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	<title>Blog do Favre &#187; Madeira</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
	<lastBuildDate>Tue, 24 Nov 2009 17:13:12 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Para OMC, Brasil é exemplo a ser seguido</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 13:37:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assis Moreira, de Genebra &#8211; VALOR
O Brasil indicou ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC) que uma proposta de aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para produtos lácteos, de couro, têxteis e de madeira, se for aprovada e implementada terá &#8220;abrangência muito limitada e para resolver situações muito específicas&#8221;. A proposta está em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">Assis Moreira, de Genebra &#8211; VALOR</p>
<p><img src="http://www.ofir4news.com.br/wp-content/uploads/2009/02/6jpg8.jpg" alt="http://www.ofir4news.com.br/wp-content/uploads/2009/02/6jpg8.jpg" align="left" />O Brasil indicou ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC) que uma proposta de aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para produtos lácteos, de couro, têxteis e de madeira, se for aprovada e implementada terá &#8220;abrangência muito limitada e para resolver situações muito específicas&#8221;. A proposta está em discussão no bloco desde novembro e vários parceiros comerciais pediram esclarecimentos sobre sua aplicação, durante o exame da política comercial brasileira, encerrada ontem com a entrega de 316 páginas de respostas de Brasília.</p>
<p>Segundo o mediador do exame, o embaixador húngaro Istvan Major, o sentimento geral dos parceiros foi de que o Brasil, apesar da desaceleração econômica, &#8220;tem muito boas chances de resistir muito melhor na crise do que os outros&#8221;. Para ele, &#8220;o Brasil é um modelo a ser seguido&#8221;.</p>
<p>Uma &#8220;apreciação generalizada&#8221; foi manifestada sobre a decisão do país de &#8220;resistir a pressões protecionistas&#8221; ao não expandir a abrangência de licenças de importação não-automáticas. Mas várias delegações questionaram demandas atuais de licença. O Brasil respondeu que está tomando medidas para minimizar o impacto das licenças e que não tem intenção de impor novas exigências sobre uma lista maior de produtos.</p>
<p>Países pobres se manifestaram em peso elogiando o Brasil, mas também cobraram a promessa de acesso livre de cotas e tarifas para seus produtos no mercado brasileiro, feita no âmbito da Rodada Doha, que está longe de terminar.</p>
<p>O relatório dos economistas da OMC, que inclui o brasileiro Alberto Bueno, apontou o aumento da presença do Estado nos financiamentos e a suspeita de que as taxas de juros cobradas pelos bancos oficiais embutem subsídios que atropelariam as regras internacionais. Mas a reação foi bem tímida, no rastro da crise atual. Segundo o mediador, poucos países indagaram sobre os programas de financiamento à exportação que teriam &#8220;algumas distorções no comércio&#8221;.</p>
<p>Em relação ao exame realizado em 2004, a conclusão foi de que a política comercial hoje é mais aberta, que a burocracia persiste, mas diminuiu, e a modernização está em curso nas aduanas. Sobre a pouca transparência em regulações técnicas e medidas sanitárias e fitossanitárias, o mediador disse que &#8220;são problemas não só do Brasil, mas de outros países também&#8221;.</p>
<p>O exame do Brasil provocou 800 questões, muitas delas refletindo preocupações bem específicas. A China recusa há meses prorrogar um acordo com o Brasil pelo qual restringe voluntariamente exportações de têxteis e vestuário para o país. O resultado é que aumentarão as medidas antidumping contra os chineses. Assim, sem surpresas Pequim indagou sobre uma suposta cláusula de &#8220;interesse nacional&#8221; que a Câmara de Comércio Exterior usaria para decisão final nos casos de dumping. O Brasil respondeu que as sobretaxas só visam combater o dumping que causa prejuízos à indústria nacional.</p>
<p>Os Estados Unidos, o Canadá e o México, sócios no Nafta, apareceram com um extenso comentário sobre a importância de países produtores de aço &#8220;não influírem nas exportações&#8221;, nem limitarem as importações. O Brasil retrucou que só monitora o preço do aço importado. E que está preocupado com a implementação do &#8220;Buy America&#8221; aplicado aos siderúrgicos.</p>
<p>Entre as inúmeras perguntas da União Europeia, uma foi sobre o que o Brasil está fazendo para assegurar produção sustentável de biocombustível, incluindo respeito a padrões trabalhistas e implicação na mudança do uso da terra. A resposta foi de que a ocorrência de &#8220;práticas de trabalho ilegal em plantações de açúcar são residuais&#8221;, que a expansão da cana de açúcar é em áreas degradadas e que o governo tem um plano agroecológico que dirá onde o cultivo de cana será proibido, autorizado ou encorajado.</p>
<p>A UE quis saber em detalhes também o estado e as condições de negociações de acordos do Mercosul com a Índia, a África do Sul e outros países. E perguntou se o bloco pretende incluir cláusulas sociais e trabalhistas nos acordos. A resposta foi &#8220;não&#8221;.</p>
<p>Cingapura, um paraíso fiscal, quis saber porque o Brasil cobra 25% na repatriação de ganhos para países com baixos impostos, comparado a 15% para outros países. O Brasil explicou que carrega mais na taxa no fluxo de capital com os paraísos fiscais para prevenir evasão fiscal.</p>
<p>O Canadá, um dos grandes exportadores agrícolas, perguntou sobre o impacto da crise atual sobre os produtores agrícolas brasileiros. A delegação brasileira respondeu que a liquidez está melhorando, mas a produção de grãos cairá 6,4% e há preocupações sobre a demanda e preços externos.</p>
<p>A Nova Zelândia, um dos maiores exportadores de lácteos, quis saber a racionalidade de o Mercosul, hoje exportador desses produtos, aplicar taxa bem maior na importação, de 18,8%. O Brasil respondeu que enquanto persistirem os subsídios para lácteos no comércio internacional, a taxa não diminuirá.</p>
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		<title>No ano, foi o 3º melhor resultado da era Lula</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 14:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Alta do PIB em 2008 ficou atrás apenas de 2005 e 2007, com 5,7%
Fernando Dantas, RIO &#8211; O Estado SP
Apesar da forte queda no último trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 5,1% em 2008, o terceiro melhor resultado do governo Lula, abaixo apenas de 2005 e 2007 (ambos com 5,7%). Com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <font size="5"><strong>Alta do PIB em 2008 ficou atrás apenas de 2005 e 2007, com 5,7%</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">Fernando Dantas, RIO &#8211; O Estado SP</p>
<p>Apesar da forte queda no último trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 5,1% em 2008, o terceiro melhor resultado do governo Lula, abaixo apenas de 2005 e 2007 (ambos com 5,7%). Com o desempenho do ano passado, o PIB per capita cresceu 4%, depois de ter se expandido 4,5% em 2007. Esse é um ótimo resultado, já que a média anual de crescimento do PIB per capita nos últimos dez anos é de 2% e, nos últimos cinco anos, de 3,5%.</p>
<p>O PIB de 2008 teve como destaques, pelo lado da produção, a agropecuária, que cresceu 5,8%, e a construção civil, que teve expansão de 8%. Pelo lado da demanda, as estrelas foram os investimentos, que cresceram 13,8%, apesar do tombo no último trimestre.</p>
<p>Mesmo com o aumento médio da Selic (taxa básica de juros) de 11,9% para 12,5% de 2007 para 2008, a expansão nominal do crédito bancário para empresas (42,2%) e das operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (23,4%) contribuiu para o salto dos investimentos.</p>
<p>Os consumos das famílias e do governo cresceram, respectivamente, 5,4% e 5,6%. No caso das famílias, foi o quinto aumento anual seguido, puxado pelo crescimento de 7,9% na massa salarial e pelo crescimento nominal de 30,3% nas operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas.</p>
<p>As importações de bens e serviços se expandiram em 18,5% e as exportações recuaram 0,6%. Na agropecuária, os desempenhos principais foram do café, com alta de 25%, cana (19,2%) e milho (13,3%). A construção civil foi impulsionada pelo crédito à habitação, que cresceu 30,4% em termos nominais.</p>
<p><strong>INDÚSTRIA</strong></p>
<p>A indústria de transformação cresceu apenas 3,2% em 2008, o pior desempenho na indústria como um todo. Alguns dos melhores desempenhos na indústria de transformação foram segmentos como &#8220;outros equipamentos de transporte&#8221; (exclui automóveis) e produtos farmacêuticos. E algumas das piores quedas foram em produtos de madeira e produtos químicos, materiais elétricos e equipamentos de comunicação.</p>
