29/09/2008 - 11:20h Apunhalado pelas costas

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Ao dia seguinte do debate, no qual Alckmin acuou Kassab, mostrando o descaso com as 158 mil crianças fora das creches e escolas e onde apontou a filiação do demo com malufismo, o Estadão estampa em chamada de capa, as costuras para abandonar Alckmin por parte de setores da cúpula do PSDB nacional. Bem na contramão das afirmações do candidato tucano, os dirigentes nacionais do PSDB com FHC na cabeça, afirmam em alto e bom som que o demo Kassab é tão tucano quanto. Isto, a 6 dias do primeiro turno enquanto as pesquisas indicam uma disputa acirrada entre Alckmin e Kassab, é uma verdadeira facada pelas costas em Geraldo Alckmin.

O respeito aos candidatos e ao processo eleitoral, exige aguardar o resultado das urnas e do veredito popular para depois abordar as condições concretas do segundo turno. A ação de alguns elementos da cúpula tucana, além de indecente, visa a sinalizar que já considera Alckmin carta fora do baralho.

O movimento de setores do tucanato contra Alckmin confirma o que escrevi apenas dois dias atrás: “No plano político, esta semana concentrará os ataques contra Alckmin e as pressões para montar, com sua participação, um frente anti-PT e anti-Marta com Kassab. Se ele se recusar, José Serra já anunciou que o substituirá como quase “candidato” (esse o sentido de vazar que estaria disposto a se licenciar do cargo para fazer a campanha… de Kassab). FHC veio, com sua declaração anti-PT, indicar que este será o desfecho que o alto tucanato apadrinhará.

Para Alckmin o que está sendo preparado pelos seus “companheiros” é um haraquiri. A morte política.”

A matéria do Estadão mostra que na dúvida que Alckmin aceite o sacrifício, alguns tucanos preferem apunhalá-lo pelas costas. LF

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Para derrotar Marta, PSDB admite apoiar Kassab no segundo turno

Se confirmar vantagem e superar Geraldo Alckmin no domingo, prefeito de São Paulo terá o apoio dos tucanos

Christiane Samarco, O Estado de São Paulo

O PSDB nacional já decidiu: caso o eleitor paulista deixe o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, fora do segundo turno, como indicam as pesquisas, o partido fechará oficialmente - e rápido - com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que disputa a reeleição. A costura para apressar a união dos principais líderes tucanos no Estado já está em curso, independentemente do resultado da eleição no domingo.

Nos bastidores do partido, tucanos de Norte a Sul entoam o discurso de que o PSDB será vitorioso, desde que a candidata Marta Suplicy (PT) seja derrotada. A ordem é não descaracterizar a vitória. Argumentam que, no pior cenário, com o tucano fora do segundo turno, ninguém poderá dizer que o PSDB perdeu se o vitorioso for Kassab, que tem a marca de “candidato do governador” José Serra (PSDB).

É com esse discurso e a certeza de que manterão o comando da maior cidade do País que dirigentes tucanos se preparam para “tomar posse da vitória”, caso Kassab consiga a reeleição. De olho no segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso troca telefonemas com o ex-senador e conselheiro do DEM Jorge Bornhausen. Ambos se encontram semanalmente em São Paulo com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Quando o DEM se viu obrigado a reagir a ataques de tucanos a Kassab, Bornhausen sempre recomendou prudência, deixando protestos para o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). “Quanto mais ficarmos em silêncio, melhor.”

Em suas conversas com FHC e Guerra, Bornhausen sempre insiste na tese de que “agora é hora de a gente ficar calado e preservar as pontes para as negociações futuras”. É esse trio que, ao lado de Serra, conduzirá todas as negociações. Cauteloso, Guerra tem afirmado que, independentemente do “caldeirão da crise paulista”, a interlocução está preservada.

Diante do confronto entre partidários do prefeito e de Alckmin, o presidente do PSDB procurou manter diálogo com as duas alas do partido representadas na Executiva nacional. A preocupação de preservar a interlocução com o DEM ficou clara quando o fogo amigo se intensificou, com as críticas do ex-ministro tucano e secretário da prefeitura, Clóvis Carvalho, a Alckmin. Guerra limitou-se a defender o candidato, “homem público correto, que todo o partido admira”. Disse que acusações a Alckmin “não são apoiadas pelo PSDB, que tem nele seu candidato para vencer em São Paulo”. Em momento algum fez reparos aos ataques de Kassab.

A maior preocupação dos tucanos é administrar o próprio Alckmin, pois o temor geral é que sua eventual derrota acabe arranhando a imagem de Serra. Até os mais próximos aliados do governador apontam responsabilidade de Serra na crise por ele ter se omitido na condução do processo que resultou na candidatura de Alckmin.

16/01/2008 - 08:39h “Falastrão e boquirroto”, olha o nível no PSDB de São Paulo


DEM quer convencer Alckmin a apoiar Kassab
DEM quer convencer Alckmin a apoiar Kassab


DEM tem aval de José Serra para procurar Alckmin

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

Sob a bênção do governador de São Paulo, José Serra, cresce a pressão sobre o ex-governador Geraldo Alckmin para que desista de concorrer à prefeitura e se resguarde para 2010.
Numa audiência na tarde de ontem, o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen informou a Serra que procurará Alckmin na semana que vem. Na conversa, avisou, alertará Alckmin para o risco de rompimento da aliança PSDB-DEM caso ele insista em disputar a cadeira de Gilberto Kassab.
“Alckmin tem o direito de ser candidato. Mas deve analisar as conseqüências dessa candidatura”, disse Bornhausen.
Segundo Bornhausen, Serra não fez objeção à abordagem.
Alckmin, por sua vez, estaria irritado com o cada vez maior número de serristas que defendem essa saída. Seus interlocutores estariam surpresos com o recorrente uso de palavrões -coisa rara em seu vocabulário- para descrever o cerco.
Com o embate, aumenta também a tensão entre tucanos. O presidente municipal do PSDB, o secretário estadual José Henrique Lôbo, reclama dos “incendiários de sempre”.
Queixando-se de um comentário feito pelo deputado federal Edson Aparecido -que comparou a defesa feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à discussão do apoio ao governo Collor- afirmou: “Político que é candidato a alguma coisa é sempre falastrão e boquirroto. Um partido só cresce com disciplina e respeito a seus líderes”.
Lôbo não quis identificar os destinatários de sua crítica. “Não vou comentar esse tipo de fala”, reagiu Edson Aparecido.