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	<title>Blog do Favre &#187; Jesse Jackson</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Ações afirmativas aumentaram elite negra nos EUA</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 13:46:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Jesse Jackson e Obama, o primeiro abriu o caminho para um presidente negro nos EUA
Para pesquisadora, carreira de Obama &#8220;deve muito&#8221; às conquistas dos movimentos pelos direitos civis
FABIANO MAISONNAVE &#8211; FOLHA SP
EM BOSTON
Em artigo publicado logo após a eleição de Barack Obama nos EUA, o colunista Dennis Byrne relembrou no jornal &#8220;Chicago Tribune&#8221; um episódio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://atlasshrugs2000.typepad.com/atlas_shrugs/images/2008/03/31/obama_jackson.jpg" alt="http://atlasshrugs2000.typepad.com/atlas_shrugs/images/2008/03/31/obama_jackson.jpg" /></div>
<div align="center"><em><font size="1">Jesse Jackson e Obama, o primeiro abriu o caminho para um presidente negro nos EUA</font></em></div>
<p><strong>Para pesquisadora, carreira de Obama &#8220;deve muito&#8221; às conquistas dos movimentos pelos direitos civis</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">FABIANO MAISONNAVE &#8211; FOLHA SP</p>
<p>EM BOSTON</p>
<p>Em artigo publicado logo após a eleição de Barack Obama nos EUA, o colunista Dennis Byrne relembrou no jornal &#8220;Chicago Tribune&#8221; um episódio de 1967, quando era professor para alunos negros num curso supletivo no Estado sulista da Geórgia. Depois de dizer a eles que poderiam ser &#8220;o que quisessem&#8221;, viu uma aluna arrancar risadas dos colegas ao anunciar ironicamente que seria procuradora-geral.</p>
<p>Para Byrne, a aluna estava certa há 40 anos -hoje, não. Ecoando uma visão crescente nos EUA, ele crê que a eleição de Obama comprova que as políticas de ações afirmativas implantadas a partir da Lei dos Direitos Civis, em 1964, cumpriram o papel de assegurar igualdade de oportunidades aos negros e, portanto, deveriam deixar de existir.</p>
<p>&#8220;Como sabemos quando os tipos de desequilíbrios impostos por alguns programas de ação afirmativa não são mais necessários? Se um dos sinais de que devemos estar indo nessa direção não é a eleição de um presidente afro-americano, então o que é?&#8221;, escreveu Byrne.</p>
<p>Promulgada pelo presidente democrata Lyndon Johnson sob forte pressão do movimento negro, a Lei dos Direitos Civis proibia a segregação em escolas, espaços públicos e no trabalho. Entre outras medidas, determinou que as instituições que recebem fundos públicos, como universidades privadas, eliminassem toda forma de discriminação racial.</p>
<p>Desde então, os processos de seleção universitários e de trabalho passaram a criar mecanismos -ações afirmativas- para que o ambiente escolar ou de trabalho refletisse a composição racial norte-americana, onde os negros representam 12%. Ao contrário do que se pensa no Brasil, não há cotas nos EUA -estão proibidas pela Suprema Corte desde 1978.</p>
<p><strong>Nova elite</strong></p>
<p>Desde então, afro-americanos passaram a ocupar cargos cada vez mais altos nos setores público e privado e aumentaram sua presença nas universidades, mas as estatísticas mostram que o abismo entre brancos e negros continua em áreas como renda e educação. De acordo com o Departamento de Educação, 19,5% dos negros entre 25 e 29 anos tinham diploma superior em 2007, contra 35,5% dos brancos.</p>
<p>A última grande discussão sobre ações afirmativas nos Estados Unidos ocorreu em 2003, quando, por 5 votos a 4, a Corte Suprema manteve a constitucionalidade dessas políticas.</p>
<p>Na decisão, houve o entendimento de que a Universidade de Michigan pode fazer &#8220;uso estrito de raça&#8221; para &#8220;obter os benefícios educacionais que emergem de um corpo estudantil diversificado&#8221;, mas com a ressalva de que é um recurso com tempo de vida limitado.</p>
<p>Dentro desse discurso da &#8220;diversidade&#8221;, onde fica Obama, filho de um queniano com uma norte-americana branca nascido no Havaí e casado com uma afro-americana?</p>
<p>&#8220;A sua história certamente não é a de uma afro-americano crescido no Sul&#8221;, afirma a cientista política afro-americana Melissa Nobles, do MIT (Massachusetts Institute of Technology). &#8220;Mas a sua carreira profissional se deve muito às conquistas do movimentos pelos direitos civis. E ele nunca teria vencido se Jesse Jackson não tivesse introduzido a idéia de um presidente negro&#8221;, completa, lembrando que Obama trabalhou por vários anos na comunidade negra de Chicago.</p>
<p>Para brasilianistas especialistas em relações raciais ouvidos pela reportagem, um fenômeno similar ao de Obama dificilmente ocorreria no Brasil num curto prazo. Entre os motivos está a trajetória ainda pequena das ações afirmativas em comparação com os EUA.</p>
<p>Na avaliação do cientista político americano branco Seth Racusen, do Anna Maria College, o movimento negro brasileiro teve um enfoque inicial concentrado no racismo como um problema principalmente criminal, tendência que vem sido revertida nos últimos anos.</p>
<p>Há mais de 30 anos estudando relações raciais no Brasil, o ganense Anani Dzidizienyo, da Universidade Brown, vê dificuldades para reconhecer o que chama de &#8220;racismo institucional&#8221;. &#8220;No Brasil, a discussão sobre ações afirmativas provoca reações histéricas, existe certa inabilidade para reconhecer o racismo institucional.&#8221;</p>
<p>Dzidizienyo completa: &#8220;A ironia é que este país racista produziu um Obama. Nem vou começar a pensar se isso é possível no Brasil; está completamente fora de cogitação&#8221;.</p>
<p><strong>Leia o caderno especial sobre a questão racial no Brasil na Folha SP</strong></p>
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