05/07/2009 - 10:00h “Kirchner perdeu eleição para construção midiática”

Filósofo compara De Narváez a Collor e Fujimori, “direita que se oferece como leve”

Ricardo Forster admite, porém, que governo Cristina cometeu erros e perdeu contato com a sua base de sustentação popular

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DE BUENOS AIRES – FOLHA SP

À medida que o governo de Cristina Kirchner se enfraquece na Argentina, avança um setor da direita no país que explora a lógica dos meios de comunicação e o fim da política tradicional.
Para o filósofo Ricardo Forster, o governo cometeu erros, mas perdeu as eleições legislativas na maior Província do país para um “personagem construído midiaticamente” -o empresário Francisco De Narváez-, que compara aos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Alberto Fujimori (Peru).
Cabeça do grupo de intelectuais que apontava risco de uma “restauração conservadora” no país em caso de derrota do governo, Forster diz que esse processo ainda não se completou e que o governo ainda tem chance de seu recuperar -mas não a ponto de se manter no poder depois de 2011. (TG)

FOLHA – Por que o governo perdeu a eleição?
RICARDO FORSTER
- Pelo desgaste de um longo período. Por erros ao processar conflitos agudos da sociedade. Pelo fortalecimento de uma oposição de direita, unida na deslegitimação do governo pelos grandes meios de comunicação. O vínculo do governo com a corporação midiática se rompeu em 2007 e agora ele pagou um preço caro por isso.

FOLHA – O sr. crê que o estilo do governo está ultrapassado?
FORSTER
- Um dos triunfos do neoliberalismo foi deslocar a política para linguagens audiovisuais e publicitárias. Essa mutação permite que grandes triunfos da época sejam para os Berlusconi [Silvio, primeiro-ministro da Itália], os De Narváez, que constroem políticas a partir da espetacularização. É uma direita que se apropriou com astúcia dos meios de comunicação e das novas formas de subjetividade. Isso o governo não soube fazer.

FOLHA – Qual é a sua opinião sobre Francisco de Narváez?
FORSTER
- Parece uma figura como Collor de Mello no Brasil, [Alberto] Fujimori no Peru. Uma parte da socidade sente que ali está o poder, as luzes do espetáculo, e não importa o que haja por trás, que seja um personagem construído midiaticamente. Expressa uma visão reacionária da sociedade, de uma direita que se oferece como leve, diferente da velha direita autoritária e violenta do século passado. São produtos de fácil digestão.

FOLHA – A eleição expressa repúdio da sociedade a um estilo visto como confrontativo?
FORSTER
- O governo gestou um confronto onde as corporações econômicas querem fixar a agenda. O conflito está gerado quando se disputa renda, poder. É preciso diferenciar forma de conteúdo. O governo se equivocou em várias coisas, deveria ter revisado as estatísticas oficiais, trocado funcionários, não soube ler sinais da sociedade, perdeu contato com sua base de sustentação popular.

FOLHA – Há um fim de ciclo do kirchnerismo ou o governo pode voltar a se fortalecer?
FORSTER
- Se o governo acreditar que não houve derrota, errará. Se recuperar uma visão de maior abertura, acoplar outros atores, dizer quais são seus projetos reais, poderá se reestabilizar. Talvez não para 2011, mas para o futuro. Não me atreveria a dizer que há um ocaso. É um momento difícil, um limite a que chegou, e terá que buscar as formas de se reconstruir, para dentro e para fora.

05/07/2009 - 09:44h Argentina sofre com o cesarismo de Kirchner

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Tomás Eloy Martínez* – O Estado SP

A última campanha eleitoral confirmou na Argentina o papel inesgotável do cesarismo nas nações que ainda têm instituições frágeis na América Latina. Ou seja, quase todas.

Se tomarmos a definição de Gramsci, “o cesarismo expressa sempre a solução arbitrária, confiada a uma grande personalidade, de uma situação histórico-política caracterizada por um equilíbrio de forças de perspectivas catastróficas”.

Para o marxista italiano pode haver cesarismos progressistas, como os de Júlio César e Napoleão, ou reacionários, como os de Napoleão III e Bismarck. Mas, em todos os casos, trata-se de uma saída chefiada por um líder militar, embora não apenas militar, de uma situação excepcional.

A América Latina tem sido fértil em autocratas de grande popularidade, os quais, nos tempos modernos, foram expandindo e afiançando seu poder mediante o controle da corrupção, da polícia e da faculdade de repartir os recursos do Estado segundo sua conveniência.

Não há maior símbolo de cesarismo democrático do que o regime do venezuelano Juan Vicente Gómez. Um de seus ministros, Laureano Vallenilla Lanz, estabeleceu a validade do termo em um livro de 1919.

Gabriel García Márquez inspirou-se em Gómez para criar o personagem do ditador em seu romance O Outono do Patriarca. Quando cheguei à Venezuela, em 1975, a figura de Gómez continuava ocupando o centro da imaginação nacional, e agora que encontrou no presidente Hugo Chávez seu melhor discípulo, não passa praticamente uma semana sem que a oposição invoque o termo.

Gómez cresceu ao lado de seu predecessor, Cipriano Castro, que iniciou o século 20 enfrentando uma poderosa ameaça internacional por não poder pagar a dívida contraída com empresas estrangeiras que haviam sido expropriadas.

Navios de bandeira inglesa, italiana e alemã bloquearam o porto de La Guaira, em 1902, mas a Venezuela conseguiu evitar a asfixia invocando a Doutrina Drago, que defende a ilegalidade da cobrança violenta de dívidas por parte de grandes potências em detrimento da soberania, estabilidade e dignidade dos Estados fracos.

Ao se tornar o líder do nacionalismo, Gómez pôde dar o salto para a vice-presidência. Quando Cipriano Castro teve de se submeter a uma cirurgia na Alemanha, ele o traiu com um golpe que o instalou na presidência por 27 anos. Ali, na cadeira patriarcal, morreu em 1935.

Seu ideólogo, Vallenilla Lanz, um sociólogo positivista, tentou argumentar que povos como o venezuelano não estavam capacitados para respirar uma atmosfera republicana. Somente um militar poderia tirá-los da miséria e da anomia.

Ele determinou que “o caudilho constitui a única força de conservação social” e “o militar, eleito ou hereditário, é uma necessidade fatal em quase todas as nações da América espanhola, condenadas a uma vida turbulenta”.

Como eficiente porta-voz da ideologia oficial, Lanz não se refere a Gómez de maneira direta em seu ensaio. Ele se baseia na figura tutelar de Simón Bolívar, que propôs a presidência vitalícia. E escreve que Bolívar “nunca abrigou a mínima esperança” de que aquelas “Constituições de papel” pudessem estabelecer a ordem.

Seus críticos, como o exilado Rómulo Betancourt, do Partido Revolucionário Venezuelano – posteriormente presidente constitucional -, o chamaram de “Maquiavel tropical recheado de papel higiênico”. Longe de se ofender, Lanz agradeceu a comparação com o autor de O Príncipe.

Chávez não é o único herdeiro da ideia de um César avalizado periodicamente por eleições livres. Decidido a concentrar todo o poder em suas mãos, ele está no governo há dez anos, o mesmo tempo que Carlos Menem.

Figuras como o ex-presidente peruano Alberto Fujimori ou Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, viram na perpetuação presidencial o veículo para moldar seus países segundo seus desejos. Sem falar no líder cubano Fidel Castro, que não conseguiu achar um sucessor que não fosse do seu sangue.

O Brasil superou, com os governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva, a herança do autoritarismo populista de Getúlio Vargas, mas, na Argentina, o exemplo de Perón está impregnado no partido que ele fundou e se confunde com o Estado.

Muito contribuem as torpezas de uma oposição que se mostra menos interessada na construção da democracia do que no assalto aos privilégios da coisa pública.

O ex-presidente argentino Néstor Kirchner, como Gómez, tentou prolongar seus planos de hegemonia alternando-se com seus parentes no governo, como fez ao decidir a candidatura da atual presidente, Cristina, sua mulher.

Agora, Néstor sai em defesa do modelo agitando o fantasma de um conflito de interesses entre grupos e classes que somente uma figura providencial, o César, poderia conter.

“Tenham bem claro”, declarou Kirchner antes das eleições realizadas há uma semana, “que não é mais uma eleição. Ou é a volta ao passado para tentar impor projetos que nada têm a ver com o povo ou é a consolidação de um projeto nacional e popular que devolva a justiça social.”

De algum modo, esse é o jogo bonapartista, uma das formas do cesarismo. Depois das revoluções de 1848, Luís Bonaparte foi eleito – no primeiro voto universal na Europa – presidente da Segunda República Francesa. Suas constantes convocatórias para referendos desvirtuaram a representatividade republicana e consolidaram sua popularidade.

No dia 2 de dezembro de 1851, ele arrasou a crescente oposição monárquica convocando um plebiscito com a pergunta: “Querem ser governados por Bonaparte? Sim ou Não?” Um ano mais tarde, após uma reforma constitucional, converteu-se num imperador autoritário.

A presidente Cristina conhece bem a história de Napoleão III, pois citou a obra de Marx O 18 Brumário de Luís Bonaparte, evocando a famosa frase: “A história se repete, inicialmente como tragédia, depois como farsa.”

A influência do estilo cesarista de seu marido – para o qual discordar é trair – ameaça a estabilidade institucional tanto quanto a falta de ideias da oposição. Do seu púlpito partidário, o ex-presidente Kirchner não vislumbrou outro futuro além do caos ou da continuidade do modelo imposto pela vontade do César. Nada empobreceu tanto na Argentina quanto a imaginação de seus políticos.

* Tomás Eloy Martínez, escritor e jornalista argentino, recebeu recentemente o Prêmio Ortega y Gasset de jornalismo

29/06/2009 - 09:25h É a política, meu caro

Sergio Leo – VALOR

O veterano Antônio Cafiero, ex-ministro de Juan Perón, contou à Reuters uma explicação habitual do antigo chefe para a curiosa situação política argentina, em que uma disputa encarniçada opôs peronistas a peronistas na eleição realizada ontem: “Nós peronistas somos como gatos: nos ouvem gritar, pensam que estamos brigando e estamos nos reproduzindo”. A piada traz um sotaque lunfardo, a gíria falada no porto de Buenos Aires, mas é infeliz para traduzir o que acontece no país vizinho. É um balaio de gatos essa briga travada pela condução dos destinos da Argentina. E pode sobrar para o Brasil.

O peronismo tem fortes chances de sair sem um líder definido das urnas desta semana. É grande, também, a possibilidade de que o casal Kirchner, que compartilha informalmente o poder presidencial, perca a folgada maioria legislativa, e encontre no Congresso uma resistência maior aos atos da Casa Rosada. Cristina Kirchner decepcionou os que acreditavam que daria à presidência um caráter mais aberto ao exterior, em constaste com o provincialismo populista do marido, que a antecedeu no poder. A situação política argentina, após as eleições deste fim de semana, exigirá uma concentração ainda maior de atenção da dirigente em relação às questões internas.

Alguém falou de Mercosul, por aí? Em 25 de julho, os sócios do Mercosul se reúnem para o encontro semestral dos presidentes. A agenda promete ter como estrelas um tema antigo, e não resolvido, e uma vistosa discussão metafísica.

O tema antigo será a eliminação da dupla cobrança da tarifa externa comum, a aberração do Mercosul que faz com quem um produto, após pagar tarifa de importação ao entrar no bloco, tenha de pagar de novo a tarifa ao ser transportado de um sócio a outro. Numa união aduaneira, como o Mercosul tenta ser há pelo menos 15 anos, um produto importado paga imposto uma vez só, ao entrar, e circula livremente entre os países do bloco. Era a regra que o governo brasileiro esperava adotar no fim de 2008, durante a reunião do Mercosul em Bahia, mas o Paraguai se opôs e as negociações esfriaram. O tema voltará à mesa.

A metafísica fica por conta do que provavelmente os presidentes escolherão para celebrar o “avanço” da integração no Cone Sul: a oficialização do novo sistema de eleição para o Parlamento do Mercosul, órgão de muitas e sadias utopias e praticamente nenhum poder real. Após duras negociações foi enterrada a pretensão dos sócios menores de estabelecer um sistema de representação paritária, com igual representação para todos os países. Brasil terá mais cadeiras, Argentina 30% menos e Uruguai e Paraguai serão minoria.

Os protestos dos uruguaios e paraguaios, contudo, fizeram com que fosse reduzida quase à metade a representação prevista para o Brasil, que de 70 passou a 37, entre 2011 e 2014. O Paraguai terá 18, o que significa que, para cada 380 mil paraguaios com direito de eleger um deputado no parlamento, serão necessários 5,2 milhões de brasileiros para ter a mesma representação. Ou seja, para eleger um deputado do Brasil no parlamento do Mercosul são necessários, em brasileiros, o equivalente a quase dois terços da população paraguaia. Difícil imaginar que, com essa correlação de forças, o Brasil dê ao Parlamento muito poder de decisão.

O Parlamento, que será eleito nos países com os congressos locais, não deixa de ser uma maneira de trazer para a discussão comum temas hoje confinados às reuniões de burocratas ou especialistas. Mas o fato de que ele deve ser a maior estrela da reunião dos presidentes mostra bem o impasse em que está metido o Mercosul. Há esperanças no governo brasileiro de que a próxima reunião faça avançar a discussão sobre a dupla cobrança da TEC, com maiores concessões ao Paraguai, e decisões a serem tomadas só no fim do ano, na reunião seguinte.

Uma eleição, na Argentina, de representantes dos grupos de oposição ao kirchnerismo poderia atenuar a forte tendência protecionista do país. Francisco de Narvaez, o exótico candidato da direita peronista, herdeiro milionário habituado a luxos e orgulhoso detentor de duas tatuagens, declarou recentemente à imprensa brasileira que defende para a Argentina uma posição em relação ao Brasil semelhante à do Canadá em relação aos Estados Unidos – o que foi entendido como uma disposição a um papel complementar e não competitivo em matéria de desenvolvimento industrial.

Ele disputa com Kirchner a cadeira de deputado pela província de Buenos Aires, mas não é concorrente à Presidência, por ser de nacionalidade colombiana; seu candidato é o empresário Maurício Macri, que tem negócios com o Brasil e é adversário ferrenho dos Kirchner.

A Argentina, porém, se seguir os prognósticos e sair dessas eleições sem uma liderança clara, terá grande estimulo para uma guerra de facas no peronismo às escuras, no melhor estilo das paródias de contos gauchescos do celebrado portenho Jorge Luis Borges. Não será um ambiente fértil para que vicejem gestos elegantes da Casa Rosada em direção ao Brasil. Num país em crise econômica, com inflação em alta medida por estatísticas sem credibilidade e grande fuga de capitais, também promete crescer no Mercosul o contencioso entre Argentina e Uruguai, desta vez por causa da liberal política de câmbio do vizinho platino.

