28/08/2012 - 09:07h Relações de Lula e Campos por um fio

Por Raymundo Costa – Valor

Amigos inseparáveis, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, estão com as relações pessoais e políticas estremecidas. Na realidade, os dois chegaram à beira do rompimento, depois que Eduardo Campos se recompôs politicamente com o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), com o início da campanha eleitoral. Mas o que move PT e PSB, numa disputa quase fratricida, são as duas próximas eleições presidenciais.

Lula “adorava” Jarbas, segundo contam amigos do ex-presidente, mas os descaminhos da política levaram o senador pernambucano a se transformar num dos mais ácidos críticos do presidente, no segundo mandato. A memória de Lula ainda traz bem impressa a imagem de uma visita que Jarbas fez à sua casa, em São Bernardo do Campo.

Para mostrar a admiração que tinha por Jarbas, Lula costuma contar uma das “maiores humilhações” que teria sofrido até hoje. O agora ex-presidente recebeu em sua casa, em São Bernardo do Campos, o já consagrado senador e sentou-se num sofá surrado bem sobre o rasgão que não gostaria que Jarbas visse. Constrangido, não se levantava e passou a maior parte do tempo sentado, o que impedia Jarbas também, por educação, de levantar e ir embora.

Estremecimento Lula e Campos é uma prévia de 2014

À época, Jarbas era um dos mais importantes líderes do grupo do PMDB que fazia oposição ao regime militar. Quando assumiu o Palácio do Planalto, Lula tinha boas expectativas em relação ao senador. Ocorre que entre os dois havia Eduardo Campos, adversário de Jarbas, à época ministro da Ciência e Tecnologia, presidente nacional do PSB e deputado de boa cepa pernambucana: neto do lendário governador Miguel Arraes.

Em pouco tempo, Eduardo se tornou uma ameaça ao PT. Além de estirpe, o governador pernambucano se revelou um hábil articulador político e não tardou a botar novamente de pé o antigo Partido Socialista (PSB). Sob o olhar condescendente de Lula e a desconfiança do PT, aos poucos o governador foi avançando pelo Nordeste, região eleitoralmente forte e que recebeu grandes benefícios do governo Lula. Tanto que o PT ganhou as últimas eleições com facilidade na região.

Eduardo Campos decidiu fazer um gesto de boa vontade eleitoral em São Paulo: não foi fácil, mas ele conseguiu convencer os dirigentes do PSB local a apoiar o candidato do PT a prefeito, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad. “Fizemos quase uma intervenção branca apenas para atender o Lula, que, todos nós sabemos, quer eleger o Haddad”, conta um dirigente do PSB. Os pessebistas ofereceram duas opções para a vice: a deputada Luiza Erundina e o educador César Calegari. O PT escolheu Erundina.

Outro conflito PT-PSB foi o do Recife. Os pessebistas concluíram que Lula errou do início ao fim na negociação para manter a aliança entre os dois partidos: O PT exigia liderar a aliança quando estava rachado em três facções. Lula também não se impôs ao PT e apontou um candidato como fez em São Paulo.

“Vamos lançar o nosso [candidato]. Se eu entrar nessa história não vamos ficar bem com nenhum dos lados [as facções do PT em disputa]. Como o PT é o partido no poder, o PSB considera legítimas suas aspirações por espaço, mas entende que o que a sigla quer mesmo é se tornar “exclusivista e esquece que a época do stalinismo passou”, avalia-se no PSB. A sigla, por exemplo, acha que teria boas chances nas eleições de Salvador. O PT não abriu mão de impor o nome de Nelson Pelegrino. Restaram à sigla de Eduardo cidades com menor potencial eleitoral no Norte do país. Essa é a queixa.

No fundo, o que contamina as relações entre PT e PSB é o pós-lulismo, o que virá depois do controle, esse sim quase hegemônico, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As relações pessoais entre Lula e Eduardo, embora abaladas, em breve serão restabelecidas, conforme acreditam os mais radicais de um e outro partido.

A relação política é outra coisa. Quando Lula se queixou da aliança de Eduardo com Jarbas, o pernambucano reagiu com o chamado tapa com luvas de pelica: ele não fora à casa do senador do PMDB para pedir apoio político. Jarbas é que o visitara.

Lula, evidentemente, não gostou de ser lembrado da visita que fez à casa de Paulo Maluf para celebrar a aliança do PP com o PT, em São Paulo. Assim como Eduardo Campos dificilmente vai dar crédito à explicação, dada no Planalto, segundo a qual aguardara por quatro horas para ser recebido pela presidente Dilma Rousseff.

De acordo com o Palácio do Planalto, o que ocorreu foi uma grande confusão: quando já se estava com o programa de concessões pronto para o lançamento, alguém lembrou que os governadores não haviam sido convidados para a cerimônia. Foi um corre-corre, noite adentro. Pelo menos uns 20 governadores conseguiram modificar a agenda e arrumar transporte para Brasília. Eduardo entre eles.

Posteriormente, alguém teria visto o governador de Pernambuco na antessala de um assessor e vazou a versão segundo a qual ele esperou para ser recebido. Verdadeira ou não, o fato é que Eduardo registrou a intriga: “Ela se esquece que depois dessa eleição tem outra”. Referia-se a Dilma, é claro.

Eduardo já disse que não quer ser candidato ao Senado ou a vice-presidente, quando deixar o governo. Ele efetivamente analisa a “tática Ciro”, ou seja, sair candidato já em 2014 a fim de se tornar conhecido para 2018. Mas também conversa com Aécio Neves – uma conversa aparentemente sem futuro, pois caberia a ele a vice, enquanto o tucano ficaria com a cabeça de chapa.

Sobre o futuro da relação do grupo, é ilustrativo um episódio ocorrido antes da viagem de Dilma ao México. A presidente perguntou a Gleisi Hoffmann qual seria o presente oficial da comitiva. Dilma não gostou da resposta e determinou: “Liga para a Fatinha [mulher do governador Jaques Wagner] ou para a Renata [mulher de Campos]. Evidentemente ela pensava em uma peça com a cara do Nordeste brasileiro.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail: raymundo.costa@valor.com.br

14/08/2012 - 14:12h Haddad resgata motes de Marta e promete obras de R$ 20 bilhões

Alexandre Moreira/Folhapress / Alexandre Moreira/Folhapress
Haddad, em evento de sua candidatura: mote da campanha será o de desenvolver áreas da periferia da capital, com incentivos fiscais a empresários


Por Cristiane Agostine | Valor

De São Paulo

Anunciado como uma celebridade, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, subiu ao palco de uma universidade e, com o microfone em mãos, começou a explicar quais são os problemas da capital paulista. “Nossa cidade é rádio-concêntrica. Toda as radiais levam para os mesmos lugares. Não há infraestrutura que suporte essa sobrecarga de mobilidade, que é fruto da irracionalidade do desenvolvimento”, disse. “O modelo que desenvolvemos é rodoviarista e tinha como pressuposto o automóvel”, comentou, logo nos primeiros minutos da apresentação. Na plateia, algumas pessoas se mexeram nas poltronas, com um olhar de interrogação. Atrás de Haddad, um enorme “H” vermelho é projetado. “O fator-chave de uma metrópole é o tempo e ele tem que ser liberado. É sinônimo de liberar as energias criativas de cada cidadão”, completou, dizendo que é com “essa variável” que trabalhará, se eleito.

Nas duas horas seguintes, Haddad falou sem parar sobre seu plano de governo, lançado oficialmente ontem. Na plateia, a grande ausência foi a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, patrocinador da candidatura do petista. A presença do ex-presidente, que ainda se recupera de tratamento contra um câncer na laringe, era tida como certa pelo comando da campanha. O lançamento das propostas chegou a ser adiado para contar com Lula. O candidato, no entanto, minimizou a ausência.

Em meio a lembranças da gestão da ex-prefeita petista Marta Suplicy (2001-2004), Haddad disse que “pela primeira vez” um candidato “rompia o paradigma de repensar a forma de organizar a cidade” e anunciou o mote de sua campanha: o “arco do futuro”. A proposta, explicou, é de desenvolver a periferia a partir de investimentos no entorno de grandes vias da capital. No eixo central está um pacote de obras de infraestrutura no valor de R$ 20 bilhões para os próximos quatro anos. O nome do programa foi dado pelo marqueteiro da campanha, João Santana, e o arco é formado pela avenida Cupecê, as marginais dos rios Pinheiros e Tietê e a avenida Jacu Pêssego. “Quero transformar a Cupecê e a Jacu Pêssego em uma nova [avenida] Faria Lima”, disse.

O petista prometeu reduzir a alíquota do ISS de 5% para 2% para empresas que forem para as áreas mais distantes do centro. O candidato disse também que poderá zerar o IPTU para essas empresas e isentar a outorga onerosa do direito de construir nessas regiões. Segundo Haddad, essas medidas ajudariam a levar empresas para a periferia e gerar mais empregos.

Haddad resgatou bandeiras da gestão Marta, como o Bilhete Único, os corredores de ônibus e os Centros Educacionais Unificados (CEUs). O petista reciclou também uma das propostas apresentadas por Marta em 2008, de dar internet gratuita para todos os bairros.

O ex-ministro afirmou que fará 20 novos CEUs e criará 150 mil vagas em creches. Haddad disse que resgatará o programa de transporte escolar “Vai e Volta”, outra marca da gestão Marta. O candidato do PT prometeu ensino integral a 100 mil alunos, em quatro anos.

Em transportes, o candidato do PT disse que o Bilhete Único terá três versões: diário, semanal e diário. O usuário poderá realizar quantas viagens quiser em um período de tempo que será determinado pela prefeitura.

O petista prometeu construir 150 quilômetros de corredores de ônibus, o dobro do que foi construído por Marta. Haddad disse que fará também 150 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus. Haddad afirmou que fará repasses ao Metrô, mas disse que o aporte só será feito se a prefeitura puder intervir nas metas do governo estadual e na escolha das estações que serão entregues.

O petista disse que pretende firmar convênios com o governo estadual, comandado por Geraldo Alckmin (PSDB), e ironizou os tucanos ao dizer que eles não gostam de fazer parcerias com o PT. “Mas eu não tenho preconceito com parceria”, disse.

Ao defender parcerias com o governo federal, o petista afirmou que levará a Universidade Federal de São Paulo para a Itaquera, na zona leste, e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, para a zona norte.

Na saúde, área com a pior avaliação segundo pesquisas de opinião, Haddad disse que fará três hospitais na periferia, em Parelheiros (zona sul), Vila Matilde (zona leste) e Brasilândia (zona oeste) e que entregará em quatro anos 1 mil leitos. Em meio a críticas à gestão de Gilberto Kassab (PSD), o petista lembrou que o prefeito prometeu na campanha de 2008 construir os hospitais, mas não deverá entregá-los até o fim do ano.

Apesar das críticas a Kassab, o candidato afirmou que não vai abandonar nenhuma licitação feita pela atual gestão.

O petista defendeu a construção de moradias na região central, para diferentes classes sociais. Disse que construirá 55 mil unidades habitacionais na capital e que atenderá 70 mil famílias com obras de urbanização de favelas.

Em tom professoral, Haddad expôs suas propostas a cerca de 500 pessoas. Depois de uma hora de apresentação, diante do silêncio da plateia, pediu aplausos. O nome de Lula e da presidente Dilma Rousseff foram pouco citados.

Em diversos momentos, Haddad fez propostas mais afeitas a um candidato a governador. O petista disse que sua proposta de desenvolver a periferia em torno de grandes vias da capital beneficiaria as cidades do ABCD paulista, além de Osasco e Guarulhos, na região metropolitana. Ao falar sobre o aporte de recursos ao metrô, Haddad apresentou propostas de extensão de linhas do metrô e da CPTM e de entrega de estações, apesar de a gestão desse sistema ser da competência do governo estadual. Questionado, disse que o prefeito tem que participar da definição do cronograma do metrô.

