27/03/2012 - 09:45h Governo prorroga isenção de IPI para linha branca e inclui mais três setores

27 de março de 2012

RICARDO LEOPOLDO , FRANCISCO CARLOS DE ASSIS – O Estado de S.Paulo

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem a prorrogação por mais três meses da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que recai sobre os eletrodomésticos da chamada linha branca (geladeiras, lavadoras de roupa, tanquinhos e fogões). A medida também passa a valer para móveis, laminados e luminárias, e o objetivo do governo é estimular a economia.

Com isso, o governo deixará de arrecadar R$ 489 milhões, disse o ministro ao anunciar as medidas em reunião com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

As desonerações já estão em vigor e valem até o fim de junho. A contrapartida das indústrias, ressaltou Mantega, é o compromisso de manutenção dos empregos. “Esperamos até que o número de empregos seja aumentado para atender à demanda, que deve crescer”, afirmou.

Anunciada em dezembro de 2011, a redução do IPI da linha branca valeria até o fim deste mês. Nos últimos três meses, sob o impulso do benefício fiscal, as vendas desses produtos subiram cerca de 20% em relação a igual período do ano passado, segundo levantamentos de representantes do varejo.

Além da prorrogação do benefício, Mantega também anunciou que serão reduzidas as alíquotas do IPI incidentes sobre toda a linha de móveis (de 5% para zero), para o papel de parede (de 20% para 10%), laminados (de 15% para zero) e de luminárias e lustres (de 15% para 5%).

As medidas fazem parte da estratégia do governo de tentar reanimar a economia neste início de ano, depois da divulgação de resultados ruins nos últimos meses. Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff e o ministro Mantega se reuniram em Brasília com 28 grupos empresariais e prometeram mais estímulo para a indústria.

Ontem, ao chegar à sede da Fiesp, o ministro afirmou que as desonerações tributárias serão importantes para dar continuidade ao processo de expansão da economia neste ano. “O País deverá estar crescendo ao redor de 5% no segundo semestre”, afirmou Mantega.

O ministro lembrou que o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 2,7% no ano passado, mas concluiu que, com vários estímulos oficiais, especialmente a queda de juros pelo Banco Central e desonerações fiscais, será possível fazer com que a economia do País avance 4% em 2012.

Mantega explicou que o setor de materiais de construção, que também reivindicava estímulos, não foi contemplado com medidas semelhantes pois já é beneficiado por regime de isenção fiscal há pouco mais de dois anos.

O ministro ressaltou que o governo prepara outras medidas para estimular a economia, citando a desoneração da folha de pagamento para vários segmentos da área industrial. Mas, não deu mais detalhes sobre que tipo de ações o governo está estudando.

25/11/2009 - 10:55h Gargalo atrasa venda de linha branca

lava-roupaEletrodomésticos: Brasileiro compra 5,2 milhões de lavadoras, estimulado por IPI menor e pagamento facilitado

Daniele Madureira, de São Paulo – VALOR

Novembro e dezembro não são os melhores meses para a venda de lavadoras. Em um país tropical, a procura por máquinas de lavar decola mesmo no frio, em junho e julho. Mas a extensão da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca até 31 de janeiro criou uma situação atípica e fez das lavadoras o eletrodoméstico mais procurado no varejo nos últimos meses, rivalizando com as geladeiras, que têm pico de vendas no verão. O problema é que os fabricantes não têm conseguido entregar dentro do prazo os modelos de maior demanda, aqueles com capacidade para lavar mais de nove quilos de roupa.

A falha é observada também nos refrigeradores “frost free” e nos fogões de quatro bocas, os outros dois modelos de eletrodomésticos mais procurados neste final de ano. Parte do que a indústria vende hoje nem tem data fechada para entrega. O motivo do gargalo está nos fornecedores de componentes, que não estariam preparados o suficiente para atender, ao mesmo tempo, os três grandes fabricantes do país: Whirlpool (Brastemp e Consul), Electrolux e Mabe (marcas Mabe, GE, Dako, Continental e Bosch).

“Realmente houve atraso nos últimos meses na entrega de materiais como vidros, alguns tipos de aço e placas eletrônicas”, diz Patricio Mendizábal, presidente da Mabe no Mercosul. Hoje, a situação está quase normalizada, diz ele. “Não está completamente resolvida, mas controlada”. Perguntadas sobre os atrasos, Whirlpool e Electrolux não responderam.