<p>A indústria extrativa mineral cresceu 4,3% em 2008 e a de produção e distribuição de eletricidade, gás e água se expandiu 4,5%.</p>
<p>Os melhores desempenhos entre todos setores industriais e de serviços ficaram com a intermediação financeira e previdência complementar (9,1%, puxada pelo crédito e seguros) e os serviços de informação, impulsionados pela telefonia celular. O comércio cresceu 6,1%.</p>
<p>TRIBUTOS</p>
<p>Os impostos sobre produtos cresceram 7,4% em 2008, mais que o valor agregado a preços básicos, que cresceu 4,7% (juntos, valor agregado e impostos compõem o PIB, que cresceu 5,1%). Os maiores aumentos de tributos foram os das importações &#8211; 23,4%, acompanhando o salto das compras externas -, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com 7,9%) e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com 6,9%.</p>
<p><strong><br />
REAÇÕES</strong></p>
<p>Antonio Delfim Netto<br />
Ex-ministro da Fazenda</p>
<p>&#8220;Como a atividade está fraca, o que demonstrou o PIB no quarto trimestre do ano passado, eu acredito que o BC deveria cortar os juros em 2 pontos porcentuais amanhã. Mas isso não deve ocorrer. Se o Copom diminuir a Selic em 1,5 ponto porcentual, mando rezar uma missa ecumênica&#8221;</p>
<p>Alexandre Schwartzman<br />
Economista-chefe do banco Santander</p>
<p>&#8220;A queda de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008 vai provocar um efeito carregamento (carry over) negativo da ordem de 1,5% a 1,7% para o PIB em 2009. Essa é uma conta grosseira, já que ainda não refizemos os cálculos com base nos novos números do IBGE&#8221;</p>
<p>José Serra</p>
<p>Governador de São Paulo &#8220;Infelizmente, não me surpreendeu (a queda do PIB).Isso sugere uma ação rápida dos governos nas três esferas e, principalmente, do governo federal, que tem nas mãos a política monetária. Depois de seis meses, ainda pratica a política monetária mais equivocada de todos os países do mundo&#8221;</p>
<p>Pedro Malan<br />
Economista e ex-ministro da Fazenda</p>
<p>Existe um amplo espaço para se reduzir os juros nominais e reais e podemos chegar até o fim do ano a um dígito. O resultado do PIB (queda de 3,6% no quarto trimestre de 2008) é uma das razões que me levam a pensar que há mais espaço para reduzir os juros&#8221;</p>
<p>Gustavo Franco<br />
Ex-presidente do Banco Central</p>
<p>&#8220;Nunca faltou coragem aos definidores da política monetária de subir os juros, resistindo a pressões políticas para que não o fizessem. Existe uma oportunidade inédita de se baixar os juros de maneira agressiva. O movimento tem que ser abrupto daqui para frente&#8221;</p>
<p>Rodrigo Maia<br />
Deputado federal pelo RJ e presidente do DEM</p>
<p>&#8220;A queda do PIB mostra incompetência e irresponsabilidade do governo. O presidente Lula continuou tratando a crise como marola e não se antecipou tomando medidas no momento adequado, quando a economia estava bem&#8221;</p>
<div id="c">
<h3><font size="5">Sem crise, a economia teria crescido 6,1%</font></h3>
</div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Sérgio Gobetti &#8211; O Estado SP</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>A economia teria fechado 2008 com crescimento de pelo menos 6,1%, a maior taxa desde o Plano Cruzado, em 1986, se não fosse a guinada provocada pela crise mundial. Nos três primeiros trimestres do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) vinha crescendo acima de 6% em relação ao mesmo período de 2007 e, de um trimestre para outro, vinha se expandindo cerca de 1,7% a cada três meses. Se, em vez de cair 3,6% no último trimestre, o PIB tivesse ficado simplesmente parado, o crescimento no final do ano teria sido 1% maior do que o registrado pelo IBGE.</p></div>
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		</item>
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		<title>Tucanos &#8220;em ação&#8221;: área de preservação, criada por decreto há três anos, continua com as obras paradas</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/tucanos-em-acao-area-de-preservacao-criada-por-decreto-ha-tres-anos-continua-com-as-obras-paradas/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 14:08:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Esgoto ameaça Parque Tizo


Diego Zanchetta &#8211; O Estado SP
No extremo da zona sul de São Paulo, às margens do Rodoanel, um terreno coberto com 70% de mata nativa, quase do tamanho do Parque Ibirapuera, preserva cinco nascentes e espécies de veados, jararacas, tatus e araras. Em março de 2006, após o Ministério Público proibir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong><font size="5">Esgoto ameaça Parque Tizo</font></strong></p>
<p><img src="http://www.jornalexpress.com.br/noticias/imagem.php?id_jornal=9194&amp;id_noticia=723" alt="http://www.jornalexpress.com.br/noticias/imagem.php?id_jornal=9194&amp;id_noticia=723" width="270" align="left" height="242" /></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.parqueipe.org.br/sabipe/images/jequitiba.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://www.parqueipe.org.br/sabipe/images/jequitiba.jpg" width="255" height="304" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Diego Zanchetta &#8211; O Estado SP</p>
<p>No extremo da zona sul de São Paulo, às margens do Rodoanel, um terreno coberto com 70% de mata nativa, quase do tamanho do Parque Ibirapuera, preserva cinco nascentes e espécies de veados, jararacas, tatus e araras. Em março de 2006, após o Ministério Público proibir o Estado de construir uma central de abastecimento na área, um decreto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) definiu que o terreno seria transformado no Parque Tizo (Terras Institucionais da Zona Oeste), voltado para o desenvolvimento de pesquisas biológicas. A medida surgiu após uma década de reivindicação de ambientalistas e parecia colocar fim à intenção de construtoras de erguerem novos empreendimentos na região.</p>
<p>Passados três anos, as obras do futuro parque seguem paradas. A previsão inicial do Estado era de que pelo menos a infraestrutura estivesse pronta em 2007. Só que nem a instalação da cerca para proteger o entorno da mata foi feita. Vista do alto, a vegetação exuberante contrasta com o avanço de barracos de madeira nas encostas, a menos de dez metros da área de preservação permanente, no limite dos municípios de São Paulo e Taboão da Serra.</p>
<p>A maior ameaça ao parque hoje, segundo ambientalistas, é o esgoto de uma invasão com cerca de 500 famílias, chamada Vila Nova Esperança, que escorre para dentro da mata do futuro parque. Os próprios moradores da ocupação vizinha relatam que toda semana invasores tentam levantar barracos dentro do parque. &#8220;A mata só não foi invadida de vez porque nós não deixamos&#8221;, diz Valdemir Monteiro de Sales, de 43 anos, líder comunitário da Vila Nova Esperança.</p>
<p>As famílias rejeitaram a proposta da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) de mudança para um conjunto habitacional em Cotia. Com as chuvas intensas desde dezembro, pelo menos oito barracos desmoronaram, após seguidos deslizamentos. &#8220;Nós pedimos a urbanização do bairro. O saneamento aqui é fundamental, também não queremos que o esgoto escorra para a mata&#8221;, argumentou Sales. Para o governo, contudo, a melhor alternativa é a remoção das famílias, para evitar futuros impactos ambientais.</p>
<p>É comum, por exemplo, moradores encontrarem cobras e tatus vindos da mata. Alguns ainda costumam caçar aves, como coleiros e araras, para revender. &#8220;Esta ainda é pequena&#8221;, diz o pedreiro Rafael Marques dos Santos, de 41 anos, ao mostrar uma jararaca que havia acabado de matar. &#8220;Ela estava no meu quarto. Sorte que eu vi antes de deitar para um cochilo depois do almoço.&#8221;</p>
<p>Para Mário Mantovani, ambientalista da Fundação SOS Mata Atlântica, o projeto do parque está abandonado. &#8220;O problema é que a região sofre com constantes invasões. E um espaço como aquela mata, não ocupado pelo poder público, torna-se suscetível às invasões numa região com alta densidade populacional como é o extremo da zona sul&#8221;, apontou o ambientalista. &#8220;Pela construção do Rodoanel, a Dersa também teria de fazer compensações na área verde, como o replantio de mudas e um viveiro. O receio é de que essas contrapartidas sejam esquecidas com o passar do tempo, com a chegada de novas eleições em 2010.&#8221;</p>
<p>A Sabesp informou que realizará serviços de coleta de esgotos na Vila Nova Esperança, com 2,7 mil metros de redes coletoras, totalizando um investimento de R$ 843 mil. As obras de saneamento estão previstas no cronograma da terceira etapa do Programa de Despoluição do Tietê. &#8220;A previsão da empresa é começar os trabalhos no primeiro semestre do ano que vem e a finalização das obras está prevista para o segundo semestre de 2010&#8243;, informou a Sabesp.</p>
<p><strong>AVES EM EXTINÇÃO</strong></p>