Uruguai e Argentina estão até hoje estremecidos por causa da oposição barulhenta dos argentinos contrários à instalação de indústrias de papel nas margens do rio que marca a fronteira. Agora se estranham por causa da resistência uruguaia em aumentar o controle e fiscalização sobre a origem dos dólares que cidadãos argentinos vem tirando ilegalmente do país e, após atravessar de barcas a fronteira para a cidade de Sacramento, depositam em massa nos sigilosos bancos uruguaios, que já sonhou ser a Suíça do Cone Sul. Kirchner tem retaliado o Uruguai nas decisões do Mercosul por causa disso.

O Mercosul, bem sucedido no campo comercial, vem provando que a integração é, essencialmente, uma decisão política. E a política promete desmoralizar, pelo menos no horizonte de médio prazo, o otimismo que os presidentes devem tentar transparecer na próxima reunião do bloco.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

29/06/2009 - 09:15h Argentina: esta nueva derecha

EL MODELO QUE SIGUEN DE NARVAEZ Y MACRI

Con los resultados en caliente, queda en claro que estas nuevas figuras siguen un modelo sin raíces, surgido de los negocios y supuestamente “eficiente”. Y el gran símbolo de este estilo es un señor italiano llamado Berlusconi.

El modelo del Cavaliere

Por José Natanson – Página 12

El surgimiento de una nueva derecha no es un fenómeno limitado a la Argentina, sino una tendencia más general que tiene un origen geopolítico. Entre mediados de los ’80 y principios de los ’90, Estados Unidos decidió que había llegado el momento de dejar que la democracia volviera a América latina. Los brotes guerrilleros y los movimientos populares que en el pasado espantaban a Washington estaban o aplastados o domesticados, y desde 1989 la caída del Muro de Berlín había desactivado el riesgo de que la región siguiera el ejemplo de Cuba y se alineara con la Unión Soviética.

A este Washington más tolerante y democrático se sumó la creciente conciencia internacional acerca de las violaciones a los derechos humanos por parte de las dictaduras, sobre todo en Argentina, Chile y Centroamérica. Y también la imprevisibilidad de los gobiernos autoritarios: al fin y al cabo, fue un militar y no un líder izquierdista quien decidió invadir las Malvinas y declararle la guerra nada menos que a Gran Bretaña.

En el nuevo mundo unipolar, hasta el último rincón del planeta quedó expuesto a la influencia estadounidense, pero era una influencia distinta, más difusa, menos directa. Tras el 11 de septiembre, Washington cerró el círculo de su nueva doctrina de seguridad (el enemigo ya no era el comunismo sino el terrorismo) y desvió su atención a lugares más remotos y urgentes. Esto explica el giro a la izquierda en América latina y el tranquilo ascenso de líderes y partidos que en el pasado seguramente hubieran sido bloqueados por Estados Unidos mediante la desestabilización o el golpe de Estado. Y esto explica también que esté surgiendo, más lenta y dificultosamente, una nueva derecha.

Es nueva porque es democrática: aunque la tentación de la desestabilización y el golpe están presentes, sobre todo en los países institucionalmente más frágiles y económicamente más concentrados, como Bolivia, insistamos en que el componente democrático tiene un sentido más profundo y estructural: es una derecha que defiende electoralmente los intereses (empresariales, económicos) y valores (estabilidad, orden en las calles, propiedad privada) que en el pasado se imponían por las armas. Esa es la novedad.

Entrepreneurs

El progreso individual y el ascenso como fruto del esfuerzo son desde siempre valores importantes para la derecha, que no sólo no reniega del individualismo, sino que incluso lo considera un motor clave para el progreso de la sociedad (lo cual explica, según la famosa tesis de Norberto Bobbio, que la derecha acepte las diferencias sociales, es decir la desigualdad, lo cual produce a su vez una visión definida del balance Estado-mercado y del rol de este último en la economía y en la sociedad). Así, frente a una izquierda que tradicionalmente ha buscado a sus líderes en los movimientos colectivos (sindicatos, partidos, asambleas), hoy existe una derecha que ha hecho del mundo empresarial la cantera de la que salen sus dirigentes más taquilleros.

Un rápido recorrido por América latina ayuda a comprobar esta intuición. El próximo miércoles asumirá la presidencia de Panamá Ricardo Martinelli, millonario propietario de la cadena de supermercados Super 99 y –dato a tener en cuenta– el primer presidente desde la recuperación de la democracia que no proviene de los partidos tradicionales. Hace poco menos de un mes dejó la presidencia de El Salvador Elías Saca, un empresario perteneciente al derechista Arena. En Chile, todas las encuestas señalan como el favorito a Sebastián Piñera, el propietario de LAN y poseedor de una fortuna de 1200 millones de dólares (y el único líder importante de derecha que votó por el No a Pinochet en el plebiscito de 1988). Durante seis años gobernó México Vicente Fox, que ingresó a Coca-Cola como supervisor de reparto y fue ascendiendo hasta convertirse en gerente de la división latinoamericana de la empresa. Y ahí está también el pintoresco magnate ecuatoriano Alvaro Noboa, el rey de los exportadores de banano y camarón, que había salido segundo en tres elecciones presidenciales y quedó tercero en las últimas.

Populismo de derecha

La nueva derecha de Mauricio Macri y Francisco de Narváez, que ayer consolidó su primacía en la Capital y ganó la elección en la provincia, es parte de esta tendencia latinoamericana más amplia. Y como el origen de nuestra política hay que buscarlo siempre en Europa, la comparación transatlántica ayuda a explorar algunas claves de este nuevo fenómeno, aunque el paralelismo más pertinente no sea la reaccionaria y dogmática derecha del PP español, ni la sobria centeroderecha socialcristiana alemana ni el tradicional partido conservador británico, sino la nueva derecha italiana que desde hace un par de décadas lidera Silvio Berlusconi. En ambos casos, en Argentina y en Italia, el origen se remonta a un colapso político y el estallido de una crisis de representación, por imperio de las cacerolas (acá) o de la investigación judicial de la Tangetopoli (allá).

Como los líderes de Unión-PRO, Berlusconi es un símbolo de la alianza entre negocios (aunque hay que reconocerle al Duce que él sí hizo su propia fortuna), medios de comunicación (Berlusconi fue el primer empresario televisivo en romper el monopolio de la RAI) y deporte (es el dueño del club Milan). Pero no es sólo el origen empresarial ni la capacidad de expresar la poderosa fusión entre espectáculo, política y deporte lo que emparienta al líder italiano con los jefes del peronismo disidente, sino también una manera particular de entender la política. Desde un carisma muy mediático pero no por eso menos real, los tres han logrado construir una relación directa con el electorado (Berlusconi, pese a todas sus boutades o debido a ellas, es el dirigente más querido de Italia) y afirmar una popularidad que traspasa las fronteras de clase, lo que da forma a una especie de populismo de derecha.

Hay en ellos un fondo común ultrapragmático que les permite moldear su discurso de acuerdo con la necesidad del momento. De Alsogaray o Cavallo podía pensarse cualquier cosa, menos que alguno de ellos propondría, en la misma campaña, eliminar las retenciones, quitar el IVA a los alimentos y extender masivamente los planes sociales –es decir, desfinanciar totalmente al Estado–, como hizo De Narváez en los últimos meses. Y también hay en Macri y en De Narváez, como en Berlusconi, una tensa combinación de conservadurismo y liberalismo, que si por un lado implica una relación cercana con la Iglesia (Berlusconi acompañó a los obispos italianos en su resistencia a la despenalización de la eutanasia y se opone a la legalización del aborto), por otro se traduce en una libertad muy moderna –y en el caso del italiano muy vistosa– de la vida privada.

Estos vacíos y estas tensiones requieren necesariamente un cemento que los unifique más allá de la popularidad de los líderes. Berlusconi lo encontró en el terror a la inmigración norafricana y su campaña para endurecer las leyes, que la semana pasada quedó crudamente comprobada con la violenta expulsión de los gitanos de Nápoles. ¿Ocupará la inseguridad el lugar en el proyecto nacional de Macri y De Narváez que ocupó la inmigración a la candidatura de Berlusconi en 2007? Podría ser, pero sólo podría. Aunque el tema fue uno de los ejes de la campaña y en buena medida explica el ascenso del peronismo disidente en la provincia de Buenos Aires, la experiencia enseña que las elecciones presidenciales suelen estar dominadas por otras cuestiones, de la economía a la política, y que la inseguridad resulta decisiva básicamente en los comicios distritales. Hasta ahora.

Algo más que jabón en polvo

Macri y De Narváez son empresarios y no economistas ultraideologizados, como sus antecesores Alvaro Alsogaray, Domingo Cavallo y Ricardo López Murphy. Quizás por eso, porque provienen del flexible y pragmático mundo de los negocios y no de las consultoras o las cátedras de economía (en sus propias palabras, del mundo de la acción y los hechos y no del mundo de los discursos), ambos han comprendido una verdad esencial que sus antepasados nunca lograron entender: para ganar una elección y gobernar es necesario contar con el apoyo de al menos un sector de los votos y del aparato del peronismo. Y si Menem consiguió en su momento reconvertirse a la derecha luego de una larga y muy tradicional carrera en el PJ (fue gobernador, estuvo detenido por los militares y acompañó a Cafiero en la renovación peronista), los jefes de Unión-PRO avanzan por un camino inverso: su plan es llegar al peronismo desde la derecha y no a la derecha del peronismo. Menemismo por otros medios.

Por eso, el peor error que se podría cometer en la lectura de los resultados de ayer es pensar que la consolidación electoral del macrismo y el ascenso rutilante de De Narváez se explican simplemente por la astucia de la publicidad, el poder de sus millones o la influencia de los medios de comunicación. Desde que en 1952 Dwight Eisenhower se convirtió en el primer candidato presidencial en apelar a los servicios de una agencia de publicidad, el marketing político ha ido ocupando cada vez más espacio en las campañas. Y aunque las primeras teorías hablaban de vender a un candidato como si se tratara de jabón en polvo, desde hace al menos dos décadas sabemos que esto no es posible, que la publicidad y el dinero y la televisión no alcanzan para ganar una elección (aunque sí para otras cosas, por ejemplo para hacer conocido –instalar– a un postulante). Hay miles de ejemplos de brillantes campañas publicitarias y millones de dólares convertidos en unos pocos votos, el último de los cuales fue el patético ensayo presidencial de Jorge Sobisch.

Del mismo modo, si por un lado es cierto que algunos medios de comunicación contribuyeron al ascenso de De Narváez, el consenso mediático tampoco alcanza por sí mismo para ganar una elección como la de ayer. También hay miles de ejemplos de candidatos que, pese a la oposición de buena parte de los medios, ganaron las elecciones (la reelección de Chávez, por ejemplo, o la victoria de Ricardo Lagos en Chile en el 2000).

Con esto se pretende señalar algo evidente, pero que, a la luz de algunos comentarios de los últimos días, vale la pena subrayar: el ascenso de la nueva derecha no se explica por los consejos de Durán Barba ni por la campaña de Agulla, y ni siquiera por las fortunas de sus candidatos, sino por un contexto geopolítico nuevo y, en la Argentina, por la muy política estrategia de sus líderes de morder un sector del peronismo en el conurbano, construir a una candidata imbatible en la Capital y, sobre todo, ganar la disputa con el panradicalismo por el voto anti K. En suma, un fenómeno que no es ni publicitario ni mediático, sino estrictamente político. Por supuesto, explicarlo en términos de marketing quizás resulte tranquilizador para las conciencias progresistas que se niegan a aceptar que la derecha puede ser popular incluso en los sectores más pobres, pero ayuda muy poco a entender las cosas.

29/06/2009 - 09:00h NESTOR Y CRISTINA KIRCHNER, EN UN TIEMPO DE INEVITABLE OCASO

Una innumerable lista de errores que concluyeron en un derrumbe

Por: Eduardo van der Kooy – Clarín

La última jugada política de apostador empedernido le salió muy mal a Néstor Kirchner. El plebiscito que buscó con denuedo para reemplazar lo que debió ser una elección legislativa de medio término, normal, se convirtió en una verdadera trampa para él. El ex presidente asistió anoche a la asfixia final de su liderazgo peronista y, de modo incomprensible, dejó además en estado de acentuada debilidad al Gobierno de su esposa, Cristina Fernández, a quien hace apenas un año y medio entronizó sin un solo chistido del partido oficial.

La derrota ¿o el derrumbe¿ se conoció anoche pero se vino edificando desde hace mucho tiempo. Con una persistencia, de parte de Kirchner, que aconsejaría revisar en forma simultánea los manuales de la política, desde ya, pero también de la psicología.

Ningún presidente salió del poder en la Argentina de la nueva democracia con la ponderación social de Kirchner. Ese margen generoso le permitió resignar la reelección y cederle su lugar a Cristina. En el 2007 la Presidenta logró el 47% de los votos en el orden nacional y el 48% en Buenos Aires. Le arrancó 23% de ventaja a la oposición.

Contó además con un ciclo económico interno y externo muy favorable, por lo menos hasta comienzos del 2008. Tuvo en todo ese trayecto una oposición fragmentada e insolvente. Pero su sensibilidad política y percepción de la realidad viró bruscamente desde el mismo instante en que cambio su domicilio de la Casa Rosada por la residencia de Olivos.

Kirchner había proclamado durante su mandato que ningún proyecto de tinte nacional podía excluir a las clases medias. Soñaba con aquel viejo molde de convergencia de clases que sintetizó, durante décadas, el peronismo de Juan Perón. El ex presidente nunca logró seducir a aquellos sectores en los años de su mandato. Pero la bonanza económica le acercaron, inevitablemente, muchos de esos votos. Sin ir lejos, Cristina triunfó con respaldo de la clase media y del campo bonaerense cuando se consagró Presidenta. Fueron casi 900 mil en el principal distrito electoral.

El largo y todavía irresuelto conflicto con el campo le ahuyentó esos votos y también la mas solidaridad mínima de los sectores medios. La radiografía de las legislativas de ayer resulta, en ese sentido, implacable: los Kirchner perdieron Buenos Aires, Capital, Santa Fe, Córdoba, Mendoza y Entre Ríos. No pudieron vencer tampoco en ninguna de las ciudades grandes.

Aquel pleito con el campo fue uno de los disparadores de la derrota. Pero lo fue también un deterioro económico negado de modo sistemático por las cifras virtuales del INDEC. Las mentiras del INDEC crisparon a los sectores medios pero dañaron, sobre todo, el bolsillo de los sectores populares. Esa combinación resultó letal para la derrota en Buenos Aires que aniquiló el último argumento político con que contaba Kirchner para cantar una supuesta victoria que no fue.

Buenos Aires, aunque parezca paradójico, terminó desnudando la fragilidad del armado político de Kirchner. Con tantos años de buena economía el ex presidente fue incapaz de consolidar un proyecto: deambuló por la transversalidad, por la concertación, y terminó refugiado en la maquinaria vetusta del PJ bonaerense. Pero nunca se percató de un detalle: ese peronismo le respondía casi por rutina, porque, mal o bien, se cobijaban en el calor del poder. Porque recibía beneficios económicos. Pero nunca existió una comunión política y afectiva sustantiva entre el partido y el ex presidente.

El peronismo del interior de Buenos Aires lo dejó librado a su suerte luego del conflicto con el campo. Daniel Scioli debió encargarse de la campaña en esas tierras hostiles al Gobierno. Ayer hubo, con seguridad, un dato histórico: el kirchnerismo no tuvo ningún voto en América, un poblado de 3 mil habitantes, del centro de Buenos Aires. El problema insoluble fue el conurbano y muchos de los intendentes aceptaron las candidaturas testimoniales sin gusto y con resignación. La clave de la debacle en Buenos Aires se escondió en esas zonas de cierta vecindad a la Capital.

Muchos intendentes instaron a corte de boletas. Entregaron las suyas y dejaron librada a la voluntad del votante la elección de Kirchner, Francisco De Narváez o Margarita Stolbizer. Varios intendentes, también, cargaron los cuartos oscuros con las llamadas “boletas espejo”, en las cuales figuraban ellos sólo acompañados por candidatos a cargos vecinales. La mecánica sucedió en todo el conurbano incluido el segundo cordón, donde los Kirchner conjeturaban la fidelidad inclaudicable de la gente.
La estrategia electoral del ex presidente terminó siendo, al fin de cuentas, tan estéril como todos los proyectos partidarios y políticos que pergeñó en estos años. ¿Alguien podía suponer que los habitantes del segundo cordón del conurbano no tienen padecimientos similares ¿o peores¿ a los del resto del país?. ¿Nadie pensó que el indisimulado mal humor social en el país, en la Capital y en el interior bonaerense podía desparramarse a manera de contagio?.

Tampoco Kirchner reparó en otra lección. El peronismo mas poderoso de la historia de Buenos Aires, el que comandó en su época Eduardo Duhalde, resultó perforado en 1997 cuando irrumpió la Alianza y Graciela Fernández Meijide. ¿Por qué razón habría de salir indemne ahora?. Aquella vez pesó la saturación con el menemismo; ahora puede haber sido decisiva la bronca acumulada contra los Kirchner.

El ex presidente y su esposa no pudieron ayer resolver el problema electoral que les plantearon las legislativas. Desde hoy tienen otro desafío de no menor envergadura: resolver el problema político. Hay un partido oficial ¿el peronismo¿ que resultó descabezado con la excepción de Carlos Reutemann, apretado ganador en Santa Fe. Hay un Congreso que mutará de manera sustancial a partir de diciembre, aunque el impacto político de la derrota, con seguridad, caerá también sobre los diputados y senadores oficiales que continuarán seis meses mas. Hay una oposición que puede empezar a desperezarse, a pesar de su diáspora, luego del espaldarazo popular.

Hay, en suma, una nación política mucho mas compleja. Muy distinta a la que siempre conocieron y disfrutaron los Kirchner.

27/06/2009 - 18:39h Argentina renueva el Parlamento en un contexto de contracción económica

El Gobierno de Cristina Fernández afronta este domingo unas elecciones legislativas en las que están llamados a votar unos 28 millones de argentinos

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EFE – Buenos Aires – 27/06/2009 – El País

El Gobierno de Cristina Fernández afronta este domingo unas elecciones legislativas en las que están llamados a votar unos 28 millones de argentinos y está en juego la mayoría oficialista en el Parlamento, en un contexto de contracción económica después de seis años consecutivos de crecimiento económico.

La alarma por el avance de la gripe A N1H1, que hasta ahora ha causado 26 muertos, y las encuestas que prevén una reñida votación en la provincia de Buenos Aires, el mayor distrito electoral del país, son los otros elementos a tener en cuenta en unos comicios que tienen lugar en la mitad de la gestión de Fernández. En medio de medidas de prevención sanitaria en los lugares de votación, el domingo se renovará la mitad de los 257 escaños de diputados y un tercio de los 72 del Senado, además de legislaturas provinciales y municipales.

El Gobierno ha instalado unas 100 cámaras de vídeo en mesas electorales de populosos distritos bonaerenses vecinos a la capital argentina, como pidió la Cámara Nacional Electoral. “Bajamos la cantidad de electores por mesa para evitar inconvenientes y se instalaron cámaras de seguridad para darle mayor transparencia” a la votación, ha explicado el ministro de Interior, Florencio Randazzo, quien ha calificado de “irresponsables” las denuncias de algunos candidatos opositores sobre posibles fraudes.

Randazzo ha explicado que las denuncias de fraude tienen “la intencionalidad política” de quitar “legitimidad” a “aquellos que finalmente son elegidos por la voluntad popular” en unas elecciones en las que se movilizará a unos 120.000 efectivos de las Fuerzas Armadas y de seguridad.

El ex presidente Néstor Kirchner (2003-2007), esposo, antecesor de Fernández y quien encabeza la lista oficialista de diputados por la provincia de Buenos Aires, se juega en estos comicios no solo la mayoría parlamentaria del oficialismo y sus aliados, sino su estabilidad como líder del Partido Justicialista (PJ, peronista). La hegemonía de Kirchner se ve amenazada por el empresario Francisco de Narváez, que aspira a un escaño de diputado al frente de la coalición Unión-Pro, formada por peronistas disidentes como él y seguidores del conservador Mauricio Macri, el alcalde de la capital argentina, líder de Propuesta Republicana (Pro).

Los últimos sondeos arrojan un empate técnico entre ambas fuerzas políticas en la provincia de Buenos Aires, tradicional bastión peronista, cuyo voto es decisivo para dibujar el mapa político del país con vistas a las presidenciales de 2011.

En la capital argentina, segundo distrito electoral del país, se da por descontada la victoria de Gabriela Michetti, candidata de Pro, seguida por la lista de centroizquierda del cineasta Fernando Pino Solanas, convertido en la revelación de estos comicios, y con estrecho margen sobre Alfonso Prat Gay, aspirante del Acuerdo Cívico y Social, en tercer lugar. Este resultado supondría que Carlos Heller, del Frente para la Victoria de Kirchner, sería el gran perdedor de la jornada en la capital argentina.

También se prevén derrotas de las listas del oficialismo en las provincias de Córdoba (centro), donde la liza se centra entre peronistas disidentes, y Santa Fe (noreste), el tercero y cuarto distrito electorales del país, respectivamente. En Santa Fe, las encuestas vaticinan una reñida votación entre el ex corredor de Fórmula Uno y peronista disidente Carlos Reutemann y el socialista Rubén Giustiniani, quienes aspiran a renovar sus banca de senadores. Reutemann aspira a ser candidato presidencial del peronismo en 2011, mientras que una victoria socialista reforzaría la pretensión del gobernador santafesino, Hermes Binner, a competir por la jefatura del Estado.

Algunos analistas políticos, que prevén que el oficialismo perderá la mayoría parlamentaria aunque se mantendrá como principal fuerza política, han adelantado que los resultados electorales de este domingo pueden demorarse por lo ajustado de la votación en la provincia de Buenos Aires y la coincidencia de las legislativas provinciales y municipales.

02/06/2009 - 17:29h Mato pra todo lado e animais soltos

Ah, os argentinos

 

 

Um dia me mudo para Buenos Aires. E acho que se o Lula fizesse o mesmo seria bem feliz. “O que há com os brasileiros que viajam? Todos se queixam do Lula!” me pergunta um taxista perplexo que, como a maioria dos argentinos que conheço, diz francamente sentir inveja da qualidade do governo brasileiro e da cena política do país. Pra você ver como estão nossos vizinhos.

(aliás, descobri finalmente por que o idelber defende o governo Cristina Kirchner. Ele considera o Página 12 o supra-sumo do jornalismo sul-americano, e foi nesse jornal que li um de seus melhores articulistas defender a tese de que o Hugo Chávez não contou nada aos Kirchner quando os visitou semanas antes de nacionalizar a Techint, um grupo ítalo-argentino, cuja estatização provocou umas notas débeis de protesto da Casa Rosada)

Visto de fora, o Brasil é o que é: uma grande potência e um dos países com instituições mais modernas do mundo. Me ufano desse país. E aqui leio, rindo, os analistas desesperados dizendo que a política externa é um fracasso proque não conseguiu emplacar a Ellen Gracie no órgão de solução de controvérsias da OMC nem garantir o empreguinho em Paris aos brasileiros que queriam o cargo de direção na Unesco.

Janto com o emblemático Jorge Castro, e com jornalistas, e participo de um momento mágico na história da América Latina: a um canto da mesa, eu, o Alexandre Pinheiro e o Ariel Palácios descobrimos, surpresos, que somos todos brasileiros que odeiam futebol. Há esperança paraa civlização. Ainda que eu desconfie do Ariel, ele sabe quem disputou a final das útlimas copas. Eu só sei sobre a de 1982, em que saí às ruas com uma camisa da Itália. Como ia advinhar que a seleção ia perder logo da squadra azzurra??

Bom, em Buenos Aires, apesar de ter recebido reduzida contribuição, de poucos e bons frequentadores deste blogue, até não fiz feio. E aproveitei parte do que disse lá na coluna do Valor, mas isso deixo para um argentino boa praça contar AQUI. Sim, chamei as Galerias Pacifico de Shopping Pacífico na coluna, mas quequiá, é quase a mesma coisa.

E, nessas mesmas Galerias Pacífico (o Atheneo está uma porcaria, acho que sacrificaram as estantes de livro para investir na lanchonete para os turistas que vão lá sacar fotos e falar alto em portugues), encontrei preciosidades, a começar pela espécie inecistente no Brasil: o vendedor de livros quelivros.

Fico sabendo, por uma dessas avis rara do Cone Sul, que existe uma coletânea dos artigos jornalísticos do Roberto Arlt, o cara que influenciou uma parte grande dos autores atuais argentinos, com quem já brinquei neste sítio, e que se costuma contrapor a Jorge Luis Borges, um o intelectual erudito e de texto elaborado; o outro politizado, popular e de texto reto.

Já faz parte da biblioteca, “Cronicas en el Mundo“, com um livro inacreditável do Ricardo Piglia, “Crítica y Ficcion“, de quem descobri que terei de chupar páginas inteiras quando estiver falando na OFFFlip, em julho, dois livros do Martin Kogan, por influência do idelber, e um do Bolaño. Tem mais um de um autor uruguaio, de quem falarei em breve por aqui.
E volto a postar, que está uma vergonha o Sítio, mato pra todo lado.

01/06/2009 - 11:25h Preocupações com a Argentina

Sergio Leo – VALOR

A Argentina ainda tem escritores fundamentais, como Roberto Arlt, pouco conhecidos do público brasileiro, que, um dia, quem sabe, ouvirá esse nome com a familiaridade com que escuta referências a autores como Lima Barreto. Até lá, a maior aproximação cultural entre os dois países vem se dando mesmo no pragmático terreno do turismo: nos últimos dias, frios e chuvosos, em Buenos Aires, o português é língua franca nas ruas e nos shopping centers. Para os argentinos, essa invasão de turistas, que espalha multidões em lugares como o Shopping Pacífico e a rua Florida, mostra como o mercado de câmbio anda favorável ao real.

Notável, também, é a maneira elogiosa, misto de admiração e uma ponta de inveja, com que jornalistas e acadêmicos argentinos falam do Brasil e da política brasileira. Vista de fora, das margens do rio da Prata, a independência de poderes brasileira é louvada e derramam-se adjetivos de aprovação à estabilidade econômica obtida pelo governo. Até os políticos ganham uma aura distinta. Na semana passada, em seminário promovido pela Universidade Tres de Febrero sobre as relações bilaterais, um jornalista do diário “La Nacion” lembrava à plateia, encantado, que a quantidade de votos recebida por Aloyzio Mercadante para o Senado seria o bastante para elegê-lo presidente de qualquer república sul-americana. Menos o Brasil, claro.

Há uma sensível simpatia com o Brasil em Buenos Aires – onde se recebe com perplexidade as reclamações de brasileiros contra as mazelas do Brasil e do governo em Brasília. Em breve se completarão trinta anos do processo de aproximação e superação de desconfianças entre os dois países, iniciado nos últimos anos de governo militar no Brasil, com o acordo para eliminar as disputas que travavam a construção da hidrelétrica de Itapu. Aparentemente, porém, os dois países vivem uma nova etapa no relacionamento, a de construção de novas desconfianças.

Não há mais medo na Argentina de que um dia o Brasil possa abrir as comportas de Itapu e inundar parte do país; nem existem programas nucleares ou militares nos dois países que apontem o outro como inimigo em potencial – pelo contrário, há acordos de cooperação nas duas áreas, e até conversas avançadas para uma polícia comum. A desconfiança viceja, porém, quando se conversa com empresários dos dois países. O estilo Kirchner, duro e centralizador nas controvérsias com o setor privado, intimida empresas brasileiras e desencoraja queixas públicas sobre problemas na Argentina, como dificuldades com o fisco e com as alfândegas.

É grande a lista de queixas do setor privado brasileiro contra a Argentina, a começar pelas barreiras de entrada ao mercado local – em detrimento de concorrentes como a China, que ganha espaço na maioria dos setores antes dominados pelos brasileiros. Embora a conjuntura mundial não seja favorável a acordos de abertura de comércio, empresários apontam a Argentina e sua política protecionista como um obstáculo a qualquer tentativa de retomada de negociações de acordos comerciais, como o tentado pela União Europeia. É recente a lembrança da recusa argentina em acompanhar o Brasil nas propostas para destravar as negociações na Organização Mundial de Comércio (OMC).

Esperava-se que a substituição de Néstor Kirchner por Cristina inaugurasse uma nova fase na política externa do vizinho, com maior abertura para acordos e maior interesse em iniciativas multilaterais para os problemas do país e da região. Essa expectativa frustrou-se, e a política externa argentina ainda é mais um reflexo das circunstâncias e conveniências da política interna. O Palácio San Martín, que sedia a diplomacia argentina, atua sob severa vigilância da Casa Rosada, que considera excessivas algumas concessões retóricas feitas nas discussões com o Brasil.

O processo de criação de desconfianças entre Brasil e Argentina tem forte componente de política interna. Ela captura as atenções do Executivo local, e costuma obrigá-lo a endurecer nas disputas externas, de olho no efeito delas sobre a composição de forças na política local. Com a aproximação de disputadas eleições para o Legislativo, que podem deixar em minoria o grupo dos Kirchner, aumenta o potencial de problemas internos para o atual governo, com reflexos negativos para sua política externa. A possível derrota dos Kirchner dificultará as ações do governo, ou criará um grave impasse político na Argentina; e muitos analistas preveem, em consequência, abalos na política cambial, com previsível corrida à compra de dólares e novas quedas na cotação do peso. Já são públicas as pressões, especialmente da União Industrial Argentina, para que o governo deixe de lado a política do Banco Central de defesa da moeda e apresse a desvalorização.