10/08/2012 - 10:35h Greve acirra relação entre Dilma e CUT e Planalto pede ajuda de Lula

Por Raymundo Costa, Rosângela Bittar e Lucas Marchesini | VALOR

De Brasília

Eliaria Andrade/O Globo
Operação padrão da Polícia Federal provocou ontem filas de passageiros no aeroporto de Guarulhos


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ajudar o governo na negociação da greve geral dos servidores públicos. A intermediação do ex-presidente foi acertada durante conversa de Lula com a presidente Dilma Rousseff, na última terça-feira. Lula deve atuar principalmente no sentido de atenuar a radicalização do movimento, que beira a ruptura, como demonstrado ontem com a decisão da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outros cinco sindicatos de servidores de representar contra o governo federal na Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A representação protocolada na OIT acusa o governo de “atitudes antisindicais”, segundo informou, em nota oficial, a Confederação dos Trabalhadores no Serviço público Federal (Condsef). A entidade argumenta que o PT faz isso “na tentativa de acabar com a greve legítima” dos servidores federais, de braços cruzados há mais de dois meses. A intermediação de Lula pode contornar um fenômeno que se cristalizou nos últimos dias: a impaciência dos sindicalistas com diálogos quase sempre sem um desfecho.

Na conversa que teve com Lula na última terça-feira, Dilma queixou-se da relação das centrais sindicais com a presidente, segundo informaram ao Valor fontes do PT. Lula prometeu ajudar nas negociações. As entidades de classe dos trabalhadores estimam que há mais de 350 mil servidores públicos federais de braços cruzados.

Alessandro Chinoda/Folha Press
Servidores públicos fizeram manifestação em frente ao prédio da Justiça Federal, em São Paulo


Segundo avaliação de petistas ligados à CUT, a greve geral está se transformando num verdadeiro “tsunami” e o governo precisa agir rapidamente para encontrar uma solução. O problema é que a base dos sindicatos dos trabalhadores tem reagido a intermediações mais ponderadas dos dirigentes e líderes. Os dirigentes sindicais, inclusive da CUT, também se queixam do tratamento recebido do Palácio do Planalto desde a troca de Lula por Dilma.

Como exemplo, conta-se no PT que, na campanha eleitoral de 2010, a CUT e seu ex-presidente Arthur Henrique foram acionados três vezes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por fazerem campanha ilegal para a então candidata Dilma Rousseff (PT). A conta de multas de Arthur Henrique teria chegado aos R$ 50 mil. No entanto, quando Dilma chegou ao Palácio do Planalto não teria retribuído como esperavam as centrais.

Em um primeiro encontro protocolar, Dilma teria se comprometido a manter diálogo permanente com a central dos petistas, o que não ocorreu. A intermediação passou a ser feita com Gilberto Carvalho (Secretaria Geral). Mais tarde, Carvalho chamou para assessorá-lo um dos vice-presidentes da CUT, José Vicente Feijóo.

Christian Rizzi/AGP/Folha Press

Caminhoneiros bloqueiam a BR-277, em Foz do Iguaçu,

em protesto contra a greve dos fiscais

Após breve período de trégua, o ambiente voltou a ficar tenso com a progressiva radicalização da greve dos servidores. A interlocução com o movimento grevista passou para o Ministério do Planejamento. Em síntese, o governo afirma que prefere manter o atual nível de emprego a ceder a pressões por reajustes que não podem ser suportados agora pelos cofres públicos. As concessões serão apenas as já prometidas na proposta orçamentária para 2013.

Um fato ocorrido em julho também agravou os ressentimentos dos sindicalistas da CUT com Dilma: convidada para participar do Congresso da central, a presidente mandou como representante o ministro do Trabalho, Brizola Neto, que é do PDT, partido vinculado à Força Sindical, a central que disputa com a CUT a hegemonia do movimento sindical. Essa foi a leituras feita não apenas na central ligada ao PT, como nas demais.

O PT também viu aumentar a concorrência no movimento sindical: o PCdoB tem influência sobre a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e o PSTU, partido de extrema esquerda, na Conlutas. Ainda assim o Partido dos Trabalhadores – e a CUT – detém hoje o controle da maioria dos sindicatos. Alguns cálculos falam em 70% dos sindicatos.

Adilson Felix/valor

Número de contêineres aumentou 35% no porto de Santos

com a operação padrão da Receita

“É o mundo de pernas para o ar, a CUT contra o PT”, disse ontem o diretor jurídico do Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências), Nei Jobson, uma das cinco entidades que assinam a ação protocolada na OIT.

Segundo Jobson, “o PT aperfeiçoou os instrumentos de negociação com o trabalhador que ele sempre lutou contra”, disse, referindo-se ao decreto 7.777.

Além do Sinagências, Condsef e CUT, acionaram a OIT, contra a regulamentação, o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), Confederação dos Trabalhadores no serviço público Federal (Condsef), Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa) e a Federação Nacional das Associações de Servidores da Previdência Social (Fenasps).

O decreto permite que servidores públicos federais em greve sejam substituídos por funcionários estaduais ou municipais equivalentes, medida já desencadeada pelo governo federal. “Está pior negociar com o PT do que com a direita”, disse Jobson.

21/06/2012 - 08:56h PT sonda aliados e PC do B ganha força para vice

Sem Erundina, correligionários de Haddad buscam nomes em siglas como PTB; Lula quer encontrar Rabelo e fechar aliança com parceiro tradicional

21 de junho de 2012

O Estado de S.Paulo

Em busca de um vice para a chapa de Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito de São Paulo, o PT buscou opções em siglas como PSB e PTB, mas tende a deixar a indicação com o PC do B.

“Decidimos dar prioridade à construção da aliança. Após essa consolidação discutiremos a questão da vice”, informou o coordenador da campanha, vereador Antônio Donato (PT), que reconheceu: “Temos uma conversa mais avançada com o PC do B”. Na terça-feira, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) desistiu de ocupar a vaga em protesto às deferências do PT ao PP, de Paulo Maluf. No mesmo dia, o advogado Pedro Dallari (PSB) foi procurado por colegas de partido, mas também não aceitou.

Na própria terça-feira, deputados estaduais do PT se encontraram com o colega de Assembleia Campos Machado (PTB) e o sondaram sobre a indicação do advogado Luiz Flávio D’Urso (PTB), pré-candidato do partido, para a vice. Campos pediu dois dias para responder e deve dizer não.

“Eu continuo com minha candidatura posta, mas, se o partido vier a tomar decisão diferente, mudaremos o rumo”, afirmou D’Urso. Campos se encontrara com petistas no sábado, quando disse que precisava ter candidatura para fortalecer seu partido. O PSDB também corteja o PTB .

O ex-presidente Lula pretende conversar hoje, durante a Rio+20, com o presidente do PC do B, Renato Rabelo. O petista poderá até oferecer a vice ao tradicional aliado, que tem três candidatos à vaga: a deputada Leci Brandão, o vereador Jamil Murad e a presidente da sigla em São Paulo, Nádia Campeão.

Entre os três, o PT manifesta preferência por Nádia. O partido avalia que o eleitor teria dificuldade para aceitar Leci, que nunca ocupou cargo no Executivo, como vice de um candidato novato. Nádia foi secretária na gestão Marta Suplicy (2001-2004).

Ontem, o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, Nádia e dirigentes do PC do B acertaram, em um café da manhã com Haddad, que a aliança deve sair antes da decisão sobre a vice. Depois, reuniram-se entre si, e saíram reafirmando, em público, a candidatura de Netinho de Paula.

Apesar de tudo, vereadores do PSB ainda tentavam indicar o vice de Haddad. Faziam circular os nomes da deputada Keiko Ota e do ex-jogador Marcelinho Carioca. O PT rechaça ambos. / FERNANDO GALLO, JOÃO DOMINGOS, JULIA DUAILIBI e BRUNO BOGHOSSIAN

06/06/2012 - 07:35h Sobre caciques e partidos

O papel das grandes lideranças nacionais de PT e PSDB na eleição paulistana revelam estilos opostos: só um é caciquista

Por Cláudio Gonçalves Couto – VALOR

A birra de Marta Suplicy, ausentando-se do ato de lançamento da candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, enseja uma boa oportunidade para discutir o papel das lideranças individuais nos partidos políticos. Ela serve para mostrar que o caciquismo é um fenômeno mais complexo do que sugerem análises apressadas sobre a influência de certas lideranças na definição dos rumos das organizações partidárias. Quanto a isto, um aspecto ganha relevo: enquanto alguns líderes criam sucessores, atuando na produção ou reforço de novas lideranças (crucial para a sobrevivência organizacional), outros embotam essa criação, contribuindo para a esclerose organizacional.

O problema é distinguir entre caciquismo – um tipo de liderança que subjuga a organização à vontade pessoal inquestionável do líder – e influência. Uma liderança influente no partido logra convencer os correligionários, sem contudo impor-lhes decisões inquestionáveis. Assim, se a persuasão é requisito para a obtenção de anuência, não há caciquismo. Trata-se de diferença de grau, que ultrapassados certos limiares se converte em distinção de natureza.

Há situações nas quais se migra, ao longo do tempo, de um estado para outro. Assim, caciques podem converter-se apenas em lideranças influentes, seja por que se debilitam ou ajustam a conduta, seja porque um reforço organizacional do partido lhes reduz o espaço para o arbítrio. Inversamente, líderes influentes podem, em certas conjunturas, tornar-se caciques; algo mais provável em organizações partidárias frouxas ou enfraquecidas – o que não é a mesma coisa.

Caciques são os que se colocam acima do partido

Para existir, o cacique necessita do apoio de um subconjunto organizacional dentro do partido: sua entourage, uma facção majoritária ou posições-chave na burocracia. Assim, enquanto o partido como um todo é fraco organizacionalmente, esse subgrupo é relativamente forte, impondo a vontade de seu líder. Contudo, há uma condição principal, decisiva distinguir o caciquismo da influência: o cacique subordina os interesses da organização aos seus próprios; é o projeto pessoal do cacique que sempre prevalece sobre o do partido – e mesmo sobre o de sua claque.

Há quem veja no patrocínio de Lula à candidatura de Fernando Haddad evidência de caciquismo, demonstrando que o PT nada mais seria do que um partido sem vontade própria, a reboque do grande líder. Será mesmo? Isto não se coaduna com características notórias do partido: organização forte, disputa intensa entre facções, espaço para contestação seguido de alinhamento a decisões tomadas pelo conjunto. Na realidade, Lula é muitíssimo influente, mas não um cacique no sentido próprio do termo. E isto não só por méritos próprios dele, mas pelas características do partido que construiu – que restringe o caciquismo.

No caso paulistano, antes mesmo de Marta desistir da candidatura, já enfrentava – além de Fernando Haddad – a oposição interna de antigos aliados, agora pré-candidatos, os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini. Candidata duas vezes derrotada à prefeitura, a senadora já não desfrutava da condição de escolha óbvia da agremiação – como foi em 2008. A imposição de seu nome – a despeito de outras postulações, de um clamor interno por renovação e da grande rejeição aferida pelas pesquisas ¬- é que seria caciquismo. Em tal contexto, o apoio de Lula à renovação operou mais como contrapeso à tentativa de caciquismo em nível local do que se mostrou ele próprio uma imposição inconteste.

Compare-se com a autoimposição de José Serra no PSDB, contra Aécio Neves. Verificou-se no ninho tucano uma estratégia de sufocamento da disputa interna pela interminável postergação do embate, até que o ex-governador mineiro jogou a toalha, considerando que não teria tempo hábil para se viabilizar. A solução pelo alto, dessa ardilosa vitória pelo cansaço, repetiu-se agora na escolha da candidatura tucana à prefeitura paulistana. Após meses alegando que não se candidataria, o que ensejou uma animada disputa entre quatro pré-candidatos (sugerindo renovação partidária) o ex-governador mudou de ideia, inscreveu-se na prévia após o prazo regulamentar, provocou a desistência de dois postulantes e prevaleceu. Serra obteve na prévia apenas pouco mais de 50% dos votos, num embate contra postulantes muito menos expressivos – tanto no que concerne à envergadura política quanto à história. Isto mostra o tamanho do desagrado que sua soberba causou na base tucana.

