13/02/2009 - 17:41h Fotógrafo norte-americano vence o World Press Photo 2009. Brasileiros são premiados

Blog Imagens&Visions

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© Foto de Anthony Suau. Policial faz uma inspeção em uma casa de Cleveland, após os proprietários serem despejados. EUA.
2008.
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© Foto de Luiz Vasconcelos. Indígena tenta conter um batalhão de policiais em uma disputa por terras. Brasil.
2008.

 

Saiu o resultado do World Press Photo 2009, uma das mais importantes e prestigiadas premiações de fotografia do mundo. O fotógrafo norte-americano Anthony Suau foi o grande vencedor com a imagem que mostra um policial fazendo uma inspeção em uma casa de Cleveland, após os proprietários serem despejados, a foto faz parte de uma reportagem publicada em março de 2008 pela revista Time. O fotógrafo brasileiro Luiz Vasconcelos ficou em primeiro lugar na categoria General News com a imagem de uma indígena que tenta conter um batalhão de policiais em uma disputa por terras. A foto premiada foi publicada originalmente no jornal A Crítica, de Manaus (AM). Além de Vasconcelos, outros dois brasileiros foram reconhecidos pelo prêmio. Eraldo Perez, da agência Associated Press, recebeu menção honrosa na categoria “Cotidiano” por uma foto que mostra pessoas em volta do corpo de Thiago Franklino Lima, na favela do Coque, no Recife. Já André Vieira, da “Focus Photo und Presse Agentur”, ficou em terceiro lugar na categoria “Artes e Entretenimento” por um registro do estilista angolano Xhunos, feita em Luanda. Desde 1955, a missão da fundação holandesa que organiza o concurso é encorajar o fotojornalismo. A competição recebeu este ano o número recorde de 5019 candidatos, de mais de 125 países – 12,5% a mais que o ano passado. Veja a galeria de fotos premiadas no World Press 2009

02/11/2008 - 14:14h A ética ao gosto do cliente

“quando decidiu explorar a vida privada do adversário na TV -acreditando que pudesse despertar o preconceito de parcela da sociedade a partir de uma insinuação velada, mas óbvia, de homossexualismo-, Marta rompeu uma barreira e fez uma aposta de risco -ou baixa, a depender do ângulo.”

É assim que escreve Fernando de Barros, editor da Folha. Atribuindo a Marta não só a responsabilidade genérica pelo comercial da campanha eleitoral, mas a intencionalidade própria para “despertar o preconceito”. O “jornalista” precisa atribuir a Marta a responsabilidade, não em geral, mas especifica e individual para poder atingi-la politicamente. Por isso o “jornalista” ignora as explicações dadas no próprio jornal pelo marqueteiro Joào Santana e ignora também as declarações de Marta sobre o fato que só viu o dito comercial depois que a polêmica fora lançada.

A manipulação do “jornalista” visa a atingir a figura da Marta, pouco importa os fatos. Por isso ele não escreve sobre a “intenção” do marqueteiro, ou dos petistas, ou da campanha e sim de Marta Suplicy.

A falta de escrúpulos do “jornalista” mal esconde seu objetivo. Faz anos que ele senta em cima dos “métodos válidos e os limites éticos de uma campanha eleitoral”, como prova o fato que nada diz, nem seu jornal, sobre os ataques à vida privada de Marta nas eleições de 2004, por exemplo.

Vale lembrar que foi a Folha SP a que em 2001 publicou o ataque mais vil e violento contra Marta e minha pessoa, lançando assim a campanha de ataques pessoais sobre a vida afetiva da Marta. Como eu tenho vergonha na cara, jamais me permitiria escrever que quando “Fernando de Barros decidiu explorar a vida privada da Marta no seu jornal, o fez para levantar o preconceito contra ela”. Mesmo que Fernando de Barros esteja longe de desempenhar um papel marginal na repetição destes ataques (ele é o autor recente de uma crônica falando a vontade do meu casamento, por exemplo), seria injusto atribuir a ele o que foi uma decisão do próprio jornal. A verdade exige respeito.

O objetivo de seu artigo hoje é evitar que os petistas possam utilizar os argumentos do ombudsman da Folha condenando a parcialidade do jornal. O argumento já tinha sido invocado quando o predecessor do atual ombudsman se demitiu, pois os donos do jornal não queriam que sua crônica diária na internet pudesse ser utilizada por membros do governo federal para criticar a Folha.

Fernando de Barros considera a opinião do ombudsman respeitável, já a dos petistas não. Mesmo quando a dos petistas coincide com a emitida pelo próprio ombudsman, ou seja que a Folha favoreceu Kassab contra Marta não permitindo nenhum equilibro no segundo turno no tratamento dispensado a cada candidato.

Vindo de petistas ou do ombudsman da Folha, os fatos são os mesmos: a Folha pegou gancho no comercial, atribuiu a ele um conteúdo homofóbico, depois fez uma campanha em defesa de Kassab e contra o preconceito da Marta e completou sua campanha publicando na capa declarações de Kassab sobre assédio das mulheres e negando homossexualidade. Não respeitou qualquer equilibro no tratamento e as explicações de Marta ou do seu marqueteiro cumpriram só o papel de registro. Foram publicadas para justificar um suposto equilibro que o ombudsman mostrou inexistente.

Luis Favre

21/09/2008 - 10:51h Mau jornalismo

Vocês vão pensar que tenho alguma coisa com a Folha, mas basta dar uma olhada na cobertura do comício de Marta e Lula na zona norte feita na Folha e no Estadão, para perceber que algo estranho acontece com o jornal dos Frias.

Em primero lugar, os fatos: o comício foi previsto na zona norte e anunciado bem antes da última pesquisa Datafolha. Ou seja, a escolha do local não pode guardar relação com os resultados da pesquisa de quinta-feira passada. Evidentemente a escolha do local deve ter a ver, suponho eu, com ampliar os apoios eleitorais nas regiões da periferia. O primeiro comício foi na zona leste, o segundo é na norte. Esta última região, onde tradicionalmente o PT tem menor implantação eleitoral, tem mostrado nas pesquisas desta eleição uma situação de crescimento consistente de Marta. Ao ponto que Marta lidera todas as pesquisas na Zona Norte.

Em segundo lugar, a margem de erro da pesquisa da semana passada, para toda a cidade, foi de 2 pontos para mais ou para menos. Mas, se formos isolar o número de pessoas pesquisadas na zona norte, essa margem de erro deve pular para perto de 10 pontos, para mais ou para menos (mais de 10 pontos se formos considerar só o “noroeste” e não a zona norte como um todo).

Terceiro, não tenho nenhuma dúvida que o petista anônimo e “estrategista” citado na nota da Folha é verdadeiro. O valor da burrice, mesmo em boca de petista, deveria ser relativizado pelo jornal: ou alguém pode pensar que tem algum mecanismo, salvo pesquisa, para saber se o comício de Marta e Lula na zona norte permitiu subir 3 pontos, 8 pontos, 1 ponto? Alguém fez alguma pesquisa? Atribuir a burrice ao “PT”, na base do comentário em “off” de algum dirigente que gosta de chutar palpites conversa fora, é mole… como diria o macaco simão.

Quarto, os leitores não deveriam ser informados sobre o que foi dito pelo Presidente da República nesse comício, pela candidata, pelo governador de Sergipe ou pelo governador de Ceará?

Enfim, comparem a seguir o artigo da Folha e o artigo do jornal O Estado de São Paulo e saquem suas próprias conclusões. LF

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Marta leva Lula a região onde mais perdeu voto

Campanha crê em reversão do quadro na zona noroeste, onde queda foi de 9 pontos

Governadores do Ceará e de Sergipe também vão ao comício, onde Lula faz referência ao Nordeste para pedir voto para Marta

LAURA CAPRIGLIONE – FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL

Foi escolhido a dedo o local em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez sua segunda aparição na campanha municipal paulistana, ontem. A esquina das avenidas Inajar de Souza e General Penha Brasil, no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, coração da zona noroeste da cidade, é uma área pobre, que vem descumprindo o script previsto para a periferia: nele, a candidata do PT, Marta Suplicy, caiu nas pesquisas em vez de crescer. Só Lula para reverter o quadro e fazer Marta render, explicou ontem à Folha um estrategista do PT.
Na pesquisa Datafolha da semana passada, Marta perdeu nove pontos percentuais na região -foi de 46% no começo do mês para 37%. Apesar de ser onde mais caiu, a petista ainda mantém larga vantagem sobre os rivais (16 pontos à frente do tucano Geraldo Alckmin e 17 de Gilberto Kassab, do DEM).
Mas a avaliação da campanha de Marta é a de que a zona noroeste é uma das poucas em que a posição do eleitorado não está consolidada, daí o investimento em levar Lula ao local.
Foi a segunda atividade da campanha de Marta de que Lula participou. Em 30 de agosto, o presidente, com 64% de aprovação no país, participou de comício e carreata em São Miguel Paulista (zona leste).
Ontem, também estiveram presentes no comício os governadores Cid Gomes (PSB-CE) e Marcelo Déda (PT-SE), lembrando a alta concentração nordestina local. Lula fez referência a isso no discurso. “Falem para as pessoas, ajudem aquele “baianinho” [em referência a ele mesmo, que é pernambucano] a eleger a Marta.”
Segundo a organização, havia 8.000 pessoas no comício. A polícia não avaliou o número. O PT estima que o evento permitirá a Marta recuperar ao menos três pontos perdidos.

Clique na imagem para ampliar e ler O Estado de São Paulo

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Clique na imagem para ampliar e ler a Folha SP

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19/09/2008 - 10:29h “Kassab diz que Maluf foi um bom prefeito”, não foi manchete da Folha

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“Prefeito diz que Lula ‘tem sido bom’ para SP”. Esta é a manchete de capa da Folha SP hoje fazendo referência a sabatina de Kassab ontem.
Podia ter sido “Kassab diz que Maluf foi um bom prefeito”, ambas afirmações foram feitas e registradas no jornal. (ver A régua coerente de Kassab: “Maluf foi um bom prefeito”).

A escolha, do ponto de vista jornalistico, não é simples. No primeiro caso o destaque mostra como o demo procura surfar na onda da popularidade de Lula, para disfarçar que o DEM é oposição ao Lula. Por outro lado destacar essa frase, propaga a falsa idéia da campanha do DEM, que Kassab não é adversário de Lula.

