05/11/2009 - 10:29h Brasil: “Uma superpotência pronta para alimentar o mundo”

Toda Mídia – FOLHA SP


NELSON DE SÁ – nelsonsa@uol.com.br

Em progresso

ft.com
Em destaque, a comemoração pelos Jogos e as entrevistas com Lula e Coutinho

O “Financial Times” publica hoje e adiantou ontem em texto e PDF um caderno especial de dez páginas sobre investir no Brasil. Destaca longas entrevistas, inclusive vídeo, com Lula e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, cotado para ser o presidente do Banco Central. Ocupando metade da capa, um anúncio do Bradesco. Nas páginas internas, várias estatais, mais Andrade Gutierrez e Votorantim.
No enunciado da primeira página, “Louvor olímpico põe selo no progresso”. Na home page do caderno, “Superpotência pronta para alimentar o mundo”. Ao longo dos 36 textos, temas como o Bolsa Família que “faz diferença de verdade”; a aspiração de ser destino turístico global, mas também a violência no Rio; e o “forte crescimento depois de breve queda”.

Investing in Brazil

05 November 2009 – FINANCIAL TIMES

Ipanema

Inside this issue

• A superpower that is ready to feed the world

• The aspiration to become a world-class destination

• Much must be done to be ready in time for the Olympics – -

Content

Olympic accolade sets seal on progress

Jonathan Wheatley considers the strides that the South American giant has made and the pitfalls ahead

Banking: Quick recovery, enviable outlook

The sector has prospered thanks to wide spreads and tight regulation, explains John Rumsey

Capital markets: Strong growth after slight dip

It has been a good crisis but some are worried about the tax on inflows, reports Jonathan Wheatley

Celebrity status in the field of IPOs

A respected monetary policy and deep interest rate cuts have made the country an attractive option for emerging market equity investors, writes Samantha Pearson

Power generation: Amazon dam comes under close scrutiny

Ed Crooks looks at a hydro-electric project in a fragile region

Agriculture: Superpower is ready to feed the world

Huge strides have been made in productivity, with scope for more, writes Jonathan Wheatley

Metals and mining: Government intent on more control

The sector is facing pressure over policy decisions, writes Jonathan Wheatley

Sugar and ethanol: A perfect storm of troubles

Samantha Pearson on the predicament of an industry striving to transform itself

IT: Culture of hi-tech and hustle fosters world-leading ambitions

Brazil is rapidly becoming a new world centre for IT and BPO, writes Dom Phillips

Telecoms: A sweet spot for mobiles

In Brazil, more people have mobile phones than bank accounts, writes Dom Phillips

The north-east: Still trying to catch up

Santo Antônio: Project Financing

Business life in Rocinha favela

Irrigation helps the drylands bear fruit

Walmart cuts retailing cloth to suit fast-growing local customers

Retail: The battle for consumers heats up

Oil and gas: Sunken treasure is ticket to the world’s VIP energy club

Embraer: The worst may be over

Hotels: An Olympian effort may be required

Housing profile: Tenda sees benefit of home-building programme

Franchising: Golden opportunities, but choose your partners wisely

Shoemaking: A prized industry has travelled north-east

Education: Expanding economy discovers it lacks the skills it requires

Bolsa Família scheme: Income support makes a real difference

Housing programme: Support for affordable housing and construction sector

Environment: Masses of trees and soon to be a big oil producer

Infrastructure: Too little for too long, but PAC may put things on track

Aspiration: World-class destination

Coconut water takes on the world

Tourism profile: Brazilian Beach House exploits gap in villa rental market

Business of fashion: The sexy Brazilian touch goes down well in Russia

Olympics: Rio’s glossy sell belies a litany of troubles

The beautiful game: malfeasance and goalposts

Transport: Highway concessions

Interview with Luciano Coutinho, president of the development bank, the BNDES

13/10/2009 - 10:31h “Lula projeta o país a líder regional e ator global de primeira ordem”, afirma editorial do jornal La Nación, de Argentina

Coluna Toda Mídia, de Nelson de Sá – Folha SP

ELDORADO CARIOCA

Reuters/elpais.com

Copacabana no “El País”

Fechando a semana do IPO recorde do banco Santander no Brasil, o espanhol “El País” deu neste domingo uma série com editorial, artigos e reportagens. Entre os enunciados, “América Latina recobra o alento” com “A pujança do Brasil e a alta das matérias primas”; “Rio 2016, uma oportunidade para as empresas espanholas”; e “Eldorado carioca”, sobre a “centena e meia” de empresas que já “falam brasileiro”.
No texto de maior repercussão nos sites brasileiros, de Francho Baron, “Premiado com os Jogos Olímpicos e convertido em uma potência econômica, o Brasil assume o desafio de erradicar a pobreza”.

“EL CONSEGUIDOR”
Jornais espanhóis, do país basco à Catalunha, foram na mesma linha do madrilenho “El País” e publicaram longos textos com enunciados como “O poderio do Sul” e “Lula, el conseguidor”, de louvor ao presidente brasileiro.

“GRANDES LIGAS”
E ontem foi o argentino “La Nación” que fez editorial, com eco na home do UOL, entre outros. Sob o título “Brasil nas grandes ligas”, afirmou que o presidente Lula projeta o país a “líder regional e ator global de primeira ordem”.

“COMEBACK”

Paulo Whitaker/nytimes.com

O “New York Times” de domingo publicou em longa reportagem que os “Emergentes realizam retorno”, com destaque para a recuperação no preço das commodities e a reação do Brasil. Com imagem de colheita de soja, sublinhou aposta na Petrobras.

Leia a integra da coluna de Nelson de Sá, na Folha SP

08/10/2009 - 11:45h Quem sabe faz a hora

http://www.pantanalnews.com.br/gerenciador/uploads/IC_37174_CONTENT_A.jpg

ColunistaHeloisa Magalhães – VALOR

O presidente Lula, a partir de sexta-feira passada, em Copenhague, ficou muito mais confortável com a afirmação de Barack Obama de que ele é “o cara”. Mas o grande vitorioso na disputa pela sede dos Jogos Olímpicos de 2016 não foi ele ou o Rio de Janeiro, mas o país.

O Brasil venceu. Apresentou proposta bem estruturada e convenceu ao apresentar as garantias dos investimentos necessários para realização dos jogos. E apresentou uma fotografia de uma nação confiável, com bons indicadores econômicos avançando no crescimento. Mas em meio a tantos bons propósitos o Brasil ainda está longe de saltar o fosso da desigualdade social. A pobreza urbana, aninhada nas grandes cidades, mostra um jovem, entre os de baixa renda, com pouca perspectiva de futuro e melhoria na qualidade de vida. A mobilidade social ainda é um privilégio de poucos. A maioria dos brasileiros que nasce pobre morre pobre.

Foi nesse calcanhar de Aquiles que o próprio presidente tocou em seu discurso na capital da Dinamarca. Certamente, a perspectiva de contribuir para mudar esse cenário pesou na decisão de trazer os jogos, pela primeira vez, para a América do Sul.

Lula mostrou que um evento da dimensão de uma Olimpíada, além da criação de novas oportunidades, tem todas as condições de instaurar um novo ambiente de esperança. Pode tornar-se uma das molas propulsoras para criar um movimento de formação de crianças e jovens a partir de novas oportunidades de educação, trabalho e esporte.

Para os cariocas, os ganhos com os investimentos com infraestrutura com viés ambiental são fundamentais. O Rio precisa despoluir a Baía da Guanabara, as lagoas, as praias, criar novo sistema de transportes. Com o esvaziamento econômico, a cidade ficou com áreas degradadas. A região portuária é um destaque. Ao recuperá-la, como propõe a prefeitura, e torná-la parte da sede do evento, crescem as perspectivas para revitalização de uma região que pode tanto voltar-se para habitação popular ou centro de negócios, turismo e lazer.

Para esses mesmos cariocas que convivem com o ambiente carente das favelas, com o banditismo presente no dia a dia, uma grande expectativa está sendo a da cidade beneficiar-se de forma ainda mais ampla do momento para antes e depois da Olimpíada. Além do benefício material, o intangível tem tudo para ser o maior legado dos jogos, não só no Rio como em todo Brasil, lembra Edson Menezes, ex-esportista e hoje presidente do Banco Prosper. Ele é o diretor-financeiro do comitê executivo do projeto pró-Rio 2016.

Anos atrás, Menezes defendia a criação de um espaço para crianças e jovens dedicarem-se ao esporte. Ajudou a montar a proposta do que é batizado de Centro Olímpico de Desenvolvimento de Talentos. Seria em Deodoro, subúrbio do Rio. Sem conseguir levantar os recursos, a área acabou abrigando o Estádio Olímpico João Havelange, popularizado como Engenhão. Construído para os Jogos Pan-americanos, em 2007, ficou sem uso. Está arrendado pelo Botafogo Futebol e Regatas.

Menezes diz que a ideia da proposta original agora tem tudo para ser recuperada. O Comitê Olímpico Brasileiro desenvolveu e o próprio Ministério do Esporte já aprovou projeto, que prevê investimentos de R$ 12 milhões e centro para treinar 2,5 mil crianças. A proposta é oferecer de oito a dez modalidades esportivas diferentes na área do Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca. Também construído para os Jogos Pan-americanos, hoje está subutilizado. Nestes dias, as piscinas, construídas há dois anos, estavam com vazamento. Agora recebem novos azulejos, pois precisam ficar prontas para uma competição.

Por que não replicar o modelo em áreas carentes do país? A questão é atuar para tirar proveito do momento que promete investimentos e ações, não só de governo, mas que também irão atrair a iniciativa privada. O economista Andre Urani, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), lembra que teremos tempo para sincronizar ações das diferentes esferas de governo, do setor privado e da sociedade civil em torno de objetivos comuns.

“É importantíssimo aproveitar a onda positiva e ter foco, centrar no que interessa. O importante é eleger prioridades assimiladas e aceitas pela população para que sejam incorporadas por anos e anos”, diz. Estudioso da cidade, Urani há anos vem batendo na tecla que o Rio precisa buscar um processo de recuperação estruturado. “Barcelona deu um show, aprendeu a costurar ações de forma concatenada e foi capaz de repetir várias outras em diferentes momentos. A loucura de todas as grandes cidades de correr atrás da Olimpíada deve-se ao fato de poderem se expor para o mundo”, pondera.

Ele lembra que a maioria das grandes metrópolis, seja o Rio, seja Londres, a sede dos jogos de 2012, enfrentou esvaziamento com a descentralização industrial, o que “deixou um rastro de destruição, com desemprego e transformando os subúrbios em desertos industriais, com aparecimento da violência”, diz ele.

Londres está se renovando. A construção da infraestrutura da Olimpíada está sendo fundamentalmente na área degradada, no sudeste da cidade. “O que quero dizer é que os jogos são uma oportunidade de reinventar a razão de ser da cidade, revocacionar para o século 21. Precisamos analisar com cuidado as experiências que mudaram cidades como a de Barcelona, Turim e a própria Londres, onde os jogos ainda não aconteceram, mas o foco está sendo preparar para uma nova realidade”, diz.

