22/03/2009 - 12:18h Datafolha: aguardando segunda-feira

Domingo é o dia em que os jornais vendem mais. A Folha de hoje traz pesquisa Datafolha sobre intenção de voto em alguns Estados, a 19 meses das eleições. Não tem qualquer sorte de importância, como prova entre outros exemplos, o fato de Geraldo Alckmin liderar com mais de 50% das intenções de voto a 8 meses das eleições municipais em São Paulo e acabou fora do segundo turno.

A escolha dos nomes para configurar os cenários eventuais deixou de lado o nome de Gilberto Kassab, que os demos gostariam de ver como candidato a governador em 2010, assim como o nome de Aloizio Mercadante que foi candidato a governador pelo PT nas últimas eleições. No caso de Kassab, a sua ausência da pesquisa permite a Alckmin atingir um patamar de intenção de voto superior, pois é o único candidato do campo demo-tucano. Já no campo da oposição de centro-esquerda o Datafolha incluiu em todas as simulações o nome de Luiza Erundina e a dos eventuais nomes do PT, com a consequente divisão das intenções de voto do eleitorado. Na última eleição na capital paulista, Luiza Erundina não foi candidata e apoiou Marta Suplicy. Para dar um exemplo do significado da eliminação do nome de Kassab e a de manter Erundina, basta olhar as intenções de voto na capital, onde Alckmin aparece com 34%, Marta com 20% e Erundina com 10%.

Em fim, como já escrevi pesquisa eleitoral com 19 meses de antecipação serve só para alimentar a projeção de nomes e as disputas internas nos partidos. Carece de qualquer outro valor ou interesse. Bem diferente de avaliar a situação dos governantes, particularmente em momentos delicados como os de hoje com o impacto da crise econômica. Teria sido interessante sim, a Folha publicar hoje os resultados da avaliação do governo estadual e do prefeito de São Paulo, que seguramente o Datafolha fez. A questão é de atualidade e permitiria comparar com a avaliação feita sobre o governo Lula.

Provavelmente ficará para segunda-feira, dia em que os jornais vendem menos. LF

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DATAFOLHA

Alckmin lidera com folga e opositor está indefinido

Tucano obtém de 41% a 46% das intenções de voto para o governo de SP em 2010

Ex-governador obtém pior resultado em confronto com Marta; Datafolha diz que favoritismo de Alckmin está ligado a “recall” de eleições

JOSÉ ALBERTO BOMBIG- Folha SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O tucano Geraldo Alckmin, derrotado ainda no primeiro turno da eleição do ano passado para prefeito de São Paulo, é o preferido dos paulistas na corrida para governador, segundo o Datafolha. Trata-se da primeira pesquisa de intenção de voto nas eleições de 2010 para governos estaduais.
Atual secretário de Desenvolvimento do governador José Serra (PSDB), ele obtém entre 41% e 46% das intenções de voto -sempre na liderança- em todos os cenários em que ele foi citado.
Serra, nome mais cotado entre os tucanos para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também em 2010 e líder nas pesquisas, não aparece em nenhum deles.
A 19 meses da eleição, nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade de suas intenções de voto nos cenários em que ele é apresentado. Os mais bem posicionados são os ex-prefeitos Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
O melhor desempenho do tucano (46%), que governou São Paulo de 2001 a 2006, ocorre quando o candidato do PT é o ministro da Educação de Lula, Fernando Haddad. Contra Marta, o tucano obtém seu pior resultado (41%).
Na hipótese de o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci concorrer pelo PT, Alckmin chega a 45%.
O outro nome tucano apresentado pelo Datafolha, o do secretário da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, oscila de 2% a 3% das intenções. Ele e Alckmin já travam uma batalha dentro do partido e do Palácio dos Bandeirantes pelo direito de concorrer em 2010.
A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

“Recall”
O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, diz que o levantamento mostra “amplo favoritismo de Alckmin”. Mas ele ressalva que Aloysio, Haddad e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf -também testado em todos os cenários-, ainda são pouco conhecidos.
“Os demais já concorreram nas urnas muitas vezes e recentemente. A campanha para o governo costuma ficar escondida por conta da disputa pela Presidência, e o eleitor, por causa disso, só se lembra dela mais adiante”, afirma Paulino.
Como exemplo, ele cita o desempenho de Paulo Maluf (PP), que chega a liderar com 20% quando Alckmin sai da disputa. Também sem o ex-governador tucano, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) atinge 14%, seu melhor índice.
O resultado da pesquisa deve servir de combustível para Marta na disputa interna do PT. Derrotada por Gilberto Kassab (DEM) no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, ela chegou a ser apontada como nome descartado do processo.
No entanto, Palocci e Haddad, que seriam os preferidos de Lula, ainda mostram pouca viabilidade. O ex-ministro da Fazenda oscila de 3% a 5%.
O ministro da Educação não passa de 2%. Já Marta chega a liderar com 19% no cenário sem Alckmin e com Aloysio.
Além de Skaf (sem partido), também foram apresentados em todos os cenários Campos Machado (PTB), Ivan Valente (PSOL), Paulinho (PDT) e Soninha (PPS).

08/05/2008 - 16:29h Nos bastidores

Blog de Josias

estrelita.gif(…)Se os alinhavos das últimas horas se converterem em pontos de costura, a ministra Marta Suplicy fica em situação delicada. Ao menos no que diz respeito ao chuleio das alianças.

Por ora, o PT está só. Dispõe de algo como quatro minutos de espaço no rádio e na TV. Sonhava com a reedição, em São Paulo, de uma versão reduzida do consórcio partidário que dá suporte legislativo a Lula em Brasília. Apostara pesado em Quércia. Perdeu. Virara-se para o PR. Tudo indica que perderá de novo.

Os operadores de Marta chegaram a mirar também o PTB, partido do ministro José Múcio (PE), coordenador político de Lula. Mas Campos Machado, o mandachuva da legenda em São Paulo, é velho amigo de Alckmin. Sempre oscilou entre o tucanato e a candidatura própria. Marta não chegou a compor os seus planos.

Restou para o PT o assédio ao chamado bloquinho (PSB, PCdoB e PDT). São legendas que, em outros tempos, alinhavam-se automaticamente ao petismo. Porém, os ventos mudaram. Em público, os líderes dessa trinca partidária dizem que vão às urnas com um nome próprio.

O mais animado é o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB). Há duas alternativas a ele: a deputada Luíza Erundina (PSB), que não demonstra muita disposição para a disputa; e o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força Sindical, que acaba de ser abalroado pelo escândalo do BNDES.

Em privado, os comandantes do bloquinho não excluem a hipótese de uma composição com outra legenda. Mas Marta Suplicy não é a primeira da fila. Alinhado com o projeto presidencial de Ciro Gomes (PSB), o generalato do bloquinho enxerga a eleição de São Paulo com olhos federais. Não interessa ao grupo fortalecer o governador tucano José Serra, aliado de Kassab. Tampouco convém tonificar o PT paulista.

Na semana passada, Aldo Rebelo reuniu-se em segredo com Geraldo Alckmin. Apoiadores do candidato tucano dialogam também com o deputado federal Márcio França, presidente do diretório paulista do PSB.

As conversas não produziram nada que possa ser chamado de entendimento. Mas vai-se consolidando a impressão de que, num eventual segundo turno entre Alckmin e Marta, o bloquinho pode pender para o lado do tucanato. (…)

Escrito por Josias de Souza

05/05/2008 - 17:26h Nélida Piñon em Buenos Aires: “minha geografia literaria é a liberdade”

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“La audacia de Borges fue imaginar que el mundo era Argentina”

En esta entrevista, Nelida Piñon, habla de sus últimas obras y de una historia de la literatura no oficial

Por Susana Reinoso
De la Redacción de LA NACION

Su literatura exhibe una poética profunda y sin tiempo. Y cuando habla, su sabiduría parece provenir de un alma cuya antigüedad excede en mucho su cronología.

La escritora brasileña Nélida Piñon habla y escribe como si un misterio insondable la habitara: “Mi geografia literaria es la libertad. No tengo miedo. Como no pienso en el éxito ni en los premios cuando escribo, puedo ser una aventurera en cualquier geografia cósmica y en cualquier parte de la Tierra. A lo que no puedo renunciar es a la lengua portuguesa”.

Este año, se espera en español su ensayo Aprendiz de Homero, que acaba de publicar en portugués. Allí rastrea la trayectoria civilizadora y los grandes maestros del pensamiento narrativo. Y también el primer volumen de sus memorias, Corazón andariego. Ambas obras a cargo de Grupo Santillana.

“Ese corazón andariego soy yo”, dice la notable narradora como si hiciera falta. “Mi vida entre dos culturas –la gallega de mi familia y la brasileña- es el fundamento. He tenido la fortuna de nacer con un doble imaginario. Soy una mujer con dos visiones del mundo”, subraya.

La ganadora del Premio Príncipe de Asturias de las Letras 2005 estuvo en la Feria del Libro de Buenos Aires para hablar sobre el padre de la novela moderna brasileña, Joaquim Machado de Assis, y de su último trabajo literario traducido al español, Voces del desierto (Alfaguara).

-Como Kafka, que escribió en alemán, y tantos otros ¿podría usted haber elegido una lengua literaria distinta a la portuguesa?

-En el caso de Kafka parece una naturalidad histórica, no crees? Cuando yo era muy joven –tendría 16 años- me pregunté sobre esa posibilidad. Pero hubiera sido renunciar a la grandeza del portugués. Hubiera sido un acuerdo espurio para facilitar mi trayectoria literaria. Y no lo quise así. Sé que no elegí el camino más fácil. Pero elegí, sin arrepentimientos, ser una escritora brasileña.

-¿Qué le brindó la lengua portuguesa?

-Cuando asumí como presidenta de la Academia Brasileña de Letras, la mayor institución cultural de mi país fundada por Machado de Assis y Joaquim Nabuco, dije que me sentía como una brasileña reciente. Ya no tengo ese sentimiento, pero durante muchos años me sentí como si hubiera golpeado hacía poco tiempo la puerta del corazón brasileño. Y de ese modo tenía que hacer un doble esfuerzo por interpretar ese país. Como una cristiana nueva que no abjura de su anterior creencia, me tocaba mirar desde un ángulo singular por el hecho de ser de familia inmigrante gallega. Esto me ha dado una antigüedad, porque me siento como una mujer de 5000 años. Aunque soy nueva en América, soy antigua en algún sitio y he aportado esta antigüedad a mi mirada americana. La lengua portuguesa, además, ganó modernidad al llegar a Brasil…

-Como el español en América latina.

-Exacto. En el momento en que ingresamos en la corriente atlántica, el espíritu del portugués fue afectado. Empezamos a buscar interpretaciones y palabras que se ajustaran al nuevo espíritu de América.

-¿La historia de la literatura comete muchas injusticias, como el olvido al que se condenó a Machado de Assis?

-Es inevitable, porque muchas veces hay un epicentro decisorio que varía. Ese epicentro no siempre favorece el periférico. Y a Machado de Assis lo tuvimos siempre en el periférico. Machado, un genio extraordinario, fue el primer gran narrador de América Latina, el padre de la novela moderna, el que se atreve a tomar el mundo urbano como hilo conductor de su narrativa. Hace de Río de Janeiro la metáfora de Brasil. Por eso hay que considerarlo como el extraordinario intérprete de Brasil. La tendencia en nuestros países es buscar a los intérpretes en la sociología o en la enseñanza social. Pero creo que la psiquis brasileña, sus laberintos y su misterio están en la obra de Machado. Y a través de la obra de creación se puede incursionar en lo humano.

-¿Machado es a Brasil lo que Borges, a la Argentina?

-Borges es, para las últimas generaciones, un escritor cuya audacia fue imaginar que el mundo era Argentina. No hacía falta estar en la Argentina para ser argentino. El circula por el mundo, como si estuviera en la calle Posadas, de Buenos Aires. Y tiene una vocación universal. A mi juicio fue muy argentino. El abolió fronteras para las últimas generaciones. E inventó universos. Hasta un punto fue él quien ayudó a liberar el concepto de ciudades imaginarias. En ese sentido es un escritor extraordinario, a quien admiro profundamente.

-En Voces del desierto, la mujer parece detener el tiempo para que no corra sangre. ¿Sería el papel deseable para el género en un mundo dispuesto a la guerra?

-Convendría que lo fuera, pero no estoy segura. Es impredecible lo que la mujer vaya a hacer con su trayectoria. Lo importante es que ponga las pautas para hacer algo inaugural. Esa criatura tendrá que ser puesta a prueba, por si la sociedad es tan dañina que lo devasta todo y no deja espacio para la redención moral. Seria un atrevimiento. Pero hay que saber que la libertad exige una responsabilidad ética muy grande. Desde ese espacio inaugural, ella pueda aportar un elemento inesperado.

-¿Por qué los políticos prescinden de los intelectuales?

-Porque son egocéntricos y cada vez más incultos. Para ellos el libro es una abstracción. Además, piensan que los intelectuales son incómodos, un peso desagradable. Y con ideas no se gobierna. Creación, ideas y acción pública no se llevan. Ha pasado muy pocas veces en la historia. Para los políticos las ideas siempre están vinculadas a un sueño imposible y peligroso.

-¿Por qué el hombre necesita historias para sentirse vivo?

-Porque nuestra historia personal es insuficiente. Siempre tenemos que contrastarla con las de los otros, sea el vecino o quien fuera. Eso tiene que ver con un sentimiento de vacío que sólo puede ser llenado con la intriga, con el rumoreo. Para avanzar hacia sí mismo el hombre tiene que saber qué pasa en la casa del otro. Es inevitable: si no sé de tu vida, la mía reduce su dimensión. Estoy convencida de que no se puede volver a casa todos los días, desde el trabajo o de donde sea, sin llevar una pequeña intriga en el bolso. No se puede llegar a casa y decirle a otro: “No he vivido nada”. Uno siempre tiene que dar pruebas al otro de que ha vivido una aventura diaria. Hay que legitimar lo cotidiano. Entonces uno llega y cuenta una historia ampliada. No somos narradores simples, nuestra vida personal no lo permite. Quien vuelve a su casa en silencio es muy peligroso. Le falta horizonte, imaginación y acepta una vida traducida, sin darse el trabajo de traducirla. Los escritores no inventamos la literatura, sino la poética. Ha sido la sociedad humana la que, desde el principio de la tribu, exigió que alguien le contara su historia. Por eso la comunidad acepta la invención literaria como si fuera suya.

-¿Cuál es la ciudad más literaria de Brasil?

-Si hablo de Machado de Assis, tengo que decir que es Río de Janeiro. Machado no cuenta la historia de Río, sino la de Brasil. Río de Janeiro es para Machado de Assis un escenario teatral. El sertón (desierto) brasileño sirvió muchas veces de escenario mítico. La materia de la realidad tiene que pasar por muchos filtros para ganar verosimilitud. Todo sirve para convencer en el arte.

-¿La lectura puede ayudar a la gente a preservarse en los países asolados por la violencia?

-Nos conviene creer eso, porque la lectura es una expresión de la civilización contra la barbarie. Es como si trabáramos batallas para enfrentar a aquellos que quieren hacernos renunciar a nuestro humanismo. Y la lectura es extraordinaria. Basta leer a Antígona para responder esa pregunta. Por eso es tan raro que la sociedad lea cada vez menos. Y eso se nota. Hoy, en el ascensor, saludé a dos brasileños que no reconocieron mi acento, porque hablé en español. Ellos hablaban un portugués indigente y hacían chistes indigentes. Hay que ser brillante en la ironía. De inmediato pensé: “¡Dios mío! Ya no es posible encontrar gente que suspenda la realidad con una frase”. Es raro que te sorprenda alguien con una frase comprometedora. Al contrario, te expulsan.

-Cunde una sensación de no pertenencia.

-Exacto, es como si tú no pertenecieras ya a un universo cosmopolita, culto y civilizado. Todo es muy indigente. Y además la gente está renunciando al uso pleno de la lengua. Una sola palabra define todo. ¿Donde ha quedado el mundo de las ideas y los conceptos? ¿Debajo de la alfombra?

-Pensando en el erotismo de Voces del desierto, ¿no cree usted que el vértigo de lo cotidiano ha afectado ese elemento que atraviesa todos los vínculos?

-El erotismo está en todas las expresiones. También entre los amigos, y no hace falta que uno tenga conciencia de que es erótico en un gesto o en un anhelo temporario. Vivimos con tanta velocidad, con tanto estrés, con tanta presión, que sólo queda el sexo mecánico. Pero ese sentimiento inefable del cuerpo, que es el erotismo, está desapareciendo. La gente ya no tiene una mirada erótica, que no es de lujuria, sino de complicidad. Hoy ya no se hace el amor para dos, sino para la mirada de un tercer observador que evalúa tus habilidades. Esto provoca una obsolescencia muy fuerte y te obliga a acelerar mucho más una vida que tendría que ser vivida con otra plenitud. Parece que tuvieras que dar pruebas evidentes de que no estás muerto. Es un miedo terrible a dejarse atrapar por la finitud.

-Y aparece el botox para extender la vida…

-Vivimos en una sociedad que se vanagloria de su juventud, de los pechos grandes, de la delgadez, de la cirugía estética, del botox en todas partes. Eso es la expresión del descontento con el propio ser. Es la no aceptación de quien eres. Y además no le da tiempo al cuerpo a vivir la dramática emoción de su envejecimiento, que es algo impresionante. Cada mañana te das cuenta que tus movimientos son distintos, que tienes que caminar de una determinada manera para no caerte. Es muy fascinante. Una experiencia única. Entonces simulas que la cara que ves no es la tuya. Pero ¿a quien se la pediste prestada? A quien le estás pagando copyright?

-Usted, que es aprendiz de Homero, ¿con qué personaje homérico se identifica?

-Creo que Paris y Elena son dos tontos. Aquiles me parece interesante. Pero el mayor de todos es Ulises, por mucho más que por su astucia. Ulises es quien aprenderá a envejecer. Es quien, en verdad, sabe que puede perderlo todo y entonces engaña a las fuerzas de la naturaleza para llegar un día, quién sabe, a Ítaca. Es el gran sobreviviente de Troya. Todos hacen su acuerdo con la eternidad, pero quien sobrevive es Ulises. Es quien cruza todas las épocas.

30/09/2007 - 23:56h Cantares, Joan Manuel Serrat