Fosse o PSDB dotado de maior densidade organizacional, os dois episódios da imposição serrista deflagrariam uma crise interna – como a que deve se produzir no PT de Recife neste ano. O caráter elitizado da agremiação e a baixa intensidade da vida partidária (sobretudo se comparada à do PT) permitem que as manobras dos caciques e seus embates permaneçam basicamente como um problema deles mesmos. A renovação, neste caso, ocorre apenas nas franjas da disputa política (como nas eleições de deputado estadual e vereador), pelo ocaso das lideranças ou por algum acidente; raramente por uma estratégia bem definida. Em São Paulo, a oportunidade da renovação foi perdida; o risco da esclerose cresceu.

É nisto que as atuações de Lula e Serra se distinguem como influência, no primeiro caso, e caciquismo, no segundo. Enquanto o ex-presidente interveio no processo de modo a promover uma renovação de lideranças e atuando segundo a lógica da organização partidária, o ex-governador apenas fez prevalecer seu projeto pessoal de poder, às expensas do partido, que tornou seu refém. Isto permanece, a despeito de quem venha ganhar ou perder as eleições de outubro.

Algo que confunde a percepção de papéis tão distintos são os estilos muito diversos de um e de outro. Enquanto Lula é um líder carismático e de estilo esfuziante, Serra é um líder gerencial e de estilo soturno. Intuitivamente, o senso comum identifica o primeiro com o improviso e o personalismo, e o segundo com a racionalidade e a institucionalidade. Uma análise mais cuidadosa revela exatamente o oposto.

Cláudio Gonçalves Couto é cientista político, professor da FGV-SP e colunista convidado do “Valor”. Rosângela Bittar volta a escrever na segunda quinzena de junho

E-mail: claudio.couto@fgv.br

04/06/2012 - 15:31h De olho na privatização, socialistas franceses flertaram com Collor e tucanos

Mastrangelo Reino/Folhapress - 30/3/2009 / Mastrangelo Reino/Folhapress - 30/3/2009

Favre: “Mitterrand achava a esquerda daqui uma série de grupos sem futuro”


Valor Econômico – 04/06/2012

Se hoje os laços entre o PT e os socialistas franceses são estreitos, no início o relacionamento foi marcado pelo flerte com concorrentes de lado a lado do Atlântico.

De sua fundação, em 1980, até a queda do Muro de Berlim, em 1989, o PT ainda abrigava correntes que defendiam uma relação privilegiada com os partidos comunistas em detrimento das legendas social-democratas, como o PS.

“Durante a queda do Muro havia petistas que estavam fazendo cursos de formação política em Berlim Oriental e saíram de lá meio às pressas”, conta Luis Favre. “Havia muita confusão sobre o que era o socialismo. O PT se dividia. Lula não. Se identificou logo com Lech Walesa, na Polônia. Depois de 1989, a situação decantou”, lembra Favre, em referência ao líder sindicalista do Solidariedade, que pressionava por abertura no regime comunista e tornou-se presidente da Polônia (1990-1995).

O Partido Socialista francês, por sua vez, também se dividia em facções na procura de parceiros políticos em um Brasil que vivia a redemocratização. Integrantes ligados a Michel Rocard, primeiro-ministro entre 1988 e 1991, defendiam uma aproximação com o então candidato e depois presidente Fernando Collor, de olho na política de privatizações. Parte do mesmo grupo apoiaria mais tarde aliança com o PSDB, o que nunca se concretizou.

As maiores atenções dos socialistas franceses, porém, se voltavam para o PT e seu maior concorrente na esquerda à época, o PDT, então liderado pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. O PDT era o representante oficial do Brasil, como até hoje, na Internacional Socialista (IS), associação mundial que reúne partidos social-democratas. Brizola era um dos vice-presidentes da IS.

Mas na eleição presidencial de 1989, quando Lula, e não Brizola, vai ao segundo turno e o PT surge como principal partido da esquerda brasileira, estabelece-se uma nova correlação de forças. Na Internacional Socialista, lembra Luis Favre, Brizola tinha muito apoio dos alemães e parte dos portugueses, por ter se exilado em Lisboa. Mas os franceses do PS defendiam uma aproximação com o PT, o Partido Socialista Chileno e outras forças emergentes na América Latina, que não eram de origem social-democrata, como os movimentos de guerrilha da Frente Sandinista, na Nicarágua, da Frente Farabundo Martí (FMLN), em El Salvador, e o M-19, da Colômbia.

Favre conta que o PT nunca fez questão de ocupar o lugar do PDT, porque a IS é um “clube de amigos, uma central de relacionamentos internacionais”, pouco importando a condição de seção oficial ou de observador. Ele reconhece, porém, que a conquista de um novo status na associação estava em jogo. “Mas na verdade, era o contrário, os socialistas franceses é que começaram a trabalhar e defender a ideia de levar o PT à IS. Se não para substituir o PDT como representante principal, para encontrar um modus vivendi”, afirma.

O interesse do Partido Socialista contrastava com a posição do próprio presidente francês François Mitterrand, que dava “muito pouca bola” para o PT, diz o consultor. Mitterrand estava mais focado na construção da moeda única europeia e numa aliança com os Estados Unidos. “A América Latina não interessava. Ele considerava que a esquerda latino-americana era uma série de grupos sem futuro. Mas o Partido Socialista tinha uma atitude contrária”, diz o francês.

Marco Aurélio Garcia cita como marco o envio de representantes do PS ao 7º Encontro Nacional do PT, ocorrido entre 31 de maio e 3 junho de 1990. É neste ano que os petistas resolveram reforçar suas conexões internacionais meses depois de viagem de Lula à Europa, durante a campanha presidencial de 1989.

Em 1990, Favre é enviado como representante do PT na Europa com a missão de estabelecer laços com as legendas social-democratas da Suécia, Dinamarca, Alemanha, Espanha, Portugal, com o Partido Comunista Italiano, já em processo de transformação, e consolidar a relação com o PS. As viagens são feitas com Lula e Marco Aurélio Garcia.

Favre prefere minimizar sua participação na construção da ponte entre o PT e o PS. Diz que a relação é fruto de ligações institucionais e do trabalho de secretários de relações internacionais como Garcia, Luiz Eduardo Greenhalgh e do ex-petista Francisco Weffort, ministro da Cultura de Fernando Henrique Cardoso.

Por ser estrangeiro, Favre nunca foi filiado ao PT, e por isso, jamais exerceu cargo de direção no partido. Mas reconhece que a fluência no francês e os contatos adquiridos na longa militância política internacional lhe ajudaram a se destacar de maneira informal.

Sua primeira visita ao Brasil foi em 1973, quando viajava da França para coordenar grupos trotskistas latino-americanos ligados à Quarta Internacional, organização comunista fundada por Leon Trótski (1879-1940) depois de sua expulsão da União Soviética.

Das visitas aos trotskistas surgiram os primeiros contatos com futuros petistas como o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci; a diretora do Instituto Lula, Clara Ant; o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo; o coordenador da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, Antônio Donato; e o crítico de gastronomia Josimar Melo.

Na França, entre os companheiros de trotskismo estavam Jean-Luc Mélenchon – terceiro lugar na eleição presidencial deste ano, pelo Partido de Esquerda – e Lionel Jospin. “Eu e ele mandamos o trotskismo às favas mais ou menos no mesmo tempo, por volta de 1986″, conta Favre, citando o ano em que passou a morar no Brasil.

04/06/2012 - 09:40h PT e PS francês põem fim a desencontro no poder

Por Cristian Klein | VALOR

MAG

Ruy Baron/Valor – 13/01/2011Marco Aurélio Garcia: “A tendência é de os acordos continuarem. Temos parceria na área eletrônica, espacial e nuclear”

A chegada de François Hollande ao poder na França tem sido apontada como uma reação às medidas de austeridade de uma Europa em crise e levanta a possibilidade de decisões protecionistas na economia, o que pode afetar o Brasil. Menos lembrada, no entanto, é a coincidência política inédita: pela primeira vez, os dois países são comandados ao mesmo tempo por governos de esquerda, liderados por partidos que mantêm contatos e se influenciam diretamente há mais de 20 anos.

O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialista (PS) francês põem fim agora a um longo desencontro no poder central. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição de 2002 cinco meses depois da saída de Lionel Jospin como primeiro-ministro, na coabitação com o então presidente Jacques Chirac, representante da direita francesa. Foi um descompasso entre os partidos nos governos. Mas não das relações entre ambos, que se aprofundaram e teriam se transformado.

Se antes, os socialistas franceses eram um exemplo de esquerda bem-sucedida no poder – governaram entre 1981 e 1995 com o presidente François Mitterrand – nos últimos dez anos, na avaliação de petistas, é o partido brasileiro que se tornou referência para o PS.

Assessor especial da presidente Dilma Rousseff e ex-secretário de relações internacionais do PT, Marco Aurélio Garcia afirma que “conhece muito” François Hollande, com quem já teve vários encontros, antes e enquanto o atual presidente francês liderou o PS entre 1997 e 2008. Garcia conta que petistas e socialistas têm relações muito sólidas. Enviam representantes para os congressos de cada organização e estão atentos à política defendida ou implementada pelo outro.

O assessor especial lembra que, em agosto de 2010, no fim do governo Lula, ao participar da chamada universidade de verão do Partido Socialista, encontrou “todo mundo” da agremiação, entre os quais Martine Aubry, atual primeira-secretária do PS, cargo equivalente ao de presidente do partido. O congresso reuniu mais de 4 mil militantes da legenda, na cidade de La Rochelle, no oeste da França.

“Evidentemente havia um interesse muito grande pela experiência brasileira, em particular, porque é a experiência de um partido de esquerda que está dando certo, num momento em que as experiências tradicionais na Europa não têm funcionado muito bem”, afirma Garcia.

Outro contato recente, cita o assessor da Presidência, foi durante seminário sobre a Primavera Árabe, em Paris, em novembro, quando aproveitou para conversar com Pierre Moscovici, então chefe da campanha de Hollande. Moscovici agora é o ministro da Fazenda francês.

A conexão PT-PS inclui ainda vários momentos marcantes. Antigo admirador do Brasil e do PT, François Hollande esteve no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, em 2002 e 2003, quando liderava o PS, e se encontrou em seguida com o então recém-empossado presidente Lula.

No ano anterior, Hollande havia sido o responsável pela aproximação entre Lula e Jospin, que concorria à Presidência e contou com o apoio do brasileiro no comício de encerramento de sua campanha. Em 2007, Ségolène Royal, então mulher de Hollande e candidata presidencial do PS, citava o Brasil e os programas de inclusão social do PT em seus discursos.

A amizade entre os dois partidos, no entanto, não garante que as relações entre governos e Estados melhore automaticamente. Nunca antes na história dos dois países, Brasil e França estiveram tão próximos quanto nas administrações de Lula e de Nicolas Sarkozy, que foi derrotado por Hollande em sua tentativa de reeleição.

Líder da UMP, principal sigla da centro-direita francesa, Sarkozy selou importantes acordos com o Brasil na área de defesa, que puseram a relação em outro patamar. A parceria Lula-Sarkozy era tão grande que o ex-presidente brasileiro não escondeu sua preferência pelos caças franceses Rafale, na concorrência para renovar a Força Aérea Brasileira. Até hoje a disputa – da qual participam também os aviões sueco Gripen e os americanos F-18 – não foi definida.

