31/10/2010 - 10:49h Continuidade prevalece sobre retrocesso

Bolso prevalece sobre aborto, internet e o papa

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Campanha difamatória pela internet, denúncias de corrupção, ataques físicos e até um pronunciamento do papa. Houve de tudo no segundo turno da eleição presidencial. Mas, no fim, o que prevalece é mesmo o bolso do eleitor e seu desejo de continuar consumindo.

As pesquisas de véspera da eleição, a começar pela do Ibope, confirmam a tendência identificada ao longo das duas últimas semanas: Dilma Rousseff (PT) deve ser eleita com 10 a 15 milhões de votos de vantagem sobre José Serra (PSDB). A razão por trás disso? A boa avaliação do governo Lula e a identificação da candidata petista como uma espécie de extensão do mandato do atual presidente. Esse foi o motor de toda a eleição, embora nem sempre tenha sido o foco do noticiário sobre a campanha.

As pesquisas do Ibope mostram que quase metade dos eleitores dão nota 9 ou 10 à atual administração federal. É um recorde que se explica pela expansão geométrica do consumo que fez algumas dezenas de milhões de brasileiros ascenderem para a classe C.

Após muito repetir o nome de Dilma, Lula conseguiu clonar sua imagem na candidata. Dilma transformou 4 de cada 5 fãs do presidente em seus eleitores: ela tem 79% dos votos entre quem acha o governo Lula “ótimo”.

O fator religioso, responsável por levar a eleição ao segundo turno, foi neutralizado nesta reta final. Com o tema do aborto interditado para ambos os candidatos, boa parte dos eleitores religiosos que haviam abandonado a candidatura de Dilma voltou a declarar voto nela.

A petista chega à eleição com 55% de apoio entre os católicos, contra 39% do adversário. Nem a pregação do papa Bento XVI contra candidatos que defendem o aborto, usada pela campanha de Serra no rádio, fez cair a intenção de voto de Dilma entre os fiéis da Igreja.

As oscilações dos candidatos nas pesquisas de intenção de voto está correlacionada com as buscas mais populares sobre os candidatos no Google. Nas últimas duas semanas, diminuiu a procura por temas negativos associados ao nome de Dilma, como “terrorista” e “aborto”.

Ao mesmo tempo, aumentou a busca por termos ruins para Serra, como “aborto” e “bolinha de papel”. Ou seja, a campanha difamatória de lado a lado através da internet se equilibrou. Quando os fatores acessórios se equalizam, o bolso fala mais alto.

É ESPECIALISTA NO USO DE PESQUISAS

29/10/2010 - 07:51h Só fato de grande repercussão muda tendência pró-Dilma

Jose Roberto de Toledo – O Estado SP

A ampliação da vantagem de Dilma Rousseff (PT) na reta final do segundo turno dificulta muito a tentativa de José Serra (PSDB) de virar a eleição na última hora. O tucano briga contra a inércia do eleitorado. A esta altura, só um fato novo de grande repercussão lhe daria chance de mudar a tendência do voto.

A petista se distancia do tucano em praticamente todos os segmentos importantes de renda, escolaridade e faixa etária. Nas maiores regiões, ela consolidou a proporção de 2 votos para 1 no Nordeste, e aumentou para dez pontos sua diferença no maior colégio eleitoral, o Sudeste.

O fator religioso, principal responsável por levar a eleição para o segundo turno, foi neutralizado. Dilma tirou a vantagem de Serra entre os evangélicos, ampliou sua diferença entre os católicos e recuperou parte dos eleitores agnósticos, ateus e de religiões não-cristãs.

A recomendação do papa aos bispos para que atuem politicamente no Brasil contra quem defenda o aborto poderia ser o fato novo esperado pelos partidários do tucano?

Para surtir efeito eleitoral, a manifestação de Bento 16 precisaria chegar rapidamente aos seguidores da Igreja e com força suficiente para reverter a preferência de 55% dos católicos pela petista. No primeiro turno, Dilma perdeu quatro pontos entre os católicos nos últimos dias de campanha.

Uma queda nessas proporções entre os católicos agora implicaria diminuir de 14 para 9 pontos a vantagem de Dilma no total. Sem contar o eventual efeito inverso que isso poderia resultar entre os evangélicos e eleitores anti-clericais.

Com a questão moral de lado, o bolso voltou a ser soberano na eleição. No começo do segundo turno, os programas sociais do governo federal brecaram a queda de Dilma e impediram que o tucano empatasse.

Mas foi no eleitorado não-bolsista que ela cresceu nas últimas duas semanas. Ele tem sido o responsável por aumentar sua diferença sobre Serra. Hoje, segundo o ibope, 2 em cada 3 eleitores da petista não participam de nenhum programa federal.

E por que esse eleitor declara voto nela? Muito provavelmente pelo bom momento da economia, que expande o emprego, a renda e, principalmente, o crédito para o consumo. Um indicador indireto disso é a avaliação do governo Lula.

Entre o terço de eleitores que dá nota 10 à atual gestão, Dilma tem 78% do total de votos. Entre os 15% que dão nota 9, ela tem 2 em cada 3 votos. O divisor de águas é a nota 8, que compreende 23% do eleitorado.

Nela, Serra chegou a empatar com Dilma no começo do segundo turno: 47% a 47%. Agora, a petista voltou a abrir uma pequena diferença, e lidera por 48% a 43%. De 7 para baixo, o tucano vence por larga margem, mas esses eleitores são apenas um quarto do eleitorado.

29/10/2010 - 07:21h Média móvel das pesquisas na antevéspera da eleição: Dilma 57% X 43% Serra

por Jose Roberto de Toledo – VOX PUBLICA

Incluídas as sondagens concluídas nesta quinta-feira por Ibope e Datafolha, a média das pesquisas permaneceu em 57% a 43% para DIlma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB), nos votos válidos. Estão também computadas nessa média os levantamentos do Datafolha concluído na terça-feira, e o do Sensus, fechado na segunda.

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Dilma chegou ao seu teto nesta eleição. Os 57% de votos válidos foram seu limite no primeiro turno e a partir de onde começou a cair. Na medida em que os indecisos se definirem, a vantagem da petista pode diminuir um pouco.

A dois dias da eleição, entretanto, apenas um fato novo de grande repercussão provocaria uma queda abrupta o suficiente para ameaçar a liderança de Dilma.

Vale notar que as diferenças entre os institutos estão todas dentro da margem de erro. No caso de Serra, ele tem entre 41% (Sensus) e 44% (Datafolha). Como a margem é de 2 pontos para ambas as sondagens, há um intervalo comum entre 42% e 43% dos votos válidos.

No caso de Dilma, ela tem entre 56% (Datafolha) e 59% (Sensus). Aplica-se a mesma regra, e encontra-se um intervalo comum de 57% a 58% dos votos válidos.

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O gráfico acima, com as buscas mais comuns no Google por palavras associadas aos nomes dos candidatos, mostra que os picos negativos de termos associados a Serra, como “aborto” e “bolinha de papel”, já esgotaram seu ciclo.

Já as buscas por associações negativas com Dilma (“aborto”, “terrorista” e “nem cristo”) ainda mostram resíduos, mas não nos mesmos níveis do final do primeiro turno, quando ela caiu na reta final e perdeu a maioria absoluta de votos válidos.

18/10/2010 - 10:27h A cor do voto

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

José Serra (PSDB) tem mais chances entre brancos e amarelos. Dilma Rousseff (PT) vai melhor entre pretos e pardos. Se cor da pele equivale a origem étnica, o tucano ganha por 5 pontos nos caucasianos/orientais. Entre os negros, a petista tem 15 pontos de vantagem.

A divisão do eleitorado por cor obedece às mesmas categorias do IBGE. Como no Censo 2010, os entrevistados se auto-classificaram aos pesquisadores do Ibope. Os dois grupos correspondem a 46% (brancos/amarelos) e 53% (pretos/pardos) do eleitorado pesquisado.

A variável não havia sido analisada até agora nesta eleição. Foi incluída na pesquisa pelo Ibope a pedido de grupos militantes do movimento negro.

Uma das conclusões mais importantes dessa análise é que a preferência de pretos/pardos por Dilma e de brancos/amarelos por Serra sobrevive ao controle dos resultados pela renda e escolaridade dos eleitores.

Negros que ganham mais e/ou que cursaram mais séries na escola continuam votando até 30% mais na petista. É um comportamento eleitoral muito diferente dos caucasianos e orientais das mesmas faixas de renda e escolaridade, que votam até 44% mais no adversário.

Considerando-se apenas os eleitores que frequentaram o ensino médio ou superior, Dilma tem 38% entre brancos/amarelos e 51% entre pretos/pardos. Serra tem praticamente os porcentuais inversos: 52% e 42%, respectivamente.

Entre os eleitores com renda superior a 5 salários mínimos, o topo da pirâmide eleitoral, a divisão do voto por cor segue na mesma proporção. Dilma tem 36% entre os brancos (contra 52% de Serra) e 51% entre os negros (contra 40% do adversário).

Há, portanto, fatores que diferenciam o voto dos dois grupos que vão além das condições sócio-econômicas em que vivem. A explicação parece ser tampouco a identificação entre eleitores e candidatos da mesma cor. Tanto Dilma quanto Serra são brancos e filhos de imigrantes europeus.

A sondagem do Ibope fornece pistas, mas não todos os elementos para explicar a clivagem do voto em função da auto-definição do eleitorado. O conjunto de pesquisas deixa claro, porém, que a cor não é o único fator, nem sequer o principal, para a escolha do presidenciável.

O voto é uma combinação da cor, religião, renda, escolaridade, ocupação e local de moradia do eleitor -não necessariamente nessa ordem. Essas variáveis têm pesos diferentes para cada um. O religioso dá mais importância à opinião do candidato sobre o aborto, por exemplo. Mas se esse eleitor for beneficiário do Bolsa-Família a opção por um ou outro presidenciável será mais complexa: a balança penderá às vezes para o bolso, às vezes para a orientação religiosa.

