22/06/2012 - 10:17h Mídia tem papel vital nas crises, diz Clinton

Para ex-presidente americano, acesso à informação é fundamental no mundo
22 de junho de 2012

FERNANDO SCHELLER , ENVIADO ESPECIAL / CANNES – O Estado de S.Paulo

Traduzir mensagens complicadas sobre economia e política de uma forma clara e concisa é o principal papel dos meios de comunicação na construção de um mundo mais justo e bem informado, disse o ex-presidente americano Bill Clinton, na palestra que realizou ontem durante o Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade, do qual o ‘Estado’ o representante oficial no Brasil.

Para ele, o acesso à informação é vital para que o público possa fazer melhores escolhas e também entender a realidade em tempos de crise.

Clinton, que se dedica a trabalhos de ação social nas nações mais pobres do mundo desde que deixou o governo americano, participou do evento a convite do grupo ABC, que inclui agências como Africa e DM9DDB, comandado por Nizan Guanaes. O ABC usou Cannes e a palestra para se apresentar ao mercado internacional como uma holding internacional – o grupo tem 2,1 mil funcionários e faturou R$ 750 milhões no ano passado.

Segundo Clinton, os meios de comunicação têm a missão de explicar a consequência de certas decisões ao público geral. Ele citou como exemplo uma votação do Congresso americano, de maioria republicana, que cortou os repasses da União aos municípios com o objetivo de manter na ativa funcionários públicos como professores, bombeiros e policiais. “Ao longo de 27 meses, a economia americana conseguiu criar 4,3 milhões de empregos. Com essa decisão, foram fechados 650 mil postos de trabalho no setor público”, explicou.

O ex-presidente defendeu também que o mundo só poderá prosperar caso os diferentes grupos políticos e de lobby encontrem uma maneira de sentar na mesma mesa para conversar e encontrar um compromisso para assuntos polêmicos. “Em Manaus, durante um debate sobre a preservação da Amazônia, vi que os diferentes grupos conseguiam negociar de forma respeitosa. Acho que, nesse sentido, o Brasil está na frente dos Estados Unidos, onde tudo hoje se resume à divisão partidária.”

Europa. Bill Clinton afirmou também que a Espanha não pode ser considerada culpada pela crise que atravessa atualmente, já que ela foi originada no mercado financeiro, no setor de hipotecas, o mesmo que foi o estopim da crise de 2008. “Antes de a crise atingir o país, eles tinham um superávit do orçamento do governo”, diz. O mesmo vale para a Grécia, que, para ele, precisa buscar uma forma de recuperar a autoestima. “Parece agora que os gregos são preguiçosos, quando eles, na verdade, trabalham mais do que a média na Europa.”

A receita para a recuperação da economia mundial, diz Clinton, está em um movimento de novos investimentos na retomada do crescimento – tendência facilitada pelos juros próximos a zero nos EUA e na Europa -, seguido por maior austeridade nas contas governamentais. Para ele, a criação de empregos está intimamente ligada ao incentivo ao empreendedorismo e ao nascimento de novas empresas.

Nesse sentido, Clinton diz que a Alemanha está fazendo a lição de casa. Um exemplo positivo alemão é o do desenvolvimento de energias alternativas, com especial sucesso na geração solar. “A Alemanha já produz o equivalente a 20 usinas nucleares usando luz solar, um recorde no mundo. E, nesse processo, o país criou 600 mil empregos.”

21/06/2012 - 08:25h Ao repudiar controle da mídia, Bernardo diz que internet supera TV em audiência

Por Rafael Bitencourt | VALOR

De Brasília

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, buscou tranquilizar os segmentos que serão afetados pela proposta de marco regulatório da comunicação eletrônica em discurso proferido no 26º Congresso Brasileiro de Radiodifusão. Ele fez questão de rebater os rumores frequentes de que o governo usará o novo regulamento como mecanismo de controle das empresas de comunicação.

Bernardo aproveitou a presença de importantes executivos no evento para firmar posição de repúdio a qualquer ameaça à liberdade de expressão. Mais do que isso, o ministro defendeu o novo marco como forma de assegurar o espaço dos veículos tradicionais de comunicação – como o rádio, TV e jornais – frente ao avanço das novas mídias, especialmente aquelas que usam a internet como meio de disseminação de conteúdo.

“Abominamos a censura e o que se chamou de controle sobre a mídia”, ressaltou Bernardo no congresso organizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Para ele, o controle do conteúdo veiculado pelos órgãos de imprensa contrariam os valores defendidos pela presidente Dilma Rousseff.

As mudanças no setor, segundo o ministro, precisam considerar a constatação de que os usuários de internet já superaram os da TV aberta em número de horas. Na avaliação do governo, este cenário tende a se acentuar, já que as empresas de telecomunicações, cada vez mais, têm ampliado o número de conexões banda larga. A meta do Ministério das Comunicações é levar o serviço de internet a 70% dos lares até 2014, o que corresponderia a 40 milhões de domicílios atendidos.

Outro risco enfrentado pelos segmentos tradicionais da imprensa é refletido pela perda de participação no mercado publicitário. O ministro destacou que a internet já responde por 12% do mercado publicitário, perdendo somente para a televisão aberta. “A verdade é que existe hoje, no Brasil e no mundo, um novo mercado, que não pode mais ser chamado nem de radiodifusão nem de telecomunicações, mas sim de ‘comunicação eletrônica’”, disse.

De acordo com o ministro, a ofensiva representada pelo crescimento do mercado de TV por assinatura também deve ser objeto de preocupação, especialmente das emissoras de TV aberta. Bernardo ressaltou que a TV paga já reúne mais de 14 milhões de assinantes e deve se expandir ainda mais a partir das alterações que têm ocorrido no ambiente regulatório.

“Essa realidade coloca as tradicionais empresas jornalísticas, bem como as empresas de rádio e televisão, em competição cada vez mais direta com conglomerados de projeção global, como as operadoras de telecomunicações, fabricante de equipamentos e gigantes da internet”, afirmou Bernardo.

Durante palestra no evento, o ministro questionou se a regra que obriga o controle de empresas jornalísticas por capital brasileiro vale também para as empresas de internet. Outra dúvida está relacionada à atuação dos veículos que vendem conteúdo online ou em televisores conectados devem ser submetidos às exigências impostas à TV paga ou radiodifusão. “Até hoje inexiste qualquer lei que discipline como isso dever ser feito”, afirmou.

07/06/2012 - 08:35h Disputa com governo divide imprensa argentina entre ‘opositora’ e ‘governista’


Agressões com motivações políticas se tornaram frequentes no país, e jornalistas reclamam da falta de entrevistas por parte de integrantes do governo.

07 de junho de 2012

BBC Brasil – O Estado SP

O jornalismo independente na Argentina parece estar em baixa. A disputa entre o governo da presidente Cristina Kirchner e a imprensa acabou dividindo, perante a opinião pública, as empresas de comunicação e jornalistas do país entre “governistas” e “opositores”.

Na véspera do dia do jornalista, comemorado nesta quinta-feira, Cristina criticou as agressões a uma equipe da emissora estatal Canal 7, durante um “panelaço” contra o governo em Buenos Aires.

Os repórteres foram identificados como “governistas” pelos manifestantes. E o ataque foi mais um capítulo na tensa relação entre grupos políticos distintos na Argentina.

As agressões, no entanto, também são direcionadas a jornalistas considerados “oposicionistas”.

Nas últimas semanas, apareceram em vários pontos de Buenos Aires cartazes com o rosto de Daniel Santoro, editor de política do jornal Clarín, o de maior tiragem do país e identificado como “opositor”. No cartaz, Santoro era chamado de “espião russo”.

Segundo a organização Foro de Periodismo Argentino (Fopea), em 2011 foram registrados 122 casos de agressão a empresas de comunicação e jornalistas, incluindo denúncias de antenas de rádio derrubadas por serem criticas do governo.

A tensa relação entre governo e imprensa também foi apontada no recente relatório de direitos humanos do Departamento de Estado americano.

Clarín

Para o jornalista e escritor Ceferino Reato, editor da revista Fortuna, do grupo Perfil, “as definições e a divisão (de empresas de comunicação e jornalistas governistas e opositores) existem e são alimentadas pelo próprio governo a partir de sua briga com os jornais Clarín e La Nación”.

Santoro, por sua vez, afirmou que “não existem santos” nesta discussão, que envolve governo, empresas e jornalistas, mas ressalvou: “O papel do jornalista é ser crítico, é investigar e estar atento às medidas do governo. Mas o governo não vê o jornalismo dessa forma”.

Para os entrevistados pela BBC Brasil, a disputa ganhou impulso após o suposto apoio, em 2008, do jornal Clarín aos produtores rurais, durante os protestos do setor agrário contra o governo.

O jornal acabou virando alvo da nova Lei de Audiovisual, que obrigará o grupo a se “desfazer” de parte de suas empresas a partir de dezembro, como lembrou a presidente em um discurso, na semana passada.

Cartazes com os dizeres “Clarín mente” também já se tornaram corriqueiros e são ostentados até mesmo por ministros e pelo vice-presidente, Amado Boudou, ou nos muros do país.

Defensores da causa

Profissionais de imprensa apontam a existência de um jornalismo militante no país, nos dois lados, o que aparentemente contradiria os princípios de independência jornalística.

Um funcionário da emissora estatal Canal 7, que não quis se identificar, atribuiu a divisão à defesa das políticas do governo.

“Os da situação apoiam a causa (do governo), e os da oposição, não”, disse.

Outro jornalista, que também não quis revelar o nome, defende sua opção “governista”.

“Seria uma loucura não apoiar projetos do governo, como a reabertura dos processos de crimes contra direitos humanos cometidos na ditadura, assim como o casamento das pessoas do mesmo sexo e a oposição aos organismos internacionais, principalmente o FMI”, disse.

“Queremos perguntar”

Outra reclamação dos jornalistas é sobre a falta de acesso da imprensa a ministros e à presidente. Desde que assumiu o governo, há cinco anos, Cristina deu uma única entrevista coletiva.

E fatos de rotina em outros países, como a divulgação da agenda das autoridades da administração central, não existem na Argentina.

Para a senadora opositora e jornalista Norma Morandini, “o governo prefere os discursos às entrevistas à imprensa” e “vê os jornalistas independentes como opositores”.

Na sua opinião, a presidente vê o jornalista independente como um “inimigo” e tem a mesma visão em relação ao “opositor político”.

“O governo entende que críticas correspondem aos inimigos e divide a sociedade de forma perigosa”, disse Morandini.

Há poucos dias, Cristina justificou a preferência por discursos e a ausência de entrevistas coletivas dizendo que não falaria mal dela mesma.

A comunicação unilateral da presidente motivou um protesto pouco comum por parte da imprensa. Há duas semanas, dezenas de jornalistas de diferentes meios formaram um coro no programa Periodismo Para Todos (Jornalismo Para Todos), do jornalista Jorge Lanata, para dizer: “Queremos perguntar”.

Apesar da polarização, especialistas, jornalistas e políticos ouvidos pela BBC Brasil disseram que existe liberdade de expressão na Argentina.

“Sempre me perguntam se existe liberdade de expressão. Digo sim, apesar de coisas complicadas, como a distribuição arbitrária da publicidade oficial, a escassez de entrevistas coletivas, a falta de uma lei de acesso à informação pública”, disse o diretor executivo do Fopea, Andrés D’Alessandro.

24/05/2012 - 10:20h Los Correos y Perú.21

Peru21
Palma tenía acceso a los correos de casi 20 ministros y altos funcionarios de este y el anterior gobierno. Accedía a los proyectos de ley que se iban a votar en las agendas del Consejo de Ministros (ver abajo), estrategias reservadas de política internacional y combate a la minería ilegal.


CARETAS

Entre marzo y abril, el ex periodista de Perú.21 Rudy Palma ingresó 967 veces al correo del ministro José Luis Silva. Las contraseñas eran complejas y no podían adivinarse por juego deductivo, como lo describió el redactor. Nuevos indicios aparecen.

Hasta ahora, el caso de Palma (35), encarcelado por orden judicial, primero en Lurigancho y desde el lunes 21 en Piedras Gordas II, ha sido narrado como el de un fisgón, un retraído voyeurista informático que intervenía cuentas de correos electrónicos sin más consecuencias que el callado almacenamiento en su disco duro de los datos interceptados.

Pero la frecuencia de acceso a los correos del titular de Comercio Exterior y Turismo, en promedio más de 25 veces diarias durante el mencionado período, no puede hacer más que plantear interrogantes.

Los Chuponeados

El segundo dato que salta a la vista se encuentra en el oficio emitido el 16 de mayo por el fiscal adjunto provincial Víctor Tullume Pisfil al fiscal superior Tonny García Cano, de la Segunda Fiscalía Superior Especializada en Criminalidad Organizada, al que accedió CARETAS.

En el oficio Tullume da cuenta de la queja de la Procuraduría Pública de la Presidencia del Consejo de Ministros por no incluir a Fritz Du Bois, director del tabloide propiedad del grupo El Comercio, entre los denunciados penales.

Ahí se lista el grupo de funcionarios cuyos correos fueron interceptados, además del de Silva y de la viceministra de Turismo Claudia Cornejo Mohme: en el MEF fueron víctimas José Carlos Chávez Cuentas, Óscar Arturo Pajuelo Ramírez (director general de contabilidad pública), Jorge Manuel Mesinas Montero (director de calidad del gasto público), Roger Siccha Martínez (jefe de recursos humanos) y Wilfredo Silva Lozada (director de la Oficina General de Planificación, Inversiones y Presupuesto).

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Las Contraseñas

Según declaró en su primera indagatoria del 26 de abril, Palma obtuvo las contraseñas “por deducción propia. El usuario era el mismo que la clave. Cuando entré al diario me lo dieron así e imaginé que sucedía igual con otras entidades”.

Se trata de un punto clave de contingencia.

Según fuentes consultadas en las dependencias de los afectados, las contraseñas sí eran complejas y muy difícilmente podría haber llegado a todas ellas a través de un simple juego deductivo.

En la misma declaración, Palma reconoció además que tuvo en su poder la contraseña del ex ministro de Trabajo, Rudecindo Vega, y la del correo de Juan Gastañeda, asesor de Silva, a la que había accedido recién en los días previos. El correo de Roger Siccha fue el último al que entró antes de ser detenido el 25 de abril.

En su segunda indagatoria ofrecida el 3 de mayo elaboró sobre los correos que intervino durante el gobierno anterior. Sus blancos fueron:
–Jorge del Castillo (ex PCM).
–Enrique Cornejo (Transportes y Comunicaciones).
–Jorge Villasante (Producción).
–Ántero Flores Aráoz (Defensa).
–Iván Hidalgo (Programa Juntos).
–Carlos Casas, ex viceministro de Economía.
–Fernando Toledo, ex viceministro MEF.
–Ismael Benavides, ex ministro de Economía.
–Rosalía Álvarez, ex secretaria Ejecutiva de Hacienda.

Es decir, Palma, que trabajaba en el diario desde 8 años atrás, se dedicaba a hackear correos de altos funcionarios por lo menos desde 2008.

¿Por qué entonces su discreción, aparentemente cultivada durante años, se fue al traste de un momento a otro?

Extraño Chantaje

El mes pasado Silva comenzó a recibir correos con visos de chantaje y amenazas, relacionados a su vida personal. Las comunicaciones provenían de un tal “Gonzalo Carrillo”.

En ese momento el Mincetur comenzó a rastrear los probables ingresos irregulares al correo del ministro, a partir de lo que se llegó al IP de Perú.21.
Otro correo con similar contenido llegó el 16 de abril de 2012 a las 19:15, pero, en un alarde de osadía, fue recibido por la mayoría del personal del ministerio. Dos días después, a las tres de la tarde, otro más llegó a la bandeja de entrada de la esposa de Silva, Giselle Durand.

Silva se apersonó hasta 3 veces a la Dirincri para presionar por el seguimiento de la investigación policial. Lo mismo hicieron tres fiscales, que incluso llegaron a esa dependencia un domingo.

El ministro visitó el diario el 23 de abril a las 9 de la noche, por espacio de una hora. Así lo confirmó El Comercio en su editorial del domingo 20:

“Antes de que hubiese una investigación oficial, (Silva) se presentó a las oficinas de la empresa en su afán de averiguar el origen de las intromisiones detectadas en los correos electrónicos de su ministerio. Los técnicos de la empresa hicieron saber que los datos que había traído el ministro correspondían a la computadora usada por Rudy Palma en Perú.21. Ese diario permitió al día siguiente, sin necesidad de orden judicial, que la Policía y la fiscalía interviniesen la PC que usaba Palma”.

El redactor ha negado en sus manifestaciones que los correos amenazadores que recibían Silva y su esposa, y que hicieron saltar la liebre, fueran enviados por él. Hasta ahora las investigaciones no han probado lo contrario.

Sin embargo, algunos de los correos que tenía Palma, pues los reenviaba a sus propias direcciones desde las cuentas de los hackeados, son los mismos que fueron adulterados y usados como insumo por los chantajistas.

¿Palma fue a su vez chuponeado o acaso entregó los correos a un tercero?

La Información

El periodista ha reconocido a la Policía que “sí utilizaba la información que consideraba de interés público para escribir artículos, tales como traspaso de los consejeros comerciales de Cancillería a Mincetur, medidas para la reducción de los costos portuarios, medidas para promocionar la marca Perú, entre otros”.

El cargo más grave que le hace el Ministerio Público en su denuncia es el de los delitos contra el Estado y la Defensa Nacional, por la publicación de dos artículos a partir de información interceptada: uno sobre la negociación de un convenio algodonero con Venezuela, y el trámite para permitir el ingreso de una unidad naval y personal militar de Chile en territorio peruano en septiembre pasado, en el marco de actividades con Fuerzas Armadas extranjeras.

Por ello podría recibir hasta 15 años de prisión, y se trata de una acusación ciertamente discutible.

Pero el premier Óscar Valdés sí debe haber considerado muy delicado que Palma accediera con anticipación a las agendas de los Consejos de Ministros. Solo así se explica que la procuraduría de su sector se haya puesto detrás del caso. Palma, por ejemplo, tenía conocimiento de las discusiones sobre los recientes proyectos de ley que permitieron declararle la guerra a la minería ilegal y las recomendaciones de la cancillería sobre la estrategia a seguir en desacuerdos en la Comunidad Andina.

Sostiene que “en alguna ocasión” pasó información a sus colegas de la sección política, Carmen Mendoza y Dan Flores.

El pasado 11 de diciembre, tras la renuncia de Salomón Lerner a la PCM y el anuncio de Valdés como su reemplazante, la incertidumbre persistía sobre el resto de carteras. Todos los diarios salieron con apuestas diferentes pero solo Perú.21 acertó en cada una de las predicciones.

Durante toda esa mañana, Palma twitteaba información privilegiada para sus 2,177 seguidores. Adelantaba que el “ministro de Comercio Exterior, José Luis Silva, continuará en el cargo” y “Al mediodía en Palacio, habrá reunión de coordinación del nuevo gabinete ministerial”.

Palma asegura que “la información obtenida solo fue utilizada por mi parte para elaborar informes periodísticos. No me he beneficiado económicamente con esta información”.

A pesar de todo, es evidente que solo publicaba una mínima parte del torrente de datos con los que contaba.

¿El resto de información se quedó en su computadora, ahora lacrada por las autoridades, igual que su laptop?

Un Contexto Peligroso

El grupo El Comercio ha cuestionado que se busque establecer la existencia de una organización, cuando Palma “actuaba solo”.

En ese sentido, se abocó a criticar la orden de captura emitida contra la editora Gina Sandoval, que fue finalmente revocada el lunes 21.

Sin embargo, fue el propio Du Bois quien en su declaración policial del 2 de mayo explicó que “obligatoriamente los redactores informan las fuentes donde obtuvieron las noticias. Nosotros no publicamos noticias que sean de fuentes desconocidas, es decir, la editora tiene conocimiento de dónde el redactor obtuvo la información”.

El director del diario limitó su propia labor a establecer “lineamientos generales de las noticias que deben ser publicadas”, mientras que “el editor (es el) encargado de revisar las notas y corroborar su veracidad”.

Se entiende, pues Du Bois tiene otras ocupaciones. Actualmente ocupa puestos en los directorios de JJC Contratistas Generales, AFP Integra, el grupo pesquero Austral, la distribuidora de gas Cálidda e Intergroup Financial Services, con sede en Panamá.

También ha sido puesta en cuestión la severidad mostrada con Palma, que inicialmente fue enviado a un infernal penal para reincidentes y delincuentes peligrosos como lo es Lurigancho.

Algún cambio en la percepción del caso debió operarse en el decano, pues Palma, que ganaba S/. 3,500 mensuales, reemplazó a su abogado entre su declaración del 26 de abril y la del 3 de mayo. De Carlos Montes de Oca pasó a tener como defensor a José Luis Malaver.

La historia parece ir para largo.

En tiempos que se sigue discutiendo una peligrosa ley que podría terminar por prohibir la publicación de todo material cuyo origen haya sido la interceptación, incluso cuando lo justifiquen auténticas razones de interés público (CARETAS 2211), se hace urgente separar la paja del trigo y practicar una sana profilaxis en el oficio periodístico.

Resulta más intolerable que nunca que el “chuponeo” se practique dentro de las redacciones. Si no hay que ver el ejemplo del imperio tambaleante de Rupert Murdoch. Fue un diario respetado en el Reino Unido, The Guardian, el que puso en evidencia la metástasis de interceptaciones de las comunicaciones privadas como método de pesquisa periodística en Inglaterra. Y el resto de medios tampoco respondió con el silencio.

22/05/2012 - 10:58h FHC defende regulação dos meios de comunicação

João Brant – para o Observatório do Direito à Comunicação

17.05.2012

O título, o ambiente e o programa sugeriam que o seminário “Meios de comunicação e democracia na América Latina”, realizado no último dia 15 no Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), seria um palco para a cantilena contra a regulação do setor e de crítica feroz às iniciativas em curso em países da região. Mas não foi esse o tom predominante.

Com a participação de ex-presidentes da Bolívia e do Equador e um ex-porta voz da presidência do México, além do jornalista brasileiro Eugênio Bucci, o debate foi marcado principalmente por duas preocupações. De um lado, o desafio de manter um jornalismo investigativo independente em um cenário de enfraquecimento dos meios tradicionais. De outro, uma afirmação quase uníssona sobre a necessidade de regulação democrática do setor, resumida pelo ex-presidente Fernando Henrique, presente ao evento: “não há como regular adequadamente a democracia sem regular adequadamente os meios de comunicação”.

Regulação em pauta

O seminário promoveu o lançamento do livro “Meios de comunicação e democracia: além do Estado e do Mercado” uma publicação conjunta do iFHC, Centro Edelstein de Pesquisas Sociais e do projeto Plataforma Democrática. A publicação é em boa parte pautada pela discussão sobre medidas de regulação dos meios de comunicação. O primeiro texto é de autoria dos argentinos Guillermo Mastrini e Martin Becerra, professores que estudam a concentração do setor na América Latina e que apoiaram a redação da lei de comunicação audiovisual aprovada no país em 2009.

No livro, o organizador da publicação, o sociólogo Bernardo Sorj, avalia que “generalizações sobre a América Latina mascaram realidades muito diferentes” e que “não é demais lembrar que qualquer legislação deverá orientar-se em primeiro lugar pelo objetivo de garantir a liberdade de expressão dos cidadãos frente ao poder do Estado e ao poder econômico”.

Na abertura do seminário, Sorj apresentou uma leitura dos contextos político e dos meios de comunicação e listou algumas das ações necessárias para alterar o quadro atual. No contexto político, o sociólogo identificou três elementos centrais: um sistema legal precário, uma crise de representação dos partidos e das ideologias políticas que valoriza o papel dos meios e a exigência de uma nova regulação dos meios em função da convergência tecnológica. Em relação ao contexto dos meios de comunicação, o sociólogo destacou a inexistência ou baixa audiência de emissoras públicas, sistemas regulatórios ultrapassados e nem sempre aplicados e uma tendência à concentração de propriedade.

As propostas apresentadas por ele reforçam a necessidade de regulação do setor privado e da ação do poder público e se assemelham em boa parte às apresentadas por setores que defendem a democratização da comunicação. Entre elas, o enfrentamento à concentração, o fortalecimento do sistema público e o apoio a pequenas e médias empresas de comunicação [ver lista completa ao final da  matéria].

Crise de valores dos meios

As apresentações trouxeram abordagens complementares da relação entre meios de comunicação e democracia. Carlos Mesa, ex-presidente boliviano, salientou uma espiral de perda de valores que vivem os meios de comunicação e seus dirigentes. Ele comparou a crise da mídia com a crise do sistema financeiro, que descreveu como “uma orgia obscena do capitalismo”. Essa crise seria fruto de uma dificuldade de se situar em um cenário de organização da informação que tem a frivolidade como elemento central. “A mídia é protagonista e fiscalizadora, juiz e parte. Mas seu poder não vem acompanhado de responsabilidade”, observou.

