09/11/2009 - 22:00h Ode a liberdade: 20 anos da queda do muro de Berlim. Boa noite

Concerto de Berlim – dezembro 1989




“Ode to Freedom” Beethoven: Symphony N° 9 in D minor Op.125, Leonard Bernstein, Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks, Staatskapelle Dresden, Kirov Orchestra, London Symphony Orchestra, New York Philharmonic, Orchestre de Paris, June Anderson, Sarah Walker, Klaus Konig, Jan-Hendrik Rootering. Live recording in Schauspielhaus Berlin, 25-12-1989.

05/11/2009 - 19:26h Mahler – Bernstein – Hampson


Thomas Hampson e regência de Leonard Bernstein com a Orquestra Filarmônica de Viena

eines fahrenden Gesellen
Die zwei blauen
Augen von meinem Schatz
Gustav Mahler

03/11/2009 - 19:34h Das Trinklied vom Jammmer


MAHLER, Das Lied von dem Erde (O Canto da terra) – Das Trinklied vom Jammmer – René KOLLO, regente: Leonard Bernstein e a orquestra Filarmônica de Israel

02/11/2009 - 18:58h Der abschied

Das lied von der erde (O canto da terra), de Malher. Der abschied

Christa Ludwig. Regente Leonard BERNSTEIN

Mahler segundo Bernstein


Lauro Machado Coelho

Bruno Walter, Otto Klemperer, Wilhelm Furtwängler; mais tarde Herbert von Karajan e sir Georg Solti – esses são os nomes que ocorrem, entre os grandes maestros que, desde a virada dos anos 50-60, se empenharam na missão de fazer descobrir e assimilar o legado sinfônico de Gustav Mahler.

Porém, para o processo de revelação desse compositor – fundamental para o desenvolvimento da sinfonia pós-romântica; elo essencial entre o século XIX e a modernidade – uma das contribuições mais significativas é a de Leonard Bernstein, figura singular de maestro, compositor, ensaísta, pedagogo, animador cultural. Testemunho do gênio desse grande artista americano, e de sua afinidade instintiva com o universo sinfônico mahleriano, é a monumental Bernstein/Mahler: The Symphonies and Das Lied von der Erde, caixa com nove DVDs, lançada pela Deutsche Grammophon, que acaba de chegar às nossas lojas.

A coleção reúne as gravações ao vivo das nove sinfonias e do Canto da Terra, feitas, entre 1972-76, para a Unitel, com a Filarmônica de Viena, a Sinfônica de Londres e a Filarmônica de Israel. Coroam esse ciclo extraordinário, três documentários dirigidos por Humphrey Burton e Tony Palmer, contendo ensaios da Quinta e da Nona com a Filarmônica de Viena, e do Canto da Terra com a Filarmônica de Israel, e os solistas Christa Ludwig e René Kollo.

Data fundamental para a história da redescoberta de Mahler foi 7 de fevereiro de 1960. É o dia do concerto-conferência “Quem é Gustav Mahler?”, que o jovem Bernstein regeu com a Filarmônica de Nova York, dentro da série didática Young People’s Concert, transmitida pelo rádio para todo país. Esse programa, que é um marco no despertar da atenção do público americano para esse grande mestre, coincidiu com a comemoração do centenário da Filarmônica, entre janeiro e abril de 1960. Dentro da retrospectiva do repertório da orquestra, que Bernstein, Dmitri Mitropoulos e Bruno Walter estavam organizando, a obra de Mahler teve papel de destaque.

As gravações de Mahler que Bernstein fez, nessa fase, com a PhNY, revelam-no como um intérprete extremamente individual dessa música, muito diferente dos veteranos Walter ou Klemperer. Não só pelo seu virtuosismo instrumental (“cada um dos músicos, até mesmo a última estante dos segundos violinos, tem de ser um solista muito hábil para tocar Mahler”, diz ele no filme de Burton)— um virtuosismo polêmico, para alguns mahlerianos mais ortodoxos, devido a seus extremos de andamento e dinâmica. Mas que é sempre fascinante, pelos achados que ele propõe, pela identificação que evidencia, em níveis muito profundos, com o universo do compositor.

