29/10/2008 - 10:35h Para quando o carnaval passar

VALOR

rosangela_bittar.jpgDe imediato, não será, como nunca foi o tempo de ação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para este tipo de providência. Critério pré-definido, não existirá, e quem forçar vai irritar o chefe. Pode não haver desejo, mas reconhecimento da necessidade. Assim, a cautela recomenda não esperar reforma ministerial abrangente, muito menos agora, no calor das mágoas eleitorais e antes do Natal, como o presidente não gosta. Mas quando o ano novo chegar, após as eleições das Mesas da Câmara e do Senado, em fevereiro, com a definição sobre o que será o governo nos dois anos finais de mandato do presidente Lula, ficará evidente a exigência de ser feito um arranjo na tropa governista para armar as batalhas da sucessão. O presidente já tem, e terá ainda mais, razões de sobra para trocar peças do seu governo. E vai fazê-lo.

O que se tem dito hoje não conta. Alguns políticos com acesso ao presidente informam que ele não fará reforma ministerial nenhuma. Outros comentam que haverá “mudanças pontuais”, mas derrotados não receberão posto. Um critério, por sinal, que nunca foi o do presidente Lula. Ele formou seu primeiro staff praticamente só com derrotados.

Há um consenso nas informações: Marta Suplicy (PT), derrotada na disputa da Prefeitura de São Paulo, não voltará ao governo, “de onde saiu por sua conta e risco” para uma empreitada incerta. Ora, o presidente não desestimulou sua candidatura, empenhou-se pessoalmente para elegê-la, e o PT não tem nomes novos sobrando no Estado para produzir candidaturas em futuro próximo. Não se consegue perceber por que vai rifar a Marta, que ainda tem milhões de votos, deixando-a sem palanque durante dois anos inteiros, nem que seja para tentar, por exemplo, uma cadeira no Senado.

Haverá também a pressão do grupo de petistas mais próximos a ela para que lhe seja destinado um cargo que permita a exposição máxima. Provavelmente não retomará o Ministério do Turismo. Mas uma solução virá. Para formar novos nomes do partido em São Paulo, o governo federal não pode se dar ao luxo de desprezar os já conhecidos, e Marta é o que restou de mais importante.

Como seus principais adversários do PSDB, que também precisam consolidar nomes para as novas disputas, o governo registra que tem algumas promessas para o futuro. Luiz Marinho, prefeito eleito de São Bernardo depois da campanha mais rica de toda a sucessão municipal, é um emergente que terá apoio para se transformar em opção. Emídio de Souza, a partir de Osasco, é outro nome nos planos prospectivos do presidente Lula. Há os que já eram citados antes, como Arlindo Chinaglia, hoje na presidência da Câmara mas fora dela no ano que vem, e José Eduardo Cardozo, secretário geral do PT. E, sempre, Antonio Palocci. Se absolvido, Lula vai levá-lo de volta ao governo, confirmou isto para mais de um interlocutor, e não necessariamente como ministro da Economia. Em qualquer ministério que esteja, Palocci freqüentará o centro do poder, o Palácio do Planalto, como já faz hoje. Mas ganhará um posto formal.

Há outros emergentes no partido do presidente que precisam de foco. Fernando Pimentel, revigorado com a eleição de um afilhado desconhecido no segundo turno, em Belo Horizonte, e desde o início um entusiasta da candidatura Dilma Rousseff à sucessão de Lula, não merecerá o ostracismo. Há o PT da Bahia, um caso especial, que não dá mostras de arrefecimento na sua competição com o PMDB local. O tamanho e profundidade da ruptura que houve ali entre os dois partidos aliados a Lula, só o presidente poderá reparar. O PMDB venceu, mas o feito do PT foi enorme ao chegar ao segundo turno desbancando o tucanato e o carlismo. Como vai se sustentar este PT para pleitear a reeleição ao governo do Estado, uma vez que a derrota desqualifica Jaques Wagner para a sucessão presidencial, é algo que exige ajuda do processo político e eleitoral que o presidente toca.

O PT revelou outras estrelas, como Luizianne Lins, no Ceará, e João Paulo, em Pernambuco, mas, vitoriosos, terão palanques naturais nestes próximos dois anos para seu grupo. Não se sabe de onde o presidente tirará mais cargos para todo o PT, mas o partido pressiona até com as vagas do Tribunal de Contas da União, instância que quer enquadrar às suas regras e projeto.

O PMDB volta com uma sede correspondente ao sucesso eleitoral que teve. Já começa querendo mais no Congresso, onde senadores anunciam que, além da presidência da Câmara, que o PMDB terá por acordo, o partido faz questão da presidência do Senado. No Planalto já se comenta que se o PMDB quiser as duas Casas, pode ficar sem nenhuma.

Não é lenda o horror que o presidente Lula tem a demissões, afastamentos, dispensas. Ele gosta de contratar e aumentar salários. Trocar ministro em véspera das festas de fim de ano sempre conseguiu evitar. Diz agora, oficialmente, que não haverá reforma ministerial, até porque, se admiti-la, não suportará a voracidade dos principais partidos da sua aliança.

Mas vai fazer. Além de acomodar forças do PT, tem a conquista definitiva do PMDB para sua aliança em 2010, a solução da crise que restará das escolhas dos presidentes da Câmara e do Senado, as consequências da crise econômica sobre seu plano de governo, os dois últimos anos de administração e a construção de um discurso para a campanha em que, já anunciou a muitos, pretende eleger seu candidato, custe o que custar. A maioria no Congresso é absolutamente necessária, e não é para aprovar a reforma tributária. Esta já chegou à fase da desconstrução do caminho andado, tendo em vista sua eterna inviabilidade. Mas precisa de maioria para aprovar as medidas destinadas a combater a crise financeira.

O teorema implica a melhora da gestão, tendo em vista os dois últimos anos de mandato. E são claros os sinais de insatisfação com alguns ministros. Márcio Fortes, das Cidades, que não responde aos investimentos feitos pelo PAC em sua área, é um destes. José Temporão, da Saúde, apesar da torcida dos amigos, continua sem dizer o que faz no governo. E Tarso Genro, da Justiça, que não demonstra intimidade com os acordos entre a Polícia Federal e a Agência de Inteligência (Abin). Não será por falta de quem demitir que o presidente ficará sem vagas para a reforma ministerial.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

06/10/2008 - 07:49h O PT foi o grande vencedor das eleições para prefeito das capitais

PT faz seis capitais no primeiro turno

PSDB, PMDB e PSB elegem dois prefeitos cada e DEM fica fora do segundo turno em Salvador

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João Domingos – O Estado de São Paulo

O PT foi o grande vencedor das eleições para prefeito das capitais. Ganhou em seis delas no primeiro turno: Rio Branco, com Raimundo Angelim; Recife, com João da Costa; Vitória, com João Coser; Porto Velho, com Roberto Sobrinho; Fortaleza, com Luizianne Lins; e Palmas, com Raul Filho. Destes, somente João da Costa não foi reeleito – teve o apoio do atual prefeito, João Paulo.

PSDB, PMDB e PSB elegeram dois prefeitos cada. O PSDB reelegeu Beto Richa, em Curitiba, e Sílvio Mendes, em Teresina. O PMDB reelegeu Iris Rezende, em Goiânia, e Nelson Trad Filho, em Campo Grande.

O PSB reelegeu Ricardo Coutinho, em João Pessoa, e Iradilson Sampaio, em Boa Vista. Cícero Almeida se reelegeu em Maceió pelo PP. O PV venceu em Natal, com Micarla de Sousa. E o PC do B ganhou em Aracaju, com Edvaldo Nogueira.

Abertas as urnas, ficou demonstrado o que as pesquisas de opinião já indicavam: a vitória da continuidade das administrações. Até o prefeito de Manaus, Serafim Correa (PSB), que era apontado como grande zebra, conseguiu passar para o segundo turno, aproximando-se do favorito Amazonino Mendes (PTB).

Surpresa também em Belo Horizonte, onde as pesquisas chegaram a apontar a vitória de Márcio Lacerda (PSB) no primeiro turno. Ele é apoiado em conjunto pelo PT e pelo PSDB. Mas o peemedebista Leonardo Quintão, apoiado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, passou ao segundo turno a apenas dois pontos de Lacerda.

Já em Salvador o deputado ACM Neto (DEM), que sempre figurou como favorito, acabou de fora. A eleição será decidida em segundo turno entre João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro (PT).

Depois de figurar por bom tempo em primeiro lugar, o senador Marcelo Crivella (PRB) acabou ficando de fora. Para o segundo turno no Rio foram Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV).

23/09/2008 - 19:15h Fortaleza: Luizianne cresce e consolida liderança

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Isabela Martin – O Globo

FORTALEZA – A liderança consolidada da prefeita de Fortaleza e candidata à reeleição, Luizianne Lins (PT), foi confirmada na sexta pesquisa Vox Populi/TV Jangadeiro divulgada nessa terça-feira. Luizianne cresceu dois pontos percentuais em relação à consulta anterior, do dia 8 de setembro, e registra agora 47% das intenções de voto, seguida pelos candidatos Moroni Torgan (DEM), com 22%, e Patrícia Saboya (PDT), que tem 14%. Com apoio do governador Cid Gomes (PSB) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a petista trabalha para vencer a disputa ainda no primeiro turno.

Todos os outros cinco adversários juntos somaram apenas 5%, incluindo Luiz Gastão (PPS), que obteve 1%, e nesta segunda-feira renunciou à candidatura. O Vox Populi ouviu 700 pessoas nos dias 19 e 20 de setembro. A pesquisa contratada pela TV Jangadeiro (afiliada do SBT) está registrada na justiça eleitoral com o número 666/2008.A margem de erro é de 3,7 pontos percentuais para mais ou para menos.

Há duas semanas, quando a tendência de crescimento de Luizianne se acentuou, ela virou alvo de ataques dos adversários. Mas a estratégia parece não estar surtindo efeito em favor deles. Em relação à pesquisa anterior, Moroni caiu um ponto e Patrícia, três pontos.

Num possível segundo turno, Luizianne também derrotaria Moroni e Patrícia, segundo o Vox Populi. Contra Moroni ela venceria de 57% a 34%. Com o mesmo percentual, derrotaria Patrícia, que ficaria com 33%. Já candidata do PDT venceria Moroni por 48% a 37%. Brancos e nulos somaram 10% e não sabe ou não respondeu, 6%.

O fraco desempenho de Patrícia contrasta com a sua baixa rejeição, apenas 8%, a menor entre os mais bem colocados. Moroni lidera nesse quesito com 32%, enquanto Luizianne é rejeitada por 23% dos eleitores.

08/09/2008 - 08:54h Luizianne (PT) chega a 44% e lidera isolada disputa em Fortaleza

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Petista tem vantagem de 22 pontos sobre Moroni Torgan, do DEM, que está empatado tecnicamente com Saboya, do PDT

O crescimento de Luizianne foi acompanhado também pela queda de sua taxa de rejeição, que passou de 29% para 26%, em 15 dias

KAMILA FERNANDES DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA

Antes equilibrada, a disputa pela Prefeitura de Fortaleza mostra agora Luizianne Lins (PT) abrindo uma vantagem de 22 pontos percentuais sobre o seu principal adversário, Moro­ni Torgan (DEM), segundo a úl­tima pesquisa Datafolha.

Em 15 dias, a petista, que ten­ta a reeleição, ganhou nove pontos e tem 44% das inten­ções de voto. Moroni perdeu sete e está com 22%, empatado tecnicamente com Patrícia Sa­boya (PDT), que manteve 19%.

O crescimento de Luizianne foi acompanhado também pela queda de sua taxa de rejeição, que passou de 29% para 26%.

Moroni, por sua vez, vive um movimento inverso, chegando a 37% de rejeição, contra 31% na pesquisa anterior. Patrícia ficou estável, com 20%.
A pesquisa foi realizada nos dias 5 e 6, com 816 eleitores. A margem de erro é de três pon­tos percentuais. O jornal “O Po­vo”, de Fortaleza, foi quem con­tratou a pesquisa, registrada no TRE com o nº 92.292/2008.

No levantamento divulgado no começo de agosto, antes do horário eleitoral, Luizianne e Moroni apareciam rigorosa­mente empatados, com 30% cada um. Na enquete seguinte, divulgada há 15 dias, ainda ha­via um empate técnico, mas com Luizianne chegando a 35% e Moroni, a 29%. Patrícia ape­nas oscilou de 22%, na primeira pesquisa, para 19% na segunda, e manteve o resultado agora.

Luizianne tem usado a pro­paganda eleitoral para enfati­zar a importância da parceria dela com o presidente Luiz Iná­cio Lula da Silva e com o governador Cid Gomes (PSB). O slo­gan é “Fortaleza três vezes mais forte”. Na campanha de rua, há um forte trabalho para reforçar que Moroni é de parti­do contrário ao presidente.

O democrata também é acu­sado de não ter “identidade” com a cidade (ele é gaúcho e passa mais tempo em Brasília, onde atua como assessor).
Num contra-ataque, a campa­nha de Moroni acusa Luizianne de “xenofobia”.