Carlos Mesa repercutiu uma questão que atravessou todo o seminário, que é atual dificuldade financeira para sustentar o jornalismo investigativo. O problema, segundo ele, é que “apesar de vários meios impressos tradicionais terem uma grande audiência na internet, essa audiência não se transforma em recursos financeiros”. O desafio, portanto, seria garantir ao mesmo tempo credibilidade e capacidade de infraestrutura no novo cenário.

Conhecido por defender os interesses das elites bolivianas, Mesa não deixou de expor suas convicções. Ao discutir a necessidade de regulação da comunicação, o ex-presidente ressaltou que é preciso reconhecer que pode haver diferentes tipos de regulação e criticou a reserva de espectro realizada na Argentina, Uruguai e Bolívia. “Em meu país, um terço das frequências de rádio e TV está reservado para povos indígenas e originários e setores comunitários. O que eles farão com isso?”, perguntou ironicamente.

As observações do mexicano Rubén Aguilar, ex-porta voz de Vicente Fox (presidente entre 2000 e 2006), focaram-se mais na promiscuidade dos meios de comunicação e do Estado em seu país. Aguilar descreveu a relação entre as partes como sendo historicamente pautada pelas negociações financeiras, tendo mudado pouco nas últimas décadas. “Antes o governo pagava, agora os meios cobram”, observa Rubén.

Para ele, a marginalidade da imprensa escrita – o maior jornal da cidade do México tem tiragem de 100 mil exemplares – concentra muito poder no rádio e na televisão, o que se agrava pelo fato de que dois grupos econômicos controlam a maioria dos meios eletrônicos. “Vivemos uma situação hoje em que não há conflitos entre poder e meios de comunicação. Isso é muito ruim para a democracia”. Aguilar também defendeu abertamente a necessidade de regulação do setor.

A apresentação de Osvaldo Hurtado, ex-presidente do Equador, foi a única que se centrou no discurso recorrente que identifica ameaças à liberdade de imprensa nas ações de presidentes latino-americanos. Em sua mira, Rafael Correa, Evo Morales, Hugo Chávez e Daniel Ortega. Hurtado, que presidiu o Equador no início da década de 1980, focou-se especialmente nas críticas às ações de Correa, sugerindo inclusive que a sentença que ordenou ao jornal El Universo o pagamento de US$ 40 milhões de indenização a Correa teria sido redigida dentro do palácio presidencial do Equador.

Problemas brasileiros

Ao tratar do caso brasileiro, o jornalista Eugênio Bucci avaliou que a discussão no país está dificultada por duas irracionalidades: uma de matriz de direita, que diz que nenhuma regulação é necessária; outra, de matriz de esquerda, que defende a regulação por um desejo de censurar os meios. Para Bucci, a regulação é necessária, especialmente para enfrentar três gargalos: a confusão entre religião, meios e partidos; a presença possível de monopólios e oligopólios e o abuso das verbas dedicadas à publicidade oficial. Em sua opinião, os governos deveriam ser proibidos de anunciar, porque as verbas “dão espaço para proselitismo oficial com dinheiro público”.

No debate ao final das apresentações, o cientista político Sérgio Fausto lamentou que o Brasil não tenha a cultura do debate racional e prefira a confrontação de opiniões dogmáticas fechadas. Fausto avalia que essa seria a dificuldade de a internet substituir o papel dos meios tradicionais. “A democracia do acesso gera também a corrosão de valores fundamentais sem os quais poderemos ter mais vozes e menos democracia”, disse Fausto, que é também diretor executivo do instituto FHC.

A crítica mais contundente ao sistema de comunicações brasileiro veio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em seus comentários, FHC criticou especialmente a ausência de pluralismo. “Os meios de comunicação no Brasil não trazem o outro lado. Isso não se dá por pressão de governo, mas por uma complexidade de nossa cultura institucional”, disse FHC. “Nós temos toda a arquitetura democrática, menos a alma”.

FHC afirmou ainda que é preciso lutar pelos mecanismos de regulação que permitam a diversidade. Para ele, “não há como regular adequadamente a democracia sem regular adequadamente os meios de comunicação”.


Sumário das propostas apresentadas na introdução do livro “Meios de comunicação e Democracia: além do Estado e do Mercado”, organizado por Bernardo Sorj, publicado pelo Instituto FHC, Centro Eldenstein e Plataforma Democrática:

Regulação da ação do poder público
1. A distribuição de concessões de rádio e televisão deve passar pela criação de uma agência reguladora que aja com transparência e cujas decisões sejam abertas ao debate e escrutínio público.
2. Garantir a autonomia dos canais ou emissoras públicas direta ou indiretamente dependentes de recurso público.
3. O uso e a distribuição da dotação pública para publicidade oficial devem ser transparentes e politicamente neutros.
4. O favorecimento de certos meios, quando realizado em nome do apoio a pequenas e médias empresas de comunicação, deve ser realizado com critérios transparentes e universais, abertos ao debate e ao escrutínio público.
5. A liberdade de informação inclui a obrigação dos governos de informar.
6. Garantir o acesso público aos conteúdos sem que eles sejam parasitados por sites comerciais e garantir a neutralidade da Rede.

Regulação do setor privado
1. Combater a concentração de propriedade dos meios privados, pela ação de agências reguladoras autônomas do poder governamental (não confundir a extrema concentração com a existência de grupos de mídia economicamente sólidos).
2. Garantir a sustentabilidade do jornalismo investigativo, pela sua importância para o sistema democrático.
3. Políticas públicas para favorecer o pluralismo, com política de apoio universal ao surgimento de novos jornais e subsídios que diminuam os custos de entrada no setor.
4. Conscientizar a sociedade sobre a importância de ter acesso à informação e ser capaz de realizar uma leitura crítica da informação recebida.

20/04/2012 - 12:12h Gracias

Guillermo Giacosa – Perú 21

Viernes 20 de abril del 2012

Gracias, prensa libre. Me han sacado un enorme peso de encima.

Guillermo Giacosa,Opina.21
ggiacosa@peru21.com

Yo, que miraba aterrado el futuro, me he liberado de esa angustia al enterarme de que, de los problemas actuales, el único que merece ocuparse a fondo de él, y el que realmente amenaza el futuro del sentido común, es el vinculado a la expropiación de las acciones que Repsol tenía en YPF, decisión tomada por el Ejecutivo argentino.

Yo, que estaba preocupado porque Grecia se hubiese convertido de hecho en un protectorado, porque España rompa récords de desocupación, por la situación calamitosa que viven italianos, portugueses e irlandeses, por los resultados dramáticos que, según el Nobel Stiglitz, tendrán las medidas que aplica la Unión Europea para salir de la crisis, por las nuevas burbujas que estallarán según otros economistas, por las guerras en marcha y por las nuevas amenazas a la paz, etc. Todo eso no tiene nada que ver con un sistema que, admitámoslo, depredando ‘un poquito’ la naturaleza ha logrado enriquecer a un número de personas cuya felicidad no podemos compartir pero cuyo éxito admiramos.

Gracias a quienes me aliviaron la carga de pensar tan erradamente. Muchos de los que merecen mi agradecimiento opinaron en su momento a favor de la guerra contra Irak, de la invasión a Afganistán, de las amenazas a Irán y, a veces, no tienen tiempo de recordar a los presos de Guantánamo, las torturas de Abu Ghraib, los bombardeos sobre niños, etc. Acá, lo grave es que Argentina haya recuperado la petrolera estatal para su país con lo bien que le iba importando U$9,000 millones de dólares de petróleo al año. Gracias.

10/04/2012 - 10:58h Perú es el líder en lectura de periódicos en América Latina

Más por necesidad que por placer. Aun así, el Perú ha llegado a liderar la lectoría de diarios en la región.

GESTIÓN

Los peruanos son quienes más leen periódicos en la región latinoamericana. Asimismo, los chilenos lideran la lectoría de revistas. En cualquier caso se lee poco y más por necesidad que por gusto.

Así lo dio a conocer el Centro Regional para el Fomento del Libro en América Latina y el Caribe (CERLALC) en su estudio comparativo sobre el comportamiento del lector y los hábitos de lectura, que abarca a Argentina, Brasil, Colombia, Chile, México y Perú, además de España, que sirve como referente de un país desarrollado.

Así, el Perú con un índice del 71 , en lectura de periódico está cerca a España (78), pero muy separado de los otros países, pues su seguidor inmediato es Chile con el 36%, mientras que en México solo el 15% de la población dice leer periódicos.

Los motivos más aducidos para la lectura en América Latina son la actualización cultural y los conocimientos generales, así como las exigencias académicas, escolares o laborales. Mientras que en España, se dedican más a la lectura por placer.

Libros
El estudio de CERLALC también reveló que en los índices de lectura de libros, Argentina está a la cabeza con el 55%, seguido de Chile (51%), Brasil (46%), Colombia (45%), Perú (35%) y México (20%). En España el índice es del 61 %.

Eso significa que, en promedio, el 41% de la población de todos esos países lee libros, con una frecuencia que va de al menos una vez al mes hasta una vez al año.

Chile y Argentina encabezan la lista de cantidad de libros leídos al año por habitante, con 5.4 y 4.6, respectivamente, frente a los 10.3 de España, mientras que México y Colombia, con 2.9 y 2.2, están en la parte más baja de la
escala.

Un brasileño lee en promedio cuatro libros al año, y de estos, solo 2.1 son leídos en su totalidad.

En lo que se refiere a revistas, es Chile el país con más lectores, 47% de la población dice leerlas con frecuencia, un punto porcentual más que en España (46%).

En el otro extremo de la escala está Colombia, con solo 26% de lectores de revistas.

CIFRAS Y DATOS
Brasil está compuesto por 50% de lectores y 50% de no lectores.

La razón más aducida para no leer es la falta de tiempo, con un porcentaje que va desde el 53% de Brasil hasta el 28% de Chile.

La forma mayoritaria de acceso a los libros en América Latina es comprándolos, igual que en España.

En el Perú solo el 23% de la población puede comprar un libro. En Colombia el 31% los pide prestados.

10/04/2012

22/05/2011 - 12:07h Polarização da mídia marca 2º turno no Peru

Em meio a denúncias de ‘guerra suja’ de Humala e Keiko, jornalistas são agredidos, ameaçados e demitidos na reta final da campanha presidencial

Luiz Raatz – O Estado de S.Paulo

A duas semanas do segundo turno das eleições peruanas, os candidatos Keiko Fujimori e Ollanta Humala denunciaram uma “guerra suja” na imprensa contra suas candidaturas. Tentativas de agressão a jornalistas, ameaças de morte e demissões em jornais, rádios e TVs acirram a polarização.

Ao menos dois episódios de violência contra jornalistas e duas ameaças de morte aconteceram no segundo turno, de acordo com o Instituto de Imprensa e Sociedade (IIS), órgão que monitora a liberdade de imprensa do país. Outros dois profissionais perderam o emprego e três demitiram-se em protesto, denunciando falta de equilíbrio na cobertura.

Keiko contesta tentativas de retratá-la como um “fantoche” de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000 e cumpre 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade. Já Humala reclama de uma “campanha de difamação” de parte da imprensa, que o vincula ao presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Segundo o IIS, a exacerbação da disputa atrapalha o ambiente democrático. “A situação está muito polarizada”, diz a secretária de Comunicação da entidade, Adriana León.

Engajamento. De acordo com analistas consultados pelo Estado, os dois maiores diários de Lima – La República e El Comercio – engajaram-se na campanha. O primeiro apoia Humala, e o segundo é favorável a Keiko.

Para o cientista político peruano Eduardo Toche, do Centro de Estudos de Promoção do Desenvolvimento (Ceped), a mídia tem o direito de simpatizar com um candidato, mas não pode distorcer a informação. “A imprensa deve ser um meio de divulgação de informação, não de propaganda política”, afirma.

A ONG Repórteres Sem Fronteiras criticou as demissões de jornalistas no Peru. “Preferência editorial não impede uma cobertura plural, e não justifica a “caça às bruxas”, diz o comunicado. “Assim, os meios fortalecem a impressão de que estão sendo pressionadas pelos candidatos.”

15/05/2011 - 17:49h A morte da vida privada

Meses finais de Gustav Mahler marcaram o fim do respeito da mídia pela privacidade dos famosos

Sérgio Augusto – O Estado de S.Paulo

Michael Jackson não foi a maior celebridade de todos os tempos. Nem Elvis Presley. Jesus ainda ganha dos dois. E também de Hitler e de quem mais se arriscar nessa inglória disputa. Antes de Jesus, houve Sócrates e Alexandre (o Grande); e antes de Jackson e Presley, houve Lorde Byron, Sarah Bernhardt, Charles Lindbergh – todos popularíssimos em suas respectivas épocas, com vantagem para o filósofo grego e o monarca macedônio. Todos eles são citados na substanciosa história da fama (The Frenzy of Renown, literalmente O Frenesi da Notoriedade), que há tempos escreveu Leo Braudy, menos Jackson, pois o livro já estava pronto quando o cantor começou a firmar-se como a maior estrela pop do seu tempo.

