17/08/2009 - 19:48h Improvviso
Andrea Chenier – tenor José Carreras
na versão de Franco Corelli
29/07/2009 - 19:59h Dicitencello Vuie
15/07/2009 - 19:54h A gravação do “Tonight” e “I feel pretty”, de West Side Story
12/05/2009 - 19:59h Bela lua
Renata Scotto canta Vaga luna de Bellini
José Carreras canta Vaga luna che inargenti de Bellini
Vaga luna, che inargenti
queste rive e questi fiori
ed inspiri agli elementi
il linguaggio dell’amor;
testimonio or sei tu sola
del mio fervido desir,
ed a lei che m’innamora
conta i palpiti e i sospir.
Dille pur che lontananza
il mio duol non può lenir,
che se nutro una speranza,
ella è sol nell’avvenir.
Dille pur che giorno e sera
conto l’ore del dolor,
che una speme lusinghiera
mi conforta nell’amor.
07/05/2009 - 20:28h Cavalaria Rusticana
11/04/2009 - 20:09h Segreto
José Carreras
Youngok Shin
«Segreto»
Music: Francesco Paolo Tosti
Text: Lorenzo Stecchetti
Ho una ferita in cor che gitta sangue,
che a poco a poco mi farà morir.
Trafita dal dolor l’anima langue;
amo e il segreto mio non posso dir.
Bello come la luce a me daccanto
il segreto amor mio veggo talor.
Ei passa e sento in me come uno schianto,
un impeto di gioia e di dolor.
Dal primo giorno non ho mai sperato,
il segreto fatale ho chiuso in me.
Ed egli non saprà d’esser amato,
mi vedrà morta e non saprà perché.
Eppur se il veggo, aprir vorrei le braccia,
dirgli che l’amo e che il mio cor gli do.
Vorrei fissarlo arditamente in faccia,
Ma il cor mi trema e gli occhi alzar non so.
Ho una ferita in cor che gitta sangue,
che a poco a poco mi farà morir.
***
There is a wound in my heart that is bleeding,
that little by little will make me die.
Pierced by pain, my soul languishes;
I am in love and I cannot tell my secret.
I sometimes see my secret love beside me,
as beautiful as the light.
She passes by me and I feel shattered.
It is a force of joy and of pain.
I never had hope. Even from the first day,
I closed my secret love within me.
And she will never know that she was loved.
She will see me lying dead and will not know why.
And when I see her, I want to open my arms,
to tell her that I love her and that I give her my heart.
I want to look into her face with courage.
But my heart trembles and I cannot lift up my eyes.
There is a wound in my heart that is bleeding,
that little by little will make me die.
04/03/2009 - 19:30h Passione
01/03/2009 - 18:54h Tristeza
Estudo em Mi major “Tristesse”
(Tristeza de Chopin)
Letra: Francis Giacobetti
È triste il mio cuor senza di te
Che sei lontana e più non pensi a me,
Dimmi perché
Fai soffrir quest’anima che t’ama
E ti vuole vicin
Sei tu la vision che ogni sera
Sognar fa il cuor che nell’amore spera,
ma è un’illusion
più da me non tornerai
forse un’altro bacerai
mentre triste vola la canzon
che canto a te
solamente a te
dolce sogno d’or
questo vuole il cuor
triste senz’amor.
Autumn in My Heart Fairy Tale
Chopin Tristesse
Chopin Tristesse Lyrics
So deep is the night,
No moon tonight,
No friendly star
To guide me with its light;
Be still my heart,
Silent lest my love should be returning
From a world far apart.
So deep is the night
O lonely night,
On broken wings
My heart has taken flight
And left a dream.
In my dream our lips are blending,
Will my dream be never ending?
Will your mem`ry haunt me till I die?
Alone am I,
Deep into the night,
Waiting for the light,
Alone am I,
I wonder why?
Deep is the night.
13/02/2009 - 20:49h Adriana Lecouvreur
25/01/2009 - 15:58h Core ‘ngrato
Tino Rossi
José Carreras
Core ‘ngrato
Catari, Catari, pecché me dici
sti parole amare;
pecché me parle e ‘o core me turmiente,
Catari?
Nun te scurdà ca t’aggio date ‘o core,
Catari, nun te scurdà!
Catari, Catari, ché vene a dicere stu parlà
ca me dà spaseme?
Tu nun’nce pienze a stu dulore mio,
tu nun’nce pienze, tu nun te ne cure.
Core, core ‘ngrato,
t’aie pigliato ‘a vita mia,
tutt’è passato e
nun’nce pienze chiù!
—————————–
Catari, Catari, why do you tell me
only words of bitterness,
why only things that torment me
Catari?
Don’t forget that once I gave you my heart,
Catari, don’t forget!
Catari, Catari, why do you say
these things that make me suffer?
You never think of my pain,
you never think of it, you don’t care.
Ungrateful heart,
you wrenched my life from me
and now it’s all over,
you no longer think of me!
31/03/2008 - 04:13h José Carreras, o mito e o homem

Tenor espanhol fez o que pôde em apresentação em Curitiba, mas problemas técnicos evidenciaram problemas na voz
João Luiz Sampaio, CURITIBA – O ESTADO DE SÃO PAULO
O tenor espanhol José Carreras não precisou cantar uma só nota para conquistar a platéia presente a seu concerto na noite de sábado, em Curitiba. Bastou entrar no palco para ser ovacionado pelas mais de duas mil pessoas que estiveram no Teatro Positivo – ali estava uma das vozes mais belas da segunda metade do século 20, representante daquele punhado raro de artistas líricos cuja fama extravasa o mundo da ópera. Duas horas de música depois, no entanto, fica um gostinho melancólico nos ouvidos – o que vale mais, afinal: o mito ou o homem?
Carreras surgiu no cenário nos anos 70. Foi logo adotado pelo maestro Herbert Von Karajan – o belo timbre, a técnica refinada, um canto que saboreava cada palavra de personagens como o jovem apaixonado Rodolfo, de La Bohème, um de seus primeiros grandes papéis: enquanto Luciano Pavarotti e Plácido Domingo disputavam o posto de maior tenor da época, Carreras corria por fora. Até que, no fim dos anos 80, foi diagnosticado com leucemia, iniciando uma longa luta contra a doença. Saiu vitorioso e, o destino faz dessas coisas, voltou à cena ao lado justamente de Pavarotti e Domingo, iniciando, em 1990, a série de concertos dos Três Tenores, franquia mais bem-sucedida da história da ópera.
Ao chegar a Curitiba, Carreras falou sobre o projeto. Repetiu aquilo que os três sempre defenderam – o objetivo da iniciativa foi criar, com concertos ao ar livre, quase sempre para multidões, um novo público para a ópera. Quase 20 anos depois do surgimento da série, porém, cabe a pergunta: será que se criou um novo público para a ópera ou, na verdade, se criou um novo gênero, uma mistura de música popular e ópera, com estilos e interpretações próprias emprestadas de uma para a outra, gerando filhotes como Sarah Brightman, Andrea Boccelli, Charlotte Church?
O próprio Carreras, hoje, sobrevive à luz dessa mistura. Longe da ópera, o repertório de sua apresentação em Curitiba foi um mosaico de canções italianas, catalãs, operetas austríacas e espanholas, as chamadas zarzuelas. Individualmente, cada uma delas têm seu encanto: Marechiare, Era de Maggio, Musica Proibita, Chitarra Romana, Granada. Em conjunto, no entanto, formam um programa que esbarra no kitsch, com arranjos sinfônicos bonitos, sim, mas que matam a espontaneidade de sentimentos que, afinal, está na gênese de sua criação.
Carreras, não há dúvida, é um grande artista. Extrai o máximo dessas canções, constrói momentos dramáticos interessantes onde é possível fazê-lo. O belo timbre ainda aparece e é notável a maneira como consegue preservar contrastes na voz, que, se perdeu o brilho nas notais mais agudas, ganhou força nos graves. Mas as falhas no sistema de microfones, duplicando sua voz e causando efeitos incômodos sempre que o cantor se movimentava, se distanciando ou aproximando dos microfones posicionados no chão do palco, eram um lembrete constante de que aquele era um artista longe de seu auge, com problemas de sustentação e emissão. Carreras, por tudo que significou e ainda significa, merecia tratamento melhor por parte da produção do espetáculo.
Ao seu lado, participou do concerto a soprano chilena Veronica Villarroel. É um timbre encantador, espontâneo, bonito mesmo. Couberam a ela os únicos trechos de ópera da noite – entre árias de Adriana Lecouvrer e A Força do Destino, seu melhor momento foi “Un Bel Dì”, de Madame Butterfly. Juntos, ela e Carreras fizeram um dueto muito bonito, “Lippen Schweigen”, da opereta A Viúva Alegre, de Franz Léhar; e o mesmo vale para o dueto da zarzuela El Dúo de la Africana, de Manuel Caballero, com sua complicada mistura de ritmos tradicionais espanhóis. Foram os dois grandes momentos do espetáculo, no que colaborou a atuação da Sinfônica do Paraná, regida por Enrique Ricci, evidenciando a boa acústica do novo teatro.
Como bis, uma homenagem à música brasileira – Carreras cantou Manhã de Carnaval, Veronica escolheu Eu Sei Que Vou Te Amar. Mas a elegante inclusão de músicas brasileiras no programa virou patriotada barata com uma enorme bandeira brasileira descendo no fundo do palco ao som de Aquarela do Brasil, levando a platéia de VIPs e autoridades (aquelas que permaneceram até o final, pelo menos) ao delírio.
A pergunta do começo permanece. O que vale mais: o mito ou o homem? É bem provável que a resposta esteja em algum lugar no meio do caminho, o que a gente chama de realidade. Ou na escolha da emoção – lágrimas, afinal, podem surgir da mais profunda satisfação; ou da melancolia mais nostálgica.
05/03/2008 - 15:32h West Side Story, no DVD gravado por Leonard Bernstein
Partitura para não seguir regras, como seu compositor
DVD com gravação feita nos anos 1980 por Leonard Bernstein oferece olhar sobre o processo criativo do maestro americano
João Luiz Sampaio – O Estado de São Paulo
O compositor e maestro Leonard Bernstein (1918-1990) fez uma gravação de West Side Story – e apenas décadas após escrever o musical, em meados dos anos 80. Reuniu um elenco estelar – a soprano Kiri Te Kanawa e o tenor José Carreras, queridinhos do cenário operístico da época, a meio-soprano Tatiana Trotyanos, grande nome da ópera americana, e um jovem revelação, o barítono Kurt Ollman. O registro histórico tem face dupla: de um lado, o CD; de outro, o making-of das gravações. Ambos fazem parte de uma edição especial lançada no final do ano passado pelo selo alemão Deutsche Grammophon para marcar os 50 anos da estréia do musical (há também edições individuais dos dois produtos, todas elas importadas).
Não há muito a dizer sobre as vozes, além de ressaltar o modo especial como se combinam na recriação dessa música – Bernstein conta que, quando escrevia o musical, ouviu diversas vezes de Jerome Robbins e Stephen Sondheim que não escrevesse uma ópera; seu prazer secreto, revela, foi criar linhas de canto que se prestassem também à impostação lírica para, um dia, gravar o musical com cantores de ópera. O mais interessante, porém, é o DVD com o making-of da gravação, com curiosidades e lances para deixar qualquer melômano feliz: Bernstein se desentende com Carreras que, por sua vez, se aborrece e deixa o estúdio xingando algo em espanhol; reclama dos produtores, demonstra seu nervosismo quando um dos microfones falha e ele é obrigado a refazer um dos takes das Danças Sinfônicas; elogia Kiri, irritando as colegas; e por aí vai.
Dos momentos curiosos o que sobra, porém, é a própria personalidade de Bernstein. O gênio difícil sempre foi componente importante da imagem que o maestro e compositor vendeu ao mundo musical. Mais do que isso. Os auto-elogios, as auto-referências, as mudanças de humor – e a percepção de que todos esses elementos sugeriam uma mística em torno de si mesmo – mostram uma personalidade forte, e hábil, que escorregou para a música e permitiu ao compositor ser uma voz dissonante entre as escolas e tendências que pautaram a produção musical do século 20. Se Bernstein seguiu alguma escola, foi nela reitor, professor e aluno rebelde. E, nesse contexto, West Side Story, na apropriação que faz da cultura americana, na mistura de gêneros e na qualidade da escrita, seria a nota dez que garantiria ao artista formar-se como o grande nome da música americana do período.