19/11/2009 - 12:42h Petrobrás tem o 2º maior lucro das Américas

Empresa fica atrás apenas da ExxonMobil; a Vale está em 22.º lugar na lista, dominada por grupos dos EUA

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Nicola Pamplona, RIO – O Estado SP

A Petrobrás teve o segundo maior lucro trimestral entre todas as empresas de capital aberto da América Latina e dos Estados Unidos. Segundo levantamento feito pela consultoria Economática, o resultado do terceiro trimestre, divulgado na semana passada, ficou atrás apenas dos números apresentados pela gigante americana ExxonMobil. Mesmo assim, com pequena diferença: US$ 4,107 bilhões da Petrobrás, ante US$ 4,730 bilhões da Exxon.

A lista dos 25 maiores lucros ainda inclui a brasileira Vale, que anunciou ganhos de US$ 1,689 bilhão no terceiro trimestre, ficando em 22º lugar. As demais empresas são todas americanas. Mesmo amargando uma queda considerável nos ganhos este ano, o setor de petróleo ocupa as três primeiras posições: no terceiro lugar, atrás de Exxon e Petrobrás, vem a Chevron, que teve lucro de US$ 3,831 bilhões.

As petroleiras sofreram com uma queda brusca no preço do petróleo, que chegou a ultrapassar os US$ 140 por barril em julho, mas fechou o terceiro trimestre de 2009 a uma cotação média de US$ 68 por barril, valor 41% menor do que o registrado no mesmo período de 2008.

Tal cenário levou o lucro das principais empresas do setor a despencar. A Exxon, por exemplo anunciou uma queda de 68% com relação ao terceiro trimestre de 2008. Já o lucro da Chevron caiu 41%.

No caso da Petrobrás, a queda foi bem inferior, de 26%, e mesmo assim com forte impacto de um acordo fechado com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o pagamento de R$ 2 bilhões a título de recálculo da participação especial do campo de Marlim, o maior do País. Na entrevista de divulgação do balanço, o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa, disse que, sem o pagamento, a redução no lucro seria menor, de apenas 11%.

A principal diferença, dizem analistas, é que a Petrobrás tem a maior parte de sua receita proveniente do mercado interno, cujos preços não oscilam tanto quanto no mercado internacional. De fato, no terceiro trimestre, a cesta de combustíveis da Petrobrás custava R$ 162,96 por barril, enquanto o valor americano foi de R$ 121,62 por barril. A estatal tem mantido seus preços acima das cotações internacionais há mais de um ano.

A lista elaborada pela Economática considera a cotação do dólar Ptax de 30 de setembro (R$ 1,91), o que contribui para o bom desempenho da Petrobrás. Na moeda brasileira, o lucro da Petrobrás foi de R$ 7,3 bilhões. A primeira empresa não petroleira do ranking é o banco JP Morgan Chase, com lucro de US$ 3,588 bilhões. A Microsoft vem em quinto lugar (US$ 3,574 bilhões).

AMÉRICA LATINA

Dentre as empresas sediadas apenas em países latino-americanos, a Petrobrás ocupa a primeira posição em lucro no terceiro trimestre, com resultado 143% superior ao da Vale, segunda colocada.

Nesta lista, 15 empresas são brasileiras e cinco mexicanas – incluindo a terceira colocada, a America Movil. O Itaú Unibanco, resultado de fusão ocorrida neste ano, está em quarto lugar. Na sequência vêm Banco do Brasil, Bradesco, AmBev, CSN, Itaúsa e Braskem.

07/08/2009 - 11:15h Petrobras e royalty travam projeto do pré-sal

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Lula quer que União retenha parte maior da receita com óleo, reduzindo pagamento de royalties a Estados e municípios

Petrobras quer participação de ao menos 30% em todos os consórcios, mas governo resiste; capitalização da estatal também gera impasse

 

 

 