Esses pesos e contra-pesos matizam a importância da cor do eleitor na decisão do voto.

Nos segmentos intermediários de renda e escolaridade, Serra ainda vai melhor do que Dilma entre brancos/amarelos, embora sua vantagem não seja tão grande quanto entre os mais ricos e escolarizados da mesma cor.Já entre os mais pobres (renda até 2 salários mínimos), o tucano apenas empata com a petista no eleitorado branco (45% a 47%), e perde por 20 pontos no negro: 36% a 56%.

A divisão do eleitorado segundo a cor de sua pele encontra um paralelo na geografia do voto nas metrópoles brasileiras. Em São Paulo, os candidatos a presidente do PSDB em 2006 e 2010 obtiveram vantagens maciças nas zonas centrais, mais ricas e tradicionais da cidade.

Em bairros como os Jardins e Pinheiros, onde a grande maioria dos moradores é branca, Geraldo Alckmin (PSDB) obteve até 79% dos votos válidos em 2006. Serra ficou em 68%, mas porque parte desses eleitores optaram por Marina Silva (PV) -uma candidata que, dependendo dos olhos de quem a vê, poderia ser enquadrada em qualquer uma das categorias étnicas.

Substitua-se esses bairros por Copacabana, Leblon e Gávea e o quadro se repete no Rio de Janeiro. A única diferença é que o voto petista não fica limitado à periferia. Está também encastelado nas zonas eleitorais dos morros da Zona Sul, como Rocinha e Vidigal, onde Dilma teve maioria absoluta de votos no primeiro turno.

Os dados sugerem pauta para novas pesquisas e investigações. Por ora, indicam que os que ascenderam recentemente a condições sócio-econômicas melhores mas ainda moram nas mesmas áreas onde viviam seus pais votam majoritariamente em presidenciáveis do PT.

Será curioso observar o comportamento desses emergentes ao longo das próximas eleições. Será que eles se manterão fiéis aos partidos que reivindicam tê-los ajudado a melhorar de vida, ou assimilarão a preferência eleitoral dos novos vizinhos?

Onde foi parar o “fenômeno” Marina? Veja a migração dos ex-votos da candidata do PV

por Jose Roberto de Toledo – Blog Vox Pública

17 outubro 2010

O Distrito Federal foi a única unidade da Federação onde Marina Silva (PV) foi a candidata mais votada no primeiro turno. Não por coincidência, é um dos locais onde José Serra (PSDB) empatou com Dilma Rousseff (PT) na pesquisa Ibope de segundo turno: 45% a 43%.

O DF é um bom exemplo de como os eleitores de Marina escolheram seu candidato sem esperar orientação nem dela nem do seu partido. Isso aconteceu por razões diversas. Para começar, há diferentes eleitores de Marina. Os evangélicos, segundo o Ibope, migraram na proporção de 3 a 1 para Serra. Foi a maior diferença. Entre os marinistas católicos a proporção foi metade dessa.

A migração dos eleitores de Marina para Serra foi proporcionalmente maior entre as mulheres e entre os jovens. Também quem votou em Marina e tem nível superior optou duas vezes mais pelo tucano do que pela petista.

Já entre aqueles que se auto-classificam como brancos, Serra ficou com mais ex-votos de Marina do que Dilma. O oposto aconteceu entre os eleitores que, pelos mesmos critérios, se auto-denominaram pretos e pardos.

Em resumo, Serra retomou os eleitores de Marina que tinham um perfil semelhantes aos múltiplos grupos que compõem o eleitorado serrista: brancos que fizeram faculdade e mulheres evangélicas que não querem ouvir falar em mudança na lei do aborto, por exemplo. Em eleições passadas, esses eleitores mais provavelmente votaram em candidatos do PSDB.

Dilma ficou com um minoria que tem características demográficas mais parecidas com seu eleitorado de origem.

Na prática, nada mudou. O “fenômeno Marina” não foi realmente um fenômeno. Foi apenas um grito de alguns ex-eleitores tucanos (principalmente, mas também petistas), cansados da polarização entre os dois partidos. E que voltaram ao ninho original no segundo turno.

Não por acaso, Marina não recomendou voto nem em Dilma nem em Serra. Tinha muito pouca gente escutando.

25/09/2010 - 10:04h Ibope: Dilma vence no 1° turno. Intenção de voto na candidata do PT mostra estabilidade em todas as pesquisas

24/09/2010. Porto Alegre – RS. Ato Político. Foto: Roberto Stuckert Filho.

Só haverá 2º turno se rivais do PT virarem 5 milhões de votos

Análise: José Roberto de Toledo – O Estado SP

As oscilações registradas pela pesquisa Ibope se devem principalmente à conversão dos indecisos. Eles caíram de 8% para 5% em uma semana e beneficiaram os candidatos de oposição. Com isso, a soma de brancos, nulos e indecisos chegou a 10%. Está muito próxima do que foram os brancos e nulos na eleição de 2006: 8,4%.

Logo, a fonte de votos dos indecisos está se esgotando como fator de crescimento dos oposicionistas. Na semana que falta até a eleição, José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) precisarão, necessariamente, “roubar” eleitores de Dilma Rousseff (PT) para conseguir levar a eleição para o segundo turno.

Não é uma tarefa fácil. Dilma tem cerca de 10 milhões de votos a mais do que a soma dos adversários. Se cooptarem metade, ou seja, 5 milhões de eleitores, haveria uma boa chance de segundo turno. Isso equivale a virar 625 mil votos por dia, de hoje até a eleição.

Para isso ocorrer, é necessário um fato novo. As denúncias apresentadas até aqui contra a candidatura da petista parecem estar perto do limite de seu impacto eleitoral.

A queda da ministra Erenice Guerra, da Casa Civil, teve um impacto limitado sobre a eleição. Apenas 27% dos eleitores souberam da demissão, tomaram conhecimento que a causa foi a acusação de que filhos da ministra intermediaram negócios com o governo e acham que isso é verdadeiro em algum grau. Mas 1 em cada 3 desses ainda vota em Dilma.

Na prática, apenas 9% dos eleitores admitem que o caso influenciou ou pode influenciá-los: 4% dizem que já mudaram de candidato e 5% afirmam que estão repensando seu voto. Porém, os percentuais são iguais para os eleitores de Dilma e de Serra. Logo, eventuais mudanças podem anular umas às outras.

A exigência de dois documentos para poder votar (título de eleitor e um documento com foto) não parece ser um fator decisivo no resultado da eleição. Nada menos do que 95% sabem da exigência e estão preparados para levá-los à urna. Não há diferença nisso entre os eleitores de Dilma e de seus adversários.

24/09/2010. Porto Alegre – RS. Ato Político. Foto: Roberto Stuckert Filho.

Ibope: Serra sobe, vantagem diminui, mas Dilma ainda vence no 1º turno

Petista tem 9 pontos porcentuais a mais que a soma de todos os adversários; há uma semana essa dianteira era de 14 pontos

Daniel Bramatti/SÃO PAULO – O Estado de S.Paulo

Em uma semana, a preferência dos eleitores pela petista Dilma Rousseff caiu de 58% para 55% dos votos válidos, enquanto os que optam pelo tucano José Serra aumentaram de 28% para 31%. Marina Silva (PV) tem 13% dos votos válidos. A candidata governista venceria no primeiro turno se a eleição fosse realizada hoje, segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo.

A contagem dos votos válidos exclui nulos e em branco, além de indecisos. São esses os números que o Tribunal Superior Eleitoral divulgará na apuração oficial. Em relação ao total dos votos, Dilma oscilou de 51% para 50%, enquanto seu principal adversário subiu de 25% para 28%. O crescimento do tucano se deu sobre os eleitores indecisos – os que não sabem em quem votar caíram de 8% para 5%. Marina oscilou um ponto para cima, de 11% para 12%.

Há uma semana, a candidata do PT tinha 14 pontos porcentuais de vantagem sobre a soma dos adversários, no cálculo dos votos totais. Agora, essa diferença diminuiu para 9 pontos. Se a soma dos adversários ultrapassar o índice de Dilma, haverá segundo turno.

Na hipótese de uma segunda rodada eleitoral entre a petista e o tucano, ela é favorita: venceria por 54% a 32%.

Efeitos do escândalo. É a primeira pesquisa Ibope a captar integralmente a repercussão da demissão de Erenice Guerra do cargo de ministra-chefe da Casa Civil, após denúncias de tráfico de influência envolvendo parentes dela, ex-braço direito de Dilma.

Segundo o Ibope, 46% dos eleitores tomaram conhecimento da queda da ministra. Pouco mais de um terço do total de entrevistados disse saber o motivo da demissão – a acusação de que parentes se utilizavam da influência de Erenice para intermediar negócios de empresários com o governo federal, em troca de vantagens. Para 22% do total, a acusação é verdadeira, e, para 21%, tem um fundo de verdade, mas foi exagerada. Outros 6% consideraram a denúncia falsa, e 52% não souberam responder.

Entre os eleitores com escolaridade superior – os mais bem informados sobre o escândalo -, Serra subiu de 30% para 33%. Mas Dilma não caiu – permaneceu com 37%, índice que apresenta desde o início de agosto.

No segmento com até quatro anos de estudo, a petista oscilou de 56% para 55%, quanto Serra subiu de 22% para 29%. Nessa faixa, o número de indecisos caiu praticamente pela metade – de 11% para 6%.

Geografia do voto. O crescimento de Serra se concentrou em duas regiões. No Sudeste, ele subiu de 24% para 30%. No Nordeste, foi de 16% para 20%. Nas mesmas regiões, Dilma passou de 48% para 45% e de 66% para 64%.