Grandes varejistas ouvidos pelo Valor informaram que as lojas chegam a ficar até 15 dias sem alguns dos modelos de lavadoras. “Se a gente pede um lote de dez, eles entregam sete ou oito”, diz o executivo de uma das maiores redes do país. É comum que o consumidor aceite levar até a peça do mostruário para casa (ver texto abaixo). “Eu poderia estar vendendo até 25% mais, se a entrega do produto não falhasse”, diz o diretor de outra varejista, para quem a indústria diversificou demais o portfólio, o que agravou a dificuldade em atender pedidos específicos com rapidez. “Precisaria haver mais gente fabricando, o mercado é muito concentrado”, avalia.
Foto Destaque

Tem mais gente querendo disputar de igual para igual. A coreana LG, por exemplo, que briga no segmento premium com a venda de refrigeradores e lavadoras, importa o produto da matriz – um processo que demora cerca de 60 dias, desde o pedido até a entrega na loja. A empresa estuda a implantação de uma fábrica de linha branca no Brasil, depois de registrar um aumento expressivo na venda de lavadoras: a linha, que representava menos de 3% da sua receita no país em 2008, vai chegar a 7% das vendas totais em 2009. A LG, que até então trabalhava exclusivamente com o modelo lava e seca, introduziu neste ano uma nova linha no país, mais acessível, que só lava. “Nenhuma outra linha de produtos cresceu tanto em 2009″, diz Frederico Seixas, gerente de produto de linha branca da LG. “Mas, para ter uma fábrica aqui, é preciso analisar a questão dos fornecedores”.

Um dos casos mais graves que vem atrasando a entrega de produtos no varejo está na oferta de vidro para a linha branca (usado nas tampas das lavadoras, dos fogões e nas prateleiras das geladeiras). O mercado de vidros para eletrodomésticos é dominado por duas empresas – Saint-Gobain, que lidera, com a Euroveder, e a Shott. E vem faltando produto. “Aumentamos a produção em 30% em setembro mas, ainda assim, estamos operando com 95% da nossa capacidade”, diz Luiz Fernando Chamon, gerente-geral da Euroveder, divisão da Saint-Gobain especializada no fornecimento de vidros para a linha branca. Para atender os três grandes fabricantes do país, a Eurodever aumentou em 60% o número de funcionários, para 335 pessoas, e começou a trabalhar aos domingos. Hoje, a fábrica de São Caetano do Sul (SP) opera 24 horas, sete dias por semana.

“Os meses de agosto e setembro foram os mais críticos porque a contratação de pessoal ainda não tinha sido concluída”, diz Chamon, que garante que nenhum fabricante ficou desabastecido. “Mas os prazos precisaram ser renegociados. Se o cliente queria um lote de dez, entregávamos cinco agora e cinco depois”. O gargalo, diz, foi contornado, mas a situação “não está sendo fácil até agora”.

A líder Whirlpool, com fatia de 40% nas vendas de linha branca no país, contratou duas mil pessoas para dar conta do aumento da demanda em resposta à redução do IPI. Cerca de 700 funcionários foram para a área de lavadoras, diz Claudia Sender, gerente-geral da Whirlpool Latin America para lavanderia, cocção e linhas especiais. “A venda dos principais produtos de linha branca (fogão, refrigeradores e lavadoras) deve crescer 20% este ano sobre 2008, puxada por lavadoras”. A alta para alguns modelos chega a 40%.

“Em lavadoras, os produtos mais procurados são aqueles de maior valor agregado, com capacidade acima dos nove quilos, devido à facilidade que o consumidor encontra em parcelar”, diz a executiva. A rede Extra lança nos próximos dias promoção que divide o pagamento para a linha branca em até 18 vezes. A maior varejista do país em linha branca, a Casas Bahia, oferece 17.

Dono do Extra e do Ponto Frio, o Grupo Pão de Açúcar espera vendas de lavadoras 35% maiores neste último bimestre (em toda a linha branca, a expectativa de crescimento no período é de 30%). Segundo a a associação dos fabricantes de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, a Eletros, a venda de lavadoras foi especialmente beneficiada com a redução do IPI na metade de abril. “Trata-se do item de linha branca com menor presença nos lares brasileiros, 45%”, diz Lourival Kiçula, presidente da Eletros, que confia na manutenção do IPI para depois de 31 de janeiro.