VALDO CRUZ E LEANDRA PERES – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer reduzir o valor dos repasses feitos a Estados e municípios localizados em áreas do pré-sal.
Na reunião de terça-feira, quando recebeu a proposta da nova regulamentação para a exploração do petróleo, ele disse que a alíquota de royalties, hoje de 10%, deve cair e confirmou que a distribuição do dinheiro incluirá todo o país, e não apenas as regiões onde há produção de petróleo, como ocorre hoje.
Esse foi um dos pontos sobre os quais não houve acordo no governo em relação ao novo modelo de exploração do pré-sal. Também há discussões sobre a capitalização da Petrobras e o percentual de participação mínima que a estatal deve ter para ser a operadora única dos campos.
A Petrobras insiste numa participação nos consórcios que vão explorar o petróleo do pré-sal de, no mínimo, 30% e que esse percentual esteja fixado na lei.
O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, foi enfático ao afirmar que a empresa não terá ganhos caso fique com percentual menor.
Esses argumentos, no entanto, não convenceram o restante do governo. A proposta apresentada ao presidente Lula não fixa o percentual de participação mínima da Petrobras. A ideia é que isso seja feito caso a caso e possa variar de acordo com o campo de petróleo a ser explorado.
A capitalização da Petrobras esbarra na falta de dinheiro do governo após queda de arrecadação e aumento de gastos.
Lula quer aumentar a participação da União no capital total da empresa. Mas, para isso, terá que aportar recursos. Uma das alternativas é transferir para a estatal os poços do pré-sal em áreas vizinhas às que já foram licitadas.
O problema é que um aumento de capital feito pelo governo deveria, por lei, ser estendido aos acionistas minoritários.
A mudança no pagamento dos royalties, que no ano passado totalizou R$ 10,94 bilhões, deverá ser o ponto mais polêmico do projeto durante sua tramitação no Congresso Nacional.
Estados como o Rio de Janeiro, principal beneficiado pelo modelo atual, já sinalizaram que não querem mudanças na regra.
O presidente Lula aposta em negociações políticas para chegar a um consenso.
Mas, para a União, mexer na alíquota significa também ter mais dinheiro em caixa. Como as empresas terão um custo menor com o pagamento de royalties, poderão oferecer uma parcela maior do petróleo extraído à União.

“Mão de vaca”
Lula insistiu, durante a reunião de anteontem, para que o fundo de desenvolvimento social, que receberá a receita do petróleo do pré-sal, seja “mão de vaca” ao aplicar o dinheiro.
A intenção do presidente é que os recursos “durem” mais do que o petróleo do pré-sal e sejam investidos apenas em projetos com retorno garantido.
Ele afirmou, por exemplo, que o fundo não é para fazer investimento na Bolívia. Nesses casos, a conta deve ser do Tesouro Nacional.
A aplicação do dinheiro ficará restrita a educação, combate à pobreza, inovação tecnológica e outros projetos na área social. O presidente Lula descartou o uso do dinheiro para cobrir o déficit da Previdência Social. Segundo disse aos ministros, o INSS não tem desequilíbrio em suas contas e não deve receber os recursos do pré-sal.
Os projetos de lei com a nova regulamentação devem ser enviados ao Congresso até o fim do mês. Lula disse aos ministros, durante reunião na tarde da última quarta-feira, que pretende ouvir opiniões de fora do governo sobre a regulamentação e só depois decidirá o formato final da exploração.
Serão enviados três projetos: um criando o fundo de desenvolvimento social, outro sobre as regras de exploração do pré-sal e o terceiro autorizando a criação da estatal que vai representar o governo. A expectativa é ter as propostas votadas até o fim do ano. A exploração comercial do pré-sal em larga escala deve começar somente em 2015.

http://3.bp.blogspot.com/_o4b33fhG7wA/R_ONmUMkWSI/AAAAAAAAAbo/1NeMLMb3pCc/s320/lula-cabral-dilma292.jpgGoverno do Rio critica mudanças no marco do setor

PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO

O secretário da Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, criticou ontem a mudança do marco regulatório do pré-sal. As regras atuais diz, já permitem à União se apropriar de uma parcela maior da receita do petróleo. “Não se deve mudar a regra do jogo. O marco atual é muito bom.”
Responsável por 80% da produção de petróleo do país, o Rio é o maior beneficiário de royalties pela exploração do óleo.
Ex-secretário do Tesouro no primeiro mandato de Lula, Levy disse que a lei permite ao presidente da República alterar, por decreto, a alíquota da participação especial (royalty) de campos de alta produtividade e se apropriar de uma fatia maior da renda do petróleo.
Ele criticou ainda a proposta da criação de uma estatal para administrar os campos ainda não licitados do pré-sal e o regime de partilha de produção, escolhido pelo governo para as novas reservas.
Para Levy, o modelo de partilha é “complicado” de ser implementado especialmente porque permite às empresas que vão operar os campos deduzir os custos antes de dividir o óleo produzido com a União.
A discussão sobre a redistribuição da renda gerada pelo petróleo dessa área -a proposta do governo é criar um fundo social com o excedente- ocorre no momento em que a queda do preço do petróleo derrubou as receitas do Estado do Rio.
De janeiro a junho, a arrecadação de petróleo ficou em R$ 1,9 bilhão, com queda de 30,1% na comparação com igual período de 2008.

dinheirocorrendo.gifBALANÇA: SUPERÁVIT DA ESTATAL NO 2º TRI CHEGA A US$ 1,45 BI

A Petrobras registrou superávit de US$ 1,45 bilhão em sua balança comercial no segundo trimestre. O desempenho indica um crescimento de cerca de 600% ante igual período no ano passado. As exportações renderam US$ 3,98 bilhões de abril a junho. As importações alcançaram US$ 2,53 bilhões, em igual período.

07/08/2009 - 09:51h Petrobrás tem superávit comercial de 600%

http://www.quimicaederivados.com.br/revista/qd465/petrobras/abertura_petrobras.jpg

Nicola Pamplona, RIO – O Estado SP

A Petrobrás informou ontem ter atingido um superávit de US$ 1,45 bilhão em sua balança comercial durante o segundo trimestre de 2009. O valor é 600% superior ao verificado no mesmo período do ano passado e reflete, segundo a empresa, o aumento de 9% da produção nacional de petróleo, aliado a um consumo 50% menor de óleo diesel importado pelo País. Segundo dados do mercado, outros combustíveis também tiveram queda de consumo, como gasolina e óleo combustível.

A conta da Petrobrás não contabiliza apenas o comércio externo de petróleo e derivados, excluindo as importações de gás natural da Bolívia e de gás natural liquefeito (GNL). Durante o trimestre, a Petrobrás exportou uma média de 267 mil barris por dia a mais do que exportou, volume 330% superior ao registrado no segundo trimestre de 2008.

As importações de petróleo da estatal somaram 361 mil barris por dia e as de derivados, 121 mil barris por dia no período, totalizando 482 mil barris por dia de importações. Já as exportações de petróleo atingiram 512 mil barris por dia e as de derivados, 237 mil barris por dia (total de 749 mil barris por dia).

No caso do diesel, houve redução de 50% nas importações, informou a companhia, resultado da maior produção do combustível pelas refinarias nacionais e da menor demanda pelas térmicas e pela agroindústria.

Os dados divulgados pela estatal incluem apenas as operações realizadas pela companhia e, portanto, não podem ser interpretados s como dados oficiais do setor brasileiro de petróleo.

20/01/2009 - 11:40h O New Deal e Keynes

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Keynes e Roosevelt

Antonio Delfim Netto – VALOR

http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2008/05/delfim-netto-thumb1.jpgAs discussões sobre os problemas macroeconômicos são intermináveis. Até hoje, quase 80 anos depois do evento, os economistas discutem qual a “causa” (ou as “causas”) da crise de 1930. E há ainda sérias dúvidas sobre as políticas (ou os acidentes!) que a resolveram. Dúvidas completamente ignoradas por quem procura nelas inspiração para a solução da crise atual. Glamorizou-se posteriormente a solução de 1933 como “keynesiana”. O pequeno problema é que Roosevelt sempre teve pavor do “déficit público”. Como governador do Estado de Nova York, em plena crise (na presidência de Hoover), ele aumentou os impostos para dar ênfase à necessidade de manter o equilíbrio orçamentário…

Para se ter uma idéia da magnitude do problema dos anos 30 nos EUA é conveniente observar o gráfico abaixo, onde se registra o nível do PIB real dos EUA a partir de 1929 (suposto = 100) e a taxa anual de inflação.