<p>A área do parque ecológico também abriga aves ameaçadas de extinção, como o pica-pau rei e a araponga, além de espécies de canelas e plantas arbóreas, caso da guaçatonga (planta usada como anti-inflamatório e cicatrizante) e da flor hirtella triandra. Como parte da área do parque segue aberta, moradores fazem trilhas dentro da mata, cortando pequenos arbustos e galhos. Oito seguranças se revezam em dois turnos na vigilância de 1,3 milhão de metros quadrados do parque e tentam coibir as invasões na mata.</p>
<p>Paralelamente às constantes invasões de barracos no entorno do parque, em 2007, um ano após a área ser definida como de proteção permanente, o Ministério Público desbaratou o esquema de uma cooperativa de Cotia que vendia ilegalmente lotes no terreno. &#8220;Por isso é tão importante que o parque seja logo ocupado para o desenvolvimento de pesquisas&#8221;, completou Mantovani.</p>
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		<title>Adubo da Amazônia, a chave para o clima?</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 14:01:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Julio Bittencourt/Valor

Cortador de cana em Morro Agudo (SP): das 460 milhões de toneladas da safra anual de cana do Brasil, até metade poderia se transformar em biocarvão

Fiona Harvey, Financial Times &#8211; VALOR
Na bacia amazônica brasileira, os agricultores há muito encontraram uma forma especial de fertilizante &#8211; uma substância local parecida com um adubo e louvada [...]]]></description>
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<div class="descricao_foto_credito">Julio Bittencourt/Valor</div>
<p><img src="http://www.valoronline.com.br/Imagens/Impresso/ed_0002210/imagens/foto04agr-canda-a12.jpg" /></p>
<div class="descricao_foto_legenda">Cortador de cana em Morro Agudo (SP): das 460 milhões de toneladas da safra anual de cana do Brasil, até metade poderia se transformar em biocarvão</div>
<p></span></em></font></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Fiona Harvey, Financial Times &#8211; VALOR</strong></p>
<p>Na bacia amazônica brasileira, os agricultores há muito encontraram uma forma especial de fertilizante &#8211; uma substância local parecida com um adubo e louvada por suas fantásticas qualidades para revigorar solos pobres. Eles a compram em sacas ou a encontram no solo, em buracos de até 1,80 metro de profundidade. Espalhada pelos campos, a substância mantém suas qualidades férteis por longos períodos.</p>
<p>Os agricultores a chamam de terra preta do índio. Densa, rica e argilosa, representa um contraste gritante com os solos pobres da região. Parece paradoxal, mas os solos da floresta tropical têm baixa fertilidade. É por isso que os fazendeiros que derrubam a floresta para fins agrícolas precisam continuar cortando árvores &#8211; após alguns anos de colheita, o rendimento desaba e eles precisam mudar-se para outro local.</p>
<p>Esses buracos preenchidos com terra preta estendem-se por muitos hectares, mas até recentemente ninguém sabia realmente o que era a misteriosa substância. Alguns supunham que era vulcânica, sedimento de antigos lagos ou o resíduo de alguma vegetação há muito decomposta. Poucos imaginavam que era obra do homem.</p>
<p>A terra preta, comprovaram modernas análises, é um dos últimos traços remanescentes da agricultura pré-colombiana na bacia amazônica. Foi produzida há mais de 2,5 mil anos (podendo chegar talvez a 6 mil anos) por pessoas que moravam ao longo do rio. Essas culturas conseguiram sustentar formas complexas de agricultura, apesar do solo pobre, produzindo sua própria terra. Valiam-se dos suspeitos de sempre: estrume, peixe, ossos de animais e sobras de plantas. Mas o ingrediente-chave e que também lhe dá sua cor preta é um carvão essencialmente vegetal.</p>
<p>&#8220;É um material maravilhoso&#8221;, diz Simon Shackley, professor de ciências sociais da Universidade de Edimburgo. &#8220;Começamos a conhecer o assunto quando cientistas holandeses começaram a avaliá-lo nos anos 60. É realmente produto da agricultura de derrubada e queimada e outros resíduos orgânicos, incorporado aos solos por centenas ou até milhares de anos. E parece ser fértil indefinidamente, o que é algo muito estranho&#8221;.</p>
<p>Esse produto ancestral da Amazônia agora é objeto de intensas investigações de cientistas que estudam as mudanças climáticas. A tenacidade do carvão da terra preta, retendo suas propriedades fertilizantes ao longo dos séculos, deu-lhes uma ideia. Esse tipo de carvão é uma forma de carbono, resultado de resíduos queimados de plantas e materiais animais. Então, por que não reter mais carbono no solo desta maneira, uma vez que pode ficar intacto por tanto tempo, sem ser liberado como gás, na forma de dióxido de carbono?</p>
<p>Os cientistas começaram a referir-se ao carvão produzido a partir de plantas com o fim de armazenar carbono como &#8220;biocarvão&#8221; (biochar, em inglês). A teoria é que a biomassa &#8211; qualquer planta ou material animal &#8211; pode ser transformada em carvão, depois de aquecida na ausência de oxigênio. Retirar o CO2 da atmosfera poderia ter um impacto imenso no clima.</p>
<p>Os solos contêm naturalmente grandes quantidades de carbono da vegetação decomposta. Esse carbono, contudo, é relativamente instável em termos climáticos: o solo libera gás carbônico quando perturbado, como com a aragem, o que o torna tanto uma fonte de carbono quanto um reservatório de carbono. Portanto, a ideia de tentar reter o carbono em solos vinha encontrando pouca receptividade entre os cientistas climáticos &#8211; de fato ganhou até má reputação, já que agricultores queriam lucrar, argumentando que seus campos deveriam qualificar-se para receber os créditos de carbono idealizados para dar suporte financeiro a projetos como as usinas eólicas ou de energia solar.</p>
<p>A diferença do biocarvão é que a estabilidade do carvão deve possibilitar prender por centenas de anos o carbono que contém. O carbono é mineralizado, portanto é muito resistente a rompimentos. Além disso, os benefícios secundários &#8211; não apenas a melhora das características do solo, mas certos subprodutos de sua produção &#8211; devem ser suficientes para torná-lo economicamente atraente.</p>
<p>Quando é produzido, cerca de 30% de sua biomassa é transformada em carvão, outro terço em gás de síntese que pode ser queimado para gerar eletricidade; e o restante em um substituto do petróleo bruto, que pode ser muito útil na produção de plásticos, embora de difícil uso como combustível para transporte. Tim Flannery, um eminente naturalista e explorador australiano, argumenta que essas propriedades do biocarvão permitem &#8220;resolver três ou quatro crises cruciais de uma só vez: a crise da mudança climática, a crise energética e as crises dos alimentos e da água&#8221;, porque colocar o biocarvão no solo não apenas o fertiliza, mas também ajuda a reter água.</p>
<p>Até que ponto o biocarvão poderia mudar o equilíbrio de carbono no mundo? Há pouca dúvida de que seriam necessárias enormes quantidades. A cada ano, as atividades humanas contribuem para a emissão de 8 bilhões a 10 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. A maior parte desse gás não afeta diretamente o clima &#8211; o mundo tem seu próprio ciclo natural de carbono, pelo qual o dióxido de carbono na atmosfera é absorvido e reemitido por &#8220;depósitos de carbono&#8221; da vegetação, solos, mares e outros processos naturais. Esses processos, no entanto, estão sendo severamente sobrecarregados, portanto o conteúdo de carbono na atmosfera está aumentando. Hoje, está em 387 partes por milhão, mais alto do que em qualquer outro período dos últimos 650 mil anos e provavelmente dos últimos 20 milhões.</p>
<p>Segundo o Projeto de Carbono Mundial (GCP), entre 2000 e 2007, o carbono nos depósitos das terras e dos oceanos &#8211; como florestas e o plâncton nos oceanos &#8211; removeu cerca de 54%, ou 4,8 bilhões de toneladas por ano do CO2 que o homem jogou na atmosfera. Isso deixa o excesso de carbono em cerca de 4 bilhões de toneladas por ano. Mesmo com a conversa dos governos de &#8220;economia de baixa emissão de carbono&#8221;, as emissões de gases-estufa sobem com rapidez.</p>
<p>Para a Comissão Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as emissões teriam de chegar a seu pico &#8211; e passar a cair &#8211; entre 2015 e 2020, para evitar os efeitos mais catastróficos das mudanças climáticas. Pelas atuais projeções, isso seria impossível. A menos que sejam encontrados métodos de remover o CO2 de forma fácil e barata, e de gerar eletricidade limpa de formas que possam ser adotadas em todo o mundo com mais rapidez do que as tecnologias de fontes renováveis atuais.</p>
