02/10/2008 - 18:04h Sobre o exercício da hipocrisia

por Luis Nassif

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Há alguns tempo publiquei um tratado sobre a hipocrisia na política. Mostrava que era impossível a qualquer governo atuar sem recorrer à hipocrisia. Mais ainda no Brasil, onde a precariedade institucional elevada.

Mas duas hipocrisias chocam pelo excesso.

A primeira, a maneira como estão fritando o Geraldo Alckmin agora, comparada ao jogo hipócrita das últimas eleições, em que se tentava vendê-lo como o grande gerente. Experimentei na pele a dificuldade que era dizer o óbvio: que Alckmin era um administrador sofrível. Agora, virou a própria Geny, nos mesmos veículos que o incensavam.

A segunda, o mea culpa dos intelectuais que foram na onda do neocon e do anti-lulismo exacerbado. O oportunismo de atender à demanda de anti-lulismo da mídia, recorrendo a um pensamento preconceituoso e radical, já foi vergonhoso. Voltar atrás agora, que o efeito manada vai em outra direção, é duplamente vergonhoso. Só estão faltando beijar o Lula na boca.

Nunca foi tão presente aquele artigo do Luiz Fernando Veríssimo, um clássico, em que dizia da péssima companhia em que ficaria, se entrasse na onda.

Outro dia, um comentarista – não me lembro se o João Vergílio – falou do refluxo desse neo-conservadorismo na USP. Passou a onda, ficou o cheiro. Intelectuais respeitáveis, da USP e da Unicamp, carregarão pelo resto da vida, na sua biografia, o fato de que, um dia, ficaram lado a lado com o pior esgoto que o jornalismo brasileiro produziu em muitas e muitas décadas.

Agora, esse jogo ficou reduzido a meia dúzia de pessoas que compõem o Clube da Auto-Ajuda: “eu te chamo de gênio, você me chama de gênio, e mandemos os escrúpulos e o ridículo às favas”.

Escrito por Luis Nassif do Blog de Nassif

26/09/2008 - 17:02h Sardenberg, Ethevaldo e a CBN em campanha

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Com o microfone generosamente oferto pela CBN no programa de Sardenberg, a proposta de internet gratuita sem fio, na cidade de São Paulo, é atacada abertamente dias à fio. Até agora, o outro lado fica de fora e a CBN utiliza esse tempo para fazer campanha eleitoral atacando a proposta da Marta.

Convocado para a campanha de questionamento da proposta, o jornalista Ethevaldo Siqueira, da mesma CBN, começa sua fala de “expert” afirmando: “Das 20 maiores cidades do mundo só uma oferece internet gratuita, Taipeh. Mesmo assim com enorme subsídio para o qual criaram um imposto”. Aqui a fala é interrompida por Sardenberg que proclama, irônico: “então, já não é de graça”, ambos concordando (risada arrogante).

Engraçado, Sardenberg poderia proclamar igualmente que o ensino público “não é de graça” e assim pela frente. Ou tem alguma ação do Estado que não implique redistribuir o dinheiro recolhido pelos impostos para permitir a “gratuidade” dos que sem ela não poderiam ter acesso?

Paris, Berlim, Londres, Porto e inúmeras outras cidades fornecem acesso gratuito a internet sem fio, sem ter criado imposto especial para isto, de sorte que o argumento fica sem sustento. (ver aqui no blog Internet grátis na rua é a cara de Berlim; Cidade de Paris: Internet para todos; Cidade do Porto com Internet sem fios gratuita; Tadao Takahashi, pai da Internet no Brasil defende proposta de Marta).

O próprio Ministério das Comunicações, por meio do Programa Cidades Digitais, apóia um conjunto de projetos em várias cidades, como em Tiradentes, Ouro Preto e agora vai disponibilizar acesso gratuito em favelas de Belo Horizonte.

Ethevaldo Siqueira defende a alternativa dos telecentros, que quando foram criados em São Paulo por Marta, tampouco tinham precedentes em nenhuma cidade dentre as 20 maiores. Lan-houses privadas sim, mas telecentros com monitores e internet gratuito, tal como foi introduzido inovadoramente por Marta não existiam e agora virou banal (gratuito para os usuários, -risada- Sardenberg). Aliás, Marta foi a primeira a criar os telecentros e fez mais de 120, depois pouco foi feito, é a retomada da implantação dos telecentros não é contraditória, ao contrário, com a instalação de antenas de internet gratuita na cidade, a começar pelos prédios da prefeitura.

É bom lembrar também, que existe um acordo que as empresas de telecomunicações têm que instalar Banda Larga em todas as escolas públicas em áreas urbanas do país até 2010, portanto, nas mais de 800 escolas municipais da capital a prefeitura não precisará pagar por esses acessos.

Ethevaldo compartilha com Sardenberg da idéia que “não tem almoço de graça” (mais risada, mais ironia), mesmo nos albergues para os moradores de rua, acrescentaria eu. Para Ethevaldo serão necessários $ 2 Bilhões de dólares para implantar internet sem fio em São Paulo. É demais perguntar como foi feito esse cálculo? O “expert” pode nos indicar quais foram as bases para estabelecer essa cifra?  Ou melhor, já que ele afirma que a proposta não saiu de um debate sério, porque a CBN não dá o mesmo espaço para que os que fazem a proposta possam defender seu ponto de vista?

Utilizar a CBN, fora do horário eleitoral gratuito, para atacar uma proposta eleitoral, acusando inclusive a proposta de mentirosa e enganadora e, ao mesmo tempo, negar o direito de resposta, é utilizar uma concessão pública (é sim, não tem almoço de graça, nem rádio completamente privada) para defender interesses partidários privados. O jornalismo da CBN seguramente vigiará para que a isenção prevaleça na cobertura.

Luis Favre

10/09/2008 - 15:34h Basta uma olhada

Cobertura dos 5 principais jornais paulistas sobre os principais candidatos nas eleições municipais em São Paulo . Quadro estabelecido pelo Observatório da Mídia

Favorável

Equilibrado

Desfavorável

Ambíguo

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09/09/2008 - 09:17h Cada um no seu quadrado

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NELSON VASCONCELOS - O Globo

Há quem diga que a última edição impressa do gigante “New York Times” vai circular em algum momento de 2014, como estima um trabalho da Universidade de Columbia. Ou, no melhor dos cenários, o fim chegará em 2043, como assegura Philipe Meyer, da Universidade da Carolina do Norte, em “The vanishing newspaper”, de 2004.

Chutometria pura ou terror fundamentado?

Difícil saber, porque são muitas variantes e porque bola de cristal não é meu forte. O “NYT” atravessa tremenda crise, como se sabe, mas ainda está muito longe de se tornar uma empresa desprezível. De qualquer maneira, até mesmo seu publisher, Arthur Sulzberger Jr., já chegou a admitir que esse hipotético momento marcante para a imprensa mundial poderia chegar em 2013 — mostrando ainda mais pessimismo que o pessoal de Columbia. E tem mais: Sulzberger Jr. ainda teria declarado, numa conversa privada, que ele mesmo não estaria exatamente preocupado com esse problema.

