23/11/2009 - 09:43h Antonio Donato foi eleito presidente do PT municipal no primeiro turno. Edinho Silva foi releito presidente estadual também no primeiro turno e José Eduardo Dutra deve ser confirmado hoje como o novo presidente nacional do PT

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Apuradas 80% das urnas da capital paulista, durante a noite de ontem, o vereador Antonio Donato contabilizava 65% dos votos. Também na capital paulista Edinho Silva atingia 94% dos votos e José Eduardo Dutra 82%. Estes resultados parciais concernem a votação na cidade de São Paulo. LF fonte twitter Donato


da Folha Online

O ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra (SE), favorito na disputa à presidência do PT, deve ser confirmado ainda hoje para o cargo.

Dutra tem o apoio dos principais líderes do partido, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e conseguiu unir três correntes do partido: Novos Rumos, PT de Lutas e Massas e Construindo um novo Brasil.

Ele defende a aliança do partido com o PMDB para 2010, mas não descarta antigos aliados, como o PC do B e o PSB.

O PED (Processo de Eleição Direta) do PT, realizado neste domingo (22), é considerado o maior processo de eleição de um partido no país. A expectativa era de que 200 mil filiados fossem às urnas.

Como a votação é manual, a apuração das cédulas só deve ser finalizada nesta terça-feira.

Se houver segundo turno, Dutra deve disputar o comando do PT com o atual secretário-geral, deputado José Eduardo Cardozo (SP), que conta com o apoio do ministro Tarso Genro (Justiça).

Também estão na corrida interna: Iriny Lopes (Chapa Esquerda Socialista), Markus Sokol (Chapa Terra, Trabalho e Soberania), Geraldo Magela (Chapa Movimento: Partido para Todos) e Serge Goulart (Chapa Virar à Esquerda, Reatar com o Socialismo).

A nova direção deve tomar posse em fevereiro, durante o 4º Congresso do partido, em Brasília, quando deve ser confirmada oficialmente a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão presidencial.

Ao longo do dia de ontem, os líderes do partido marcaram presença em todo o país na escolha do futuro comando do PT. A maior movimentação foi na sede do Diretório Nacional em Brasília. Pela manhã, o presidente Lula votou acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia, da ministra Dilma, de seu chefe de gabinete Gilberto Carvalho e do atual presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini.

Descontraído, Lula aproveitou para mandar recados aos correligionários e aos possíveis aliados do PT para 2010. Recomendou prioridade para o projeto de fazer seu sucessor e defendeu que se houver divergência, não seja um obstáculo para a campanha majoritária.

“Eu não tenho mais ilusão quando se trata de disputas locais, por mais que a gente oriente as pessoas de que deve prevalecer é o projeto nacional, normalmente, o que tem acontecido é que cada um olha para o seu umbigo e prevalece as questões dos Estados. O que é importante é que se houver divergências dentro da base aliada nos Estados, isso não seja impeditivo para a ministra Dilma”, disse Lula.

Dilma também falou das dificuldades em se conciliar os problemas nacionais com os regionais, mas usou um tom conciliador. “Eu sempre acho que não pode ser fundamentalista. Tem essa ótica nacional que ela sobrepõe necessariamente, mas há de se levar em conta as realidades locais porque os interesses locais são legítimos”, disse.

A ministra ainda recorreu a um discurso amigável para falar de um possível retorno de petistas à direção do partido que são réus do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal). Para Dilma, é natural que eles exerçam seus direitos políticos porque ainda não foram condenados.

“Olha, eu acho que o PT está procedendo de forma correta. Você não pode adotar uma prática que ocorreu muito no Brasil ao longo dos últimos anos que era, ao contrário da conquista democrática do ocidente que havia que provar que uma pessoa era culpada e não a pessoa provar que era inocente. Até agora, nós não temos nenhuma dessas pessoas julgadas ou condenadas em definitivo, então, acho normal que elas exerçam seus direitos políticos. Ninguém pode ser cassado a priori”, disse.

Segundo reportagem da Folha publicada no sábado (21), os favoritos, Dutra e Cardozo, afirmam que, se eleitos, não colocarão obstáculo à volta de petistas que são réus no mensalão, com o ex-ministro José Dirceu e os deputados federais José Genoino e João Paulo Cunha.

Na avaliação do presidente, o PT que foi às urnas ontem aprendeu com os erros. “O PT está hoje muito maior, muito mais consolidado, mais calejado, muito mais senhor da situação. Não existe na história da humanidade, na história política do mundo, um partido que estando no poder não tenha cometido erros. Isso aconteceu no mundo inteiro e aconteceu no PT. O que nós precisamos é ter clareza que os erros cometidos devem servir de ensinamentos para que a gente não erre outra vez.”

23/11/2009 - 08:43h PT escolhe direção e congresso que definirá programa de governo

Paulino Menezes
Foto Destaque
Lula: voto na direção do PT e reclamações contra diretórios que mantêm candidaturas contra o interesse da candidatura de Dilma; “cada um olha para seu umbigo”


Cristiane Agostine, Maria Inês Nassif, Paola de Moura e Sérgio Bueno, de Brasília, São Paulo, Rio e Porto Alegre – VALOR

No dia em que o PT fechou as urnas do seu Processo Eleitoral Direto (PED) como uma coroação do protagonismo que deverá retomar no processo eleitoral de 2010 e num governo de Dilma Rousseff, se a candidata vencer as eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva votou de camisa vermelha e deixou registrado o seu desagrado ao ao comportamento dos diretórios regionais do partido que não cederam nas negociações de aliança eleitoral com o PMDB. “Eu não tenho mais ilusão quando se trata de disputas locais. Por mais que a gente oriente as pessoas de que o que deve prevalecer é o projeto nacional, normalmente o que tem acontecido é que cada um olha para o seu umbigo e prevalecem as questões dos Estados”, disse. “O que é importante é que se houver divergências dentro da base aliada nos Estados, que isso não seja impeditivo para a ministra Dilma ter dois ou mais candidatos apoiando sua candidatura”, relativizou.

Lula referiu-se aos casos de Estados como Minas, Rio e Bahia, que mantém decisão de candidatura própria apesar de isso poder resultar no fracasso da negociação nacional com o PMDB. O presidente votou ontem pela manhã, na sede nacional do PT, em Brasília, acompanhado de sua esposa, Marisa Letícia, e da ministra Dilma.

Em Minas, o PED tornou mais remotas as chances de o partido abrir mão de uma candidatura própria (ver matéria). No Rio, a eleição está polarizada entre os grupos do PT que querem a aliança com o PMDB já no primeiro turno da eleição de 2010 e os que pleiteiam uma candidatura própria a governo do Estado. A pré-candidatura ao governo que está na mesa é a do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, que interpretou as declarações de Lula como reconhecimento de que partido não vai conseguir unificar todos os Estados.

Ao lado do presidente Lula na votação, a ministra e pré-candidata Dilma disse que o PT não pode “ser fundamentalista” na articulação de alianças com outros partidos nos Estados. A ministra, no entanto, afirmou que o que for decidido pelo Congresso do PT, em fevereiro, sobre as alianças deverá ser seguido nos Estados.

Embora pareça uma contradição, terminado o PED o PT deverá se envolver na construção do “protagonismo” reclamado por todos os candidatos a presidente durante a campanha que terminou ontem, com a provável vitória em primeiro turno do ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra, candidato da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), que teve o apoio do grupo Novo Rumo, que tem na ex-prefeita Marta Suplicy uma de suas expoentes, e do PT de Lutas e de Massas, facção ligada à família Tatto que chegou ao segundo turno PED de 2009, na disputa pela presidência do PT. O resultado oficial deve ser proclamado na terça-feira.

Além de definir o presidente do partido e a composição do Diretório Nacional – que deverá escolher a Executiva – pelos próximos três anos, os filiados que compareceram ao PED escolheram também os delegados do congresso nacional que será realizado em fevereiro. Instância máxima do PT, tem o poder de definir as diretrizes partidárias, as políticas de alianças e normas de condução interna.

Com número de delegados proporcional à votação do PED, cada uma das oito chapas ao Diretório Nacional (que concorreram simultaneamente aos seis candidatos a presidente da sigla) terá condições de participar do congresso, que deve ter cerca de 1.300 delegados – um para cada mil filiados. “Por menor que os grupos sejam, eles têm sempre voz; se não disputarem, somem da dinâmica partidária”, afirmou o deputado José Genoíno, ex-presidente da legenda.

Durante o processo eleitoral, questões programáticas e de alianças foram intensamente debatidas e todos as candidaturas, mesmo as mais ligadas ao presidente Lula, concordam que num terceiro governo do PT, sem Lula, o partido terá de ter um protagonismo maior nas definições programáticas e nas decisões de governo. “O partido não tem que conceber políticas públicas apenas quando está na oposição”, afirmou o deputado federal José Eduardo Martins Cardozo (SP), candidato a presidente pela Mensagem ao Partido, que deve sair como a segunda força do PT dessas eleições, mesmo sendo uma tendência relativamente nova – foi criada após o escândalo do mensalão, em 2005. “A confusão entre partido e governo permeou a ação partidária, muitas vezes com os presidentes do partido agindo como porta-vozes do governo, e não do partido”, disse.

Eleitor de Cardozo, o ministro Tarso Genro defendeu, num eventual governo de Dilma Rousseff, um partido “mais organizado, mais vinculado aos movimentos sociais e mais integrado às grandes decisões políticas do governo.” Com a ressalva de que o atual presidente, deputado Ricardo Berzoini (SP), “desempenhou seu papel num momento difícil da vida do partido”, durante a chamada crise do Mensalão, a ex-prefeita Marta Suplicy, que apoiou a chapa de Dutra, disse que ele foi a “reboque” de Lula e de Dilma e o PT tende a retomar o controle nessas eleições.

Também há uma convergência nas questões programáticas e nas opiniões sobre políticas de alianças – embora os candidatos à esquerda, como Markus Sokol, da Tendência “Terra, Trabalho e Soberania” e Serge Goulart, da “Virar à Esquerda, Reatar com o Socialismo”, sejam contrários à aliança com o PMDB. As demais tendências, agrupadas em torno dos candidatos José Eduardo Dutra, Geraldo Magela, Iriny Lopes e Cardozo defenderam o fortalecimento do núcleo de esquerda na aliança eleitoral e numa eventual coalizão sem, no entanto, descartar uma aliança eleitoral com o PMDB. Essa confluência resulta também num entendimento generalizado de que programaticamente o PT pode caminhar para compromissos mais progressistas com Dilma do que nos dois governos de Lula. “Existem tarefas que agora podem ser realizadas; antes não podiam”, afirmou o ex-deputado e ex-presidente do partido José Dirceu. Ele aponta como temas o aprofundamento da distribuição de renda e reformas política, educacional, tecnológica e de gestão pública, além de questões ambientais no agronegócio e na agricultura familiar. “A sociedade espera um maior papel do Estado e não sei se isso é guinar à esquerda, porque não sei se o empresariado vai ser contra.”

Integrantes de tendências mais à esquerda do partido, no entanto, estão pessimistas quanto a possibilidade de o PT dar uma guinada à esquerda. Sokol disse que houve uma recomposição do antigo Campo Majoritário, que tinha ampla maioria no partido até o escândalo do mensalão. O dirigente e candidato defende o debate da atualização do índice de produtividade da terra e o aumento do controle estatal sobre as reservas de petróleo.

23/11/2009 - 08:18h Ex-senador deve ser eleito presidente do PT

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José Eduardo Dutra, Edinho Silva e Antonio Donato, são os favoritos para presidente nacional, estadual e municipal do PT

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP

O ex-senador José Eduardo Dutra deve confirmar hoje seu favoritismo e ser eleito presidente do PT. Segundo dados extra-oficiais da noite de ontem, eram grandes as chances de uma vitória ainda no primeiro turno. Dutra é da chapa Construindo um Novo Brasil (CNB), o antigo Campo Majoritário do partido. Seu principal rival é o deputado federal e atual secretário-geral petista, José Eduardo Cardozo, do grupo Mensagem ao Partido.
Os outros quatro candidatos à presidência são Geraldo Magela, Iriny Lopes, Markus Sokol e Serge Goulart.
Os filiados ao partido votavam diretamente nas chapas. Além da direção nacional, foram eleitas lideranças estaduais e municipais.
Os filiados foram às urnas em mais de quatro mil municípios no país. O resultado oficial será anunciado até amanhã. A nova direção será escolhida com base no número de votos das chapas. A posse ocorrerá em fevereiro. O mandato foi estendido de dois para três anos.
As eleições do PT neste ano marcaram a união das principais correntes da sigla ainda no primeiro turno da disputa. “Esse foi o PED [Processo de Eleição Direta] de maior convergência entre as candidaturas. Não vai deixar sequelas, como aconteceu em outros anos”, afirmou Dutra.
Na eleição anterior do partido, em 2007, Ricardo Berzoini, atual presidente, e o deputado federal Jilmar Tatto, do PT de Lutas e Massas, foram para o segundo turno.
No Estado onde está pelo menos um terço dos filiados do partido, a CNB e as correntes Novo Rumo e PT de Lutas e Massas fecharam um acordo que envolveu as três esferas de poder da sigla -municipal, estadual e nacional.
A tendência Novo Rumo, ligado à ex-prefeita da capital Marta Suplicy e uma dissidência da antiga ala majoritária, fechou apoio ao nome de Dutra para a presidência.
Em troca, a CNB apoiou Antonio Donato, do Novo Rumo, para o Diretório Municipal. Edinho Silva foi escolhido pelas duas correntes para comandar o partido no Estado, pelo segundo mandato consecutivo.
“O PT conseguiu uma união sem grandes turbulências, uma lição de maturidade que todos deveriam aproveitar”, afirmou Marta. (ANA FLOR E JOSÉ ALBERTO BOMBIG)

11/09/2009 - 14:55h 2010: Provável futuro presidente do PT diz que candidatura de Marina estimulou Ciro a se candidatar também


Para Dutra, base irá fragmentada no 1º turno

César Felício, de Belo Horizonte – VALOR

Favorito para a eleição interna para a presidência do PT, o ex-senador José Eduardo Dutra (SE), da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), já trabalha com um cenário de fragmentação do quadro eleitoral em 2010 tanto para a Presidência da República quanto nas eleições estaduais.

“Qual foi o efeito imediato da possível candidatura da senadora Marina Silva pelo PV? o Ciro Gomes (PSB) se sentiu estimulado a ser candidato. Ele tem uma tese que a eleição no próximo ano não deve ser plebiscitária. O Ciro vinha sendo convencido da importância de uma eleição bipolarizada, mas agora reposicionou-se como candidato”, afirmou Dutra, referindo-se ao deputado cearense a quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta convencer a transferir o título eleitoral para São Paulo e lançar-se candidato a governador.

Segundo Dutra, “o PT vai insistir na aliança, até porque quer manter a unidade nos Estados governados pelo PSB, mas é certo que no segundo turno, o campo governista estará unido”, disse.

Dutra afirmou ainda que o partido estará preparado para a multiplicidade de candidatos da base governista nos Estados. Minas Gerais é um dos Estados onde a divisão é possível. O ministro das Comunicações, Hélio Costa , é o virtual candidato do PMDB e há uma disputa dentro do PT pela cabeça de chapa entre o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.

“Vamos tentar reproduzir ao máximo a aliança nacional. Mas em Estados onde isso não for possível, será possível um consenso por regras de convivência. Minas Gerais não é o quadro mais grave. O mais grave é na Bahia”, afirmou. Na Bahia, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), colocou-se como candidato, contra a reeleição do governador petista Jaques Wagner.

Dutra visitou Belo Horizonte para o lançamento da candidatura à presidência estadual do PT do dirigente Gleber Naime, que apoia a pré-candidatura de Patrus. No dia 26, deve voltar a Minas para o lançamento da candidatura estadual à reeleição do deputado Reginaldo Lopes, que apoia Pimentel. O ex-senador negou que a eleição direta petista seja uma prévia da disputa interna entre Patrus e Pimentel.

“O processo de eleição direta do PT não tem a tarefa de substituir a prévia para a escolha do candidato ao governo. Nem aqui em Minas e nem em outros Estados”, afirmou. Hegemônico no atual comando do partido no Estado, Pimentel continua apostando na eleição interna petista para evitar as prévias. Seu grupo político lançou uma chapa própria, chamada “PT para Todos”, para a disputa nacional, sem indicar um candidato a presidente.

É uma forma de apoiar Dutra para o comando da sigla e ao mesmo tempo demarcar seu território no Estado. Uma vitória da “PT para Todos” em Minas será utilizada por Pimentel como um sinal de que tem o apoio da maior parte do partido para concorrer ao governo em 2010.

Uma possível aliança entre PT e o PMDB também passará por uma disputa interna pemedebista. Com apoio do ex-governador Newton Cardoso, o deputado estadual Adalclever Lopes disputa a presidência estadual da sigla contra o deputado federal Antonio Andrade, ligado a Hélio Costa. Dentro do PT, uma vitória de Adalclever seria vista como o fim da possibilidade de uma composição de Hélio Costa com o PSDB do governador Aécio Neves. Se Antonio Andrade ganhar, o ministro das Comunicações fica fortalecido para negociar apoio à sua candidatura tanto entre os petistas como com Aécio.

15/06/2009 - 12:07h Divisão do PT em eleição interna mantém a salvo apoio a Dilma

Raymundo Costa, de Brasília – VALOR

estrela_sobe1.jpgNo momento em que o PSDB não consegue superar a divisão interna, a consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) uniu o PT e devolveu ao partido a expectativa de manter o poder, o que não dispunha, de fato, até bem pouco tempo. O resultado é que a lógica de fração que preside a sigla deve prevalecer na renovação do comando partidário, em 22 de novembro, mas esta será uma eleição em que os petistas devem demonstrar um raro entendimento entre suas tendências.

“Agora temos um candidato de verdade”, diz o líder na Câmara, Cândido Vacarezza (SP). Há até quem defenda a formação de uma chapa única com base na proporção de cada grupo na última eleição, caso do deputado José Genoino (SP). “Então nós transformaríamos o dia da eleição num grande evento de unidade política”, diz o deputado.

É difícil, como reconhece o próprio candidato do grupo majoritário, o presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra. Integrante da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), Dutra tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já abriu negociações com as demais tendências do PT, inclusive a segunda maior delas, a Mensagem, que tem como líder o ministro Tarso Genro e deve concorrer com o deputado José Eduardo Cardozo (SP). Dutra acha que a lógica de fração deve se manter em mais essa eleição: é a maneira que os grupos petistas têm de medir sua força – “contar as garrafas”, como dizem os petistas históricos. Afastado há sete anos da rotina petista, Dutra procura agora restabelecer a convivência partidária para se favorito.

Uma demonstração do novo clima vivido pelo PT é o apoio dado pelo ex-ministro José Dirceu ao candidato Dutra, embora o ex-presidente da Petrobras não seja o seu candidato dos sonhos. O governador Marcelo Déda, que encampou a tese de refundação do ministro Tarso Genro, na crise do mensalão, apoia a candidatura do aliado, que antes do governo Lula era senador por Sergipe. Dutra agora conversa com outras três tendências que já haviam fechado com a CNB, se o candidato fosse Gilberto Carvalho (Lula não liberou seu chefe de gabinete): Novo Rumo, do líder na Câmara, Cândido Vacarezza (SP), que deve apoiá-lo, PT de Lutas de Massa, do deputado Jilmar Tatto (SP) e Movimento PT, capitaneada pelo deputado Arlindo Chinaglia (SP). “Já tivemos uma conversa. Mas no momento a posição que prevalece é a que foi tirada em encontro nacional pela candidatura própria”, diz Chinaglia.

Vacarezza acredita que “essa eleição não será ditada pela lógica das tendências”, isso porque o partido fechou com Dilma e pelo fato de as pesquisas indicarem que a candidatura da ministra é viável. E expectativa de manter o poder era algo que o PT não tinha, a ponto de o partido namorar com a ideia do terceiro mandato: Genoino é o relator da emenda que tramita no Congresso e pretende apresentar seu parecer na próxima quinta-feira ou, no máximo, na terça-feira 23. “No mérito eu sou contra, mas a fundamentação lá na CCJ tem de ser de técnica, e eu ainda não escrevi o parecer”, diz o deputado. De fato, cabe à Comissão de Constituição e Justiça apenas se manifestar sobre a constitucionalidade da emenda e não sobre seu mérito.

Para o líder na Câmara, a consolidação da candidatura Dilma permitiu dois movimentos ao PT, um ofensivo, no sentido da unidade, e outro defensivo, pois fica claro ao partido que “se nós começarmos a brigar entre nós, vamos ter problemas”. Integrante do Diretório Nacional, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh lista os aspectos em torno dos quais se costura a unidade petista, no momento: “A candidatura Dilma, a defesa do governo e a política de alianças”. Vacarezza acrescenta mais um: “Os elementos já postos para a campanha da Dilma, como a continuidade com mudanças”, diz. Ou seja, “a correção de eventuais erros e o aprofundamento dos acertos”, acentua Vacarezza.

O reconhecimento da viabilidade da candidatura Dilma, no entanto, não ilude o candidato favorito para presidir o PT, José Eduardo Dutra: “Vai ser uma eleição polarizada com o Serra (José Serra, governador de São Paulo) e muito difícil, mas temos todas as condições de vencer”, diz ele. O PT celebra uma pesquisa que encomendou ao instituto Vox Populi, na qual aparece com 29% dos 49% dos eleitores que declararam ter preferência partidária, muito à frente do PMDB, com 8% e do PSDB, com 7%. Outra medição: o PT é o partido com maior “recall”, com 35%, enquanto o PSDB parece em terceiro, com 14%, atrás do PMDB e seus 24%. E caiu por terra a percepção de que o PT atrapalhava o governo Lula: 70% responderam que o partido ajuda no país a crescer.

Apesar do otimismo sobre a unidade manifestado pelos petistas, no entanto, pelo menos um aspecto da lista de convergências já está dando problemas: a política de alianças. Todos concordam que a aliança nacional deve reger os acordos regionais. Dutra inclusive acredita que pode formalizar a coligação com o PMDB, de vez que na próxima eleição não haverá mais verticalização (a lei que condicionava as coligações estaduais à coligação nacional). O problema é que cada petista concorda com a tese da aliança ou prioridade de coligação com o PMDB desde que seja no Estado vizinho.

No Rio Grande do Sul, o argumento é que PT e PMDB são partidos que, tradicionalmente, polarizam as eleições gaúchas. Em Minas Gerais, são dois os candidatos de porte desavindos desde a eleição municipal: o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito Fernando Pimentel – mas é Hélio Costa (PMDB) quem está na frente das pesquisas. No Rio de Janeiro o PT quer quebrar o acordo com o PMDB.

Certo, mesmo, parece ser a adesão do PMDB paulista a Serra e a convicção da cúpula petista de que poderá convencer Ana Júlia Carepa que ela não tem chance de reeleição ao governo do Pará, se não se aliar ao deputado Jader Barbalho, mais forte pemedebista no Estado.

08/05/2009 - 11:55h PT ratifica apoio a Dilma, pressiona por Carvalho e negocia palanques estaduais

Ruy Baron/Valor – 15/9/2005

Gilberto Carvalho: chefe de gabinete é o único nome de consenso para comandar partido, mas Lula resiste a cedê-lo

 

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

estrela_sobe.jpgO Diretório Nacional do PT reúne-se hoje e amanhã em Brasília para discutir a sucessão de 2010 e a eleição interna para a presidência da legenda em novembro deste ano, que terá 1,35 milhão de filiados aptos a votar. O encontro vai ratificar o apoio à candidatura da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, e espera avançar na escolha do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, como candidato de consenso para presidir o partido pelos próximos dois anos. O problema é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não quer ceder tão facilmente seu assessor pessoal.

Segundo apurou o Valor, três razões reforçam a resistência de Lula: a primeira, oficial, é que Carvalho exerce um papel importante no governo, filtrando conversas e visitantes e falando em nome do presidente, autorização concedidas a poucos na administração federal. A segunda, já expressada pelo próprio Lula a Carvalho, é que ele é “por demais cordato, cavalheiro”, o que poderia torná-lo presa fácil da máquina partidária. O terceiro, uma vingança pelo fato de o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, ter sido presidente interino em 2006 e, quando houve a eleição interna de 2007, ter sido massacrado por diversas correntes petistas.

Nenhuma das razões significa que Carvalho não possa tornar-se o presidente da legenda, como sonha a maioria do partido. Mas significa que muito há por se desenrolar daqui até novembro. “O jogo ainda está verde”, resumiu um dos mais próximos colaboradores do presidente Lula. Mas o PT está cada vez mais angustiado com a demora.

“Se o Carvalho lançar-se candidato, ele terá 70% de apoio assegurado. Não que não tenhamos outros nomes qualificados para o cargo. Mas sem ele, haverá disputa interna e o partido perderá um tempo enorme posteriormente reconstruindo alianças internas”, justificou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

Uma pessoa próxima do presidente Lula lembra que este é o mesmo discurso de 2006, quando Garcia foi obrigado a assumir interinamente a presidência da legenda. Na época, o atual presidente do partido, Ricardo Berzoini (SP), foi obrigado a licenciar-se por “escândalo dos aloprados”, a montagem e compra de um suposto dossiê contra a candidatura de tucanos em São Paulo. Lula cedeu Garcia, que era seu assessor especial para assuntos internacionais – cargo que voltou a ocupar posteriormente -, para presidir o PT.

“Foi um presidente excepcional, que liderou o partido em um momento complicado”, recorda um ministro. “Ele não apenas consolidou a vitória de Lula como costurou uma aliança com o PMDB, viabilizando a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara, embrião da entrada do PMDB no governo”.

Veio a eleição interna do partido no ano seguinte e Garcia foi boicotado publicamente por diversas correntes, alegando que ele era atrelado ao governo e que o partido precisava de um nome mais independente. Na cabeça de Lula, o cenário pode se repetir. “Naquela época o problema também não era do presidente, mas ele acabou ajudando. Tornou-se um problema dele quando Garcia foi queimado internamente. Lula quer que o PT queime um pouco a cabeça em busca de soluções”, repetiu um ministro.

Internamente, a cada dia que passa, o PT se convence cada vez mais de que Carvalho é o melhor candidato. “Só precisamos convencer o Lula”, enfatiza o líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Internamente, eles até fazem uma analogia com a candidatura Dilma.

Pleiteada por diversos nomes, num leque que passa pelos ministros Tarso Genro (Justiça), Fernando Haddad (Educação) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), a vaga de pré-candidato do PT foi entregue a Dilma por uma decisão pessoal do presidente. E o partido calou-se. Há seis meses, ela nem sequer era um nome viável, muitos alegavam que Dilma não tinha vida partidária. Hoje, aparece como um nome consensual, que paira sobre todas as tendências.

Da mesma maneira, Lula, na visão dos petistas, poderia se convencer de que não há alternativas a Carvalho e ceder de uma vez o auxiliar. O ex-governador do Acre Jorge Viana entende as razões do presidente Lula. Segundo ele, quem foi do Executivo sabe a importância de algumas peças na estrutura de governo. Mas, lembra que, apesar da eleição interna ser em novembro, o futuro presidente do PT só assumirá o cargo no início do ano que vem. “Não podemos ficar até o fim do ano discutindo outros nomes. Precisamos unir forças para construir e consolidar a candidatura Dilma”, declarou.

Um petista que conhece bem o presidente Lula intui que todos os caminhos levarão a Carvalho. Mas acredita que o feeling político do presidente Lula fará com que ele só libere seu auxiliar mais para frente. “A eleição será em novembro, as regras gerais serão divulgadas apenas em agosto. Por que Lula se anteciparia lançando o Carvalho agora”? questionou.

Fontes do governo e do PT citam pelo menos outros oito nomes que estão na agenda da sucessão petista, mas há restrições a todos, entre eles Luiz Dulci, Fernando Pimentel, José Eduardo Dutra, José Eduardo Cardozo, Marta Suplicy, Ideli Salvatti, José Fillipi Júnior, nome pouco conhecido da legenda, ex-tesoureiro do partido.

O futuro presidente terá a tarefa de consolidar as alianças estaduais, com a maior parte dos aliado mas, principalmente, com o PMDB, considerado parceiro preferencial. Em pelo menos quatro estados, esta parceria está praticamente descartada: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Pernambuco. Nos demais, apesar de algumas rixas sérias – como Bahia, Rio de Janeiro, Pará e Maranhão – a atual direção petista acha viável a dobradinha, desde que as conversas sejam bem conduzidas.

13/08/2007 - 19:26h Informe JB: Para Dirceu, PT está sem bandeira

Informe JB

Sérgio Pardellas

No que depender do ex-ministro José Dirceu, um novo Partido dos Trabalhadores emergirá das urnas este ano. Apesar de defender a reeleição do atual presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), provável candidato do antigo Campo Majoritário, corrente desgastada pelos escândalos que envolveram seus principais dirigentes nos últimos anos, Dirceu recita o discurso da renovação.

- O partido está completamente sem bandeira – reconheceu o ex-ministro durante evento de lançamento do seu novo site na internet, semana passada, em Brasília.

Para Dirceu, o PT precisa resgatar o elo com a juventude, aproximar-se da classe média e voltar a empunhar as bandeiras das reformas política e tributária, e da democratização da mídia. Na seara política, o petista promete trabalhar nos bastidores para aproximar o partido do PSB e PCdoB, embora considere a tarefa espinhosa. Em sua avaliação, as eleições municipais de 2008 serão o grande teste da coalizão governista.

- Apesar de a coalizão aprovar tudo no Congresso, não há um programa comum. Faltam regras claras – disse.

Mesmo sem o acerto de contas prometido pelo Campo Majoritário, destinado a punir de maneira exemplar os responsáveis pela grave crise ética e moral em que mergulhou o partido, Dirceu acredita que a tendência petista, depois de ganhar fôlego na correlação de forças internas, terá condições políticas para empreender as mudanças necessárias ao PT.

Berzoini, segundo Dirceu, é favorito porque o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, “não tem saúde, nem voto” para vencer; o ex-presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, carece de apoio; e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, “nem pensa em deixar o governo”.