11/09/2009 - 17:05h Track & Field vai para Nova York

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Rede de roupas esportivas terá loja na Madison Avenue

Marianna Aragão, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A marca brasileira de roupas esportivas Track & Field dará o primeiro passo de seu projeto de internacionalização em grande estilo. Em novembro, a empresa abre as portas de sua primeira loja no exterior na sofisticada Madison Avenue – avenida de Nova York famosa por concentrar grandes agências de publicidade e o comércio de luxo da cidade. O plano de expansão da companhia prevê a abertura de quatro lojas nos Estados Unidos nos próximos anos. “Em seis ou oito anos, queremos chegar a uma rede de lojas do tamanho da brasileira”, estima Frederico Wagner, um dos três sócios e fundadores da marca.

Nascida há 20 anos em São Paulo como uma confecção de camisetas, a Track & Field investiu na criação e design de peças para esportistas. Hoje, tem 35 pontos de venda no País. Segundo Wagner, o mercado americano foi escolhido pela identificação com a marca. “É um país onde as pessoa têm uma ligação muito forte com o esporte.”

O investimento na primeira loja foi de US$ 1 milhão. A empresa contratou o arquiteto brasileiro Arthur Casas para desenhar o projeto, que será uma espécie de piloto para a marca. As principais mudanças em relação às unidades brasileiras estão na disposição dos produtos. “Como não há área para estoque das mercadorias, tivemos de bolar uma forma de dispô-las dentro da própria loja”, conta Wagner.

A solução foi criar novas embalagens, feitas em plástico biodegradável, que se encaixam formando uma parede. “Assim, conseguimos aproveitar o espaço de forma mais eficiente e ainda criamos um visual interessante.” Outra inovação será a possibilidade de o cliente devolver as embalagens, em troca de descontos em novas compras. Se o novo modelo funcionar, os empreendedores querem replicá-lo no Brasil.

Há três anos prospectando o mercado dos EUA, a empresa aproveitou a queda dos aluguéis no país, um dos efeitos da crise financeira, para tirar o projeto do papel. De acordo com o empresário, os valores de aluguéis estavam em média 30% menores que antes da turbulência. Além disso, a legislação americana não prevê o pagamento do chamado “ponto”, como no Brasil. Segundo Wagner, “o ponto comercial por metro quadrado em um shopping de alto padrão em São Paulo está mais caro que o aluguel de lá.”

A expectativa é que a unidade da Madison atinja faturamento de US$ 1,8 milhão no primeiro ano de atividade. Se a meta se confirmar, os próximos destinos serão os estados da Califórnia e Flórida – apostas “óbvias”, segundo Wagner, pela forte presença da comunidade latino-americana -, além de outras regiões em Nova York.

27/04/2009 - 09:43h Consumo deve crescer no Brasil, apesar da crise

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Pesquisa mostra que aumento será pequeno, de 1,6%, mas significativo diante de cenário negativo no mundo

Paula Pacheco – O Estado SP


Crise, desemprego, falta de investimento privado, excesso de endividamento, aumento da inadimplência. Esse cenário não será suficiente para derrubar o consumo dos brasileiros ao longo deste ano. É o que constata o instituto de pesquisas Target Marketing, segundo dados do IPC-Target do Brasil em Foco 2009, antecipado pelo Estado.

De acordo com o estudo da Target, o consumo dos brasileiros chegará a R$ 1,863 trilhão neste ano. O aumento de 1,6% será pequeno em relação a 2008, mas não deixa de ser uma boa notícia diante de um cenário econômico tão incomum como o que se viu nos últimos seis meses.

As despesas das famílias, aponta a pesquisa, crescerá mais do que o Produto Interno Bruto (PIB), que segundo o Banco Central (BC) tem previsão de aumento de 1,2% neste ano.

De acordo com Marcos Pazzini, diretor da Target, nos últimos anos o consumo vinha caminhando para um crescimento mais acentuado da classe B.

“Em 2009, a classe B2, apesar de concentrar a maior parcela do potencial de consumo brasileiro, perdeu participação no total nacional e a classe C foi a que teve o crescimento mais significativo”, explica Pazzini.

As classes D e E também vão aumentar sua participação no bolo do consumo. Ainda segundo Pazzini, a classe A1 foi quem perdeu o maior potencial de consumo – 4,1% em 2009 ante 4,6% em 2008.

Como o consumo na área rural (não só espaço agricultável, mas sem infraestrutura de água, esgoto e energia elétrica) deve se manter estável neste ano, o crescimento se concentrará nas cidades.