Roosevelt fez sua campanha eleitoral com duras críticas ao sistema financeiro e produtivo dos EUA apoiado em números dramáticos. No final de 1932 (ano da eleição) a situação era a seguinte:

1) queda acumulada do PIB (1929/32) – 26%; 2) queda acumulada dos preços (1929/32) – 33%; 3) taxa do desemprego (1932) – 25%.

Para a crise atual as mais dramáticas previsões falam de uma queda do PIB entre 2007 (quando começou a crise) e 2009, da ordem de 2% ou 3%. No primeiro ano da grande crise (1930), o PIB americano caiu 9% e no segundo, mais 6,5% (1931), perfazendo uma queda de 16%! O quadriênio de Hoover é conhecido por sua ortodoxia, pelos equívocos da política monetária, pelo seu respeito irracional ao padrão ouro que o obrigou a aumentar a taxa de juros (em plena recessão!) para impedir a fuga do metal e pelo desastre das medidas protecionistas incorporadas à lei Smoot-Hawley. Esta aumentou as tarifas de importação de quase 1.000 produtos. Não há dúvida que ela produziu uma política protecionista mundial e estimulou um pernicioso “nacionalismo” que reduziu, em quase 2/3, o comércio internacional. Isso acabou restringindo as próprias exportações dos EUA agravando ainda mais o seu problema.

Roosevelt entendeu claramente que, diante da quebra de confiança que interrompera o “circuito econômico” e da perspectiva de continuidade da deflação, precisava de medidas dramáticas. Foi isso que o fez decretar um feriado bancário e o controle do movimento de capitais no primeiro dia do governo. Nos seus famosos “100 primeiros dias”, entupiu o Congresso com os projetos que constituíram o “New Deal”, com duas vertentes: reformar o sistema bancário e introduzir o controle governamental sobre a estrutura produtiva. A primeira ele atendeu com Ato Bancário de 1933 (a lei Glass-Steagall) que separou (vejam só!) os bancos de investimentos dos comerciais, criou o seguro de depósitos, o Fomc (Federal Open Market Commitee) e entregou o controle de todo o sistema ao FED. Foi este, em 1986, que voltou a permitir a confusão entre bancos comerciais e de investimento. E terminou como já sabemos…

A intervenção no sistema produtivo concretizou-se no National Industrial Recovery Act (Nira) de Junho de 1933. Ele criou a National Recovery Administration (NRA) e o Agricultural Adjustment Act (AAA). Numa larga medida estes substituíram o “mercado” por um ensaio de Estado “corporatista” que aliou empresários e trabalhadores na eliminação da concorrência e estimulou o aumento simultâneo de salários e preços (inflação para corrigir expectativa deflacionária como se vê no gráfico). Esse “corporatismo” só foi modificado em meados dos anos 80 do século passado. Suspeito que esta espécie de coordenação pelo Estado tenha mais inspirado Keynes do que resultado de seus conselhos. O ponto importante é que a execução dessas medidas foi acompanhada pela efetiva desvalorização do dólar em abril de 1933. Assim, a quieta ação econômica de Hoover foi radicalmente apagada pela agressiva e mediática política de Roosevelt. E isso mudou a expectativa de deflação e iniciou a volta da confiança que fez trabalhar o “circuito econômico”. Até hoje, com sua reconhecida miopia, a direita americana o considera um “traidor de sua classe e introdutor do socialismo nos EUA”.

A prova que há muito pouco keynesianismo no “New Deal” é que o desemprego se manteve em torno de 15% até 1939, às vésperas da 2ª Guerra Mundial. Quando em 1937 houve um aumento da receita (derivado da recuperação do PIB), a política fiscal foi contracionista (superávit). No mesmo ano o aumento dos meios de pagamentos levou o Fed a subir a taxa de juro, aumentando o depósito compulsório dos bancos (também contracionista). Os dois fatos produziram a pequena recessão de 1938 que se vê no gráfico.

Com Keynes ou sem Keynes (deixem-no em paz!), a lição que sobrou é clara: 1º ) foi a agressiva política de Roosevelt que destruiu a expectativa deflacionária, restabeleceu a confiança e colocou para rodar o circuito econômico; 2º ) os investimentos públicos foram importantes, mas não suficientes para eliminar o desemprego que, entre 1936 e 1939, continuou no nível de 15%; e 3º ) o “corporatismo” induzido pela aliança de empresários (que defendem seus lucros) e sindicatos (que defendem o salário de quem está empregado) para reduzir a competição, provavelmente diminuiu a velocidade da recuperação.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras.