Essas e outras histórias estão presentes em “The last issue of The New York Times The future of newspapers” (Vittorio Sabadin, www.sol90.com). O autor faz uma longa análise sobre as transformações que a imprensa, em geral, tem vivido em tempos de internet.
Recomendo sua leitura, porque é um assunto que interessa não só a jornalistas, como também a muita gente que acompanha a tal da cultura digital, ou seja, esta época acelerada em que vivemos, puxada pelo largo acesso às tecnologias da informação e, claro, à internet. Afinal, o que está acontecendo no mercado de jornal-papel pode se repetir, mais cedo ou mais tarde, em outros setores da economia envolvidos com o que outrora foi chamado de Nova Economia. Basta ver o quanto a indústria de entretenimento anda apanhando.

Discussões a respeito não têm fim.
Ontem, por exemplo, esteve aqui no GLOBO o Rosental Calmon Alves, que acompanha de perto as relações entre o jornalismo e a era digital. Ele é professor da Universidade do Texas e tem acesso a fontes graduadas em jornais de todo o mundo. Muito do que ele falou à platéia presente certamente interessa aos leitores que estão ligados nesta coluna.

Disse ele, por exemplo, que o sistema de mídia industrial (aquele a que estamos acostumados) deverá ser substituído por um novo sistema de mídia, bem mais competitivo. Motivos? Basta dizer, por exemplo, que os indivíduos conectados, convivendo em rede, ganham mais poder e mais controle sobre a informação (a propósito, Rosental indicou o site ).

Estamos, pois, falando de uma reviravolta. Muito resumidamente, digamos que a imprensa tradicional tinha o privilégio do broadcasting.
Comporta-se ou comportava-se, com freqüência, como um ser superior, irradiando suas notícias e idéias, com pouco espaço para a interação com os leitores. Como sabemos todos, esse tempo está ficando rapidamente para trás. O leitor ganha cada vez mais destaque.

Creiam, a propósito, que esse exercício de desprendimento não é exatamente moleza, sob qualquer ponto de vista. Mas não cabe contestar o avanço da revolução digital, via internet — que, como bem lembrou o Rosental, é uma força que transforma profundamente todos os outros meios.

Taí o paralelo com a indústria fonográfica. Desde o advento do Napster, no início desta década, a venda de CDs caiu, e nasceram o tráfego e o tráfico gratuito de conteúdo. Alguém morreu? Não, mas o cenário mudou, e o poder da indústria de música, intocável até então, continua sendo questionado.

E a indústria da TV? Já comentei aqui na coluna que, nos EUA, as crianças estão cada vez mais ligadas em YouTube, e não nos canais tradicionais. E isso já a partir de 2 anos de idade! Será que elas vão aceitar a TV tranqüilamente quando crescerem? Ou vão querer uma programação sob medida para seus interesses? E voltemos aos jornais, nessa conversa toda. Se você lembrar que a intocável indústria de música está-se reestruturando, pode-se perguntar por que o jornal não vai viver algo parecido.

Vai, não. Já está vivendo nesse meio termo, nessa transição em que a mídia tradicional vai perdendo espaço para a mídia online.
“A audiência passiva transforma-se em redes de comunicação (particip)ativas”, registra Rosental. Nessa comunidade multidirecional, o que interessa chega ao leitor que está devidamente ligado às suas próprias redes. Isso vale para o leitor, para o telespectador, para o consumidor de música etc. Tá todo mundo ligado, cada qual na sua praia, cada um no seu quadrado.

Cabe às empresas que os querem abarcar o maior número possível de nichos, oferecendo o máximo possível de conteúdo, sempre diversificando, sempre à espera de novidades.
E isso dá um trabalho danado…

Haveria mais a comentar sobre as reflexões do Rosental.
Mas nós aqui desta velha mídia, do velho papel, lidamos com uma verdade física chamada espaço. Mas o importante é: me diz aí o que você acha disso tudo.
Sinta-se à vontade para fazer seu comentário em .

POR FALAR NISSO: Na coluna passada, errei o endereço brasileiro da Monster.com, maior empresa pontocom de recrutamento e seleção, que começou suas operações por aqui. O site correto é o . Mil perdões.

E-mail para esta coluna: nelsonva@oglobo.com.br

21/08/2008 - 21:20h Antonio Candido: “Preservo convicções socialistas”

Claudio Leal/Terra Magazine
Intelectual do ano, Antonio Candido reafirma suas convicções políticas
Intelectual do ano, Antonio Candido reafirma suas convicções políticas

Antonio Candido

(Discurso do crítico literário Antonio Candido, 90 anos, ao receber o prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano, concedido pela União Brasileira de Escritores (UBE), no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, na noite de 20 de agosto de 2008). Fonte Terra Magazine.

Agradeço as palavras do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, detentor do Prêmio Juca Pato ao qual tenho o privilégio de suceder como agraciado pela mesma honraria. Agradeço também muito à União Brasileira de Escritores, representante dos confrades que me consideraram merecedor deste simpático e famoso troféu, declarando a minha gratidão a cada um desses confrades.

Leia também:
» Antonio Candido: “Não dou entrevistas, nem leio obras novas”

O troféu Juca Pato tem para mim grande significado, inclusive porque as entidades que o criaram foram importantes na minha carreira intelectual. Uma é sucessora da Associação Brasileira de Escritores, a outra é sucessora da Folha da Manhã, e a ambas se prende a fase inicial da minha atividade de crítico literário e de intelectual participante, como se dizia naquele tempo.

Em 1942 a Associação Brasileira de Escritores foi fundada no Rio de Janeiro com uma finalidade ostensiva e outra implícita. Ostensivo era o intuito de lutar pela regularização dos direitos autorais, então muito desrespeitados. Implícito era o ânimo de lutar contra a ditadura do Estado Novo e seu duro arrocho em relação à liberdade de pensamento e de expressão. Eu estava presente ao encontro fundador da seção paulista, do qual saiu a deliberação de eleger Sérgio Milliet seu presidente, pois Mário de Andrade, que também estava ali, recusou o cargo, ficando discretamente como vice. A mim, jovem principiante, foi atribuída a função de 2o. secretário, não devido a mérito pessoal, mas como reconhecimento de um grupo de moços ao qual eu pertencia e estava se lançando na vida intelectual com a nossa revista Clima, cujo título passou a nos designar: éramos o “grupo de Clima”.

Na seção paulista da ABDE, sigla com a qual a Associação ficou famosa, participei da organização e da realização do histórico Primeiro Congresso Brasileiro de Escritores, que teve lugar em São Paulo no mês de janeiro de 1945 e foi um movimento significativo de oposição ao regime, que aliás começou a se dissolver no mês seguinte. Mais tarde, em 1949, fui eleito presidente da seção de São Paulo e nessa qualidade presidi o Segundo Congresso Paulista de Escritores, realizado naquele ano em Jaú. A declaração de princípios deste congresso afirmou que o dever básico do escritor é a fidelidade à sua vocação, não a obediência a imperativos externos, aos quais poderia, no entanto, servir como intelectual em sentido amplo. Isso era uma retificação à tendência demasiado política justificada em tempo de ditadura. Pouco depois esse problema gerou a cisão que dividiu a entidade, recomposta felizmente mais tarde com o nome atual.

Quanto à outra instituidora, menciono que em 1943 tornei-me o que se denominava então “crítico titular” do jornal Folha da Manhã, que mudara de proprietário e passava por uma reforma modernizadora. Ligado aos autores desta era o meu grande amigo e companheiro da revista Clima Lourival Gomes Machado, que se encarregou da crítica de arte. Como os reformadores queriam estabelecer um rodapé semanal de crítica literária, ele me indicou para esta tarefa de grande responsabilidade. O meu nome foi aceito e eu, verde principiante, assumi o compromisso de fornecer semanalmente um artigo de cinco a seis laudas tamanho ofício a dois espaços sobre os livros da hora. Foi nessa tarefa, não na Universidade, que me formei como crítico, pois sou licenciado em Ciências Sociais, não Letras, e naquele tempo dava aulas de Sociologia. O meu tirocínio foi portanto adquirido dentro da tradição franco-brasileira do jornalismo, o que me ensinou antes de mais nada a procurar clareza e simplicidade na escrita. Sou, portanto, um crítico de jornal que passou mais tarde ao ensino da literatura, o contrário do que é freqüente em nossos dias.

