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	<title>Blog do Favre &#187; kirchner</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>&#8220;Kirchner perdeu eleição para construção midiática&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 13:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Filósofo compara De Narváez a Collor e Fujimori, &#8220;direita que se oferece como leve&#8221;
Ricardo Forster admite, porém, que governo Cristina cometeu erros e perdeu contato com a sua base de sustentação popular

DE BUENOS AIRES &#8211; FOLHA SP
À medida que o governo de Cristina Kirchner se enfraquece na Argentina, avança um setor da direita no país [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Filósofo compara De Narváez a Collor e Fujimori, &#8220;direita que se oferece como leve&#8221;</strong></p>
<p><strong>Ricardo Forster admite, porém, que governo Cristina cometeu erros e perdeu contato com a sua base de sustentação popular</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://momento24.com/en/wp-content/uploads/2009/06/de-narvaez.jpg" alt="http://momento24.com/en/wp-content/uploads/2009/06/de-narvaez.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">DE BUENOS AIRES &#8211; FOLHA SP</p>
<p>À medida que o governo de Cristina Kirchner se enfraquece na Argentina, avança um setor da direita no país que explora a lógica dos meios de comunicação e o fim da política tradicional.<br />
Para o filósofo Ricardo Forster, o governo cometeu erros, mas perdeu as eleições legislativas na maior Província do país para um &#8220;personagem construído midiaticamente&#8221; -o empresário Francisco De Narváez-, que compara aos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Alberto Fujimori (Peru).<br />
Cabeça do grupo de intelectuais que apontava risco de uma &#8220;restauração conservadora&#8221; no país em caso de derrota do governo, Forster diz que esse processo ainda não se completou e que o governo ainda tem chance de seu recuperar -mas não a ponto de se manter no poder depois de 2011. (TG)</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Por que o governo perdeu  a eleição?<br />
RICARDO FORSTER </strong></em>- Pelo desgaste  de um longo período. Por erros  ao processar conflitos agudos  da sociedade. Pelo fortalecimento de uma oposição de direita, unida na deslegitimação  do governo pelos grandes  meios de comunicação. O vínculo do governo com a corporação midiática se rompeu em  2007 e agora ele pagou um preço caro por isso.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. crê que o estilo do governo está ultrapassado?<br />
FORSTER </strong></em>- Um dos triunfos do  neoliberalismo foi deslocar a  política para linguagens audiovisuais e publicitárias. Essa  mutação permite que grandes  triunfos da época sejam para os  Berlusconi [Silvio, primeiro-ministro da Itália], os De Narváez, que constroem políticas a  partir da espetacularização. É  uma direita que se apropriou  com astúcia dos meios de comunicação e das novas formas  de subjetividade. Isso o governo não soube fazer.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual é a sua opinião sobre  Francisco de Narváez?<br />
FORSTER </strong></em>- Parece uma figura  como Collor de Mello no Brasil,  [Alberto] Fujimori no Peru.  Uma parte da socidade sente  que ali está o poder, as luzes do  espetáculo, e não importa o que  haja por trás, que seja um personagem construído midiaticamente. Expressa uma visão  reacionária da sociedade, de  uma direita que se oferece como leve, diferente da velha direita autoritária e violenta do  século passado. São produtos  de fácil digestão.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; A eleição expressa repúdio  da sociedade a um estilo visto como  confrontativo?<br />
FORSTER </strong></em>- O governo gestou um  confronto onde as corporações  econômicas querem fixar a  agenda. O conflito está gerado  quando se disputa renda, poder. É preciso diferenciar forma de conteúdo. O governo se  equivocou em várias coisas, deveria ter revisado as estatísticas  oficiais, trocado funcionários,  não soube ler sinais da sociedade, perdeu contato com sua base de sustentação popular.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Há um fim de ciclo do  kirchnerismo ou o governo pode  voltar a se fortalecer?<br />
FORSTER </strong></em>- Se o governo acreditar que não houve derrota, errará. Se recuperar uma visão de  maior abertura, acoplar outros  atores, dizer quais são seus projetos reais, poderá se reestabilizar. Talvez não para 2011, mas  para o futuro. Não me atreveria  a dizer que há um ocaso. É um  momento difícil, um limite a  que chegou, e terá que buscar as  formas de se reconstruir, para  dentro e para fora.</p>
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		<title>Argentina sofre com o cesarismo de Kirchner</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 12:44:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Tomás Eloy Martínez]]></category>

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Tomás Eloy Martínez* &#8211; O Estado SP
A última campanha eleitoral confirmou na Argentina o papel inesgotável do cesarismo nas nações que ainda têm instituições frágeis na América Latina. Ou seja, quase todas.
Se tomarmos a definição de Gramsci, &#8220;o cesarismo expressa sempre a solução arbitrária, confiada a uma grande personalidade, de uma situação histórico-política caracterizada por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://viatolosa.net/wp-content/uploads/2007/10/kirchner-nestor-cristina.JPG" alt="http://viatolosa.net/wp-content/uploads/2007/10/kirchner-nestor-cristina.JPG" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Tomás Eloy Martínez* &#8211; O Estado SP</p>
<p>A última campanha eleitoral confirmou na Argentina o papel inesgotável do cesarismo nas nações que ainda têm instituições frágeis na América Latina. Ou seja, quase todas.</p>
<p>Se tomarmos a definição de Gramsci, &#8220;o cesarismo expressa sempre a solução arbitrária, confiada a uma grande personalidade, de uma situação histórico-política caracterizada por um equilíbrio de forças de perspectivas catastróficas&#8221;.</p>
<p>Para o marxista italiano pode haver cesarismos progressistas, como os de Júlio César e Napoleão, ou reacionários, como os de Napoleão III e Bismarck. Mas, em todos os casos, trata-se de uma saída chefiada por um líder militar, embora não apenas militar, de uma situação excepcional.</p>
<p>A América Latina tem sido fértil em autocratas de grande popularidade, os quais, nos tempos modernos, foram expandindo e afiançando seu poder mediante o controle da corrupção, da polícia e da faculdade de repartir os recursos do Estado segundo sua conveniência.</p>
<p>Não há maior símbolo de cesarismo democrático do que o regime do venezuelano Juan Vicente Gómez. Um de seus ministros, Laureano Vallenilla Lanz, estabeleceu a validade do termo em um livro de 1919.</p>
<p>Gabriel García Márquez inspirou-se em Gómez para criar o personagem do ditador em seu romance O Outono do Patriarca. Quando cheguei à Venezuela, em 1975, a figura de Gómez continuava ocupando o centro da imaginação nacional, e agora que encontrou no presidente Hugo Chávez seu melhor discípulo, não passa praticamente uma semana sem que a oposição invoque o termo.</p>
<p>Gómez cresceu ao lado de seu predecessor, Cipriano Castro, que iniciou o século 20 enfrentando uma poderosa ameaça internacional por não poder pagar a dívida contraída com empresas estrangeiras que haviam sido expropriadas.</p>
<p>Navios de bandeira inglesa, italiana e alemã bloquearam o porto de La Guaira, em 1902, mas a Venezuela conseguiu evitar a asfixia invocando a Doutrina Drago, que defende a ilegalidade da cobrança violenta de dívidas por parte de grandes potências em detrimento da soberania, estabilidade e dignidade dos Estados fracos.</p>
<p>Ao se tornar o líder do nacionalismo, Gómez pôde dar o salto para a vice-presidência. Quando Cipriano Castro teve de se submeter a uma cirurgia na Alemanha, ele o traiu com um golpe que o instalou na presidência por 27 anos. Ali, na cadeira patriarcal, morreu em 1935.</p>
<p>Seu ideólogo, Vallenilla Lanz, um sociólogo positivista, tentou argumentar que povos como o venezuelano não estavam capacitados para respirar uma atmosfera republicana. Somente um militar poderia tirá-los da miséria e da anomia.</p>
<p>Ele determinou que &#8220;o caudilho constitui a única força de conservação social&#8221; e &#8220;o militar, eleito ou hereditário, é uma necessidade fatal em quase todas as nações da América espanhola, condenadas a uma vida turbulenta&#8221;.</p>
<p>Como eficiente porta-voz da ideologia oficial, Lanz não se refere a Gómez de maneira direta em seu ensaio. Ele se baseia na figura tutelar de Simón Bolívar, que propôs a presidência vitalícia. E escreve que Bolívar &#8220;nunca abrigou a mínima esperança&#8221; de que aquelas &#8220;Constituições de papel&#8221; pudessem estabelecer a ordem.</p>
<p>Seus críticos, como o exilado Rómulo Betancourt, do Partido Revolucionário Venezuelano &#8211; posteriormente presidente constitucional -, o chamaram de &#8220;Maquiavel tropical recheado de papel higiênico&#8221;. Longe de se ofender, Lanz agradeceu a comparação com o autor de O Príncipe.</p>
<p>Chávez não é o único herdeiro da ideia de um César avalizado periodicamente por eleições livres. Decidido a concentrar todo o poder em suas mãos, ele está no governo há dez anos, o mesmo tempo que Carlos Menem.</p>
<p>Figuras como o ex-presidente peruano Alberto Fujimori ou Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, viram na perpetuação presidencial o veículo para moldar seus países segundo seus desejos. Sem falar no líder cubano Fidel Castro, que não conseguiu achar um sucessor que não fosse do seu sangue.</p>
<p>O Brasil superou, com os governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva, a herança do autoritarismo populista de Getúlio Vargas, mas, na Argentina, o exemplo de Perón está impregnado no partido que ele fundou e se confunde com o Estado.</p>
<p>Muito contribuem as torpezas de uma oposição que se mostra menos interessada na construção da democracia do que no assalto aos privilégios da coisa pública.</p>
<p>O ex-presidente argentino Néstor Kirchner, como Gómez, tentou prolongar seus planos de hegemonia alternando-se com seus parentes no governo, como fez ao decidir a candidatura da atual presidente, Cristina, sua mulher.</p>
<p>Agora, Néstor sai em defesa do modelo agitando o fantasma de um conflito de interesses entre grupos e classes que somente uma figura providencial, o César, poderia conter.</p>
<p>&#8220;Tenham bem claro&#8221;, declarou Kirchner antes das eleições realizadas há uma semana, &#8220;que não é mais uma eleição. Ou é a volta ao passado para tentar impor projetos que nada têm a ver com o povo ou é a consolidação de um projeto nacional e popular que devolva a justiça social.&#8221;</p>
<p>De algum modo, esse é o jogo bonapartista, uma das formas do cesarismo. Depois das revoluções de 1848, Luís Bonaparte foi eleito &#8211; no primeiro voto universal na Europa &#8211; presidente da Segunda República Francesa. Suas constantes convocatórias para referendos desvirtuaram a representatividade republicana e consolidaram sua popularidade.</p>
<p>No dia 2 de dezembro de 1851, ele arrasou a crescente oposição monárquica convocando um plebiscito com a pergunta: &#8220;Querem ser governados por Bonaparte? Sim ou Não?&#8221; Um ano mais tarde, após uma reforma constitucional, converteu-se num imperador autoritário.</p>
<p>A presidente Cristina conhece bem a história de Napoleão III, pois citou a obra de Marx O 18 Brumário de Luís Bonaparte, evocando a famosa frase: &#8220;A história se repete, inicialmente como tragédia, depois como farsa.&#8221;</p>
<p>A influência do estilo cesarista de seu marido &#8211; para o qual discordar é trair &#8211; ameaça a estabilidade institucional tanto quanto a falta de ideias da oposição. Do seu púlpito partidário, o ex-presidente Kirchner não vislumbrou outro futuro além do caos ou da continuidade do modelo imposto pela vontade do César. Nada empobreceu tanto na Argentina quanto a imaginação de seus políticos.</p>
<p><strong>* Tomás Eloy Martínez, escritor e jornalista argentino, recebeu recentemente o Prêmio Ortega y Gasset de jornalismo </strong></p>
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		<title>É a política, meu caro</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 12:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Sergio Leo &#8211; VALOR
O veterano Antônio Cafiero, ex-ministro de Juan Perón, contou à Reuters uma explicação habitual do antigo chefe para a curiosa situação política argentina, em que uma disputa encarniçada opôs peronistas a peronistas na eleição realizada ontem: &#8220;Nós peronistas somos como gatos: nos ouvem gritar, pensam que estamos brigando e estamos nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/colunistas/COL-SERGIO_LEO.jpg" align="left" border="0" /><span style="background-color: #ffff99"></span></p>
<p style="background-color: #ffff99">Sergio Leo &#8211; VALOR</p>
<p>O veterano Antônio Cafiero, ex-ministro de Juan Perón, contou à Reuters uma explicação habitual do antigo chefe para a curiosa situação política argentina, em que uma disputa encarniçada opôs peronistas a peronistas na eleição realizada ontem: &#8220;Nós peronistas somos como gatos: nos ouvem gritar, pensam que estamos brigando e estamos nos reproduzindo&#8221;. A piada traz um sotaque lunfardo, a gíria falada no porto de Buenos Aires, mas é infeliz para traduzir o que acontece no país vizinho. É um balaio de gatos essa briga travada pela condução dos destinos da Argentina. E pode sobrar para o Brasil.</p>
<p>O peronismo tem fortes chances de sair sem um líder definido das urnas desta semana. É grande, também, a possibilidade de que o casal Kirchner, que compartilha informalmente o poder presidencial, perca a folgada maioria legislativa, e encontre no Congresso uma resistência maior aos atos da Casa Rosada. Cristina Kirchner decepcionou os que acreditavam que daria à presidência um caráter mais aberto ao exterior, em constaste com o provincialismo populista do marido, que a antecedeu no poder. A situação política argentina, após as eleições deste fim de semana, exigirá uma concentração ainda maior de atenção da dirigente em relação às questões internas.</p>
<p>Alguém falou de Mercosul, por aí? Em 25 de julho, os sócios do Mercosul se reúnem para o encontro semestral dos presidentes. A agenda promete ter como estrelas um tema antigo, e não resolvido, e uma vistosa discussão metafísica.</p>
<p>O tema antigo será a eliminação da dupla cobrança da tarifa externa comum, a aberração do Mercosul que faz com quem um produto, após pagar tarifa de importação ao entrar no bloco, tenha de pagar de novo a tarifa ao ser transportado de um sócio a outro. Numa união aduaneira, como o Mercosul tenta ser há pelo menos 15 anos, um produto importado paga imposto uma vez só, ao entrar, e circula livremente entre os países do bloco. Era a regra que o governo brasileiro esperava adotar no fim de 2008, durante a reunião do Mercosul em Bahia, mas o Paraguai se opôs e as negociações esfriaram. O tema voltará à mesa.</p>
<p>A metafísica fica por conta do que provavelmente os presidentes escolherão para celebrar o &#8220;avanço&#8221; da integração no Cone Sul: a oficialização do novo sistema de eleição para o Parlamento do Mercosul, órgão de muitas e sadias utopias e praticamente nenhum poder real. Após duras negociações foi enterrada a pretensão dos sócios menores de estabelecer um sistema de representação paritária, com igual representação para todos os países. Brasil terá mais cadeiras, Argentina 30% menos e Uruguai e Paraguai serão minoria.</p>
<p>Os protestos dos uruguaios e paraguaios, contudo, fizeram com que fosse reduzida quase à metade a representação prevista para o Brasil, que de 70 passou a 37, entre 2011 e 2014. O Paraguai terá 18, o que significa que, para cada 380 mil paraguaios com direito de eleger um deputado no parlamento, serão necessários 5,2 milhões de brasileiros para ter a mesma representação. Ou seja, para eleger um deputado do Brasil no parlamento do Mercosul são necessários, em brasileiros, o equivalente a quase dois terços da população paraguaia. Difícil imaginar que, com essa correlação de forças, o Brasil dê ao Parlamento muito poder de decisão.</p>
<p>O Parlamento, que será eleito nos países com os congressos locais, não deixa de ser uma maneira de trazer para a discussão comum temas hoje confinados às reuniões de burocratas ou especialistas. Mas o fato de que ele deve ser a maior estrela da reunião dos presidentes mostra bem o impasse em que está metido o Mercosul. Há esperanças no governo brasileiro de que a próxima reunião faça avançar a discussão sobre a dupla cobrança da TEC, com maiores concessões ao Paraguai, e decisões a serem tomadas só no fim do ano, na reunião seguinte.</p>
