05/08/2008 - 11:33h Exportação do Brasil para Argentina sobe 514% desde 2002 e leva investimentos

EFE
Brasil e Argentina
Lula e Kirchner brindam às novas relações comerciais

Sergio Leo, VALOR de Brasília

A Argentina que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de visitar com uma missão de centenas de empresários é mais que um dos principais parceiros comerciais do Brasil: é o mercado para o qual o Brasil mais aumentou exportações, em termos absolutos, entre 2002 e dezembro de 2007. Foram US$ 12 bilhões a mais em vendas do que em 2002. Mas é a crescente importância dos investimentos brasileiros no mercado argentino o que mais desperta a curiosidade do próprio governo, que busca, ainda, dados confiáveis sobre a dimensão desses projetos no país vizinho.

Um levantamento informal e ainda incompleto realizado pelo governo brasileiro constatou que empresas brasileiras detêm, hoje, quase um quinto do setor siderúrgico argentino, 42% do setor de cimento, pouco mais de um quarto do têxtil, cerca de 40% do setor de calçados, 38% da produção de alimentos, quase 30% da indústria de carne. Se a belgo-brasileira Ambev for contabilizada na conta do capital verde-amarelo, quase 40% da vizinha indústria de bebidas está em mãos brasileiras. A valorização do real facilita as iniciativas das empresas do Brasil que têm no mercado da Argentina um alvo ideal para internacionalizar as atividades.

Os investimentos anunciados pelos brasileiros na Argentina (somando a compra da cervejaria Quilmes, pela Ambev) entre 2002 e 2007 chegam a US$ 14,6 bilhões, segundo o governo brasileiro. Nesse período, segundo o Banco Central argentino, o investimento estrangeiro direto com origem no Brasil aplicado na Argentina somou pouco menos de US$ 5 bilhões. Só em 2007 quase 55% dos mais de US$ 2,2 bilhões investidos foi usado em aquisições de firmas já existentes e pouco menos de 32% em empreendimentos novos. O restante foi destinado a ampliação de instalações, joint-ventures e contratos de terceirização.

Há enorme preocupação, por parte do governo Lula, de evitar que essa ocupação de mercado seja recebida como uma “invasão” pelos argentinos, que se queixam ao governo de Cristina Kirchner da falta de instrumentos de apoio à indústria como o BNDES. Os empresários que acompanharam Lula foram orientados a concentrar conversas em oportunidades de associação com firmas locais.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a quem o governo pediu ajuda na organização da viagem, tem planos para uma nova missão comercial a Buenos Aires em setembro, em que haverá reuniões com possíveis parceiros em investimentos na Argentina.

Em termos proporcionais, a Argentina também foi o país, entre os 15 maiores parceiros comerciais do Brasil, que mais aumentou as compras de produtos brasileiros - 514% - entre os anos de 2002 e 2007. Neste ano, no primeiro semestre, o aumento nas exportações foi de quase US$ 2 bilhões, 36% acima do valor registrado no mesmo período de 2007 - as importações também cresceram, pouco menos de US$ 1,5 bilhão, e o aumento foi insuficiente para reduzir o enorme superávit comercial dos brasileiros com a Argentina, que, entre janeiro e julho, acumula US$ 3 bilhões em favor do Brasil. Nos últimos três anos, esse saldo ficou em torno de US$ 4 bilhões.

O comércio com a Argentina é um dos mais vigorosos e o crescimento do saldo em favor do Brasil persiste, apesar dos esforços do governo para estimular um maior volume de compras no mercado vizinho. Nos últimos dois anos, o saldo comercial do Brasil com o mundo caiu 42%, mas tem crescido com os países do Mercosul, especialmente com a Argentina. O saldo com os vizinhos equivale a um quinto de todo o superávit comercial de US$ 11,3 bilhões do Brasil, no primeiro semestre.

Os atritos comerciais que permanecem, em setores como calçados, eletrodomésticos da linha branca e trigo, têm sido negociados e mantidos na esfera técnica, em comissões de monitoramento do comércio. Diferentemente do passado, pelo menos por enquanto, as disputas e divergências não chegam mais aos palácios de governo, e as queixas de empresários, como os moinhos de trigo brasileiros, prejudicados pelas distorções de custos na comercialização do trigo argentino, deixaram de azedar os encontros presidenciais entre os dois principais sócios do Mercosul.

27/04/2008 - 10:48h ‘Ainda falta muito a ser feito’

http://www.inadi.gov.ar/uploads/imagenEnTexto_217.jpg   CORPO A CORPO FLAVIO RAPISARDI

O Globo

BUENOS AIRES. O escritor e filósofo argentino Flavio Rapisardi é um dos principais ativistas do país em matéria de direitos dos homossexuais. Atualmente, Rapisardi é secretário de investigação da Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans e coordenador do Fórum da Sociedade Civil do Instituto Nacional contra a Discriminação do governo argentino, organismo que integra o Grupo Técnico de Diversidade Sexual do Mercosul.

“Os governos progressistas da região estão investindo e avançando e políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa”, disse Rapisardi ao GLOBO. O ativista é um dos autores da lei de união civil aprovada em 2003 na cidade de Buenos Aires, a primeira da América Latina a adotar uma legislação a favor da diversidade sexual.

O GLOBO: A América Latina avançou na defesa dos direitos homossexuais?

FLAVIO RAPISARDI: O eixo integrado por Brasil, Argentina e Uruguai é muito progressista e está adotando mudanças muito favoráveis.

Nos três países existem planos nacionais contra a discriminação.

No caso argentino, o plano inclui um capítulo dedicado à diversidade social e o governo do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) pediu ao Congresso que o transformasse em lei. Esse plano inclui iniciativas como uma lei de casamento homossexual e adoção de crianças.

Qual é a estratégia a seguir nos próximos anos?

RAPISARDI: Queremos seguir o mesmo caminho da Espanha, que é nosso principal modelo. Primeiro aprovar legislações regionais e depois partir para uma lei nacional.

Já temos a união civil em três cidades argentinas e em breve teremos a aprovação na província de Buenos Aires. Nossa idéia é, até o fim deste ano, contar com uma lei nacional.

Qual é o principal ponto de debate no país?

RAPISARDI: Um dos mais discutidos é o projeto de adoção.

Ainda falta muito a ser feito, mas não podemos deixar de reconhecer que o Mercosul e a União Européia são os únicos blocos que criaram grupos técnicos para tratar a questão da diversidade sexual. Já não é tão fácil gerar violência a partir da discriminação sexual na maioria dos países latino-americanos.

Em muitos países temos uma boa base de jurisprudência, já que existem muitos casos em que juízes latino-americanos respeitaram a diversidade sexual.

Trata-se de uma massa crítica que dentro de alguns anos nos ajudará a alcançar nossa principal meta, que é a igualdade jurídica.

Em que países do mundo existe a igualdade jurídica para os homossexuais?

RAPISARDI:
O único país em que há igualdade jurídica real é a Espanha. É importante dizer que, além de igualdade jurídica real, precisamos de mais políticas públicas, instituições dedicadas ao assunto e, sobretudo, avanços legislativos. Os governos progressistas da região estão investindo e avançando em políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa.

Em outros países, como Peru, Chile, Costa Rica e Paraguai, o peso dos setores conservadores ainda impede a implementação de mudanças em matéria de diversidade sexual. ( J. F.)

07/04/2008 - 13:57h Nicolás Casullo: “a briga dos Kirchner com a mídia é positiva”

El pensador argentino sostiene en Las cuestiones (Fondo de Cultura Económica) que las utopías pertenecen al pasado. En esta entrevista, dice que el fracaso de la revolución socialista ha cancelado en cierto modo no solo el futuro de las sociedades, sino también el de la historia. Pero las marcas de esa tradición han hecho que en la Argentina subsista un fuerte sentido de reivindicación social


Casullo Foto: Rafael Calviño

Por Alejandra Folgarait - Para LA NACION - BUENOS AIRES, 2008

En una vieja casa con escaleras de mármol que se resiste a formar parte del Barrio Norte porteño, Nicolás Casullo tiene su hogar y su escritorio tapizado de libros. Con amabilidad y calma que contrastan con su fama de polemista rebelde, recibe a adn CULTURA en un día caluroso. En cuanto se sienta en su sillón de trabajo, el hombre de letras rinde homenaje a los autores que ama: Sartre y Cortázar, Martínez Estrada y Faulkner, Marx y Borges, Macedonio Fernández y Shakespeare iluminan la mirada del profesor de Historia de las Ideas y de Historia del Arte de la Universidad de Buenos Aires y de la Universidad de Quilmes.

El autor del libro Las cuestiones (FCE, 2007) recupera el concepto de memoria para ubicar la utopía no en lo que vendrá sino en el pasado, en esos aconteceres que narran con distintas voces lo vivido. En esa memoria histórica, que puede remontarse tanto a Antígona como a la Revolución Francesa o los años setenta en la Argentina, Casullo busca desentrañar los problemas latentes del país y del mundo. Desde una perspectiva sociológica y filosófica, el erudito apasionado por el fútbol pronostica que los medios de comunicación serán el tema central durante los próximos 25 años.

-Escribir un libro de ensayos de 500 páginas en una época en la que apenas se lee por Internet ¿es un acto de audacia o de resistencia?

-Hay una audacia, porque no es un remedio que alguien está pidiendo. Nadie le pide a uno que escriba. Hay cierta soberbia en el autor que dice: “Tomá, acá tengo 500 páginas, y me las tenés que leer porque yo pienso esto”, en una sociedad a la que hasta los textos de los diarios le parecen un poco largos. Siempre digo que es una resistencia romántica. Porque los románticos resistían sabiendo que iban a perder, iban a ser derrotados. Pero ellos querían dejar testimonio de que habían dado batalla. Cuando viene el mundo moderno, con sus máquinas y sus técnicas, el romántico que ama los grandes valores tradicionales enfrenta ese mundo sabiendo que va a perder. El libro tiene algo de esa resistencia, de plantear cosas y saber que, frente a otras cosas potentes, va a ser arrasado, que es una gota en el mar. Es que la tarea intelectual es básicamente confrontar, partir siempre de que hay cosas en el mundo que lo hacen injusto, irracional y que habría otra posibilidad de mundo. Entonces uno insiste.

-En Las cuestiones usted sostiene que el futuro queda cancelado cuando la revolución es derrotada, ya que era la revolución marxista la que planteaba un horizonte a la humanidad. ¿Cómo se piensa ahora, entonces, lo que vendrá?

-En términos personales, lo pensamos siempre por esa pasión humana por la que nos vemos en la vida: nos vemos casados, nos vemos pensando que el hijo va a ser más grande en términos personales, el futuro nunca está cancelado. En términos de situarnos en una cultura, en una civilización, sí está bastante cancelado. Porque la revolución, la revolución socialista, adscribiera uno a ella o no, era la forma en que la modernidad iba a resolver su propia invención, en un mundo donde, además de los adelantos técnicos, todo se iba a realizar en igualdad, fraternidad, en el fin de las diferencias entre los hombres. Eso estaba ahí latente: la idea de que el mundo marchaba hacia una mayor igualdad. Hoy podemos decir que el resultado de esa revolución fue tan catastrófico que no el futuro sino el desarrollo de la historia está cancelado. Hoy no existe en el mundo una respuesta para la pregunta “¿Hacia dónde vamos?”. Es una situación confusa. La historia perdió un sentido muy fuerte. Hoy la historia es lo que hay, como dicen los jóvenes.

-¿Esto afecta tanto a la derecha como a la izquierda?

-Sí, exactamente. La izquierda era la que asumía la responsabilidad y el compromiso de un mundo posterior al capitalismo, un mundo que, como decía Marx, iba a ser el pasaje de la prehistoria a la historia definitiva. Una cosa casi bíblica, un camino hacia la realización plena de la humanidad. Hoy eso lo tenemos más en duda. Hoy no sabemos si la historia tiene un sentido. Tampoco sabemos si la historia se realiza con una felicidad para todos, como decía el liberalismo. O con una igualdad general, como decía el Estado de Bienestar keynesiano. Esto no está muy pensado. Seguimos viviendo como si siguiese existiendo. Y si nos damos cuenta de que no existe más, nos distraemos un poco y hablamos de otra cosa.

-¿Y Cuba?

-Cuba creo que forma parte de la misma crisis de este paradigma. Creo que es un ejemplo de todo el recorrido de esta historia que culmina en la revolución como pasado. Hace 30, 35 años, aparecía como un elemento fuerte de vanguardia en el cambio histórico. Acontecidos estos años, no solo Cuba sino también la Unión Soviética, China y las izquierdas derrotadas en América latina -tanto las violentas como las no violentas- forman parte de ese derrumbe de un paradigma, de un horizonte fuerte que impulsaba. Ojalá que Cuba pueda asumir un socialismo de corte plural. De todos modos, creo que la idea de que la revolución estaba adelante permitió, con sus errores y horrores, hacer crecer los reclamos y las conquistas de masas. Y también ese modelo ayudó a afianzar la democracia, a integrar masas marginadas en el escenario de la historia y a lograr conquistas sociales que mi abuelo no hubiera concebido lograr. Por ejemplo, la Argentina es un país de enorme capacidad de reivindicación social.

-¿Hoy dónde está puesta esa capacidad?

-Se la ve permanentemente. No es una sociedad que se calme, que acepte. Es una sociedad con un fondo de justicia y de reclamo social muy fuerte y muy consciente, que no retrocede en sus demandas, a menos que venga una dictadura. En democracia, es una sociedad donde si dos chicos mueren porque no hay un semáforo, ahí hay quinientas personas reclamando un semáforo. Es una sociedad que se destaca en ese sentido del resto de América latina. Yo he conversado allá por 1998 con piqueteras jujeñas que estaban toda la noche en la ruta con las antorchas y decían: “Yo quiero que mis dos hijos vayan a la universidad, por eso estoy peleando”. En otros países de América Latina, nadie va a escuchar ese reclamo. En este sentido, creo que hay que revalorizar lo que de justicia social y de política de conciencia planteó el peronismo.

-¿Esa es la herencia del peronismo?

-Es un piso en el cual los ya no peronistas o los jóvenes que no vivieron el peronismo dicen: “Yo esa injusticia no la voy a padecer”. Lo mismo ocurre con cualquier reclamo. Las protestas que hay en las ciudades de este país por la violencia son una herencia de la típica protesta social del peronismo. Es la lógica: se sale y se protesta y se reclama. Y yo tengo derecho.

-Hoy parece encarnarse esa protesta en los piqueteros

-Hay piqueteros que son hacendados, que también salen a cortar las rutas. Salen [los argentinos] con Blumberg, salen con el piquete, salen porque en la escuela apareció un olor raro, porque hay un violador en el barrio. Eso tiene un fondo, tiene una historia en 1945 que generó una conciencia, un piso de protesta muy fuerte. Hay un reclamo de justicia permanente.

-También puede verse como una queja permanente, típicamente argentina, y una incapacidad de hacer, de formular soluciones en vez de protestar tanto.