Aquele momento era de intensa politização dos intelectuais, segundo o espírito predominante no decênio que sucedeu ao movimento armado de 1930. Eu embarquei nesse rumo, politizando talvez um pouco demais a minha atividade crítica, mas correspondendo assim ao ânimo de militância que era o dos intelectuais contrários à ditadura do Estado Novo. Afinado com as tendências radicais do momento, assumi então posições socialistas que não abandonei mais e continuam a nortear as minhas convicções relativas à necessidade de transformar profundamente a nossa sociedade desigual e mutiladora.

Mas não posso ir adiante sem mencionar que na redação da Folha da Manhã conheci e vi muitas vezes ninguém menos que o inventor do popular Juca Pato, personagem pitoresco que dá o nome a este prêmio. Refiro-me a Benedito Carneiro de Bastos Barreto, famoso sob o pseudônimo de Belmonte, escritor e desenhista de alto valor, um dos mais altos praticantes da caricatura no Brasil. Era um homem discreto e cortês, de pouca fala, mas muito simpático. Naquela altura participava da luta ideológica por meio de charges mordazes contra o nazismo.

Tendo mencionado dois motivos que contribuem para fazer deste prêmio uma alegria para mim, resta mencionar como terceiro o fato de ser ele conferido neste local. Estudei na Faculdade de Direito durante sete anos, dois no chamado “pré-jurídico”, designação corrente na 1a. Seção do Colégio Universitário Anexo à Universidade de São Paulo, mais cinco no bacharelado, sendo que os três primeiros de maneira assídua e os dois últimos com muita ausência, acabando por não prestar em segunda época os exames finais, segundo o sistema da época e segundo também a minha intenção.

Portanto sou quase bacharel e sempre me senti uma espécie de aluno permanente que ainda não cumpriu a tarefa, mas tenho a honra de ser bacharel do XI de Agosto, grau que me foi conferido solenemente por uma turma de formandos. Por isso trago neste momento na lapela o distintivo do Centro, quase igual ao que, em seguida ao trote de 1939, depois de raspado o cabelo e pagas as devidas taxas, recebi junto com a flâmula e o diploma de burro em bom latim macarrônico, diploma que conservo como antídoto salutar contra eventuais assomos da vaidade…

Foi nesta Casa que comecei a militar contra as ditaduras, como um dos fundadores do Partido Libertador, surgido aqui em 1939, quando eu estava no primeiro ano do bacharelado, e que não deve ser confundido com o de âmbito nacional de mesmo nome, criado sob a inspiração de Raul Pilla. Mais tarde fui também um dos fundadores da Frente de Resistência, formada quando eu estava no 5o. ano por estudantes liberais e socialistas desta e de outras faculdades, que desenvolveu uma atividade ponderável apesar dos apertados limites impostos pela censura e a repressão.

O que estou dizendo se refere cronologicamente aos anos de 1940, isto é, mais de meio século atrás. Portanto, os generosos confrades da União Brasileira de Escritores foram buscar um intelectual bem antigo, bem fora do tempo, para confortá-lo com esta distinção consagradora. Devo ser de fato tão antiquado, que venho sendo definido em algumas instâncias como “ilustrado”, devidamente entre aspas, e como alguém preso a uma visão de tipo teleológico da história e do pensamento. Devo esclarecer que, ao contrário do que se poderia pensar, considero esta restrição um elogio. Ela quer dizer que me mantenho fiel à tradição do humanismo ocidental definida a partir do século XVIII, segundo a qual o homem é um ser capaz de aperfeiçoamento, e que a sociedade pode e deve definir metas para melhorar as condições sociais e econômicas, tendo como horizonte a conquista do máximo possível de igualdade social e econômica e de harmonia nas relações. O tempo presente parece duvidar e mesmo negar essa possibilidade, e há em geral pouca fé nas utopias. Mas o que importa não é que os alvos ideais sejam ou não atingíveis concretamente na sua sonhada integridade. O essencial é que nos disponhamos a agir como se pudéssemos alcançá-los, porque isso pode impedir ou ao menos atenuar o afloramento do que há de pior em nós e em nossa sociedade. E é o que favorece a introdução, mesmo parcial, mesmo insatisfatória, de medidas humanizadoras em meio a recuos e malogros. Do contrário, poderíamos cair nas concepções negativistas, segundo as quais a existência é uma agitação aleatória em meio a trevas sem alvorada.

É com este espírito talvez obsoleto de velho intelectual participante, como se dizia naquele tempo, que aqui estou para agradecer de coração esta desvanecedora homenagem.

Antonio Candido, 90 anos, é crítico literário, ensaísta, autor de “Formação da Literatura Brasileira”, entre outros livros. Vencedor do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano de 2007, é professor emérito da USP.

09/08/2008 - 15:38h O ‘jeitinho’ chegou à grande rede

Daniel Pinheiro - Carta Capital

A imagem “http://www.cartacapital.com.br/uploads/destaques/1218221010350.jpg” contém erros e não pode ser exibida. Durante a apuração da reportagem O Brasil cai na rede, publicada na edição 508 e que tenta explicar os impactos sociais e econômicos produzidos por metade da populção brasileira a navegar na internet, CartaCapital ouviu uma série de especialistas em diversas áreas relacionadas à grande rede.

Alguns desses especialistas deram pistas sobre um fenômeno interessante e bastante particular: a existência de um possível “jeito brasileiro” de se navegar pela web.

Marcelo Coutinho, diretor de análise de mercado do Ibope Inteligência, foi talvez a fonte mais enfática ao indicar uma apropriação e transformação das tecnologias disponíveis na rede por parte dos internautas brasileiros.

Para Coutinho, um estudioso das relações de interatividade entre usuários de ferramentas da chamada Web 2.0 –blogs, redes sociais, sites colaborativos, entre outros–, esse “jeito brasileiro” pode colocar o Brasil em uma posição de vanguarda em alguns aspectos da rede.

Em entrevista concedida à CartaCapital, que transcorreu em clima de conversa descontraída, Coutinho tenta explicar melhor o que significa esse fenômeno da presença maciça do brasileiro na internet.

(more…)

24/07/2008 - 09:36h Esqueceram que Dantas era o acusado

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VALOR

A primeira reação da mídia foi a de se refugiar em seu papel noticiarista: a prisão do banqueiro Daniel Dantas, de sua irmã e de outros parceiros de negócios foi acompanhada pelas lentes dos fotógrafos e dos cinegrafistas, e pelas diligentes anotações dos repórteres. Aí, os acusados eram Dantas e outros integrantes ou parceiros de negócios do Grupo Opportunity. Num segundo momento, os meios de comunicação embarcaram nos protestos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que acusou o delegado da PF, Protógenes Queiroz, de sensacionalista, jogou pedras sobre o Ministério Público e soltou todos os presos, exceto os envolvidos diretamente na tentativa de suborno de um delegado. Foi quando os acusados passaram a ser a Polícia Federal e o Ministério Público. Em seguida, sob pressão da mídia, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e a direção da Polícia Federal forçaram o afastamento dos delegados responsáveis pelo inquérito. A partir daí, os dedos acusadores da mesma mídia apontaram para o governo, que teria abortado a ação saneadora do delegado Protógenes, antes aquele que cometeu abusos contra acusados.