“Um em cada 11 lares do país comprou uma máquina de lavar nova neste ano”, calcula Oliver Römerscheidt, da consultoria GFK, considerando também os “tanquinhos” (lavadora que não centrifuga a roupa). Para ele, a indústria tinha que aproveitar mesmo este momento para vender. “Ano que vem, com a Copa do Mundo, o brasileiro vai querer TV nova, não uma lavadora”.

30/10/2009 - 09:56h Combatendo a crise e o aquecimento global

IPI continua menor só para eletrodomésticos “verdes”

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

geladeiraLinguaO governo estendeu até 31 de janeiro a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos da linha branca, mas limitou o benefício aos itens que consomem menos energia. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que novas medidas tributárias com esse objetivo ambiental serão anunciadas.

Geladeiras, fogões, máquinas de lavar e tanquinhos que recebem os selos A e B do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) terão, de 1º de novembro a 31 de janeiro, alíquotas de IPI menores que as vigentes antes de abril. Para os demais itens, volta a carga tributária normal. Uma geladeira Classe A, por exemplo, tinha incidência de alíquota de 15% até abril, início dos benefícios definidos pelo governo. Essa tributação caiu para 5% e será mantida até o fim de janeiro de 2010. Para os refrigeradores Classe B, a alíquota caiu de 15% para 5%, mas será de 10% nos próximos três meses.

Foto Destaque

Mantega disse que o governo, ao prorrogar o benefício tributário para a linha branca, não pensou nas eleições do ano que vem. Alegou que a medida pretende ampliar o emprego e manter o crescimento do varejo e da indústria, além de facilitar o acesso a esses bens de consumo duráveis para a população que tem renda mais baixa. “Não se espantem com novas medidas tributárias com esse caráter”, afirmou, ao comentar o aspecto ambiental da medida.

Para o ministro da Fazenda, os empresários do varejo e da indústria comprometeram-se com mais contratações de trabalhadores, mas o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, explicou que as contratações já foram feitas quando o governo reduziu o IPI. Agora, as indústrias devem apenas mantê-las. Kiçula também revelou surpresa ao saber da medida porque esperava apenas a simples prorrogação do benefício por mais três meses. Ele disse que o consumidor olha primeiro para o preço e depois para o gasto de energia.

Se a indústria já avisou que não vai ampliar o emprego, Luiza Helena Trajano, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), informou que a contratação de trabalhadores temporários no fim do ano, geralmente elevando em 5% o pessoal, deve subir para 10% ou 15% com a manutenção do benefício. “Lutamos muito para que essa redução do imposto aproveitasse o período do 13º salário, quando o poder de compra é maior”, disse.

Falando das redes de varejo, Luiza disse que sua empresa (Magazine Luiza) deve contratar 1,5 mil temporários, o que representa 10% dos total de empregados. Ela também estimou que a Casas Bahia, a maior do país, vai absorver mão de obra de cerca de 5 mil temporários em 2009. No setor, a linha branca responde por aproximadamente 30% das vendas.

O Walmart informou que não vai aumentar os preços da linha branca, mesmo para os produtos que perderem o benefício da redução do IPI. A empresa espera ter um desempenho de vendas em torno de 35% superior na categoria, para o Natal, ante o mesmo período do ano passado.

O diretor de relações institucionais da Whirlpool, Armando Ennes do Valle Jr., acredita que este será o melhor Natal dos últimos anos para a indústria de eletrodomésticos. “Vamos crescer entre 12% e 15% este ano em número de unidades”, disse.

A renúncia fiscal com a nova fase do benefício é de R$ 132,1 milhões. Para Mantega, a redução do IPI acaba em janeiro porque, na sua avaliação, a economia está em recuperação e, daqui a pouco, “andará com as próprias pernas”. Desde o início da redução do IPI para a linha branca deixaram de ser arrecadados R$ 380 milhões.

15/10/2009 - 09:51h Reduzindo imposto: Lula prorroga corte do IPI para a linha branca

Informação foi dada durante viagem ao canteiro de obras da transposição do Rio São Francisco


Presidente Lula participa de cerimônia alusiva às obras de revitalização do Rio São Francisco Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação

Presidente Lula participa de cerimônia alusiva às obras de revitalização do Rio São Francisco
14 de outubro de 2009 – Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação


Leonencio Nossa, ENVIADO ESPECIAL, SERTÂNIA (PE) – O Estado SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu prorrogar a redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de produtos da linha branca. De olho no eleitorado da classe média baixa, ele avaliou que a manutenção dos preços reduzidos de geladeiras, fogões, tanquinhos e máquinas de lavar manterá o comércio aquecido no fim de ano e atenderá especialmente a uma parcela considerável de mulheres das periferias das cidades.