-Sí, exactamente. También hay otras circunstancias dignas de ser atendidas, como la victimización. Parece que la víctima tiene un derecho superior. La indignación se transforma en una verdad y no necesariamente es así. Una madre puede estar reclamando indignada, expresando un dolor que le comprendo, pero puede no tener la verdad. Hay un producto de una Argentina que se siente víctima, que fue víctima de violencia, de guerras perdidas, de frustraciones democráticas, que ha hecho de la victimización una ideología peligrosa. Si todos nos ponemos en el espacio de víctima, es casi imposible gobernar la Argentina, porque estamos reclamando algo de manera patológica.

-¿Tiene esto relación con el tratamiento que les dan los medios de comunicación a las víctimas de robos, accidentes, asesinatos?

-Sí, totalmente. Soy un investigador en medios de comunicación y puedo decir que tienen una llegada mucho mayor que un senador, un diputado o el propio presidente. En ese sentido, encuentro una enorme irresponsabilidad, una enorme falta de compromiso, una enorme incapacidad de educar, de formar. Más bien veo una competencia por ver quién encuentra en el peor momento al peor sujeto para que diga las peores cosas, a los gritos, y con eso tiñe el día. El día se transforma en el asesinato de una muchacha o en un motoquero caído. Hay una búsqueda permanente de la víctima. Y más: muchas veces es la víctima la que cuenta todo, la que da la noticia. Lo que no es víctima es aburrido, es chato.

-Pero los medios también reflejan una sociedad que busca ese tipo de noticias

-Ya no estamos en etapa de los medios como cuarto poder, como importantes. Hoy estamos en una sociedad mediática. Los alumnos de la facultad esperan a los canales de televisión para salir a hacer una marcha, y son cien, no tienen por qué ser mil. Lo mismo el tipo que va a ser entrevistado: no se asusta del canal; por el contrario, dice: “Vení que yo te voy a contar cómo fue”. Una sociedad mediática es una sociedad cuya única lógica es lo mediático, solo puede hablar de algo que está mediado. Hablamos de algo que vimos en televisión o escuchamos en la radio. Y todo el tiempo estamos predispuestos a intervenir en eso. En una sociedad mediática, lo que menos importa es lo que dice el diputado. El problema de una sociedad mediatizada es el del narrador omnisciente: alguien te está escribiendo la historia y vos no te das cuenta. Los medios son como la verdad natural. Pero deben rendir cuenta de lo que están haciendo.

-También cada uno elige cómo le cuentan la historia. Por eso compra un diario y no otro .

-Eso, en la prensa gráfica. Pero en la televisión, es una misma lógica la que atraviesa todo. Los medios de comunicación son la gran temática de los próximos 25 años. De acuerdo con cómo encaren los medios su propia responsabilidad informativa y formativa, va a haber sociedades patologizadas o sociedades sabias. Y ahí adentro va a estar el político, como un dato más.

-Si vivimos por los medios y para ellos, ¿cómo se puede actuar fuera de su lógica?

-Es muy difícil. La sociedad de masas, acelerada, tecnificada, con crisis brutales, parecería que necesitara de un adormecimiento, de entretenimiento, de vaciado, que lo dan los medios. Por otra parte, los noticieros de televisión son los que hoy manejan la tragedia, con sus locutores ubicados allá lejos y arriba, como en el Olimpo. El noticiero es el gran teleteatro diario. La política aparece en un 10 a 15% del contenido. El 85% restante es la mujer muerta por el marido, el choque violento, una protesta. Creo que es una falta de cultura periodística, que no se ve en otros noticieros del mundo. La CNN puede mostrar catástrofes en todo el mundo y no lo hace. El noticiero argentino es populista en el peor sentido de la palabra; es agitador.

-En su libro, valora como positiva la pelea de Kirchner con los medios para ver quién impone la agenda pública. ¿Es así?

-Claro, yo creo que el gran logro de Kirchner es que volvió a hacer presente el sillón de Rivadavia. Dijo: “Esta es la política”. La política está por encima de los ganaderos, de los formadores de precios, de las empresas privatizadas. Lo hizo en una Argentina donde todo estaba invertido, todo eran lobbies , donde la política tenía un peso nulo. Si mañana es presidente Macri, va a hacer lo mismo. Es un corte epocal. Es decir: “El que está en la Rosada tiene el poder”. En particular, tiene el poder sobre los grandes poderes en la Argentina: el gran empresariado, el establishment , la Iglesia, las Fuerzas Armadas. En este sentido, me parece que Kirchner le devolvió al sillón de Rivadavia una estatura, una jerarquía que en la Argentina no había. Gobierna la política. Y hay que discutirles la agenda a los medios, que no pueden ser los partidos opositores.

-¿En qué medida el populismo tiene que ver con el peronismo?

-En mucho. El peronismo fue una experiencia populista fuerte, que generó formas de actuación y, sobre todo, una relación con la idea de pueblo, de sociedad, que en la Argentina es muy precisa. El peronismo santificó al pueblo. Para bien o para mal, lo puso como una figura donde acontece la verdad. Esto es típico del populismo: la idea de que el pueblo tiene la verdad. Hoy los medios inventaron una palabra: lagente . Es la gente la que tiene la verdad. Eso es lo que yo llamo populismo y hoy podríamos decir que todos somos populistas. Hay una historia latinoamericana muy fuerte en relación con los caudillos, la constitución de la política a través de la figura, la masa, el síganme. Yo defiendo el populismo latinoamericano más allá de sus errores porque pienso que es la única historia popular que tuvo América latina.

-¿Y el kirchnerismo?

-El kirchnerismo es un populismo que trata de dejar atrás el populismo. Es muy difícil situarse dentro del peronismo sin plantearse las viejas formas populistas que constituyen la historia. Hay una intencionalidad, pienso, de organizar el Partido Justicialista en términos más modernizados, con internas Creo que le conviene al país que el peronismo se discipline, se parezca un poco a un partido socialdemócrata, porque sino, es un movimiento imprevisible.

07/04/2008 - 02:35h Imagem

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EM MARCHA. CRISTINA KIRCHNER, ONTEM, EM PARIS, ARVORANDO UM CARTAZ POR INGRID BETANCOURT, NA MOBILIZAÇÃO QUE FOI DA ASSEMBLÉIA NACIONAL ATE OPERA.

02/04/2008 - 03:31h Cristina põe base na rua contra locaute

Piqueteiros pró-governo e militantes peronistas lotam praça de Maio; país proíbe exportação de carne

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ADRIANA KÜCHLER - FOLHA DE SÃO PAULO

DE BUENOS AIRES

No 20º dia do locaute agropecuário que levou ao desabastecimento de alimentos em toda a Argentina, a presidente Cristina Fernández de Kirchner fez um novo pedido para que os produtores agrícolas liberem as estradas bloqueadas por piquetes há três semanas.
Desta vez, o chamado foi feito diante de milhares de manifestantes, entre grupos piqueteiros aliados à Casa Rosada e movimentos peronistas, que se reuniram na praça de Maio em um ato de defesa e demonstração de força do governo.

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No discurso, Cristina criticou os líderes agropecuários. “Como se pode representar o povo e orgulhar-se de desabastecê-lo?”, indagou a presidente. “Nunca vi tantos ataques a um governo eleito pelo povo.”
Essa foi a quarta fala da presidente em uma semana. Na terça-feira passada, um duro discurso de Cristina agravou o locaute, reação do setor agropecuário ao aumento de impostos sobre a exportação de grãos.
Em rara declaração pública desde que deixou o cargo, em dezembro, o ex-presidente Néstor Kirchner fez coro aos discursos da mulher e sucessora, dizendo ontem à imprensa que “a democracia não se discute com atos de extorsão”.
Na praça de Maio, vários “manifestantes” levavam pedaços de pau sem bandeiras. Policiais, de longe, informavam que não agiriam por não terem recebido ordens para tanto.