E-mail contatodelfimnetto@terra.com.br

08/06/2008 - 14:43h O futuro dos jornais

FOLHA SP

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Blog de política mais popular dos EUA, Huffington Post radicaliza a noção de interatividade, mas ainda depende das reportagens dos grandes diários; para sua fundadora, falar da morte dos jornais é “ridículo”

ERIC ALTERMAN

O jornal norte-americano está na praça há mais ou menos 300 anos. A folha veemente de Benjamin Harris “Publick Occurrences, Both Foreign and Domestick” [Ocorrências Públicas Estrangeiras e Domésticas], só conseguiu tirar um número, em 1690, antes de ser fechada pelas autoridades de Massachusetts.
Harris sugerira uma linha dura e politicamente incorreta quanto à remoção dos indígenas e chocara as suscetibilidades locais ao informar que o rei da França tomava liberdades com a mulher do príncipe.
Mas foi apenas em 1721, quando o impressor James Franklin lançou o “New England Courant”, que as colônias britânicas na América do Norte viram surgir algo semelhante aos jornais de hoje.
Irmão mais velho de Benjamin, Franklin se recusava a aderir às praticas costumeiras de direitos autorais e atacava os poderes estabelecidos na Nova Inglaterra, logrando assim tanto independência editorial como sucesso comercial.
Preenchia seu jornal com cruzadas (contra tudo, dos piratas ao poder dos pastores puritanos Cotton e Increase Mather), ensaios literários, vinhetas e ruminações filosóficas.
Três séculos depois do “Courant”, já não é preciso ter uma imaginação distópica para cogitar quem terá a honra ambígua de publicar o último jornal de verdade nos EUA.
Pouca gente acredita que os jornais, na forma impressa de hoje, tenham chance de sobreviver. Eles estão perdendo anunciantes, leitores, valor de mercado e, em alguns casos, o próprio senso de missão, num ritmo que teria sido difícil imaginar meros quatro anos atrás.
Num discurso recente em Londres, Bill Keller, editor-executivo do “New York Times”, declarou: “Onde quer que editores e publishers se encontrem, a atmosfera é funérea. Os editores perguntam “como você está?” naquele tom que se usa com um amigo que acaba de sair de uma desintoxicação ou um divórcio”.
Seu discurso foi publicado no site de seu anfitrião, o “Guardian”, sob a manchete “Vivo ainda”. Ainda. Mas as tendências de circulação e publicidade, a ascensão da web, que faz o jornal diário parecer lento e lerdo, e o advento da Craigslist, que está extinguindo os classificados, criaram uma sensação palpável de fim iminente.
Nos últimos três anos, os jornais americanos independentes perderam 42% de seu valor de mercado, segundo o empresário de mídia Alan Mutter.
Poucas companhias foram tão punidas em Wall Street quanto aquelas que ousaram investir no ramo jornalístico. A McClatchy Company, a única a dar um lance pela cadeia Knight Ridder quando ela foi a leilão em 2005, perdeu 80% de seu valor acionário desde que concluiu a aquisição de US$ 6,5 bilhões. As ações da Lee Enterprises caíram 75% desde que ela adquiriu a cadeia Pulitzer, naquele mesmo ano.
As companhias jornalísticas mais prezadas começaram, de repente, a parecer um fardo empresarial. Em vez de competir numa era de transformação, as famílias que controlavam o “Los Angeles Times” e o “Wall Street Journal” venderam a maior parte de suas ações.
A New York Times Company viu suas ações caírem 54% desde 2004, em especial no último ano; em fevereiro, o Deutsche Bank recomendou que seus clientes vendessem ações do “New Tork Times”. A Washington Post Company só evitou o mesmo destino ao se apresentar como “empresa de educação e comunicação”; seu braço didático, a Kaplan, agora responde por pelo menos metade do faturamento total.

(mais…)

23/05/2008 - 09:53h BB contratará assessoria para avaliar a aquisição

Raio-x das contas permitirá definir preço ofertado

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LEONARDO SOUZA – FOLHA DE SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Banco do Brasil vai iniciar oficialmente a avaliação da Nossa Caixa na segunda-feira. Além da análise que será feita pela própria equipe da instituição, o BB vai contratar nos próximos dias uma consultoria externa para esquadrinhar todos os ativos e passivos do banco estadual paulista.

Somente após esse trabalho será possível definir o preço que será oferecido ao governo de São Paulo.

Anteontem, o governador José Serra (PSDB-SP) fez questão de ressaltar que o fechamento do negócio dependerá, sobretudo, do preço que será proposto pelo BB.

Segundo a Folha apurou, a forma de pagamento mais provável será a utilização de recursos próprios do Banco do Brasil, assim como deve ocorrer nas transações de compra do Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), do BEP (Banco do Estado do Piauí) e, possivelmente, também do BRB (Banco de Brasília).

No lado dos ativos, há vários elementos a serem considerados além dos depósitos de correntistas, como créditos tributários a receber e as contas de folhas de pagamentos de funcionários públicos geridas pelo banco. Outro ponto que a direção do BB considera muito importante, por exemplo, são os depósitos judicias administrados pela Nossa Caixa, hoje da ordem de R$ 16 bilhões.

Pela posição do balancete de março, os ativos da Nossa Caixa somavam R$ 51,4 bilhões. Desse total, R$ 9,7 bilhões se referiam a operações de crédito. O banco tem uma clientela de 5,7 milhões de pessoas, entre físicas e jurídicas, distribuídas em 559 agências.

No lado do passivo, o BB precisa levantar as informações de todas as dívidas do banco, sobretudo as trabalhistas.

Em 2007, a Nossa Caixa teve lucro de R$ 303 milhões. O BB apurou ganho de R$ 5 bilhões.

Com 682 agências em São Paulo, o BB é hoje o quarto maior banco por esse critério no Estado mais rico do país, segundo informações do próprio banco federal. Na liderança estão Bradesco, Itaú e Santander.

Com a compra da Nossa Caixa, o BB deve se tornar o maior banco no Estado. Mas, provavelmente, muitas das agências da Nossa Caixa serão fechadas, devido à sobreposição em determinadas localidades em relação às agências do BB.

A direção do banco federal não descarta, contudo, a possibilidade de manter por determinado tempo a bandeira da Nossa Caixa, para só então incorporar completamente as agências do banco paulista à sua rede.

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Nova categoria

A compra dos bancos estaduais representará um desafio para a área de recursos humanos e o departamento jurídico do BB. Os funcionários do banco federal são concursados e têm uma série de benefícios.

Segundo a Folha apurou, os empregados dos bancos estaduais que serão incorporados não deverão ter os mesmos direitos dos funcionários de carreira do BB.

Serão considerados empregados do Banco do Brasil, mas como se fossem de uma outra categoria.

Prevalece na direção do banco federal a idéia de manter os mesmos planos de cargos e salários existentes hoje nos bancos estaduais para os futuros funcionários do BB oriundos dessas instituições.

19/05/2008 - 14:44h Petrobras supera Microsoft e se torna 3ª maior das Américas em valor de mercado

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da Folha Online

A Petrobras passou a gigante da tecnologia Microsoft e se tornou a terceira maior empresa das Américas em valor de mercado (cotação das ações da companhia), estimada em US$ 287,17 bilhões (cerca de R$ 473,26 bilhões), segundo balanço da Economática que leva em conta números colhidos até 16 de maio.

À frente da petrolífera brasileira estão apenas a Exxon Mobil, que vale US$ 489,64 bilhões (R$ 806,92 bilhões), e a General Electric, estimada em US$ 320,25 bilhões (R$ 527,77 bilhões). A Microsoft, que até pouco tempo era a terceira maior empresas do continente americano, está na quarta posição em valor de mercado, estimada em US$ 279,3 bilhões (cerca de R$ 460,29 bilhões).

Entre as dez maiores (confira lista abaixo), outra brasileira aparece na lista, a mineradora Vale, com valor de US$ 196,49 bilhões (cerca de R$ 323,81 bilhões). Se considerado o ranking com as 50 maiores empresas, o Bradesco fica na 43ª posição, valendo US$ 67,247 bilhões (R$ 110,82 bilhões).

O valor de mercado da Petrobras, empresa que tem puxado as altas recordes da Bolsa de Valores de São Paulo, mais do que dobrou nos últimos 12 meses. A descoberta dos novos campos de petróleo e a alta do preço do barril ajudou na disparada.

Anunciado em outubro do ano passado, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, pode ampliar as reservas brasileiras de petróleo em 60%. Outro campo, o Carioca, teria reservas estimadas em 33 bilhões de barris. Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade.

Além disso, a menor valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período em 2007, gerou impacto positivo de R$ 1 bilhão nas despesas financeiras líquidas da Petrobras, contribuindo para reduzir os efeitos do câmbio sobre os resultados da companhia.

O lucro da Petrobras no primeiro trimestre atingiu R$ 6,925 bilhões, com alta de 68% sobre o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem acima do esperado pelos analistas de mercado. Segundo a corretora Brascan, a expectativa era de lucro de R$ 5,589 bilhões. Trata-se do maior lucro trimestral da estatal petrolífera desde o segundo trimestre de 2006, quando obteve lucro de R$ 7,099 bilhões.

Confira a lista das dez maiores empresas das Américas:

1. Exxon Mobil – US$ 489,640 bilhões
2. General Electric – US$ 320,253 bilhões
3. Petrobras – US$ 287,171 bilhões
4. Microsoft Corp – US$ 279.306 bilhões
5. AT&T Telecomunicações – US$ 238.056 bilhões
6. Wal Mart Stores – US$ 225.562 bilhões
7. Chevron Texaco – US$ 207.625 bilhões
8. Procter & Gamble – US$ 203.787 bilhões
9. Vale R Doce – US$ 196.495 bilhões
10. Berkshire Hathaway – US$ 189.580 bilhões

13/05/2008 - 09:32h “República da Petrobras”: Lucro sobre 68% e Petrobras vai encomendar 146 embarcações

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Setor naval ganha isenções tributárias e fundo garantidor de R$ 400 milhões na nova política industrial

República da Petrobras: Lula brinca com porte da empresa

Lucro da petrolífera sobe 68%, para R$ 6,9 bi

Os números bilionários anunciados pela Petrobras na apresentação da nova política industrial foram motivo de piada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que daqui a pouco o povo brasileiro votará para presidente da Petrobras, e este indicará o presidente da República: — Quero dizer para vocês do constrangimento que tem um presidente da República ao anunciar um programa de desenvolvimento e dar a palavra à Petrobras. A dimensão dos bilhões da Petrobras é de tal envergadura maior que tudo que o Guido (Mantega, da Fazenda), o Miguel Jorge (Desenvolvimento) e o Luciano Coutinho (BNDES) falaram aqui que eu penso que vai ter algum momento na História do Brasil, se a Petrobras continuar assim, que vai ter que ter eleição direta para presidente da Petrobras e ele indicará o presidente da República.

Eliane Oliveira e Luciana Rodrigues – O Globo

A Petrobras vai encomendar 146 novas embarcações de apoio à atividade de petróleo em alto mar, anunciou ontem o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, durante a cerimônia de lançamento da Política de Desenvolvimento Produtivo.

O setor naval foi um dos contemplados pela nova política do governo. A principal medida para a área foi a criação, pelo Ministério da Fazenda, de um fundo garantidor de performance, no valor de R$ 400 milhões. Esse fundo, um pleito antigo do setor, é uma espécie de garantia de pagamento, para compradores e financiadores dos estaleiros.

— Temos um horizonte fantástico para indústria naval brasileira, um setor que é intensivo em mão-de-obra e tecnologia — disse Gabrielli.

A primeira licitação da Petrobras, já em andamento, prevê a contratação de 24 embarcações.

Os demais barcos de apoio serão comprados até 2014. O conteúdo nacional dessa nova frota deverá alcançar, por contrato, entre 70% e 80%. A empresa já havia anunciado, em março, que estimularia a construção de ao menos cem barcos de apoio no Brasil, sem detalhar os números. A estimativa do mercado é que cada embarcação deste tipo custe de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões.

Todas as embarcações, depois de construídas, serão afretadas à Petrobras. A empresa estima que, durante as obras, cada barco de apoio gerará cerca de 500 postos de trabalho.

