13/07/2009 - 10:16h Participação do PIB do Brasil na AL deve crescer

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Conjuntura: Peso da economia do país na região aumentou 4,4 pontos percentuais entre os anos 2000 e 2008

Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

Mesmo na crise, o Brasil segue a tendência verificada ao longo da década de aumento da participação sobre o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, devendo encerrar a década com avanço de 5 pontos percentuais em sua participação na economia regional. Entre 2000 e 2008, o peso da economia brasileira na região cresceu 4,4 pontos percentuais, passando de 30,9% para 35,3%, conforme levantamento da Comissão Econômica para América Latina (Cepal).

Em 2009, segundo cálculo do BNP Paribas e do JP Morgan, a participação brasileira aumentará entre 0,6 e 0,7 ponto percentual e em 2010, terá incremento menor, de 0,1 a 0,3 ponto percentual. Vizinhos como Chile e Venezuela, que também ganharam importância na economia latino-americana, devem encerrar a década com avanços inferiores a dois pontos.

Em termos globais, a economia brasileira também deve apresentar resultados acima da média mundial, mas inferiores ao desempenho previsto para outros países emergentes. “As projeções para a economia brasileira são de queda no PIB de até 0,5%, que ainda é um desempenho positivo em comparação com outras economias. Esse resultado aumentará o peso relativo da economia brasileira na região”, avalia o representante da Cepal para América Latina, Renato Baumann. O organismo divulga na próxima semana as projeções de PIB para 2009.

Baumann ratifica as previsões já divulgadas por organismos como o Banco Mundial (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) de recuperação da economia global a partir do segundo semestre, mas em nível insuficiente para reverter a tendência de queda neste ano. O Bird projeta queda de 2,9% no PIB global em 2009 e expansão de 2% no próximo ano.

Para a América Latina, a previsão é de queda de 2,2% neste ano e alta de 2% no próximo. O Brasil, segundo o Bird, deve apresentar retração de 1,1% na economia em 2009 e expansão de 2,5% em 2010.

O BNP Paribas projeta para este ano queda de 1,2% no PIB brasileiro e de 2,7% na América Latina. “É uma das projeções mais pessimistas do mercado, porque o banco considera que haverá desaceleração do consumo no mercado interno por conta do aumento na taxa de desemprego. O banco também aposta em uma melhora na taxa de investimento e do setor de bens de capital apenas em 2010. Há quem espere uma recuperação já no quarto trimestre”, afirma o estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz. Se for confirmado esse desempenho, o país encerrará o ano com 35,8% de participação no PIB regional, o que representa um avanço de 0,5 ponto percentual sobre a participação verificada no ano passado.

Para o Chile, que em 2008 representava 4,17% do PIB latino-americano, o banco prevê queda de 2% no PIB, levando a economia desse país a representar 4,17% da região. Para a Argentina, a previsão é de queda de 3,1% na economia e recuo na participação de 8,12% para 8,09%. O México terá a retração mais significativa da América Latina, com queda de 6,7% no PIB e redução da participação de 26,6% para 25,8%. “O ponto chave do desempenho econômico nos próximos trimestres será a recuperação da demanda doméstica. Países como o Chile e o México, cujas economias estão mais expostas, tendem a sofrer mais. Economias mais fechadas, como a brasileira, sofrerão menos”, afirma Lintz.

Outro diferencial apontado por Lintz que garantirá ao Brasil um desempenho acima da média é a capacidade do governo de estimular a economia. “A taxa de juros e os juros compulsórios são muito altos, as outras economias latino-americanas não têm tanta margem para baixar os juros e estimular o crescimento”, avalia. Outro ponto citado por ele é a possibilidade de o Brasil abrir mão de parte do superávit primário para investimento. No Chile, compara, o governo utilizou parte da poupança externa adquirida nos últimos anos com a expansão das exportações de commodities. “O Brasil fez a política anticíclica utilizando gastos correntes e não com fundo soberano, como foi feito no Chile.”

Para 2010, o BNP prevê expansão de 2,7% no PIB da América Latina, pouco acima dos 2,4% previstos para a economia global. O desempenho será puxado pelo crescimento do Brasil (3,5%), do Chile (3,2%), da Colômbia e do México (ambos com 3,1%). Argentina e Venezuela ainda registrarão quedas, de 1,5% e 2,7%, respectivamente.