Desabastecimento

Diante da escassez de alimentos, o governo decidiu ontem impedir temporariamente as exportações de carne bovina para garantir o abastecimento interno. Falta carne em 90% dos estabelecimentos do país.
Como alternativa às estradas bloqueadas, algumas empresas, como redes de supermercados, começaram a alugar aviões da Força Aérea argentina para transportar mercadorias.
Embora se mostre “otimista” em relação ao fim da paralisação agropecuária, o ministro do Interior, Florencio Randazzo, afirmou ontem que os ruralistas “têm o povo como refém” ao impedir que os alimentos cheguem à população.
Os líderes das quatro principais entidades agrícolas, que comandam o locaute, preferiram manter silêncio ontem. Na segunda, o governo havia anunciado um pacote de medidas compensatórias que não agradou aos ruralistas por ser voltado só aos pequenos produtores.

01/04/2008 - 12:37h Les bidonvilles de Buenos Aires, nouveau combat des Mères de la place de Mai

Christine Legrand - Le Monde

A 79 ans, Hebe de Bonafini a troqué son traditionnel foulard blanc pour un casque en plastique jaune. La présidente de l’association des Mères de la place de Mai est à la tête d’un vaste programme d’urbanisation d’une dizaine de bidonvilles de Buenos Aires.D’un pas décidé, défiant les crises d’asthme et de diabète, Mme Bonafini, qui a perdu deux enfants pendant la dictature militaire (1976-1983), arpente le labyrinthe en terre battue de Ciudad Oculta (ville cachée), l’un des plus grands bidonvilles, situé à l’ouest de la capitale. Neuf cents logements vont être construits. Elle montre fièrement plusieurs maisons de deux étages, aux couleurs vives, qui sont déjà habitées.

Une immense bâtisse abandonnée depuis plus d’un demi-siècle va être recyclée pour accueillir des appartements, un hôpital, des écoles, des garderies d’enfants, un centre de loisirs et une bibliothèque. Baptisé “L’Éléphant blanc”, l’édifice avait été construit dans les années 1950 par le général Juan Domingo Peron, qui voulait en faire l’hôpital le plus moderne d’Argentine. “Ce sont 24 hectares au total, une vraie ville qui va être construite”, indique l’architecte Eduardo Crivos. Une équipe de 23 professionnels travaille pour la Fondation des Mères de la place de Mai.“Nous sommes la plus grande entreprise de construction du pays”, lance fièrement Hebe de Bonafini.

Les logements ne sont pas construits avec des briques mais à l’aide de panneaux mobiles permettant une édification rapide. D’origine italienne, ils sont fabriqués dans une usine qu’ont fait construire les Mères de la place de Mai dans le quartier populaire de La Boca. Amie de longue date de Fidel Castro, mais aussi du président vénézuélien, Hugo Chavez, Hebe de Bonafini affiche également son affection pour les Kirchner. Le couple présidentiel revendique son passé de militants péronistes de gauche dans les années 1970 et a fait des droits de l’homme une priorité de leurs gouvernements successifs.

“La tâche des Mères n’est plus de résister, estime Mme Bonafini. La présidente Cristina Kirchner fait bien les choses et nous nous sentons totalement solidaires de l’actuel gouvernement.” “Nos enfants sont morts pour un idéal, nous continuons leur combat contre les injustices sociales”, ajoute-t-elle.

Celles que les militaires avaient baptisées les “folles de la place de Mai” ne sont plus qu’une vingtaine. Leur âge oscille entre 76 et 94 ans. Après trente ans de lutte, elles ne se contentent plus de faire leur ronde hebdomadaire, tous les jeudis, face à la Casa Rosada, le palais présidentiel. Elles ont fondé une université populaire, un journal, une radio, une imprimerie et leur propre maison d’édition. Elles disposent d’archives uniques sur les “années de plomb”.

Elles bénéficient de l’appui financier du gouvernement péroniste à travers le plan fédéral de logements. Le maire de Buenos Aires, l’homme d’affaires Mauricio Macri (droite), adversaire politique des Kirchner, serre les dents. Les Mères ont envahi son territoire et c’est lui qui est chargé de leur faire parvenir les crédits accordés par le gouvernement. Fin janvier, Hebe de Bonafini a occupé la cathédrale pour protester contre la lenteur de la bureaucratie de la capitale.Quelques heures plus tard, les fonds étaient débloqués. Les Mères sont populaires et des alliées inconditionnelles des Kirchner. “Elles font du bon travail, admet l’adjointe au maire Gabriela Michetti. Nous regrettons toutefois qu’il n’y ait pas plus de transparence.”“Macri n’a aucune expérience de la problématique sociale”, rétorque l’avocat Sergio Schoklender. Bras droit d’Hebe de Bonafini, il juge que “des entreprises privées ne pourraient pas travailler dans les bidonvilles comme le font les Mères”. “Nous avons une approche globale de la réalité sociale qui nous permet d’éliminer du même coup la délinquance, la drogue et la prostitution. Ce sont les habitants des bidonvilles eux-mêmes, hommes et femmes, qui construisent après avoir reçu des formations”, précise l’avocat, avant d’ajouter : “La plupart n’avaient jamais travaillé de leur vie ; 80 % étaient des “cartoneros” (pauvres qui font les poubelles). Ils sont déclarés, ont de bons salaires, la retraite, la Sécurité sociale, les congés payés et il n’y a jamais eu d’accident sur nos chantiers.”A la demande du gouvernement Kirchner, le programme d’urbanisation des Mères de la place de Mai va s’étendre à d’autres provinces.

Christine Legrand

01/04/2008 - 04:37h Cristina não negocia e enfrenta os ruralistas

Garantia policial: caminhão passa por rodovia em Gualeguaychú, na Argentina, aberta por um batalhão da polícia

Janes Rocha - VALOR

O governo argentino deu uma nova demonstração de força aos agricultores ontem ao reiterar o sistema de retenções sobre as exportações de soja e girassol, em meio a um pacote de medidas de estímulo ao campo anunciadas à noite pelo ministro da Economia, Martín Lousteau.

As retenções, uma espécie de imposto sobre a venda do produto ao exterior, foram elevadas, no caso da soja, de 35% fixos para uma faixa móvel entre 20% e 44%, de acordo com o preço dos grãos no mercado internacional. A mudança, feita a duas semanas do início da colheita da safra deste ano, foi o motivo do protesto dos produtores rurais que há 20 dias interrompem o trânsito nas estradas e causam desabastecimento de alimentos nos principais centros urbanos.

As medidas de estímulo incluem uma compensação aos pequenos agricultores (que produzem até 500 toneladas), com crédito em dinheiro na conta corrente, além de subsídios equivalentes à metade do custo do frete para os produtores situados nas regiões Nordeste e Noroeste do país - as mais pobres e distantes das zonas portuárias.

Também foi anunciada a reabertura das exportações de trigo e um programa de incentivos à produção de leite; uma nova linha de financiamento com prazo de 5 anos e juros de 6% ao ano e a criação de uma subsecretaria especial voltada aos pequenos e médios produtores. Segundo Lousteau, a compensação às retenções vai atingir 62,5 mil produtores, que representam 80% do total de produtores de soja e girassol, mas respondem por apenas 20% da produção.

