09/04/2009 - 11:43h Acordo do clima esbarra no Congresso americano

Reunião sobre tratado que sucederá Protocolo de Kyoto adia discussão de meta

Nações desenvolvidas não querem dar as cartas antes dos EUA no debate sobre corte de emissões, mas país não chegou a acordo interno

Oliver Berg/Efe

Todd Steven, negociador dos EUA para o novo tratado do clima

AFRA BALAZINA ENVIADA ESPECIAL A BONN (ALEMANHA) – FOLHA SP

O mundo virou refém do Congresso dos EUA. Pelo menos no que diz respeito ao aquecimento global. Essa situação se delineou em Bonn, na Alemanha, durante a primeira reunião de negociação para preparar o acordo que será fechado na Conferência do Clima em Copenhague, em dezembro.
O evento, que terminou ontem, deveria ter iniciado as negociações sobre metas que os países desenvolvidos adotarão para reduzir as emissões de gases do efeito estufa após 2012, quando expira a primeira fase do Protocolo de Kyoto, o acordo do clima vigente agora. Mas não foi o que ocorreu.
Negociadores do presidente dos EUA, Barack Obama, acabam de entrar no jogo depois de o governo Bush ter se esquivado, mas ainda não têm uma posição definida sobre que tipo de meta de corte propor, porque qualquer movimento requer um acordo interno no legislativo do país. A delegação americana em Bonn, apesar de declarar que quer liderar o processo de combate à crise do clima, teve em Bonn uma atuação discreta: mais ouviu do que falou, possivelmente ainda estudando o cenário político. Quando questionado pelos jornalistas se o país traria uma proposta concreta para colocar à mesa em junho, na próxima reunião entre os negociadores, Jonathan Pershing, representante dos EUA, respondeu que a pergunta deveria, na verdade, ser feita ao Congresso. Porém, se disse cético quanto ao cumprimento do prazo. “Ficaria surpreso se isso acontecesse”, afirmou, mesmo prometendo empenho. “Podemos pressionar, levar dados ao Congresso e tentar agilizar o processo.”
Em Bonn, porém, o empenho foi limitado. O negociador-chefe dos EUA, Todd Stern, foi aplaudido durante discurso na abertura do evento, mas não ficou até o final da reunião.

Mudança de assunto
O entrave causado pela indefinição dos americanos ficou claro em Bonn, com outros países industrializados tentando evitar a todo o custo falar em números de redução das emissões. Propuseram mudar o tema do debate para tratar de outros assuntos, mas a alternativa foi barrada pelo grupo do qual o Brasil faz parte, que reúne o G77 (com 77 países em desenvolvimento) mais a China. Na tarde de ontem, o texto sobre a negociação referente à redução das emissões dos países ricos gerou polêmica. Vários países em desenvolvimento criticaram a falta de números. A Colômbia, por exemplo, disse que, sem eles, o documento apresentado não valia nada. A delegação da União Europeia respondeu que questões como essa “não se resolvem numa noite”, e que números concretos podem vir a ser decididos em Copenhague por ministros ou até chefes de Estado.

Sem números
A indefinição, todavia, vai além dos países ricos. Não há consenso nem no G77 + China. Os pequenos Estados-ilha, afetados pelo aumento do nível do mar, pedem redução de mais de 40% nas emissões de gases-estufa até 2020, em relação aos níveis de 1990. Países produtores de petróleo, por outro lado, são muito mais liberais.
Ambientalistas defendem um corte de 40%, e o painel do clima da ONU sugere redução de 25% a 40% para que os efeitos do aquecimento global não sejam catastróficos. Segundo cálculo da ONG Greenpeace, porém, as metas formais e informais que existem no momento, preveem cortes de apenas 4% a 14%, até 2020. “Líderes do mundo têm de perceber que não podem mudar a ciência, então têm de mudar as políticas públicas urgentemente”, diz Guarany Osório, um dos delegados da ONG. “A ciência é clara; os números das metas e o valor do dinheiro para salvar o clima são obscuros.” ONGs também reclamaram da falta de financiamento para reduzir emissões nos países pobres e para ajudá-los na adaptação ao aquecimento. Kim Carstensen, do WWF, diz que os corte de emissão serão o “coração” do novo acordo global, enquanto o “sangue” será o financiamento para tecnologia e adaptação. “Mas o coração não está batendo e o sangue não está circulando”, disse.

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Pobre diz que rico exporta sua poluição

DA ENVIADA ESPECIAL A BONN

Nas últimas décadas, muitas fábricas deixaram nações desenvolvidas em busca de mão de obra mais barata e as exigências ambientais menores para baratear seus custos. Por conta disso, países como a China, que absorvem essa demanda de produção empresas, dizem que emitem gases-estufa para produzir bens de consumo para os ricos, e querem agora que aqueles que consomem esses bens -não quem os produz- seja responsabilizado pela emissão de gases do efeito estufa decorrente do processo.
Elliot Diringer, vice-presidente do Centro Pew de Mudança Climática Global, núcleo de estudos da Virgínia (EUA) contou em Bonn que um representante do governo chinês já tinha feito essa alegação durante um seminário realizado pela ONG recentemente, em Washington. Porém, em sua opinião, a questão não é tão relevante ou crucial para as negociações.
Já Surya Sethi, integrante da delegação indiana, discorda veementemente da posição de Diringer. “Não vamos resolver o problema climático se não resolvermos a questão da produção e do consumo, que ocorre nos países industrializados”, diz. “Os níveis de consumo atuais são insustentáveis e, se não caírem, não vamos solucionar a questão.”
Uma saída, diz Sethi, seria criar novas tecnologias que reduzam emissões. Segundo o delegado indiano, nas economias emergentes, exceto na China, o consumo de combustíveis fósseis, que agrava o efeito estufa, está estagnado ou caindo. (AB)


A repórter AFRA BALAZINA viajou a convite da Convenção do Clima da ONU

18/03/2009 - 10:02h Inventário sobre emissão de gases será concluído este ano

Carol Carquejeiro / Valor

Fabio Feldmann, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade: distorções no inventário

 

Daniela Chiaretti, de São Paulo – VALOR

Até o fim deste ano o Brasil deverá conhecer seu perfil real de emissões de gases do efeito-estufa. É este o prazo para que saia o segundo inventário nacional, uma espécie de retrato da contribuição do país ao aquecimento global, por setores e por volume. O estudo traçará um panorama de 1990 a 2005, mas no caso do desmatamento os dados chegarão apenas até 2002.

