15/10/2008 - 09:08h Como reagiu a mídia e Clovis Rossi em 2004?

Como a mídia reagiu a esta acusação caluniosa, ofensiva, escrota?

O que Clovis Rossi comentou? e Eliane Cantânhede?

O documento oficial dos tucanos (ver artigo da Folha a seguir) não fazia nenhuma pergunta, não insinuava nada. Afirmava em alto e bom som calúnia, grosseria, invasão de vida privada. Qual foi a reação da Folha, fora registrar o fato? Algum tucano tinha jogado sua biografia na sarjeta, por isto?

O Goldman diz em algum lugar que “errou”? O candidato Serra mentiu quando diz que não sabia?

Fariseus e hipócritas de plantão pensam que contra o PT todo pode e fica por isso mesmo?

Acabou essa história dos militantes do PT ajoelhar no milho, enquanto somos insultados, caluniados, atacados na nossa vida privada e procuram atingir nossa honra.

Chega desses tartufos da direita que quando a esquerda é caluniada, olham para outro lado e permanentemente invocam a ética para encobrir as falcatruas dos seus protegidos.

Luis Favre

A seguir artigo da Folha de São Paulo 31 de julho de 2004

ELEIÇÕES 2004/CAMPANHA

Na internet, partido diz que prefeita tem “dois maridos’; PT reage e distribui cópias do documento a jornalistas em evento oficial

PSDB volta a atacar vida pessoal de Marta

CHICO DE GOIS
ANDRÉ NICOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL

O PSDB voltou a atacar a vida pessoal da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), vinte dias depois que deputados do partido fizeram insinuações contra ela e seu marido, Luis Favre.
Anteontem, o site do Diretório Nacional do PSDB divulgou uma nota intitulada “Dona Marta e seus “dois maridos’”, na qual fazia referência à participação do senador e ex-marido de Marta, Eduardo Suplicy, na campanha da prefeita à reeleição.
Ontem, os tucanos tiraram o texto do ar. O PT informou que irá entrar na Justiça com uma ação contra o PSDB. A prefeita afirmou que ainda não sabia se ela, pessoalmente, faria o mesmo. E o senador Eduardo Suplicy classificou de “bobagem” as afirmações feitas pelo PSDB. “Sou senador por São Paulo e a prefeita me convidou para visitar uma obra.”
Ontem à noite, o senador acompanhou a prefeita no lançamento de um comitê de campanha de Marta na Penha, zona leste.
Como divulgado anteontem pela Folha na coluna “Toda Mídia”, do jornalista Nelson de Sá, a nota dizia que “a participação do senador na campanha da ex-mulher é uma das estratégias da direção petista para enfrentar o desgaste sofrido por ela por conta da separação dos dois”.
O texto concluía que “dona Marta tem “dois maridos”. Cá entre nós: que papelzinho ridículo o senador Suplicy se prestou ao sair em “campanha” para mitigar a imagem que a sra. Marta construiu para si mesma”.
Cópias da página do PSDB foram distribuídas para os jornalistas na manhã de ontem por assessores da campanha de Marta durante evento para sancionar lei de criação dos conselhos de representantes de subprefeituras.
A assessoria de imprensa do Diretório Nacional do PSDB informou que “a orientação do partido é para não entrar nesse tipo de debate”. A assessoria admitiu que “foi um erro” a edição da nota e informou que, ao perceber o erro, retirou o texto do ar.
Ontem o candidato a prefeito do PSDB, José Serra, afirmou desconhecer a nota, mas disse não apoiar esse tipo de ataque.
De acordo com o coordenador-geral da campanha petista, deputado estadual Ítalo Cardoso, o departamento jurídico do PT entraria com uma ação na Justiça, mas ainda não estava definido se seria apenas civil ou também criminal.
O candidato a vice de Marta, Rui Falcão, disse, no lançamento de um comitê em Aricanduva, zona leste, que “pela segunda vez, adversários que se dizem detentores da ética e do trabalho agridem o PT e a prefeita”. Falcão disse que “não vamos aceitar provocações, mas também não vamos aceitar nenhum tipo de intimidação”.
Ele se referia às afirmações do deputado federal Alberto Goldman e do deputado estadual Celino Cardoso em um comício no dia 11 de julho. Na ocasião, Goldman disse: “Quero saber cadê o dinheiro. De um deles, a gente sabe onde está: na Suíça. E o da Marta? Vamos perguntar para ela ou para o marido dela onde está o dinheiro de São Paulo”.

08/10/2008 - 12:10h Serra criou em SP o adultério partidário sem culpa

kassab_serra2.jpg

Blog de Josias

Reconheça-se: como no casamento, a união partidária já é dissolúvel na véspera. O PSDB é igual às outras legendas. Só que leva a fatalidade às últimas conseqüências.

Em 2002, Serra sufocou Tasso. Em 2006, foi sufocado por Alckmin. “Isso passa! Isso passa”, dizem sempre os tucanos do “deixa-disso”.

Bobagem. Dor de traição não passa. Fica enterrada na alma, sob camadas de cinismo. Como em certos casamentos, entre o desquite e a traição, recorre-se à segunda opção.

Súbito, a vítima de ontem torna-se o algoz de hoje. E, para o bom equilíbrio partidário, convém que a nova vítima aceite o seu papel.

Serra vai à crônica da eleição paulistana de 2006 no papel de marido violento: bateu, mas calado. E jamais disse a Alckmin: “Não chateia! Não amola!”

Agora, depois de eliminar, em 2008, o algoz de 2006, o governador flerta com 2010 de mãos dadas com o ‘demo’ Kassab, objeto da traição.

Serra ajudou a produzir algo que o PT vem tentando há anos, sem sucesso: uma derrota do PSDB em São Paulo, vitrine do tucanato.

De resto, o governador está na bica de proporcionar ao DEM um feito com o qual o ex-PFL sonha desde a sua fundação: uma vitória em São Paulo.

Nesta terça (8), decorridas menos de 48 horas da abertura das urnas, Serra saiu da toca (veja no vídeo no blog de Josias).

Para aplainar o terreno presidencial, Serra inventou um novo tipo de infidelidade política: o adultério partidário sem culpa.

Escrito por Josias de Souza

06/10/2008 - 16:54h Curiosidade: 2004 e 2008

Em 2004, as pesquisas eleitorais, às vésperas do primeiro turno, indicavam que Marta e Serra iriam ao segundo turno empatados no resultado eleitoral do primeiro turno, elas erraram.

O que aconteceu quando as urnas foram abertas no primeiro turno de 2004, foi que José Serra foi para o segundo turno com 10 pontos a frente de Marta.

Agora, Marta e Kassab passaram para o segundo turno, quase empatados.

Kassab com 12 pontos a menos que Serra em 2004 e Marta com quase o mesmo resultado que em 2004. LF

06/10/2008 - 11:02h Ainda sobre os resultados nacionais das eleições municipais

Dois articulistas da Folha de São Paulo dedicam suas colunas de hoje a dimensão nacional do segundo turno na cidade de São Paulo, em sua relação com as eleições presidenciais de 2010.

Fernando de Barros, um deles, conclui seu artigo afirmando: “A vitória de Kassab (além do revés de Aécio em Minas) consolidará Serra como lider da oposição ao PT para 2010. Quem gosta de datas pode anotar: a sucessão do Lulinha paz e amor começou ontem.”

Por sua vez, Fernando Rodrigues, também da Folha, começa seu artigo afirmando: “O eleitorado recorde de 8,2 milhões e os atores envolvidos (DEM-PSDB contra PT) fazem da disputa pela prefeitura de São Paulo uma prévia perfeita da eleição presidencial de 2010″.

Eu não sei se se trata de uma simples manifestação de desejo ou de uma evidente dificuldade para olhar o Brasil. Isto é mais chocante, que em 2006 tivemos uma eleição presidencial, apenas dois anos atrás, que mostrou que o Brasil não começa nos Jardins e não acaba na Marginal Pinheiros.

Em 2004 o PT perdeu a eleição municipal na cidade de São Paulo para os demo-tucanos. Em 2006 a cidade votou majoritariamente em favor do candidato demo-tucano para presidente. Lula foi eleito presidente, porque o Brasil não acompanhou São Paulo.  Ou, dito de outra maneira, Lula deu uma lavada no candidato demo-tucano, mesmo se na cidade de São Paulo e no Estado de São Paulo, bastiões da oposição, os demo-tucanos foram vitoriosos. Ou seja 2004 na cidade de São Paulo não foi previa de nada e seu resultado foi na contra-mão do Brasil dois anos depois. Os articulistas deveriam explicar porque agora seria diferente? 

Incluso porque nos não estamos em 2004. Nas eleições municipais daquele ano os resultados foram mais equilibrados entre a base do governo Lula e a oposição, que combinou um discurso local com um forte discurso opositor ao governo federal, que tinha apenas dois anos de mandato ainda marcados pelo desemprego e o declínio dos últimos anos de FHC. O resultado em 2004 foi equilibrado entre os partidários de Lula e a oposição. Em 2008 é diferente.

Nas eleições municipais de 2008 em lugar do equilibro de 2004, assistimos a uma clara vitória dos partidos aliados a Lula nas principais cidades do Brasil e do PT, particularmente em várias capitais. (ver os artigos do jornal O Estado de São Paulo Base aliada do presidente Lula dirigirá pelo menos 66 das 100 cidades com mais arrecadação; O PT foi o grande vencedor das eleições para prefeito das capitais; O PT e os partidos aliados do governo Lula ganham na maioria das capitais e nas principais cidades do Brasil).

Ambos articulistas, talvez ofuscados pela edição do próprio jornal que obscurece o resultado das eleições municipais no país, pretendem que o resultado eleitoral na cidade é quem determinará em grande medida o resultado de 2010. Mas isto não é assim. A vitória de Marta no segundo turno indiscutivelmente reforçará a vitória já obtida pelo governo e pelo PT no plano federal. Mesmo uma eventual vitória de Kassab, que seguramente permitira que a mídia procure apagar de suas páginas a importância desta vitória nacional de Lula, não tem o poder que desejam os jornalistas de mudar a realidade nacional.

O recuo eleitoral da oposição, com um DEM reduzido a ser quase inexpressivo nacionalmente (salvo aqui neste primeiro turno e por obra exclusivamente de Serra) e um PSDB debilitado, incluso no Estado de São Paulo, pela confirmação do bom desempenho do PT e da base do governo federal, não serão apagados pela vontade dos articulistas e dos jornais paulistanos.

Não representam a opinião pública majoritária no Brasil e os dois artigos são uma demostração clara disto, cuando confrontados com os resultados saidos das urnas, não só em 2006, mas nesta eleição municipal. LF

06/10/2008 - 09:04h O PT e os partidos aliados do governo Lula ganham na maioria das capitais e nas principais cidades do Brasil

lula_povo.jpg

Vou tratar das questões de São Paulo em outro momento do dia. Quero neste post chamar a atenção sobre os dois artigos reproduzidos no blog, sobre o balanço do primeiro turno das eleições municipais no país.

Os artigos mostram que o PT e os partidos aliados do governo Lula são os grandes vitoriosos deste teste eleitoral.

Convém lembrar que em 2000, com FHC como presidente, as eleições municipais comportaram uma dimensão federal maior, na medida em que o PT assumiu claramente sua oposição ao governo federal de FHC, combinando este posicionamento com o tratamento das questões municipais e locais. As vitórias obtidas pelo PT naquele ano alavancaram o crescimento da candidatura Lula que seria vitoriosa dois anos depois, em 2002.

Desta vez a oposição demo-tucana desertou completamente o plano federal e limitou seu discurso ao plano estritamente local e municipal, procurando escapar do confronto com os resultados e a força de Lula e do seu governo. Na outra ponta, os candidatos da base aliada e o PT fizeram questão de trazer Lula e os resultados do governo federal para dentro da disputa eleitoral e da reflexão dos cidadãos. Mesmo a oposição tendo escapulido do confronto, para tentar vencer sem se assumir como tal, são os candidatos da base do governo Lula e que fizeram questão de manifestar isto em alto e bom som, os que emergem vitoriosos deste primeiro turno. De todos os partidos da base do governo é o PT quem sai na frente das principais vitórias nas capitais.

A leitura dos jornais ofusca estes fatos, que os artigos que reproduzi embaixo, do jornal O Estado de São Paulo, permitem medir com precisão e objetividade. Das 100 cidades com maior arrecadação do país, pelo menos 66 serão governadas por um prefeito da base do governo Lula. O PT foi o grande vencedor das eleições nas capitais do país. Leiam os dois artigos que seguem para bem medir o significado desta vitória eleitoral.

Este é um primeiro elemento para abordar a conjuntura política à luz da manifestação eleitoral e seus desdobramentos no plano político e das relações de força existentes. A análise específica de cada município, das regiões e dos Estados deverá incorporar este elemento maior que emerge das urnas: a vitória eleitoral do presidente Lula e das forças do governo é o fato eleitoral decisivo, em particular na perspectiva das eleições presidenciais de 2010. Evidentemente, projetar os resultados municipais sobre as eleições presidenciais seria ignorar que pesará mais no futuro pleito o desfecho da crise em Wall-Street, que os resultados das eleições municipais de 2008. Mas o impacto da vitória política e eleitoral do presidente Lula constitui um alicerce poderoso para construir as condições políticas da vitória daqui a dois anos. A derrota política e eleitoral da oposição, por outro lado, é uma demonstração do impasse que a falta de um programa e de alternativas, provoca na configuração de um pólo aglutinador desse campo. O único programa da oposição parece ser a de ter um candidato, José Serra, com liderança relembrada e com força eleitoral no Estado de São Paulo e a do Lula não ser ele mesmo o candidato a sua sucessão. Muito pouco, mais ainda após os resultados das eleições municipais.  LF

04/10/2008 - 18:57h Às urnas cidadãos!