Na sabatina da Folha Kassab também rasgou elogios para José Serra, não merecendo o mesmo destaque. O elogio a Maluf ontem, além de indicar o apoio cada dia mais aberto do ex-prefeito a Kassab, expressa uma filiação política que precisamente Alckmin está denunciando na sua propaganda. Destacar a frase de Kassab mostraria que a questão levantada por Alckmin é pertinente.

A Folha fez sua escolha. LF

18/09/2008 - 13:00h Folha diz que todos os bicos são iguais, para fazer brilhar o seu. Nossa estrela não voa baixo, por isso a Folha não percebe

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Numa tentativa grosseira de esconder a realidade, a Folha de SP em editorial atribui aos candidatos similaridades enganosas.

O editorial procura responder a Marta e justificar a orientação pro-Kassab do próprio jornal.

Primeiro, a Folha faz de conta de ignorar, que foram a Marta e o PT os que primeiros apresentaram um programa de governo para a cidade de São Paulo, com propostas e metas. Já Kassab apresentou dois dias atrás sua plataforma.

A proposta de internet sem fio gratuita estava no programa de governo de Marta, ou seja antes da campanha ir para a TV (Ampliar inclusão digital com acesso à internet banda larga através de escolas, telecentros e demais equipamentos públicos municipais, programa de governo). A Folha não levantou dúvidas na época. Levantou agora, sem apresentar nenhuma. Mas serviu de chamariz para Kassab tentar desqualificar a proposta.

O programa é de início de agosto e nele figuram os pontos essenciais que a propaganda eleitoral de Marta apresenta de maneira mais dinâmica. Todas as propostas estão no documento. A criação de uma rede de policlínicas de especialidades, idem. A proposta de rede CEU na educação, também. As propostas de corredores, sua extensão, ampliação do Bilhete-Único e plano para o metrô, igualmente. A redução dos impostos, ISS e ampliação dos domicílios isentos de IPTU foram ampliamente divulgados antes da campanha. O mesmo em relação aos projetos sociais.

Igualmente clara foi Marta e sua campanha, na crítica ao governo demo-tucano, que faz dela a única candidata de oposição, ao menos até agora. As críticas claras: Quase nenhuma construção de corredores de ônibus, nenhum participação no metrô até dois meses antes da campanha eleitoral começar, improvisação no trânsito, redução dos benefícios do Bilhete-Único e demais programas sociais. Falta de médicos, descaso com o SAMU, nenhuma Farmácia Popular. Dinheiro do BID jogado fora no centro. O resto, copia mal feita e mais cara, das principais marcas da gestão do PT a começar pelos CEU’s.

A própria Folha chegou a mostrar que dos 25 CEU’s reivindicados por Kassab, entregou só 13. Do bilhão alardeado para o metrô, só R$ 275 milhões (aliás não previstos no orçamento 2008). A formação profissional, apareceu depois da Marta falar. Especialidade médicas, após Marta. Mesmo as AMA’s, sobre a qual nenhuma reportagem de fundo foi jamais feita pela Folha, ela acabou reconhecendo que das supostas 110 criadas, 99 eram antigas UBS, muitas delas feitas por Marta.

Marta fez e propõe. Kassab copia mal e desqualifica. A Folha ajuda. O “Brasil sorridente” é um programa do governo Lula que Marta vai implantar em São Paulo. Kassab não fez e copia agora a proposta. O editorial da Folha pretende o contrário.

A Secretária de Segurança municipal foi criada por Marta. Serra e Kassab a dissolveram. Marta e Alckmin defendem que ela volte a existir. Para o editorial da Folha é tudo igual, quem acabou com a Secretária e quem defende sua existência.

Mas o que motiva o editorial e preocupa a Folha é a questão de preservar o travestimento político de Kassab. Ela está indignada com Alckmin por ele ter descoberto, certo bem tardiamente, que Kassab não é tucano. Ela protesta e considera isto irrelevante. Nada diz, porém, sobre o fato dos demo-tucanos serem todos lulistas de criancinha nesta campanha.

Para a Folha a crítica de Alckmin lembrando que Kassab foi personagem chave do malufismo e ativo secretário do governo Pitta incomoda, como para muitos dos articulistas dos jornais, porque o único tucano com direito a título legitimo aos olhos desta parte da mídia é aquele que considera que “25 não é problema, é solução”. E se ele batizou Kassab como filhote da ave preta, que legitimidade tem Alckmin para questionar quem realmente manda?

A seguir o Editorial da Folha. Boa leitura.

Luis Favre

Editoriais

editoriais@uol.com.br

Diferenças nanicas

Na corrida pela prefeitura paulistana, candidatos lançam mão de táticas artificiais para encobrir a pobreza do debate

SERIA CÔMICA , se não fosse muito sem graça, a situação atual da disputa pela Prefeitura de São Paulo. Como nada de concreto parece diferenciar as propostas dos principais concorrentes, começam então a surgir táticas artificiais para conferir cores mais vivas à disputa.
É assim que Marta Suplicy, do PT, traz a idéia de prover o município de conexões gratuitas à internet. Não que a proposta seja extravagante -o qualificativo se aplica melhor ao plano malufista de cobrir de concreto parte do Tietê-, mas as dúvidas que inspira, do ponto de vista técnico e dos recursos envolvidos, tendem a acentuar seu aspecto de chamariz eleitoral.
Gilberto Kassab, do DEM, retruca com rapidez. Imagina, a partir do histórico administrativo da petista, que com isso haveria de vir uma “taxa-antena” no eventual governo Marta. Engana-se, porém, quem deduzir daí a presença de um espírito mais austero no tocante às finanças públicas. No embalo da campanha, o candidato à reeleição promete que as passagens de ônibus não terão aumento em 2009.
Lances desse tipo conferem algo de nanico às diferenças entre os candidatos, que concordam na esfera macroscópica das generalidades planejadas. É o que mostra reportagem publicada ontem na Folha, comparando os planos de Marta, Alckmin e Kassab. Em vários pontos, as coincidências são flagrantes.
Alckmin quer criar a Secretaria de Segurança Urbana e Cidadã; Marta, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana. Kassab promete 50 “AMAs Sorriso” no campo da saúde dentária, a que Marta responde com a ampliação do “Brasil Sorridente”.
Se provoca sorriso, a convergência entre os programas de governo não tem por que ocasionar maior mordacidade. Notórias carências sociais aliam-se à perspectiva, não se sabe se duradoura, de certa folga financeira na prefeitura: natural que, em matéria de planos e realizações, mais continuidade do que confronto seja o mote da campanha.
Piores -e igualmente artificiais- têm sido as tentativas de transferir para o plano político as diferenças mínimas que separam os programas dos candidatos. Tentando reagir à ascensão de Kassab nas pesquisas, Alckmin resolveu ferir a nota da fidelidade partidária. Criticou os tucanos que participam da gestão do atual prefeito, a seu ver “sem compromisso com o PSDB”.
Caberia perguntar em que momento, no decorrer da gestão Kassab, romperam-se princípios partidários do PSDB; e quais as críticas que Geraldo Alckmin teria feito aos supostos traidores do partido nessa ocasião.
A tardia indignação alckmista surge apenas como recurso de campanha, num sistema político em que os partidos contam pouco, e em que o compromisso de qualquer candidato, como sempre, não é com princípios programáticos, mas com o marketing do momento. O resultado é risível, mas não tira da corrida à prefeitura paulistana um certo tom de melancolia.

15/09/2008 - 08:43h Não deu na Folha de São Paulo

Joel Silva/Folha Imagem
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Kassab na igreja Comunhão Plena

O artigo a seguir, com foto e tudo, saiu ontem no site da Folha, Campanha no ar. Não publiquei antes aqui, porque pensei que ganharia seu lugar na Folha de São Paulo de hoje. Depois de todo, a foto é surpreendente e a descrição feita pela jornalista Catia Seabra é um excelente material jornalístico.

Mas hoje a Folha nada publicou (como tampouco publicou nada sobre Tucanos brigam com tucanos).

Estranho, não?

Porque será que a Folha desdenhou a foto e o artigo de Catia Seabra?

Talvez os leitores deste blog tenham suas idéias sobre o assunto. Eu confesso que não consigo entender o desinteresse da Folha.

Porque sonegar aos leitores do jornal o apoio de tantas mulheres, evangélicas, para o candidato demo?

É muita propaganda em favor de Kassab mostrar seu fervor religioso?

Mas quantas fotos a Folha já não publicou de Alckmin com semelhante fervor, então porque não o Kassab?

Religiosos evangélicos já apareceram publicamente e também em ofícios religiosos apoiando Marta, Alckmin etc.

Não tem nada demais, mas o contexto, os propósitos e a foto têm inegavel interesse jornalístico.

Porque a Folha então, não publicou? LF

 

 

Kassab e 5.000 mulheres

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Campanha no ar – CATIA SEABRA da Folha

De joelhos, o prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), recebeu ontem as bênçãos das mais de cinco mil mulheres reunidas em encontro evangélico na Barra Funda. Antes da oração, Kassab pediu que as fiéis rezassem por ele e por sua equipe.

“Preciso que vocês orem por mim. Preciso das suas orações, junto com minha equipe, para que possamos ter energia, para continuar junto com vocês construindo uma cidade melhor”, disse Kassab.

O prefeito também enalteceu a parceria de evangélicos em projetos sociais. “São Paulo seria outra cidade se não fosse o povo evangélico.”

Ao apresentar o prefeito, a bispa Vera Lopes, da Igreja da Comunhão Plena, disse que Kassab “está buscando Jesus”.

“Ele é homem que tem promessa”, gritaram as fiéis, a pedido da bispa. “Quem tem acompanhado a vida do nosso prefeito vê que Deus tem atuado”, completou Vera.

“Não estamos recebendo apenas o prefeito. Estamos recebendo o nosso irmão Kassab. Quantas de vocês vão estar orando pelo nosso prefeito em nome de Jesus? Levantem a mão”, pregou o apóstolo Sérgio Lopes.

“Irmão, eu vou orar, vou abençoar o nosso prefeito.”, entoavam as fiéis, repetindo cada uma das palavras do apóstolo.