Heloisa Magalhães é chefe da Redação no Rio

E-mail: heloisa.magalhaes@valor.com.br

08/10/2009 - 09:05h “O melhor mês do Brasil, desde quando foi assinado o Tratado de Tordesilhas”

Toda Mídia

NELSON DE SÁ – FOLHA SP

nelsonsa@uol.com.br

O maior, o melhor etc.

Juan Mabromata/foreignpolicy.com

Amorim com Lula na foto que ilustra o perfil da “Foreign Policy”, que repercutia ontem por UOL e outros


No alto da home da “Foreign Policy”, foto de Celso Amorim e a chamada “The world’s greatest foreign minister” ou o maior ministro do exterior do mundo. No título do perfil de David Rothkopf, “The world’s best foreign minister”, o melhor. Abrindo o texto, “Este pode ter sido o melhor mês do Brasil desde junho do 1494, quando foi assinado o Tratado de Tordesilhas”. Acumula Lula de adjetivos, dá crédito a FHC e Dilma, mas foca o ministro mais bem sucedido do mundo, “the world’s most successful foreign minister”, Celso Amorim. “Natural de Santos” e “autor intelectual de uma transformação no papel do Brasil no mundo que é quase sem precedentes na história moderna”.

BOOM & BOLHA


ft.com

Bovespa sobe e se descola


O editor de “investimentos” do “Financial Times” postou coluna, vídeo e gráfico (acima) sobre o “Brasil em boom”, analisando a alta na Bolsa e o histórico dos investidores externos que não acertam apostas no país -citando a fuga de 2002 por “medo de Lula”, perdendo a “chance de uma vida”. Desta vez, porém, alerta que os investidores podem estar “otimistas demais”. OLÍMPICO Mas a euforia prossegue. O “Investor’s Business Daily” avalia que os Jogos são “a cereja no bolo econômico do Brasil”, que já estava em recuperação “fast track”, rápida. Até o “USA Today” fez editorial vinculando economia e os Jogos, sob o título “O crescimento olímpico do Brasil” e recordando que a expectativa era muito diferente, “quando Luiz Inacio Lula da Silva foi eleito presidente em 2002″.

O editor de “investimentos” do “Financial Times” postou coluna, vídeo e gráfico (acima) sobre o “Brasil em boom”, analisando a alta na Bolsa e o histórico dos investidores externos que não acertam apostas no país -citando a fuga de 2002 por “medo de Lula”, perdendo a “chance de uma vida”.
Desta vez, porém, alerta que os investidores podem estar “otimistas demais”.

OLÍMPICO
Mas a euforia prossegue. O “Investor’s Business Daily” avalia que os Jogos são “a cereja no bolo econômico do Brasil”, que já estava em recuperação “fast track”, rápida.
Até o “USA Today” fez editorial vinculando economia e os Jogos, sob o título “O crescimento olímpico do Brasil” e recordando que a expectativa era muito diferente, “quando Luiz Inacio Lula da Silva foi eleito presidente em 2002″.

06/10/2009 - 13:49h Rio 2016 e o choque de progresso

http://static.guim.co.uk/sys-images/Sport/Pix/pictures/2009/10/2/1254491743578/Rio-Olympics-001.jpg

ColunistaMarcelo Neri – VALOR

O Rio de Janeiro foi um engano. Deixe-me explicar, já que sou carioca da gema. Os lusitanos quando aqui aportaram em janeiro, por suposto, enxergaram a baía de Guanabara como o estuário de rio, dando o nome de Rio de Janeiro. A não ser por esse engano que parece anedota de português: a baía de Janeiro deveria ser aqui. A Baia de Todos os Santos inspirou Bahia, os grandes rios ao sul e ao norte do Brasil deram nome aos respectivos estados do Rio Grande. Aqui o lapso inicial foi eternizado no nome do estado, do município e do Grande Rio, a metrópole, perfazendo o que chamamos aqui de os “três Rios”. Por favor, não confundam com o município fluminense de Três Rios, provinciano sim, mas nem tanto.

O engano não foi só na nascente do Rio mas segue curso acima: o PDBG (Programa de Despoluição da Baia de Guanabara), é financiado pelo Banco Japonês de Desenvolvimento, nosso concorrente olímpico. Além de dinheiro, havia a mobilização popular herdada da Rio 92. Nossa pesquisa com o Instituto Trata Brasil, demonstra o entupimento da expansão da rede geral de esgoto no Rio. PDBG é um caso clássico de esgoto “enganado”. Já o Baia Azul, um similar de Salvador do PDBG, financiado pelo BID dobrou o acesso a saneamento básico entre as copas de 1998 e 2002. Se dinheiro e mobilização são precisos, boa gestão também é.

No caso dos três Rios, a má gestão, além dos problemas internos às diferentes esferas públicas, estão também na confluência delas. Octávio Amorim argumenta que sucessivos prefeitos e governadores do Rio ao almejarem a presidência do Brasil, assorearam o fluxo de financiamento federal em direção aos três Rios. O alinhamento entre os três níveis de governo, patente em Copenhague seria exceção, e não regra. A relação entre Estado e sociedade também aqui retrocedeu. Enquanto o país viveu nos últimos 10 anos um processo de formalização, os três Rios navegaram a primeira parte desse percurso na contramão. Entre 1997 e 2003 todos os indicadores de formalização dos pequenos negócios que caracterizam o tecido produtivo local caíram à metade, idem para formalização previdenciária dos trabalhadores em geral. Nesse período a conhecida malandragem local, o verdadeiro esporte local, tem como capital a renovada Lapa e como personagem símbolo mais o Mané do que propriamente o Zé Carioca. O sucesso de público e de crítica da série do jornal “O Globo” intitulada “Ilegal, e daí?” ilustra o clamor carioca contra o caos, ouvido pelos atuais governador e prefeito, e traduzido em ação nas favelas, nas ruas, campos, construções sob o codinome de choque de ordem. O termo choque de gestão foi tomado emprestado do sucesso de Minas Gerais e do Espírito Santo, digo sucesso não só pela marca administrativa mas pelo bom desempenho dos indicadores sociais, econômicos e eleitorais, alçando respectivos governadores reeleitos aos 80% de votos locais. Isso demonstra como uma gestão voltada a metas e resultados tangíveis pode pelas vias de seus diversos afluentes desaguar em um mar de sucessos.

Os três Rios lançaram seus respectivos choques de ordem, passaram ao choque de gestão mas estamos talvez ainda em meio aos meios e não nos fins; nas condições necessárias e não nas suficientes. Aí entra o sucesso da candidatura olímpica carioca que representa uma ponte do “Ilegal, e aí?” ao “Legal, e aí!”, de fazermos a travessia entre as margens, superando os percalços existentes entre os choques de ordem e de gestão, de um lado, e o choque de progresso, de outro. Podemos agora, quem sabe, aproveitar o aniversário de meio século de Brasília em 2010 para superar de uma vez por todas o saudosismo de quem foi Capital da República e Corte do Império mas ainda não desacostumou da fantasia.

Nossos Amir Klink e Torben Grael são exemplos vivos da capacidade dos habitantes dos três Rios de navegar em direção a novas metas traçadas. A escolha em 2007 do Cristo Redentor, essa milenar obra de 75 anos como uma das sete novas maravilhas da humanidade, reflete essa capacidade. Eu estava então em Machu Picchu e vi a surpresa dos peruanos com o veredito, afinal não se tratava de competição acerca de nossos inegáveis dotes naturais mas de obras humanas. Mal sabem nuestros hermanos que a grande obra humana em questão é a coesão da corrente carioca em consonância com a do resto do Brasil, em direção aos objetivos apresentados. A cada carnaval mostramos a nossa renovada capacidade de atingir desafios.

Agora como muitos podem se enganar por muito tempo, e serem iludidos por falas fáceis sobre um improvável futuro, o Centro de Políticas Sociais – CPS/FGV lança pesquisa para monitorar indicadores sociais das 27 capitais brasileiras. A nossa inovação metodológica está em abrir os microdados dos municípios das capitais da PNAD, para comparar prefeitos e suas obras. Começamos aproveitando a coincidência entre ciclos olímpicos e mandatos de prefeitos, comparando a performance de diferentes prefeitos das olimpíadas de Atlanta 1996 a Pequim 2008. Por exemplo, quem foi melhor em levantamento de pessoas da pobreza Cesar Maia II (entre Sidney 2000 e Atenas 2004) ou Cesar Maia III? Onde o salto da nova classe média citado por Lula da Silva em Copenhague foi maior? Na pequena Campo Grande ou na Grande São Paulo? O que mudou nessas cidades? Mudou por que? Queda do desemprego, aumento de salário ou nenhuma das alternativas acima? Obviamente, há que se considerar as diferenças de contexto, olhar para as diferenças de velocidades relativas entre localidades, como uma saudável corrida por melhores indicadores em diferentes períodos de tempo. Para além da PNAD 2008, trazemos dados dos últimos doze meses quando além da crise econômica em curso, houve a passagem de bastão entre alcaides. Mais do que rota fixa, o site www.fgv.br/cps/2016 é um instrumento de navegação, permitindo comparar a performance das capitais, aí incluindo as das 12 sedes da Copa de 2014.

A conquista da sede da Olimpíada de 2016 é apenas a largada de uma corrida de obstáculos por resultados palpáveis que está apenas começando, e como qualquer competição deve ser acompanhada pelo público. A Olimpíada, além de servir ao interesse global, deve produzir legado local. Do povo, pelo povo, para o povo brasileiro em geral e dos três Rios, em particular.

Marcelo Côrtes Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV, é autor de “Retratos da Deficiência”, “Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas” e “Ensaios sociais”. E-mail: mcneri@fgv.br

05/10/2009 - 10:51h Setor de transportes deve receber US$ 5,5 bilhões

Antonio Lacerda / EFE
Foto Destaque
O estádio do Engenhão, no subúrbio do Rio, abrigou o Parapan-americano em 2007 e será usado na Olímpiada de 2016 – mas a malha de transportes deve ser reforçada para levar atletas e turistas até lá



Chico Santos, Francisco Góes e Ana Paula Grabois, do Rio – VALOR

Os investimentos totais previstos pela candidatura vitoriosa do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 somam US$ 14,4 bilhões, dos quais US$ 11,1 bilhões serão destinados a obras de infraestrutura com recursos públicos e privados, embora haja ceticismo entre analistas quanto ao tamanho da participação privada. Um dos maiores desafios será expandir e aperfeiçoar o sistema de transporte de massa, hoje baseado no uso de ônibus. Mas, em paralelo, há grande otimismo nos setores de construção e de hotelaria com as perspectivas de negócios.

Só em transportes estão previstos investimentos de US$ 5,5 bilhões, incluindo ferrovias, metrô, ônibus e aeroportos. O secretário de Transportes do Estado, Julio Lopes, disse que um dos eixos da proposta do Rio é implantar faixas exclusivas de ônibus articulados. O objetivo é desenvolver duas linhas: uma da zona sul até a zona oeste e outro dali até a zona norte. Segundo Lopes, a construção da linha 4 do metrô, que ligaria bairros da zona sul (Ipanema, Leblon e Gávea) até a Barra da Tijuca, na zona oeste, não foi incluída como compromisso oficial.

“Se quis mostrar algo que fosse possível de entregar, o que nos permitiu ganhar credibilidade para a candidatura”, disse Lopes. “Mas na verdade vamos entregar mais do que o contratado, uma vez que há o compromisso do governo do Estado de fazer a linha 4 do metrô para a Copa de 2014″. A linha 4 vai exigir investimentos de cerca de R$ 3 bilhões. A estimativa é de que essa linha permita transportar mais 240 mil passageiros por dia.

Joubert Flores, diretor de relações institucionais do Metrô Rio, concessionária do sistema metroviário carioca, defendeu o projeto da linha 4 do metrô, cujo modelo de construção e operação, em estudo pelo governo do Estado, ainda não está fechado. Ele disse que a implantação de duas linhas de ônibus com faixas exclusivas só se justifica se não houver capacidade de criar a nova linha do metrô. A ideia de levar o metrô da zona sul do Rio até a Barra da Tijuca existe há mais dez anos. Agora a ideia seria mudar o traçado da linha 4, ligando-a à estação do metrô em Ipanema, a ser inaugurada em dezembro, o que garantiria quase o dobro de passageiros.

Amin Murad, presidente da Supervia, a concessionária de trens metropolitanos do Rio, disse que na proposta do Rio para os jogos estão previstos, até 2015, a compra de 120 novos trens, a reforma de outras 94 unidades e a remodelação de 89 estações. Esses investimentos vão permitir atender 1,5 milhão de passageiros por dia. Hoje o sistema de trens urbanos do Rio transporta 500 mil passageiros por dia útil.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Rio de Janeiro (Sinduscon-RJ), Roberto Kauffmann, disse que os Jogos Olímpicos deverão gerar para o setor investimentos adicionais de R$ 2 bilhões por ano até a realização do evento. Segundo cálculos da entidade que Kauffmann preside, para cada R$ 2 bilhões, 84 mil novos empregos no setor serão gerados, mas eles não serão necessariamente cumulativos, dependendo do tempo de execução de cada projeto. Kauffmann disse que R$ 2 bilhões por ano representarão aproximadamente de 25% a 30% do que o Estado do Rio de Janeiro receberá este ano em investimentos na construção com recursos da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), calculados em cerca de R$ 7,5 bilhões (cerca de 15% dos R$ 50 bilhões que serão investidos, segundo ele, em todo o Brasil).

Para o presidente do Sindicato Nacional da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando Reis, a herança do Pan-Americano de 2007 em termos de equipamentos esportivos, somada ao que será feito para a Copa do Mundo de 2014 vai fazer com que a maior parte dos investimentos em construção para 2016 seja em obras de infraestrutura. “Será a última oportunidade de se fazer uma grande reforma urbana no Rio de janeiro”, disse. Para ele, obras como uma linha do Metrô da zona sul à Barra da Tijuca (zona oeste), a despoluição da Baía de Guanabara e a revitalização do porto tornam-se “obrigatórias”.

A Olimpíada de 2016 no Rio vai fomentar investimentos da ordem de R$ 3 bilhões somente na criação de novas unidades hoteleiras, segundo o diretor da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (Abih), Alexandre Sampaio.

Segundo estimativa da organização da Olímpiada, há a necessidade de 12 mil novos hoteis para suprir a demanda de turistas na cidade durante os jogos. Atualmente, a cidade do Rio de janeiro possui 32 mil.

Até 2016, o setor pretende ofertar entre 8 mil e 10 mil novas unidades em hotéis e entre 3 mil e 5 mil quartos em navios de luxo. Sampaio cita que 11 empreendimentos parados atualmente por problemas de contrato, de crédito ou judiciais, poderiam ajudar a criar nova oferta. É o caso do Hotel Nacional, fechado desde os anos 1990 e cujo leilão deve ocorrer novamente em novembro.

“A prefeitura, que havia obstruído o leilão anterior, vai abrir mão do IPTU atrasado”, disse o diretor da Abih. Ele avalia que o planejamento da expansão hoteleira deve ser coordenada com a atração de grandes eventos culturais ou esportivos para que os hotéis não fiquem vazios após a realização dos jogos. “A hotelaria está preocupada em não haver demanda para depois. Precisamos de um calendário de eventos mensais”, disse Sampaio.

O setor já conversa com o BNDES para modificar algumas regras de financiamento, como o alongamento do prazo de financiamento e o pagamento do crédito de acordo com a sazonalidade da ocupação. O setor negocia com o banco um crédito de R$ 5 bilhões para a construção de hotéis em todo o país. O valor equivale a 80% do investimento previsto em termos nacionais, mas Sampaio projeta que 50% do crédito será usado em empreendimentos cariocas. A rede Windsor, com nove hoteis na cidade, planeja mais cinco.

04/10/2009 - 11:21h The Observer: Com Rio 2016, país do futuro vive o presente

“O renascimento incipiente do Rio espelha o boom nacional que, nas expectativas do governo brasileiro, deve transformar o país em uma das potências políticas, econômicas e petrolíferas mundiais”, diz o Observer

http://www.maisacao.net/blog/wp-content/uploads/2007/07/rio-2016.jpg

Portal O Globo – BBC

A escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 é “a última prova de que para o Brasil, um dos países mais glamurosos e carismáticos do mundo, os bons tempos estão começando”, de acordo com uma elogiosa reportagem publicada neste domingo pelo semanário britânico The Observer.

“Tão frequentemente descritos como pertencentes a um ‘país do futuro’, os brasileiros viram-se vivendo o presente neste fim de semana”, escreveu o correspondente Tom Phillips, do Rio de Janeiro.

A reportagem do Observer destaca a importância da escolha do Rio para todo o Brasil, mas principalmente para a própria Cidade Maravilhosa, “após anos de abandono e violência urbana”.

O jornal afirma que os investimentos estão voltando ao Rio, que estaria vivendo um “boom econômico e cultural que já levou à recuperação de áreas dilapidadas do centro da cidade”.

A reportagem também destaca a importância dos Jogos Olímpicos do Rio para a auto-estima dos brasileiros, citando palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

“O Brasil saiu do patamar de país de segunda classe e entrou no patamar de país de primeira classe.”

Governo Lula

O jornal elogia ainda a situação privilegiada do Brasil, após meses de crise econômica mundial, destacando o crescimento nas exportações do país, o aumento no preço de commodities e as políticas sociais do governo Lula, “que ajudaram milhões de brasileiros pobres a deixar a pobreza desde que o líder de esquerda assumiu o poder”.

“O renascimento incipiente do Rio espelha o boom nacional que, nas expectativas do governo brasileiro, deve transformar o país em uma das potências políticas, econômicas e petrolíferas mundiais”, diz o Observer.

“Em 2007, a sua fortuna recebeu um potencial forte empurrão com o descobrimento de enormes reservas de petróleo na costa, que podem ajudar a tornar o país um peso ainda mais pesado no cenário internacional.”

O jornal britânico vai mais longe ao ressaltar a crescente força da diplomacia brasileira, afirmando que como integrante do G20, “que ofuscou o G8″, o Brasil “está começando a mostrar os seus músculos”.

O semanário também credita a virada na política diplomática brasileira ao governo Lula, “que abriu o caminho para vários presidentes sul-americanos cada vez mais influentes, que estão ajudando a pôr o chamado ‘continente esquecido’ no mapa”.

No entanto, a reportagem lembra que em meio à crescente importância econômica, política e ambiental, “o Brasil ainda tem vastos exércitos de pobres.”

“O país ainda tem um dos níveis de desigualdade mais altos do planeta, com os 10% mais ricos em posse de metade da renda do país, enquanto menos de 1% dela pinga para os 10% mais pobres”, afirma o Observer.

04/10/2009 - 11:12h “Visão de novo Brasil ajudou a eleger o Rio”

http://www.latribune.fr/img/29-1142247-150x9999-0/lula-admet-avoir-verse-une-larme-apres-l-attribution-des-jo-2016-a-rio-de-janeiro.jpgMercado Aberto

MARIA CRISTINA FRIAS – FOLHA SP

cristina.frias@uol.com.br

O clima de animação com a escolha do Rio de Janeiro para ser a sede da Olimpíada em 2016 se disseminou pela comitiva brasileira, em Copenhague. O presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, contou, da Dinamarca, que a apresentação “impecável” do país e “a visão, na economia, de um novo Brasil” foram os pilares da vitória da candidatura da cidade.
“Me impressionou, como cidadão brasileiro, naquele ambiente de pesos pesados internacionais, a afirmação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de que o Brasil será a quinta economia do mundo em 2016″, disse Trabuco.
“Deu orgulho. Foi surpreendente o impacto positivo. É evidente que ele está certo”, acrescentou o presidente do Bradesco, que participou da reunião do Comitê Olímpico Internacional.
Para Trabuco, o país tem uma agenda a cumprir. “Devemos nos preparar para um novo mercado, com mais consumidores, mobilidade social e muitos investimentos”, afirma.

Leia a integra da coluna Mercado Aberto na Folha SP

03/10/2009 - 15:19h La défaite de Chicago signe le premier échec d’Obama

Barack Obama lors de la présentation des dossiers pour l'obtention des JO 2016.
AP/MATT DUNHAM – Barack Obama lors de la présentation des dossiers pour l’obtention des JO 2016.

Le Monde

Une “humiliation” ! Bruce Levin, commentateur sur ESPN, le groupe télévisuel américain spécialisé dans le sport, n’a pas même attendu le verdict final. On savait déjà Chicago évincée dès le premier tour de scrutin du Comité olympique international (CIO), le 2 octobre à Copenhague (Danemark), pour désigner la ville organisatrice des Jeux de 2016. M. Levin n’a pas précisé qui, à ses yeux, était humilié : Barack Obama ? Le couple présidentiel, Michèle s’étant plus démenée encore que son époux ? La ville de Chicago ? Les Etats-Unis tout entiers ? Chacun ressentait ce verdict d’humiliation comme il l’entendait. Tous avaient quelque chose à perdre, tous y ont un peu perdu quelque chose.

Ah, si Chicago était au moins parvenu en finale, au troisième tour de scrutin. En cas d’affrontement avec Rio de Janeiro, la ville américaine aurait vraisemblablement perdu. La carte maîtresse du président brésilien Lula était trop forte : les Jeux n’ont encore jamais eu lieu en Amérique latine. Mais M. Obama aurait eu la défaite brillante. On l’imaginait déjà, lançant “Il n’y a qu’un seul vainqueur, le continent américain”, etc. Mais être éliminée dès le premier tour : cela paraissait impensable pour Chicago.

Au-delà du sentiment d’humiliation, c’est d’abord l’incompréhension qui a dominé les Américains, comme chaque fois que leur pays est confronté à “l’impuissance de la puissance”, selon l’expression du politologue Bertrand Badie. Lorsque Jacques Rogge, le président du CIO, a annoncé l’éviction de Chicago, ses habitants, agglutinés par milliers devant le grand écran du Daley Center, en sont restés tétanisés. M. Obama, disait Larry Kajmowicz, un commerçant local, à Associated Press (AP), “a quand même un peu perdu la face”.

Forcing de dernière minute

L’agence AP résume ainsi le danger qui le guette désormais dans l’opinion. “Il veut trop faire en même temps”. Résultat : “il tente beaucoup mais réussit peu”. Son conseiller, David Axelrod, a relativisé, refusant de voir dans cet événement “un camouflet” vis-à-vis du président et de la First Lady. Barack Obama avait montré l’estime qu’il porte au CIO en repartant peu après son discours, sans attendre le vote. Il a appris le verdict dans l’Air Force One qui le ramenait chez lui. Il s’est alors dit “déçu”. A l’arrivée, il a jugé qu’ainsi va le sport : on peut “très bien jouer et ne pas gagner”. Il semblait déjà passé à l’ordre du jour.