<p>Algumas primeiras estimativas sobre o potencial do biocarvão apontam que essa substância maravilhosa poderia, sozinha, promover todas as reduções de carbono necessárias para impedir qualquer aquecimento mundial adicional. Johannes Lehmann, da Universidade Cornell, e outros pesquisadores calcularam que o biocarvão poderia remover anualmente entre 5,5 bilhões e 9,5 bilhões de toneladas de carbono do ar. Mas, diz Shackley, essas estimativas baseiam-se em premissas &#8220;heroicas&#8221; sobre a capacidade de produzir biocarvão facilmente em todo o mundo. &#8220;Recentemente, verifica-se uma tendência conservadora diante de números muito grandes&#8221;, observa ele. &#8220;Hoje, eu diria que as pessoas estão falando mais na faixa de 1 bilhão a 2 bilhões de toneladas por ano&#8221;.</p>
<p>Isso pode parecer desapontador em comparação com afirmações grandiosas anteriores, mas constitui, ainda assim, uma contribuição potencial extraordinária originada de um único método, diz Shackley. &#8220;Sem dúvida, não é algo trivial&#8221;, concorda Tim Lenton, professor de ciência de sistemas terrestres na Universidade de East Anglia, na Inglaterra. &#8220;Poderá representar uma fatia significativa do que necessitamos, e produziria benefícios colaterais substanciais &#8211; é um jogo onde todos ganham&#8221;.</p>
<p>Se outras técnicas para redução de carbono &#8211; como preservação e replantio de florestas e o empenho em melhorar a eficiência energética &#8211; fossem implementados simultaneamente, o mundo poderia realizar os cortes necessários em nosso &#8220;orçamento de carbono&#8221; para evitar um desastre climático.</p>
<p>Essas possibilidades, e as peculiares qualidades do biocarvão estão fazendo dele uma das mais empolgantes novas áreas de pesquisas sobre mudanças climáticas. A ideia de sequestro do carbono empregando biocarvão conquistou a adesão de alguns peso-pesados da ciência, como James Lovelock. Cientistas na Universidade Cornell pesquisam maneiras de sequestrar carbono em solo enriquecido com biocarvão. No Reino Unido, um centro de pesquisas de biocarvão foi estabelecido na Universidade de Edimburgo. Outros europeus copiam o exemplo, e um pequeno número de empresas está nos estágios iniciais das tentativas de encontrar maneiras de comercializar a produção de biocarvão.</p>
<p>Carvão vegetal não é, evidentemente, algo novo. As pessoas vêm produzindo esse tipo de carvão há milênios, sobretudo para usá-lo como combustível. O processo é simples: pegue madeira, palha ou resíduos de colheitas, e aqueça-os na ausência de oxigênio. Tradicionalmente, isso era feito tocando fogo na biomassa e empilhando terra por cima do material para que o material ardesse durante muito tempo. Fornos modernos podem tornar o processo mais eficiente, mas o princípio é o mesmo.</p>
<p>Mas há muita coisa sobre o biocarvão que continua envolta em mistério. Por exemplo, os efeitos sobre a fertilidade do solo. Por que é que o carvão vegetal melhora tanto o solo? &#8220;A resposta simples é: não sabemos exatamente&#8221;, diz Shackley. &#8220;É, provavelmente, uma combinação de vários fatores. O carvão vegetal é poroso, de modo que age como uma esponja ao reter água e os nutrientes dissolvidos em água, algo que os solos pobres não fazem muito bem. E [sua natureza porosa] também significa que é um bom material para cultivar muitas bactérias importantes&#8221;.</p>
<p>Outro fator crucial a seu favor é que usar biocarvão como fertilizante pode tomar o lugar dos fertilizantes artificiais à base de nitrogênio, que liberam oxido nitroso, um gás que provoca o efeito estufa 300 vezes mais poderoso do que CO2. E o biocarvão não é tóxico, acrescenta Lenton: &#8220;Até agora, ninguém disse existir algum grande perigo oculto associado a ele&#8221;.</p>
<p>Mas Saran Sohi, professora de ciência dos solos, adverte que qualquer pessoa que espere que o biocarvão sozinho solucionará os problemas de fertilidade está iludido &#8211; o biocarvão não é, por si só, suficiente para fazer a diferença que a &#8220;terra preta&#8221; tem para os solos pobres brasileiros. &#8220;Os solos de terra preta também contêm outros nutrientes, provenientes das outras substâncias que eles contêm &#8211; coisas como ossos, que são ricos em fósforo [essenciais para crescimento saudável das plantas]&#8220;, diz ela. O biocarvão desempenha um papel na manutenção desses nutrientes reunidos, assegurando que eles permaneçam disponíveis para as raízes das plantas, mas os nutrientes precisam ser disponibilizados por outros meios. &#8220;Ninguém conseguiu, ainda, recriar terra preta&#8221;, acrescenta Shackley.</p>
<p>Para produzir biocarvão em escala industrial, métodos tradicionais de produção seriam impraticáveis. Em vez disso, pesquisadores examinam o processo de pirólise &#8211; uma forma de decomposição térmica controlada de material orgânico na ausência de oxigênio, a temperaturas que alcançar 600°C.</p>
<p>O uso de pirólise também permite a captura de gás de síntese e dos subprodutos líquidos, ambos passíveis de ser usados como combustível para gerar eletricidade ou para o processo de aquecimento.</p>
<p>A quantidade de biocarvão a ser produzida depende da aceleração ou desaceleração no processo de pirólise: métodos rápidos produzem 20% de biocarvão, 20% de gás de síntese e 60% de bio-óleo, ao passo que métodos lentos produzem cerca de 50% de biogás e quantidades bem menores de óleo. &#8220;É também muito mais fácil tornar mais lenta a pirólise&#8221;, diz Adrian Higson, do Conselho Nacional Britânico de Colheitas Não-alimentícias. &#8220;E mais barato&#8221;. Como as modernas usinas, a pirólise pode ser alimentada exclusivamente com gás de síntese, a produção fica entre três e nove vezes o insumo energético necessário, segundo o Instituto de Governança e Desenvolvimento Sustentável.</p>
<p>O que usar para produzir o biocarvão? Destruir florestas seria insano. Mas a agricultura produz grandes quantidades de resíduos de plantas e de animais &#8211; palha, cascas e esterco. Até rejeitos de humanos &#8211; tudo o que vai para o esgoto ou algumas formas de lixo domiciliar &#8211; poderiam ser usados. E o uso de produtos residuais criam uma dupla economia de carbono: se deixados apodrecendo, produzem metano, 20 vezes mais poderoso do que o CO2.</p>
<p>Mas a dificuldade está em reunir os rejeitos e em tornar o processo economicamente viável. Será preciso alguma dose de persuasão para convencer os agricultores de que faz sentido financeiramente dar-se ao trabalho de conservar e cozinhar seus rejeitos para convertê-los em biocarvão, e eles poderão necessitar novo maquinário para fazê-lo. Em nível de rejeitos municipais, o problema estará em separar os resíduos orgânicos, que podem ser convertidos em biocarvão, do resto do lixo &#8211; e provar que isso é mais barato e mais proveitoso do que simplesmente enterrá-los.</p>
<p>O IGSD sugere uma forma de casar métodos industriais e de pequena escala para a produção do carvão, que, se refinado, poderá viabilizar economicamente a produção de biocarvão em regiões urbanas, rurais e até pobres.</p>
<p>Ele sugere três sistemas possíveis. O primeiro é um plano centralizado, pelo qual todos os resíduos de biomassa numa determinada região poderiam ser levados a uma planta central para processamento; o segundo é um sistema descentralizado, no qual cada agricultor ou pequeno grupo de agricultores teria seu próprio forno pirolítico de baixa tecnologia. O terceiro sistema propõe uma alternativa móvel, na qual um veículo equipado com um pirolisador movido a gás sintético visitaria pequenos estabelecimentos agrícolas, devolvendo o biocarvão para uso dos agricultores e ao mesmo tempo coletando o bio-óleo a ser transportado a uma refinaria e transformado em biocombustível líquido para veículos.</p>
<p>Como exemplo, o IGSD menciona a indústria da cana no Brasil, na qual as partes superiores da cana, normalmente queimadas no campo, e o bagaço (o resíduo da produção de açúcar) poderiam ser transformados eficazmente em biocarvão. Ele estima que, das 460 milhões de toneladas da safra anual de cana, até metade poderia estar disponível para pirólise.</p>
<p>Um grupo de empresas agora analisa esses problemas e procura comercializar o biocarvão como um remédio para o clima e para o solo, e como uma fonte de energia.</p>
<p>Conforme observa com certo pesar Mike Mason, co-fundador da companhia de compensação de carbono Climate Care, comprada pelo JPMorgan, até agora ele havia planejado passar grande parte do seu tempo perambulando pela África procurando elefantes (ele nasceu no Reino Unido mas foi criado no leste da África). Em vez disso, decidiu que a mudança climática é um problema grande demais para ser deixado como está e, com a sua nova empresa, Biojoule, tem investigado formas de transformar biocarvão em um negócio economicamente viável.</p>
<p>Em Ontário, no Canadá, a Dynamotive está produzindo biocarvão e até 100 toneladas diárias de bio-óleo numa planta de processamento de madeira. A Crucible Carbon, na Austrália, estima que sua tecnologia permitirá o sequestro de carbono a partir do biocarvão a um custo de cerca de 29 dólares australianos (US$ 13) a tonelada.</p>
<p>Mesmo sem os problemas logísticos, porém, outras pessoas estão menos convencidas dos benefícios do produto. Robert Trezona, chefe de pesquisa e desenvolvimento na Carbon Trust, uma instituição que recebe recursos do governo do Reino Unido que ajuda as empresas a reduzir suas emissões de gás estufa, teme que considerar o biocarvão como o principal produto resultante da queima de biomassa possa ser um entendimento equivocado da questão. A Carbon Trust está concorrendo para desenvolver plantas pirolíticas, mas visando produzir combustíveis líquidos para transporte a partir da biomassa, usando técnicas pirolíticas velozes, ante as quais o biocarvão é um sub-produto de utilidade questionável. Na verdade, estimular agricultores a produzir biocarvão por meios tradicionais de baixa tecnologia pode resultar em mais emissões de gases-estufa do que queimar plantas para obter combustível ou descartá-las, diz.</p>
<p>(Tradução de Robert BanvolgyiI, Sabino Ahumada e Sergio Blum)</p>
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		<title>Concessão não explorada vai ser retomada, adverte Dilma</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Feb 2009 13:52:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ruy baron/valor

Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil: governo não permitirá que a Petrobras reduza investimentos e orientação é para que a estatal reavalie custos
&#160;
Claudia Safatle e Cristiano Romero, de Brasília &#8211; VALOR
A partir de agora, a empresa que não explorar uma concessão do governo, em qualquer área, vai perdê-la, avisa a ministra- -chefe da Casa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><em><font size="1">Ruy baron/valor<br />
</font></em><span id="ctl00_Conteudo_LblConteudo"><img src="http://www.valoronline.com.br/Imagens/Impresso/ed_0002194/imagens/foto09bra-dilmda-a12.jpg" /></span><em><br />
Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil: governo não permitirá que a Petrobras reduza investimentos e orientação é para que a estatal reavalie custos</em></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99">Claudia Safatle e Cristiano Romero, de Brasília &#8211; VALOR</p>
<p>A partir de agora, a empresa que não explorar uma concessão do governo, em qualquer área, vai perdê-la, avisa a ministra- -chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O objetivo não é retomar a concessão, mas exigir que haja a exploração, adianta a ministra, em entrevista ao Valor. Alguns quilos mais magra e com uma fisionomia bem mais jovem, Dilma revela também um ótimo humor. &#8220;A perda de peso é mérito meu; a aparência mais jovem é mérito da faca&#8221;, diz, referindo-se à plástica que fez no fim do ano passado.</p>
<p>Com dedicação integral a fazer os investimentos públicos andarem, a ministra não alimenta um segundo sequer de uma conversa sobre sua candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. &#8220;Ele nunca falou comigo sobre isso&#8221;, desconversa e ri. Mas debruça-se com ânimo sobre a vasta pasta de dados sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), agora engordado em mais R$ 142,1 bilhões até 2010, para mostrar que o programa é a principal ação anticrise do governo Lula.</p>
<p>Os investimentos da Petrobras são, juntamente com os do governo federal, peça crucial para manter o nível de atividade econômica do país. São US$ 60 bilhões (cerca de R$ 138 bilhões) até 2010, dos quais, R$ 45 bilhões serão assegurados por empréstimos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) &#8211; R$ 25 bilhões neste ano e R$ 20 bilhões no próximo.</p>
<p>Ao menor risco de a estatal ter que baixar suas pretensões por falta de recursos, como indicou o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, semana passada, em Londres, Dilma não titubeia: &#8220;O Gabrielli é um especialista em choro, mas esta ele não leva. Nós já sabemos de todo mundo que ofereceu (crédito). Fizemos um acordo. Eles fizeram uma conta e mostraram que tem condições de levantar o restante (além dos R$ 45 bilhões do BNDES). Tem uma parte que é caixa da empresa, outra que é venda antecipada de óleo&#8221;.</p>
<p>A seguir, os principais trechos da entrevista:</p>
<p><strong>Valor:  Uma das críticas feitas ao PAC é que se trata apenas de uma lista de obras. Como a sra. vê essa crítica?</strong></p>
<p>Dilma Rousseff: O PAC não é nem uma lista de obras nem uma peça de marketing. O que há é uma disputa política em cima do PAC. Eu até entendo que queiram fazê-la, mas a gente pode levar a disputa para um outro patamar, que não precisa ser esse, da negação.</p>
<p><strong>Valor: Como?</strong></p>
<p>Dilma: O PAC é uma proposta que fizemos num determinado momento do governo, quando achávamos que era fundamental acelerar o crescimento da economia. Ele é a expressão do que entendíamos como modelo de desenvolvimento baseado em duas coisas: inclusão social e aumento de oportunidades. Subdividimos isso em quatro objetivos. O primeiro foi colocar o investimento na ordem do dia depois de anos, o que fizemos em janeiro de 2007. Dissemos que íamos pegar os gargalos que existem na infraestrutura e adotar medidas para superá-los. O segundo foi fazer claramente uma política de distribuição de renda, propondo a universalização dos serviços públicos. Nessa linha, incluímos no PAC o programa &#8220;Luz Para Todos&#8221;, o abastecimento de água nas regiões metropolitanas até o fim de 2010 e o encaminhamento da questão do esgotamento sanitário. O terceiro objetivo é superar o desequilíbrio na distribuição regional da renda. Vamos enviesar o crescimento econômico também para as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. O quarto objetivo é reconstruir algumas indústrias.</p>
<p><strong>Valor: De que forma?</strong></p>
<p>Dilma: Eu destaco a indústria fornecedora de bens e serviços do setor de petróleo. A indústria naval, por exemplo. O PAC foi montado com esses objetivos, mas, aí, teve o momento em que começou a crise. O país vinha bem, houve a quebra do banco Lehman Brothers, que provocou uma freada brutal na economia. A gente já vinha, desde janeiro de 2007, olhando obras que poderíamos incorporar ao PAC. Diante da crise, decidimos antecipar investimentos e, na medida do possível, ampliá-los, e também substituir investimentos que não estão saindo do papel por outros que possam ocorrer.</p>
<p><strong>Valor: Qual é o acréscimo?</strong></p>
<p>Dilma: Antes, não estava no PAC, por exemplo, o trem de alta velocidade (entre Campinas e Rio de Janeiro). Agora, foi incluído. Em logística, até 2010, vamos aumentar os investimentos em R$ 37,1 bilhões. No eixo de energia, serão R$ 20,2 bilhões a mais, sendo que uma parte é da Petrobras. Esse número é conservador, um pouco subestimado. Acho que a Petrobras, nas novas refinarias e na exploração da camada pré-sal, pode gastar mais do que está previsto agora. São US$ 60 bilhões (cerca de R$ 138 bilhões) até 2010. Neste ano, ela pode investir até 2% do PIB &#8211; em 2008, foi 1,2% do PIB. No eixo das áreas social e urbana, são mais R$ 84,2 bilhões. O total acrescentado ao PAC dá R$ 142,1 bilhões.<br />
<strong><br />
Valor: Mas não vai faltar dinheiro para a Petrobras investir? O mercado externo está fechado.</strong></p>
<p>Dilma: Não. Nós fizemos um acordo com a empresa. O governo está colocando, em recursos do BNDES, R$ 45 bilhões na Petrobras nestes dois anos &#8211; R$ 25 bilhões em 2009 e R$ 20 bilhões em 2010.<br />
<strong><br />
Valor: O presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, disse em Londres que poderá ter que cortar investimento se não houver funding externo.</strong></p>
<p>Dilma: O Gabrielli é um especialista em choro, mas esta ele não leva. Nós já sabemos de todo mundo que ofereceu (crédito). Fizemos um acordo. Eles fizeram uma conta e mostraram que têm condições de levantar o restante (além dos R$ 45 bilhões do BNDES). Tem uma parte que é caixa da empresa, outra que é venda antecipada de óleo. É por isso que eu acho que o acréscimo de R$ 20,2 bilhões que estamos fazendo para a área energética está subestimado.<br />
<strong><br />
Valor: O preço do barril de petróleo despencou nos últimos meses. Isso não prejudica os investimentos da Petrobras?</strong></p>
<p>Dilma: Um orçamento feito em setembro de 2008, antes da crise, foi calculado com os preços de sonda, cimento, aço, lá em cima. Depois da crise, esses preços começaram a cair. O preço do barril, de fato, caiu de US$ 147 para US$ 47 (expectativa de preço médio para 2009). Com isso, a receita despenca imediatamente. Já a despesa &#8211; o custeio mais o investimento &#8211; cai de forma mais lenta, mas cai. A questão é como é que eu aproprio o valor da despesa que diminui, qual o valor que vou apropriar da relação diferenciada que tem o cimento e o aço no mercado internacional e aqui. Diante disso, a recomendação do Conselho de Administração [presidido pela ministra] à Petrobras é que ela tome providências no sentido de reavaliar os custos.<br />