Lopes pediu que Kassab ajoelhasse “diante do senhor Jesus”, enquanto as mulheres estendiam suas mãos não direção do prefeito. Coube ao vereador Carlos Apolinário, líder do DEM na Assembléia, fazer a oração.

“O Kassab não veio como candidato. Veio como prefeito. O Kassab me disse: ‘Apolinário, eu vou lá pedir a oração das mulheres. Somos sete vereadores da bancada do prefeito. Quatro são evangélicos”, disse Apolinário, arrancando gritos de aleluia.

“Gostaria que vocês dissessem ‘Kassab, Deus te abençoe. Mais alto. Amado Jesus, aqui está o prefeito Gilberto Kassab que muito tem feito pela nossa cidade, senhor. Abençoe a vida dele, da sua família, de seus assessores, e de todos aqueles que estão ao seu lado, senhor. Muito obrigado pela vida do prefeito. Dê-lhe paz, alegria, saúde e disposição para estar conosco administrando São Paulo por mais quatro anos”.

À saída, Kassab reafirmou à Folha sua opção pela Igreja Católica. “Todos eles sabem que sou católico”, disse.

10/09/2008 - 14:16h Observatório da Mídia desnuda os jornais paulistanos

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2º RELATÓRIO DE ACOMPANHAMENTO DA COBERTURA DA MÍDIA IMPRESSA PAULISTANA SOBRE AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 2008
09/SET/2008

Acompanhamento da mídia: jornais

Relatório da cobertura entre os dias 30/08 e 05/09.

Relatório sobre reportagens dos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário de S. Paulo, Agora São Paulo e Jornal da Tarde sobre a cobertura dos candidatos Marta Suplicy, Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, Paulo Maluf, Soninha Francine e Ivan Valente. Também foram observadas as reportagens referentes ao prefeito Kassab.

O número de reportagens dedicadas aos  candidatos tem sido equilibrado? Quem tem tido mais matérias favoráveis, desfavoráveis, ambíguas e equilibradas?

O acompanhamento sistemático da cobertura eleitoral das candidaturas Marta Suplicy, Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, Paulo Maluf, Soninha Francine e Ivan Valente, nos cinco jornais, está sendo realizado desde 6 de julho deste ano e possibilita avaliação semanal dos seguintes dados:

- Quantas matérias foram dedicadas nesses jornais – em conjunto – às candidaturas;
- Quantas foram favoráveis, desfavoráveis, ambíguas ou equlibradas;
- Como esses dados têm evoluído semana a semana.

Observação metodológica: as reportagens costumam tratar as candidaturas separadamente ou em conjunto. Classificamos o foco com o qual os candidatos são tratados nos textos jornalísticos em principal, secundário ou citação. Os textos são qualificados em favorável, desfavorável, ambíguo e equilibrado de acordo com a capacidade que os mesmos têm de influenciar o voto nos candidatos aos quais se relaciona.

RELATÓRIO

Entre os dias 30/08/08 e 05/09/08, os cinco veículos pesquisados dedicaram 176 reportagens que trataram das 6 candidaturas a prefeito. As três principais candidaturas tiveram juntas 138 reportagens ou 78,4% do total de reportagens que trataram como foco principal do texto uma ou mais candidaturas.

A candidata Marta Suplicy teve 49 reportagens que trataram de sua candidatura. Seguida pelo tucano Geraldo Alckmin que teve 45 reportagens. O candidato à reeleição Gilberto Kassab teve 44 reportagens ou 25% do total de reportagens que trataram da eleição do município de São Paulo.

Em relação às três candidaturas com chances de vitória segundo as pesquisas de intenção de voto, houve mudanças no enfoque da cobertura.

Pela primeira vez nas nove semanas, a candidata do PT teve percentual desfavorável de reportagens, 40,8% maior do que os candidatos Geraldo Alckmin, 35,6% e Gilbertao Kassab, 9,1%.

A candidata Marta Suplicy teve o maior percentual de reportagens desfavoráveis na série desde o dia 06/07; o candidato Geraldo Alckmin teve a cobertura de sua campanha melhor do que nas últimas três semanas: aumentou significativamente o percentual de reportagens favoráveis e caiu quase à metade o percentual de reportagens desfavoráveis. O candidato Gilberto Kassab teve melhora no quadro da semana anterior com pequeno aumento no percentual de reportagens favoráveis, pequena queda no percentual de reportagens equilibradas e variação de 0,6% no percentual de reportagens desfavoráveis.

Os principais assuntos que mobilizaram o noticiário dos candidatos foram:

1 – a divulgação das pesquisas eleitorais;

2 – a mobilização dos apoios do presidente Lula e do governador José Serra;

3 – o projeto de ampliação do metrô proposto pela candidata petista;

4 – aumento da polarização das candidaturas de Gilberto Kassab e Marta Suplicy.

QUALIFICAÇÃO DAS REPORTAGENS

A candidata Marta Suplicy teve, na última semana, o maior percentual de reportagens desfavoráveis à sua candidatura: 40,8%. O aumento de reportagens desfavoráveis foi motivado pela discussão em torno da proposta da candidata do PT de ampliação do metrô e da participação do governo federal na destinação dos recursos para implementação do projeto; e no aumento da polarização entre a candidatura petista e da candidatura do prefeito Gilberto Kassab, que foi noticiada a partir dos movimentos do candidato do DEM.

O candidato Geraldo Alckmin teve a candidatura noticiada com viés menos desfavorável do que nas últimas três semanas. As pesquisas Ibope e Datafolha que divergiram sobre a continuidade da queda dos indices de intenção de voto ou establização contribuiu com a diminuição das reportagens desfavoráveis ao candidato. A aproximação entre o candidato e o governador José Serra também fez melhorar o percentual de reportagens favoráveis.

O candidato Gilberto Kassab teve a terceira semana consecutiva de reportagens favoráveis à sua candidatura. O candidato do DEM teve o segundo maior indíce de reportagens favoráveis, 52,3%; durante as nove semanas da eleição municipal. O noticiário favorável ao candidato à reeleição foi impulsionado pelo seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto e a aproximação aos índices do tucano Geraldo Alckmin. A polarização com a ex-prefeita Marta Suplicy também rendeu reportagens favoráveis a Kassab.

Ao contrário das semanas anteriores, quando os três principais candidatos tiveram em média, maior percentual de reportagens equilibradas, nesta semana, a candidata Marta Suplicy teve maior percentual de reportagens desfavoráveis do que equilibradas à sua candidatura e o candidato Gilberto Kassab teve maior percentual de reportagens favoráveis do que equilibradas.

Qualificação: Evolução semana a semana de cada candidato
MARTA SUPLICY 

Na última semana, a candidata Marta Suplicy teve a semana com o maior percentual de reportagens desfavoráveis. Pela primeira vez, no conjunto das nove semanas, a petista teve maior percentual de reportagens desfavoráveis, 40,8% do que favoráveis, 32,6% ou equilibradas, 20,4%.

O noticiário desfavorável à candidata deveu-se principalmente a duas situações:

1 – Questionamento da viabilidade da proposta de aumento da malha metroviária;

2 – Polarização da candidatura petista com a do candidato Gilberto Kassab.

Em relação ao metrô, houve duas situações que foram noticiadas de maneira desfavorável à petista. Na terça-feira, 2 de setembro, a Folha de S. Paulo informou que não havia recursos disponíveis para o metrô de São Paulo. A declaração da ministra Dilma Rousseff de que o metrô de São Paulo terá verba e que os planos da união têm afinidade com os da candidata Marta Suplicy foi noticiada junto com críticas dos outros candidatos de que a proposta petista não tem fundamentos, de que a petista não investiu em metrô quando prefeita e que seu projeto difere do planejado pelo governo estadual.

A polarização entre Marta Suplicy e o candidato do DEM foi noticiada de maneira desfavorável à petista. Em O Estado de S. Paulo, na edição de 03/09/08, a reportagem “Kassab acusa Marta de copiar projeto”, noticiou no título que o candidato Gilberto Kassab teria acusado a petista, no entanto, quem faz a crítica à candidata na reportagem são os secretários municipais de educação Alexandre Schneider, e de finaças, Aloísio Morais Rodrigues. Não há nenhuma declaração do prefeito na matéria.

As reportagens favoráveis à candidata noticiaram principalmente a vinda do presidente Lula a São Paulo, quando fez campanha junto com a petista e a publicação das pesquisas que continuam indicando a liderança de Marta Suplicy.

GERALDO ALCKMIN

A divergência entre as pesquisas IBOPE, que apontou maior queda dos índices de intenção de voto do tucano e Datafolha que apontou estabilização da intenção de voto e a aproximação do candidato ao governador José Serra, ajudaram a reverter noticiário eminentemente desfavorável que o tucano vinha enfrentando nas três semanas anteriores.

A aproximação do candidato ao governador Serra foi noticiada pelos jornais observados por conta da aparição conjunta dos dois no jantar de 94 anos da Sociedade Esportiva Palmeiras. A participação do governador no jantar de arrecadação de fundos para a campanha de Geraldo Alckmin que irá acontecer na próxima quarta-feira, 10/09, também contribui para a melhora dos percentuais de reporatgens favoráveis a Alckmin. O anúncio que o ex-governador fez na zona Sul de São Paulo de que o governo estadual irá construir seis escolas técnicas na região, foi noticiado pela edição da Folha de S. Paulo da sexta-feira, 5/09, que informou que o anúncio havia sido combinado entre o candidato Alckmin e o governador José Serra.

As dificuldades que o tucano tem tido na campanha e a repercussão da pesquisa Ibope, que apontou aumento da queda dos indíces de intenção de voto no candidato, mantiveram o tom desfavorável à cobertura da campanha do candidato tucano.

GILBERTO KASSAB

Entre os dias 30/08 e 08/09 a candidatura à reeleição de Gilberto Kassab teve o segundo maior percentual de reportagens favoráveis, 52,3%, no conjunto das nove semanas pesquisadas. O percentual de reportagens desfavoráveis ao prefeito foi de 9,1%, o terceiro menor no período pesquisado. A cobertura eminentemente favorável ao candidato foi impulsionada pelas duas pesquisas, Ibope e Datafolha publicadas no sábado que apontaram subida dos índices de intenção de voto no candidato do DEM e aumento da aprovação de sua administração.