Isso está claro desde a sua primeira gravação da Sinfonia nº 1, em que a idealização da natureza, a ingenuidade das sonoridades infantis, a onipresença da morte, a transcendência da salvação são elementos com que ele sabe trabalhar, de forma a equilibrar construção e liberdade, poesia intensa e rigor. O que a série filmada da década de 70 mostra também, se comparada tanto às primeiras gravações de estúdio dos anos 60 quanto às versões ao vivo, da década de 80, com a Concertgebouw de Amsterdam, é que o Mahler de Bernstein amadureceu constantemente, ganhou em refinamento, profundidade de reflexão, maestria no controle das expansões emocionais, e coesão formal.

Ouçam e vejam a extraordinária Titã de outubro de 1974, no Wiener Konzerthaus, pórtico ao monumento que é a sua integral mahleriana. Já aí Bernstein deixa clara a sua identificação – até mesmo física, gestual, pois ele faz música com o corpo todo – com determinados elementos que, de uma maneira ou de outra, vão percorrer toda a obra sinfônica do compositor: os sussurros da natureza, no início do primeiro movimento; a ameaça da morte, na marcha fúnebre grotescamente deformada pelo contraponto do cânon infantil Frère Jacques, no terceiro movimento; as trombetas apocalípticas que, no último movimento – um dos mais eletrizantes de toda a discografia mahleriana – conduzem triunfalmente, após a morte, à salvação, simbolizada pela citação dos temas do Santo Graal, no Parsifal, de Wagner, e o do “Aleluia”, no Messias, de Haendel.

Observem, ao longo da experiência absorvente de assistir, um a um, a esses concertos, como esses temas são retomados e desenvolvidos. Na nº 2, a Ressurreição, uma das mais belas realizações da série, filmada dentro da catedral de Ely, em Edimburgo, uma leitura a que Janet Baker e Sheila Armstrong dão um brilho vocal incomparável. Na intensa espiritualidade da nº 3, que encontra em Christa Ludwig uma de suas maiores intérpretes. Ou na inocência e juventude da nº 4, cuja “Felicidade no Céu” a soprano Edith Mathis realiza com extraordinário frescor.

A tragédia crescente da nº 5 e da nº 6; os contrastes de colorido e os bem controlados arroubos românticos da nº 7, em que a visão pouco convencional de Bernstein é particularmente convincente; as explosões de entusiasmo e os grandes gestos retóricos do Veni Creator Spiritus, na primeira parte da nº 8 dos Mil, contraposta à concentração mística da segunda, sobre a cena final do Fausto – é difícil dizer o que mais impressiona nesse lento mergulho nos recessos mahlerianos. A que um encerramento de tirar o fôlego é trazido pela leitura da Nona, tensa, enfatizando de forma particular a vertente violenta do Rondó-Burleske, mas com um adágio final carregado de profunda humanidade.

Mas o disco mais fascinante, por nos revelar, de corpo inteiro, o homem e a sua relação íntima com a música, é o último: Mahler Rehearsals. São, como foi dito, três iluminadores documentários, rodados por Humphrey Burton e Tony Palmer, ao longo dos cinco anos que durou o projeto de filmagem da integral: Leonard Bernstein Ensaia Gustav Mahler, com trechos da preparação da Quinta e da Nona; Quatro Maneiras de Dizer Adeus, em que Bernstein, ao mesmo tempo que ensaia, analisa os significados mais profundos da última sinfonia; e A Canção da Terra: uma Introdução Pessoal.

Esses três filmes desmontam a máquina do concerto, para mostrar suas engrenagens internas, o processo apaixonante de tirar a orquestra do chão e fazê-la voar. Vemos, neles, o regente persuasivo, que leva uma a princípio relutante Filarmônica de Viena a entender, e aceitar com entusiasmo, o que ele pretende com seus tempos não-convencionais. O artista de senso teatral inegável em cada um de seus gestos, que desenham a música no ar; e cujo envolvimento físico e espiritual com ela é de tal ordem que, no final do adagio da Nona, ele está literalmente destroçado, possuído pela devastadora emoção dessa despedida à vida. O ensaiador que enfrenta as objeções de uma grande solista – a meio-soprano Christa Ludwig –, quando ela lhe diz que não consegue cantar um dos lieder do Canto da Terra na velocidade que ele deseja, dizendo-lhe, candidamente: “Mas, nesta passagem, ninguém entende mesmo o texto”.

