09/02/2010 - 09:10h “Estado mais forte é mera decorrência da economia mundial”

Dutra: “Será que interessa a Lula
voltar e correr o risco de ter um mandato
não tão bom como esses dois?”
foto Ruy Baron/Valor

Foto DestaqueEntrevista:

Futuro presidente do PT diz que programa de Dilma não proporá estatizações


Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

José Eduardo Dutra participou de sua primeira campanha eleitoral em 1965, aos oito anos. Foi a eleição para governador de Minas Gerais, disputada por Israel Pinheiro (PSD) e Roberto Rezende (UDN). Seu pai, José Araújo Dutra, filiado ao PSD, era prefeito de Caputira, Zona da Mata de Minas Gerais. A função de Dutra era pregar cartazes de Israel Pinheiro e rasgar os do adversário.

A primeira “inflexão à esquerda” foi em 74, quando, já em Caratinga (MG), fez campanha para Itamar Franco (MDB), que disputou o Senado contra José Augusto Ferreira (Arena). Era uma campanha quase “clandestina”, já que Ferreira, então senador, era da cidade e Itamar, o candidato da oposição. O próximo passo foi a militância no Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP), uma das organizações de esquerda que deram origem ao PT.

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Aos 52 anos e solteiro após quatro casamentos (dois filhos, de 27 e 24 anos) , o ex-senador e ex-presidente da Petrobras prepara-se para assumir, no dia 19, a presidência do partido que amanhã completa 30 anos. No cargo, enfrentará o desafio de coordenar a campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República. Ela será lançada no dia 20, no congresso partidário.

Integrante da mesma corrente política do PT que o ex-ministro José Dirceu – a Construindo um Novo Brasil (CND) -, o futuro presidente do PT preocupa-se em desfazer a ideia de que o programa de governo que o partido aprovará no congresso sinaliza uma gestão mais à esquerda do que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O que o programa sugere, segundo ele, é “o fortalecimento dos instrumentos estatais que já existem”. Para Dutra, não há razão para o mercado se preocupar. O governo Dilma, diz, será de “continuidade e aprofundamento das conquistas e avanços sociais”. Ressalta, ainda, que o programa de governo da ministra não será do PT e sim da coalizão partidária que a apoia.

A Executiva Nacional do partido se reúne amanhã, em Brasília, para discutir as diretrizes do programa, que serão submetidas ao congresso partidário. No evento nacional (de 18 a 20 de fevereiro) também será discutida a estratégia da política de alianças eleitorais. À frente da campanha de Dilma, um dos maiores problemas que Dutra enfrentará é a divisão do partido e a dificuldade de coligação com o PMDB em Minas Gerais.

O futuro presidente nega que a possibilidade de o vice-presidente, José Alencar, se lançar candidato a governador seja articulação do PT. Mas admite que, se a hipótese se confirmar, poderá ser “uma alternativa de consenso”.

Eleito no Processo de Eleições Diretas (PED), em novembro, Dutra confirmou que José Dirceu tem mantido negociações com aliados nos Estados e que tem liberdade para isso. O ex-ministro, segundo ele, “não é franco atirador”, mas não tem autorização para decidir pelo partido.

Para Dutra, Dilma, se eleita presidente, é candidata natural à reeleição. Ele acha que Lula não tem interesse em voltar – e correr o risco de fazer um mandato pior que esses, que já garantem ao petista um lugar na história.

A seguir, os principais trechos da entrevista de Dutra ao Valor:

Valor: As diretrizes do PT para o programa de governo de Dilma Rousseff fortalecem a presença do Estado na economia. O PT quer um governo mais à esquerda?

José Eduardo Dutra: Não cabe esse conceito de esquerda ou direita no governo Lula. Com a crise, foi se buscar exatamente o Estado para salvar bancos, totens do capitalismo mundial. Todos os países estão atentos para reforçar organismos estatais que, em caso de crise, sejam necessários. É uma mera decorrência da evolução da economia mundial.

Valor: Que coincide com o pensamento do partido.

Dutra Essa crise confirmou os pressupostos que nós tínhamos. Não significa estatização da economia ou que vamos retomar um processo de desprivatização. Não estamos propondo estatizar mais nada. Esse fortalecimento do Estado a que nos referimos é fortalecer os instrumentos estatais que já existem. Desde o início do governo Lula dizíamos que a Petrobras, por exemplo, que eu presidi, iria voltar a ter papel indutor da economia nacional. Quando adotamos a política de se exigir conteúdo nacional nas encomendas de plataforma diziam que seria impossível, que a indústria nacional não teria capacidade de atender e que ia ficar mais caro. Nada disso aconteceu. A indústria nacional vem se capacitando cada vez mais para atender às encomendas da Petrobras.

Valor: Então não há necessidade de uma nova versão da “Carta aos Brasileiros” para acalmar o mercado?

Dutra Não temos que combater tantos preconceitos como na época do Lula. O governo da Dilma vai ser um governo da continuidade, de aprofundamento das conquistas e de avanços sociais. Não há necessidade de uma ação tão clara para acalmar alguns setores, como foi naquele caso.

Valor: O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que um governo tucano mudaria os pilares da política econômica. O governo Dilma deve fazer mudança na economia?

Dutra: A economia não é um fim em si mesmo. É um meio para você realizar um projeto. E os fundamentos da economia brasileira hoje estão absolutamente sólidos. Prova disso é que sofremos menos do que a maioria dos países a crise econômica. Se os tucanos vão mudar deviam dizer o que vão mudar e o que vão botar no lugar. Eu, particularmente estou muito curioso para saber o que os tucanos vão mudar e botar no lugar. Nós vamos manter.

Valor: A política de estímulo à criação de corporações nacionais vai continuar?

Dutra: Isso é uma coisa inexorável do capitalismo. Empresas tendem a se fundir para poder aumentar sua competitividade no mercado, cada vez mais globalizado. Precisamos ter empresas brasileiras fortes, capazes de competir no mercado internacional.

Valor: O PMDB aderiu ao governo Lula com ele em andamento. Agora, coligando com Dilma ainda na campanha, a participação e a influência serão maiores. O PT está preparado para uma divisão – de fato – de poder?

Dutra: O governo da Dilma , da mesma forma que o governo do Lula, vai ser um governo de coalizão, que muitas vezes tem disputas internas. Nós vamos tirar no Congresso do PT, dia 18, diretrizes para o programa de governo, que é uma proposta do PT. Não significa que o programa de governo da Dilma vai ser o programa do PT. A partir do nosso congresso, vamos ter um grupo com pessoas do PT, do PMDB, do PDT, do PC do B e espero que do PSB, enfim, todos os partidos da coligação para fazer o programa de governo da Dilma. Vai ser o programa da coligação, que não vai ser igual ao do PT, nem ao do PMDB. Vai ser uma convergência de idéias e propostas.

Valor: Não vai ser complicado para Dilma, sem o capital político de Lula, administrar as contradições da coalizão?

Dutra Essa imagem da Dilma como uma pessoa meramente técnica, tecnocrata, gerentona, não é realidade. A Dilma é uma excelente política. Faz política desde sua juventude. A Dilma é eminentemente uma personalidade política. Com estilo totalmente diferente do de Lula, claro. Ela não tem interação com as massas que o Lula tem, até pela diferença de trajetória de vida. Mas eu confio não só na capacidade dela de gerenciar, como também de administrar politicamente esse condomínio de partidos que vão estar na base do governo.

Valor: O maior problema da aliança, hoje, é a divisão do PT em Minas e a dificuldade de aliança com o PMDB. O PT vai aceitar a proposta do ministro Hélio Costa (Comunicações), de uma aliança na qual o candidato a governador seja escolhido por pesquisa?

Dutra: Se a gente conseguir unificar dentro do PT e se a pesquisa for realizada não em março, mas no final de abril, quando tiver condição de mensurar melhor qual foi a influência do Anastasia (Antonio Anastasia, vice-governador e candidato de Aécio Neves a governador) no governo , pode ser um critério interessante. Estou trabalhando pelo entendimento. Até março tem que resolver. Agora, se, de comum acordo, chegarmos a esse entendimento e a pesquisa for feita, aquele que estiver na frente vai ser o candidato. Se a gente chegar a um acordo em relação a esse método tem que cumprir o acordo.

Valor: Uma eventual candidatura do vice-presidente, José Alencar, a governador uniria a base aliada em Minas?

Dutra A questão principal é o estado de saúde dele. Ele tem que avaliar se quer ser candidato. Se decidir disputar o governo, pode ser uma alternativa de consenso. Os partidos vão analisar o quadro.

Valor: O ex-ministro José Dirceu, ex-presidente do PT, tem atuado como negociador informal do PT nos Estados. Qual é o papel dele?

Dutra O José Dirceu não está como franco atirador, fazendo aliança aqui e acolá. Eu tenho conversado com ele e ele tem me relatado as conversas que tem tido. Mas, em última instância, quem vai bater o martelo nas alianças são aqueles que estão mandatos para isso. Os membros da Executiva. É natural que os próprios aliados procurem o José Dirceu, que tem experiência e é visto como pessoa com influência no PT. Mas ele não vai fechar nenhuma aliança em nenhum estado. O José Dirceu é um animal político, faz parte do DNA dele, mas ele não fala pelo PT. José Dirceu vai entrar formalmente no diretório do partido. Como dirigente do partido vai estar envolvido na campanha.

Valor: Se mantiver a candidatura a presidente, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) prejudica a campanha de Dilma?

Dutra :Sempre defendemos uma campanha plebiscitária, de confronto de projetos, de comparação entre nosso governo e governo dos oito anos de FHC. Uma campanha onde a gente estabeleça um conflito claro entre dois modelos. Para que essa estratégia funcione, é importante ter apenas uma candidatura do bloco governista. O Ciro e o PSB tinham visão diferente. Achavam que o mais correto seria lançar mais de um candidato da base governista para forçar o segundo turno. Depois eles se juntariam para derrotar o candidato da oposição. Uma tese perfeitamente legítima, mas discordávamos. Agora, a evolução dos números mostra que nossa tese está tendendo a sair vitoriosa desse debate estratégico.

Valor: Mas as pesquisas parecem indicar que os votos do Ciro vão para o Serra.

Dutra :Em pesquisas “a frio”, sem explicar que o Ciro apoia a Dilma no segundo turno, quando você tira um nome, a tendência estatística é que o nome mais conhecido ganhe mais voto, independentemente da posição ideológica que esse candidato tenha. A evolução de pesquisas mostra que, tanto no cenário com Ciro quanto sem Ciro, a Dilma vem crescendo substancialmente. Hoje no cenário de segundo turno a Dilma perde por sete pontos para o Serra. Há oito meses, perdia por 25 pontos. A evolução está trazendo argumentos para a nossa tese. Nós, respeitosamente, publicamente, queremos aliança com o PSB, mas, se lá na frente o PSB , com toda legitimidade, decidir que vai lançar o Ciro, faremos campanha considerando que o Ciro é um candidato aliado. O adversário é o Serra. E vamos estar juntos num possível segundo turno. Não tenho nenhuma dúvida.

Valor: Ainda tem chance de ele disputar o governo de São Paulo com apoio do PT?

Dutra: Ele teria capacidade de aglutinar toda a base do governo em SP. A gente vê uma fadiga de material dos tucanos em SP, depois de 16 anos. A eleição não está perdida. O perfil de campanha do Ciro – incisivo, agressivo – é interessante. Mas ele tem dito categoricamente que não é candidato. Ninguém é candidato a uma coisa que não quer. Se não quer, o PT tem que buscar outra alternativa. Até março tem que ter uma definição.

Valor: A senadora Marina Silva (PV-AC) pode tirar voto de uma fatia do eleitorado tradicional do PT?

Dutra: Marina vai tirar mais voto do Serra. Um eleitorado que já votou no PT e já não votaria mais no PT. Votaria no Serra envergonhado. A Marina é uma alternativa para esse eleitorado.

Valor: Michel Temer (PMDB-SP) seria um bom vice para a chapa da Dilma?

Dutra: Sou da tese que o potencial eleitoral de um vice é muito limitado. Por mais que a pessoa tenha votos, concordo plenamente com o que disse o José Alencar: a pessoa vota no presidente. O vice ajuda na medida em que dá “liga” com o titular. O PMDB é que vai indicar o vice. Fez-se muita celeuma nessa questão da lista tríplice que o Lula falou. Se o PMDB concordar com a lista tríplice ótimo. Se não concordar, não concorda e pronto. Não cabe ao PT ficar dando palpite em quem é o vice do PMDB. Mas, naturalmente, a discussão do vice tem que passar pela candidata. Não há circunstâncias na política em que um partido indica um vice em que o candidato não concorda com aquele vice. Isso vale para prefeito, governador e presidente da república. Então, a costura do vice tem que passar pela candidata. Não é pelo PT. Eu, pessoalmente, não acho que o nome do Michel Temer tenha algum problema. É presidente do PMDB, representaria institucionalmente o partido. Mas essa é uma questão que cabe ao PMDB discutir e, depois, levar a sugestão a Dilma.