Ce n’est pas le cas des médias. La plupart se montrent cruels. Le New York Times : “Le président n’a pas seulement échoué pour la médaille d’or, il n’a même pas eu l’argent ou le bronze”. L’agence AP : “C’est une défaite embarrassante. (…) Obama entend déjà le bruissement de la rumeur qui monte : décidément, il est meilleur pour parler que pour faire, il est plus une célébrité qu’un homme d’Etat.” L’effarement passé est venu le temps des hypothèses. Faire venir M. Obama, qui était très réticent, pour ensuite lui faire subir cet affront : le CIO est décidément très fort, entendait-on. D’autres commentateurs jugeaient que l’on ne peut espérer le séduire par un forcing de dernière minute. La venue de son épouse à sa place fut quasiment une “faute de goût”. Le CIO, même un peu “rénové”, reste un groupe de notables vieux jeu, imbus de leur importance et qu’il faut séduire. Un cénacle sensible aux enjeux de pouvoir, qui à la notoriété et ses avantages, qui d’autre encore à des avantages plus prosaïques. Le “convaincre” se travaille durant de longs mois.

Ceux qui ont de la mémoire donnent une autre explication aux récents échecs des candidatures américaines devant le CIO. Car avant Chicago, New York avait déjà été vite éjectée, il y a quatre ans, de la course à l’organisation des Jeux de 2012. Or n’est-ce pas le Congrès américain qui, en 1999, avait obligé son vieux président d’alors, l’espagnol Juan Antonio Samaranch, à se contorsionner devant ses élus et les caméras du pays et promettre que, plus jamais, le CIO ne couvrirait des faits de corruption tels que ceux que les enquêteurs américains avaient mis au jour ? M. Samaranch avait coupé les têtes de quelques vieux compagnons pour se faire pardonner des Américains.

Depuis, une bisbille à caractère financier a pourri les relations entre le CIO et sa section états-unienne (l’USOC), s’ajoutant à l’hostilité aux Etats-Unis née il y a dix ans au CIO. Gerhard Heiberg, un membre norvégien, a donné cette explication du scrutin : “Beaucoup d’entre nous étaient décidés à ne pas voter Chicago, quoi qu’il arrive”. Lorsque, lundi dernier, Barack Obama avait opté pour le déplacement à Copenhague, de nombreux élus républicains avaient fustigé un président qui abandonne son pays pour une vétille au moment où tant d’urgences sont à régler. Hier soir, les mêmes venaient sur Fox se gausser de son échec, “une défaite de l’Amérique”. Sale journée.

Sylvain Cypel (New York, correspondant)

03/10/2009 - 12:13h NOSSA ALMA CANTA!

Blog do Companheiro Delúbio

Homenagem a uma das mais belas cidades do mundo, orgulho do Brasil e amor de cada brasileiro.

Esse acontecimento esportivo será um marco na história do Brasil e a sua conquista é fruto do esforço de todo um povo e de seu líder.

Parabéns aos cariocas pela energia e vibração, ao Presidente Lula por seu trabalho incessante e competente, e a todos os que lutaram para que o Rio de Janeiro pudesse sediar as Olimpíadas de 2016. Fonte Delúbio Soares


Maestro Tom Jobim canta Samba do Avião com Danilo Caymmi e Banda Nova.


03/10/2009 - 11:12h Um projeto a altura do desafio

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Projeto ambicioso e caro para celebrar o momento histórico

Serão 33 instalações para as disputas (10 já estão prontas e 8 vão passar por reformas ) US$ 508 milhões serão destinados para equipamentos esportivos.  O custo total deve ficar em torno de R$ 30 bilhões

Bruno Lousada – O Estado SP


O projeto do Rio para os Jogos de 2016 é ambicioso e caro. A Olimpíada contará com 33 instalações, dez já prontas. Oito vão passar por reformas, 11 serão construídas e quatro estruturas serão temporárias. O comitê Rio-2016 estima gastar com equipamentos cerca de US$ 508 milhões (em torno de R$ 900 milhões). O custo total deve superar R$ 30 bilhões.

A exemplo do Pan-Americano de 2007, a Barra da Tijuca, na zona oeste, será o “coração” dos Jogos Olímpicos. O bairro vai concentrar 56% das instalações e abrigará 20 modalidades. Vão ficar lá o Parque Olímpico, a Vila Olímpica, as duas Vilas de Mídia, o Centro Principal de Imprensa (MPC), o Centro Internacional de Rádio e Televisão e o hotel oficial do Comitê Olímpico Internacional.

Segundo o Comitê, todas as competições serão realizadas dentro dos limites urbanos da cidade. Assim, o tempo de deslocamento da Vila Olímpica para os locais de disputa deve levar de 5 a 10 minutos para 50% das instalações e de no máximo 30 minutos para 80% dos equipamentos.

“O projeto Rio-2016 está sendo lançado com mais da metade das instalações esportivas testadas e utilizadas nos Jogos Pan-Americanos Rio 2007″, disse o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. Depois do Pan, alguns equipamentos ficaram às moscas.

Esportes aquáticos

O estádio vai abrigar competições de natação e nado sincronizado. A instalação será construída no Núcleo do Parque Olímpico do Rio, com 18 mil assentos temporários em uma estrutura permanente

Vila Olímpica

A Vila Olímpica contará com 32 prédios de 12 andares e capacidade para 17.700 leitos. Metade dos atletas alojados no local estarão a menos de 10 minutos, a pé, de seus centros de competição

Parque Olímpico do Rio

O Parque Olímpico vai abrigar competições de ginástica, ciclismo, desportos aquáticos, basquete, judô, taekwondo, lutas, handebol, hóquei e tênis. Vai ser erguido no Autódromo de Jacarepaguá

Estádio do Maracanã

Inaugurado em 1950, o Maracanã vai receber partidas de futebol e a cerimônia de abertura e de encerramento da Olimpíada. O estádio vai passar por reforma para a Copa de 2014

Arena de Copacabana

Erguida na areia da Praia de Copacabana, a Arena vai receber jogos de vôlei de praia masculino e feminino na Olimpíada de 2016. A instalação temporária ficará próxima ao Hotel Copacabana Palace

Estádio de Remo

O Estádio de Remo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, vai receber 26 modalidades de remo e canoagem. Contará com deque de madeira e arquibancada móvel para aumentar a capacidade de público

Centro Olímpico de Tênis

O equipamento vai ser erguido para receber competições de tênis nos Jogos de 2016. Dezesseis quadras serão construídas numa área de 10 hectares. Arquibancadas temporárias vão ser utilizadas

03/10/2009 - 10:50h Lula no Olimpo

Até a sexta-feira, só existiam 12 deuses olímpicos. Agora, vão ter que abrir a vaga para o “cara”

Leonardo Attuch – ISTOÉ

attuch@istoe.com.br

Zeus, Hera, Poseidon, Hades, Atena, Apolo, Ártemis, Afrodite, Ares, Hefesto, Hermes e Dionísio. Até a última sexta-feira, existiam apenas 12 deuses no Monte Olimpo. Havia quem cuidasse dos mares, dos céus, das guerras, do amor, do fogo e até mesmo do vinho.

Depois da última reunião do Comitê Olímpico Internacional, em Copenhague, na Dinamarca, vão ter que abrir mais uma vaga. E o dono é ele mesmo: o “sapo barbudo”, o “cara”. Luiz Inácio Lula da Silva, que se elegeu presidente do Brasil com o 13 do PT, um número de azar para alguns, será definitivamente o 13o morador da mansão de cristais, situada no topo de uma montanha de 2.919 metros, que serve de abrigo para os deuses.

Sua primeira tarefa na nova função será escolher um epíteto. Não poderá ser o deus da metalurgia, porque esse papel já é de Hefesto. Deus do teatro também não – o titular é Dionísio. A divindade da lua, ou dos homens virados para ela, é Ártemis. Portanto, ele terá que optar por algo novo. Talvez, o deus dos desvalidos, dos desacreditados, dos pigmeus. Dos emergentes, enfim. E se a escolha da sede dos Jogos Olímpicos é também um evento geopolítico, a disputa de Copenhague foi a mais simbólica de todas. O embate real travado na Dinamarca se dava entre a velha e a nova ordem mundial.

Na disputa, o primeiro a dançar foi Barack Obama, presidente da nação que gerou a crise econômica global – Chicago estava fora. Depois, foi a vez de Yukio Hatoyama, primeiro-ministro do Japão, cujo modelo exportador vem sendo colocado em xeque – bye, bye, Tóquio. Por último, eliminou-se Madri, capital do país que tem o maior desemprego da Europa e onde a bolha imobiliária causou mais estragos.

Sobrou, enfim, o candidato da “marolinha”. Ainda haverá muita gente dizendo que o Brasil não terá capacidade para organizar uma Copa do Mundo em 2014 e uma Olimpíada apenas dois anos depois. Outros dirão que as obras serão superfaturadas. Mas os megaeventos esportivos são hoje os grandes indutores do desenvolvimento econômico – o que se estima para o Rio, além do pacote de US$ 14,4 bilhões, são investimentos que podem superar a cifra de R$ 50 bilhões.

Até recentemente, os brasileiros padeciam do complexo nelsonrodriguiano de vira-latas. Mas o mundo mudou. Os antigos donos do canil foram desalojados e os cães abandonados começaram a latir. Lula venceu. Pode até começar a programar um baile funk no morro, o Monte Olimpo. Levando as cachorras, é claro.

02/10/2009 - 22:08h É isso aí!

Foi maravilhoso, assisti a tudo, foi lindo. Estamos na crista da onda, somos a bola da vez.

Viva o Brasil e o povo do Brasil!

Rafael J.

02/10/2009 - 19:15h Rio deve vitória a empenho de Lula e a economia forte


Charles Dharapak/AP
Lula, Pelé, Nuzman e comitiva comemoram a vitória brasileira com muitos abraços, choro e gritos

olimpiada_Lula_chora

olimpiada_praia

Felipe Dana/AP


KAROLOS GROHMANN – REUTERS – Agencia Estado

COPENHAGUE – O Rio de Janeiro, que era o grande azarão da disputa há um ano, tornou-se na sexta-feira a primeira cidade sul-americana a receber o direito de realizar uma Olimpíada, a de 2016, graças à eloquência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do recém-adquirido poderio econômico do Brasil.

Há um ano, era improvável que o Rio fosse o vencedor. As candidaturas fracas para 2004 e 2012 haviam levado a uma eliminação rápida, e a cidade brasileira parecia fadada ao fracasso novamente –tanto que ficou apenas em quinto lugar no relatório técnico do Comitê Olímpico Internacional (COI) no ano passado.

Os favoritos Chicago, Madri e Tóquio todos se saíram melhor –e até Doha, no Catar, teve uma avaliação mais positiva.

Mas o COI acabou dando ao Rio um questionável quarto lugar entre as finalistas, com direito de levar a candidatura à votação de sexta-feira em Copenhague.