Exceto no primeiro capítulo da novela Daniel Dantas, o foco da mídia não foi o dos negócios do banqueiro - ou empresário, ou sócio de empresas fantasmas, ou seja lá o que for - que estava sob investigação da polícia, mas os supostos crimes cometidos pela PF, ou uma ação política do governo para esvaziar o inquérito produzido por delegados da PF antes acusados de cometer ilegalidades.

É difícil cobrar um comportamento sempre coerente da mídia: no calor dos fatos, reportar e julgar ao mesmo tempo, sem ter todas as informações, embute um enorme risco de erro. Mas é inegável que as oscilações abruptas de julgamento - e de foco - têm evidentes efeitos colaterais. A desautorização do inquérito da PF em determinado momento - desautorização pura e simples, sem ressalvas - serviu à defesa de Dantas. É certo que o inquérito cometeu erros crassos, misturou estações e interpretou de forma muito equivocada alguns grampos - e perdeu credibilidade ao misturar pessoas envolvidas nos negócios de Dantas com outras que simplesmente foram citadas e não tinham culpa nenhuma no cartório. Mas os meios de comunicação também não separaram as coisas. Primeiro, publicaram tudo como se fosse tudo verdade e, quando se depararam com a dificuldade de comprovar o envolvimento de alguns dos citados, a tendência foi a de generalizar a acusação de “abuso”, como se prender alguém que mandou corromper um delegado fosse algo impensável, pelo menos quando essa figura é um banqueiro. Quando resolveram rever sua opinião sobre a polícia - e isso ocorreu quando foi possível acusar o governo de pressão política sobre a instituição - a guinada foi radical: a PF não era mais leviana, mas moralizadora, e era essa PF moralizadora o objeto das pressões de um governo.

Nesses dois extremos, a mídia também foi o veículo da sensacionalização. Se a PF foi sensacional, foi porque o fato dado a conhecimento foi reverberado pela mídia sem qualquer filtro. Daí foi a própria mídia a acusar o sensacionalismo e pressionar por uma posição de governo contra o que considerou abusos. E foram os próprios meios de comunicação quem, à ação corretiva dos superiores do delegado, acusaram sensacionalmente o governo de ter pressionado a instituição a não apurar fatos relativos ao inquérito contra Dantas e grupo.

Mídia mudou de posição sobre a PF várias vezes

Nesse processo, o resultado mais palpável foi que em alguns dias Daniel Dantas e suas ações pouco republicanas saíram rapidamente de foco e deram lugar a um debate surrealista sobre o que é um abuso policial e sobre até onde vai a autonomia da PF diante de uma pressão do governo (dada como certa e definitiva) sobre a instituição para não apurar os fatos - que, ao mesmo tempo, segundo a mesma imprensa, fez um inquérito que beirou o abusivo. É surrealista porque em nenhum momento a imprensa analisou o seu próprio papel no caso. E isso inclui o fato de que toda a informação que uma instituição vaza é publicada por algum veículo de comunicação. Se foi um abuso o vazamento de todo o inquérito, inclusive as partes relativas a pessoas que não são parte dos delitos cometidos pelo grupo de Dantas, de quem é o abuso? De quem vazou ou de quem publicou a informação vazada?

Desde a promulgação da Constituição de 1988, o país vive ciclos em que uma ou outra instituição se impõe sobre as demais quando assume como exclusivamente seu o papel de repressão ao crime e de guardião da moralidade. O Ministério Público já esteve nessa situação, assim como os juízes de primeira instância. Agora é a vez da PF. Todas as vezes que uma instituição se excedeu, no entanto, foi porque encontrou eco na mídia. Foram os veículos de comunicação que deram guarida aos sucessivos vazamentos de investigações do MP ou de processos que corriam na Justiça; como hoje dão abrigo aos vazamentos da PF. Não raro, um vazamento de informação acaba justificando um pedido judicial da mesma instituição que fez o vazamento; ou é usado como pressão política contra partidos e governos; ou é exibido como prova de eficiência, em movimentos de valorização corporativa. Portanto, a informação, pretensamente acrítica, não é neutra. Ela tem usos políticos e corporativos.

Não dá para debater os eventuais abusos de instituições sem reconhecer que o jornalismo teve um papel fundamental nos processos de hipertrofia dos poderes de uma ou outra, em determinados períodos. É um engano imaginar que a informação acrítica é neutra. Ela é apenas acrítica - e isso não significa sequer ser independente. O próprio modus operandi de Dantas é prova disso. A farta produção de dossiês para destruir reputações de inimigos foi um fato. Se os jornais e revistas os publicaram, fizeram um favor a Dantas. Esse comportamento está longe de ser neutro. Se um inquérito policial atinge quem não deve atingir, e a imprensa não filtra essa informação, pode lançar o descrédito em todo o inquérito e contribuir para a impunidade dos que devem efetivamente ser punidos. Ou pode abalar as reputações de quem nada deve.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

maria.inesnassif@valor.com.br

18/07/2008 - 13:55h Os mal-informados informam

A imagem “http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/images/logo_2008.gif” contém erros e não pode ser exibida.

Verbo Solto

por Luiz Weis*


Pergunto a um experiente colega, que ocupa cargo de primeira linha em um dos principais jornais brasileiros:

“Você se considera bem informado sobre o caso Daniel Dantas?”

“Em linhas gerais”, responde.

Muito pouco para quem está no ofício de informar.

E o pior é que, desde a entrada em cena da Operação Satiagraha, o grosso da informação é vazamento – que os jornais e os leitores, como Alberto Dines foi o primeiro a ressaltar, aceitam de bom grado.

E nem tudo que vaza é potável, ou tem o mesmo sabor.

Tome-se o caso do afastamento do delegado Protógenes Queiroz. Vazou para a imprensa inteira que, na reunião dos federais da qual ele saiu saído – e foi para isso que ela se deu –, Protógenes falou em continuar trabalhando na investigação nos fins de semana [porque de segunda a sexta ficaria em Brasília para completar um curso que iniciara em março].

Para a Folha, isso significa que “sentindo-se desautorizado, o delegado decidiu precipitar sua saída…”.

Para o Estado, isso signfica que “Protógenes resistiu o quanto pôde e chegou a se oferecer para trabalhar só nos finais de semana”. E, reiterando, dois parágrafos adiante: “Ele concordou em sair de foco da crise e da mídia, mas sem se desligar do comando do caso…”.

Ontem, o presidente Lula desancou o policial, chamando-o de “esse cidadão” – como se, de livre e espontânea vontade, ele tivesse resolvido tirar o time de campo, deixando no ar um serviço começado quatro anos atrás.

A imprensa pode só saber “em linhas gerais” o que vai pelo caso Dantas. Mas sabe – e sabe porque foi informada disso – que, naquela mesma segunda-feira, Lula aprovou a remoção do delegado, numa conversa com o ministro da Justiça, Tarso Genro.

Como a Folha titulou: “Presidente havia avalizado afastamento na 2a”.

A imprensa também já tinha sido deliberadamente informada de que, em dobradinha com o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa – o tal que saiu de férias em meio ao tiroteio -–, Tarso armava a guilhotina para decepar o cabeça do inquérito contra Dantas e companhia bela.

Em linhas gerais, é isso aí.

P.S.

Enquanto atola a barca, ganha o dia o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, com a seguinte constatação:

“Há deputados e senadores que vazam mais que chuveiro, tem ministros de tribunais superiores que falam mais com a imprensa do que nos autos, tem Polícia Federal que age fora da lei, tem Ministério Público que às vezes também abusa de sua autoridade.”

*Luiz Weis
Jornalista, pós-graduado em Ciências Sociais pela USP, onde lecionou Sociologia da Comunicação. Escreve no Observatório da Imprensa e no jornal “O Estado de S.Paulo”. Entre outras atividades, foi redator-chefe das revistas “Superinteressante” e “IstoÉ”, editor-assistente da “Veja”, editor político e apresentador do programa “Perspectiva” da TV Cultura, editor nacional da “Visão” e editor de assuntos especiais da “Realidade”. É autor, com Maria Hermínia Tavares de Almeida, de “Carro-zero e pau-de-arara: o cotidiano da oposição de classe média ao regime militar, in “História da Vida Privada no Brasil”, Lilia Moritz Schwarcz (org.), 1998, e do perfil político de Vladimir Herzog (sem título), in “Vlado — Retrato da morte de um homem e de uma época, Paulo Markun (org.), 1985. Recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo Científico, em 1990.

16/07/2008 - 13:41h Daniel Dantas, a mídia e o poder

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http://www.cidadeverde.com/noticias/editor/assets/img8/fl/daniel_dantas.jpg

CASO DANIEL DANTAS

As insinuações de um bilhete

Por Luciano Martins Costa em 15/7/2008

Atenta à crise aberta no Judiciário pelo prende-solta que marcou nos últimos dias a chamada Operação Satiagraha, a imprensa não se aplicou muito em esclarecer as suspeitas de relações nebulosas do banqueiro Daniel Dantas com jornalistas. Em um dos documentos divulgados pela Polícia Federal, entre os papéis e registros eletrônicos do dono do Opportunity, apareceu um bilhete com referências a ações que o grupo deveria tomar, segundo Dantas, para “plantar” na imprensa notícias convenientes aos seus interesses. A exceção é Carta Capital, que em editorial assinado por Mino Carta se refere, em sua última edição, a “mercenários da imprensa escrita e falada” que, segundo afirma, aconselha e defende o controverso banqueiro.

O temperamento do veterano jornalista aconselha a considerar duas vezes os adjetivos que utiliza para se referir aos seus desafetos. A guerra escancarada entre Carta Capital e Daniel Dantas pode ter prejudicado a credibilidade da revista, muitas vezes acusada de mover uma perseguição doentia ao banqueiro. Mas a releitura de algumas das muitas capas dedicadas aos negócios escusos do dono do Opportunity revela que a revista de Mino Carta – ressalvada, se possível, a má prática jornalística de editorializar o noticiário – mostra que nenhum outro órgão da imprensa brasileira contribuiu tanto para trazer à luz o rastro de lama sobre o qual ele construiu seu império.

Seleção conveniente de perguntas

As vinte questões apresentadas por Veja que, segundo o semanário de maior circulação do País, Dantas ainda precisa esclarecer, são muitas mais. A revista da Editora Abril produziu uma seleção conveniente dos casos cabulosos que fazem de Daniel Dantas um símbolo das piores perversões da relação entre o Estado e o capitalismo brasileiro. Da mesma forma, a reportagem de Época, embora mais alentada, segue a mesma trilha já selecionada pelos grandes jornais desde a deflagração da Operação Satiagraha. Alguns detalhes do noticiário merecem reflexão adicional.

Um deles se refere à carteira de clientes do Opportunity. Por mais aceitável o argumento de que o banco atua sob licença das autoridades monetárias, entre elas a Comissão de Valores Mobiliários, deveria atiçar a curiosidade dos jornalistas o fato de algumas personalidades e instituições – como o instituto Fernando Henrique Cardoso – manter relações com o banco de Daniel Dantas. Difícil aceitar que seja simplesmente pelo seu desempenho, uma vez que os fundos administrados pelo Opportunity não se destacam especialmente no cenário de alternativas do mercado. É certo que a empresa de avaliação de risco que monitora o banco destaca o chinese wall, ou separação entre a administração do banco e a gestão de recursos de terceiros, como confiável, e analisa favoravelmente a qualificação dos profissionais que cuidam das atividades do banco de investimentos. Mas não seria o caso de perguntar a alguns clientes por que mantêm relações com uma instituição cujo controlador freqüenta mais o noticiário policial do que os cadernos de negócios?

Plantações e assessoria de imprensa

Outra questão, suscitada pelo bilhete no qual Daniel Dantas praticamente determina que informações de seu interesse sejam publicadas pela imprensa, é a relação entre as assessorias de comunicação e a mídia. A arrogância que transparece na certeza de Dantas de que as notícias que considera convenientes serão “plantadas” na mídia leva necessariamente – ou deveria levar – a alguma curiosidade sobre as relações entre o Opportunity e as redações, mediadas por sua assessoria de imprensa. Se, como insinuam alguns jornais, o banqueiro pode ter chegado a chantagear o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para convencê-lo a não substituir o presidente da Comissão de Valores Mobiliários, que tipo de argumento lhe daria tanta convicção de que sua vontade seria atendida pela imprensa?

Uma leitura cuidadosa do material publicado nos últimos dias pode lançar dúvidas sobre a origem de algumas notícias. A primeira delas – que precisou ser desmentida três vezes para deixar as páginas dos jornais – foi a especulação de que o juiz Fausto Martin de Sanctis teria autorizado a Polícia Federal a bisbilhotar as comunicações do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Outro material que tende a favorecer o banqueiro é a busca de erros gramaticais no inquérito, texto que vazou da imprensa para a internet e se reproduziu tão rapidamente que seria candura demasiada afastar a hipótese de uma ação organizada. Para Dantas, é fundamental desmoralizar o delegado que o acusa.

Já se discutiu muito, também neste Observatório, se assessoria de imprensa é jornalismo. É bem aceita a tese de que, na função de assessor de imprensa, o profissional de comunicação não pratica jornalismo. Considerando-se que a missão do jornalista é perseguir a verdade por inteiro, é razoável afirmar que uma das funções do assessor de imprensa é convencer a mídia a destacar os aspectos da verdade que interessam ao seu cliente.

Gestão de crise permanente

No caso de Daniel Dantas, o indigesto trabalho de sua assessoria equivale à gestão de uma crise permanente, pela freqüência quase ininterrupta com que ele protagoniza o lado obscuro do noticiário. Resguardados os limites da ética, os assessores de Dantas têm merecido o que lhes paga o cliente. Mas a capacidade do banqueiro de produzir notícias negativas está acima das habilidades de qualquer profissional empenhado em preservar reputações.

O que nos compete observar é: a parte da imprensa que Mino Carta chama de “mercenária” – estaria engajada em seguir com ele até o fim? O lado saudável da imprensa, que predomina no noticiário em geral, não dá sinais de tolerância com aquele que é tido como o “gênio do mal”, e é bastante possível que o império de Daniel Dantas não sobreviva à ação da Justiça. O temperamento temerário demonstrado pelo banqueiro deve manter de cabelos em pé seus aliados no poder que ainda têm cabelos. Dantas e sua entourage de consultores jurídicos formais e informais são capazes de postergar além dos limites legais uma decisão judicial que o desfavoreça, mas ele já não pode contar com a lealdade irrestrita de todos aqueles cuja consciência andou arrendando.