<p>Uma eleição, na Argentina, de representantes dos grupos de oposição ao kirchnerismo poderia atenuar a forte tendência protecionista do país. Francisco de Narvaez, o exótico candidato da direita peronista, herdeiro milionário habituado a luxos e orgulhoso detentor de duas tatuagens, declarou recentemente à imprensa brasileira que defende para a Argentina uma posição em relação ao Brasil semelhante à do Canadá em relação aos Estados Unidos &#8211; o que foi entendido como uma disposição a um papel complementar e não competitivo em matéria de desenvolvimento industrial.</p>
<p>Ele disputa com Kirchner a cadeira de deputado pela província de Buenos Aires, mas não é concorrente à Presidência, por ser de nacionalidade colombiana; seu candidato é o empresário Maurício Macri, que tem negócios com o Brasil e é adversário ferrenho dos Kirchner.</p>
<p>A Argentina, porém, se seguir os prognósticos e sair dessas eleições sem uma liderança clara, terá grande estimulo para uma guerra de facas no peronismo às escuras, no melhor estilo das paródias de contos gauchescos do celebrado portenho Jorge Luis Borges. Não será um ambiente fértil para que vicejem gestos elegantes da Casa Rosada em direção ao Brasil. Num país em crise econômica, com inflação em alta medida por estatísticas sem credibilidade e grande fuga de capitais, também promete crescer no Mercosul o contencioso entre Argentina e Uruguai, desta vez por causa da liberal política de câmbio do vizinho platino.</p>
<p>Uruguai e Argentina estão até hoje estremecidos por causa da oposição barulhenta dos argentinos contrários à instalação de indústrias de papel nas margens do rio que marca a fronteira. Agora se estranham por causa da resistência uruguaia em aumentar o controle e fiscalização sobre a origem dos dólares que cidadãos argentinos vem tirando ilegalmente do país e, após atravessar de barcas a fronteira para a cidade de Sacramento, depositam em massa nos sigilosos bancos uruguaios, que já sonhou ser a Suíça do Cone Sul. Kirchner tem retaliado o Uruguai nas decisões do Mercosul por causa disso.</p>
<p>O Mercosul, bem sucedido no campo comercial, vem provando que a integração é, essencialmente, uma decisão política. E a política promete desmoralizar, pelo menos no horizonte de médio prazo, o otimismo que os presidentes devem tentar transparecer na próxima reunião do bloco.</p>
<p><strong>Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras</strong></p>
<p><strong>E-mail: sergio.leo@valor.com.br</strong></p>
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		<title>Argentina: esta nueva derecha</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 12:15:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[EL MODELO QUE SIGUEN DE NARVAEZ Y MACRI

Con los resultados en caliente, queda en claro que estas nuevas figuras siguen un modelo sin raíces, surgido de los negocios y supuestamente “eficiente”. Y el gran símbolo de este estilo es un señor italiano llamado Berlusconi.
El modelo del Cavaliere
Por José Natanson &#8211; Página 12
El surgimiento de una [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>EL MODELO QUE SIGUEN DE NARVAEZ Y MACRI</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.pagina12.com.ar/fotos/20090629/notas/nac20.jpg" style="width: 232px" /></div>
<p><strong>Con los resultados en caliente, queda en claro que estas nuevas figuras siguen un modelo sin raíces, surgido de los negocios y supuestamente “eficiente”. Y el gran símbolo de este estilo es un señor italiano llamado Berlusconi.</strong></p>
<p><strong>El modelo del Cavaliere</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Por José Natanson &#8211; Página 12</p>
<p>El surgimiento de una nueva derecha no es un fenómeno limitado a la Argentina, sino una tendencia más general que tiene un origen geopolítico. Entre mediados de los ’80 y principios de los ’90, Estados Unidos decidió que había llegado el momento de dejar que la democracia volviera a América latina. Los brotes guerrilleros y los movimientos populares que en el pasado espantaban a Washington estaban o aplastados o domesticados, y desde 1989 la caída del Muro de Berlín había desactivado el riesgo de que la región siguiera el ejemplo de Cuba y se alineara con la Unión Soviética.</p>
<p>A este Washington más tolerante y democrático se sumó la creciente conciencia internacional acerca de las violaciones a los derechos humanos por parte de las dictaduras, sobre todo en Argentina, Chile y Centroamérica. Y también la imprevisibilidad de los gobiernos autoritarios: al fin y al cabo, fue un militar y no un líder izquierdista quien decidió invadir las Malvinas y declararle la guerra nada menos que a Gran Bretaña.</p>
<p>En el nuevo mundo unipolar, hasta el último rincón del planeta quedó expuesto a la influencia estadounidense, pero era una influencia distinta, más difusa, menos directa. Tras el 11 de septiembre, Washington cerró el círculo de su nueva doctrina de seguridad (el enemigo ya no era el comunismo sino el terrorismo) y desvió su atención a lugares más remotos y urgentes. Esto explica el giro a la izquierda en América latina y el tranquilo ascenso de líderes y partidos que en el pasado seguramente hubieran sido bloqueados por Estados Unidos mediante la desestabilización o el golpe de Estado. Y esto explica también que esté surgiendo, más lenta y dificultosamente, una nueva derecha.</p>
<p>Es nueva porque es democrática: aunque la tentación de la desestabilización y el golpe están presentes, sobre todo en los países institucionalmente más frágiles y económicamente más concentrados, como Bolivia, insistamos en que el componente democrático tiene un sentido más profundo y estructural: es una derecha que defiende electoralmente los intereses (empresariales, económicos) y valores (estabilidad, orden en las calles, propiedad privada) que en el pasado se imponían por las armas. Esa es la novedad.<br />
<strong><br />
Entrepreneurs</strong></p>
<p>El progreso individual y el ascenso como fruto del esfuerzo son desde siempre valores importantes para la derecha, que no sólo no reniega del individualismo, sino que incluso lo considera un motor clave para el progreso de la sociedad (lo cual explica, según la famosa tesis de Norberto Bobbio, que la derecha acepte las diferencias sociales, es decir la desigualdad, lo cual produce a su vez una visión definida del balance Estado-mercado y del rol de este último en la economía y en la sociedad). Así, frente a una izquierda que tradicionalmente ha buscado a sus líderes en los movimientos colectivos (sindicatos, partidos, asambleas), hoy existe una derecha que ha hecho del mundo empresarial la cantera de la que salen sus dirigentes más taquilleros.</p>
<p>Un rápido recorrido por América latina ayuda a comprobar esta intuición. El próximo miércoles asumirá la presidencia de Panamá Ricardo Martinelli, millonario propietario de la cadena de supermercados Super 99 y –dato a tener en cuenta– el primer presidente desde la recuperación de la democracia que no proviene de los partidos tradicionales. Hace poco menos de un mes dejó la presidencia de El Salvador Elías Saca, un empresario perteneciente al derechista Arena. En Chile, todas las encuestas señalan como el favorito a Sebastián Piñera, el propietario de LAN y poseedor de una fortuna de 1200 millones de dólares (y el único líder importante de derecha que votó por el No a Pinochet en el plebiscito de 1988). Durante seis años gobernó México Vicente Fox, que ingresó a Coca-Cola como supervisor de reparto y fue ascendiendo hasta convertirse en gerente de la división latinoamericana de la empresa. Y ahí está también el pintoresco magnate ecuatoriano Alvaro Noboa, el rey de los exportadores de banano y camarón, que había salido segundo en tres elecciones presidenciales y quedó tercero en las últimas.</p>
<p>Populismo de derecha</p>
<p>La nueva derecha de Mauricio Macri y Francisco de Narváez, que ayer consolidó su primacía en la Capital y ganó la elección en la provincia, es parte de esta tendencia latinoamericana más amplia. Y como el origen de nuestra política hay que buscarlo siempre en Europa, la comparación transatlántica ayuda a explorar algunas claves de este nuevo fenómeno, aunque el paralelismo más pertinente no sea la reaccionaria y dogmática derecha del PP español, ni la sobria centeroderecha socialcristiana alemana ni el tradicional partido conservador británico, sino la nueva derecha italiana que desde hace un par de décadas lidera Silvio Berlusconi. En ambos casos, en Argentina y en Italia, el origen se remonta a un colapso político y el estallido de una crisis de representación, por imperio de las cacerolas (acá) o de la investigación judicial de la Tangetopoli (allá).</p>