Temos, principalmente, um encontro cara a cara com Lennie Bernstein, o grande conferencista, que – envolto em nuvens de fumaça dos cigarros responsáveis pelo enfisema de que ele morreu, em outubro de 1990 –, diante de uma câmara imóvel, guia-nos pelos meandros simbólicos da originalíssima sinfonia-ciclo de canções que é o Canto da Terra, modelo, no futuro, para obras tão diversas quanto a Sinfonia Lírica, de Zemlinsky, ou a Sinfonia nº 14, de Shostakóvitch.

A última série de sinfonias de Mahler, revisitadas por Bernstein na década de 80, na fase final de sua carreira, mostra-nos o universo mahleriano assimilado por completo, de forma muito profunda. Mas num certo sentido – e não apenas porque aqui temos a imagem, podemos ouvi-lo, mas também vê-lo, de perto, como se estivéssemos sentados diante do pódio e fizéssemos parte da orquestra –, esta série intermediária, da década de 70, nos traz uma experiência insubstituível.

Porque ela ainda preserva muito da irresistível e frenética energia do regente jovem que, em seus primeiros contatos com Mahler, não hesitava em ser iconoclasta. Mas porque, agora, esse vigor já está domado pela maturidade da vivência de um homem que, por trás da explosão dionisíaca, percebeu e incorporou o rigor olímpico da estrutura – aquele dualismo permanente de que ele mesmo fala, nas suas análises da música de Mahler.

Um equilíbrio, uma mistura exata de inteligência e emoção, que justifica as palavras de Christa Ludwig, referindo-se à gravação que fez com ele do Canto da Terra: “Cantei essa peça com Solti, Klemperer e Karajan, e foram sempre interpretações memoráveis. Mas só com Bernstein essa música me fez derramar lágrimas”.

Lauro Machado Coelho
São Paulo, 13/2/2006

13/10/2009 - 22:00h Boa noite


IV movimento da Sinfonia N° 5, de Shostakovich. Regente: Leonard Bernstein

28/09/2009 - 22:00h Boa noite

A obra de Mark Rothko com a música de Gustav Mahler, Symphony N° 4 em G major, 3rd Movimento, pouco adágio, Orquestra Filarmonica de Viena. Regente: Leonard Bernstein

15/07/2009 - 19:54h A gravação do “Tonight” e “I feel pretty”, de West Side Story

Leonard Bernstein dirige José Carreras e Kiri Ta Kanawa na gravação de West Side Story

12/07/2009 - 11:33h Os caminhos da regência de um intérprete inspirado

http://www.pjvoice.com/v33/photos/lbernstein.jpgOs caminhos da regência de um intérprete inspirado

Caixa de DVDs com cinco concertos permite reavaliar legado do maestro Leonard Bernstein

João Luiz Sampaio – O Estado SP

Professor, conferencista, maestro, compositor, pianista. O norte-americano Leonard Bernstein (1918-1990) não apenas trafegou por diferentes caminhos ao longo de sua carreira como, principalmente, construiu sua identidade a partir do diálogo entre cada um deles. O trabalho como regente, por exemplo, encontra eco em seus textos acadêmicos. Em um livro dos anos 50, O Mundo da Música, ele investiga a função do maestro entre dois caminhos: o respeito fiel à partitura e a leitura pessoal da música dos grandes compositores. A dualidade é um bom ponto de partida para se pensar sua atividade à frente das orquestras, tarefa enriquecida com o lançamento de uma caixa com cinco DVDs (Unitel), contendo obras que vão de Mozart a Bruckner, à qual se somam outras editadas no ano passado, dedicadas a Beethoven, Brahms e sobretudo Mahler.