As medidas foram recebidas com ceticismo e desagrado pelas lideranças agropecuárias.

Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, disse que faltou “generosidade” por parte do governo e que, com a manutenção das retenções, “não se modificou na essência o motivo do conflito”. Decepcionados com o pacote, os agricultores prometem continuar a paralisação até quarta-feira, quando haverá uma assembléia geral para discutir o assunto.

O pacote era esperado desde a frustrada reunião de sexta-feira de ministros com os representantes das entidades que organizaram a manifestação dos agricultores. Com a perspectiva de anúncio de medidas, o movimento já estava se diluindo nesta segunda-feira, com várias estradas sendo aos poucos liberadas ao tráfego. Havia, entretanto, alguns focos de resistência, como os produtores da província de Entre Ríos que colocavam o fim do sistema de retenções como única condição para que suspendessem o protesto.

Em assembléia na noite de domingo, eles decidiram parar os caminhões brasileiros e uruguaios que entram na Argentina pela Rodovia do Mercosul. Mas foram impedidos por um batalhão da polícia que foi enviado à fronteira com o Uruguai para garantir a passagem de caminhões estrangeiros. Em outros pontos da região, no entanto, o tráfego seguia impedido.

Em um discurso na Casa Rosada, após o anúncio das medidas, a presidente Cristina Fernández de Kirchner negou que as retenções vão causar prejuízo aos produtores. “Mesmo sem a compensação que estamos anunciando, a atividade rural é rentável.” Ela fez um apelo aos produtores para que liberem as estradas, ainda que queiram continuar com seus protestos: “Por favor deixem transitar os caminhões”. E completou: “Pensem como parte e não como proprietários do país”.

Ao enfrentar os produtores agrícolas em sua principal reivindicação, o governo contava também com a pressa deles em uma solução para que pudessem retomar a produção, sob o risco de arcarem com elevados prejuízos.

Segundo um acompanhamento mensal da Bolsa de Cereais, a paralisação dos produtores está atrasando a colheita da soja, cuja produção estimada para a safra deste ano é de 47 milhões de toneladas.

De acordo com a Bolsa, até 28 de março apenas 790 mil hectares (ou 4,7% da área cultivada) tinham sido colhidos. Neste mesmo período no ano passado, 1,68 milhão de hectares estavam colhidos. “A demora implica riscos que podem afetar o rendimento e a qualidade”, alertam os analistas da Bolsa de Cereais responsáveis pelo relatório.

27/03/2008 - 05:20h Cristina não cede apesar de protestos nas cidades

Argentinos voltaram às ruas ontem em Buenos Aires batendo panelas contra o governo, em apoio à mobilização dos produtores rurais do país

Janes Rocha - VALOR

O governo argentino não recuou nem um milímetro de seu confronto com os produtores rurais em greve, mesmo depois da inesperada adesão urbana ao movimento do campo. Os produtores estão em mobilização há 15 dias, fechando a passagem de estradas em 29 localidades de sete províncias. Eles exigem que o governo volte atrás na decisão de elevar de 35% para 44,1% o percentual retido sobre as exportações de soja, anunciado dia 11. Os produtores alegam que a retenção vai causar prejuízo a quem planta e exporta soja.

A paralisação está agravando a falta de alimentos como carne e verduras no comércio varejista da capital Buenos Aires e de outros centros urbanos. Juan Carlos Vasco Martínez, presidente de uma entidade de supermercadistas, a ASU, disse ao jornal “Clarín” que “existem sérias dificuldades” no abastecimento de alguns produtos, que a carne praticamente acabou e que temia a falta de leite em breve.

O ministro da Economia, Martín Lousteau, disse ontem em entrevista a uma rádio que “não há absolutamente nenhum elemento” que aponte a necessidade revisar o sistema de retenções sobre as exportações de grãos, anunciado por ele no dia 11, e que detonou a maior paralisação do campo argentino em 30 anos. Já o ministro da Justiça, Aníbal Fernández, garantiu que se as estradas não forem liberadas, as forças de segurança vão atuar e efetuar prisões dos responsáveis. Mas até o fechamento desta edição a polícia não havia atuado contra os ruralistas em protesto.

Na noite de terça, os argentinos voltaram às ruas batendo panelas (o “panelazo”), como fizeram na crise de 2002, só que desta vez em apoio aos ruralistas. Foi logo depois que a presidente Cristina Fernández de Kirchner fez um duro discurso, transmitido ao vivo por rádio e TV, respondendo aos ruralistas. Ela disse que estavam fazendo o “piquete da abundância”, já que é o setor que mais ganhou dinheiro nos últimos cinco anos, e que não iria se submeter a nenhuma extorsão. As palavras de Cristina foram criticadas por toda oposição pela falta de disposição em abrir o diálogo.

O movimento urbano de apoio aos ruralistas não se resumiu à capital Buenos Aires (onde Cristina perdeu as eleições em 2007) mas se espalhou pelas capitais das províncias de Santa Fé, Córdoba, Tucumán e Salta. A administradora Diana Perez, que junto com os filhos batia panelas na Praça de Mayo, repetiu o discurso dos produtores quando questionada pela reportagem do Valor porquê estava ali: “O governo aumentou as retenções e o campo está perdendo rentabilidade. Nós vivemos do campo, temos que apoiá-lo”.

Para o taxista Alberto Blanco, que batia duas tampas de panela em meio à multidão em frente à Casa Rosada, o discurso da presidente Cristina foi “arrogante”. Ele disse que as pessoas estavam preocupadas com a falta de alimentos, a inflação e a perda de poder de compra dos salários.

Uma artista plástica, que pediu para não ser identificada, disse que o discurso da presidente foi a “gota d´água” para os argentinos que “estão cansados da arrogância, a falta de diálogo e as mentiras” do casal Kirchner, referindo-se ao índice de inflação que há um ano se acusa o governo de haver manipulado.

14/03/2008 - 09:53h Buenos Aires?

* Luiz Felipe de Alencastro 
Chega hoje no Brasil, para uma visita oficial de dois dias, Condoleezza Rice. Vai à Brasília encontrar Lula, conversar sobre etanol, Oriente Médio, Chávez, Uribe y otras cositas más. Depois vai para a Bahia, cada vez mais legitimada como capital da Afro-América. Eliane Catanhêde que, junto com Jânio de Freitas, foi a única jornalista a salientar a importância do encontro Países Árabes-América do Sul organizado em Brasília em 2005 (e escarnecido pelo restante da mídia), faz um comentário bem centrado sobre a viagem de Rice. Mas, salvo engano, não há nenhuma notícia nos jornais brasileiros sobre um ponto essencial, analisado pelo New York Times: Condoleezza renova o gelo que os EUA davam na Argentina de Nestor Kirchner, evitando encontrar-se com Cristina Kirchner, eleita há pouco tempo. Ela irá ainda ao Chile, mas não passa por Buenos Aires. !Assim reiterada, a crise entre Washington e Buenos Aires assume proporções inéditas nas relações entre os dois países. Fato que dá outro destaque à situação diplomática do Brasil. Ao não dar por isso, o jornalismo brasileiro consolida o analfabetismo sobre assuntos internacionais existente na opinião pública nacional. Quase todas as matérias importantes sobre política internacional publicadas na imprensa brasileira são traduzidas dos jornais americanos e europeus. E podem ser lidas na véspera nos próprios sítios destes mesmos jornais pelos leitores brasileiros mais curiosos.