<p>Como los líderes de Unión-PRO, Berlusconi es un símbolo de la alianza entre negocios (aunque hay que reconocerle al Duce que él sí hizo su propia fortuna), medios de comunicación (Berlusconi fue el primer empresario televisivo en romper el monopolio de la RAI) y deporte (es el dueño del club Milan). Pero no es sólo el origen empresarial ni la capacidad de expresar la poderosa fusión entre espectáculo, política y deporte lo que emparienta al líder italiano con los jefes del peronismo disidente, sino también una manera particular de entender la política. Desde un carisma muy mediático pero no por eso menos real, los tres han logrado construir una relación directa con el electorado (Berlusconi, pese a todas sus boutades o debido a ellas, es el dirigente más querido de Italia) y afirmar una popularidad que traspasa las fronteras de clase, lo que da forma a una especie de populismo de derecha.</p>
<p>Hay en ellos un fondo común ultrapragmático que les permite moldear su discurso de acuerdo con la necesidad del momento. De Alsogaray o Cavallo podía pensarse cualquier cosa, menos que alguno de ellos propondría, en la misma campaña, eliminar las retenciones, quitar el IVA a los alimentos y extender masivamente los planes sociales –es decir, desfinanciar totalmente al Estado–, como hizo De Narváez en los últimos meses. Y también hay en Macri y en De Narváez, como en Berlusconi, una tensa combinación de conservadurismo y liberalismo, que si por un lado implica una relación cercana con la Iglesia (Berlusconi acompañó a los obispos italianos en su resistencia a la despenalización de la eutanasia y se opone a la legalización del aborto), por otro se traduce en una libertad muy moderna –y en el caso del italiano muy vistosa– de la vida privada.</p>
<p>Estos vacíos y estas tensiones requieren necesariamente un cemento que los unifique más allá de la popularidad de los líderes. Berlusconi lo encontró en el terror a la inmigración norafricana y su campaña para endurecer las leyes, que la semana pasada quedó crudamente comprobada con la violenta expulsión de los gitanos de Nápoles. ¿Ocupará la inseguridad el lugar en el proyecto nacional de Macri y De Narváez que ocupó la inmigración a la candidatura de Berlusconi en 2007? Podría ser, pero sólo podría. Aunque el tema fue uno de los ejes de la campaña y en buena medida explica el ascenso del peronismo disidente en la provincia de Buenos Aires, la experiencia enseña que las elecciones presidenciales suelen estar dominadas por otras cuestiones, de la economía a la política, y que la inseguridad resulta decisiva básicamente en los comicios distritales. Hasta ahora.</p>
<p>Algo más que jabón en polvo</p>
<p>Macri y De Narváez son empresarios y no economistas ultraideologizados, como sus antecesores Alvaro Alsogaray, Domingo Cavallo y Ricardo López Murphy. Quizás por eso, porque provienen del flexible y pragmático mundo de los negocios y no de las consultoras o las cátedras de economía (en sus propias palabras, del mundo de la acción y los hechos y no del mundo de los discursos), ambos han comprendido una verdad esencial que sus antepasados nunca lograron entender: para ganar una elección y gobernar es necesario contar con el apoyo de al menos un sector de los votos y del aparato del peronismo. Y si Menem consiguió en su momento reconvertirse a la derecha luego de una larga y muy tradicional carrera en el PJ (fue gobernador, estuvo detenido por los militares y acompañó a Cafiero en la renovación peronista), los jefes de Unión-PRO avanzan por un camino inverso: su plan es llegar al peronismo desde la derecha y no a la derecha del peronismo. Menemismo por otros medios.</p>
<p>Por eso, el peor error que se podría cometer en la lectura de los resultados de ayer es pensar que la consolidación electoral del macrismo y el ascenso rutilante de De Narváez se explican simplemente por la astucia de la publicidad, el poder de sus millones o la influencia de los medios de comunicación. Desde que en 1952 Dwight Eisenhower se convirtió en el primer candidato presidencial en apelar a los servicios de una agencia de publicidad, el marketing político ha ido ocupando cada vez más espacio en las campañas. Y aunque las primeras teorías hablaban de vender a un candidato como si se tratara de jabón en polvo, desde hace al menos dos décadas sabemos que esto no es posible, que la publicidad y el dinero y la televisión no alcanzan para ganar una elección (aunque sí para otras cosas, por ejemplo para hacer conocido –instalar– a un postulante). Hay miles de ejemplos de brillantes campañas publicitarias y millones de dólares convertidos en unos pocos votos, el último de los cuales fue el patético ensayo presidencial de Jorge Sobisch.</p>
<p>Del mismo modo, si por un lado es cierto que algunos medios de comunicación contribuyeron al ascenso de De Narváez, el consenso mediático tampoco alcanza por sí mismo para ganar una elección como la de ayer. También hay miles de ejemplos de candidatos que, pese a la oposición de buena parte de los medios, ganaron las elecciones (la reelección de Chávez, por ejemplo, o la victoria de Ricardo Lagos en Chile en el 2000).</p>
<p>Con esto se pretende señalar algo evidente, pero que, a la luz de algunos comentarios de los últimos días, vale la pena subrayar: el ascenso de la nueva derecha no se explica por los consejos de Durán Barba ni por la campaña de Agulla, y ni siquiera por las fortunas de sus candidatos, sino por un contexto geopolítico nuevo y, en la Argentina, por la muy política estrategia de sus líderes de morder un sector del peronismo en el conurbano, construir a una candidata imbatible en la Capital y, sobre todo, ganar la disputa con el panradicalismo por el voto anti K. En suma, un fenómeno que no es ni publicitario ni mediático, sino estrictamente político. Por supuesto, explicarlo en términos de marketing quizás resulte tranquilizador para las conciencias progresistas que se niegan a aceptar que la derecha puede ser popular incluso en los sectores más pobres, pero ayuda muy poco a entender las cosas.</p>
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		<title>NESTOR Y CRISTINA KIRCHNER, EN UN TIEMPO DE INEVITABLE OCASO</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 12:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Una innumerable lista de errores que concluyeron en un derrumbe



Por: Eduardo van der Kooy &#8211; Clarín
La última jugada política de apostador empedernido le salió muy mal a Néstor Kirchner. El plebiscito que buscó con denuedo para reemplazar lo que debió ser una elección legislativa de medio término, normal, se convirtió en una verdadera trampa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Una innumerable lista de errores que concluyeron en un derrumbe</p>
<p><a href="http://www.clarin.com/diario/2009/06/28/conexiones/inicio_info.html"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.clarin.com/diario/2009/06/28/um/thumb/nestor_tapa.jpg" id="Foto1863244" name="Foto1863244" width="544" border="0" height="302" /></div>
<p></a></p>
<p>Por: Eduardo van der Kooy &#8211; Clarín</p>
<p>La última jugada política de apostador empedernido le salió muy mal a Néstor Kirchner. El plebiscito que buscó con denuedo para reemplazar lo que debió ser una elección legislativa de medio término, normal, se convirtió en una verdadera trampa para él. El ex presidente asistió anoche a la asfixia final de su liderazgo peronista y, de modo incomprensible, dejó además en estado de acentuada debilidad al Gobierno de su esposa, Cristina Fernández, a quien hace apenas un año y medio entronizó sin un solo chistido del partido oficial.</p>
<p>La derrota ¿o el derrumbe¿ se conoció anoche pero se vino edificando desde hace mucho tiempo. Con una persistencia, de parte de Kirchner, que aconsejaría revisar en forma simultánea los manuales de la política, desde ya, pero también de la psicología.</p>
<p>Ningún presidente salió del poder en la Argentina de la nueva democracia con la ponderación social de Kirchner. Ese margen generoso le permitió resignar la reelección y cederle su lugar a Cristina. En el 2007 la Presidenta logró el 47% de los votos en el orden nacional y el 48% en Buenos Aires. Le arrancó 23% de ventaja a la oposición.</p>
<p>Contó además con un ciclo económico interno y externo muy favorable, por lo menos hasta comienzos del 2008. Tuvo en todo ese trayecto una oposición fragmentada e insolvente. Pero su sensibilidad política y percepción de la realidad viró bruscamente desde el mismo instante en que cambio su domicilio de la Casa Rosada por la residencia de Olivos.</p>
<p>Kirchner había proclamado durante su mandato que ningún proyecto de tinte nacional podía excluir a las clases medias. Soñaba con aquel viejo molde de convergencia de clases que sintetizó, durante décadas, el peronismo de Juan Perón. El ex presidente nunca logró seducir a aquellos sectores en los años de su mandato. Pero la bonanza económica le acercaron, inevitablemente, muchos de esos votos. Sin ir lejos, Cristina triunfó con respaldo de la clase media y del campo bonaerense cuando se consagró Presidenta. Fueron casi 900 mil en el principal distrito electoral.</p>
<p>El largo y todavía irresuelto conflicto con el campo le ahuyentó esos votos y también la mas solidaridad mínima de los sectores medios. La radiografía de las legislativas de ayer resulta, en ese sentido, implacable: los Kirchner perdieron Buenos Aires, Capital, Santa Fe, Córdoba, Mendoza y Entre Ríos. No pudieron vencer tampoco en ninguna de las ciudades grandes.</p>
<p>Aquel pleito con el campo fue uno de los disparadores de la derrota. Pero lo fue también un deterioro económico negado de modo sistemático por las cifras virtuales del INDEC. Las mentiras del INDEC crisparon a los sectores medios pero dañaron, sobre todo, el bolsillo de los sectores populares. Esa combinación resultó letal para la derrota en Buenos Aires que aniquiló el último argumento político con que contaba Kirchner para cantar una supuesta victoria que no fue.</p>
<p>Buenos Aires, aunque parezca paradójico, terminó desnudando la fragilidad del armado político de Kirchner. Con tantos años de buena economía el ex presidente fue incapaz de consolidar un proyecto: deambuló por la transversalidad, por la concertación, y terminó refugiado en la maquinaria vetusta del PJ bonaerense. Pero nunca se percató de un detalle: ese peronismo le respondía casi por rutina, porque, mal o bien, se cobijaban en el calor del poder. Porque recibía beneficios económicos. Pero nunca existió una comunión política y afectiva sustantiva entre el partido y el ex presidente.</p>
<p>El peronismo del interior de Buenos Aires lo dejó librado a su suerte luego del conflicto con el campo. Daniel Scioli debió encargarse de la campaña en esas tierras hostiles al Gobierno. Ayer hubo, con seguridad, un dato histórico: el kirchnerismo no tuvo ningún voto en América, un poblado de 3 mil habitantes, del centro de Buenos Aires. El problema insoluble fue el conurbano y muchos de los intendentes aceptaron las candidaturas testimoniales sin gusto y con resignación. La clave de la debacle en Buenos Aires se escondió en esas zonas de cierta vecindad a la Capital.</p>
<p>Muchos intendentes instaron a corte de boletas. Entregaron las suyas y dejaron librada a la voluntad del votante la elección de Kirchner, Francisco De Narváez o Margarita Stolbizer. Varios intendentes, también, cargaron los cuartos oscuros con las llamadas &#8220;boletas espejo&#8221;, en las cuales figuraban ellos sólo acompañados por candidatos a cargos vecinales. La mecánica sucedió en todo el conurbano incluido el segundo cordón, donde los Kirchner conjeturaban la fidelidad inclaudicable de la gente.<br />
La estrategia electoral del ex presidente terminó siendo, al fin de cuentas, tan estéril como todos los proyectos partidarios y políticos que pergeñó en estos años. ¿Alguien podía suponer que los habitantes del segundo cordón del conurbano no tienen padecimientos similares ¿o peores¿ a los del resto del país?. ¿Nadie pensó que el indisimulado mal humor social en el país, en la Capital y en el interior bonaerense podía desparramarse a manera de contagio?.</p>
<p>Tampoco Kirchner reparó en otra lección. El peronismo mas poderoso de la historia de Buenos Aires, el que comandó en su época Eduardo Duhalde, resultó perforado en 1997 cuando irrumpió la Alianza y Graciela Fernández Meijide. ¿Por qué razón habría de salir indemne ahora?. Aquella vez pesó la saturación con el menemismo; ahora puede haber sido decisiva la bronca acumulada contra los Kirchner.</p>
<p>El ex presidente y su esposa no pudieron ayer resolver el problema electoral que les plantearon las legislativas. Desde hoy tienen otro desafío de no menor envergadura: resolver el problema político. Hay un partido oficial ¿el peronismo¿ que resultó descabezado con la excepción de Carlos Reutemann, apretado ganador en Santa Fe. Hay un Congreso que mutará de manera sustancial a partir de diciembre, aunque el impacto político de la derrota, con seguridad, caerá también sobre los diputados y senadores oficiales que continuarán seis meses mas. Hay una oposición que puede empezar a desperezarse, a pesar de su diáspora, luego del espaldarazo popular.</p>
<p>Hay, en suma, una nación política mucho mas compleja. Muy distinta a la que siempre conocieron y disfrutaron los Kirchner.</p>
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		<title>Argentina renueva el Parlamento en un contexto de contracción económica</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 21:39:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ El Gobierno de Cristina Fernández afronta este domingo unas elecciones legislativas en las que están llamados a votar unos 28 millones de argentinos



EFE &#8211; Buenos Aires &#8211; 27/06/2009 &#8211; El País
El Gobierno de Cristina Fernández afronta este domingo unas elecciones legislativas en las que están llamados a votar unos 28 millones de argentinos y [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>El Gobierno de Cristina Fernández afronta este domingo unas elecciones legislativas en las que están llamados a votar unos 28 millones de argentinos</strong></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/06/argentina-renueva-el-parlamento-en-un-contexto-de-contraccion-economica/12071/" rel="attachment wp-att-12071" title="kirchners.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/kirchners.jpg" alt="kirchners.jpg" /></div>
<p></a></p>
<p style="background-color: #ffff99">EFE &#8211; Buenos Aires &#8211; 27/06/2009 &#8211; El País</p>
<p>El Gobierno de Cristina Fernández afronta este domingo unas elecciones legislativas en las que están llamados a votar unos 28 millones de argentinos y está en juego la mayoría oficialista en el Parlamento, en un contexto de contracción económica después de seis años consecutivos de crecimiento económico.</p>
<p>La alarma por el avance de la gripe A N1H1, que hasta ahora ha causado 26 muertos, y las encuestas que prevén una reñida votación en la provincia de Buenos Aires, el mayor distrito electoral del país, son los otros elementos a tener en cuenta en unos comicios que tienen lugar en la mitad de la gestión de Fernández. En medio de medidas de prevención sanitaria en los lugares de votación, el domingo se renovará la mitad de los 257 escaños de diputados y un tercio de los 72 del Senado, además de legislaturas provinciales y municipales.</p>
<p>El Gobierno ha instalado unas 100 cámaras de vídeo en mesas electorales de populosos distritos bonaerenses vecinos a la capital argentina, como pidió la Cámara Nacional Electoral. &#8220;Bajamos la cantidad de electores por mesa para evitar inconvenientes y se instalaron cámaras de seguridad para darle mayor transparencia&#8221; a la votación, ha explicado el ministro de Interior, Florencio Randazzo, quien ha calificado de &#8220;irresponsables&#8221; las denuncias de algunos candidatos opositores sobre posibles fraudes.</p>
<p>Randazzo ha explicado que las denuncias de fraude tienen &#8220;la intencionalidad política&#8221; de quitar &#8220;legitimidad&#8221; a &#8220;aquellos que finalmente son elegidos por la voluntad popular&#8221; en unas elecciones en las que se movilizará a unos 120.000 efectivos de las Fuerzas Armadas y de seguridad.</p>
<p>El ex presidente Néstor Kirchner (2003-2007), esposo, antecesor de Fernández y quien encabeza la lista oficialista de diputados por la provincia de Buenos Aires, se juega en estos comicios no solo la mayoría parlamentaria del oficialismo y sus aliados, sino su estabilidad como líder del Partido Justicialista (PJ, peronista). La hegemonía de Kirchner se ve amenazada por el empresario Francisco de Narváez, que aspira a un escaño de diputado al frente de la coalición Unión-Pro, formada por peronistas disidentes como él y seguidores del conservador Mauricio Macri, el alcalde de la capital argentina, líder de Propuesta Republicana (Pro).</p>
<p>Los últimos sondeos arrojan un empate técnico entre ambas fuerzas políticas en la provincia de Buenos Aires, tradicional bastión peronista, cuyo voto es decisivo para dibujar el mapa político del país con vistas a las presidenciales de 2011.</p>
