29/08/2009 - 20:26h Um ano depois, Brasil sai da crise mundial maior do que entrou

Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise global, o otimismo com o País tornou-se consenso

Fernando Dantas, de O Estado de S. Paulo

RIO – O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, o otimismo com o País tornou-se consensual. “O fato de que o Brasil passou tão bem pela crise tinha mesmo de instilar confiança”, diz Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Jim O’Neill, do Goldman Sachs, e criador da expressão Bric (o grupo de grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), “o Brasil passou por essa crise extremamente bem, e pode crescer a um ritmo de 5% nos próximos anos”.

O crescimento de importância do Brasil e de outras economias emergentes é uma das características do novo mundo surgido com a crise econômica. Para comentar essa e várias outras mudanças, o Estado ouviu oito grandes economistas estrangeiros e brasileiros: Rogoff; O’Neill; Barry Einchengreen, da Universidade de Berkeley; José Alexandre Scheinkman, de Princeton; Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio gestor do Gávea Investimentos; Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA e codiretor do Instituto de Estudo de Políticas Econômicas – Casa das Garças (Iepe/CdG); Affonso Celso Pastore, consultor e ex-presidente do BC; e Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.

Pastore observa que a recessão no Brasil foi curta, de apenas dois trimestres, comparada a quatro em países como Estados Unidos, Alemanha e França. Goldfajn nota que há os países que estão saindo da recessão no segundo trimestre e os que estão saindo no terceiro – o Brasil está entre os primeiros, com várias nações asiáticas. “Mesmo no primeiro trimestre, se olhar mês contra mês, há números fortes de crescimento no Brasil”, acrescenta.

Para Goldfajn, a crise foi um teste de estresse para diversos países, no qual alguns passaram, outros não, alguns tiveram nota boa e outros nota ruim. “Acho que o Brasil tirou nota boa, e agora está todo mundo olhando e dizendo ‘esse cara é bom’”, diz Goldfajn.

Uma das principais razões para o sucesso do Brasil em enfrentar a crise, segundo Pastore, é que ela pegou o País com o regime macroeconômico adequado – câmbio flutuante, bom nível de reservas, inflação controlada, superávit primário, dívida pública desdolarizada e caindo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). Essa solidez combinou-se com o sistema financeiro capitalizado, pouco alavancado, que estava proibido pela regulação de operar com os ativos perigosos, como os títulos estruturados no mercado americano de hipotecas subprime. “Uma das lições da crise é que países que tinham uma abordagem equilibrada da regulação do mercado financeiro, como Brasil, Austrália, Canadá , não tiveram crise bancária”, diz O’Neill.

A política anticíclica, baseada em corte de impostos e ampliação de gastos públicos, também ajudou, embora esta segunda parte seja criticada pelos efeitos de médio prazo. Para Pastore, os aumentos do funcionalismo e do Bolsa-Família tiveram efeitos contracíclicos, mas “por coincidência”, já que foram decididos antes da crise. “O defeito é que, se fosse política contracíclica mesmo, teria de expandir gastos transitórios, e não permanentes.”

Para a maioria dos economistas, o aumento dos gastos públicos correntes reduz o espaço do investimento, e impede que o Brasil cresça a um ritmo ainda mais forte do que os 4% a 5% que estão sendo previstos. “Não é nem preciso dizer que há um monte de coisas que o Brasil poderia fazer para crescer mais rápido”, comenta Rogoff.

De qualquer forma, o sucesso diante da crise jogou o Brasil no radar dos investidores. “À medida que continuarmos a crescer mais que o mundo, é natural que o País receba um aporte muito grande de investimentos estrangeiros diretos”, diz Pastore, acrescentando que eles aumentaram, mesmo com recessão e queda de lucros nos países que sediam as empresas que investem no Brasil.

A contrapartida dos fluxos de capital é o câmbio valorizado e o déficit em conta corrente, o que significa que o mundo está financiando o Brasil para consumir muito (o que implica poupar pouco) e investir ao mesmo tempo. Segundo Goldfajn, os brasileiros serão um dos povos convocados, junto com os asiáticos, a preencher o espaço deixado pelo fim da exuberância do consumidor americano, atolado em dívidas e necessitado de reconstruir seu patrimônio.

28/11/2008 - 07:48h Our retail therapy is in China, India and Germany

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By Jim O’Neill – Financial Times

Published: November 27 2008 18:59 | Last updated: November 27 2008 18:59

For much of the past three years, as it became evident that the US housing bubble was bursting, I believed that the old adage “the US catches a cold, the world catches pneumonia” would be laid to rest, helped by the emergence of the so-called Brics – Brazil, Russia, India, China.