Isenção para peças usadas por estaleiros nacionais A nova política industrial do governo, além de criar o fundo garantidor de performance para a indústria naval, suspendeu a cobrança de IPI, PIS e Cofins incidentes sobre peças e materiais destinados à construção de navios por estaleiros nacionais.

Ainda no setor de navegação, o governo equiparou a venda de combustível para cabotagem (navegação pela costa nacional) à da navegação de longo curso (para exportação), para efeitos de suspensão de PIS e Cofins.

E, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o fundo de R$ 400 milhões poderá ter alavancagem: ou seja, significará a liberação de recursos num valor até cinco vezes superior.

Lucro da petrolífera sobe 68%, para R$ 6,9 bi

Preço internacional do petróleo e redução de gastos contribuíram para resultado do 1º tri

Ramona Ordoñez e Juliana Rangel – O Globo

Depois de enfrentar, no ano passado, crescimentos menores que o esperado nos resultados financeiros, a Petrobras fechou o primeiro trimestre de 2008 com um lucro líquido de R$ 6,92 bilhões, 69% acima dos R$ 4,1 bilhões de igual período de 2007. Foi o maior resultado para o período na história da empresa. Também superou previsões do mercado financeiro, que esperavam ganhos de até R$ 5,8 bilhões.

O lucro ainda foi 37% maior que o do quarto trimestre de 2007, de R$ 5 bilhões.

O diretor Financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, destacou que o resultado se deveu ao aumento de 2% na produção interna, aliado ao avanço dos preços do petróleo — que favoreceu as exportações — e à redução de 11% dos custos operacionais e de 57% nos financeiros.

No ano passado, o resultado do primeiro trimestre teve um impacto negativo de R$ 1 bilhão, por causa de uma repactuação da dívida com o fundo de pensão, a Petros.

Analista: não-repasse gerou perda em abastecimento Enquanto isso, a apreciação média de 1% do real frente ao dólar teve um reflexo positivo de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre deste ano.

— Todo o petróleo exportado, assim como os derivados como nafta, óleo combustível e querosene de aviação, acompanharam o preço internacional e beneficiaram os resultados — destacou Barbassa.

No entanto, o analista Lucas Brendler, da corretora Geração Futuro, observou que a demora da estatal em repassar para os preços internos da gasolina e do diesel a alta do petróleo no mercado internacional causou um prejuízo de R$ 566 milhões nas atividades de abastecimento, no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2007, o segmento lucrou R$ 2,126 bilhões.

Em compensação, a área de exploração e produção (E&P) teve aumento de lucro de 86%, para R$ 9,43 bilhões.

— A área de E&P repassava a alta do petróleo para a área de abastecimento, que estava engessada, não conseguia fazer o reajuste para o consumidor. As margens foram ficando cada vez mais encurtadas, até que resultaram em prejuízo — disse o analista. — Com o reajuste feito no dia 1º , a empresa corrigirá esse desequilíbrio no segundo trimestre.

Neste ano, a Petrobras prevê investir R$ 54 bilhões — R$ 10,1 bilhões foram no primeiro trimestre —, 20% acima dos R$ 45 bilhões no ano passado.

Barbassa afirmou que, até o fim do ano, a companhia pretende captar no mercado financeiro cerca de US$ 5 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 2 bilhões no mercado de capitais.

No primeiro trimestre, a receita operacional líquida da Petrobras foi de R$ 46,8 bilhões, com alta de 21% em comparação ao resultado em igual período do ano passado.

A produção só de petróleo no país foi de 1,81 milhão de barris diários, um crescimento de apenas 1% em relação ao 1,8 milhão de barris do mesmo trimestre de 2007. Já a produção de gás natural aumentou 11%, de 274 mil barris equivalentes por dia para 304 mil.

Para o analista Luiz Otávio Broad, da Ágora Corretora, o resultado foi muito bom. Ele esperava um lucro líquido de R$ 5,7 bilhões.

— A gente destaca a redução nas despesas com operações em relação ao mesmo período de 2007. Isso, aliado ao aumento do lucro bruto (que foi de R$ 2,051 bilhões), permitiu a expansão de 26% no Ebitda (ganhos antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização).