23/04/2012 - 12:21h Paris afetada pela apatia

23 de abril de 2012

GILLES LAPOUGE, É CORRESPONDENTE EM PARIS – O Estado de S.Paulo

Sabemos então o nome dos dois finalistas da eleição francesa: o presidente Nicolas Sarkozy e o socialista François Hollande. Podemos ir mais longe nas previsões? De acordo com as pesquisas, o jogo está feito: Hollande sai como vencedor do primeiro turno, além de ter reservas suficientes (os votos da extrema esquerda de Jean-Luc Mélanchon, dos ecologistas e outros) para derrotar Sarkozy na segunda rodada.

Não nos arriscaremos a fazer prognósticos. Até o último momento, os mais bizarros desdobramentos, as reviravoltas mais incoerentes, podem ocorrer. É a virtude, a honra e o charme vertiginoso da democracia. Quanto à campanha, Sarkozy foi mal. Marcado por cinco anos durante os quais irritou, exasperou, humilhou todo mundo, tanto seus próprios ministros como também pecuaristas, operários e juízes.

Na campanha de 2007, Sarkozy foi um orador inspirado. Este ano foi medíocre. Grunhiu, falou mal de todos, fez galanteios a Carla Bruni, fez propostas ridículas como uma reforma das normas para tirar a carta de motorista ou o pagamento das aposentadorias com oito dias de antecipação. Do Sarkozy estrondoso, inspirado, franco e direto de 2007, o que restou foi apenas um reflexo, um eco que mal se ouve.

Hollande foi normal, até a insignificância. Nem bonito nem feio; gordo, mas emagreceu; insípido, com um discurso pobre e mal enunciado; inteligente, mas sem brilho, Hollande sempre pareceu ter se enganado de papel.

Mas talvez seja um gênio. Sua figura que não impõe, sua falta de carisma, sua placidez, tudo isso talvez seja uma estratégia digna de Napoleão, uma maneira de obrigar o feroz boxeador que é Sarkozy a dar golpes no vazio, a perder o controle, a se apagar como uma vela privada de oxigênio.

Claro que o talento não ficou ausente nessa campanha, mas ele se refugiou no segundo pelotão: Mélanchon mostrou-se um tribuno formidável, estilo Revolução Francesa. E teve também Marine Le Pen, da extrema direita, uma bela mulher, voz poderosa, um enorme talento teatral. Tudo isso diz respeito à forma. Mas e quanto ao conteúdo? Quase nada.

Houve um acordo dos dois principais candidatos para evitar os reais temas, em particular os problemas econômicos. Uma impressão de irrealidade: a França, como toda a Europa, está esmagada pelas dívidas, o desemprego se multiplica, o setor industrial e agrícola se decompõe. Mas continua a se manifestar pretensiosamente como se fosse o centro do mundo. A França, tanto a de Sarkozy como a de Hollande, parece afetada pelo autismo. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

13/04/2012 - 11:06h França: pesquisa coloca Hollande na frente de Sarkozy também no 1° turno

13 de abril de 2012

DOW JONES – Agência Estado

François Hollande, candidato do Partido Socialista à Presidência da França, superou o presidente Nicolas Sarkozy nas intenções de voto para o 1º turno das eleições, a serem realizadas no dia 22, de acordo com pesquisa eleitoral divulgada hoje.

O levantamento, realizado pela CSA nos dias 10 e 11, mostrou que os principais candidatos perderam terreno desde a pesquisa anterior, há uma semana. Hollande caiu dois pontos porcentuais, para 27%, e agora está à frente de Sarkozy, que perdeu quatro pontos porcentuais, para 26%.

No caso de um provável 2º turno – caso nenhum candidato obtenha 50% dos votos no 1º turno -, Hollande derrotaria Sarkozy por 57% a 43%.

As intenções de voto para os demais candidatos subiram no comparativo entre as pesquisas. Os candidatos da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, e da extrema-direita, Marine Le Pen, ganharam dois pontos porcentuais cada um, para 17% e 15%, respectivamente. O centrista François Bayrou subiu um ponto porcentual, para 11%.