Os clientes do banco com menor tolerância para o risco seguem transferindo seus patrimônios para locais mais seguros. Se o personagem central desse escândalo não parece ter limites, é possível que se mostre sensível à perda de ativos. Nesse caso, é provável que venha a cobrar ações mais efetivas de seus aliados no poder e na mídia, para evitar que o prolongamento de sua exposição afete gravemente seus negócios. Como ninguém, no poder público ou na imprensa, vai fazer declarações explícitas de lealdade ao réu, a seqüência de movimentos deve ser mais sutil. Por essa razão, a imprensa vai precisar de todo o talento disponível para a investigação e para a filtragem do material que vem sendo “contrabandeado” para as redações.

O corsário está nu, seus asseclas vão sendo desmascarados na medida em que se revelam os detalhes da investigação policial. Sua capacidade de seduzir pelo dinheiro ou de convencer pela chantagem se desvanece. A ação da imprensa, mais do que nunca, vai ser determinante nos próximos capítulos dessa história escabrosa que desnuda as vísceras da nossa jovem democracia.

12/07/2008 - 18:26h Luis Nassif publica acusações da PF a jornalistas

Blog de Luis Nassif
PF acusa Mainardi e Veja

O relatório do delegado Protógenes Queiroz, encaminhado ao Juiz Fausto Martin de Sanctis - que serviu de base para o pedido de prisão de Daniel Dantas e outros réus – acusa diretamente as revistas IstoÉ Dinheiro e Veja e os jornalistas Leonardo Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi de colaborarem com uma organização criminosa. Mainardi é explicitamente apontado como “jornalista colaborador da organização criminosa”.

O nome do documento é “Relatório Encaminhado ao Juiz Federal Fausto Martin de Sanctis”. É o Inquérito Policial 12-0233/2008. Nele consta Procedimento Criminal Diverso no. 2007.61.81.010.20817.

Foi preparado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros do Departamento da Polícia Federal

O capítulo 13 tem por título “Do papel da mídia no processo investigatório”.

Diz o seguinte:

Evidentemente com maior assiduidade na programação quase que diária dos meios de comunicação disponíveis, o grupo comandado por Dantas se serve com maior freqüência do que o grupo comandado por Naji Nahas. Ambos são convergentes quanto ao interesse comum e divergentes quanto às matérias publicadas, como forma de ludibriar para atingir seus objetivos. Com vantagens no final da falsa discussão pública.

Curiosamente, (…) o volume de dados analisados a respeito do material publicado ao longo da existência dessa organização criminosa usando a mídia, ora em proveito próprio ora em outros propósitos chantagistas

Neste momento trazemos à luz algumas matérias de fomento ao acordo recentemente efetivada pela BrT, Oi, Citigroup, Opportunity, aqui Daniel Valente Dantas, referente a alguns “conceituados” órgãos da imprensa escrita, tais como revista IstoÉ Dinheiro e Veja, ambos veículos a serviço do relevante grupo.

Apontamos a revista Veja, data de 16/01/2008, matéria “Rumo à supertele”, três folhas dedicadas exclusivamente aos interesses escusos da organização pelo jornalista Lauro Jardim.

Nesse mesmo dia 16.01.2008, matéria de capa da revista IstoÉ, “Os Vencedores da Telefonia”, como Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, sócios da Oi, foram escolhidos pelo governo para comprar a BrT e, com o auxílio generoso do BNDES, formar um gigante das telecomunicações”, do jornalista Leonardo Attuch.

E aqui nesse momento, eu vou me servir do recente artigo publicado no dia 12.04.2008, edição 2054, da própria revista Veja, elaborado por um dos jornalistas colaboradores dessa organização criminosa, Diogo Mainardi, sob o título

“Entendeu, Tabatha”.

“Eles retomaram algumas das práticas mais antigas e mais imundas do jornalismo, como a chantagem, a mentira, a propaganda do poder e a matéria paga”.

Ao lembrar essa assertiva ele talvez tenha revelado e audaciosamente expressado a vertente resumida de como funcionava a mídia para o grupo Opportunity, comandado por Daniel Valente Dantas, o que reforça e confirma todo o material coletado através de interceptações de dados telefônicos e telemáticos.

Em uma avaliação bem literal das condutas e comportamentos de alguns jornalistas que hoje estão no bojo do trabalhos coletados, é de se considerar como participantes da organização criminosa liderada por Daniel Valente Dantas especialmente aqueles que têm indícios de remuneração direta ou indireta de recursos originados do referido investigado ou de seus colaboradores.

No relatório de análises constou no dia 13/01/2007 que o investigado Daniel Dantas mantém diálogos com Verônica Dantas e Danielle Silbergleid afirmando textualmente da necessidade de utilizar a conexão direta entre ele e a imprensa como instrumento para plantar informações a fim de confundir a opinião de autoridades públicas nacionais e internacionais na disputa do grupo Opportunity, Citigroup, Telecom Italia pelo controle da BrT

Embora esse tema não seja foco inicial da presente investigação,é necessário conhecermos os meios ardilosos na divulgação das informações plantadas.

A voracidade em lançar informações falsas e até com cunho difamatório, e menciona o nome Moreira Alves (…) na empreitada suja de baixo nível.

E aqui vai a indagação: a mídia é um veículo independente comprometido com a verdade imparcial. Certo? Errado. O que estamos assistindo, o desmascaramento por meio do Judiciário Federal com a atenção auspiciosa do Ministério Público Federal é repugnate !!! sob o ponto de vista ético e moral do papel da imprensa.

E aqui reproduzimos ipsis literis a mensagem interceptada de conteúdo sem o mínimo escrúpulo que possa nortear regras de boa conduta e convivência social.

Assunto: Pendências
De; Cristina Caetano 18/02/2008
Para Alberto Pavi

Pavi,

Obrigado. Outro dia retomaremos a conversa com Moreira Alves. Nosso prazo para entrar com a campanha difamatória é no começo de março. E se não formos fazer com ele temos que achar outra pessoa. Nós preferimos que você redigisse. Achamos que nesse caso tem muitos fatos, seria melhor ser redigido por um civilista do que por um criminalista. Vamos focar nisso?

Beijos

Conclusões

Depois, fala de contatos de Nahas com jornalistas, mas sem envolvimento com o a organização criminosa. Menciona jornalistas que tiveram reuniões com Nahas, no plano jornalístico apenas. Quando menciona Attuch, o relatório diz que

seria também responsável pela publicação de artigos jornalísticos “encomendados” pela organização criminosa com o objetivo de facilitar o tráfiuco de influência perante autoridade são públicas.

Para esse seleto grupo jornalístico Naji Najas ora se posiciona falsamente como opositor e inimigo de Daniel Dantas.

É comum jornalistas acima citados (acrescentamos o colunista Diogo Mainardi, na revista Veja) assinarem matérias favoráveis ao interesse do grupo Opportunity, principalmente à pessoa de Daniel Valente Dantas.

A contextualização e os tópicos de análise do papel da mídia na presente investigação, por questão didática, preferimos fazer referência aqui na forma de anexo digitalizado.

