28/10/2009 - 13:15h As analises que Serra faz sobre a sucessão presidencial: candidatissimo, prefere aguardar março para ver

O ardil no jogo da sucessão

ColunistaRosângela Bittar – VALOR

As cartas eleitorais jogadas hoje, a um ano da eleição presidencial, são todas construídas sobre artimanhas e deve-se ponderar seu peso. O que se diz não é, o que é ainda não se diz. A começar da rodada que se inicia com o presidente da República. A ação política que Lula comanda pessoalmente determina aos seus arautos propagarem que teme como adversário do PT o candidato Aécio Neves, o governador de Minas, que seria tão sedutor quanto agregador na costura de alianças. Quer fazer crer a campanha da candidata petista Dilma Rousseff que, se for Aécio o candidato do PSDB, até a aliança com o PMDB balançará. O mesmo ocorrerá com o PSB de Ciro Gomes e o PDT de Carlos Lupi e Paulo Pereira da Silva, que, como bons alunos, divulgam que, sendo Aécio o candidato, tudo mudará de figura. O PT, nesta hipótese, coitado, ficará sem seus maiores aliados, inclusive os governadores que têm sua reeleição ancorada na aliança com o partido lulista, como Eduardo Campos , em Pernambuco, e Cid Gomes, no Ceará.

O exagero expõe a armadilha do governo que se prepara para enfrentar e teme, como adversário real, o candidato José Serra, que está em primeiro lugar há meses nas pesquisas de intenção de voto. Realidade também é a que leva o governo a considerar que enfrentará um paredão se a denominada chapa puro sangue, com Serra para presidente e Aécio para vice, se concretizar. Mas o discurso dizendo o contrário acirra a disputa interna no PSDB, motiva o governador de Minas a ver-se rejeitado no seu partido e alimenta nele o sentimento contra a chapa tucana. Esta, sim, o verdadeiro fantasma do governo, que a percebe forte, avaliação que, de resto, fazem os que a desejam dentro do PSDB e do DEM.

Outro jogo que ao se abrir, aos poucos, mostra que não é o que parece é o do Democratas. O DEM tem forçado uma definição do PSDB sobre quem será o candidato a presidente, se Serra ou Aécio, não quer esperar o timing que se impuseram os próprios candidatos a quem interessa a manutenção das duas candidaturas o maior tempo possível. O presidente demista, Rodrigo Maia, deu o ultimato ao PSDB há duas semanas, assumindo posição inequívoca e pública a favor do governador mineiro, com quem se reuniu e a quem levou um grupo da cúpula do partido, insuflando uma posição contra a candidatura do governador paulista. A antecipação do lançamento da candidatura do PSDB, ainda que não oficial, serviria para acalmar os Estados, é o que tem alegado o DEM, onde para fazer alianças e arrumar seu palanque o partido precisa ter a perspectiva real de poder e ver logo em alguém a personificação dessa perspectiva.

Por uma fresta desse jogo já dá para ver que o DEM está nervoso com sua redução, com o fato de estar tendo dificuldades para fazer oposição sozinho no Congresso, ansioso para antecipar a campanha diante do avanço do governo em todos os Estados onde, mostram levantamentos dos partidos, a candidata Dilma já cresceu muito este mês. Para o DEM não importa se Dilma nem assumiu formalmente a candidatura, ela está em plena campanha, com resultados visíveis. O candidato tucano precisa construir discurso e projeto e opor-se à candidata do governo.