A informação foi dada na noite de ontem por um auxiliar do presidente, que o acompanha na viagem ao canteiro de obras da transposição do Rio São Francisco, no sertão pernambucano. O governo avalia, agora, quando fará o anúncio oficial da renovação – o prazo da redução vence no fim deste mês. Lula, segundo auxiliares, quer manter os mesmos porcentuais reduzidos. Empresários pediram ao governo que mantenha o desconto até o fim de janeiro.

Em sintonia com o Planalto, a equipe econômica já prepara a prorrogação da redução do IPI de geladeiras (que caiu de 15% para 5%), fogões (de 5% para zero), máquinas de lavar (de 20% para 10%) e de tanquinhos (de 10% para zero).

No início deste mês, o Estado revelou que o governo já planejava a prorrogação. Como o impacto fiscal é menor que a queda do IPI dos automóveis, cujas alíquotas começaram a ser majoradas há cerca de 15 dias, o Planalto passou a pressionar a Fazenda. Nas contas da Receita Federal, a redução de IPI da linha branca custará aos cofres público, até 31 de outubro, R$ 380 milhões.

No Planalto, o cálculo fiscal é temperado pela contabilidade política. A perda de arrecadação com o IPI seria compensada pela manutenção de empregos e redução dos preços de um produto cobiçado pelas classes mais baixas.

Dentro do governo, às claras, há quem defenda a prorrogação pelo menos até o fim do ano, quando se encerram os incentivos para os demais setores. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, por exemplo, tem destacado a importância do incentivo fiscal para manter as vendas aquecidas.

PIS E COFINS

O governo vai suspender, a partir de 1º de novembro, o pagamento da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre a receita bruta de venda no mercado interno de toda a cadeia produtiva da carne bovina. A medida consta da Lei 12.058 publicada no Diário Oficial e sancionada ontem pelo presidente Lula.

A lei teve como base a Medida Provisória 462, aprovada pelo Congresso no fim de setembro, cujo objeto principal é o repasse de R$ 1 bilhão aos municípios para cobrir as perdas de receitas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Mas, na tramitação na Câmara e no Senado, a MP ganhou 22 emendas sobre outros temas.

O frigorífico JBS Friboi informou que a cobrança de PIS/Pasep e Cofins para o mercado doméstico de bovinos representa 9,25% de sua receita bruta. Em comunicado, a empresa diz que a medida é altamente positiva para o setor.

COLABOROU NELIA MARQUEZ

NÚMEROS

R$ 380 milhões

é o custo da redução do IPI para a linha branca até 31 de outubro

5%

é a alíquota reduzida do IPI para as geladeiras

10%

é a alíquota para máquina de lavar

14/07/2009 - 10:41h Crédito e bens duráveis puxam recuperação da economia

geladeiralingua.gifDe dezembro de 2008 a maio, a produção de produtos de consumo, de carros a máquinas de lavar, cresceu 92%

Márcia De Chiara – O Estado SP

O movimento de recuperação da economia, puxado pela dobradinha crédito/bens de consumo duráveis, já está nítido nos resultados da produção industrial. Entre dezembro de 2008 e maio deste ano, a produção industrial de bens de consumo duráveis, que inclui de automóveis a geladeiras e máquinas de lavar, por exemplo, aumentou 92%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Os bens de consumo duráveis puxaram a produção da indústria e vão continuar sendo o motor da recuperação da economia no segundo semestre”, afirma o diretor da RC Consultores, Fabio Silveira. Ele aponta que no mesmo período a produção de bens de consumo semiduráveis e de não-duráveis, isto é, roupas e alimentos, basicamente, aumentou apenas 1,2%. Já a produção de bens intermediários cresceu 18% e os bens de capital tiveram queda de 1,4%.

Silveira aponta uma série de fatores para o excelente desempenho da produção dos bens de consumo duráveis: a renda dos trabalhadores recua, porém lentamente; os benefícios fiscais, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); a maior oferta de crédito, sobretudo dos bancos públicos; juros menores e prazos mais longos de financiamento.

“Está se desenhando um segundo semestre muito favorável para o crédito voltado para o consumidor”, afirma Adalberto Savioli, presidente da Acrefi, entidade que representa as financeiras. Ele calcula que o volume de empréstimos destinado a pessoas físicas termine 2009 com alta de 15% ante 2008. “O pior momento para o crédito já passou”, diz ele.

Pesquisa da Serasa Experian de Expectativa Empresarial revela que 73% das instituições financeiras acreditam que a oferta de crédito vai crescer no terceiro trimestre deste ano, em relação ao segundo trimestre. E somente 5% delas apostam na queda dos volumes.

Além do impulso do crédito, Silveira, da RC Consultores, ressalta a importância de se eleger um setor líder, nesse caso os bens de consumo duráveis, na retomada do ritmo de atividade. “Os bens de consumo duráveis têm uma cadeia de produção longa e contribuem positivamente para impulsionar outros setores”, argumenta.

MULTIPLICADOR

O efeito multiplicador dos bens de consumo duráveis combinado com a maior oferta de crédito já tem impacto em outros setores. Após dois meses consecutivos de queda, as consultas para vendas à vista registradas pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) cresceram 3% em junho na comparação com 2008. Nas vendas a prazo, o ritmo de queda nas consultas na comparação anual é menor a cada mês.

Se continuar nesse ritmo, Marcel Solimeo, economista da entidade, acredita que será possível fechar o ano zerando as perdas do comércio varejista, de cerca de 8%, acumuladas no primeiro semestre.

Os efeitos do consumo de bens e do crédito farto também atingem os fabricantes de papelão ondulado, setor que funciona como termômetro da produção industrial e das vendas na ponta. Em maio, por exemplo, a média diária de expedição de papelão ondulado atingiu 7.464 toneladas e superou pela primeira vez no ano a média diária alcançada no ano inteiro de 2008, que foi de 7,431 toneladas.

“Alguns setores que são importantes para nós no consumo de embalagens estão retomando o nível de produção e de compras de papelão”, a firma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Papelão Ondulado (ABPO), Paulo Sérgio Peres. Ele evita fazer previsões para o ano, mas acredita que o segundo semestre será melhor que o primeiro.

De toda forma, o setor acumula queda de 7% de janeiro a maio nos volumes ante 2008. “Mesmo que haja melhora, os números serão negativos ante 2009 no resultado mensal.” Em outubro do ano passado, o setor vendeu 208 mil toneladas de papelão ondulado e bateu o recorde histórico.

Os efeitos positivos no ritmo de atividade também foram sentidos pelos supermercados. De janeiro a maio, as vendas do setor cresceram 5%, em relação a igual período de 2009, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados. “Dependendo do resultados de junho, vamos rever para cima a perspectiva de encerrar 2009 com crescimento de 2,5% nas vendas”, diz o presidente da entidade, Sussumu Honda. Em 2008, o setor cresceu 9%.

Apesar do impulso dado à economia pelo aumento da oferta de crédito e pelos incentivos à compra de bens de consumo duráveis, há duas travas no desempenho da atividade: uma é o fraco ritmo das exportações, especialmente de manufaturados, e a outra é a perda de ímpeto para o investimento.

26/06/2009 - 09:33h O IPI-HOP do governo Lula: Produção da Whirpool bate recorde em maio

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O Estado SP

EFEITO IPI

O diretor de Relações Institucionais da Whirpool, Armando Ennes do Valle Júnior, afirmou que a produção da companhia, voltada para itens da linha branca, bateu recorde em maio, resultado que deve se repetir em junho. A empresa, dona das marcas Brastemp e Consul, teve alta de 20% nas encomendas em maio, chegando a 25% apenas nas máquinas de lavar roupa, puxada pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

17/06/2009 - 12:06h Venda de produtos da linha branca cresce 30%

 geladeira_empurrando.gifProblema da falta de produtos não atingiu todas as redes

Márcia de Chiara, Rodrigo Petry, Cleide Silva – O Estado SP

As vendas de eletrodomésticos da linha branca, que tiveram Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) reduzido, cresceram no varejo até 30% em resposta à queda nos preços e alguns modelos de máquinas de lavar roupas e geladeiras já começaram a faltar nas lojas, informam varejistas.

No Magazine Luiza, por exemplo, faltam geladeiras e máquinas de lavar, conta a presidente da rede, Luiza Helena Trajano. “A indústria já está aumentando sua produção para atender aos pedidos do varejo. Estamos com um crescimento médio de 25% dos produtos da linha branca que tiveram redução de IPI.”