10/04/2012 - 10:52h Baromètre Ipsos : François Hollande l’emporterait toujours largement face à Nicolas Sarkozy

10 avril 2012

LE MONDE

L’horloge tourne, mais l’aiguille du baromètre reste fixe : à maintenant moins d’un mois du second tour de l’élection présidentielle, François Hollande continue d’être donné vainqueur haut la main – à 55 % – face à Nicolas Sarkozy, quand bien même celui-ci arriverait en tête au soir du premier tour. Tel est le principal enseignement du dernier sondage Ipsos-Logica Business Consulting pour Le Monde, Radio France et France Télévisions.

Cette enquête a été réalisée par téléphone vendredi 6 et samedi 7 avril, au terme d’une semaine marquée par deux interventions fortes : le meeting de François Hollande à Rennes, le 4 avril, lors duquel le candidat socialiste a détaillé le calendrier des réformes envisagées pour la première année de son quinquennat ; et la conférence de presse de Nicolas Sarkozy à Paris, le 5 avril, pendant laquelle le président sortant a présenté son projet.

A croire notre sondage, le premier a davantage profité de cette séquence que le second : par rapport à la semaine précédente, M. Hollande a gagné 1 point alors que M. Sarkozy en a perdu 0,5. Si le premier tour avait lieu aujourd’hui, le candidat socialiste obtiendrait 28,5 % des voix, celui de l’UMP, 29 %. En 2007, Ségolène Royal avait obtenu 25,8 % des voix au premier tour, Nicolas Sarkozy, 31, 2 %.

L’un des buts poursuivis par M. Hollande à Rennes, où il a insisté sur les retombées concrètes de son élection sur la vie quotidienne des Français, était d’enrayer la poussée de Jean-Luc Mélenchon dans les sondages. Il est encore trop tôt pour dire s’il a réussi, mais le fait est que, pour la première fois depuis fin février, le candidat du Front de gauche est resté stable d’une semaine sur l’autre. Il est aujourd’hui crédité de 14,5 % des voix au premier tour. Le poids du reste de la gauche est très faible : 1,5 % pour Eva Joly (-0,5 point), 0,5 % pour Nathalie Arthaud (-0,5), 0,5 % également pour Philippe Poutou (=).

De son côté, Nicolas Sarkozy, à travers la présentation de son projet, espérait séduire à la fois l’électorat traditionnel de la droite et les catégories populaires tentées par le Front national. Son premier objectif semble à peu près rempli : 82 % des électeurs ayant voté pour lui au premier tour en 2007 se déclarent prêts à le faire à nouveau, alors que François Hollande ne convainc que 68 % de ceux qui ont alors voté pour Ségolène Royal.

Son second objectif, en revanche, ne l’est pas : Marine Le Pen, qui avait perdu 1,5 point dans la dernière semaine de mars, en a cette fois regagné 1 : elle est désormais créditée de 15 % des voix. L’écart se creuse entre elle et François Bayrou dont le déclin, amorcé mi-mars, se poursuit : avec 9,5 % des voix, le président du MoDem passe, pour la première fois depuis décembre 2011, sous la barre symbolique des 10 %.

Pour comprendre les logiques de reports de voix au second tour, Ipsos a posé des questions sur les projets des candidats. Dans l’ensemble de l’électorat, celui de Nicolas Sarkozy suscite plus de rejet que celui de François Hollande : 43 % des Français estiment que le projet du président sortant n’est pas souhaitable. Ils ne sont que 26 % à penser la même chose du projet du candidat socialiste.

Auprès des deux électorats sur lesquels ils comptent prioritairement en vue du second tour, celui de Jean-Luc Mélenchon d’un côté, celui de Marine Le Pen de l’autre, François Hollande et Nicolas Sarkozy ne jouissent pas du même crédit. 83 % des électeurs de M. Mélenchon jugent “souhaitable” le projet de M. Hollande. En revanche, seuls 56 % des électeurs de Mme Le Pen ont la même opinion du projet de M. Sarkozy. Ces chiffres expliquent en partie les reports du second tour : 85 % des électeurs de M. Mélenchon se disent prêts à voter pour M. Hollande le 6 mai, alors que 53 % des électeurs de Mme Le Pen répondent qu’ils voteront pour M. Sarkozy ce jour-là.

Quant à l’électorat centriste, lui non plus ne se situe pas à équidistance des deux finalistes les plus probables. Parmi les électeurs de M. Bayrou, 41 % considèrent que le projet de M. Sarkozy n’est “pas souhaitable”, alors qu’ils ne sont que 16 % à porter un tel jugement sur celui de M. Hollande.