Outra omissão, esta indesculpável: o compositor e maestro austríaco Gustav Mahler. Na próxima quarta-feira faz cem anos que ele morreu; merecidas homenagens ao seu gênio musical estão programadas em tudo quanto é canto, em salas de concerto, rádios, jornais, revistas, na TV, na internet, acompanhadas de lançamentos e relançamentos de gravações (a caixa de 11 CDs com as Sinfonias de Mahler, regidas por Leonard Bernstein, sai por US$ 46,65 na Amazon) e ensaios biográficos, entre os quais dois do crítico londrino Norman Lebrecht, que foi o único mahleriano até agora a chamar atenção para o fato de a morte do compositor ter auspiciado o nascimento de um fenômeno absolutamente moderno, qual seja o fim do respeito da mídia pela vida privada de uma celebridade.

Circo midiático já não era uma novidade desde novembro de 1910, quando o sumiço de Leon Tolstoi provocou uma épica caçada internacional que só chegaria ao fim depois do tumultuado enterro do escritor, coberto até por cinejornais franceses, mas a frenética invasão da privacidade de Mahler, em seus últimos meses de vida, foi mesmo algo nunca visto até aquela data.

Na primeira década do século passado, Mahler era o maior nome da música erudita no eixo Viena-Nova York. Fizera uma revolução na cultura musical das duas cidades, cortando as asas das divas da Ópera de Viena e abrindo suas portas a outras formas de criação artística, refinando o gosto das plateias americanas, das mais abonadas às menos favorecidas, regendo concertos para estudantes e operários. Contemporâneo do idolatrado Caruso, Mahler também era reconhecido e reverenciado por onde passava, motoristas de táxi o apontavam nas ruas e avenidas de Manhattan. Em fevereiro de 1911, com seu contrato com o Metropolitan Opera House expirando e sob intensa pressão dos americanos para que o renovasse, uma inflamação na garganta o derrubou. Contrariando a recomendação do dr. Joseph Frankel, médico da família, foi reger seu último concerto. Acabou no hospital Mount Sinai. Diagnóstico: endocardite bacteriana, incurável na época.

Informado da gravidade da doença, Mahler pediu para ser levado de volta a Viena. Antes, por sugestão de Frankel, passou por Paris para uma consulta com o bacteriologista André Chantemesse, a última esperança de cura do compositor. Enquanto Mahler era examinado, na sala ao lado, Frankel dava em cima de Alma, a sedutora mulher do maestro, àquela altura mais preocupada em encontrar-se com o amante, o arquiteto Walter Gropius, futuro criador da Bauhaus.

A partir de Paris, a imprensa não largou mais o osso. Foi um assédio sem tréguas, com repórteres fazendo plantão na porta da clínica, abordando quem nela entrava e saía, contrabandeando rumores, indiscrições de enfermeiras e até telegramas. O diário austríaco Neue Freie Presse publicava boletins diários sobre o estado de saúde do compositor, com detalhes sobre sua temperatura, pressão arterial, tipo de alimentação, medicamentos, horas de sono, etc., vazados por Alma, com a colaboração da direção da clínica, interessada em promover seus serviços. Todo mundo tirou sua casquinha: de Bruno Walter, discípulo de Mahler, com bom trânsito na imprensa, a uma marca de leite búlgaro, incluída na dieta de Mahler, que explorou ao máximo o marketing gratuito.

“O bem nutrido frenesi em torno do leito hospitalar de Mahler foi de uma indecência sem precedentes”, escreveu Lebrecht, algo que só voltaria a ser visto em Paris 86 anos depois, com a morte de Lady Di, quando a mídia voltou a eximir-se de responsabilidade moral por fomentar a bisbilhotice e a histeria coletivas.

A viagem de trem até Viena foi outra odisseia. Cobriram-na como se a bordo estivesse, moribundo, o imperador Francisco José I. A cada parada, hordas de jornalistas invadiam a estação, famintos de notícias. Na capital austríaca, de duas em duas horas os editores dos principais veículos ligavam para o sanatório Löw, em que Mahler foi internado. Para compensar a falta de novidades, fantasiavam melhoras e pioras, colhiam depoimentos de amigos e estampavam caricaturas de Mahler “em seu leito de morte”. Fãs, voyeurs e outras modalidades de parasitas inventavam maneiras engenhosas de invadir o hospital.

Arthur Schnitzler e Alban Berg rondaram o sanatório em busca de algum tipo de inspiração para suas obras. Deu em nada. Thomas Mann, mesmo a distância (estava de férias no Adriático), revelou-se mais profícuo, inspirando-se em Mahler para compor o Gustav von Aschenbach da novela Morte em Veneza, cujo desfecho é uma alusão à morte do compositor, que, embora esperada havia quase três meses, também chocou, como a de Aschenbach, o mundo inteiro.

Mahler foi enterrado no cemitério Grinzinger. Queria apenas seu sobrenome na lápide, puseram o nome completo, mas nada além disso. Seu túmulo é austero e discreto, como a mídia de um século atrás, apesar de incipiente, não soube ser – nem aprenderia a ser.

21/04/2011 - 17:59h El fujimorismo congelado y aislado

Editorial LA REPÚBLICA – PERÚ

La decisión responsable tomada por medio centenar de intelectuales y artistas, que han decidido libremente sumarse a las filas de Gana Perú para ayudar a diseñar el perfil de centroizquierda que requiere para derrotar a los dirigentes de la vieja dictadura violadora de los DDHH y corrupta, ahora agrupados en torno a la hija del reo Alberto Fujimori, parece haber trastornado a sus voceros y a los medios que los apoyan.

No hay otra explicación para la satanización que este grupo de peruanos –entre los cuales hay economistas, juristas, historiadores y artistas de primer plano– recibe. De pronto se les cubre de improperios y se les trata de oportunistas y maquilladores, llegando a la aberración de proclamar que un plan de gobierno es un texto tan sagrado como la Biblia y no puede ser modificado, cuando es todo lo contrario: un instrumento dinámico sujeto a cambios, así como la política es variable en función de los consensos y los pactos.

Lo que sucede es que, al ampliar GP su penetración hacia el centro, estos críticos se quedan sin su principal argumentación y sin el espantajo que habían pensado arrastrar por lo restante de la campaña. Ya encontrarán otras falsedades, pero por ahora ese programa está en discusión, y más vale modificarlo ya en todo lo que sea necesario, que hacerlo desde el gobierno como Alberto Fujimori, que hizo desde el poder todo aquello que había afirmado durante la campaña que no haría.

Para acabar de descolocarlos, Mario Vargas Llosa –el intelectual con mayor peso ético con que cuenta el país– ha dado por terminado su periodo de reflexión y declarado en Buenos Aires que votará por Ollanta Humala y “pedirá a los peruanos democráticos que hagan lo mismo que yo”. El Nobel agrega que “espera que lo que diga el candidato sea verdad: que no seguirá el modelo Chávez sino el de Lula, no estatizará las empresas, no tocará los medios y renunciará a las medidas que provocan recelo”.

¿Cuál ha sido la respuesta de los fujimoristas? Que MVLL “necesita un psiquiatra”, es decir, desvalorizan a nuestra mente más lúcida. Nada quieren saber de quien califica de “mal mayor” el retorno al poder de la dictadura de Alberto Fujimori encarnada en la figura de la hija del autócrata. “Hemos cometido demasiados errores –agregó el Nobel– y espero que estos errores sirvan para reflexionar y no volver a cometerlos”.

Es la reacción que compartimos muchos peruanos al ver a Keiko Fujimori, diez años después, rodeada por los mismos rostros que acompañaron a su padre y que destruyeron el orden democrático, callando y apoyando la comisión de crímenes monstruosos y el saqueo de los fondos públicos, y que ahora aspiran a retornar. Y ya tenemos a Martha Chávez –el peor “chavismo” que conocemos– amenazando jueces y profiriendo gritos de venganza. Por eso el fujimorismo no pasará, y retornará al basurero de la historia.

14/04/2011 - 12:53h Perú: Hasta Aquí Nomás

Editorial Revista Caretas

Hasta los últimos días de este proceso, Keiko Fujimori y la gente de Fuerza 2011 habían logrado mantener una cierta distancia con el pasado más oscuro del fujimorato. Algo parecía prometer su juvenil candidatura, acompañada como estaba con una figura como Jaime Yoshiyama, tan humillado por Montesinos, y, entre bambalinas, por el buen hermano Santiago.

Pero a partir de su manifestación de cierre de campaña, Keiko no solo ha dado vivas filiales a su encarcelado padre sino que lo ha subido al estrado en calidad de prócer nacional y proclamado reiteradamente a su régimen como el “¡mejor gobierno de la historia del Perú!”.

¿Cómo? Aquí debe frenarse este sushi.

Esa candidatura implica ahora un humillante agravio a la Nación que se debe rechazar, y la proyección es peor.

¿Puede tener algún lugar ejemplar en nuestra historia el Presidente de la República que fugó del país de Grau, Cáceres y Bolognesi en circunstancias bochornosas, y que se refugió en la tierra de sus ancestros postulando incluso, aunque infructuosamente, a la Dieta en representación de una facción fascista?

¿Merece alguna consideración el reo que, condenado después de un ejemplar y meticuloso juicio público, que ningún observador internacional ha objetado, con cargos que ya previamente habían sido evaluados como delitos comunes por la Interpol, fue extraditado de Chile al determinar la justicia de allá que el caso de ‘Chinochet’ no era político sino criminal?

¿Es ese el personaje el que lideró el “mejor gobierno de la historia del Perú” y es su familia la que resguardará en el futuro la seguridad ciudadana?

¿Qué se cree la dinastía Fujimori, que este es un país de quita y pon, y sin memoria alguna?

¿No terminó el fujimorato con casi todos los miembros de su alto mando militar y policial en prisión, convictos y confesos por grandes latrocinios en la adquisición de armas y operaciones de pillaje auténticamente mafiosas?

¿Las atroces y estúpidas matanzas de los Barrios Altos y La Cantuta se explicarán en el futuro, como ya lo está volviendo a hacer Martha Chávez, como incidentes menores y daños colaterales comprensibles?

¿Se destruirá el monumento al Ojo que Llora y se anulará el proyecto del Museo (o Lugar) de la Memoria, ignorando el apoyo de las Naciones Unidas, del Premio Nobel Vargas Llosa y del actual Presidente Alan García para respetar la mentalidad del Grupo Colina?

En estos días, y ante la disyuntiva electoral planteada, hay que recordar e insistir en que la Patria es más que la administración de su economía y el bienestar de sus empresas, por más vitales e importantes que sean para el desarrollo. Un país es historia, dignidad, cultura, identidad y sobre todo futuro.

Cuidado con esta segunda vuelta. Rechacemos a un régimen propenso a convertir en prostíbulos a los medios de comunicación.

Evaluemos integralmente, con serenidad e inteligencia, a los candidatos y sus programas, y encontremos las formas de amarrar compromisos que respeten los procedimientos democráticos y administren racionalmente el proceso de nuestro auspicioso desarrollo económico y distributivo sin los desplantes de una izquierda que es anacrónica en todo el mundo.

Después de todo, ya se pueden comprobar los desastres y el desgobierno que hunden a Bolivia y convierten a Venezuela en un circo.

Mientras tanto, en aras de un clima menos dubitativo en los círculos de la inversión extranjera y nacional, nada de volverse a humillar por un polo naranja que salga de la Diroes. Quienes los usan ya sacan pecho para refregarlos con insultante arrogancia: “¡Fujimori, el mejor gobierno de la historia del Perú!”.

