMA) registrou grande movimento. “Comecei a sentir fortes dores no corpo e febre alta. Fiquei preocupada porque todo mundo só fala nessa leptospirose”, diz Alda Rosânia Almeida, de 42 anos. Seu filho teve os mesmos sintomas na madrugada do dia 16. Um exame de sangue foi feito e não apontou nada. “Hoje (ontem) eu vim e não me pediram exame. Só me deram injeções de dramin e dipirona. E me disseram para voltar se continuar os sintomas. Aí não pode ser tarde?”

Um segurança da AMA e duas atendentes confirmaram que houve um aumento no movimento. Mesmo assim, a Secretaria de Saúde informou que houve somente 158 atendimentos até as 17 horas de ontem, ante uma média diária de 180.

17/12/2009 - 14:19h José Serra deve explicações ao povo de São Paulo

“As seis comportas da barragem da Penha, na zona leste de São Paulo, foram completamente fechadas às 2h50 do dia 8 de dezembro, dia em que a cidade enfrentou fortes temporais e viu diversos pontos alagarem como há muito tempo não se via. Somente dois dias depois, às 17h20, todas as comportas foram abertas. Os dados, fornecidos pelo engenheiro responsável pela barragem, João Sérgio, indicam que houve uma clara escolha da empresa responsável: alagar os bairros pobres da zona leste para evitar o alagamento das marginais e do Cebolão, conjunto de obras que fica no encontro dos rios Tietê e Pinheiros.” (UOL – ver Comportas fechadas na barragem da Penha para proteger a marginal ajudaram a alagar a zona leste de SP).

Foi claramente escolhido inundar os bairros pobres da zona leste?

É isso?

Foi uma decisão clara fazer isto com a população mais pobre da cidade?

E vai ficar por isso mesmo?

LF

17/12/2009 - 09:58h Técnicos descartaram ideia de Kassab de bombear água de bairro alagado por ser inviável

‘Única solução’, segundo subprefeito, é remoção, que deve começar hoje

Ana Bizzotto – O Estado SP

Um dia após dizer que a Prefeitura usaria bombas para drenar a água dos sete bairros do distrito Jardim Helena, na zona leste, alagados há nove dias, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) admitiu ontem que a sucção da água e do esgoto não poderá ser feita. “Chegamos à conclusão de que está muito difícil a retirada dessa água encalhada, porque, na medida em que você retirar essa água, vai voltar a ter mais água”, afirmou Kassab à TV Globo, em visita ao Jardim Romano, um dos mais afetados na várzea do Rio Tietê, onde choveu à tarde.

Kassab concluiu pela inviabilidade da proposta após reunião com técnicos da Prefeitura e do governo do Estado. “Não há nenhum desnível que ofereça alternativa de bombeamento. As casas estarão sempre sujeitas a inundações. Nenhuma solução técnica é viável para resolver o problema”, justificou o subprefeito de São Miguel Paulista, Milton Persoli.

A “única solução”, segundo ele, é o cadastramento e a remoção imediata das famílias, que terá início hoje na Vila das Flores e, depois, no Jardim Romano. Até 7 mil famílias serão transferidas, para acelerar obras do Parque Várzeas do Tietê. Moradores da Vila das Flores disseram que só vão concordar com a mudança se tiverem garantia de moradia definitiva. “Se tentarem nos levar (para alojamento), vamos subir na laje ou acampar na rua. Se vão nos tirar, tem de dar moradia digna”, afirmou a diarista Maria Pastorino, de 44 anos.

A desempregada Igma dos Santos, de 34 anos, dorme há uma semana com a família na casa de amigos. “A água chegou ao pescoço. Agora baixou, mas o cheiro de esgoto é muito forte”, relatou. No Jardim Romano, a auxiliar de limpeza Marlene Guedes, de 38 anos, atravessa a alagada Rua Capachós. “Tenho de trabalhar, então não há alternativa”, afirma ela, que mora há 20 anos no local.

Chuva traz mais prejuízos à capital

Tempestade causou alagamentos, deslizamentos e falta de energia

Diego Zanchetta, Rodrigo Brancatelli, Felipe Grandin e José Maria Tomazela – O Estado SP

São Paulo voltou a viver momentos de apreensão com a forte chuva no fim da tarde de ontem, oito dias após as enchentes que deixaram 23 mortos no Estado. Pelo sexto dia neste mês, houve alagamentos, falta de luz e prejuízos ao trânsito. Na zona norte, quatro crianças ilhadas foram resgatadas pelo helicóptero da Polícia Militar. Ruas do Jardim Romano (zona leste), alagado há oito dias, que começavam a secar, voltaram a encher. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) colocou a cidade em estado de atenção das 18h15 às 20h. Faltou energia em bairros das zonas oeste e norte, como Barra Funda, Jardim São Bento, Tucuruvi, Santana, Água Fria, Mandaqui, Santa Terezinha, Vila Mazzei e Cachoeirinha.

A capital registrou 11 pontos de alagamentos, cinco deles intransitáveis – na Avenida Antonio Munhoz Bonilha, na Casa Verde, em dois pontos da Avenida Sumaré, no Sumaré, na Praça da Bandeira e na Rua Ricardo Cavatton, na Lapa.

Às 19h30, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrava 196 km de congestionamento, o que representava 23,5% dos 835 km de vias monitoradas. O pior ponto de lentidão ficava na Marginal do Tietê, com 14,7 km de congestionamento na pista expressa, sentido Ayrton Senna. O motorista chegou a levar até uma hora para atravessar as Pontes do Limão e da Casa Verde, ambas em obras e com o trânsito ainda mais congestionado por causa da chuva. A tempestade também dificultou a chegada a São Paulo pela Rodovia Castelo Branco. O motorista enfrentava lentidão do km 28 ao km 24, com pontos intransitáveis.

A CET informou ainda que oito semáforos apresentaram problemas. Por volta das 19h, o Corpo de Bombeiros informou que houve deslizamento de terra sem vítimas no Morro do Socó, uma favela com cerca de 700 moradores na zona norte. Pouco antes das 19h, o helicóptero Águia, da Polícia Militar, retirou quatro crianças e dois adultos de uma casa alagada na Rua Luís Antunes Cardia, em Pirituba, zona norte. Todos foram levados para o pátio de uma empresa na Estrada Turística do Jaraguá. Nenhum sofreu ferimentos. No Jardim Peri Alto, na zona norte, também houve um deslizamento sem vítima.

O CGE informou que desde o início do mês choveu 175,6 mm na capital, equivalente a 87,4% da média prevista para dezembro, que é de 201 mm. O índice registrado ontem foi de 14,1 mm.

RESGATE E APAGÃO

Na Grande São Paulo, Guarulhos, Caieiras, Barueri e Jandira também registraram alagamentos. A situação mais grave ocorreu em Osasco, onde quase um bairro inteiro, o Jardim Piratininga, às margens da Rodovia Anhanguera, ficou submerso. Doze moradores foram resgatados pelo helicóptero da PM de ruas alagadas.

Um ônibus com oito pessoas estava ilhado por volta das 18h50 na Avenida Piracema, em Tamboré, também em Osasco. Homens da Defesa Civil fizeram o resgate do veículo. Uma laje também desabou no Piratininga, mas não houve feridos.

Em Sorocaba, vários bairros ficaram mais de três horas sem luz. O apagão ocorreu após uma chuva forte com rajadas de ventos, que também provocou alagamentos.

Planalto libera R$ 400 mi contra seca e enchente

O presidente da República em exercício, José Alencar, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, liberaram crédito extraordinário de R$ 742 milhões para cinco ministérios. A maior parte desses recursos – R$ 400 milhões – destina-se ao Ministério da Integração Nacional para apoio a obras de prevenção a desastres naturais, socorro a pessoas atingidas e recuperação de danos em áreas de secas e enchentes.

16/12/2009 - 16:54h O “Plano” de Kassab para Jardim Pantanal: “Vamos pedir para Papai Noel falar com São Pedro, para não chover no Natal”

A declaração é do subprefeito de Kassab em São Miguel paulista, zona leste.

Veja também

A Taxa Gôndola de Kassab

Kassab nem aí: Verba contra enchente é cortada

SPTV – primeira edição



Novas casas devem ficar prontas em até 2 anos

Secretaria Municipal de Habitação apresentou proposta de construção de 5 mil moradias para 25 mil pessoas

O Estado SP

Fazer 5 mil moradias para 25 mil pessoas em um prazo de pelo menos dois anos. Essa é a promessa da Secretaria Municipal de Habitação (SMH) para lidar com o problema dos moradores do Jardim Romano, na zona leste, que há uma semana sofrem com a inundação. A expectativa da SMH é conseguir preparar a licitação das casas antes do segundo semestre de 2010. Com a concorrência concluída, estimam-se mais 18 meses até que as moradias fiquem prontas. O custo total esperado é de R$ 300 milhões.

Na segunda-feira, o secretário municipal de Habitação, Elton Santa Fé Zacarias, reuniu-se com diretores da Caixa Econômica Federal para tentar viabilizar uma linha de financiamento pelo programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. As novas casas serão construídas em terrenos da Companhia Metropolitana de Habitação que ficam nas margens secas do Jardim Pantanal.

Para cada uma das 330 famílias diretamente atingidas pelas cheias e que foram retiradas de suas casas pela Defesa Civil, a SMH vai bancar três meses antecipados de aluguel – no valor de R$ 900 – e depois pagar R$ 300 mensais até que novas moradias fiquem prontas.

A Secretaria de Estado da Habitação, a pedido da Prefeitura e da Secretaria de Estado de Saneamento e Energia, está estudando locais disponíveis para receber parte das famílias que tiveram as casas alagadas. Mas, segundo o secretário estadual da Habitação, Lair Krähenbühl, não há nenhum lugar pronto para mudança imediata. “Parte de conjuntos habitacionais em construção em Guarulhos e Itaquaquecetuba será destinada a essas famílias. Cerca de 300 unidades ficarão prontas até 15 de fevereiro e a Prefeitura vai definir com as famílias quem vai para onde, que famílias estão em maior situação de risco”, afirmou. “Em São Paulo vamos buscar desapropriar terrenos para atendimento daqui a dois anos.”

A Subprefeitura de São Miguel pretende começar na segunda-feira o cadastro de moradores para o projeto habitacional na região do Jardim Romano. No local será instalado o Parque Linear Várzeas do Tietê. Uma faixa de 25 quilômetros ao longo do rio será desocupada para as obras.

“Algumas famílias estão vivendo sobre o rio e uma chuva vai colocá-los em risco novamente. Elas precisam sair”, disse o subprefeito Milton Persoli. Algumas famílias saem na semana que vem. Os trabalhos estavam programados para começar nesta semana, mas a lentidão no escoamento da água impede que os funcionários da subprefeitura façam o levantamento nas casas. Ainda não está definido como serão as negociações em caso de recusa de desocupação.

Mesmo com a promessa, alguns moradores já se mostraram contrários a deixar o bairro. “Eles precisam criar uma drenagem aqui para não alagar mais e não nos tirar. Moro aqui com minha família há quase 30 anos. Não posso só tirar minha mulher e meus quatro filhos”, diz Armando Nonato de Alcântara, de 33 anos. Hoje, a família está na casa de seus pais. ANA BIZZOTTO, BRUNO PAES MANSO e RENATO MACHADO