Plus acceptable que le président sortant auprès de l’électorat centriste, le candidat socialiste est pourtant loin d’y avoir gagné la bataille de la crédibilité : parmi les 81 % d’électeurs de François Bayrou pour qui le projet de M. Hollande est “souhaitable”, 55 % considèrent qu’il n’est “pas réaliste”. La conquête de cet électorat, qui pour l’heure se reporte à peu près à parts égales sur François Hollande et Nicolas Sarkozy, sera comme à chaque fois l’un des enjeux majeurs de la bataille de l’entre-deux-tours.

T. W.

08/04/2012 - 17:20h Extrema esquerda cresce na França e dá vantagem a socialistas em 2º turno

08 de abril de 2012

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS – O Estado de S.Paulo

Em uma campanha criticada pelo irrealismo das propostas do presidente Nicolas Sarkozy e de seu principal oponente, o socialista François Hollande, um novo fenômeno eleitoral pode selar o destino da França nos próximos cinco anos. Pesquisas da última semana colocam a extrema esquerda, liderada pelo populista Jean-Luc Mélenchon, na frente da extrema direita. A ascensão reforça a perspectiva de vitória do Partido Socialista no segundo turno.

A emergência do “fenômeno Mélenchon” foi identificada há cerca de duas semanas, quando o populista, candidato da Frente de Esquerda – coligação que inclui o Partido Comunista – levou milhares de franceses à Praça da Bastilha, em Paris, entusiasmados com seu discurso revolucionário, bem como promessas de aumento do salário mínimo por decreto e de nacionalizar empresas. Desde então, Mélenchon não para de crescer. Na sexta-feira, pesquisa do instituto CSA o apontou na terceira posição, com 15% dos votos, contra 13% da líder da Frente Nacional, a ultraconservadora Marine Le Pen.

Essa inversão no terceiro lugar, indicam analistas políticos ouvidos pelo Estado, tem um peso importante na eleição: o crescimento de Mélenchon rouba votos de Hollande e ajuda Sarkozy no primeiro turno, em 14 dias. O presidente assume a liderança, com cerca de 30% da preferência contra 29% de seu oponente. Entretanto, o socialista consolida sua vantagem no segundo turno, virando o jogo com a perspectiva de vitória por 54% dos votos, contra 46% de Sarkozy, de acordo com o CSA.

Essa reversão é possível porque Mélenchon, um ex-membro do PS e ex-ministro do governo de Lionel Jospin, vem recuperando para a esquerda um eleitorado perdido há quase duas décadas para a extrema direita. Conforme o instituto Ifop, Mélenchon conquista apoio entre operários não qualificados e funcionários públicos de nível básico ou intermediário, eleitorado que havia se acostumado a votar em Jean-Marie Le Pen ou se preparava para apoiar o projeto político xenofóbico da filha dele, Marine.

O resultado da penetração do populista nos eleitorados de baixa renda é que no segundo turno eles tendem a votar em Hollande. Em janeiro, 40% dos entrevistados pelo instituto Ipsos pretendiam escolher candidatos de esquerda. Agora, duas semanas antes da eleição, eles são 45,5%, afirma o cientista político Brice Teinturier, diretor-geral de Ipsos na França. Assim, o candidato do PS junta apoio popular ao seu eleitorado de classe média e alta formação acadêmica. “Quanto mais baixo o nível de patrimônio, mais eles estão tentados a votar à esquerda”, diz o cientista político Jérôme Saint-Marie, diretor do instituto CSA.

A 15 dias do primeiro turno, a tendência é a de reedição da votação de 1981, quando o socialista François Mitterrand perdeu o primeiro turno para o então presidente de centro-direita, Valéry Giscard d’Estaing, por 28,32% a 25,85%. No segundo, venceu por 51,76% contra 48,24% – graças à reserva de votos da esquerda.

Sarkozy joga nas próximas duas semanas sua principal cartada: expandir a diferença para Hollande no primeiro turno, passando ao eleitorado a sensação de que a reversão é impossível. Para tanto, o atual presidente tem multiplicado promessas, a ponto de propor com pompa medidas como antecipar o pagamento dos aposentados do dia 8 para o dia 1.º de cada mês.