Na divisão do eleitorado por renda, o tucano melhorou sua performance em todas as faixas. Seu melhor índice ocorre entre quem ganha mais de cinco salários mínimos: chega a 34% (eram 29%) e fica a apenas cinco pontos da candidata petista, que tem 39%.

A uma semana da eleição, a pesquisa mostra que 72% acham que Dilma será a sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – mesmo índice da semana passada. Os que acreditam em uma vitória de Serra eram 14% e passaram para 15%.

Os índices de rejeição apenas oscilaram: 21% para Dilma e 27% para Serra.

Pouco menos da metade dos entrevistados (48%) se declararam dispostos a votar no candidato apoiado pelo presidente Lula da Silva. Apenas 9% preferem eleger um representante da oposição, e 38% afirmam que não levarão em conta a posição de Lula na hora de votar.

A parcela do eleitorado que sabe que Dilma é a candidata de Lula é de 92%, Cerca de 1% acha que o representante do PSDB é o preferido pelo presidente, e o restante não sabe ou preferiu não responder.

Governo. O Ibope também avaliou o grau de satisfação do eleitorado com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para 80%, a gestão é ótima ou boa. Apenas 4% da população considera o governo ruim ou péssimo. Entre os que têm avaliação positiva do governo, 60% se mostram inclinados a votar em Dilma, e apenas 23% no principal candidato da oposição.

02/09/2010 - 08:33h Ibope aponta vitória da petista em mais unidades da Federação do que Lula em 2006

Dilma lidera sozinha em 20 Estados e no DF

José Roberto de Toledo ESPECIAL PARA O ESTADO – O Estado de S.Paulo

Mantido o cenário atual da sucessão presidencial, Dilma Rousseff (PT) teria uma vitória mais ampla que a de seu padrinho há quatro anos. Não apenas em quantidade e proporção de votos, mas também geograficamente. De acordo com o Ibope, ela lidera sozinha em 21 unidades da Federação, e está tecnicamente empatada com José Serra (PSDB) nas outras seis.

No primeiro turno de 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o mais votado em 16 Estados, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) venceu em 10 e no Distrito Federal. Lula obteve 48,6% dos votos válidos e precisou disputar o segundo turno. Dilma aparece, no fim de agosto, com 59% dos votos válidos, segundo o Ibope.

O mapa do desempenho dos candidatos a presidente nas unidades da Federação foi desenhado a partir da consolidação das mais recentes pesquisas estaduais do Ibope que foram divulgadas. Todas foram realizadas em agosto, mas em datas diferentes. A maior parte, depois do dia 20 de agosto.

Dilma supera Serra em quatro Estados onde Alckmin bateu Lula em 2006: Rondônia, Roraima, Goiás e São Paulo. Além disso, também ganha do tucano no Distrito Federal.

Os seis lugares onde a petista e o tucano estão tecnicamente empatados são todos Estados onde Lula teve menos votos que o adversário no primeiro turno de quatro anos atrás: Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Como Lula em 2006, Dilma lidera em todo o Nordeste. Mas a intensidade atual da liderança da petista é maior do que a vantagem obtida por Lula em 2006 em quase todos os Estados nordestinos, com exceção do Ceará. A pesquisa cearense é mais antiga que a dos outros Estados: foi concluída em 1.º de agosto.

Em Alagoas, por exemplo, Lula teve 47% dos votos válidos no primeiro turno de 2006, enquanto Dilma aparece com 69% dos votos válidos no Ibope. Em Sergipe ele teve 47% e ela, 65%.

Tanta vantagem em tantos Estados é o principal motivo de uma possível vitória de Dilma ainda no primeiro turno. Nas 20 unidades da Federação onde tem maioria absoluta dos votos válidos, a candidata do PT abre uma diferença de 18 pontos porcentuais sobre a soma de Serra e Marina Silva (PV).

Se incluirmos São Paulo na conta, a 21.ª unidade da Federação onde Dilma bate Serra, a diferença cai para 17 pontos, porque ela lidera entre os paulistas, mas não tem maioria absoluta (tem 48% dos votos válidos).

Como a diferença é menor, ou mesmo negativa, nos outros seis Estados, a vantagem nacional de Dilma cai para 9 pontos porcentuais.

Virada. A mais recente rodada de pesquisas do Ibope na Região Norte mostra que Dilma ampliou sua vantagem nos Estados da região. Ela virou em Rondônia, em Roraima e aumentou sua diferença no Amazonas, onde tem o melhor desempenho em todo o País: 78% dos votos válidos. Foi lá também que Lula teve sua vitória mais ampla em 2006.

Boa parte do crescimento da petista no Norte se deu à custa de eleitores que antes declaravam voto em Marina Silva, originária da região. No Acre, por exemplo, a disputa mudou de um empate técnico entre a candidata do PV e Serra, para um empate entre Dilma e o tucano.

Com exceção do Acre, os Estados onde há empate técnico entre Dilma e Serra são do Sul do País, ou sofreram forte influência imigratória dessa região, como são os casos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A comparação das duas últimas rodadas do Ibope nesses Estados mostra que Dilma diminuiu a vantagem de Serra e chegou ao empate. Isso também dificulta a tarefa do tucano de manter um reduto eleitoral que possa lhe garantir levar a eleição para o segundo turno.


28/08/2010 - 08:40h ”Onda vermelha” dá impulso a candidatos do presidente

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27/08/2010. Recife – PE. Ato Político. Foto: Roberto Stuckert Filho.

Análise: José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Cruzamentos da pesquisa Ibope mostram que a “onda vermelha” que empurra Dilma Rousseff começa a molhar os pés dos outros candidatos apoiados pelo presidente Lula. Em São Paulo, Aloizio Mercadante (PT) cresceu nove pontos e chegou a 23% das intenções de voto para governador.

Mercadante está longe de Geraldo Alckmin (PSDB), que tem 47%. Mas a comparação com a eleição de 2006 indica evolução mais rápida do petista. Há quatro anos, nessa fase da campanha, ele tinha 18%, contra 46% de José Serra (PSDB). O crescimento de Mercadante se deu principalmente entre os eleitores de Dilma (ele foi de 31% para 46% nesse grupo) e entre os que acham o governo Lula ótimo ou bom (foi de 17% para 29%).

Ainda em São Paulo, os candidatos da coligação apoiada por Lula lideram a corrida pelas duas vagas no Senado: Marta Suplicy (PT) e Netinho (PC do B). Embora este último esteja tecnicamente empatado com Orestes Quércia (PMDB), ele cresceu e o adversário não.

No Distrito Federal, o candidato de Lula, Agnelo Queiroz (PT), empatou com Joaquim Roriz (PSC). Em Pernambuco, o governador Eduardo Campos (PSB) ampliou em mais 13 pontos a sua vantagem sobre o principal adversário.

No Rio, o aliado de Lula, o governador Sergio Cabral (PMDB), mantém 42 pontos de dianteira sobre o rival Fernando Gabeira (PV). A novidade é que o candidato lulista ao Senado, Lindberg Farias (PT) chegou a 24% e encostou em Marcelo Crivella (PRB), que caiu de 37% para 30%.

A exceção é Minas Gerais, onde o ex-ministro Hélio Costa (PMDB) agora divide a liderança com o herdeiro político de Aécio Neves, Antonio Anastasia (PSDB). Entre os mineiros, parece prevalecer a aliança informal “Dilmasia”.

Na Bahia, o governador Jaques Wagner (PT) ampliou sua vantagem e agora pode ser reeleito ainda no primeiro turno, segundo o Ibope.

Os candidatos de sua coligação ao Senado aumentaram suas chances de vitória. Agora, Lídice da Matta (PSB) cresceu de 25% para 32% e está tecnicamente empatada com Cesar Borges (PR), que foi de 38% para 35%. E Walter Pinheiro (PT) também cresceu, de 23% para 29%.

É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM ESTATÍSTICAS

28/08/2010 - 07:33h É a continuidade, estupido!

2 em cada 3 votos vêm da transferência de prestígio do presidente; para 54% dos entrevistados, Dilma continuará governo Lula

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Recife – PE – 27/08/2010. Recife – PE. Ato Político. Foto: Roberto Stuckert Filho.



José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Por que 51% dos eleitores declara voto em Dilma Rousseff (PT)? Principalmente porque, entre todos os candidatos a presidente, ela é vista como “a que tem mais condições de dar continuidade ao governo Lula”. Mas não só por isso.

Segundo a maioria absoluta do eleitorado, Dilma é a melhor presidenciável para manter o poder de compra da população, assegurar o prestígio do Brasil no exterior e cuidar dos mais pobres.

O Ibope testou oito temas junto aos eleitores. Em apenas um deles, “melhorar a qualidade da saúde e dos hospitais do País”, José Serra (PSDB) se equiparou à petista como o mais apto a realizar a tarefa. Nos outros sete, a petista foi apontada por mais eleitores como a mais indicada.

Fator Lula. A pesquisa também deixa claro que não é pelos atributos pessoais que Dilma seduz tantos eleitores. Dois em cada três votos vêm explicitamente da transferência de prestígio do presidente.

Nada menos do que 54% dos eleitores de Dilma citam como principal razão desse seu voto a continuidade do governo Lula, e outros 12% falam que votam nela porque é a candidata de Lula.

Apenas 8% creditam seu voto ao fato de ela ter “mais capacidade para governar o País”. Outros 5%, por sua história de vida, e 4% por ela ser mulher.

Entre os eleitores de Serra, o motivo mais citado para votar nele (34%) é porque ele tem mais condições de avançar na saúde, segurança e educação. Outros 27% citam sua capacidade para governar o País.

Assim como mais eleitores votam na petista, é esperado que, aos olhos do eleitorado, Dilma supere os adversários também na capacidade de realizar as tarefas listadas. Mas em três dos temas ela se destaca mais do que em outros, pois atinge maioria absoluta.