O anúncio foi feito ontem por Newton Paciornik, o coordenador técnico do primeiro inventário de emissões de gases-estufa brasileiro lançado em 2004, e responsável pela nova edição. “Estamos em pleno andamento do trabalho”, disse a uma plateia de técnicos reunidos no auditório da Cetesb, a agência ambiental paulista, durante seminário sobre o tema. “Até meados do ano queremos ter todos os pareceres, colocá-los em discussão nacional e a expectativa é termos o inventário no fim do ano.”

Segundo Paciornik, os dados relativos à mudança no “uso da terra” – o jargão que define as alterações na cobertura vegetal natural causadas, por exemplo, pela pecuária ou agricultura – só chegarão até 2002, porque “temos que otimizar os recursos, que são limitados, e distribuí-los da melhor maneira possível”. O desmatamento é o ponto fraco do Brasil quando se trata de aquecimento global e o único inventário brasileiro traz dados de 1994. Foi ali que se cravou a informação que o desmatamento responde por 75% das emissões brasileiras. “Só acho 2002 muito defasado”, reagiu Fabio Feldmann, secretário-executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade. “Teremos distorções no inventário em função disso.”

Todos os países signatários da Convenção do Clima têm que apresentar inventários de emissões de gases-estufa. As nações ricas, com metas de corte de emissões definidas no Protocolo de Kyoto, devem fazer este relato todos os anos; os países em desenvolvimento, como o Brasil, apenas periodicamente. Contam, para isso, com recursos do GEF, um fundo financiado pelas nações industrializadas. Com este dinheiro produzem o inventário e também a Comunicação Nacional, uma informação mais ampla onde se tornam conhecidas todas as ações que um país está tomando para combater a mudança climática. Paciornik, do Ministério da Ciência e Tecnologia, adiantou que “já estamos negociando com o GEF os valores para a 3ª Comunicação Nacional”, o que atualizaria os dados.

O inventário é fundamental para que se entenda quem contribui com o quê e, assim, traçar políticas públicas que procurem reduzir as emissões. Um estudo bem feito, num país das dimensões do Brasil, é complexo. O Estado de São Paulo está iniciando o seu, que deve ficar pronto só em 2010. “Estamos fazendo uma mera lição de casa que, francamente falando, talvez já devêssemos ter feito”, disse, numa espécie de autocrítica, o secretário estadual do Meio Ambiente, Francisco Graziano. “Fico impressionado com a fragilidade das nossas teses em função da precariedade das nossas bases de dados.”

Um exemplo está na dificuldade de definir as emissões de gases-estufa produzidas no tratamento de resíduos e efluentes. Pelos dados do IBGE, o Brasil produz 228 mil toneladas de resíduos por dia. Pelas estatísticas da associação das empresas do setor, a Abrelpe, o volume é de 140 mil toneladas. “Os dados do IBGE, neste caso, não são a melhor informação”, diz João Wagner da Silva Alves, responsável pela análise do setor na Cetesb.

Protocolo de Montreal ajudou o de Kyoto

O Protocolo de Montreal, que cuida de banir os gases que destroem a camada de ozônio da Terra e, desta forma, aumentam a incidência de casos de câncer de pele, fez mais para o clima do planeta do que o próprio Protocolo de Kyoto, este sim, o documento internacional que procura reduzir a emissão de gases que provocam o aquecimento da Terra.

“Dependendo do país, os cortes de emissões de gases que arruinam a camada de ozônio, respondem por 3% a 5% das emissões de gases do efeito-estufa”, disse, em São Paulo, Roberto de Aguiar Peixoto, membro do comitê de opções técnicas em refrigeração e ar condicionado do PNUMA, o Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente. Trata-se de uma constatação curiosa – o mundo, tentando equacionar um problema, o da camada de ozônio, acabou acertando outro, o do aquecimento da Terra.

Nos anos 80, um erro comum era confundir um fenômeno com outro. O buraco na camada de ozônio é causado pelos gases CFCs, os clorofluorcabonos, que a humanidade decidiu banir há 20 anos, com a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal. Os CFCs eram muito utilizados em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, mas quando escapavam à atmosfera, destruíam a camada de ozônio, uma proteção natural para os raios ultravioleta. Com a camada de ozônio rarefeita, a radiação é mais intensa e aumentam os casos de câncer de pele e catarata. Desde 1999 não se produzem mais veículos com estes gases no Brasil e, desde 2001, nenhuma geladeira. Os CFC ainda são utilizados no Brasil em aerossóis para asmáticos.

O efeito estufa, por outro lado, é um desafio bem mais complicado. O fenômeno é provocado por gases provenientes da queima de combustíveis fósseis ou de desmatamento, a humanidade tenta resolver o problema através da Convenção-Quadro de Mudanças Climáticas e do Protocolo de Kyoto – e agora, de um esperado acordo em Copenhague, no fim deste ano. O efeito disso é o aquecimento da Terra. “Acontece que existe uma ponte entre estas duas questões ambientais”, diz Peixoto.