RENDA MAIOR

Entre os fatores que vão contribuir para o consumo, cita Fábio Romão, economista da LCA Consultores, estão o aumento da renda e o crescimento vegetativo da população. A menor pressão inflacionária também ajuda a compor o cenário mostrado pela Target, porque corrói menos os ganhos dos brasileiros.

Outro fator que vai influenciar, diz Romão, é a antecipação do aumento do salário mínimo em um mês em relação ao ano passado.

A estimativa da LCA é que, ainda que a macroeconomia abale o ritmo de crescimento das vendas do comércio e de geração de empregos que se via até o terceiro trimestre de 2008, é pouco provável que daqui até o fim do ano ocorra algo que mude a previsão de expansão do consumo.

Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, também acredita que haverá mais consumo, mesmo com a crise.

“Houve muito movimento do governo neste sentido, como a redução de impostos dos automóveis, dos materiais de construção e da linha branca. Além disso, foi anunciado o programa habitacional. Tudo tem algum tipo de influência positiva”, lembra Leite.

O especialista acredita que só a inflação ascendente poderá estragar os planos dos consumidores brasileiros. “Se os preços subirem, o Banco Central vai parar de baixar a taxa básica de juros (Selic) e haverá um impacto nos financiamentos. Consequentemente, as vendas podem cair”, argumenta Leite.

NÚMEROS

R$ 1,863 trilhão
é o valor que será destinado ao consumo este ano

1,6%
é o crescimento do consumo em relação a 2008

1,2%
é a previsão de crescimento para o PIB

21/04/2009 - 09:09h Venda no varejo cresce até 25% com IPI menor

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Repasse do corte no imposto sobre geladeiras, fogões, tanquinhos e máquinas de lavar para o consumidor amplia o volume de negócios

Márcia De Chiara e Fabio Graner – O Estado SP

geladeiralingua.gifAs vendas de geladeiras, máquinas de lavar, tanquinhos e fogões cresceram até 25% no primeiro fim de semana de vigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido nas grandes redes de varejo. Na sexta-feira, o governo zerou o IPI sobre fogões e tanquinhos, cortou de 15% para 5% o imposto sobre refrigeradores e, de 20% para 10%, o IPI sobre as lavadoras com capacidade de até 10 quilos.

Veja as medidas do governo brasileiro contra a crise

Ontem, o governo ampliou os benefícios fiscais e incluiu na lista de corte de IPI as máquinas de lavar com capacidade para até 20 quilos. Segundo o assessor especial do ministro da Fazenda, Marcelo Fiche, houve um erro técnico no decreto editado na sexta-feira, já que a maioria das máquinas de lavar se concentra na faixa de 11 a 12 quilos. As máquinas com capacidade acima de 20 quilos são isentas do IPI por serem classificadas como bens de capital.

“Vamos rever as projeções de vendas para o Dia das Mães de um crescimento em torno de 15% para algo entre 20% a 25%, com inclusão das máquinas de lavar de maior porte no corte do IPI”, afirma o supervisor geral das Lojas Cem, José Domingos Alves. Ele observa que metade dos lares brasileiros não tem esse eletrodoméstico, ao contrário do que ocorre com fogões e refrigeradores. No fim de semana, as vendas a rede cresceram 10% ante o sábado e o domingo anteriores em razão do corte no IPI.

http://555-pizza.com/imagens/fogao.gifNa rede de hipermercados Extra, as vendas refrigeradores, máquinas de lavar e tanquinhos aumentaram 20% no fim de semana e, no caso dos fogões, o acréscimo foi de 25%. “Estamos conversando as indústria para ampliar o volume de pedidos ainda nesta semana”, diz o diretor executivo do Grupo Pão de Açúcar, Jorge Herzog.

Movimento semelhante ao do Extra foi registrado nos concorrentes. O Wal-Mart, por exemplo, teve crescimento de 20% nas vendas dos eletrodomésticos com IPI reduzido neste fim de semana, em relação ao sábado e domingo anteriores. No Magazine Luiza, o acréscimo nas vendas chegou a 25% no mesmo período.

O Ponto Frio, vice-líder do varejo de eletrodomésticos, não revela o desempenho do fim de semana. Mas, segundo o diretor executivo da rede, Marcos Vignal, as vendas cresceram por causa do IPI menor. “Por isso, vamos rever as projeções para o Dia das Mães.”

Cerca de 600 mil pessoas vão às compras na 25 de Março

Ontem, cerca de 600 mil pessoas circularam pelas lojas da rua 25 de Março, maior reduto de comércio popular do Brasil, no centro de São Paulo. “O movimento foi semelhante ao do Dia das Crianças”, afirma o presidente da Federação das Entidades do Turismo de Compras e Negócios do Estado de São Paulo, Miguel Giorgi Junior.

