05/07/2009 - 10:55h Base petista segue discurso de Lula pela manutenção de Sarney
Não faço parte da corrente petista Mensagem, de Tarso Genro e José Eduardo Cardoso, mas apoio a postura deles em relação a crise no Senado (ver embaixo).
O que está em jogo passa bem longe da ética ou da necessária luta contra os privilégios. Os que exigem o afastamento de Sarney em nome dos princípios republicanos só poderiam ser credíveis se exigissem Comissão de Ética para Arthur Virgílo e todos os outros senadores que como ele, mamaram conscientemente nas tetas irregulares desses privilégios.
Não o fazem porque o que os motiva é outra coisa. Bastaria José Sarney ingressar na ala do PMDB hoje alinhada com José Serra, para que cesse imediatamente a campanha contra ele. Se José Sarney proclamasse uma aliança com seus colegas, o senador Pedro Simon e o ex-governador Orestes Quercia, declarasse com força sua oposição a qualquer CPI do governo gaúcho e denunciasse como “eleitoreiras” as denuncias contra Beto Richa, os jornais passariam novamente a reverenciar o autor de Saraminda, considerando um prestigio contar com ele como articulista nas suas páginas.
Curioso é que os desmandos no senado perdurarem durante 14 anos e só agora à existência dos mesmos e os privilégios da sua burocracia mancomunada com uma parte dos senadores, apareçam a luz do dia. É que procuram cargar nas costas de Sarney, já bastante cargadas pela sua própria história, os desmandos que preexistiam a sua eleição como presidente.
Contrariamente as acusações que agora são lançadas contra Lula e o PT -a de determinar sua postura pelos interesses de Dilma e de 2010-, é precisamente porque os que visam Sarney o fazem exclusivamente pensando em derrotar Dilma e o PT em 2010 e não por ética alguma, que defendo a posição assumida pela corrente de José Eduardo Cardozo e por todo o PT. Trata-se de aproveitar está crise para passar a limpo a instituição, corrigir os desvios, aprimorar os mecanismos de controle e de transparência e acabar com os privilégios.
A tentativa de desbancar Sarney e debilitar o PMDB que governa com Lula, para depois manter toda essa podridão, mudando de foco para o próximo escândalo, não pode contar com o aval de nenhum militante honesto de qualquer partido.
Uma filiada ao PSDB fez circular um e-mail que dizia, grosso modo, como vou atacar os outros se “os nossos” agem igual (em referência a conduta escandalosa, irregular e vergonhosa do líder do PSDB no senado). A resposta me parece ser dupla: atuar politicamente em favor do fim das irregularidades no funcionamento do Senado e não reeleger Senadores como Arthur Virgílio. Pode juntar ao nome dele a de vários outros preeminentes líderes do seu próprio partido e aí sim, acrescentar o de Sarney e outros que ela considerar igualmente nefastos ao sistema democrático e republicano.
Perceberá rapidamente que, contrariando um certo niilismo alimentado por uma certa imprensa, encontrará sim no PT, PSDB, PMDB e outros partidos políticos, suficientes nomes para escolher. Pois, contrariamente ao udenismo rasteiro que ocupa o noticiário, a democracia brasileira e seus partidos -assim como as instituições republicanas- estão compostas em sua imensa maioria por homens e mulheres honestos e que agem nos partidos por paixão pela política e os destinos da nação. LF

Deputado, José Eduardo Cardoso, dirigente da corrente Mensagem “Não acho que a saída dele (Sarney) neste momento possa resolver o problema”
Importância de aliança com PMDB é destacada em reunião de corrente de Tarso Genro
Silvia Amorim – O Estado SP
O recado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos senadores petistas para que apoiem a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado, em defesa de um projeto vitorioso do PT em 2010, já surtiu efeitos na base do partido. Ontem, em encontro de uma das correntes do PT – a Mensagem ao Partido – , em São Paulo, o discurso dominante foi a favor da manutenção de Sarney no cargo.
Lançado oficialmente no fim da manhã como candidato da Mensagem ao Partido à presidência do PT, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) pediu uma apuração rigorosa das denúncias envolvendo Sarney e o Senado, mas defendeu a tese de que a crise – iniciada com o caso dos atos secretos – não é de uma pessoa, mas da instituição. “O PT deve ter posição firme para que se apure e puna quem quer que seja. Isso não se discute”, disse, em entrevista antes da abertura da reunião. “O que também não se pode imaginar é que a saída pura e simples de quem preside o Senado resolva todo o problema ético. Não acho que a saída dele neste momento possa resolver o problema.”
O ex-prefeito do Recife João Paulo, uma das lideranças da Mensagem ao Partido, corrente que tem entre seus líderes o ministro da Justiça, Tarso Genro – que não participou da reunião – , foi ainda mais enfático. Em discurso, ele disse que o PT não pode trocar “o acessório pelo essencial”. “A manutenção de Sarney (na presidência), pela importância que tem para uma candidatura da ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil), é o essencial. Estamos pagando um preço altíssimo e caríssimo, mas é em função do estratégico”, afirmou.
Os discursos indicam que o pedido de Lula deverá ser atendido no Senado e, mais importante, que já encontra apoio na militância. A Mensagem ao Partido nem é a ala petista mais ligada a Lula.
Na quinta-feira à noite, o presidente fez em um jantar com os senadores petistas e pediu apoio a Sarney, alegando que a aliança entre PT e PMDB não poderia se romper, sob a ameaça de desestabilizar a candidatura de Dilma ao Planalto em 2010. No dia anterior, parte dos senadores do PT havia se colocado publicamente favorável à saída do peemedebista da presidência.
Na próxima terça-feira, a bancada do PT no Senado fará uma reunião para fechar uma posição em relação a Sarney.
ELEIÇÕES INTERNAS
Se não houver surpresas até o dia 25 de julho, data final para o registro das chapas, cinco candidatos disputarão a presidência do PT. As eleição estão marcadas para novembro.
O favorito é o ex-senador e atual presidente da BR Distribuidora José Eduardo Dutra, nome da corrente Construindo um Novo Brasil, grupo de Lula e do atual presidente Ricardo Berzoini.
Com a bandeira da renovação do partido, Cardozo, hoje secretário-geral do PT, disse que o objetivo da disputa interna não é aprofundar as diferenças. “A ideia não é fazer uma disputa que desagregue o partido É fazer uma disputa que agregue. Precisamos estar muito coesos para eleger Dilma em 2010.”
É a segunda vez que o deputado lança uma candidatura à presidência do PT. Na anterior foi derrotado pelo atual presidente, Berzoini.