Se tais estimativas forem confirmadas, a participação do Brasil no PIB da região chegará a 36,1% – avanço de 5,2 pontos percentuais na década. O Chile alcançará 4,24% de participação e também superará o nível de 2008 e o patamar do início da década, de 3,62%. O México ganhará peso na economia latino-americana, com participação de 26,07%, mas não recuperará o nível de 2008. Na década, perderá 4,47 pontos percentuais de participação no PIB regional. A Argentina ganhará participação, passando a representar 8,04% da economia da região (nível similar ao de 2008). Ainda assim, o país encerrará a década com perda de 5,6 pontos percentuais de participação.

O JP Morgan projeta para este ano queda de 1% do PIB brasileiro e de 2,9% na América Latina, com elevação da participação brasileira na economia da região para 35,9%. Para 2010, o banco projeta crescimento de 3,5% da economia brasileira e de 3,3% da economia latino-americana, elevando o peso do Brasil no PIB regional para 36,04%. Tanto o resultado brasileiro como o da região se manterão acima da média global. O JP Morgan prevê queda na economia global de 2,7% neste ano e incremento de 2,9% em 2010. “O resultado será superior à média global, mas inferior ao desempenho dos países emergentes, que devem crescer 5,2% no próximo ano, principalmente os países asiáticos”, estima o economista-chefe do JP Morgan, Fábio Akira.

Na sua avaliação, o fato de os preços internacionais das commodities haverem recuado menos do que se esperava durante a crise contribuiu para que o desempenho do Brasil e da América Latina se mantivesse acima da média mundial, já que a região é exportadora líquida de commodities.

Ainda de acordo com os cálculos do banco, a economia chilena registrará queda de 1,5% neste ano e crescimento de 3,2% em 2010, mantendo a mesma participação na economia da América Latina verificada no ano passado, de 4,2%. Na década, o ganho será de 0,58 ponto percentual. O México terá queda de 5,5% neste ano e expansão de 3,8% no próximo ano. A participação no PIB da América Latina ficará em 25,47%, abaixo dos 26,56% de 2008.

03/12/2008 - 08:46h Latin America Grows in Popularity as Trade Partner as Opportunities in Traditional Markets Shrink

Toda Mídia de Nelson de Sá destaca hoje a pesquisa publicada por Market Watch. A pesquisa, da consultoria Economist Intelligente Unit, ligada à “Economist”, mostra como “a América Latina continua atraente às empresas” multinacionais. A razão, responde a maioria, é a desaceleração nos mercados tradicionais. E para 69% o Brasil é “chave na sua expansão a médio prazo”.

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AMSTERDAM, Netherlands, Dec 01, 2008 /PRNewswire via COMTEX/ — According to a 2008 survey by the Economist Intelligence Unit, undertaken on behalf of Atradius, the leading global credit insurer, the countries of Latin America continue to be attractive markets for businesses looking for opportunities to expand their sales, as their traditional markets are becoming increasingly crowded. Key findings include:

More than half of those surveyed (53%) said that their decision to seek out opportunities in the region was influenced mainly by a slowdown in their traditional markets.

50% of respondents identified competitive pressures in their home market as a deciding factor.

69% of those surveyed identified Brazil as a market that will be key to their expansion in the medium term, with Mexico running a creditable second at 48%.

61% percent of respondents estimate that their annual revenue from trade with the region would increase by more than 6% over the next three years, and 59% expect their annual profit growth from the region over that same period to reach 6%.

The report, A complex picture – investing and trading in Latin America, is the outcome of the survey of more than 300 companies from around the world who currently trade or plan to trade in Latin America. This is the latest in a series of reports commissioned by Atradius, designed to inform businesses of the opportunities and risks of trade with emerging markets.

The picture that emerges from the report is not wholly optimistic — crime, corruption and political instability are all cited as obstacles to successful trade — but within the region several countries stood out as strong prospects for successful international trade. Both Brazil and Mexico operate sound market-friendly economic policies, while others in the region — notably Venezuela and Argentina — have yet to come to grips with their soaring inflation and perceived political instability.

Peru and Chile both fared well in Atradius’ survey when it came to the overall ease of operation for overseas companies, scoring well for economic and political stability, good corporate governance, legal system and customs, and lack of contract disputes.

While those surveyed recognized that in the short term, Latin America isn’t immune to the global downturn, the medium-term outlook was still upbeat.