Vários colunistas da Folha de São Paulo têm considerado que a grande revelação desta eleição municipal tem sido Gilberto Kassab. Baseiam-se na idéia que ter conseguido o patamar de intenção de votos que as pesquisas indicam (28%), sendo alguém quase desconhecido pouco tempo atrás, constitui uma inegável revelação.

Mas o que me parece ter sido a grande revelação desta fase da eleição é o patamar de intenção de votos dados nas pesquisas para Geraldo Alckmin, o provável derrotado.

Alckmin foi “secado” financeiramente pelo governador Serra, traido pela bancada de vereadores do seu próprio partido, abandonado por seus correligionários do tucanato nacional e atacado cotidianamente pela mesma mídia que o erigiu no passado como um ótimo administrador.

Sistematicamente atacado pelas costas, sem dinheiro, sem apóio na mídia, sem coligações que ampliassem seu horário na TV (Serra levou os partidos a apoiar o adversário do tucano), deixado na solidão, e eis que as pesquisas dão ao Alckmin (19%) apenas 9 pontos a menos que Kassab.

A outra revelação, que a mídia prefere ignorar, é que Marta lidera no primeiro turno e isso após meses a fio de campanha contra ela. Campanha de seus adversários, que somados contavam com o triplo de tempo na TV. Campanha da mídia fazendo eco permanentemente ao “relaxa e goza” ou a “martaxa”, ou a “rejeição” ou a dúvidas e mentiras sobre suas propostas. Marta emerge deste primeiro turno da eleição, não só como a primeira em todas as pesquisas (34%); mas é em relação ao governo dela e as suas principais marcas que o debate acontece e concentrará a disputa no segundo turno.

Os que acompanham este blog sabem que Marta sempre teve lucidez para saber que a disputa seria difícil. Na cidade de São Paulo se consolidaram dois campos fortes eleitoralmente e opostos politicamente: o campo conservador, hoje liderado pelos demo-tucanos e o campo popular, liderado por Marta, Lula e o PT com seus aliados. Esses campos estão hoje relativamente equilibrados, após anos de dominação do campo conservador.

Esta dominação do campo conservador permitiu a vitória de Maluf em 1992, a de Pitta em 1996, a de Serra em 2004, a de Alckmin e Serra em 2006. Em três oportunidades o campo popular conseguiu vencer, sempre graças ao apoio ou a divisão do campo conservador. Foi assim com Erundina, foi assim em 1998 com Mário Covas contra Maluf, com apoio de Marta e do PT e em 2000, com a vitória de Marta com apóio do mesmo Covas, Alckmin e o PSDB, contra Maluf. Evidentemente as fronteiras entre ambos os campos não é tão esquemática como estou simplificando aqui para ilustrar minha opinião.

Estamos às vésperas de um novo confronto e disputa entre ambos campos. As divisões manifestadas no campo conservador neste primeiro turno terão seu efeito, mesmo reduzido pela aparência de unidade que ostentarão no segundo turno. Ao mesmo tempo a eleição será decidida pelos eleitores que oscilam entre os campos, sem clareza para medir a distância entre os mesmos. Caberá a Marta, aos partidos, sindicatos e entidades que a apoiam; aos militantes e simpatizantes da Marta, aos seus eleitores do primeiro turno, convencer e mostrar claramente a esses eleitores hesitantes, o que representa a alternativa popular com Marta prefeita. Não vai ser no grito e sim no argumento que a vitória será obtida.

Essa vitória é possivel e dependerá exclusivamente do engajamento de todos.

Luis Favre

A seguir as tabelas da pesquisa Datafolha incluídos os resultados que estarão nos jornais de amanhã.

Pesquisas Datafolha de começo de julho até hoje

Marta 38% 36% 41% 39%
40%
37%
37%
37%
 35% 34%
Alckmin 31% 32% 24% 24% 22%
20%
22%
20%
 19% 19%
Kassab 13% 11% 14% 16% 18%
21%
22%
24%
27%
28%
Maluf 8% 8% 9% 7% 8%
8%
 7% 6%
 7% 6%
2° turno
Marta 45% 43% 49%  46% 47%
47%
47%
45%
 44% 42%
Alckmin 50% 51% 44% 46%
47%
47%
47%
48%
49%
50%
2° turno
 Marta 55% 52% 55% 49%
50%
 48% 46%
46%
44%
41%
 Kassab 36% 37% 35% 41%
43%
 44% 45%
47%
49%
50%
campo 3 e 4 de julho 23-24 julho 21-22 agosto 29 agosto 4-5 setembro 11-12 setembro 17-18 setembro 25-26 setembro 29-30 setembro 2-3 outubro

 

Os resultados da última pesquisa Datafolha transpostos em voto útil (sem os brancos e nulos) dão 36% Marta; 30% Kassab; 21% Alckmin; 7% Maluf e ainda 5% Soninha.

04/10/2008 - 09:40h PSDB vive debandada e crise no ES

Tucanos abandonam à própria sorte chapa do PPS, em que tinham vice, e apóiam petista candidato à reeleição

Thiago Guimarães / Secom e Apoena

Ricardo Ferraço
, Vice-governador de Espírito Santo (esqu.) apoia a reeleição de João Coser (PT) à Prefeitura de Vitória

Alexandre Rodrigues - O Estado SP

O poder catalisador da popularidade do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), na campanha de reeleição do prefeito de Vitória, João Coser (PT), provocou uma crise no PSDB capixaba. Os quatro vereadores da bancada tucana, que já não faziam oposição ao petista na Câmara havia muito tempo, recusaram-se a entrar na campanha de Luciano Rezende (PPS), que tem um vice do PSDB, e preferiram apoiar discretamente Coser. Já o vice-governador tucano Ricardo Ferraço foi além: desfilou nas ruas com o petista, que, segundo o Ibope, deve vencer no primeiro turno com quase 70% dos votos.

Os protestos do cacique tucano local, o deputado e ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas, levaram o vice-governador, que se credencia para concorrer à cadeira de Hartung em 2010, a trocar o PSDB pelo PMDB. A adesão dos tucanos à campanha do PT em Vitória deu ao vice o motivo para trocar de legenda e se posicionar melhor na linha de sucessão do governador.