Filiado ao PS e um dos principais contatos do PT na França, o pesquisador Jean-Jacques Kourliandsky, encarregado dos estudos sobre América Latina do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris) de Paris, afirma que a proximidade entre os partidos não deve ser confundida com os interesses dos Estados. Mas não vê motivo para que a relação não avance com a dupla Dilma-Hollande. Para ele, todos os ex-presidentes “puseram sua pedra nesta obra comum” e Sarkozy apenas aprofundou o que foi feito por antecessores. François Mitterrand, cita, veio ao Rio de Janeiro, em 1992. Chirac recebeu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1996, e Sarkozy firmou um acordo estratégico em 2008. “É uma política de Estado e não de partido”, diz.

Kourliandsky nega que o Partido Socialista tenha uma tendência mais protecionista do que as forças da direita francesa.

“O PS, pelo que expressa em seu programa, e pelos atos quando teve responsabilidade de governo, não é um partido protecionista, apesar de que, como todos os partidos políticos franceses, defende os interesses da agricultura francesa, elemento fundamental de equilíbrio do balanço comercial externo da França. É um tema de debate tradicional entre França, Brasil e os países do Mercosul”, afirma o socialista.

Em 2003, Hollande, então presidente do PS, e Lula: longa relação com Brasil

Na mesma linha, Valter Pomar, ex-secretário de relações internacionais do PT entre 2005 e 2010, diz que a discussão em torno do protecionismo dos socialistas parte de uma premissa errada, já que “99% dos políticos franceses”, inclusive os de direita, são a favor de mecanismos de proteção à economia do país.

Em sua opinião, a diferença é que a vitória de Sarkozy representaria a continuação de uma política de direita, pró-capital financeiro, que “gera efeitos daninhos à França e ao mundo como um todo”. “Se tem recessão lá, isso nos afeta. Quanto ao protecionismo, a política pública dos franceses eles é que decidem. Mas preferimos sempre um partido de esquerda, que tenha compromissos com valores como a igualdade e a soberania nacional”, defende.

Para Pomar, o notório bom relacionamento entre Lula e Sarkozy “faz parte do folclore” assim como o mantido pelo ex-presidente com seu então congênere americano, George W. Bush. “Isso não impediu que o PT torcesse pelo Partido Democrata. Não tenho a menor ideia se Lula tinha simpatia por Sarkozy, mas o fato é que a esquerda, Lula inclusive, torceu por [Barack] Obama, assim como para os socialistas e Hollande, na França”, diz.

Marco Aurélio Garcia afirma que as perspectivas de um bom relacionamento “são excelentes” e cita os primeiros encontros que Dilma e Hollande terão no México, durante reunião do grupo das 20 maiores economias do mundo, o G-20, e logo em seguida, no Brasil, na conferência Rio+20, ambos neste mês.

“A tendência é de os acordos continuarem. Eles estão empenhados na questão do submarino nuclear. Temos também acordo na área eletrônica, espacial, nuclear, enfim, são vários projetos”, conta Garcia, para quem, na questão protecionista, “não é tanto a França que está envolvida, é muito mais a União Europeia de uma forma geral”.

Outro nome do PT bastante ligado ao PS, o argentino naturalizado francês Luis Favre é menos contundente ao analisar o impacto da eleição de Hollande para a relação com o Brasil. Ele diz que há “muitas incertezas” e que tudo depende de como será a evolução da situação da crise europeia e francesa. O ambiente para as negociações com a União Europeia é diferente do clima favorável encontrado antes, quando Sarkozy endossou várias posições internacionais defendidas por Lula, como a demanda por uma cadeira permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU, e “estranhamente”, aponta Favre, apoiou a taxa Tobin, imposto proposto pelo Prêmio Nobel de Economia de 1981 James Tobin para limitar a especulação financeira internacional.

“O protecionismo pode aumentar. O problema não é a vontade de Hollande, mas o contexto da crise europeia, como a saída da Grécia da zona do euro. Não é o governo, é a realidade que pode puxar neste sentido. Tendências politicamente xenófobas também vão nesta direção”, diz.

Luis Favre, ao lado de Marco Aurélio Garcia e do ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Matoso – dois exilados que moraram na França, durante a ditadura militar – estão entre os principais construtores da relação PT-PS.

Mais conhecido por ter sido casado com a senadora Marta Suplicy (PT-SP), Favre desde janeiro de 2011 trabalha no Peru, onde chegou para atuar na campanha de Ollanta Humala e é contratado pelo Partido Nacionalista Peruano (PNP) para cuidar da imagem do presidente.

Favre conta que conhece François Hollande “faz tempo”. No entanto, seu maior contato no Partido Socialista é o ex-primeiro-ministro Lionel Jospin, camarada dos tempos de trotskismo, quando morou na França, antes de se mudar pela primeira vez para o Brasil.

A amizade entre os dois pavimentou a primeira experiência de forte parceria entre governos dirigidos por socialistas e petistas. Durante o mandato de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo (2001-2004), Jospin fez várias visitas ao Brasil e estabeleceu convênios com a ex-prefeita. Os Centros Educacionais Unificados (CEU’s) contaram com aulas bilíngues em francês. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), projeto surgido na França em 1986 e difundido pelo Brasil, teve em São Paulo sua primeira ambulância doada pelo governo francês.

Em 2001, Marta discursou nos dois comícios de encerramento das campanhas que elegeram os socialistas Bertrand Delanoë e Gérard Collomb às prefeituras de Paris e de Lyon. Em 2004, a cooperação levou à criação da associação internacional de grandes prefeituras, a Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU), que teve entre seus primeiros co-presidentes a petista e Delanoë.

03/06/2012 - 09:14h Para Lula, Serra é um candidato ‘desgastado’

Ex-presidente atacou tucano sem, porém, citar seu nome; pré-campanha do PSDB não quis comentar
03 de junho de 2012

O Estado de S.Paulo

Na tentativa de polarizar com José Serra, líder nas pesquisas para a Prefeitura de São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem críticas ao pré-candidato do PSDB, sem, porém, citar nominalmente o tucano. No discurso de apoio ao pré-candidato petista, Fernando Haddad, Lula afirmou que o ex-ministro da Educação concorreria com um candidato “desgastado”.

“Tem um que tá tão desgastado que nem sei por que ele quer ser candidato a prefeito”, cutucou Lula, que utilizou a tática que será largamente usada pelo PT na campanha, a de lembrar que Serra deixou a Prefeitura de São Paulo após um ano e quatro meses e mandato. “Ele utilizou a cidade como um trampolim.”

O ex-presidente afirmou ainda que o tucano deixou também o governo do Estado antes do fim do mandato e “tomou uma tunda da presidente Dilma” na eleição presidencial de 2010.

Haddad adotou discurso semelhante e usou a mesma metáfora de Lula. “São Paulo cansou de prefeitos de meio expediente e de prefeitos de meio mandato”, afirmou. “Jamais usarei a prefeitura como trampolim.”

O ex-presidente disse que confia que tão logo se torne conhecido, o ex-ministro da Educação salte para um patamar superior a 30% nas pesquisas de intenção de voto.

A assessoria de Serra informou ontem que ele não iria comentar as críticas. “O Lula quer chamar Serra para o debate. Ele não é candidato. Nós não vamos cair nesta armadilha”, declarou o coordenador da pré-campanha do tucano, Edson Aparecido. / FERNANDO GALLO e RICARDO CHAPOLA

16/04/2012 - 09:52h Lula pode definir aliança de PT com Fruet em Curitiba


Paulo Bernardo diz que ex-presidente se prepara para conversar com ex-opositor, candidato pelo PDT

16 de abril de 2012

EVANDRO FADEL / CURITIBA, / COLABOROU MARCELO PORTELA – O Estado de S.Paulo

O PT de Curitiba começou a decidir ontem se lança ou não candidato à Prefeitura. O partido se vê dividido entre a pré-candidatura de Gustavo Fruet, do PDT, e ter representante próprio na disputa. E, embora ainda fosse desconhecido até o início da noite de ontem quantos delegados cada uma das correntes terá (em votação marcada para os dias 27 e 28), o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que o ex-presidente Lula já se prepara para conversar com Fruet.

Quando foi deputado federal pelo PSDB, Fruet foi dos mais ferrenhos opositores ao governo petista – sobretudo na crise do “mensalão”. “Hoje é nosso aliado e é absolutamente compreensível a situação, porque o PSDB não o quis candidato”, justificou Bernardo. “Nossa questão com Fruet sempre foi política, também batíamos nele”.

Ainda de acordo com Bernardo, o PT tem como missão se fortalecer no Estado, preparando-se para as eleições majoritárias de 2014. “Em Curitiba, nossa avaliação é a de que a melhor forma de reforçar o PT é ter uma aliança que seja capaz de ganhar as eleições”, opinou.

A união das lideranças e dos militantes é a meta do PT de Curitiba após as eleições de ontem. Estavam habilitados para votar 2.701 filiados. A partir da divulgação dos votos, o partido terá 24 horas para indicar ao diretório nacional seus 300 delegados. Além de Bernardo, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, sua mulher, também defende a parceria com Fruet. Ambos votaram no Colégio Estadual João Bettega, no Bairro Portão.

Caso a tese de candidatura própria vença, dois nomes estão em pauta: o do deputado federal Dr. Rosinha e o do deputado estadual Tadeu Veneri.

Para Rosinha, caso o partido queira se preparar para 2014, não pode “terceirizar” a candidatura em Curitiba.

“O PT, individualmente, tem o maior tempo eleitoral e os melhores cabos eleitorais, que são o ex-presidente Lula, a presidenta Dilma e a ministra Gleisi. Não tem mais aquele medo de que o PT seja ruim para administrar”, afirmou.

Rosinha garantiu que, desde a fundação do partido, sempre respeitou decisões da maioria e que agora não será diferente. Ou seja, caso o apoio a Fruet seja a vontade da maioria, ele deve acatar a decisão.

Decisão em Campinas. O economista e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, venceu as prévias do PT e será candidato à Prefeitura campineira. Indicado por Lula, ele superou o ex-vereador, ex-deputado estadual e ex-secretário Tiãozinho.

Racha em Minas. Parte do PT mineiro abandonará a campanha pela reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), que terá um petista como vice, mas contará com o PSDB na aliança.

Documento enviado pelo PSB ao PT confirmou que o PT indicará o vice de Lacerda, mas é evasivo sobre o pedido de coligação para a eleição proporcional e se omite sobre a coligação com os tucanos.

27/03/2012 - 08:39h Os desafios de Lula e Serra na eleição

Por Raymundo Costa – VALOR

Ex-governador, prefeito e duas vezes candidato a presidente da República, esperava-se de José Serra melhor desempenho na prévia dos tucanos, realizada no domingo para escolher o candidato do partido a prefeito de São Paulo – Serra teve 52,1% dos 6.229 votantes, contra 31,2% do secretário estadual de Energia, José Aníbal, e 16,7% do deputado federal Ricardo Trípoli. Quando disputou com Luiz Inácio Lula da Silva a prévia do PT para a eleição de 2002, o senador Eduardo Suplicy teve 15,6% dos votos. Era um opositor solitário contra o líder inconteste do partido.

Os 52,1% não têm a menor importância no quadro de uma disputa que só agora começa a ser delineada. Mas deve servir de advertência para José Serra, mesmo sabendo-se da precariedade desse tipo de consulta, sujeita, de última hora, a filiações dirigidas de militantes. Importante, para o tucano – e também para o candidato do PT -, é o apoio de quem realmente tem voto.

Para Serra, no momento, é o apoio das bancadas federal, estadual e municipal, além, é evidente, do governador Geraldo Alckmin. O mesmo serve para Fernando Haddad, o candidato escolhido pelo ex-presidente Lula num projeto de renovação do PT. Neste quesito, Serra leva a desvantagem de ter a cúpula nacional do PSDB, inclinada a apoiar a candidatura de Aécio Neves na próxima eleição presidencial. Haddad tem um grande handicap: o apoio de Lula e sua imensa popularidade, mas a desvantagem de um partido que teve de engolir sua indicação por Lula e que anda indócil com sua imobilidade nas pesquisas.

Divisão ameaça planos do PSDB e do PT em São Paulo

Os últimos movimentos partidários indicam que Haddad pode até mesmo ficar isolado, ele que precisa de tempo maior de televisão para se tornar mais conhecido. Mas isso se deve provavelmente a um erro de cálculo de Lula, que mostrou suas cartas antes do tempo, passando para os partidos aliados a mensagem de que a eleição de Haddad é importante para o PT, mas é muito mais ainda para ele, uma espécie de questão de honra. Subiu na hora o preço de todos os candidatos a aliado.

O PT se repete: quando Dilma patinava nas pesquisas, no início de 2010, poucos eram os dirigentes partidários a fazer uma sincera profissão de fé na escolha do comandante. Haddad, ao contrário de Dilma, é considerado um professor bom no debate, pessoa de estilo suave, simpática e com serviços prestados ao país, como ministro da Educação e Cultura de Lula e Dilma.

As recentes mudanças feitas pela presidente Dilma Rousseff no Congresso também serviram para aumentar o desconforto dos petistas da cidade de São Paulo. A indicação do novo líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), é um exemplo. Os deputados sempre procuraram manter alguns critérios nas indicações para a partilha de cargos e funções. Nos últimos anos, o líder do governo sempre vinha da liderança da bancada. Isso aconteceu com Arlindo Chinaglia (SP), Henrique Fontana (RS) e Cândido Vaccarezza. Agora, o ex-líder da bancada Paulo Teixeira (SP) foi ignorado em favor de Chinaglia, embora fosse o nome preferido da coordenadora política do governo, Ideli Salvatti, para a desempenho da função.

A disputa em São Paulo contribuiu para o desequilíbrio na representação das correntes. Para desistir de disputar a prévia para a indicação do partido a prefeito de São Paulo, Jilmar Tatto ganhou a liderança da bancada: José Guimarães (CE), o candidato do campo majoritário, aceitou acordo para ser o próximo líder. A senadora Marta Suplicy (SP) rendeu-se à força de Lula, mas ficou na vice-presidência do Senado, rompendo um acordo pelo qual o senador José Pimentel ocuparia o cargo, findo o primeiro ano de exercício do PT. E ao deputado Carlos Zarattini, outro dos pré-candidatos, coube a função de relator do projeto dos royalties na Câmara, um posto de projeção. Teixeira foi sacrificado, mas não é o único da turma que cobra mais efetividade do candidato.

Do lado tucano, as dificuldades aparentes do candidato petista parecem ter uma leitura mais realista. O próprio José Serra, em conversa com interlocutores, tem afirmado que seria um grande um erro subestimar a candidatura do ex-ministro da Educação. Na percepção do tucano, o PT tem os 30% tradicionais que costuma alcançar na cidade de São Paulo e um candidato bem mais difícil de enfrentar do que foi Aloizio Mercadante nas eleições de 2006 para governador, quando o petista teve cerca de 35% dos votos. O tucano costuma ressaltar uma virtude em Fernando Haddad: a capacidade de aprender.

Resta saber quais as lições o próprio Serra tirou de suas últimas campanhas, especialmente a última delas, em que perdeu a Presidência da República para Dilma, numa disputa em que largou na frente como franco favorito.

Os problemas do tucano com a direção nacional do PSDB certamente são bem maiores que os de Haddad com o comando do PT. Nos bastidores do PSDB, o grupo hoje engajado na candidatura presidencial do senador Aécio Neves (MG) não demonstra muito entusiasmo com a eventual vitória de Serra na eleição de São Paulo.

O grupo opera, por exemplo, para evitar a coligação do DEM (que é ligado ao governador do Estado, Geraldo Alckmin). O Democratas, para apoiar Serra, exige reciprocidade em Sergipe, Salvador e Recife. Em Sergipe, o candidato João Alves (ameaçado de impugnação pela Justiça Eleitoral) tem o apoio de Serra, que o considera um dos candidatos a governador de maior fidelidade a sua candidatura presidencial em 2010. O tucano paulista também avalia que ACM Neto (DEM) é o candidato da oposição com maior possibilidade de vitória em Salvador.

Em Recife, quem parece pouco disposto a apoiar a candidatura de Mendonça Filho é o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, por questões puramente regionais. Mas as contas estão indo parar na caixa postal de José Serra. O sucesso da prévia paulista deveria ser um alento para o PSDB e não mais um instrumento para a divisão do partido. A pancadaria na base aliada do governo, amplamente majoritária, mostra a falta que faz uma oposição de verdade.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail raymundo.costa@valor.com.br

22/03/2012 - 08:13h Pesquisas indicam que popularidade de Dilma aumentou

 Presidenta Dilma Rousseff visita as obras da Transcarioca, no Rio de Janeiro Foto: O Globo / Carlos Magno
Presidenta Dilma Rousseff visita as obras da Transcarioca, no Rio de Janeiro O Globo / Carlos Magno

Lula já deu sinais de concordância com a nova linha adotada pela presidente

Gerson Camarotti – O GLOBO

BRASÍLIA – Dados de recentes pesquisas de opinião que chegaram ao Palácio do Planalto indicam que a presidente Dilma Rousseff não só tem conseguido manter sua popularidade, como teria aumentado a aprovação popular. Analistas do governo veem esse resultado como aprovação ao enfrentamento que Dilma vem travando com aliados contra o chamado toma lá dá cá.

Em dezembro, a avaliação do governo Dilma de 56% de ótimo/bom já era recorde na série histórica da pesquisa do Ibope feita para a Confederação Nacional da Indústria para o primeiro ano de mandato presidencial. A próxima pesquisa da entidade será divulgada em abril. Outras pesquisas regionais encomendadas por partidos reforçam a percepção de que Dilma tem conseguido mais apoio da opinião pública.

Esse crescimento teria ocorrido entre eleitores da classe média. Os dados reservados reforçam a decisão de não aceitar pressão da base governista, mas não significa que ela romperá com tradicionais aliados. Por enquanto, a estratégia é só mudar a relação com o Congresso.

O ex-presidente Lula, embora tenha manifestado preocupação com o enfrentamento, estaria, na avaliação do Planalto, emitindo sinais de concordância com a nova linha adotada por Dilma.

Esse interlocutor de Dilma revelou que Lula cancelou um encontro com o ex-presidente Fernando Collor, um dia após o senador alagoano ter feito um discurso em que advertiu Dilma sobre o risco de governabilidade, citando seu impeachment. Lula quis não emitir sinais duplos. Também não tirou fotos ao lado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-MA), mas o fez ao lado do novo líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), escolhido por Dilma, e até ex-senadora Marina Silva (ex-PT-AC).

02/03/2012 - 09:37h Com PMDB à frente, base aliada se rebela, e Dilma busca socorro de Lula


Governo. Presidente deixa Brasília e viaja até São Bernardo do Campo (SP) para discutir cenário político agravado por manifesto de 45 dos 76 deputados peemedebistas que acusam o PT de arquitetar um complô eleitoral; outras siglas também ameaçam o Planalto

02 de março de 2012

Ombro amigo. A presidente Dilma com Lula e dona Marisa: encontrou durou quase três horas - Instituto Lula

Ombro amigo. A presidente Dilma com Lula e dona Marisa: encontrou durou quase três horas – Foto Instituto Lula


Christiane Samarco, Eugênia Lopes e Vera Rosa – Brasília – O Estado de S.Paulo

Sob pressão da base governista rebelada contra o apoio do Palácio do Planalto ao PT nas eleições municipais de outubro, a presidente Dilma Rousseff foi se aconselhar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo (SP), ontem, e adiou qualquer mexida no ministério por mais uma semana.

Em conversa de quase três horas, a presidente e seu padrinho político mostraram preocupação com o racha na base aliada do governo e com as dificuldades para agregar apoio em torno da candidatura de Fernando Haddad (PT) à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Os adversários do PT acusam o partido de arquitetar um plano para se tornar praticamente hegemônico no cenário político brasileiro a partir das eleições deste ano.

Manifesto – Dilma ficou furiosa com um manifesto subscrito por 45 dos 76 deputados federais do PMDB, com críticas ao PT e ao governo, e não escondeu a contrariedade ao se encontrar com seu antecessor.

A viagem oficial da presidente à Alemanha neste fim de semana vem em boa hora, para dar uma pausa na base conflagrada. Dilma embarcará sob o peso do manifesto do PMDB, contrariada com as exigências do PR, com as defecções do PSB na votação do fundo de previdência do funcionalismo público, a debandada do PDT e a ousadia do discurso crítico do presidente da Força Sindical e deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), dentro do Palácio do Planalto. A disputa de comando no Banco do Brasil também foi abordada na conversa a portas fechadas.

A rebelião da base vem no embalo da pré-campanha municipal, em que todos os partidos – sejam eles governistas ou de oposição – se dizem ameaçados pelo projeto de crescimento do PT, em detrimento dos parceiros da aliança. O pânico maior vem do PMDB, partido que concentra sua força política e eleitoral nas bases municipalistas. Hoje o maior partido do País contabiliza 1.177 prefeitos. Os mais alarmistas diante da movimentação do PT para ampliar suas prefeituras temem que o PMDB acabe reduzido à metade.

“Nós estamos vivendo uma encruzilhada, onde o PT se prepara com ampla estrutura governamental para tirar do PMDB o protagonismo municipalista e assumir seu lugar como maior partido com base municipal no País”, diz o manifesto de 25 linhas que será oficialmente encaminhado na segunda-feira ao vice-presidente Michel Temer.

Maus tratos – A iniciativa do protesto partiu do grupo dissidente que não se cansa de reclamar dos maus-tratos do governo, mas os setores mais próximos da cúpula peemedebista acabaram aderindo. Afinal, a preocupação com o apoio do governo à ofensiva petista assombra o conjunto do partido.

Como a eleição de prefeito tem repercussão direta no tamanho das bancadas que sairão das urnas de 2014, o PMDB tem pressa. O manifesto propõe um encontro nacional das bases (prefeitos, vereadores e presidentes de diretórios regionais) no dia 25 de abril, em Brasília. Se o partido encolher em outubro, será difícil tirar do PT a presidência da Câmara em 2013, a despeito do acordo de rodízio no cargo.

Na esteira do lançamento da pré-candidatura do tucano José Serra a prefeito de São Paulo, o PR decidiu pôr suas exigências sobre a mesa. Viu aí a oportunidade de voltar ao Ministério dos Transportes, em troca do apoio a Haddad. O PTB se uniu ao PSC na reivindicação da cadeira de ministro do Trabalho, antes ocupada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. “Juntos, temos 40 deputados e sempre somos fiéis ao governo”, cobrou o deputado Sílvio Costa (PTB-PE), tentando mostrar a boa vontade de seu partido para compensar a debandada dos 26 pedetistas.

No PSB, o descontentamento da bancada ficou claro na votação do fundo de previdência. Foram 16 votos contrários e apenas 10 favoráveis ao governo. O Palácio do Planalto tomou o racha do PSB como uma afronta, deixando tontos os líderes do governo. “Até agora não entendi o que houve com o PSB”, desabafou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

22/02/2012 - 08:35h Kassab deflagra no PT disputa por controle da pré-campanha de Haddad

Suspenso à espera da decisão de José Serra, que cogita disputar a Prefeitura pelo PSDB, o movimento do prefeito em direção à candidatura do ex-ministro da Educação já provoca embate

21 de fevereiro de 2012

Fernando Gallo – O Estado SP

O movimento de aproximação feito pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) em direção ao PT, por ora suspenso enquanto o ex-governador José Serra (PSDB) decide se entra na campanha eleitoral, deflagrou um embate entre setores petistas e o grupo que hoje circunda o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em jogo ainda latente está a disputa pelo controle dos rumos que deve tomar a pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo do ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

Márcio Fernandes/AE
PT pró-Kassab está temeroso com a entrada de José Serra - Márcio Fernandes/AE
PT pró-Kassab está temeroso com a entrada de José Serra

Oficialmente, quem decide o destino do barco haddadista é o conselho político da pré-candidatura, que conta com 27 integrantes e tem feito reuniões mensais – a quarta ocorrerá no próximo sábado – para avaliar cenários e delinear estratégias. O PT até o momento avalia que, no estágio estadual, ainda não é necessário uma coordenação de pré-campanha menor, com um núcleo bem definido.