Nas Lojas Cem, falta um ou outro modelo, principalmente de lavadoras, diz o diretor de Relações com o Mercado, Valdemir Colleone. “Não chega a ser um desabastecimento.” A maior dificuldade ocorre nos modelos de eletrodomésticos intermediários, como lavadoras de 10 quilos, cita o executivo. Ele conta que, após o corte no IPI, as vendas da rede cresceram 30% em maio ante o mesmo mês de 2008.

A dificuldade de abastecimento não atinge todas as redes. As Casas Bahia, maior varejista do setor, informam que não faltam produtos da linha branca e que têm estoques para 30 dias.

O Wal-Mart, que registrou um acréscimo de 30% nos itens da linha branca desde o corte de IPI, informa que está abastecido, mas ressalta que o prazo para atender os novos pedidos colocados pelo varejo está maior.

Para o diretor das Lojas do Baú, Décio Thomé, com a substituição tributária para os eletrodomésticos que passaram a recolher, a partir deste mês, imposto na indústria, aumentou a burocracia. E, segundo, essa mudança está emperrando o fluxo de mercadorias. “Para a minha rede não existe falta de produto. Nem pontual.”

INDÚSTRIA

“Faltando produto não está, mas todos os varejistas estão pedindo na mesma hora”, conta Patricio Mendizábal, presidente da Mabe, donas das marcas GE e Dako. Segundo ele, no caso de alguns modelos de geladeiras e lavadoras, a entrega leva entre dois a quatro dias, o que significa de um a dois dias de atraso do produto para o varejo. “Os estoques estão baixos e estamos acelerando a produção com horas extras.”

Lourival Kiçula, presidente da Eletros, que reúne a indústria de eletrodomésticos, admite que possa ocorrer a falta de um ou outro modelo. “Mas o abastecimento está absolutamente normal.” Segundo ele, o varejo trabalhou com estoques baixos no primeiro trimestre e a indústria com nível baixo de produção. Com o corte de IPI, as vendas cresceram 20% em maio e começou a corrida para repor os estoques.

“A indústria de eletrodomésticos não estava preparada para o grande aumento de vendas que se verificou após a redução do IPI”, disse ontem o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Ele acha que o setor repetiu o erro da indústria automobilística. Quando houve a redução do IPI, as montadoras tinham mais de 300 mil veículos em estoque. Muitas fábricas deram férias coletivas por longos períodos e, com o aquecimento das vendas, faltaram produtos.

16/06/2009 - 11:00h Imposto menor já provoca falta de eletrodomésticos

Estoques zerados

O Globo

RIO – A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os eletrodomésticos da linha branca empurrou fortemente as vendas do setor, em especial de geladeiras e lavadoras de roupas. As vendas subiram 20% em relação a maio de 2008 e, em algumas redes, o crescimento chegou a 52%. Com isso, mostra reportagem do Globo nesta terça-feira, as redes de varejo já encontram dificuldades para repor seus estoques.

No Magazine Luiza, que tem uma rede de 450 lojas, as vendas cresceram 25% e há dificuldade para recompor os estoques:

- Hoje não tenho uma máquina de lavar para entregar. E a Brastemp (Whirpool) também não tem – diz a presidente do Magazine Luiza, Luiza Trajano.

Outras redes confirmam que o item mais difícil de entregar são as lavadoras.

Hoje não tenho uma máquina de lavar para entregar. E a Brastemp (Whirpool) também não tem


Gladimir Somacal, diretor de compras da Colombo, disse, por sua vez, que o plano de elevar de 35 dias para 50 dias seus níveis de estoque, para aproveitar o último mês de vigência do IPI menor (que começou em 18 de abril e vale por 90 dias), esbarra na indústria, já que alguns fabricantes não estão conseguindo entregar produtos na proporção que o varejo gostaria.

Nesta semana, o governo começa a avaliar se vale ou não a pena prorrogar a redução do IPI sobre automóveis, linha branca e materiais de construção. Uma das propostas em estudo seria, especialmente no caso de automóveis, fazer um teste por um curto período de tempo, de um ou dois meses. Ou seja: manteria-se o benefício por um prazo inferior aos três meses de praxe para verificar – como na primeira prorrogação para montadoras – se o incentivo realmente ainda se justifica.

Se dependesse do Ministério da Fazenda, o benefício não seria prorrogado. O argumento é de que as vendas já tiveram uma forte recuperação.

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