A polarização entre o candidato à reeleição e a ex-prefeita foi noticiada de maneira favorável ao candidato. As reportagens que trataram dos programas do horário eleitoral gratuíto do candidato à reeleição noticiaram a boa avaliação do eleitor e que a maior exposição do candidato no rádio e na TV tem impulsionado a melhora dos índices de intenção de voto e avaliação da administração

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24/08/2008 - 12:05h Estadão: duas edições, duas leituras

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A primeira edição do Estadão tinha uma pequena chamada de capa dizendo; “Pesquisa confirma avanço de Marta” seguido de “Datafolha aponta vantagem de 17 pontos para a petista. Pág A8″. Na página A8 a matéria abria com o título “Datafolha mostra Marta com 17 pontos de vantagem” e imediatamente abaixo do título “Candidata do PT subiu e Geraldo Alckmin, segundo colocado, caiu; pesquisa confirma movimento detectado pelo Ibope no último dia 16″.

A segunda edição do mesmo jornal, O Estado de São Paulo, a chamada de capa diz: “Pesquisa aponta avanço de Kassab” seguido de “Diferença para Alckmin caiu pela metade, indica Datafolha”. No interior o artigo passa a levar como título “Pesquisa mostra Kassab mais próximo de Alckmin” e no lide “Distância entre os dois caiu de 21 para 10 pontos, aponta Datafolha; Marta lidera, com 41%, confirmando movimento detectado pelo Ibope no dia 16″.

Acontece que contrariamente a chamada de capa da segunda edição do Estado, a pesquisa não aponta avanço de Kassab e sim constatou a queda de Alckmin. Kassab só oscilou dentro da margem de erro. Já Alckmin caiu e a dianteira de Marta passa a ser de 17 pontos. De todos os candidatos, Marta é a única a crescer acima da margem de erro em relação ao Datafolha anterior. A maioria dos eleitores que abandonaram Alckmin, entre as duas pesquisas, o fizeram em favor de Marta. LF

07/07/2008 - 11:28h Coxinhas

comendo coxinhas tudo bem, agora engolir sapos…
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A Folha de hoje dedica amplo espaço aos problemas do trânsito em São Paulo e as ações de Kassab no setor. O tema é tratado também na coluna de Marcos Cintra, no caderno Dinheiro e com uma entrevista do secretário de transporte de Kassab, fora uma página também sobre o assunto no Cotidiano. A entrevista é feita sem concessões.

O tema é tratado sem outro lado, na medida em que não se trata de acusação e sim de entrevista sobre temas de interesse público e de administração, ou reportagem sobre medições da CET ou da opinião de um colunista. Este parece ser o critério da Folha.

Sobre o tema, o jornal seguramente entrevistará algum ex-secretário de transporte de Marta Suplicy e também de Geraldo Alckmin, de maneira a não deixar a exclusividade do tratamento dos problemas da cidade ao pessoal de Kassab, enquanto a cobertura sobre o debate eleitoral ficaria circunscrito a saber quantas coxinhas comeram os candidatos e o preço, ou como eles estavam vestidos.

Não que a curiosidade do leitor não comporte o lado frívolo da campanha, mas em paralelo os temas de interesse público não podem estar circunscritos a um tratamento que exclua o equilíbrio da cobertura.

LF

03/07/2008 - 10:58h Presidente do PT-SP contesta reportagem da Folha

Carta publicada hoje no painel do leitor da Folha de São Paulo. Como o jornal não contestou a teor da carta de José Américo, deve ter concordado com ela.

Marta
“Em relação à reportagem “Marta erra dados e usa verba de Lula para obras do metrô” (Brasil, 1/7), Marta Suplicy não cometeu nenhum erro na apresentação de qualquer dado.
O leitor só percebe isso a partir da linha fina do texto, que também tem problemas: o assunto é tratado como sendo o programa de governo do PT. Ledo engano. A reportagem teve acesso ao anteprojeto para discussão na convenção municipal do PT do programa de governo. Não é o programa do PT, ainda. Em seu exercício editorial, a Folha imprimiu à ação do PT, de modo injustificável, o caráter de “má-fé”.
Empregou os verbos “subtrair”, ao se referir a citações de casos de dengue, ou “omitir”, à questão de reajustes de ônibus -algo injustificável porque a reportagem informa que houve erro na redação do documento sobre os casos de dengue, algo muito diferente da intenção de subtrair dados, e não houve omissão quanto a reajustes tarifários do transporte coletivo na gestão Marta.”
JOSÉ AMÉRICO DIAS , presidente do PT municipal (São Paulo, SP)

VER TAMBÉM Contrabando

23/06/2008 - 13:31h O imposto municipal do paulistano

impostos1.png

impostos1bispng.jpg

Os dois slides acima fazem parte de um documento circulando na internet. Me parece que os dados são do Jornal da Tarde é já tinham sido postados aqui

Já que falam em impostos…

19/06/2008 - 10:27h “Nunca vi isso em toda a minha carreira”, diz Carlos Velloso sobre decisão judicial

Sérgio Lima – 17.ago.00/Folha Imagem

O ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral Carlos Veloso, durante uma sessão em Brasília

CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA – FOLHA SP

Ex-ministro do STF, o advogado mineiro Carlos Velloso, avaliou como equivocada a sentença do juiz Francisco Carlos Shintate, que considerou “propaganda antecipada” a veiculação da entrevista da ex-ministra Marta Suplicy. “É um caso inédito. Nunca vi algo parecido em toda a minha carreira.”
Além de presidir o Supremo, Velloso comandou o TSE duas vezes: de 1994 a 1996 e de 2005 a 2006. Entre outras passagens pelo tribunal, são mais de dez anos dedicados à análise da legislação eleitoral.

FOLHA – O senhor leu a entrevista de Marta na Folha?
CARLOS VELLOSO
- Sim. Não se tratou propaganda eleitoral. Aí (na entrevista) é a imprensa informando. Se ocorresse na TV ou no rádio poderia existir (o entendimento) de propaganda antecipada, mas não com relação ao jornal. TV e Rádio constituem serviços públicos, são concessões, o que não ocorre com a imprensa escrita. Essa distinção é feita no que toca o horário gratuito, tanto para partidos como para candidatos. A lei eleitoral distingue as duas mídias.FOLHA – É legítimo restringir a liberdade de informação para preservar a igualdade entre os candidatos?
CARLOS VELLOSO
- Não. Afinal, o jornal não poderia publicar entrevistas com todos os candidatos numa única edição. A segunda entrevista (com o prefeito Gilberto Kassab) prova que não há violação do princípio isonômico.FOLHA – A punição (multa) é uma forma de censura?
CARLOS VELLOSO
- Pode ser, se aplicada inadequadamente, fora da exata tipificação da pena. Se amanhã, tem-se uma edição escancaradamente favorável a um candidato, que realmente beneficie um candidato, ela não é uma forma de censura, porque estaria sendo aplicada adequadamente. O que não foi o caso.

FOLHA – A manutenção de decisões como essa poderá tolher a livre informação sobre candidatos?
CARLOS VELLOSO
- Acho que vai haver recurso e certamente os tribunais superiores vão se manifestar. O Tribunal Regional Eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral. E considerando que liberdade de expressão é matéria constitucional, isso poderá chegar ao STF.

15/06/2008 - 19:00h Verissimo

Crônica

O Globo

Rir ou não rir

verissimo.jpgCasal de judeus americanos em visita a Israel entra num clube noturno de Tel Aviv onde se apresenta um cômico local. As piadas do cômico fazem grande sucesso com o público e quem ri mais do que todos é o americano.

Sua mulher estranha. As piadas são em hebraico. O marido não sabe hebraico. Por que está rindo tanto?

— Por que não? — responde o marido. — Eu confio nesta gente!

Dependendo do jornal que você lê, e às vezes do analista num mesmo jornal, o otimismo com a situação do Brasil se justifica, é um delírio ou é um embuste. Poucas vezes na nossa história recente entender o que se passa dependeu tanto da predisposição, ou do preconceito, de cada um. A economia do país raramente esteve tão bem, nunca se comprou tanto carro e casa própria, estamos finalmente a caminho de ter um bendito mercado para sustentar nosso desenvolvimento — ou a caminho do caos. Você decide. Os números não provam nada, ou provam tudo, o que dá no mesmo. Uma correta avaliação é improvável, já que os profissionais da avaliação se contradizem. Os fatos não influem muito na decisão de ser otimista ou catastrófico.

Ou seja: saber hebraico é secundário. Para rir ou não rir das piadas, basta confiar ou não confiar em quem está rindo.

FOFOCA

Com Barack Obama definido como candidato dos democratas à Casa Branca, espera-se para qualquer momento não um atentado contra ele mas uma fofoca sexual, que nos Estados Unidos também costuma ser uma arma. Em países latinos as revelações sexuais não têm o mesmo efeito, portanto não têm o mesmo risco político.

A filha que o Mitterrand tinha com sua amante foi motivo apenas de curiosidade, e de afetuosa surpresa com um pecado menor do velho, e não prejudicaria sua carreira política mesmo se tivesse aparecido antes. E o boato de que o Chirac era amante da Claudia Cardinale só aumentou sua reputação. No Brasil existe um imenso lençol subterrâneo, se este é o termo, de indiscrições conhecidas do poder que nunca vêm à superfície. Tipo todo o mundo sabe mas ninguém publica.

O que é saudável, já que a vida particular do político só é relevante quando surgem falhas de caráter que afetarão o nosso bolso, como uma tara por dinheiro público, e qual é o problema de namorar um pouco se ajuda a relaxar e até a governar e legislar melhor, desde que a patroa não fique sabendo? Mas há quem diga que a falta de inconfidências no mercado se deve a uma insuficiência do nosso setor editorial, que ainda não pôde fazer ofertas convincentes.

Quando morreu Buddy, o labrador dos Clinton, talvez o cachorro com mais histórias para contar do mundo, suspeitou-se que o atropelamento se devesse aos rumores de um contrato milionário para publicar um livro seu, título provável “Memórias da Casa Branca, ou Babando no tapete do Salão Oval”. Buddy, presumivelmente, estava presente nos encontros de Clinton com estagiárias para fins não reprodutivos. Inconfidências de assessores, empregados, amantes etc. são um risco constante para dirigentes americanos e ingleses, incluindo até a família real — no caso dos Estados Unidos, os Kennedy.