Na prática, porém, uma batalha surda vem sendo travada entre o grupo petista que vinha se colocando prontamente favorável e o que se manifestava contrário à aliança com o PSD.

Conforme o Estado mostrou em sua edição de sábado, o grupo que quer o acordo, e que até o recuo do prefeito contava cada vez mais com ele na chapa, já revê a estratégia que tinha em mente para não apenas desorganizar o campo tucano, mas também atrair os setores médios e conservadores que tradicionalmente rejeitam o PT na capital.

Grupos econômicos. De orientação mais pragmática, os petistas-kassabistas avaliam que, sem o prefeito, a campanha terá de montar uma agenda específica voltada para a atração do empresariado e de grupos religiosos.

O PT pró-Kassab está temeroso de que a entrada de Serra unirá na órbita tucana parte importante dos grupos econômicos em disputa, além dos líderes evangélicos com mais capacidade de mobilização de eleitores.

Nos bastidores, esse grupo classifica como “ingênuos” os setores petistas contrários ao alinhamento com Kassab e avalia que o PT que torce o nariz para o prefeito “não tem ideia” da força dos setores conservadores que vão se mobilizar na disputa.

De outro lado, os segmentos petistas que esperam com cada dia mais vigor que Serra entre na disputa para que leve Kassab junto com ele – a órbita haddadista na ponta de lança – se espantou com a aproximação do prefeito e torce para que ele se distancie definitivamente. Integrantes desse time lembram que a tese de revisão da estratégia ora defendida pela cúpula petista, tendo a órbita lulista à frente, foi derrotada em reunião do conselho político.

Periferia. Na ocasião prevaleceu a tese de que a pré-candidatura seria inicialmente direcionada à periferia e aos pequenos empresários das regiões mais afastadas. A partir desta semana, sempre nas sextas e segundas-feiras, Haddad irá participar de plenárias em diversos bairros. O cronograma começa no M’Boi Mirim, na zona sul, e em Brasilândia, zona norte, ambas regiões periféricas da capital.

Esse grupo analisa que a entrada de Kassab na chapa tira não apenas de Haddad o discurso de oposição, mas de todos os candidatos a vereador. Além disso, dizem, será mais difícil mudar os rumos da administração municipal, mal avaliada em diversas pesquisas, caso o PT vença com Kassab na chapa.

De resto, o grupo antikassabista avalia que uma derrota de Serra, um dos quadros mais importantes do PSDB, seria mais acachapante para os tucanos e comprometeria mais o projeto do governador Geraldo Alckmin para 2014 do que a derrota de um dos quatro pré-candidatos que estão hoje colocados na disputa – Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Trípoli.

Quando parecia que a entrada de Kassab no barco petista era cada vez mais iminente, petistas antikassabistas reclamavam reservadamente do “grupo do Lula” e a intenção de “empurrar o Kassab goela abaixo”.

No comando do PT, porém, a avaliação predominante é que a articulação a favor de um acordo com o prefeito volta com força total caso Serra decida não entrar na disputa.

O pré-candidato, por sua vez, já disse a aliados que prefere Serra na disputa porque “coloca as coisas em seus lugares”. Quem dialoga com frequência com Haddad traduz da seguinte forma: pessoalmente, não quer Kassab na chapa, daí porque manifesta a preferência por Serra. Mas o ex-ministro sabe que, embora tenha voz nas decisões, não tem força política própria no partido, e não vai optar pelo choque com Lula, o homem que o fez candidato.

20/02/2012 - 12:20h Na quarta voltamos

O blog retoma na quarta-feira de cinzas

Sabrina Sato desfila como madrinha da bateria da Gaviões da Fiel.

Volvemos el miércoles, después del carnaval

19/02/2012 - 14:54h Vinheta Gaviões da Fiel Globo – Carnaval 2012 OFICIAL

19/02/2012 - 14:22h Desfile da Gaviões da Fiel

Ritmistas da bateria fantasiados de Lula animam o Anhembi. Escola conta trajetória do e-presidente.

Musa do desfile da Gaviões da Fiel, penúltima escola a se apresentar no segundo dia de carnaval em São Paulo.

Baianas da Gaviões retratam o sertão. Escola traz o samba-enredo “Verás que o filho fiel não foge à luta - Lula, o retrato de uma nação”.

Carro abre-alas traz o símbolo da escola, o gavião. Agremiação traz cinco alegorias para o Anhembi.

Passagens importantes da história do país também foram lembradas no desfile da Gaviões da Fiel, como o movimento das Diretas Já .

Enredo da Gaviões da Fiel abordou também as dificuldades da trajetória de Lula.

Amigo de Lula desde os tempos de movimento sindical, o deputado federal Vicentinho desfilou com a velha guarda da Gaviões da Fiel.

Integrantes de uma das alas da Gaviões da Fiel mostram suas respectivas carteiras de trabalho.

No lado esquerdo da cabeça, integrante da Gaviões da Fiel deseja melhoras a Lula, o homenageado pela escola no desfile de 2012.

Torcida animada canta o samba da Gaviões da Fiel no Anhembi.

Fonte G1

18/02/2012 - 11:40h É carnaval, é Gaviões !


Para ir pegando o gosto para hoje a noite

Luiz Inacio, operario nacional

Homenagem a LULA. Samba Enredo Gaviões da Fiel 2012 OFICIAL ( c/legenda )

O blog retoma na quarta de cinzas. Hoje a noite no sambodromo. O boa noite continua para completar a serie sobre Glenn Gould

17/02/2012 - 09:21h PSD teme Lula como adversário

Por Raquel Ulhôa | VALOR

De Brasília

Parlamentares do PSD de outros Estados estão preocupados com a possibilidade de o ex-governador José Serra (PSDB) decidir pela disputa à Prefeitura de São Paulo e com o risco de o prefeito Gilberto Kassab recuar das negociações com o PT. A avaliação é que Kassab, presidente da nova legenda, avançou demais na direção da aliança com Fernando Haddad (PT) e uma eventual mudança de posição agora deixaria a relação do PSD com o governo federal muito ruim em todo o país e “arrebentaria” o partido.

Depois de propor ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a aliança em torno de Haddad e de comparecer ao evento em comemoração aos 32 anos do PT, recebendo vaias da militância e afagos da presidente Dilma Rousseff, Kassab perderia a credibilidade se recuasse, na opinião de integrantes da cúpula do seu partido que não querem ficar na oposição ao governo federal.

Como até agora ele tem mostrado muita habilidade política, a expectativa de seus aliados é que mantenha a disposição de aliança com o PT – a não ser que os petistas rejeitem. A avaliação é que Kassab tem argumentos de sobra para dizer a Serra que não tem mais condições políticas de voltar atrás, já que o tucano negou de forma categórica que disputaria.

O prefeito já está recebendo mensagens de dirigentes do PSD com manifestações de preocupação. Lembram que, pela histórica ligação política com Serra, Kassab tinha carta branca para apoiá-lo na disputa à Prefeitura de São Paulo em 2012 e fez todos os gestos nesse sentido. Liberado por Serra, ficou livre para articular a candidatura própria do vice-governador, Guilherme Afif Domingos, ou a aliança com Haddad.

Voltar atrás seria um “absurdo”, para um dirigente do PSD, Estaria transformando Lula num “adversário forte demais” e colocando todo o poder federal contra a nova legenda, que nasceu para ser “independente” e para viabilizar um projeto de futuro para políticos que, abrigados no Democratas ou em outros partidos, estavam sem perspectiva. Seria atrair “artilharia pesada” contra o PSD.

Se Kassab caminhar para Serra agora, estaria “amarrando” seu projeto para 2014 ao PSDB. Entre os integrantes do partido, há ressentimento com a forma com que o PSDB “massacrou” o DEM, seu aliado, e com o tratamento dado ao próprio PSD.

Um motivo de irritação é o fato de o PSDB, mesmo sem nome forte para disputar a prefeitura, não ter disposição de apoiar um candidato do PSD agora, nem mesmo em troca do apoio de Kassab à candidatura à reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB) em 2014. Para parlamentares da nova legenda, isso é uma “humilhação”.

Essas avaliações são feitas por dirigentes do PSD de outros Estados. Em São Paulo, a cautela é maior. O líder do PSD na Câmara dos Deputados, deputado federal Guilherme Campos (SP), diz que “a relação de Serra com Kassab transcende a questão de compromissos. Existe uma relação construída ao longo do tempo”. Ele lembra que, por enquanto, existe apenas uma “promessa de posicionamento” com o PT.

Segundo ele, os sentimentos da bancada federal do partido em relação à aliança com o PT estão divididos. “O PSDB foi o primeiro partido que institucionalmente foi procurado pelo nosso presidente no sentido de fazer uma composição. E houve todo um processo de morosidade e falta de definição do PSDB”, diz Campos.

Ele admite que a sinalização de que Serra pode mudar de posição tornou as conversas “mais intensas de todos os lados” e “aumentou a confusão e o clima de suspense” nas negociações em São Paulo. “É mais fácil acertar na Mega-Sena do que no que o Serra está pensando.”

15/02/2012 - 09:55h O que seu mestre mandar

Por Rosângela Bittar – VALOR

O PT tem, hoje, uma só ideologia, uma só direção e uma só concepção política: é o que Lula mandar. O ex-presidente é o senhor do voto, da força de arrecadação, da linguagem e do discurso das campanhas e das vitórias. Portanto, ele manda e o PT obedece. Mesmo que às vezes um ou outra reajam a imposições que os prejudicam. Depois de um tempo, dedicado a convencê-lo do contrário, encaminham-se dóceis para a aceitação.

Retrato esse que, apesar da grande nitidez no momento, não impede que cabeças mais preparadas e dadas à formulação política, no PT, continuem raciocinando com autonomia. O que lhes permite ver risco no exagero e acreditar que se torna imprescindível uma reação mais efetiva por parte de políticos petistas que porventura contem com o respeito do ex-presidente. Esses amigos tentariam convencê-lo a não radicalizar tanto o pragmatismo que, na avaliação de Lula, foi o que passou a dar vitórias eleitorais sucessivas a ele e ao partido.

A política de alianças é o cerne dessa questão, nem está mais na berlinda, chegou ao PT para ficar e os demais partidos, inclusive adversários, que a praticavam antes de Lula, tentam retomar o modelo para reconquistar o horizonte da vitória.

Pragmatismo radical implica riscos

O que preocupa boa parte do PT, no momento, mesmo aprovando as alianças e precisando de Lula mais que tudo, é o óbvio: a formação de aliança com o PSD de Gilberto Kassab para melhorar as condições eleitorais do candidato Fernando Haddad em São Paulo.

Lula decidiu que o melhor para o PT seria embarcar em um amplo processo de renovação de imagem das candidaturas petistas, rifando os desgastados e jogando biografias zeradas à arena. Seu projeto-piloto foi, em gesto ousado que lhe é peculiar, a presidência da República, e deu certo, com Dilma Rousseff. Decidiu então promover nomes menos batidos em todo o Brasil, a começar por São Paulo, em um plano de tomar as rédeas da política estadual e municipal, há anos em mãos do PSDB. Mas o plano só funcionaria imobilizando adversários possíveis já no primeiro turno.

Ofereceu Haddad às eleições municipais e tem no forno o projeto estadual, com o prefeito Luiz Marinho. Aluizio Mercadante, natural candidato a comandar o governo paulista, não sofreu rasteira como a aplicada a Marta Suplicy, ainda, e foi engajado oficialmente no projeto de eleição do prefeito petista recebendo o instrumento fabuloso do Ministério da Educação, de onde saiu o candidato a prefeito e seu portfólio de campanha, que não pode ser conspurcado por um sucessor mais distraído.

Marta Suplicy esperneou contra a invenção de Lula, vende caro seu apoio ao candidato, e agora manifesta-se refratária às negociações entre o PT e o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para a composição da chapa que disputará a prefeitura. Ou seja, não engoliu o projeto Lula em nenhum de seus aspectos, mas sabe que o partido precisa dele e se ainda não se rendeu integralmente é porque ainda tem tempo.

Não é só dela, ou de seu agora reduzido grupo, porém, que partem os alertas sobre o mal que o comportamento do ex-presidente pode fazer ao partido, a médio prazo. “Lula está abusando do seu prestígio. Metade do PT já acha que, em vez de solução, Lula está criando problemas desnecessários”. É que o ex-presidente, autosuficiente, namora o risco.

Pelo menos três fatos consolidaram em Lula o sentimento da onipotência. Ter vencido a reeleição em plena crise do mensalão foi o primeiro deles; a vitória com Dilma, que nunca havia disputado uma eleição, foi outro feito que o maravilhou; e o terceiro foi ter saído do governo com cem porcento de aprovação popular. “Ele fala o que quer e o PT faz o que ele quer”.

O exagero, ou transposição de uma linha imaginária de limite, teria sido, primeiro, a escolha de Haddad, que o PT não reconhece como sendo do ramo. Mas aceitou como havia acatado a decisão da escolha de Dilma. Agora, a corda da política de alianças esticou-se ao máximo com o convite à união com Gilberto Kassab.

O risco do método Lula, da ocasião, tem um nome, Afif Domingos. Para os protagonistas dessas reflexões no interior do PT, o partido está de dedos cruzados: “Deus queira que o candidato seja o Henrique Meirelles, porque o PT poderá ter um discurso. O Meirelles não é do PT mas trabalhou oito anos no governo Lula e foi muito bem. E se o PSD indicar o Afif? Vai ser uma tragédia”.

Na hipótese de formalização dessa aliança o PSD indicaria o vice do PT, e o partido perderia todo o combativo discurso de campanha contra a administração da cidade, de que tanto Marta quanto Mercadante já usaram e abusaram em suas campanhas.

A tarefa principal do PT agora é direcionar as conversas, pressionar, levar o ex-presidente a abraçar a causa Meirelles. O PT não aceitará Afif ou qualquer outro nome identificado mais com o PSDB. Pelo menos até o momento em que Lula empurrar goela abaixo do partido aquilo que preferir. É ele quem segue mandando.

Não por acaso foi o político hoje mais próximo do ex-presidente, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), que serviu de porta-voz autorizado de Lula na reunião de aniversário de 32 anos do PT, em Brasília. Marinho considerou “muito positiva” uma eventual composição PT-PSD na disputa pela sucessão municipal em São Paulo.

Ouvidos moucos à divergência, Marinho carimbou o projeto: “Creio que o prefeito Kassab pode colaborar muito para o resultado eleitoral”. E sacou da justificativa para a aliança dos até ontem contrários com a cara de pau com que o partido abordou as suas privatizações: “A oposição feita pelo PT à gestão do prefeito paulistano Gilberto Kassab se deu enquanto ele mantinha ligações com o PSDB. Agora, o convencimento da militância sobre a necessidade dessa aproximação se dará por meio de “discussões” fortalecidas por um “alinhamento de propostas” para a cidade”.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

14/02/2012 - 09:46h PT e PSB articulam aliança com aval de Kassab para chapa de Haddad em SP

14 de fevereiro de 2012

MALU DELGADO – O Estado de S.Paulo

Uma operação política em curso nos bastidores da sucessão da Prefeitura de São Paulo pode provocar uma reviravolta no jogo eleitoral e arrefecer a resistência do PT a uma composição com o prefeito Gilberto Kassab, criador e presidente do PSD. A ideia, já debatida entre três grandes articuladores políticos – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, e Kassab – é atrelar o PSB paulistano à candidatura do ex-ministro Fernando Haddad, com a indicação de um vice do partido que tenha a concordância e aval de Kassab.

Oficialmente, nenhum dos lados admite abertamente a negociação. Dirigentes do PSB nacional afirmam que a costura de alianças na capital ainda está em processo e que passa por conversas com o presidente estadual da sigla, Márcio França – secretário estadual de Turismo do governo do tucano Geraldo Alckmin. No PT o assunto já circula entre a cúpula. No PSD, Kassab, por ora, insistirá na indicação de um vice numa aliança com o PT.

A saída política geraria dividendos políticos a todos os lados. Kassab conseguiria fechar a aliança com o PT sem exposição direta do PSD e sem ouvir os gritos da militância petista. Mas, em troca, teria de assegurar uma vaga na chapa petista por um cargo majoritário em 2014 – ou vice-governador de São Paulo ou senador -, isso sem contar a possibilidade de uma vaga futura no ministério da presidente Dilma Rousseff para ele próprio ou um expoente do PSD.

Para Eduardo Campos, a saída política na capital abriria portas ao projeto nacional do governador, que quer se aproximar cada vez mais do PT e se cacifar como uma possibilidade para vice de Dilma Rousseff em 2014 ou para tentar um voo solo em 2018. Segundo petistas envolvidos nas discussões, “vale lembrar que o PMDB de Michel Temer vai lançar candidatura própria na capital paulista com Gabriel Chalita (ex-tucano) e, num eventual segundo turno, o partido pode cair no colo de Geraldo Alckmin”.

Sob o ponto de vista do PT, uma aliança com o PSB seria extremamente lucrativa, sobretudo porque mina alianças do partido com os tucanos no Estado de São Paulo. Além disso, os petistas amarrariam o apoio de Kassab a Haddad sem provocar traumas na militância, que resiste fortemente à união com o PSD.

Vice. Uma eventual aliança com o PSB começou a ser traçada no dia 23 de janeiro, quando Eduardo Campos visitou Lula em São Paulo. O petista faz tratamento contra o câncer de laringe no hospital Sírio-Libanês. O Estado apurou que a proposta foi feita pelo governador ao ex-presidente e que estaria vinculada, obviamente, à anuência de Kassab. Eduardo Campos aproximou-se do prefeito de São Paulo na ocasião da criação do PSD. Num primeiro momento, ambos chegaram inclusive a cogitar uma fusão das duas siglas.

O governador teria já começado a debater o assunto da aliança na capital com Kassab, ainda que seja prematuro qualquer passo neste momento.

Se fechar uma aliança com o PT, Kassab terá dificuldades para indicar um nome da legenda para vice de Haddad. O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, só aceita uma composição com o PSDB. O ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mais palatável ao PT, recusa-se terminantemente a aceitar a missão.

O nome cogitado por Kassab até o momento é o de Alexandre Schneider, secretário municipal de Educação. A militância do PT, porém, não aceita a indicação.

‘Pouco provável’. Questionado pelo Estado sobre as conversas em curso, o secretário estadual do PSB, Márcio França, afirmou que tal cenário é “muito pouco provável”. “O diretório estadual do PSB tem forte relação com o PSDB. Qualquer negociação tem que ser conduzida pelo Eduardo Campos. Não vejo empecilho (para uma aliança com o PT na capital), mas é pouco provável. Acabamos de fechar com o PSDB em Campinas”, pondera. França admite, porém, que “Kassab é um parceiro para o futuro do Eduardo Campos e do PSB”.

Segundo o presidente municipal do PT, vereador Antonio Donato, “as conversas com o PR e com o PSB têm sido muito promissoras”.

13/02/2012 - 08:54h Eleição quântica

13 de fevereiro de 2012

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO – O Estado de S.Paulo

O PSD kassabista tem poder de personagem de história em quadrinhos. Contamina os partidos do qual se aproxima com sua capacidade quântica, a de não estar em nenhuma e estar em todas as posições do espectro político simultaneamente. O alvo da vez é o PT.

Selada a parceria psdo-petista em São Paulo, a candidatura de Fernando Haddad se contorcionará para fazer uma campanha de oposição que defende a situação. Bom para Gilberto Kassab, cuja gestão aprovada por só 2 em cada 10 eleitores paulistanos terá de ser defendida pelo ex-futuro crítico – feito aliado por Lula.

Em troca de um apoio virtual da bancada federal do PSD ao governo Dilma, o prefeito paulistano ganhará espaço na propaganda eleitoral compulsória para lavar sua imagem. De quebra, Kassab ainda pode receber uma cadeira em Brasília para se encostar após a eleição.

Com tantos bônus, que é que custa enfrentar mais uma vaia de petistas durante a festa de aniversário do neoaliado? Quase nada. Os apupos entraram por um ouvido e saíram pelo bolso, convertidos em moeda de troca para Kassab.

Parece uma barganha desigual. O PT troca tudo isso por um apoio parlamentar que, na prática, já tem. Afinal, boa parte dos deputados que se bandearam para o PSD o fez justamente por não ver muita vantagem em continuar militando na oposição.

Talvez haja outra variável no cálculo. Será que, diante do apoio de Lula, Dilma Rousseff e do PT, o PSD ganha mais força junto à Justiça eleitoral? O partido tem uma ação em curso no TSE cuja vitória beneficiaria todas as siglas coligadas a ele nas próximas eleições – inclusive candidatos petistas.

A assessoria do Tribunal Superior Eleitoral defende o direito do recém-criado PSD de ter acesso ao dinheiro do Fundo Partidário e – melhor – ao tempo de propaganda eleitoral compulsória na proporção de sua bancada parlamentar. São minutos preciosos para Haddad numa eleição nivelada pelo desconhecimento dos candidatos junto à população.

O processo precisa ser julgado logo para valer nesta campanha. Quem não acredita na independência entre os Poderes pode desconfiar que a aliança psdo-petista pode ter a ver com o julgamento do caso. Céticos!

Nem tudo são votos favoráveis nessa aliança inusitada, todavia. Há o pequeno problema da opinião pública: 4 em 10 eleitores acham a gestão Kassab ruim ou péssima. E a rejeição ao mandachuva do PSD beira 60% entre os eleitores que manifestam espontaneamente intenção de votar num candidato petista.

O prefeito se dá nota 10, mas recebe nota 4,6 da população. Segundo o Datafolha, 46% não votariam no candidato apoiado por Kassab. O porcentual chega a 59% entre petistas.

Kassab é um peso pesado que pode arrastar aliados para o fundo. Será especialmente difícil de carregar para Haddad, que ainda precisa convencer a militância petista de que ele é o cara. Curiosamente, o PT – ou melhor, Lula – escolheu Haddad justamente por ele não somar rejeição pessoal à rejeição partidária.

Após eleger Dilma, Lula deve apostar que, com bastante propaganda, pode transformar qualquer um em algo palatável. Até Kassab.

Os poderes quânticos do PSD também têm o efeito oposto, de transformar o indeciso PSDB num partido de oposição. A aliança Kassab-Haddad enfraquece pré-candidatos tucanos que vão melhor na base pró-kassabista, como Andrea Matarazzo, e ajuda os mais fortes entre os oposicionistas, como Bruno Covas. Coisa de história em quadrinhos.

08/02/2012 - 08:05h VALOR: Escolha de Tatto para líder do PT aumenta tensão com PMDB


Jilmar Tatto: o ex-presidente Lula trabalhou pela eleição de deputado para ter seu grupo ao lado de Haddad em SP

Por Caio Junqueira | VALOR

De Brasília

A vitória do deputado federal Jilmar Tatto (SP) contra José Guimarães (CE) na disputa pela liderança da bancada federal do Partido dos Trabalhadores deve aumentar a tensão no relacionamento com o principal aliado, o PMDB, dentro e fora do Congresso Nacional.

