17/06/2008 - 12:02h Silêncio nas fileiras, exige Lobo aos serristas, que se recusam a ser cordeiros

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Dificilmente voltaram a estar juntos no palanque

Silêncio nas fileiras. No ninho tucano está proibido piar contra o tucano mor.

A vida partidária no PSDB atingiu o patamar da impossibilidade da convivência. Numa decisão inusitada e profundamente antidemocrática a Executiva municipal do PSDB e seu presidente, José Henrique Reis Lobo, decidiu que para poder ser candidato a vereador pelo partido é necessário estar a favor da candidatura Alckmin. Quem discordar não poderá fazer parte da chapa tucana nas próximas eleições.

Imaginem se fosse no PT o que os jornais diriam!


Acontece que dez dos doze vereadores do PSDB não concordam em que Alckmin seja candidato. Ao mando de Serra e Goldman, governador e vice-governador tucano, os vereadores serristas defendem a candidatura do pefelista Kassab e querem debater e votar na convenção. Este direito deles é constrangido pela determinação draconiana da executiva. Eis a democracia tucana em ação!

Por sua vez Alckmin ameaçou deixar o PSDB caso os serristas continuassem apregoando o apoio a Kassab, alguns indicam que poderia migrar com seus apoiadores para o PSB após as eleições, mas isto é só um rumor. Em todo caso a conversa com Goldman deixou pairar a divisão do PSDB como ameaça alckminista.

O jogo de ambição pessoal, manobras e guerra suja esta permitindo que a verdadeira cara dos tucanos de São Paulo aflore a luz do dia. Intolerantes com as divergências, ausência de democracia partidária e ambição pelo poder são algumas das suas características. E a mídia não pode fazer nada para mascarar esta realidade. LF

A seguir o artigo da Folha

Bancada leva hoje chapa pró-Kassab a tucanos

Dez vereadores apresentam proposta contra a candidatura Geraldo Alckmin

Presidente municipal do partido, José Henrique Reis Lobo, negou ontem legenda aos vereadores que apóiam a manutenção de aliança

CATIA SEABRA
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

Sob forte pressão -que inclui a ameaça de perda da legenda-, 10 dos 12 vereadores do PSDB decidiram apresentar hoje chapa de oposição à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à prefeitura. Ontem mesmo, a Executiva Municipal do partido fixou as regras para o caso de disputa na convenção de domingo, com dez fiscais e dois apuradores de cada lado.

Mas, ainda assim, o comando estadual do PSDB faz, na manhã de hoje, uma última tentativa para demovê-los da briga.

Pela estratégia, traçada pelos vereadores ontem num almoço, a bancada terá que protocolar lista com assinatura de 20% dos convencionais do partido.

Só assim poderão submeter seus nomes à convenção para as próximas eleições. É que, em mais um lance da disputa interna do PSDB, o presidente municipal do partido, José Henrique Reis Lobo, negou ontem legenda aos vereadores que apóiam o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Lobo condicionou a vaga dos vereadores ao apoio à candidatura Alckmin. Para autorizar a inscrição de seu nome na chapa do partido, os vereadores teriam de assinar documento de apoio a Alckmin.

“Essa é a chapa oficial da Executiva do PSDB, com Geraldo Alckmin e 82 candidatos a vereador. Se a bancada quer lançar outro candidato à prefeitura, vai ter que pagar o preço”, avisou Lobo. Até ontem, apenas dois vereadores tucanos tinham concordado: Tião Farias e Gilson Barreto. Os outros dez se recusaram a assinar.

Como hoje é o prazo final para apresentação de chapas para a convenção, os vereadores prometem apresentar duas listas. Uma -com 30% de assinatura dos convencionais do partido- proporia o apoio a Kassab. A outra -com 20%- garantiria espaço aos kassabistas na chapa para a Câmara.

Pelos cálculos dos vereadores, seriam necessários menos de 90 votos para a inscrição de seus nomes na chapa.

“Vamos bater chapa. O Lobo não pode usar desses expedientes capciosos. Isso é muito feio, é mal cheiroso”, atacou o líder do PSDB, Gilberto Natalini.

Hesitação

Segundo o vereador Juscelino Gadelha, “a tendência é ir até o fim”. Mas, preocupado com a pressão, o vereador José Rolim já demonstra hesitação: “Temos que ouvir os grandões”.
Hoje, os vereadores voltam a se reunir para discutir sua estratégia. Temendo prejuízos para o governador José Serra, o secretário municipal Andrea Matarazzo também vai procurar os vereadores. “Até 30 minutos antes, tudo é possível”, disse Adolfo Quintas.

Além da pressão da direção nacional, o presidente estadual do PSDB, o deputado federal Mendes Thame, voltou à carga contra os kassabistas. Numa reunião na tarde de ontem, Thame disse que será uma “hecatombe” o enfrentamento dos dois grupos na convenção.

Presente à reunião da Executiva estadual, o secretário Walter Feldman disse que a decisão da bancada “é irreversível”.

06/06/2008 - 10:24h Serristas tucanos acusam presidente do PSDB de autoritarismo

Feldman ataca presidente do PSDB

Por carta, secretário diz que dirigente do partido tenta impedir debate

Silvia Amorim - O Estado de São Paulo

Regina Agrella
Governador Geraldo Alckmin e Walter Feldman

A ala do PSDB favorável a que o partido apóie a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em vez de lançar o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) reagiu ontem com acusações ao apelo feito pelo presidente municipal, José Henrique Reis Lobo, para que não haja disputa na convenção do partido, no dia 22.

Na terça-feira, Lobo mandou carta aos 1.200 delegados do partido pedindo que não assinem o manifesto de tucanos pró-Kassab que propõe votar a idéia de apoiar o prefeito na convenção. Ontem, em carta à militância, o secretário de Esportes de Kassab, o tucano Walter Feldman, acusou Lobo de tentar impedir o debate na convenção.

“A divergência não pode ser abafada para fazer uma festa amordaçada.” O texto classifica os apoiadores de Alckmin de “cegos e surdos” e sua candidatura de “aventura”. “Minha carta é uma resposta ao que considero uma agressão à visão democrática do PSDB. É um primor de autoritarismo”, disse.

A carta compara o processo de escolha no PSDB às prévias do Partido Democrata para definir o postulante à Presidência dos Estados Unidos. “Foi uma coincidência melancólica que, no mesmo dia em que a democracia americana dava ao mundo um espetáculo inédito, ao escolher seu primeiro candidato negro, nós militantes tenhamos recebido apelo para que escondamos as nossas diferenças.”

Lobo reagiu ao comentário. “Lá a disputa se dá entre dois nomes do mesmo partido, enquanto aqui se pretende que ela se faça entre um candidato que é do partido e outro que não é. Qual a impressão que os democratas dos EUA estariam causando, se alguns dos seus estivessem brigando para levar à convenção um nome do Partido Republicano?”, provocou.

É a primeira vez que o PSDB de São Paulo chega a uma convenção sem consenso. Em Belo Horizonte, o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), admitiu que está preocupado com um possível racha no Estado. Mas disse acreditar que a divergência interna será superada. “Apoiamos o Diretório Municipal e o Diretório Estadual, qualquer encaminhamento que estão dando tem o nosso apoio. A decisão é evitar confronto na convenção.”
COLABOROU EDUARDO KATTAH

05/06/2008 - 14:33h Grupo de Serra reúne assinaturas para deter Alckmin

Nos subterrâneos, PSDB vive sua mais grave crise em SP

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Blog de Josias

O PSDB de São Paulo marcou para 22 de junho sua convenção. Informou-se que o encontro cumpriria a formalidade de homologar a candidatura de Geraldo Alckmin.

Não é bem assim. Sem alarde, o grupo do governador José Serra recolhe assinaturas para levar à convenção tucana um projeto alternativo à candidatura municipal própria.

Trama-se aprovar uma coligação tardia do PSDB com o DEM do prefeito Gilberto Kassab, candidato à reeleição. Ao tucanato caberia a indicação do vice.

Há três dias, reunido com a cúpula nacional do DEM, em seu apartamento, Kassab informou que o abaixo-assinado tucano pró-coligação já reúne 570 jamegões.

A ser verdade, faltariam algo como 30 assinaturas para alcançar a maioria na convenção do PSDB, composta de 1.200 delegados. Um desastre para Alckmin.

Kassab mantém-se informado acerca da coleta de assinaturas por meio de um interlocutor bem-posto: o tucano Aloísio Nunes Ferreira.

Aloísio é secretário de Governo da gestão Serra. Mantém com o governador um relacionamento do tipo unha e cutícula.

Animado, Kassab reuniu-se com Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista. Na presença do dirigente ‘demo’ Jorge Bornhausen, combinaram o seguinte:

Na convenção do DEM, marcada para 14 de junho, oito dias antes da reunião do PSDB, só o nome de Kassab será ratificado. A vaga do vice ficará reservada para um tucano.

A combinação com Quércia foi necessária porque Kassab lhe havia prometido a primazia na indicação do vice, caso o plano de desbancar Alckmin fizesse água.

Sentindo o cheiro de queimado, o presidente do diretório paulistano do PSDB, José Henrique Reis Lobo, pôs-se a enviar, há dois dias, carta aos convencionais tucanos.

Aos que ainda não rubricaram a lista urdida no Palácio dos Bandeirantes, o tucano Lobo pede que se esquivem de assinar.

Aos correligionários que já apuseram seus jamegões na lista, Lobo roga para que mandem apagar os rabiscos.

Oficialmente, Serra e Aloísio Nunes negam que a articulação anti-Alckmin traga as suas digitais. Lorota, a julgar pelo que diz Kassab entre quatro paredes.

A simples existência do abaixo-assinado intoxicou de vez as relações dos grupos de Alckmin e Serra. Abriu-se no PSDB paulista crise de desdobramentos imprevisíveis.

No limite, a encrenca pode desaguar na Executiva nacional do partido. Se a lista pró-Kassab vier a prevalecer na convenção tucano do dia 22, o grupo de Alckmin vai agir.

Para assegurar a candidatura de Alckmin, cogita-se requisitar uma intervenção de Brasília no diretório de São Paulo. Algo que, por ora, o senador Sérgio Guerra prefere nem cogitar.

“A direção nacional apóia o encaminhamento que vem sendo dado pelo Lobo, nosso presidente no município de São Paulo”, diz Sérgio Guerra, dirigente máximo do PSDB.

“Nosso candidato será o Geraldo [Alckmin]. A convenção vai sacramentar o nome dele. É com essa perspectiva que estamos trabalhando”, acrescenta o presidente nacional tucano.

Integrantes do grupo de Alckmin dizem que a ala de Serra blefa ao dizer que dispõe de 570 assinaturas. As adesões à composição com Kassab não passariam de 400.

Tenha 570 ou 400 rubricas, a lista que corre os subterrâneos do PSDB expõe um flagelo cada vez mais associado ao tucanato: a divisão interna.

Escrito por Josias de Souza

05/06/2008 - 11:00h Vôo acima de um ninho de tucanos

http://estudioimpar.files.wordpress.com/2007/08/faca_8tratada.jpgParcial ou imparcial, o presidente do PSDB e Alckmin estão alertados: a convenção do PSDB vai ser palco da tentativa dos tucanos serristas de inviabilizar o candidato tucano em benefício do pefelista Kassab.

Secretário deixa cargo e diz que irá atuar por aliança

DA REPORTAGEM LOCAL - Folha SP

Com o aval do prefeito Gilberto Kassab, o tucano Ricardo Montoro deixa hoje a Secretaria municipal de Participação e Parceria, dizendo-se disposto a uma romaria pela manutenção da aliança PSDB/DEM na cidade. A cabeça de chapa, diz, caberia ao democrata.
Como hoje vence o prazo para saída os ocupantes de cargo que pretendam concorrer e os secretários Andrea Matarazzo (Coordenação das Subprefeituras) e Walter Feldman (Esportes) decidiram ficar, Montoro desponta como potencial candidato a vice numa remota aliança entre PSDB e DEM.
“Claro que não descarto. Mas o motivo é buscar apoio para a convenção. Não gostei da carta do [presidente do PSDB, José Henrique] Lobo. Como presidente, ele deveria ser parcial.”

