13/06/2009 - 13:58h Casamento gay, um direito dos cidadãos por Lucia Hippolito

do Blog de Lucia Hippolito

luta pelos direitos civis

Casamento gay, um direito dos cidadãos

Qualquer maneira de amor vale a pena.

Milton Nascimento

Pessoas do mesmo sexo apaixonam-se e decidem viver juntas.

Constróem um patrimônio comum, contraem dívidas, realizam lucros. Enfim, constituem um casal. Muitas vezes, geram ou adotam filhos. Uma família.

Já então, aparecem problemas como participação em plano de saúde, em seguro de vida ou plano de previdência.

Em caso de separação ou de morte de um dos parceiros, os problemas se tornam muito mais complexos, principalmente se houver bens a dividir.

Daí porque começou a surgir em vários países legislação que regulariza a união civil entre pessoas do mesmo sexo. O pioneirismo, não surpreendentemente, coube à Escandinávia. Na Dinamarca, a lei é de 1989; na Noruega, de 1992, e na Suécia, de 1995.

Ainda na Europa, Espanha (país fortemente católico) e Bélgica também já reconheceram a união civil.

Nos Estados Unidos a legislação é federativa, e várias cidades também já possuem leis a respeito da união homossexual.

No Brasil, como em muitos países, o debate foi contaminado, em grande parte, pela adoção da infeliz expressão “casamento gay”.

Religiosos de todas as igrejas, conservadores de todos os matizes reuniram-se para impedir a aprovação de lei que regule a união homossexual.

A Constituição de 1988 fala, em seu Art. 226, em casamento e em união estável, mas sempre entre homem e mulher.

Em 1995, a então deputada Marta Suplicy apresentou o projeto de lei nº 1.115/95, em favor da regularização da parceria civil entre pessoas do mesmo sexo.

Desde então, o projeto dorme em alguma gaveta da Câmara dos Deputados, à espera de algum deputado (ou deputada) sério e corajoso o suficiente para fazer avançar a legislação.

De lá para cá, inúmeras iniciativas têm sido tomadas por empresas, que estendem ao companheiro de mesmo sexo os benefícios de planos de saúde e de previdência. Juízes igualmente já tomaram decisões beneficiando companheiros de mesmo sexo em partilhas e pensões.

Até mesmo a Justiça Eleitoral já reconheceu, em julgamento emblemático, a união homossexual, para fins de impugnação de uma candidatura.

O que se espera agora, para o Brasil ingressar no século XXI, no capítulo dos direitos civis, é a aprovação de uma lei de regularize uma situação de fato.

A união civil entre pessoas do mesmo sexo poderá retirar da ilegalidade milhares de pessoas que têm todo o direito de escolher o sexo de seu parceiro.

Já estamos muito atrasados nisso, mas sempre é tempo de corrigir uma injustiça.

27/06/2008 - 12:37h A ciência infusa

Os resultados da pesquisa IBOPE motivaram um comentário da “cientista política” sobre os problemas de Marta Suplicy.

Que eles existem, numa eleição difícil, com candidatos de peso é indiscutível. Mas a cientista procede de maneira curiosa.

Ela começa constatando que existe um empate técnico no primeiro lugar entre Marta e Alckmin, na medida em que a margem de erro é de 4 pontos.

Esta constatação da margem de erro, porém, é imediatamente esquecida quando se trata de falar em rejeição, para se fixar na de Marta.

Porque não falar com os mesmos argumentos sobre a rejeição de Kassab?

Para esconder que Kassab tem a mesma rejeição que Marta Suplicy. Pior, ela constata que a rejeição de Marta esta acima de sua intenção de voto (no cenário em que Marta esta com 31%, os que dizem que em nenhum caso votariam nela são 32%) e esconde que a rejeição de Kassab é mais do dobro que seus 13% (rejeição 27%).

A “cientista” não nos livra nenhuma explicação para este fato. Kassab tem essa rejeição porque? Porque é arrogante? porque insultou um munícipe ao grito de vagabundo? é a personalidade dele que não ajuda? Vai dar muito trabalho ao seu marqueteiro?

Para justificar ignorar todos este interrogantes sobre o problema de Kassab, -este aparentemente não tem nenhum para a “cientista”- ela pretende que os votos de Kassab e Alckmin se unem no segundo turno. Esta afirmação não aparece na pesquisa, por exemplo se Kassab for ao segundo turno ele é derrotado pela Marta o que são é possivel porque uma parte dos votos de Alckmin não vão para Kassab e migram para ela. Mesmo no caso de Alckmin, a simulação do segundo turno mostra uma diferença com Marta de 9 pontos apenas, sendo que a rejeição dele é a metade da Marta e uma parte pequena do eleitorado de Kassab vota Marta.

Na verdade a “cientista” utiliza a palavra rejeição como um instrumento de propaganda. A famosa rejeição dos candidatos é a resposta a pergunta em qual candidato não votaria de jeito nenhum? Os motivos são diversos para esta “rejeição”: partidários, políticos, administrativos, religiosos, filosóficos, pessoais. Por exemplo na cidade de São Paulo a “rejeição” ao PT é alta. Para ela a palavra tem a conotação pessoal, quando de Marta se trata, das opiniões subjetivas da cientista e do seu público tucanofilo admirador, sobre a personalidade de Marta Suplicy.