08/04/2012 - 17:00h Elecciones en Francia

Ignacio Ramonet* – Le Monde Diplomatique

La elección presidencial es, en Francia, “la madre de todas las votaciones” y el punto incandescente del debate político. Tiene lugar cada cinco años. Es un sufragio universal directo a dos vueltas. En principio, cualquier ciudadano francés se puede presentar a la primera vuelta, que tiene lugar esta vez el 22 de abril. Aunque debe cumplir una serie de requisitos. Entre ellos, contar con el apoyo de 500 cargos electos de al menos 30 departamentos (provincias) distintos (1). Si ningún candidato obtiene mayoría absoluta (más del 50% de los votos), se impone una segunda vuelta dos semanas después. Desde la instauración de la Quinta República en 1958, siempre ha habido una segunda vuelta. A ella acceden tan sólo los dos candidados que encabezan el primer turno. O sea, habrá que esperar hasta el próximo 6 de mayo para conocer el resultado. Entre tanto, toda la vida política gira en torno a ese acontecimiento central.

Por el momento, nadie tiene la partida ganada, aunque -según todas las encuestas- la final parece que se jugará entre dos candidatos: el presidente conservador saliente Nicolas Sarkozy, y el líder socialista, François Hollande. Pero quedan todavía varias semanas de campaña en las que muchas cosas pueden ocurrir (2). Y además, un tercio de los electores no ha decidido aún por quién votará…

Los debates se desarrollan en un contexto marcado por dos fenómenos principales: 1) la mayor crisis eco¬nómica y social que Francia ha conocido en los últimos decenios (3); 2) una creciente desconfianza hacia el ¬funcionamiento de la democracia ¬representativa.
La Constitución sólo autoriza dos mandatos consecutivos. El presidente Sarkozy se declaró oficialmente el 15 de febrero pasado candidato a su propia sucesión. Desde entonces la poderosa maquinaria de su partido, la Unión por un Movimiento Popular (UMP), se ha puesto briosamente en marcha. Y ha conseguido que ¬todos los demás candidatos de la derecha (excepto el soberanista Nicolas ¬Dupont-Aignan) se retiren de la ¬contienda para dejarle como único representante de la corriente conservadora (4). La batalla sin embargo no será fácil. Todas las encuestas lo dan por derrotado en la segunda vuelta frente al candidato socialdemócrata François Hollande.

Sarkozy se ha vuelto muy impopular. En el extranjero, muchas personas no lo conciben porque únicamente perciben su imagen de líder internacional enérgico dirigiendo, junto con Angela Merkel, las Cumbres europeas o las del G-20. Además, en 2011, asumió también una postura de jefe militar y consiguió ganar dos guerras, en Costa de Marfil y en Libia. Por otra parte, en el aspecto del “glamour”, su matrimonio con la célebre ex modelo Carla Bruni, con quien acaba de tener una niña, contribuye a hacer de él un actor permanente de la prensa del corazón. De ahí la perplejidad de la opinión pública extranjera ante su eventual derrota electoral.

Pero hay que tener en cuenta, en primer lugar, un principio político casi universal: no se ganan unas elecciones gracias a un buen balance de política exterior, por excelente que sea. El ejemplo histórico más conocido es el de Winston Churchill, el “viejo león” británico vencedor de la Segunda Guerra Mundial y derrotado en las elecciones de 1945… O el de Richard Nixon, el presidente estadounidense que puso fin a la guerra de Vietnam y reconoció a China popular, pero se vio obligado a dimitir para no ser destituido… Hay que añadir que otra ley parece haberse establecido en Europa estos últimos años en el contexto de la crisis: ningún gobierno saliente ha sido reelegido.

En segundo lugar, está el balance de su mandato, que es execrable. Además de los numerosos escándalos en los que se ha visto envuelto, Sarkozy ha sido el “presidente de los ricos” a quienes ha hecho regalos fiscales inauditos, mientras sacrificaba a las clases medias y desmantelaba el Estado del bienestar. Esa actitud ha alimentado las críticas de los ciudadanos que, poco a poco, se han visto engullidos por las dificultades: pérdida de empleo, reducción del ¬número de funcionarios, retraso de la edad de jubilación, aumento del coste de la vida… No cumplió sus promesas. Y la decepción de los franceses se amplificó.