Segundo o empresário,o motivo de tanto movimento em pleno feriadão é o turismo de compras, tanto de famílias a passeio quanto de revendedores. Na sua empresa, a Gaivota Tecidos, especializada em tecidos para decoração e armarinhos, por exemplo, as vendas de ontem ficaram 60% acima das registradas num dia normal.

Todas as lojas da 25 de Março funcionaram normalmente ontem. Segundo Giorgi Junior, só 30% dos lojistas vão abrir as portas hoje.

07/04/2009 - 09:13h Varejo pede socorro ao governo

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Flávio Rocha, do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV)

Claudia Facchini, de São Paulo – VALOR

A exemplo das montadoras, que conseguiram sensibilizar o governo e receberam incentivos para estimular as vendas de veículos, as grandes cadeias varejistas do país bateram às portas de Miguel Jorge, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e de Guido Mantega, no Ministério da Fazenda, em busca de socorro. O grande gargalo do comércio é a falta de crédito para financiar o capital de giro e as vendas ao consumidor.

O Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), do qual participam 30 grandes redes de diversos setores, está em negociações com os representantes do governo para a criação de um “pacote de crédito”, o que daria novo fôlego financeiro às varejistas e permitiria que o setor melhorasse as condições oferecidas aos consumidores.

A partir de outubro, muitas redes tiveram de encolher os planos de pagamento, reduzindo o número de prestações de cinco ou seis parcelas para duas ou três.

Uma das medidas que já foi proposta pelas varejistas e que está sendo analisada pelo governo é a constituição de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) bancados por recursos públicos. Por meio desses fundos, os bancos compram os recebíveis das varejistas – ou as prestações que serão pagas pelos consumidores no futuro.

Com isso, o varejo poderia levantar recursos e teria capital de giro para comprar mais mercadorias e pagar os fornecedores, que costumam receber em prazos mais curtos, em 40, 60 ou 90 dias. Por ser uma operação financeira bastante conhecida, a proposta dos FDICs é considerada uma saída viável para socorrer as varejistas e reativar o consumo.

Segundo o Flávio Rocha, membro do conselho do IDV, a maior preocupação do setor é fazer com que os recursos do governo cheguem de maneira veloz e a um custo razoável ao varejo, a tempo de estimular o consumo.

“Nós queremos criar uma via rápida de acesso”, diz o executivo, que é acionista do grupo Guararapes, holding que controla a Riachuelo, uma das três maiores cadeias de vestuário do país.

Os varejistas tentam convencer as autoridades a abrir um canal direto para concessão de crédito ao varejo, sem a intermediação de bancos. Há o temor de que bancos cobrem um spread elevado para repassar as linhas do governo, ou simplesmente não ampliem a oferta de crédito ao setor.

O aumento da inadimplência é o maior obstáculo para as as operações com recebíveis, como os FIDCs, que precisam ser classificados por agências de risco de crédito. Com a piora dos indicadores econômicos, os atrasos no pagamento se acentuaram e as varejistas tiveram de elevar suas provisões para créditos duvidosos. No entanto, diz Rocha, são as varejistas que assumem o risco nas operações com recebíveis e não os investidores.

Ao longo desta década, os sistemas de concessão de crédito adotados pelo varejo foram aperfeiçoados, o que torna toda a cadeia mais segura do que era nos anos 90, acrescenta. “Muitas varejistas estão associadas a bancos atualmente ou possuem suas próprias instituições financeiras, como as montadoras”, diz Rocha.

Segundo Marcos Gouvea de Souza, da GS&MD, firma de consultoria especializada em varejo, é imprescindível que os recursos “cheguem ao varejo na velocidade e na extensão que o momento requer”. O varejo, acrescenta, emprega atualmente mais do que a indústria e as medidas de estímulo ao setor poderiam ter uma repercussão em grande escala. Os membros do IDV, que é presidido por Luiza Helena Trajano, controladora do Magazine Luiza, reuniram-se na última sexta-feira, em São Paulo, com o ministro Miguel Jorge.

Em uma carta entregue ao ministro, o setor reivindica a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados para produtos populares e questiona a restrição dos financiamentos do BNDES para empresas com participação de capital estrangeiro. Muitas varejistas são multinacionais, como Wal-Mart, Carrefour, Leroy Merlin, ou possuem sócios estrangeiros, como o Magazine Luiza, que tem entre os seus acionistas o fundo americano Capital Group, a Renner, cujo capital é pulverizado na bolsa, e o Pão de Açúcar, do qual o grupo francês Casino é co-controlador.