As dificuldades políticas e a desvalorização do peso podem contribuir para que a Argentina perca ainda mais importância na balança comercial brasileira. No primeiro quadrimestre de 2009, já foi bem forte a queda da Argentina no ranking de parceiros comerciais, onde a China escalou posições e ocupou o posto de maior comprador de produtos brasileiros. Os argentinos, que absorviam 10% das vendas brasileiras entre janeiro e abril de 2008, agora demandam cerca de 7% (menos que isso, em abril). A China, que era 6,5% do mercado para exportações brasileiras, hoje representa 13%.

Decresce a importância argentina para os planos dos exportadores brasileiros. Eles ainda têm no vizinho seu maior mercado para produtos como automóveis, partes e peças, mas cada vez menos. Os movimentos de arrumação na indústria automobilística multinacional trazem também riscos de gerar atritos bilaterais, caso, nos novos planos das montadoras, haja a decisão de fechar ou redimensionar fábricas na Argentina para concentrar-se no maior mercado da região.

Há discordâncias argentinas interessantes e instrutivas, como a divergência, no passado, entre grupos literários afiliados a Roberto Arlt e a Jorge Luis Borges. Mas os brasileiros podem se ver falando em breve sobre outro tipo, mais árido e desagradável de conflito, no que diz respeito ao país vizinho.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail sergio.leo@valor.com.br

10/05/2009 - 19:25h Comienza el asalto al trono de los Kirchner


El esposo de la presidenta argentina se moviliza ante las cruciales legislativas de junio

Comienza el asalto al trono de los Kirchner

SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ – Buenos Aires – 10/05/2009 – El País

Las elecciones legislativas argentinas del 28 de junio, a punto de que se abra la campaña electoral, se anuncian como una pelea muy dura. No se trata sólo de conservar mayorías parlamentarias, sino que se han convertido en una lucha directa por el poder: se trata de quitarles, o pegarle una gran tajada, al poderío de los Kirchner en los dos años de presidencia que le quedan a Cristina Fernández, y de saber quién queda situado como posible alternativa en 2011.

Peronismo disidente, que podría caracterizarse, más o menos, como un centro-derecha; el radicalismo, que se identificaría con el centro-izquierda; y el kirchnerismo, el peronismo oficialista, que representa el matrimonio Néstor y Cristina Kirchner, y que tendría un difícil encaje ideológico, son las tres corrientes que compiten en estas elecciones.

Los comicios se van a desarrollar en un escenario político en el que la gran mayoría de los argentinos cree, según el último sondeo de MRC Mori, que el segundo problema del país es la clase política (el número uno es la inseguridad) y en el que son muy pocos los políticos que llegan al aprobado: los Kirchner, por ejemplo, rondan el 50% de imagen “mala o muy mala”.

La elaboración de las listas, que se cerraron a las doce de la noche del sábado, ha sido trabajosa, porque había que poner de acuerdo a multitud de personajes, pero, a falta de confirmación y a expensas del misterio alentado por Néstor Kirchner, parece que la decisiva pelea por la provincia de Buenos Aires la encabezarán el propio Kirchner, los disidentes Francisco de Narváez-Felipe Sola y los radicales Margarita Stolbizer-Ricardo Alfonsín.

El que más se juega es Kirchner, presidente del Partido Justicialista. Las encuestas indican que ha bajado en popularidad y que va a perder escaños y votos. Su posición está debilitada en las provincias de Santa Fe, Córdoba y Mendoza. Pero lo que más importa es la poderosa provincia de Buenos Aires. Ahí es, especialmente en el llamado “conurbano”, el doble cinturón empobrecido de la capital, donde el oficialismo tienen que echar el resto.

La debilidad de Kirchner quedó de manifiesto en dos movimientos: adelantar los comicios, que debían celebrarse en octubre, para ganarle algunos meses a la crisis económica; y poner en marcha las polémicas candidaturas testimoniales. Se trata de personas que ocupan cargos públicos, a las que Kirchner fuerza a presentarse en su lista, aunque los interesados no ocultan que renunciarán a su escaño media hora después de conseguirlo.

Testimonial, aunque en este caso no vaya a renunciar a su escaño, es también la candidatura de la actriz Nacha Guevara, de 69 años, quien probablemente ocupe el tercer puesto en la lista de Néstor Kirchner. Guevara ha interpretado hasta hace pocos días, con formidable éxito, el musical Evita, y su imagen se confunde con la del gran mito peronista.

La campaña de los Kirchner se ha basado en la idea de yo, o el caos, con frecuentes alusiones a la crisis del 2001 y al corralito (que acabó con buena parte de los ahorros de la clase media). “O ganamos nosotros o nadie se ocupará de los pobres”, aseguró la presidenta Cristina Fernández.

Un sondeo hecho público ayer por la revista Perfil indica que los ciudadanos creen que la situación del país es mala o muy mala (61%) y el 50% cree que irá todavía a peor en los próximos tres meses. Por encima, incluso, del miedo a perder el empleo o a la subida de precios, los argentinos están preocupados por lo que perciben como un fuerte aumento de la delincuencia. La corrupción, que, según muchos estudios internacionales, es uno de los grandes problemas del país, no es percibido así por los ciudadanos (8%).

La oposición parece decidida a dar la batalla en los temas económicos y de seguridad. Francisco de Narváez, que posee una gran fortuna (producto de la venta de una cadena familiar de supermercados), está seguro de que el aumento de la delincuencia es uno de los grandes asuntos en Buenos Aires y ha invertido una importante cantidad de dinero en anuncios publicitarios en televisión. Solá, a su lado, ofrece experiencia y dominio de una parte del aparato peronista, sin el que nadie cree en Argentina que se pueda gobernar.

Los radicales, por su parte, intentan recuperar la imagen del fallecido Raúl Alfonsín y su defensa del diálogo y las instituciones. El objetivo de todos ellos es el mismo una vez en el Parlamento: forzar a los Kirchner, a los que acusan de autoritarismo, a negociar la gobernación del país.

21/03/2009 - 15:54h Brasil y Argentina mantienen su pulso comercial


Brasil y Argentina mantienen su pulso comercial
Cristina Fernández y Luiz Inácio Lula da Silva, en el foro empresarial celebrado ayer São Paulo.- AP

FRANCHO BARÓN – Río de Janeiro – El País

“La devaluación del real también es proteccionismo”, afirma Fernández

Los presidentes de Argentina y Brasil, Cristina Fernández y Luiz Inácio Lula da Silva, intentaron eludir ayer el espinoso asunto de las relaciones comerciales entre sus países, pero no lo consiguieron. Se encontraron en São Paulo, en el marco de un foro empresarial bilateral, y el malestar entre sus respectivos sectores industriales pudo más que los buenos propósitos de hablar sobre asuntos más agradecidos, como la posición común que los Gobiernos de Brasilia y Buenos Aires pretenden llevar a la cumbre del G-20, que se celebrará el próximo 2 de abril en Londres.

Lula, que profesa públicamente su oposición frontal al proteccionismo de los mercados nacionales y que, para predicar con el ejemplo, recientemente fulminó un plan de restricciones a la entrada de 3.000 productos en Brasil, mira con malos ojos la decisión argentina de imponer barreras comerciales a una lista de 200 productos, muchos de ellos brasileños.

Fernández, sin embargo, justifica la permanencia de estas licencias no automáticas de importación con el argumento de que la balanza comercial entre Brasil y Argentina se inclina desproporcionadamente hacia el primero, algo que, según ella, en tiempos de crisis rampante es mucho menos soportable. La presidenta argentina también esgrime la mala racha que atraviesa el sector industrial de su país y la necesidad apremiante de reestructurarlo. “Con economías de diferente desarrollo y una desventaja en la balanza comercial, es natural que se adopten medidas para no agravar una situación que es estructural”, dijo ayer Fernández, que compareció ante la prensa junto a Lula.

La actitud del Gobierno argentino molesta al sector industrial brasileño, básicamente porque la crisis mundial ya ha impactado de lleno en Brasil y sus indicadores de crecimiento económico y producción industrial no paran de caer en picado. El último boletín semanal difundido por el Banco Central de Brasil sitúa la previsión de crecimiento para este año en el 0,59%, cuando el producto interior bruto (PIB) brasileño cerró 2008 en un alentador 5,1%. Para los industriales brasileños resulta especialmente sangrante el hecho de que su Gobierno anunció en enero nuevas restricciones a la entrada de 3.000 productos (aproximadamente, el 60% de sus importaciones) en su mercado. En aquel momento Argentina protestó enérgicamente y Lula, en un gesto paternalista y de buena vecindad, decidió dar marcha atrás con las barreras comerciales.

Según fuentes gubernamentales brasileñas, Lula no está de acuerdo con las medidas proteccionistas que se están aplicando en Argentina, aunque no le queda más remedio que respetarlas. “El proteccionismo es casi una religión. Cuando pasa algo [como la crisis mundial] todo el mundo quiere defender a sus empresas y a sus economías. Esto es normal”, afirmó ayer Lula en tono conciliador. Sin embargo, hizo énfasis en la necesidad de que los países se protejan contra las prácticas de dumping y abogó por reforzar los intercambios comerciales con sus países vecinos. “Cuanto más nos vendamos mutuamente, más independientes seremos del bloque de los países desarrollados”, concluyó.

Fernández, por su parte, se mostró menos diplomática que su homólogo brasileño y aludió sin rodeos a las que su Gobierno considera medidas proteccionistas brasileñas. “También es, por ejemplo, devaluar una moneda. La reciente devaluación del real frente al dólar también se podría calificar de medida proteccionista. Y los beneficios fiscales que algunos Estados brasileños otorgan a las empresas que se radican en sus territorios también pueden ser medidas proteccionistas”, enumeró la presidenta argentina.

La tensión por la gresca comercial con el vecino austral, que tiene en pie de guerra a buena parte de la industria brasileña, vino a sumarse ayer a la difusión de dos encuestas que registran una preocupante caída de la popularidad del Gobierno capitaneado por Lula. El Instituto Brasileño de Opinión Pública y Estadística (IBOPE), cifró ayer en nueve puntos porcentuales la disminución de la aprobación popular al actual Gobierno. Según la institución, la buena imagen del Ejecutivo brasileño ha caído por primera vez desde el inicio de su segundo mandato, desde el histórico 73% registrado el pasado diciembre hasta el 64% actual.

Por su parte, la empresa de sondeos Datafolha apunta a una caída de cinco puntos en la aprobación de la gestión del Gobierno brasileño, desde el 70% registrado el pasado noviembre hasta el 65% de hoy. La mala noticia se debe, según los encuestadores, a los preocupantes indicadores económicos del país, que empeoran cada día que pasa.

09/11/2008 - 17:48h Los dos presidentes Kirchner

Las continuas interferencias del ex dirigente perjudican a su esposa

http://www.elpais.com/recorte/20081109elpepiint_5/LCO340/Ies/Kirchner_durante_acto_electoral_2007.jpg

SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ – EL PAÍS de Buenos Aires

La presidencia de Cristina Fernández de Kirchner, que hace sólo 11 meses obtuvo una rotunda victoria electoral, se está viendo oscurecida por la interferencia frecuente de su marido, el ex presidente Néstor Kirchner, a quien los argentinos atribuyen una buena parte de las decisiones gubernamentales.

El esposo de la presidenta conversa habitualmente con algunos ministros y con el jefe de Gabinete; recibe y discute, a veces a gritos, con los principales empresarios e inversores, extranjeros y locales, y no oculta su influencia determinante en las decisiones relacionadas con la vida económica del país. “Kirchner dio la orden [al banco central] de intervenir [para evitar la subida del precio del dólar]“, titulaba recientemente el diario La Nación. “Kirchner se resiste a aceptar cambios en la negociación [de las Administradoras de Fondos de Jubilaciones y Pensiones]“, asegura Clarín. “Kirchner” es siempre el ex presidente. A su esposa, la primera mandataria, se la conoce, simplemente, como Cristina.

En el entorno de la Casa Rosada se muestran inquietos por estos comentarios constantes y por el daño que puedan hacer a la imagen de la presidenta. Los Kirchner, afirman, siempre han sido una sociedad política y cuando el presidente de la república era él, muchos le acusaban de hacer excesivo caso a su esposa, que era entonces senadora. Ahora los papeles se han invertido, aseguran.

El problema es que Néstor Kirchner no aparece como consejero de la presidenta, sino como fuente directa de poder y que esa imagen desgasta el valor de la figura de Cristina Fernández. El protagonismo del ex presidente fue tan abrumador durante la larga crisis del campo (el intento, frustrado, de subir los impuestos a las exportaciones agrícolas) que, superada la tempestad, pareció que era consciente de lo ocurrido y que estaba dispuesto a poner más cuidado en las formas. Los buenos propósitos no duraron mucho porque la crisis desatada por la estatalización de los fondos privados de pensiones volvió a colocar todos los focos en él.

Los Kirchner llevan casados 34 años, tienen dos hijos (prácticamente ausentes de la vida pública, quizás como contraste con la odiada etapa de Carlos Menem y su hija Zulemita), y siempre han funcionado como un bloque político. En la pareja, él es el hombre de poder mientras que ella cultiva una imagen más académica e intelectual. Cristina Fernández fue siempre mejor que él a la hora de hablar en público sin papeles, de captar la atención en un escenario o de comunicar con los electores. Durante mucho tiempo se dijo que era ella quien escribía los discursos de su marido. Cuando Néstor Kirchner ganó las elecciones y se hizo con la presidencia de la República, Cristina, senadora, desplegó una gran tarea política. Cuando alguien criticó su enorme influencia, zanjó la discusión sin complejos: “Soy la última persona que él ve antes de dormirse”.

Néstor Kirchner renunció a un segundo mandato en 2007 y dio paso, de manera casi imperial, a la candidatura presidencial de su mujer. Su control del movimiento justicialista era tan grande que nadie alzó la voz. Algunos pensaron incluso que lo que pretendía era perpetuarse en el poder, sustituyendo a su vez, llegado el momento, a Cristina Fernández. En cualquier caso, prometió mantenerse en un segundo plano (bromeó con la idea de dirigir un café literario) y no hacer sombra a la nueva presidenta de la nación, para que pudiera asentar su propia autoridad. Cristina Fernández de Kirchner obtuvo en diciembre de 2007 una victoria resonante: el 45% de los votos y 22 puntos de diferencia sobre el segundo clasificado. El huracán Cristina no necesitó siquiera una segunda vuelta.