Reeleito em 2006 com 77% dos votos, Hartung não precisou nem aparecer na campanha de Coser para ajudá-lo - não participou de comícios e caminhadas nem gravou para o programa eleitoral. Só indicou seu ex-secretário de Comunicação Tião Barbosa (PMDB) para vice na chapa e ficou quieto. Foi o suficiente para que o candidato oficialmente apoiado pelo PSDB ficasse isolado. Além disso, Coser contou com gravações do presidente Lula no programa de TV e a visita de ministros como Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Justiça).

Vellozo Lucas admite que Coser é favorito e diz que o objetivo agora é forçar o segundo turno. Para chegar lá, Rezende contou com a ajuda do candidato Carlão, do PSOL, para atacar os pontos fracos da gestão de Coser em debate na TV Globo na quinta-feira. Apesar da liderança confortável, Coser mostrou certa irritação e, acreditam os adversários, pode perder adesão na reta final.

“Vamos fortalecer o trabalho para garantir o segundo turno. Será bom para a cidade decidir com mais segurança seu voto”, declarou Rezende, que foi secretário de Saúde na gestão de Vellozo Lucas e hoje faz uma oposição solitária a Coser como vereador.

SERRA

Para o PSDB, é difícil superar a perda da prefeitura para o PT em 2004. Ligado ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), Vellozo Lucas insiste em reproduzir no Espírito Santo a oposição nacional entre PT e PSDB e se diz dedicado à construção de um palanque capixaba para o candidato tucano à Presidência em 2010.

Ele classifica o apoio do vice-governador a Coser como “traição”, mas avisa que o rompimento não significa a saída do PSDB do governo de Hartung, onde mantém secretarias importantes, nem a desistência do apoio do governador para 2010. O próprio Vellozo Lucas, conselheiro de Hartung, deve ser o candidato tucano a governador na próxima eleição.”Somos sócios fundadores e ninguém vai nos expulsar”, diz o ex-prefeito.

02/10/2008 - 10:20h O lixo nosso de cada dia

http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/25/25_MHG_sp_lixao3.jpg

Lixo de 300 cidades pode produzir 15% da energia do País

Usinas termelétricas usam resíduos como matéria-prima; empresas ajustam aterros para poder obter eletricidade

Eduardo Reina - O Estado de São Paulo

O lixo das 300 maiores cidades brasileiras pode servir para a produção de 15% da energia elétrica consumida no País, segundo revela o Plano Decenal de Produção de Energia 2008/2017 do Ministério de Minas e Energia. O cálculo é feito sobre todo o lixo recolhido nesses locais, que pode ser transformado em energia em usinas termelétricas. De olho nesse novo nicho de mercado, as empresas que atuam nas áreas de resíduos, saneamento e limpeza pública começam a projetar a construção de novos aterros.

As companhias se espelham em determinação da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada ao governo estadual, que só aceita funcionamento de antigos lixões quando transformados em aterros controlados, com cobertura dos detritos com terra. Entretanto, novas licenças são dadas apenas para centros de tratamento, que têm controle sobre a produção de chorume e de gás.

Um executivo de uma companhia que atua no Estado admitiu que “não interessa mais” operar na limpeza pública, “mas trabalhar com aterros”, para aproveitar a onda verde da energia do biogás. São Paulo tem hoje 21 aterros particulares. Há dois pedidos de licenciamento em tramitação no Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

http://www.usp.br/espacoaberto/arquivo/2003/espaco28fev/ilustras/dicas01.jpg

A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) diz que em 1997 havia apenas dois aterros privados no Estado. Em 2007, já eram 21, além de três para resíduos industriais. “Hoje 70% dos resíduos domiciliares de São Paulo são depositados em aterros privados. A capital responde por 50%. São 95 municípios que usam equipamentos privados. As prefeituras preferem esses aterros pela qualidade ambiental e dos serviços e pelo maior gerenciamento”, afirma o presidente, Diogenes Del Bel.

Os dois aterros da capital estão com a capacidade esgotada. O São João, na zona leste, ainda receberá detritos até março de 2009 - depois será fechado. O contrato de 20 anos e R$ 10 bilhões no Município, assinado em 2004, prevê a construção de novos equipamentos. A atual gestão renegociou os contratos e prorrogou prazo para a criação de outros aterros. Enquanto isso, as 15 mil toneladas de lixo produzidas pelos paulistanos vão para a central de resíduos Essencis, em Caieiras. A EcoUrbis, que administra o aterro São João, aguarda liberação da licença de funcionamento de área em São Mateus, no limite com Mauá, para instalar outro equipamento.

As empresas projetam a possibilidade de os aterros particulares atenderem a vários municípios de uma mesma região. “O raio de atendimento, com custo competitivo, é de até 70 quilômetros”, afirma Luciano Amaral, presidente da Vega Engenharia Ambiental, sócio do Essencis, que faz limpeza pública em parte da capital. Em Porto Alegre, essa teoria já entrou em prática: um centro de tratamento de resíduos atende cidades localizadas num raio de 140 quilômetros.

Colapso do lixo atinge 67 cidades de São Paulo

Nove terão de fechar os aterros; prefeitos alegam “perseguição”

Diego Zanchetta - O Estado de São Paulo

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) desencadeou ontem uma ação para interditar os aterros de 67 municípios de São Paulo, dos quais 9 começaram a ser notificados na semana passada. A medida atinge 1,1 milhão de pessoas. São lixões que funcionam sob as mesmas condições desde os anos 80, com toneladas de resíduos empilhadas de forma precária, próximas de rios e de áreas residenciais, a maior parte sem coleta seletiva ou reciclagem, segundo o governo estadual. Sem as correções exigidas há quase um ano, esse locais ameaçam contaminar com chorume áreas de mananciais como a Represa Billings, usada para abastecer 15% da Grande São Paulo, os lençóis freáticos do Vale do Ribeira e áreas de preservação permanente no litoral e no oeste do Estado.

A intervenção da Cetesb foi antecedida de uma reclassificação sobre as condições dos aterros em 137 cidades, feita em setembro e obtida com exclusividade pelo Estado. O levantamento mostra que 78 municípios (57%) foram considerados “inadequados” pelo Índice de Qualidade de Resíduos (IQR). Desses, 67 têm aterros em situação considerada “crítica”, que precisam ser fechados. A reportagem teve acesso aos nomes de cinco das nove prefeituras que serão alvo de intervenções nas próximas semanas: Araçariguama, Cruzeiro, Embu-Guaçu, Itapetininga (já notificada pela Cetesb) e Presidente Prudente.

Os prefeitos com aterros multados ou prestes a serem interditados reclamam de “perseguição” do governo e argumentam que a ação da Cetesb favorece os 21 aterros particulares em funcionamento no Estado. O governo rebate e diz ter repassado R$ 8 milhões a 70 municípios, somente neste ano, para melhorias em lixões.