Sarkozy cometió también garrafales errores de comunicación. La noche misma de su elección en 2007 se exhibió en un célebre restaurante parisino de los Campos Elíseos festejándolo sin complejos en compañía de un puñado de multimillonarios. Aquella interminable juerga en el Fouquet’s quedó como el símbolo de la vulgaridad y la ostentación de su mandato. Los franceses no lo han olvidado y muchos de sus propios electores modestos jamás se lo perdonaron.

Con su hiperactivismo, su voluntad de estar presente en todas partes y de decidirlo todo, Sarkozy ha olvidado una regla fundamental de la Quinta República: el Presidente -que posee más poder que cualquier otro jefe de Ejecutivo de las grandes democracias mundiales- debe saber guardar las distancias. Dosificar con prudencia sus intervenciones públicas. Ser el señor de la penumbra. No quemarse por exceso de sobreexposición. Y es lo que le ha pasado. Su hipervisibilidad desgastó pronto su autoridad, y lo ha convertido en su propia caricatura, la de un dirigente permanentemente acalorado, impetuoso, excitado…

Ni una sola encuesta, hasta ahora, lo da como vencedor de ¬estas elecciones. Pero Sarkozy es un guerrero dispuesto a todo. Y también, a veces, un golfo sin escrú¬pulos, capaz de actuar como un auténtico aventurero. De tal modo que, desde que se lanzó a la campaña el mes pasado, con un descaro monumental no ha dudado en ¬presentarse -él, que ha sido el “presidente de los ricos”- como “el candidato del pueblo” esgrimiendo argumentos próximos a la xenofobia para robarle votos a la extrema derecha. No sin eficacia electoral. Y en las intenciones de voto, inmediatamente ganó varios puntos hasta conseguir situarse por encima del candidato socialista…

Éste, François Hollande, es por el momento, el claro favorito de los sondeos. Todos, sin excepción, lo dan vencedor el 6 de mayo próximo. Poco conocido en el extranjero, Hollande es considerado por sus propios electores como un burócrata por haber sido durante más de once años (1997-2008) Primer secretario del Partido socialista (5). Contrariamente a su ex compañera Ségolène Royal, nunca fue ministro. Y su nombramiento como candidato de los socialistas no resultó evidente. Sólo fue designado después de unas durísimas elecciones primarias en el seno de su partido (a las que, por razones harto conocidas (6), Dominique Strauss-Kahn, el preferido de los electores socialistas, no pudo competir).

François Hollande es un social-liberal de centro, conocido por sus habilidades de negociador y su dificultad para tomar decisiones. Se le reprocha ser demasiado blando y mantener en permanencia la confusión. Su programa económico no se distingue netamente, en el fondo, del de los conservadores. Después de haber afirmado en un discurso electoral que “el enemigo principal” eran las finanzas, se apresuró a ir a Londres a tranquilizar a los mercados recordándoles que nadie había privatizado más y liberalizado más que los socialistas franceses (7). En lo que respecta al euro, a la deuda soberana o a los déficits presupuestarios, Hollande -que afirma ahora querer renegociar el Pacto fiscal (8)- está en la misma línea que otros dirigentes socialdemócratas, ¬como Yorgos Papandreu (Grecia), ¬José Sócrates (Portugal) y José Luis Rodríguez Zapatero (España), quienes, después de haber abjurado de sus principios y aceptado las horcas caudinas de Bruselas, fueron electoralmente expulsados del poder.

La flacidez política de François Hollande aparece aún más flagrante cuando se le compara con el candidato del Frente de Izquierda, Jean-Luc Mélenchon. Con el 14% de las intenciones de voto, éste está resultando la gran revelación de estas elecciones. Sus mítines son los que reúnen al mayor número de personas, y sus discursos, verdaderos modelos de educación popular, los que levantan el mayor entusiasmo. El domingo 18 de marzo, aniversario de la revolución de la Comuna de París, consiguió movilizar a unas 120.000 personas en la plaza de la Bastilla, cosa jamás vista en los últimos cincuenta años. Todo ello debería favorecer cierto giro a la izquierda de los socialistas y de François Hollande. Aunque las diferencias de líneas son abismales.
El programa de Jean-Luc Mélenchon, resumido en un librito titulado L’Humain d’abord! (9) (¡Primero lo humano!) del que ya se han vendido centenares de miles de ejemplares, propone, entre otras medidas: repartir la riqueza y abolir la inseguridad social; arrebatarle el poder a los bancos y a los mercados financieros; una planificación ecológica; convocar una Asamblea Constituyente para una nueva República; liberarse del Tratado de Lisboa y construir otra Europa; iniciar la desmundialización…