<strong><br />
Valor: Esse aumento de investimento público garantirá quanto de crescimento do PIB?</strong></p>
<p>Dilma: Não dá para fazer esse cálculo. Esse esforço tem o efeito de manter o investimento privado também.</p>
<p><strong>Valor: O que faz a sra. acreditar nisso?</strong></p>
<p>Dilma: Recebemos cartas de grandes construtoras onde elas garantem que estão mantendo suas atividades em alta por causa do PAC, por causa da carteira de projetos que já têm no programa e da expectativa (em relação a novas obras). Isso vai de projetos de indústria naval à construção de hidrelétricas, passando pela interligação de bacias hidrográficas. Esse é o país que não parou com a crise.<br />
<strong><br />
Valor: O PAC é um programa de investimentos públicos, mas o grosso da taxa de investimentos da economia é bancado pelo setor privado.</strong></p>
<p>Dilma: O setor privado está em todas as rodovias, porque não há nenhuma rodovia sendo construída pelo governo. Em todas as ferrovias, portos, aeroportos. Tudo é setor privado.<br />
<strong><br />
Valor: Dos R$ 142,1 bilhões adicionais para 2009 e 2010, quanto é do setor privado?</strong></p>
<p>Dilma: Não dá para dizer. Mas eu devolvo a pergunta: o que não é? Mesmo o investimento da Petrobras é setor privado, afinal, ela não constrói nada diretamente. Toda a parte de energia é setor privado. Nós não construímos, nem os Estados e municípios, um tostão. O fato de ser dinheiro do Orçamento não significa que ele não seja para o setor privado. O governo licita a obra de construção de uma rodovia e paga a empreiteira. Isso vale para todas as obras. Tudo o que financiamos para o setor público acaba no setor privado. Tem uma parte dos recursos do PAC que é setor privado &#8211; o equity (participação acionária). Mas, nessa época de crise, temos ajudado o setor privado com empréstimos-ponte.</p>
<p><strong>Valor: Por quê?</strong></p>
<p>Dilma: Porque as empresas não estão conseguindo dar equity integral nos investimentos. Fazemos um empréstimo-ponte que depois as empresas pagam e, assim, vão caminhando. O PAC não é uma análise do Orçamento Geral da União. É uma análise das estruturas de financiamento do poder público para assegurar o investimento privado e uma demanda para o setor privado. Não somos um país com setor privado fraco. É o contrário. Somos um país com um setor privado forte. A relação privado-público é que pode segurar essa história (enfrentar a crise).<br />
<strong><br />
Valor: E por que a sra. espera que ele cumpra esse papel?</strong></p>
<p>Dilma: Porque o PAC é demanda direta na veia de quem constrói infraestrutura. Isso vale para as empresas pequenas, médias e grandes. Onde estão as pequenas? Por exemplo, no PAC habitação e saneamento. E as grandes? Na construção da Ferrovia Norte-Sul, por exemplo.</p>
<p><strong>Valor: Como a sra. responde à crítica de que as obras do programa não saíram do papel?</strong></p>
<p>Dilma: É um absurdo falarem que o PAC está no papel. Só fala isso quem tem outras intenções. Nós já concluímos obras no valor de R$ 48,3 bilhões. Foram 270 ações concluídas, sendo que 124 totalizaram R$ 9,5 bilhões na área de logística e de infraestrutura social e urbana. Na área energética, foram 146 ações, totalizando R$ 38,8 bilhões. Eu queria lembrar que, quando começamos o PAC, havia ações sem projeto, outras sem licenciamento, outras sem projeto executivo. Tivemos que selecionar as obras. Podem nos questionar sobre se estamos fazendo certo ou não, mas é um absurdo dizer que não existe, que não produz efeitos&#8230;</p>
<p><strong>Valor: E os atrasos? O TCU, por exemplo, se transformou em órgão consultivo das obras. O Ministério Público quer participar do processo, que é exclusivo do Poder Executivo.</strong></p>
<p>Dilma: Já fizeram pior. &#8216;Ah, é do PAC? Então, aumenta a fiscalização.&#8217; Há uma disputa política em cima do PAC. Nós conseguimos com o TCU uma parceria bastante pró-ativa. Nós dependemos deles. Eu tenho na Casa Civil um setor especializado em TCU.</p>
<p><strong>Valor: O que a sra. acha da proposta do ex-diretor da Aneel Jerson Kelman, de fazer com que os relatórios de impacto ambiental de obras públicas passem a ser feitos pelo Ibama e que a decisão sobre os projetos seja do presidente da República, depois de ouvido o Conselho Nacional de Defesa?</strong></p>
<p>Dilma: No dia em que fizermos isso, haverá um tiroteio contra nós que não vale a pena. Politicamente não é sustentável. Eu pergunto: como é que os ambientalistas justificam a entrada em funcionamento de 7 mil megawatts de energia térmica a óleo combustível? Que compromisso ambiental é esse que essa distorção ideológica em torno da hidrelétrica provoca? Para isso tem que ter um debate nacional. Qualquer usina térmica no Brasil é licenciada em apenas quatro meses. Não é admissível que uma hidrelétrica seja um samba-enredo. O pobre do Roberto Messias (presidente do Ibama) levou três ações de improbidade. O Kelman também sofreu uma (por ter sugerido ao Ibama que desse uma licença ambiental provisória para a construção da usina de Jirau, no rio Madeira).</p>
<p><strong>Valor: O governo mudou a forma de concessão das rodovias, privilegiando a modicidade tarifária em vez da arrecadação da outorga. Por que fez isso?</strong></p>
<p>Dilma: Fizemos nas rodovias o que já havíamos feito no setor de energia: criamos a concorrência. E, ao fazer isso, acabamos com a brincadeira da outorga, que é uma forma de tributação. O governo arrecada um recurso através da tarifa, o que é uma distorção, porque deveria tirar através de imposto. Quer fazer estrada, quer investir diretamente, deve tirar o recurso através de imposto, sem distorcer toda a infraestrutura do país, onerando-a. Porque essa é uma oneração que dura 20 anos. A concessão de rodovias não financia nada. O que ela faz é produzir estradas de qualidade através de novos investimentos. Nós concedemos estradas que precisam de novos investimentos. A manutenção de uma rodovia não é motivo, a não ser em um país quebrado, para se fazer concessão.</p>
<p><strong>Valor: Qual é a vantagem efetiva do modelo escolhido pelo governo?</strong></p>
<p>Dilma: Quando se comparam as tarifas médias dos pedágios de estradas licitadas pelo governo de São Paulo em 1997/1998 e pelo governo federal em 1996 com as tarifas das concessões feitas em 2007 e em 2009 pelo governo Lula, vê-se que elas estão num patamar três ou quatro vezes maior.</p>
<p><strong>Valor: Por quê?</strong></p>
<p>Dilma: Por causa da cobrança de outorga. Além disso, na licitação de São Paulo em 1997 e 1998 e na do governo federal em 1996, os ganhadores das licitações só faziam manutenção, ou seja, não duplicavam, não faziam nada de investimento. Acho que tem uma justificativa para eles terem feito uma coisa dessas, que era a crise (fiscal). Só acho que não dá para fazer da necessidade uma virtude. Isso não é virtuoso. Outorga é custo-Brasil durante 20 anos.<br />
<strong><br />
Valor: Como o governo pretende lidar com os casos em que as concessões não são exploradas pelos ganhadores das licitações?</strong></p>
<p>Dilma: Informamos aos donos da Ferronorte (ALL, BNDES e fundos de pensão de empresas estatais) da possibilidade de caducidade da concessão para a construção e exploração da ferrovia entre Alto Araguaia e Rondonópolis, no Mato Grosso, com 260 quilômetros de extensão. Agora, eles estão investindo. A partir de agora, quem tiver uma concessão do governo, em qualquer área, e não explorar vai perdê-la. O objetivo, claro, não é retomar a concessão. O governo vai exigir que haja a exploração.</p>
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		<title>Salário da indústria sobe 7,9% em 12 meses e emprego industrial cresce</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 12:55:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Emprego industrial cresce 0,1% em setembro, aponta IBGE
Folha de pagamento real da indústria registra resultados positivos em todas as bases de comparação no mês
Jacqueline Farid, da Agência Estado
RIO &#8211; O emprego industrial registrou alta de 0,1% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal, segundo divulgou nesta segunda-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.newscomex.com.br/adm/fotos/destaques_1371.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.newscomex.com.br/adm/fotos/destaques_1371.jpg" width="545" height="348" /></div>
<p><strong>Emprego industrial cresce 0,1% em setembro, aponta IBGE</strong></p>
<p><strong>Folha de pagamento real da indústria registra resultados positivos em todas as bases de comparação no mês</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Jacqueline Farid, da Agência Estado</strong></p>