Há outras razões que podem se somar a estas mas não podem ser ignoradas na interpretação correta do que verbaliza o DEM, especialmente pelo que defende seu presidente. Evidencia-se um aprofundamento da luta interna no Democratas deixando, de um lado, Rodrigo Maia e, de outro, Gilberto Kassab, o prefeito de São Paulo. Maia reage ao fato de que as aproximações entre Serra e o DEM, para o projeto nacional, tenham se dado a partir do grupo do partido com quem o governador de São Paulo se aliou para as eleições no Estado e na prefeitura. De todas participou o ex-presidente Jorge Bornhausen, de quem a atual cúpula, embora por ele forjada para rejuvenecer e dar sobrevida ao DEM, discorda. Uma das discordâncias, por exemplo, é quanto à declaração de que o DEM pode abrir mão da vice na chapa. Mesmo reconhecendo que a chapa Serra-Aécio seria a melhor, a cúpula do partido queria ter o trunfo da concessão e estar à frente das articulações.

Para este projeto, Maia resgatou a candidatura Aécio e reacendeu o embate interno no PSDB. Seus aliados estão satisfeitos com o resultado, acreditam ter chacoalhado a campanha da oposição, colocado Aécio na disputa e levado Serra a conversar também com o grupo não paulista do partido. A maioria do DEM, 55%, prefere a candidatura Serra, enquanto 35% preferem Aécio, é o que mostrou pesquisa da Arko Advice que, no entanto, foi intencionalmente ignorada neste jogo. A arrumação da disputa nos Estados entrou na história tal qual Pilatos naquela conhecida oração.

Ilude o eleitorado também o PMDB de oposição ao defender que uma antecipação da candidatura Serra, em torno de quem se reúne esta facção, fortaleceria a dissidência do partido nas articulações de alianças estaduais. Enquanto o PMDB governista está oferecendo perspectiva de poder na veia, firmando inclusive uma pré-aliança quando ainda faltam oito meses para a convenção que poderá de fato aprová-la, o PMDB oposicionista nada tem a oferecer. Na verdade, tanto parte do DEM quanto este PMDB ficaram assombrados pelo fantasma produzido na alquimia governamental, o de que Serra poderá acovardar-se diante do crescimento de Dilma e, em março, quando estiver ultrapassado por ela nas pesquisas, desistir da candidatura e buscar a reeleição em São Paulo. Nesse caso ficariam no vácuo porque não haveria mais tempo de retomar a candidatura Aécio.

Existe a possibilidade de Serra desistir da candidatura a presidente? Claro, mas é remotíssima. Forçar uma definição que muitos, inclusive o próprio candidato, consideram um desastre, apenas com base nesta suspeita, porém, é desacreditar totalmente do projeto. Parece claro que, uma vez lançado o candidato de oposição, os partidos deixarão com ele todo o trabalho de opor-se ao governo. Tal candidato seria imediatamente alvo único da campanha governista conduzida por um presidente tão popular quanto destemido, desobediente contumaz às leis eleitorais. Além de concentrar em si o desgaste, a antecipação daria a Serra menos tempo para dedicar-se ao governo de 22% dos eleitores brasileiros, lançando-se numa aventura sem dinheiro, sem equipe, sem exposição obrigatória, sem máquina nacional, na hora inadequada. Às apostas.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

22/10/2009 - 12:20h DEM pressiona para Serra ‘’sair da toca” imediatamente

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Democratas reclamam que tucano fez costuras eleitorais e, depois, sumiu

Christiane Samarco, BRASÍLIA – O Estado SP

Por trás da pressão do DEM para que o PSDB acelere a escolha do candidato do partido à Presidência, está uma disputa de poder, envolvendo líderes democratas, e a avaliação de que o lançamento da candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), catalisará as alianças regionais. “No DEM, ninguém tem dúvida de que o candidato é o Serra. Queremos é que ele saia da toca”, diz o deputado Alceni Guerra (DEM-PR).

Integrantes do DEM não se conformam de Serra ter aberto a temporada de costuras eleitorais com um acerto bem-sucedido na Bahia, considerado “impossível”, e depois ter “se entocado”, ausentando-se das negociações em outros Estados.

Foi a ação direta de Serra que consumou a aliança entre o PSDB baiano, do deputado Jutahy Júnior (um aliado local do PT), e o grupo de seu inimigo histórico – o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA), morto em julho de 2007.