“Aprendemos com aquelas candidaturas frustradas. Eu disse ao presidente (do COI) Jacques Rogge um dia depois da derrota (para os Jogos de 2012) que voltaríamos”. disse o chefe da candidatura e do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, depois da vitória de sexta-feira.

Dúvidas a respeito da segurança pública e do financiamento para um evento como a Olimpíada –maior competição pluriesportiva do mundo– atingiram seu auge depois dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Para os organizadores, o evento regional foi um sucesso, mas críticos insistiram que foi um desastre.

Em junho deste ano, porém, a situação já havia mudado. A recessão global havia afetado mais duramente outros países –inclusive Estados Unidos, Japão e Espanha– do que o Brasil.

FATOR MEIRELLES

Naquele mês, numa apresentação na sede do COI em Lausane (Suíça), a candidatura carioca ganhou um reforço de peso –o apoio do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que assegurou aos membros do comitê que a economia brasileira havia resistido bem à crise do crédito global e estava crescendo.

Pela primeira vez, a possibilidade de que o Rio poderia arcar com o ônus financeiro de realizar os Jogos foi levada a sério. Ao mesmo tempo, o Banco Mundial previa que o Brasil se tornará a quinta maior economia do mundo até 2016.

Enquanto isso, o orçamento para a candidatura de Chicago, todo oriundo da iniciativa privada, virava fonte de preocupação para os dirigentes olímpicos, e as polêmicas entre o COI e o Comitê Olímpico dos EUA cobravam seu preço.

Tóquio parecia ter pouco fôlego, e a candidatura de Madri, que também havia sido derrotada em 2012, tampouco decolava.

O sólido apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo de toda a campanha e seu entusiasmado apoio à candidatura em todos os eventos internacionais ao qual ele comparecia reforçaram a percepção de que desta vez o Rio estava preparado.

Lula e Meirelles reforçaram a dose na sexta-feira diante do COI, quando o Rio realizou uma apresentação absolutamente convincente.

Nem a presença em Copenhague de Barack Obama, primeiro presidente em exercício dos EUA a participar de uma sessão do COI, bastou para impedir a vitória carioca.

“Tenho relações especiais com o presidente Obama. Mas eu disse a ele: ‘Se você não for, eu vou e nós vamos ganhar’. Eu disse a ele e aí ele veio”, afirmou Lula.

E foi assim que esse ex-metalúrgico, ainda altamente popular apesar de já estar na metade final do seu segundo mandato, pôde derramar lágrimas de alegria quando, na última rodada de votação do COI, o Rio derrotou Madri pela expressiva margem de 66 votos a 32.

02/10/2009 - 14:47h Parabens Brasil, Sim, podemos!

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02/09/2009 - 15:36h Lula ou Obama? Apoio presidencial pode definir sede olímpica

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Roger Thurow, The Wall Street Journal, de Chicago – VALOR

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Depois de gastar US$ 50 milhões para promover Chicago e percorrer o mundo para confraternizar com os potentados esportivos do planeta, os organizadores da campanha da cidade americana para sediar a Olimpíada de 2016 estão ansiosos em relação a um último detalhe: será que o primeiro cidadão de Chicago, o presidente Barack Obama, vai viajar à Europa no mês que vem para a tentativa final de convencer o Comitê Olímpico Internacional?

Embora os méritos técnicos de uma candidatura olímpica – o tráfego ao redor do estádio que abriga a cerimônia de abertura, a textura da areia para o vôlei de praia, as correntes de ar-condicionado no ginásio do tênis de mesa – possam ser mais importantes para uma organização bem-sucedida dos jogos, a campanha pessoal dos chefes de Estado se tornou crucial para se conseguir de fato o evento.

Depois que um escândalo de corrupção balançou o COI anos atrás, a prática antiga das cidades candidatas de cobrir a centena de membros do comitê com presentes foi proibida. Agora é a adulação que vale mais.

Na escolha da Olimpíada de 2012, o primeiro-ministro Tony Blair foi mais persuasivo que o presidente francês Jacques Chirac, e Londres bateu Paris. O lobby pessoal de Vladimir Putin ajudou a garantir os Jogos de Inverno de 2014 à obscura cidade russa de Sochi, em detrimento de Salzburgo, na Áustria, o conhecido berço de Mozart e da “Noviça Rebelde”.

“É importante para o COI (…) que você lhes dê o respeito”, diz John Bitove, um empresário canadense que comandou a fracassada campanha de Toronto para 2008, vencida por Pequim.

As rivais de Chicago já anunciaram que seus líderes estarão em Copenhague para a escolha, em 2 de outubro: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em favor do Rio, o rei Juan Carlos para Madri e o príncipe e a princesa do Japão para Tóquio. O prefeito Richard Daley tem sido o principal promotor da candidatura de Chicago, mas a cidade espera que Obama compareça. A Casa Branca informa que nenhuma decisão foi tomada.

A votação quatro anos atrás para a Olimpíada de 2012 estabeleceu o precedente para o confronto de estadistas. Nas semanas que antecederam a decisão, Paris era considerada a favorita, à frente de Londres e Nova York. Mas Blair chegou à sessão final do COI três dias antes e se encontrou com uma multidão de membros do comitê. Chirac chegou tarde. O presidente americano George W. Bush, preocupado com a guerra no Iraque, nem apareceu.

Londres ganhou de Paris por quatro votos. Nova York foi eliminada numa rodada anterior. O voto é secreto, mas uma série de membros do COI disse depois que o lobby de Blair foi provavelmente decisivo.

Chirac também pode ter perdido votos quando, na companhia de outros líderes, ironizou a culinária britânica: “Depois da Finlândia”, disse, “é o país com a pior comida.” A Finlândia tinha dois membros no COI durante aquela eleição – talvez os votos que tenham feito Londres ganhar.

A língua solta também pode ter derrubado Toronto. A cidade era considerada forte candidata para 2008, até que seu prefeito disse, antes de uma viagem à África, que temia acabar num caldeirão de água fervente, cercado por índios. Em vez disso, ele foi provavelmente queimado pelos membros africanos do COI, que muitas vezes dão votos decisivos na escolha das sedes já que o continente raramente apresenta uma candidatura.

O comitê de avaliação das candidaturas a 2016 deve divulgar seu relatório técnico sobre os méritos de cada uma das quatro finalistas hoje. Especialistas acreditam que a geografia reduziu a disputa a Chicago e Rio. O COI gosta de fazer uma rotação de continentes, de modo que os últimos jogos em Pequim são vistos como desvantagem para Tóquio. O fato de a Europa sediar em 2012, com Londres, é considerado um ponto contra Madri.

Os EUA não sediam os jogos desde 1996, em Atlanta. A América do Sul nunca foi sede.

Em discursos em vídeo para recentes reuniões de membros do COI, tanto Obama quanto Lula os exortaram a fazer história com seus votos.

A delegação do Rio estudou os poderes persuasivos de Obama durante sua campanha eleitoral e afirma que vai moldar sua candidatura olímpica com ecos do slogan favorito do presidente americano. Carlos Roberto Osório, o secretário-geral do comitê da candidatura Rio 2016, diz: “Representamos a esperança, a mudança, o ‘Sim, nós podemos’.”

12/08/2008 - 10:12h JUDÔ: Tiago Camilo conquista outra medalha

Judô ganha terceiro bronze do Brasil

Tiago Camilo vence o japonês Takashi Ono - Reuters

Com a medalha de Tiago Camilo, judô passa a ser o esporte brasileiro com maior número de medalhas na história das Olimpíadas

12/08/2008 - 10:06h JUDÔ: Ketleyn, uma heroína

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Judoca brasiliense foi matriculada na natação, mas espiava, com curiosidade, as aulas no tatame do Sesi de Ceilândia.

Família lembra os momentos difíceis e a determinação da menina para treinar

 


Marcelo Abreu – Correio braziliense

 

 

Fotos: Cadu Gomes/CB/D.A Press

A avó Marilda, 80 anos:
“Tinha dia que a gente não tinha dinheiro para pagar a passagem”

 

 

 

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Faixa na casa da judoca, em Ceilândia,
que se tornou visita obrigatória para amigos e vizinhos:
a gritaria na hora da medalha contagiou os moradores da rua

 

 

O humilde salão de beleza — com duas cadeiras e dois espelhos, montado na garagem da casa em reforma, em Ceilândia — está fechado há uma semana. A dona, Rosemary Oliveira Lima, de 42 anos, três filhas, separada, não está. Viajou para outro continente. Nunca, em toda a vida, pensou chegar tão longe. Na verdade, o lugar mais longe em que estivera havia sido no Piauí.

Na tarde de ontem, do outro lado do mundo, ela gritou como nunca. Quase não agüentou. Desesperou-se. Depois, chorou. Pensou que vivia um sonho. Na verdade, tudo era um sonho. Até estar ali. Muito longe do Ginásio da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pequim, onde a dona do salão gritava e chorava de alegria, a vizinhança invadiu a casa humilde. E a gritaria era uma só.

Era verdade. A filha da dona do salão havia ganhado a luta. A brasiliense Ketleyn Lima Quadros, judoca de 20 anos, acabara de conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim. Derrotou a australiana Maria Pekli. Tornou-se, em todos os tempos, a primeira atleta brasileira a subir ao pódio em uma prova individual. Naquela casa do conjunto H da QNM 17 de Ceilândia Sul, uma faixa pendurada no alto avisava: “Minha filha Ketleyn Quadros está nas Olimpíadas de Pequim 2008”. Lá dentro, a gritaria ecoava. Tomou conta da rua. E ainda era madrugada.

Marilda José de Oliveira, de 80 anos, avó de Ketleyn, não pregou os olhos. “Meu Deus, minha Nossa Senhora, foi impressionante”, ela dizia, com forte sotaque mineirinho, ainda em estado de choque. Ex-doméstica, era Marilda quem levava a neta para os treinos, no Sesi de Ceilândia. Aos 7 anos, a menina danada começou a treinar judô. “As dificuldades foram muitas. Tinha dia que a gente não tinha dinheiro para pagar a passagem de ônibus. E hoje ver a minha neta chegar tão longe é a melhor recompensa da vida”, extasia-se a avó. E o coração? “Tem que agüentar, uai! Tem que ficar firme”. Com os olhos marejados, confessa: “Tô louca para dar um abraço nela”.

Em Pequim, Ketleyn subia ao pódio. Em Ceilândia, o povo — amigos, parentes e vizinhos — começou a invadir a casa da medalhista olímpica. As duas irmãs, Aline, de 14 anos, e Maria Eduarda, 1, vibraram como se elas fossem as vitoriosas. A menorzinha acordou com a confusão dentro de casa. Logo nas primeiras horas da manhã, o tititi estava formado. Havia quem, ao passar pela rua e ver a faixa pregada no alto, dizia: “É aí que ela mora!” Outros, incrédulos, duvidavam: “Será mesmo?”

E a romaria de curiosos só aumentava. Reginalda Soares, 33 anos, dona do mercadinho da quadra, levou o filho Wallace, 8, para conhecer as medalhas e os troféus de Ketleyn — expostos como santuário na varanda da casa. Ali, a família colocou todas as conquistas da menina que sonhou vencer. “Trouxe ele aqui para ver se toma isso como exemplo”, explicou.