Outros 55 municípios com aterros “inadequados” em 2007 melhoraram a classificação - estão entre “adequados” e “controlados”. Para isso, realizaram melhorias como a adoção de reciclagem e de novas estações de transbordo. O número de aterros em condições ruins, contudo, pode ser maior, uma vez que os 508 municípios que obtiveram IQR superior a 6 em 2007 não foram reavaliados no mês passado. Ao todo, São Paulo contava com 332 aterros classificados como “adequados” em novembro - 51,8% das 645 cidades paulistas.

Em junho, uma reclassificação parcial dos aterros já resultara no fechamento dos lixões de Itapecerica da Serra, Araras, Itanhaém e Mongaguá. Três meses após a intervenção, os aterros seguem lacrados. Araras, por exemplo, passou a enviar o lixo para um aterro particular em Paulínia, a 120 km de distância. Itanhaém despeja os resíduos em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.

Em novembro do ano passado, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA) exigiu melhorias em 137 cidades com IQR “inadequado”. Na primeira classificação, em 1997, eram 143 municípios que não atendiam a parâmetros como distância de mananciais e coleta de chorume. “Quase um ano depois, temos 67 cidades que não fizeram nada para melhorar as condições dos (seus) aterros. A coleta seletiva, que reduz a massa de lixo nos aterros, continua incipiente na maior parte dos municípios pequenos”, diz o secretário do Meio Ambiente, Francisco Graziano. “O paulista, que produzia em média 200 gramas de lixo por dia na década de 90, produz mais de 800 gramas hoje. Muitos aterros ficaram pequenos.”

Leia mais sobre a questão do lixo no caderno Metrópole do jornal O Estado de São Paulo

29/09/2008 - 11:20h Apunhalado pelas costas

http://diario.iol.pt/multimedia/oratvi/multimedia/imagem/id/1094957/235quinta_coluna.jpgalckmin_serra_fhc.jpg

Ao dia seguinte do debate, no qual Alckmin acuou Kassab, mostrando o descaso com as 158 mil crianças fora das creches e escolas e onde apontou a filiação do demo com malufismo, o Estadão estampa em chamada de capa, as costuras para abandonar Alckmin por parte de setores da cúpula do PSDB nacional. Bem na contramão das afirmações do candidato tucano, os dirigentes nacionais do PSDB com FHC na cabeça, afirmam em alto e bom som que o demo Kassab é tão tucano quanto. Isto, a 6 dias do primeiro turno enquanto as pesquisas indicam uma disputa acirrada entre Alckmin e Kassab, é uma verdadeira facada pelas costas em Geraldo Alckmin.

O respeito aos candidatos e ao processo eleitoral, exige aguardar o resultado das urnas e do veredito popular para depois abordar as condições concretas do segundo turno. A ação de alguns elementos da cúpula tucana, além de indecente, visa a sinalizar que já considera Alckmin carta fora do baralho.

O movimento de setores do tucanato contra Alckmin confirma o que escrevi apenas dois dias atrás: “No plano político, esta semana concentrará os ataques contra Alckmin e as pressões para montar, com sua participação, um frente anti-PT e anti-Marta com Kassab. Se ele se recusar, José Serra já anunciou que o substituirá como quase “candidato” (esse o sentido de vazar que estaria disposto a se licenciar do cargo para fazer a campanha… de Kassab). FHC veio, com sua declaração anti-PT, indicar que este será o desfecho que o alto tucanato apadrinhará.

Para Alckmin o que está sendo preparado pelos seus “companheiros” é um haraquiri. A morte política.”

A matéria do Estadão mostra que na dúvida que Alckmin aceite o sacrifício, alguns tucanos preferem apunhalá-lo pelas costas. LF

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080929/img/capadodia.jpghttp://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080929/img/nacional.jpg

 

 

Para derrotar Marta, PSDB admite apoiar Kassab no segundo turno

Se confirmar vantagem e superar Geraldo Alckmin no domingo, prefeito de São Paulo terá o apoio dos tucanos

Christiane Samarco, O Estado de São Paulo

O PSDB nacional já decidiu: caso o eleitor paulista deixe o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, fora do segundo turno, como indicam as pesquisas, o partido fechará oficialmente - e rápido - com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que disputa a reeleição. A costura para apressar a união dos principais líderes tucanos no Estado já está em curso, independentemente do resultado da eleição no domingo.

Nos bastidores do partido, tucanos de Norte a Sul entoam o discurso de que o PSDB será vitorioso, desde que a candidata Marta Suplicy (PT) seja derrotada. A ordem é não descaracterizar a vitória. Argumentam que, no pior cenário, com o tucano fora do segundo turno, ninguém poderá dizer que o PSDB perdeu se o vitorioso for Kassab, que tem a marca de “candidato do governador” José Serra (PSDB).

É com esse discurso e a certeza de que manterão o comando da maior cidade do País que dirigentes tucanos se preparam para “tomar posse da vitória”, caso Kassab consiga a reeleição. De olho no segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso troca telefonemas com o ex-senador e conselheiro do DEM Jorge Bornhausen. Ambos se encontram semanalmente em São Paulo com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Quando o DEM se viu obrigado a reagir a ataques de tucanos a Kassab, Bornhausen sempre recomendou prudência, deixando protestos para o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). “Quanto mais ficarmos em silêncio, melhor.”

Em suas conversas com FHC e Guerra, Bornhausen sempre insiste na tese de que “agora é hora de a gente ficar calado e preservar as pontes para as negociações futuras”. É esse trio que, ao lado de Serra, conduzirá todas as negociações. Cauteloso, Guerra tem afirmado que, independentemente do “caldeirão da crise paulista”, a interlocução está preservada.

Diante do confronto entre partidários do prefeito e de Alckmin, o presidente do PSDB procurou manter diálogo com as duas alas do partido representadas na Executiva nacional. A preocupação de preservar a interlocução com o DEM ficou clara quando o fogo amigo se intensificou, com as críticas do ex-ministro tucano e secretário da prefeitura, Clóvis Carvalho, a Alckmin. Guerra limitou-se a defender o candidato, “homem público correto, que todo o partido admira”. Disse que acusações a Alckmin “não são apoiadas pelo PSDB, que tem nele seu candidato para vencer em São Paulo”. Em momento algum fez reparos aos ataques de Kassab.

A maior preocupação dos tucanos é administrar o próprio Alckmin, pois o temor geral é que sua eventual derrota acabe arranhando a imagem de Serra. Até os mais próximos aliados do governador apontam responsabilidade de Serra na crise por ele ter se omitido na condução do processo que resultou na candidatura de Alckmin.

26/09/2008 - 14:42h Quércia chama Alckmin de “mesquinho”


CATIA SEABRA da Folha - Campanha no ar


O embate verbal entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Orestes Quércia (PMDB) continua quente nesta sexta-feira.