O acordo com o DEM dos Magalhães – o senador ACM Júnior e o deputado ACM Neto – foi feito em torno da candidatura a governador de Paulo Souto (DEM), com o tucano Imbassahy Júnior para o Senado, sem fechar portas para um entendimento futuro com o PMDB do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. O DEM quer trazer Serra para o jogo eleitoral aberto interessado em montar palanques amplos, que dependem do aval do candidato a presidente. Mas incomoda setores da direção nacional do DEM a autonomia do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que opera nos bastidores em parceria com o ex-presidente do partido Jorge Bornhausen.

Centrada na figura de Kassab e Bornhausen, a regional paulista do DEM tem na interlocução direta com Serra a força para fazer costuras políticas independentes da direção – algumas a ponto de colocar em risco entendimentos estaduais.

Os serristas dos dois partidos dizem que o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), fica “surfando” na onda provocada pelo presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, para cutucar Serra e se cacifar no PSDB. Maia administra a pressão dos candidatos do DEM, aflitos para fortalecer seus palanques com legendas da base governista. Além disso, Maia está preocupado com a reação de Serra, que o classificou como “um fio desencapado”, para dar um troco às suas cobranças. “Apenas levei a público uma angústia que não era particular, era coletiva”, defende-se o deputado, referindo-se à demora na definição do candidato tucano.

29/09/2008 - 11:20h Apunhalado pelas costas

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Ao dia seguinte do debate, no qual Alckmin acuou Kassab, mostrando o descaso com as 158 mil crianças fora das creches e escolas e onde apontou a filiação do demo com malufismo, o Estadão estampa em chamada de capa, as costuras para abandonar Alckmin por parte de setores da cúpula do PSDB nacional. Bem na contramão das afirmações do candidato tucano, os dirigentes nacionais do PSDB com FHC na cabeça, afirmam em alto e bom som que o demo Kassab é tão tucano quanto. Isto, a 6 dias do primeiro turno enquanto as pesquisas indicam uma disputa acirrada entre Alckmin e Kassab, é uma verdadeira facada pelas costas em Geraldo Alckmin.

O respeito aos candidatos e ao processo eleitoral, exige aguardar o resultado das urnas e do veredito popular para depois abordar as condições concretas do segundo turno. A ação de alguns elementos da cúpula tucana, além de indecente, visa a sinalizar que já considera Alckmin carta fora do baralho.

O movimento de setores do tucanato contra Alckmin confirma o que escrevi apenas dois dias atrás: “No plano político, esta semana concentrará os ataques contra Alckmin e as pressões para montar, com sua participação, um frente anti-PT e anti-Marta com Kassab. Se ele se recusar, José Serra já anunciou que o substituirá como quase “candidato” (esse o sentido de vazar que estaria disposto a se licenciar do cargo para fazer a campanha… de Kassab). FHC veio, com sua declaração anti-PT, indicar que este será o desfecho que o alto tucanato apadrinhará.

Para Alckmin o que está sendo preparado pelos seus “companheiros” é um haraquiri. A morte política.”

A matéria do Estadão mostra que na dúvida que Alckmin aceite o sacrifício, alguns tucanos preferem apunhalá-lo pelas costas. LF

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Para derrotar Marta, PSDB admite apoiar Kassab no segundo turno

Se confirmar vantagem e superar Geraldo Alckmin no domingo, prefeito de São Paulo terá o apoio dos tucanos

Christiane Samarco, O Estado de São Paulo

O PSDB nacional já decidiu: caso o eleitor paulista deixe o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, fora do segundo turno, como indicam as pesquisas, o partido fechará oficialmente – e rápido – com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que disputa a reeleição. A costura para apressar a união dos principais líderes tucanos no Estado já está em curso, independentemente do resultado da eleição no domingo.

