Setor naval ganha isenções tributárias e fundo garantidor de R$ 400 milhões na nova política industrial
República da Petrobras: Lula brinca com porte da empresa
Lucro da petrolífera sobe 68%, para R$ 6,9 bi
Os números bilionários anunciados pela Petrobras na apresentação da nova política industrial foram motivo de piada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que daqui a pouco o povo brasileiro votará para presidente da Petrobras, e este indicará o presidente da República: — Quero dizer para vocês do constrangimento que tem um presidente da República ao anunciar um programa de desenvolvimento e dar a palavra à Petrobras. A dimensão dos bilhões da Petrobras é de tal envergadura maior que tudo que o Guido (Mantega, da Fazenda), o Miguel Jorge (Desenvolvimento) e o Luciano Coutinho (BNDES) falaram aqui que eu penso que vai ter algum momento na História do Brasil, se a Petrobras continuar assim, que vai ter que ter eleição direta para presidente da Petrobras e ele indicará o presidente da República.
Eliane Oliveira e Luciana Rodrigues – O Globo
A Petrobras vai encomendar 146 novas embarcações de apoio à atividade de petróleo em alto mar, anunciou ontem o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, durante a cerimônia de lançamento da Política de Desenvolvimento Produtivo.
O setor naval foi um dos contemplados pela nova política do governo. A principal medida para a área foi a criação, pelo Ministério da Fazenda, de um fundo garantidor de performance, no valor de R$ 400 milhões. Esse fundo, um pleito antigo do setor, é uma espécie de garantia de pagamento, para compradores e financiadores dos estaleiros.
— Temos um horizonte fantástico para indústria naval brasileira, um setor que é intensivo em mão-de-obra e tecnologia — disse Gabrielli.
A primeira licitação da Petrobras, já em andamento, prevê a contratação de 24 embarcações.
Os demais barcos de apoio serão comprados até 2014. O conteúdo nacional dessa nova frota deverá alcançar, por contrato, entre 70% e 80%. A empresa já havia anunciado, em março, que estimularia a construção de ao menos cem barcos de apoio no Brasil, sem detalhar os números. A estimativa do mercado é que cada embarcação deste tipo custe de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões.
Todas as embarcações, depois de construídas, serão afretadas à Petrobras. A empresa estima que, durante as obras, cada barco de apoio gerará cerca de 500 postos de trabalho.
Isenção para peças usadas por estaleiros nacionais A nova política industrial do governo, além de criar o fundo garantidor de performance para a indústria naval, suspendeu a cobrança de IPI, PIS e Cofins incidentes sobre peças e materiais destinados à construção de navios por estaleiros nacionais.
Ainda no setor de navegação, o governo equiparou a venda de combustível para cabotagem (navegação pela costa nacional) à da navegação de longo curso (para exportação), para efeitos de suspensão de PIS e Cofins.
E, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o fundo de R$ 400 milhões poderá ter alavancagem: ou seja, significará a liberação de recursos num valor até cinco vezes superior.
Lucro da petrolífera sobe 68%, para R$ 6,9 bi
Preço internacional do petróleo e redução de gastos contribuíram para resultado do 1º tri
Ramona Ordoñez e Juliana Rangel – O Globo
Depois de enfrentar, no ano passado, crescimentos menores que o esperado nos resultados financeiros, a Petrobras fechou o primeiro trimestre de 2008 com um lucro líquido de R$ 6,92 bilhões, 69% acima dos R$ 4,1 bilhões de igual período de 2007. Foi o maior resultado para o período na história da empresa. Também superou previsões do mercado financeiro, que esperavam ganhos de até R$ 5,8 bilhões.
O lucro ainda foi 37% maior que o do quarto trimestre de 2007, de R$ 5 bilhões.
O diretor Financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, destacou que o resultado se deveu ao aumento de 2% na produção interna, aliado ao avanço dos preços do petróleo — que favoreceu as exportações — e à redução de 11% dos custos operacionais e de 57% nos financeiros.
No ano passado, o resultado do primeiro trimestre teve um impacto negativo de R$ 1 bilhão, por causa de uma repactuação da dívida com o fundo de pensão, a Petros.
Analista: não-repasse gerou perda em abastecimento Enquanto isso, a apreciação média de 1% do real frente ao dólar teve um reflexo positivo de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre deste ano.
— Todo o petróleo exportado, assim como os derivados como nafta, óleo combustível e querosene de aviação, acompanharam o preço internacional e beneficiaram os resultados — destacou Barbassa.
No entanto, o analista Lucas Brendler, da corretora Geração Futuro, observou que a demora da estatal em repassar para os preços internos da gasolina e do diesel a alta do petróleo no mercado internacional causou um prejuízo de R$ 566 milhões nas atividades de abastecimento, no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2007, o segmento lucrou R$ 2,126 bilhões.
Em compensação, a área de exploração e produção (E&P) teve aumento de lucro de 86%, para R$ 9,43 bilhões.
— A área de E&P repassava a alta do petróleo para a área de abastecimento, que estava engessada, não conseguia fazer o reajuste para o consumidor. As margens foram ficando cada vez mais encurtadas, até que resultaram em prejuízo — disse o analista. — Com o reajuste feito no dia 1º , a empresa corrigirá esse desequilíbrio no segundo trimestre.
Neste ano, a Petrobras prevê investir R$ 54 bilhões — R$ 10,1 bilhões foram no primeiro trimestre —, 20% acima dos R$ 45 bilhões no ano passado.
Barbassa afirmou que, até o fim do ano, a companhia pretende captar no mercado financeiro cerca de US$ 5 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 2 bilhões no mercado de capitais.
No primeiro trimestre, a receita operacional líquida da Petrobras foi de R$ 46,8 bilhões, com alta de 21% em comparação ao resultado em igual período do ano passado.
A produção só de petróleo no país foi de 1,81 milhão de barris diários, um crescimento de apenas 1% em relação ao 1,8 milhão de barris do mesmo trimestre de 2007. Já a produção de gás natural aumentou 11%, de 274 mil barris equivalentes por dia para 304 mil.
Para o analista Luiz Otávio Broad, da Ágora Corretora, o resultado foi muito bom. Ele esperava um lucro líquido de R$ 5,7 bilhões.
— A gente destaca a redução nas despesas com operações em relação ao mesmo período de 2007. Isso, aliado ao aumento do lucro bruto (que foi de R$ 2,051 bilhões), permitiu a expansão de 26% no Ebitda (ganhos antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização).