17/11/2009 - 09:22h O estilo Serra

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O articulista da Folha, Walter Ceneviva, não tem dúvida. Para ele o acidente no Rodoanel é resultado de obra apressada e apreçada (o título de seu artigo hoje é “Obras apressadas e apreçadas”).

Para ele, “Pelo padrão usual, quando a “rigorosa investigação” estiver concluída, ninguém lembrará do que aconteceu com as vigas do Rodoanel. Por exceção, todavia, os fatos parecem transparentes: é tempo de campanha. É necessário apresentar obras, com urgência. Meras formalidades legais ou técnicas devem ser esquecidas. “Depois a gente resolve”, é a regra.” (Folha 17/11/2009).

A conclusão do artigo é que o melhor caminho seria “Suspender as obras até que os laudos definitivos sejam aprovados”.

Walter Ceneviva não é inimigo de Serra e não manifesta simpatias pelo PT. Sua percepção é a do bom senso.

Acontece que para o governador Serra tudo o que contraria seu desejo, no caso acabar a obra antes dele se desencompatibilizar do cargo para concorrer à Presidência, é trololó petista e deve ser tratado como tal. Walter Ceneviva que se cuide.

Não é outro o motivo que leva o Estadão a atribuír ao PT um plano para atrasar a obra do Rodoanel (manchete e lide no Estadão de hoje: “PT quer atrasar Rodoanel para atrapalhar Serra. Plano é afundar governo estadual em investigações sobre desmoronamento, para retardar obra e evitar que tucano tire proveito eleitoral dela em 2010.”).

Por isso Serra recusou-se ontem a responder aos jornalistas sobre o assunto, esperando com isto que cessem os artigos e a cobertura sobre o acidente no Rodoanel e sobre as 79 irregularidades denunciadas à mais de um ano pelo TCU (ver 79 erros graves no Rodoanel, segundo o TCU. Que medidas foram tomadas pelo governador Serra?).

De sorte que Walter Ceneviva, o Ministério Público que vai investigar e qualquer um que vier a provocar “atraso” ou simplesmente fazer uma pergunta, será carimbado como petista raivoso.

É o estilo Serra.

LF

29/09/2009 - 15:32h A situação de Zelaya na embaixada depende muito dos pressupostos políticos de quem a considere

O alerta de Janio de Freitas sobre os pressupostos políticos dos que condenam a presença do presidente de Honduras na embaixada do Brasil, joga uma luz nas motivações de articulistas e jornais brasileiros. Com raras exceções, eles tem focado seus ataques no presidente de Honduras e não nos facciosos golpistas.

No lugar do apego a democracia como valor universal, mostram-se tolerantes com os déspotas motivados pelos anteparos ideológicos oposicionistas.

Parecem considerar as equaciones políticas, incluso internacionais, pelo prisma da oposição ao Lula e pouco importa para estes sicofantas que todos os organismos internacionais e todos os governo democráticos considerem Zelaya o presidente legitimo e os golpistas passíveis de julgamento.

Chegam até procurar na constituição justificação para o golpe, pretendendo atribuir aos “erros” de Zelaya a culpa pela situação e não aos autores do golpe de Estado.

Uma postura conivente com a implantação de ditadura no continente, para justificar o clima de “guerra fria” que alimentam a diário contra o governo Lula. LF

JANIO DE FREITAS – FOLHA SP

Os erros, ou nem tanto


A situação de Manuel Zelaya na embaixada depende muito dos pressupostos políticos de quem a considere


OS GOLPISTAS DE Honduras cometeram seus dois primeiros erros táticos. Um, ao empurrar os diplomatas acomodados na Organização dos Estados Americanos, como representantes dos nossos países, para a possível admissão de alguma atitude em defesa da entidade.
Considerados os seus fins, os golpistas vinham agindo com bastante habilidade tática, e por isso mantendo os países adversários do golpe entre acuados e omissos. Mas barrar a entrada de funcionários da OEA, que preparariam a visita de uma comissão de diplomatas assim impedida também, soa como um despertador na organização caída em letargia desde o fim da Guerra Fria.
Um erro seguido de outro é, em geral, tomado como indício de perda de controle. Mas tanto pode ser isso quanto o oposto: a atitude mal pensada por excesso de confiança.
As duas interpretações cabem, a gosto do freguês, no segundo erro dos golpistas hondurenhos, simultâneo ao outro. É o ultimato dado ao governo Lula para definir em dez dias (agora oito), nos termos das convenções internacionais, a situação em que o derrubado Manuel Zelaya se abriga na embaixada brasileira. Ultimato acompanhado da ameaça de cassação das imunidades e outros direitos da embaixada, o que implica ameaças piores.
Em termos políticos, Lula está posto sob pressão ainda maior do que a OEA. É o seu prestígio internacional, joia maior das suas atuais vaidades, que está posto em xeque pelos hondurenhos do golpe.
O risco de uma situação ainda mais complicada é real, caso a OEA se mantenha em reuniões, consultas, sondagens, emissários inúteis e outras habituais protelações. E o Conselho de Segurança da ONU, já enrolado com o Irã e a Coreia do Norte, ainda ache que o impasse entre Brasil e Honduras vale apenas uma nota. Posição do conselho (e, nele, em especial dos Estados Unidos) que sugere uma subjacente represália à insistência do Brasil em integrá-lo, e em ver esse poder mundial reformado e compartilhado por mais países.
A situação de Zelaya na embaixada depende muito dos pressupostos políticos de quem a considere. Os opositores ao governo Lula, os de visão mais convencional e conservadora, são incessantes na opinião de que Zelaya fazer política de dentro da embaixada “é um absurdo”, “transformou a embaixada na casa da mãe joana”, e por aí. Mas se Zelaya é o presidente legítimo de Honduras e está na embaixada apenas na condição de hóspede, como considera o governo Lula, então o absurdo estaria em tolher-lhe a palavra e o direito de usá-la em defesa da causa democrática.
Censura que, de sua parte, o governo golpista aprofundou agora, cassando por oposição ao golpe a Rádio Globo, claro que a de lá, e um canal de TV. Seria o suficiente para avolumar-se uma campanha contra os novos inimigos declarados da liberdade de informação e opinião. Mas o antigolpismo é seletivo, como ensinou a imorredoura doutrina da Guerra Fria. Então, o que podia ser o terceiro erro tático é, na prática, só mais uma atitude lógica, do ponto de vista do poder golpista.

12/07/2009 - 10:33h Vida de escritor

Com dois livros recém-lançados na França e um filme a caminho sobre seu trabalho, Gilles Lapouge submete a aventura literária e o jornalismo aos prazeres do bom texto

Laura Greenhalgh -O Estado SP

O olhar curioso de quem passa pela calçada da Rue Fondary, altura do número 25, no XVème arrondissement de Paris, certamente flagrará pelas janelas um jovial senhor de cabelos brancos teclando ao computador, entre pilhas e pilhas de papéis. Jovial senhor porque as maneiras são ágeis, a camisa, esportiva, a cabeleira, revolta, e nota-se ainda um arrojado par de tênis contestando os 85 anos de idade do portador. Ultrapassadas duas portas do edifício, uma no plano da rua e outra interna, chega-se enfim ao bureau do escritor e jornalista francês Gilles Lapouge. “Eis onde passo os meus dias. De 8 às 18 você me encontra neste escritório. Faço uma pausa rápida só para o almoço”, diz o anfitrião, em tom meticuloso.

A aparente desordem é o avesso de um caos criativo. Os livros se espalham por todos os cantos (inclusive pelo chão), lotam estantes e a vasta coleção de caixotes para garrafas de vinho – madeirame raro na era das embalagens de papelão e dos engradados de plástico. E espalham-se também as fotografias, as lembranças de viagens, os cartões-postais, uma miríade de objetos esparsos, os quadros, os mapas, os recortes de jornal, enfim, marcadores do tempo para alguém que considera a vida um percurso. Um itinerário. Uma geografia.

Gilles Lapouge tem sido muito solicitado a falar de si nos últimos tempos. Só neste ano, foram lançados dois livros na França, ambos com feitio biográfico, nos quais ele repassa a travessia intelectual, em geral ligada aos movimentos familiares e profissionais. Em La Maison des Lettres (Éditions Phébus), tem-se em forma de livro a longa entrevista que concedeu ao jornalista francês Christophe Mercier. É conversa de vida inteira, recuperando a infância feliz na Haute Provence, o período de maior isolamento social na Argélia, para onde o pai militar foi transferido, a juventude em Paris, a descoberta do Brasil através de um convite de trabalho do jornal O Estado de S. Paulo, as múltiplas influências literárias e todas as errâncias de um intelectual que se desloca para entender o mundo e a si mesmo. O outro livro, La Légende de la Géographie (Éditions Albin Michel), traz o escritor desvendando ao público sua geografia pessoal em uma bela coleção de ensaios sobre assuntos que sempre o intrigaram: as fronteiras, os mapas, a neve, os planisférios, as estradas de ferro, e por aí vai. Fora isso, Lapouge virou tema de um documentário dirigido pelo cineasta francês Joel Calmette, em fase de produção. “Lapouge adora flanar para então se perder. Por toda a vida cultivou esse gosto pela errância, pela escapada, pela digressão”, diz dele o jornalista e escritor Bernard Pivot, com quem partilhou incontáveis debates culturais na televisão francesa.

Nesta entrevista, concedida numa tarde de primavera em Paris, Gilles Lapouge confessa algumas de suas paixões. Uma delas, pode-se dizer sem margem de erro, vem do prazer da escrita – ali, na Rue Fondary, lapidam-se frases. Outra revela seu amor pela geografia, ciência que o move, o educa e ainda o faz sonhar. Chega a dizer que “todo evento, antes de ser histórico, é geográfico”, enveredando por um labirinto de reminiscências que perpassa uma notável geração de escritores e artistas franceses da qual fazem parte, entre muitos de seus amigos, Maurice Nadeau, lendário editor do jornal Combat, o poeta Claude Mettra e o historiador Jacques Le Goff.

O que parte dos franceses não sabe é que Gilles Lapouge mantém, há quase seis décadas, uma atividade jornalística regular no Estado – inicialmente como articulista econômico e, desde muito tempo, como correspondente e comentarista internacional. “Você acredita que há quem ainda se surpreenda com isso aqui, na Europa?”, indaga com incredulidade. Pergunto, com aquela impertinência só possível entre colegas de trabalho, por que ele sempre se refere ao Estado como “mon journal brésilien”. Lá vem a resposta: “É meu porque jamais o deixei. E porque, não fosse por ele, eu seria um francês normal, sem graça, de uma família francesa desde sempre.” Gilles Lapouge, laureado duas vezes com o Prix Femina e o Grande Prêmio da Língua Francesa, concedido pela própria Academia Francesa, mantém com o Brasil um diálogo intenso, amoroso e, até por isso, difícil. Perturba-o a violência brasileira, “escamoteada por uma cordialidade que nada tem de cordial”.

Os dois livros que saíram este ano na França são distintos na forma, mas nem tanto no conteúdo: o primeiro revela o ensaísta e o segundo traz a longa entrevista que você concedeu a um jornalista francês. Mas você concorda que ambos são, no fundo, biográficos?

Sim, eles atravessam o que fiz e pesquisei nestes anos todos. Em La Légende de la Géographie, eu me detenho sobre temas que me marcaram e sobre os quais tenho pensado. No outro, falo dos meus pais, da família, da infância, da juventude, conto a minha vida numa linguagem bastante direta. Apesar de diferentes na forma, é bem verdade, os dois livros sublinham o meu gosto por escrever. Jamais deixei de cultivar o estilo da escrita, algo que anda em baixa na França, infelizmente.

Por quê?

A educação das pessoas mudou muito e a internet tem tido uma influência tremenda na maneira como andam escrevendo. Fora isso, existe uma nova ideia de cultura, expressa inclusive em novas manifestações artísticas. A minha ideia baseia-se na cultura escrita. Só que hoje tudo é cultura. Uma geleia, um filé, um filme, uma canção, tudo é encarado como cultura, o que leva a uma tremenda dispersão de interesses. Nesse contexto, sou um arcaico que ainda escreve com zelo e carinho.

Como você começou a escrever?

Comecei pela poesia, na juventude. Cheguei rapaz a Paris decidido a ser poeta, como tantos outros companheiros da minha geração. Talvez até pelos militares que tinha na família e pelo que passamos na guerra, cheguei a dedicar poemas “a todos os soldados do mundo”. Mais tarde, ao me aventurar pelo texto narrativo, incorporei um tanto de poesia na escrita. Ainda sou muito ligado na musicalidade do texto, na cadência da frase. O problema é que escritores como eu tendem a ser vistos como “preciosistas” hoje em dia. Meu prazer, e meu esforço, é alcançar um texto de fatura simples e ao mesmo tempo sofisticado. Trata-se de harmonizar contrários. É fazer o refinado dialogar com o popular, até mesmo com o vulgar, se preciso.

Por que nos dois livros você exalta a geografia?

Porque amo geografia sem nunca ter sido bom nela (ri). Sou nulo nesse campo.

Mas você passou por um curso superior de geografia na mocidade.

Sim, numa faculdade em Aix-en-Provence. Estudei a geografia formal. A verdade é que criei uma geografia pessoal: sou alguém que decididamente viaja para se perder. Se penso no norte, é porque estou no sul, se olho para o leste, sinal de que vejo o oeste, e assim por diante. Entrou para o folclore familiar uma viagem que fiz com meus filhos e minha mulher pela Áustria, há muitos anos. Quando chegamos a uma certa cidade, encasquetei que era Innsbruck, me senti em Innsbruck, reconheci Innsbruck. Meus filhos diziam que não havia relação entre o que víamos e o que estava no guia turístico que eles consultavam a todo momento. Eu disse que era culpa do guia, velho, malfeito. Enfim, só fui me convencer de que não estávamos em Innsbruck no dia seguinte, pela minha filha, uma menina de 12 anos! (ri) Os primeiros geógrafos eram pessoas como eu, gente que se perdia. Saíam de suas grutas, de suas pequenas moradias, e se perdiam. Daí passaram a rabiscar croquis para entender a situação. Assim a ciência começou. Imagine se os homens primitivos tivessem GPS? Eles não se perderiam jamais, o que seria catastrófico. Sem que nos percamos, não somos capazes de ver a paisagem.

Paraíso terrestre não existe. Nem mesmo no Brasil

Lapouge revê o mito do país cordial, pacífico, mas que é capaz de camuflar relações ferozes e brutais

Gilles Lapouge, numa tarde de conversa em seu escritório parisiense, lembra do dia em que o pai quase foi fuzilado, critica as utopias e os militantes do “mundo sem fronteiras”, e ainda fala de projetos literários que vem desenvolvendo. Entre eles, o Dicionário Amoroso do Brasil, organizado segundo um olhar particularíssimo sobre “o país que o livrou da matriz francesa”. Autor de duas dezenas de livros, foram editados no País A Missão das Fronteiras (ed. Globo), Os Piratas (ed. Antígona) e Equinocial – Viagem pelos Confins do Brasil (ed. Pontes). Lapouge deverá vir a São Paulo em setembro, para participar de um ciclo de conferências na USP sobre as relações Brasil-França. Será acompanhado pela equipe de cinema que produz o documentário sobre sua obra e trajetória. Várias tomadas já foram feitas, entre elas, a habitual participação do autor de La Légende de la Géographie no Festival de Saint-Malo, dedicado à literatura de viagem.

Você faz uma interessante comparação entre os “marcadores de fronteiras” e os profetas, porque desenham o futuro, ao se referir a seu avô, um general francês que saía em missões demarcatórias. Hoje, há fronteiras instáveis pelo mundo e o próprio sentido de globalização parece atenuar o conceito de demarcação. Como você vê esse fenômeno?

Meu avô demarcou fronteiras, é verdade. Eu não o conheci, mas sua trajetória sempre me fascinou. A começar pela figura dele: era um homem muito pequeno e se deslocava num imenso cavalo. Acho que nunca houve um general tão baixinho no exército francês! E ele detinha esse poder de dizer “aqui é França, aqui não é”. Falar de fronteiras, hoje, é outro capítulo. Tudo anda tão mexido no mundo, mas não podemos perder de vista o jogo dialético que existe entre a fronteira e o fim dela. Sentimos uma espécie de pressão para juntar as coisas, seja pelo comércio, pelos deslocamentos humanos, pelas tecnologias. Mas já vimos que é insuportável a ideia de “mundo sem fronteiras”, como pregam os ativistas do altermundialismo. É um troço horrível e explica em parte o recrudescimento dos nacionalismos. Temos necessidade de demarcações, porque o ser humano não vive sem fronteiras. Por outro lado, depois dos atentados em Nova York, em setembro de 2001, veio a doutrina Bush passando por cima de fronteiras. Ali se perdeu a noção do limite, provocando um traumatismo mundial do qual ainda estamos nos recuperando. Mas, não se engane: mundo sem fronteiras é mundo sem forma.

E a proliferação dos muros separando mexicanos de americanos, israelenses de palestinos, isolando os saauris…?

Muros, gostemos ou não, têm uma razão de existir, assim como as fronteiras. Qual foi o primeiro grande muro da era moderna? Foi o da URSS em relação ao resto do mundo. Lenin e Trotski pensaram a universalização dos direitos, daí vem o stalinismo transformando concepções ideais num separatismo feroz e autoritário. Pense nos muros decorrentes das guerras coloniais. Pense nos independentistas tunisianos e argelinos, a França ergueu um muro abominável, empilhou milhares de cadáveres, cercou aquela população com muros eletrificados, uma barbaridade. Hoje vemos este muro horrendo separando israelenses de palestinos. Mas, por que ele está lá? Porque é impensável juntar israelenses e palestinos, essa é a verdade. Não vão se entender jamais. Em tese, os muros são abomináveis, mas acabam existindo para delimitar espaços.

São tão necessários quanto as fronteiras?

Conforme a situação, sim. Há um fenômeno interessante: fronteiras, mesmo quando são retiradas, apagadas ou transformadas, não desaparecem. Veja o caso da Iugoslávia: ao se dividir, ela o faz justamente onde havia fronteiras anteriores a 1914, nas linhas divisórias entre o império austríaco, o turco-otomano e o império russo. Por isso digo que qualquer evento histórico é, antes de sê-lo, um evento geográfico. Napoleão foi sobretudo um grande geógrafo. Antes de mandar tropas para a Rússia, o que marcaria o começo da sua derrocada, ele pediu a seu embaixador em São Petersburgo para roubar a cartografia que o czar havia mandado fazer. Pois o embaixador de Napoleão teve que se virar para consumar o roubo dos mapas e despachá-los a Paris. Já no exílio em Santa Helena, nos últimos anos de sua vida, Napoleão se dedica a pensar questões da geografia. Naquele momento, ele se interessa particularmente pelo estudo dos ventos.

Quanto há de geografia no seu trabalho jornalístico?

Muito. O tempo todo. Claro, não posso ficar chateando meus leitores com uma infinidade de detalhes nem com meu interesse pelos palimpsestos. Mas também não posso escrever sobre o conflito entre israelenses e palestinos sem ter a cabeça voltada para as coordenadas da região. Os jornalistas dizem com muita facilidade que, em algum lugar, atacaram uma mesquita, sem se perguntar quando aquele lugar foi construído, sob que condições… Fernand Braudel, ao escrever sua belíssima história mediterrânea, reservou um volume da obra para tratar só de geografia. Euclides da Cunha, autor formidável, dedica as primeiras 150 páginas de Os Sertões à geografia, porque é impossível compreender Canudos sem refletir sobre o solo, o curso dos rios, o clima, etc.

Por falar em Braudel, ele foi encarregado de promover o seu encontro com o Brasil nos anos 50, não foi?

Sim, já se ouvia falar dele por aqui. Era um historiador conhecido. Em 1935, partira para o Brasil com um grupo de franceses para fundar a Universidade de São Paulo. Eu o reencontrei em 1948, quando retornou à França. Naquela época, Julio de Mesquita Filho, diretor do Estado, havia lhe dito: “Encontre um jovem jornalista francês para vir trabalhar no meu jornal.” Soube então que Braudel procurava essa pessoa por intermédio do serviço cultural do Quai d?Orsay. Eu me apresentei, pedi a ajuda de um amigo para montar alguns textos e levá-los a Braudel, afinal, eu não era jornalista, e acabei sendo escolhido. O Brasil tem uma importância capital na minha obra, até porque 3/4 da minha vida estão ligados ao País. Graças ao Brasil eu me interessei pelo mundo e comecei a viajar. Não fosse por isso eu seria um francês normal, sem graça, de uma família francesa desde sempre.

Quando você chegou?

Em 1950, ainda na presidência Dutra. Não tinha ideia do que era o Brasil. A França saía da guerra, portanto, eu estava impregnado de um país cinza, sombrio. Ainda sentíamos os efeitos da administração Pétain, da perseguição aos judeus, etc. Deixei tudo isso para trás, porque no Brasil as cores mudaram. Foi uma revelação extraordinária do ponto de vista da beleza, da sensualidade, da capacidade de estar aberto ao outro, enfim, da joie de vivre. Com a vantagem de que não cheguei na condição de turista, mas para trabalhar.

Sua família sofreu bastante após o final da Segunda Guerra, como você conta no La Maison des Lettres.

Deixei para trás um mundo marcado pela delação e mesquinharia. Meu pai, que lutou na Primeira Guerra, serviu na Argélia, comandou batalhões pela França, acabou denunciado como colaboracionista, sendo que jamais foi um homem de Pétain. Havia muito disso naquele tempo: numa cidadezinha, as pessoas aproveitavam-se da caça aos colaboracionistas para fazer um ajuste de contas em torno de um problema qualquer. Brigas de vizinhos eram “resolvidas” com delações terríveis. Meu pai havia sido um oficial destacado, mas alguém resolveu dizer às autoridades que ele ajudara os nazistas. Como? Ele já estava fora da vida militar quando os nazistas ocuparam a França. Eu me lembro de ver, numa noite muito triste, minha mãe preparando a farda de meu pai porque ele iria para o pelotão de fuzilamento no dia seguinte. Eu tinha 15 anos, aquilo foi horrível. Felizmente, alguém da Resistência passou em nossa casa para checar as providências e viu que meu pai não poderia ser condenado, daí pediu que seu nome fosse retirado da lista de fuzilamentos.

Afinal, como é que seu pai ficou depois de quase ter sido fuzilado?

Esse episódio o quebrou para sempre. Ser acusado de alta traição à pátria foi demais para ele. Decaiu física e intelectualmente, por sorte pudemos contar com minha mãe, que era uma mulher forte. A França carregou o estigma de ser um vasto cemitério. Devo dizer que tive uma infância feliz em Aix-en-Provence, cercado de pessoas interessantes, afetivas. Não éramos nem pobres, nem ricos, éramos uma pequena burguesia que vivia bem. Mas quando saíamos de nossa casa no campo para ir a alguma cidade próxima, deparávamos com monumentos que haviam sido feitos em memória aos mortos da Primeira Guerra. Eu me detinha a contar os nomes de uma mesma família que tombaram em conflito. Famílias inteiras dizimadas.

Mas depois a belle époque veio para resgatar a alegria, a esperança.

Sim, mas havia o odor de morte por trás das canções, das festas, daqueles anos loucos. E, já em 1934, formava-se a noção de que uma nova guerra seria feita. Foi uma alegria efêmera, algo muito traumático à minha geração.

Quando você começou a viajar pelo Brasil?

Passei três anos na redação, período em que pude trabalhar perto de Julio de Mesquita Filho, que não era tão somente o dono e diretor do jornal, mas era tudo: redator-chefe, revisor, impressor, conselheiro, editorialista, tudo! Ele foi decisivo para mim àquela altura da vida, ou seja, aos 20 e tantos anos. Depois voltei à França porque meu pai estava doente, abri a sucursal do Estado em Paris e por aqui fiquei, liderando um pequeno grupo de jornalistas. Em 1975, quando do centenário do jornal, voltei ao Brasil para comemorações, daí consegui prolongar minha estada por seis meses, para viajar. Fui aos sertões, ao Nordeste, cheguei à Amazônia. O diferencial dessa viagem: passei cinco meses rodando o País de ônibus.

De ônibus?

De ônibus comum. Eu poderia ter arrumado um carro, até mesmo um motorista, o jornal me ajudaria. Mas queria seguir de ônibus, para sentir a gente, os lugares. Havia aprendido português a ponto de entender o que as pessoas falavam no ônibus. E elas não imaginavam que eu fosse jornalista, supunham-me um gringo qualquer, portanto se abriam comigo. Foi uma viagem extenuante. Muitas vezes tinha que pegar o ônibus de uma cidade para a outra às 5 horas da manhã, fazia um calor terrível, as estradas eram péssimas, eu me alimentava mal e dormia onde era possível. Em resumo, do ponto de vista físico, foi uma maratona. Do ponto de vista cultural, uma maravilha.

Que autores brasileiros você leu antes de partir?

Nenhum. Nem Guimarães Rosa. Só havia lido alguma coisa do Jorge Amado. Aliás, foi nessa viagem que o conheci em Salvador, junto com o etnólogo Pierre Verger. Meu grande encontro se deu, de fato, com o Verger. Foi ele quem me falou intensamente do Brasil, quem me abriu os olhos para o candomblé, para a herança cultural dos negros. Amado era um homem muito engajado, dizia besteiras, não o entendi bem. Um amigo comum dizia que ele era mesmo um tanto raso, mas havia um anjo que escrevia por ele (ri). Amado deixou uma obra imensa, tornou-se adorado na França, como sabemos, e, já no final da vida, comprou um apartamento no pior quartier de Paris. Perguntei qual a razão da escolha, afinal ele tinha em Salvador uma casa magnífica no Rio Vermelho, por que enfiar-se num pedaço tão feio de Paris? E ele me disse: para ser anônimo e escrever. Continuei sem entendê-lo. Mas guardo na memória as festas que o casal Amado dava na casa do Rio Vermelho: havia artistas, escritores, putas, embaixadores, uma quantidade incrível de empregados domésticos…

Você conta que na viagem até a Amazônia leu obras de Rainer Maria Rilke. Que relação a sua aventura poderia ter com a obra deste escritor?

Nenhuma. Quando viajo levo comigo leituras que nada tenham a ver com o lugar visitado. Foi uma experiência magnífica ler A Canção de Amor e Morte do Alferes Christoph Rilke numa estação de trem nos confins do Brasil. Quando você deslocaliza um texto, daí ele ganha mais força.

Você se enquadra na modalidade “écrivain-voyageur”?

Não. Sou escritor. E jornalista. O escritor-viajante é um tipo que não me agrada. Por ser alguém que só pensa em andar, em chegar ao fim do mundo, ou seja, seu objetivo é o movimento. Ele não para para olhar, para sentir as coisas. É o oposto do que busco: quando estou em São Luís do Maranhão, uma cidade da qual gosto imensamente, consigo me transformar para aquela França equinocial. Para mim as viagens interessam desde que possam ser metamorfoseadas pela literatura.

Seu livro Utopie et Civilization deu o que falar, afinal, nele você propõe uma nova interpretação para as utopias. O resultado é que foi criticado tanto por intelectuais de esquerda quanto de direita…

E não foi culpa minha! Em geral, meus livros são encomendados e escrevo para pagar as contas (ri). Encomendado o livro, comecei a estudar o tema, juntando elementos que configuravam a seguinte ideia: utopia é o contrário do que se diz dela. Não se trata de um mundo onírico, livre, onde todos partilham tudo. Trata-se de um mundo feroz. Ao pretender que sejamos iguais, o que é impossível, os utopistas suprimem a história. E, ao fazerem isso, suprimem o humano. Eu me preparei muito para escrever este livro. Tive uma tuberculose, passei um ano internado num sanatório e, ao longo desse tempo, mergulhei na obra de Platão, Thomas More, Campanella, Fourier. Você poderia pensar: os acontecimentos de maio de 1968, em Paris, faziam parte de uma grande utopia? Digo que não. O movimento da juventude era voltado para a liberdade, o amor, o romantismo. E os utopistas foram mentes que prefiguraram autoritarismos, como o nazismo e o stalinismo.

Por exemplo, Thomas More era um autoritário?

Ele foi bastante criticado por suas ideias, mas depois seria reabilitado pela Igreja. More concebia que, numa certa cidade, as mulheres deveriam ter quatro filhos. Aquelas que tivessem seis filhos deveriam entregar duas crianças excedentes para mulheres que não tinham filhos. Como catalogar as pessoas dessa forma? Os utopistas pregaram a igualdade ao preço do desaparecimento da individualidade.

Nos seus textos, inclusive os literários, você lida com divisões político-ideológicas como “esquerda”, “direita” e “extrema direita”. Estas categorias ainda funcionam?

No Brasil, está tudo muito misturado, mas creio que na França elas ainda estão funcionando. Sarkozy também mistura um pouco as coisas, é verdade. Quando ele era ministro do Interior, praticou políticas autoritárias do ponto de vista de segurança pública. Agora, nas eleições europeias, retomou o padrão antigo colocando policiais por toda parte. Deu um golpe de esperteza política: ao mostrar-se como um líder duro, atraiu a extrema direita que hoje anda sem voz de comando, pois Le Pen está velho e doente. Quer dizer, na França, a extrema direita vem se fundindo à direita.

E a “gauche” francesa? O que acontece com a esquerda?

Abre espaço para a “ultra gauche”. A esquerda clássica anda tão nula, tão vazia, que acaba cedendo aos ultraesquerdistas. O partido de Sarkozy saiu vitorioso nas últimas eleições, mas perceba que, no cômputo geral, ele perde para a soma de todos os partidos de esquerda, impulsionados por setores extremistas.

Como você vê o Brasil hoje?

O Brasil parece consolidar sua importância regional. É o país mais relevante da América Latina. Não há outro, nem México, nem Argentina. É um país de dimensões continentais, com uma população imensa e uma inteligência política considerável, construída após o fim da era dos generais. Embora haja gente que não goste dele, Lula é o vencedor dessa reconstrução democrática. Não sei o quão inteligente ele é, mas tem uma intuição política formidável. Tem até lances geniais, como o de não renunciar à sua infância triste, miserável, ou seja, sabe que não deve esconder o passado. Tem também demonstrado discernimento ao não cair nas ciladas de Hugo Chávez. Mas o Brasil precisa resolver um problema sério a meu ver: transformou-se num lugar muito violento. Volto ao livro de Stefan Zweig, Brasil, País do Futuro, e me dou conta de que o tipo de interpretação que ele fez se tornou completamente idiota. O Brasil é um país inteligente, tolerante e até mesmo educado, mas camufla seu potencial de violência e egoísmo. Existe uma cultura brasileira que se interessa pelos outros apenas no plano das superficialidades.

Como assim?

Diz-se que o Brasil é um lugar sem racismo, no entanto, há comportamentos racistas por toda a parte. Essa camuflagem é perniciosa, perversa, porque a tal cordialidade brasileira disfarça relações brutais. Veja o caso americano, e não estou falando especificamente de Barack Obama: aquela sociedade enfrentou o racismo a ponto de hoje vermos cidadãos negros em altas posições, nos mais diferentes setores. No Brasil, raros são os negros que ascendem a posições de destaque. Recentemente, retomei um texto do Cláudio Abramo, Meu País Trágico, e encontrei uma ótima reflexão: esse Brasil gentil, feliz, despojado, guarda uma tragédia no seu interior, porque permite que se morra de fome, de abandono, etc. Mesmo a burguesia brasileira, afável no trato, cria obstáculos a que a verdade social possa emergir. Quando me dizem aqui na França que o Brasil é um paraíso na Terra, contesto. Além do que, francamente, paraísos terrestres não existem.

Quais são seus próximos projetos literários?

Normalmente, eu trabalho em mais de um projeto ao mesmo tempo. Hoje estou me divertindo ao escrever um livro sobre dois animais, a abelha e o asno, relacionando-os. São bichos que acompanham desde sempre a história humana, trabalhando sem cessar. Outro projeto que me mobiliza é o Dicionário Amoroso do Brasil. Faz parte de uma bela coleção, com dicionários amorosos sobre tudo: o vinho, a mitologia, a amizade, etc. Tem a forma de um dicionário mesmo, cujos verbetes são organizados e selecionados por mim. Por exemplo, um dos tópicos chama-se “caravela”. Porque ela teve um papel fundamental na descoberta do Brasil. Pela primeira vez os navegadores utilizavam uma embarcação que também se deslocava contra os ventos, e não só a favor deles. Lugares terão entradas específicas no dicionário. Por exemplo, falo muito de São Paulo, pouco do Rio, que não conheço bem, e particularmente São Luís do Maranhão, que adoro. Ao longo desse dicionário completamente particular, vou alinhavando minhas recordações.

Conte uma, por favor.

Naquela viagem que fiz de ônibus, chego de madrugada à cidade de João Pessoa, na Paraíba, com pouco dinheiro no bolso, um cansaço enorme, e não havia hotel ou pensão abertos para me receber àquela hora. Decido dormir na praia, era o jeito. Jogo minha mochila na areia, me acomodo precariamente, mas, ainda assim, logo pego no sono. Acordo, horas depois, com uma meninota de origem bem humilde ao meu lado, segurando um guarda-sol para me proteger. Disse que estava preocupada comigo, afinal, eu poderia ter uma insolação. Jamais esqueci aquele despertar, o gesto da menina, sem me pedir nada…

Que verbete dará para essa história?

Ternura, certamente.

16/06/2009 - 12:32h A notícia vive

Aqui no Brasil ainda há muita gente importante dizendo que o meio ambiente é um obstáculo ao crescimento. Estamos indo na contramão do mundo

Coluna no Globo de Miriam Leitão

Tudo está se movendo ao mesmo tempo no mundo da transmissão da notícia. Tanto que nem sei por onde começar esta coluna. A “Newsweek” numa edição recente avisou que aquele era o primeiro número de uma nova revista, reformulada diante do fato de que “a internet está fazendo muito bem o trabalho de dar notícias e análises instantâneas”. O que sobra para um veículo lento como uma revista?

A “Newsweek” acha que sobra o espaço de reportagens exclusivas e grandes ensaios que tenham um argumento claro e inédito. A revista fechou editorias, somou outras, foi obrigada a se reinventar. No artigo “Uma nova revista para um mundo em mudança”, a publicação começa dizendo que “não é segredo que o negócio do jornalismo está com problemas”.

A “Economist” publicou que 70 jornais fecharam na Inglaterra desde o começo de 2008. O “Independent” depende hoje de investidores estrangeiros. Os jornais franceses estão sendo subsidiados. Todd Gitlin, professor de jornalismo da Columbia, divulgou um texto online sobre “As muitas crises do jornalismo”, dizendo que quatro lobos estão às portas da imprensa americana: a queda da receita de anúncios, a queda da circulação, a difusão da atenção do leitor, e uma crise de autoridade. A soma dos dois primeiros acabou com a lucratividade das empresas.

O “New York Times” teve um prejuízo tão grande neste começo de ano que apressou as providências para, de um lado se livrar do que mais arruína seu balanço, o “Boston Globe”, e, de outro, encontrar novas formas de receita com o conteúdo que produz. Está em dúvida sobre um novo sistema de assinatura, micropagamentos por conteúdo acessado, pedidos de doação, qualquer coisa que aumente suas receitas.

Desde 2001, a circulação dos jornais americanos caiu 13,5% nos dias úteis e 17% nos domingos, sendo cinco pontos percentuais dessa queda só no ano passado. A receita de anúncio caiu 23% em dois anos e o emprego caiu 15%. Foram fechados escritórios em vários estados e países. Um mapa-múndi que assinalava todos os locais onde o “Washington Post” tinha correspondentes ou escritórios foi retirado da redação do jornal americano. Era constrangedor o sumiço diário de pontos do mapa. A crise que atingiu todos os setores da economia bateu também nas empresas jornalísticas, mas o fato é que a mídia convencional já vinha sendo desafiada por todas as novas formas de transmitir a notícia.

As três maiores redes de TV aberta dos Estados Unidos — ABC, CBS e NBC — sempre tiveram pouca audiência diante das TVs pagas, mas de 1990 para cá, o percentual de americanos que se informa nas redes abertas caiu de 30% para 16%. A Pew Research Center, que tem registrado as estatísticas da audiência de notícia no rádio, TV e jor$, constatou em 2008, pela primeira vez, mais gente recebendo informação via internet do que nas plataformas tradicionais. Apesar disso, quando se pergunta quem só recebe informação online, o dado é de apenas 5%. O mais alarmante da pesquisa foi o aumento de 25% para 34% dos americanos de 18 a 24 anos que não tinham recebido notícia alguma, em qualquer dos veículos, no dia anterior.

Não sou dos que temem as mudanças como um sinal dos tempos. Não é a notícia que está em crise, é a tecnologia que tem ampliado espaços, revolucionado conceitos, criado novas ferramentas para se fazer o que sempre foi feito na humanidade: informar, discutir, analisar. A imprensa tem vivido num vértice de mudanças intensas, e a sensação de quem vive no mundo da informação é que ele nunca mudou tanto em tão pouco tempo.

O Google News não tem um único editor humano. Seu processo de escolher e distribuir informação é feito por robôs. Arianna Huffington é dona de um dos maiores casos de sucesso da internet, o “Huffington Post”, que reúne 3.000 blogs e tem o dobro de visitantes que o website do “New York Post”. Outro dia, ao receber o premio webby (o Grammy da Internet), ela fez um discurso, de poucos toques, como requer os tempos de twitter: “Obrigada. Eu não matei os jornais”.

Desde que a “Economist” publicou, anos atrás, uma célebre capa com o título: “Quem matou os jornais?”, os grandes jornais investiram em versões online, aderiram aos blogs e twitter, optaram por não cobrar por conteúdo, depois passaram a cobrar, voltaram a liberar o acesso, agora introduziram sistemas mistos, com textos de livre acesso e outros que exigem assinatura. O “Guardian” é hoje mais lido do que nunca. Por causa da internet ele tem duas vezes mais leitores fora da Inglaterra do que no seu país.

A notícia não morreu nem vai morrer. Na verdade, ela nunca circulou tanto, nem encontrou fórmulas tão instantâneas de espalhar-se como agora. O que ainda não ficou claro é como as empresas serão sustentáveis financeiramente. A receita de publicidade na internet cresce menos do que a queda da receita dos veículos tradicionais. Muitas respostas terão que ser encontradas pelas empresas e pelos jornalistas para os desafiadores tempos novos. Não resta alternativa a não ser seguir o turbilhão. Afinal, quem não gosta de novidade, jornalista não é.

Do Blog de César Maia

A CRISE DA IMPRENSA NOS ESTADOS UNIDOS!

(Trecho da coluna de Miriam Leitão – OG, 14/06) “Desde 2001, a circulação de jornais americanos caiu 13,5% e 17% nos domingos, sendo cinco pontos percentuais desta queda só no ano passado. A receita do anúncio caiu 23% em dois anos, e o emprego caiu 15%. As três maiores redes de TV aberta dos Estados Unidos, de 1990 para cá, o percentual de americanos que se informa nas redes abertas caiu de 30% para 16%. A Pew Research Center constatou que em 2008, pela primeira vez, mais gente recebendo informação via internet do que nas plataformas tradicionais.”

* * *

AUDIÊNCIA DE TELEJORNAIS NA GRANDE-SP – 25-31/05!

(FSP, 14/06) Jornal Nacional 30%. Repórter Record 16%. Brasil Urgente 6%. Jornal da Gazeta 2%. 57.300 expectadores para cada 1%.

10/06/2009 - 15:14h Sobre o blog da Petrobras: “O que ofende o direito de informar é a censura, senhores”

Blog de Noblat

É boa ou ruim?, essa decisão de Petrobrás em criar seu próprio blog. A resposta, sem dúvida possível, sugere ser muito boa. Para a cidadania – permitindo que mais pessoas acessem mais informação. Para a democracia – que se reconhece quando uma empresa, do tamanho da Petrobrás, assume o compromisso de prestar contas de seus atos ao indeterminado cidadão comum do povo. Assentado isso, o principal, vale a pena examinar algumas questões no entorno dessa decisão.

1. Ilegal não é, como sugerem alguns jornalistas. Nenhum tema da Cyberlaw mereceu mais páginas do que o Fair Use. Reduzido a seu núcleo conceitual, a proteção ao direito da propriedade intelectual – no caso, as perguntas dos jornais – se opera somente quando houver apropriação econômica por terceiros – no caso, a Petrobrás. Como o acesso ao blog é público e gratuito, nenhuma irregularidade pois.

2. Deselegância é. A publicação das perguntas, sem ciência prévia dos perguntadores, é certamente prova de desapreço a jornais e jornalistas. Não propriamente pela utilização dessas perguntas, no blog, algo mesmo natural. Mas por não haver ciência prévia, nessa primeira utilização. Bastaria que a Petrobrás avisasse, antes – “olha, daqui a 2 dias o blog estará no ar”, coisa assim, e nenhum problema haveria.

3. Os jornais dizem que “o blog quebrou a confidencialidade de perguntas enviadas” à empresa. Quando nenhuma confidencialidade há, ou deveria haver, nesse tema. Essa confidencialidade, em países culturalmente maduros, protegem apenas a privacidade ou interesses coletivos – saúde, segurança pública, relação com países estrangeiros, fronteiras. Sem que se perceba como perguntar quantos funcionários trabalham, em um setor da empresa, possa ser confidencial. Ao contrário, essas perguntas deveriam ser berradas, aos ventos, para que todos as pudessem ouvir – se isso fosse possível, claro.

4. A ANJ diz ser “prática contrária os princípios universais da liberdade de imprensa”. Sem que se possa ver como, publicizar uma pergunta, possa ser algo contrário a qualquer liberdade. O que ofende o direito de informar é a censura, senhores. A romântica (se é que uma censura pode ser mesmo romântica) , no tempo de sargentos nas redações, com suas tesouras; a econômica, de governos e anunciantes, com seus interesses (nem sempre meritórios); a política, protegendo parte de nossas elites; a “musa da autocensura”, como a ela se referia George Steiner.

Assentado isso, de que é boa prática para a democracia, cabe agora perguntar se é também boa para a Petrobrás. E a resposta, aqui também, é sim. Dá respeitabilidade à empresa. Mostra que, do alto de seu poder econômico, se preocupa em prestar contas ao público. Porem …

Há sempre um porém, à margem das melhores intenções. “Mas há sempre uma candeia / Dentro da própria desgraça”, dizia Manoel Alegre contra Salazar. E esse porém, no caso, é: a Petrobras faz isso para ser respeitada?; ou tudo é só estratégia de marketing, às vésperas de uma CPI? Não há respostas prontas, para isso. E vale, nesse caso, testar; sendo, aos jornalistas que hoje reclamam, os melhores testadores.

Podem perguntar, por exemplo, quais são os diretores da Petrobrás e de suas subsidiárias? Quantos são os quadros técnicos da empresa, que hoje ocupem esses cargos de direção? Quais os funcionários que, sem ser diretores, dirigem licitações? Quais partidos indicaram esses senhores e senhoras? Qual o montante, em reais, de licitações a cargo de cada um deles? Quantos desses contratos foram firmados com dispensa de licitações? Isso, ou o que mais quiserem perguntar.

E assim se resolve a questão; que, das duas, uma. Ou a Petrobrás responde, e merece (continua a merecer) nosso respeito; ou a Petrobras não responde, ou responde só o que lhe interessar, e então esse blog é só perfumaria. Tornados então, sem efeito, todos os elogios antes à empresa aqui destinados. O futuro dirá.

José Paulo Cavalcanti Filho. 61, advogado no Recife, jp@jpc.com.br

09/06/2009 - 19:05h Petrobras e jornais: uma opinião ponderada

Do Observatório da imprensa

BLOG DA PETROBRAS

Quando a fonte abre o jogo

Por Claudio Weber Abramo em 9/6/2009

blog do autor, 9/6/2009; título original “O blog da Petrobras”

Anda causando celeuma a decisão de Petrobras de publicar, num blog (”Fatos e Dados“), as perguntas que lhe são formuladas por escrito pela imprensa, bem como as respostas dadas. A justificativa que a Petrobras apresenta para a iniciativa está publicada aqui.

Destacam-se os seguintes pontos:

** A relação entre a Petrobras e os veículos de comunicação que a interpelam é essencialmente pública.

** A publicação das respostas no blog, antes da decisão editorial de o jornal publicar ou não a reportagem em questão, reforça o objetivo da Petrobras de alcançar o máximo de transparência possível no relacionamento com seus públicos de interesse.

** A agilidade no tratamento e no encaminhamento das respostas ao sempre legítimo questionamento da imprensa demonstra também o compromisso da Cia em prestar todos os esclarecimentos a ela solicitados.

** A Petrobras tem liberdade para publicar a íntegra das respostas que fornece aos veículos de comunicação porque é fonte e detentora dos dados disponibilizados.

Os jornais não gostaram. A Associação Nacional dos Jornais, que reúne as empresas proprietárias desses órgãos, soltou uma nota na segunda-feira (8/6) em que afirma:

“Numa canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas, a empresa criou um blog no qual divulga as perguntas enviadas à sua assessoria de imprensa pelos jornalistas antes mesmo de publicadas as matérias às quais se referem, numa inaceitável quebra da confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas fontes.”

Sem intermediação

A atitude da Petrobras estimula uma porção de observações.

1. Não há problemas com as justificativas da Petrobras.

2. Não procede a reclamação da ANJ, de que a Petrobras teria rompido algum compromisso de confidencialidade entre a fonte e o veículo de imprensa. Esse compromisso nunca existiu. O que existe é o princípio de resguardo da fonte por parte de jornalistas. Não existe dever subjetivo da fonte de resguardar o jornalista. As fontes não estão presas à confidencialidade que a ANJ menciona.

3. Qualquer pessoa que já tenha sido fonte da imprensa sabe que entre o que se informa (por declaração, por escrito ou num relatório formal) a um jornalista e aquilo que sai publicado vai uma distância. Quando o repórter é um profissional correto, e quando o veículo em que trabalha também é, essa distância é geralmente pouco relevante. No entanto, em particular na imprensa escrita e nos noticiários da televisão, o processo de edição, em que se corta muito do que a fonte informou, pode levar a citações fora de contexto ou incompletas. (Já quando jornalista e/ou veículo são desonestos, o que sai publicado é qualquer coisa.) Assim, de modo a resguardar aquilo que se informou à imprensa, a iniciativa de publicar perguntas e respostas pode contribuir para a melhoria das práticas profissionais da área.

4. Na prática, o que a Petrobras passou a fazer tem consequências sobre a capacidade de órgãos da imprensa “furar” seus concorrentes. Se a Petrobras publica as perguntas formuladas por um jornal assim que envia as respostas, bastará ao jornal concorrente consultar sistematicamente o blog da Petrobras para não ser “furado”. Isso tende a uniformizar o noticiário e a reduzir o estímulo para que os veículos busquem levantar assuntos inéditos. Quem perde com isso é o leitor.

5. Ao tomar a iniciativa que tomou, a Petrobras não disse o que fará em relação às informações que passa com exclusividade a jornalistas por sua própria iniciativa. O princípio deveria ser o mesmo – se a ideia é comunicar-se com o público sem a intermediação dos veículos de comunicação, então essas notícias “plantadas” precisariam também ser divulgadas no blog da Petrobras assim que formuladas por sua assessoria de imprensa.

Pela qualidade

6. De toda forma, ficará fácil verificar se a empresa procurará resguardar essas informações que distribui com exclusividade, pois se algo for publicado em algum veículo e a notícia disso não for divulgada previamente pela Petrobras, estará configurado o uso de dois pesos e duas medidas.

7. Em particular, é bom ver o que acontecerá com as informações prestadas pela Petrobras a veículos e agências noticiosas internacionais. Será mesmo que a empresa vai “furar” a Reuters, a Associated Press, o Financial Times, a Economist? Não é de se crer.

8. Embora pareça claro que a iniciativa da Petrobras vem como reação à CPI montada para investigar as suas operações, a tensão criada com os jornais não deverá persistir, pois não interessa à própria Petrobras. Por mais que a política de comunicação do governo federal tenha se voltado preferencialmente aos pequenos veículos locais e regionais, a Petrobras não pode prescindir da chamada “grande imprensa”, porque os investidores do mercado não lêem o Democrata de Xixirica da Serra, mas o Globo, o Estadão, a Folha, o Valor.

9. Por isso, é provável que a empresa recue da decisão de divulgar as perguntas e as respostas antes que os veículos publiquem as reportagens correspondentes.

10. Contudo, em favor da melhoria da qualidade da imprensa, a Petrobras deveria continuar a fazê-lo após os veículos terem publicado as suas histórias.

09/06/2009 - 18:15h Os jornais em polvorosa

Jornais reagiram com espirito de corpo, perante a decisão da Petrobras de criar um blog como canal direto de informação para enfrentar a CPI. Todos condenaram a iniciativa, particularmente quando a Petrobras reproduziu na integra as perguntas e suas respostas aos questionamentos dos jornalistas.

Os argumentos são diversos e não cabe maniqueismo no tratamento deste debate.

Sergio Lirio, redator em chefe da revista Carta Capital, considera a decisão da Petrobras deselegante e intimidatória, porem constata:

“Sabemos que durante CPIs a imprensa costuma fazer o contrário do que deveria: torna-se menos e não mais criteriosa e vigilante na seleção e divulgação dos fatos, sob a desculpa das pressões da competição pelo furo, além de frequentemente se deixar usar por interesses particulares ou eleitorais travestidos de interesse público.

Outro comportamento bastante comum da mídia nesses momentos é ignorar com mais frequência seus erros e não conceder a um indivíduo ou empresa atingidos o devido espaço de retratação.

Misturados à manada que alegremente pisoteia o bom senso, as regras básicas da profissão e a autonomia do pensamento (que deveria nortear um jornalista do raiar do dia ao fim da jornada diária), repórteres, editores e veículos sentem-se mais confortáveis para cometer aleivosias e assassinatos de reputação ou para reproduzir erros alheios sem se dar ao trabalho da checagem.

Quem já foi injustamente alvejado por CPIs sabe bem o que isso representa. No caso de uma companhia com ações nas Bolsas de Valores, milhões de dólares em contratos e sentada sobre reservas espetaculares de gás e petróleo, os prejuízos podem ser incalculáveis e irreversíveis.” (artigo de Sergio Lirio no Blog de Noblat).

Precisamente, e não só pela experiencia anterior fielmente retratada por Sergio Lirio, mas na base do que começou a ser publicado em certos jornais desde a instalação da CPI do PSDB, os “prejuízos incalculáveis e irreversíveis” na imagem da Petrobras começaram. Em parte, provocados pela sonegação de informações devidamente fornecidas, quando não pela manipulação pura e simples. Uma manchete insinuava irregularidade em supostos contratos sem licitação, sendo que a lei autorizara desde bem antes do governo atual à empresa a dispensar dos mesmos. Outra manchete insinuava irregularidade na participação do presidente da Petrobras no conselho de uma ONG da qual participam as principais empresas do país. Hoje mesmo, a afirmação que 1.050 jornalistas eram contratados pela Petrobras, foi desmentida e deu lugar a um pequeno “erramos”.

Existindo o precedente indicado com claridade e objetividade pelo redator em chefe da Carta Capital e constatada a pratica recorrente em relação à Petrobras, qual é a melhor resposta? Não é a que poe todo mundo perante suas responsabilidades de forma transparente aos olhos do público?

Se intimidação existe é a dos que se arrogam o monopólio da representação da opinião pública em matéria de informação e que utilizando a liberdade de escolher como bem entendem, do que a Petrobras responde aos seus questionamentos, procuram acuar a empresa por conta de uma iniciativa político eleitoral da oposição.

Persiste, é verdade, a questão do trabalho do jornalista que procurando ouvir o “outro lado” vê suas informações divulgadas antes da sua publicação no seu próprio veículo e librada assim aos seus concorrentes. A argumentação foi utilizado com razão por Sergio Leo, Kennedy Alencar e outros jornalistas e merece ser levada em conta.

Luis Nassif responde a estes argumentos assim:

“Fica claro também que a publicação das respostas se destina às pautas onde haja evidências fortes de risco de manipulação.

Além disso, a publicação das respostas no Blog da Petrobras funciona como um certificado de cartório. Significa que aquele tema, com aquelas respostas, têm dono. Se algum jornal ou jornalista ousar se apropriar de pautas de terceiros, será crucificado pela opinião pública e pelos próprios colegas.

Finalmente, o questionamento posterior da Petrobras às matérias obrigará inevitavelmente a um aprimoramento da cobertura. Aí, a discussão fica técnica. Se um jornal tratar adequadamente a informação, e o Blog da Petrobras ousar questioná-lo com falsas questões, corre o risco de se desmoralizar. Se os questionamentos forem pertinentes, quem se desmoraliza é o jornalista e o jornal.

Qual a resultante desse embate? Aprimoramento do jornalismo e da qualidade da informação, o que levará os jornais – muito mais por necessidade que por princípio – a melhorarem o jornalismo que praticam e a empresa a melhorar o grau de transparência das suas informações, à medida que esse modelo a amarrará ao compromisso de não deixar perguntas sem respostas.

Hoje em dia, não há transparência na forma como são tratadas as notícias, especialmente aquelas com viés partidário. O jornalista detém uma informação e se julga no direito de dar o tratamento que bem entender, o enfoque que desejar, selecionar as informações que melhor se adequem à sua tese. A possibilidade do leitor ter acesso a todas as informações fornecidas é um ganho excepcional no direito constitucional de ser bem informado.”

A iniciativa do blog da Petrobras abriu um debate mais que necessário e isto já é um mérito da Petrobras.

Em resposta ao posicionamento de Kennedy Alencar na Folha online os primeiros três comentários de leitores são:

marcus eneas (2) 09/06/2009 17h34

“A imprensa está cheio de estúpidos? Está.” Está escrevendo na frente de um espelho? A transparência da Internet é para todos!

Antonio Passos (35) 09/06/2009 17h30

ESTARRECEDORA a reação da imprensa em relação ao blog da Petrobrás. Uma postura digna de um CENSOR do tempo da ditadura. A Petrobrás comete o “sacrilégio” de revelar as perguntas que lhe são feitas com suas respectivas respostas. É INACREDITÁVEL o ponto em que chegou a PREPOTÊNCIA da nossa mídia. A liberdade para perguntar não lhe basta, ela quer também o poder de “CONTROLAR” as respostas. Tipo: “eu te pergunto e você responde na hora e do jeito que eu quiser, e não diz que fui eu quem perguntou”. É hilariante ! Não podemos deixar de lembrar o episódio em que os laptops dos juízes do STF foram GRAVADOS de forma sorrateira e o conteúdo PRIVADO dos seus emails foi revelado nas primeiras páginas dos jornais, sob a alegação de que “a sessão era pública”. ISTO PODE ! Como se o fato da sessão ser pública, permitisse inclusive enfiar a mão nos bolsos dos juízes para ver o que tem lá dentro.

Andrea Costa (2) 09/06/2009 17h23

Prezado Kennedy, tem certeza de que a burra da história é a Petrobrás?! Ciente do jogo sujo que é uma CPI e sua cobertura, a Petrobrás, brilhantemente, antecipou-se para preservar um de seus maiores patrimônios: sua credibilidade. Qualidade que falta à grande imprensa brasileira. Por isso essa celeuma toda. A FSP, com todos os esses ataques ao blog, escancara seu despero em ter suas manipulações desmascaradas. Mas já que a estratégia da Petrobrás é burra, pq se preocupar com ela?

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Internet é isso e a discussão horizontal e multiforme enriquece a democracia. Ganham a liberdade de imprensa e os cidadão brasileiros. LF

19/02/2009 - 17:49h Tarso desmente jornal e diz que apoio de Lula à candidatura de Dilma é “vantagem”

Tarso Genro ontem em Madrid.- Foto Luis Sevillano
Tarso Genro, ministro de Justicia de Brasil, ayer en Madrid

da Folha Online

O ministro da Justiça (Tarso Genro) desmentiu trecho da entrevista publicada pelo jornal “El País” nesta quinta-feira. Em nota, o ministro negou que tivesse afirmado que o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fosse um obstáculo para a sua candidatura.

Em nota, o ministro disse que a palavra “vantagem” foi entendida equivocadamente pelo jornalista como “obstáculo”.

“Em entrevista ao jornalista Javier Lafuente declarei que o apoio do presidente Lula à ministra Dilma Rousseff seria a maior ‘vantagem’ que alguém poderia ter numa campanha presidencial. Utilizei a palavra ‘handcap’, que no Brasil tem uma conotação positiva. No entanto, ela foi interpretada por Lafuente como ‘obstáculo’ –um sentido completamente oposto ao que me referi”, diz o ministro em nota enviada ao “El País” e distribuída para a imprensa brasileira.

De acordo com o “El País”, Tarso disse que a ministra chefe da Casa Civil “é uma boa candidata, tem boa capacidade de gestão, mas, sobretudo, tem o maior obstáculo que algum candidato à Presidência pode ter: o apoio de Lula”.

O jornal diz que parece uma “incongruência que ter o respaldo do líder mais carismático da América Latina seja contraproducente”.

O ministro da Justiça solicitou a correção do equívoco por meio de carta ao jornal. “Uma vez que se trata de um dos principais jornais do mundo, a matéria publicada no ‘El País’ teve imediata repercussão na imprensa brasileira. Gostaria, por gentileza, que o equívoco fosse desfeito de alguma forma”, diz a nota de Tarso.

17/02/2009 - 10:25h Todo organismo vivo produz seus excrementos

Josias de Souza, da Folha de São Paulo

josias.jpg

A infâmia de Josias de Souza no seu blog, na Folha Online, provocou uma legitima onda de indignação na blogosfera. Vários leitores deste blog manifestaram sua reprovação.

Luiz Nassif o definiu assim:

A escola do esgoto

Do Blog do Josias

Ou, as prévias do que será o jornalismo em 2010.”

No seu Blog, Cidadania.com, Eduardo Guimarães exclamou sua indignação (ver embaixo a nota “Um filho de chocadeira”).

A Folha por enquanto não se manifestou, mas duvido que na sua redação a reprovação da abjeção não seja unanime. É que uma coisa é a divergência política, muitas vezes impregnada de má fé, e outra é a manifestação do esgoto machista e revulsivo.

Muitas vezes se pondera que internet permite esse tipo de imundícia, pois não existe mecanismos de controle ou de preservação da ética. Mas é da natureza que todo organismo vivo, -e internet é um instrumento de intensa vida e de conhecimento- produza seus excrementos.

Com a particularidade que não basta apertar a descarga para sumir com os dejetos.

Na internet não tem privada, mas alguns “jornalistas” transformam seus blogs em um sucedâneo.

Eles expõem assim sua alma.

Luis Favre

Cidadania.com

Denúncia

Um filho de chocadeira

 

 

 

 

Sou casado e tenho quatro filhos, sendo três mulheres. Tenho também uma neta. Além disso, tenho mãe, o que não parece ser o caso desse infeliz desse blog abjeto que aparece na imagem acima, desse empregadinho da mídia golpista, desse sujeitinho à-toa que acha que a escolha dessa manchete para uma matéria relativa a foto mostrando a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a ex-prefeita Marta Suplicy, é coisa de homem. Eu não acho. Como filho, esposo, pai e avô, tenho, ao todo, seis bons motivos para não descer a esse ponto na guerra política, ao ponto a que desceu esse degenerado sem mãe.

Eduardo Guimarães

21/01/2009 - 20:17h A dura vida dos “Paparazzi”

© Foto de Elio Sorci. O ator Walter Chiari briga com o fotógrafo Tazio Secchiaroli. Roma, 1958.

© Getty Images. Rino Barillari, o “rei dos Paparazzi” é agredido pelo ator Mickey Hargitay, na Via Veneto, Itália, 1962.
© Getty Images. Atriz Sonja Romanoff enfia o sorvete na cara de Rino Barillari, 1963.

© Foto de Paul Schmulbach. Marlon Brando é seguido pelo fotógrafo Ron Galella, que usava um capacete contra agressões em Nova Iorque, 1974.

© Foto de Ron Galella. Sean Penn dá um soco em fotógrafo. 1986.

© Golf/Inf. O ator Hugh Grant agride fotógrafo na frente da sua casa em Londres, 2007.

Paparazzo (no plural paparazzi) é uma palavra da língua italiana utilizada para designar os repórteres que fotografam pessoas famosas sem autorização, expondo em público as atividades que eles fazem em seu cotidiano. A inspiração para o nome veio do cinema. No filme La dolce vita (1960), de Federico Fellini, o jornalista Marcello Rubini (interpretado por Marcello Mastroiani, era acompanhado pelo fotógrafo Signore Paparazzo (Walter Santesso). Fellini teria escolhido o nome do fotógrafo a partir do nome de um grande mosquito siciliano, denominado “paparaceo”. O Images&Visions selecionou algumas imagens que retratam as agressões sofridas pelos paparazzi.

Fonte Images & Visons

21/01/2009 - 19:25h Os Doutores do Pessimismo

MARCELO COELHO – FOLHA SP


Será chamado de ingênuo aquele que quiser algo melhor do que o mundo em que vive


NÃO É PRECISO ser um grande gênio para constatar que vivemos num mundo bárbaro.
Que o ser humano é capaz das maiores atrocidades. Que a vida é feita de competição, inveja, egoísmo e crueldade.
Ninguém precisa ter vivido num campo de prisioneiros na Sibéria nem ter sido moleque de rua no Capão Redondo para saber disso. Mas virou moda entre muitos intelectuais e jornalistas anunciar uma espécie de “visão trágica” do mundo, como se se tratasse da mais surpreendente novidade.
Com certeza, há nisso uma reação saudável contra o excesso de otimismo. Durante o século 20, grande parte da esquerda não quis ver as barbaridades cometidas por Stálin e Mao porque, em última instância, “tudo iria dar certo”. Belas esperanças tornaram-se pretexto para atos de horror. Nada mais correto do que denunciar o horror.
O que me parece estranho é que, mais do que denunciar o horror, esses pensadores trágicos e jornalistas sombrios gostam de destruir as esperanças.
O reconhecimento do Mal, a crítica à violência da esquerda, a percepção de que ninguém é “bonzinho” e de que a realidade é uma coisa dura e feia vão se transformando em algo próximo do fascínio.
E, com diferentes níveis de elaboração e de cortesia pessoal, esses autores tendem a fazer do fascínio uma estratégia de choque.
Quanto mais chocarem o pensamento corrente (que considera ruim bombardear crianças e bom defender a Amazônia, por exemplo) mais ganharão em originalidade, leitura e cartas de protesto. Parece existir uma competição nas páginas dos jornais e na internet para ver quem conseguirá ser o mais “durão”, o mais “realista”, o mais desencantado.
Há diferenças notáveis de atitude e de opinião entre pessoas como Luiz Felipe Pondé, João Pereira Coutinho, Demétrio Magnolli ou Reinaldo Azevedo. Mas é um time e tanto, e minha experiência pessoal com a violência do ser humano, adquirida nos pátios de recreio do ginásio, é suficiente para não querer polemizar com alguns deles.
Não vou, portanto, individualizar as minhas críticas. Mas, de modo geral, os “durões” do mundo opinativo parecem correr um mesmo risco. A crítica às utopias do século 20 faz sentido, com certeza, mas termina funcionando para justificar muitos erros e abusos do presente -desde que sejam suficientemente “não-utópicos”. Será chamado de ingênuo ou nostálgico todo aquele que quiser algo melhor do que o mundo em que se vive.
Nem todos os “durões” de que falo abdicam desse “melhorismo”. Mas ai de quem tiver ideias um pouquinho mais à esquerda do que as deles -o que não é difícil.
Às vezes, a crítica ao stalinismo se compraz em tornar stalinista quem se afaste um milímetro das opiniões de quem a professa. Outras vezes, a crítica às velhas utopias tende a se transformar numa glorificação da realidade.
Curiosamente, então, aquilo que deveria ser ponto de partida se torna ponto de chegada. O mundo é horrível e a realidade é cruel. É um ingênuo quem quiser mudar essa situação. O horror e a crueldade fazem parte da paisagem. Melhor assim, quem sabe: nós, pelo menos, tiramos disso a satisfação de não sermos ingênuos.
Você está esperançoso com a vitória de Obama? Ouço um risinho: que otário. Mas fico feliz de nunca ter sido otário a respeito de Bush. Você se choca com as crianças mortas em Gaza? Ouço um risinho: os militares israelenses entendem mais do problema que você.
Você quer que se preservem as reservas indígenas da Amazônia? Mais um risinho: os militares brasileiros entendem mais do problema que você, que pensa ser bonzinho mas é tão malvado como todos nós.
Pois o ser humano é mau, desgraçado e infeliz, desde que foi expulso do Paraíso. Você não sabe disso?
O que sei é algumas pessoas foram expulsas do Paraíso para morar numa mansão em Beverly Hills, e outras para morar em Darfur. Todo o poder aos poderosos, toda realidade aos realistas, e todas as bombas para quem ficar no meio do caminho. Eis o resumo da atitude dos “durões”. Mas quem precisa de articulistas num mundo desses? Os militares dão conta do recado.

coelhofsp@uol.com.br

18/01/2009 - 14:39h “La capacidad de hacer el mal que tiene el periodista es devastadora”

REPORTAJE: MAESTROS DEL PERIODISMO Jean Daniel Fundador de ‘Le Nouvel Observateur’

JUAN CRUZ – El País

Jean Daniel tiene su estudio lleno de fotografías, y entre todas destaca las que guarda de su maestro, Albert Camus, que es para él no sólo un paisano (Argelia les une, la guerra de Argelia les dividió) sino una fuente constante de inspiración. Le acaba de dedicar un libro, Camus a contracorriente (Galaxia Gutenberg), que es al tiempo un homenaje al periodista e intelectual que fue premio Nobel de Literatura, sino que es también un libro de estilo para ejercer este oficio.

El periodista, Jean Daniel
“La fascinación del poder no debe hacer caer en la complacencia, la indulgencia y la corrupción”
“Puede ocurrir que los periódicos de hoy sean mañana suplementos de Internet”
“Hemos perdido los instrumentos de previsión. Obama es la confirmación total de ello”
“La filosofía de la transparencia, cuando se lleva al extremo, viola la vida privada”

En ese libro hay una imagen, de la que no hay fotos, en las que se ve a Camus entrando en una boîte, con sus colegas del periódico Combat, resistente contra la ocupación nazi de París; habían hecho un buen periódico ese día, Camus estaba exultante y al entrar a la sala de copas exclamó: “¡Vale la pena luchar por una profesión como esta!” Jean Daniel tiene una larga trayectoria como periodista, acaso el más influyente de Francia en algún momento, sobre todo como director y cabeza pensante de Le Nouvel Observateur, una revista elitista que él decidió convertir en un magazine de gran tirada sin disminuirle su ambición cultural.

En esa abigarrada colección de fotos que son las cuatro paredes de su estudio parisino hay alguna muesca de ese éxito, por ejemplo una información que le recuerda que en 1978 fue elegido el mejor periodista francés, el premio Príncipe de Asturias que le concedió la Fundación Príncipe de Asturias, y otras señales de su gran influencia, cerca, por ejemplo, del presidente Mitterrand. Es complicado escribir (en prensa) sobre los amigos políticos, pero en libros lo hace y lo hará, “porque ahí me puedo detener en detalles”.

Ya tiene 88 años, mantiene alertas todas sus facultades, escribe sus artículos (también para EL PAÍS), viaja, presenta libros, y está en permanente contacto con la revista. Y con la realidad. Detrás de su asiento está la portada del New York Times del último 5 de noviembre; en primera página, el gran periódico norteamericano le cita como un referente izquierdista europeo que ha glosado “la épica” gloriosa de Barack Obama, y él está feliz con ese recorte, que tiene enmarcado. Su aversión a las fotos, dicen, es una cuestión de coquetería de un galán que ya ha juntado demasiados años como para que no haya caído alguno sobre su rostro, pero Mordzinsky le sacó unos retratos a los que él accedió con su buen humor cansado. ¿Y aquella frase de Camus? ¿Vale la pena luchar por este oficio? De eso le preguntamos, pero antes hablamos de él, de cómo empezó.

Pregunta. Empezaré por una pregunta que usted le hizo a Albert Camus. ¿Cómo ha llegado usted a ser periodista?

Respuesta. Por casualidad. En mi generación los jóvenes con posibilidades de escribir no diferenciaban entre la filosofía, la literatura, el compromiso político y el periodismo; eran cuatro tentaciones. Los dioses de esta época, los maestros del pensamiento de estos jóvenes, eran americanos: Hemingway, Dos Passos, Steinbeck…; en Francia, Malraux, que hizo aquel reportaje sobre la guerra en Teruel… Era gente que lo hacía todo: el compromiso político, la literatura, la filosofía -no siempre-, y el periodismo. Así que cuando se es joven y se han cursado estudios de humanismo no es necesario hacer una elección entre los cuatro. Si se elige uno se eligen también los otros, no se sacrifica nada. Cuando empecé a escribir siempre fue con la idea de que si hacía un artículo podía hacer un libro. ¿Y qué lo decidió todo? En primer lugar, encontrar a Camus.

P. Un encuentro trascendental.

R. Yo era muy, muy joven, y fue una suerte encontrar a Camus; yo hacía una revista, Caliban, y él me quiso conocer. Otra de las causas de nuestro encuentro fue la guerra de Argelia… Si no hubiera existido esa guerra, que fue tan importante para Francia, para el mundo árabe y para el mundo en general, no hubiera escrito sobre Argelia, probablemente, y quizá no hubiera tenido con él una relación tan intensa… Y desde que me hice periodista nunca he dejado de estar poseído por la necesidad de los libros. He escrito unos veinticuatro libros, y eso distribuye mis anhelos. Pero ha sido muy difícil hacerlos siendo director de periódico. Ser director de periódico no es lo mismo que ser periodista, en absoluto. A menudo es incluso peor. Está la presión de tener a jóvenes a tu lado; hay que animarles, hay que crear con ellos, la gente te concede poderes.

P. ¿Y qué papel le gusta más, periodista o director?

R. No tienen nada que ver. Siempre me han gustado mucho los grandes reportajes. Los reportajes míos que han tenido más éxito son como pequeñas novelas. Sin quererlo, salieron espontáneamente. Me gustaba descubrir un país, interesarme por unos hombres, unas situaciones… Elegía países donde habían vivido hombres que admiraba. Ese fue un gran momento. La dirección me ha apasionado porque tenía la ambición, quizá pretenciosa, de crear otra cosa, no hacer lo mismo que los demás. Siempre se quiere hacer algo diferente, y yo quería crear periodismo cultural. En este sentido la dirección me interesaba. Pero, ¿cuál es el problema? El periodismo es un equilibrio entre la imagen y la rentabilidad del periódico. Un periódico cultural no es para el público en general. Me he rodeado de las personas más competentes y he tenido uno de los mejores equipos de Europa. Y todos han destacado; algunos están en la Academia francesa, otros en la de Bellas Artes, todos han conseguido algo, y el periódico ha destacado sin romper su imagen ni su rentabilidad. De ese equilibrio estoy orgulloso.

P. Se interesa por las personas. Y por el poder. ¿Cómo debe ser la relación del periodista con el poder?

R. El poder fascina. Fascina a los periodistas muy a menudo porque si tienen el gusto por la literatura quieren saber cómo se hace la historia… La historia: los pueblos la sufren, los dictadores (o los poderosos) la hacen, y los periodistas la contemplan para describirla. Los periodistas están entre el poder y la historia. Y han de saber cómo funciona el poder, con la condición de que la fascinación no caiga en la complacencia, la indulgencia y la corrupción… Con esas condiciones es muy interesante ver cómo funciona un hombre que detenta todos los poderes. En este momento hay que desconfiar de todo, hasta del más mínimo detalle. A mi siempre me invitaban, siempre, y tenía un método: o rechazaba la invitación o la aceptaba haciéndola notar. Una vez me invitó el Rey de Marruecos a un gran hotel de Marrakech, y me dijeron que sería ofensivo si pagaba yo la cuenta. Acepté la invitación e hice un donativo por ese importe para obras benéficas de la ciudad, e hice público el gesto… Es muy difícil juzgar con rigor y objetivamente a gente que tienes frente a ti. Tiene que haber una disciplina, sobre todo si estás muy interesado en esas personas; y debes cuidar en todo momento cada detalle.

A mi me han ofrecido de todo: una casa en México, en Túnez también querían ser muy amables conmigo… He tenido la tendencia a ser más crítico cuanto mejor me recibían. Pero la relación del poder con la prensa es un problema en los dos sentidos. He conocido periodos en que había corrupción de los periodistas, pero he conocido periodos en los que existía acoso de los periodistas. Un hombre con poder es un hombre que esconde algo y hay que descubrirlo. Hay que descubrir el crimen. ¿Qué crimen? No se sabe, pero hay que descubrirlo. Es una actitud equivocada pensar que siempre hay un crimen. Existen los dos excesos, y ahora existe el exceso de la transparencia: no se sabe qué crimen hay pero hay que descubrirlo.