<p>RIO &#8211; O emprego industrial registrou alta de 0,1% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal, segundo divulgou nesta segunda-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com setembro do ano passado, houve aumento de 2,2%. O índice de média móvel trimestral da ocupação na indústria, considerado o principal indicador de tendência, registrou alta de 1,1% no trimestre encerrado em setembro ante o terminado em agosto. No ano, o emprego industrial acumula alta de 2,7% e em 12 meses, de 2,9%.</p>
<p>A folha de pagamento real da indústria registrou resultados positivos em todas as bases de comparação em setembro. Houve alta de 2,7% ante agosto; de 7,9% ante setembro do ano passado e aumento acumulado de 6,8% no ano e de 6,7% em 12 meses. O índice de média móvel trimestral da folha de pagamento real registrou aumento de 1,3% no trimestre encerrado em agosto ante o terminado em setembro.</p>
<p>Entre os 18 setores pesquisados, o valor da folha de pagamento real aumentou em 13, com os impactos positivos mais importantes vindos de meios de transporte (16,0%), máquinas e equipamentos (12,4%), metalurgia básica (19,3%), produtos de minerais não-metálicos (20,7%) e produtos de metal (13,3%). Em sentido oposto, os principais recuos vieram de papel e gráfica (-2,3%) e têxtil (-2,7%).</p>
<p>O emprego industrial aumentou em 12 dos 14 locais investigados pelo IBGE em setembro, na comparação com igual mês do ano passado. Os Estados de São Paulo (2,6%), Minas Gerais (5,2%) e Rio Grande do Sul (3,3%) exerceram as pressões mais significativas no resultado geral. Por outro lado, Santa Catarina (-1,9%) e Paraná (-0,3%) foram as influências negativas na ocupação do setor.</p>
<p>Em nível nacional, as atividades que foram destaque no crescimento do emprego em setembro foram máquinas e equipamentos (10,2%), meios de transporte (8,2%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (10,2%), produtos de minerais não-metálicos (8,1%) e alimentos e bebidas (1,9%). As principais quedas foram apuradas em vestuário (-7,1%), madeira (-11,3%) e têxtil (-6,5%).</p>
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		<title>&#8221;Meu trabalho é um grito contra a barbárie&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 21:55:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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		<description><![CDATA[Com suas esculturas feitas de árvores incineradas, Frans Krajcberg dá seu brado contra a destruição do planeta e cujo eco chega até a sua exposição, na Oca

Maria Hirszman &#8211; O Estado de São Paulo
&#160;


Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")
                  
O escultor Frans Krajcberg [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Com suas esculturas feitas de árvores incineradas, Frans Krajcberg dá seu brado contra a destruição do planeta e cujo eco chega até a sua exposição, na Oca</strong></p>
<div class="grupoC2">
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Maria Hirszman &#8211; O Estado de São Paulo</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div class="ImagemMateria">                  <img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081022/img/2.2.imagem_franz.jpg" align="left" /></div>
<p>O escultor Frans Krajcberg se tornou nas últimas décadas um dos maiores embaixadores da causa ambiental no planeta, ao transformar sua expressão artística num grito de revolta contra a irracionalidade humana. Seja com as esculturas feitas a partir de árvores incineradas da Amazônia e de pigmentos naturais extraídos da ameaçada região do minério, em Minas Gerais, ou ainda de pungentes registros fotográficos de queimadas &#8211; e que agora podem ser vistos na grande exposição em cartaz na Oca, do Parque do Ibirapuera, como parte das celebrações dos 60 anos do Museu de Arte Moderna de São Paulo -, Krajcberg gostaria de despertar nas pessoas a consciência de que a exploração econômica descontrolada leva à destruição, não apenas ecológica, mas social e política.</p>
<p>Incansável em seus 87 anos, o artista que viu a família ser dizimada pelos nazistas na 2.ª Guerra e que não esquece o que assistiu enquanto combatia ao lado do exército russo, continua desenvolvendo uma série de projetos. Entre eles, estão a ampliação proposta pela prefeitura de Paris de seu espaço parisiense (misto de museu e local de debate) e a construção de novos museus com obras suas em várias partes do mundo, como Canadá, Holanda e EUA. Mas se vê também às voltas com problemas graves em Nova Viçosa (sul da Bahia), onde se instalou na década de 70. Em entrevista ao Estado durante a montagem de sua mostra em São Paulo ele comenta esse e outros assuntos.</p>
<p><strong>É verdade que essa exposição no MAM é a sua primeira grande mostra paulistana?</strong></p>
<p>Sim, é a primeira vez que São Paulo me convida para fazer uma grande exposição. Fiquei impressionado com tanta gentileza, pois vivi algumas coisas desagradáveis aqui. Devia ter feito um espaço na velha serraria aqui do Parque do Ibirapuera, mas o projeto foi vetado, e fui muito insultado. Foi a Prefeitura quem me convidou, nunca pedi um centavo, como também não pedi nada em troca pelas obras que estão no espaço de Curitiba (o Jardim Botânico da capital paranaense acolhe o Espaço Cultural Frans Krajcberg, com mais de 100 esculturas doadas pelo artista).</p>
<p><strong>Como é que o sr. tem uma capacidade de produção tão grande?</strong></p>
<p>São muitos anos e eu e minha equipe trabalhamos bastante. Nunca parei de fazer esculturas com material que eu trago da Amazônia. Tudo é resto de queimada. É lamentável o que está acontecendo, a destruição é total. A Mata Atlântica mais rica do planeta foi destruída em um século. A última floresta pequena de Mata Atlântica lá em Nova Viçosa é minha. Ano passado, botaram quatro vezes fogo para destruí-la. Se vou conseguir salvá-la não sei, nem se vou continuar a viver lá. Agora, veja o que acontece lá na Amazônia&#8230; Estão plantando soja transgênica para vender à China. É um crime! O mais triste é que só se fala nas queimadas das árvores. E os habitantes da floresta? O que acontece com eles?</p>
<p><strong>Considera seu trabalho uma espécie de manifesto permanente contra essa irracionalidade do ser humano? Como conciliar militância e expressão artística?</strong></p>
<p>Não gosto de falar do meu trabalho como algo artístico. Meu trabalho é minha revolta, meu grito contra a barbárie que o homem pratica. Precisamos fazer parar essa barbaridade. Do ponto de vista artístico, precisamos ver que a arte ainda não conseguiu abrir a porta para o século 21. Estamos diante dessa grande evolução tecnocientífica e de um vazio absoluto político.</p>
<p><strong>Como é possível abrir essa porta, estabelecer uma nova relação entre arte e sociedade?</strong></p>
<p>Pela primeira vez na história, as pessoas estão preocupadas com a saúde do planeta. Precisamos dar mais consciência ao povo brasileiro e mostrar o perigo que praticamos. Precisamos acordar como estão agora acordando na Europa. Tenho um espaço em Paris, em Montparnasse. É o espaço de meus encontros ecológicos. Em novembro estou lá. Paris acordou do ponto de vista ecológico e a Europa está acordando&#8230;</p>
<p><strong>O sr. adotou a Bahia como porto seguro há várias décadas, em Nova Viçosa&#8230;</strong></p>
<p>Cheguei em 71 à Bahia e, ultimamente só tive problemas. Queriam me matar com veneno, à minha empregada e a um amigo, há cinco meses. Me roubaram tudo e não consigo ver como vou sair disso. O pior é que a polícia está abafando e agora eles entraram na Justiça contra mim porque os mandei embora sem justa causa. Estão pedindo R$ 300 mil. Estou planejando ir embora, deixar tudo.</p>
<p><strong>Parece coisa de novela&#8230;</strong></p>
<p>Não sei mais o que fazer. Se eu tivesse 10, 15 anos menos iria embora. Três países &#8211; Canadá, Holanda e talvez EUA &#8211; querem fazer museus meus. Tenho esse espaço que a prefeitura de Paris quer ampliar. Estou confuso, só sei que não se pode viver sem defesa nenhuma. Nunca pensei em passar uma coisa dessas. O mais violento foi terem levado o colar da minha mãe. Era a lembrança que me restava. Ela era do Partido Comunista e foi morta pelos nazistas. Desde 1939, eu carregava esse colar. Por causa disso, chorei como uma criança. Não chorei porque me roubaram todo o dinheiro. E tem mais uma coisa que me roubaram: a medalha que ganhei das mãos de Stalin como herói de guerra. Roubaram um pedaço da minha vida.</p>
<p><strong>E também faz parte da sua personalidade estar no embate, não?</strong></p>
<p>Mesmo assim, participo mundialmente para tentar não destruir esse planeta. Continuo viajando, mostrando a minha obra. Nunca quis fazer um trabalho com arte, uma obra de arte. O que procurava com o meu trabalho era a possibilidade de afirmar minhas idéias. Eu não procurava fazer mercado. O que eu mais detesto no meu trabalho é vender.</p>
<p><strong>Foi possível trabalhar nessa exposição com esse clima todo?</strong></p>
<p>Tenho 20 vezes mais obras que isso. Mas fui obrigado a mandar toda a equipe embora porque pegaram todo o dinheiro que eu tinha e que era para acabar de construir meu museu, na Bahia. Agora parou tudo. Estou seriamente pensando em abandonar o sul da Bahia, porque continua terra de ninguém.</p>