A família mandou confeccionar, com o dinheirinho suado de cada um, 19 camisetas verdes com a foto de Ketleyn. E a mensagem: “Lutar sempre, cair talvez, desistir jamais”. Cada uma custou R$ 20. Sobrou para o tio da atleta, José Milton Oliveira Lima, 47, que deu o cheque com o valor total. “Espero que todos me paguem”, ele brinca. Depois, comovido, agradece a Deus pela conquista da sobrinha: “É o resultado de toda a luta, da força de vontade e da persistência de Catarina (é assim que o ele a chama, na intimidade)”.

Brigona na rua
E foi assim, com essa persistência, que tudo começou na vida de Ketleyn. Aos 7 anos, uma professora da Escola Classe de Ceilândia, onde a menina estudava, chamou a mãe. E a aconselhou que colocasse a filha numa atividade física. Ketleyn era hiperativa. Gostava de andar de patins, skate, jogava futebol, vôlei e handebol. “Ela nunca gostou de brincar de bonecas”, conta a tia, Roselene Lima, 40, que trabalha nos Correios como carteira.

Ketleyn tinha energia demais e precisava extravasá-la. Rosemery tremeu. Nunca antes ouvira falar em hiperatividade. Chegou até a pensar que a filha fosse diferente. Teria que tomar remédio? Era apenas uma criança normal que precisava ser orientada para usar tanto talento e disposição. A cabeleireira, que trabalhava fora, faltou ao trabalho. Foi atrás de uma vaga para a menina em algum lugar.

Parou no Sesi, de Ceilândia. E logo Ketleyn foi matriculada na natação. Mas quem a levaria para as aulas? A missão coube a Marilda, a avó. Cheia de energia, a danada Ketleyn saía da piscina e ficava olhando os treinos de judô. Espiava com o olho comprido. Queria muito estar ali, naquele tatame. Um dia, o professor Éder Marques da Silva, hoje com 45 anos, chamou a menina para treinar. Ela não pensou duas vezes.

Esqueceu a natação e, ainda aos 7 anos, começava com o esporte que mudaria sua vida para sempre e a consagraria. “Ela, por ser muito danada, gostava de brigar na rua. Com o judô, nunca mais brigou”, lembra Éder, o primeiro técnico. Logo, ganhou sua primeira medalha, em competição infantil. Era de prata. “Ela sempre teve raça”, ele diz, comovido. E continua: “Vê-la hoje (ontem) ganhando uma medalha nas Olimpíadas é sentir o que eu mesmo não consegui. É minha realização. Toda vez que ela volta a Brasília, ela vem aqui. A Ketleyn não se esqueceu da gente”.

O talento da menina logo começou a ser notado. Vieram as competições e as primeiras conquistas. Em 2000, aos 12 anos, ela saiu do Sesi e foi treinar no Espaço Marques Guiness, em Taguatinga. E mais uma vez a mãe cabeleireira se desdobrou para que ela nunca deixasse de ir aos treinos por não ter o dinheiro da passagem do ônibus. “A determinação da Katleyn sempre me impressionou”, admira-se o segundo treinador, Robert Marques, 31. Em 2006, por falta de patrocínio em Brasília, a atleta mudou-se para Minas Gerais. Passou a integrar a equipe do Minas, de Belo Horizonte. E nunca mais parou de competir. Vieram as conquistas nacionais e internacionais. E o sonho das Olimpíadas só aumentava. No próprio Minas, arrumou até um namorado. O rapaz é da equipe de futsal do clube.

Suor e lágrimas
Na madrugada de ontem, o sonho virou realidade. Estava lá, para o mundo ver. Rosemary também quis ver de perto. Chegou à China graças a um mutirão de solidariedade alheia. Patrocínio — de um supermercado, um comércio, de uma faculdade e até de uma farmácia — garantiu a ida da cabeleireira aos Jogos Olímpicos de Pequim. Na manhã insone de ontem, Aline, a irmã de 14 anos, definiu a medalhista: “Ela é uma batalhadora”. João Lima, 44, o tio, revela: “Ela é luz, irradia energia. Tinha certeza que conseguiria uma medalha. E fez isso com muito suor e muita lágrima, mesmo que digam (alguns setores da imprensa a chamam assim pela forma aparentemente fria com que enfrenta as adversárias ) que ela é mulher de gelo. É só aparência. Ketleyn é apenas uma menina e tem uma sensibilidade muito grande”.

A parentada toda, de todos os cantos do Distrito Federal — Taguatinga P Sul, M Norte, Luziânia, Brazlândia, Águas Lindas — lotou a casa humilde da atleta. Marilda, a avó, perdeu a fome. “Uai, como é que a gente come numa hora dessas?” Na madrugada de ontem, Maria Eduarda, a irmãzinha de 1 ano, tocou o rosto de Ketleyn quando ela apareceu na televisão. Bateu palma. Quis beijá-la. Os parentes e amigos também correram para perto da imagem. Queriam abraçá-la. E chamá-la de campeã, heroína, vitoriosa, inacreditável. Como é longe a Ceilândia de Pequim…

11/08/2008 - 22:29h Judô faz história com Ketleyn Quadros


 

Foto Ivo Gonzalez / Agência Globo

A judoca brasileira Ketleyn Quadros (azul) ganha a austríaca M Pekli, e conquista a medalha de bronze nos Jogos Olimpícos de Pequim. Ela tornou-se a primeira mulher brasileira a conquistar medalha em esporte individual.

09/08/2008 - 14:53h Olimpíadas: Lula ‘aumenta temperatura’ na briga por 2016, diz jornal

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Jonne Roriz/AEO

ginasta brasileiro Diego Hypólito executa exercício durante competição de Ginástica Artística masculina
no Estádio Nacional Indoor, em Pequim, na China. 09/08/2008

Reportagem do ‘Chicago Tribune’ fala da disputa entre Rio, Chicago, Madri e Tóquio para sediar a Olimpíada

BBC Brasil – Estado.com

PEQUIM – Uma reportagem publicada neste sábado pelo jornal americano Chicago Tribune afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “aumentou a temperatura” na disputa para sediar a Olimpíada de 2016. O jornal é baseado em Chicago, que disputa com Rio de Janeiro, Madri e Tóquio pelos Jogos de 2016.

“Sentado na modesta biblioteca dentro das paredes amarelo cor-do-sol da embaixada da sua nação, Lula aumentou a temperatura na sexta-feira na corrida com Chicago e outras duas cidades para sediar as Olimpíadas de 2016.” O jornal afirma que Lula se tornou o primeiro chefe de Estado a fazer campanha aberta pela sua cidade para sediar Jogos de 2016.

A reportagem destacou que no passado a estratégia deu resultado no caso do britânico Tony Blair – na vitória de Londres como sede dos Jogos de 2012 – e do russo Vladimir Putin – a cidade russa de Sochi sediará os Jogos de Inverno de 2014. O Chicago Tribune, junto com a BBC, foi um dos cinco órgãos estrangeiros de imprensa que entrevistou Lula na sexta-feira.

Bush e Chicago 2016

A reportagem também cita uma entrevista com o diretor do Comitê Olímpico Americano, na qual ele elogia Lula e a campanha brasileira. Segundo Peter Ueberroth, Lula é “um líder dinâmico e popular” e a campanha do presidente brasileiro é “uma novidade, mas adequada”.

O jornal também destaca a presença em Pequim do presidente americano, George W. Bush, e do prefeito de Chicago, Richard Daley. “Bush veio à Pequim para a cerimônia de abertura, e a equipe de Chicago 2016 tem esperança que ele vai expressar seu apoio pela campanha na medida em que ele se encontra com pessoas aqui”, afirma a reportagem. “Mas a abordagem deve ser casual, segundo Patrick Sandusky, porta-voz da campanha de Chicago.”

08/08/2008 - 09:52h A altura do desafio

A Folha rotula como “mania de grandeza” o esforço feito pelo Brasil para assegurar uma representação de peso nos Jogos Olímpicos e pesar em favor do país sediar os jogos em 2016. O artigo vale pelo reconhecimento, involuntário por parte da Folha, do esforço feito pelo governo federal. Como constata irônico o artigo “Resultado direto de uma aproximação nunca vista entre o governo federal e o esporte. Nunca se gastou tanto dinheiro. Nunca se cobrou tanto. E nunca se sonhou tão alto.” A Folha gosta de ficar na torcida do contra, mesmo quando os ventos sopram na boa direção para o Brasil. Vamos sonhar alto, sim e nos aproximar cada dia mais de nossos sonhos, é assim que se forja o destino das grandes nações. LF

A imagem “http://oglobo.globo.com/fotos/2008/08/08/08_CHA_capa_simbolo.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Mania de grandeza

DOS ENVIADOS A PEQUIM – DO ENVIADO A SHENYANG – FOLHA DE SÃO PAULO

Um Brasil com mania de grandeza desfila hoje no Ninho de Pássaro, em Pequim, na festa de abertura da 29ª edição dos Jogos Olímpicos. A cerimônia terá início às 9h (de Brasília), noite na China.

Na 70ª posição do ranking do Índice de Desenvolvimento Humano e na 38ª do quadro de medalhas de todos os tempos, o Brasil que está na China, entretanto, carrega traços de nação potente fora e dentro das arenas de competição.

Resultado direto de uma aproximação nunca vista entre o governo federal e o esporte. Nunca se gastou tanto dinheiro. Nunca se cobrou tanto. E nunca se sonhou tão alto.

No último ciclo olímpico, iniciado em 2005, o governo federal injetou cerca de R$ 1,2 bilhão no esporte de alto rendimento. A cobrança: contrariando política do Comitê Olímpico Brasileiro, de não divulgar metas, o Ministério do Esporte projeta o país entre o 16º e o 20º lugar no quadro geral -em Atenas-2004, com cinco ouros, o Brasil acabou em 16º.

A embalagem para tudo isso é o sonho de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, em promover os Jogos no Brasil. Sonho já interrompido três vezes e que, agora, conta com boa vontade recorde de Brasília. A ponto de o presidente Lula circular por Pequim com camisa da candidatura, dizendo-se “cabo eleitoral” dela.

A mania de grandeza se materializa na delegação montada pelo COB, que prioriza modalidades mais nobres -nelas as medalhas são mais difíceis- e que inclui equipe de apoio digna de países endinheirados.
Das 150 medalhas de ouro que a equipe nacional, composta por 277 atletas, vai disputar em Pequim, 62, ou 42%, são no atletismo e na natação, justamente as mais nobres e competitivas modalidades do programa olímpico e que contam com os EUA como maior força.

O Brasil é um dos únicos sete países que mandaram a Pequim três competidores para os 100 m do atletismo, o supra-sumo dos Jogos Olímpicos. E nenhum deles tem chances reais de medalha.

Vinte e duas posições acima do Brasil na história olímpica e novamente mais cotada agora, Cuba praticamente ignora a natação (só terá dois atletas nesse esporte em Pequim) e disputa menos provas que os brasileiros no atletismo (26 contra 33). Ao todo, somente 29% dos ouros que os esportistas caribenhos vão disputar serão nas pistas e nas piscinas.

Priorizar os esportes coletivos, que distribuem poucas medalhas, é mais uma marca do Brasil nos Jogos de Pequim. Somente handebol, futebol, basquete e vôlei somam cem competidores do país.