O relatório tem menção a vários links com gravações de conversas telefônicas.

enviada por Luis Nassif

10/07/2008 - 10:12h A confusão escandalosa

JANIO DE FREITAS - FOLHA SP



Dúvida e obscuridade acirram o problema entre Judiciário e PF e ainda ameaçam com um escândalo à parte do escândalo


ATÉ QUE baixe a poeira de afirmações duvidosas e obscuridades que comprometem o relato apresentado pela Polícia Federal, os ingredientes do episódio estrelado por Daniel Dantas e Naji Nahas compõem uma confusão que se mostra distante dos esclarecimentos indispensáveis. Mas, por isso mesmo, tornou mais próxima de uma situação crítica a repulsa de grande parte do Judiciário, inclusive do Supremo Tribunal Federal, aos exibicionismos cinematográficos da Polícia Federal, considerados contrários ao Estado de Direito.
O privilégio dado à TV Globo, sempre levada ao lugar e à hora certa por avisos de operações “sigilosas” da PF, explica-se pela reciprocidade que a emissora dá, em audiência e no intenso uso acrítico do material colhido. Em relação ao jornalismo, a discriminação praticada pela Polícia Federal não justifica reclamações dos demais meios de comunicação, que também procuram sempre, em outras frentes, a obtenção da matéria-prima jornalística que são as antecipações e exclusividades. Outros aspectos são mais significativos.
Exata uma semana antes da nova operação televisiva da PF, o presidente do Supremo Tribunal Federal voltara o seu modo irado contra os vazamentos e informações policiais descabidas, das quais já foi vítima. Com acidez que prejudicou, pelo habitual excesso, sua intervenção, disse o ministro Gilmar Mendes que “quem faz isso não é agente público, é gângster”, em “um quadro de intimidação” que “é preciso encerrar”, porque “é abusivo o que se vem realizando e não é possível instaurar, no Brasil, o modelo de estado policial”. Gângster é outra coisa, não há propósitos de estado policial, mas fatos sucessivos dão sentido pleno ao “abusivo” em ações policiais.
A nova operação da PF pareceu a Gilmar Mendes certa “inveja ao regime soviético”, mas a Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajupesf) cuidou de pôr em termos a reprovação: “É preciso um basta”, porque os excessos exibicionistas da PF “violentam direitos e garantias individuais dos cidadãos”, o que requer, com “o absurdo de que a imprensa seja avisada previamente”, investigação superior. Imprensa, assim generalizada, não é bem o caso, embora a Polícia Federal procurasse ampliar-lhe a presença, no episódio, com o estapafúrdio e frustrado pedido de prisão de uma repórter -Andréa Michael, da Folha, que em abril deu o “furo” da investigação de Daniel Dantas.
O repúdio aos métodos não chegou, no entanto, a aspectos do relato feito pela Polícia Federal. Se considerasse alguns, dificilmente deixaria de incluir suspeitas de precipitação, no mínimo. Em relação, por exemplo, às afirmações de estranhíssimos vazamentos de informação privilegiada do FED, o Banco Central dos Estados Unidos, para os nossos especuladores financeiros. O jornalista Carlos Alberto Sardenberg constatou, pela CBN, que na data citada pela PF não houve reunião do FED. No 19 de setembro que citam, os policiais puderam ler, e confundiram a data, as notícias sobre a reunião feita no dia 18. Melhor ainda, a decisão adotada pelo FED, da qual teria havido o tal vazamento antecipatório para especulações de Dantas, Nahas & cia., estava posta há dias nos jornais, por notícias e comentaristas.
A movimentação de R$ 3 bilhões entre o banco de Dantas e um paraíso fiscal é uma cifra para espantar mesmo. A menos que não se desconsidere ser Dantas representante, no Brasil, de investimentos de grandes fundos de pensão do exterior. E que os paraísos fiscais, como a citada Cayman, são os pólos de altas transações financeiras internacionais, e legais, por seus baixos impostos e tarifas. Compras de aviões e de equipamento pesado, por exemplo, fazem-se muito por intermédio de paraísos fiscais. O que há, então, por trás dos R$ 3 bi é tão importante quanto ainda obscuro.
Dúvidas, obscuridades e privilégio já acirram o problema entre Judiciário e PF e ainda ameaçam com um escândalo à parte do escândalo.

21/06/2008 - 19:51h O resgate de Pagu

Texto: Eugênio Martins Júnior / Fotos: Leandro Amaral e Reprodução

Jornal da Orla

Escritora, jornalista, ativista política, apaixonada pelas artes e pela vida, Patrícia Galvão foi, sem dúvida, uma das personalidades mais importantes da história santista e —por que não dizer?— brasileira do século passado.
Após um período de esquecimento, sua vida e obra vêm sendo resgatadas pelas mãos de duas mulheres: a jornalista Márcia Costa e a professora Lúcia Maria Teixeira Furlani.

A dissertação de mestrado Jornalismo Cultural: A Produção de Patrícia Galvão no Jornal A Tribuna, da jornalista Márcia Costa, analisa a produção de Pagu entre 1954 e 1962, aprofundando-se na coluna Literatura, do suplemento A Tribuna, publicado sempre aos domingos, entre 1957 e 1961. Já a professora Lúcia, cujo interesse por Pagu em 20 anos de pesquisa rendeu duas obras e a criação do Centro de Estudos Pagu, na Unisanta, está prestes a lançar No Angu de Pagu - Uma Fotobiografia, pelas editoras Santa Cecília/Cosacnaify. A previsão de lançamento é para agosto.

São duas visões distintas com a sensibilidade que somente as mulheres poderiam imprimir ao pesquisar a vida agitada de Pagu. Porém, sem esquecer o rigor histórico que os temas exigem.

Em dois anos de pesquisa, a jornalista Márcia Costa compilou, em mais de 200 páginas, informações preciosas sobre a produção jornalística de Patrícia Galvão, como quando Pagu chegou a criar quatro colunas sobre cultura, entre elas a primeira do Brasil a falar sobre televisão. “A maior produção de Pagu foi mesmo como jornalista. Ela escreveu em jornais por mais de 30 anos e em todo o país sua palavra era respeitada nos meios culturais. Sua casa era freqüentada por Jorge Amado e Érico Veríssimo. Além deles, Sabato Magaldi, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles e Antunes Filho também faziam parte de seu círculo de amizade”, diz a autora da dissertação.

Outra faceta revelada no trabalho de Márcia Costa é a generosidade de Patrícia Galvão com os novos talentos. Na verdade, como lembra a autora, não era bem generosidade, “Pagu sabia reconhecer o talento dos novos escritores, foi a primeira a elogiar o trabalho de Clarice Lispector, e a bancar com seu prestigio o jovem Plínio Marcos”.

Além dessas informações, a dissertação mostra ainda que na época em que Pagu passou por A Tribuna (na foto, a jornalista é a segunda da direita para a esquerda), o jornal possuía um time de colunistas de peso, o que valoriza ainda mais seus textos como ativista cultural. Escreviam Otto Maria Carpeaux, Carlos Drummond de Andrade e Narciso de Andrade.

Para realizar seu trabalho, Márcia entrevistou 17 pessoas, entre elas o jornalista Geraldo Galvão Ferraz, filho de Pagu com o também jornalista Geraldo Ferraz; Augusto de Campos, Narciso de Andrade, Júlio Bittencourt, Gilberto Mendes, Willy Correia de Oliveira, Flavio Viegas Amoreira, Cid Marcos Vasquez e o brasilianista David K. Jackson, além de consultar o precioso acervo da professora Lúcia Maria Teixeira Furlani.