Naquele mesmo livro, Bernstein lembra a consolidação da figura do maestro com Felix Mendelssohn e seu respeito à partitura. Seu oposto seria Richard Wagner, inspiração da “escola romântica”. Para Bernstein, a diferença, e o possível diálogo, entre os dois leva à noção de que o respeito à partitura seria condição indispensável para que dela se possa libertar, alçando voos que têm a obra original não como ponto de partida e de chegada mas, sim, como companheira de uma viagem em direção ao desconhecido. Detalhe importante: Mendelssohn e Wagner eram regentes e compositores. Outra das referências de Bernstein também levava vida dupla: Gustav Mahler. Leia-se, então: o maestro que conhece os meandros do processo de criação desenvolve com o compositor não uma relação de respeito ou submissão mas sim de parceria, de compreensão mútua. Como compositor ou maestro, ter uma ideia é tão importante quanto saber comunicá-la para orquestra e público, acreditava Bernstein. Nesse sentido, somados à liberdade com que ele se aproximava das obras de grandes compositores, o carisma e a capacidade de criar de imediato relação com músicos e plateia são características essenciais de seu trabalho como regente.

Ouça, por exemplo, na caixa agora lançada, a Sinfonia de César Franck, com a Sinfônica Nacional da França, na qual ele constrói com muita propriedade as modulações que fazem passar por toda a peça o tema principal construído pelo compositor; o Mozart autoral, em que sola e rege no Concerto K. 453; a Nona de Beethoven, repleta de arroubos românticos e sentimentalismo (aqui, ele chega até a mudar o texto do poeta alemão Friedrich Schiller, que serve de base à sinfonia – e a ode à alegria transforma-se em ode à liberdade para tratar da queda do Muro de Berlim); a Sinfonia nº 1 de Brahms, com a Filarmônica de Israel, de tensão introspectiva. A caixa nos oferece todas as principais características do Bernstein maestro: emoção à flor da pele, contrastes vertiginosos, da exaltação à melancolia, liberdades na escolha de andamentos. E um comando impressionante dos músicos, em que cada mínimo gesto leva a música em novas direções.

No entanto, não está nesses compositores a melhor chave de compreensão do legado de Bernstein como maestro mas, isto sim, na obra do austríaco Gustav Mahler. Dá-se a ele o crédito de resgatar do limbo a que foi submetida a obra do compositor austríaco. O veredicto não é totalmente justo – o maestro Otto Klemperer, ainda na primeira metade do século 20 (e, antes dele, Bruno Walter), não deixou fora dos palcos e dos estúdios o compositor. Contudo, foi Bernstein quem pela primeira vez gravou sua integral sinfônica, em Nova York (selo Sony Classical), tarefa que repetiria ao longo das décadas seguintes. E é em parte por isso que Mahler se tornou referência tão importante, cuja interpretação é prova de maturidade para maestros e orquestras.

Mahler virou símbolo da passagem do romantismo para a música moderna. Na virada do século 19 para o 20, encarnou na sua música a crise de identidade e de valores de uma sociedade em rápida transformação. Às técnicas herdadas do romantismo alemão, somou a ironia, a desconstrução feita de dentro, mostrando a impossibilidade de continuação da linguagem tonal e, portanto, abrindo espaço para Schoenberg e os demais músicos da chamada Segunda Escola de Viena. Sua música é o reflexo de uma alma atormentada, que sentia muito fortemente os estímulos de um mundo que se transformava – um mundo, porém, do qual não se sentia totalmente parte. Em sua obra, conviveram desde a exaltação da natureza e a crença em um poder maior por ela sugerido até a certeza do fim, sempre próximo, como uma sombra a pairar sobre seus dias. Bernstein, diz Joan Peyser, autora de uma biografia não autorizada do músico, preso entre sua imagem pública e uma vida pessoal marcada por crises, ligadas em parte ao homossexualismo que ele sempre escondeu, identificou-se com a alternância entre melancolia e esperança na vida e na música de Mahler.