As revelações podem ser moderadamente embaraçosas (como a da atriz Angie Dickenson, que descreveu seu caso com John Kennedy como “os quinze segundos mais memoráveis da minha vida”) ou podem acabar com reputações para sempre. Do Bush nunca se soube nada, salvo os atos antinaturais que praticou com o país. Do Barack Obama, devem estar catando.

15/06/2008 - 18:45h A voz rouca das ruas

Rosana de Oliveira do jornal ZERO HORA de POA

gaucho.gif“A interatividade proporcionada pela comunicação moderna já indicava alto índice de aprovação ao vice-governador Paulo Feijó, por ter gravado e divulgado uma conversa que teve no dia 26 de maio com o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto. Eram torpedos, mensagens, cartas, palpites em programas de rádio e TV, mas faltava a pesquisa com base científica e amostra representativa do universo de eleitores gaúchos. Não falta mais: a sondagem encomendada pelo Grupo RBS à Fato está dissecada nas páginas 4 e 5 desta edição (ver aqui no Blog). Poucas vezes se viram resultados tão arrasadores para um governo.

Ela mostra que 61,8% dos eleitores aprovam a atitude de Feijó de gravar a conversa, ato definido por Busatto como covarde, traiçoeiro, revelador de falta de caráter. É quase o mesmo percentual (59,6%) dos que consideram legítimas a gravação e a divulgação da conversa. Bem maior é o índice dos que definem as declarações de Busatto como muito comprometedoras para o ex-secretário e para o governo: 75,5%.

Somente um terço dos entrevistados compartilha a tese corrente no Palácio Piratini de que a motivação de Feijó é “forçar Yeda a sair para assumir como governador em seu lugar”. O percentual de 44,7% dos que sugerem a Feijó deixar o cargo para fazer oposição a Yeda fora do governo comporta duas leituras: uma, de que ele está sendo desleal ao atacar o governo do qual participa; outra, de que deve se afastar para não ser contaminado pela impopularidade.

Passados 18 meses desde a posse, 62,2% desaprovam o governo de Yeda. Em uma pergunta sobre a atuação da governadora em relação ao escândalo do Detran tem-se uma medida mais precisa do desgaste provocado pela crise: 16,4% disseram que é boa ou ótima e 43,1% que é ruim ou péssima.”

15/06/2008 - 10:35h Ombudsman: discutindo o rabo presso

capa_ombudsman.jpg

A questão do apartidarismo

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA

ombudsman@uol.com.br


Para o jornal, ser visto como imparcial por todos é impossível; o pior é que não basta ser: tem de parecer ser

NESTA semana, o ombudsman recebeu 42 mensagens de leitores que se queixavam de falta de apartidarismo da Folha. Destas, 37 diziam que o jornal foi a favor do PSDB em diversos episódios e cinco achavam que ele favoreceu o PT.
É muito para quem tem de responder a todas pessoal e individualmente. Mas não chegam a 20% do total endereçado ao ombudsman e são menos de 10% da correspondência enviada ao jornal e nem 0,01% do total de leitores.
Claro que não é o critério estatístico que determina a representatividade de um grupo de leitores. Os que se dirigem ao jornal, mesmo poucos, são significativos e importantes.
Mesmo o contingente que se manifesta por motivação ideológica ou partidária é representativo e deve ser levado em conta pelo ombudsman, que tem de representar todos os leitores, inclusive aqueles que não se dirigem a ele.
O apartidarismo é um dos pilares do Projeto Folha desde 1984 e continua sendo, segundo manifestação da Secretaria de Redação a mim esta semana.
Ele foi elevado a essa condição dentro de uma lógica de mercado, não ética nem política: o público leitor é composto por pessoas que têm diversas visões de mundo e o jornal não pode abrir mão de nenhum desses grupos.
Eduardo Guimarães, um dos mais incisivos críticos da mídia, com quem tenho intensas diferenças de opinião mas por quem tenho respeito intelectual, diz que um jornal que resolvesse alienar uma parcela dos leitores que vota num partido com o desempenho eleitoral que tem tido o PT no Brasil estaria dando um tiro no pé.
É verdade. Por que a Folha o faria? Uma hipótese é que estaria apostando que num futuro governo federal tucano, ela teria tantas vantagens que compensaria o prejuízo da alienação de leitores atual.
Aí, entra-se no território das crenças porque é impossível comprovar essa teoria. Eu não acredito nessa possibilidade. Se acreditasse, não teria aceitado o convite para ocupar este cargo e, se um dia vier a crer nela, eu o deixarei.
Três episódios recentes concentraram os ataques contra a Folha por parte de quem a julga tucana: o caso Alstom, a crise gaúcha e a reportagem sobre doações partidárias.
No caso Alstom, o jornal “saiu atrasado”, como admite a Secretaria de Redação. Depois do atraso, continuou tímido por semanas. Despertou depois que o concorrente tomou a iniciativa, mas permaneceu mal. Levou um mês para se manifestar em editorial.
Na sexta, afinal, produziu uma reportagem convincente com informações exclusivas e apontou com clareza a ligação dos envolvidos com os governos do PSDB em São Paulo.
Na crise gaúcha, o jornal também fez cobertura modesta até esta semana, quando afinal -na terça e na sexta- o assunto foi para a capa.
O pior caso, para mim, é o das doações partidárias, reportagem publicada com destaque no dia 26 de maio. Dediquei um terço da coluna de 1º de junho ao tema: a reportagem tratava de forma claramente desigual doações legais feitas a PSDB e PT por empresas que depois ganharam contratos dos governos federal e dos Estados de São Paulo e Minas Gerais.
Embora o valor dos contratos em relação às doações fosse muito maior no caso do PSDB, toda a ênfase foi dada aos do PT.
Pedi que a Secretaria de Redação explicasse o critério e sua resposta não me convenceu: no caso do PT, os pagamentos pelo governo já foram feitos e no do PSDB, eles ainda não foram realizados.Teria sido melhor, a meu ver, reconhecer um erro de avaliação.
Ser apartidário num ambiente de divisão política acirrada é muito difícil. Ser visto como imparcial por todos é impossível. O pior é que não basta ser: é preciso parecer ser. Nestes três casos, a Folha muitas vezes não pareceu ser.

14/06/2008 - 09:34h A promotoria está contra você

marta_coluna.jpgPLÍNIO FRAGA

FOLHA DE SÃO PAULO

RIO DE JANEIRO - A absurda, injustificada e temerária tentativa de censura do Ministério Público Eleitoral a esta Folha -ao propor representação contra o jornal por ter publicado entrevista com um dos pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo, entendendo que nela havia propaganda antecipada- expõe uma toada autoritária. Com um discurso supostamente moralizador, normatizador e igualitarista, setores que atuam na Justiça eleitoral estão vilipendiando valores democráticos que o país construiu a partir da queda da ditadura militar. É difícil crer que ajam irrefletida ou inocentemente.
A prosperar a ação da promotoria eleitoral contra a Folha, o seu direito de informação, leitor, será cerceado. Caberia à idiossincrasia de promotores e juízes eleitorais decidir a extensão das informações que você, leitor, receberá para corretamente avaliar candidaturas, propostas, projetos, políticas públicas. Em outras palavras, é a censura das priscas eras.
A quem interessa essa ação restritiva? A entrevista questionada pela promotoria era com a petista Marta Suplicy e saiu em 4 de junho. Em 10 de maio, a Folha havia publicado entrevista com o tucano Geraldo Alckmin, que falava abertamente de sua pré-candidatura à prefeitura. Em 15 de março, havia sido a vez de Soninha Francine, pré-candidata do PPS. Hoje, é a de Gilberto Kassab (DEM). Recentemente, foram publicadas entrevistas com pré-candidatos a prefeito do Rio, como Marcelo Crivella (PRB) e Fernando Gabeira (PV), só para citar mais alguns.
Os promotores não acharam que nenhuma dessas entrevistas era propaganda antecipada? E não podiam achar mesmo, pois não eram. O jornal cumpria seu papel no debate de idéias políticas, com a pluralidade que o sistema democrático requer e o bom jornalismo exige.

11/06/2008 - 16:56h Notas de Brickman

Carlos Brickman para o Observatório da Imprensa

mordaca2.jpgA Censura, mais uma vez

O jornal Agosto, de Ribeirão Bonito, SP, teve uma edição censurada por ordem judicial. Motivo: o jornal, pertencente à Associação Amarribo (Amigos Associados de Ribeirão Bonito), publicou entrevista com um dos candidatos a prefeito da cidade, escolhido por sorteio. O promotor da cidade considerou a reportagem um tipo de propaganda eleitoral antecipada, interpretação aceita pela Justiça. Não apenas a edição foi recolhida, como teve de ser retirada da Internet.

Acontece que, na mesma edição em que foi publicada a entrevista, Agosto anunciava que todos os candidatos à Prefeitura seriam entrevistados, recebendo o mesmo espaço, um por edição, sempre definidos por sorteio. Ou seja, não havia propaganda eleitoral: apenas informação, e informação do interesse da cidade.

As leis eleitorais existem e têm de ser cumpridas. Mas não podem se sobrepor à Constituição, que veda explicitamente a censura à imprensa.

trem_456.gifA imprensa boazinha 1

Um ministro quase foi crucificado pela imprensa porque comeu uma tapioca e pagou com o cartão corporativo. Outra ministra foi crucificada porque comprou um pouco menos de R$ 500,00 em produtos importados, num duty-free, e pagou com cartão corporativo. Os dois ministros mereceram as críticas: não tinham o direito de considerar o cartão corporativo governamental, criado para cobrir despesas efetuadas a serviço, como uma espécie de salário complementar.

No entanto, coisas muito mais graves estão merecendo tratamento bem mais ameno de nós, jornalistas. Investigações conduzidas pela Suíça e pela França apontam uma multinacional, a Alstom, como pagadora de uma propina de US$ 7 milhões, que lhe valeu boas vantagens nas encomendas do Metrô de São Paulo. Na época da distribuição da propina, os governadores foram Mário Covas e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. Alckmin, até o momento em que esta coluna foi redigida, havia escapado tranquilamente de dar entrevistas, e continuava se dedicando à luta para ser candidato à Prefeitura de São Paulo.