<p>En la capital argentina, segundo distrito electoral del país, se da por descontada la victoria de Gabriela Michetti, candidata de Pro, seguida por la lista de centroizquierda del cineasta Fernando Pino Solanas, convertido en la revelación de estos comicios, y con estrecho margen sobre Alfonso Prat Gay, aspirante del Acuerdo Cívico y Social, en tercer lugar. Este resultado supondría que Carlos Heller, del Frente para la Victoria de Kirchner, sería el gran perdedor de la jornada en la capital argentina.</p>
<p>También se prevén derrotas de las listas del oficialismo en las provincias de Córdoba (centro), donde la liza se centra entre peronistas disidentes, y Santa Fe (noreste), el tercero y cuarto distrito electorales del país, respectivamente. En Santa Fe, las encuestas vaticinan una reñida votación entre el ex corredor de Fórmula Uno y peronista disidente Carlos Reutemann y el socialista Rubén Giustiniani, quienes aspiran a renovar sus banca de senadores. Reutemann aspira a ser candidato presidencial del peronismo en 2011, mientras que una victoria socialista reforzaría la pretensión del gobernador santafesino, Hermes Binner, a competir por la jefatura del Estado.</p>
<p>Algunos analistas políticos, que prevén que el oficialismo perderá la mayoría parlamentaria aunque se mantendrá como principal fuerza política, han adelantado que los resultados electorales de este domingo pueden demorarse por lo ajustado de la votación en la provincia de Buenos Aires y la coincidencia de las legislativas provinciales y municipales.</p>
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		<title>Mato pra todo lado e animais soltos</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 20:29:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Ah, os argentinos
&#160;

Sito de Sergio Leo


&#160;
Um dia me mudo para Buenos Aires. E acho que se o Lula fizesse o mesmo seria bem feliz. &#8220;O que há com os brasileiros que viajam? Todos se queixam do Lula!&#8221; me pergunta um taxista perplexo que, como a maioria dos argentinos que conheço, diz francamente sentir inveja da [...]]]></description>
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<h2 class="asset-name entry-title"><font size="6"><a href="http://verbeat.org/blogs/sergioleo/2009/06/ah-os-argentinos.html" rel="bookmark">Ah, os argentinos</a></font></h2>
<p align="center">&nbsp;</p>
<div class="asset-meta"></div>
<div style="background-color: #ffff99" class="asset-meta"><strong><font size="4"><span class="byline"><abbr class="published" title="2009-06-01T22:09:21-03:00">Sito de Sergio Leo</abbr></span></font></strong></div>
<div class="asset-meta"></div>
</div>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p>Um dia me mudo para Buenos Aires. E acho que se o Lula fizesse o mesmo seria bem feliz. &#8220;O que há com os brasileiros que viajam? Todos se queixam do Lula!&#8221; me pergunta um taxista perplexo que, como a maioria dos argentinos que conheço, diz francamente sentir inveja da qualidade do governo brasileiro e da cena política do país. Pra você ver como estão nossos vizinhos.</p>
<p>(aliás, descobri finalmente por que o<a href="http://www.idelberavelar.com/"> idelber</a> defende o governo Cristina Kirchner. Ele considera o Página 12 o supra-sumo do jornalismo sul-americano, e foi nesse jornal que li um de seus melhores articulistas defender a tese de que o <a href="http://argentina.indymedia.org/news/2009/05/673021.php">Hugo Chávez não contou nada aos Kirchner </a>quando os visitou semanas antes de <a href="http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2009/05/23/Mundo/Nacionalizacoes_de_Chavez_geram_c.shtml">nacionalizar a Techint,</a> um grupo ítalo-argentino, cuja estatização provocou umas notas débeis de protesto da Casa Rosada)</p>
<p>Visto de fora, o Brasil é o que é: uma grande potência e um dos países com instituições mais modernas do mundo. Me ufano desse país. E aqui leio, rindo, os analistas desesperados dizendo que a política externa é um fracasso proque não conseguiu emplacar a Ellen Gracie no órgão de solução de controvérsias da OMC nem garantir o empreguinho em Paris aos brasileiros que queriam o cargo de direção na Unesco.</p>
<p>Janto com o emblemático Jorge Castro, e com jornalistas, e participo de um momento mágico na história da América Latina: a um canto da mesa, eu, o Alexandre Pinheiro e o Ariel Palácios descobrimos, surpresos, que somos todos brasileiros que odeiam futebol. Há esperança paraa civlização. Ainda que eu desconfie do Ariel, ele sabe quem disputou a final das útlimas copas. Eu só sei sobre a de 1982, em que saí às ruas com uma camisa da Itália. Como ia advinhar que a seleção ia perder logo da squadra azzurra??</p>
<p>Bom, em Buenos Aires, apesar de ter recebido <a href="http://verbeat.org/blogs/sergioleo/2009/05/e-dos-argentinos-que-me-dizem.html">reduzida contribuição, de poucos e bons frequentadores deste blogue</a>, até não fiz feio. E aproveitei parte do que disse lá na coluna do Valor, mas isso deixo para um argentino boa praça contar <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/06/preocupacoes-com-a-argentina/">AQUI</a>. Sim, chamei as Galerias Pacifico de Shopping Pacífico na coluna, mas quequiá, é quase a mesma coisa.</p>
<p>E, nessas mesmas Galerias Pacífico (o <a href="http://argentinastravel.com/268/el-ateneo-in-buenos-aires-a-bookstore-to-end-all-bookstores/">Atheneo</a> está uma porcaria, acho que sacrificaram as estantes de livro para investir na lanchonete para os turistas que vão lá sacar fotos e falar alto em portugues), encontrei preciosidades, a começar pela espécie inecistente no Brasil: o vendedor de livros que<strong> lê </strong>livros.</p>
<p>Fico sabendo, por uma dessas avis rara do Cone Sul, que existe uma coletânea dos artigos jornalísticos do <a href="http://www.cervantesvirtual.com/bib_autor/Arlt/">Roberto Arlt,</a> o cara que influenciou uma parte grande dos autores atuais argentinos, <a href="http://verbeat.org/blogs/sergioleo/2008/03/ver%C3%ADssimo-e-a-cafetina.html">com quem já brinquei neste sítio</a>, e que se costuma contrapor a Jorge Luis Borges, um o intelectual erudito e de texto elaborado; o outro politizado, popular e de texto reto.</p>
<p>Já faz parte da biblioteca, &#8220;<a href="http://www.clarin.com/diario/2009/05/05/sociedad/s-01911343.htm">Cronicas en el Mundo</a>&#8220;, com um livro inacreditável do Ricardo Piglia, &#8220;<a href="http://tinyurl.com/nnfl3n">Crítica y Ficcion</a>&#8220;, de quem descobri que terei de chupar páginas inteiras quando estiver falando na OFFFlip, em julho, dois livros do Martin Kogan, por influência do idelber, e um do Bolaño. Tem mais um de um autor uruguaio, de quem falarei em breve por aqui.<br />
E volto a postar, que está uma vergonha o Sítio, mato pra todo lado.</p>
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		<title>Preocupações com a Argentina</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 14:25:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ 
Sergio Leo &#8211; VALOR
A Argentina ainda tem escritores fundamentais, como Roberto Arlt, pouco conhecidos do público brasileiro, que, um dia, quem sabe, ouvirá esse nome com a familiaridade com que escuta referências a autores como Lima Barreto. Até lá, a maior aproximação cultural entre os dois países vem se dando mesmo no pragmático terreno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/colunistas/COL-SERGIO_LEO.jpg" align="left" border="0" /><span style="background-color: #ffff99"></span></p>
<p style="background-color: #ffff99">Sergio Leo &#8211; VALOR</p>
<p>A Argentina ainda tem escritores fundamentais, como Roberto Arlt, pouco conhecidos do público brasileiro, que, um dia, quem sabe, ouvirá esse nome com a familiaridade com que escuta referências a autores como Lima Barreto. Até lá, a maior aproximação cultural entre os dois países vem se dando mesmo no pragmático terreno do turismo: nos últimos dias, frios e chuvosos, em Buenos Aires, o português é língua franca nas ruas e nos shopping centers. Para os argentinos, essa invasão de turistas, que espalha multidões em lugares como o Shopping Pacífico e a rua Florida, mostra como o mercado de câmbio anda favorável ao real.</p>
<p>Notável, também, é a maneira elogiosa, misto de admiração e uma ponta de inveja, com que jornalistas e acadêmicos argentinos falam do Brasil e da política brasileira. Vista de fora, das margens do rio da Prata, a independência de poderes brasileira é louvada e derramam-se adjetivos de aprovação à estabilidade econômica obtida pelo governo. Até os políticos ganham uma aura distinta. Na semana passada, em seminário promovido pela Universidade Tres de Febrero sobre as relações bilaterais, um jornalista do diário &#8220;La Nacion&#8221; lembrava à plateia, encantado, que a quantidade de votos recebida por Aloyzio Mercadante para o Senado seria o bastante para elegê-lo presidente de qualquer república sul-americana. Menos o Brasil, claro.</p>