18/02/2008 - 09:25h Néstor Kirchner procura ser o líder incontestado do peronismo

LA PROVINCIA Y EL PAPEL DE SCIOLI, FOCOS DE ATENCION EN LA INTERNA

PJ: sin rivales, el kirchnerismo avanza para coronar a su jefe en trámite veloz

CLARÍN Por: Eduardo Aulicino

L'image “http://www.latinamericanstudies.org/nestor-kirchner.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Néstor Kirchner mostró desde que dejó la Casa Rosada una enorme voluntad de trabajo para rearmar al PJ en torno de su figura, de manera excluyente. Tejió para sumar a casi todos y además dio señales de que mejor sería que ni siquiera haya pelea con una lista de rivales sueltos. Si todo funciona como se lo propuso, el ex presidente quedaría coronado como jefe del Consejo Nacional en apenas dos meses.

La creciente convocatoria a dirigentes -esta semana sería el turno de Carlos Reutemann-, el salto de Roberto Lavagna y las señales de Eduardo Duhalde sumaron eslabones para darle mayor volumen al plan de Kirchner. Pocos parecían dispuestos a discutir su conducción, pero esa sucesión de hechos dejó en claro que trataría de no dejar hilos sueltos.

El ex presidente hizo saber desde el arranque que sólo debían quedar afuera de su esquema Carlos Menem y los hermanos Adolfo y Alberto Rodríguez Saá. Había, de todos modos, algunos otros dirigentes que tal vez se hubieran tentado de ir a elecciones internas para ganar un poco de espacio nacional, con algún guiño que facilitara las cosas para darle así más sabor e impacto a la interna. Nadie los alentó y las últimas señales fueron en sentido contrario.

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09/02/2008 - 10:08h El peronismo se apodera de la política argentina

kirchners.jpg

El matrimonio Kirchner maniobra para crear un partido hegemónico

JORGE MARIRRODRIGA - Buenos Aires - EL PAÍS

Escasas horas antes de ceder la presidencia de Argentina a su mujer el pasado octubre, Néstor Kirchner bromeó diciendo que se dedicaría a “un café literario”, pero lo que ha hecho es poner en marcha una revolución en el Partido Justicialista (PJ), el mismo que fundó Juan Domingo Perón en 1946, que de tener éxito convertirá al peronismo en la fuerza hegemónica en Argentina con apenas una oposición testimonial. (more…)

10/12/2007 - 13:50h Lula defende a aliança com Chávez no lançamento do Banco do Sul

Kirchner, Morales, Lula e Chavez

Janaína Figueiredo
Correspondente

O Globo

Na posse da presidente eleita Cristina Fernández de Kirchner, os governos de Argentina, Brasil, Venezuela, Bolívia, Equador e Paraguai assinaram ontem, no último ato da gestão Néstor Kirchner, a ata de fundação do Banco do Sul, nova instituição financeira regional que competirá com BNDES, Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre outros. Entusiasmado com o projeto, o presidente Lula aproveitou para defender a aliança entre os países da região e, sobretudo, a parceria do Brasil com os demais governos sulamericanos, com destaque para Argentina e Venezuela.

— Depois da eleição de Kirchner construímos um dos melhores momentos da história do relacionamento entre Argentina e Brasil. Nosso relacionamento com a Venezuela hoje é sólido, muito forte e muito favorável ao Brasil, temos de diminuir essa distância — declarou Lula.

Ele afirmou que “somente forte, unida e integrada a América do Sul poderá ocupar o lugar que lhe cabe no concerto das nações e principalmente criar condições para o desenvolvimento pleno de nossos povos”.

— O Banco do Sul será fundamental para viabilizar as iniciativas que necessitamos para integrar nossa região — assegurou Lula.

Os sócios do Brasil no projeto aproveitaram a assinatura do acordo para reforçar seu “perfil antiimperialista” e criticar organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

— Até que enfim a América do Sul vai começar a se liberar da dependência financeira — declarou o presidente equatoriano, Rafael Correa.

Chávez: repatriar dinheiro nos “bancos do Norte” Em sintonia com seu colega equatoriano, o presidente da Venezuela disse que o Banco do Sul é “uma estratégia para a independência”. Para Hugo Chávez, falta repatriar “o dinheiro dos nossos povos”, que está “nos bancos do Norte”: — Mais de US$ 500 bilhões nossos estão colocados em bancos dos EUA e Europa, onde pagam juros muito altos.

Usando frases de Bolívar, Perón e San Martín, Chávez afirmou que “somente unidos poderemos ser verdadeiramente livres e independentes”. O presidente venezuelano manifestou sua satisfação pelo bom momento que, disse Chávez, vivem os países da região e se referiu especificamente ao Brasil.

— O Brasil tem agora (em reservas internacionais) cerca de US$ 200 bilhões, o Lula tem muito agora e ainda conseguiu uma reserva de petróleo, o sheik do Amazonas — brincou o presidente venezuelano, que considerou que os países da região estão protagonizando uma “guerra política, econômica e ideológica”, contra seus inimigos internacionais.

Já o presidente boliviano, Evo Morales, disse que o Banco do Sul chegou em momentos “em que temos democracias submetidas a seus povos e não ao império”. Após os discursos dos presidentes, Cristina agradeceu o apoio de todos e, sobretudo, de Chávez: — Não é pouca coisa encontrar alguém como o senhor, que resgata as melhores tradições de lutas e emancipação nacional. Ao senhor meu agradecimento por todo o apoio dado aos argentinos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou que o Banco do Sul vai funcionar dentro dos princípios da governança dos bancos multilaterais.

Será “um banco autosuficiente, que tem que dar lucro, não poderá funcionar a base de subsídios e não será direcionado a projetos que não sejam rentáveis e eficientes”.

Segundo o ministro, o capital inicial do banco ainda não foi fixado, mas, pelas informações extra-oficiais, poderia alcançar US$ 7 bilhões. A Venezuela entraria com cerca de US$ 3 bilhões, bem acima do que pretenderia injetar inicialmente o Brasil.

Sobre as negociações preliminares, o ministro comentou: — Estabelecemos os objetivos do banco e a partir da ata de fundação, passaremos a elaborar o estatuto (o que vai durar 60 dias).

Um dos aspectos do estatuto que provocou polêmica foi a origem dos recursos para formar o capital inicial. A Venezuela propôs o uso das reservas nacionais, idéia que não teve apoio do Brasil.

— Os recursos não saem das reservas, serão usados recursos do Orçamento federal.

Uma vez constituído o banco, ele vai captar no mercado. Se a Venezuela, por exemplo, quiser colocar as reservas, aplicar nos títulos do Banco do Sul, poderá fazê-lo — esclareceu Mantega.

07/12/2007 - 08:26h Quem é a mulher que vai governar o principal parceiro do Brasil?


Janes Rocha
Valor

AP

Forte, decidida, detalhista, arrogante, vaidosa: Cristina terá o desafio de mostrar que não é só a mulher de Kirchner

“Vocês estão loucos”. Essa foi a reação de Cristina Kirchner quando, há exatos 20 anos, numa reunião informal na cidade de Río Gallegos, amigos e até hoje aliados políticos sugeriram que ela se candidatasse a deputada estadual em Buenos Aires, ampliando seu horizonte político para além da gelada província de Santa Cruz, no extremo sul da Argentina. Mas ela aceitou o desafio. E, nesta segunda-feira, após uma bem sucedida carreira como deputada por Santa Cruz, por Buenos Aires e senadora, a advogada Cristina Elizabet Férnandez de Kirchner, 54 anos, assume a Presidência da Argentina.

Ela ganhou a eleição de 28 de outubro com 8,5 milhões de votos (45% do total), 22 pontos percentuais à frente da outra advogada que disputava o cargo, Elisa Carrió. Será a primeira mulher eleita pelo voto direto a governar o país. E oitavo presidente desde a volta da democracia, em 1989.