http://www.photografos.com.br/users/fredalves/normal_77602_photo.jpgAlckmin percebeu que sua sorte depende de surfar no descontentamento com a administração Kassab - Serra. Iluminado pela percepção que será marginalizado pelo trator das maquinas estadual e municipal, vai semeando indicios de sua vocação “oposicionista”. Um dia é o trânsito, outro é a luz e assim vai… No final ele vai acabar reconhecendo que o PT está certo em considerar o governo Kassab medíocre. Veja está notinha na cóluna de Monica Bergamo, na Folha de hoje.

O CHOQUE
Já em campanha, Geraldo Alckmin (PSDB-SP) jantou anteontem no Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação. Disse aos empresários que SP está “escura” e precisando de um “choque de gestão”.

04/06/2008 - 09:31h O cala boca do Lobo aos tucanos serristas

ELEIÇÕES 2008 / SÃO PAULO

Presidente do PSDB-SP pede fim de disputa

Tucanos reúnem nomes em lista para levar proposta de aliança com Kassab à convenção; José Henrique Lobo ameaça deixar cargo

Lobo diz não querer presidir metade do partido; Alckmin esteve com pré-candidatos a vereador para discutir aliança tucana com o PTB

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FERNANDO BARROS DE MELLO - FOLHA SP

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente do PSDB municipal, José Henrique Reis Lobo, enviou ontem um e-mail pedindo para que delegados do partido não assinem a proposta de manutenção da aliança com o DEM, tendo o prefeito Gilberto Kassab na cabeça de chapa e o PSDB na vaga de vice.
A Folha publicou no último domingo que kassabistas têm assinaturas suficientes de delegados votantes para levar a proposta da aliança à convenção do partido, no dia 22.
“O que eu quero é pedir-lhe para não assinar nenhuma lista de apoio a que se leve à convenção qualquer proposta que não seja a da candidatura de Geraldo Alckmin à prefeito”, escreveu Lobo ontem.
“Se, por qualquer razão, você já assinou, nada impede que reconsidere a sua decisão, simplesmente transmitindo isso a quem o procurou, ou, se isso lhe trouxer algum constrangimento, mandando à Executiva uma carta solicitando que ela, como instância adequada, retire o seu nome da lista de apoiadores da proposta.”
Segundo o presidente municipal, o “PSDB corre o risco de sair ferido mortalmente”. Lobo esteve na noite de anteontem com vereadores e admitiu até mesmo deixar a presidência.
“É uma hipótese, que acho que não vai ser preciso acontecer. Mas eu não gostaria de ser presidente de metade de um partido”, afirmou.
Classificando-se de um “homem de paz”, Lobo escreveu ser amigo daqueles que defendem a tese contrária.
Dos 12 vereadores tucanos, 11 defendem a manutenção da aliança com Kassab, preservando Alckmin para ser o candidato tucano ao governo do Estado, em 2010.
“Quem tem assinado pela tese da aliança está fazendo por livre vontade e por opção política”, disse Gilberto Natalini, líder da bancada.
“Não acredito que o apelo do presidente Lobo terá qualquer resultado sobre a consciência daqueles que assinaram. As circunstâncias marcham para uma disputa democrática na convenção”, completa.

Proporcionalidade
Ontem pela manhã, Alckmin se reuniu com aliados que são pré-candidatos a vereador. Eles discutiram as possíveis dificuldades de uma coligação proporcional com o PTB, que poderia retirar cadeiras do PSDB na Câmara. A Folha apurou que no encontro Alckmin alegou que a aliança pode ser boa para os tucanos e que o próprio PTB pode rever a idéia de coligação proporcional.
O vereador Farhat, líder do PTB, no entanto, rebateu: “Para nós, casamento tem que ser no civil e no religioso”.