31/10/2009 - 11:27h Serra não comenta: Violência continua a crescer em São Paulo. Os sequestros, por exemplo, subiram 136%; Secretaria da Segurança Pública da gestão José Serra (PSDB) não se manifestou sobre os índices

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A comparação entre o 3º trimestre de 2008 com o deste ano aponta aumento nos crimes contra a vida e o patrimônio


ANDRÉ CARAMANTE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Pelo terceiro trimestre seguido neste ano, a violência continuou a crescer no Estado de São Paulo. Dados divulgados na noite de ontem pela Secretaria da Segurança Pública da gestão José Serra (PSDB) apontam o aumento em praticamente todos os tipos de crime.
A comparação do 3º trimestre de 2008 com o mesmo período deste ano revela que subiram os crimes de sequestro, homicídio doloso (intencional), estupro, roubo, furto, roubo e furto de veículos e também o roubo de cargas e de bancos.
Em todo o Estado, foram assassinadas 1.119 pessoas nos meses de julho a setembro deste ano -um aumento de 3% em relação a 2008. Na cidade de São Paulo, porém, houve queda de 8,2% -de 317 para 291, mais de três assassinatos por dia.
A variação mais alta foi contabilizada nos crimes de sequestro: 136% -11 casos em 2008 e 26 agora. O total de pessoas mortas em latrocínios (roubo seguido de morte) subiu 14% -74 para 82 vítimas.
Principal bandeira do atual secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, que assumiu a pasta em março com a promessa de combater os crimes contra o patrimônio, roubos e furtos tiveram alta de 18% e 6%, respectivamente.
Em maio, quando os números referentes ao 1º trimestre do ano já apontavam para o aumento da criminalidade no Estado, o governo atribuiu o problema à crise econômica.
Com 64.399 roubos registrados, o 3º trimestre deste ano entrou para a história como o período em que mais crimes desse tipo ocorreram em todo o Estado. A marca negativa anterior (63.729) havia sido registrada no 2º trimestre deste ano. Na comparação com o 3º trimestre do ano passado, os roubos aumentaram 18% agora.
O total de roubos (64.399) não inclui os casos de roubo de veículos, a bancos e de cargas.
O furto, delito que historicamente sempre foi o mais registrado nas estatísticas da criminalidade, subiu 6%.
No caso de crimes de estupro, houve aumento de 52% (de 863 para 1.311), mas a variação, segundo nota oficial da Segurança Pública, ocorreu por causa da mudança na lei, que passou a considerar estupro também casos de “atos libidinosos” e “atentados violentos ao pudor”.

Ninguém fala
Logo após a divulgação dos dados da violência na noite de ontem, na página da pasta, o porta-voz da Secretaria da Segurança Pública, Enio Lucciola Lopes Gonçalves, disse à Folha que ninguém do órgão iria se manifestar sobre os dados “por causa do horário”.
Segundo Gonçalves, parte das explicações foi dada em uma “nota explicativa” no site www.ssp.sp.gov.br/estatisticas. Mas, na própria nota, há divergências. Pelo texto, foram 62.308 roubos no Estado. No quadro abaixo da informação, porém, o total que aparece é de 64.399.

04/08/2009 - 10:19h Latrocínio cresce 79% na capital paulista

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Crime foi o que mais aumentou no 1º semestre, em comparação com o mesmo período de 2008, seguido de sequestros

 

Secretaria da Segurança relaciona crescimento, na capital e no Estado, com crise econômica mundial, que começou em setembro

AFONSO BENITES E ANDRÉ CARAMANTE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Os crimes de latrocínio e sequestro foram os que mais cresceram no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado na capital paulista.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a alta tem relação direta com a crise econômica internacional iniciada em setembro passado.
Os dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que de janeiro a junho deste ano ocorreram 52 latrocínios (roubos seguidos de morte) em São Paulo, contra 29 em 2008 -diferença de 79,3%. No total do Estado, esse crime subiu de 126 casos para 172 -36,5%.
Os sequestros subiram 58,3% na capital. Foram 12 casos no primeiro semestre de 2008; agora houve 19.
Em “nota explicativa” divulgada ontem em seu site com os dados da violência, a secretaria afirma que “o aumento da criminalidade no Estado também foi notado nas crises [econômicas] de 98/99, 2001/2002 e 2003.” Segundo o texto, “quando o desemprego aumenta, o potencial de criminalidade tende a crescer; quando cai, esse potencial tende a declinar, porém de forma mais lenta”.
Nos seis meses analisados, no entanto, o aumento do desemprego na capital paulista foi inferior a um ponto percentual, aponta o relatório do Dieese.
Indicado pela Segurança Pública para falar sobre o aumento da violência, o delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto, disse que não é possível apontar um motivo para o aumento dos crimes de latrocínio e sequestro na capital.
“Não consigo afirmar o que motivou o aumento dos crimes de latrocínio, por exemplo. Não sei se mais pessoas reagiram a um assalto ou se o ladrão matou a vítima por pura maldade”, disse Paulo Neto.
Dados sobre os esclarecimentos dos latrocínios e sequestros não foram fornecidos pela gestão do governador José Serra (PSDB).
Um dos latrocínios ainda sem solução, por exemplo, é o que vitimou José Francisco Fappi, 47. Gerente de uma multinacional de alimentos, ele foi morto dia 25 de maio num assalto na Aclimação (zona sul).
Anteontem, um pai morreu ao tentar salvar o filho de assalto, na rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo (ABC).

Homicídios e roubos
Enquanto capital e Grande São Paulo registraram queda nos homicídios dolosos (intencionais), de 0,1% e 8,8%, respectivamente, no interior, houve uma alta de 21,3%.
As regiões que puxaram esse aumento foram as de Santos, Ribeirão Preto e São José dos Campos. No comparativo, o Estado teve aumento de quase 6%. No interior, as regiões de Presidente Prudente e de Bauru tiveram queda nesse quesito.

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Não foi a crise que elevou a violência, dizem analistas

DA REPORTAGEM LOCAL

A crise econômica global não afeta o crime tão rapidamente como sugeriu o governo do Estado, afirmam estudiosos da violência. E o maior número de latrocínios, sustentam eles, não pode ser dissociado de crimes como roubo e tráfico de drogas.
Para o cientista social José dos Reis Santos Filho, do Núcleo de Estudos sobre Violência e Políticas Alternativas da Unesp (Universidade Estadual Paulista), latrocínio e sequestro não são crimes normalmente praticados por pessoas que, “em razão de uma crise econômica ou do desemprego, por exemplo”, entraram há pouco tempo na criminalidade.
“A crise econômica não provoca de uma hora para outra o aumento da criminalidade como está acontecendo.”
“É preciso olhar como essa criminalidade está relacionada ao tráfico de drogas, com consumidores ou com as pessoas que estão no mercado das drogas”, continuou ele.
O sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), vê o crescimento dos latrocínios em São Paulo como consequência da alta de 19% nos roubos.
“O latrocínio é um roubo malsucedido. Temos de olhar para o roubo.” Tanto o cientista social Santos Filho quanto o sociólogo Cano concordam que o aumento dos casos de sequestro no Estado não está relacionada à crise econômica.
(AB e AC)

31/07/2009 - 12:32h Governo Serra: crime em SP cresce pelo 2º trimestre seguido

Homicídios subiram 11,5% em relação ao mesmo período de 2008 e roubos bateram recorde; estupros e latrocínios também aumentaram

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Delegado-geral afirma que, apesar de crescimento no total, números tiveram queda em junho; “vamos trabalhar para manter essa inversão”, diz

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP

A violência voltou a crescer em todo o Estado de São Paulo pelo segundo trimestre seguido. De abril a junho deste ano, os casos de assassinatos subiram 11,5% em relação ao mesmo período do ano passado -um aumento que não ocorria desde 1998. O total de roubos bateu mais um recorde histórico. Também ocorreram mais casos de estupro e latrocínios (roubo seguido de morte).
Ao todo, no período foram 1.168 homicídios (a secretaria não divulgou o total de vítimas, apenas de casos) e 68.524 registros de roubo -até então, o recorde era de 65.635 nos primeiros três meses deste ano.
Os dados foram divulgados ontem pelo delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto. Ele, porém, afirmou que o crescimento da violência no Estado, em números absolutos, é “insignificante”.
“Embora tenha havido um aumento em relação ao segundo trimestre do ano passado, já registramos uma queda em junho. Vamos trabalhar para manter essa inversão”, disse.
Segundo Domingos Neto, em maio foram registrados 427 homicídios em todo o Estado, enquanto em junho foram 327. Uma redução de 23,4%.
“O crime de homicídio em São Paulo está controlado. O que temos que combater é o crime contra o patrimônio, principalmente o roubo”, disse o delegado-geral.
Os casos de roubo tiveram queda de apenas 1,25% de maio para junho deste ano.
O delegado lembrou que, em 2000, ocorriam, em média, 15 assassinatos por dia na capital paulista. Agora, são 3,5. Mas uma alta superior a 11% nos casos de homicídio não ocorria desde 1998. Naquele ano houve aumento de 19% em comparação com igual período de 1997.

Latrocínios
Apesar de terem aumentado em relação ao ano passado, os latrocínios sofreram uma queda em comparação com o primeiro trimestre deste ano. Foram de 94 para 78, segundo o levantamento.
Após registrar um maior número de estupros em quatro trimestres consecutivos, neste houve uma ligeira queda em relação ao anterior. Foi de 1.055 para 948. Queda de 9,7%.
De acordo com Domingos Neto, o governo estadual tem atuado em três frentes para reduzir a criminalidade: aproximação da polícia da comunidade, aumento da quantidade de prisões e investimento em tecnologia da informação.
Ontem, a Secretaria da Segurança da gestão José Serra (PSDB) não divulgou os dados de violência por regiões do Estado. Segundo a assessoria do órgão, esse detalhamento será apresentado na segunda-feira.
Alegando não ter ainda todos os dados, o delegado-geral evitou dar uma justificativa para o aumento da violência. “Não dá para falar sem uma análise nas regiões do Estado. Com quase 40 milhões de habitantes, fica difícil analisar sem ter um conhecimento específico do que teria motivado esse aumento.”