Para 54% do total do eleitorado e 89% dos seus eleitores, Dilma é a melhor para “manter a nossa economia forte e o crescimento do poder de compra da população”. Só 26% apontam Serra, e 4%, Marina Silva (PV).

Surpreendentemente, 53% dos eleitores (e 89% dos dela) dizem que Dilma é a melhor para “manter o prestígio do Brasil no exterior”.

Finalmente, 52% do eleitorado (e 87% dos que votam nela) aponta Dilma como a mais indicada para “dar atenção à população mais pobre”.

Como era de se esperar, o tema no qual Marina se sai melhor é “melhorar a preservação do meio ambiente”, com 19% das citações dos eleitores, contra 22% de Serra e 40% de Dilma.

26/08/2010 - 17:57h Na média das pesquisas, Dilma abre 9 pontos sobre adversários somados

Jose Roberto de Toledo – Vox Pública

Na média das últimas três pesquisas divulgadas, Dilma Rousseff (PT) abriu 9 pontos porcentuais de vantagem sobre a soma de todos os adversários. Na média, ela tem 48%, contra 29% de José Serra (PSDB), 9% de Marina Silva (PV) e 1% dos nanicos somados. Se a eleição fosse hoje, ela seria eleita no primeiro turno com folga, mesmo descontada a margem de erro.

O primeiro gráfico mostra a evolução da petista considerando-se apenas os votos válidos. Para garantir a eleição em apenas um turno, o candidato precisa assegurar a maioria absoluta dos votos em candidatos, ou seja, 50% dos votos válidos mais um voto. No gráfico percebe-se que antes mesmo do início do horário eleitoral (17 de agosto), Dilma já havia chegado próxima disso.

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Mas a margem de erro, representada pela espessura da curva em vermelho, ainda produzia incerteza de vitória no primeiro turno. A superação dos 50% para além da margem de erro aconteceu a partir de 22 de agosto, após alguns programas de propaganda eleitoral serem exibidos no rádio e na TV. Foi o empurrão final para ela ultrapassar o sarrafo dos 50% com folga.

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O segundo gráfico mostra a evolução da média dos percentuais de intenção de voto de todos candidatos. Nota-se que ainda em julho, Dilma retomou o crescimento que havia apresentado de janeiro a maio. E, como de hábito, “roubando” eleitores de Serra.

Praticamente todo o crescimento da petista se deu à base da “conversão” de eleitores que antes citavam o tucano como seu candidato. Isso ocorreu por dois motivos: 1) boa parte da intenção de voto de Serra era na verdade um “efeito memória”, o chamado “recall”, não um voto convicto; 2) esses eleitores queriam votar no candidato de Lula, mas não sabiam que seu nome era Dilma.

A inclinação da curva de evolução da petista sugere que, embora ela já tenha atingido o patamar máximo que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou em 2006, esse talvez ainda não seja seu teto de crescimento. Segundo o Datafolha, ainda há eleitores que não sabem que Dilma é a candidata apoiada pelo presidente.

22/08/2010 - 09:55h Ligar candidato do PSDB a Lula seria mais fácil com Aécio

Análise

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Se era para tentar se camuflar como o candidato de Lula, o PSDB deveria ter escolhido Aécio Neves e não José Serra como seu presidenciável. O ex-governador mineiro sempre foi mais próximo do atual presidente do que seu colega paulista. Seria mais fácil para ele jogar na confusão do eleitorado.

Há muito mais imagens de Aécio sorrindo ao lado de Lula e do que as enxertadas no horário eleitoral do PSDB. Serra sempre fez mais oposição ao presidente do que o mineiro.

A opção do PSDB no fim de 2009 foi pelo candidato que tinha mais “recall”, ou seja, cujo nome estava mais impregnado na memória do eleitor. O partido está descobrindo, a um custo de potenciais mais quatro anos de sombra, que “recall” não é o mesmo que intenção de voto.

A pesquisa Datafolha mostra a continuidade de um movimento iniciado em janeiro: à medida que mais eleitores vão identificando Dilma Rousseff com Lula, eles migram para a petista. Boa parte deles integrava o time do “recall” de Serra.

Em 2006, Lula terminou o horário eleitoral menor do que começou e teve de disputar o segundo turno. Mas ele entrou na fase da propaganda eletrônica estabilizado, não em ascensão. E ainda se desgastou com os “aloprados”. Em 2010, quem tem cometido mais erros na fase decisiva é o PSDB, com a favela de mentira, a crise de identidade (oposição ou situação?) e a divisão dos aliados. Nada garante que isso não possa se inverter. Mas a inércia é favorável a Dilma.

16/08/2010 - 08:57h Mitos e fatos sobre a eleição

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO – VOX PUBLICA, Pesquisa e ideias por trás dos números – O Estado de S.Paulo

1.
Mito. A eleição de 2010 é governista
Fato. A eleição de 2010 é mais fácil para candidatos governistas

Consumo em alta. Emprego em alta. Popularidade em alta. É difícil para um candidato de oposição bater de frente com um governo quando a economia vai bem. O oposicionista se limita a criticar pontos específicos e a prometer continuidade no resto. Acaba com um discurso moderado ou esquizofrênico.
Em ambos os casos, o discurso do candidato oposicionista é difícil de emplacar. Sem uma identidade clara, ou uma proposta que seduza o eleitor, perde terreno para os situacionistas. Com economia em alta, candidatos à reeleição muito populares ou apoiados por governantes com alta aprovação são favoritos, seja para presidente, seja para governador.
Além de Dilma Rousseff (PT) na corrida presidencial, entram na reta final liderando as pesquisas os governadores ou seus candidatos em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. Cada um de um partido diferente. Mas favoritismo não é sinônimo de eleição ganha. Os 45 dias de bombardeio dos candidatos no rádio e na TV devem mudar alguns cenários e reforçar outros.

2.
Mito. Recall é igual a intenção de voto
Fato. Recall alto ajuda, mas não é garantia de voto na urna

Na pré-campanha, até 75% dos eleitores não têm um presidenciável na ponta da língua. Confrontados com a necessidade de apontar um candidato, escolhem, na cartela dos institutos de pesquisa, um nome que parece familiar. É uma associação da memória, não necessariamente uma escolha.
À medida que a campanha avança, o grau de conhecimento sobre os candidatos aumenta, e outras associações mentais entram em jogo, como a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Dilma.
Lula em 1994 e José Serra em 2010 saíram na frente nas pesquisas, mas foram ultrapassados. Ambos haviam sido presidenciáveis e tinham chegado ao segundo turno. Eram mais conhecidos que os adversários no começo da disputa. O petista perdeu a eleição. O tucano tenta repetir Fernando Henrique Cardoso, que saiu na frente em 1998, quase foi ultrapassado, mas reagiu e venceu.

3.
Mito. Transferência de voto não existe
Fato. Transferência não existe, mas transfusão ao sucessor, sim

O eleitor paulista não liga muito se Lula apoia Aloizio Mercadante (PT) para governador. Mas Dilma só tem os pontos porcentuais que alcançou na corrida presidencial por causa de Lula. “Guerreira” é o atributo que os marqueteiros tentam lhe atribuir, não é o motivo de sua ascensão nas pesquisas. Se Dilma, sem experiência nem marca própria, for eleita, entrará para uma galeria que já tem Celso Pitta, Luiz Paulo Conde, Fleury Filho, Lucas Nogueira Garcez e Rosinha Garotinho. Com exceção da última – casada com o criador -, as demais criaturas romperam com os que lhes deram a transfusão eleitoral necessária para nascerem politicamente.

4.
Mito. Minas Gerais vai decidir a eleição
Fato. Nenhum colégio eleitoral sozinho define eleição presidencial

Não adianta um candidato a presidente ir muito bem em um ou outro Estado, e perder feio nos demais. Por maior que seja o seu reduto eleitoral, o presidenciável, para ter chance, precisa ter pelo menos 30% dos votos na maioria das unidades da Federação. E isso se houver mais de dois candidatos no páreo. No segundo turno, é preciso um porcentual ainda maior na maioria das UFs.

5.
Mito. Pobre vota em Dilma, rico vota em Serra
Fato. O condicionante do voto nesta eleição é regional, não socioeconômico

Os ricos do Nordeste preferem Dilma a Serra, assim como boa parte dos pobres paulistas e paranaenses, por exemplo, preferem Serra a Dilma. A divisão regional do voto para presidente ainda não foi totalmente explicada, mas vai além de uma causa única, como programas assistencialistas. Passa pela inclusão dos eleitores no maravilhoso mundo do consumo.

6.
Mito. Todo eleitor que aprova o governo votará no seu candidato
Fato. Apenas os eleitores que dão notas mais altas a um governo votam em peso no seu candidato

Avaliar como “ótimo” não é a mesma coisa que “bom”. O eleitor usa graduações diferentes para expressar sua opinião sobre uma administração. Até a semana passada, Dilma só ganhava de Serra entre os eleitores que dão nota 8 ou superior ao governo Lula. Muitos eleitores dão nota 7 ao presidente, mas votam na oposição. Conscientemente.

7.
Mito. Quanto mais aparece, mais o candidato cresce
Fato. A superexposição não ajuda todos os candidatos

José Serra priorizou sua campanha eleitoral no Nordeste. Dilma Rousseff ampliou sua vantagem na região. O tucano passou a visitar semanalmente Minas Gerais. A petista virou entre os mineiros. Uma hipótese é que ao intensificar sua campanha em redutos lulistas, Serra passou a ser visto como oposicionista por mais eleitores e perdeu votos.
“Ciro” é o nome de urna de um dos candidatos ao Senado no Estado de São Paulo. Ele é assim apresentado nas pesquisas, e chega a quase 20% das intenções de voto. O que ocorrerá quando os eleitores descobrirem que seu sobrenome é Moura?


31/07/2010 - 08:24h Petista cresce onde tucano faz mais campanha

Análise

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Apesar de José Serra (PSDB) ter concentrado sua campanha no Nordeste nas últimas semanas, a vantagem de Dilma Rousseff (PT) na região aumentou. Em comparação à pesquisa anterior do Ibope, feita um mês atrás, a diferença pró-petista cresceu de 18 para 24 pontos porcentuais no eleitorado nordestino.

Ao fazer campanha na região, Serra deixa mais claro para o eleitor nordestino que ele é o candidato de oposição ao governo Lula. Por tabela, reforça a imagem de Dilma como a preferida do presidente. Uma hipótese a ser testada é que a campanha nordestina do tucano esteja provocando o efeito oposto ao esperado. É lá que Lula é mais popular. E é lá que Serra tem sua maior rejeição.

A intensidade do resultado de Dilma no Nordeste, onde chegou ao dobro da intenção de voto de Serra, é a principal responsável pela dianteira da petista no total do País. A grande frente aberta pelo tucano no Sul é compensada parcialmente por Dilma com os pontos de frente que abriu no Norte/Centro-Oeste. No Sudeste, onde o tucano tinha uma pequena dianteira, há agora empate técnico.

O resultado desfavorável a Serra no Ibope ocorre depois de o tucano ter intensificado as críticas ao governo Lula. Por influência do seu principal marqueteiro, o tucano passou a atacar pontos específicos da gestão petista, como a política exterior e a relação do PT com movimentos sociais que têm uma imagem negativa na classe média, como o MST.

A vantagem aberta por Dilma no Ibope pode ser apenas mais uma oscilação de uma parte do eleitorado que já foi para lá e para cá muitas vezes ao longo desta campanha. Um novo balanço do pêndulo. Mas há outros sinais negativos para Serra na pesquisa.

O principal deles é que cada vez mais eleitores acham que Dilma será eleita presidente, e cada vez menos apostam no tucano: 47% creem na vitória da petista, contra apenas 32% que jogam suas fichas em Serra. É um porcentual menor do que sua intenção de voto. Os eleitores de Serra estão menos confiantes do que os de Dilma.

É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM ESTATÍSTICAS

05/07/2010 - 07:04h Diferenças de comportamento eleitoral entre os sexos?

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Pesquisas mostram que petista perde no eleitorado feminino

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

ESPECIAL PARA O ESTADO
Chama a atenção, na mais recente pesquisa Ibope, a diferença entre as intenções de voto de homens e mulheres, principalmente em relação a Dilma Rousseff (PT). A presidenciável tem 10 pontos a menos no eleitorado feminino, se comparado ao masculino: 34, contra 44%. No Datafolha, a discrepância chega a 16 pontos porcentuais: 46% a 30%.

Com José Serra (PSDB) ocorre o oposto. O tucano bate Dilma entre as mulheres por 41% a 34%, no Ibope, e perde entre os homens por 36% a 44%. Na média, os dois candidatos empatam em 39%. Marina Silva (PV) está mais equilibrada: tem 10% no eleitorado masculino e 9% no feminino.

Há diferenças de perfil e de comportamento entre eleitores e eleitoras que ajudam a entender a preferência de alguns por Dilma e de outros por Serra. Elas aparecem nos cruzamentos da pesquisa Ibope.

Embora o grau de satisfação seja alto, as mulheres estão ligeiramente mais insatisfeitas com a vida do que os homens: 19% a 15%. Isso se reflete na opinião delas sobre o governo Lula. A aprovação, embora muito alta, é 6 pontos menor que entre os homens.

Em comparação ao eleitorado masculino, mais eleitoras demoram a escolher seu candidato. Há 41% de indecisas, na pergunta de intenção de voto espontânea, contra apenas 31% entre os homens, segundo o Ibope. Isso atrapalha Dilma. Ela empata com Serra no eleitorado feminino (17% a 18%) e abre vantagem no masculino (27% a 17%).

Na simulação de 2.º turno, Serra também vence entre as mulheres (46% a 39%) e Dilma vai melhor do que o tucano entre os homens: 48% a 39%.

Quais seriam as razões dessas diferenças de comportamento eleitoral entre os sexos? A resposta parece estar mais no desconhecimento de Dilma por parte do eleitorado feminino do que em uma maior rejeição das mulheres à sua candidatura. É 50% maior o grau de desconhecimento de Dilma entre as mulheres do que entre os homens (12% a 8%).

Para Serra essa diferença praticamente não existe. Na rejeição a Dilma, a diferença é estatisticamente desprezível: 24% (mulheres), contra 22% (homens). Para Serra esses porcentuais são de, respectivamente, 23% a 29%.

O desconhecimento maior de Dilma entre as mulheres é consistente com a proporção de eleitores que dizem ter visto alguma propaganda política nas últimas duas semanas. Entre os do sexo feminino, 34% dizem ter visto comerciais ou programas de Serra, ante só 25% que viram os de Dilma. Entre os homens há um empate técnico: 32% viram a propaganda de Serra e 29%, a de Dilma.

29/06/2010 - 09:39h Tucano tem mais votos do que Álvaro Dias no Paraná

Análise: José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

A escolha do senador tucano Álvaro Dias como candidato a vice de José Serra (PSDB) é difícil de entender. Com 5,6% do eleitorado nacional, o Paraná é um dos três Estados onde Serra vai melhor nas pesquisas. Lá, provavelmente, ele tem mais votos do que seu virtual companheiro de chapa.

Em maio, Serra tinha 46% das intenções de voto no Paraná, segundo o Vox Populi. Osmar Dias (PDT), irmão do senador Álvaro, tinha 33% na disputa para governador. O curioso é que Osmar estava atrás do tucano que realmente tem votos no Paraná, Beto Richa. Eleito duas vezes prefeito de Curitiba, é o que se poderia chamar de “tucano histórico”, além de ser filho de um dos fundadores do partido, José Richa. Ou seja, não falta palanque forte para Serra no Paraná.

Já Álvaro Dias é um neotucano. Além do irmão pedetista, apoiou Lula e não Serra na eleição presidencial de 2002.

Serra vai pior no Nordeste e está perdendo terreno no Sudeste. Por isso, outros nomes cogitados, como o da carioca Patrícia Amorim, ou o do nordestino Sergio Guerra, faziam mais sentido eleitoral do que o de Dias. Uma das explicações ventiladas pelos tucanos para a escolha é evitar que Osmar Dias seja candidato a governador e dê um palanque para Dilma. Seria o rabo balançando o cachorro: uma questão paroquial definindo um problema nacional.

Se não é pelos votos que carreia, Álvaro Dias poderá ter outro papel na campanha, o de estilingue. Ele tem sido um dos principais críticos do governo e poderia assumir, no lugar de Serra, o ônus de atacar Lula e sua candidata. Se vestir esse figurino, Dias terá que ter uma performance excepcional para compensar a falta de votos e os dois minutos de propaganda que o DEM ameaça tomar de Serra por causa da escolha do vice tucano.

É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM ESTATÍSTICAS

25/06/2010 - 08:07h Dilma tem mais eleitores onde renda cresceu mais

Análise: José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Ao mesmo tempo que o Ibope divulgava pesquisa dando vantagem a Dilma Rousseff (PT) na sucessão presidencial, o IBGE dava à luz uma das suas sondagens mais importantes: a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Os resultados dos levantamentos estão diretamente conectados.

Entre os biênios 2002/2003 e 2008/2009, a renda familiar per capita dos brasileiros subiu, em média, 22% – como ressaltou o economista Marcelo Neri em artigo publicado ontem no Estado. Ou seja, a POF mostra que, durante o governo Lula, houve melhora significativa no poder de compra das famílias, seja porque sua renda cresceu (11%, em média), seja porque o tamanho das famílias diminuiu. Na prática, há mais pão para dividir por menos gente.

Ainda segundo a POF, a renda dos 10% mais pobres subiu três vezes mais do que a renda dos 10% mais ricos. Essa diminuição da desigualdade tem impactos regionais diferenciados. Onde a renda subiu mais (19% no Norte, 17% no Nordeste e 14% no Centro-Oeste) é onde Dilma também abre vantagem sobre José Serra (PSDB) no Ibope: entre 6 e 17 pontos porcentuais.

Embora a POF revele também carências da economia, inclusive a insuficiência de comida na mesa de mais de um terço das famílias, o movimento geral foi de melhora. Quando isso acontece, mesmo quem não superou a miséria mira-se no vizinho bem-sucedido e tem esperança de que pode ter o mesmo destino. Esse é o quadro de fundo da sucessão presidencial.

É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM REPORTAGENS COM O USO DE ESTATÍSTICAS

24/06/2010 - 07:07h Propaganda do governo neutralizou programa tucano

José Roberto de Toledo* – Estado SP

Na batalha da propaganda, Dilma Rousseff (PT) ganhou o primeiro round de José Serra (PSDB). A candidata petista passou à liderança isolada da corrida presidencial justamente no período em que o tucano concentrou sua propaganda na TV e no rádio. Aumenta assim a pressão para Serra mudar de estratégia e de discurso.

Enquanto PSDB e aliados colocaram Serra em evidência nos programas partidários obrigatórios, o governo federal e a Petrobrás marcaram presença nos horários de jogos e programas da Copa do Mundo, com spots otimistas sobre o Brasil. Mesmo sem mostrar Dilma, a propaganda oficial parece ter funcionado como antídoto à dos tucanos.

O resultado desse embate de comunicação antecipa o que poderá acontecer a partir de agosto, quando começa o horário eleitoral gratuito, se Serra mantiver a estratégia atual. Além de Lula dizendo que seu nome é Dilma, a petista contará com cerca de 40% a mais de tempo de propaganda do que seu adversário.

Serra precisará decidir como vai ocupar seu tempo de TV. O discurso adotado até agora (o Brasil melhorou, mas pode melhorar mais) não está lhe dando um voto além dos que ele tinha. Mais: não está conseguindo segurar os eleitores que aprovam o governo Lula, mas votavam no tucano.