Seja pelo motivo que for, é certo que Bernstein se encontrou de alguma forma na música do compositor. O austríaco, também regente, estreou oito de suas sinfonias. A Nona, dizia Bernstein, havia escrito para que ele regesse. Foi essa a chave que usou para justificar suas interpretações. Idiossincrasias de um megalomaníaco? Ele tinha muitas. Mas seu Mahler, isso é fato, foi fundamental na construção do imaginário em torno do compositor. O maestro fez três registros das sinfonias – o de Nova York, nos anos 70; outro com a Concertgebouw de Amsterdã e a Filarmônica de Viena, nos anos 80 (em CD, selo Deutsche Grammophon); e, nos anos 80, com as filarmônicas de Viena e Israel e a Sinfônica de Londres (em DVD, também DG).

Deixando um pouco de lado a obsessão com a maneira “correta” de se interpretar determinada música, encarnada em musicólogos como Gunther Schuller, autor de um compêndio sobre regentes no qual se refere a Bernstein como símbolo do “desprezo com as intenções do compositor” e da “concessão à indústria do entretenimento”, talvez seja interessante olhar as gravações de Mahler por Bernstein em seu conjunto, buscando a coerência de sua proposta. E aí o resultado é fascinante. Nas leituras do final da carreira, o que Bernstein nos sugere é uma unidade de conjunto para as peças, mesmo que, formalmente, elas sejam bastante diferentes. O cuidado na construção dos adágios; a oposição entre homem e natureza, temática que volta sempre transformada ao longo de sua produção até desembocar no tom trágico da Canção da Terra; os andamentos mais lentos, o cuidado com a dinâmica; o sentimentalismo que aos poucos vai cedendo espaço a uma reflexão madura sobre a onipresença da morte e a transcendência da salvação – esses são apenas alguns dos ingredientes que apontam um caminho da urgência das interpretações do primeiro ciclo à compreensão mais madura revelada nas últimas gravações. E o que se percebe é de fato uma relação simbiótica: de alguma forma, o refinamento da interpretação de Bernstein para Mahler é também o aprimoramento de sua técnica e inspiração como maestro.

Estudo revela artista preocupado com questões políticas

Professor americano teve acesso a dossiê do FBI dedicado a ele e rechaça definição de ‘radical chic’, cunhada por Tom Wolfe

 

João Marcos Coelho – O Estado SP

 


“Ingênuo”, “inocente útil”. Estes são apenas dois dos adjetivos com os quais Leonard Bernstein foi obrigado a conviver. Tudo porque, tanto no pódio como no dia a dia, esse músico genial não se limitou à sua arte. Desobedeceu à máxima do “cada macaco no seu galho” e interveio em todos os grandes acontecimentos políticos e sociais de sua época.

Os conservadores jamais perdoaram as inclinações esquerdistas de Bernstein. E transformaram sua figura pública numa espécie de “idiot savant”, um ser humano imbecil que só era fantástico numa coisa: a música. O direto mais potente foi desferido pelo jornalista e escritor Tom Wolfe, em junho de 1966, quando escreveu um artigo chamando Bernstein de “radical chic”. Nele, contava a recepção oferecida aos Panteras Negras em seu apartamento na Park Avenue. O objetivo era arrecadar fundos para pagar advogados a fim de tirar da prisão integrantes do mais agressivo representante dos movimentos negros dos anos 60. A pejorativa expressão colou de vez em Bernstein.

Recém-lançado nos EUA, Leonard Bernstein: The Political Life of an American Musician (A Vida Política de um Músico Americano), de Barry Seldes, Universidade da Califórnia, mostra que Lenny foi politicamente articulado; e que os governantes viram nele um “perigoso esquerdista”. Isso antes até da caça às bruxas, promovida pelo senador McCarthy nos anos 40/50.

Tudo isso vem à tona pela primeira vez graças à excelente garimpagem feita por Seldes, que teve acesso ao Dossiê Bernstein do FBI e escreveu um livro que nos mostra um novo Bernstein, enfatizando a ação sistemática do governo para desqualificá-lo. A tática era ridicularizar tudo que ele fizesse fora do pódio. A suculenta pasta do FBI foi aberta por J. Edgar Hoover, que se tornaria o mais célebre comandante do órgão, em 1939, quando, ainda estudante em Harvard, Bernstein promoveu uma execução, no campus da universidade, da ópera Craddle Will Rock, do compositor de esquerda Marc Blitzstein.