Em nota divulgada no começo desta tarde, o ex-governador, que está aliado ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), chama o tucano de “traidor frio e mesquinho”.

Tentando desvincular Kassab do PSDB, que tem quadros engajados na campanha do prefeito, Alckmin criticou a aliança do democrata com Quércia e o fato de ele ter participado da gestão de Celso Pitta (1996-2000).

“Em resposta ao sr. Alckmin, que denominou nossa chapa Quércia/Pitta, pretendo dizer que: conheço pouco o ex-prefeito Pitta, mas o suficiente para compreender que ele tem sido ao longo da vida mais vítima do que algoz. Por outro lado, conheço bem o sr. Alckmin para ter a certeza de sua personalidade duvidosa”, diz Quércia na nota.

“O sr. Alckmin resolve se impor como candidato a prefeito para tentar destruir uma aliança elaborada com competência e sabedoria pelo PSDB e o Democratas para eleger José Serra presidente em 2010″, continua.

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E conclui: “Prefiro ver meu nome vinculado a Pitta do que a um traidor frio e mesquinho como o sr. Alckmin”.

Reportagem do Painel da Folha de ontem (aqui, para assinantes) mostrou que Quércia contratou advogado para processar Alckmin por calúnia e difamação.

O motivo é a declaração do tucano, feita na sabatina da Folha, de que o peemedebista “quebrou o Estado de São Paulo” quando governador.

13/09/2008 - 19:38h Trajetórias

http://www.4news.com.br/impresso/200809/130920080003a13c.jpg

Quando a questão das trajetórias dos candidatos é evocada no meio da luta política, a história sofre.

Nada contra a transparência e sempre é bom avaliar o percurso dos que pleiteiam dirigir a cidade de São Paulo.

O PSDB vai, pelo que diz a nota do Jornal da Tarde (JT), evocar o passado de Gilberto Kassab.

Faz bem, pois o mesmo foi “apagado” por motivos de oportunismo político. Coube a Marta em 2004 alertar para esse passado e para o fato que a prefeitura iria para as mãos do ex-secretário de Pitta. Na época isto aparentemente não incomodava nenhum tucano.

É verdade que em 1994, quando Mario Covas concorreu ao governo, Alckmin estava com ele e Kassab com Maluf. É verdade que em 1996, Alckmin estava com Serra, candidato tucano à prefeitura, e Kassab com Pitta e Maluf.

http://www.terra.com.br/istoe/1622/fotos/26.jpgPodemos acrescentar para bem dos fatos, que em 1998 enquanto Kassab continuava com Maluf; Marta apoiava Mário Covas. Lembrar também que em 2000 contra Maluf, Mário Covas, Alckmin e até Serra estiveram com Marta. Kassab ainda com Maluf.

Acontece que após morte de Covas, o seu vice, Alckmin, escolheu um vice do PFL Cláudio Lembo e Kassab já tinha migrado para a turma peefelista.

Que logo, para tentar tirar Serra do caminho da pretensão “presidencial” de Alckmin, o PSDB impós Kassab como vice de Serra, acreditando que isto “amarraria” Serra à prefeitura.

Nada disto invalida uma verdade: Kassab é um sobrevivente do malufismo travestido de tucano. Mas quem emprestou as penas e o bico, vendendo a fantasia, foi o PSDB e seus dois caciques: Alckmin e Serra.

Nunca é tarde para reconhecer o erro e a crise do PSDB em São Paulo pode levar a uma reconsideração do itinerário seguido pelos tucanos.

Depois de tudo, agora até Lula é bom para eles (mesmo nisto, o PSDB não é original. Maluf já tinha tentado em 1996 “roubar” o Suplicy, contra o PT. “Nada contra Suplicy, mas não quero o PT mandando aqui” dizia o chefe de Kassab na época, igualzinho aos tucanos hoje).

Nunca é tarde para reconsiderar erros passados.

Mas isto não deveria depender de passar ou não para o segundo turno.

E não deveria conduzir a falsificar a história, apagando os personagens das fotos em função da conveniência do poder.

Luis Favre

11/09/2008 - 14:31h Líder do DEM diz que será impossivel apoiar Alckmin no 2 turno contra Marta

http://www.jacaremoto.com.br/images/trombone_small.gifLíder do DEM diz que campanha tucana em SP está “sem discurso e sem rumo”

da Folha Online

Em nota divulgada nesta quinta-feira, o líder do DEM na Câmara, vereador Carlos Apolinário (SP), afirmou que a campanha tucana em São Paulo está “sem discurso e sem rumo”.

Além disso, Apolinário criticou as declarações do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, em jantar tucano ontem.

Leia a íntegra da nota:

“Em jantar realizado pelo candidato Geraldo Alckmin, com a presença do governador José Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Alckmin demonstra que sua campanha está sem discurso e sem rumo, pois, em vez de apresentar propostas, faz críticas contra a atual administração, que teve início com Serra e continuidade com [Gilberto] Kassab. Segundo a imprensa, Geraldo Alckmin tenta desqualificar os democratas e demonstra ser um ingrato, pois nós já o apoiamos mais de uma vez. Além disso, nos dá a impressão de que Geraldo Alckmin já viu que não vai para o segundo turno e começa a procurar culpados. Em alguns momentos, diz que a culpa é dos tucanos que apóiam Kassab. Em outros, seus correligionários culpam os marqueteiros e os tucanos que nos apóiam. Comporta-se como se política fosse igual a time de futebol. Quando perde, responsabiliza o técnico ou a comissão técnica.

Ao ler as declarações de Geraldo Alckmin contra nós democratas, e principalmente contra o nosso candidato, Gilberto Kassab, lembrei-me de Cristo. Quando estava pendurado na cruz, disse: ‘Pai, perdoa, porque eles não sabem o que fazem’. Não é o caso de Geraldo Alckmin. Ele sabe o que fala. Quando critica a atual administração na frente de Serra, tem consciência de que sua fala constrange o governador, pois Serra é amigo de Kassab e de nós democratas. De nossa parte, temos a consciência de que, indo para o segundo turno, para ganharmos, temos que estar unidos, tucanos e democratas. Temos a convicção de que Kassab vai para o segundo turno. Porém, se Geraldo Alckmin fosse para o segundo turno, levando em consideração suas declarações contra a atual administração, como democrata que sou, já me considero dispensado por ele, pois seria impossível apoiar alguém que nos critica a campanha inteira.

Quanto ao governador José Serra, não será Geraldo Alckmin que tirará a consideração que temos por ele nem o apoio que lhe daremos, para a presidência da República. E mais: esta dupla –Serra e Kassab– vai longe, mesmo que o candidato Geraldo Alckmin não queira.

Carlos Apolinário,
Líder dos Democratas na Câmara Municipal de São Paulo
.”

11/09/2008 - 12:13h Confissão tucana

“Diante de Serra, Alckmin listou carências da cidade, como falta de vagas em creches e de escolas. Não poupou o trânsito: “Vou à Varginha, 6h, e no ônibus, duas horas e meia, naquele aperto, naquele sofrimento, uma mulher diz: “Dr Geraldo, estamos levando cinco horas para ir e voltar do trabalho’”. (Folha SP - “Ao lado de Serra, Alckmin ataca Kassab”)

 

Foto: J.F Diório/ Agência Estado
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11/09/2008 - 12:11h Vantagem comparativa

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Em 2008, índices dão vantagem a Marta

Paulo Totti, VALOR

Somados, Geraldo Alckmin (PSDB, 22%) e Gilberto Kassab (DEM, ex-PFL, 18%), empatam com as intenções de voto em Marta Suplicy (PT), para o primeiro turno das eleições em São Paulo - 40% a 40%, segundo pesquisa do Datafolha, realizada nos dias 4 e 5 últimos. Para o segundo turno o empate persiste, 47% a 47%, se o adversário de Marta for Alckmin. Se for Kassab, as previsões por enquanto indicam vitória de Marta, 49% a 41%. Mas as perspectivas de Marta hoje são bem melhores do que as de 2004, quando era prefeita e contava com as vantagens do exercício do cargo.

Há exatos quatro anos (a pesquisa de campo ocorreu a 10 de setembro de 2004), o Datafolha era bem menos indulgente com a então prefeita. Marta recebia 36% das intenções de voto (votos válidos) e seu principal adversário, José Serra, já assumia a dianteira com 41% (Paulo Maluf, PP, ex-PPB, estava com 13%). Para o segundo turno, Serra disparava com 56% e Marta mal chegava a 37%.

Marta ainda não tinha aparecido na TV com o factóide do CEU-Saúde, mas o eleitorado, já decidido a não reelegê-la, demonstrava isso quatro semanas antes do primeiro turno. Quando o dia 3 de outubro chegou, as pesquisas se confirmaram dentro da margem de erro: Serra fez 2,686 milhões de votos (43%) e Marta 2,209 milhões (35%). No segundo turno, a retumbante confirmação do TRE: Serra, 3,3 milhões (55%) e Marta, 2,7 milhões.

À mesma altura do campeonato, a situação de Marta hoje é diferente e mais confortável. Sozinha, e já incorporando os votos que há quatro anos pertenciam a Luiza Erundina (4%), Marta lidera entre os eleitores com renda familiar de até 2 salários mínimos (Marta, 46%, Alckmin, 16%, Kassab, 15%), e entre os mais de 2 até 5 salários mínimos (Marta, 44%; Alckmin, 22%; Kassab, 16%). Nesse universo, estão 5,714 milhões de eleitores (71% do eleitorado total que é de 8,196 milhões). Alckmin e Kassab, cujos votos são um derivativo dos votos que Serra alcançou sozinho em 2004, somam mais votos que Marta, segundo o Datafolha, nas duas categorias seguintes, entre os que têm renda familiar de 5 a 10 salários mínimos e os de mais de 10. Entre os primeiros, um eleitorado de 16%, Marta tem 32% Alckmin, 26% e Kassab, 24%. No topo da renda, Marta tem 18%, Alckmin 35% e Kassab, 28%. Dez porcento dos eleitores têm mais de 10 salários mínimos de renda.

Há quatro anos, apesar da reconhecida penetração do PT e da prefeita na periferia e no eleitorado pobre, Serra se igualava a Marta (35% a 35%) entre os eleitores de até 5 salários mínimos. Com isso, empatava o jogo disputado, diria o palmeirense Serra, no campo do adversário, para passar a ganhá-lo a partir das faixas seguintes de distribuição de renda: entre os que ganhavam mais de 5 até 10 salários mínimos Serra alcançava 41% contra 30% e chegava a 45%, contra 27%, entre os que ganhavam mais de dez.

A performance de Serra era também muito boa, segundo a pesquisa, em todas as faixas de escolaridade. Entre eleitores com ensino fundamental, Serra tinha, a 10 de setembro de 2004, 36% (Marta, 31%), ensino médio, 36% (Marta, 37%) e superior, 46% (Marta, 26%). Hoje, as intenções de voto de acordo com a escolaridade dos eleitores dá o seguinte quadro: ensino fundamental, Marta, 47%; Alckmin, 18%; Kassab, 15%. Ensino Médio, Marta, 39%, Alckmin, 21%, Kassab, 20%. Superior, Marta, 26%, Alckmin, 33% e Kassab, 23%.

Em 2004, Serra tinha 272 mil votos acima de Marta a 10 de setembro, segundo o Datafolha. Em 2008, pelos mesmos critérios, Alckmin e Kassab têm, somados, 65 mil votos mais que Marta, num eleitorado total que cresceu 426 mil. Esta pequena diferença impede que Marta comemore desde já uma vitória no primeiro turno, mas os números de hoje são muito mais confortáveis que os de 2004. Sem contar outras influências favoráveis deste pleito e que vão desde a melhora da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo às confusões na cúpula adversária.

10/09/2008 - 12:21h Presente de grego

http://w3.u-grenoble3.fr/homerica/he/images/guerre/MVC-015F.JPG

Tudo indica que a candidatura Alckmin foi vítima da armadilha montada pela quinta-coluna de Kassab no PSDB. As declarações do responsável do marketing eleitoral, trocado ontem, não deixam dúvidas (ver entrevista de Lucas Pacheco embaixo).

Venderam para Alckmin a idéia que Kassab ficaria atacando Marta para fazer linha auxiliar dele e que depois bastaria recolher os frutos da “habilidosa” combinação. Devem ter dito que Kassab só estava interessado em sair com um bom resultado e depois compor para continuar pesando no plano municipal. A condição era Alckmin ficar falando de generalidades e aguardar o segundo turno.

Ao mesmo tempo a turma que sabia, agia abertamente fazendo campanha em favor de Kassab. As contribuições chegavam devagar e a Folha era alimentada permanentemente de fofocas e acusações visando a desmoralizar a campanha do tucano. Kassab, por sua vez, confiscava a figura do atual governador e se travestia de tucano: o falso bico de oro era fornecido pelo seu padrinho e as penas pretas pela quinta-coluna tucana.