13/04/2011 - 12:15h Perú: Cuidados intensivos

OPINIÓN

Mirko Lauer – LA REPÚBLICA

¿Qué pueden hacer ahora quienes no votaron por ninguno de los dos ganadores de la primera vuelta? Una de dos cosas:
a. empezar a acomodar el ánimo para impedir con su voto que gane quien consideran el mal mayor;
b. negarse a participar en la segunda vuelta no votando, votando en blanco o viciando el voto en junio próximo.
En el fondo esta segunda idea que optar entre Ollanta Humala y Keiko Fujimori equivale a hacerse cómplice de un esquema antidemocrático a la corta o a la larga es bastante sofisticada. Implica sentirse muy lejos de las dos opciones, incluso ver a ambas como enemigas, lo cual supone una actitud democrático-liberal que no abunda entre nosotros.
Son pocos los dispuestos a perderse una competencia, y menos un match de fondo. En pocos días quienes ayer creyeron que esto es cáncer vs. sida reconvertirán la confrontación en un asunto de los buenos contra los malos, y se ubicarán en concordancia. Algunos incluso detectarán cierta hermética sabiduría popular en el desenlace de la primera vuelta.
Los candidatos derrotados y otros políticos están más que dispuestos a participar en esta reconversión, y de tomar partido por un lado u otro. El problema es que su capacidad de endosar votos es casi nula. No hay político con votos propios; lo que existe más bien son algunas afinidades electivas, que se pondrán en evidencia con las próximas encuestas.
Los políticos más cazurros simplemente no se van a pronunciar, sobre todo para no correr el riesgo gratuito de una nueva derrota a semanas de la anterior. Además es más seguro llegar a acuerdos en base a curules obtenidas que a apoyos lanzados en la arena pública. A esto último se van a dedicar los medios.
Pero no son afinidades tan intensas como para producir desplazamientos automáticos. El juego esencial de la primera competencia fue salir a seducir; el de esta segunda es convencer a un electorado profundamente desconfiado, en muchos casos para que vote, como se decía en el 2006, tapándose la nariz en las urnas.
Es evidente que a partir de aquí vamos a presenciar una fuerte transformación en el discurso y en los gestos de ambos candidatos. El fujimorismo tiene que resolver el asunto de la vinculación con su pasado. El humalismo tiene que resolver los temas vinculados a su futuro. Pero no está claro en cuál moneda convincente podrían depositar esas garantías.
La metamorfosis de una vuelta a otra necesariamente significa un cambio en la correlación de fuerzas dentro de cada grupo en competencia. Quién sale, quién llega de fuera, quién se queda en los corredores de la campaña siempre son mensajes electorales más elocuentes que los discursos, al menos para quien sepa mirar.

13/04/2011 - 12:01h Perú: El trasfondo social y político de la elección

EDITORIAL EL COMERCIO

Miércoles 13 de Abril del 2011

La elección del domingo genera temas para las más variadas reflexiones. Ante todo, la alta votación de las propuestas de Gana Perú y Fuerza 2011, que apelaron principalmente a los sectores menos desarrollados, trasunta una compleja cartografía social, antropológica, cultural y política, cuyo análisis no podemos soslayar.

Algo ha cambiado, y quizá no le hemos prestado la debida atención. Ahondar en ello conlleva un severo llamado de atención al Gobierno, al empresariado y a la clase política en general, para buscar soluciones concretas, y prontas, que no pongan en riesgo los avances democráticos ni económicos. Se necesitan ajustes, pero ello debe hacerse de modo responsable, con una concertación política y democrática basada en tales constataciones y principios.

Resulta innegable que, en estos últimos dos lustros, el Perú ha progresado. Nuestra macroeconomía es pujante y moderna, sobre todo en los grandes núcleos urbanos y, fundamentalmente, en Lima. Pero, la otra cara de la moneda es que este progreso no ha alcanzado a todos, mucho menos en el ámbito rural, que abarca una porción muy extensa en la zona andina y en la selva. Es cierto que se han recortado las cifras de pobreza y de pobreza extrema, pero lo que nos dicen los comicios del domingo es que esas cifras son insuficientes, que una cantidad muy grande de peruanos está desvinculada de ese progreso urbano, desamparada por el Estado y no participa de esos logros macros que los medios de comunicación ponen todos los días ante sus ojos, lo que alimenta la desconfianza y el hastío.

RESPONSABILIDAD DEL ESTADO E INJUSTA DICOTOMÍA

Tener en claro esta distinción es fundamental y la responsabilidad corresponde no solo a un sector empresarial que ciertamente está cambiando de a pocos, sino también al Estado (trátese de autoridades nacionales, regionales o locales), que con mayores fondos y recursos, no ha podido siquiera satisfacer adecuadamente necesidades básicas de educación, salud, seguridad (las tasas de violencia y criminalidad son cada vez más insufribles) e infraestructura.

¿Cómo es posible que, cuando las exportaciones y las reservas internacionales alcanzan picos históricos que demuestran el buen manejo económico, del otro lado más de la tercera parte del país viva en condiciones de pobreza y la desnutrición crónica infantil alcance el 16,5%? ¿Y qué decir del 23% de peruanos que sobreviven en las zonas rurales detenidos en el tiempo con múltiples y angustiantes carencias de toda clase?

Esta dicotomía, moral y cívicamente injusta y condenable, debe subsanarse en el plazo más corto. Y no solo por una cuestión de equidad sino para evitar que se convierta en caldo de cultivo de un enfrentamiento entre peruanos. Se trata de pobladores que no tienen nada que perder, pues están desposeídos de casi todo o se han refugiado en una burbuja que puede fracturarse con violencia. Esto hay que evitarlo, pues ya hemos vivido la violencia en las décadas de los años 80 y 90 del siglo pasado, dolorosa experiencia en la cual la aberrante prédica ideológica y criminal se aprovechó de ese clima de descontento, lo que no debe repetirse.

En los últimos años, El Comercio, sobre todo gracias a los debates y audiencias regionales, vecinales y sectoriales que ha organizado, le ha venido tomando el pulso al Perú. Así, hemos comprobado sus carencias y recibido de primera mano el informe sobre sus necesidades más acuciantes, sus anhelos y esperanzas. Todo ese material ha sido publicado con una doble utilidad: informar verazmente a nuestros lectores y, luego, poner sobre la mesa de la opinión pública importantes insumos para que los gobernantes, o los que pretendan serlo, sepan darles adecuada solución en democracia.

Ahora, a la espera de la segunda vuelta del 5 de junio, El Comercio, fiel a sus principios de independencia y veracidad, seguirá informando ampliamente sobre el proceso electoral con la máxima objetividad y teniendo como meta y telón de fondo la defensa del interés nacional, la institucionalidad democrática, la libre competencia y el papel regulador y no intervencionista del Estado, así como el desarrollo dinámico e inclusivo.

INSTITUCIONALIDAD DEMOCRÁTICA, DD.HH. E INCLUSIÓN

Seremos los primeros en alzar nuestra voz si en el desarrollo de los acontecimientos el Estado de derecho corre el riesgo de ser conculcado, peligra la libertad de expresión, prensa y opinión, hubiera la intención de irrespetar los tratados comerciales que nos conectan con la economía mundial o no se continuara la política de Estado que se ha venido siguiendo respecto al contencioso con Chile que se dirimirá en la Corte Internacional de Justicia de La Haya.

En tal sentido, permaneceremos vigilantes para percibir si el sistema democrático corre el peligro de ser agredido, distorsionado o incluso anulado. Toda reforma que se haga dentro del marco constitucional y democrático en defensa de las mayorías y minorías ciudadanas, de los derechos humanos, del crecimiento racional con una mejor distribución de la riqueza, de la lucha contra la corrupción, de la inclusión y la justicia social, contará con nuestro apoyo.

04/04/2011 - 09:00h Superávit cresce e as contas públicas voltam à ‘normalidade’

Editorial do jornal VALOR

O ano começou com notícias promissoras no front fiscal, um dos pilares da política de combate à inflação. Em fevereiro, o setor público consolidado (União, Estados e municípios e estatais) gerou superávit primário (conceito que exclui os juros da dívida) recorde para aquele mês – R$ 7,913 bilhões, o maior da série histórica, iniciada em 2001.

É verdade que o esforço fiscal de fevereiro foi puxado pelos governos estaduais, que economizaram R$ 4,323 bilhões, 54,6% do superávit total. Em janeiro tomaram posse os novos governadores, que, agora, estão arrumando a casa depois do ano eleitoral, período em que, tradicionalmente, os gastos sobem de forma vertiginosa. Embora possa se questionar a qualidade do superávit, para o controle da inflação o que importa é o efeito do corte de gastos públicos sobre a demanda agregada da economia.

Chama a atenção o comentário do chefe interino do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Moreira, durante a divulgação dos dados. Segundo ele, “está ocorrendo um retorno à normalidade”. De fato, o esforço feito neste momento pelo setor público contrasta com os resultados dos dois últimos anos. Em 2009, para combater os efeitos da crise financeira mundial, o governo federal, seguido por Estados e municípios, reduziu de forma drástica o superávit primário. E estendeu a frouxidão fiscal por todo o ano de 2010 – quando a economia já crescia a taxas exuberantes – com o foco na campanha eleitoral.

Com o resultado de fevereiro, o superávit acumulado no primeiro bimestre foi de R$ 25,6 bilhões, equivalente a 21,8% da meta fixada para 2011. No mesmo período do ano passado, o saldo positivo correspondeu a apenas 15,2% da meta anual; e, em 2009, a 13,5%. “Antes da crise de 2008, a média era de 20% a 22% da meta, no acumulado dos dois primeiros anos do ano”, comparou Maciel.

Preocupado com a aceleração inflacionária, o governo prometeu rigor fiscal, iniciando sua gestão com o compromisso de manter as despesas públicas com crescimento abaixo da variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). Assim estará contribuindo com o esforço do Banco Central de conter o consumo e, consequentemente, a elevação dos preços.

Os gastos da União, que em janeiro aumentaram 24%, tiveram no mês de fevereiro uma sensível desaceleração, com crescimento nominal de 7,4%. No bimestre, porém, segundo os dados oficiais, o crescimento da despesa ainda foi 4% superior à variação nominal do PIB, de 11,3%.

Segundo o BC, nos 12 meses até fevereiro, alguns gastos, como os de pessoal e encargos e outros benefícios, já cresceram, em termos nominais, abaixo do PIB. “Temos claramente uma melhoria das contas públicas, que reflete, de um lado, o desempenho econômico, que repercute na arrecadação de tributos mais sensíveis ao crescimento, como também há alguns agrupamentos dos gastos públicos crescendo abaixo do PIB nominal”, atestou o chefe de Departamento do BC.

O superávit, que estava muito abaixo da meta cheia em 2009 e 2010, somou, em 12 meses até fevereiro, R$ 108,1 bilhões, próximo da meta (R$ 117,9 bilhões) fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias para este ano. A única ressalva é que nesse número estão contabilizados os R$ 32 bilhões resultantes da capitalização da Petrobras, uma arrecadação extraordinária que, portanto, não vai se repetir em 2011.

O que não está claro é se a desaceleração no ritmo de crescimento do gasto com custeio indicado pela performance do primeiro bimestre é suficiente para ajudar o Banco Central a esfriar a demanda. Na avaliação do economista Maurício Oreng, do Itaú Unibanco, para cumprir essa tarefa seria preciso um crescimento mais lento da despesa real. O gasto em custeio deveria aumentar apenas uns 2,5% em termos reais, face aos 8,5% registrados em 2010.

Um sinal de que o governo pode chegar lá é o atraso, que já vem se verificando, na execução de investimentos públicos. “Para fins de [resultado] primário, isto equivale a um ‘corte temporário’ no gasto de capital”, explica Oreng.

Um dado divulgado pelo BC mostra que a despesa anual com juros subiu para R$ 205,4 bilhões nos 12 meses até fevereiro. Uma das razões do aumento foi a elevação da taxa básica de juros (Selic), mas o principal dano decorreu da aceleração da inflação. Hoje a taxa Selic impacta pouco mais de 1/4 da dívida pública, enquanto os índices de preços indexam mais da metade da dívida.

20/03/2011 - 11:09h Bom senso e coerência

Editorial O Estado de S.Paulo

É cedíssimo para dizer, mas pode ser que a melhor decisão singular tomada pelo presidente Lula em seus oito anos no poder, depois de abrir mão da busca de um terceiro mandato, tenha sido a de escolher a ministra Dilma Rousseff como sua candidata à sucessão. Embora não tenha ainda completado nem 80 dias no cargo, a presidente já demonstrou que o que lhe faltava em carisma eleitoral – atributo suprido pela interposta pessoa que sairia do governo com índices estelares de popularidade – ela tem de sobra em matéria de sensatez e real interesse pela gestão do País.

É antes de tudo uma mudança de mentalidade o que emana do Planalto nesse começo de nova administração. Não se trata apenas da sobriedade em vez do espalhafato como marca pessoal. Mais do que isso, é a absorção pelo ofício tomando o lugar do distanciamento diante de suas inexoráveis servidões. Se, para Lula, a imersão em tempo integral na política representava em boa medida uma espécie de “fuga para a frente” das aborrecidas rotinas que confrontam os governantes, para Dilma, a julgar pelo que ela exibiu até agora, é da essência da função para a qual foi eleita olhar nos olhos das questões que disso dependem para ser resolvidas.