Natural da cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires, Cristina é militante política desde os 18 anos, quando entrou na Faculdade de Direito da Universidade de La Plata. Ganhou sua primeira eleição em 1989, em Río Gallegos, para deputada provincial (estadual), quando seu marido, o atual presidente, Néstor Kirchner, já era intendente (prefeito) da cidade havia dois anos. Chegou ao Congresso Nacional em 1995, como senadora.
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07/12/2007 - 08:19h Quem é a mulher que vai governar o principal parceiro do Brasil?

Janes Rocha
Valor

AP

Forte, decidida, detalhista, arrogante, vaidosa: Cristina terá o desafio de mostrar que não é só a mulher de Kirchner

“Vocês estão loucos”. Essa foi a reação de Cristina Kirchner quando, há exatos 20 anos, numa reunião informal na cidade de Río Gallegos, amigos e até hoje aliados políticos sugeriram que ela se candidatasse a deputada estadual em Buenos Aires, ampliando seu horizonte político para além da gelada província de Santa Cruz, no extremo sul da Argentina. Mas ela aceitou o desafio. E, nesta segunda-feira, após uma bem sucedida carreira como deputada por Santa Cruz, por Buenos Aires e senadora, a advogada Cristina Elizabet Férnandez de Kirchner, 54 anos, assume a Presidência da Argentina.

Ela ganhou a eleição de 28 de outubro com 8,5 milhões de votos (45% do total), 22 pontos percentuais à frente da outra advogada que disputava o cargo, Elisa Carrió. Será a primeira mulher eleita pelo voto direto a governar o país. E oitavo presidente desde a volta da democracia, em 1989.

Natural da cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires, Cristina é militante política desde os 18 anos, quando entrou na Faculdade de Direito da Universidade de La Plata. Ganhou sua primeira eleição em 1989, em Río Gallegos, para deputada provincial (estadual), quando seu marido, o atual presidente, Néstor Kirchner, já era intendente (prefeito) da cidade havia dois anos. Chegou ao Congresso Nacional em 1995, como senadora.

A mulher que vai governar o principal sócio do Brasil no Mercosul é definida como forte, decidida, de certa forma arrogante. Um testemunho revelador sobre a personalidade de Cristina foi dado pelo advogado Tito Plaza à jornalista e escritora Olga Wornat, autora da biografia “Reina Cristina” (Editora Planeta, 2005). Tito, que foi assessor de Cristina em 1997, durante seu mandato no Senado, relatou: “Era muito difícil entabular uma conversa com ela sobre outro assunto que não fosse política. Ali estava toda a sua libido. Ela é arisca ao contato físico e a gestos de carinho, mesmo das pessoas que trabalham com ela. Mantém sempre distância, é seu estilo. (…) Ela explodia quando algo não saía como ela queria. (…) Quando ela chegava ao gabinete de mau humor, ouviam-se seus gritos e todo mundo batia em retirada. É atenciosa e respeitosa com os que considera seus pares, com os que respeita intelectualmente, não com os medíocres nem os que considera menores que ela”. Plaza frisa que ela nunca o tratou mal, “pelo contrário”.

A jornalista Carolina Barros, do jornal “Ambito Financiero”, testemunhou uma cena que também ajuda a compor o personagem. Quando trabalhava para uma revista de análise política chamada “Avispa”, nos anos 90, Carolina entrevistou a então senadora sobre o conflito de fronteira da Argentina com o Chile, conhecida como Gelos Continentais. “Impressionou-me o seu cuidado com detalhes estéticos.” Segundo ela, a reportagem incluía fazer uma foto de Cristina no seu gabinete, e havia duas bandeiras, uma de Santa Cruz e outra da Argentina, em cantos separados da sala. Cristina queria porque queria que a foto a retratasse em meio às duas bandeiras, o que não era possível pela distância e pela imobilidade das bandeiras. “Poderíamos tentar, mas ela sairia distorcida. Ela insistiu tanto que tivemos que prometer a ela aplicar um ‘photoshop’ para que ela saísse bem e exatamente entre as duas bandeiras”, disse Carolina.

Cristina é bonita, elegante e muito bem arrumada. Nunca aparece em público com agasalho, shorts ou roupas informais. Mas dizem que odeia comentários sobre sua aparência física. Ela acorda cedo, faz ginástica aeróbica e caminha pelos jardins da Residência Oficial de Olivos. Quem já participou de reuniões com ela, diz que ela toma só água mineral. A maquiagem é sagrada. “Sempre vou me pintar como uma porta”, disse à biógrafa Wornat. E sua imagem pública confirma isso, embora ela tenha aliviado sensivelmente a quantidade de rímel este ano. Dizem no país que ela se atrasou para uma importante reunião do partido peronista em 2001, em plena crise pela qual o país passava, porque estava se maquiando.

O estilista argentino Marcelo Senra, que já vestiu a primeira-dama, garante que “ela sabe muito bem o que quer e do que gosta, não é nada compulsiva nem desesperada. É uma mulher elegante, urbana e real”, descreveu Senra para a revista “LNR” no início deste ano.

Sobre a vida privada do casal, são poucas as testemunhas e menos ainda as que revelam detalhes. Em público, o casal, que tem dois filhos, não dá demonstrações de carinho e nem troca beijos. Só gestos de solidariedade e cumplicidade política. Também nunca fazem críticas públicas um ao outro.

Para sua biógrafa, Cristina disse que era difícil definir a relação dos dois, mas deu uma resposta muito coerente com o que ambos deixam transparecer: “Somos companheiros e esta palavra encerra toda uma definição de vida. Eu admiro muito Kirchner, por tudo. Desde que o conheço, faz trinta anos, ele nunca mudou, e amo isso. Pensamos igual e temos as mesmas convicções sobre a vida e a política como instrumento de mudança da sociedade. Antes queríamos mudar o mundo; hoje nos conformamos com algo mais humilde: mudar a Argentina. Discutimos muito e somos muito apaixonados nessas discussões. Nunca vou fazer algo que ele não esteja de acordo; se não estou convencida, posso passar dias discutindo. Kirchner é terrível, mas eu também sou…”.

Eles sempre compartilharam o poder. Apesar de manter um perfil baixo no início do governo do marido, Cristina se instalou num gabinete a poucos metros do presidencial, um escritório com decoração sóbria, e dali trabalha, sempre participando das discussões sobre as grandes decisões com Néstor, que sempre leva em conta sua opinião. Por exemplo, foi ela que demoveu o marido de aceitar o cargo de chefe de gabinete de Eduardo Duhalde (presidente entre 2002 e 2003), de quem tinha uma péssima opinião: “É o poderoso chefão”, dizia, comparando-o ao “capo” dos mafiosos do filme de Coppola.

Como senadora - cargo que deixou oficialmente na semana passada - Cristina foi presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais e membro da de Relações Exteriores. Mas ela raramente ia às reuniões das comissões. Na de Assuntos Constitucionais sua principal contribuição foi apresentar projetos para reduzir o número de juízes da Suprema Corte, introduzir o julgamento com jurados e sobre a participação do país na Corte Internacional de Justiça. Na de Assuntos Exteriores, não propôs nada que tivesse destaque.

No entanto, Cristina dá grande atenção à política externa, área na qual o governo de seu marido deixou a desejar. Este ano ela fez sua campanha à Presidência mais fora do país que dentro. Aproveitou bem a aproximação que já cultivava de seus tempos no Congresso com a comunidade judaica - ela presidiu a comissão de acompanhamento das investigações sobre o atentado à bomba à associação israelita Amia, em 1994. Isso lhe rendeu um apoio que agora está sendo crucial na reaproximação com o governo americano e com a comunidade financeira de Nova York, um passo importante para que a Argentina retome suas relações com o mercado financeiro, cortadas desde a moratória da dívida externa, em 2002.