Em março, segundo o Ibope, só 58% dos eleitores sabiam dizer que Dilma era a candidata de Lula. Esse porcentual cresceu mês a mês, até chegar, agora, a 73%. Ao mesmo tempo, a petista foi ultrapassando Serra entre os que dão nota 10 ao governo, depois entre quem dá nota 9 e assim por diante.

Ainda há cerca de um quarto dos eleitores que desconhecem a ligação de Dilma ao presidente. E a intenção de voto da petista parece crescer na proporção da redução desse grupo. Ou seja, ela ainda pode ganhar alguns pontos com a propaganda eleitoral apenas conectando seu nome ao de Lula. Nesse cenário, resta a Serra mudar de estratégia, partindo para o ataque, ou esperar por um erro da adversária. Ambas as opções são arriscadas. Como Marina Silva (PV) permanece estacionada no patamar de 10% das intenções de voto, é necessário que Dilma ou Serra abram 10 pontos de vantagem um sobre o outro para vencer já no 1.º turno. A petista percorreu metade desse caminho até agora.

*É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM REPORTAGENS COM USO DE ESTATÍSTICAS

23/06/2010 - 17:12h Dilma passa Serra no Ibope e deixa rival com dilema grego

por José Roberto de Toledo – Vox Pública – Estado.com

Do jeito que está, a campanha de José Serra (PSDB) a presidente não parece ter um futuro promissor. O tucano foi ultrapassado por Dilma Rousseff (PT) justamente no período em que mais concentrou sua propaganda nos horários patidários do PSDB e dos aliados. Ou seja: sua comunicação não funcionou contra o “meu nome é Dilma” de Lula.

Para continuar a ter chances, Serra precisará encontrar um novo discurso e uma nova estratégia de campanha. Fora disso, só lhe restará esperar por um erro da adversária. Mal-comparando, seria jogar como a Grécia jogou frente à Argentina na Copa: mesmo precisando da vitória, armou uma retranca e deixou só um jogador na frente.

Não funcionou para a Grécia, que acabou desclassificada. Se quiser ganhar, Serra vai ter que partir para o ataque.

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(clique na imagem para ampliar)


Meu comentário

Mas Serra partiu para o ataque. A história do dossiê, o questionamento da política econômica, da autonomia do BC, da política de segurança, da saúde, do suposto aparelhamento, das relações internacionais. Resultado: cresceu o número de pessoas que identificam Dilma com Lula. Ele vai perdendo o eleitorado que dá nota 8 para o governo Lula. LF

07/06/2010 - 09:50h Dilma bate Serra por 43% a 33% entre beneficiados por programas sociais


Pesquisa Ibope/Estado/TV Globo mostra que auxílios federais, como o Bolsa-Família e o Prouni, chegam a 30% dos domicílios brasileiros

Daniel Bramatti / SÃO PAULO – O Estado de S.Paulo

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, tem dez pontos porcentuais de vantagem sobre o tucano José Serra no segmento do eleitorado beneficiado por programas sociais do governo federal, segundo a pesquisa Ibope/Estado/TV Globo.

Dilma tem 43% das intenções de voto entre os eleitores que recebem auxílio governamental e Serra, 33%. Já no segmento não beneficiado, o tucano tem 38% contra 34%. No universo total de entrevistados, os dois aparecem empatados, com 37%.

O levantamento revela que os programas do governo federal chegam a 30% dos domicílios do País. O mais abrangente é o Bolsa-Família, que tem beneficiários em 22% dos domicílios. A seguir vem o Farmácia Popular, com 4%. Nenhum dos demais programas listados pelo Ibope teve mais de 1% das citações.

Os números mostram que a pré-candidata petista tem apoio significativo entre os atendidos por programas federais, mas, ao menos por enquanto, derrubam a tese de que esse grupo penderia de forma quase homogênea para o lado governista na eleição. Descontados os indecisos e os que pretendem votar em branco, esse eleitorado está dividido ao meio: metade fica com Dilma e metade com os dois principais candidatos de oposição: Serra e Marina Silva (PV).

Discurso. O fator desinformação pode ter peso significativo nesse quadro, já que entre os mais pobres é maior o porcentual de eleitores que ignora o fato de que Dilma é a candidata da situação. Para conquistar votos nesse segmento, Serra tem adotado o discurso de que manterá e ampliará o Bolsa-Família caso chegue ao Palácio do Planalto.

Atualmente, um terço dos eleitores de Dilma são beneficiados por algum programa governamental. No caso de Serra, esse grupo forma um quarto de seus simpatizantes.

Para mediar a influência do braço social do governo na eleição, o Ibope listou 13 programas federais e perguntou aos entrevistados se eles ou alguém de sua família são beneficiados.

O peso dos programas se revelou maior no Nordeste, região em que Dilma colhe seus melhores resultados na pesquisa – lidera por 47% a 27%. Mas a influência da área social é menor no Norte/Centro-Oeste, outra região em que a petista está à frente de Serra, por 43% a 31%. Dos entrevistados que se declararam diretamente beneficiados pelo Bolsa-Família, por exemplo, 53% são do Nordeste, 28% do Sudeste, 11% do Norte/Centro-Oeste e 7% do Sul.

Análise: Pesquisa mostra poucas opções de discurso para tucano

Entre os temas pesquisados, apenas ’segurança’ e ‘impostos’ revelam potencial para serem explorados em uma campanha oposicionista

José Roberto de Toledo

É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM REPORTAGENS COM O USO DE ESTATÍSTICAS

A pesquisa Ibope/Estado/TV Globo mostra a dificuldade de José Serra (PSDB) fixar um discurso de campanha eficiente. Entre os temas pesquisados, apenas “segurança” e “impostos” revelam potencial para serem explorados em uma campanha oposicionista.

São os únicos temas nos quais mais eleitores acham que as coisas pioraram do que melhoraram nos últimos dois anos. Serra ganha de Dilma Rousseff (PT) entre o eleitorado mais crítico. Ele pode tentar ampliar sua vantagem nesse segmento, mas o teto de crescimento é baixo.

Surpreendentemente, “saúde”, que poderia ser um diferencial do tucano por ele ser reconhecido como ministro da área, mostra um equilíbrio entre os eleitores que veem melhoras e pioras, o que dificulta a abordagem.

Os temas econômicos, apesar de serem especialidades de Serra, como “emprego” e “consumo”, são francamente favoráveis à pré-candidata governista. Será difícil o tucano encontrar um “gancho” que lhe renda votos nessas áreas.

06/06/2010 - 10:59h Popularidade de Lula impulsiona Dilma

Petista ganhou 12 pontos sobre Serra nos 75% que aprovam governo; tucano compensa diferença entre insatisfeitos com gestão

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustenta os índices de aprovação do governo em alta. Sua nota média chegou a 7,8 na pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, o porcentual dos eleitores que acham sua gestão ótima ou boa é de 75%, e nada menos do que 86% aprovam sua maneira de governar. Mas como isso influencia a eleição presidencial?

O cruzamento da avaliação de Lula com a intenção de voto mostra como a popularidade do presidente transformou Dilma Rousseff (PT) de uma tecnocrata desconhecida em favorita da maior parte dos eleitores.

Lula navegou sem solavancos a maré alta de sua aprovação ao longo do primeiro semestre. Seu índice de aprovação (ótimo + bom) foi praticamente idêntico nas pesquisas Ibope de fevereiro, março, abril e na atual, feita entre 29 de maio e 3 de junho. O que variou foi a apropriação que Dilma fez dessa popularidade.

De carona nas aparições públicas de Lula, Dilma acelerou seu passo na corrida presidencial em fevereiro. Chegou a 28% das intenções de voto, mas ainda estava longe de José Serra (PSDB). Nessa época, ela empatou com o rival nos três quartos de eleitores que aprovavam o governo. E, como hoje, perdia na proporção de 5 votos a 1 no quarto do eleitorado mais insatisfeito com Lula.

Em março, a petista abriu pequena vantagem, de 7 pontos, sobre Serra entre quem avalia o governo como ótimo ou bom. Isso lhe permitiu chegar perto de um empate técnico com o tucano no total do eleitorado. Mas a alta não durou. Em abril, Serra recuperou votos no segmento pró-Lula e aumentou de 5 para 8 pontos sua vantagem na disputa.

Agora, Dilma ganhou 12 pontos sobre Serra nos 75% que aprovam o governo. O tucano ainda compensa essa diferença entre os que acham a gestão de Lula regular, ruim ou péssima. A questão, portanto, é se Dilma continuará ganhando votos entre os eleitores que aprovam o governo à medida que aumenta sua identificação com Lula.

Há uma diferença grande na intensidade de aprovação de Lula entre os eleitores de Dilma e os de Serra. Nada menos do que 60% dos que dizem que o governo é “ótimo” declaram intenção de votar em Dilma (24% preferem Serra). O segmento do “ótimo” representa 27% do eleitorado total.

Já no maior grupo, o dos que acham o governo “bom”, a disputa está empatada: Serra tem 37% desses eleitores, contra 36% de Dilma. A turma do “bom” é 48% do eleitorado. É por eles que o tucano e a petista vão brigar.

Essas diferenças de intensidade ficam mais evidentes quando traduzidas em notas. Para o total do eleitorado, o governo Lula é nota 7,8. Para os eleitores de Dilma, o governo merece um ponto a mais, em média: 8,8. Nada menos do que 40% dos eleitores de Dilma dão nota 10 ao governo.

Já os eleitores de Serra e Marina Silva (PV) são menos benevolentes com Lula. Na média, avaliam seu governo com notas 7,2 e 7,3, respectivamente. O tucano absorve, por exemplo, dois terços dos eleitores que dão nota zero ao governo petista. Mas, na média, são os que pretendem anular ou votar em branco que dão a nota mais baixa a Lula: 6,8.

Já os indecisos dão nota média 7,8 ao governo. Esse é um indicador de que, na hora de votar, eles tenderão a se distribuir entre os candidatos na mesma proporção da sua intenção de voto.

06/06/2010 - 07:43h IBOPE: Dilma agora é a “favorita” para vencer a eleição

Média das pesquisas mostra tendência de Dilma e Serra continuarem colados

por Jose Roberto de Toledo – VOX PÚBLICA – Estadão

(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)

O gráfico da média móvel das pesquisas desenvolvido pelo Estado mostra uma nova tendência: as linhas de intenção de voto de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) correram sobrepostas desde que eles empataram, há três semanas.

Até 14 de maio, as curvas de Serra e Dilma estavam espelhadas, o que o tucano perdia, a petista ganhava. Foram cinco meses de tendência convergente de Dilma em relação a Serra. O gráfico desenhou um alicate.

Mas desde que as hastes da ferramenta se encontraram não houve sinais de que a pré-candidata do PT tenha continuado cooptando eleitores do rival do PSDB. As projeções de ultrapassagem não se confirmaram, por enquanto.

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Desde que o empate se configurou, Serra ocupou a maior parte da propaganda do DEM em cadeia de rádio e TV, e isso pode tê-lo ajudado a frear o crescimento de Dilma. A maior exposição da petista ocorreu imediatamente antes de ela empatar com o tucano.

O calendário nas próximas semanas favorece Serra. Ele deverá ser o centro das propagandas de 10 minutos do PPS, do PSDB e do PTB que irão ao ar nos dias 10, 17 e 24 de junho, respectivamente.

Além disso, cada um dos três partidos terá 40 inserções de 30 segundos no horário nobre entre os dias 3 e 29 de junho. Muitas poderão ser aproveitadas por Serra para manter seu nome na cabeça do eleitor.

A média móvel considera as últimas três pesquisas divulgadas pelos principais institutos. Desta vez, entraram no cálculo as pesquisas Sensus, Datafolha e Ibope.

Dilma vira “favorita”, mas calendário é melhor para Serra

por Jose Roberto de Toledo

(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)

Alguns detalhes da pesquisa Ibope/Estado/Rede Globo são melhores para Dilma Rousseff (PT) do que para José Serra (PSDB): ela é favorita para a maior parte do eleitorado, seu voto está mais consolidado, e seu eleitor, mais confiante. Mas o calendário próximo favorece o tucano.

A maior mudança detectada pela pesquisa foi no favoritismo dos presidenciáveis aos olhos dos eleitores: agora, 40% apostam que Dilma será a sucessora do presidente Lula, contra 35% que jogam suas fichas em Serra. Em abril, a situação era inversa: 43% apostavam no tucano, e apenas 34% achavam que ela venceria.

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Essa virada reflete o aumento da confiança do eleitor de Dilma: 84% apostam na vitória de sua candidata. Embora também alto, o percentual de correligionários de Serra que acreditam na sua eleição é menor: 71%. E pior, 1 a cada 8 dos eleitores serristas crê na vitória de Dilma.

O aumento do otimismo petista é consequência do empate de Dilma com Serra há três semanas. Confiança é um combustível importante para animar a campanha, mas é também volátil: um tropeço nas pesquisas pode reverter a opinião de alguns desses otimistas.

Menos mutável é a intenção de voto espontânea. Dilma chegou a 19%, contra 15% de Serra. Ou seja, metade do eleitorado da petista têm seu nome na ponta da língua. É um voto mais difícil de perder. Para Serra, essa proporção é de 40%. Mas pode crescer com o aumento de sua exposição na mídia.

Serra pode ocupar até uma hora e meia da faixa nobre na TV e no rádio ao longo de junho. Desde que seja a principal atração dos programas de 10 minutos e inserções de 30 segundos que PSDB, PTB e PPS terão direito a veicular este mês. Seria uma repetição do que ocorreu com o horário de propaganda do DEM.

Dilma não tem nenhuma propaganda programada para este mês. Apenas a convenção do PT, que deve formalizar sua candidatura no dia 13. Mas o PSDB também fará a sua, para oficializar Serra, na véspera.

Para os tucanos, a pesquisa Ibope não foi tão ruim. Ao menos Dilma não cresceu nas últimas duas semanas, se comparados os resultados aos da Datafolha. Por isso que eles dizem que maio foi de Dilma e que junho será de Serra. Mas isso, só as pesquisas de julho poderão confirmar. Ou não.

18/05/2010 - 09:07h Na média das pesquisas, Dilma tende a se igualar a Serra

por Jose Roberto de Toledo

(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)

Na média móvel das pesquisas de intenção de voto as curvas de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) tendem a se encontrar após a inclusão das sondagens de Vox Populi e Sensus. Ambas as pesquisas apontaram empate técnico entre os pré-candidatos a presidente tucano e petista.

A diferença média entre os dois primeiros colocados caiu de 7 pontos em meados de abril para 2 pontos agora. Em abril, as pesquisas Ibope e Datafolha haviam apontado um pequeno aumento da vantagem de Serra. As sondagens foram feitas poucos dias após o lançamento da pré-candidatura tucana, que teve grande repercussão na mídia.

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Agora, o fato novo foi a propaganda partidária do PT. Ela foi veiculada ao longo da semana passada e da anterior, o que pode explicar o crescimento de Dilma.

Os spots petistas de 30 segundos foram ao ar no rádio e na TV nos dias 6, 8 e 11 deste mês. E o programa de 10 minutos foi transmitido na noite da última quinta-feira. Em todos eles, Dilma ocupou a maior parte do tempo. Na quinta, fez um jogral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se desdobrou em elogios à sua candidata e chegou a compará-la ao líder sul-africano Nelson Mandela.

Ainda hoje, 6 a cada 10 eleitores não sabem citar espontaneamente um presidenciável que esteja na disputa. Parte desse eleitorado é volúvel, e quando se defronta com um pesquisador que lhe apresenta uma questão sobre a qual ele não havia pensado, sua reação é responder o primeiro nome que lhe vem à cabeça. É o que os pesquisadores chamam de recall. É o que pode ter beneficiado Serra nas pesquisas feitas em abril, e que pode ter alavancado a intenção de voto em Dilma agora.

Nas próximas duas semanas será a vez do DEM veicular sua propaganda. Tudo indica que o partido, aliado do PSDB, deve emprestar sua propaganda no rádio e na TV para Serra. Se isso acontecer e o tucano voltar a se distanciar de Dilma nas pesquisas, será sinal de que o crescimento da petista foi apenas recall. Mas se Dilma continuar liderando, estará confirmada uma nova tendência na corrida presidencial.

Como sempre, o cálculo da média móvel das pesquisas levou em conta as três sondagens mais recentemente divulgadas. Entraram no cálculo a pesquisa Ibope cuja coleta de dados terminou no dia 19 de abril, e as pesquisas Vox Populi, concluída no quinta-feira passada, e a do Sensus, cujo último dia de campo foi na sexta-feira.

19/04/2010 - 10:37h Pesquisas: Média dá 4,4 pontos de frente para Serra

Pesquisas mostram tucano na faixa de 33% a 35% e, na média, Dilma tem hoje 30,5%

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

ESPECIAL PARA O ESTADO
Com as pesquisas cada vez mais divergentes, a média das intenções de voto torna-se um instrumento ainda mais valioso para analisar a sucessão presidencial. Incluindo-se a recente sondagem do Datafolha, José Serra (PSDB) segue à frente de Dilma Rousseff (PT), agora com 4,4 pontos de vantagem. Na média anterior, a diferença era de 4,1 pontos.

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A média móvel revela tendências mais suaves e permanentes, aplainando vales e picos. Comparando-se o gráfico das pesquisas ponto a ponto com o da média móvel, o que se parece com um jacaré abrindo a boca se transforma em uma garrafa com um gargalo afunilado e comprido.

Observando-se as curvas dos candidatos, nota-se que Serra está consolidado no patamar entre 33% e 35% das intenções de voto estimuladas desde o final de janeiro, sem sofrer alterações significativas. Tem sido o suficiente para lhe assegurar a liderança da corrida eleitoral. O tucano tem hoje, na média, 34,9%.

Dilma vem se aproximando desde o ano passado. Teve uma ascensão mais rápida entre setembro de 2009 e janeiro de 2010. Desde então, quando ultrapassou o patamar dos 25%, o ritmo de crescimento diminuiu, mas nunca parou. A petista tem hoje, em média, 30,5%, que é a média histórica de presidenciáveis do PT nesta época da corrida eleitoral.

Na primeira fase, a petista cresceu convertendo eleitores de Serra, de Ciro Gomes (PSB) e que não tinham candidato. Parte dessa fonte secou depois que a maior parte dos eleitores que davam nota 9 ou 10 ao governo Lula descobriu que Dilma é a candidata do presidente e trocaram Serra por ela.

Tendo que conquistar eleitores menos interessados no processo eleitoral e ir além dos simpatizantes do PT, a intensidade do crescimento de Dilma diminuiu. Ao mesmo tempo, ela deixou o governo e reduziram-se suas atividades públicas ao lado de Lula. Menor exposição juntos implica menor identificação de Dilma como proxy eleitoral de Lula. Ou seja, ela não consegue se beneficiar da alta aprovação do governo como gostaria.

O outro terço do eleitorado é dividido entre Ciro Gomes, Marina Silva (PV) e os eleitores que pretendem votar em branco, anular o voto ou que estão indecisos. Esse grupo está diminuindo lentamente, seja porque a candidatura de Ciro está perdendo força, seja porque está caindo o porcentual de eleitores sem candidato (soma dos que anulam, votam em branco ou não sabem responder).

Novo cenário. Ciro pode ser o próximo fato novo da eleição. Ele está cada vez mais dependente dos votos do eleitorado do Nordeste, justamente onde o PT e Lula mais têm investido para associar a imagem do presidente à de Dilma.

Se o pré-candidato do PSB sair da disputa, haverá uma reacomodação de seus eleitores. Se ela ocorresse hoje, Serra seria o maior beneficiado. Mas isso vai depender da atitude de Ciro numa eventual desistência: se ele declarar voto em Dilma e for para seu palanque, talvez revertesse mais eleitores em favor da petista.

Marina Silva, por sua vez, pode também sair do marasmo em que vinha até agora nas pesquisas. Sua campanha, pobre de recursos, tem se concentrado no seu eleitorado cativo, e acrescentado poucos novos eleitores. Mas, à medida que se torna mais conhecida de outros grupos, talvez consiga romper a barreira dos 10% de intenção de voto.

Esse é o quadro da pré-campanha, que talvez se estenda por mais algumas semanas. Após a Copa do Mundo e as convenções partidárias, a campanha começa para valer. Aí, mais eleitores se interessarão em comparar os candidatos, em analisar seus perfis e em descobrir quem é o candidato de Lula, por exemplo.

Logo em seguida, em meados de agosto, começa o horário eleitoral. Será a reta de chegada da campanha, e só então as tendências vão se definir.

PARA ENTENDER
Método é muito usado nos EUA e na Europa

A média móvel das pesquisas eleitorais é uma técnica usada há anos nos Estados Unidos e na Europa para detectar tendências mais permanentes do eleitorado. Foi muito usada na campanha que elegeu Barack Obama presidente norte-americano, nas últimas eleições.
A vantagem da média das pesquisas é eliminar as oscilações bruscas dos porcentuais entre os institutos. No caso da média calculada pelo Estado levam-se em conta a intenção de voto estimulada – quando o instituto mostra aos eleitores entrevistados o cartão com opções de nomes – de todos os candidatos nas três últimas pesquisas publicadas.

14/04/2010 - 11:41h Na média das pesquisas, diferença entre Serra e Dilma cai para 4 pontos

por Jose Roberto de Toledo – Vox Pública – Estadão

Na média das pesquisas, a diferença entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) caiu para 4,1 pontos percentuais após a divulgação da sondagem do instituto Sensus realizada na semana passada. Os gráficos abaixo mostram a evolução dos presidenciáveis de duas maneiras diferentes. O primeiro traça a média móvel das últimas três pesquisas divulgadas. Serve para mostrar as tendências de longo prazo. O outro registra os resultados, ponto a ponto, de Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus.
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A média móvel mostra que, a despeito das diferenças dos resultados dos quatro institutos, há uma tendência persistente de diminuição da vantagem de Serra. A diferença média do tucano para Dilma chegou a ser de 21 pontos no final do ano passado. Caiu para cerca de 8 pontos no começo de fevereiro, para cerca de 6 pontos no fim de março, e, agora, chegou a 4,1 pontos. Na média, Serra está num patamar de 34% das intenções de voto estimuladas, enquanto Dilma está num patamar de 30%.

Qual o significado disso? Mais conhecido dos presidenciáveis, Serra se segura naquela porção do eleitorado que não vota em candidatos petistas, e que oscila entre 30% e 40% do total. Ao mesmo tempo, Dilma consolidou-se no eleitorado cativo do seu partido e entre os eleitores que dão nota 10 ou no mínimo 9 ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ela avança à medida que é identificada por mais eleitores simpáticos ao presidente como sua candidata.

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Nesta fase, a pré-campanha, a grande maioria dos eleitores não está preocupada com o pleito. Especialmente os eleitores que não têm preferência partidária ou que não têm simpatia pessoal por um ou outro candidato. Logo, os pesquisadores impõem um problema a esse eleitor quando o abordam e perguntam qual sua intenção de voto. Um problema sobre o qual ele não havia pensado antes.

A tendência é esse eleitor independente citar o primeiro nome que lhe vêm à cabeça, o que não é necessariamente fruto de uma decisão ponderada.

Por ser mais um reflexo do que uma decisão firme de voto, oscilações nos percentuais dos candidatos podem ocorrer de uma pesquisa para outra. Diferenças metodológicas entre os institutos e/ou da ordem das perguntas no questionário acentuam essas oscilações, e jogam um ou dois pontos mais para lá ou mais para cá.

Por isso, é mais relevante, ao menos por enquanto, acompanhar as tendências de longo prazo. É o que o gráfico das médias ajuda a fazer, aplainando o zigue-zague do gráfico das pesquisas ponto a ponto.

O único efeito prático de se enfatizar o resultado isolado de uma ou outra pesquisa é mobilizar a militância partidária em torno do seu candidato de preferência. Ninguém ganha eleição de véspera. Mas manter a massa de simpatizantes aguerrida e entusiasmada por seu candidato, usando o discurso de que ele está na frente ou em ascensão, é uma das armas dos comitês de campanha. Isso serve mais aos partidos do que aos eleitores.

13/04/2010 - 18:43h Sensus aponta Serra e Dilma em empate técnico

Sensus 2010-04-13 at 17.09.30

por Jose Roberto de Toledo – VOX PÚBLICA – ESTADÃO


Pesquisa Sensus feita na semana passada mostra José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) em empate técnico. Levando-se em conta apenas as pesquisas Sensus, o tucano ficou onde estava desde janeiro, com 33%, enquanto a petista oscilou de 28% para 32%. Segundo a Sensus, Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) também estão empatados tecnicamente, com 10% e 8% das intenções de voto, respectivamente.

A pesquisa Sensus foi feita entre os dias 5 e 9 de abril, antes da festa de lançamento da pré-candidatura de Serra à Presidência, que aconteceu no sábado, em Brasília. A pesquisa foi feita por encomenda do Sintrapav, sindicato ligado à Força Sindical. A margem de erro máxima divulgada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O Sensus divulga seus resultados com uma casa decimal. Este blog, como de hábito, arredondou o resultados, pois as casas decimais sugerem uma precisão que nenhuma pesquisa de intenção de voto tem.

No seu questionário, o Sensus, como sempre, incluiu a pergunta de avaliação do governo federal antes da pergunta de intenção de voto, bem como a pergunta de preferência partidária. Outra diferença metodológica em relação aos outros institutos é que o cartão do Sensus inclui o partido do candidato.

Essas particularidades do questionário do Sensus ajudam a explicar diferenças em relação aos resultados de outros institutos. Segundo o Sensus, Serra nunca teve mais do que 33% nem menos de 32%. Pelo Vox Populi, por exemplo, o tucano chegou a ter 40% e nunca caiu abaixo de 34%.

Mas as diferenças metodológicas não são suficientes para explicar divergências mais dramáticas, como a intenção de voto dos dois principais candidatos na região Sul. Pesquisa Datafolha concluída no dia 26 de março apontou grande vantagem do tucano sobre Dilma na soma de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná: 48% a 20%. Já o Sensus concluído duas semanas depois dá vantagem da petista: 40% a 33% nos mesmos Estados.

Não houve nenhum evento tão dramático nesse período que explicasse uma reviravolta dessa monta. E as diferenças estão muito além da margem de erro (que, no caso, está em torno de 4 pontos percentuais). Um dos institutos deve ter errado.

04/04/2010 - 14:44h “Média VP” das pesquisas mostra Dilma cortando diferença de Serra devagar

por Jose Roberto de Toledo – Blog Vox Pública

Mais de dois terços do eleitorado ainda não sabe dizer espontaneamente em quem votará para presidente em outubro. Nessa fase inicial da campanha, flutuações da intenção de voto entre um instituto e outro são menos importantes do que as tendências dos candidatos ao longo do tempo. Na média móvel das três últimas pesquisas, José Serra (PSDB) lidera, mas Dilma Rousseff (PT) diminui lentamente a diferença entre ambos.

Uma segunda tendência também fica clara: Serra e Dilma se distanciam dos outros candidatos, reforçando a polarização e abrindo a possibilidade, ainda que remota, de a eleição ser definida, para um lado ou para outro, no primeiro turno.

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A “média VP” das pesquisas consolida as tendências de Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus. Segundo essa média, a diferença entre o tucano e a petista, que chegou a ser de 21 pontos percentuais em dezembro do ano passado, caiu para 7,7 pontos no começo de fevereiro e para 5,7 pontos, na média, agora, no fim de março.

O primeiro movimento de aproximação foi mais brusco. Refletiu a descoberta, por parte dos petistas e simpatizantes do PT, de que Dilma é a candidata de Lula a sua própria sucessão. Desde fevereiro, as pesquisas mostram que o crescimento da ex-ministra, embora consistente, desacelerou a partir de fevereiro, enquanto Serra praticamente estabilizou sua intenção de voto.

Incluindo-se a mais recente pesquisa Vox Populi no cálculo, Serra chegou a 35,0%, na média, enquanto Dilma foi a 29,3%. Daí a diferença média, entre ambos, ser de 5,7 pontos percentuais. Esses números, em si, não dizem muito. Mais relevante são as curvas de ambos: elas correm quase paralelas desde o começo de fevereiro, com a de Dilma ligeiramente mais inclinada em direção à do rival.

O fato de Dilma ter desacelerado reflete a dificuldade de a candidata petista cavar votos em eleitorado menos permeável ao discurso governista do que aquele que sustentou seu crescimento até fevereiro. Esse novo estrato com que Dilma se depara precisa ser convencido a votar nela. Não é uma conversão automática, como ocorreu com aqueles que dão nota 10 a Lula e/ou se declaram simpatizantes do PT.

O mesmo vale para Serra. Ele se sustenta no segmento de eleitores anti-petistas e que rejeitam a candidatura do governo. Para crescer, precisará também convencer os, digamos, “independentes” que ele é a melhor opção. É para isso que existe campanha e é nisso que Serra e Dilma devem se concentrar nos próximos meses.