A ponte são os chamados gases fluorados (HFCs, PFCs e SF6, substitutos dos velhos CFCs, mas que são gases do efeito-estufa e muito nocivos para o aquecimento global. Os HFCs também têm prazo para serem substituídos, pelo bem-sucedido Protocolo de Montreal. “Eliminá-los é também um benefício para o clima. É preciso uma convergência das duas convenções”, defende Peixoto. (DC)

15/03/2009 - 10:25h O etanol brasileiro é uma das respostas ao aquecimento global

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14/03/2009 - 15:10h Le plus noir des scénarios climatiques se profile

Changement climatique

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COPENHAGUE ENVOYÉE SPÉCIALE LE MONDE

A neuf mois de la conférence de Copenhague, où la communauté internationale s’est fixé un ultime rendez-vous pour s’accorder sur un plan de réduction des gaz à effet de serre responsables du réchauffement climatique, rien ne garantit qu’un accord sera trouvé. C’est dans l’espoir de conjurer un possible échec que près de 2 000 scientifiques, parmi lesquels les plus éminents climatologues mondiaux, se sont réunis du 10 au 12 mars dans la capitale danoise.

“Imaginez un avion dont la probabilité d’arriver à destination est de 10 %. Monteriez-vous à bord ? Evidemment non…” Stefan Rahmstorf, de l’Institut de recherches de Potsdam sur le climat, aime bien cette métaphore pour expliquer ce qui est en train de se passer : depuis le dernier rapport du Groupe intergouvernemental d’experts sur l’évolution du climat (GIEC), publié en 2007, il est certain, à 90 %, que l’homme est à l’origine de la transformation du climat qui menace les grands équilibres planétaires.

Or tout se passe comme si les gouvernements s’interrogeaient encore sur la possibilité d’embarquer dans cet avion promis à la catastrophe. A Copenhague, la communauté scientifique a voulu démontrer une dernière fois, avant la fin des négociations, que le doute n’était plus permis. “Nous avons accumulé beaucoup de données depuis le dernier rapport du GIEC, en 2007. Nous voulons que les gouvernements décident en connaissance de cause”, a expliqué Katherine Richardson, de l’université de Copenhague, l’une des neuf universités à l’origine de cette initiative.

Les conclusions du GIEC s’appuient sur des données datant au mieux de 2005. Compte tenu de la lourdeur de cette organisation, qui réunit 2 500 chercheurs de 130 pays et dont l’ensemble des publications est soumis au consensus, le prochain rapport ne paraîtra pas avant 2014. Or “les dernières observations confirment que le pire des scénarios du GIEC est en train de se réaliser. Les émissions ont continué d’augmenter fortement et le système climatique évolue d’ores et déjà en dehors des variations naturelles à l’intérieur desquelles nos sociétés et nos économies se sont construites”, a affirmé le comité scientifique de la conférence. Les prévisions du GIEC anticipent une hausse des températures comprises entre 1,1 °C et 6,4 °C à la fin du siècle par rapport à la période préindustrielle.

Stefan Rahmstorf a présenté une étude selon laquelle le niveau des océans pourrait augmenter dans une fourchette de 75 cm à 190 cm d’ici à 2100. Soit bien au-delà des prévisions du GIEC allant de 18 cm à 59 cm. Celles-ci – et le GIEC avait pris soin de le souligner – ne prenaient pas en compte l’évolution des calottes glaciaires du Groenland et de l’Antarctique. Or leur rôle serait en réalité majeur, au travers de la fonte des glaces mais surtout de leur “écoulement” dans la mer. “Ce phénomène est beaucoup plus massif et beaucoup plus rapide que nous ne le pensions”, confirme Eric Rignot, professeur à l’UC Irvine en Californie.

Lucka Kajfez Bogataj, de l’université de Ljubljana (Slovénie), a épluché l’ensemble des études climatiques parues dernièrement. Elle conclut sans hésiter : “L’impact du réchauffement est plus précoce et plus rapide que prévu.” Entre 1990 et 2006, le monde a connu les treize années les plus chaudes depuis 1880, qui marque le début de l’ère industrielle, cite-t-elle en exemple.

Spécialiste des écosystèmes, Andreas Fischlin, de l’Institut fédéral de technologie de Zurich, va dans ce sens : “Les écosystèmes stockent 25 % des émissions mondiales de carbone. Cette capacité de stockage devrait culminer vers 2050, avant que les écosystèmes fragilisés par le réchauffement ne se mettent à leur tour à relâcher du CO2 dans l’atmosphère aggravant ainsi le phénomène. Ce problème est beaucoup plus important que nous ne le pensions il y a cinq ans.”

Ce que les scientifiques ont baptisé des tipping points, soit des seuils au-delà desquels les conséquences du réchauffement deviennent irréversibles et incontrôlables, pourraient être plus bas. “Nous pensions que la survie des ours polaires serait menacée à partir d’une hausse des températures de 2,8 °C, il est probable que cela soit déjà vrai à partir de 1,5°C”, avance M. Fischlin.

La richesse des hotspots (”points chauds”) de la biodiversité, ces régions qui concentrent quantité d’espèces rares ou endémiques, serait en danger à partir d’un réchauffement de 1,6 °C. “Les nouveaux modèles dont nous disposons nous montrent que beaucoup de seuils de rupture se trouvent dans la bande des 2 °C à 3 °C. Et qu’il faudrait mieux garder une distance de sécurité pour ne pas risquer de s’en approcher”, poursuit le chercheur. Sir Nicholas Stern, auteur du célèbre rapport sur “l’économie du changement climatique”, a indiqué que “le coût de l’inaction sera supérieur à ce qu’il avait présenté en 2006″.

Présent à Copenhague, le président du GIEC, Rajendra Pachauri, n’est pas sorti de son devoir de réserve mais, à neuf mois de l’échéance, il a jugé “utile que cette conférence rappelle aux politiques qu’il existe une crise plus grave que la crise économique”. James Hansen, le célèbre climatologue de la NASA qui fut l’un des premiers à alerter en 1988 sur les dangers du réchauffement, a été plus direct : “Il faut que l’opinion soit sûre d’une chose. Les scientifiques sont clairs. Il n’existe pas de grosses incertitudes sur le film qui est devant nous. Et les politiques ne peuvent pas s’abriter derrière de prétendues inconnues pour ne pas agir.” En clair, les scientifiques ont fait leur travail. Aux politiques maintenant de faire le leur.

Laurence Caramel

http://medias.lemonde.fr/mmpub/edt/ill/2008/05/27/h_12_ill_1050506_kyoto.jpgA New York, les anti-Kyoto dénoncent “l’alarmisme environnementaliste”

LE MONDE

Elle ne figure pas à l’agenda officiel des grandes réunions sur le climat, mais se targue du titre de “Conférence internationale sur le changement climatique”. Sa deuxième édition s’est tenue à New York du 8 au 10 mars, avec comme invité de marque le président tchèque Vaclav Klaus, dont le pays préside actuellement l’Union européenne (UE).

Quant à l’organisateur de ce rassemblement – où s’est pressé un demi-millier de scientifiques, de politiciens et d’économistes -, il s’agit de l’Institut Heartland, un groupe de réflexion qui, selon sa charte, entend “promouvoir des solutions aux problèmes économiques et sociaux par la liberté du marché (et) la dérégulation, partout où l’initiative privée est plus efficace que les bureaucraties gouvernementales”.

Credo des participants : dénoncer les théories sur le changement climatique, dénuées, selon eux, de fondements scientifiques et fer de lance d’une guerre sournoise contre le capitalisme. M. Klaus a ouvert les débats en dénonçant “l’alarmisme environnementaliste” dont “le véritable projet est (…) de ramener l’humanité des siècles en arrière”. Une déclaration critiquée, le 12 mars, par Martin Bursik, ministre tchèque de l’environnement, qui regrette “l’amateurisme et les positions bizarres” de M. Klaus sur cette question.

Qui sont les vecteurs de cette menace ? Al Gore, l’ancien vice-président américain et co-Prix Nobel de la paix, mais aussi le Groupe intergouvernemental d’experts sur l’évolution du climat (GIEC), pour qui l’impact de l’homme sur le climat est quasi certain.

“REFROIDISSEMENT PLANÉTAIRE”

Les intitulés des interventions indiquent la tonalité générale des débats. “Comment arrêter le protocole de Kyoto ou sa prochaine version ?”, “Pourquoi le CO2 n’est pas responsable du réchauffement”, etc. Parmi les tenants du “scepticisme”, aucun climatologue de renom, à l’exception de Richard Lindzen (MIT) et Roy Spencer (Université d’Alabama à Huntsville), connu pour ses prises de position néocréationnistes.

Mais des divergences sont rapidement apparues. Plusieurs intervenants remettent en question la réalité même du réchauffement. Ainsi, pour le géologue Don Easterbrook (Université occidentale de l’Etat de Washington), on assiste, depuis 1977, à un “refroidissement planétaire”. “Le seul lieu où la supposée catastrophe climatique se produit est dans le monde virtuel des modèles informatiques”, expliquait de son côté le politicien Marc Morano. D’autres ne la nient pas, mais récusent le rôle de l’homme. Comme l’astronome Willie Soon (Université Harvard), qui l’attribue à l’activité solaire…

L’essentiel de la communauté climatologique “ignore totalement ce qui se passe à cette réunion, où on ne fait pas de science, et où aucun résultat nouveau n’est annoncé”, explique le climatologue Gavin Schmidt (Goddard Institute for Space Studies, NASA). D’autres critiques soulignent que, chose rare pour les conférences scientifiques, les intervenants sont rémunérés. Ce que confirme au Monde Dan Miller, porte-parole de l’Institut Heartland. En outre, le groupe de réflexion ne divulgue pas la liste de ses donateurs. Exxon Mobil en a longtemps fait partie, avant de renoncer, en 2006, à financer le “climato-scepticisme”.


Sylvain Cypel (à New York), avec Stéphane Foucart

13/03/2009 - 17:05h Ciência enfrenta política em encontro sobre clima

Premiê e pesquisador discutiram em plenário

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GUSTAVO FALEIROS COLABORAÇÃO PARA A FOLHA EM COPENHAGUE

Organizado para atualizar estimativas sobre o aquecimento global, o Congresso Científico Internacional sobre Mudanças Climáticas terminou ontem em Copenhague com um intenso debate entre cientistas e o primeiro-ministro da Dinamarca.
O premier Anders Rasmussem, após a apresentação dos resultados finais do encontro, defendeu que o novo acordo climático deve estabelecer uma meta que permita uma elevação de até 2ºC na temperatura global. A Dinamarca assumirá a presidência da Convenção do Clima da ONU em dezembro, quando 190 países negociarão novas metas de emissão para o próximo período de Protocolo de Kyoto, o pós-2012.
Após a fala do primeiro-ministro, o oceanógrafo alemão Stepham Rahmstorf pediu a palavra e disse que usar o nível de 2ºC não diminui a insegurança com relação a graves impactos da mudança do clima. “Os 2ºC devem ser um limite que não deve ser ultrapassado e não uma meta”, disse.
Rasmussem reagiu e perguntou se Rahmstorf estava afirmando que o IPCC (painel do clima da ONU) errou ao sustentar que 2C era um limite razoável. “Você acha que eu deveria dizer à União Europeia que nós deveríamos revisar esta meta, que levou meses para ter consenso?”, afirmou.
Will Stefen, cientista da Universidade Nacional da Austrália, interveio com panos quentes no debate. Disse ao ministro que adotar 2ºC como meta poderia ser uma saída para viabilizar o acordo climático no curto prazo. Mas fez ressalva: “Creio que num futuro bem próximo teremos que revisar isso”.
A disputa em torno dos limites de temperatura acabou sintetizando a principal conclusão do Congresso em Copenhague: cientistas precisam alertar governos de que o problema é mais sério do que se imaginava.
“Observações recentes confirmam que, devido às altas taxas de emissão [de gases-estufa], os piores cenários do IPCC estão se tornando reais”, afirma o texto síntese da reunião.
Entre os dados mais pessimistas apresentados em Copenhague, destaca-se o modelo de Rahmstorf que a elevação do nível do mar será mais que o dobro da prevista pelo IPCC.
Nicholas Stern, economista autor de estudo de 2006 que prevê um rombo de até 20% no PIB caso a mudança climática não seja combatida, admitiu em conferência de imprensa que, apesar de severos, os cenários projetados por ele já estão defasados. “Olhando para trás, o “Relatório Stern” subestimou os riscos e os danos”, afirmou.

24/02/2009 - 14:16h Questão climática pode provocar “longa guerra mundial”

Lobby do clima leva ministros à Antártida

Comitiva integrada pelo brasileiro Carlos Minc visita estação norueguesa para ver como degelo antártico afetaria o globo

Grupo tem representantes de mais de 10 países, como China e EUA; objetivo é tentar salvar conferência de Copenhague, em dezembro

Charles Hanley/Associated Press

Ken Pedersen, líder de expedição norueguesa que cruzou a Antártida, dá “aula’ de ciência polar aos ministros na estação Troll

 

Folha SP

Um grupo de ministros do Ambiente, entre os quais o brasileiro Carlos Minc, e negociadores internacionais de clima chegou ontem à Antártida após ouvir do economista britânico Nicholas Stern que a falha em lidar com a questão climática agora provocará uma “longa guerra mundial”.
Stern falou aos ministros no sábado na Cidade do Cabo, ponto de partida para a viagem de 9 horas até a estação norueguesa Troll. Segundo ele, nas mãos do grupo de negociadores estava o potencial de evitar migrações causadas por desastres climáticos, que poderiam causar conflitos em massa.
“De algum jeito nós temos de explicar às pessoas o quão preocupante isso é”, afirmou Stern, ex-economista-chefe do Reino Unido e autor do relatório que leva o seu nome, divulgado em 2006, sobre os custos da mudança climática.
A viagem foi organizada pelo ministro do Ambiente da Noruega, Eric Solheim, com o objetivo de mostrar aos seus colegas a dimensão do continente austral e como o seu eventual degelo poderia afetar o nível do mar de forma dramática.
Ela faz parte de um esforço diplomático explícito para tentar salvar do colapso a cúpula do clima de Copenhague, marcada para dezembro. O encontro precisa produzir um acordo internacional de combate aos gases de efeito estufa que amplie e substitua o Protocolo de Kyoto -cuja primeira fase de compromisso expira em 2012.
Se Copenhague falhar em produzir um acordo sólido que ponha o mundo no caminho de uma redução de pelo menos 50% das emissões até 2050, alertam os cientistas, o aquecimento global pode sair do controle. Se o acordo for adiado, o mundo pode ficar a partir de 2012 com um “buraco” legal na proteção do clima.
A comitiva tem representantes de mais de uma dezena de nações, incluindo Argélia, Suécia, Congo, Finlândia, Reino Unido e Rússia. Os dois principais poluidores do planeta -e potenciais obstáculos a um acordo nem Copenhague- , China e EUA, também estão representados, pelo negociador de clima Xie Zenhua e o subsecretário de Estado Dan Reifsnyder, respectivamente.
Na Antártida, Minc e seus colegas se encontraram com cientista noruegueses e americanos que acabam de voltar de uma expedição de 2.300 km do polo Sul até a estação Troll. Também aprenderão sobre as grandes incertezas que ainda existem na pesquisa climática no continente austral: o quanto a Antártida está esquentando? Qual é a quantidade de gelo que está efetivamente derretendo e aumentando o nível do mar? E o quanto isso pode contribuir para a elevação dos oceanos nas próximas décadas?
A contribuição do manto de gelo antártico (que concentra 90% do gelo do planeta) para a elevação do nível do mar no globo não pôde ser calculada pelos modelos climáticos do IPCC, o painel de climatologistas das Nações Unidas.
A dinâmica do gelo é muito complexa e, embora algumas regiões estejam perdendo gelo aceleradamente, como a península Antártica, no manto de gelo da Antártida Oriental (onde fica a estação norueguesa) os sinais são misturados. “Nós não sabemos o que está acontecendo lá”, disse David Carlson, coordenador científico do Ano Polar Internacional, o maior esforço de pesquisa já feito para entender os polos e o clima, que se encerra neste mês.
Um derretimento descontrolado na Antártida Ocidental -a região do continente que mais aqueceu nas últimas décadas-, no entanto, bastaria para elevar o nível do mar em vários metros. “Poderia ser o ponto de virada mais perigoso deste século”, disse James Hansen, climatologista da Nasa.
No mês que vem, Hansen e outros pesquisadores realizarão sua própria cúpula de emergência em Copenhague para discutir maneiras de forçar os governos a agir.


Com agências internacionais

21/11/2008 - 16:41h Gotas

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Normalmente é no fim de mês que faço um balanço do blog. Mas acabei de verificar que no dia de hoje o Blog passou o milhão de leitores, desde que em 20 de fevereiro 2008 foi para IG.

Em 9 meses ter atingido esse número de leitores me reconforta. Ao mesmo tempo implica novos desafios para consolidar este instrumento de reflexão e dialogo. A cada mês o número de leitores tem crescido e contrariamente ao que pensei que aconteceria após as eleições municipais, não teve diminuição dos internautas que todos os dias entram nesta casa.

 

Mensalinho

O jornal O Estado de São Paulo fez um retrospecto sobre os escândalos do uso “político” do banco Nossa Caixa.

A nota, por sua vez, é um escândalo.  Para o Estadão o retrospecto para com a chegada dos tucanos ao comando do banco. Nos últimos 14 anos o jornal nada viu. Porem, faz pouco tempo o responsável da publicidade do banco teve que ser afastado pela generosidade com deputados estaduais aliados.

A Nossa Caixa gastou R$ 43,8 milhões em contrato com agências de publicidade, entre setembro de 2003 e julho de 2005. Duas empresas foram beneficiadas. Elas foram contratadas em 2002 para prestar serviços por 18 meses. Vencidos os contratos, os serviços continuaram sendo prestados sem que houvesse nova licitação ou que os contratos tenham sido prorrogados. Há a suspeita, amparada na liberação de verbas e em correspondência eletrônica trocada pelo Palácio dos Bandeirantes com as agências e o banco, de que empresas ligadas a deputados da base de sustentação política do governador foram favorecidas.

Como se vê, uma história mal contada.

Era o governo Alckmin, é o Estadão.

Uma coisa explica a outra?

 

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“Os bancos estatais brasileiros padecem de três enormes problemas crônicos. O primeiro deles é o clientelismo. Qualquer maioral da política se julga no direito de obter favores especiais”, a frase é da coluna de Celso Ming, articulista econômico do jornal O Estado de São Paulo.

Estranhamente ninguém utilizou este surrado argumento para aplicá-lo ao preço obtido por José Serra pela venda da Nossa Caixa ao BB, nem ao próprio fato dele ter decidido vender o banco. Tampouco serviu esta “verdade” para condenar a compulsória compra da folha de pagamento dos servidores estatais pela Nossa Caixa, imposta pelo governador.

O “clientelismo” só é condenado quando não favorece a escolha “politicamente correta”?

Argumentos

Não encontrei nenhum argumento que explique porque é um bom negocio pra o Estado de São Paulo vender Nossa Caixa e deixar de contar com um banco de incentivo para a indústria e o comércio estadual (Se este banco não for necessário, porque criar uma instituição de fomento, no seu lugar?). Muito foi dito sobre o interesse eleitoral de José Serra, mas ninguém parece considerar que este interesse deveria corresponder ao interesse público do Estado de São Paulo.

A venda da Nossa Caixa é um bom negocio para o Estado de São Paulo?

Porque?

 

 

Parabéns

O Ministério de Turismo está de parabéns. Graças ao seu trabalho e ao apoio das emendas dos parlamentares, o investimento no setor terá um acréscimo importante de verbas. Isto é essencial, particularmente em momentos de crise econômica mundial.

Segundo o jornal Folha de SP, que informa com destaque o assunto, as emendas estão destinadas a “obras de saneamento básico, construção de estradas, melhorias urbanas, investimentos em meio ambiente, qualificação profissional e campanhas de promoção de destinos turísticos.
“Considerando que o orçamento de programação é pequeno em face das necessidades e que o turismo é uma atividade econômica muito importante no país e em franco desenvolvimento, o aporte de emendas é fundamental e característico dos orçamentos do ministério desde 2004″, informou o ministério.
No Orçamento deste ano, de R$ 2,7 bilhões, R$ 2, 2 bilhões tiveram origem em emendas. Em 2007, foram propostos R$ 6,5 bilhões de emendas ao programa do Turismo. Os dados são das consultorias de Orçamento do Congresso.

 

Ar novo

As perspectivas de sucesso da luta mundial para combater o aquecimento global ganharam peso depois que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, deixou claro que o país pretende fazer sua parte nas negociações para a renovação do Acordo de Kioto para redução das emissões dos gases-estufa.

Suas palavras colocaram um ponto final em oito anos de obstruções impostas pelo governo de George W. Bush, que se recusou a ratificar o acordo em 2001, impondo danos incalculáveis aos esforços internacionais de elaborar uma resposta unificada ao problema.

Em contraste, as palavras do presidente eleito, gravadas em vídeo, injetaram novo ânimo e otimismo entre os negociadores.

Embora não vá participar da próxima reunião de clima na Polônia, em dezembro, ele garantiu: — Assim que eu assumir, vocês podem estar certos de que os Estados Unidos vão, mais uma vez, se engajar vigorosamente nessas negociações e ajudar a liderar o mundo em direção a uma nova era de cooperação global em mudanças climáticas. (Fonte The Independent e O Globo).

 

O lado bom

A direita já atira contra Dilma. Escolhendo o lado dos torturadores, ditadores e inimigos da democracia, a direita procura sujar o passado de Dilma Rousseff. O lado escolhido por Dilma na época do regime militar é motivo de orgulho para os defensores da democracia. Torturada e presa, esse passado é um argumento a favor de Dilma Rousseff, mesmo se a opção da “luta armada” não era a mais adequada, na minha opinião.

A direitona faz circular na internet este suposto curriculum vitae para atingi-la. Minha solidariedade para Dilma e meu respeito pela sua coragem.

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Gotas, por Luis Favre

16/11/2008 - 14:12h Soluções para clima e economia andam juntas

Investir na substituição de tecnologias energéticas antiquadas ajudaria na criação de empregos

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Al Gore* – O Estado SP

A inspiradora e transformadora escolha feita pelo povo americano ao eleger Barack Obama como nosso 44º presidente estabelece os fundamentos para outra escolha decisiva que ele – e nós – teremos de fazer em janeiro para dar início a um resgate da civilização humana, em caráter emergencial, da iminente e cada vez maior ameaça representada pela mudança climática.

A eletrizante redenção da revolucionária declaração feita pelos EUA afirmando que todos os seres humanos nascem iguais prepara o palco para a renovação da liderança americana num mundo que precisa desesperadamente proteger seu dote primário: a integridade e as condições de vida do planeta.

A autoridade mundial sobre a crise climática, o Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), depois de 20 anos de estudos detalhados e da publicação de quatro relatórios unânimes, diz agora que as provas são “inequívocas”. Para aqueles que ainda se sentem tentados a ignorar os alarmes cada vez mais urgentes emitidos pelos cientistas de todo o mundo, a fechar os olhos para o derretimento da calota de gelo sobre o pólo norte e para todas as outras advertências apocalípticas feitas pelo próprio planeta, e para aqueles que dão mostras de tédio à menor menção desta ameaça existencial ao futuro da espécie humana, por favor, acordem. Nossos filhos e netos precisam que vocês nos dêem ouvidos e reconheçam a verdadeira natureza da nossa situação, antes que seja tarde demais.

Eis as boas notícias: os ousados passos necessários para resolver a crise climática são os mesmos que precisam ser tomados para resolver a crise econômica e a crise de segurança energética.

Os economistas de todas as orientações – incluindo Martin Feldstein e Lawrence Summers – concordam que investimentos rápidos e de grande valor numa iniciativa de infra-estrutura capaz de criar muitos empregos são a melhor maneira de reanimar nossa economia de maneira ágil e sustentável. Muitos também concordam que nossa economia enfrentará dificuldades se continuarmos a gastar centenas de bilhões de dólares todos os anos com petróleo importado. Além disso, especialistas em segurança nacional de ambos os partidos concordam que enfrentaremos uma perigosa vulnerabilidade estratégica caso o mundo perca subitamente o acesso ao petróleo do Oriente Médio.

Conforme disse Abraham Lincoln no momento mais sombrio pelo qual a América já passou, “a ocasião nos apresenta uma montanha de dificuldades, e precisamos corresponder à ocasião. Por ser novo o nosso problema, nós também precisamos inovar nas nossas idéias, e agir de maneira inovadora”. No nosso caso atual, pensar de maneira inovadora exige rejeitar uma definição superada e fatalmente equivocada do problema que enfrentamos.

Há 35 anos, o presidente Richard Nixon criou o Projeto Independência, estabelecendo uma meta nacional que esperava, no prazo de sete anos, desenvolver nos EUA “o potencial para satisfazer nossas próprias necessidades energéticas sem depender de fontes estrangeiras de energia”. Essa declaração foi feita três semanas após o embargo árabe ao petróleo ter provocado uma aguda elevação nos preços e obrigado a América a acordar para os perigos da dependência em relação ao petróleo estrangeiro. E – não é coincidência – isso ocorreu apenas três anos depois de a produção de petróleo dos EUA ter atingido o seu ápice.

Na época, os EUA importavam de outros países menos de um terço do total de petróleo consumido. E hoje, depois de todos os seis sucessores de Nixon terem repetido alguma versão dessa meta, nossa dependência dobrou, chegando a importação de quase dois terços do petróleo que consumimos – e muitos crêem que a produção mundial de petróleo esteja no seu ápice, ou muito próxima disso.

Alguns ainda enxergam isso como um problema de produção doméstica. Se ao menos conseguíssemos aumentar nossa produção de petróleo e carvão, argumentam eles, assim não teríamos de depender de importações do Oriente Médio. Outros inventaram maneiras ainda mais sujas e caras de obter os mesmos velhos combustíveis, como o carvão líquido, o petróleo de xisto, a areia alcatroada e a tecnologia do “carvão limpo”. Mas em cada um desses casos, os recursos em questão são caros demais ou poluentes demais.

Eis o que podemos fazer agora: um investimento elevado e imediato para empregar as pessoas na substituição das tecnologias energéticas do século 19, que dependem de combustíveis perigosos e caros de matriz carbônica, pelas tecnologias do século 21, que utilizam combustível gratuito e abundante: o sol, o vento e o calor natural da terra. Segue-se um plano de cinco partes para restaurar o poder energético da América com o compromisso de produzir 100% da nossa energia a partir de fontes livres do carbono em um prazo de dez anos. É um plano que nos aproximaria de soluções para a crise climática e econômica – e criaria milhões de novos empregos que não poderiam ser terceirizados.

Em primeiro lugar, Obama e o novo congresso deveriam oferecer incentivos de larga escala ao investimento na construção de instalações solares e térmicas concentradas nos desertos do sudoeste, instalações eólicas no corredor que vai do Texas até as Dakotas e instalações avançadas em pontos de grande geração de calor geotérmico capazes de produzir boa quantidade de eletricidade.

Em segundo lugar, devemos começar o planejamento e construção de uma rede nacional inteligente e unificada para o transporte da energia renovável, desde as zonas rurais onde ela é gerada na sua maior parte até as zonas urbanas onde ela é consumida. Nova fiação subterrânea de alta voltagem e grande eficiência pode ser projetada com recursos “inteligentes” , eliminando o desperdício. O custo dessa rede moderna – US$ 400 bilhões ao longo de dez anos – não se compara à perda anual das empresas americanas (cerca de US$ 120 bilhões) provocada pelo efeito cascata de falhas que são endêmicas à nossa rede elétrica.

Em terceiro lugar, devemos ajudar a indústria automobilística americana (não apenas as três grandes, mas também as novas empresas, mais inovadoras) na rápida conversão para modelos híbridos capazes de funcionar alimentados com a energia renovável que estará disponível conforme este plano amadurecer.

Em quarto lugar, devemos embarcar num esforço nacional pela adaptação de melhores sistemas de isolamento e janelas e sistemas de iluminação de maior eficiência energética. Aproximadamente 40% das emissões de dióxido de carbono nos EUA vêm dos prédios – e combater esta poluição economiza o dinheiro dos proprietários de apartamentos e de estabelecimentos comerciais. Esta iniciativa deve ser acompanhada no Congresso por uma proposta de ajuda aos americanos prejudicados pelas hipotecas cujo valor excede o de seus lares.

Em quinto lugar, os EUA devem mostrar o caminho adotando um preço doméstico para o carbono, e liderando, no ano que vem, o esforço mundial em Copenhague pela substituição do Tratado de Kyoto por um pacto mais eficaz, que limite as emissões globais de dióxido de carbono e encoraje os países a investir juntos, de maneira eficiente, na rápida redução da poluição responsável pelo aquecimento global, e na redução do desmatamento.

É claro que a melhor maneira – na verdade a única maneira – de garantir um acordo global para proteger nosso futuro é por meio do restabelecimento dos EUA como um país detentor da autoridade moral e política para liderar o mundo na direção de uma solução.

Olhando para o futuro, tenho grande esperança de que teremos a coragem de abraçar as mudanças necessárias para salvar nossa economia, nosso planeta e, afinal, a nós mesmos.

Numa era anterior de transformação na história americana, o presidente John F. Kennedy desafiou nosso país a colocar um homem na lua dentro de dez anos. Oito anos e dois meses mais tarde, Neil Armstrong pôs os pés na superfície lunar. A média de idade entre os engenheiros de sistemas que comemoraram o sucesso da missão da Apollo 11 na sala de controle de Houston naquele dia era de 26 anos, o que significa que sua média de idade quando o presidente Kennedy anunciou o desafio era de 18 anos.

Este ano viu igualmente a ascensão dos jovens americanos, cujo entusiasmo eletrizou a campanha de Barack Obama. Não há muita dúvida de que este mesmo grupo de jovens desempenhará um papel essencial neste projeto para garantir o futuro do nosso país, novamente transformando metas aparentemente impossíveis em sucessos inspiradores.

*Al Gore escreveu o artigo para The New York Times

13/04/2008 - 14:14h Du Sucre et des Fleurs dans nos Moteurs (Açúcar e flores em nossos motores)

Em momentos em que o protecionismo contra o etanol brasileiro ganha corpo na Europa, o documentario francês Du sucre et des fleurs dans nos moteurs de Jean-Michel Rodrigo põe os pingos nos “i” dos gringos. Vale a pena assistir e recomendá-lo aos que entendem francês.


Retrouvez des films engagés pour tenter de restaurer l’écosystème planétaire :

L’Odyssée Sibérienne de Nicolas Vanier.
Un voyage saisissant au coeur d’une beauté à préserver d’urgence.

Du sucre et des fleurs dans nos moteurs de Jean-Michel Rodrigo.
Une réflexion sur les solutions alternatives à la consommation du pétrole.

En 1 clic, depuis votre ordinateur, sélectionnez le film que vous souhaitez parmi un large choix en qualité DVD.

Visionnez-le immédiatement et profitez d’un rendu optimal de l’image et du son, pour votre plus grand plaisir.

L’achat de la vidéo est reporté sur votre prochaine facture.


 

08/07/2007 - 13:26h Brasil terá compromissos ambiciosos sobre o clima

ENTREVISTA
SÉRGIO SERRA

Recém-designado embaixador especial do país para mudança climática diz que é possível adotar meta interna de redução do desmate, com crivo internacional

O BRASIL tem condições de adotar uma meta interna de redução de desmatamento na Amazônia, e poderá usá-la como parte de seu compromisso no acordo internacional contra o aquecimento global a ser adotado após 2012, em substituição ao Protocolo de Kyoto. Quem dá o recado é Sérgio Serra, 65, recém-designado pelo ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) como embaixador do Brasil para mudanças climáticas. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes)

Para Lula, questão é “estratégica”

DA REDAÇÃO

A criação do cargo de embaixador extraordinário para mudança do clima é apenas uma das iniciativas do governo para atacar uma questão considerada “estratégica” pelo presidente Lula. Também neste ano, o Ministério do Meio Ambiente criou uma secretaria para o tema, e o Ministério da Ciência e Tecnologia monta uma rede de pesquisas climáticas.
Lula criou, no Planalto, um grupo especial de discussão do assunto. O comitê tem concluído que o Brasil precisa se afastar, sem ruptura, da posição da China e da Índia, contrárias a metas, nas negociações internacionais. (CA)

07/06/2007 - 06:21h Opinião: Enfrentando os desafios do clima

SERGIO BARBOSA SERRA
Nenhum assunto tem merecido mais atenção, em escala planetária, do que a mudança do clima. O motivo está aí: com os últimos relatórios do IPCC, nem os outrora mais céticos contestam a realidade do aquecimento global.

Tampouco a noção de que ele ocorre em função da ação do homem, desde a Revolução Industrial.

Para o Brasil, o enfrentamento do problema passa necessariamente pela ação concertada global. E esta se dá através do regime internacional representado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e seu Protocolo de Kioto.

Um esclarecimento que se faz necessário é que as freqüentes afirmações de que o Protocolo de Kioto “expira em 2012” são, a rigor, falsas. O que expira, isto sim, em 2012, é o primeiro período de cumprimento das metas de redução de emissões do protocolo. Metas essas que a maioria dos países que com elas se comprometeu está longe de alcançar.

No caso do Brasil, estamos plenamente conscientes de nossas responsabilidades ponsabilidades como condôminos deste planeta. E estamos fazendo nosso dever de casa. Nossa matriz energética já é das mais limpas do mundo, com participação de 45% de fontes renováveis, contra uma média mundial de 14%.

Ademais, desenvolvemos a mais bem-sucedida iniciativa de biocombustíveis do mundo. Uma história de sucesso de notável repercussão internacional, que está levando a uma mudança inédita de padrões de consumo e conseqüente redução de queima de combustíveis fósseis. Leia mais no jornal O Globo (para assinantes)