Valor: O que o Temer tem que buscar é essa “liga” com a Dilma?

Dutra: Exatamente.

Valor: Como seria o PT de hoje – após a experiência de governar o país – na oposição?

Dutra Muitas coisas que fazíamos enquanto oposição eram sinceras, mas decorrentes do desconhecimento em relação à realidade de governar um país. Eu defendo que, se o PT voltar a ser oposição daqui a… 15 anos, nós tenhamos uma postura diferente daquela que tivemos. Tem que ter oposição dura nas críticas, que proponha alternativas, mas não adote comportamento quase que estudantil.

Valor: O senhor falou em 15 anos. Eleita Dilma, o Lula disputa em 2014?

Dutra A Dilma, ganhando a eleição, é a candidata natural à sua reeleição. Se ela perder, é outra história. Nunca conversei com o Lula sobre isso, mas, sinceramente, não acho que ele tenha interesse em voltar. Será que interessa a ele voltar e correr o risco de ter um mandato não tão bom como esses dois? Então é uma questão de se preservar na história do país.

08/02/2010 - 10:06h Lula: fábrica de chips é divisor na história da inovação tecnológica do país

Paula Laboissière Repórter da Agência Brasil

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (8) que a inauguração da primeira fábrica brasileira de chips em Porto Alegre (RS) na semana passada é um “divisor” na história da inovação tecnológica do país. A produção de chips ocorre no Centro Nacional em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), único fabricante na América Latina.

Segundo Lula, o Ministério de Ciência e Tecnologia investiu R$ 400 milhões no local que, por enquanto, produz chips para o rastreamento de rebanhos bovinos. O presidente destacou ainda que, por meio da fábrica, o Brasil mostra ao mundo sua capacidade de competir internacionalmente no setor.

“A coisa mais extraordinária é que, em 60 dias, nós conseguimos trazer de volta para o Brasil praticamente 100 engenheiros para trabalhar nessa fábrica – pessoas que são altamente qualificadas e que estavam, por falta de oportunidades, trabalhando no exterior”, disse. “É isso que vai dar ao Brasil a dimensão de uma grande nação. O Ceitec é apenas o começo de uma caminhada do Brasil para um futuro muito promissor”, completou.

04/02/2010 - 11:17h “Se ele (Ciro) não quiser, Aloizio, eu acho que você é o melhor nome no PT”, disse Lula

Mercadante é plano B de Lula em São Paulo

Presidente não desistiu, entretanto, de tentar convencer Ciro Gomes a disputar sucessão de Serra

Clarissa Oliveira – O Estado SP

Mesmo sem desistir definitivamente de convencer o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) a disputar o governo de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já escalou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) como plano B para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em outubro. A conversa aconteceu na quarta-feira da semana passada, mesmo dia em que Lula embarcaria para Recife, onde retomou as negociações com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para uma aliança com o PSB.

Entre as gravações de um vídeo em comemoração aos 30 anos do PT e o embarque para a capital pernambucana, Lula aproveitou para debater a sucessão em São Paulo. Ao lado de auxiliares, avisou que ainda gostaria de convencer Ciro a disputar o governo paulista. Ainda assim, deu a Mercadante o recado de que gostaria de vê-lo preparado para assumir a tarefa. Disse que o considera a melhor alternativa para a vaga, caso o candidato seja do PT. “Se ele (Ciro) não quiser, Aloizio, eu acho que você é o melhor nome no PT”, disse Lula, segundo petistas que acompanharam a conversa.

Além de Mercadante, estavam reunidos em uma casa em Brasília, onde foi montado um estúdio para as gravações do vídeo petista, a ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata ao Planalto, Dilma Rousseff, os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Luiz Barretto (Turismo) e o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, além do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), e do presidente do PT paulista, Edinho Silva.

Mercadante repetiu o argumento de que sua reeleição para o Senado seria positiva para o governo e para o PT, por assegurar a presença de quadros experientes na Casa. Lula, entretanto, ressaltou que, se ele não tiver interesse na vaga, não descarta a possibilidade de bancar o nome do ministro da Educação, Fernando Haddad.

O ministro é alvo de forte resistência no PT paulista, inclusive em setores da sigla ligados a Mercadante. Na conversa, Lula ignorou o desgaste sofrido por Haddad com o vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), revelado pelo Estado no ano passado.

Ele também teceu elogios à ex-prefeita Marta Suplicy, mas teria indicado que acha melhor não incluí-la na lista de alternativas. O presidente disse que Marta canalizou “o ódio da elite paulista”. Ainda assim, se Mercadante abandonar a corrida ao Senado, a ex-prefeita ganha a chance de concretizar seu plano de sair candidata a um mandato na Casa. Sobre o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que já se retirou da disputa, Lula observou que se trata de um “líder inteligente”, que está ciente de que este não é o momento certo para que saia candidato.

Apesar de o projeto Ciro não estar totalmente enterrado, já circula no PT paulista até mesmo uma proposta completa de chapa para a sucessão estadual, apoiada na tese de uma aliança com o PSB. Marta disputaria o Senado com o vereador Gabriel Chalita (PSB). Mercadante concorreria ao Palácio dos Bandeirantes, podendo ter como vice o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. No comando petista, porém, predomina a avaliação de que Skaf deverá insistir em uma candidatura própria ao governo paulista.

03/02/2010 - 13:55h ”Santo Lula nesse assunto está errado”

Para ele, moral da aliança PT-PMDB ‘é um roçado de escândalos já semeados’ e pode deixar governistas ‘com a brocha na mão’


Eugênia Lopes, BRASÍLIA – O Estado SP

JUSTIFICATIVA – “Pretendo ser candidato à Presidência para explorar ao máximo a complexidade e a riqueza do sistema de dois turnos”


Partidários de Ciro enxergam no deputado um ar de quem caiu em arapuca ao mudar o título para São Paulo - (Roosewelt Pinheiro/ABr )Entrevista Ciro Gomes: pré-candidato do PSB à Presidência

Depois de um périplo de um mês por Berlim e Paris, onde passou férias, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) voltou à ribalta decidido, aparentemente, a manter sua candidatura à Presidência. Sem fumar há três meses e com um tom variando entre o irônico e o irritado, Ciro disse que “o santo Lula está errado” ao defender que ele desista de disputar o Planalto em favor da ministra Dilma Rousseff.

Derrotado duas vezes na corrida presidencial (1998 e 2002), Ciro garantiu que só deixará de ser candidato ao Planalto se seu partido assim quiser. Disse que não será candidato ao governo de São Paulo e considerou “golpistas” as articulações do ex-ministro José Dirceu na promoção de alianças estaduais. Ex-ministro de Lula, Ciro qualificou como “frouxa” a coalizão PMDB-PT em torno da candidatura Dilma.

O senhor desistiu de ser candidato à Presidência da República?

Mantenho minha candidatura. Pretendo ser candidato à Presidência para explorar ao máximo a complexidade e a riqueza do sistema de dois turnos. Minha intenção é ser candidato para valorizar e proteger o cidadão brasileiro do malefício que é a volta ao passado. Só eu posso sinalizar para o futuro. Vou conservar o rumo extraordinário que o Lula iniciou no País. Só eu posso fazer a justa transição com a necessária e indispensável dose de renovação no País.

Por que só o senhor?

Pela minha circunstância política. Sou aliado do Lula nas horas críticas. Sou aliado dele desde 1989, fui em 2002 e depois participei do governo dele.

Então por que o presidente Lula escolheu a Dilma Rousseff como sua candidata à Presidência da República e não o senhor?

Não sou do PT. É naturalíssimo que ele opte por um candidato do partido dele.

O presidente Lula já manifestou a aliados que prefere que o senhor desista da candidatura à Presidência.

Não converso com o presidente Lula pelos jornais. Não recebo recados. Há uma divergência de opinião. Lula respeita a minha candidatura. Mas sem obsessão, ele acha que a melhor tática seria reunir as nossas forças em um embate plebiscitário.

O presidente Lula já pediu diretamente para o senhor ser candidato ao governo de São Paulo?

Não trato o Lula como um mito. Trato como líder político. O Lula me fez um apelo para transferir o título para São Paulo. Alegou que isso ajudaria a arrumar o quadro lá. Não sou candidato ao governo de São Paulo e falei isso para o Lula. Mantenho a minha candidatura à Presidência da República.

A sua candidatura não tem o apoio de nenhum partido, enquanto o PT e o PMDB têm praticamente fechada uma aliança em torno do nome de Dilma Rousseff.

Não estou de acordo com o resultado da colisão PT-PMDB. A moral dessa aliança é frouxa, é um roçado de escândalos já semeados. Amanhã, pode nos deixar com a brocha na mão.

Há um consenso de que sua desistência em disputar a Presidência beneficiaria a candidatura de Dilma Rousseff.

O PSDB e o PT querem que eu retire a minha candidatura. Algum dos dois está errado. A única pessoa que está certa de querer tirar a minha candidatura é o Serra. Significa que o santo Lula nesse assunto está errado.

Sua candidatura perdeu fôlego na última pesquisa de intenção de voto.

Nunca tive tanta força como tenho agora. Estamos mais bem situados nos Estados do que o PT. É só dar uma olhada. Agora eu estou no céu. Tenho três governadores aliados, tenho base no Brasil inteiro. Problema de aliança quem tem é o PT. O PSB só tem problemas em Sergipe e no Rio Grande do Norte. O PT está pedindo que eu seja candidato ao governo de São Paulo. Quem está forte mesmo?

O ex-ministro José Dirceu tem conversado com os aliados para fechar alianças do PT nos Estados.

Pode escrever aí: Ciro Gomes não concorda com a articulação do Zé Dirceu, do PT. Isso é coisa golpista.

Por que golpista?

Não vou explicar isso… Quando Lula foi acusado de tráfico de influência, o Zé Dirceu era presidente do PT e abriu inquérito contra Lula na comissão de ética do partido para apurar as relações dele com o compadre Roberto Teixeira. Ele quis acabar com o Lula lá atrás. O Zé Dirceu estava decidido a destruir o Lula, era um trabalho para liquidar o Lula.

Como o senhor vai viabilizar sua candidatura à Presidência apenas com o seu partido, o PSB?

Eu vou tentar trazer os outros partidos para a minha candidatura.

E se o PSB não quiser que o senhor seja candidato à Presidência da República?

Se não quiser, estou feliz da vida. Fim de papo. Paro um pouco. Não vou ser candidato a deputado, não tenho pretensão de ser governador de São Paulo. Para mim, a política não é um meio de vida.

02/02/2010 - 15:45h Aguardando março: Ciro insiste em candidatura à presidência

por Cristiana Lôbo – G1 Globo, em 02 de fevereiro de 2010 às 13:23

Na volta aos trabalhos do Congresso e depois de pesquisa demonstrando que perdeu pontos na corrida presidencial, o deputado Ciro Gomes disse que seu propósito é disputar a sucessão do presidente Lula. Ele afirmou que são mínimas, perto de zero, as chances de aceitar o apelo do presidente Lula para disputar o governo de São Paulo.

Depois de um rápido abraço em Antonio Palocci, no cafezinho da Câmara, Ciro disse que pretende levar sua candidatura à presidência até onde der -”até outubro, às urnas”, disse – e argumentou que há espaço para sua candidatura na corrida presidencial, dentro do campo de apoio ao presidente Lula. Palocci anunciou ontem que não disputará o governo de São Paulo, vaga que o PT oferece a Ciro Gomes.

– Pretendo ser candidato à presidência e explorar as riquezas e complexidades de uma eleição em dois turnos. Acho que posso ter participação importante, pois valoriza o eleitor dando-lhe mais uma alternativa e não aquele voto por negação, do tipo voto neste porque não gosto daquele. Acho que só eu posso fazer o discurso do conservar o rumo extraordinário traçado pelo presidente Lula, com a necessidade indispensável de renovação – disse ele.

A declaração de Ciro ocorre no momento em o presidente Lula, segundo aliados, estaria convencido de que sua estratégia é a de ter uma única candidatura no campo governista, de modo a polarizar a disputa entre PT e PSDB – “nós contra eles”, tem dito Lula-. Ciro parece não concordar com a avaliação de Lula.