A mais recente indicação de que as diferenças entre os dois presidentes tendem a ser de substância, não apenas de estilo, está na caudalosa entrevista de Dilma à jornalista Claudia Safatle, do jornal Valor, publicada quinta-feira. A sabatina cobriu um extenso rol de temas – dos presumíveis efeitos da tragédia japonesa para o Brasil e a economia mundial às alterações em curso no programa Bolsa-Família. Sintomaticamente, a política em sentido estrito ficou de fora. Mas ela aproveitou uma pergunta sobre o pacote de medidas cambiais que estaria em preparo no governo para conter a apreciação do real para tachar de “absurdas” as especulações sobre mudanças na equipe ministerial. O sujeito oculto da oração é o titular da Fazenda, Guido Mantega, sobre cuja “fritura” circularam rumores.

O que mais chama a atenção nas declarações da presidente é o bom senso de seus juízos em relação aos assuntos sobre os quais foi inquirida. Embora, por exemplo, se possa discordar de sua crença de que o atual surto inflacionário não deriva da incapacidade da oferta agregada de bens e serviços de atender à expansão explosiva da demanda, a sua assertiva de que não se pode ser condescendente com um pouco de alta dos preços em nome de um pouco mais de crescimento transmite uma convicção lastreada em conhecimento de causa. Ela deixa a mesma sensação quando explica por que o seu governo pretende abrir à iniciativa privada, em regime de concessão, os aeroportos brasileiros. “Queremos uma verdadeira transformação nessa área”, anunciou.

Uma coisa que perpassa praticamente toda a entrevista é a certeza de que poucos países como o Brasil dispõem de tanto potencial para manter um crescimento consistente, a taxas superiores às das economias desenvolvidas. Dilma quer para o Brasil um salto nos moldes daquele que fez dos Estados Unidos – já a partir da independência – o que são hoje: o salto da educação massiva que lastreou a formação, a partir do final do século 19, de quadros científicos e tecnológicos para gerar inovação. Depois de um presidente que dizia que o País nada ou pouco tem a aprender com o mundo rico, é animador ouvir de sua sucessora que é “fundamental” investir na formação profissional de brasileiros em ciências exatas no exterior e que o seu governo tem planos nesse sentido.

Às vésperas da visita do presidente Barack Obama, a sua anfitriã esperava que os EUA se convençam de que o Brasil, pelos vínculos históricos comuns e pela proximidade geográfica, pode ser “um parceiro importantíssimo”. Não era bem essa a linguagem da diplomacia terceiro-mundista da era Lula. Por iniciativa própria, Dilma voltou a trazer à tona, nessa passagem, a questão dos direitos humanos. Com franqueza, condenou tanto o apedrejamento de mulheres (no Irã) como o aprisionamento indefinido de pessoas sem julgamento (em Guantánamo), para arrematar, no mesmo tom, que o Brasil não pode ficar “dando cartas” sem olhar para as suas próprias mazelas na matéria. Um avanço e tanto.

07/02/2011 - 17:00h Pão e jornal

Lúcia Guimarães – O Estado de S.Paulo

Um magnata, dono de dezenas de jornais e obcecado por vendas, diz, orgulhoso:

“Sou um daqueles que não precisam de um país ou um hino nacional, coisas assim.” Não, não estamos falando do australiano Rupert Murdoch, o magnata que está nas manchetes porque um de seus tabloides grampeou os telefones de membros da família real, políticos e celebridades britânicas.

Estamos na Londres de 1908, onde o dito magnata não sabe soletrar compunção, mas sabe calcular as manchetes alarmantes que espalham medo da guerra entre seus milhões de leitores. A ação se passa no palco de um minúsculo teatro off-Broadway, no terceiro andar de um prédio cinzento em Manhattan.

O Mint Theater é uma companhia especializada em arqueologia dramática. Resgata peças esquecidas como What The Public Wants (O Que o Público Quer) e deixa a plateia com a estranha sensação de que, quanto mais as coisas mudam, mais ficam como estão.

A peça foi um sucesso extraordinário há um século e passou quase dois anos em cartaz. O autor, Arnold Bennett, conhecia bem seu métier. Começara a carreira na redação do jornal The Woman (A Mulher), uma publicação aquém de suas ambições literárias.

O Que o Público Quer foi inspirada no magnata Alfred Harmsworth, cujo sobrenome ele viria a justificar. Harm em inglês quer dizer ferir e worth, valor. Ele era o mais influente empresário da imprensa britânica no começo do século 20, dono de inúmeros jornais pequenos e grandes, como o Times e o Daily Mail. Seu poder de fogo era de tal ordem que, numa tentativa de assassinato, navios alemães bombardearam sua residência durante a 1ª Guerra. Harmsworth saiu da infância pobre para o colo da nobreza, ungido com o título de Visconde de Northcliffe. O filho plebeu do Visconde é o estilo do jornalismo sensacionalista inventado por seus tabloides. Os jornais deste Cidadão Kane vitoriano derrubavam governos e assassinavam reputações.

A peça de Bennett serviu de espelho tão claro para a sociedade da época que, numa votação do jornal Manchester Guardian, ele foi apontado entre um punhado de autores influentes que seria relevante cem anos depois. Infelizmente não foi o autor e sim a trama que sobreviveu e desenvolveu resistência à penicilina da democracia. O magnata da peça se considera o verdadeiro democrata porque se interpõe entre os malignos intelectuais e as massas inocentes. Seu escárnio constante contra o que chama de gente de cultura parece ter saído de uma biografia de Rupert Murdoch e revela o mesmo recalque do australiano contra a rejeição sofrida na estratificada sociedade inglesa.

Na peça de Bennett, o personagem inspirado em Harmsworth se gaba de saber com precisão o que espera o leitor de cada classe social. E vê sua dieta de obscurantismo populista como militância libertária contra a opressão da elite bem-educada.

Seu mais importante crítico de teatro exige uma correção porque o copidesque vulgarizou a linguagem de seu texto. Diante da recusa, o crítico pede demissão. A cena escrita com um tom de farsa desenrola-se no presente como uma interação jurássica. Um crítico nova-iorquino, ao escrever a resenha da peça, em janeiro, se sentiu compelido a explicar aos leitores o significado de “jornalismo marrom”.

No último ato, o irmão do magnata – o intelectual que insiste em ter consciência – se despede dele com um conselho.

“Você continue dando ao público o que ele quer. É sua missão na vida. Mas se prepare para quando chegar o dia chuvoso.”

“Que dia chuvoso?”

“O dia em que o público quiser algo melhor do que você pode dar.”

Lembrei desse diálogo final ao ter a rotina virada ao avesso pela necessidade de acompanhar a violenta crise no Egito. Com o crescimento exponencial das fontes de informação, a pergunta não é mais o que o público quer, mas como encontrar a agulha desejada no palheiro de ofertas. O romancista David Foster Wallace, morto prematuramente em 2008, observou que “há 4 trilhões de bits de informação vindo em nossa direção, 99% é merda e dá trabalho demais fazer a triagem e decidir. É claro que vai haver um nicho econômico para os que filtrarem a passagem da informação. Senão, nós vamos passar 95% do nosso tempo surfando no mar de merda.”

Não tenho números para provar, mas suspeito que os acontecimentos do Egito deram mais audiência aos meios de comunicação que nos protegeram do catinguento esporte previsto pelo romancista.

08/01/2011 - 09:59h Bernardo enterra plano de regulação de mídia

Ministro alega que banda larga é a prioridade do governo e afirma que proposta deixada por Franklin Martins precisa de ‘exame detalhado’

Leonencio Nossa e Lisandra Paraguassú – O Estado de S.Paulo

O governo enterrou o projeto de regulação da mídia elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins. Após encontro com a presidente Dilma Rousseff no Planalto, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse em tom diplomático que há outras prioridades para serem tocadas, como o projeto de banda larga, que pretende apresentar até o fim de abril.

“A banda larga vai ter prioridade e premência porque vamos discutir também o plano geral de metas de universalização”, afirmou. Pela tradição de Brasília, um governo “enterra” um projeto quando não estipula prazo para envio ao Congresso nem classifica a proposta como prioridade na agenda, dizem assessores.

Paulo Bernardo disse que é preciso um “exame detalhado” do projeto para a possibilidade de abrir uma discussão ainda no âmbito do governo e relatou ter recebido a proposta nesta semana de ex-assessores de Franklin Martins. “Certamente, vamos ter que olhar cada ponto. Todos sabem que tem discussões de caráter econômico, regulação entre setores, disputas. Tem discussões relativas aos direitos dos usuários, tem questões que dizem respeito à própria democracia. Vamos examinar tudo e ver como vamos encaminhar.”

Taxado como antidemocrático por alguns setores, o projeto de regulação da mídia só ganhou corpo nos últimos meses do governo Lula. O então presidente chegou a cogitar o envio da proposta ao Congresso, mas preferiu deixar a decisão para Dilma.

Paulo Bernardo disse que a presidente demonstrou satisfação com as declarações dele à imprensa contra a concessão de rádio e TV a políticos, como já dissera em entrevista ao Estado. O ministro é contra a concessão, mas reconhece a dificuldade de regulamentação do texto constitucional no Congresso.

07/01/2011 - 10:00h Paulo Bernardo diz que projeto sobre regulamentação da mídia não deve ir para o Congresso

Flávia Barbosa e Mônica Tavares – O GLOBO

BRASÍLIA – O governo Dilma Rousseff não vai encaminhar ao Congresso Nacional o anteprojeto para a Lei de Comunicação Eletrônica elaborado na gestão do ex-presidente Lula sob a coordenação do ex-ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social. A nova equipe pretende reabrir a discussão e até submeter à consulta pública a proposta, que prevê a regulamentação da mídia. O texto provocou forte reação da sociedade civil organizada, que teme controle prévio dos meios de comunicação e um cerco à liberdade de imprensa.

“Vou conversar com o Palocci e com a presidente para ver como a gente vai encaminhar isto”

O novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse ao GLOBO que o projeto ainda será tema de discussão entre ele, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Mas a intenção inicial é reabrir o debate com a sociedade – que era dado por encerrado no governo anterior.

- Eu já recebi o projeto, vou examinar, vou conversar com o Palocci e com a presidente para ver como a gente vai encaminhar isto – disse Paulo Bernardo. – Em conversa preliminar com ela (Dilma), aventei a possibilidade de fazermos uma consulta pública, de fazermos um amplo debate sobre isto e depois o governo formaria a sua posição final para mandar para o Congresso, onde com certeza vai ter um outro grande debate, um longo debate – acrescentou o ministro.

De acordo com Paulo Bernardo, não há um prazo definido para que a proposta seja finalizada, especialmente porque o tema é complexo. E também tem forte caráter econômico – por tratar da convergência de mídias, redefinindo, por exemplo, que empresas podem prestar quais tipos de serviço – e mexer com questões delicadas, pertinentes à democracia e à liberdade de expressão, “que todo mundo sabe que são importantes, fundamentais preservar”, afirmou o ministro.

- Então, tudo vai ter que ser bem conciliado – disse Paulo Bernardo.
Regulamentação de três artigos da Constituição

O projeto polêmico do governo Lula tem o propósito de regulamentar três artigos da Constituição. O primeiro, o artigo 220, trata da liberdade de expressão e de criação, o artigo 221, que aborda programação e conteúdo, e o artigo 222, que estabelece limite de 30% ao capital estrangeiro em empresas jornalísticas e obriga que sejam brasileiros natos os dirigentes e responsáveis editoriais destes grupos.

O texto também prevê a criação de uma agência para regular o conteúdo veiculado pelas mídias – como monitoramento dos programas de rádio e TV para verificar, por exemplo, se há cumprimento das classificações por faixa etária e de cotas de produção nacional.
Entendimento em vez de enfrentamento

A posição expressa por Paulo Bernardo ameniza, ao menos no discurso, o tom beligerante do governo anterior. Em seminário internacional sobre comunicação eletrônica, em novembro, organizado pela Secom, Franklin Martins disse que a discussão sobre o marco regulatório da mídia seria feita “num clima de enfrentamento ou de entendimento”.

Paulo Bernardo afirmou que deverá ser discutida a aplicação do artigo 222 da Constituição aos portais de internet. Representantes dos jornais e dos radiodifusores têm questionado a prestação de serviço jornalístico por portais controlados por capitais estrangeiros.

As principais empresas de comunicação também questionam a entrada de grupos editoriais no Brasil que têm dirigentes brasileiros no papel, mas seriam abertamente mantidos por capital estrangeiro:

- Isso já foi parar no Supremo – reconheceu Paulo Bernardo, para o qual, porém, a regra é clara: – Isso já está definido, já tem regulamentação, de qual pode ser a participação de capital estrangeiro em órgãos de mídia – afirmou.

31/12/2010 - 10:21h Em editorial de 1ª página, ‘Le Monde’ lista os desafios de Dilma

Jornal francês destaca sucessão presidencial brasileira e diz que Dilma assume com o país em situação muito mais confortável que em 2002.