O Brasil tem número de dirigentes e integrantes de comissões técnicas acima do registrado por outros países em desenvolvimento. De acordo com a organização dos Jogos, são 200 não-atletas (treinadores, cartolas, médicos etc.) brasileiros, o que equivale a 71% dos atletas -na conta também entram alguns competidores reservas.

No Quênia, a proporção da equipe de apoio em relação aos atletas é de apenas 45%. Em Belarus, 57%. Nos casos de Argentina e Cuba, fica em 62%.

O Brasil tem uma proporção de não-atletas maior do que a da China (70%) e próxima à dos Estados Unidos (75%).

Apesar dos sonhos grandiosos do COB, o país está distante de atingir o seleto grupo dos “top 10″ no quadro de medalhas de Pequim. Muito mais perto está do topo da “Série B” do universo olímpico. Se mantiver suas conquistas dos Mundiais (ou torneios equivalentes) dos últimos dois anos, a delegação nacional ficará na 12ª colocação no quadro de medalhas (sete ouros, três pratas e cinco bronzes) da maior edição de todos os tempos da Olimpíada.

Isso representaria 11% dos ouros e 3% do total de medalhas entre os países fora do grupo dos dez.

É um salto em relação às duas participações olímpicas anteriores. Em Atenas-04, a delegação nacional conquistou 4% dos ouros e 2% do total de medalhas entre os nanicos.

07/04/2008 - 02:28h Policiers et manifestants prêts à accueillir la flamme olympique à Paris

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Le Monde

La flamme olympique, copieusement chahutée dimanche à Londres par des manifestants dénonçant la répression des autorités chinoises au Tibet, effectue lundi 7 avril à Paris sa dernière étape européenne, sous la menace de nouvelles manifestations. La flamme olympique est arrivée dimanche à 23 heures 45 au pavillon d’honneur de l’aéroport Roissy-Charles-de-Gaulle, où l’attendaient l’ambassadeur de Chine en France M. Kong Quan, l’ancien athlète et ex-ministre des sports, représentant du CIO en France, Guy Drut et le sous-préfet chargé des aéroports Patrick Espagnol. Elle a ensuite été transportée sous haute protection à l’hôtel Méridien, boulevard Gouvion Saint Cyr, dans le 17e arrondissement de Paris, non loin de la place de l’Etoile.

Tandis que la neige, première invitée surprise de cette jounée, s’abat depuis dimanche soir sur Paris, de nombreuses autres “perturbartions” sont attendues sur le parcours de la flamme. Portée par 80 relayeurs sur 28 km, elle partira peu après midi du premier étage de la Tour Eiffel pour arriver au Stade Charléty vers 17 heures, après être passée notamment devant l’Arc de Triomphe, sur les Champs-Elysées, l’Ile de la Cité, et le Boulevard St-Germain. L’organisation Reporters sans Frontières (RSF), qui avait déjà réussi à déjouer les services de sécurité lors de la cérémonie d’allumage de la flamme, a déjà prévenu qu’elle prévoyait de mener des actions “symboliques, spectaculaires (…) mais respectueuses des Jeux” sur le parcours de la torche. Les Tibétains de France organisent également une “journée citoyenne de solidarité” sur le Parvis des droits de l’Homme au Trocadéro.

À LONDRES, LE PORTEUR DE FLAMME DANS UN BUS À IMPÉRIALE

Un impressionnant dispositif de sécurité, digne de la protection d’un chef d’Etat, est prévu, avec pas moins de 3 000 policiers mobilisés, sur terre, dans les airs et même sur la Seine. Un cordon d’environ 200 mètres de long sera constituée autour du porteur de l’emblème des JO, composée de 65 motards, 100 policiers en rollers et autant de pompiers de Paris. Le porteur de la flamme sera suivi par 32 véhicules de CRS, soit 160 hommes, un groupe de motards fermant la marche. 1 600 policiers devraient être répartis sur le trajet pour parer à toute éventualité.

Les athlètes français devraient porter un badge arborant les anneaux olympiques, le mot “France” et le slogan “pour un monde meilleur”, un geste en faveur des droits de l’Homme, en Chine et ailleurs. Sur la façade de l’Hôtel de ville sera déployée une banderole proclamant : “Paris défend les droits de l’Homme partout dans le monde”. En revanche, il n’y aura pas de drapeau tibétain sur le fronton de l’Assemblée nationale mais le Comité France Tibet a prévu de se montrer.

Après son périple européen, la flamme olympique partira lundi soir pour les Amériques, où deux étapes l’attendent, à San Francisco mercredi et à Buenos Aires vendredi. Les médias officiels chinois condamnent lundi les “vils méfaits” des manifestants qui ont perturbé le passage à Londres de la flamme olympique. Au moins 35 personnes ont été arrêtées par la police britannique, qui a dû faire monter le porteur de flamme dans un bus à impériale dans le centre-ville face à la tentative d’une centaine de manifestants de s’en emparer.

31/03/2008 - 14:44h Internet, avantages et inconvénients, par Sylvie Kauffmann

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Dimanche 23 mars, en pleine crise du Tibet, une information a commencé à circuler sur le réseau de messagerie instantanée Twitter : le site d’information de la BBC en anglais était soudain accessible depuis la Chine. A Londres, Steve Herrmann, son rédacteur en chef, a attendu quarante-huit heures pour s’assurer que ce changement n’était pas accidentel, puis, mardi, l’a annoncé sur le site. Pas de doute : au lieu du message d’erreur, rituel depuis près de dix ans, la page d’accueil de BBC News, ses photos de moines tibétains et ses reportages, en Chine ou dans le reste du monde, s’affichaient miraculeusement sur les écrans des internautes chinois comme s’ils étaient à Liverpool ou à Hongkong. Ce jour-là, le nombre de visiteurs à partir d’ordinateurs situés en Chine est passé d’une centaine à 20 000. Beaucoup y sont allés de leur petit commentaire, déposé à la fin des pages lues. Une semaine a passé, et le miracle continue.

Pourquoi ? Mystère. “Pour être honnêtes, nous n’en savons rien”, avoue Steve Herrmann. La BBC fait partie des médias dont la couverture des émeutes au Tibet a été critiquée publiquement par le pouvoir chinois. Pourquoi donc lui faire cette fleur, alors que tant d’autres sites occidentaux et asiatiques – dont celui de la BBC en mandarin – sont bloqués ? Dans l’empire du Milieu, la censure a ses raisons que la raison ne connaît pas. Elle les connaît d’autant moins que, comme disent les communicants, Pékin ne communique pas sur sa politique de contrôle de l’Internet.

Peut-être est-ce une façon de tenir un minimum d’engagements sur l’accès à l’information à l’approche des Jeux olympiques. Peut-être est-ce un moyen de montrer aux Chinois anglophones certes, mais néanmoins chinois, de quoi ces médias occidentaux sans foi ni loi sont capables sur le Tibet. A en juger par les réactions réprobatrices de lecteurs chinois sur le site de la BBC, si tel était l’objectif, il est atteint. Ou peut-être est-ce une façon de reconnaître qu’aucune muraille, aussi haute, aussi étanche soit-elle, ne peut totalement contenir la déferlante Internet.

Dans l’empire soviétique, un poste de radio à ondes courtes était le sésame de l’information libre, sur lequel on pouvait écouter Radio Free Europe, RFI, la BBC… quand elles n’étaient pas brouillées, bien sûr. Des dissidents se seraient damnés pour une photocopieuse. Aujourd’hui, l’Internet est à la photocopieuse ce que le satellite est à l’Aéropostale.

Un dirigeant asiatique vient de s’en apercevoir à ses dépens : Abdullah Badawi, premier ministre de Malaisie, qui a subi le 8 mars la mère de toutes les humiliations électorales. “Ma plus grosse erreur, vient-il de découvrir, a été de négliger l’Internet.” Le parti de M. Badawi s’était concentré sur les grands médias, télévision et presse écrite, propriétés soit de l’Etat soit d’amis du pouvoir. Ces grands médias s’étaient eux-mêmes concentrés sur la coalition au pouvoir au point d’ignorer l’opposition. Exclus des grands médias, les candidats de l’opposition se sont réfugiés sur Internet – où les électeurs les ont suivis. Pour les meetings, les SMS ont relayé l’Internet dans les campagnes, sous-équipées en ordinateurs. Les sites d’information indépendants, comme Malaysia-Today ou le très professionnel Malaysiakini, ont vu leur diffusion exploser. Jeff Ooi, célèbre blogueur pourchassé par la justice, a été élu député.

La Chine a aujourd’hui, selon les estimations d’un de ses propres instituts, dépassé les Etats-Unis en nombre d’Internautes : 228 millions en Chine, contre 217 aux Etats-Unis (ce qui ne fait jamais qu’un taux de pénétration de 16 % contre 69 % !). Comme le montre la crise du Tibet, le pouvoir chinois, grâce à une police de l’Internet forte de quelque 40 000 techniciens et la coopération d’entreprises occidentales comme Yahoo! et Google, est passé maître dans l’art de contrôler le cyberespace. Rien à voir avec l’amateurisme des dirigeants de Malaisie. Mais Pékin ne peut pas non plus faire comme les généraux birmans et couper l’Internet, purement et simplement : le rôle d’Internet dans la vie financière et économique du pays est désormais trop important. Aussi colossale soit-elle, la grande muraille de Chine ne peut être à toute épreuve.

De là à établir que l’Internet est l’arme fatale qui introduira la démocratie en Chine, il y a un pas que Zhou Yongming, chercheur à l’université de Wisconsin-Madison, se refuse à franchir. Il dresse un parallèle intéressant entre l’impact du télégraphe sur la participation politique sous la dynastie Qing à la fin du XIXe siècle et celui de l’Internet aujourd’hui. Les réformateurs, qui s’étaient appuyés sur le télégraphe, échouèrent. “La Chine, rappelle-t-il, a 5 000 ans d’histoire, 1,3 milliard d’habitants et un immense territoire. Fonder ses espoirs sur une seule et unique technologie est trop optimiste.” Morale de l’histoire, telle que la résume le professeur Zhou avec un sourire désarmant : la démocratisation en Chine ne se fera qu’à travers un changement fondamental du processus politique. “L’Internet peut faciliter cela, mais pas le dicter.” Désolé.

Post-scriptum.
Le Vietnam et la Thaïlande vont autoriser les Philippines à puiser dans leurs réserves d’urgence de riz. L’Inde et le Vietnam augmentent les prix du riz à l’exportation, pour protéger leur consommation intérieure. Partout en Asie, hausse des cours du riz et baisse des stocks : on redoute des pénuries et l’agitation sociale qui en résulterait..

Courriel : lettredasie@lemonde.fr.

Sylvie Kauffmann

30/03/2008 - 15:33h Ministra do Turismo promove o Brasil entre agentes e operadores de Xangai

Ministra do Turismo promove o Brasil entre agentes e operadores de Xangai Xangai (27/03) – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, encerrou hoje sua viagem à China com o Seminário de Promoção do Destino Brasil, que contou com a participação de 100 operadores e agentes de viagem, no Le Royal Méridien Shanghai. A ministra apresentou os destinos turísticos das cinco regiões brasileiras e, levando em conta o interesse dos chineses, destacou o ecoturismo, os roteiros culturais e de compras. Durante o encontro, foi exibido um filme, produzido pelo Ministério do Turismo e Embratur, com roteiros temáticos − sol e praia, ecoturismo, cultura, esporte e eventos e negócios.