Alckmin pensou que o cavalo era um gesto de amizade. Os que saem do seu ventre não pretendem deixar nenhum ferido entre os partidários do ex-governador. LF

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Publicitário deixa campanha de Alckmin e ataca serristas

Lucas Pacheco culpa tucanos ligados ao governador por problemas no programa

Marqueteiro diz que “lobos em pele de cordeiro” fizeram orquestração para espremer Alckmin; “não dá para fazer campanha autista”, afirma

Marlene Bergamo - 15.ago.08/Folha Imagem

FORA Lucas Pacheco, ex-marqueteiro de Alckmin, que está em empate técnico com Kassab no Datafolha

RENATA LO PRETE - FOLHA SP
EDITORA DO PAINEL

O marqueteiro Lucas Pacheco está fora da campanha de Geraldo Alckmin, que disputa a Prefeitura de São Paulo pelo PSDB. Em entrevista à Folha, ele culpou os tucanos ligados a José Serra pelas dificuldades enfrentadas pela campanha.
Pacheco, que será substituído por Raul Cruz Lima, critica sobretudo os “lobos em pele de cordeiro” -referência velada a José Henrique Reis Lobo, presidente do PSDB municipal e secretário do governador.

FOLHA - O que deu errado?
LUCAS PACHECO
- Desde o princípio entendi que o Geraldo corria em faixa própria. Costumava dizer que estávamos na Castelo Branco. À direita, o prefeito, contando com a simpatia da máquina estadual. À esquerda, a candidata do PT, também numa faixa muito bem pavimentada. Para nós sobrou o canteiro central: a grama. Eu dizia que o Geraldo era o candidato off-road.

FOLHA - E por que não funcionou?
PACHECO
- Nossa estratégia se baseava em quatro pontos. Primeiro: o Geraldo colocar o dedo na ferida, apontar os graves problemas que a cidade tem. Porque isso aqui não é “Alice no País das Maravilhas”. Segundo: apresentar propostas viáveis, criativas. Terceiro: resgatar a obra do Geraldo. Afinal, ele estava um pouco esquecido. Mostrar o que ele já fez, aliado a todos os atributos positivos e à baixa rejeição que ele tem. Quarto -e mais importante: resolver a equação política.

FOLHA - Que equação?
PACHECO
- Essa situação de você ter duas candidaturas disputando a mesma fatia do mercado eleitoral. O PSDB alckmista e o PSDB kassabista.

FOLHA - Mas isso não é um dado de realidade, uma vez que o partido está na prefeitura e, ao mesmo tempo, Alckmin resolveu disputar a eleição?
PACHECO
- O que sustenta uma campanha é o pilar político. Há um segundo pilar, que envolve mobilização, organização, recursos, e um terceiro, que é a comunicação. Mas o fundamental é o pilar político.

FOLHA - Qual foi a linha decidida antes de o programa de TV estrear?
PACHECO
- O primeiro programa foi para o ar em 20 de agosto. Reapresentava o Geraldo ao eleitor. No segundo programa, dois dias depois, começamos a executar a estratégia de colocar o dedo na ferida. Dos problemas da saúde, da educação. O Tobias da Vai-Vai cantava um samba quase fúnebre que dizia que faltam mais de cem mil vagas nas escolas e nas creches. No dia seguinte, um sábado, o mundo tucano-kassabista, ligado ao governo do Estado, caiu sobre a cabeça do candidato. Começou uma pressão insuportável. Diziam que estávamos batendo na gestão do Serra na prefeitura. Estávamos mostrando os problemas. Não dá para fazer campanha autista.

FOLHA - Quem fazia a pressão?
PACHECO
- Os lobos em pele de cordeiro. Que se diziam porta-vozes da insatisfação do Serra. Fizeram uma orquestração para acuar o candidato. Tentar espremê-lo. Assim como tentaram, primeiro, inviabilizar a candidatura, trabalharam depois para tornar seu discurso inviável. Se ele não puder apontar os problemas, vai dizer o quê? Não é o prefeito. Não foi prefeito. É um ex-governador que acredita ter uma missão. E eu acredito que ele tem. Mas não deixaram ele falar. Quero deixar registrado que, no meio de todo esse processo, ele teve dois leões ao lado dele: o Edson Aparecido [coordenador-geral da campanha] e o Julio Semeguini [deputado federal muito próximo a Alckmin].

FOLHA - “Lobos em pele de cordeiro” é referência a José Henrique Reis Lobo, secretário do governo Serra e presidente do PSDB municipal?
PACHECO
- É uma referência a todos os que diziam ao candidato que ele deveria esquecer o Kassab e falar apenas da Marta, que ele podia acreditar que estava muito próximo o dia em que o PSDB ia chegar junto. O PSDB que ele não tem. Foram muitos acenos. Diziam que ele teria apoio explícito, e não apenas gravado em fita. Mas diziam apenas para acalmá-lo e para convencê-lo a não falar da gestão Kassab.

FOLHA - O sr. se refere ao vídeo com declaração de José Serra que lhe foi entregue para ser incluído no primeiro programa de TV?
PACHECO
- O que eu posso dizer é que essas pessoas falavam em nome dele.

FOLHA - O que o sr. achou da declaração gravada por Serra?
PACHECO
- Correta. De homem de partido. Nada além disso.

FOLHA - O candidato cedeu?
PACHECO
- Ele foi convencido de que a mudança poderia contribuir para unir o partido em torno dele. Mas isso nunca aconteceu. Não era isso o que queriam. Eles queriam que o Geraldo fosse desidratado.

FOLHA - Como ficou o programa?
PACHECO
- Tivemos que fazê-lo apenas em cima de atributos e propostas. Isso, numa cidade que se divide entre o voto no PT e o voto anti-PT, é mortal. A classe média que vota no PSDB e que vive na Manhattan paulistana, que nunca foi à Brasilândia, a Itaquera, nunca viu uma AMA nem uma UBS, começou a assistir àquele festival de maravilhas [no programa de Kassab] e a achar que está tudo ótimo. Mudar pra quê? É mudança ou continuidade? Eu acho que o Geraldo tem de ser o candidato da mudança. E ficou impossível dizer isso na TV.

FOLHA - Como o sr. responde ao que dizem que a propaganda de Alckmin é tecnicamente ruim?
PACHECO
- Não temos os recursos das outras duas campanhas, feitas, aliás, por dois profissionais por quem tenho o maior respeito [João Santana, de Marta Suplicy, e Luiz Gonzalez, de Kassab]. E temos menos tempo. Tinha de adotar uma estética mais próxima da vida das pessoas que sofrem. Mas os lobos em pele de cordeiro conseguiram contaminar o noticiário com a versão de que havia crise de formato, não de conteúdo. Vi coisas nesta campanha que fariam o malufismo corar.

FOLHA - Por exemplo?
PACHECO
- As acusações de compra de delegados [por kassabistas] antes da convenção do PSDB. Isso na cidade mais avançada do país.

FOLHA - O sr. está fora?
PACHECO
- Decidi sair depois de conversar com o Geraldo e com o Edson, para o bem do candidato. Quando você insiste numa tese, passa a atrapalhar o processo. Mas ponho a maior fé na campanha, no Raul Cruz Lima, que vai assumir, e na vitória. Depois de três meses, estou louco para ver meus netos.