Until September and the collapse of Lehman Brothers, the US investment bank, this was still a reasonable model for the evolving world. However, since mid-September maybe the real question has – unfortunately – become: “What happens if the US itself has caught pneumonia?”

At the heart of this is the dramatic tightening of US financial conditions that took place from mid-September until recently. For the over-levered US consumer, coming on top of declining housing values, the era of buoyancy is almost definitely over.

At its 2007 peak, US domestic consumption reached as much as 72 per cent of the country’s overall gross domestic product, which is more than 20 per cent of global GDP. Not bad for a population of some 300m people, out of more than 6bn globally. By the end of 2008, consumption will be back below 70 per cent and will probably be on its way down to something around 65 per cent or less in a few years. How can the world cope?

The answer is that unless Chinese, German and Indian shoppers start spending more freely, it will not.

Aggressive infrastructure-based fiscal expansion in the US from the incoming administration will help the country recover and rebuild but, as with the UK, there has to be a chance that any direct stimulus for the indebted US consumer will be saved, not spent. Indeed, it is no bad thing that domestic private savings will be rebuilt. Among other things it means the US will not need to keep gobbling up the world’s savings.

To avoid global pneumonia, what we need is shopping in Berlin, Frankfurt, Beijing, Shanghai, Delhi and Mumbai. Here is how to do it.

China looks like it does not need too much guidance judging by the media focus on its $586bn (€453bn, £380bn) “stimulus” package. China has to regard export strength, especially low-valued exports, as a thing of the past. This will involve some redeployment of people, which in some regions could be quite challenging. But boosting domestic spending, especially for consumption and investment, is vital.

Such spending should feed through to renewed import growth, so China can help offset the end of import growth in the US. Of course, annual retail sales growth as measured by October’s numbers was a strong 22 per cent but, until consumption represents a bigger share of GDP, the government should seek to increase this further. Noises about the potential development of a proper nationwide social security system are encouraging; this is vital to reduce China’s huge savings rate.

As for India, its demographic dividend makes it arguably the most interesting of the Brics in the next decade. According to the United Nations, by 2020, India’s population could grow by as much as the current size of the US. If Indian policymakers can boost infrastructure spending, the escalating urbanisation that will accompany this could unleash massive consumption. Indian policymakers should stop worrying about the May 2009 election and introduce steps now to allow more foreign capital to help the financial sector fulfil these exciting prospects. Among other things it would diminish fears about India’s external financing challenges also.

It is not just India and China that could help. Germany and its policymakers should take a long, hard look in the mirror. At 85m, Germany’s population is equivalent to more than a quarter of that of the US. It needs to make a contribution to world consumption in a similar ratio, relative to that of the US consumer.

Next year is the 20th anniversary of the fall of the Berlin Wall. German consumption has barely budged since then. Why not celebrate by giving its people a surge in consumer spending? Raise real wages and cut value added tax: Germany owes it to itself and the world after such a long period of adjustment to both unification and European monetary union. It certainly needs to, as the export machine is set to struggle.

Who knows, if Germany “gets it” maybe even Japan might then consider change. Then we would know the world really was being turned upside down.

The writer is chief economist at Goldman Sachs

03/02/2008 - 10:40h O Brasil é o melhor dos Brics

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Em meio à crise dos EUA, pai da sigla destaca confiança de investidores no país

O GLOBO ENTREVISTA
Jim O’Neill

O economista britânico Jim O’Neill ficou famoso por ser o criador da célebre expressão Brics — sigla que resume o crescente poder dos grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China. Chefe de Pesquisas Econômicas Globais do Goldman Sachs, O’Neill está relativamente otimista com a crise nos Estados Unidos e acredita que, para surpresa dos mercados, a economia americana poderá evitar a recessão. Ele é ainda mais otimista em relação ao Brasil. Apesar de reconhecer que o país poderá ser afetado pelo desaquecimento global no seu comércio exterior, já que é grande exportador de commodities, O’Neill garante que, em meio à crise dos EUA, o Brasil é o melhor dos Brics para investir. Em entrevista por telefone ao GLOBO, de seu escritório em Londres, ele alerta que a vitória de um candidato democrata nas eleições americanas pode aumentar o protecionismo comercial nos Estados Unidos, principalmente se o eleito para a Casa Branca for o senador Barack Obama. E critica a rigidez de fóruns multilaterais como FMI e G-7 por não incorporarem os grandes emergentes: “Os Brics respondem por 15% do PIB mundial”.

Luciana Rodrigues

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