Além das atrações brasileiras conhecidas internacionalmente, como Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, o carnaval e o futebol, a ministra apresentou aos presentes a grande variedade de destinos turísticos que o Brasil oferece. Da Amazônia às Missões Jesuítas no Rio Grande do Sul, dos Lençóis Maranhenses ao Pantanal e Bonito, das praias do Nordeste às de Santa Catarina, as belezas naturais do país foram mostradas aos profissionais chineses.

O patrimônio histórico e arquitetônico brasileiros foi lembrado com imagens de Brasília, Salvador e das cidades históricas de Minas Gerais. As manifestações culturais foram lembradas com o Festival de Parintins os carnavais do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco, além da música e dança. São Paulo foi mostrada não só como uma cidade de negócios, mas também como destino rico em oferta de espetáculos e outras atrações culturais e de gastronomia. Sem falar das opções para compras que a capital paulista oferece, do artesanato brasileiro às grifes internacionais.

Perguntada sobre como via a possibilidade de crescimento do fluxo de turistas entre o Brasil e a China, a ministra declarou que acredita ser muito importante fazer com que o povo chinês conheça mais o Brasil e que vá criando uma imagem e desenvolvendo um sonho de visitar o país.

“As pessoas viajam para lugares que antes conheceram por imagem, sons e outras informações. O trabalho que começaremos a fazer durante as transmissões dos jogos de futebol do Campeonato Brasileiro para os países da Ásia, apresentando pequenos filmes de destinos turísticos brasileiros na abertura das transmissões e no intervalo das partidas, criará no turista chinês esse conhecimento do Brasil“, disse a ministra, ao acrescentar que “o que queremos já vem acontecendo com os brasileiros em relação à China. Com a aproximação dos jogos olímpicos, assistimos mais e mais programas na televisão sobre a China, suas cidades, seu povo e sua cultura. Isso alimenta no brasileiro a vontade de vir para cá e conhecer o país. Confio muito num trabalho de médio e longo prazos, tijolinho por tijolinho, que fará com que o Brasil atraia uma parcela maior do grande número de chineses que já viajam pelo mundo”.

Ao lado do embaixador Marcos Caramuru, cônsul-geral do Brasil em Xangai, a ministra Marta Suplicy adiantou, ainda, que o Brasil já vem desenvolvendo seu planejamento da Copa de 2014, um evento que transcende o esporte para se constituir em excelente oportunidade para o turismo e promoção do País.

Balanço da viagem
– Marta Suplicy visitou a China com o propósito de promover o Brasil como destino turístico e acompanhar os preparativos para os Jogos Olímpicos de Beijing de 2008 e a Expo 2010, em Xangai. Esses eventos são de grande interesse, considerada a necessidade do Brasil de se preparar para sediar a Copa de 2014.

Além de conhecer os projetos elaborados para Beijing e Xangai, os encontros oficiais mantidos pela ministra trouxeram outros resultados positivos. Foi iniciado um processo para a instalação de um escritório de promoção do Brasil na China e estabelecido o compromisso entre as autoridades de turismo de Xangai e o Ministério do Turismo para o desenvolvimento de um programa para capacitar cozinheiros brasileiros a produzirem os pratos tradicionais da culinária chinesa.

Durante a viagem, em encontros com Air China e com a Administração Nacional de Turismo da China (CNTA), também foi tratada a necessidade de ampliação da oferta de vôos e de assentos entre os dois países, para acompanhar e promover o crescimento do fluxo turístico.

Fonte MinTur

29/03/2008 - 03:54h Brasil tem aliado chinês para defesa de candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016

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Árvore é plantada nos arredores do Estádio Nacional, cujas obras para as Olímpiadas estão sendo concluídas em Pequim / Reuters

Cristina Massari, do Globo Online

RIO – A candidatura do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016 já conta com um importante aliado. Em viagem à China nesta semana, a ministra Marta Suplicy recebeu do vice-presidente da Administração Nacional de Turismo da China (CNTA), DU Jiang, um aceno: a recomendação ao comitê olímpico chinês que apóie a candidatura do Brasil.

- Eles falaram sobre isso com muita pompa e circunstância. O vice-presidente do órgão do turismo chinês disse que, a partir de estudos e avaliação feita previamente, que está enviando formalmente ao comitê olímpico chinês o apoio à candidatura do Brasil. Entretanto, os votos são pessoais, e serão dados por duas pessoas diferentes, conforme ele ponderou, acrescentando apenas que iam recomendar ao comitê que apóie a nossa candidatura. Acredito que isso terá certo peso e impacto na decisão do comitê olímpico – disse a ministra ao Globo Online, de Xangai, após ter feito visita em Pequim pelos locais onde estão construídas as instalações olímpicas.

A forma de captação dos recursos necessários aos investimentos demandados para organizar os Jogos Olímpicos de Pequim saltou aos olhos da ministra do Turismo, que cumpriu na viagem à China uma agenda combinando a promoção do Brasil para aumentar o fluxo de turistas chineses, e uma espécie de `benchmarking` para os preparativos da Copa de 2014 , apesar de ela mesma já ter se declarado indecisa entre concorrer pela prefeitura de São Paulo ou permanecer à frente do turismo – onde a enfrentará a disputa pela candidatura das Olimpíadas de 2016.

- Foram investidos US$ 44 bilhões, contando com as obras em estádios e aeroportos. Quando eles foram escolhidos para sediar as Olimpíadas, sabiam que não teriam condições de fazer um investimento deste porte. Encontraram uma forma de captação muito interessante, em parcerias com a iniciativa privada. Foram buscar o investimento estrangeiro com parceria chinesa. Isso possibilitou transferência de tecnologia e trabalho para os chineses.

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Trabalhadores limpam as estruturas de vidro e aço do Estádio Nacional em Pequim, conhecido como o ninho de pássaros / Foto: Reuters

Aos olhos da ministra brasileira, os resultados destas parcerias foram ‘impressionantes’:

- Visitamos o `cubo`, que é o espaço das provas de natações. Fora a beleza estética, é todo feito de losangos e quadrados de vidro leitoso, mas tudo de forma harmoniosa, é feito com a tecnologia mais avançada. O nado rítmico permitirá que o som ouvido debaixo d’água pelo atleta e fora da água pela platéia seja sincronizado. É tudo muito moderno, de um grau de estética e sofisticação impressionante.

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Tudo pronto no “cubo” para as provas de natação

O Centro Olímpico foi erguido numa região onde há 15 anos era uma zona rural, voltada para a produção de legumes. Nem ônibus passava. E agora já está tudo praticamente terminado e o que vê é cidade muito dinâmica e nervosa, criativa. Pequim sofreu uma grande transformação nos últimos 30 anos. É outro mundo. Em cada quarteirão há prédios novos, onde afloram a modernidade e a tecnologia – descreve Marta Suplicy.

” Visitamos o `cubo`, que é o espaço das provas de natações. Fora a beleza estética, é todo feito de losangos e quadrados de vidro leitoso, mas tudo de forma harmoniosa, tem a tecnologia mais avançada “

Após visita a Hong Kong, nesta sexta-feira, a ministra deixa a China. Em Xangai, onde esteve depois da estada em Pequim, a ministra Marta tratou, entre outros assuntos, da participação do Brasil na Expo Xangai 2010, evento que integra o calendário de feiras mundiais e que, em termos econômicos e culturais, segundo avaliação do Ministério do Turismo, é precedido apenas pela Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos.

O Comitê Organizador da Expo Xangai espera que a exposição conte com a participação de mais de 29 organizações internacionais e 167 países (dentre eles o Brasil, que ainda não definiu o tema de seu estande), e atraia cerca de US$ 3 bilhões em recursos, coma a visita de cerca de 70 milhões de pessoas.

Para construir o local da exposição o governo de Xangai escolheu uma área de 5.28 Km2 no centro da cidade, onde cerca de oito mil residentes e 272 empresas estavam instalados em condições precárias. O governo local comprou a área e relocou os antigos moradores e empresas para duas áreas residenciais, com melhor estrutura e maior metragem quadrada, oferecendo condições especiais de compra.

O projeto adotado para o desenvolvimento da rede de transporte terrestre da cidade inclui a construção mais três novas linhas de metrô, que totalizarão, até 2010, mais 166 quilômetros e 110 estações à rede hoje existente, que já conta com 234 estações de metrô.

Além disso, Marta e o secretário de Turismo de Xangai, Dau Chu Ming, estabeleceram um acordo de cooperação no desenvolvimento de um programa para capacitar cozinheiros brasileiros na produção de pratos da tradicional culinária chinesa.

- A capacidade brasileira de aumentar sua oferta de restaurantes de culinária chinesa, com qualidade e produção compatíveis com o que se faz hoje nos melhores restaurantes das cidades da China, deve ser mais um importante elemento de diferenciação e aumento de nosso potencial de atração do turista chinês – avaliou a ministra.

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Trabalhador faz os últimos reparos em templo tibetano em Pequim / Reuters

Marta Suplicy lembrou ainda das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de outras, feitas pelo ministério, que têm melhorado a capacidade do Brasil de atender turistas.

- Nos próximos anos, essas obras vão ampliar muito nossa oferta de serviços, beneficiando não só o turista, mas a população residente, uma vez que o investimento se traduz em mais qualidade de vida nas localidades beneficiadas – disse Marta.

Segundo a ministra, o número de visitantes que o Brasil recebe da China vem aumentando a cada ano, assim como é crescente o contingente de turistas chineses que viajam pelo mundo. Em 2007 foram 44 milhões.

- Hoje são 36 mil chineses que viajam para o Brasil e os brasileiros, 38 mil. É ainda um número muito modesto em relação ao potencial, porque há alguns limites, como a distância e a falta de conhecimento do Chinês sobre o Brasil.

” A China buscou o investimento estrangeiro com parceria chinesa. Isso possibilitou transferência de tecnologia e trabalho para os chineses “

- O maior impedimento, fora a distância é acesso, o transportes aéreo. A Air China Faz três vôos semanais via Madri e a Varig, que tinha a concessão da rota, passou por problemas e não reassumiu as linhas. Visitamos a Air China, para colocar para eles a importância do aumento da freqüência. E sugeri uma rota Pequim Brasília Estados Unidos, mas eles não estavam familiarizados com esta história, mas afirmaram que a linha Pequim Madri São Paulo é lucrativa e que há interesse no aumento da freqüência. Mas, acrescentou a ministra, a Air China enfrenta problemas de disponibilidade de aeronaves para a ampliação desta oferta no curto prazo.

- O fabricante atrasou a entrega de 20 aviões novos em um ano.

Para reduzir estes limites, a agenda da ministra incluiu reuniões com as autoridades chinesas que trataram de negociações para o aumento da oferta de assentos nos vôos entre a China e o Brasil e a abertura de um escritório de promoção turística do Brasil naquele país. Por parte da possibilidade de as companhias brasileiras abrirem uma rota para China, Marta disse que ia consultar a Anac para verificar a ocorrência de eventuais consultas.

- Ainda não vimos com Anac a possibilidade de uma brasileira assumir a rota para a China. O mais interessante é que Varig assumisse. Ela vem recuperando suas inhas paulatinamente e foi a primeira – comenta.

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e Cidades da Copa serão conhecidas até dezembro