Once meses después, los sondeos indican que la popularidad de la presidenta ha experimentado una erosión muy notable. Durante la crisis del campo llegó a ser de sólo un 20%-25% de aceptación, 30 puntos menos que en enero, según los datos, entre otros, de la consultora Poliarquía.

La anunciada retirada de Néstor Kirchner no llegó a producirse en ningún momento. Bien al contrario, desde el primer día el ex presidente mantuvo una presencia política muy intensa, que formalizó, en parte, haciéndose elegir como máximo dirigente del Partido Justicialista.

Además, el hecho de que en el Gobierno de Cristina Fernández figuran ministros que ya habían desempeñado funciones en el del ex presidente facilitó la confusión y los contactos y despachos directos, al margen de la presidencia. Es el caso, por ejemplo, del ministro de Planificación, Julio de Vido, del que depende la importante inversión pública, y que ocupó el mismo puesto con Néstor Kirchner.

Las dudas sobre el “reparto de competencias” entre los Kirchner (él se reservaría las decisiones económicas mientras ella viaja por todo el país e intenta recuperar apoyos políticos) no afectan, sin embargo, a la convicción de que los dos mantienen una absoluta afinidad ideológica. “No se trata de que el ex presidente tome decisiones que ella no comparte. El pensamiento político de los dos es común”, explica Eduardo Van der Kooy, destacado columnista de Clarín.

La explicación que da el entorno del ex presidente, según Van der Kooy, es que la llegada de Cristina Fernández a la presidencia fue seguida de crisis muy difíciles: el valija-gate (investigación judicial sobre fondos venezolanos empleados ilegalmente en la campaña electoral de Cristina), la crisis del campo, el momentáneo caos financiero provocado por la decisión de nacionalizar los fondos privados de pensiones… Fueron crisis rápidas y de tal envergadura que Néstor Kirchner creyó que no podían resolverse sin su participación directa. Muchos creen, sin embargo, recalca el comentarista, que el ex presidente nunca tuvo realmente voluntad de retirarse a un segundo plano. En la sociedad Kirchner, él fue siempre el jefe político y Cristina Fernández acepta ese liderazgo.

Como no podía ser menos en Argentina, un país con una fuerte tradición psicoanalítica, muchos comentaristas buscan también explicaciones en las relaciones personales entre los dos políticos y en una posible dependencia psicológica dentro de la pareja. “No todo se explica desde la racionalidad. Es posible que existan componentes psicológicos”, acepta Van der Kooy.

Cristina Fernández de Kirchner nunca se ha considerado a sí misma feminista ni las feministas argentinas la reconocen como alguien cercano. La presidenta nunca se ha significado por su actividad en ese campo, e incluso cultiva voluntariamente una imagen física muy tradicional, a la argentina, con mucho maquillaje y con una esforzada atención a la imagen estética. “Me pinto como una puerta desde que tengo 14 años y tardo más tiempo en maquillarme y vestirme que en el gimnasio”, confesó en una de las escasas entrevistas que ha concedido.

La falta de militancia feminista no impidió que en su toma de posesión Cristina Fernández de Kirchner hiciera repetidas referencias a su condición de mujer. “Siendo una doble responsabilidad, como presidenta y por el género”, dijo, al tiempo que hacia un llamamiento convocando “a las hermanas” para que se sintieran representadas en su presidencia.

Dora Barrancos, directora del Instituto Interdisciplinario de Estudios de Género, de la Universidad de Buenos Aires, reconoce la falta de interés de la presidenta por cuestiones relacionadas con el feminismo, y sobre todo, la falta de políticas de género desarrolladas por su Gobierno, pero no comparte las explicaciones psicológicas que le atribuyen a ella una cierta relación de dependencia. “Es cierto que Néstor Kirchner es bastante incontinente y no guarda las formas republicanas con su excesivo papel protagonista, sobre todo durante la crisis del campo, pero una cosa es que él desborde continuamente su actual condición de ex, y otra que ella no pueda tomar decisiones sin su aceptación. Eso no es cierto. El problema no es que ella no pueda dar pasos sin él, sino que él da muchos pasos que no debería”, comenta.

Lo que nadie duda en Argentina es que los Kirchner son dos presidentes y una única sociedad, una única marca de poder.

02/11/2008 - 21:20h Argentina, contra sus propios fantasmas

La crisis internacional ya afecta a un país que también arrastra graves conflictos endógenos

ALEJANDRO REBOSSIO – El País

cristina_kirchner.jpgGeneral Motors despidió el 24 de octubre pasado a 435 obreros en Argentina, ante las menores ventas a Brasil, contagiado por la crisis mundial. Ese mismo día, el Gobierno de Cristina Fernández de Kirchner le ordena que frene los despidos y negocie con el sindicato. Tres días antes, la intervención gubernamental había llevado a que Renault redujera de 620 a 300 el número de contratados que dejaba en la calle. La crisis internacional ya afecta a la economía de Argentina, que además arrastra conflictos endógenos.

“En Argentina, el tema central era la inflación, pero con la crisis internacional ha pasado a ser la actividad económica y el desempleo”, observa el jefe local de la Comisión Económica para América Latina (CEPAL), Bernardo Kosacoff. De una inflación del 22% o el 24% en 2008 se pasará a una del 14% o el 20% en 2009; de un crecimiento del 7% este año se bajará a uno del 1% al 5%, según los analistas.

“La crisis internacional contagió las expectativas”, admite el ex ministro de Economía Aldo Ferrer, profesor de la Universidad de Buenos Aires, “pero la mayor parte de los problemas argentinos no son los que vienen de afuera, como la caída del precio de las materias primas o el impacto de la crisis financiera en Brasil, sino los que están dentro, como la continuidad del enfrentamiento del Gobierno y el campo, la inflación, la credibilidad del Instituto Nacional de Estadística y la nacionalización del sistema privado de pensiones”.

La crisis financiera internacional no ha perjudicado directamente a la tercera economía latinoamericana, dado que el Gobierno de Fernández y la mayoría de las empresas argentinas ya carecían de acceso a los mercados voluntarios de deuda y no había fuertes ingresos de capitales como en Brasil. El sistema bancario argentino no se ha resentido porque apenas prestaba a corto plazo a las empresas y a las personas, según explica Osvaldo Cado, economista de la consultora Prefinex. Ese crédito escaso para comprar televisores o prefinanciar exportaciones se ha acotado en las últimas semanas.

Pero Argentina no es inmune a la crisis de la economía real del mundo. Le impacta en los precios de las materias primas, en la demanda de productos industriales, sobre todo los destinados a Brasil, y en las cuentas fiscales, cuyo superávit primario (antes del pago de deuda) depende de los impuestos a la exportación agrícola. Alfredo García, analista del Banco Credicoop, calcula que el superávit comercial de los últimos 12 meses, que fue de 15.000 millones de dólares, habría sido de 6.300 millones si los precios internacionales hubiesen sido los actuales. La soja, el maíz y el trigo se depreciaron entre el 35% y el 45%, después de las marcas históricas batidas en la primera mitad de 2008. Esta caída reduce el consumo y la inversión del sector agrícola.

El Gobierno reaccionó primero ante la depreciación de la soja con un giro hacia políticas ortodoxas para atraer capitales y reducir gastos. Aumentó las tarifas de gas y electricidad para evitar nuevas subidas de los subsidios. Anunció que iba a saldar las deudas impagas desde 2001 con el Club de París (19 países acreedores, incluida España) y con los bonistas que rechazaron el canje con quita de 2005. Pero la reapertura del canje se ha estancado por la crisis internacional. Tampoco se ha concretado el pago al Club de París, para el que se iba a usar reservas del Banco Central, ahora necesarias para afrontar la depreciación del peso ante la salida de depósitos bancarios.

Fernández, aconsejada por su influyente marido y ex presidente, Néstor Kirchner, optó hace dos semanas por abandonar la ortodoxia y anunciar la nacionalización del sistema de pensiones. La jefa de Estado adujo que se busca rescatar a los actuales y futuros jubilados, cuyos ahorros estaban licuándose por las inversiones en títulos públicos y acciones. Fuentes del Gobierno admiten que la nacionalización les facilita casi la mitad de los pagos de deuda de 2009. Para contrarrestar la caída bursátil que produjo la nacionalización, obligaron a los fondos de pensiones a la repatriación de sus inversiones en Brasil.

La nacionalización agravó la salida de depósitos y la compra de dólares (tradicional refugio del ahorrador argentino). En un principio, el Banco Central intentó evitar que el peso se devaluara tanto como el real para evitar más inflación y la fuga de depósitos, pero esta semana no pudo impedirlo, con lo que los industriales de su país consiguieron la protección cambiaria que reclamaban. -

07/09/2008 - 11:08h Com Cristina Kirchner, Lula e Marisa celebram 7 de setembro

Cerca de 30 mil pessoas assistem aos desfiles do dia da Independência na Esplanada dos Ministérios, em Brasília

Leonardo Goy e Fabio Graner, de O Estado de S. Paulo


BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa neste domingo das comemorações de 7 de setembro, acompanhado de ministros e da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que está em visita oficial ao Brasil. Lula chegou à Esplanada dos Ministérios, onde se realiza o desfile, acompanhado de dona Marisa Letícia.

José Alencar (e), Cristina Kirchner, Lula e Marisa durante abertura do desfile.  Foto: Celso Junior/AE

Cerca de 30 mil pessoas assistem aos desfiles, segundo estimativas da Presidência da República. Sob um forte calor, o público assistiu Lula e Marisa desfilarem em carro aberto.

Aplaudido por populares que agitavam bandeirinhas, Lula foi recebido no palanque pelo vice-presidente José Alencar, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

A presidente argentina acompanha no palanque o desfile militar entre Lula e José Alencar. Outros ministros participam da cerimônia, além do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia.

(com Agência Brasil)

07/09/2008 - 11:03h Lula, en exclusiva con Clarín: “No existe ninguna hipótesis de que Brasil se juegue solo”

El análisis de Marcelo Cantelmi e imágenes de la entrevista exclusiva de Clarín.


“Brasil deberá ayudar a la Argentina a recuperar su industrializacion para integrarla como socia”. (En Portugués)

El presidente brasileño, montado en su voz grave y áspera, habla con tal pasión que sus respuestas parecen arengas. Hace ademanes, ríe, se levanta para sostener sus puntos. Y enciende un cigarrito de hoja divirtiéndose con el desafío a su ministro de Salud que quiere tabaco cero en los edificios públicos: “Aquí se fuma”, dice y acerca ceniceros a los periodistas. Un reportaje a este político tan peculiar es una experiencia única. Un equipo de Clarín lo entrevistó en Brasil durante bastante más de una hora con una agenda en la que no eludió ningún tema. El encuentro, el primero in extenso que da a un medio argentino desde que es jefe de Estado, tuvo una primera, inevitable, dosis de fútbol. “No hay nadie de Boca aquí, Presidente, así que podemos hablar tranquilos”, le dijimos. Lula tomó el desafío y lanzó un elogio a Argentina por los Juegos Olímpicos pero remató con un sonoro: “Yo sinceramente siento vergüenza”. Ayer siguió por la misma línea con una reivindicación encendida de Messi. Y el arquero de la selección, Julio Cesar le devolvió con pocos cuidados: “Por qué no se va a vivir a Argentina, renuncie a la presidencia”.

Hay mucho más que fútbol en estas pasiones. Pero para Lula, quien pocas horas después recibía a la presidenta argentina Cristina Kirchner, la rivalidad binacional sólo tiene que estar ahí, en el deporte. En el resto “todo lo que deseo en la vida es que Brasil y Argentina crezcan cada vez más”, dirá. Defenderá luego la posición de su país en Doha, lanzará críticas y desconfianzas a EE.UU. y aconsejará que no sirve confrontar todo el tiempo. “Cuanto menos conflictos, mejor”.

La impresión que hay en Argentina es que Brasil juega en otra liga y que sobre todo, como lo demostraría la ronda de Doha, decidió tomar decisiones autónomas.

No existe esta posibilidad. Primero porque personalmente creo, trabajo y apuesto a la integración de América del Sur y con más empeño todavía en el fortalecimiento del Mercosur. Segundo, como dije en el seminario que se hizo en Buenos Aires, es muy importante que Brasil y Argentina no se miren como competidores, sino como socios. Argentina tiene que mirar a Brasil como un mercado de 190 millones de habitantes, que tiene frontera con Argentina. No son precisos barcos y vuelos de 14 horas para exportar. Basta atravesar un puente. Lo importante es que los dos países alcanzarán este año un flujo comercial de más de 30.000 millones de dólares. Y es más: el lunes (mañana) firmaremos con la presidenta Cristina Kirchner el acuerdo que lanza oficialmente el empleo de reales y pesos en nuestro intercambio comercial. Vamos a abolir el dólar como moneda en nuestro comercio. Es importante recordar que más del 70% de lo que Argentina exporta para Brasil son productos manufacturados. Eso significa más valor agregado, más producción, más empleo. Y eso es un potencial extraordinario, porque Argentina está en un proceso de reindustrialización. En función de esa realidad argentina, Brasil tiene conciencia del papel que juega en la Ronda de Doha y de cómo combinar eso con la cooperación con Argentina para su recuperación industrial. Por eso, no existe ninguna hipótesis ni posibilidad de que Brasil se juegue sólo. Brasil tiene claridad que su relación con Argentina cuanto más armónica y más productiva sea, más contribuiremos para fortalecer el Mercosur y la integración sudamericana.

¿Por qué entonces hubo diferencias conceptuales explícitas cuando se negociaba la mayor apertura del mercado para bienes industriales en la Ronda de Doha?

No hubo diferencia de conceptos. Vea, por más que usted trabaje en un proceso de integración, sea de la Unión Europea o de América del Sur, o del mundo asiático, en algunos momentos usted tiene que tomar en cuenta la situación de su Estado nacional. No debemos ver, en nuestras divergencias, situaciones de conflicto sino situaciones de diferencias; diferencias económicas y de potencial industrial. Vea, cuando Brasil estuvo dispuesto en la Ronda de Doha a realizar un acuerdo con los términos negociados para agricultura y productos industriales, es porque el país estaba dispuesto a realizar, en el ámbito del Mercosur, las compensaciones que exigiera Argentina para no tener problemas. Esto lo conversamos con la presidenta Cristina. Muchas veces me he quedado en mi gabinete viendo las noticias de Doha (por TV) y me he sentido muy inquieto porque lo que aparece no es lo que sucedió allí. En un ambiente de negociación llega una hora en que usted acepta o rechaza, no tiene términos intermedios. Ocurre que Brasil trabajó todo el tiempo teniendo en cuenta que Doha debería tener un instrumento: favorecer a los más pobres del mundo, que dependen casi exclusivamente de la agricultura y con un mercado europeo prácticamente cerrado
para ellos. Lo que nosotros queríamos es que ese mercado se abriese un poco.