AGÊNCIA ESTADO

Para jornal, Dilma assume em situação melhor do que Lula em 2003

O prestigioso jornal francês Le Monde dedica em sua edição desta sexta-feira um grande destaque à sucessão presidencial no Brasil, com a posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, marcada para o sábado.

Em um editorial que ocupa cerca de um terço de sua primeira página, o Monde afirma que ela assume com o país numa situação muito melhor do que a que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, encontrou ao ser eleito em 2002.

Mas o jornal adverte que Lula deixa o cargo com muitos trabalhos inacabados, deixando vários desafios para sua sucessora, listados pelo editorial.

“A educação continua pobre e desigual. O sistema de saúde funciona em duas velocidades. Violência e insegurança corrompem as metrópoles. A corrupção e o nepotismo na vida pública corroem um país no qual a política é muitas vezes vista apenas como um meio de se enriquecer. A infraestrutura precisa ser desenvolvida rapidamente para enfrentar o desafio especial da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016″, lista o jornal.

Para o diário, “Lula deixa para a nova presidente um país ouvido e respeitado na arena internacional”, mas que também é alvo de algumas críticas, como em sua relação com o Irã.

Apesar disso, observa o editorial, Dilma já começou a expressar suas diferenças com comentários sobre sua preocupação com os direitos humanos, principalmente das mulheres, no Irã e em outros países.

O jornal comenta que Dilma deve seu “destino glorioso” ao mentor Lula, do qual não tem nem o carisma nem o dom da oratória.

O editorial conclui afirmando que ela deve se esforçar para não decepcionar os quatro em cada cinco brasileiros que, segundo as pesquisas, acreditam que ela fará um governo tão bom ou melhor do que o de Lula.

10/12/2010 - 09:56h A política depois do WikiLeaks

Maria Cristina Fernandes | VALOR

Primeiro grande conflito armado transmitido em larga escala ao vivo e em cores, a Guerra do Vietnã marcou a ascensão da mídia nos ditames do poder. As imagens da guerra injusta numa sociedade embalada por ideais libertários impulsionaram a retirada dos americanos e a inflexão na sua política externa até a era Reagan.

Primeiro grande conflito armado vazado pela internet, a Guerra do Afeganistão repagina a influência da mídia. O WikiLeaks mostra um poder que mata, corrompe e subverte qualquer noção de ordem democrática mundial que os Estados Unidos algum dia possam ter pretendido representar.

O vazamento dos despachos de embaixadas americanas no mundo agora ganhou escala planetária, mas foi nos documentos do Afeganistão que o WikiLeaks começou a delinear seu alvo. As imagens militares de fuzileiros em helicópteros alvejando civis no Iraque e documentos mostrando os desmandos do governo de Karzai foram divulgados antes das eleições legislativas americanas. E pouco a impactaram. O eleitor que ainda vê no Afeganistão a resposta ao 11 de setembro inflou o Tea Party e acreditou ser capaz de castigar Barack Obama pelas promessas de emprego não cumpridas.

Julian Assange conseguiu até devolver notoriedade internacional à candidata derrotada à Vice-Presidência, Sarah Palin, para quem os Estados Unidos deveriam caçar o criador do WikiLeaks como a Bin Laden. A distância da Era de Aquário parece maior que quatro décadas. Custa imaginar que enredo a acusação de crime sexual contra Assange daria para Milos Forman.

Se a internet move a economia, por que paralisaria a política?

Em manifestos, o criador do WikiLeaks busca desamarrar sua guerrilha virtual de teses de direita ou de esquerda e firma seu único compromisso com os benefícios à população que podem advir de instituições mais transparentes. E nem os movimentos filhotes, como o Anonymous, desprezam a política tradicional. Num texto recente urge seus seguidores a pressionar parlamentares locais, prefeitos ou qualquer autoridade pública: “Peça seus comentários sobre os vazamentos. E grave cada palavra que for dita”.

Se o WikiLeaks dependesse unicamente da personalidade desse australiano de 39 anos que margeou a educação formal e cismou com o poder institucional ao enfrentar um processo pela guarda do filho, poderia ter sido ferido de morte com a prisão do seu criador esta semana em Londres.

A invasão de hackers nos serviços de Visa e Mastercard, que interromperam o recolhimento de doações ao site, é apenas uma medida da adesão da comunidade virtual à guerra pela informação livre. As empresas que repentinamente descobriram em seus estatutos vetos a parcerias com o WikiLeaks já estão sendo vítimas de campanhas virtualmente orquestradas que expõem contratos com entidades financiadoras de movimentos racistas, como o Ku Klux Klan. “Derrubem-nos e mais fortes nos tornamos”, diz o lema.

Os vazamentos do Afeganistão tiveram acolhida de parte da mídia americana que reconheceu o endosso dado ao engodo das armas de destruição em massa no Iraque. Já os vazamentos dos despachos de embaixadas americanas, que trouxeram à tona até estratégias de espionagem avalizadas pelo Departamento de Estado, colocaram na berlinda o grau de comprometimento da imprensa com a informação livre.

Ao advogar limites a essa liberdade, a diplomacia defende a tese de que é preciso consultar, especular e discutir até que um argumento possa se tornar uma posição oficial abertamente exposta à crítica. E que, sem confiança, não existe diplomacia. Muitos jornalistas também poderiam argumentar que sem o ‘off the records’, a informação passada sob sigilo do informante, não é possível produzir notícia.

O que há de mais comprometedor no WikiLeaks, no entanto, não é a política que consulta, especula e discute, mas a que corrompe. E os interesses cimentados pelo poder que corrompem são aqueles que a imprensa tem mais dificuldade em combater.

Os vazamentos custariam a ter repercussão sem os acordos que os permitiram ser editados nos principais jornais do mundo. O papel da imprensa na esfera pública passará a depender do seu grau de compromisso com os interesses que a comunidade virtual tem enfrentado e de sua disposição para resistir a pressões políticas.

É desastroso para a diplomacia americana que sua visão sobre um Berlusconi fantoche de Putin ou um Nelson Jobim como atalho a um Itamaraty anti-ianque seja escancarada ao contribuinte. O que é realmente comprometedor, porém, são os planos americanos para espionar o secretário-geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki-Moon, que passam até pelo rastreamento de seu cartão de crédito ou os subornos oferecidos a governos para que abriguem presos de Guantánamo.

A diplomacia americana sempre usou o apelo à liberdade de informação como trunfo de sua pressão sobre ditaduras não aliadas. A questão agora é como restringir essa liberdade sem apagar Thomas Jefferson do mapa da história americana – “Se eu tivesse de decidir entre ter um governo sem jornais e ter jornais sem um governo, eu não hesitaria nem por um momento antes de escolher a segunda opção”. Ainda que o vazamento de informações sigilosas seja crime em qualquer lugar do mundo, é nos fundadores da democracia americana que a Suprema Corte tem se baseado para garantir que sua divulgação não o seja.

Os críticos do WikiLeaks têm argumentado que os vazamentos só foram possíveis porque o ataque às torres de Nova York levaram a que o governo americano decidisse por compartilhar mais informações. E os vazamentos, que um chanceler italiano considerou o 11 de setembro da diplomacia, acabariam contribuindo para que o compartilhamento de informações fosse reduzido.

Essa visão talvez subestime a capacidade de a comunidade virtual romper as fronteiras que lhe são impostas. Se a economia não sobrevive mais sem a internet, tinha que chegar o dia em que a política deixaria de lhe ficar incólume.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

06/12/2010 - 18:59h Legados da era Lula

Por Tereza Cruvinel

Jornalista e presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Nste último artigo do ano aqui no Correio, não tenho como não falar dos oito anos trepidantes, em todos os sentidos, que estão chegando ao fim. Os anos Lula não apenas mudaram para sempre o Brasil. Mudaram também nossa forma de sentir e pensar nosso país. Sob Lula, aprendemos a enxergar a pobreza, a importância de combatê-la e, mais recentemente, a celebrar sua redução. Vimos um presidente chegar ao poder contrariando tudo o que sempre nos pareceu natural: sem berço, sem diplomas, sem o apoio das elites econômicas e pensantes. Vimo-lo depois quebrar todas as convenções ao exercer o poder: falando a linguagem desabrida do povo, cometendo metáforas rasas e gafes frequentes, quebrando a liturgia do cargo, trocando o serviço à francesa do Itamaraty por um buffet self-service, tomando café com os catadores de papel e exercitando uma aguerrida diplomacia presidencial sem falar outra língua. Não haverá outro Lula, pois o Brasil que o gerou não haverá mais. E isso é bom.

Neste período, 28 milhões de brasileiros cruzaram a linha da pobreza e outros 20 milhões ascenderam à classe C. Mais extraordinário é que esse feito tenha acontecido sem a quebra de um só cristal. Ou seja, Lula não tomou uma só agulha dos mais ricos para dar aos mais pobres. Não privou os banqueiros de seus lucros para estender o crédito ao andar de baixo. Não reduziu as exportações do agrobusiness para dar mais comida ao povo. Não garfou a poupança da classe média para criar o Bolsa Família. Tudo fez harmonizando interesses e moderando conflitos. Todos ganharam, embora os mais pobres tenham começado a tirar a diferença. Em 2009, apesar da crise, a renda média dos 40% mais pobres cresceu 3,15% e dos 10% mais ricos apenas 1,09%. E isso é bom para todos, inclusive para os ricos. Este ano, os números serão mais eloquentes.

O crescimento da economia, que pode chegar aos 8% em 2010, será o maior em 24 anos. Desta vez foi crescimento sem inflação e com distribuição de renda. No final do período Lula, terão sido gerados 15 milhões de empregos. Este ano, a nova classe C vai gastar R$ 500 bilhões em 2010, superando o consumo das classes A e B. Isso é mudança.

Sob Lula, a percepção do Brasil mudou também lá fora. Agora o país é player, é líder no G-20, é um dos Brics, vai sediar a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Vamos perdendo o velho complexo de vira-latas.

Nem tudo foi resolvido, nem tudo foi feito e não faltaram as decepções. Sobretudo as políticas, com os casos de corrupção intermitentes. Mas o saldo a favor de Lula foi bem maior e levou-o ao píncaro da popularidade. Mesmo assim, ele continua sendo um presidente intragável para uma minoria. Talvez para aqueles 4% ou 5% que, nas pesquisas frequentes, consideram seu governo péssimo, contra os 80% que o consideram ótimo ou bom.

As relações com a mídia serão um capítulo na história a ser escrita. Vivi a minha pequena parte. Colunista política de O Globo, nunca apontei, nos seis governos e sete legislaturas que cobri, apenas o bem ou o mal. Assim erigi minha credibilidade de analista político. A partir de 2003, divergi do pensamento único que passou a vigir na mídia, não engrossando a cruzada anti-Lula. Na elite do jornalismo político, muito poucos, além de mim e de Franklin Martins, fugiram ao padrão monopólico e demonizador.

Houve preço. Em 2005, veio o maccarthismo e com ele os cães raivosos e o espírito de delação. Um deles espumou, em 2005, que Lula só não caíra ainda porque uma lista de jornalistas lulistas, aberta com meu nome, havia aparelhado a imprensa! Por algum tempo sustentei o apedrejamento, mas, já tendo sofrido uma ditadura, rejeitei a escolha entre autoimolação e sujeição. No final de 2007, aceitei o convite para dirigir a TV Pública que seria criada, cumprindo a Constituição Federal. Pouco vi o presidente depois disso. Tenho trabalhado com absoluta liberdade e os resultados estão aí. Nunca recebi queixas ou bilhetinhos de ministros.

Não tenho a menor importância na história maior que se encerra agora. Conto isso aqui porque esses detalhes fazem parte do ambiente venenoso, eivado de intolerância, elitismo e ódio de classe em que Lula governou e construiu o legado que deixa ao país.

Artigo publicado originalmwente no Correio Braziliense (4/12/2010)

30/11/2010 - 10:10h A possível recuperação urbana

Editorial O GLOBO

Os antigos subúrbios da Central e da Leopoldina, assim chamados por causa das linhas de trens de passageiros que atravessam a região, contam com razoável infraestrutura. Além de moradias, comércio e serviços, os subúrbios sempre abrigaram muitas indústrias, pequenas, médias e até grandes. Várias fecharam, mas nem todas por questões operacionais ou financeiras. Simplesmente não resistiram à violência em seu entorno. Para garantir a segurança de seus empregados, empresas ainda instaladas em áreas vizinhas ao Complexo do Alemão precisavam se limitar a um único turno, mesmo quando tinham encomendas suficientes para estender os horários de funcionamento.

As fábricas para as quais o custo da mudança era inferior ao de se manter em uma zona conflagrada (até apelidada de Faixa de Gaza, em alusão ao território palestino sob permanente conflito bélico) não vacilaram.