Guardiã do legado

Depositária da confiança da família de Pagu, Lúcia (na foto, Márcia à esquerda e Lúcia à direita) guarda com carinho e cuidado manuscritos produzidos há décadas pela ativista cultural modernista, além de fotos e documentos usados em No Angu de Pagu.

Em um primoroso trabalho de resgate, todas as imagens estão dispostas em ordem cronológica e são, uma a uma, seguidas por explicações rápidas, mas esclarecedoras. Estão ali, por exemplo, sua primeira foto com Oswald de Andrade, na Bahia; seu passaporte da época em que, perseguida por ser comunista, se viu obrigada ao auto-exílio; e até uma radiografia da face com um projétil alojado, fruto de uma tentativa de suicídio mal-sucedida.

“Nossa principal preocupação foi contextualizar todos os documentos, para melhor entendimento do leitor”, explica a autora que, na obra, reuniu mais de 253 imagens, muitas vindo à luz pela primeira vez. Segundo Lucia, cerca de 80% do que há nesse “angu” nunca foi publicado.

Há também o prefácio do sobrinho de Patrícia, o jornalista Clóvis Galvão, hoje em A Tribuna, e ainda um poema inédito de Rudá de Andrade, filho do primeiro casamento, com Oswald de Andrade. O poema se chama “Homenagem às loucuras de minha mãe”, e prova que o filho deixado aos cuidados do pai, Oswald, não guardou os mesmos ressentimentos que os detratores de Patrícia Galvão.

O trabalho da professora não se limita a guardar os documentos doados pela família de Pagu. No momento, o centro de pesquisas está empenhado em recuperar e digitalizar mais de 2.300 documentos recolhidos pela pesquisadora ao longo dos 20 anos de busca em todo o Brasil.

Ela afirma que ainda há muita coisa a ser dita sobre a obra de Pagu. Outro trabalho em andamento é o que está sendo realizado em conjunto com o norte-americano David K. Jackson, estudioso sobre a obra de Patrícia Galvão. “Dessa vez, será uma obra de peso, cinco volumes com muito material inédito”, avisa.

Exposição - A história mais uma vez se vinga e a cadeia que um dia aprisionou a comunista Patrícia Galvão e que agora foi transformada em um centro cultural que leva o seu nome, recebe, a partir do dia 24, a exposição Croquis de Pagu. A mostra reúne letras de poemas, músicas e 55 gravuras já publicadas em um livro homônimo de Lucia Maria Teixeira Furlani. Na abertura, dia 24, às 19h30, a professora fará a leitura dramática de um texto inédito de Patrícia Galvão.

14/06/2008 - 13:42h Uma no cravo, a outra na ferradura

polegar_positivo21.jpgPela segunda semana consecutiva a Veja São Paulo mostrou, em entrevistas a Marta Suplicy e Gilberto Kassab, que pode fazer um excelente jornalismo. As entrevistas são interessantes, permitem ao entrevistado expor seu ponto de vista, são incisivas e criticas sem serem ideológicas. A combinação entre questões administrativas e elementos conflituosos, assim como entre vida pública e vida privada, guardam o respeito e a isenção que são a marca do bom jornalismo. A Veja São Paulo está de parabéns.

polegar_negativo.jpg

A Folha de São Paulo continua mostrando uma parcialidade que provoca apreensão sobre os rumos do jornal. Hoje, para tentar desviar o foco do governo estadual e de sua responsabilidade na ausência de segurança na Pinacoteca, onde valiosos quadros foram furtados, insinua que a falta de segurança guarda relação com um pedido de empréstimo ao BNDES. Se os editores do jornal tivessem levado em conta o verbo mordaz do José Simão na própria Folha, não teriam agido tão grosseiramente na defesa do governo Serra. “E a Pinacoteca devia mudar pra museu Tabajara! Não tem alarme, não tem detector de metal, não tem seguro e a segurança é a faxineira. E o secretário disse que é o museu mais seguro de todos. Tá certo, os ladrões agiram na maior segurança: pegaram o elevador, escolheram os quadros, enfiaram numa sacola e foram embora. Só esqueceram de passar no caixa. Rarará.” (do macaco Simão, na Folha ilustrada, de hoje). LF

macaconao.gif

14/06/2008 - 09:34h A promotoria está contra você

marta_coluna.jpgPLÍNIO FRAGA

FOLHA DE SÃO PAULO

RIO DE JANEIRO - A absurda, injustificada e temerária tentativa de censura do Ministério Público Eleitoral a esta Folha -ao propor representação contra o jornal por ter publicado entrevista com um dos pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo, entendendo que nela havia propaganda antecipada- expõe uma toada autoritária. Com um discurso supostamente moralizador, normatizador e igualitarista, setores que atuam na Justiça eleitoral estão vilipendiando valores democráticos que o país construiu a partir da queda da ditadura militar. É difícil crer que ajam irrefletida ou inocentemente.
A prosperar a ação da promotoria eleitoral contra a Folha, o seu direito de informação, leitor, será cerceado. Caberia à idiossincrasia de promotores e juízes eleitorais decidir a extensão das informações que você, leitor, receberá para corretamente avaliar candidaturas, propostas, projetos, políticas públicas. Em outras palavras, é a censura das priscas eras.
A quem interessa essa ação restritiva? A entrevista questionada pela promotoria era com a petista Marta Suplicy e saiu em 4 de junho. Em 10 de maio, a Folha havia publicado entrevista com o tucano Geraldo Alckmin, que falava abertamente de sua pré-candidatura à prefeitura. Em 15 de março, havia sido a vez de Soninha Francine, pré-candidata do PPS. Hoje, é a de Gilberto Kassab (DEM). Recentemente, foram publicadas entrevistas com pré-candidatos a prefeito do Rio, como Marcelo Crivella (PRB) e Fernando Gabeira (PV), só para citar mais alguns.
Os promotores não acharam que nenhuma dessas entrevistas era propaganda antecipada? E não podiam achar mesmo, pois não eram. O jornal cumpria seu papel no debate de idéias políticas, com a pluralidade que o sistema democrático requer e o bom jornalismo exige.

12/06/2008 - 16:31h As fotos, ora as fotos

UM CASO (MENOR) DE PUNGUISMO JORNALÍSTICO

Atualizado em 11 de junho de 2008 às 20:05 | Publicado em 11 de junho de 2008 às 19:52 Blog de Azenha

sacana.jpg

Quebrei meu jejum de jornais brasileiros lendo a Folha de S. Paulo desta quarta-feira. Não tenho como opinar sobre o conjunto da obra. O Eduardo Guimarães faz isso melhor do que eu. E o Carlos Eduardo Lins da Silva, presumo, melhor ainda.

Eu encafifei com a foto que o jornal escolheu para anunciar o apoio de Dilma Rousseff à candidatura de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo.

Na cena, Dilma aparece tapando o nariz com a mão direita. E Marta faz careta.

Fiquei pensando na relevância jornalística da imagem.

Não acrescenta absolutamente nada à notícia. Nem é plasticamente atraente. Na verdade, é uma imagem ruim, feia, “congestionada” por um microfone.

A legenda é neutra como um pedaço de isopor: “Marta Suplicy e Dilma Rousseff (à dir.), durante evento em SP”.

Presumo que precisavam tapar um buraco e escolheram a pior imagem possível para dar uma “sacaneada”.

É uma pequena ilustração de pé de página, que não terá qualquer efeito na vida política de Dilma ou de Marta. Mas serve de exemplo da desonestidade jornalística que diz muito mais sobre o próprio jornal do que sobre os fotografados.