A cientista pretende que a opinião pessoal dela sobre Marta Suplicy, opinião que ela e muitos dos seus congêneres ajudaram e se esforçam em difundir utilizando a mídia da qual dispõem, é a opinião dos entrevistados que manifestam que não votariam em este ou aquele candidato. Para isto se servem como argumento dos erros, tropeços, fraquezas e problemas reais, para pretender que eles, oposicionistas, não tem a ver com essa apreciação. Mas quem contribui ou não para que uma frase infeliz seguida de imediatas desculpas tenha mais peso na mídia que o desastre da educação estadual em São Paulo governada durante 14 anos pelo PSDB? quem faz de um incidente menor uma campanha de destruição da imagem pública de alguém e nada ou pouco diz sobre as relações promíscuas de outros com Daslu ou Alstom?

Por último, desde quando as opiniões políticas de Lucia Hippolito, a cientista em questão, constituem expressão do sentimento majoritário da população?

Como constatou o ombudsman da Folha na sua primeira entrevista quando assumiu o cargo, a maioria da mídia não queria que Lula fosse reeleito e Lucia Hippolito tampoco. Não será o primeiro nem o último exemplo de uma questão sobre a qual os cientistas políticos, os jornalistas e os estudiosos deverão aprofundar: a rejeição da maioria da população a uma mídia tendenciosa e engajada na oposição. LF

O artigo de Lucia Hippolito pode ser lido aqui

18/06/2008 - 14:21h Morte de um paradigma

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Eduardo Guimarães – Blog Cidadania.com

Até para o cidadão sem convicções políticas e ideológicas arraigadas não faz sentido o polêmico comentário da festejada (pela mídia) Lucia Hippolito na rádio CBN, sobre o “mal” que Lula teria feito ao país ao se eleger presidente da República sem ter ocupado antes outro cargo no Poder Executivo. Suponho que, à esta altura, a grande maioria dos que lêem este blog já tomou conhecimento de que a comentarista política comparou o técnico da Seleção brasileira de futebol, Dunga, com o presidente Lula. Por via das dúvidas, no entanto, esclareço que ela debitou as últimas derrotas da Seleção à inexperiência do técnico, que nunca tinha exercido o cargo antes, e insinuou que o governo do país está sendo um fracasso porque o presidente, como Dunga, não tinha experiência administrativa quando se elegeu para o cargo que ocupa. Por que digo que, para qualquer pessoa que analise o comentário dessa senhora pelo seu conteúdo e não pelas próprias convicções políticas e ideológicas, esse comentário não faz sentido? Ora, porque, que se saiba, o Brasil não foi derrotado como a Seleção. Pelo contrário, o país está vencendo. Nem vou perder o meu e o vosso tempo justificando esta afirmação. Qualquer um que diga que o país piorou sob Lula vive no mundo da Lua, e argumentar com quem se encontra nessa situação mental é pura perda de tempo. A teoria de Hippolito, analisada pelo seu conteúdo literal, é a de que Lula fez “mal” ao país ao mostrar que alguém sem experiência administrativa pode chegar a presidente. Quem concorda com essa afirmação deveria se lembrar de que Fernando Henrique Cardoso tampouco tinha ocupado algum cargo no Poder Executivo antes de se eleger presidente. Será que a comentarista acha que FHC fez mal ao país também? Claro que não, ela trata a chegada de Lula à Presidência como se ele fosse o primeiro presidente a chegar ao poder sem ter sido antes prefeito ou governador. Por que Hippolito não disse que Lula e FHC fizeram mal ao país por terem chegado à Presidência “sem experiência administrativa”, mencionando apenas Lula? Ora, porque FHC tem curso superior e Lula não tem, é óbvio. No fim das contas, é aquele antigo preconceito que sempre foi usado para impedir a eleição do ex-metalúrgico como presidente da República. Em que a falta de curso superior do presidente atrapalhou seu governo? É possível dizer que FHC governou melhor do que Lula? Duvido de que até o mais lulofóbico dos lulofóbicos diga que o governo tucano foi melhor do que está sendo o governo petista. Simplesmente os lulofóbicos dizem que os êxitos de Lula são, na verdade, êxitos de FHC e pronto. Ora, mas se Lula, como querem os críticos de sua Presidência, está apenas mantendo o que fez o antecessor, por que ele fez mal ao país? Se é verdade – e não é verdade – que Lula passou os últimos quase seis anos copiando FHC e, seguindo suas metas, conduziu o país aos êxitos sociais e econômicos reconhecidos no mundo inteiro, sua falta de experiência administrativa anterior e sua falta de curso superior não lhe constituíram obstáculos. Acho difícil que Hippolito não tenha pensado nisso. Suas declarações, portanto, constituem uma espécie de pirraça destinada a agradar aos pirracentos que teimam em negar que Lula governa bem mesmo sem experiência anterior e curso superior. Hippolito é apenas um dos muitos tentáculos da mídia, mas essa sua recente declaração mostrou que ela é um dos tentáculos mais incompetentes. Até para distorcer ela é ruim. Há tantas críticas pertinentes que poderiam ser feitas a este governo sem apelar para o preconceito e essa senhora escolhe a mais surrada e inverossímil de todas. Pessoas sensatas que a ouviram, mesmo as que não gostam de Lula perceberam a estratégia pífia e incompetente da comentarista para fazer luta política na concessão pública da CBN. A pirraça da mídia em relação a Lula ocupará gerações de historiadores. Caracterizará um capítulo da história em que um poderoso paradigma foi completamente destruído, o paradigma que vincula competência a instrução formal.