El entusiasmo popular que está levantando Jean-Luc Mélenchon da una nueva esperanza a las clases trabajadoras, a los militantes veteranos y a la multitud de los jóvenes indignados. Es también una respuesta a una democracia en crisis donde muchos ciudadanos ya no creen en la política ni en el ritual de las elecciones.
Mientras se desinfla la extrema derecha y fracasa la tentativa de revivirla mediante el experimento de Marine Le Pen, estas elecciones presidenciales francesas podrían demostrar que, en una Europa desorientada y en crisis, sigue viva la esperanza de construir un mundo mejor.

Abril 2.012
(1) Esta exigencia se reveló insuperable para por lo menos dos pretendientes importantes: Dominique de Villepin, gaulista, ex primer ministro, y Corinne Lepage, ecologista, ex ministra, excluidos de la competición.#
(2) Por ejemplo, el asesinato de tres militares en el sur de Francia y la odiosa matanza de niños judíos en Toulouse el 19 de marzo pasado, cometidos por un joven yihadista relacionado con Al Qaeda, impactaron con fuerza en la campaña, dándole naturalmente un protagonismo particular al presidente saliente Nicolas Sarkozy.
(3) Tasa de desempleo: 9,8%. Desempleo de los jóvenes de menos de 25 años: 24%. Número total de desempleados: 4,5 millones.
(4) En favor de Sarkozy, se retiraron de la competición: Christine Boutin (Partido cristiano-demócrata), Hervé Morin (Nuevo Centro) y Frédéric Nihous (Caza, Pesca, Naturaleza y Tradiciones). Por idéntico motivo, el centrista Jean-Louis Borloo no presentó su candidatura. Y la eliminación de Dominique de Villepin y de Corinne Lepage tendrá también como consecuencia que la mayoría de sus electores apoyarán al presidente saliente.
(5) En las encuestas, los dos tercios de los votantes de Hollande declaran que lo hacen por “rechazo a Sarkozy”; únicamente un tercio dice que se adhiere a las ideas de Hollande.
(6) Léase, Ignacio Ramonet, “Una izquierda descarriada”, Le Monde diplomatique en español, junio de 2011.
(7) The Guardian, Londres, 14 de febrero de 2012.
(8) Léase, Ignacio Ramonet, “Nuevos protectorados”, Le Monde diplomatique en español, marzo de 2012.
(9) http://www.lhumaindabord2012.fr

*Periodista español. Presidente del Consejo de Administración y director de la redacción de “Le Monde Diplomatique” en español.

02/04/2012 - 17:00h Pesquisa aponta trotskista em 3º na França

02 de abril de 2012

PARIS, / REUTERS – O Estado de S.Paulo

O candidato da extrema esquerda à presidência da França, Jean-Luc Mélenchon, apareceu com 15% das intenções de voto e tomou o terceiro lugar nas pesquisas da ultradireitista Marine Le Pen, que ficou com 13,5%, segundo levantamento divulgado ontem pelo instituto LH2.

A menos de um mês das eleições, a sondagem voltou a mostrar o socialista François Hollande na dianteira, com 28% das intenções, enquanto o presidente Nicolas Sarkozy, que concorre à reeleição, aparece com 27,5%. A margem de erro da pesquisa é de 4 pontos porcentuais para mais ou para menos.

A notícia de que Mélenchon tomou o lugar de Marine, mesmo diante de um empate técnico, levou simpatizantes às ruas em Grigny, subúrbio de Paris e reduto eleitoral do trotskista. O candidato apareceu para discursar. “Não permitam que seus bairros, seus subúrbios, virem desertos políticos”, declarou.

O recado de Mélenchon foi claramente direcionado à porção da população que sente medo de represálias após os ataques perpetrados por Mohamed Merah no sul do país. Merah, francês de ascendência argelina, matou sete pessoas e foi cercado e morto pela polícia no dia 22, na cidade de Toulouse.

Em quinto lugar na pesquisa aparece François Bayrou, com 12%. A candidata do Partido Verde, Eva Joly, caiu para 2%. Os outros dois mencionados pelos eleitores, Philippe Poutou e Nathalie Arthaud, somam 0,5% cada um.