Pero la realidad es que Doha no parecía traer una gran ventaja para Argentina y Brasil

En la realidad, ni Brasil ni Argentina le deben algo a Europa desde el punto de vista de la capacidad productiva, de los avances tecnológicos en agricultura. Nosotros disputamos con ellos en cualquier situación. Pero otros países no. Lo que queríamos entonces, por un lado, un poco más de oportunidad para esos países y, por el otro, exigir que EE.UU. disminuya los subsidios. Nuestra contrapartida era flexibilizar los productos industriales en un acuerdo a 10 años y que daba el tiempo suficiente para que pudiéramos en el ámbito de la relación Brasil-Argentina hacer las compensaciones que fueran necesarias para no poner obstáculos a nuestra industrialización. Ellos son países industrializados, nosotros somos países más o menos industrializados. Brasil, en cierto modo, está mejor todavía que Argentina porque no hemos sufrido la devastación que sufrió Argentina. Nosotros entendemos que cuanto más crezca la industria argentina, más exportará Argentina para Brasil y más vamos a poder equilibrar la balanza comercial bilateral. Nosotros trabajamos siempre con la idea de que la balanza comercial debe ser una vía de dos manos: tiene que haber cierto equilibrio; uno puede tener una diferencia pequeña, un año tener déficit comercial y al siguiente superávit. Al gobierno brasileño no le interesa que haya una consumación de un superávit comercial grande a favor de Brasil. Es preciso el equilibrio y es por eso que estamos trabajando. Por eso, muchas empresas brasileñas compran empresas argentinas, incluso para exportar a Brasil lo que fuera un excedente, que Argentina no precise usar en su política de industrialización.

Hubo una versión en la Argentina respecto de la eventual renuncia de la presidenta Cristina tras la crisis por las retenciones. Se rumoreó muy fuerte en ese momento que usted intervino para que ella no renunciara ¿Es verdad?

No. No es verdad. Mire, el sentido común no me permitiría tal osadía; semejante interferencia en la política argentina. No es verdad que Cristina Kirchner me llamó y no es verdad que yo la llamé. Conversé con Cristina para prestarle mi solidaridad pero nunca tuve la imprudencia de dar ninguna impresión personal sobre la política argentina.

En febrero, usted y la Presidenta argentina firmaron un plan de acción de 17 puntos. Ahora se lanza el intercambio pesos por reales, pero todo lo demás está pendiente: obras energéticas, el acuerdo con Embraer y el Banco del Sur. Tampoco avanzó la sociedad entre el BNDES, el Banco Nación y el BICE.

Está claro y nadie puede negar que tenemos un problema energético en la región. Sobre todo, un problema que perjudica más a unos países y menos a otros. Por eso, analizamos con Argentina la posibilidad de construir la hidroeléctrica binacional Garabí que dará 3.000 megavatios de energía para repartir entre ambos. Y si llegara a hacer frío en la Argentina, podría ir la totalidad para allí.

¿Y qué pasa con el gas? ¿Hay algún proyecto conjunto?

No podemos depender del gas porque no hay suficiente para explotar. La última vez que estuve con la presidenta Kirchner y con Evo Morales (de Bolivia) fue claro que Bolivia, en este momento, no tiene cómo cumplir los contratos con Argentina. Por otro lado, Argentina no puede construir un gasoducto (para aumentar la capacidad de transporte) sin la certeza de que tendrá ese gas. Bolivia debe proveer a Brasil 30 millones de metros cúbicos diarios; a Argentina debe entregarle 7 millones y a su vez Bolivia usa 6 millones. La suma da 43 millones; pero Bolivia produce sólo 40 millones.

Y por eso nunca llega a entregarle a la Argentina lo acordado por contrato…

Vea, hay inversiones de Petrobras para intentar aumentar la capacidad de Bolivia de producir más gas. El presidente Evo debe estar atrás de otras empresas para conseguir nuevas inversiones. Ahora, para que esas inversiones vayan a Bolivia es preciso que haya contratos con respaldo internacional. Porque ningún país hará inversiones si quedara sujeto a las eventualidades cotidianas de un país. Y en cuanto a la Argentina, lo que hicimos fue establecer una política de compensación porque el gobierno de la presidenta Cristina se quejó de que cuando compró energía de Brasil pagó precios más caros que cuando se la vende. Entonces decidimos eliminar el dinero de la negociación: se entrega megavatio y se devuelve megavatio. Gracias a Dios, este año no tuvimos problemas. Argentina devolvió la energía que le mandamos antes de lo acordado porque el invierno no fue tan violento.

¿El ex presidente Néstor Kirchner le pidió que Brasil cediera gas a la Argentina?

El año pasado, o el antepasado (no recuerdo bien), el presidente Kirchner me reclamó que tenía una urgencia de energía. En aquel momento que él me reclamaba algunos millones más de metros cúbicos de gas, Brasil por cuenta de los juegos Panamericanos (que se realizaron en julio de 2007) precisaba la totalidad de los 30 millones y por lo tanto no podía ceder gas. ¿Qué hice? Cuando volví a Brasilia, un viernes a las 8 de la noche, hice una reunión a las 22 y el sábado, Marco Aurelio García encabezó una delegación de nueve ingenieros del sistema eléctrico brasileño y en la semana siguiente le ofrecimos a la Argentina los megavatios que necesitaba para resolver el problema.

¿Esa estrategia se repite?

Es con esa visión que precisamos trabajar la cuestión energética: o sea, relevar el potencial de los cuatro socios del Mercosur y tratar de explotarlo al máximo. Es urgente porque cada año que pasa tenemos más necesidad de energía y, cada año que pasa, tenemos menos energía para consumir. Es un problema que resolveremos sólo si tenemos la firme convicción de que vamos a hacer sociedades. Y ahí entra la cuestión de la integración sudamericana. La verdad es que durante medio siglo la Argentina y Brasil se miraban preocupados. Nuestros hombres de defensa se veían como enemigos o como eventuales invasores. Sólo hay una forma de recuperar el tiempo perdido: es mirarnos como amigos, como socios, como economías complementarias. Esa cultura está cambiando en Brasil, dentro de Itamaraty, dentro del gobierno y dentro del Congreso. Y tengo certeza que en Argentina también está cambiando en la visión del gobierno, de la diplomacia y de sus políticos. Tenemos que construir los puentes que faltan, las rutas, los trenes, los vínculos en comunicación. Cuanto más trabajemos juntos más fuertes seremos en el escenario internacional.

El gobierno de Cristina Kirchner quisiera ver a Embraer en Argentina ¿Es posible?

La cuestión es que Embraer, aunque esta sea una empresa privada, tiene una relación muy productiva con el gobierno brasileño. Y nosotros tenemos interés que Embraer monte un brazo en Argentina para producir algunas partes. Sé que hubo una reunión del ministro Julio De Vido y de la ministra Dilma Roussef y con la dirección de Embraer. En la conversación posterior que tuve con De Vido él se mostró muy optimista. Pido a Dios que eso resulte y podamos tener a Argentina produciendo algunas cosas de los aviones que se fabrican en Brasil.

¿El Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social podría financiar empresas argentinas y extranjeras fuera de Brasil?

Hoy el BNDES no puede invertir en una empresa extranjera porque los recursos que financian sus inversiones provienen del Fondo de Amparo al Trabajador. Nosotros enviamos un proyecto al Congreso Nacional para crear un área internacional del BNDES y ya colocamos una agencia en Uruguay. Segundo, estamos creando un “fondo soberano”, un proyecto que está dentro del Congreso Nacional. Con este fondo podremos tener una parte de ese dinero direccionado hacia el BNDES para que él pueda realizar préstamos inclusive a empresas extranjeras. Financiar esas empresas, financiar nuevas plantas y financiar sociedades entre empresas. El Congreso brasileño puede aprobar antes de fin de año ese proyecto que mandamos con “urgencia urgentísima”, o sea urgencia constitucional. Espero que el Parlamento lo vote y así podremos consolidar el BNDES como una agencia de financiación más allá de Brasil.

¿Y qué ocurre con el Banco del Sur?

Este ya es una realidad. Ya está configurado como institución financiera y se está en la etapa de discutir cuánto va a aportar cada país. Al mismo tiempo se realiza el proceso para la elección de la dirección de ese banco. Esas cosas tienen que ser hechas con mucha seriedad. No vale sólo la pasión. Tiene que tener un sistema estructural para que pueda ganar credibilidad en su funcionamiento y establecer relaciones con otros bancos con finalidades iguales. Entonces tendremos el dinero para financiar la infraestructura en América del Sur. Yo soy optimista con relación al banco.

¿Venezuela entiende al Banco del Sur igual que Brasil? ¿O subsisten diferencias?

Venezuela lo entiende así. Tenemos que comprender que muchas veces mi amigo Chávez, con quien hablo mucho, es impetuoso. Es muy audaz. Desde que lo conocí hasta ahora hubo una evolución extraordinaria. Chávez comprende que dentro de Venezuela los tiempos no son los de Brasil ni los de Argentina. Cada país debe lidiar con su propia realidad económica, política, con la realidad de su Congreso. Todos percibimos hoy que es posible construir sin supremacía de un país sobre otro, sino con un consenso de finalidades. Por eso soy optimista con el Banco del Sur. Hoy tengo claridad, al igual que Chávez y Cristina, de que debemos hacer las cosas muy seriamente para que el resultado sea exitoso.

¿Brasil tiene deudas con Paraguay, por ejemplo con Itaipú?

Es importante comprender la relación entre Brasil y Paraguay. Tenemos un Tratado de 1973 y que establece que mitad de la energía es brasileña y mitad es de Paraguay. Y fija que toda la energía excedente que Paraguay no use, debe vendérsela a Brasil; no puede venderla para otro país. Y esto porque fue Brasil quien financió prácticamente Itaipú. La cuestión del precio que le pagamos a Paraguay por el excedente que nos vende es siempre relativo: hoy Brasil paga más la energía que compra a Paraguay que lo que se paga aquí dentro. Estoy aguardando al presidente Fernando Lugo que vendrá a Brasilia el 17 y debemos comenzar conversaciones. Brasil tiene que hacer todo el esfuerzo necesario para facilitar la vida de Paraguay, un país pequeño. No encuentro justificación que Paraguay, con una hidroeléctrica que genera 12.000 megavatios, todos los días tengan apagones en Asunción. Entonces, Brasil asumió el compromiso de hacer una línea de transmisión, financiada por la parte brasileña de Itaipú, hasta Asunción. Voy a esperar que Lugo presente las demandas paraguayas para empezar a conversar lo que puede ser hecho. Ya dije a Lugo lo mismo que le decía a (ex presidente Duarte Frutos) Nicanor: cambiar el tratado significa hacerlo pasar por el Congreso Nacional y no pasa. En el Parlamento brasileño no aceptará discutir esa cuestión. Hay otras formas en que Brasil puede ayudar a Paraguay. Los brasileños tenemos que asumir que tenemos responsabilidades con Paraguay.

Hay una propuesta del presidente Rafael Correa de que el ex presidente Néstor Kirchner presida el Unasur ¿Brasil apoya?

Estamos de acuerdo.

Usted dijo que para que Brasil y Argentina inviertan en Bolivia se necesitan seguridades jurídicas internacionales ¿Qué significa eso en el contexto actual de problemas internos bolivianos?

Cualquier inversión que podemos hacer en Bolivia no tiene ninguna implicación en la disputa política interna de ese país. Estoy convencido que cualquier país tiene más chances de progresar y de crecer económicamente si estuviera tranquilo y en paz. Si uno gasta la mitad de las energías para los conflictos internos, tendremos menos capacidad productiva para pensar un futuro para nuestro país.

Hubo dificultades con Bolivia…

Cuando Evo asumió, tuvimos problemas con él. Pero no hubo ninguna reacción de nuestra parte a no ser las concesiones que Evo quería. Porque los conservadores brasileños querían un Brasil duro con Evo Morales. Entre tanto, él quería la refinería y se la vendimos. Quería aumentar los impuestos y nosotros aceptamos. No olviden que yo nací en la política creyendo que las riquezas del suelo y del subsuelo son de soberanía del país. En aquel momento sugerí a Evo: “Mira compañero, no es suficiente con hacerse cargo de los lugares, es preciso tener tecnología para explorar porque si se queda sentado encima del gas, él no produce riqueza para nadie”. Fue entonces que fui a La Paz e hicimos un acuerdo de inversiones y lo vamos a cumplir. Es obvio que cualquier empresario argentino que fuera invitado a invertir en Brasil, en Bolivia, en Venezuela y en Ecuador, va a realizar la pregunta de rigor: ¿cuál es la garantía?. Un empresario que va a invertir quiere un retorno de su inversión. Creo que Evo Morales tiene todas las posibilidades de conducir Bolivia para una política que no existió en todo el siglo pasado: de más justicia social, de ayudar a la parte más pobre de la población. Ahora, es preciso combinar esa voluntad y esa determinación con la política de desarrollo del país porque si no, usted no tiene qué distribuir.

Brasil, que tiene un desarrollo tan pujante ¿podría jugar un papel al estilo de Alemania en la Unión Europea, con Bolivia o ahora Paraguay donde resuena la inestabilidad y denuncias de golpismo?

Déjeme decirle una cosa. Ustedes siguieron la crisis brasileña de 2005 y nunca me oyeron hablar de golpe. Nunca. Yo tenía claridad de lo que querían los conservadores de este país. Sabía que una pequeña parcela de la elite brasileña no se conformaba con que yo hubiera llegado al poder. Tenía claridad sobre lo que querían los partidos de oposición y en vez de quedarme diciendo que era un golpe fui completamente político con ellos. El resultado es que nosotros estamos aquí y Brasil vive el mejor momento histórico. Es casi un momento mágico, donde se combina crecimiento económico con distribución de renta, donde mejoró la calidad de vida de los pobres y muchos se elevaron a la condición de clase media. Por otro lado tenemos reservas en el Banco Central de más de 200.000 millones de dólares y no le debemos nada más al FMI. O sea, yo diría que estamos viviendo un momento glorioso. A las inversiones contratadas de obras planificadas. habrá que sumar inversiones por causa de la Copa del Mundo de 2014. En marzo de 2009 hacemos la licitación del tren bala que vincule Río, San Pablo y la ciudad de Campinas. Brasil había pasado 22 años sin construir un nuevo polo siderúrgico; ahora vamos a construir 5. Brasil no tenía desde hace 18 años una nueva fábrica de cemento; ahora tenemos 10 grandes y varias pequeñas en construcción.

Y alguna en Argentina….

También alguna en Argentina para que Brasil pueda adquirir el excedente y Argentina exportar para Brasil. Todo lo que deseo en la vida es que Brasil y Argentina crezcan cada vez más y uno pueda vender para el otro.

El Mercosur está buscando una asociación con Africa, ¿por qué el objetivo en ese continente?

Miren, Africa tendrá en 30 años 1.300 millones de habitantes. Y si el continente continúa pobre como hasta hoy, no habrá océano Atlántico que evite la inmigración. No tenemos que aceptar que nos pase en el futuro lo que ocurre hoy en Europa, que no deja entrar a nadie que no tenga ojos verdes. Porque si sigue así, dentro de poco argentinos y brasileños no querremos que negros africanos visiten nuestros países. Pero además, fíjense que Angola crece a 20% anual, todos los países africanos están creciendo. Y nuestros empresarios precisan descubrir los nichos de oportunidades. Mientras miramos a Europa y Estados Unidos, los chinos ocupan Asia. No hay un único país en el mundo donde usted va donde no encuentre chinos en los hoteles, en las calles, en los bares y restaurantes. No hay lugar que tenga materia prima donde el presidente de China no haya estado. Y nosotros estamos parados.

¿Qué se debería hacer?

Precisamos hacer lo mismo que hicieron nuestros descubridores: buscar nuevos socios de nuestros mercados y vender lo que producimos a quienes nos puedan comprar. No vamos a vender máquinas en Alemania porque este país tiene más tecnología que Brasil. Argentina tampoco puede vender sus máquinas en Francia. Pero sí podemos vender en Angola, Africa del Sur, Mozambique, Ghana, en el Congo, en Argelia, en Nigeria. Lo que nosotros precisamos es hacer el papel del turco que va casa por casa vendiendo sus productos hasta que la dueña de casa decide comprar. Argentina también tiene que hacer eso. Yo le dije a la presidenta Cristina: tenemos que hacer dos grandes ferias por año, una en Buenos Aires y otra en San Pablo, con música, comida, teatro. Nosotros estamos muy distantes.

¿Cómo se logra eso en el poco tiempo que tienen los presidentes para ejercer mandatos?

Un mandato de presidente es muy corto. Parece largo para la oposición, pero para el oficialismo cuatro años pasan muy rápido. Por eso, no hay tiempo que perder. Es preciso trabajar con mucho ahínco. Por eso, tenemos que trabajar para que haya acuerdos entre los bloques asiáticos, africanos y el Mercosur. Tenemos que tener mucha urgencia, porque las cosas demoran en ser aprobadas por los Congresos. Yo no me conformo con llegar a un país pobre de Africa, que está más cerca nuestro que de EE.UU. o de Japón, y sin embargo ellos compran autos norteamericanos. Eso es porque no les vamos a vender, no insistimos. El desafío no es quedarnos esperando que nos vengan a comprar.

07/09/2008 - 10:58h Lula y su “momento mágico”

http://www.clarin.com/suplementos/zona/2008/09/07/thumb/tapa_zona.jpg
Por: Ricardo Kirschbaum
Fuente: EDITOR GENERAL DE CLARIN

Está convencido del “momento mágico” que vive Brasil. Más que eso, está embelesado de que ese “momento mágico” ocurra en su tiempo y, aunque lo intenta esconder en un tono modesto, que haya sido obra de “este tornero metalúrgico” como él se describe a sí mismo. Lula da Silva está encendido, entusiasmado con el Brasil contemporáneo. Pero, por sobre todo, está decididamente seguro que el futuro próximo mostrará un país distinto, moderno y mucho más justo que el actual. Hasta parece convencido cuando incluye a la Argentina en esos tiempos venturosos que espera ver antes de partir.No es un cumplido la inclusión de Argentina, como no lo fue la elección de un detalle, como su corbata celeste y blanca, que exhibía descuidadamente para que los cronistas tomaran nota, ni la referencia crítica al entrenador brasileño de fútbol, Dunga, por la pobre actuación de su equipo en las Olimpíadas que ganó la Argentina.

Educado, también felicita por eso. En el extenso reportaje que concedió a Clarín, que reproducimos en esta edición y en la de mañana, Lula habló como un hombre siente que puede trascender como la bisagra histórica que puso a su país como una potencia mundial. Habla de los planes, del volumen de la inversión (900 mil millones de dólares), de los pasos que hay que dar para no perder el tren de la Historia. Parece un hombre que se ha desprendido del pasado, de su pasado, pero que no olvida sus orígenes metalúrgicos y de sindicalista.Recuerda que estuvo treinta años en la trinchera de la oposición y de la izquierda. Y que en el poder se dio cuenta que la negociación y la búsqueda radical de acuerdos ha sido más valioso que la crispación y el enfrentamiento, quizás un mensaje al gobierno de un país limítrofe al que no se cansa de llamar socio, aliado. No hay otro camino para Brasil y la Argentina, dice este pernambucano, con un discurso sólido, cuando explica que hay que pensar en la región, más que en agradar a los Estados Unidos o a los europeos.
Cree que si somos internamente fuertes y desarrollados, si estimulamos nuestro potencial sin prejuicio, si trabajamos todos los días como lo hace un tornero o un vendedor ambulante para ganarse el pan, seremos respetados y considerados en el mundo.

Hay voces, sin embargo, más crudas y más duras: Brasil no quiere asociarse con la Argentina; quiere comprarla, dicen otros.Lula recibió a Clarín horas después de haberse reunido con un grupo de cartoneros en Belo Horizonte. Y confiesa en ese ambiente se siente cómodo, con ellos sigue siendo Lula. Es más: planea una gran concentración de los sectores más pobres y desfavorecidos para agradecerles el apoyo y su paciencia en la redistribución de la riqueza que no llega a la velocidad que desearía. No le preocupa la oposición porque, explica, ésta tiene una tarea: evitar que el gobierno tenga éxito. Dice que es comprensible, es la naturaleza de la política: un combate de opuestos que debe resolverse con racionalidad e inteligencia.

Cristina Kirchner estará hoy en Brasilia, en los fastos por la independencia de ese país. Mañana se encontrará con Lula para firmar acuerdos y para mostrarse en un ambiente internacional amistoso, algo que no es frecuente para la Presidenta argentina. Argentina debe decidir qué quiere hacer por sí misma, si convertirse en Canadá agropecuario de su poderoso vecino o buscar un destino de autonomía inteligente, en un mundo y en una región en que las oportunidades se abren muy ocasionalmente.

05/08/2008 - 11:33h Exportação do Brasil para Argentina sobe 514% desde 2002 e leva investimentos

EFE
Brasil e Argentina
Lula e Kirchner brindam às novas relações comerciais

Sergio Leo, VALOR de Brasília

A Argentina que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de visitar com uma missão de centenas de empresários é mais que um dos principais parceiros comerciais do Brasil: é o mercado para o qual o Brasil mais aumentou exportações, em termos absolutos, entre 2002 e dezembro de 2007. Foram US$ 12 bilhões a mais em vendas do que em 2002. Mas é a crescente importância dos investimentos brasileiros no mercado argentino o que mais desperta a curiosidade do próprio governo, que busca, ainda, dados confiáveis sobre a dimensão desses projetos no país vizinho.

Um levantamento informal e ainda incompleto realizado pelo governo brasileiro constatou que empresas brasileiras detêm, hoje, quase um quinto do setor siderúrgico argentino, 42% do setor de cimento, pouco mais de um quarto do têxtil, cerca de 40% do setor de calçados, 38% da produção de alimentos, quase 30% da indústria de carne. Se a belgo-brasileira Ambev for contabilizada na conta do capital verde-amarelo, quase 40% da vizinha indústria de bebidas está em mãos brasileiras. A valorização do real facilita as iniciativas das empresas do Brasil que têm no mercado da Argentina um alvo ideal para internacionalizar as atividades.

Os investimentos anunciados pelos brasileiros na Argentina (somando a compra da cervejaria Quilmes, pela Ambev) entre 2002 e 2007 chegam a US$ 14,6 bilhões, segundo o governo brasileiro. Nesse período, segundo o Banco Central argentino, o investimento estrangeiro direto com origem no Brasil aplicado na Argentina somou pouco menos de US$ 5 bilhões. Só em 2007 quase 55% dos mais de US$ 2,2 bilhões investidos foi usado em aquisições de firmas já existentes e pouco menos de 32% em empreendimentos novos. O restante foi destinado a ampliação de instalações, joint-ventures e contratos de terceirização.

Há enorme preocupação, por parte do governo Lula, de evitar que essa ocupação de mercado seja recebida como uma “invasão” pelos argentinos, que se queixam ao governo de Cristina Kirchner da falta de instrumentos de apoio à indústria como o BNDES. Os empresários que acompanharam Lula foram orientados a concentrar conversas em oportunidades de associação com firmas locais.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a quem o governo pediu ajuda na organização da viagem, tem planos para uma nova missão comercial a Buenos Aires em setembro, em que haverá reuniões com possíveis parceiros em investimentos na Argentina.

Em termos proporcionais, a Argentina também foi o país, entre os 15 maiores parceiros comerciais do Brasil, que mais aumentou as compras de produtos brasileiros – 514% – entre os anos de 2002 e 2007. Neste ano, no primeiro semestre, o aumento nas exportações foi de quase US$ 2 bilhões, 36% acima do valor registrado no mesmo período de 2007 – as importações também cresceram, pouco menos de US$ 1,5 bilhão, e o aumento foi insuficiente para reduzir o enorme superávit comercial dos brasileiros com a Argentina, que, entre janeiro e julho, acumula US$ 3 bilhões em favor do Brasil. Nos últimos três anos, esse saldo ficou em torno de US$ 4 bilhões.

O comércio com a Argentina é um dos mais vigorosos e o crescimento do saldo em favor do Brasil persiste, apesar dos esforços do governo para estimular um maior volume de compras no mercado vizinho. Nos últimos dois anos, o saldo comercial do Brasil com o mundo caiu 42%, mas tem crescido com os países do Mercosul, especialmente com a Argentina. O saldo com os vizinhos equivale a um quinto de todo o superávit comercial de US$ 11,3 bilhões do Brasil, no primeiro semestre.

Os atritos comerciais que permanecem, em setores como calçados, eletrodomésticos da linha branca e trigo, têm sido negociados e mantidos na esfera técnica, em comissões de monitoramento do comércio. Diferentemente do passado, pelo menos por enquanto, as disputas e divergências não chegam mais aos palácios de governo, e as queixas de empresários, como os moinhos de trigo brasileiros, prejudicados pelas distorções de custos na comercialização do trigo argentino, deixaram de azedar os encontros presidenciais entre os dois principais sócios do Mercosul.

27/04/2008 - 10:48h ‘Ainda falta muito a ser feito’

http://www.inadi.gov.ar/uploads/imagenEnTexto_217.jpg   CORPO A CORPO FLAVIO RAPISARDI

O Globo

BUENOS AIRES. O escritor e filósofo argentino Flavio Rapisardi é um dos principais ativistas do país em matéria de direitos dos homossexuais. Atualmente, Rapisardi é secretário de investigação da Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans e coordenador do Fórum da Sociedade Civil do Instituto Nacional contra a Discriminação do governo argentino, organismo que integra o Grupo Técnico de Diversidade Sexual do Mercosul.

“Os governos progressistas da região estão investindo e avançando e políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa”, disse Rapisardi ao GLOBO. O ativista é um dos autores da lei de união civil aprovada em 2003 na cidade de Buenos Aires, a primeira da América Latina a adotar uma legislação a favor da diversidade sexual.

O GLOBO: A América Latina avançou na defesa dos direitos homossexuais?

FLAVIO RAPISARDI: O eixo integrado por Brasil, Argentina e Uruguai é muito progressista e está adotando mudanças muito favoráveis.

Nos três países existem planos nacionais contra a discriminação.

No caso argentino, o plano inclui um capítulo dedicado à diversidade social e o governo do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) pediu ao Congresso que o transformasse em lei. Esse plano inclui iniciativas como uma lei de casamento homossexual e adoção de crianças.

Qual é a estratégia a seguir nos próximos anos?

RAPISARDI: Queremos seguir o mesmo caminho da Espanha, que é nosso principal modelo. Primeiro aprovar legislações regionais e depois partir para uma lei nacional.

Já temos a união civil em três cidades argentinas e em breve teremos a aprovação na província de Buenos Aires. Nossa idéia é, até o fim deste ano, contar com uma lei nacional.

Qual é o principal ponto de debate no país?

RAPISARDI: Um dos mais discutidos é o projeto de adoção.

Ainda falta muito a ser feito, mas não podemos deixar de reconhecer que o Mercosul e a União Européia são os únicos blocos que criaram grupos técnicos para tratar a questão da diversidade sexual. Já não é tão fácil gerar violência a partir da discriminação sexual na maioria dos países latino-americanos.

Em muitos países temos uma boa base de jurisprudência, já que existem muitos casos em que juízes latino-americanos respeitaram a diversidade sexual.

Trata-se de uma massa crítica que dentro de alguns anos nos ajudará a alcançar nossa principal meta, que é a igualdade jurídica.

Em que países do mundo existe a igualdade jurídica para os homossexuais?

RAPISARDI:
O único país em que há igualdade jurídica real é a Espanha. É importante dizer que, além de igualdade jurídica real, precisamos de mais políticas públicas, instituições dedicadas ao assunto e, sobretudo, avanços legislativos. Os governos progressistas da região estão investindo e avançando em políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa.

Em outros países, como Peru, Chile, Costa Rica e Paraguai, o peso dos setores conservadores ainda impede a implementação de mudanças em matéria de diversidade sexual. ( J. F.)

07/04/2008 - 13:57h Nicolás Casullo: “a briga dos Kirchner com a mídia é positiva”

El pensador argentino sostiene en Las cuestiones (Fondo de Cultura Económica) que las utopías pertenecen al pasado. En esta entrevista, dice que el fracaso de la revolución socialista ha cancelado en cierto modo no solo el futuro de las sociedades, sino también el de la historia. Pero las marcas de esa tradición han hecho que en la Argentina subsista un fuerte sentido de reivindicación social


Casullo Foto: Rafael Calviño

Por Alejandra Folgarait – Para LA NACION – BUENOS AIRES, 2008

En una vieja casa con escaleras de mármol que se resiste a formar parte del Barrio Norte porteño, Nicolás Casullo tiene su hogar y su escritorio tapizado de libros. Con amabilidad y calma que contrastan con su fama de polemista rebelde, recibe a adn CULTURA en un día caluroso. En cuanto se sienta en su sillón de trabajo, el hombre de letras rinde homenaje a los autores que ama: Sartre y Cortázar, Martínez Estrada y Faulkner, Marx y Borges, Macedonio Fernández y Shakespeare iluminan la mirada del profesor de Historia de las Ideas y de Historia del Arte de la Universidad de Buenos Aires y de la Universidad de Quilmes.

El autor del libro Las cuestiones (FCE, 2007) recupera el concepto de memoria para ubicar la utopía no en lo que vendrá sino en el pasado, en esos aconteceres que narran con distintas voces lo vivido. En esa memoria histórica, que puede remontarse tanto a Antígona como a la Revolución Francesa o los años setenta en la Argentina, Casullo busca desentrañar los problemas latentes del país y del mundo. Desde una perspectiva sociológica y filosófica, el erudito apasionado por el fútbol pronostica que los medios de comunicación serán el tema central durante los próximos 25 años.