Commenting on the report’s findings, Atradius CEO Isidoro Unda observed: “Latin America clearly has much to offer businesses that are looking for new markets for expansion. It has a young and growing population, eager for imported consumer goods, and the reforms of recent years continue to improve the economic and political stability in much of the region.”

A copy of A complex picture – investing and trading in Latin America can be downloaded from the Publications section of the atradius.com website.

About Atradius:
Atradius provides trade credit insurance, surety and collections services worldwide, and has a presence in 40 countries. Its products and services aim to reduce its customers’ exposure to buyers who cannot pay for the products and services customers purchase. With total revenues of approximately EUR 1.8 billion and a 31% share of the global trade credit insurance market, its products contribute to the growth of companies throughout the world by protecting them from payment risks associated with selling products and services on credit. With 160 offices, it has access to credit information on 52 million companies worldwide and makes more than 22,000 trade credit limit decisions daily.
     Further information:     Atradius Corporate Communications and MarketingKathy FarleyTel.: +1 410-246-5584E-mail: kathy.farley@atradius.com

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SOURCE Atradius
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03/10/2008 - 11:17h Crédito e commodity são risco para AL, diz revista

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Leandro Modé – O Estado de São Paulo

A despeito das mudanças econômicas promovidas nos principais países da região nos últimos anos, a América Latina ainda é mais dependente dos Estados Unidos do que muitos supõem. A avaliação é da revista britânica The Economist, que publicou ontem, em seu site, uma reportagem sobre o impacto da crise dos EUA nas Américas do Sul e Central.

Segundo a revista, uma prova de que os laços ainda são muito próximos foi a forte queda do Índice Bovespa na última segunda-feira, quando a Câmara dos Representantes rejeitou o pacote de socorro do sistema financeiro apresentado pelo governo Bush. Enquanto o Índice Dow Jones perdeu 7% naquele dia, o principal termômetro da bolsa paulista caiu 9%.

Ainda assim, a Economist reconhece que alguns países da região – notadamente Brasil, México, Colômbia e Peru – estão mais bem preparados para enfrentar a crise.

No caso brasileiro, a revista destaca a solidez do sistema bancário, em parte pelo fato de que as instituições financeiras do País não estavam expostas aos papéis lastreados em hipotecas subprime. A outra razão é que os bancos brasileiros “não são dependentes do crédito estrangeiro”.

Crédito, aliás, é um dos dois vetores de contaminação da região. “Particularmente para os exportadores”, diz o texto. “Se (a restrição) se prolongar, os bancos vão se voltar aos clientes domésticos, deixando menos crédito para o resto.”

O outro vetor de preocupação diz respeito aos preços das commodities, uma vez que praticamente todos os países da região se beneficiaram das altas desses produtos. Alguns, para a Economist, sofreriam mais: Venezuela, Argentina e Equador.

“O Brasil, maior economia latino-americana, parece melhor posicionado. Mas as commodities respondem por 50% das exportações, deixando-o, também, vulnerável a uma queda nos preços.”

15/06/2008 - 22:47h Revista Z abre as portas do Museu Piolin

MUPI – MUSEU PIOLIN
120 ARTISTAS REUNIDOS PELA EFICÁCIA DE UMA ESTÉTICA E UMA POLÍTICA DA AFETIVIDADE
Camila do Valle*

maio de 2007, Centro Cultural Recoleta – Buenos Aires

A confrontação política ainda é possível no campo das artes visuais. Mas não da maneira óbvia que se pode imaginar. Não é necessário ter uma temática palpitante explícita. O modo de produção da obra, o modo de sua articulação social para ser posta em circulação e a já mesmo muito velha produção social dos preconceitos e lugares comuns, inerentes à acomodação propiciada pela preguiça humana, são elementos que podem favorecer que se apareça o tal “confronto” novidadeiro que anuncia a obra de arte. A pergunta não é tanto se a arte proporciona questões ou responde às que já existem na realidade circundante. A arte sempre faz as duas coisas: responde com outras perguntas, pergunta quando dá respostas. O movimento é dinâmico entre perguntas e respostas. Essas duas “categorias” mudam constantemente de lugar.

O problema da ineficácia da arte política foi substituído pela eficácia da arte que transita entre cultura e política, sem se deixar aprisionar pelo slogan e pelo panfleto. Ou fazendo uso do slogan e do panfleto de maneira indireta. E aqui não falo de alegoria, que é algo sempre do terreno do difícil, algo que está mais além (ale vem de além) e que precisa ser interpretado por uma comissão de filósofos e outros espécimes da vida intelectual para decifrar a mensagem. A política circula hoje pela produção cultural muito mais de maneira indicial, deixando suas pegadas. As pegadas são certamente pés, mas também não são, embora apontem para isso. O que chamo de índices nas artes visuais são imagens ou procedimentos ou maneiras de apresentação que deslocam, suspendem o difícil para apresentar relações novas entre objetos ou significados. Pode parecer que não há nada de novo nesse cenário apresentado como novo, pois já o clássico Mário Pedrosa contribuiu grandemente para a arte brasileira questionando a articulação entre arte e política por mais de 30 anos. Entretanto, imagens, procedimentos e materiais oferecidos numa nova moldura de contornos contemporâneos sempre acabam por revelar novos significados. Nada de novo sob o céu. Tudo de novo sob o céu.


maio de 2007, Centro Cultural Recoleta – Buenos Aires

Em abril do ano passado me foi dado a conhecer um projeto de vizinhos argentinos e fui convidada a escrever algo para o catálogo da mostra. No momento em que fui convidada, eram 70 artistas envolvidos no evento. duas semanas depois, quando a mostra se inaugurou, já eram 120 artistas e o texto ficou, inclusive, datado no que diz respeito à quantificação. Em seguida, as críticas de arte Viviana Usubiaga e Maria Zacco escreviam sobre a amostra utilizando como fio condutor o mesmo elemento destacado, sublinhado neste texto de apresentação: a estética da afetividade. Isso ajuda a configurar um discurso. E como nenhuma estética prescinde de uma ética, isso confirmou a minha primeira aproximação com o universo do MUPI e confirmou, também, a extensão política dessa estética. Artistas e críticos de arte eram tocados pelo mesmo elemento.

Reproduzo, abaixo, o texto de abertura dessa mostra que teve lugar em maio de 2007 no Centro Cultural Recoleta em Buenos Aires, tentando, com isso, ultrapassar fronteiras e ganhar mais adeptos para o Mercosul através do Museu Piolin, que re-atualiza um slogan de 40 anos atrás mais ou menos: “o pessoal é político”. É, também, uma tentativa de colocar para circular neste espaço que está sendo criado, o Mercosul, saberes, práticas e discursos menos machistas dos que os que pré-existem à criação desse mercado comum. É, enfim, convocar mais atores para imaginarmos, juntos, esse novo espaço de convivência. Há muitas obras que fazem parte do MUPI que merecem ser comentadas muito especialmente à luz dessa afetividade contagiante. Por ora, comento o projeto coletivo.

“Apresentar este projeto é como apresentar um novo espaço para a humanidade habitar com alegria. Um espaço onde é possível reapresentar a humanidade a si mesma no que ela pode ter de melhor: sua capacidade de reinventar-se a partir de suas aparentes impossibilidades, sua tendência ainda não extinta de criar vínculos a partir da afetividade, sua infinita competência para criar múltiplas linguagens e, neste caso, sua re-capacidade de dar à palavra ‘progresso’ um significado todo afetivo. Mais que representação de um humano ‘desborde de alegria’ carnavalesco, trata-se de uma reapresentação do humano ao humano. Passando por Piolin.

Quando nos referimos ao movimento que cria o MUPI, referimo-nos, sobretudo, a um movimento fundamentalmente político que tem como objetivo criar espaços de humanidade, espaços habitáveis para a diversa humanidade. E espaços de humanidade são, como não poderiam deixar de ser, espaços de resistência à avassaladora cotidianidade consumidora e prática. Nomeamos, doravante, a política envolvida com a criação do MUPI de política da afetividade. E essa também é sua estética possível: propiciada a partir da execução dessa política, a política da afetividade posta em movimento cria uma estética.

Um pouco de história: Leo e Daniel vivem entre Buenos Aires e o Tigre. Bordam juntos e adotam, como filho, um pequeno cachorro cheio de talentos e inteligências chamado Piolin. Criam, para Piolin, referentes domésticos carregados de símbolos e significados estéticos/políticos à medida que produzem suas obras em casa, com os materiais que produzem e a partir da forma como produzem. Leo e Daniel são artistas plásticos em fase de hiper-produção, que se interessam, sobremaneira, pelo patrimônio imaterial dos mais diferentes povos da humanidade (seja este patrimônio advindo do Japão, da Índia ou das margens que habitam o Tigre). Transformam este patrimônio imaterial – lendas, representações de representações – em matéria palpável: a obra, constituída de bordados, desenhos, colagens; tudo multicolorido, com os mais variados suportes e desafiando a lei do abstrato, do difícil, do conceitual Eles têm uma obra, não simplesmente um conceito. Seus trabalhos têm algo de onírico, de penetração no sonho já sonhado coletivamente por tantos outros: os palhaços, as bruxas, os santos, as histórias folclóricas. Por isso mesmo, há algo de atemporal que atravessa as imagens com as quais nos deparamos. Piolin é apresentado a este mundo de cores e fios ressignificando os símbolos da humanidade e se adapta bem. Participa da fantasia, passa a habitar este mundo criado ativamente. Interage alegremente com o ambiente. Leo e Daniel se encontram em algum lugar onde há guardado o menino escondido de cada um. Reconhecem-no e projetam-no em Piolin. A corrente se espalha: Piolin dispara a abertura das grades que guardam o menino escondido de cada um. As antigas crianças guardadas e afoitas se encontram e se comunicam com tanta estridência que acabam por fazer com que outras se juntem. As antigas crianças guardadas a tanto custo ultrapassam a fronteira doméstica e ganham voz no espaço público. É a alquimia politicamente tão importante da esfera doméstica, onde se processa a vida cotidiana, tornada em questão pública. O modo de produção artístico – questão pública por excelência -, ou, em outras palavras já muito mais ditas: o alfaiate aparecendo na roupa que faz – esta questão pública por excelência -, a temática selecionada pelos artistas, tudo isso, esses elementos, imbricam-se com excelência com a porção niño de cada um. Piolin deflagra esta ameaça salutar: a de que as crianças de cada um não poderão estar guardadas para sempre.

Tem início, assim, este jogo do qual até agora tenho notícia de mais de 70 participantes: 70 artistas plásticos argentinos interessados em jogá-lo ao mesmo tempo. E o jogo continua em aberto. Mobiliza-se essa força artística de cerca de 70 pessoas em prol de uma necessidade premente de uma correia de transmissão eficaz que ajude a realizar o desejo escondido de cada um. São mais de 70 artistas envolvidos num projeto afetivo. A este fenômeno chamo aqui de política: a força desses habitantes artistas da polis se movendo numa única direção: a da conexão afetiva. Isso muda um mundo. Mais que uma polis. Piolin se torna, dessa forma, elemento de ligação e ícone, correia de transmissão, propiciador de comunicabilidade. Esses são os elementos constituintes da criação de um espaço de humanidade, espaço este tão escassamente encontrado nos tempos que ora correm.

O MUPI diz um pouco disso: diz que no fazer artístico contemporâneo há espaço para o sonho e a brincadeira, para que o amor de cada um seja respeitado e coletivizado como algo vital, e diz que há espaço para obras e conceitos artísticos conviverem sem prescindir do traço muito humano, presente não só na marca da produção e representação, como, também, no muito concreto afeto que se deposita na criação artística, o traço, enfim, muito humano da vontade de comunicação e ligação com o outro.

O Museu Piolin instaura uma estética e uma política da afetividade, linhas de força que parecem apontar – oxalá! – para o resgate dessa tendência do imaginário humano. No MUPI, coração, conceito e obra se fundem nos objetos mais variados, todos eles, objetos de desejo criado para um outro, tentando expressar essa cálida ferida aberta da vontade constante de agradar a esse outro sempre enigmático e sempre presente. Essa tentativa de expressão passa, via de regra, pela insaciável necessidade de brincar, demanda reprimida no corre-corre da multidão anônima e numerada. A necessidade de brincar com o outro, artista com artista, um fazer em rede anti-isolamento.

Pode-se dizer, pela expressiva quantidade de nomes que se agregaram ao projeto MUPI, que Piolin já representa, através da mostra de que é destinatário, um marco na afetividade portenha e um marco na produção artística contemporânea dessa polis. Levar adiante este projeto, latino-américa afora, é – parafraseando o escritor Ítalo Calvino – ampliar o que não é inferno nesse mundo. Eis um projeto de mais céu, menos inferno.”


maio de 2007, Centro Cultural Recoleta – Buenos Aires

Imagens em: MUPI – Museu Piolin – http://mupi-museopiolin.blogspot.com

Revista Z

*Camila do Valle é escritora, pós-doutoranda do PACC-UFRJ e diretora da FUNCEB (Buenos Aires).