Nos bastidores do partido, tucanos de Norte a Sul entoam o discurso de que o PSDB será vitorioso, desde que a candidata Marta Suplicy (PT) seja derrotada. A ordem é não descaracterizar a vitória. Argumentam que, no pior cenário, com o tucano fora do segundo turno, ninguém poderá dizer que o PSDB perdeu se o vitorioso for Kassab, que tem a marca de “candidato do governador” José Serra (PSDB).

É com esse discurso e a certeza de que manterão o comando da maior cidade do País que dirigentes tucanos se preparam para “tomar posse da vitória”, caso Kassab consiga a reeleição. De olho no segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso troca telefonemas com o ex-senador e conselheiro do DEM Jorge Bornhausen. Ambos se encontram semanalmente em São Paulo com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Quando o DEM se viu obrigado a reagir a ataques de tucanos a Kassab, Bornhausen sempre recomendou prudência, deixando protestos para o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). “Quanto mais ficarmos em silêncio, melhor.”

Em suas conversas com FHC e Guerra, Bornhausen sempre insiste na tese de que “agora é hora de a gente ficar calado e preservar as pontes para as negociações futuras”. É esse trio que, ao lado de Serra, conduzirá todas as negociações. Cauteloso, Guerra tem afirmado que, independentemente do “caldeirão da crise paulista”, a interlocução está preservada.

Diante do confronto entre partidários do prefeito e de Alckmin, o presidente do PSDB procurou manter diálogo com as duas alas do partido representadas na Executiva nacional. A preocupação de preservar a interlocução com o DEM ficou clara quando o fogo amigo se intensificou, com as críticas do ex-ministro tucano e secretário da prefeitura, Clóvis Carvalho, a Alckmin. Guerra limitou-se a defender o candidato, “homem público correto, que todo o partido admira”. Disse que acusações a Alckmin “não são apoiadas pelo PSDB, que tem nele seu candidato para vencer em São Paulo”. Em momento algum fez reparos aos ataques de Kassab.

A maior preocupação dos tucanos é administrar o próprio Alckmin, pois o temor geral é que sua eventual derrota acabe arranhando a imagem de Serra. Até os mais próximos aliados do governador apontam responsabilidade de Serra na crise por ele ter se omitido na condução do processo que resultou na candidatura de Alckmin.

16/01/2008 - 08:39h “Falastrão e boquirroto”, olha o nível no PSDB de São Paulo


DEM quer convencer Alckmin a apoiar Kassab
DEM quer convencer Alckmin a apoiar Kassab


DEM tem aval de José Serra para procurar Alckmin

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

Sob a bênção do governador de São Paulo, José Serra, cresce a pressão sobre o ex-governador Geraldo Alckmin para que desista de concorrer à prefeitura e se resguarde para 2010.
Numa audiência na tarde de ontem, o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen informou a Serra que procurará Alckmin na semana que vem. Na conversa, avisou, alertará Alckmin para o risco de rompimento da aliança PSDB-DEM caso ele insista em disputar a cadeira de Gilberto Kassab.
“Alckmin tem o direito de ser candidato. Mas deve analisar as conseqüências dessa candidatura”, disse Bornhausen.
Segundo Bornhausen, Serra não fez objeção à abordagem.
Alckmin, por sua vez, estaria irritado com o cada vez maior número de serristas que defendem essa saída. Seus interlocutores estariam surpresos com o recorrente uso de palavrões -coisa rara em seu vocabulário- para descrever o cerco.
Com o embate, aumenta também a tensão entre tucanos. O presidente municipal do PSDB, o secretário estadual José Henrique Lôbo, reclama dos “incendiários de sempre”.
Queixando-se de um comentário feito pelo deputado federal Edson Aparecido -que comparou a defesa feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à discussão do apoio ao governo Collor- afirmou: “Político que é candidato a alguma coisa é sempre falastrão e boquirroto. Um partido só cresce com disciplina e respeito a seus líderes”.
Lôbo não quis identificar os destinatários de sua crítica. “Não vou comentar esse tipo de fala”, reagiu Edson Aparecido.