-Escribir un libro de ensayos de 500 páginas en una época en la que apenas se lee por Internet ¿es un acto de audacia o de resistencia?

-Hay una audacia, porque no es un remedio que alguien está pidiendo. Nadie le pide a uno que escriba. Hay cierta soberbia en el autor que dice: “Tomá, acá tengo 500 páginas, y me las tenés que leer porque yo pienso esto”, en una sociedad a la que hasta los textos de los diarios le parecen un poco largos. Siempre digo que es una resistencia romántica. Porque los románticos resistían sabiendo que iban a perder, iban a ser derrotados. Pero ellos querían dejar testimonio de que habían dado batalla. Cuando viene el mundo moderno, con sus máquinas y sus técnicas, el romántico que ama los grandes valores tradicionales enfrenta ese mundo sabiendo que va a perder. El libro tiene algo de esa resistencia, de plantear cosas y saber que, frente a otras cosas potentes, va a ser arrasado, que es una gota en el mar. Es que la tarea intelectual es básicamente confrontar, partir siempre de que hay cosas en el mundo que lo hacen injusto, irracional y que habría otra posibilidad de mundo. Entonces uno insiste.

-En Las cuestiones usted sostiene que el futuro queda cancelado cuando la revolución es derrotada, ya que era la revolución marxista la que planteaba un horizonte a la humanidad. ¿Cómo se piensa ahora, entonces, lo que vendrá?

-En términos personales, lo pensamos siempre por esa pasión humana por la que nos vemos en la vida: nos vemos casados, nos vemos pensando que el hijo va a ser más grande en términos personales, el futuro nunca está cancelado. En términos de situarnos en una cultura, en una civilización, sí está bastante cancelado. Porque la revolución, la revolución socialista, adscribiera uno a ella o no, era la forma en que la modernidad iba a resolver su propia invención, en un mundo donde, además de los adelantos técnicos, todo se iba a realizar en igualdad, fraternidad, en el fin de las diferencias entre los hombres. Eso estaba ahí latente: la idea de que el mundo marchaba hacia una mayor igualdad. Hoy podemos decir que el resultado de esa revolución fue tan catastrófico que no el futuro sino el desarrollo de la historia está cancelado. Hoy no existe en el mundo una respuesta para la pregunta “¿Hacia dónde vamos?”. Es una situación confusa. La historia perdió un sentido muy fuerte. Hoy la historia es lo que hay, como dicen los jóvenes.

-¿Esto afecta tanto a la derecha como a la izquierda?

-Sí, exactamente. La izquierda era la que asumía la responsabilidad y el compromiso de un mundo posterior al capitalismo, un mundo que, como decía Marx, iba a ser el pasaje de la prehistoria a la historia definitiva. Una cosa casi bíblica, un camino hacia la realización plena de la humanidad. Hoy eso lo tenemos más en duda. Hoy no sabemos si la historia tiene un sentido. Tampoco sabemos si la historia se realiza con una felicidad para todos, como decía el liberalismo. O con una igualdad general, como decía el Estado de Bienestar keynesiano. Esto no está muy pensado. Seguimos viviendo como si siguiese existiendo. Y si nos damos cuenta de que no existe más, nos distraemos un poco y hablamos de otra cosa.

-¿Y Cuba?

-Cuba creo que forma parte de la misma crisis de este paradigma. Creo que es un ejemplo de todo el recorrido de esta historia que culmina en la revolución como pasado. Hace 30, 35 años, aparecía como un elemento fuerte de vanguardia en el cambio histórico. Acontecidos estos años, no solo Cuba sino también la Unión Soviética, China y las izquierdas derrotadas en América latina -tanto las violentas como las no violentas- forman parte de ese derrumbe de un paradigma, de un horizonte fuerte que impulsaba. Ojalá que Cuba pueda asumir un socialismo de corte plural. De todos modos, creo que la idea de que la revolución estaba adelante permitió, con sus errores y horrores, hacer crecer los reclamos y las conquistas de masas. Y también ese modelo ayudó a afianzar la democracia, a integrar masas marginadas en el escenario de la historia y a lograr conquistas sociales que mi abuelo no hubiera concebido lograr. Por ejemplo, la Argentina es un país de enorme capacidad de reivindicación social.

-¿Hoy dónde está puesta esa capacidad?

-Se la ve permanentemente. No es una sociedad que se calme, que acepte. Es una sociedad con un fondo de justicia y de reclamo social muy fuerte y muy consciente, que no retrocede en sus demandas, a menos que venga una dictadura. En democracia, es una sociedad donde si dos chicos mueren porque no hay un semáforo, ahí hay quinientas personas reclamando un semáforo. Es una sociedad que se destaca en ese sentido del resto de América latina. Yo he conversado allá por 1998 con piqueteras jujeñas que estaban toda la noche en la ruta con las antorchas y decían: “Yo quiero que mis dos hijos vayan a la universidad, por eso estoy peleando”. En otros países de América Latina, nadie va a escuchar ese reclamo. En este sentido, creo que hay que revalorizar lo que de justicia social y de política de conciencia planteó el peronismo.

-¿Esa es la herencia del peronismo?

-Es un piso en el cual los ya no peronistas o los jóvenes que no vivieron el peronismo dicen: “Yo esa injusticia no la voy a padecer”. Lo mismo ocurre con cualquier reclamo. Las protestas que hay en las ciudades de este país por la violencia son una herencia de la típica protesta social del peronismo. Es la lógica: se sale y se protesta y se reclama. Y yo tengo derecho.

-Hoy parece encarnarse esa protesta en los piqueteros

-Hay piqueteros que son hacendados, que también salen a cortar las rutas. Salen [los argentinos] con Blumberg, salen con el piquete, salen porque en la escuela apareció un olor raro, porque hay un violador en el barrio. Eso tiene un fondo, tiene una historia en 1945 que generó una conciencia, un piso de protesta muy fuerte. Hay un reclamo de justicia permanente.

-También puede verse como una queja permanente, típicamente argentina, y una incapacidad de hacer, de formular soluciones en vez de protestar tanto.

-Sí, exactamente. También hay otras circunstancias dignas de ser atendidas, como la victimización. Parece que la víctima tiene un derecho superior. La indignación se transforma en una verdad y no necesariamente es así. Una madre puede estar reclamando indignada, expresando un dolor que le comprendo, pero puede no tener la verdad. Hay un producto de una Argentina que se siente víctima, que fue víctima de violencia, de guerras perdidas, de frustraciones democráticas, que ha hecho de la victimización una ideología peligrosa. Si todos nos ponemos en el espacio de víctima, es casi imposible gobernar la Argentina, porque estamos reclamando algo de manera patológica.

-¿Tiene esto relación con el tratamiento que les dan los medios de comunicación a las víctimas de robos, accidentes, asesinatos?

-Sí, totalmente. Soy un investigador en medios de comunicación y puedo decir que tienen una llegada mucho mayor que un senador, un diputado o el propio presidente. En ese sentido, encuentro una enorme irresponsabilidad, una enorme falta de compromiso, una enorme incapacidad de educar, de formar. Más bien veo una competencia por ver quién encuentra en el peor momento al peor sujeto para que diga las peores cosas, a los gritos, y con eso tiñe el día. El día se transforma en el asesinato de una muchacha o en un motoquero caído. Hay una búsqueda permanente de la víctima. Y más: muchas veces es la víctima la que cuenta todo, la que da la noticia. Lo que no es víctima es aburrido, es chato.

-Pero los medios también reflejan una sociedad que busca ese tipo de noticias

-Ya no estamos en etapa de los medios como cuarto poder, como importantes. Hoy estamos en una sociedad mediática. Los alumnos de la facultad esperan a los canales de televisión para salir a hacer una marcha, y son cien, no tienen por qué ser mil. Lo mismo el tipo que va a ser entrevistado: no se asusta del canal; por el contrario, dice: “Vení que yo te voy a contar cómo fue”. Una sociedad mediática es una sociedad cuya única lógica es lo mediático, solo puede hablar de algo que está mediado. Hablamos de algo que vimos en televisión o escuchamos en la radio. Y todo el tiempo estamos predispuestos a intervenir en eso. En una sociedad mediática, lo que menos importa es lo que dice el diputado. El problema de una sociedad mediatizada es el del narrador omnisciente: alguien te está escribiendo la historia y vos no te das cuenta. Los medios son como la verdad natural. Pero deben rendir cuenta de lo que están haciendo.

-También cada uno elige cómo le cuentan la historia. Por eso compra un diario y no otro .

-Eso, en la prensa gráfica. Pero en la televisión, es una misma lógica la que atraviesa todo. Los medios de comunicación son la gran temática de los próximos 25 años. De acuerdo con cómo encaren los medios su propia responsabilidad informativa y formativa, va a haber sociedades patologizadas o sociedades sabias. Y ahí adentro va a estar el político, como un dato más.

-Si vivimos por los medios y para ellos, ¿cómo se puede actuar fuera de su lógica?

-Es muy difícil. La sociedad de masas, acelerada, tecnificada, con crisis brutales, parecería que necesitara de un adormecimiento, de entretenimiento, de vaciado, que lo dan los medios. Por otra parte, los noticieros de televisión son los que hoy manejan la tragedia, con sus locutores ubicados allá lejos y arriba, como en el Olimpo. El noticiero es el gran teleteatro diario. La política aparece en un 10 a 15% del contenido. El 85% restante es la mujer muerta por el marido, el choque violento, una protesta. Creo que es una falta de cultura periodística, que no se ve en otros noticieros del mundo. La CNN puede mostrar catástrofes en todo el mundo y no lo hace. El noticiero argentino es populista en el peor sentido de la palabra; es agitador.

-En su libro, valora como positiva la pelea de Kirchner con los medios para ver quién impone la agenda pública. ¿Es así?

-Claro, yo creo que el gran logro de Kirchner es que volvió a hacer presente el sillón de Rivadavia. Dijo: “Esta es la política”. La política está por encima de los ganaderos, de los formadores de precios, de las empresas privatizadas. Lo hizo en una Argentina donde todo estaba invertido, todo eran lobbies , donde la política tenía un peso nulo. Si mañana es presidente Macri, va a hacer lo mismo. Es un corte epocal. Es decir: “El que está en la Rosada tiene el poder”. En particular, tiene el poder sobre los grandes poderes en la Argentina: el gran empresariado, el establishment , la Iglesia, las Fuerzas Armadas. En este sentido, me parece que Kirchner le devolvió al sillón de Rivadavia una estatura, una jerarquía que en la Argentina no había. Gobierna la política. Y hay que discutirles la agenda a los medios, que no pueden ser los partidos opositores.

-¿En qué medida el populismo tiene que ver con el peronismo?

-En mucho. El peronismo fue una experiencia populista fuerte, que generó formas de actuación y, sobre todo, una relación con la idea de pueblo, de sociedad, que en la Argentina es muy precisa. El peronismo santificó al pueblo. Para bien o para mal, lo puso como una figura donde acontece la verdad. Esto es típico del populismo: la idea de que el pueblo tiene la verdad. Hoy los medios inventaron una palabra: lagente . Es la gente la que tiene la verdad. Eso es lo que yo llamo populismo y hoy podríamos decir que todos somos populistas. Hay una historia latinoamericana muy fuerte en relación con los caudillos, la constitución de la política a través de la figura, la masa, el síganme. Yo defiendo el populismo latinoamericano más allá de sus errores porque pienso que es la única historia popular que tuvo América latina.

-¿Y el kirchnerismo?

-El kirchnerismo es un populismo que trata de dejar atrás el populismo. Es muy difícil situarse dentro del peronismo sin plantearse las viejas formas populistas que constituyen la historia. Hay una intencionalidad, pienso, de organizar el Partido Justicialista en términos más modernizados, con internas Creo que le conviene al país que el peronismo se discipline, se parezca un poco a un partido socialdemócrata, porque sino, es un movimiento imprevisible.

07/04/2008 - 02:35h Imagem

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EM MARCHA. CRISTINA KIRCHNER, ONTEM, EM PARIS, ARVORANDO UM CARTAZ POR INGRID BETANCOURT, NA MOBILIZAÇÃO QUE FOI DA ASSEMBLÉIA NACIONAL ATE OPERA.

02/04/2008 - 03:31h Cristina põe base na rua contra locaute

Piqueteiros pró-governo e militantes peronistas lotam praça de Maio; país proíbe exportação de carne

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ADRIANA KÜCHLER – FOLHA DE SÃO PAULO

DE BUENOS AIRES

No 20º dia do locaute agropecuário que levou ao desabastecimento de alimentos em toda a Argentina, a presidente Cristina Fernández de Kirchner fez um novo pedido para que os produtores agrícolas liberem as estradas bloqueadas por piquetes há três semanas.
Desta vez, o chamado foi feito diante de milhares de manifestantes, entre grupos piqueteiros aliados à Casa Rosada e movimentos peronistas, que se reuniram na praça de Maio em um ato de defesa e demonstração de força do governo.

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No discurso, Cristina criticou os líderes agropecuários. “Como se pode representar o povo e orgulhar-se de desabastecê-lo?”, indagou a presidente. “Nunca vi tantos ataques a um governo eleito pelo povo.”
Essa foi a quarta fala da presidente em uma semana. Na terça-feira passada, um duro discurso de Cristina agravou o locaute, reação do setor agropecuário ao aumento de impostos sobre a exportação de grãos.
Em rara declaração pública desde que deixou o cargo, em dezembro, o ex-presidente Néstor Kirchner fez coro aos discursos da mulher e sucessora, dizendo ontem à imprensa que “a democracia não se discute com atos de extorsão”.
Na praça de Maio, vários “manifestantes” levavam pedaços de pau sem bandeiras. Policiais, de longe, informavam que não agiriam por não terem recebido ordens para tanto.

Desabastecimento

Diante da escassez de alimentos, o governo decidiu ontem impedir temporariamente as exportações de carne bovina para garantir o abastecimento interno. Falta carne em 90% dos estabelecimentos do país.
Como alternativa às estradas bloqueadas, algumas empresas, como redes de supermercados, começaram a alugar aviões da Força Aérea argentina para transportar mercadorias.
Embora se mostre “otimista” em relação ao fim da paralisação agropecuária, o ministro do Interior, Florencio Randazzo, afirmou ontem que os ruralistas “têm o povo como refém” ao impedir que os alimentos cheguem à população.
Os líderes das quatro principais entidades agrícolas, que comandam o locaute, preferiram manter silêncio ontem. Na segunda, o governo havia anunciado um pacote de medidas compensatórias que não agradou aos ruralistas por ser voltado só aos pequenos produtores.