– É indisfarçável que sou aliado de Lula, mas o trato como líder político e não como mito. Assim, discordo da avaliação dele. Alguns o tratam como mito, como santo, como inquestionável… disse Ciro, acrescentando que não recebe recados do presidente sobre a estratégia eleitoral, mas conversa diretamente com ele. Na última conversa que tiveram, segundo Ciro, ficou “apalavrado” que sua candidatura seria mantida até março, pelo menos, para nova conversa, mas ele pretende mantê-la.

02/02/2010 - 12:48h Já são 141 escolas técnicas construídas desde 2002

02/02/2010 - 11:52h Abílio Diniz: “As mulheres dão ótimas governantes”

Abílio Diniz: “Sou fã de carteirinha do Lula” – parte 1

TV Estadão | 31.1.2010

Em entrevista à repórter Leticia Bragaglia, o presidente do Conselho do Grupo Pão de Açúcar elogia o governo atual, que, segundo ele, foi extraordinário. Fonte portal do Estadão.

Abílio Diniz: o começo, ao lado do pai – parte 2

TV Estadão | 31.1.2010

Em entrevista à repórter Letícia Bragaglia, o presidente do Conselho do Grupo Pão de Açúcar fala sobre a história da empresa, que começou como uma padaria, no centro de São Paulo.

Veja a continuação aqui

02/02/2010 - 09:16h Comando da campanha de Dilma à Presidência começa a se definir

Valter Campanato/ABr – 25/11/2009
Foto Destaque
Dutra: presidente eleito do PT será coordenador da campanha com a assessoria de Palocci e de Fernando Pimentel

Cristiano Romero e Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

Está em ritmo acelerado a definição da campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. O presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, será o coordenador da campanha e terá como principais auxiliares o deputado Antonio Palocci (PT-SP) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. O vice-presidente José Alencar decidiu participar do esforço para unir as forças políticas em torno de Dilma – se for preciso, abrirá mão de uma candidatura natural ao Senado para que PT e PMDB fechem uma aliança em Minas Gerais, onde, na avaliação do Palácio do Planalto, a eleição pode ser decidida.

O vice-presidente, que é filiado ao PRB, se engajou no plano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter uma candidatura única dos governistas na sucessão presidencial. Em Minas, uma disputa interna no PT e outra entre o PT e o PMDB está colocando em risco a aliança que Lula tenta construir em torno de sua candidata. No PT, Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, disputam para ver quem sairá candidato ao governo estadual. Já o PMDB quer o apoio dos petistas para seu pré-candidato – o ministro das Comunicações, Hélio Costa, líder das pesquisas de opinião neste momento.

Na semana passada, as executivas nacionais do PT e do PMDB decidiram contratar dois institutos de pesquisa para averiguar a viabilidade eleitoral dos pré-candidatos dos dois partidos. Os institutos vão medir os níveis de popularidade e de rejeição, além do potencial de crescimento. A ideia é que, com base no resultado das pesquisas, os dois partidos definam, conjuntamente, o candidato em Minas.

Na cúpula do governo, há simpatizantes à candidatura de Hélio Costa, com o lançamento de Patrus ao Senado e de Pimental à Câmara. A avaliação é pragmática. O apoio a Costa ajudaria a consolidar o apoio do PMDB do Senado e renderia a Dilma votos num Estado em que o principal chefe político – o governador Aécio Neves, do PSDB – é quase uma unanimidade e vai tentar eleger seu sucessor – o vice-governador Antônio Anastasia.

Nos debates internos do governo, o ex-prefeito Fernando Pimentel, que é muito ligado à ministra Dilma, cita, em seu favor, a sua elevada popularidade na capital e o potencial de crescimento no restante do Estado. Lembra, ainda, que Hélio Costa concorreu mais de uma vez ao governo mineira e nunca levou. “Antes, ele perdia porque era atacado pelo PSDB e pelo PT. Com o apoio do PT, ele pode vencer”, pondera um ministro do núcleo decisório em Brasília.

Para ajudar a resolver o impasse, o vice-presidente José Alencar estaria disposto, segundo esse ministro, a abrir mão de sua candidatura ao Senado. São duas as opções. Uma é ele se candidatar a uma vaga à Câmara dos Deputados. A outra é ele se lançar ao Senado como primeiro suplente de um dos três contendores. Tanto num caso quanto no outro, Alencar abriria espaço para acomodar a disputa entre Costa, Patrus e Pimentel.

No caso da candidatura a suplente de senador, em caso de vitória da ministra Dilma Rousseff, o compromisso é para que um dos três vá para o ministério e o vice-presidente assuma a vaga no Senado. “Para Dilma, a disposição do Zé Alencar em se candidatar, seja à Câmara ou ao Senado, é muito boa. Mostra a união dos partidos aliados”, observou um assessor direto do presidente Lula.

No Palácio do Planalto, Lula e seus auxiliares trabalham na montagem do núcleo que trabalhará na campanha da ministra Dilma. Enquanto Dutra, Palocci e Pimentel atuarão diretamente na coordenação, na retaguarda, como conselheiros, estarão integrantes do governo como os ministros Franklin Martins (Comunicação Social) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais), além de Gilberto Carvalho (chefe de gabinete do presidente).

Palocci é visto como peça fundamental para a campanha. “As pessoas o veem como interlocutor do Lula. Ele tem trânsito no empresariado e no mercado financeiro”, afiança um auxiliar do presidente. O ex-ministro da Fazenda desistiu de sair candidato ao governo paulista (ver também página A8). Vai disputar a reeleição a uma vaga na Câmara.

Marco Aurélio Garcia, assessor internacional do presidente, cuidará da elaboração do programa da ministra Dilma e o jornalista João Santana, do marketing da campanha. Recentemente, Dilma teve uma conversa reservada com o publicitário Duda Mendonça. O encontro provocou mal-estar em Brasília, obrigando o presidente Lula a intervir em favor de Santana. “O João está firme na função. O presidente influencia muito a Dilma e ele é João Santana”, definiu um ministro próximo do presidente. “O Duda pode vir a colaborar, mas de maneira eventual.”

A questão que ainda atormenta Lula é a definição do vice na chapa de Dilma. O sonho de consumo do presidente é ver o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na chapa presidencial. Na avaliação de Lula, além de ter interlocução “privilegiada” com os setores empresarial e financeiro, Meirelles será o principal defensor do legado de seu governo.

Ministros e conselheiros do presidente julgam, no entanto, que politicamente o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), agrega mais valor à candidatura Dilma. “Temer é o pemedebista que mais traz o partido para a aliança. Ele é a representação institucional do PMDB, uma sigla que não tem nomes nacionais”, explica um assessor graduado do Palácio do Planalto.

01/02/2010 - 12:18h Avaliação positiva do presidente Lula atinge 81,7% em janeiro, diz pesquisa CNT/Sensus

Aprovação da população brasileira ao governo federal subiu de 70% em novembro para 71,4% em janeiro.

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

A avaliação do governo federal e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manteve estável em alta no mês de janeiro deste ano, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira.

A aprovação da população brasileira ao governo do presidente Lula subiu de 70% em novembro para 71,4%. Já a avaliação positiva do presidente subiu de 78,9% em novembro para 81,7% este mês.

Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, a avaliação de Lula e do governo se manteve estável do final de 2009 para o início de 2010.

Em janeiro, a avaliação positiva do presidente Lula foi uma das maiores já registradas pela pesquisa CNT/Sensus desde que o presidente assumiu o cargo, em janeiro de 2003 –quando Lula obteve 83,6% de avaliação positiva.

Em janeiro deste ano, somente 5,8% avaliaram o governo federal negativamente, enquanto 13,9% desaprovaram a maneira de Lula governar o país.

Em março do ano passado, o governo Lula registrou a primeira queda em sua popularidade desde setembro de 2008, quando a gestão do petista vinha registrando sucessivos recordes positivos.

Em maio de 2009, a popularidade do governo voltou a crescer, mas caiu novamente em setembro. Desde setembro, porém, a avaliação positiva do governo e do presidente voltaram a subir e mantiveram-se estáveis em alta.

Os eleitores que avaliam o governo como regular somam 22% em janeiro contra 22,7% em novembro do ano passado.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 25 e 29 de janeiro, em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou menos.

01/02/2010 - 12:00h Pesquisa CNT/Sensus: Sobe avaliação do Lula e Dilma em empate técnico com Serra

Brasília, 1º/02/2010

AVALIAÇÃO DO GOVERNO

A avaliação positiva do Governo Luiz Inácio Lula da Silva situa-se em 71,4% e a negativa, em 5,8%. Em novembro de 2009, a positiva situava-se em 70,0% e a negativa, em 6,2%.
A aprovação do desempenho pessoal de Lula situa-se em 81,7% e a desaprovação em 13,9%. Em novembro de 2009, a aprovação do desempenho pessoal de Lula situava-se em 78,9% e a desaprovação, em 14,6%.


ELEIÇÕES 2010 – 1º TURNO

A Pesquisa CNT Sensus quis saber em quem o eleitor brasileiro votaria (em votação espontânea) para Presidente da República em 2010: Lula, 18,7%; Dilma Rousseff, 9,5%; José Serra, 9,3%; Aécio Neves, 2,1%; Marina Silva, 1,6%; Ciro Gomes, 1,2%; outros, 1,9%; branco e nulo, 2,6%.

Propusemos, também, duas listas (pesquisa estimulada), cujos resultados foram os seguintes:

Primeira lista: José Serra, 33,2%; Dilma Rousseff, 27,8%; Ciro Gomes, 11,9%; Marina Silva, 6,8%; sem candidato, 20,4%. Em novembro de 2009, os índices eram, respectivamente, 31,8%, 21,7%, 17,5%, 5,9% e 23,2%


Segunda lista:
José Serra, 40,7%; Dilma Rousseff, 28,5%; Marina Silva, 9,5%; sem candidato, 21,4%. Os números em novembro de 2009 eram, respectivamente, 40,5%, 23,5%, 8,1% e 28,0%.

ELEIÇÕES 2010 – 2º TURNO

A Pesquisa CNT Sensus fez simulação, também, para um eventual segundo turno para a Presidência da República:
Primeira opção: José Serra, 44,0%; Dilma Rousseff; 37,1%; sem candidato, 19,0%. Em novembro de 2009 os números eram: 46,8%, 28,2% e 25,1%, respectivamente.

Segunda opção: José Serra, 47,6%; Ciro Gomes, 26,7%; sem candidato, 25,8%. Os números em novembro de 2009 eram: 44,1%, 27,2% e 28,7%, respectivamente.

Terceira opção: Dilma Rousseff, 43,3%; Ciro Gomes, 31,0%; sem candidato, 25,8%. Os números em novembro de 2009 eram: 31,5%, 35,1% e 33,5%, respectivamente.

LIMITE DE VOTO

A Pesquisa CNT Sensus mediu, ainda, o limite de voto dos potenciais candidatos à Presidência da República:
Para 17,9%, Dilma Rousseff é a única candidata em quem votariam; já para 38,5%, Dilma é uma candidata em quem poderiam votar; 28,4% disseram que não votariam de jeito nenhum e 9,4% não conhecem/não sabem quem é.
Para 15,4% dos entrevistados, José Serra é o único candidato em quem votariam; para 45,4%, um candidato em quem poderiam votar; 29,7% não votariam de jeito nenhum e 4,1% não conhecem/não sabem quem é.
Para 8,2%, Ciro Gomes é o único candidato em quem votariam; para 47,3%, um candidato em quem poderiam votar; 30,3% disseram que não votariam de jeito nenhum e 7,8% não conhecem/não sabem quem é.
Para 6,9%, Marina Silva é a única candidata em quem votariam; para 23,4%, uma candidata em quem poderiam votar; 36,6% não votariam de jeito nenhum e 27,2% não conhecem/não sabem quem é.


NÍVEL DE INFORMAÇÃO

A Pesquisa CNT/Sensus quis saber como o brasileiro vê o seu próprio nível de informação: 55,6% se consideram mais ou menos informados; 24,7% pouco informado e 19,2% muito informado. Em março de 1998, os índices eram, respectivamente, 56,0%, 30,0% e 13,0%.

SATISFAÇÃO COM O PAÍS

48,0% dos entrevistados disseram que o seu nível de satisfação com o país, nos últimos seis meses, está aumentando; para 37,4%, continua igual e para 13,9%, está diminuindo. Em março de 1998, esses índices eram, respectivamente, 15,0%, 47,0% e 36,0%.

ORGULHO DE SER BRASILEIRO

O orgulho por ser brasileiro tem aumentado, nos último seis meses, para 52,8% dos entrevistados; para 38,5%, continua igual e para 7,8%, tem diminuído. Em setembro de 1998, os índices eram 26,0%, 59,0% e 12,0%, respectivamente.

ANO ELEITORAL

42,1% dos entrevistados pela Pesquisa CNT/Sensus disseram ter um interesse médio pelas eleições presidenciais deste ano; 31,3% disseram não ter interesse algum e 25,5%, que têm muito interesse. Em março de 2002, esses índices eram, respectivamente, 35,9%, 45,5% e 17,9%.

ESCOLHA DO PRESIDENTE

A Pesquisa CNT Sensus quis saber o que o eleitor leva mais em conta na hora de votar para presidente da República: 55,5% disseram que a própria opinião; 14,2%, a opinião de amigos e parentes; 13,8%, o que veem na televisão; 6,3%, a propaganda eleitoral gratuita; 3,9%, o que sai nos jornais; 2,5%, o que ouvem no rádio e 2,2%, a opinião do seu líder religioso.

AVALIAÇÕES SETORIAIS

Foi pedido ao entrevistado que avaliasse, por meio de notas (de zero a dez), cinco setores de atuação do governo federal, com o seguinte resultado (média): escola pública, 6,5; transporte, 5,8; rede pública de saúde, 5,1; estradas, 5,1 e segurança pública, 4,9.

CONFIANÇA NAS INSTITUIÇÕES

Quisemos saber ainda qual é o grau de confiança do brasileiro nas instituições: 69,8% disserem confiar sempre ou na maior parte das vezes nas Forças Armadas; 49,8%, na imprensa; 40,1%, no governo; 37,8%, na Justiça; 37,5, na Polícia; 36,0%, no Serviço Público; e no Congresso Nacional, 9,3%.

PENA DE MORTE

55,2% dos entrevistados disseram se contra a pena de morte e 41,2%, a favor.

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

73,5% são contra a legalização do aborto e 22,7%, a favor.

CIGARRO E BEBIDA ALCOOLICA

74,1% são contrários ao uso do cigarro ou de qualquer outro tipo de fumo e 67,4%, ao uso de bebidas alcoólicas.

PROBLEMAS DO PAÍS

A violência e a criminalidade são o que mais incomodam 22,9% dos brasileiros, seguidos das drogas (21,2%), do desemprego (19,0%), da falta de oportunidades de trabalho (8,0%) e do sistema de saúde (6,7%).

ECONOMIA/TRABALHO

48,9% dos entrevistados pela Pesquisa CNT Sensus já pensaram em trabalhar por conta própria e 27,9% já trabalham dessa maneira. Dos que trabalham, 52,2% estão satisfeitos.
Uma boa formação profissional é, para 50,0%, o mais importante para se conseguir um emprego; para 26,9%, o mais importante é ter estudo.

IMPOSTOS E SERVIÇOS

Os impostos, no Brasil são altos, para 86,8% e os serviços públicos prestados, se comparados com a carga tributária brasileira, para 81,3%, são ruins/regulares.

VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE

Para 40,6% dos entrevistados, a cidade onde moram é pouco ou nada violenta; enquanto 33,0% a consideram violenta.

CORRUPÇÃO

69,4% entendem que a corrupção está aumentando no Brasil; para 21,8%, a corrupção continua como sempre esteve. Em setembro de 1998, esses índices eram, respectivamente, 56,0% e 32,0%.

UNIFICAÇÃO DAS POLÍCIAS

68,5% dos entrevistados são favoráveis à unificação das polícias militar e civil.

LAZER

Assistir TV é para 27,5% a principal fonte de lazer; para 12,2%, é viajar; para 7,9%, jogar futebol; para 7,1%, ouvir música; para 6,9%, ir à praia, e para 6,4%, dançar.

ASSOCIATIVISMO

A Pesquisa CNT Sensus quis saber se o brasileiro é ligado a algum tipo de associação (sindicato, partido político, ONG etc.): 82,5% responderam que não.

INTERNET
24,2% dos entrevistados têm computador e fazem uso da internet em casa e 14,3% em casa e no trabalho.
28,6% responderam, também, que pretendem adquirir um computador nos próximos 12 meses.

CONCLUSÃO

Com relação às intenções de voto para as eleições presidenciais, a ministra Dilma Roussef apresenta crescimento em todos os cenários, aparecendo em primeiro lugar pela primeira vez na pesquisa espontânea.

Na primeira lista estimulada para o primeiro turno a pré-candidata do PT cresce 6,1% em relação à pesquisa de novembro de 2009; e 5% na segunda lista.

Os resultados demonstram que o nome de Dilma Roussef vem crescendo na disputa e consolida-se como candidata competitiva.

A popularidade do presidente Lula e seu governo continua em alta, o que pode ser explicado, mais uma vez, como conseqüência dos bons números da economia, os resultados positivos das políticas sociais do governo e o alto índice de emprego.

Fonte CNT\SENSUS press-release

30/01/2010 - 12:06h É a dialética, Genoino

“Não sabemos [o que fazer]“, diz Genoino, pois presidente diz que PT de SP erra ao não repetir nomes, mas também quer que Ciro se candidate.

A Folha mal disfarça seu desconforto com uma eventual candidatura Ciro ao governo SP, apoiado na aliança PT-PSB-PDT-PCdoB. Insiste em destacar oposição do PT, ao objetivo proclamado de Lula de convencer Ciro a assumir esse desafio e entrar na disputa estadual, no principal colégio eleitoral do país.

Mas, como é rafirmado pelo próprio Genoino, “Não sabemos [o que seguir]. Mas tudo que fizermos será de acordo com ele [Lula], ele é o líder maior”, disse o deputado federal José Genoino (PT-SP).

As frases do início, aparentemente contraditórias, indicam às duas alternativas presentes na decisão que será tomada definitivamente em março. A candidatura Ciro depende da decisão final que o dirigente do PSB e seu partido tomarão sobre o pleito de 2010 e segundo Eduardo Campos, presidente da sigla socialista, o martelo será batido junto com o presidente Lula. Caso Ciro persista em sua candidatura ao planalto, o PT proporá que a aliança partidária no Estado seja mantida com um candidato petista. “Repetir o nome” para Lula, no caso é a candidatura Aloizio Mercadante, como informou dias atrás o próprio Painel da Folha.

Segundo o jornalista Roberto Fonseca, do JT, a chapa poderia ser constituída com Mercadante para governador e Skaf como vice, o que contaria com o apoio de Marta Suplicy, que reforçaria a campanha como candidata ao senado em dobradinha com Gabriel Chalita.

Os nomes de peso do PT não são tantos e seria uma aventura tentar construir um nome novo, mais ainda com motivações mesquinhas sobre carreiras futuras, visto o que está em jogo como projeto nacional nas eleições presidenciais de 2010.

Contrariamente ao que parece pensar a Folha, penso existir um amplíssimo consenso no PT sobre o fato de determinar sua postura a partir da necessidade de um sólido palanque para Dilma em São Paulo. Esta postura, claramente afirmada pelo presidente do PT-SP, Edinho, hoje é consenso entre a maioria das lideranças petistas.

Pode ser que alguns dirigentes, instados pela ansiedade própria e da mídia, desejem antecipar às decisões. Meu conselho é que façam como José Serra que vai pular o carnaval no Galo da madrugada, em Recife e também no Rio e Salvador.

Luis Favre

29/01/2010 - 14:53h Panorama daqui e acolá

de Brasília – Panorama Político – O GLOBO

Lula é o senhor

O PSB entregou a candidatura de Ciro Gomes nas mãos do presidente Lula. O PSB só terá candidato se for para ajudar Dilma Rousseff (PT). Mas o martelo não será batido antes de março. Depois de conversar com Ciro e Lula, o governador Eduardo Campos resume: “A coordenação é do presidente.

O PSB só terá candidato se Lula ajudar. O PSB sozinho não vai. Precisamos dê tempo na televisão e, para isso, ele tem que liberar alguns aliados

‘O caso eu conto, como o caso foi’

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, recebeu uma ligação ontem às 7h.

Era o presidente do DEM, Rodrigo Maia, exasperado: “O que esse Roberto Freire tá pensando? Vai tirar lasquinha por causa do mensalão de Brasília? Se é assim, a oposição não pode ter candidato. E o mensalão de Minas? E a (governadora) Yeda (Crusius)?”. Assustado, Kassab balbuciou: “Você tem razão. Vou resolver isso aí”. Freire levou um puxão de orelhas. Às 14h, a assessoria de imprensa do presidente do PPS ligou para a coluna: “O Roberto pediu para dizer que não está articulando pelo Itamar Franco. Ele está trabalhando pelo governador José Serra”. Então, fica combinado assim.

Leia a integra da coluna Panorama Político no jornal O Globo – ILIMAR FRANCO com Fernanda Krakovics, sucursais e correspondentes

E-mail para esta coluna: panoramapolitico@oglobo.com.br

28/01/2010 - 13:43h “Nada do que já estava combinado há oito meses com o presidente Lula mudará. Decisão sobre a candidatura de Ciro Gomes só em março, que é a data certa para isso”

“A oposição não vai saber o que vamos fazer. Está ansiosa para que indiquemos o que vamos fazer, mas não vai saber.” As declarações foram dadas ontem ao Estadão pelo governador de Pernambuco e presidente do PSB.
Subscrevo embaixo a ambas. LF

***

Ricardo Stuckert/PR

O presidente do PSB, Eduardo Campos, conversa com Lula em inauguração em Pernambuco


PSB resiste a pressão para tirar Ciro da luta

Em reunião com Lula, Campos reafirma que decisão só ocorrerá em março

João Domingos, Clarissa Oliveira, enviados especiais em Recife – O Estado SP

O PSB resistiu à pressão do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a decisão sobre a continuidade ou não da candidatura do deputado Ciro Gomes (CE) à Presidência somente será definida em março. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB, e Lula fizeram os acertos sobre a questão ainda antes do jantar marcado para o Palácio Campo das Princesas, exatamente para tratar da candidatura Ciro.

Como tudo foi combinado antes entre Lula e Campos, o jantar, que seria restrito, acabou ganhando número muito maior de convidados, a ponto de o cerimonial do governo de Pernambuco ter de reservar dois andares do palácio para abrigar tanta gente. Até ministros que não têm nada que ver com as negociações entre o PT e o PSB, como o do Meio Ambiente, Carlos Minc, apareceram para o jantar. Também estavam presentes a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Franklin Martins (Comunicação de Governo), secretários do governo de Pernambuco e familiares, além de dirigentes socialistas.

“Nada do que já estava combinado há oito meses com o presidente Lula mudará. Decisão sobre a candidatura de Ciro Gomes só em março, que é a data certa para isso”, disse Campos. “A oposição não vai saber o que vamos fazer. Está ansiosa para que indiquemos o que vamos fazer, mas não vai saber.”

SEM AMADORES

Lula e Campos passaram toda a parte da tarde juntos, em diversas solenidades. Tiveram tempo de conversar à vontade. De acordo com o governador, da decisão final participarão o PSB e Lula, além do próprio Ciro. “Esta não será uma decisão a ser tomada por amadores, ou pela imprensa. Será tomada pelo PSB, pelo presidente Lula e pelo deputado Ciro Gomes. É assim que as coisas são feitas”. O PSB tem se queixado da pressão do PT para que Ciro recue, principalmente por intermédio de declarações dos petistas aos meios de comunicação. Campos pediu a Lula que mande o PT calar a boca por enquanto.

Para o governador, a estratégia com Ciro candidato tem dado certo. “Quem primeiro lançou o nome de Ciro foi o presidente Lula. De lá para cá, as pesquisas indicam que, somadas as intenções de voto em nosso candidato e na ministra Dilma, do PT, temos maior número do que o outro candidato (José Serra), que tem visibilidade, disputou eleição presidencial, foi ministro, prefeito e é governador de São Paulo. Nossa estratégia está correta, porque nos interessa manter o projeto de mudanças iniciado pelo presidente Lula”, disse Campos.

Ele afirmou ainda que o fato de Ciro ter mantido a candidatura durante todo o ano de 2009 foi fundamental para os partidos da base aliada. “Se ele tivesse retirado seu nome, hoje muitas composições partidárias, formação de chapas, alianças, poderiam estar em outro rumo, porque teríamos a falsa ideia de que o candidato da oposição poderia ser imbatível”, analisou.

FATOR CHILE

Lula tem insistido em ter um nome só da base aliada para disputar a sucessão presidencial com base na experiência das eleições do Chile. Lá, dividida, a base de sustentação da presidente Michele Bachelet perdeu para o oposicionista Miguel Sebastián Piñera. Lula concordou em voltar a conversar com Campos em março, quando os dois viajarão para Salgueiro, no Sertão, onde vão inaugurar, nas palavras do presidente, “a maior fábrica de dormentes de concreto para linhas de trem de ferro do mundo”, e uma fábrica gigante de brita.

Lula acredita que a forma mais simples de os petistas e seus aliados vencerem a oposição será manter a disputa polarizada. “O presidente Lula acha que temos de ter uma disputa polarizada, uma candidatura única do conjunto da base porque está entendido que ele quer uma eleição do tipo “quem sou eu e quem és tu”", disse Alexandre Padilha.

COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

27/01/2010 - 22:05h Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto na primeira sinagoga das Américas, a Kahal zur Israel, fundada no século 17 em Recife (PE)

Secretaria de Imprensa / Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula participa de cerimônia de celebração do Dia Internacional da Recordação do Holocausto _(Recife, PE, 27/01/2010) _Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula participa de cerimônia de celebração do Dia Internacional da Recordação do Holocausto _(Recife, PE, 27/01/2010) _Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula participa de cerimônia de celebração do Dia Internacional da Recordação do Holocausto _(Recife, PE, 27/01/2010) _Foto: Ricardo Stuckert/PR

Nesta quarta-feira (27/1), a partir das 17h30, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou da celebração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto na primeira sinagoga das Américas, a Kahal zur Israel, fundada no século 17 em Recife (PE).
A cerimônia, organizada pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e pela Federação Israelita de Pernambuco (Fipe), reuniu cinco ministros e cerca de 500 pessoas na rua do Bom Jesus, onde está localizada a Sinagoga. A Conib é a entidade de representação e coordenação da comunidade judaica brasileira, que conta hoje com cerca de 120 mil pessoas, com instituições organizadas em 14 estados do País.
O presidente Lula participa da cerimônia pelo quinto ano consecutivo, na qual estiveram também presentes autoridades políticas, sociais e religiosas, de diferentes tendências. Segundo a Conib, também participaram do evento alguns sobreviventes do Holocausto, que moram hoje no Recife.
Pararelamente à cerimônia, foram inauguradas duas exposições internacionais: “Desenhos das Crianças de Terezín” e “Anne Frank – Uma História para Hoje”, que fazem parte do projeto “Paralelos”. O projeto foi idealizado por Germano Haiut, ator pernambucano de origem judaica, e visa a difundir a cultura da paz e uma nova forma de conviver com as diferenças. As exposições permanecerão no Recife até o mês de março e integram a primeira fase do projeto, cuja segunda fase terá mostra de filmes e ciclo de palestras.
Em 2005, a ONU instituiu o Dia Internacional em Memória das vítimas do Holocausto como uma homenagem à data em que tropas soviéticas libertaram o campo de extermínio de Auschwitz, Polônia, no ano de 1945.

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27/01/2010 - 13:56h Lula, Dilma e Ciro

FERNANDO RODRIGUES – FOLHA SP

BRASÍLIA – O planejamento eleitoral do PT está em grande parte atrelado à decisão de Ciro Gomes de ser ou não ser candidato a presidente. Lula tem hoje um jantar com Eduardo Campos, presidente do PSB, o mesmo partido de Ciro.
Deu-se um fato curioso nas últimas semanas. Enquanto os outros três candidatos a presidente -o tucano José Serra, a petista Dilma Rousseff e a verde Marina Silva- fizeram o que foi possível para aparecer, Ciro Gomes sumiu do mundo político. Em férias na Europa, não conversou com quase ninguém desde o final do ano passado.
Essa saída de cena permite pelo menos duas interpretações, não excludentes entre si. Primeiro, que Ciro tem um temperamento despojado e foi cuidar da vida. Tirou férias da política. Segundo, que o deputado federal pelo Ceará não tem tanto apego assim pelo projeto de ser candidato a presidente.
É impossível afirmar com precisão científica, mas a ausência de Ciro coincide com uma atrofia dos seus percentuais nas pesquisas de opinião. Antes, estava empatado com Dilma Rousseff em segundo lugar. Agora, a petista descolou. Ciro caiu para o pelotão de trás, esbarrando na quarta colocada, Marina Silva. Ainda falta muito para a eleição de outubro, mas ficar atrás nas sondagens eleitorais nunca resulta numa sensação agradável.
Hoje à noite, Lula repetirá para Eduardo Campos a tese da eleição plebiscitária. Sugerirá novamente a saída de Ciro Gomes do cenário nacional em troca de uma possível candidatura ao governo paulista.
Embora o destino de Ciro possa não ser selado no jantar de logo mais, já está clara qual será a única possibilidade de sua candidatura presidencial ser mantida sem se indispor com o Palácio do Planalto: viabilizando-se nas pesquisas, empatando ou passando Dilma. Não é algo impossível, mas parece ser improvável a esta altura.

fernando.rodrigues@grupofolha.com.br

27/01/2010 - 10:39h Lula é recebido como herói no Fórum Social Mundial

Valor Econômico

PORTO ALEGRE – Ao contrário de 2005, quando chegou a ser vaiado por participantes do Fórum Social Mundial (FSM) em Porto Alegre, ontem à noite o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido como herói pelos participantes do evento que reúne representantes de movimentos sociais e organizações de esquerda de vários países. No palco dividido apenas com um dos coordenadores do evento, Cândido Grzybowski, o presidente nacional da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, e a feminista uruguaia Lilian Celiberti, teve espaço para exercitar o espírito de ” estadista global ” – prêmio que receberá sexta-feira em Davos – e ao mesmo tempo turbinar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sua própria sucessão.

Embora o FSM 2011 esteja programado para Dacar, Lula afirmou que irá ao evento como ex-presidente e que em seu lugar estará ” uma pessoa com o mesmo compromisso e talvez com mais capacidade para anunciar ao país as coisas que têm que ser feitas daqui para a frente ” . Durante o discurso que durou quase 50 minutos, ele chegou a referir-se à ministra como ” Dilminha ” para perguntar quanto o país terá de investir para atingir as metas de redução de emissões propostas na conferência sobre mudanças climáticas da ONU em Copenhague.

Em resposta a uma pergunta de Grzybowski sobre o que o Brasil faria para evitar a ” ocupação militar ” do Haiti pelos Estados Unidos, Lula cobrou dos organizadores do FSM que o evento deve tirar a ” decisão ” de dedicar ” um ano de solidariedade ” às vítimas do terremoto.

Pela manhã, um debate sobre conjuntura econômica reuniu o economista Paul Singer, secretário nacional de economia solidária do Ministério do Trabalho, o geógrafo britânico David Harvey, professor da City University, de Nova York, e a cientista política Susan George, presidente honorária da Associação para a Taxação das Transações Financeiras (Attac) na França.

Autor do livro ” A condição pós-moderna ” , no qual aborda as formas de acumulação de capital e as práticas culturais da chamada ” pós-modernidade ” , Harvey disse que o crescimento da economia a uma taxa mínima exigida de 3% ao ano gera uma situação ” fictícia ” em que o capital em circulação supera em muito o valor dos ativos reais. O estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos em 2007 foi só um exemplo.

O problema, de acordo com ele, é que depois da explosão da crise financeira global a sociedade americana está tentando reconstruir essa ” ficção ” , que está sendo ” replicada ” na China. ” Em pouco tempo a bolha vai estourar de novo ” , disse o professor, que calcula em US$ 3 trilhões a necessidade anual de investimentos mundiais, em 2030, para se manter o ritmo de crescimento de 3% ao ano. Segundo ele, essas perspectivas exigem a transição para uma economia não capitalista, sem os erros das experiências malsucedidas do socialismo real.

Para Susan, da Attac, além de novas crises financeiras, a humanidade está prestes a enfrentar catástrofes ambientais com conflitos por água e alimentos e a geração de milhões de ” refugiados ecológicos ” pelo planeta. Ela acredita que o mundo está chegando a um ponto de degradação ambiental do qual não haverá retorno.

Uma saída, conforme a cientista social, é substituir o ” círculo financeiro ” pelo ambiental como mais importante na organização da sociedade. Os bancos, por exemplo, devem ser obrigados pelos governos a investir em tecnologias verdes, energias não poluentes e na produção de mais alimentos pela agricultura ecológica: ” Dinheiro não é problema; o problema é a política. ”

Na opinião do economista Paul Singer, porém, apesar das ” angústias ambientais ” de longo prazo, no curto prazo a economia precisa crescer para enfrentar os problemas sociais, reduzir o desemprego e fortalecer os sindicatos. ” Identificar o crescimento com a degradação é um erro porque é possível crescer, e muito, até recuperando o meio ambiente ” , afirmou.

Singer deu ênfase à economia solidária como alternativa de geração de renda por meio de associações e cooperativas de trabalhadores: ” A economia solidária não tem limites; pode produzir de tomates a aviões desde que haja organização. ”

De acordo com ele, a Secretaria Nacional de Economia Solidária deve concluir em abril um novo censo do setor no país. Ele acredita em um crescimento de 40% a 50% em relação aos números apurados em 2007, quando o último levantamento – feito em 51% dos municípios brasileiros – apontou que esses empreendimentos geraram uma receita bruta de R$ 8 bilhões para 1,7 milhão de pessoas. Neste ano a pesquisa também deverá ser mais abrangente, alcançando de 60% a 70% das cidades do país.

(Sérgio Bueno | Valor)

26/01/2010 - 09:23h PAC, PAC, PAC (2)

G1 – Portal Globo

(…)

“Precisamos, governo federal, estadual e municipal, não só com relação a São Paulo, mas com relação às regiões metropolitanas desse país, sentar e tentar encontrar uma alternativa definitiva para resolver o problema das enchentes, da saúde, dos transportes e da segurança. Não é culpa do prefeito, do governador ou do presidente individualmente (…) Pode ser prefeito do PT, do PSDB, do DEM: todo ano vai ter enchente em São Paulo se a gente não tomar uma atitude.”

Lula, que recebeu de Kassab a Medalha 25 de janeiro, convidou o prefeito a participar da solenidade de lançamento da segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em março, e disse que gostaria de “assumir um compromisso para dar um presente” à cidade.

“Gostaria que o prefeito de São Paulo estivesse presente pra gente definir quais as coisas prioritárias para a cidade de São Paulo”, disse.

Em seu discurso, o presidente relatou sua mudança para a cidade, em 1956, e as situações que já enfrentou na capital devido às enchentes.

“Aqui, fui morar na Vila Carioca, na rua Ouro Verde, número 1156. Dava enchente todo final de ano, não é de hoje que dá enchente. (…) Depois, me mudei para outro lugar pra me livrar da enchente, para a Ponte Preta. A casa era novinha, cheirava a tinta. Isso, no mês de julho. Nos meses de dezembro a janeiro teve três enchentes de entrar um metro e meio de água.”

Kassab culpa clima pelas enchentes

O comentário de Lula sobre as enchentes foi feito após o prefeito Gilberto Kassab, em seu discurso, homenagear os servidores municipais que trabalham no combate às enchentes, aos quais ele chamou de “protagonistas anônimos”.

“Estamos vivendo hoje um desequilíbrio climático que expõe as vísceras dos nossos problemas de infraestrutura, trânsito e transporte com reflexos sociais e econômicos desastrosos. Não nos entregamos, lutaremos e venceremos. Não adianta acusar o passado, mas enfrentar o presente. Soluções complexas levam tempo e temos a consciência de estarmos realizando o possível”, disse Kassab.

O prefeito lembrou que muitas ações administrativas estão sendo realizadas no combate a enchentes. Segundo ele, esse trabalho não é noticiado pela mídia. Em seguida, quando questionado por jornalistas sobre a inclusão de São Paulo no novo PAC como beneficiária de recursos, o democrata afirmou que atualmente o município já recebe verbas para os trabalhos de combate aos efeitos das chuvas dos governos federal e estadual.

“É muito feliz a oportunidade de o presidente ratificar seu compromisso ao dizer que neste novo PAC estará incluída a continuidade das ações que existem em São Paulo”, afirmou.

(…)

Sob chuva, presidente critica Cesar Maia
Temporal prejudicou inauguração do PAC

Cássio Bruno – O GLOBO

Em um discurso de apenas dois minutos e meio devido a forte chuva que caiu ontem no Rio, o presidente Lula criticou o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), sem citá-lo nominalmente, durante inauguração da primeira etapa das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.

Segundo Lula, o projeto, que beneficiará cerca de 20 mil moradores em oito comunidades carentes, já deveria estar concluído.

— Isso poderia estar mais adiantado se o prefeito anterior não tivesse guardado o dinheiro (do governo federal). Penso que é sagrada essa parceria que nós estamos construindo com Sérgio Cabral e com Eduardo Paes. Aqui no Rio não tem mais intriga, com briga pequena, porque, quando dois políticos brigam, quem perde é o povo — disse Lula referindose a Cesar, pré-candidato ao Senado e adversário de Cabral.

Ao lado de Dilma Rousseff, Lula afirmou que as obras ficarão prontas até o fim do ano.

Ele lembrou que Dilma e Cabral já não estarão presentes por causa da campanha: — Talvez o Cabral não possa vir porque estará em campanha.

Talvez a Dilma não possa vir porque também estará em campanha. Mas nós, Bittar (secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar), vamos inaugurar.

Por causa do temporal, o evento durou apenas 20 minutos.

Participaram os ministros Márcio Fortes (Cidades), Edson Santos (Igualdade Racial) e Franklin Martins (Comunicação Social). Os investimentos na Colônia Juliano Moreira serão de R$ 142 milhões — R$ 122 milhões da União e R$ 20 milhões da prefeitura. Na comunidade Entre Rios, onde Lula e Dilma inauguraram obras de infraestrutura e uma creche para 150 crianças, foram R$ 17 milhões.

(…)

26/01/2010 - 08:23h PAC, PAC, PAC

Toda Mídia – FOLHA SP

NELSON DE SÁ – nelsonsa@uol.com.br

(…)

PAC, PAC, PAC
Nos sites e portais, o prefeito Gilberto Kassab pregou medalhas em Lula e José Serra, dizendo que simbolizam povos que construíram a cidade, o nordestino e o italiano. Mas o presidente tomou o palanque e, na chamada da Folha Online, “Lula avalia verba do PAC para enchente”. No G1, “Lula promete recursos do novo PAC para obras contra as enchentes em São Paulo”.
E Lula ainda participaria de dois eventos voltados ao PAC, ontem no Rio _onde, como deu a Band e ecoaram Josias de Souza na Folha Online e Fernando Rodrigues no UOL, “Dilma alcança Serra”, no Vox Populi.


Leia a integra da coluna Toda Mídia na Folha SP
@ – Nelson de Sá

Leia mais, pela manhã, em www.todamidia.folha.blog.uol.com.br

24/01/2010 - 13:02h Confiança do consumidor se confunde com prestígio de Lula

José Roberto de Toledo* – O Estado SP

“É o consumo, estúpido!” Essa parece ser a tradução, para o Brasil de 2010, da famosa frase do estrategista de campanha de Bill Clinton sobre o que define uma eleição: “The economy, stupid.” Naquele ano de 1992, o candidato democrata foi eleito presidente graças à recessão em que os republicanos haviam metido os EUA. E James Carville entrou para a história como o marqueteiro que enxergou o ponto fraco do governo Bush (pai) e soube explorá-lo.

A frase virou moda no Brasil porque a economia definiu todas as eleições presidenciais desde então. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso elegeu-se por ser identificado como o pai do Plano Real e do fim da inflação. Em 1998, reelegeu-se na esteira da crise econômica mundial e da “ameaça” que a vitória de Lula representaria à estabilização da economia. Em 2002, desemprego e inflação em alta atrapalharam os tucanos e ajudaram o petista. Em 2006, a inclusão de milhões de pessoas no universo do consumo, graças a programas como Bolsa-Família, asseguraram o segundo mandato de Lula. E em 2010?

O ano da sucessão começa com a aprovação recorde do governo federal (72% de ótimo/bom) e pode terminar, se as previsões se confirmarem, com um crescimento entre 5,5% e 6,1% da economia do País. Mais: o consumo do setor privado, que vem aumentando a uma taxa anual média próxima a 5% desde 2004, deve se elevar ainda mais, e crescer 6,6%, segundo a MCM Consultores.

Popularidade e consumo em alta estão diretamente ligados. A comparação das séries históricas da taxa de aprovação do governo com a do Índice Nacional de Confiança (do consumidor) mostra um alto coeficiente de correlação entre eles: quando os consumidores estão confiantes, a popularidade de Lula cresce, e vice-versa.

Uma hipótese para explicar a oscilação combinada dessas duas variáveis é a ascensão social de nada menos do que 13% da população brasileira às classes econômicas A, B e C durante os seis primeiros anos do governo Lula. São 30 milhões de novos remediados. Essa história começa antes, na gestão tucana, mas quem faturou o resultado foi o petista.

Quando virou ministro da Fazenda, FHC encontrou uma sociedade em que apenas 37% dos brasileiros pertenciam às classes média e alta. Nos dois anos seguintes, o controle da inflação sozinho fez esse porcentual crescer para 45%. O problema é que, nos sete anos que vieram depois, a ascensão social perdeu impulso. Fernando Henrique entregou o governo com 47% de brasileiros nas classes A, B e C.

Após ratear no primeiro ano do governo Lula, a inclusão de mais pessoas ao rol dos consumidores não parou mais de crescer, batendo em 60% em 2008, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (com dados da PNAD, do IBGE). E, nos pisos inferiores da pirâmide, o elevador também funcionou: a classe E foi reduzida quase à metade, de 27% em 2002, para 16% em 2008. Isto é: muitos daqueles que não chegaram à classe média ao menos conseguiram recuar uma letra no alfabeto do consumo e pular da E para a D (que oscilou de 26% para 24% da população). São os pobres que ficaram menos pobres.

É bom que se diga: classe econômica, no caso, é sinônimo de classe de consumo. Nada a ver com nível educacional, por exemplo. Ou seja, a ascensão descrita acima se deve à maior capacidade de compra, seja pelo aumento real do salário mínimo, seja pelos programas de distribuição de renda, seja pelo acesso ao crédito, seja pela redução temporária de impostos sobre bens de consumo duráveis, como automóveis e eletrodomésticos.

Na imagem criada pelo filósofo Marcos Nobre, o governo Lula ampliou o diâmetro do círculo da inclusão traçado no governo FHC, mas ainda deixou muita gente de fora, 4 em cada 10 brasileiros. Como explicar então a adesão de tantos excluídos ao lulismo? Pela perspectiva, real ou não, de passar para dentro do círculo. Quando apenas um vizinho seu melhora de vida, você pode sentir admiração ou inveja. Mas quando se dá conta que muitos vizinhos estão melhorando, você passa a sentir esperança de ser o próximo a se dar bem.

A perspectiva de mobilidade pode explicar por que tantas pessoas que ainda estão nas classes D e E apoiem o governo Lula. Otimistas, estão consumindo mais, sem se preocupar com a prestação que terão de pagar depois, pois o futuro promete ser melhor do que o presente. Entre janeiro e setembro de 2009, as compras de bens não-duráveis da classe D/E foram 17% maiores do que em 2008. Pães, iogurte, desodorante, água sanitária, detergente, entre outros produtos, lotaram suas cestas.

Esse otimismo é persistente, como demonstram os vários índices de confiança do consumidor divulgados em dezembro. O INC, um índice nacional elaborado mensalmente pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo, fechou 2009 com 146 pontos, numa escala que varia de 0 a 200. Acima de 100, é sinal de confiança. A marca de dezembro é recorde, superando em um ponto a de dezembro de 2008, antes da crise financeira mundial.

É sintomático que os consumidores mais confiantes sejam os emergentes da classe C. Entre eles o índice chegou a 156 pontos, mantendo-se à frente dos das classes A/B (142 pontos) e D/E (136 pontos). Muitos deles trocaram de geladeira e compraram um carro novo. Todas as classes de consumo demonstram desejo de consumir ainda mais em 2010 do que já consumiram em 2009.

Somem-se a esse otimismo os dados frios da economia: população ocupada aumentando, taxa de desemprego caindo, renda subindo, juros em queda e inflação sob controle. Todos são fatores que, aliados à popularização do crédito, estimulam o consumo e, com ele, a inadimplência: ela já atinge 20% dos consumidores paulistanos. Mas não há sinais de que haja uma bolha prestes a estourar antes das eleições.

O mais provável é que a febre consumista continue mantendo aquecida a popularidade do presidente. Não seria surpresa se ela aumentasse ainda mais ao longo de 2010. A disputa será, então, pelo imaginário desse eleitor-consumidor. O presidenciável que demonstrar maior capacidade de manter os carrinhos de supermercado cheios, os impostos sobre bens duráveis reduzidos e a perspectiva de mover mais gente para dentro do círculo de inclusão deverá ser eleito o sucessor de Lula.

*José Roberto de Toledo é jornalista especializado em reportagens com uso de estatísticas e coordenador da Abraji

Consumo_popularidade

22/01/2010 - 14:31h Palocci desiste de SP e deve ir para a coordenação de Dilma

Ex-ministro atuará na campanha, mas Dutra fará a negociação das alianças

Decisão de não disputar o governo foi tomada após conversas com Lula e com a ministra; se Ciro ficar fora, aumenta chance de Marta

Contrariamente a afirmação do artigo da Folha, não tem quase ninguém no PT de São Paulo que se oponha a uma aliança com a candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual. Por enquanto o PT aguarda uma decisão de Ciro. Caso ele persista na sua legitima candidatura à presidente, a aliança deverá ser acionada para escolher um nome, que pelo peso das candidaturas cogitadas, poderá ser do PT. Hoje os nomes do PT-SP com maior densidade eleitoral são Aloizio Mercadante, Eduardo Suplicy e Marta. LF

RENATA LO PRETE EDITORA DO PAINEL- FOLHA SP

Mencionado durante meses como opção de consenso no PT de São Paulo, Antonio Palocci está fora da lista de pré-candidatos do partido ao Palácio dos Bandeirantes e deverá coordenar a campanha de Dilma Rousseff ao Planalto.
Não obstante o sinal verde recebido do STF (Supremo Tribunal Federal) em agosto passado, quando o tribunal arquivou o caso da violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa, o ex-ministro da Fazenda tem procurado amigos para manifestar a intenção de aceitar o convite feito pelo presidente Lula nos últimos dias de 2009 e repetido pela própria pré-candidata no início de janeiro.
Nessas conversas, Palocci conta ter combinado com Lula e Dilma que seu trabalho se dará em várias frentes, mas que a coordenação política -especialmente a negociação institucional com partidos aliados- ficará a cargo do presidente do PT, José Eduardo Dutra.
Outra preocupação do ex-ministro é frisar que não haverá confronto com Fernando Pimentel. Palocci é mais próximo de Lula. O ex-prefeito de Belo Horizonte, de Dilma. Se Pimentel não for candidato ao governo de Minas, é provável que também assuma tarefas no comando da campanha.
Além do desejo real de que Palocci coordene a campanha de Dilma, o convite resulta de um plano que Lula ainda não abandonou: convencer Ciro Gomes (PSB) a se retirar da disputa nacional, candidatando-se ao governo de São Paulo em aliança com o PT. O projeto foi mencionado pelo presidente na primeira reunião ministerial de 2010 (leia texto na página A8).
Ciro, que em público reitera a decisão de concorrer à Presidência, em privado se mostra mais maleável aos desígnios de Lula. No PT paulista, porém, a resistência a Ciro só fez aumentar desde setembro, quando o deputado trocou seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo a pedido do presidente.
Embora a maioria dos petistas ainda diga que, se Lula mandar, o partido terá de obedecer, dissemina-se a percepção de que haverá um candidato do PT, e que, com a retirada de Palocci, restam três nomes: Marta Suplicy, Aloizio Mercadante e Emidio de Souza.
O prefeito de Osasco tem boa aceitação no partido, mas dificilmente prevalecerá -ou mesmo deixará o cargo para se aventurar numa prévia. Mercadante tem sido cogitado para a missão, mas continua a dizer que não pretende abrir mão de tentar a reeleição ao Senado.
Tudo somado, não é improvável que a longa busca do PT por um candidato em São Paulo termine na ex-prefeita.

21/01/2010 - 10:56h Lula ‘estadista global’: “Esse prêmio mostra a estima que o mundo tem por Lula e por suas políticas de sucesso. Ele está comprometido com todas as áreas sociais e é um exemplo de liderança”, disse presidente do Fórum de Davos

Lula_caricaturaLula vai receber este ano prêmio inédito em Davos


Presidente será reconhecido como ‘estadista global’ pelo evento, criticado por ele no passado

Jamil Chade, correspondente em Genebra – O Estado SP

Em sua última participação como presidente brasileiro no Fórum Econômico Mundial de Davos, Luiz Inácio Lula da Silva receberá o prêmio de “estadista global”. Lula tem sido um dos mais assíduos frequentadores do evento que reúne a elite capitalista mundial, apesar de muitos, entre os quais o seu fundador, Klaus Schwab, ainda se lembrarem de suas críticas ao evento no passado. Neste ano, Davos ainda dedica uma reunião para debater “o futuro do Brasil”. “As pessoas falam muito da China. Mas tenho muito confiança no Brasil”, disse Schwab ao Estado. Já a administração Obama esnobou neste ano o evento e praticamente não estará presente.

O fórum será realizado a partir de 27 de janeiro, na luxuosa estação de esqui de Davos, nos Alpes. Será a primeira vez que o prêmio será dado pela organização, mas a forma de escolha do vencedor não foi esclarecida pela entidade. Schwab disse que a escolha de Lula foi baseada numa pesquisa com empresários e líderes ligados ao fórum. Já fontes do fórum admitem que não houve uma regra clara sobre a escolha.

“Esse prêmio mostra a estima que o mundo tem por Lula e por suas políticas de sucesso. Ele está comprometido com todas as áreas sociais e é um exemplo de liderança”, diz Schwab. O prêmio inédito será entregue pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, no dia 29.

Neste ano, além de Lula, o fórum terá a presença do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e dos chefes de governo da Espanha, Canadá, África do Sul, Senegal, Colômbia, México, Grécia e Israel. Já a administração de Barack Obama vem rejeitando uma aproximação do fórum e praticamente nenhum representante do presidente americano irá à Suíça.

Poucos dias depois de assumir a presidência em 2003, Lula deixou parte do PT irritada ao anunciar que iria ao Fórum Econômico na Suíça. Naquele ano, foi também ao Fórum Social Mundial. Segundo Lula, sua ida a Davos era “para mostrar que outro mundo é possível” – usando o próprio slogan do Fórum Social.

Lula se tornou uma das estrelas de Davos e uma das provas de que o evento estava disposto a ouvir os representantes do Sul. Afinal, o brasileiro representaria um país emergente, com um discurso duro, social, mas não considerado extremista nem inconveniente como o de Hugo Chávez, Evo Morales e outros. Seu presidente do Banco Central era ex-presidente do BankBoston e o ex-ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, era um grande exportador.

Neste ano, Schwab quer dar um lugar de honra a Lula. “Eu conheci Lula 20 anos antes de ele ser presidente e já me diziam que ele seria o líder do País”, afirmou o fundador de Davos. Além do prêmio, o Brasil terá uma sessão inteira dedicada ao futuro do País, com a participação de empresários e de Meirelles.

“O Brasil será a quinta maior economia do mundo até 2020″, disse Schwab. Questionado sobre os desafios do Brasil nos próximos quatro anos, Schwab se recusou a responder. “Acho melhor deixar isso para Lula.”

19/01/2010 - 10:55h Serra e Piñera: tudo a ver ou só o que convém aos tucanos?

“Vizinhança. Tucanos de diferentes plumagens não esconderam a empolgação com a vitória do empresário Sebastián Piñera, da coalizão de centro-direita no Chile, contra o candidato apoiado pela socialista Michele Bachelet.

Ângulos. O discurso que correu ontem entre tucanos é que, assim como Bachelet, Lula encerrará o governo com alto índice de popularidade. A chilena, dizem, não conseguiu transferir votos porque seu candidato, o senador Eduardo Frei, tinha perfil distinto do dela. E a tese é que isso se aplicaria a Dilma Rousseff.

Bula. Já petistas usaram a divergência entre apoiadores de Bachelet, que terminou com a candidatura “independente” de Marco Enríquez-Ominami (terceiro colocado) para alfinetar Ciro Gomes (PSB): “É um exemplo que não deve ser seguido no Brasil. Ciro não deve ser candidato, embora Bachelet apoiar Frei equivale a Lula apoiar FHC”, diz André Vargas (PR).”

Painel da FOLHA SP

Contrariamente às recentes eleições no Uruguai, onde o presidente “bem avaliado” ajudou a eleger o candidato da sua Frente Ampla, às eleições no Chile motivaram inúmeros paralelos com o pleito brasileiro de 2010. Paralelos com Chile e não com Uruguai são evidentemente politicamente interesseiros.

Os dois exemplos vizinhos, porém, deixariam a mesma lição para o que é o foco desse debate: Presidente bem avaliado pode fazer seu sucessor (Uruguai), mas não garante vitória do candidato do seu próprio campo (Chile). Profundo pensamento analítico!

E daí?

A verdadeira questão é outra. Para ganhar no Chile a direita teve que esconder seu programa de direita, calar seus ataques à presidenta “bem avaliada” e se travestir em opção política semelhante, contra um candidato -ex-presidente desgastado- de partido distinto de Bachelet. Uma verdadeira negação da democracia que sonega aos eleitores a realidade da escolha, provocando desilusão no sistema democrático e debilitando suas instituições.

Pois bem, esse é o caminho que José Serra e seus apoiadores pretendem percorrer para tentar ganhar às eleições: ludibriar os eleitores, procurando que eles esqueçam a feroz oposição feita a Lula, ao seu governo, a seus programas e a suas propostas.

Mas para ter êxito na operação de enganar a “patuléia”, não basta articulistas influentes, marqueteiros criativos e dinheiro aos montes. O pré-requisito é que seja plausível.

É o ponto de partida necessário…

Por isso a insistência de alguns no passado de esquerda de Serra, na sua divergência com Malan de FHC (os mesmos que atribuem o êxito de Lula ao seu suposto afastamento da esquerda e ter continuado a política de Malan). Eis porque Serra nada diz sobre os rumos do país, sobre os programas sociais, sobre o PAC etc.

… porem, insuficiente.

O candidato do PSDB não é uma novidade e sua trajetória conhecida é a de ministro de FHC durante 8 anos e seu candidato contra Lula em 2002. Claramente identificado com seu partido e o eixo DEM-PSDB, virulento opositor ao governo Lula e marcado pelas privatizações, a sumição ao FMI, o endividamento do Brasil, o aumento da carga tributária e o desemprego. Tudo muito recente para ser facilmente esquecido pela mágica do espaço eleitoral gratuito, mais ainda que seu adversária disporá dele mais amplamente.

LF

PS Para saber se Lula transfere sua popularidade para Dilma basta observar às pesquisas. Às mesmas que indicam o favoritismo hoje de José Serra, mostram que Dilma passou de 3% para 20%. Alguém dúvida que seu crescimento guarde relação com a boa avaliação que a população faz do Lula e do seu governo e do fato que Dilma é… a candidata do Lula e do PT.

19/01/2010 - 10:34h Planalto rejeita paralelo entre a eleição no Chile e candidatura de Dilma

Sergio Leo e Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

Uma “relação privilegiada” com o Brasil foi o desejo manifestado pelo presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, na conversa com o Luiz Inácio Lula da Silva em novembro, em Brasília. Na campanha eleitoral, Piñera elogiou o governo brasileiro, anunciou o apoio à candidatura do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e definiu Lula como “modelo de liderança”. Passada a eleição, porém, o governo brasileiro confessa não ter ideia ainda do que esperar do novo líder chileno.

Segundo um dos principais assessores de Lula, espera-se uma relacão “fluida” com o futuro governo chileno. Segundo um experiente diplomata, não é certo que Piñera adote uma política de confronto com os líderes mais à esquerda na região, como o venezuelano Hugo Chávez. Para o especialista, o Chile poderá retornar à antiga atitude de isolamento em relação à vizinhança e prioridade para a região da Ásia e do Pacífico, com quem o governo de Michelle Bachelet já estreitou laços comerciais.

A saída de Bachelet representa para Brasília a perda de um aliado na tentativa de estruturar a Unasul (União das Nações da América do Sul), com um Conselho de Defesa e um de combate ao narcotráfico. Bachelet, moderada de esquerda, foi acionada e assumiu a presidência da Unasul quando a crise entre Colômbia e Equador impediu a transmissão da presidência dos colombianos aos equatorianos. Com Piñera, claramente identificado com o grupo mais à direita dos governos sul-americanos, elimina-se uma opção moderada de esquerda nas discussões regionais.

Do ponto de vista comercial não se preveem mudanças, já que as negociações internacionais nesse campo estão paradas, e também porque o Chile sob o governo da Concertación já se alinhava com as posições mais liberais em matéria de comércio. O país tem acordo de livre comércio até com a China.

Assessores próximos a Lula rejeitam a comparação entre a campanha eleitoral brasileira e o que houve no Chile, onde uma presidente popular (com aprovação de 80%) foi incapaz de eleger o sucessor, como Lula tenta fazer com a ministra Dilma Rousseff.

Segundo eles, Bachelet, dentro da tradição chilena, não fez campanha aberta pelo seu candidato, Eduardo Frei, e só se manifestou a favor dele na reta final da campanha, o que foi mal recebido por parte da opinião pública. Além disso, a candidatura Frei, um democrata-cristão, sofreu com a divisão nas esquerdas. Parte do eleitorado de esquerda não votou nele.

A longa permanência da coalizão no poder, 20 anos, foi outro fator de desgaste. Além disso, segundo uma autoridade brasileira que conhece os assuntos chilenos, não havia, na gestão de Bachelet, uma identificação do governo com a melhoria de condição de vida das camadas mais pobres da população como existe no Brasil com os programas sociais, o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo.

Ainda assim, políticos brasileiros fizeram essa leitura ontem. O secretário-geral do PSB, senador Renato Casagrande (ES), cujo partido tenta viabilizar a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência, avalia que o resultado no Chile deve servir de alerta às lideranças políticas do Brasil. Ele acha que a transferência de votos não é automática e que o eleitor é movido pela expectativa do que vai conquistar e não pelas conquistas passadas. “Uma lição que podemos tirar é que um candidato tem que ofertar para a população brasileira o futuro, não o passado.”

O presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, deu outra explicação para a dificuldade de transferência de votos de Bachelet a Frei. Para ele, o fato de Frei ter presidido o Chile e deixado o cargo com baixa aprovação, constituiu “fator inibidor”. “A transferência de voto não é automática em situação alguma, mas fica ainda mais complicada quando o candidato já foi presidente da República”, diz.

19/01/2010 - 10:07h Professor inglês aconselha Serra a aceitar plebiscito em 2010 e vê, neste momento, vantagem para Dilma

http://oglobo.globo.com/fotos/2009/12/21/21_MHG_pais_dilma_lula_alencar.jpg http://www.psdb-sp.org.br/sis/fl/imagem/fhc_serra_geraldo1.jpg

PSDB não deve temer plebiscito, diz professor

FLÁVIA MARREIRO da Folha de S.Paulo

Ante a popularidade do governo Lula e a estratégia polarizadora desenhada para catapultar Dilma Roussef, o PSDB deve apostar na personalização: dizer ao eleitor que o “sim” no plebiscito proposto pelo governo petista não significará a segurança de mais uma gestão do atual presidente, mas uma aventura dirigida por sua escolhida sem experiência eleitoral. Em outras palavras, os tucanos devem martelar que não há lulismo sem Lula.

A análise é do brasilianista Timothy Power, diretor do Centro de Estudos Latino-americano de Oxford (Reino Unido). “O PSDB tem de tocar na incoerência dessa ideia de plebiscito. O ’sim’ seria continuidade de uma maneira muito abstrata sem Lula. Não seria a continuidade de Lula”, diz ele.

Power estudou a transição brasileira para o regime democrático e agora segue de perto os consensos gerados por PSDB e PT desde 1995, que permitiram construir o que ele chama de “social democracia pragmática brasileira”.

Além de discutir o cenário eleitoral de outubro, o brasilianista defende, na entrevista abaixo, que o aumento da formalização do trabalho no Brasil é uma “revolução silenciosa” –aliada ao aumento real do mínimo, é o que leva o país a reduzir a desigualdade e, finalmente, entregar a uma parte maior da população as conquistas trabalhísticas getulistas e da Constituição de 1988.

FOLHA – Que cenário prevê para as eleições de 2010?
TIMOTHY POWER – Vai ser uma eleição apertada, mais apertada do que as duas últimas, quando Lula venceu com 61%. Mesmo com a inexperiência eleitoral da Dilma Rousseff, há uma série de características a seu favor: a economia vai bem. As pesquisas mostram que os brasileiros pensam que 2010 vai ser melhor que 2009. Esse otimismo e o desempenho do governo Lula são importantes. Eu daria vantagem para a Dilma, neste momento.Temos de ver como ela vai se sair na televisão, o que atualmente é uma incógnita. Mas os fatores estruturais são muito positivos para ela, para qualquer candidato do governo.

FOLHA – Em um artigo seu, o sr. apresenta a era FHC-LULA como um bloco só na construção da social-democracia pragmática brasileira. Mas, ao que parece, o eleitor não tem essa percepção. Dito isso, qual deve ser a estratégia do PSDB?
POWER – Os avanços dos dois governos de FHC nunca foram bem explicitados pelo próprio PSDB. O partido não soube vender os avanços eleitoralmente. Isso foi um grande defeito do Alckmin e também de Serra, em 2002. Vou dar um exemplo trivial: a telefonia celular. A expansão da telefonia só foi possível com a privatização do sistema nacional, em 1995. Mas o PSDB nunca tentou faturar com essa avanço. Se o Serra tivesse sido um candidato populista, ele teria ido à televisão com um celular na mão: ‘Esse é o celular de Fernando Henrique, foi ele que te deu’.

Em segundo lugar, as reformas dos tucanos nos anos 90 foram muito mais estruturais e macroeconômicas. Mas as reformas de Lula tiveram muito mais impacto direto no bolso do cidadão. O aumento do salário mínimo foi positivo no governo FHC, mas foi mais acentuado no governo Lula, da mesma maneira o Bolsa Família. Então, nas questões que afetam o bolso, é óbvio que o governo Lula teve muito mais impacto direto. Recentemente, vi uma pesquisa na qual as pessoas foram perguntadas: qual o melhor governo FHC ou Lula? E foi estrondosa a vitória: 74% disseram que foi Lula, e só 16% disseram que foi FHC. A Dilma está lendo essas pesquisas também e por isso ela propõe uma eleição plebiscitária.

O caminho do PSDB deve ser questionar a preparação da Dilma para assumir a Presidência. Ela coloca a eleição como um plebiscito. Diz que o ’sim’ no plebiscito vai dar Lula, mas não vai. O PSDB tem de tocar na incoerência dessa ideia de plebiscito. O ’sim’ seria continuidade de uma maneira muito abstrata sem Lula. Não seria a continuidade de Lula.

O caminho para os tucanos vencerem a eleição tem de ser personalizar, marcando a experiência do Serra, e a relativa inexperiência da Dilma. Mas, no fim das contas, a luta que veremos será entre dois administradores. Ela, sem nenhuma experiência eleitoral, mas com muita experiência nacional. Outro, experiência bastante conhecida São Paulo e ainda a experiência no Ministério da Saúde do Fernando Henrique. Não vai ser a conexão com FHC que ajudará Serra. Serra tem sua própria máquina política. É 2010 ou nunca para Serra. É bem provável que Lula volte a ser candidato em 2014.

FOLHA – Lula, por ora, descarta 2014…
POWER – Não vejo porque Lula não seria candidato. Ele estará com 69 anos, e se ele estiver bem de saúde, é natural que queira voltar. Primeiro, porque ele vai deixar o governo com 80% de aprovação. Esperar oito anos é muito tempo para alguém tão popular. Segundo, ao ganhar as Olimpíadas, ele tem agora o incentivo de ser o presidente que abrirá os Jogos de 2016. Imagina ganhar as Olimpíadas para seu país e ter oportunidade de presidir os jogos. Você diria não? Muito difícil. Minha hipótese é que, se a Dilma for eleita presidente, em 2014 ela vai sentir um incontrolável desejo de ser governadora do Rio Grande do Sul.

A grande contribuição de Lula à política brasileira –não à população em si–, ao sistema político como tal, foi sua capacidade de fazer com que a esquerda fizesse aliança com forças de centro e até de centro-direita. É o grande milagre político de Lula. Não sei se existe outra figura na esquerda brasileira que poderia levar mais uma vez a esse tipo de aliança. Mas a aliança vai existir em 2010 porque Lula ainda é construtor dela. Dilma vai apenas assumir a candidatura. Ela pode assumir a Presidência, a administração do governo, mas, na questão das alianças, será Lula ainda o operador. Porque não vejo nela tanto capital político ou habilidade para fazê-lo.

FOLHA – Como sr. avalia a desistência de Aécio Neves para concorrer à vaga de candidato do PSDB?
POWER – Essa notícia terá muito efeito em Minas Gerais: mais uma vez Minas está fora da corrida da Presidência. No resto do Brasil, não vejo um efeito maior, não. Fora de Minas, o Aécio não teve muito sucesso em aumentar o nível de conhecimento do nome dele, mesmo sendo neto de Tancredo e tudo mais. Nunca chegou a 20% em qualquer simulação. Temos de ver como o eleitorado mineiro reage. Dilma tem raízes mineiras, tentará faturar isso. Hoje, o vice-presidente é de Minas…

FOLHA – No seu artigo, o sr. chama atenção para o apoio dos brasileiros à democracia, que de acordo com pesquisa Latinobarómetro, tem números ainda modestos: 53% dizem que é o melhor sistema, abaixo da média da América Latina, de 57%. Qual a sua hipótese para isso?
POWER – As pessoas tendem a formar suas opiniões sobre qualquer regime democrático novo num período bastante curto após a transição. Não sei dizer qual o período, mas uma experiência de cinco a sete anos parece sedimentar a ideia sobre o regime. Por exemplo, se tomamos os primeiros sete anos de democracia na Rússia, em todos os setes anos houve crescimento negativo. Ou seja, a primeira experiência dos russos com a democracia foi muito negativa. Se compararmos com o Brasil, a situação não é tão grave como foi na Rússia, mas entre 83 e 87 houve recessão e inflação. Nesse período, as altas expectativas que os brasileiros tinham com a democracia, em 1984, com as Diretas Já, no começo do Plano Cruzado, foram trazidas de volta à terra. E essa fase vai do fim do governo Sarney (1985-1990) até os dois primeiros anos do governo Itamar. Então, no trabalho, eu digo que se a transição tivesse acontecido em 1995, quem sabe essa experiência socializadora houvesse sido muito mais positiva, porque o Brasil depois de 1995 é outro país. Essa é a mensagem do meu trabalho.

FOLHA – Qual sua avaliação da política externa de Lula?
POWER – De modo geral, a política externa tem facilitado a emergência do Brasil como um ator no cenário internacional. É claro que quando se faz como Lula que quer estar em cinco lugares ao mesmo tempo, que provocar uma visibilidade intensa do Brasil, vai haver equívocos e erros. Por exemplo, nos últimos meses alguns acontecimentos levaram algumas pessoas a questionar essa intensidade. A presença do Zelaya na embaixada em Honduras, a visita do Ahmadinejad. As críticas que o Brasil vem recebendo de governos e pessoas que geralmente admiram o Brasil e Lula e a política externa brasileira, mostram que pode haver um certo teto, um certo limite nessa projeção.

Ao abrigar o Zelaya em Honduras o Brasil fez simplesmente uma aposta de que ele seria restituído à Presidência. A aposta não deu certo, e o Brasil saiu perdendo um pouco de prestígio. Lula parece ter o toque de Midas, mas nessa história do Zelaya não funcionou. No caso do presidente iraniano, o custo de ter recebido o Ahmadinejad foi alto, e deve ter uma retorno para pagar esse custo. Mas, pessoalmente, eu não vejo qual é. O único benefício é que o Brasil mostrou mais uma vez que quer dialogar com todo mundo. Aceita o diálogo com qualquer governo. Para justificar sua postura com a Venezuela, faz sentido receber o Ahmadinejad.

FOLHA – O sr. acha que, neste caminho de maximizar presença externa, o Brasil entra em rota de colisão com os EUA, como o episódio do presidente iraniano sugere?
POWER – Muitas pessoas querem apresentar essa questão como se fosse um jogo de soma zero. O Brasil ganhando, os EUA perdem. O Brasil tem muitas maneiras de maximizar sua visibilidade e projeção internacional sem entrar em rota de colisão com os EUA. Normalmente, os temas escolhidos por Lula são multilaterais, que goza de apoio de outros países, seja o G20 ou Copenhague. Não é um jogo de soma zero entre os dois países.

FOLHA – A procura de alunos que querem estudar Brasil aumentou em Oxford?
*POWER – Muito. É uma tendência que a gente verificava nesta década mesmo antes do boom econômico, antes do Brasil virar assunto quente no noticiário. Estamos percebendo mais interesse pelo Brasil, principalmente em temas como a redução da desigualdade, o Brasil revertendo essa reputação de ser o campeão da desigualdade. As pessoas querem saber como o Brasil está conseguindo isso.

FOLHA – Mas, internamente, há a sensação de alguns modelos exitosos, como o Bolsa Família chegaram no limite da fórmula. O sr. não concorda?
POWER – Os avanços do primeiro mandato de Lula ficaram um pouco estagnados no segundo, porque o Bolsa Família vai ser um programa bastante inercial. Vai ser muito difícil reformar ou desmantelar. Vai se reajustar valores, mexer nas condicionalidades. O que está mudando um pouco é o incremento da formalidade do mercado de trabalho. Isso ajuda muito. Todas as conquistas da Constituição de 1988 e todas as conquistas da legislação trabalhista no Brasil não valem nada se você não tem carteira assinada. Mas em 2008, como eu digo no trabalho, a formalidade passou de 50% pela primeira vez. Isso é uma revolução invisível no Brasil. E ela é acompanhada por essa política de aumento do salário mínimo.

Quando o Collor era candidato, em 1989, ele prometeu um salário mínimo de US$ 300, e naquela época era US$ 30 e US$ 50. As pessoas riram. E em todos esses anos, o Brasil não passou nem perto de chegar a essa proposta. Mas se eu calculei bem, em janeiro, será US$ 294. Demorou 20 anos, mas Lula está cumprindo a promessa do Collor de 89.

18/01/2010 - 12:09h MG: Patrus só desiste de prévias se Lula pedir

Eleições: Para o ministro, PED-MG mostrou divisão do PT no Estado


Sérgio Lima/Folha Imagem – 27/11/2007
Foto Destaque
Patrus Ananias: “Sou um ator na arena política e trabalho para viabilizar minha candidatura dentro do PT”

César Felício, de Belo Horizonte – VALOR

A intervenção pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou do vice-presidente José Alencar poderá ser o caminho mais rápido para evitar as prévias partidárias no PT, segundo o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, que disputa a pré-candidatura ao governo mineiro com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. “Estarei sempre onde Lula e José Alencar estiverem. A gente vai conversar”, disse Patrus.

O ministro perdeu a disputa interna com Pimentel pelo comando estadual do partido no mês passado, mas o resultado evidenciou apenas a divisão petista. A apuração deu uma vitória apertada ao deputado Reginaldo Lopes, pró-Pimentel, e chegou a ser interrompida por alguns dias, em meio à troca de acusações com o dirigente Gleber Naime, apoiado por Patrus.

Logo após o resultado ser divulgado, Patrus inscreveu-se para as prévias. Mas diz que sua defesa da consulta aos filiados para a escolha do candidato não é incondicional. “Só vou disputar prévias com uma pactuação que garanta regras claras para o processo, o respeito ao resultado, transparência na apuração e mecanismos seguros de votação, como a urna eletrônica. As prévias são mais amplas que a eleição direta para a direção partidária e pressupõem métodos diferentes. Se não, não farão sentido”, disse.

Para Patrus, contudo, o argumento de que a divisão de prévias pode deixar sequelas no processo eleitoral é falacioso. “Um processo bem pactuado leva o perdedor a apoiar o vencedor mesmo que a diferença tenha sido de um único voto. Não concordo com o sentimento anti-prévias que começa a crescer, porque a nossa tradição de consulta é muito boa”, disse.

O PT mineiro hoje é o único, entre os diretórios estaduais mais importantes, que tende a definir o seu rumo partidário em 2010 por meio de prévias. No Rio, há uma tendência clara em apoiar a reeleição do governador pemedebista Sérgio Cabral Filho. Em São Paulo, o partido é controlado pelos aliados da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy e aguarda a definição do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). No Rio Grande do Sul, há consenso em torno do ministro da Justiça, Tarso Genro. E na Bahia, o petista Jaques Wagner disputará a reeleição.

Patrus é evasivo em comentar se a divisão pode levar o partido a deixar de ter candidatura própria e apoiar o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), como solução intermediária. “Sou um ator na arena política e trabalho para viabilizar minha candidatura dentro do PT, buscando a interlocução com os aliados. Não sou um analista de cenários”, disse.

O ministro ficou em segundo lugar na pesquisa Datafolha realizada em dezembro, com 12% das intenções de voto. Pimentel conseguia 19%, no cenário em que era incluído como o candidato do PT. Mas o ministro demonstra confiança no potencial de transferência de votos que seu trabalho no ministério pode ter. Lembra que apenas em 2009 seu ministério – responsável pela operacionalização do programa Bolsa Família – transferiu R$ 3,2 bilhões para 1,1 milhão de famílias no Estado.

“Trabalhamos o tempo todo em parceria com as prefeituras. Isto pode promover uma guinada na política mineira”, afirmou. O ministro também procura destacar o fato de seu nome não ter sido associado a escândalos ou denúncias. “Fui eleito deputado federal em 2002 com 520 mil votos sem pagar sequer uma rodada de cerveja. Comando sem denúncias um ministério há seis anos, com 1,4 mil funcionários e R$ 39 bilhões de orçamento para administrar”, afirmou.