Depois de defender com unhas e dentes Hanns Eisler, o parceiro de Brecht nos tribunais macarthistas, Lenny ganhou a hostilidade eterna da gestão Eisenhower. Nos anos 50, quando regia a Filarmônica de Nova York, teve até o passaporte confiscado pelo governo por declarações contra a Guerra Fria. Teve que assinar uma “humilhante declaração juramentada de que não pertencia aos quadros do Partido Comunista” para tê-lo de volta em 1953. Hoover, botou arapongas na cola de Bernstein porque tinha certeza de apanhá-lo em falso testemunho.

Em maio de 1959, o presidente Eisenhower foi obrigado a apertar a mão de Bernstein na inauguração do Lincoln Center. De igual modo, teve que engolir o maestro como maior garoto-propaganda do país na Guerra Fria cultural: ele e sua Filarmônica de Nova York fizeram em agosto daquele ano uma turnê pela Europa e pela União Soviética. Lenny queria levar West Side Story, mas o Departamento de Estado não permitiu.

Seldes escreveu uma obra essencial, que deve ser lida por todos os músicos profissionais. Eles precisam entender que não se pode pautar uma carreira profissional digna lambendo as botas do poderoso da cultura de plantão. Escreve Seldes: “Ele não encontrou um meio de expressar em suas composições de teatro musical sua profunda reflexão sobre as crises de seu tempo. Expressou isso no pódio, revivendo e batalhando incansavelmente pela música de Mahler. Para Bernstein, a música de Mahler refletia as águas profundas da crise e da tragédia. Bernstein encontrou em Mahler um homem na encruzilhada da política e da cultura. Bernstein viu em Mahler um profeta da catástrofe; seus ensaios e livros indicam que ele também se sentia assim.”

23/06/2009 - 19:40h Christa Ludwig e Leonard Bernstein

Christa Ludwig e Leonard Bernstein em duas canções de Brahms “Feldeinsamkeit” e “Ständchen”, entrecortadas por uma curta entrevista da soprano

18/05/2009 - 22:00h Boa noite

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sinfonia N° 4 de Brahms. Orquestra filarmônica de Viena regida por Leonard Bernstein

08/05/2009 - 20:11h Fausto

Leonard Bernstein rege o coro final do Fausto de Liszt

14/03/2009 - 22:00h Boa noite

Brahms: Duplo Concerto (movt. 3) Gidon Kremer, Mischa Maisky, Leonard Bernstein rege a Filarmônica de Viena

19/02/2009 - 19:03h Mahler – Bernstein – Adagietto

Leonard Bernstein e a orquestra sinfônica de Viena na interpretação do adagietto da 5° sinfonia de Mahler

25/08/2008 - 22:57h Leonard Bernstein, Rhapsody in Blue de Gershwin

Hoje, 25 de agosto de 1918 nasceu o maestro norte-americano Leonard Bernstein, falecido em 1990.
Happy Birthday, Leny, você continua sempre nos nossos corações.

28/12/2007 - 13:35h West Side Story: como chegar aos 50 sem rugas

Marie-Noëlle Robert/Reprodução

West side story, antigo musical da Broadway em cartaz na França

Terra Magazine

Deolinda Vilhena

Para a maioria, quando se fala em West side story surge logo a imagem do filme de Robert Wise, estrelado por Richard Beymer, Natalie Wood, George Chakiris e Rita Moreno, produção que ganhou dez Oscars, inclusive os de melhor filme e melhor diretor, na maior consagração de um musical até então. Sucesso mundial quando de seu lançamento em 1961 e hoje, 46 anos depois, um filme tido como “cult”. No Brasil West side story recebeu o título de Amor, sublime amor.
(mais…)

09/11/2007 - 17:15h 9 de novembro de 1989-2007: 18 anos da queda do Muro de Berlim, Ode a liberdade como homenagem

Leonard Bernstein with the Vienna Philharmonic performs Beethoven’s Ode to Joy.

Soloists are Gwyneth Jones, Shirley Verrett, Placido Domingo, and Martti Talvela.