Ao longo de 2007, Cristina visitou vários países, como Espanha, Franca, Estados Unidos, Venezuela, Equador México e Brasil, representando oficialmente seu país - ainda que como primeira-dama -, acompanhada pelo chanceler Jorge Taiana, que teve papel secundário nessas visitas.

Para os jornalistas, principalmente os estrangeiros, a vitória de Cristina Kirchner significa mais quatro anos de luta inglória. Nestor Kirchner tem uma péssima relação com a imprensa, a quem acusa de ser superficial e de haver perdido seu papel como interlocutor necessário junto ao público, uma noção da qual compartilham seus principais assessores de comunicação e seu porta-voz, Miguel Nuñez. Kirchner deu apenas uma entrevista exclusiva para os dois principais jornais argentinos, no ano passado. Este ano, já bem perto das eleições, falou em alguns programas de rádio. Em 2004, depois de muita insistência dos correspondentes brasileiros para que o presidente desse uma entrevista, no auge da “guerra das geladeiras” entre o Brasil e a Argentina, Nuñez se irritou e respondeu rispidamente: “Ele nunca vai falar com vocês”, relata um dos jornalistas que presenciou o desabafo, feito em Puerto Iguazú, durante uma reunião de cúpula do Mercosul.

Dito e feito. Kirchner nunca falou com nenhum correspondente estrangeiro, muito menos com os brasileiros. Como fez até agora Cristina, que já foi solicitada por todos os correspondentes internacionais a dar entrevistas e sequer responde aos pedidos. Nem sempre foi assim. Enquanto estava em campanha, Kirchner falava bem com todos, e também seus principais assessores. Quando assumiram o poder, as portas se fecharam. Kirchner não fala e não admite que seus ministros e funcionários de alto escalão dêem declarações à imprensa.

A origem dessa má relação pode ser encontrada - embora não explicada - em um episódio relatado por Olga Wornat no livro “Rainha Cristina”. Logo que assumiu o cargo de presidente, Kirchner sofreu uma grave hemorragia gástrica, foi parar no hospital e corria risco de vida. Acreditando ser a saúde de seu marido um assunto privado, Cristina proibiu que se divulgasse qualquer informação sobre o problema. Resultado: o país foi tomado por boatos, os mais disparatados, de que ele tinha câncer, que estava morto, que estava vivo mas ficaria carregando uma bolsinha de plástico atada ao corpo pelo resto da vida etc.

A sua biógrafa, Cristina disse que não falou com a imprensa sobre o problema de Néstor “porque não tinha vontade” e que antes de ser presidente ele era seu marido. Disse que ficou enojada com os jornalistas e fotógrafos que faziam plantão na porta do hospital e tentavam de todas as maneiras entrar para vê-lo em seu quarto. “Pareciam corvos”, disse Cristina, proibindo completamente o acesso e dizendo que, para conseguir o que queriam, teriam que passar antes sobre o seu cadáver.

01/11/2007 - 15:46h Economic Balancing Act for Argentina’s Next Leader

Marcos Brindicci/Reuters

Cristina Fernández de Kirchner with her husband, Néstor, on Tuesday.

By ALEXEI BARRIONUEVOThe New York Times

BUENOS AIRES, Oct. 31 — The landslide victory of Cristina Fernández de Kirchner, the wife of Néstor Kirchner, Argentina’s current president, seemed to signal that the Peronist party was back and stronger than ever. But the way she won the presidency and the economic challenges she faces will prove a stiff test of her abilities to keep the couple in power.

Mrs. Kirchner, 54, won on Sunday with 45 percent of the vote, becoming Argentina’s first woman to be elected president and cementing the Kirchners as a political dynasty.

Her closest challenger, the center-left Congresswoman Elisa Carrió, garnered 23 percent. But an analysis of the vote shows that the president-elect won in only two major urban centers — Mendoza and San Miguel de Tucumán — drawing most of her support from the provinces where the lower classes voted with nationalistic fervor to continue Mr. Kirchner’s economic policies, which managed to pull Argentina out of its 2001 economic crisis, considered by many economists to be the country’s worst ever.

The aging Peronist party that carried her to victory has gone through so much change in the past decade that it is in “bad need of some vitamins,” said Graciela Römer, a political analyst here.

Mrs. Kirchner inherits double-digit inflation and a lurking energy crisis, two issues that will be difficult to address without alienating the poor classes that are the most vulnerable to economic shocks.

But her ultimate success in building her party’s base and shoring up the Peronists’ grip on power could depend on her ability to respond to the demands of the middle class, which has been critical of the authoritarian tendencies of the Kirchner government. Mrs. Kirchner failed to win in Buenos Aires, Córdoba and Rosario — three cities with substantial middle-class populations.

“She will have to continue with the economic policies of Kirchner but put a stop to the concentration of power,” Ms. Römer said, “and look to build more dialogue and consensus.”

Peronism, a populist and nationalistic movement that sprang out of the rule of Gen. Juan Domingo Perón, the former president, has in recent years become three parties in one, with Mr. Kirchner leading the center-left strain with more pragmatic tendencies. But his mandate was tenuous in 2003, when he mustered only 22 percent of the vote on the first ballot. Former President Carlos Menem, another Peronist who espoused a neoliberal model, dropped out of contention, making a runoff unnecessary.

Even with Mrs. Kirchner’s large margin of victory, the government’s ability to maneuver could be more limited than before, analysts said this week. The new president is likely to inherit her husband’s falling approval rating, as voters make little distinction between her and Mr. Kirchner, Daniel Kerner, an analyst with Eurasia Group, said this week.

And the government will have its hands full taming rising consumer prices. Mrs. Kirchner has insisted that official government figures showing inflation between 8 percent and 10 percent have not been manipulated, but economists both here and abroad have said otherwise for months, pegging the inflation rate at closer to 20 percent.

The government intends to lower inflation through a “social pact” between the private sector and unions that would keep a lid on prices and wage-increase demands, and through a gradual fiscal adjustment. But measures that could slow growth or constrain consumption will be politically unfeasible, Mr. Kerner said, as they will undermine the government’s base of support.

An advantage Mrs. Kirchner has, however, is the fractured state of Argentina’s opposition. Julio Burdman, a political analyst here, called the opposition’s organization the weakest in Argentine history. Opposition parties briefly rallied to protest missing ballots on election night, a charge that Mrs. Kirchner said should be investigated.

Mrs. Kirchner is expected to have a strong ally to help plug the holes in the Peronist party apparatus — her husband. Mr. Kirchner said in interviews last week that he would dedicate himself after the election to “constructing social organizations,” a signal some analysts took to mean that he plans to shore up the party.

If he is successful, that might be just enough time for him to make a run at replacing his wife as president, rather than her risking lame-duck status. Some analysts believe Mr. Kirchner had just such a plan in mind when he decided in July not to run for re-election, despite his popularity at the time, and instead pushed his wife’s candidacy in a sort of merry-go-round presidency.

The Kirchners have been coy about their political strategy. Mr. Kirchner said publicly on Tuesday that he would “take off for a literary cafe.” In an interview with CNN in Spanish on Tuesday, Mrs. Kirchner seemed to scoff at the idea of an alternating succession.

“Kirchner 2011 is like ‘2001: A Space Odyssey,’ ” she said. “It is a fictional movie.”