11/04/2008 - 14:21h Tate Gallery e arte latino-americano

La casa inglesa se muestra muy interesada en el arte contemporáneo de nuestro continente, y ya cuenta con un amplio patrimonio

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Obra de Meireles ‘Eureka/Blindhotland’ (1970-5) Foto: EFE

adncultura*com

Londres, 9 abr (EFE).- La galería Tate se interesa cada vez más por el arte contemporáneo latinoamericano, a uno de cuyos más destacados representantes, el brasileño Cildo Meireles, dedicará a partir del próximo 14 de octubre una gran exposición.

Helio Oiticica (1937-1980), también brasileño, mereció ya el año pasado el honor de otra gran retrospectiva, que documentó en diez salas la evolución seguida por ese artista de vanguardia para liberar el dolor del corsé de las dos dimensiones y romper los límites tradicionales de pintura y escultura.

Además, la londinense Tate Modern, que se precia de ser el museo de arte contemporáneo más visitado del mundo, acogerá en una de sus salas a partir de mayo varias obras de Oiticica, que sustituirán a otras del estadounidense Dan Flavin, expuestas allí durante un año.

“Tenemos con seguridad la mayor colección de obras de Oiticica fuera del Brasil”, comenta con orgullo a Efe el director de la Tate Modern, el español Vicente Todolí.

Los visitantes de la Tate Modern, hermoso ejemplo del art deco industrial hábilmente transformado en galería de arte moderno por el equipo de arquitectos suizos Herzog y de Meuron, han podido asombrarse también últimamente durante los últimos meses con la enorme grieta abierta en el suelo de su gigantesca Sala de Turbinas por Doris Salcedo.

Motivada por sus preocupaciones políticas y sociales, la artista colombiana quiso simbolizar con esa grieta zigzagueante en el suelo de cemento, que parecía abierta por un terremoto, las divisiones del mundo, lo que ella misma ha calificado de “grieta de la humanidad”.

Como explican a Efe Todolí y Frances Morris, responsable de las colecciones internacionales de la Tate, el arte latinoamericano se distingue por su “profundo compromiso social y político”.

Tiene además un componente visual y formal muy poderoso, una gran sensibilidad poética y un importante elemento sensorial, que le permite conectar fácilmente con un público muy amplio, dicen.

El desarrollo de los fondos de arte latinoamericano de la Tate ha sido muy rápido y a ello ha contribuido, según explica Todolí, un grupo de una cuarentena de patronos de la región que contribuyen financieramente cada año en la adquisición de obras nuevas de esa procedencia.

Entre ellos está la venezolana Tiqui Atencio Demirdjian, que preside el Comité de Adquisiciones de Arte Latinoamericano, integrado por esos ricos patronos, que son también en buena parte coleccionistas.

Para las obras más caras del mercado la Tate tiene también a su disposición el llamado Fondo Americano, dedicado fundamentalmente a la compra de arte norteamericano, pero al que también puede recurrirse para el arte de América Latina, según Todolí.

El éxito del Comité de Adquisiciones Latinoamericanas ha sido tal que la Tate ha creado posteriormente otros para jóvenes artistas de Estados Unidos, así como de la región de Asia Pacífico y está pensando en la posibilidad de iniciar uno dedicado a Oriente Medio.

Los comisarios de exposiciones de la Tate acuden regularmente a ferias internacionales especializadas en Latinoamérica como ARCO, de Madrid, o Art Basel Miami, y cuentan también con el asesoramiento de otros expertos como el mexicano Cuauhtémoc Medina, que ha colaborado con la galería británica durante los seis últimos años.

Según explicó Todolí, la Tate está interesada no sólo en el último arte latinoamericano, sino también en figuras ya “históricas” como el citado Oiticica, su compatriota Lygia Clark, el venezolano Jesús Soto o los argentinos Víctor Grippo y León Ferrari.

Puestos a citar obras de artistas latinoamericanos incorporadas ya a la colección de la Tate, cabe mencionar, entre otros, a Los Carpinteros y Carlos Garaicoa, de Cuba, al uruguayo Luis Camnitzer, los mexicanos Damián Ortega y Gabriel Orozco, los argentinos Guillermo Kuitca y Jorge Macchi, el peruano Fernando Bryce, los chilenos Eugenio Dittborn y Alfredo Jaar, los colombianos “scar Muñoz y María Fernanda Cardoso o la costarricense Priscilla Monge.

Joaquín Rábago