<p>Há uma sensível simpatia com o Brasil em Buenos Aires &#8211; onde se recebe com perplexidade as reclamações de brasileiros contra as mazelas do Brasil e do governo em Brasília. Em breve se completarão trinta anos do processo de aproximação e superação de desconfianças entre os dois países, iniciado nos últimos anos de governo militar no Brasil, com o acordo para eliminar as disputas que travavam a construção da hidrelétrica de Itapu. Aparentemente, porém, os dois países vivem uma nova etapa no relacionamento, a de construção de novas desconfianças.</p>
<p>Não há mais medo na Argentina de que um dia o Brasil possa abrir as comportas de Itapu e inundar parte do país; nem existem programas nucleares ou militares nos dois países que apontem o outro como inimigo em potencial &#8211; pelo contrário, há acordos de cooperação nas duas áreas, e até conversas avançadas para uma polícia comum. A desconfiança viceja, porém, quando se conversa com empresários dos dois países. O estilo Kirchner, duro e centralizador nas controvérsias com o setor privado, intimida empresas brasileiras e desencoraja queixas públicas sobre problemas na Argentina, como dificuldades com o fisco e com as alfândegas.</p>
<p>É grande a lista de queixas do setor privado brasileiro contra a Argentina, a começar pelas barreiras de entrada ao mercado local &#8211; em detrimento de concorrentes como a China, que ganha espaço na maioria dos setores antes dominados pelos brasileiros. Embora a conjuntura mundial não seja favorável a acordos de abertura de comércio, empresários apontam a Argentina e sua política protecionista como um obstáculo a qualquer tentativa de retomada de negociações de acordos comerciais, como o tentado pela União Europeia. É recente a lembrança da recusa argentina em acompanhar o Brasil nas propostas para destravar as negociações na Organização Mundial de Comércio (OMC).</p>
<p>Esperava-se que a substituição de Néstor Kirchner por Cristina inaugurasse uma nova fase na política externa do vizinho, com maior abertura para acordos e maior interesse em iniciativas multilaterais para os problemas do país e da região. Essa expectativa frustrou-se, e a política externa argentina ainda é mais um reflexo das circunstâncias e conveniências da política interna. O Palácio San Martín, que sedia a diplomacia argentina, atua sob severa vigilância da Casa Rosada, que considera excessivas algumas concessões retóricas feitas nas discussões com o Brasil.</p>
<p>O processo de criação de desconfianças entre Brasil e Argentina tem forte componente de política interna. Ela captura as atenções do Executivo local, e costuma obrigá-lo a endurecer nas disputas externas, de olho no efeito delas sobre a composição de forças na política local. Com a aproximação de disputadas eleições para o Legislativo, que podem deixar em minoria o grupo dos Kirchner, aumenta o potencial de problemas internos para o atual governo, com reflexos negativos para sua política externa. A possível derrota dos Kirchner dificultará as ações do governo, ou criará um grave impasse político na Argentina; e muitos analistas preveem, em consequência, abalos na política cambial, com previsível corrida à compra de dólares e novas quedas na cotação do peso. Já são públicas as pressões, especialmente da União Industrial Argentina, para que o governo deixe de lado a política do Banco Central de defesa da moeda e apresse a desvalorização.</p>
<p>As dificuldades políticas e a desvalorização do peso podem contribuir para que a Argentina perca ainda mais importância na balança comercial brasileira. No primeiro quadrimestre de 2009, já foi bem forte a queda da Argentina no ranking de parceiros comerciais, onde a China escalou posições e ocupou o posto de maior comprador de produtos brasileiros. Os argentinos, que absorviam 10% das vendas brasileiras entre janeiro e abril de 2008, agora demandam cerca de 7% (menos que isso, em abril). A China, que era 6,5% do mercado para exportações brasileiras, hoje representa 13%.</p>
<p>Decresce a importância argentina para os planos dos exportadores brasileiros. Eles ainda têm no vizinho seu maior mercado para produtos como automóveis, partes e peças, mas cada vez menos. Os movimentos de arrumação na indústria automobilística multinacional trazem também riscos de gerar atritos bilaterais, caso, nos novos planos das montadoras, haja a decisão de fechar ou redimensionar fábricas na Argentina para concentrar-se no maior mercado da região.</p>
<p>Há discordâncias argentinas interessantes e instrutivas, como a divergência, no passado, entre grupos literários afiliados a Roberto Arlt e a Jorge Luis Borges. Mas os brasileiros podem se ver falando em breve sobre outro tipo, mais árido e desagradável de conflito, no que diz respeito ao país vizinho.<br />
<strong><br />
Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras</strong></p>
<p><strong>E-mail sergio.leo@valor.com.br</strong></p>
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		<title>Comienza el asalto al trono de los Kirchner</title>
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		<pubDate>Sun, 10 May 2009 22:25:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
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El esposo de la presidenta argentina se moviliza ante las cruciales legislativas de junio

SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ &#8211; Buenos Aires &#8211; 10/05/2009 &#8211; El País
Las elecciones legislativas argentinas del 28 de junio, a punto de que se abra la campaña electoral, se anuncian como una pelea muy dura. No se trata sólo de conservar mayorías parlamentarias, sino [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
El esposo de la presidenta argentina se moviliza ante las cruciales legislativas de junio</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.elpais.com/recorte/20090510elpepuint_2/LCO340/Ies/Comienza_asalto_trono_Kirchner.jpg" alt="Comienza el asalto al trono de los Kirchner" title="Comienza el asalto al trono de los Kirchner" width="340" height="250" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ &#8211; Buenos Aires &#8211; 10/05/2009 &#8211; El País</p>
<p>Las elecciones legislativas argentinas del 28 de junio, a punto de que se abra la campaña electoral, se anuncian como una pelea muy dura. No se trata sólo de conservar mayorías parlamentarias, sino que se han convertido en una lucha directa por el poder: se trata de quitarles, o pegarle una gran tajada, al poderío de los Kirchner en los dos años de presidencia que le quedan a Cristina Fernández, y de saber quién queda situado como posible alternativa en 2011.</p>
<p>Peronismo disidente, que podría caracterizarse, más o menos, como un centro-derecha; el radicalismo, que se identificaría con el centro-izquierda; y el kirchnerismo, el peronismo oficialista, que representa el matrimonio Néstor y Cristina Kirchner, y que tendría un difícil encaje ideológico, son las tres corrientes que compiten en estas elecciones.</p>
<p>Los comicios se van a desarrollar en un escenario político en el que la gran mayoría de los argentinos cree, según el último sondeo de MRC Mori, que el segundo problema del país es la clase política (el número uno es la inseguridad) y en el que son muy pocos los políticos que llegan al aprobado: los Kirchner, por ejemplo, rondan el 50% de imagen &#8220;mala o muy mala&#8221;.</p>
<p>La elaboración de las listas, que se cerraron a las doce de la noche del sábado, ha sido trabajosa, porque había que poner de acuerdo a multitud de personajes, pero, a falta de confirmación y a expensas del misterio alentado por Néstor Kirchner, parece que la decisiva pelea por la provincia de Buenos Aires la encabezarán el propio Kirchner, los disidentes Francisco de Narváez-Felipe Sola y los radicales Margarita Stolbizer-Ricardo Alfonsín.</p>
<p>El que más se juega es Kirchner, presidente del Partido Justicialista. Las encuestas indican que ha bajado en popularidad y que va a perder escaños y votos. Su posición está debilitada en las provincias de Santa Fe, Córdoba y Mendoza. Pero lo que más importa es la poderosa provincia de Buenos Aires. Ahí es, especialmente en el llamado &#8220;conurbano&#8221;, el doble cinturón empobrecido de la capital, donde el oficialismo tienen que echar el resto.</p>