This first video clip is divided into the following sections:

0:00-3:36 Bernstein’s introduction
1:27-2:15 The Ode to Joy played solemnly by Cello and Contrabass
2:15-3:04 A lighter, sweeter variation now including Viola and Bassoon
3:04-3:51 Larger, more expressive second variation with addition of 1st and 2nd Violins
3:52-4:38 Triumphant and majestic third variation utilizing entire orchestra. Instruments added: Flute, Oboe, Clarinet, contrabassoon, cornet, trombone, and timpani
4:39-5:31 Dizzying flight of passion including the brief introduction of a blithe tune that is almost immediately interrupted by a thunderous cadence
5:33-6:30 The bass introduces the chorus to the audience with a recitative
6:30-9:17 The Ode to Joy theme is now replayed with the significant inclusion of the chorus singing Schiller’s poem.

German words and English translation:

Baritone Solo:
O Freunde, nicht diese Töne!
Oh friends, not these sounds!
Sondern lasst uns angenehmere
Rather let us sing more
anstimmen und freudenvollere.
pleasant ones, and more full of joy.

Choral Bass join in:
Freude! Freude!
Joy! Joy!

Baritone Solo:
Freude, schöner Götterfunken
Joy, beautueous spark of divinity,
Tochter aus Elysium,
Daughter of Elysium
Wir betreten feuertrunken,
We enter drunk with fire
Himmlische, dein Heiligtum!
Heavenly One, your sanctuary!
Deine Zauber binden wieder
Thy magic power reunites,
Was die Mode streng geteilt;
All that custom has strictly divided
Alle menschen werden Brüder,
All men become brothers
Wo dein sanfter Flügel weilt.
Where your gentle wing abides.

Chorus sans Soprano:
Deine Zauber binden wieder
Thy magic power reunites,
Was die Mode streng geteilt;
All that custom has strictly divided
Alle menschen werden Brüder,
All men become brothers
Wo dein sanfter Flügel weilt.
Where your gentle wing abides.

Solo Alto, Tenor, and Baritone sans Soprano:
Wem der grosse Wurf gelungen,
Whoever has been so fortunate,
Eines Freundes Freund zu sein;
To be the friend of a friend

Solo Soprano enters, Alto, Tenor, and Baritone continue:
Wer ein holdes Weib errungen,
He who has obtained a dear wife,
Mische seinen Jubel ein!
Add his jubilation!
Ja, wer auch nur eine Seele
Yes, whoever also one soul
Sein nennt auf dem Erdenrund!
Can call his own in the earthly round!
Und wer’s nie gekonnt, der stehle
And who never could, he should steal
Weinend sich aus diesem Bund!
Weeping from this fellowship!

All Chorus responds (Bass one beat ahead):
Ja, wer auch nur eine Seele
Yes, whoever also one soul
Sein nennt auf dem Erdenrund!
Can call his own in the earthly round!
Und wer’s nie gekonnt, der stehle
And who never could, he should steal
Weinend sich aus diesem Bund!
Weeping from this fellowship!

Tenor and Baritone:
Freude trinken alle Wesen
All beings drink joy
An den Brüsten der Natur;
At the breasts of Nature;
Alto enters:
Alle Guten, alle Bösen
All things good, all things evil
Folgen ihrer Rosenspur.
Follow her rosy trail.
Soprano enters:
Küsse gab sie uns und Reben,
Kisses gave she us and wine,
Einen Freund, geprüft im Tod;
A friend, proven even in death;
Wollust ward dem Wurm gegeben,
Ecstasy is granted even to the worm
Und der Cherub steht vor Gott.
And the cherub stands before God

All Chorus responds:
Küsse gab sie uns und Reben,
Kisses gave she us and wine,
Einen Freund, geprüft im Tod;
A friend, proven even in death;
Wollust ward dem Wurm gegeben,
Ecstasy is granted even to the worm
Und der Cherub steht vor Gott.
And the cherub stands before God
Und der Cherub steht vor Gott.
And the cherub stands before God
(Alto a beat ahead) steht vor Gott.
vor Gott.
vor Gott.

04/09/2007 - 20:41h West Side Story

West Side Story – Prologue

West Side Story – America

West Side Story-Somewhere