O motivo é que Tatto é um dos expoentes do grupo que já há algum tempo tem sido vitorioso nos embates internos na Câmara, dentre os quais se destacam o agora ex-líder Paulo Teixeira (SP), o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (SP), o ex-presidente do PT Ricardo Berzoini e o presidente da Câmara, Marco Maia (RS), e o vice-líder do governo Odair Cunha (MG).

É de dentro desse grupo que, no decorrer do primeiro ano legislativo deste mandato, saíram as principais ponderações sobre a viabilidade de cumprir ou não o acordo de rodízio do PT com o PMDB na presidência da Câmara. Algo que o grupo adversário, tendo à frente Guimarães, o líder do governo, Cândido Vaccarezza (SP), o secretário de comunicação do PT, André Vargas (PR), e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (SP), sempre contestou.

A pouco menos de um ano para as eleições da Câmara, é fato que o grupo que fez Tatto líder arrefeceu o ânimo em quebrar o acordo com o postulante pemedebista, Henrique Eduardo Alves (RN). A mudança deve-se a manifestações da presidente Dilma Rousseff e da cúpula nacional do PT pró-acordo, em especial do presidente nacional da legenda, Rui Falcão (SP), com o aval do presidente de honra da sigla, Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda mais em um momento em que este se empenha diretamente nas negociações com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) para tirar da disputa pela Prefeitura de São Paulo o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP). O momento, portanto, é propício ao cumprimento de acordos.

Por outro lado, também é fato que esse grupo petista mais uma vez vitorioso na bancada não pretende entregar o terceiro cargo na hierarquia da República tão facilmente a Henrique Alves. Basta questioná-los sobre o esforço que farão para compor as alianças com as outras bancadas em torno de Alves. “É óbvio que isso é uma tarefa dele”, respondem.

Em um momento em que uma aliança na Câmara entre PSD e o PSB começa a despontar como nascedouro da candidatura alternativa ao acordo PT-PMDB, é uma resposta que deveria começar a preocupar Alves. Ainda mais ao se resgatar alguns episódios de 2011. Foi o grupo que ontem conduziu Tatto à liderança que, dentro do PT, apoiou a deputada Ana Arraes (PSB-CE) para ministra do Tribunal de Contas da União (TCU). Contra a vontade de Guimarães e Vaccarezza, então fechados com o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Foi também o grupo de Tatto o mais crítico a Alves durante a votação do Código Florestal, em que o governo foi derrotado e Alves tido como artífice dessa derrota.

Mas foram os posicionamentos mais aguerridos de Alves contra o governo em janeiro, durante a crise que levou à substituição de seu aliado do comando do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) Dnocs, que acentuaram a rejeição desse grupo a ele. “A gente até quer ajudá-lo a se eleger presidente da Câmara, mas antes é ele que tem que se ajudar. E ele não tem ajudado”, argumentam. Ademais, a ordem agora será rebater no plenário qualquer crítica ao PT e ao governo, venha ela da oposição, da base ou de Henrique Alves.

Evidentemente, uma nova interferência de Lula pode mudar esse cenário. O ex-presidente demonstrou que continuará a ditar os rumos dos petistas estejam eles dentro ou fora do governo. Em duas semanas, fez valer sua vontade tanto na bancada do Senado, ao manter a senadora Marta Suplicy (SP) na vice-presidência da Casa; quanto na da Câmara, para que Tatto fosse o líder. Tudo para trazer ambos, seus grupos e militância para a campanha de Fernando Haddad em São Paulo. Anteontem telefonou a Vaccarezza, a Guimarães, e Genoino para que cedessem no embate em nome “da unidade e do projeto político eleitoral nacional”. Antes disso, deslocou, como mostrou o Valor sexta-feira, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), para operar a bancada.

Não é difícil imaginar que faria o mesmo pela reeleição de Dilma em 2014 ou, quem sabe, por si mesmo. Por essa razão, tem sinalizado apoio ao cumprimento do acordo com o PMDB.

Os pemedebistas, porém, afirmam que Alves será candidato independentemente de o PT cumprir ou não o acordo. “A presidente Dilma Rousseff e o presidente do PT, Rui Falcão, já se posicionaram em favor do acordo. Mas se isso não for suficiente, teremos candidato em qualquer circunstância, com ou sem o PT nos apoiando”, afirma o vice-líder da sigla, Eduardo Cunha (RJ), um dos mais ligados a Alves na bancada.

25/01/2012 - 10:06h Ao lado de Dilma, Lula participa de despedida de Haddad

Ruy Baron/Valor

Por Fernando Exman, João Villaverde, Daniela Martins e Yvna Sousa | VALOR

De Brasília

Em uma cerimônia que contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e elogios à sua gestão no Ministério da Educação, o ex-ministro Fernando Haddad deixou ontem a Pasta para dedicar-se totalmente à eleição para prefeito de São Paulo.

Haddad passou o comando da Pasta para o também petista Aloizio Mercadante, que saiu do Ministério da Ciência e Tecnologia para dar lugar a Marco Antônio Raupp. Foi o terceiro evento público organizado nos últimos dias pelo Palácio do Planalto em que Haddad apresentou-se como um dos principais protagonistas ao lado da presidente Dilma Rousseff. Um dos trunfos do ex-ministro na campanha será justamente dizer ao eleitorado que é o único capaz de promover uma parceria plena entre a administração paulistana e o governo federal.

“Penso que é uma oportunidade de me valer de um momento que o país está vivendo de grande potencial econômico e social e promover um alinhamento, como mobilidade e transporte público, que pode ser inserido no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. Na educação, são vários os programas que podemos levar para São Paulo e também na área da saúde”, declarou Haddad, depois da solenidade.

A participação do ex-presidente Lula na cerimônia, que poderia ser esvaziada pelo recesso parlamentar, garantiu um grande quorum. Lula foi aplaudido pelos presentes quando entrou acompanhado da presidente Dilma Rousseff e fez com que Haddad e Mercadante se emocionassem, mas não discursou. Ele foi recebido com honras por Dilma, ministros e demais autoridades na garagem do Palácio do Planalto. A última vez em que Lula esteve no Planalto foi para o velório do ex-vice-presidente José Alencar.

A pressão de Lula foi fundamental para que o PT paulistano não realizasse prévias e aceitasse lançar Haddad na disputa. Agora, o partido cobra a presença do ex-presidente e de Dilma na campanha pela Prefeitura de São Paulo, maior município do país e um dos principais redutos do PSDB. A demanda poderá provocar atritos entre o PT e os partidos aliados, que não querem que Lula e Dilma participem da campanha nos locais em que a base governista estiver dividida.

Diversos parlamentares e líderes do PT paulista foram à cerimônia, como os deputados federais e ex-pré-candidatos a prefeito de São Paulo Carlos Zarattini e Jilmar Tatto. Também esteve presente o presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva. A ausência da senadora Marta Suplicy, porém, não passou despercebida. Ela foi levada a desistir da disputa e é vista no PT como importante cabo eleitoral.

Agora fora do ministério, Haddad definirá as prioridades de sua campanha. No sábado, deve convidar representantes dos partidos aliados para integrar os grupos temáticos que debaterão propostas nas áreas de saúde, educação e transporte público. “É reinstalar o conselho político no sábado e intensificar a discussão com os partidos da base aliada, sobretudo PR, PCdoB, PDT e PSB”, comentou Haddad, acrescentando que também negociará uma eventual aliança com o PSD do prefeito Gilberto Kassab.

O ex-ministro disse ainda ser cedo para definir quem ocupará a vaga de vice em sua chapa. Seus aliados reforçam: neste momento, a prioridade dele é conhecer melhor os problemas do município, fazer pontes com setores fora do PT e circular pelos mais diversos bairros de São Paulo.

“O próximo passo é organizar uma agenda de visitas e abrir diálogo com vários setores”, comentou Zarattini. “Vamos ter que ampliar o conhecimento dele sobre a cidade e das pessoas sobre ele”.

A última participação de Haddad como autoridade do governo Dilma Rousseff também serviu para a presidente e Mercadante defenderem o legado deixado pelo petista no Ministério da Educação, numa estratégia de antecipar a resposta a eventuais críticas a falhas no Exame Nacional do Ensino Médio ou outros programas da Pasta. “Fico feliz por ele [Haddad] e, ao mesmo tempo, fico infeliz, porque se trata de um excepcional gestor público, de um grande educador e, além disso, de um amigo querido”, discursou Dilma.

18/01/2012 - 09:57h ENCONTRO: Lula e Mujica

O Globo

● O presidente do Uruguai, José Mujica, se encontrou ontem com o ex-presidente Lula num hotel de São Paulo. Mujica disse que se preocupou com a doença de Lula e contou, depois do encontro, que o ex-presidente tem plano de criar um grupo de intelectuais latino-americanos para desenhar uma política de integração regional. Em tratamento contra o câncer na laringe, Lula começa a sentir os efeitos da radioterapia, como a “garganta arranhada”, mas recebeu Mujica e a mulher, a senadora Lucía Topolansky, para um almoço.

— Ele está um fenômeno. Bem aqui e aqui — disse Mujica, apontando para a cabeça e o coração: — Tem a perspicácia e a alegria de viver de sempre.

14/01/2012 - 12:03h A pedido de Lula, PT analisará aliança com Kassab

Ex-presidente confirma proposta de o PSD apoiar a candidatura do petista Haddad, feita pelo prefeito, e diretório municipal vai examinar o assunto

14 de janeiro de 2012

DAIENE CARDOSO , AGÊNCIA ESTADO – O Estado de S.Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferiu para o diretório municipal do PT paulista a responsabilidade sobre a discussão de um possível acordo com o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Ontem, em reunião com vereadores e o presidente do diretório municipal, vereador Antonio Donato, Lula confirmou a proposta feita na última semana por Kassab e sugeriu que o PT discuta o assunto “com tranquilidade”.

“O Lula disse que é um assunto que temos de discutir com tranquilidade e deixou o PT confortável para tomar uma decisão”, contou Donato.

Em meio à indefinição nas negociações com os tucanos, Kassab propôs ao ex-presidente, na semana passada, durante visita no Hospital Sírio-Libanês, a indicação de um candidato a vice na chapa do pré-candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, em uma eventual dobradinha entre PT e PSD.

Segundo Donato, Lula falou superficialmente sobre o tema, mas não escondeu a surpresa com a oferta de Kassab. O ex-presidente garantiu aos vereadores que, ao ouvir o prefeito, não se posicionou sobre a proposta.

Antes de receber, na tarde de ontem, os vereadores petistas no Instituto Lula, na zona sul da capital paulista, o ex-presidente se submeteu à oitava sessão de radioterapia contra o câncer de laringe.

Donato afirmou que Lula está “muito animado” com Haddad, mas que ainda não definiu como será sua participação na campanha do petista porque prefere aguardar o fim do tratamento. A expectativa é que ele mergulhe na pré-campanha após o Carnaval, quando será homenageado pela escola Gaviões da Fiel. “Queremos fazer a grande volta dele em março numa plenária com a militância”, revelou o vereador petista.

Campanha. A atual preocupação diretório municipal é com a saída de Haddad do Ministério da Educação. A expectativa era de que ele deixasse a Esplanada dos Ministérios na próxima segunda-feira, mas com a dificuldade da presidente Dilma Rousseff em definir mudanças amplas, Haddad terá de ficar até fevereiro, quando deverá ocorrer a reforma ministerial. “Vamos ter agenda forte em fevereiro. Se passar do começo do mês, aí complica”, disse Donato.

O dirigente, que também preside o Conselho Político da pré-campanha, lembrou que Haddad precisa concluir seu trabalho antes de passar a pasta para seu substituto, mas que sua cabeça, na realidade, já está na cidade de São Paulo. “Ele está ansioso”, afirmou.