O resultado é que os subúrbios da Leopoldina, principalmente, sofreram esvaziamento econômico, com perda patrimonial para seus moradores devido à desvalorização
dos imóveis.

A retomada dessa Faixa de Gaza pelas forças policiais, com a expulsão de quadrilhas de traficantes que lá se entrincheiravam, será uma oportunidade de revitalização de toda essa região. Trata-se de uma área com transportes de massa (linhas de trem e metrô) que serão reforçados por um novo corredor para ônibus articulados que ligará a Penha à Barra da Tijuca e ao Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim (Galeão). Nos encargos da prefeitura para os Jogos Olímpicos de 2016 constam também obras de ampliação da Avenida Brasil. Uma via expressa (a Linha Amarela) quase que margeia o Complexo do Alemão, que era um verdadeiro quartel-general
de uma das facções de traficantes do Rio.

Os efeitos positivos dessa ação policial se farão sentir logo que a população e empresários estejam mais seguros de que a região efetivamente voltou ao controle do estado e não escape novamente para as mãos de bandidos fortemente armados. A quantidade de motocicletas usadas pelos marginais e que foi apreendida pela polícia (estima-se que chegarão a um total de 500 veículos) mostra o quanto os moradores da região estavam expostos ao perigo.

O Rio de Janeiro vive um momento de ressurgimento econômico e está diante de grande oportunidade de revitalização urbana, que não pode ser desperdiçada. Esse processo somente se consolidará quando não houver mais “territórios ocupados” por bandidos, sejam eles traficantes ou milicianos.

E cada passo de reconquista deve ser acompanhado por investimentos — públicos e privados — que contribuam para reforçar a trajetória de recuperação urbana.

Além do sistema de transporte, há programas habitacionais em curso ou próximos de deslancharem, aproveitando-se a infraestrutura existente (redes elétrica, de telecomunicações, viária, e ainda de saneamento básico). Há grande chance, agora, de revitalização dos subúrbios, um processo que pode ter na reciclagem da área do Porto uma de suas âncoras e um de seus pontos cardeais.

12/11/2010 - 11:11h Sobre regulações e controles, editorial do Estadão contribui para a reflexão

Editorial O Estado de S.Paulo

Durante dois dias, especialistas internacionais em regulação e outros convidados da Secretaria de Comunicação da Presidência da República estiveram reunidos em Brasília para “debater os impactos das mudanças tecnológicas, seus desafios e oportunidades na nova era da digitalização”, de modo a “fornecer subsídios para legisladores, reguladores, formuladores de políticas públicas e segmentos empresariais e da sociedade civil que lidam com as diversas questões relacionadas às comunicações”. A realização do encontro foi proposta pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência em outubro, quando o governo desistiu da ideia de encaminhar ao Congresso um projeto de lei sobre o marco regulatório das comunicações eletrônicas, optando por transferir essa responsabilidade para o sucessor de Lula. Segundo anunciou no encerramento do seminário o ministro Franklin Martins, os subsídios recolhidos durante os debates serão oferecidos, primeiro, à consulta pública, e em seguida, após a formatação de um pré-projeto, encaminhados à presidente eleita, a quem caberá decidir se, como e quando enviá-lo ao Congresso Nacional.

A realização desse Seminário despertou interesse e criou polêmica por duas razões principais: primeiro, porque um marco regulatório das comunicações eletrônicas é realmente necessário, dada a completa desatualização da regulamentação em vigor, datada de 1962; depois, porque os habituais defensores do “controle social” da mídia pegaram carona na iniciativa para tentar colocar mais uma vez em pauta a “necessidade” do controle dos conteúdos nos veículos de comunicação.

Logo depois de eleita, Dilma Rousseff disse claramente o que pensa sobre o assunto, em entrevista à TV Bandeirantes: “Temos de distinguir duas coisas: marco regulatório e controle do conteúdo da mídia. O controle social da mídia, se for de conteúdo, é um absurdo. É um acinte à liberdade de imprensa. Não compactuo com isso. Se chegar à minha mesa qualquer tentativa de coibir a imprensa no que se refere à divulgação de ideias, propostas, opiniões, tudo o que for conteúdo, é o que eu falei: o barulho da imprensa é infinitas vezes melhor do que o silêncio das ditaduras.” Mais claro, impossível. Quanto ao marco regulatório, no caso das comunicações eletrônicas é necessário disciplinar, por exemplo, a participação do capital estrangeiro e a interação entre a mídia digital e a radiodifusão (rádio e televisão), entre outras questões.

Durante o seminário, o próprio ministro Franklin Martins botou fogo na discussão ao mencionar a possibilidade de “enfrentamento”: “A discussão está na mesa. Terá de ser feita. Pode ser num clima de enfrentamento ou de entendimento”, disse, em tom de sequestrador de embaixador. E desdenhou dos que manifestavam preocupação com a possibilidade de o tal “controle social” desbordar para a pura e simples censura da mídia: “Essa história de que a liberdade de imprensa está ameaçada é bobagem, fantasma, um truque. Isto não está em jogo.”

Não obstante, não é de geração espontânea a desconfiança em relação às verdadeiras intenções dos defensores do “controle social” da imprensa. Essa desconfiança, reiterada durante o seminário por dirigentes de entidades representativas dos veículos de comunicação, tem a ver, por exemplo, com as discussões que se travaram um ano atrás, também sob o patrocínio da Presidência da República, na Conferência Nacional de Comunicação. Essas discussões já começaram a produzir efeito em vários Estados, em cujas Assembleias Legislativas tramitam projetos que objetivam de alguma forma criar controles sobre os veículos de comunicação. Isso para não falar na ofensiva contra a liberdade de imprensa na Venezuela, na Bolívia e na Argentina.

Após o encerramento do seminário, certamente se dando conta da conveniência de recalibrar o tom do discurso carbonário da véspera, o ministro Franklin Martins tratou de colocar a questão em termos civilizados: “A regulamentação nas comunicações eletrônicas, especialmente quando se trata de concessões públicas, é uma tarefa que cabe ao Estado fazer, à sociedade discutir, ao Congresso legislar e às agências, depois, fazer a regulação e fiscalizar.” Agora é com a futura presidente.

11/11/2010 - 17:35h Uma reflexão sobre mídia e regulação que exige amadurecimento

“É o Congresso que decidirá regulação”, diz Franklin

Sergio Leo | VALOR

De Brasília

O governo brasileiro não fará censura sobre os meios de comunicação, e não tem prazo para concluir o projeto de regulação dos meios de comunicação eletrônicos, disse o ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, que indicou, porém, a possibilidade de que o projeto inclua medidas de controle de conteúdo semelhantes às existentes em outros países. “Quando se regula conteúdo, como na maioria deles, ninguém acha que é censura”, comentou, ao encerrar, ontem o seminário de Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, promovido pelo governo com especialistas internacionais.

“Ninguém está falando de regulação a priori, não pode botar isso, não vai ter dona Solange”, discursou Franklin Martins, citando a ex-diretora do departamento de Censura no início da década de 80, Solange Hernandez. Não tem lá dona Solange dizendo vai fazer isso ou aquilo. As obrigações de conteúdo fazem parte dos contratos de concessões públicas para radiodifusão, lembrou Martins. “Geralmente elas se referem a questões absolutamente gerais, como proteção da língua, da cultura nacional, das culturas regionais, equilíbrio, imparcialidade, proteção de menores”, listou, fazendo referências a pontos das legislações de regulação europeias citados por participantes do seminário.

O ministro negou que o governo já pretenda impor a nova regulação, mesmo com a oposição de interessados no tema. Ele garantiu que o anteprojeto em elaboração no ministério ainda não está pronto, e ainda passará pelo crivo da presidente eleita, Dilma Rousseff, que o levará á consulta pública, para eventuais modificações e envio à decisão do Congresso. “O Congresso é onde será votado e aprovado o projeto; a discussão amadurecerá com o debate, e isso é parte do processo”, afirmou. “O texto final é o que o Congresso vai aprovar um dia não é o que sairá um dia do governo.”

Franklin Martins comentou que o seminário mostrou que “é muito complexa” a regulação da convergência da radiodifusão com os serviços de telecomunicações, com a digitalização de dados, imagens e voz , e que os países ainda não chegaram a um modelo definitivo. “Não é simples, não existe um modelito que se aplique a todos os cantos”, insistiu, pouco antes de comentar que não se pensa em adotar nenhum dos modelos detalhados durante o seminário. “É necessário estudar, aprender modelos diferentes e estudar a realidade a história de cada país; o ambiente político de cada país deve ser levado em conta.”

Franklin Martins, baseado nas palestras de especialistas, ex-reguladores e dirigentes de órgãos de regulação dos EUA, da Europa e da Unesco, defendeu, porém, a adoção de “princípios gerais” que, na opinião dele, “devem nortear qualquer trabalho de regulação”. Entre esses princípios citou o estímulo a concorrência e à competição, estímulo à inovação, respeito aos direitos do cidadão e dos usuários, respeito à privacidade das pessoas, proteção dos menores, proteção á cultura nacional, às culturas regionais e à produção independente. “São coisas genéricas, mas como falou nossa colega americana são certos valores que devem presidir esforço de regulação.”

A “colega americana”, a pesquisadora da Universidade John Hopkins, Susan Ness, ex-dirigente do FCC, o órgão regulador americano, apresentou o modelo menos intervencionista de todos mostrados durante o seminário. Os EUA limitam as exigências de conteúdo a proibição de obscenidade e erotismo apenas nos serviços abertos de rádio e TV, exigem oferta de canais para minorias e grupos locais e se abstêm de aplicar regras muito rígidas a transmissões em tecnologias inovadoras ainda sem escala de mercado. Já, na Grã-Bretanha, como informou o diretor internacional do britânico Office of Communications (Ofcom), Vincent Affleck, o modelo de regulação inclui até mecanismos de queixas para os usuários e sanções às companhias em casos de transmissões de rádio ou TV que não seguirem critérios de “imparcialidade”.

Em um ponto coincidiram todos os palestrantes no seminário encerrado ontem: tanto o estabelecimento de medidas quanto sua aplicação costumam gerar grande número de questionamentos judiciais. Nos EUA, segundo Susan Ness, esses questionamentos vem obrigando o governo a rever todo o sistema de regulação.

05/11/2010 - 09:45h Brasil está pronto para retaliar contra medida dos EUA em ‘guerra cambial’, diz ‘FT’

Para jornal britânico, país pode responder à decisão do Fed de injetar US$ 600 bilhões na economia americana.

Para Mantega, decisão do Fed é como ‘jogar dólares de helicóptero’

BBC – Agência Estado

O Brasil poderia adotar medidas retaliatórias após a decisão americana de injetar US$ 600 bilhões em sua economia por meio da compra de títulos públicos, segundo afirma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo diário econômico britânico Financial Times.

A decisão do Federal Reserve (o Banco Central americano), anunciada na terça-feira, pode ter o efeito de provocar a desvalorização do dólar, aumentando a competitividade dos produtos de exportação do país no mercado externo.

O FT observa que o Brasil foi o país que ajudou a cunhar o termo ‘guerra cambial’ para designar as supostas manipulações dos países para desvalorizar suas moedas.

“Autoridades brasileiras do presidente para baixo criticaram a decisão do Federal Reserve de baixar as taxas de juros comprando bilhões de dólares em títulos do governo, advertindo de que isso poderia levar a medidas retaliatórias”, afirma a reportagem.

O jornal cita o secretário do comércio exterior, Welber Barral, para quem “essas são políticas que empobrecem aqueles no entorno deles (dos Estados Unidos) e acabam gerando medidas retaliatórias”.

‘Dólares de helicóptero’

O jornal cita ainda uma declaração feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na quinta-feira, comparando a medida americana a “jogar dólares de um helicóptero”.

“O único resultado que tem é você desvalorizar o dólar para que os Estados Unidos tenham maior competitividade no mercado internacional”, afirmou Mantega.

A reportagem observa ainda que na véspera, na entrevista coletiva conjunta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente-eleita Dilma Rousseff, os dois afirmaram que tomariam as medidas necessárias para “evitar a valorização excessiva da moeda brasileira” e “brigar pelos interesses do Brasil”.

O FT comenta que o Brasil foi um dos países mais afetados pela guerra cambial, com uma valorização do real de 39% em relação ao dólar desde o início de 2009, “gerando o temor de esvaziamento da base industrial brasileira ao tornar as exportações de manufaturados menos competitivas”.

O jornal observa, porém, que uma das razões para que o Brasil receba um grande fluxo de divisas, valorizando o real, são os juros altos no país, no nível mais alto entre os países do G20 em termos reais.

Nem mesmo o aumento da taxação aos investimentos externos reduziu esse movimento, segundo o jornal, já que o rendimento de títulos do governo de longo prazo ainda é relativamente alto mesmo após a taxação.