Es cierto que un dictador lo esconde todo, y nuestro papel es descubrir qué esconde. Pero se han pasado los límites: la filosofía de la transparencia, cuando se lleva hasta el extremo, por virtud o por vicio, llega hasta la violación de la vida privada. Y existe una intromisión nueva, la intrusión de la fotografía en la vida íntima… Cuando se traspasan los límites se llega a aberraciones. Mire lo que ha pasado ahora con Milan Kundera, el gran novelista checo, acusado de haber denunciado a un compañero… En aquel tiempo él tenía veinte años, ahora tiene setenta. No había pruebas. Los periodistas se fueron a Praga y no encontraron pruebas. Pero hubo un titular junto a una gran foto de Kundera: Kundera habría sido… Y con ese condicional, la enorme foto y el titular ya Kundera es… El texto en sí era honesto, pero el lector se fija tan solo en la imagen, y en la fuerza del condicional. El fin del periodismo es escribir, el texto. Pero en esa información existe sólo la fuerza de la imagen, la fuerza del título y la fuerza del condicional. Quizá el periodista fuera honesto, pero mire usted el resultado.

P. Es el principio de la calumnia.

R. Absolutamente, salvo que la calumnia ahora se apoya en las nuevas tecnologías.

P. En la dispersión de los rumores.

R. No es exactamente eso. Hace algunos años sí se producía la difusión del rumor, un término que arranca de Beaumarchais. Pero ahora lo nuevo es la presentación de las noticias. Enciendes la televisión y ves una cara. ¿Qué ha hecho? Y después de la cara alguien dice: “Ha sido acusado de …” Sin pruebas. No es sólo la difusión del rumor, es la fuerza que se da a la presentación del rumor.

P. Internet es un instrumento que difunde rápidamente todo lo que toca.

R. Sí, es una posibilidad de multiplicación del rumor.

P. ¿Cuál es su posición sobre el porvenir de la prensa a partir de la aparición de este poderoso instrumento?

R. ¡Si yo lo supiera! Saberlo es muy importante para mucha gente, también para los editores de periódicos. Es verdad que existe una crisis de la prensa; puede ocurrir que los periódicos de hoy sean suplementos de Internet. La realidad será Internet. Es una posibilidad. Con el libro no va a pasar lo mismo. Se ha demostrado que la gente quiere tener algo en las manos, un objeto como este. Hay algo de mágico en el libro, la forma, las páginas…

P. ¿Y qué aporta Internet al periodismo?

R. A los periodistas les aporta el gusto por la velocidad. La posibilidad de que cualquiera pueda contestar a cualquiera. El hecho de que todo el mundo pueda ser un periodista, y, en este caso, que los propios periodistas ya no crean en ellos mismos, porque se les cuestiona en todo momento. Se está produciendo un descrédito de la función del periodista.

P. Que se preparó para ser periodista.

R. Todo ese itinerario de preparación, que terminaba con un estatuto de prestigio y de autoridad del periodista, es destruido por la repentina aparición de alguien que ha encontrado una foto y la pone en Internet. Y esa foto puede destruir a alguien. Hay ventajas, no son para el periodista, pero hay ventajas. Es el sueño de la opinión pública, es verdad que se le abre una posibilidad infinita a la capacidad de expresarse. Pero lo que le decía con respecto al peligro que hay en esta situación supone una preocupación para mi.

P. Camus decía que el periodismo era la información crítica. Acaso la velocidad puede cambiar esa definición de periodismo.

R. No es forzosamente malo reaccionar ante las opiniones. Además, esa velocidad proporciona una impresión inmediata del sentir popular. Todo no es malo, no. Se puede saber de manera instantánea si lo que uno escribe suscita interés… Pero es cierto que todo el mundo tiene miedo. Y hay gente que explota ese miedo y piensan que Internet va a acabar con la prensa escrita, que cada vez va a haber más prensa gratuita, y que los periódicos serán suplementos de Internet. Yo no estoy capacitado para hacer una predicción. ¡Y además no soy un magnate de la prensa! Soy tan solo director de Redacción, y soy el único director de periódico que no tiene ni una acción de la compañía. ¿Se da cuenta de lo que esto supone?

P. Debe ser muy bueno para un periodista… Balzac decía que si la prensa no existiera había que procurar no inventarla…

R. ¡Lo decía porque ya existía, existió siempre! En el sentido moderno existe desde Gutenberg y desde la invención del correo. Pero antes de todo eso había personas que repetían las cosas, gente que distribuía gacetas, libelos…, existía la necesidad de repetir lo que pasaba. ¿Qué es el periodismo? Es decir a otro lo que uno sabe y el otro desconoce. Es tratar de saber algo incluso con riesgo de tu vida, como el corredor de Maratón que va a llevar la noticia de la victoria de los atenienses. ¿Hay porteros en España?

P. Sí, y hubo serenos.

R. Pues cuando un portero va a contarle a otro qué pasa en su casa, eso es el principio del periodismo.

P. En su libro sobre Albert Camus usted recoge cuatro pautas sobre las obligaciones de un periodista: “Reconocer el totalitarismo y denunciarlo. No mentir y saber confesar lo que se ignora. Negarse a dominar. Negarse siempre y eludiendo cualquier pretexto a toda clase de despotismo, incluso provisional”. ¿Cuáles son para usted las obligaciones de un periodista hoy?

R. La lista de Camus sigue vigente. ¿Qué hay que agregar a esa lista? Probablemente, la capacidad de conocer las nuevas trampas de la tecnología. Cuando Camus enumera esas obligaciones no existía aun la televisión. Y el reino de la imagen lo ha cambiado todo, incluso la forma de escribir. Imagine un novelista que escribe una novela y en cada párrafo alguien le dijera que su nivel de audiencia baja o sube. ¡Escribir en función de la reacción inmediata del lector! La gran innovación que ha incrementado los temores enunciados por Camus es la simultaneidad, la ubicuidad, el hecho de que cuando alguien habla faltan segundos para que lo sepa toda la Tierra. Es algo extraordinario.

P. Esa simultaneidad afecta también a la vida privada, otra de sus preocupaciones. Dice usted que la amenaza a la vida privada es el peor defecto del periodismo actual.

R. Somos muchos los que pensamos eso; hay mucha gente que piensa que la transparencia es algo muy importante, y que si la vida pública se ha mezclado con la vida privada el lector tiene derecho a conocer ésta. Es una postura, y no es la mía en absoluto. Pero hay gente de alto nivel que piensa eso. Piensan que si Berlusconi mezcla su vida pública con sus intereses privados tenemos derecho a conocer detalles de esos hechos. Hay gente que no es deshonesta que piensa eso. Y eso nos puede llevar muy lejos.

P. Por eso dice usted que el periodista tiene un poder injusto.

R. Naturalmente, muy a menudo es así. La capacidad de hacer el mal que tiene el periodista es devastadora. En un día o en una hora se puede deshacer una reputación, se puede transformar a alguien que tiene fama de ser honesto en un terrible malhechor. Es un poder terrible.

P. ¿Y cómo se puede limitar ese poder sin llegar a la censura?

R. Es una apreciación difícil que depende en primer lugar del director de Redacción, del redactor jefe, del jefe de departamento, de la forma como se concibe el periódico. Esto pasa de paredes para adentro, no hace falta una ley para eso.

P. Usted advierte, como Camus, contra la primicia: es mejor verificar que lanzarse con una noticia que está segura, no hace falta ser los primeros…

R. Es mejor ser el segundo pero verídico que el primero pero equivocado. Todo el mundo quiere ser el primero… En la época de Camus había un gran asunto, la violencia, y él quería ahondar más en eso, el asunto de las primicias estaba en segundo lugar… Hablé con él muchas veces de eso: cuándo acabará el Mal, cómo se da respuesta a la agresión, ¿se llega a imitar al enemigo? ¿Qué porvenir tendrá nuestra Causa si empleamos las mismas armas que nuestros enemigos? ¿Y el periodista, es honesto utilizando medios que considera inaceptables para otros? Ahora tenemos preguntas parecidas. ¿Qué hacemos con Irán? ¿Tenemos que hacer como Irán para ir contra Irán? La pregunta es si hoy estamos condenados a imitar los medios de los enemigos. Camus me interesó y me sigue interesando porque su gran preocupación tiene que ver con el modo que el periodismo tiene de enfrentarse al gran tema de nuestro tiempo, la violencia. Cada texto fundamental sobre el periodismo debería de ir acompañado por una filosofía de la violencia.

P. “Sueño con un periódico que destierre todo tipo de mentira, en el que la virtud fue, no obstante, divertida, y en donde se defendieran encarnizadamente tres principios: los de la Justicia, el Honor y la Felicidad”.

R. Muy de Camus… ¡El honor, tan castellano! No sé si hoy habría un periódico como ese que soñaba Camus. Él iba muy lejos, y era un puritano. Cortó una serie de reportajes porque estaba harto de que comiéramos del dolor de las mujeres. Un puritano. El mundo ha cambiado. El día en que el Times de Londres puso una foto en portada el mundo periodístico cambió radicalmente.

P. Usted dice que el periodismo consiste en vivir la historia mientras ésta se hace. ¿Cómo ve la historia haciéndose ahora?

R. Hemos perdido los instrumentos de previsión; eso es lo más novedoso. No hay ciencia económica, no hay conocimiento analítico financiero: se han equivocado todos. Desde hace diez años se han equivocado todos. Hemos perdido los instrumentos de previsión y nos faltan paradigmas. Estoy rodeado de jóvenes economistas, muy seductores y muy simpáticos, pero si los reúno no saco nada en claro. Primero, porque no están de acuerdo entre ellos y cuando están de acuerdo no saben qué va a pasar. Levi-Strauss me lo ha dicho y lo he escrito: la ciencia es importante, todo el mundo se alegra de ello, pero nada es verdadero porque el mundo se ha vuelto imprevisible. Eso decía.

R. ¿Incluso con Obama?

R. Sobre todo con Obama. ¿Quién había previsto a Obama? Es la confirmación total de lo anterior. La historia de Obama es increíble. Uno de mis mejores amigos es un gran economista americano. Le conozco desde hace treinta años, es un banquero. La semana pasado hablamos por teléfono y al cabo de un rato me dice: “No sé quién será el secretario de Estado; cualquiera, menos Hillary Clinton”. ¡Ese era el hombre en quien yo confiaba más desde hace décadas! Y al día siguiente llega la noticia del nombramiento de Hillary Clinton… Y él está allí, en ese mundo. Imprevisible.

P. Usted recuerda esa escena: Camus llega a una boîte, está feliz por la edición del último número de Combat y exclama: “¡Vale la pena luchar por una profesión como esta!” ¿Usted diría lo mismo hoy?

R. [Después de un largísimo silencio] Merece la pena. Sí, creo que merece la pena. He tardado en responderle porque me he vuelto muy preocupado y hasta un poco pesimista. Pero digamos que merece la pena luchar. Él decía: “Vale la pena”. Yo digo que merece la pena luchar.

12/12/2008 - 19:33h Executivos respondem à recessão com adultério

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Lucy Kellaway – Financial Times – VALOR

No último mês eu arrumei 247 homens. Um trabalho ligeiro em apenas quatro semanas, mas eu me esforcei bastante. Durante meu período sabático no “Financial Times”, eu mandei e-mails de forma obsessiva para estranhos em um site de adultério da internet, participando, assim, do que descobri ser a atividade recessiva mais quente da cidade.

Entre os meus novos namorados estão um ex-poderoso administrador de fundo de hedge, muitos banqueiros agora ociosos, alguns empresários, vários diretores de empresas, um músico conhecido, alguns advogados corporativos e um construtor bastante sexy.

http://www.investigacao-virtual.org/images/traicao_virtual.jpgDuvido que era isso que o “Financial Times” tinha em mente quando decidiu que seus jornalistas deveriam receber uma folga de quatro semanas a cada quatro anos trabalhados, para o auto-aperfeiçoamento. Também não era o que eu tinha em mente quando embarquei em meu período sabático: minha intenção era escrever um romance.

Então, quando entrei pela primeira vez no “Illicit Encounters” (”Encontros ilícitos”), o mais sofisticado dos sites extra-conjugais, foi para pesquisar o adultério na internet para o meu livro. Mas, meia hora após colocar meus detalhes no site (sob o pseudônimo de Sophie Scribe), consegui 20 namorados e, uma hora depois eu já estava fisgada. Quatro semanas mais tarde, saí de tudo aquilo me sentindo um pouco suja e mais que ligeiramente incomodada com a maneira como a vida real é muito mais excitante que o livro que estou escrevendo.

O “Illicit Encounters” é parecido com uma sauna em que 230.000 profissionais casados trocam olhares lascivos por entre uma névoa virtual em busca de alguém que possa ser o amante ideal.

Enquanto estive no site, percebi que os negócios pareciam particularmente velozes entre aqueles que afirmam trabalhar no setor financeiro. Várias e várias vezes fui abordada por homens usando nomes como “Alpha 123″, ou “Civilised”, ou “CityGent”, cada um contando a mesma história: sou um banqueiro bem sucedido, agora com tempo livre, em busca de emoções/amor/romance/sexo casual, etc.

Cheia de curiosidade, entrei em contato com os donos do site para saber o que estava acontecendo. Eles me disseram que, desde setembro, o número de registros de homens londrinos trabalhadores do setor financeiro aumentou quase 300%. Ao que parece, quanto mais frio o mercado de trabalho, mais quente o mercado de adultério.

Se os números me surpreenderam, os próprios homens me surpreenderam ainda mais. Aqueles com quem conversei não eram devassos, e também não pareciam vulgares. Com freqüência, estavam sendo adúlteros pela primeira vez e eram do tipo “banqueiro careca da porta ao lado”, em vez de mais sedutores.

http://buenoecostanze.adv.br/images/stories/Estatutos/adulterio.jpg

Para aqueles leitores que nunca tiveram uma experiência do tipo, talvez eu deva explicar como o site funciona. Para manter o sigilo, todos usam nomes falsos e os membros revelam suas fotografias apenas para os membros em que sentem confiança. Isso foi um problema delicado para mim, dada a alta densidade de leitores do “Financial Times” que sempre estavam online.

À menor espiadela em minha foto, vários deles fugiram apavorados dizendo: “Meu Deus, você é Lucy Kellaway?”. Além de encontrar pessoas que lêem o “Financial Times”, me deparei até mesmo com uma que já escreveu para o jornal. Isso me levou para uma nova área da etiqueta no ambiente de trabalho: qual é a maneira correta de se comportar quando você tromba com alguém que conhece em um site de adultério? Atrevo-me a dizer que isso acontece mais e mais. De fato, um resultado da minha infiltração de quatro semanas nas vidas dos adúlteros é que agora eu suspeito que todo homem tem uma vida dupla no “Illicit Encounters”.

Na semana passada, almocei com John Quelch, professor de marketing da Harvard Business School, e perguntei a ele o que ele achava que isso significa. Por quê tantos executivos experientes estão respondendo à recessão com o adultério?

Ele disse que, numa recessão, as pessoas querem ser abraçadas. Isso me pareceu uma explicação bem fraquinha. Certamente há maneiras mais fáceis de ganhar abraços do que colocar o casamento em risco. Abraçar uma criança, ou- se a pessoa estiver desesperada- até mesmo a esposa parece ser mais fácil e seguro.

Ele disse que é exatamente este o ponto: a atração despertada pelo risco. Os banqueiros estão sofrendo com um déficit de risco: suas vidas profissionais foram compulsoriamente limadas de risco e isso pode ser uma maneira de compensação, acrescentar risco às suas vidas privadas.

Se for verdade, dá para imaginar qual será o resultado macro. Se houvesse uma grande mudança na tomada de riscos, dos mercados financeiros para o mercado doméstico, isso significaria uma instabilidade doméstica em massa com o aumento das taxas de divórcio e assim por diante?

Os criadores do site gostam de afirmar que, ao fornecerem um mercado bem comportado para o adultério, eles na verdade estão criando estabilidade doméstica. Setenta por cento dos clientes do “Illicit Encounters” afirmam ter atração pelo adultério como uma alternativa ao divórcio, e não como precursor dele. Pode não ser engraçado de todo, mas parece ser um pouco cedo para tirar qualquer conclusão de uma maneira ou de outra.

Entretanto, não é cedo demais para tirar três outras conclusões depois que passei um mês entrando no site. A primeira é que as pessoas que ainda estão no trabalho parecem ter muito tempo livre das 9h às 17h. A segunda é que todo mundo mente: eles diminuem a idade e aumentam sua atração, a freqüência com que vão à academia de ginástica, o bom humor e assim por diante.

A última lição é uma que já conhecemos: mais homens estão interessados em adultério do que mulheres. O site tenta corrigir isso com preços diferenciados, cobrando 119 libras dos homens por mês, enquanto as mulheres podem entrar de graça. Mesmo assim, o desequilíbrio persiste e agora sei que os meus 247 pretendentes podem não ter se rendido totalmente ao meu charme. Eu comentei sobre o site com uma amiga e ela se registrou. O número de namorados que ela conseguiu depois de apenas uma semana: 295.

Lucy Kellaway é colunista do “Financial Times”. Sua coluna é publicada quinzenalmente na editoria de Carreiras

10/12/2008 - 15:28h Correio Braziliense ganha Prêmio Esso

Jornal recebe a mais importante premiação da imprensa brasileira na categoria reportagem, com caderno especial sobre brincadeiras de criança que refletem a realidade de três violentas favelas cariocas

Da Redação

Andre Luiz Mello/Agência O Dia

José Varella e Ana Beatriz Magno passaram 21 dias no Rio de Janeiro para elaborar o caderno Os Brinquedos dos anjos: conseqüências dos conflitos na vida de meninos e meninas

O Correio Braziliense venceu uma das principais categorias do Prêmio Esso de Jornalismo 2008, considerado o mais importante da imprensa brasileira.

O caderno especial “Os brinquedos dos anjos” concorreu com trabalhos de todo o país e levou o Prêmio Esso de Reportagem. O resultado foi divulgado na noite de ontem no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Esta é a 15ª vez que o Correio é condecorado na cerimônia.Para fazer o suplemento premiado, a jornalista Ana Beatriz Magno e o fotojornalista José Varella passaram 21 dias em três favelas do Rio de Janeiro — Complexo do Alemão, Vila Cruzeiro e Chapéu Mangueira — e acompanharam a rotina de crianças. Os textos e as fotos da dupla mostram os reflexos da violência nas brincadeiras de meninos e meninas.

A reportagem mostrou cocaína de faz-de-conta, arsenal pesado e boca-de-fumo de mentirinha. “Cobrimos conseqüências e complicações dos conflitos na vida das crianças. Tivemos um momento delicado no Chapéu Mangueira, quando crianças de 7, 8, 9 anos montaram uma banca de tráfico para brincar”, contou Varella.

O jornal Folha de S. Paulo levou o maior prêmio da noite com o trabalho “Universal chega aos 30 anos com império empresarial”, da jornalista Elvira Lobato.Ao todo, foram 38 finalistas selecionados de um total de 1.182 trabalhos, sendo 533 reportagens, séries ou artigos; 174 fotografias; 188 trabalhos de criação gráfica em jornal e 92 em revista; 103 primeiras páginas de jornal; além de 88 trabalhos em telejornalismo e quatro inscrições para o Prêmio de Melhor Contribuição à Imprensa.

O material foi avaliado por 25 profissionais da área, representantes dos principais veículos jornalísticos do país. “O prêmio Esso de Reportagem é o reconhecimento do jornalismo de excelência praticado no Correio. Confere mérito e credibilidade ao empenho do jornal em retratar, com precisão e sensibilidade, a sociedade brasileira, seja nas altas esferas do poder ou no cotidiano das favelas”, afirmou o diretor de Redação Josemar Gimenez.

Finalistas

O Correio esteve entre os finalistas de outras três categorias. A equipe de Economia do jornal, sob o comando do editor Raul Pilati, concorreu na modalidade Informação Econômica, com a já consagrada série “Quando o Brasil cresce…”, campeã do Prêmio de Imprensa Embratel, em outubro.

Quando a série finalista de Economia foi concebida, a idéia era antever o resultado do crescimento econômico experimentado pelo país em 2006 e 2007, além de mostrar o impacto desse resultado na vida do brasileiro.

Pelo quarto ano consecutivo, o jornal também disputou na categoria Primeira Página, com o trabalho “Como fica Cuba sem Fidel”. A silhueta branca do estadista que ilustrou a capa do Correio é uma criação conjunta de João Bosco Adelino de Almeida, Leni Reis, Carlos Alexandre, Ana Dubeux, Carlos Marcelo Carvalho, Luis Tajes e Plácido Fernandes.

Em 2005, o Correio venceu o Esso de Primeira Página com o trabalho “Mais quatro anos…”, referente à reeleição de George W. Bush como presidente dos Estados Unidos.

A multiplicidade de Bob Dylan, retratada no filme Não estou lá, trouxe à capa do Caderno C de 1º de abril uma imagem misteriosa do astro pop. Na ilustração de Kacio Pinheiro, o lendário cantor e compositor aparece com óculos escuros e jeito de quem está à espreita. A diagramação de Laerte Filgueiras, com texto sobre o desenho, completa o trabalho “O homem que não estava lá”, que concorreu na categoria Criação Gráfica.

Reconhecimento

Os jornal recebeu outros prêmios neste ano. Em junho, a jornalista Paloma Oliveto, da equipe de Brasil, venceu a 9ª edição do Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, na categoria Jornal. Autora da série de cinco reportagens “O ABC do atraso”, publicada pelo Correio Braziliense no fim de setembro do ano passado, Paloma recebeu o prêmio em São Paulo. A série contou com a colaboração da jornalista Mariana Flores e do fotógrafo Ronaldo de Oliveira, do Correio, e do jornalista Luiz Ribeiro, do Estado de Minas. “O Ayrton Senna representa o maior reconhecimento para quem cobre a área de educação. Fico ainda mais feliz porque o prêmio foi concedido a uma matéria que trata de um problema tão grave quanto a evasão escolar”, afirmou Paloma.

Com um caderno especial sobre informática na escola, a jornalista Rovênia Amorim, outra vencedora do Prêmio Embratel deste ano, percorreu 13 cidades do Distrito Federal para mostrar, através das lentes da câmera fotográfica de Daniel Ferreira, como estava o uso de computadores nas escolas públicas do DF.

Vitórias para Estado de Minas e Diario de Pernambuco  

Arquivo/DP – Arquivo/EM

O periódico pernambucano venceu na categoria Regional 1O maior jornal de Minas Gerais levou o Prêmio Esso Regional 2

Andre Luiz Mello/Agência O Dia

Alana Rizzo, do Estado de Minas: denúncias de corrupção na saúdeOutros dois veículos do grupo Diários Associados foram homenageados na entrega do Esso. A versão em braile do jornal Diario de Pernambuco — destinada a deficientes visuais — ganhou o diploma Melhor Contribuição à Imprensa em 2008. O projeto “Diário em braile” permitiu o acesso dos cegos ao conteúdo impresso. O veículo também garantiu o prêmio Regional 1 com o caderno especial “Hanseníase”, realizado por Silvia Bessa e Marcionila Teixeira. A dupla percorreu 8 mil quilômetros pelo Nordeste para conhecer as histórias de quem sofre ou já sofreu da doença. “Quisemos não só mostrar a situação, que é um pouco escondida debaixo do tapete, mas denunciar que se trata de um grave problema de saúde pública. A hanseníase é forte entre crianças e adolescentes, o que indica que a doença está viva”, destacou Sílvia.

A equipe do Estado de Minas saiu-se vencedora na categoria Regional 2 com a série de matérias “Sangria na Saúde”, publicada durante sete dias em agosto. Alana Rizzo, Maria Clara Prates, Thiago Herdy e colaboradores analisaram relatórios da Controladoria-Geral da União envolvendo aplicações de verba pública na saúde. Eles visitaram municípios de todas as regiões do país para identificar as principais falhas no uso desses recursos. Foram dois meses de trabalho. “Apostamos nisso e tínhamos um fio condutor nessa história, a informação era forte. O dinheiro da saúde estava sendo mais jogado fora do que aplicado em prol da população”, afirmou Maria Clara Prates.

30/11/2008 - 13:17h Os donos da história

+Sociedade


Três livros lançados no reino unido discutem as vantagens e os limites dos avanços tecnológicos para o futuro do jornalismo Os blogs e a web marcam um retorno ao jornalismo dos séculos 17 e 18

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 JOHN LLOYD – FOLHA SP – Caderno Mais

Os últimos 150 anos foram a era do jornalismo heróico, um período em que os jornalistas desenvolveram sua auto-imagem como responsáveis por corrigir os males da sociedade.

O período produziu testemunhas do horror, tais como William Howard Russell, do “The Times”, cujos artigos sobre a Guerra da Criméia ajudaram a destruir um governo e a modernizar o Exército britânico.

Houve jornalistas como o escritor francês Émile Zola, que colocaram sua pena a serviço da indignação, diante das falsas acusações movidas contra o capitão Alfred Dreyfus.

Já o jornalismo de denúncia ao estilo norte-americano gerou talentos como o de Ida Tarbell, que expôs as práticas da Standard Oil no começo do século 20 -período em que era difícil ver mulheres ocupando posições no jornalismo fora das páginas literárias e de moda.

E, dos anos 1960 em diante, uma legião de repórteres investigativos justificou sua existência com a criação de um quadro de profissionais intransigentes que exigiam que os poderosos prestassem contas.

Esses repórteres foram imensamente beneficiados pela fama e pelo status de Ed Murrow, jornalista de rádio e TV da [rede norte-americana] CBS nos anos 1950, e pelos jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward, do “Washington Post”, famosos por suas reportagens sobre o caso Watergate no começo dos anos 1970.

De diferentes maneiras, três livros recentes são produto da transição da era do jornalismo heróico para… O que, exatamente? Por enquanto, o novo modelo não tem nome.

As primeiras indicações são de que o melhor termo seja “era demótica”, devido à explosão de blogs, sites de redes sociais, e-mails e textos que a internet propiciou nos últimos dez anos -e tudo isso com uma intensidade não vista nem mesmo no período epistolar mais intenso da era vitoriana.

Em “SuperMedia” [ed. WileyBlackwell, 216 págs., 14,99, R$ 53], Charlie Beckett considera a nova era sob esses termos. Antecipa o momento em que essa forma de jornalismo cidadão suplantará o modelo convencional e, em suas palavras, “salvará o mundo”.

Em “Can You Trust the Media?” [Você Pode Confiar na Mídia?, Icon Books, 256 págs., 12,99, R$ 46], Adrian Monck, ex-produtor da ITV e da Sky e hoje professor de jornalismo na Universidade Metropolitana de Londres, derruba os mitos da era do jornalismo heróico ao negar esse heroísmo.

E os ensaios da coletânea “UK Confidential” [Reino Unido Confidencial, Instituto Demos, Charlie Edwards e Catherine Fieschi (org.), 184 págs., 10, R$ 36] tratam da moderna suposição de que figuras públicas têm pouco ou nenhum direito a uma vida privada.

Blogs e nostalgia

De certa forma, os blogs e a web marcam um retorno ao jornalismo dos séculos 17 e 18 -um período empreendedor, no qual pessoas que tinham algo a dizer montavam seus negócios e publicavam panfletos e boletins noticiosos.

Também vivemos um período de maior incerteza, o que lembra a era vitoriana, quando os jovens aspirantes a literatos, vestidos com trajes modestos, ganhavam a vida trabalhando arduamente em um mercado formado majoritariamente por free-lancers.

O jornalismo do século 20, até agora, dependia de bases organizacionais: jornais com editorias, treinamento e estrutura de carreira; companhias de televisão que investiam em suas divisões de notícias e atualidades; sindicatos que por algum tempo deram aos jornalistas dos países desenvolvidos proteção ao menos semelhante àquela da qual os operários gráficos um dia desfrutaram.

Nem todos esses fatores desapareceram, mas diversos deles parecem oscilantes.

A paisagem atual está repleta de grandes fábricas de notícias que estão perdendo espaço e mostrando sinais de debilidade. A divisão de notícias da CBS, criada por Murrow, hoje conta com apenas alguns correspondentes estrangeiros, e quase nenhum zelo investigativo. O “Le Monde”, fundado por Hubert Beuve-Méry para restabelecer a honra do jornalismo francês no pós-guerra, está lutando para sobreviver.

O “Daily Express”, no passado uma presença dominante no mercado britânico médio, agora se reduziu a ponto de se tornar parte de um grupo dirigido por um pornógrafo.

O denominador comum a isso é a perda de audiência e de receita sofrida ao longo da última década. Existe, como aponta Charlie Beckett em “SuperMedia”, “pressão mais que suficiente para que temamos pelo futuro do jornalismo”.

Usando um excerto de um discurso proferido em 2007 por Ed Richards, presidente da Ofcom, a organização que fiscaliza a mídia britânica, ele propõe uma questão: “O abandono do consumo de notícias, quer em forma eletrônica convencional ou em forma impressa, parece ser uma tendência secular e em aceleração… Até que ponto isso influencia a existência de uma sociedade civil saudável?”

Trata-se de uma pergunta válida. O jornalismo baseou sua auto-imagem e sua justificativa para existir na crença de que seu trabalho permitia que os membros de sua audiência de massa se tornassem melhores cidadãos. Se o jornalismo desaparecer, o que acontece com a cidadania?

A pergunta que serve de título para o livro de Monck é respondida de maneira abrangente em seu ensaio: não, não se pode confiar na mídia, e aliás nunca se pôde.

Monck não acha que os padrões estejam em decadência, mas sente que a crescente falta de confiança é uma resposta pública racional à imprensa cada vez menos confiável.

“Do ponto de vista comercial”, escreve, “confiança é um ativo sem valor”. Ele zomba da “tocante fé em que, caso as pessoas testemunhem a verdade, agirão pelo bem”, e enfatiza a bagagem emocional, e não racional, que os leitores e espectadores carregam com eles ao avaliar cada questão.

Afeto e exasperação

Se o jornalismo está em crise, alguns dos componentes dessa crise são tão antigos quanto o jornalismo -e indissociáveis dele. Em seu livro, acessível e escrito de maneira vivaz, Monck conclui expressando a certeza de que precisamos do jornalismo, mas ainda assim o encara com uma mistura de afeto e exasperação, como algo de falho que, quando faz o bem, o faz por acidente.

Em contraste, o argumento de Beckett está resumido em seu subtítulo: “Salvando o Jornalismo para Que Ele Possa Salvar o Mundo”.

E o autor parece estar falando sério. Ele eleva o “jornalismo cidadão” -termo que engloba toda forma de comunicação, de blogs a depoimentos amadores sobre desastres ou guerra e sites de jornalismo amador na web- à posição de salvador do jornalismo.

Acima de tudo, Beckett acredita que, “quanto mais os jornalistas se comportarem como cidadãos, mais forte será o jornalismo”. Ele também acredita que o jornalista precisa ter como base a realidade experimentada, e que o jornalismo cidadão extrai sua legitimidade e sua prática dessa realidade.

Beckett defende parte de seus argumentos mencionando o exemplo do “Fort Myers News-Press”, da Flórida, um jornal que pressionou por acesso à lista dos pagamentos de assistência às vítimas do furacão Katrina.

Em seguida, o jornal publicou a lista e convidou seus leitores a informar a Redação em caso de quaisquer anomalias nos pagamentos. As denúncias foram usadas como base para uma série de reportagens.

E, em uma bela passagem sobre o jornalismo africano, cita extensamente blogs bem-informados e raivosos mantidos por africanos, os observadores mais capazes de testemunhar o comportamento criminoso de seus governos corruptos.

Os blogs expressam opiniões que muitas vezes terminam censuradas nos jornais e, especialmente, nas rádios e estações de TV africanas.

Há um porém -ou poréns.

Em primeiro lugar, as tentativas de fazer do jornalismo cidadão uma prática cotidiana não funcionaram bem até o momento.
Em segundo lugar, a maioria do jornalismo político convencional que surgiu na blogosfera não elevou o nível ético.

O mais famoso desses novos jornalistas políticos é Matt Drudge, hoje um homem poderoso na mídia. Ganhou fama inicialmente ao revelar o caso entre Monica Lewinsky e [o então presidente dos EUA] Bill Clinton e continua a explorar esse filão de boatos, acusações e insinuações.
Terceiro, não está realmente claro o que quer dizer “comportar-se como cidadão”, para um jornalista, ou o que seria “se comportar como jornalista”, para um cidadão. Os cidadãos muitas vezes não querem forma nenhuma de jornalismo.

Privacidade

“Reino Unido Confidencial” observa o jornalismo pela lente da tecnologia e age como uma espécie de comentário cético a respeito.
O que essa coletânea muito diversificada demonstra é que o desejo benigno das empresas e do governo de acelerar o acesso a bens e serviços significou, na prática, que o público transferiu, em grande medida sem se incomodar muito, vasto volume de dados pessoais a empresas e ao governo.

Então, não existe maneira de escapar às atuais misérias do jornalismo?

Não de um salto, creio.

Mas, apesar do realismo frio de Monck e dos alertas dos ensaístas do Demos sobre a necessidade de defender a privacidade -e não investigá-la-, Beckett aponta para algo novo que está acontecendo: a capacidade e disposição do público para contribuir na produção de sua narrativa.

Podemos vislumbrar um mundo no qual aqueles que estão ávidos por dizer alguma coisa agora podem fazê-lo, se bem que para audiências muitas vezes restritas.

Quem desejar prestar testemunho sobre horrores e maravilhas pode transmitir suas palavras e imagens. Quem se indigna com suspeitas de delitos empresariais ou governamentais pode encontrar ferramentas que permitem investigar e expor.

Tudo isso resulta em considerável ganho de poder e, se não implica ainda que a prática do jornalismo tal qual o conhecemos esteja destronada -algo que espero jamais aconteça-, ao menos oferece a democrática possibilidade de nos tornarmos, nós todos, heróis.

JOHN LLOYD é autor de “What the Media Do to Our Politics” [O Que a Mídia Faz para Nossa Política] e colaborador do jornal “Financial Times”, onde a íntegra deste texto foi publicada.Tradução de Paulo Migliacci.ONDE ENCOMENDAR – Livros em inglês podem ser encomendados pelo site www.amazon.co.uk

16/11/2008 - 16:39h Um império, uma família, a vida

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Em ´Os irmãos Karamabloch´, Arnaldo Bloch narra saga do clã do conglomerado ´Manchete´

JK e Bloch: bons negócios, lealdade e gratidão até o fim

Leonardo Lichote – O GLOBO

http://carmen.miranda.nom.br/carmen246.jpgEm sua festa de cem anos, a senhora chama seu sobrinho-neto num canto e, depois de um diálogo banal, segura-o pelo braço e diz, oracular: “Tuuuudo passa. A gente olha pra trás e é só um pontinho”. A sentença de Fanny Bloch — extraída das últimas páginas de “Os irmãos Karamabloch: ascensão e queda de um império familiar” (Companhia das Letras), de Arnaldo Bloch, o tal sobrinho-neto — ecoa por todo o livro. Afinal, mais que narrar a história íntima de uma família ou a saga de um império de comunicações, a matéria da obra é o próprio movimento da História, da Vida.

— É um livro sobre o vazio. Porque tudo que se constrói vai resultar no vazio, na solidão, na morte — afirma o autor, repórter e colunista do GLOBO, que lança o livro terça-feira, na Livraria da Travessa de Ipanema, às 19h30. — Mas, sobretudo, eu o definiria como um livro sobre a alma de uma família, entendido o termo como um grupamento humano, que envolve parentes, funcionários, amigos…

Monólogos entram como espectros no livro

A história da família Bloch — narrada desde o fim do século XIX até o presente, passando pelo ápice do império, com a Bloch Editores e a revista “Manchete”, e o início da derrocada com a TV Manchete, que levou o grupo à falência — é contada de dentro. Não apenas por seu autor ser um Bloch, mas por ser construído a partir de um olhar que se põe no cerne de seu objeto, exibindo os complexos mecanismos de sordidez e compaixão, de vergonhas e orgulhos, que regem uma família.

— Um primo disse: “Mas nossa família tem coisas muito negativas”. Há cenas fortes, como Bóris (tio de Arnaldo, um dos “irmãos Karamabloch”) tentando estrangular a mulher. Mas há um lado grandioso também, o amor está ali. Para construir essa visão que parte de dentro, o jornalista lançou mão de outros olhares. Várias vozes cortam o livro, em capítulos-monólogos escritos em primeira pessoa, de diversos membros da família. Tal qual espectros, eles aparecem como vindos de nenhum lugar e de um outro tempo, contam o que viram ou interpretam ações narradas e se retiram.

— Sempre soube que o livro teria esse caráter espectral. Um dos últimos capítulos é o “Livro da vida”, que na verdade é dos mortos, fala das mortes — nota o autor. — Havia uma versão sem os monólogos, mais crua. Até que um primo me mandou um mail, falando de fitas gravadas na década de 80, com nossas tias. Ouvindo aquelas vozes de sotaque estranho (reproduzido na grafia dos monólogos), às vezes pueris, dizendo verdades, fiquei tocado. Fiz então uma espécie de coro grego com essas vozes. Voltei em gravações que fiz (50 horas de áudio, 30 horas de filmes) e recuperei depoimentos. Bombardeei, então, o livro com esses espectros. Em meio aos espectros, a voz de Arnaldo está bem marcada nas páginas de “Os irmãos Karamabloch”.

Como personagem, ele aparece em sua ida à Ucrânia para visitar Jitomir, cidade onde o patriarca Joseph instalou uma gráfica, marcando a entrada do clã judaico no ramo. Décadas depois assumem a frente seus filhos, os irmãos que dão nome ao livro: Bóris, Arnaldo (avô do autor) e Adolpho. É o trio — apelidado de “irmãos Karamabloch” por Otto Lara Rezende por suas brigas constantes, em referência aos Karamázov de Dostoiévski — o centro da saga. E são eles que, em suas traições e conquistas, potencializam a aventura da família que saiu fugida da Ucrânia após a queda do czar e a ascensão do socialismo e enriqueceu no Brasil, onde inicialmente ficaria apenas o tempo suficiente para conseguir juntar dinheiro e ir para os Estados Unidos. Conseguiram, mas gastaram num Ford Bigode para pular o carnaval.

Entre os irmãos, porém, é Adolpho o grande personagem, tão apaixonante quanto vil. Jogador nos cassinos e na vida, o homem que foi o grande responsável pela consolidação do império e tinha como questão de honra pagar seus funcionários no dia certo — mesmo nos momentos de crise — era capaz de tomar o dinheiro do caixa do português do bar em frendepoite à sede da empresa nos tempos da Rua Frei Caneca, e de, na adolescência, pegar as economias da avó quase cega dando em troca “cheques” que eram na verdade pedaços de papel recortados. Era amigo de Juscelino Kubitschek ao mesmo tempo em que acariciava a ditadura militar nas páginas da “Manchete”.

Humilhava e humilhava-se, conforme as circunstâncias. — Franco Zefirelli disse que Adolpho era um personagem cinematográfico. Glauber Rocha falou que quem o acompanhasse por um ano com uma câmera teria um filme — conta Arnaldo. — Ele é a síntese da família, tem a obstinação pelo trabalho de Joseph, temperada pela alma sentimental de Jorge (irmão de Joseph, que, no Rio, tornou-se amigo de violeiros e folião apaixonado). Apoiava o governo militar, um tanto por senso de sobrevivência, outro por seu entusiasmo com projetos grandiosos. O mesmo entusiasmo o fez apoiar as reformas de base de Jango e os Cieps de Brizola

Livro demorou sete anos para ficar pronto

Há outros personagens fascinantes, como Esther-Rivka, mãe de Joseph — odiava peixeiros por ter perdido o marido Pinkhas engasgado com uma carpa. Ou Haisura, que se tornou lenda como a mulher mais feia da Rússia. O tom do livro no início, quando a família ainda está na Ucrânia, é quase fabular, fantástico — inclui um relato de uma cabeça que falou algo depois de ter caído no chão, decepada. Depois, a narrativa se torna mais objetiva, acompanhando o crescimento dos negócios no Brasil.

No fim, quando o autor visita as ruínas do império — a sede do conglomerado na Rua do Russel, a casa da família na Rua Cinco de Julho, lembrada com saudosismo por uns e definida por outros como “um covil de serpentes” —, o texto assume um tom lírico e impressionista. — Isso dá uma certa cadência ao livro. E foi o que me fez levar sete anos para escrevê-lo — explica. — Não queria que parecesse com algo já escrito. Queria contar essa história sem me desatrelar dela, sem abrir mão dos relatos lendários, vindos pela oralidade. Tenho uma crença de que imaginário e emoções também são parte do real.

Afinal, como negar o caráter real do delírio de Arnaldo, um dos irmãos do título, quando, em frente à sede, diz a Adolpho: “Quando tudo acabar, vamos sentar aqui, puxar os pedestres pela camisa e dizer: Senhor! senhor! um dia isso tudo foi meu!”.

Palavras que ecoam as de Fanny, como escreve o autor, “trazendo com elas o segredo de todos os impérios que ruíram”.

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Assis Chateaubriand e Adolfo Bloch, 1962 © Luiz Carlos Barreto

13/11/2008 - 16:58h Reportagem sobre problemas da saúde no norte de Minas na final do Prêmio Esso

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Luiz Ribeiro jornalista na final do Esso

Reportagem sobre as dificuldades de acesso dos moradores de Mirabela (Norte de Minas) aos serviços de saúde e a suspeita de envolvimento da prefeitura local com a Máfia dos Sanguessugas está entre as finalistas do Prêmio Esso de Jornalismo 2008. A matéria do jornalista Luiz Ribeiro fez parte de uma série publicada pelo jornal Estado de Minas, intitulada “Sangria na Saúde”, que revelou as irregularidades e desvios de recursos na saúde em todas as regiões brasileiras, com base em relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU). A entrega do Prêmio está marcada para o dia 9 de dezembro, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. A série “Sangria da Saúde” já garantiu pelo menos menção honrosa.

Em sua reportagem, o jornalista norte-mineiro mostrou que alguns moradores da zona rural de Mirabela eram obrigados a pagar até 15 reais a um vereador para ter direito de ser transportado em ambulância do município. A quantia era cobrada a título de “ajuda” para pagar o combustível.

Mirabela é um dos municípios mais pobres da região Norte de Minas Gerais, fica a 500 km de Belo Horizonte e tem 12,8 mil habitantes. Uma fiscalização realizada por auditores da Controladoria Geral da União (CGU) no município apontou indícios de superfaturamento e de conluio na compra de ambulância pela prefeitura junto à Planam, uma das empresas envolvidas com a chamada Máfia das Ambulâncias ou Máfia das Sanguessugas. O relatório da CGU chamou a atenção de Luiz Ribeiro, que percorreu o município atrás de moradores dispostos a falar sobre a precariedade do setor de saúde. Descobriu que a Prefeitura de Mirabela pagou R$ 76 mil por uma ambulância, e que o valor era R$ 10,8 mil superior ao preço de mercado. A Prefeitura nega o superfaturamento e diz ter havido apenas “uma diferença de preço”. A reportagem mostrou ainda as dificuldades para o acesso o atendimento médico, a falta de cobertura de comunidades rurais por parte das equipes do Programa de Saúde da Família (PSF) e falta de profissionais em postos de saúde.

Não é a primeira vez que uma reportagem de Luiz Ribeiro se destaca no cenário nacional.. O repórter do Estado de Minas em Montes Claros já ganhou mais de vinte prêmios – individual e em equipe. Neste ano, esteve entre os ganhadores do Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo e do Prêmio Sebrae de Jornalismo. Jornalista de texto primoroso, Ribeiro sempre dá ênfase às questões sociais em suas reportagens.

Publicada pelo Estado de Minas no período de 24 a 29 de agosto, a série “Sangria na Saúde” foi uma das maiores reportagens investigativas produzidas pelo jornalismo brasileiro. Um grupo de repórteres do Estado de Minas – liderado pelos jornalistas Alana Rizzo, Maria Clara Prates e Thiago Herdy – analisou 1.341 relatórios da CGU relativos ao mesmo número de cidades visitados pelos auditores do órgão federal. As equipes do jornal estiveram em 11 municípios das cinco regiões brasileiras para observar de perto as irregularidades detectadas pela Controladoria-Geral da União e saber que providências foram tomadas. Uma das cidades inspecionadas foi Mirabela, onde os auditores da CGU constataram diversos problemas no acesso da população aos serviços de saúde.

O QUE É O PREMIO ESSO

O Prêmio Esso de Jornalismo é um programa institucional da Esso Brasileira de Petróleo, empresa com mais de 95 anos de presença no Brasil.

Desde 1955, o Prêmio Esso vem promovendo o reconhecimento do mérito dos profissionais de Imprensa através da indicação e escolha dos melhores trabalhos publicados em jornais e revistas, segundo o julgamento de comissões independentes formadas exclusivamente por jornalistas e especialistas da área de Comunicação. E desde 2001, vem distinguindo também o melhor trabalho de jornalismo em televisão, com a concessão do Prêmio Esso de Telejornalismo. Na edição 2008, foram inscritos 1.182 trabalhos, sendo 533 reportagens e séries de reportagens.

Luiz Ribeiro já ganhou o Prêmio Esso Regional Centro-Oeste de Jornalismo em 2001, como membro da equipe que publicou uma série de reportagens sobre os super salários dos deputados estaduais mineiros, também publicada pelo jornal Estado de Minas.

Em 2006, o jornalista norte-mineiro contribuiu com a série de reportagens sobre a “Máfia dos Sanguessugas”, que também foi finalista do Esso e ganhou vários outros prêmios nacionais e internacionais. Além de Mirabela, outros municípios do Norte de Minas adquiriram veículos do esquema das ambulâncias: Januária e Bonito de Minas.

O Norte de Minas conta com três jornalistas ganhadores do Prêmio Esso de Jornalismo: Fialho Pacheco, já falecido, Paulo Narciso e Luiz Ribeiro. Fialho Pacheco foi um dos maiores vencedores da história do prêmio – ganhou cinco vezes -. Paulo Narciso conquistou a premiação duas vezes.

Fonte Fábio Oliva

08/11/2008 - 12:27h Elementar, minha querida Carta Capital

Carta Capital é uma revista que faz um jornalismo sério e que por isso merece meu respeito e apoio.

Três semanas atrás um artigo sobre as eleições municipais afirmava, erradamente, que o comercial polêmico da campanha da Marta tinha contado com minha participação.

Enviei uma carta para indicar que a informação era inverídica (ver novamente minha carta embaixo), ressaltando que o autor da matéria não tinha sequer me contatado para checar a informação. Minha carta recebeu como resposta a afirmação que o jornalista “conversou com fontes que têm posição privilegiada na equipe de campanha da ex-prefeita” que teriam informado o repórter sobre minha participação e responsabilidade. Curioso a revista não considerar que, mesmo contando com essas “fontes”, foi um erro não ter checado a “informação” comigo.

O dever da revista é tentar oferecer ao leitor veracidade. Amparado em “fonte anônima” e sem incluir minha própria versão, o jornalista se presta em verdade a ser manipulado por interesses que em princípio não o concernem. Ou sim?

Em todo caso, os membros da coordenação da campanha enviaram conjuntamente uma carta à revista e obtiveram como resposta uma grosseria (vejam aqui embaixo).

No fundo pouco importa se o jornalista inventou o fato a mim atribuído, ou se alguém da própria campanha mentiu para ele. O que sim importa é que a revista errou. Transmitiu uma falsa “informação” e persiste em querer se esconder perante as “fontes” para justificar ter publicado uma informação que não procede.

Fico perguntando para meus botões (não é só Mino que tem botões). Porque a revista não me procurou antes de publicar essa “informação”, para ouvir minha versão?

Evidentemente não estou nem aí sobre quem possa ter transmitido a mentira para o repórter de Carta Capital. A falta de coragem e de ética me parecem duas características muito presentes nos meios políticos e jornalísticos. Pensava que com Carta Capital era um pouco diferente.

A revista tem o direito evidente de preservar uma fonte mentirosa. O que ela não pode é publicar uma mentira e fazer de conta que a responsabilidade não é dela e sim da “fonte” anônima que a enganou. Não fui eu quem fui “traido”, foram a verdade dos fatos nas páginas de Carta Capital e a vítima foram seus leitores.

Luis Favre

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Carta a Carta Capital publicada na edição de hoje da revista (edição 521 com data 12/11/2008)

Em sua edição de número 519, Carta Capital publicou correspondência de Luis Favre, em que ele negava informação publicada pela revista de que teria sido um dos responsáveis por comercial da campanha de Marta Suplicy. Em nota de resposta, Carta Capital afirmou que “conversou com fontes que têm posição privilegiada na equipe de campanha da ex-prefeita”, que teriam fornecido a “informação”. Somos coordenadores da campanha de Marta Suplicy, responsabilidade que exercemos publicamente e, em face da nota de Carta Capital, escrevemos para afirmar que Luis Favre não teve nenhuma participação na elaboração de programas e comerciais da campanha, tampouco opinou sobre eles. E o fazemos sem nos esconder sob o manto conveniente do anonimato, que encobre propósitos e interesses.

Carlos Zarattini
Rui Falcão

Simão Pedro
Valdemir Garreta
Jilmar Tatto
Antonio Carlos Gambarini
Luciano Barbosa
Tadeu Dias Paes
Glauco Piai

Resposta da Redação
Sugerimos ao Sr. Luis Favre que reúna os acima-assinados para uma partida do famoso Detetive. Talvez ele descubra quem são os “culpados” e se eles o apunhalaram na cozinha ou na sala de estar.

Carta enviada sábado 18/10/2008 para o correio dos leitores da revista “Carta Capital”

“O artigo “É pau, é pedra”, de Rodrigo Martins traz uma menção a minha pessoa, a partir de uma fonte anônima, como um dos responsável pelo comercial da campanha da Marta, objeto do artigo. O anonimato da fonte guarda estreita relação com o calíbre da mentira.

Não fui contatado pelo jornalista para checar a veracidade da suposta “informação”. Os que me conhecem sabem que, diferentemente de aqueles que se escondem no anonimato para apunhalar companheiros pelas costas, não sou dos que escondem suas responsabilidades no que fazem.

Não tenho participado desta campanha eleitoral, não dei nenhuma opinião sobre nenhum programa o comercial; programas e comerciais que vi, como o resto dos paulistanos, quando transmitidos na TV.

Tenho publicamente opinado sobre a campanha no meu blog, Leituras Favre, assim como sobre outros assuntos da política. Rejeito qualquer insinuação de homofobia ou preconceito dirigidos contra Marta e contra minha pessoa, pois sempre identificamos nossa luta com o combate a toda discriminação.

Gostaria de acrescentar que Marta Suplicy não é dos políticos que “transferem” para outros suas próprias responsabilidades. Talvez acostumados a políticos que praticam isto com desinvoltura, alguns se permitem duvidar da palavra dos que sempre agiram com autenticidade e transparência.”

Luis Favre
18/10/2008

15/10/2008 - 12:36h Vestais

Eu não quero cometer uma injustiça. Para evitar acusar alguém de indignidade, vou precisar da ajuda dos leitores deste blog. Evidentemente dos que queiram me ajudar.

Na nota anterior reproduzi o artigo da Folha de 31 de julho de 2004 com violenta baixaria contra Marta lançada oficialmente pelo site da Direção nacional do PSDB e a calúnia de Goldman, hoje vice-governador, acusando Marta e eu de ladrões do dinheiro da prefeitura. No artigo consta a reação do Senador Suplicy e do deputado Rui Falcão apontando a hipocrisia dos supostos “éticos”, consta também que José Serra diz que não sabia e que não apóia esses ataques.

Hoje jornalistas, colunistas, articulistas, editorialistas, alguns políticos, assim como outras “personalidades” tem publicamente afirmado sua condenação a Marta, ou a sua campanha, ou ao comercial, com adjetivos e altas proclamas éticas de indignação.

Pois bem, eu diz que são todos fariseus e posso estar sendo injusto com alguém. Uma única injustiça, como a sacanagem de Kassab com Monica Valente, não gostaria que ficasse na minha biografia.

Pois bem, a começar pelo candidato Kassab e até o último dos que entrou nesta cruzada contra nós, quero reproduzir aqui neste blog sua declaração, seu artigo, seu comentário, sua carta o que for que foi dito, escrito e publicado em qualquer espaço público, quando Marta e eu fomos tão canalhescamente tratados pelo site da Direção do PSDB e a campanha oficial da então candidatura Serra-Kassab.

Eu quero reproduzir aqui as declarações de hoje sobre a ética e a vida privada, e as declarações semelhantes dos mesmos. Já que a ética e a decência não tem cor ideológica, nem partido, nem jornal, quero mostrar como são coerentes.

Quem quiser ajudar peço para enviar o artigo da Folha de 2004 para cada uns dos que escreveu agora ou fez declarações sobre este assunto da vida privada e solicitem copia do que foi escrito na época. Favor de não esquecer onde foi publicado e a data.

Clovis Rossi, Eliane Cantânhede, Ricardo Noblat, Josias de Souza, Gilberto Dimenstein, os editorialistas da Folha e do Estadão, os políticos, Kassab, os de qualquer partido, todos os que hoje se manifestaram deveriam ser solicitados de reproduzir qual foi a reação deles na época, onde foi publicada para eu poder dizer: eis uma pessoa coerente.

De minha parte, na época, entrei na justiça contra o Deputado federal Alberto Goldman, quem usufruindo do foro privilegiado de deputado conseguiu impedir minha ação judicial, pelo STF, que arquivou meu pedido argumentando que esse foro privilegiado garante a liberdade de expressão do eleito.

Luis Favre

10/10/2008 - 15:37h Instrumento de desinformação

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A cobertura da campanha de Marta, no jornal O Estado de São Paulo de hoje, ilustra muito bem o que tenho escrito no post anterior sobre o debate que importa.

Ontem 11 ministros e uma sala cheia acompanharam o lançamento feito por Marta de uma carta-compromisso com São Paulo. A ministra Dilma Rousseff; o ministro da Justiça, Tarso Genro; o ministro da Educação, Fernando Haddad; o ministro do Trabalho, do Turismo, da Presidência, todos expondo o porque do engajamento em favor da Marta.

O jornal decidiu ocultar de fato este ato, diminuir sua importância e tentar contribuir assim a desinformar os leitores sobre a campanha de Marta. Para isto o jornal utiliza os artigos da Vera Rosa dedicados a semear intrigas e ocupa o espaço “nobre” da página para tratar do marido da Marta.

O jornal dedica menos espaço, sem fotos, ao encontro de 11 ministros do governo, às propostas apresentadas por Marta no Compromisso com São Paulo, jogado ao pé da página, que a minha presença junto com minha esposa na sinagoga.

Para justificar os objetivos políticos evidentes nessa escolha do jornal, a manchete do artigo com foto de 1/4 de página proclama uma mentira: Favre reaparece ao lado da ex-prefeita.

Vou repetir, a manchete é uma mentira. Estive presente, por exemplo, em todos os debates que foram organizados pelas emissoras durante o primeiro turno. Estive em todos os comícios nos quais o presidente Lula participou da campanha. Estive na convenção do lançamento da candidatura e também em todos os seminários organizados pela Marta antes do horário eleitoral na TV. Em todos estes eventos fui fotografado e conversei com inúmeros jornalistas. Como foi o caso, por exemplo, no lançamento do livro da Marta, recentemente. Não acompanhei minha esposa na votação porque fiquei em casa com os netinhos, enquanto Marta e seus filhos iam votar.

Acontece que, diferentemente das eleições de 1989, 1994, 1998, 2000, 2002, 2004 e 2006, nestas eleições não estou participando da campanha porque escolhi dedicar meu tempo a animar este blog e contribuir assim ao debate de idéias e a compartilhar as informações e minhas leituras neste espaço.

A primeira mentira, a manchete, serve para “justificar”, volto a repetir, a decisão de evitar que a questão da força da participação dos ministros e das questões levantadas nos seus discursos, assim como o conteúdo do Compromisso da Marta com São Paulo sejam objeto de atenção, destaque e possam alimentar alguma reflexão nos leitores do jornal. Trata-se de sonegar informação de maneira deliberada para, ao mesmo tempo, procurar explorar os preconceitos e a vida privada da Marta.

O resto do artigo nauseabundo da Vera Rosa envereda para minha nacionalidade, onde o “argentino” e oposto a “homem bom”; não por ela claro mas por supostas pesquisas, que supostos anônimos, comunicaram a ela. A xenofobia e o preconceito propalado com o pretexto de tratar da “rejeição”, com o objetivo, volto a repetir de ocultar o ato de ontem, assim como o conteúdo do manifesto lançado por Marta.

Alguns dos leitores deste blog se perguntam como se contrapor a esta campanha contra Marta e em favor da direita?

Penso, em primeiro lugar, que a resposta é: falando do ato de ontem e distribuindo o Compromisso com o povo de São Paulo entre seus amigos e conhecidos.

Em segundo lugar, recusando a tentação de “fazer igual”, falando da vida privada dos outros. Abaixar-se ao nível do esgoto, sob pretexto de combater uma ignomínia, é se arriscar a ficar como os outros, que no lodaçal se esfregam todo dia.

Luis Favre

10/10/2008 - 13:28h O debate que importa

As reportagens do jornal Valor publicadas embaixo, no bairro de Santana, na Zona Norte e no bairro de Piraporinha, na Zona Sul, são ótimos. Eles retratam visões, motivações, preconceitos e argumentos presentes entre os habitantes da cidade. Mas “Santana”* não expressa as preocupações e os sentimentos da imensa maioria dos cidadãos de São Paulo. Não expressa tampouco as motivações da maioria do eleitorado, não só da Marta, mas mesmo de os outros candidatos que tiveram até votação consagradora em Santana.

Os argumentos e motivações expressos na reportagem sobre o voto, por parte de eleitores de Santana, mesmo pouco representativos dentro do universo eleitoral da cidade, são o alicerce que devidamente propalados pela mídia contribui a alimentar o voto anti-PT ou a famosa “rejeição” da Marta. Eles ocupam um espaço desmedido na mídia, a qual “agrega” este “moralismo” de circunstância a seus interesses anti-populares.

Muitos eleitores progressistas caem na armadilha de querer encaminhar as campanhas eleitorais visando desmontar e desmistificar esses argumentos para convencer esses eleitores, considerando que a classe média se espelha neles. O conservadorismo “moral” é um pretexto para votar em favor da direita. Por exemplo, a maioria dos eleitores de Santana votaram nos candidatos Alckmin e Kassab, mesmo que ambos tenha declarado que eram a favor da união cívil de pessoas do mesmo sexo. Argumentam contra o divorcio de Marta, e é o bairro que tem o maior número de divorciados da cidade, segundo a reportagem do Valor. Como já fora apontado pelo famoso Molière, a tartufice é a fantasia preferida dos pequenos burgueses, na procura para serem admitidos nos salões iluminados das classes dominantes. O pior é que no caso, eles se contentam em compartilhar os preconceitos, a ignorância e a pretensão sabendo que na festa do andar superior o “numerus clausus” esta reduzido a uns poucos.

Já “Piraporinha”* concentra os temas centrais da disputa eleitoral, não sem preconceitos e desinformação, porem concentrados na questões cruciais das aspirações da maioria da população da cidade, mesmo que na votação em Piraporinha apareça como minoritário o que está presente as vezes majoritariamente em outras regiões e vice-versa.

Os “temas” de “Piraporinha”* concernem todas as classes sociais, porem preocupam e motivam o voto essencialmente da classe média-média e da nova classe média, a dos assalariados e demais setores populares. Os resultados do primeiro turno na cidade e a definição do segundo turno dependerá das respostas de cada campo político e de seus partidos e candidatos a essas preocupações, críticas, dúvidas.

Já os argumentos de “Santana”* só servem de escudo hipócrita a uma minoría da classe média e alta. Eles servem essencialmente para a mídia alimentar seu ódio contra o PT e a Marta. Por isso ocupam um lugar de destaque nos jornais e com eles se detectam e deles falam até pelos cotovelos, comentaristas e “cientistas”, além de pretensos jornalistas que só se interessam pela vida privada da Marta e olham para outro lugar quando de outros se trata.

Acostumados como são a ofertar suas penas para qualquer baixaria em troca do “vil metal”, escrevem orgulhosos na casa de tolerância generosa em que se transformou uma parte da mídia. Devemos desmistificá-los e mostrar seus objetivos, apontar para seus argumentos preconceituosos e arrancar assim o disfarce que utilizam para ocultar o que são, verdadeiras sicofantas a serviço da direita.

Mas não perder tempo com eles na campanha eleitoral e ir ao encontro da discussão que interessa a maioria da população e que definirá seu voto.

Luis Favre

* Os nomes dos bairros, “Santana” e “Piraporinha”, entre aspas, não concernem nem os bairros e menos ainda seus habitantes. São utilizados aqui em refêrencia aos artigos do jornal Valor como representação dos argumentos retratados nesses artigos por pessoas de ambos os bairros. Qualquer generalização seria abusiva e seguramente nos dois lugares existem opiniões diferentes as retratadas na reportagem do jornal.

Clique na imagem para ampliar e ler ou veja nos post embaixo o conteúdo das reportagens

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12/09/2008 - 11:38h A edição do debate

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/abre12092008.jpg

Tem o debate, e os que tiveram tempo e paciência para assistir na sua totalidade, talvez obtiveram algum esclarecimento sobre os temas em confronto. Duvido, mas talvez sim.

Depois vem a edição dos jornais, hoje. Certo com menos audiência, eles podem aportar com informações, as questões abordadas pelos candidatos.

Lamentavelmente não é o caso. Na melhor, eles reproduzem o que consideram as frases de efeito ou mais importantes dos candidatos e pouco é aprofundado.

Vou dar um exemplo, na Folha SP é reproduzido assim o confronto sobre impostos e dívidas patrocinado pelo ataque de Alckmin a Marta:

“O tucano também direcionou sua pergunta a Marta. Bateu na tecla de que ela criou taxas na prefeitura (2001-2004) e, mesmo assim, “deixou um rombo de R$ 1,8 bilhão”.
A petista contestou os números, lembrando que ações que questionavam suas contas foram arquivadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A ex-prefeita, no entanto, responde a ação movida pelo Ministério Público Estadual.
No bate-boca, Alckmin ainda acusou Marta de não ter pago “a conta de energia”, apesar de ter criado a taxa de iluminação. “É a má gestão completa.” Na verdade, o que veio à tona nos últimos dias é que uma dívida da taxa do lixo de um dos apartamentos da ex-prefeita, que é alugado, estava pendente de pagamento.”

Percebe-se que a (ou o) jornalista “registra” a acusação “deixou um rombo de R$ 1,8 bilhão”. O jornalista não contesta os números de Alckmin, ele só registra… para depois questionar a validade da resposta de Marta, acrescentando que ela “responde a ação do MPE”. A inverídica cifra de Alckmin, contestada pelos dados do TCM, das resoluções aprovando as contas de Marta e pelo julgamento que arquivou no STF o questionamento das contas, é dada como dado e a replica de Marta como objeto de dúvida.

O jornalista faz mais e com pretexto de “corrigir” nova afirmação inverídica de Alckmin, reproduz o factöide que Kassab levou para a capa da Folha, sem sequer dizer que essa taxa de 2003 nunca reclamada, já foi quitada.

No mesmo artigo, a seguir, o embate sobre a saúde, entre Marta e Kassab é apresentado assim:

Kassab, que está em empate técnico com Alckmin, com 18%, foi questionado na área de saúde tanto por Marta quanto pelo tucano. A petista afirmou que o prefeito tenta vender a idéia de “ilha da fantasia” no setor.
O tucano disse que o pior problema de São Paulo é a saúde. “Infelizmente, a sua gestão, Marta, não foi aprovada, por isso você não foi reeleita, foi muito mal na saúde. E hoje ela é o carro-chefe da nossa administração”, respondeu Kassab.”

Curioso, o jornalista “esqueceu” que o “carro-chefe” tem, segundo o próprio Kassab, a aprovação só de 30%, contra 70% que desaprovam. A “correção” aqui parece querer sonegar essa informação que Kassab deu ontem aos tele-espectadores da Band.

Na sua intervenção sobre transporte, Geraldo Alckmin fez uma radiografia da situação da administração Kassab que foi uma verdadeira ata de acusação, até com o drama real dos passageiros (o jornal destacou a frase “A responsabilidade da prefeitura é ônibus. São 9 milhões de viagens por dia. Sistema ineficiente, passagem cara, ônibus lotado, de Alckmin”). No artigo “sumiu” o diagnóstico sobre o transporte e ficou assim:

“Em disputa acirrada pelo segundo lugar, Kassab e Alckmin pouco se enfrentaram durante todo o debate, mas isso não impediu uma “surpresa” no final. Em suas considerações finais, quando já passava da meia-noite, o prefeito atacou Alckmin na área da educação. “O ex-governador Geraldo Alckmin esteve 12 anos à frente do governo do Estado, sendo seis como governador. A educação não foi bem no seu governo, basta conversar com professores do Estado e da prefeitura.”
Irritado, Alckmin rebateu o prefeito em entrevistas, após o debate, dizendo que Kassab “mentiu” e não teve “coragem” de atacá-lo durante o programa. Numa das poucas críticas indiretas ao prefeito que fez no debate, Alckmin fez menção ao déficit de vagas em creches da prefeitura.”

Aqui o artigo não nos esclarece como deveria. Poderia, por exemplo, dizer que os resultados das avaliações sobre a educação estadual, onde a média das notas da rede no ensino médio é de 1,41 na escala de 0 a 10, sustentavam a critica de Kassab. Podia também dizer que não só Alckmin, mais vários dos concorrentes fizeram clara referência ao déficit de 110 mil vagas em creches, déficit da gestão Kassab.

Como se vê, prolixo quando fala de taxa de lixo de um flat de aluguel de Marta, ou de dívidas, a edição do debate feita pela Folha é menos informativa em questões de outra envergadura. Isto também é assim, por exemplo, sobre a questão de impostos.

No ataque de Alckmin a Marta o candidato tucano acusou a petista de aumentar impostos e se apresentou em apóstolo da redução tributária. Nenhuma menção é feita pelo jornal que José Serra anunciou faz dois dias que reveria essas situações criadas pelo seu predecessor. Pior, nenhuma palavra sobre o fato que o maior aumento da carga tributária foi obra do tucano FHC, que a fez crescer de 27% do PIB a 36% em 8 anos.

Se o debate foi pobre na Band ontem -o formato só pode produzir debates assim-, a edição dos jornais nada fez para aportar as informações aos seus leitores. O exemplo aqui é a Folha, mas os outros não foram melhores.

Luis Favre

09/09/2008 - 09:17h Cada um no seu quadrado

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NELSON VASCONCELOS – O Globo

Há quem diga que a última edição impressa do gigante “New York Times” vai circular em algum momento de 2014, como estima um trabalho da Universidade de Columbia. Ou, no melhor dos cenários, o fim chegará em 2043, como assegura Philipe Meyer, da Universidade da Carolina do Norte, em “The vanishing newspaper”, de 2004.

Chutometria pura ou terror fundamentado?

Difícil saber, porque são muitas variantes e porque bola de cristal não é meu forte. O “NYT” atravessa tremenda crise, como se sabe, mas ainda está muito longe de se tornar uma empresa desprezível. De qualquer maneira, até mesmo seu publisher, Arthur Sulzberger Jr., já chegou a admitir que esse hipotético momento marcante para a imprensa mundial poderia chegar em 2013 — mostrando ainda mais pessimismo que o pessoal de Columbia. E tem mais: Sulzberger Jr. ainda teria declarado, numa conversa privada, que ele mesmo não estaria exatamente preocupado com esse problema.

Essas e outras histórias estão presentes em “The last issue of The New York Times The future of newspapers” (Vittorio Sabadin, www.sol90.com). O autor faz uma longa análise sobre as transformações que a imprensa, em geral, tem vivido em tempos de internet.
Recomendo sua leitura, porque é um assunto que interessa não só a jornalistas, como também a muita gente que acompanha a tal da cultura digital, ou seja, esta época acelerada em que vivemos, puxada pelo largo acesso às tecnologias da informação e, claro, à internet. Afinal, o que está acontecendo no mercado de jornal-papel pode se repetir, mais cedo ou mais tarde, em outros setores da economia envolvidos com o que outrora foi chamado de Nova Economia. Basta ver o quanto a indústria de entretenimento anda apanhando.

Discussões a respeito não têm fim.
Ontem, por exemplo, esteve aqui no GLOBO o Rosental Calmon Alves, que acompanha de perto as relações entre o jornalismo e a era digital. Ele é professor da Universidade do Texas e tem acesso a fontes graduadas em jornais de todo o mundo. Muito do que ele falou à platéia presente certamente interessa aos leitores que estão ligados nesta coluna.

Disse ele, por exemplo, que o sistema de mídia industrial (aquele a que estamos acostumados) deverá ser substituído por um novo sistema de mídia, bem mais competitivo. Motivos? Basta dizer, por exemplo, que os indivíduos conectados, convivendo em rede, ganham mais poder e mais controle sobre a informação (a propósito, Rosental indicou o site ).

Estamos, pois, falando de uma reviravolta. Muito resumidamente, digamos que a imprensa tradicional tinha o privilégio do broadcasting.
Comporta-se ou comportava-se, com freqüência, como um ser superior, irradiando suas notícias e idéias, com pouco espaço para a interação com os leitores. Como sabemos todos, esse tempo está ficando rapidamente para trás. O leitor ganha cada vez mais destaque.

Creiam, a propósito, que esse exercício de desprendimento não é exatamente moleza, sob qualquer ponto de vista. Mas não cabe contestar o avanço da revolução digital, via internet — que, como bem lembrou o Rosental, é uma força que transforma profundamente todos os outros meios.

Taí o paralelo com a indústria fonográfica. Desde o advento do Napster, no início desta década, a venda de CDs caiu, e nasceram o tráfego e o tráfico gratuito de conteúdo. Alguém morreu? Não, mas o cenário mudou, e o poder da indústria de música, intocável até então, continua sendo questionado.

E a indústria da TV? Já comentei aqui na coluna que, nos EUA, as crianças estão cada vez mais ligadas em YouTube, e não nos canais tradicionais. E isso já a partir de 2 anos de idade! Será que elas vão aceitar a TV tranqüilamente quando crescerem? Ou vão querer uma programação sob medida para seus interesses? E voltemos aos jornais, nessa conversa toda. Se você lembrar que a intocável indústria de música está-se reestruturando, pode-se perguntar por que o jornal não vai viver algo parecido.

Vai, não. Já está vivendo nesse meio termo, nessa transição em que a mídia tradicional vai perdendo espaço para a mídia online.
“A audiência passiva transforma-se em redes de comunicação (particip)ativas”, registra Rosental. Nessa comunidade multidirecional, o que interessa chega ao leitor que está devidamente ligado às suas próprias redes. Isso vale para o leitor, para o telespectador, para o consumidor de música etc. Tá todo mundo ligado, cada qual na sua praia, cada um no seu quadrado.

Cabe às empresas que os querem abarcar o maior número possível de nichos, oferecendo o máximo possível de conteúdo, sempre diversificando, sempre à espera de novidades.
E isso dá um trabalho danado…

Haveria mais a comentar sobre as reflexões do Rosental.
Mas nós aqui desta velha mídia, do velho papel, lidamos com uma verdade física chamada espaço. Mas o importante é: me diz aí o que você acha disso tudo.
Sinta-se à vontade para fazer seu comentário em .

POR FALAR NISSO: Na coluna passada, errei o endereço brasileiro da Monster.com, maior empresa pontocom de recrutamento e seleção, que começou suas operações por aqui. O site correto é o . Mil perdões.

E-mail para esta coluna: nelsonva@oglobo.com.br

02/09/2008 - 15:36h No Sitio do Leo bufão da imprensa vira espeto

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Metralhadora giratória e suas casualidades

Quis o destino ou um editor sacana que a coluna de conhecido bufão da imprensa saísse ao lado da matéria da Veja sobre um brucutu personagem de novela que maltrata a mulher. E bem ao lado da foto, com o brutamontes e a mulher que aceita sem reparos a violência cotidiana do marido, o colunista escreve o que deve considerar uma divertida piadinha, a ser repetida ao som de pedrinhas de gelo no úisque bebericado com os amigos durante o churrasco de fim de semana:“…(John McCain) realizou o sonho secreto de todos os homens casados do planeta e despachou sua mulher, Cindy, para a zona de guerra”.

Todos os homens casados de que planeta, cara pálida? Pegue o canhão com quem casou e vá se queixar ao ministério da Defesa.

(No churrasco com os amigos, a piada deve ser acompanhada de um tapa no traseiro da esposa, que interromperá o serviço de mesa para dar um risinho e comentar algo do gênero “ah, esse Dioguinho não tem jeito mesmo!” É muito divertida a vida dessa classe média intelectualizada)

posted by Sergio Leo

Sergio Leo é jornalista do VALOR e anima um blog Sitio do Sergio Leo

28/08/2008 - 18:44h Campanha de manipulação no ar

“Desde que a disputa passou a ter segundo turno, não há registro de candidato vitorioso em São Paulo que tenha iniciado o horário eleitoral com rejeição tão alta como Marta Suplicy (31% na última pesquisa do Datafolha).” Assim começa o post de Roberto Dias no blog da Folha, Campanha no ar.

Com um ar de científico.

Poderíamos reescrever assim: “Desde que a disputa passou a ter segundo turno, não há registro de candidato vitorioso em São Paulo que tenha iniciado o horário eleitoral com rejeição de 32% e intenção de voto em 14%, como é o caso de Kassab.”

Eleições municipais em dois turnos em São Paulo teve apenas 4, o que convenhamos é bem pouco para estabelecer uma probabilidade estatísticamente significativa.

A questão da rejeição evidentemente é importante se analisada na sua relação com intenção de voto.

No caso que estamos analisando é outra coisa. Vontade deliberada de um grupo de jornalistas de alimentar uma campanha, sonegando e manipulando a informação.

Qual é o objetivo?

LF