A atriz Kate Lyra celebrizou um bordão, há alguns anos, para definir a generosidade com que os homens, encantados com seu visual, costumavam tratá-la: “Brasileiro é tão bonzinho!” Nossa imprensa também é boazinha. Agora, o IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas órgão de reputação impecável ligado ao Governo de São Paulo, informa que a famosa cratera do Metrô paulistano, que matou sete pessoas, surgiu por uma combinação de fatores, entre os quais a indevida economia de materiais, por parte das construtoras, e a falta de fiscalização do Metrô. Com exceção de alguns dias, após a posse do governador José Serra, o Metrô paulista foi comandado durante toda a construção da linha que caiu pelo governador Geraldo Alckmin.

Será que agora a imprensa buscará explicações com Alckmin, em vez de contentar-se com notícias sobre suas pretensões à Prefeitura paulistana?

tv_digital.jpgA imprensa boazinha 2

Quando o Brasil adotou o sistema japonês de TV Digital, foi-nos dito que o Japão montaria no Brasil uma grande fábrica de semicondutores, transferiria tecnologia de última geração, aproveitaria o trabalho brasileiro em seu sistema. E haveria caixas de adaptação a preço bem baixo, por volta de R$ 150.

Não houve qualquer transferência de tecnologia, até agora; a fábrica de semicondutores já foi desmentida pela indústria que a instalaria, a Toshiba; o sistema japonês continua centrado exclusivamente no Japão, sem aproveitamento de qualquer experiência brasileira; e a caixa de adaptação é caríssima.

Tudo bem, o ministro Hélio Costa foi nosso colega, é simpático, bem-falante, mas tem de explicar direitinho por que o sistema japonês até agora não funcionou no Brasil. Aliás, o presidente Lula, cuja decisão em favor do sistema japonês foi firme e rápida, também poderia nos dizer quando é que haverá TV digital no Brasil e quando é que o Japão vai entregar as compensações por ter levado tudo.

08/06/2008 - 19:54h Esta é demais!

jb_yeda.jpg

O “ato falho” do Jornal do Brasil (JB) é significativo, como diria Freud. O desejo de uma parte da mídia é tão forte que acaba forçando a mão. Ou a força de procurar ocultar o escândalo tucano de Rio Grande do Sul, o responsável do JB não sabia nem a cor política da governadora Yeda Crusius. Errar é humano e o escândalo de corrupção é tucano.

Reproduzo a seguir duas fotos com o único intuito de refrescar a memória dos veículos de comunicação. As fotos são da governadora Yeda Crusius durante a campanha eleitoral, na primeira ela está só e na segunda acompanhada por Alckmin, Serra e Aécio. Na próxima, ela estará seguramente sozinha de novo, vista a pouca manifestação de solidariedade dos homens da foto para com a governadora tucana.

yeda_psdb_so.JPG

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08/06/2008 - 14:43h O futuro dos jornais

FOLHA SP

http://www.mediabistro.com/fishbowlLA/original/newspapers.jpg

Blog de política mais popular dos EUA, Huffington Post radicaliza a noção de interatividade, mas ainda depende das reportagens dos grandes diários; para sua fundadora, falar da morte dos jornais é “ridículo”

ERIC ALTERMAN

O jornal norte-americano está na praça há mais ou menos 300 anos. A folha veemente de Benjamin Harris “Publick Occurrences, Both Foreign and Domestick” [Ocorrências Públicas Estrangeiras e Domésticas], só conseguiu tirar um número, em 1690, antes de ser fechada pelas autoridades de Massachusetts.
Harris sugerira uma linha dura e politicamente incorreta quanto à remoção dos indígenas e chocara as suscetibilidades locais ao informar que o rei da França tomava liberdades com a mulher do príncipe.
Mas foi apenas em 1721, quando o impressor James Franklin lançou o “New England Courant”, que as colônias britânicas na América do Norte viram surgir algo semelhante aos jornais de hoje.
Irmão mais velho de Benjamin, Franklin se recusava a aderir às praticas costumeiras de direitos autorais e atacava os poderes estabelecidos na Nova Inglaterra, logrando assim tanto independência editorial como sucesso comercial.
Preenchia seu jornal com cruzadas (contra tudo, dos piratas ao poder dos pastores puritanos Cotton e Increase Mather), ensaios literários, vinhetas e ruminações filosóficas.
Três séculos depois do “Courant”, já não é preciso ter uma imaginação distópica para cogitar quem terá a honra ambígua de publicar o último jornal de verdade nos EUA.
Pouca gente acredita que os jornais, na forma impressa de hoje, tenham chance de sobreviver. Eles estão perdendo anunciantes, leitores, valor de mercado e, em alguns casos, o próprio senso de missão, num ritmo que teria sido difícil imaginar meros quatro anos atrás.
Num discurso recente em Londres, Bill Keller, editor-executivo do “New York Times”, declarou: “Onde quer que editores e publishers se encontrem, a atmosfera é funérea. Os editores perguntam “como você está?” naquele tom que se usa com um amigo que acaba de sair de uma desintoxicação ou um divórcio”.
Seu discurso foi publicado no site de seu anfitrião, o “Guardian”, sob a manchete “Vivo ainda”. Ainda. Mas as tendências de circulação e publicidade, a ascensão da web, que faz o jornal diário parecer lento e lerdo, e o advento da Craigslist, que está extinguindo os classificados, criaram uma sensação palpável de fim iminente.
Nos últimos três anos, os jornais americanos independentes perderam 42% de seu valor de mercado, segundo o empresário de mídia Alan Mutter.
Poucas companhias foram tão punidas em Wall Street quanto aquelas que ousaram investir no ramo jornalístico. A McClatchy Company, a única a dar um lance pela cadeia Knight Ridder quando ela foi a leilão em 2005, perdeu 80% de seu valor acionário desde que concluiu a aquisição de US$ 6,5 bilhões. As ações da Lee Enterprises caíram 75% desde que ela adquiriu a cadeia Pulitzer, naquele mesmo ano.
As companhias jornalísticas mais prezadas começaram, de repente, a parecer um fardo empresarial. Em vez de competir numa era de transformação, as famílias que controlavam o “Los Angeles Times” e o “Wall Street Journal” venderam a maior parte de suas ações.
A New York Times Company viu suas ações caírem 54% desde 2004, em especial no último ano; em fevereiro, o Deutsche Bank recomendou que seus clientes vendessem ações do “New Tork Times”. A Washington Post Company só evitou o mesmo destino ao se apresentar como “empresa de educação e comunicação”; seu braço didático, a Kaplan, agora responde por pelo menos metade do faturamento total.

(mais…)

06/06/2008 - 09:27h Até que em fim. Grupo Folha põe Alstom e PSDB no seu lugar

 

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FOLHA DE SÃO PAULO

 

EDITORIAL JORNAL AGORA SP (grupo Folha)

Suspeitas no Metrô

Uma investigação internacional sobre corrupção grossa no Metrô está deixando os tucanos paulistas de orelha em pé. Na ponta supostamente pagadora da propina está a Alstom, gigante multinacional que fabrica material de transporte. Na outra estariam autoridades brasileiras.

As investigações começaram na França e na Suíça e abrangem o período de 1995 a 2003. Correspondem aos governos de Mário Covas, que morreu em 2001, e de Geraldo Alckmin.

Uma das informações que vazaram da investigação, publicada pelo jornal americano “The Wall Street Journal”, é a de que a Alstom teria molhado a mão de autoridades estaduais com US$ 6,8 milhões para obter contratos de US$ 45 milhões com o Metrô.

A papelada produzida por promotores estrangeiros chegou ao Brasil, no Ministério da Justiça. Já se sabe que um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo teve relações bastante amigáveis com as causas da Alstom.

Mas a largura do propinoduto, bem como o número e a filiação dos beneficiários, parece ser maior. Fala-se em US$ 13,5 milhões enviados a empresas de fachada para corromper autoridades brasileiras nas áreas de atuação da multinacional.

Não faz sentido, diante de tamanho cheiro de falcatrua, que o governador José Serra e o ex-governador Alckmin atribuam tudo a uma jogada política da oposição. Age mal a bancada dos deputados governistas na Assembléia Legislativa, ao enterrar qualquer tipo de apuração sobre o escândalo. É preciso que a verdade venha à tona, doa a quem doer, com direito a CPI e tudo o mais.

FOLHA DE SÃO PAULO

Editoriais

Fatos e suspeitas

Revelações em torno do caso Alstom exigem investigação rigorosa, que o PSDB bloqueia com arrogância e impavidez

É O KIT dos petistas em atuação. Assim reagiu o governador de São Paulo, José Serra, diante das reações que o caso Alstom começa a provocar no ambiente político. Não que seu partido, o PSDB, seja contrário a investigar as suspeitas de irregularidade nos contratos da multinacional francesa com o Metrô e a Eletropaulo.

Não, de jeito nenhum. Serra prontificou-se a cooperar com as investigações, “se mais informações aparecerem, porque até hoje não apareceram”.

Num raro exemplo de convergência na cúpula peessedebista, o ex-governador Geraldo Alckmin acompanhou os trilhos da argumentação de seu notório rival. “Você tem suspeitas. Qual é o fato? Eu acho que nós vivemos um período em que se quer confundir a opinião pública.”

Confunde-se a opinião pública, é certo. A confusão começa quando Alckmin dissocia “fatos” de “suspeitas”. Há vários fatos. E são esses fatos que despertam suspeitas a respeito das tão propaladas qualidades gerenciais e éticas do tucanato paulista.

Em maio deste ano, um órgão de imprensa insuspeito de petismo, “The Wall Street Journal”, publicou a notícia de que a Alstom gastou US$ 6,8 milhões em propinas para ganhar licitação com o Metrô de São Paulo.

Cerca de R$ 13 milhões foram repassados pela Alstom, segundo dados do Ministério Público da Suíça (tampouco um órgão conhecido por ter petistas infiltrados em seus gabinetes), a empresas de fachada, de modo a azeitar as engrenagens do sistema.

Uma das empresas, segundo as autoridades suíças, pertence a um colaborador próximo de Robson Marinho. Este foi coordenador da campanha eleitoral de Mário Covas e chefe da Casa Civil de 1995 a 1997, em seu primeiro mandato. Marinho é hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

O conselheiro admite ter tido suas despesas pagas pela Alstom quando viajou à França para assistir aos jogos da Copa do Mundo de 1998. Foi também, no âmbito do TCE, o único defensor da prorrogação, por dez anos, de um contrato do Metrô com a empresa, previsto para durar três anos apenas.

Eis alguns fatos suficientes para justificar a mais rigorosa investigação. O governador José Serra declarou seu interesse em empreendê-la. Terá provavelmente esquecido de avisar seu líder na Assembléia Legislativa, o deputado Barros Munhoz. A sólida base tucana rejeita a criação de uma CPI para o caso.

Sem dúvida, é o “kit PSDB” que está operando, com especial eficiência, numa Assembléia Legislativa desfibrada por longos anos de governismo. É também o “kit PSDB” que, com impavidez a toda prova, se vende para a opinião pública como exemplo de modernidade gerencial.

01/06/2008 - 11:24h Titã na Folha: conciliar orientação política com informação

Carlos Eduardo Lins da Silva
Eduardo Knapp/Folha ImagemO ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva

“O ombudsman é alguém à procura de soluções mutuamente satisfatórias para as partes em desacordo; é agente da conciliação, não do litígio

ombudsman da Folha SP

 

L'image “http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/51/Peter_Paul_Rubens_108.jpg/800px-Peter_Paul_Rubens_108.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.
A queda dos Titãs, de Rubens (v. 1637–1638)


Ombudsman da Folha de São Paulo

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2. Caso Isabella
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Caso que envolve Petrobras aparece no jornal, mas os que envolvem governo de São Paulo continuam de fora

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Jornal deixa de noticiar condenação do Grupo Folha no Tribunal de Justiça de São Paulo, ainda que sujeita a recurso em instância superior

Doações a partidos Em minha opinião e na dos 14 leitores que se manifestaram sobre o assunto ao ombudsman a reportagem que a Folha publicou na segunda sobre doações a partidos colecionou equívocos.

Ela mostra, com tom de denúncia, que grandes empresas que fizeram doações ao PT em 2007 receberam por serviços prestados ao governo federal no segundo mandato do presidente Lula quantia 54 vezes maior do que a doada.

As doações foram legais e são públicas. O jornal, ao questioná-las, pode passar a impressão de não aprovar esse tipo de operação prevista na legislação. Não preferirá, de certo, que se faça uso de caixa dois e de clandestinidade.

Por serem grandes empresas, é natural que elas viessem a receber grandes contratos do governo federal. Se as licitações e concorrências que venceram também não apresentam irregularidades, não há razão para espanto.

Em todos os países em que doações a partidos políticos são permitidas pela lei, é comum que grandes corporações as façam a todas as agremiações políticas em condições de chegar ao poder. No Brasil, não é exceção.

Tanto é assim, que em retranca separada e menor, não mencionada na capa, o jornal registrou que ao menos algumas das mesmas empresas também doaram ao PSDB e receberam por serviços prestados aos governos de São Paulo e Minas Gerais.

O mais estranho é que quem se dispôs a fazer as contas descobriu que a relação entre o doado e o recebido no caso do PSDB é muito maior do que no caso do PT. Mas o destaque tanto na primeira página quanto nas internas foi para as doações ao PT.

19/05/2008 - 10:14h Ponte da Marta: ombudsman da Folha começou mal

Reunião com o ombudsman

Escrito por Eduardo Guimarães

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Ver também A memória da Folha sobre a ponte da Marta

A semana começa assaz interessante, por assim dizer. Como relatei na semana que passou, nesta terça-feira tenho uma reunião com Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo, na sede do jornal, às 15:20 hs da tarde.

O anúncio dessa reunião gerou umas boas dezenas de comentários, contendo “perguntas” que deixarei com o jornalista em questão quando me reunir com ele. Algumas delas, dentre todas as que vocês fizeram, predominaram: afinal, o que é que ele quer comigo? Por que, dentre tantos críticos da Folha, sobretudo blogueiros, fui chamado? E para que fui chamado?

Lins da Silva havia me feito um convite para assistirmos juntos a uma edição do programa Roda Viva veiculada pela TV Cultura pouco antes de ele ser convidado pela Folha para ser seu ombudsman. Naquele programa foi entrevistado o chanceler Celso Amorim. Eu critiquei a condução do programa por Lins da Silva, pois ele não interviu severamente quando os jornalistas do PIG ali presentes mal deixavam o entrevistado exercer seu direito de expressão, sobretudo na condição de entrevistado do programa. O ombudsman diz que não foi assim e quer debater o assunto.

Contudo, como vocês viram no convite que ele me fez e que reproduzi aqui, ele me convidou assinando-se como ombudsman da Folha e para uma reunião na sede do jornal. Ora, é óbvio que aí tem. Sobretudo devido ao fato de que o convidado (eu) é justamente quem tomou a iniciativa de fazer uma representação ao Ministério Público Federal em nome da ONG Movimento dos Sem Mídia, na qual se pede investigação para o que acredito ter sido promoção de alarmismo na questão da febre amarela, uma questão sobejamente conhecida.

São muitos os que têm questionado a Folha e seu novo ombudsman. A virtual demissão do ex-ombudsman Mário Magalhães, que a Folha diz que não demitiu, mas que, a rigor, empurrou para a demissão ao, sob justificativa implausível, retalhar seu trabalho eliminando a publicação de sua crítica interna diária na internet, bem como as primeiras declarações de Lins da Silva, como a de que os blogs não têm importância e de que a mídia perdeu influência, mas não credibilidade, tornarão o debate interessante.

Nesse aspecto, vale a pena ler o que o ombudsman escreveu em sua última coluna dominical, publicada na Folha deste domingo, 18 de maio, e que versa sobre a incoerência do veículo por ocasião da inauguração da “Ponte Estaiada”, sobre o rio Pinheiros, em São Paulo, pelo prefeito Gilberto Kassab e pelo governador José Serra. A opinião da Folha mudou radicalmente sobre a obra licitada em 2005 pela prefeita Marta Suplicy, quando, então, foi duramente criticada pelo jornal, mas agora a obra foi coberta de termos edificantes por quem antes a criticava, tendo tais criticas sumido, obviamente devido ao fato de que a administração paulistana deu à ponte o nome do fundador da Folha.

Lins da Silva abordou o assunto em sua última coluna pública. Vejam:

Folha de São Paulo, domingo, 18 de maio de 2008

por Carlos Eduardo Lins da Silva – ombudsman

A memória da ponte

O ombudsman recebeu 23 questionamentos sobre a cobertura da inauguração da ponte Octavio Frias de Oliveira no domingo passado.

Todas para saber por que o jornal, que três anos antes havia publicado editorial para condenar a obra, agora a noticiava sem nenhuma crítica à construção.

Nas mensagens, era possível perceber motivações diversas. Havia desde pessoas claramente sinceras no seu desejo de esclarecer o que lhes parecia uma contradição até indisfarçáveis articulações de cunho político-partidário.A Folha teria se poupado desse desgaste previsível se tivesse publicado na página que registrou a solenidade uma simples retranca para lembrar sua posição sobre a obra no passado e agora.Instada pelo ombudsman, a Secretaria de Redação enviou a seguinte nota: ‘A Folha considerou e considera que a obra, dispendiosa, não é prioritária. Essa era a opinião pessoal do próprio sr. Octavio Frias de Oliveira. Hoje, a ponte é uma realidade. Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram. Essas considerações não têm relação com o fato de, agora, o poder público homenagear o sr. Frias batizando a ponte com seu nome. Seria descabido que a Folha ou a família Frias rejeitassem uma homenagem a seu líder’.Parece-me uma explicação justificável. Deveria ter constado do noticiário de domingo. Assim como também poderia ter sido lembrado pela reportagem que a ex-prefeita Marta Suplicy, responsável pelo início do projeto, não foi convidada para a inauguração.“Antes dessas considerações, na primeira parte da coluna de domingo 18 de maio o ombudsman fez a primeira crítica óbvia e inevitável à Folha desde que assumiu. Foi na questão do tratamento que o jornal tem dado ao vazamento de dados da Casa Civil contendo informações sobre os gastos pessoais da família Fernando Henrique Cardoso quando este ocupava o Palácio da Alvorada.

Confiram:

Jornal não é corte de Justiça


Ao se arvorar na condição de tribunal, a Folha incorre em risco de cometer injustiças, confundir o público e perturbar o andamento da JustiçaIMPRENSA não é tribunal. Quando um veículo de comunicação se arvora nessa condição incorre em risco de cometer injustiças sérias, confundir o público e perturbar o andamento da Justiça.
A Folha trilhou este perigoso caminho ao longo da semana ao designar José Aparecido Nunes Pires como “vazador” ou “responsável pelo vazamento” do dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, antes mesmo de ele ter sido indiciado pelo crime de violação de sigilo funcional.
O ‘Manual da Redação’ deste jornal é claríssimo, no verbete ‘acusações criminais’ (página 155), ao determinar: ‘Até que seja condenada em definitivo pela Justiça, a pessoa deve ser tratada como suspeita, acusada, ré ou condenada em determinada instância. Esse procedimento visa evitar prejulgamentos e preservar a imagem de personagens do noticiário’.
Essa resolução tem sido quase sempre estritamente cumprida desde a primeira edição do ‘Manual’, há quase 25 anos. No passado, nem réus confessos de homicídio foram chamados de assassinos pelo jornal antes do seu julgamento. Desobedecê-la agora é um precedente temerário.
Ao longo da semana, registrei muitas vezes na crítica interna à Redação meu desassossego com o assunto. Requisitei formalmente à Secretaria de Redação que explicasse as razões do procedimento.
A resposta foi que o jornal ‘tem certeza’ de sua apuração. Para mim, essa justificativa não é aceitável. Decisões sobre culpabilidade de acusados de crimes não se tomam com base em “certezas” de indivíduos.
O comportamento do jornal é particularmente incompreensível por ser concomitante com sua posição editorial exemplar no caso da prisão dos acusados pela morte da menina Isabella.
Em 9 de maio, a Folha definiu assim o que chamou de ‘humilhação’ a que foram expostos o pai e a madrasta da garota: ‘punição cruel e indelével, impingida antes e a despeito do pronunciamento da única fonte legítima para atribuir culpa neste caso, o Tribunal do Júri.’
Se o jornal acusa a Justiça de prejulgamento do casal, o que deve fazer em relação à sua própria atitude de resolver, porque tem ‘certeza’ de sua apuração, que José Aparecido Nunes Pires é culpado antes do indiciamento?
Uma tentativa para compreender essa evidente contradição poderia ser supor que haja diferença qualitativa de tratamento para acusados de crimes ‘violentos’ e acusados de crimes ‘políticos’.
Não creio que essa distinção seja cabível. Ao contrário até: crimes cometidos por motivação política deveriam ser tratados de maneira ainda mais cuidadosa pelo jornalismo, devido aos danos institucionais que podem resultar deles e da maneira como a sociedade lida com eles.
As relações entre jornalistas e agentes do Ministério Público e da Polícia Federal em casos que envolvem política são extraordinariamente complexas e freqüentemente deletérias. Vazamentos seletivos de informações têm sido feitos por motivações diversas: da busca da notoriedade à promoção de ideologias, partidos ou grupos corporativos com a conseqüência, às vezes, de vidas e reputações arrasadas injustamente.