<p>La debilidad de Kirchner quedó de manifiesto en dos movimientos: adelantar los comicios, que debían celebrarse en octubre, para ganarle algunos meses a la crisis económica; y poner en marcha las polémicas candidaturas testimoniales. Se trata de personas que ocupan cargos públicos, a las que Kirchner fuerza a presentarse en su lista, aunque los interesados no ocultan que renunciarán a su escaño media hora después de conseguirlo.</p>
<p>Testimonial, aunque en este caso no vaya a renunciar a su escaño, es también la candidatura de la actriz Nacha Guevara, de 69 años, quien probablemente ocupe el tercer puesto en la lista de Néstor Kirchner. Guevara ha interpretado hasta hace pocos días, con formidable éxito, el musical Evita, y su imagen se confunde con la del gran mito peronista.</p>
<p>La campaña de los Kirchner se ha basado en la idea de yo, o el caos, con frecuentes alusiones a la crisis del 2001 y al corralito (que acabó con buena parte de los ahorros de la clase media). &#8220;O ganamos nosotros o nadie se ocupará de los pobres&#8221;, aseguró la presidenta Cristina Fernández.</p>
<p>Un sondeo hecho público ayer por la revista Perfil indica que los ciudadanos creen que la situación del país es mala o muy mala (61%) y el 50% cree que irá todavía a peor en los próximos tres meses. Por encima, incluso, del miedo a perder el empleo o a la subida de precios, los argentinos están preocupados por lo que perciben como un fuerte aumento de la delincuencia. La corrupción, que, según muchos estudios internacionales, es uno de los grandes problemas del país, no es percibido así por los ciudadanos (8%).</p>
<p>La oposición parece decidida a dar la batalla en los temas económicos y de seguridad. Francisco de Narváez, que posee una gran fortuna (producto de la venta de una cadena familiar de supermercados), está seguro de que el aumento de la delincuencia es uno de los grandes asuntos en Buenos Aires y ha invertido una importante cantidad de dinero en anuncios publicitarios en televisión. Solá, a su lado, ofrece experiencia y dominio de una parte del aparato peronista, sin el que nadie cree en Argentina que se pueda gobernar.</p>
<p>Los radicales, por su parte, intentan recuperar la imagen del fallecido Raúl Alfonsín y su defensa del diálogo y las instituciones. El objetivo de todos ellos es el mismo una vez en el Parlamento: forzar a los Kirchner, a los que acusan de autoritarismo, a negociar la gobernación del país.</p>
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		<title>Brasil y Argentina mantienen su pulso comercial</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Mar 2009 18:54:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Cristina Fernández y Luiz Inácio Lula da Silva, en el foro empresarial celebrado ayer São Paulo.- AP

FRANCHO BARÓN &#8211; Río de Janeiro &#8211; El País
&#8220;La devaluación del real también es proteccionismo&#8221;, afirma Fernández
Los presidentes de Argentina y Brasil, Cristina Fernández y Luiz Inácio Lula da Silva, intentaron eludir ayer el espinoso asunto de las [...]]]></description>
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<div align="center"><a href="http://www.elpais.com/fotografia/Brasil/Argentina/mantienen/pulso/comercial/elpdiaint/20090321elpepuint_1/Ies//params/contenedora/FGLFotoAmpliadaStatic/20090321elpcat_2/Ies/elpdiaint/" id="siguiente_foto" title="Siguiente" onclick="javascript: moverFoto(); return false;"><img src="http://www.elpais.com/recorte/20090321elpepuint_1/XLCO/Ies/20090321elpepuint_1.jpg" alt="Brasil y Argentina mantienen su pulso comercial" id="foto" width="554" height="408" /></a></div>
<div align="center"><em>Cristina Fernández y Luiz Inácio Lula da Silva, en el foro empresarial celebrado ayer São Paulo.- AP</em></div>
<div align="center"></div>
<p style="background-color: #ffff99">FRANCHO BARÓN &#8211; Río de Janeiro &#8211; El País</p>
<p><strong>&#8220;La devaluación del real también es proteccionismo&#8221;, afirma Fernández</strong></p>
<p>Los presidentes de Argentina y Brasil, Cristina Fernández y Luiz Inácio Lula da Silva, intentaron eludir ayer el espinoso asunto de las relaciones comerciales entre sus países, pero no lo consiguieron. Se encontraron en São Paulo, en el marco de un foro empresarial bilateral, y el malestar entre sus respectivos sectores industriales pudo más que los buenos propósitos de hablar sobre asuntos más agradecidos, como la posición común que los Gobiernos de Brasilia y Buenos Aires pretenden llevar a la cumbre del G-20, que se celebrará el próximo 2 de abril en Londres.</p>
<p>Lula, que profesa públicamente su oposición frontal al proteccionismo de los mercados nacionales y que, para predicar con el ejemplo, recientemente fulminó un plan de restricciones a la entrada de 3.000 productos en Brasil, mira con malos ojos la decisión argentina de imponer barreras comerciales a una lista de 200 productos, muchos de ellos brasileños.</p>
<p>Fernández, sin embargo, justifica la permanencia de estas licencias no automáticas de importación con el argumento de que la balanza comercial entre Brasil y Argentina se inclina desproporcionadamente hacia el primero, algo que, según ella, en tiempos de crisis rampante es mucho menos soportable. La presidenta argentina también esgrime la mala racha que atraviesa el sector industrial de su país y la necesidad apremiante de reestructurarlo. &#8220;Con economías de diferente desarrollo y una desventaja en la balanza comercial, es natural que se adopten medidas para no agravar una situación que es estructural&#8221;, dijo ayer Fernández, que compareció ante la prensa junto a Lula.</p>
<p>La actitud del Gobierno argentino molesta al sector industrial brasileño, básicamente porque la crisis mundial ya ha impactado de lleno en Brasil y sus indicadores de crecimiento económico y producción industrial no paran de caer en picado. El último boletín semanal difundido por el Banco Central de Brasil sitúa la previsión de crecimiento para este año en el 0,59%, cuando el producto interior bruto (PIB) brasileño cerró 2008 en un alentador 5,1%. Para los industriales brasileños resulta especialmente sangrante el hecho de que su Gobierno anunció en enero nuevas restricciones a la entrada de 3.000 productos (aproximadamente, el 60% de sus importaciones) en su mercado. En aquel momento Argentina protestó enérgicamente y Lula, en un gesto paternalista y de buena vecindad, decidió dar marcha atrás con las barreras comerciales.</p>
<p>Según fuentes gubernamentales brasileñas, Lula no está de acuerdo con las medidas proteccionistas que se están aplicando en Argentina, aunque no le queda más remedio que respetarlas. &#8220;El proteccionismo es casi una religión. Cuando pasa algo [como la crisis mundial] todo el mundo quiere defender a sus empresas y a sus economías. Esto es normal&#8221;, afirmó ayer Lula en tono conciliador. Sin embargo, hizo énfasis en la necesidad de que los países se protejan contra las prácticas de dumping y abogó por reforzar los intercambios comerciales con sus países vecinos. &#8220;Cuanto más nos vendamos mutuamente, más independientes seremos del bloque de los países desarrollados&#8221;, concluyó.</p>
<p>Fernández, por su parte, se mostró menos diplomática que su homólogo brasileño y aludió sin rodeos a las que su Gobierno considera medidas proteccionistas brasileñas. &#8220;También es, por ejemplo, devaluar una moneda. La reciente devaluación del real frente al dólar también se podría calificar de medida proteccionista. Y los beneficios fiscales que algunos Estados brasileños otorgan a las empresas que se radican en sus territorios también pueden ser medidas proteccionistas&#8221;, enumeró la presidenta argentina.</p>
<p>La tensión por la gresca comercial con el vecino austral, que tiene en pie de guerra a buena parte de la industria brasileña, vino a sumarse ayer a la difusión de dos encuestas que registran una preocupante caída de la popularidad del Gobierno capitaneado por Lula. El Instituto Brasileño de Opinión Pública y Estadística (IBOPE), cifró ayer en nueve puntos porcentuales la disminución de la aprobación popular al actual Gobierno. Según la institución, la buena imagen del Ejecutivo brasileño ha caído por primera vez desde el inicio de su segundo mandato, desde el histórico 73% registrado el pasado diciembre hasta el 64% actual.</p>
<p>Por su parte, la empresa de sondeos Datafolha apunta a una caída de cinco puntos en la aprobación de la gestión del Gobierno brasileño, desde el 70% registrado el pasado noviembre hasta el 65% de hoy. La mala noticia se debe, según los encuestadores, a los preocupantes indicadores económicos del país, que empeoran cada día que pasa.</p>
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