Vão-se os anéis, ficam os dedos. Como vocês puderam perceber, para “absolver” a Folha da vergonhosa incoerência na questão da ponte Estaiada, o ombudsman faz ao jornal algumas críticas que podem ser melhor relativizadas. O objetivo é aparentar “isenção” que o credencie a decretar a “plausibilidade” de a Folha criticar duramente a obra ontem e endossá-la hoje.

A contradição é escandalosa. Ontem, a Folha descia o pau na obra; hoje, comparece em peso para prestigiá-la. Não faltou só a Folha esclarecer que antes criticava a obra, faltou também ser coerente com o que o ombudsman diz continuar sendo sua opinião, ou seja, dizer, na reportagem que tratou da inauguração, que a obra é “cara e desnecessária”. O momento da inauguração teria sido perfeito para denunciar não só o que o jornal diz que é desnecessário e caro, mas a ultrapassagem expressiva do custo previsto do projeto.

Acompanhei intensamente o trabalho dos três ombudsman anteriores a Lins da Silva. Com o antepenúltimo, Bernardo Ajzemberg, a relação foi além. Em 2002, ele me indicou, junto com mais dois leitores da Folha, para representar o leitorado do jornal nas sabatinas dos presidenciáveis Lula, Serra, Garotinho e Ciro Gomes no teatro Folha. Com Marcelo Beraba, o penúltimo, apesar de não ter estabelecido um contato mais estreito pude me aprofundar bem em seu trabalho. E com Mário Magalhães o contato foi ainda mais superficial, mas todos lhe acompanhamos o trabalho com grande atenção e admiração.

Não adianta muito fazer questionamentos sobre a Folha ao ombudsman. Ele já os recebe às pencas diariamente e sempre poderá usar a estratégia de dizer que enviou a questão à redação e reproduzir alguma sua resposta lacônica. Acho que a concentração de meu esforço deverá se dar na atuação do próprio ombudsman. As contradições de Lins da Silva continuam e pretendo explorá-las.

Aliás, gravarei a entrevista com o ombudsman pondo um gravador entre nós desde o momento em que adentrar sua sala.

Cidadania.com de Eduardo Guimarães

18/05/2008 - 10:11h A memória da Folha sobre a ponte da Marta

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“A memória da ponte O ombudsman recebeu 23 questionamentos sobre a cobertura da inauguração da ponte Octavio Frias de Oliveira no domingo passado.
Todas para saber por que o jornal, que três anos antes havia publicado editorial para condenar a obra, agora a noticiava sem nenhuma crítica à construção.
Nas mensagens, era possível perceber motivações diversas. Havia desde pessoas claramente sinceras no seu desejo de esclarecer o que lhes parecia uma contradição até indisfarçáveis articulações de cunho político-partidário.
A Folha teria se poupado desse desgaste previsível se tivesse publicado na página que registrou a solenidade uma simples retranca para lembrar sua posição sobre a obra no passado e agora.
Instada pelo ombudsman, a Secretaria de Redação enviou a seguinte nota: “A Folha considerou e considera que a obra, dispendiosa, não é prioritária. Essa era a opinião pessoal do próprio sr. Octavio Frias de Oliveira. Hoje, a ponte é uma realidade. Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram. Essas considerações não têm relação com o fato de, agora, o poder público homenagear o sr. Frias batizando a ponte com seu nome. Seria descabido que a Folha ou a família Frias rejeitassem uma homenagem a seu líder”.
Parece-me uma explicação justificável. Deveria ter constado do noticiário de domingo. Assim como também poderia ter sido lembrado pela reportagem que a ex-prefeita Marta Suplicy, responsável pelo início do projeto, não foi convidada para a inauguração.” (ombudsman – Folha de SP, hoje).

Algumas ponderações rápidas.

O ombudsman distingue entre os questionamentos que recebeu, os “sinceros” até os “indisfarçáveis”. Estes últimos, por serem político-partidários, seriam menos “sinceros”?

A Secretaria de Redação respondeu ao Ombudsman que “considerou e considera a obra dispendiosa”. Ou seja era dispendiosa quando custava R$147 milhões com Marta, e é dispendiosa agora que custou R$270 milhões com Kassab. Convenhamos que ela não é igualmente dispendiosa, quando dobra de preço. Porem, isto não esclarece porque a Folha sonegou esta verdade factual: com Kassab a ponte custou o dobro.

Sibilina, a Secretaria de Redação da Folha diz:(a ponte) “Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram”. A Ponte foi projetada como parte da Operação Urbana financiada pelos títulos criados por Marta, os CEPAC, para não usar dinheiro das “finanças da prefeitura”. Esse dinheiro arrecadado pela venda dos títulos, por lei, só podia ser usado na região para melhoras de infra-estrutura e urbanismo, o que além da ponte incluía a construção de 8.500 moradias para substituir as favelas na região. Ou seja a situação das “finanças da prefeitura” não justifica nada, menos ainda o preço pago por Kassab.

A Ponte leva o nome do fundador da Folha, que segundo a nota acima era contra esse projeto. Como ele faleceu e não tenho motivos para desconfiar que está afirmação da Secretaria de redação não seja verídica, Octavio Frias, lá no céu, deve considerar uma ofensa de ter o nome associado a uma obra inútil, dispendiosa e desnecessária. Mas o que seguramente deve te-lo deixado arrepiado e que o seu jornal tenha sonegado todas essas informações aos seus leitores, só para agradar José Serra e Gilberto Kassab.

Luis Favre

15/05/2008 - 10:11h Folha de SP: uma vergonha!

Embaixo da página, escondido no caderno cotidiano, na pag. 4 (página par, menos visível) e com um título enganador, a Folha de São Paulo “informa”, no meio desta nota (reproduzida embaixo), o que deveria ter um destaque de primeira importância: O ensino estadual está em frangalhos.

O jornal O Estado de São Paulo, o Jornal da Tarde e até o Agora tiveram que escancarar os números com visibilidade, tamanho o “apagão” da educação no Estado.

De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4.

A Folha tinha os dados desde ontem e aqui ontem foi reproduzido o artigo online de Gilberto Dimenstein. Hoje a Folha, militante na proteção dos tucanos de São Paulo, oculta o que deveria exigir um alerta e destaque maior.

Triste espetáculo de desinformação e uma clara manifestação do rabo preso da Folha com o tucanato.

Após a história da ponte da Marta, horror três anos atrás em editorial do jornal, maravilha na inauguração com Serra, Kassab e Maluf; da parcialidade na cobertura, eis uma nova manifestação da manipulação da informação.

Como diria Boris Casoy: É uma vergonha!

Luis Favre

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Escolas de SP terão meta de desempenho individual

Objetivo é que as instituições paulistas atinjam até 2030 um padrão semelhante ao encontrado hoje nos países desenvolvidos

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo criou um indicador de avaliação da qualidade das escolas para determinar metas individuais anuais para cada uma das 5.183 escolas da rede. O objetivo é que as instituições paulistas atinjam até 2030 um padrão semelhante ao encontrado nos países desenvolvidos hoje.
O Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) combina o resultado do Saresp -exame do governo estadual- e o fluxo escolar -determinado pela taxa de aprovação média em cada ciclo: 4ª e 8ª séries do fundamental e 3ª do ensino médio.
Pelo novo índice, que varia de 0 a 10, o ensino médio recebeu nota 1,41. No ensino fundamental, a 8ª série ficou com 2,54 e a 4ª série, com 3,23. A escola mais bem colocada no ensino médio é a Papa Paulo 6º, em Santo André, com 6,2. Os números refletem resultados já divulgados do Saresp.
O cumprimento da meta pela escola irá garantir o pagamento a servidores de 50% do bônus, no valor de três salários. O pagamento dos 50% restantes dependerá do cumprimento de outros critérios, ainda não definidos pela secretaria.
Para Roberto Augusto Torres Leme, vice-presidente da Udemo (entidade que reúne diretores de escolas estaduais), “não adianta só avaliar o desempenho escolar, é preciso atacar as causas do problema na educação, como a questão salarial”.
“O bônus irá beneficiar só alguns profissionais, mas não resolverá o problema da rede”, diz Carlos Ramiro de Castro, presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP).

08/05/2008 - 18:39h Folha online: De rabo preso, adivinhem com quem?

A Folha Online traz na manchete:

Serra e Kassab inauguram juntos obra
em SP com show do padre Marcelo Rossi

Inauguração do complexo viário Jurubatuba, na zona sul de São Paulo, nesta quinta, teve tom de campanha eleitoral.

A foto e a legenda que ilustra a chamada e o artigo comporta Kassab, Serra e o Padre Marcelo. Confira:

Robson Ventura/Folha Imagem
kassab_serra_marcelo.jpg
Em clima de campanha, Kassab inaugura ponte ao lado de Serra e padre Marcelo

 

Mas a notícia é outra.

Em campanha eleitoral Quercia, junto a José Serra e Kassab participaram de inauguração.

No artigo a presença de Quercia é indicada, o jornalista fez seu trabalho, mas evitando a foto e o nome de Quercia na manchete a Folha faz o serviço que Serra espera dela.

Manipulação?

Onde fica o rabo da folha?

Amanhã o jornal publicará a foto de Quercia, Kassab e Serra? Ou como fazia Stalin, o ex-governador Orestes Quercia será “apagado” da foto?