<p>O sr. mencionou que a arte não entra no século 21 e uma das causas seria o vazio político. Por que isso acontece? Chegou a se engajar no Partido Comunista depois da guerra?</p>
<p>Meu único desejo depois da guerra era fugir do homem. Cheguei ao Brasil por acaso. Eu morava na casa do Marc Chagall e certo dia um amigo dele, que tinha uma agência de viagens, me perguntou se eu queria conhecer o Brasil. Eu estava querendo fugir da Europa e aceitei.</p>
<p><strong>E como conheceu essas figuras que articulavam o movimento de arte moderna?</strong></p>
<p>Estudei na Alemanha com Willy Baumeister, que foi professor da Bauhaus e ganhou um prêmio da Bienal de São Paulo. Cheguei a São Paulo em 1947. Trabalhei no MAM e montei a primeira Bienal com Aldemir Martins e muitos outros. Depois trabalhei na Osirarte, pintava azulejos com Volpi, Mario Zanini, Cordeiro. Tive grande apoio dos artistas, hoje não existe mais isso.</p>
<p><strong>Era uma pintura ainda figurativa? Paisagística?</strong></p>
<p>Não. Eu não punha homens na minha pintura (risos). Depois fui para o Paraná. Mas não suportei ver tanto fogo. Até minha casa foi queimada, com muita obra&#8230;</p>
<p><strong>O fogo o persegue, não?</strong></p>
<p>O fogo me acompanha sempre. Fugi para o Rio e lá o pai do Sergio Camargo me emprestou uma casa. Convidei Franz Weissmann para vir trabalhar com esculturas lá. Ganhei o prêmio de pintura da Bienal de SP de 57 e Weissmann ganhou o de melhor escultor. Gastei todo o dinheiro numa festa no Rio e comprei passagem para ir para a França. Tive sorte. A galeria Siècle XX me contratou e fiz várias exposições, mas não podia mais pintar porque fiquei intoxicado com as tintas. Eu ainda não fazia esculturas. Vivia em Paris, fazia impressões em Ibiza e procurava pigmentos naturais em Minas Gerais. Foi em Minas que comecei a fazer esculturas.</p>
<p><strong>É uma estratégia quase de guerrilha essa criação de instituições pelo mundo todo?</strong></p>
<p>Esse é meu grito, que posso dar com meu trabalho. Só meu trabalho pode exprimir minha revolta contra essa barbaridade que o homem pratica contra o homem. Nunca houve um século tão bárbaro como o 20. E se continuar assim, o 21 vai chegar à barbárie mais violenta.</p>
<p><strong>Serviço<br />
Frans Krajcberg. Oca. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3, Pq. do Ibirapuera, 5083-0519. 3.ª a dom., 10/18 h. Grátis. Até 14/12</strong></p>
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		<title>Crescer para encarar o desafio chinês</title>
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		<pubDate>Mon, 12 May 2008 09:19:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ 
VALOR 
Fábrica  na China

A volta da inflação começa a conferir grau de consenso à boa e velha receita ortodoxa, de aperto nos gastos do governo e de aumento da taxa de juros para deter o consumo. Outra assombração, porém, apavora o setor produtivo: do setor de máquinas aos produtores de móveis, todos estão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img src="http://www.valoronline.com.br/images/Columnist/sergio_leo.jpg" id="ctl00_ContentInterna_rptBody_ctl00_imgPicture" style="border-width: 0px" /></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>VALOR </strong></p>
<p align="center"><em><font size="1">Fábrica  na China</font><br />
</em><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/05/crescer-para-encarar-o-desafio-chines/5191/" rel="attachment wp-att-5191" title="fabrica_china.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/fabrica_china.jpg" alt="fabrica_china.jpg" /></a></p>
<p>A volta da inflação começa a conferir grau de consenso à boa e velha receita ortodoxa, de aperto nos gastos do governo e de aumento da taxa de juros para deter o consumo. Outra assombração, porém, apavora o setor produtivo: do setor de máquinas aos produtores de móveis, todos estão assustados com os efeitos da competição avassaladora da China. E os sortilégios usados para exorcizar o capeta inflacionário devem ser conjurados com cuidado, para não aumentar os estragos feitos pelos chineses no parque industrial brasileiro.</p>
<p>A presença intimidante da China no panorama da indústria recebe atenção especial de um dos maiores especialistas em desenvolvimento industrial do país, o economista Antônio Barros de Castro, assessor especial do BNDES, que vem se dedicando a estudar e propor saídas para desafios estruturais da política de desenvolvimento. A nova configuração da economia mundial, forçada pela China, é um desses desafios. Barros de Castro tem uma visão positiva do fenômeno chinês, que considera inevitável. O Brasil está preparado para enfrentar a competição da Ásia, acredita ele, por dois motivos &#8211; o que chama de &#8220;bilhetes premiados&#8221; e certas &#8220;molas&#8221; que começam a se descomprimir na economia.</p>
<p>Os bilhetes premiados são recursos naturais e competências desenvolvidas pelo país, que permitem ao Brasil criar frentes estratégicas e entrar em grande estilo no século XXI. As recentemente descobertas reservas de petróleo e a experiência acumulada no campo do álcool combustível, por exemplo, permitirão ao Brasil enorme desenvolvimento nessas duas frentes, o que vai gerar demanda por máquinas, motores, equipamentos, serviços, softwares, novos materiais, mão de obra, tecnologia, partes e peças, capazes de criar pólos dinâmicos de investimento e desenvolvimento dentro do Brasil, prevê Barros de Castro.</p>
<p>No caso do etanol, em que o Brasil já tem grande mercado, independente da polêmica internacional sobre biocombustíveis, abre-se, ainda, um campo de pesquisas e produção de plásticos biodegradáveis a partir do açúcar de cana, na fronteira da tecnologia mundial. &#8220;Há pelo menos três grande projetos em curso no Brasil dois deles na casa de R$ 2 bilhões &#8211; um de uma conhecida empresa química internacional; outro de um grande grupo nacional.&#8221;</p>
<p>A biotecnologia e a nanotecnologia permitirão aproveitar essas e outras frentes estratégicas, acredita. O Brasil tem ainda chances de ser potência no setor de alimentos (carne, laticínios), em madeira e celulose e outros &#8220;pequenos bilhetes premiados&#8221;, defende Barros de Castro.</p>
<p><strong><br />
Estabilidade estimula investimento de longo prazo</strong></p>
<p>Os altos preços das commodities vieram para ficar, são outra das conseqüências da expansão chinesa, que trouxe um motor inédito para a economia mundial, a expansão baseada na produção em massa de produtos manufaturados de baixo preço, para o consumidor de baixa e baixíssima renda. Esse fato impõe uma pressão competitiva brutal sobre certos setores da indústria, mas traz também estímulos enormes para o desenvolvimento se o país souber se ajustar, avisa Barros de Castro. Para ele, &#8220;o Brasil é candidato a participar de outra revolução, que pode reequilibrar o jogo com produtos agro-energéticos e alimentares, de forma equivalente ao que a China fez com os manufaturados&#8221;.</p>
<p>&#8220;O Brasil pode se tornar facilmente um pólo de produção no Atlântico Sul, para prover produtos à América Latina e África, com destaque para a Nigéria e Angola&#8221;, diz ele, baseado em entrevistas da equipe do BNDES com executivos de empresa brasileiras e multinacionais.</p>
<p>Um fator ajuda a adaptação do país e das empresas voltadas ao consumo interno à nova situação mundial: a economia brasileira começa a eliminar de maneira sustentável vários constrangimentos que detinham o desenvolvimento, como molas pressionadas que, agora, começam a distender-se.</p>
<p>Uma dessas molas é a demanda interna, que vem se &#8220;desreprimindo&#8221;, com o crédito e o aumento de renda, de forma mais sólida que no passado; outra mola são os investimentos em construção civil e de infra-estrutura, que começam a tornar realidade projetos discutidos desde a década de 80. Há, ainda, a estabilidade da economia, que estimula investimentos de médio e longo prazo.</p>
<p>&#8220;As molas distendidas são uma espécie de garantia de dinamismo, uma certa propensão a crescer e um colchão de proteção o produtor para o mercado interno&#8221;, analisa Barros de Castro. Ele alerta, porém, que a irresistível invasão de produtos chineses tendem a se manter mesmo que se reduzam as taxas de crescimento da economia. Isso torna muito sensível qualquer política econômica que implique em redução do crescimento no país.</p>
<p>&#8220;O embalo na economia é essencial para que a indústria brasileira consiga se reposicionar, é o que garante a ela ultrapassar essa situação dificílima da invasão chinesa&#8221;, avisa. &#8220;A indústria teria dificuldade de acomodar essa invasão a frio, se for reduzida essa taxa de crescimento, em torno de 5%; será terrível.&#8221;</p>
<p><strong>Sérgio Leo é repórter especial em Brasília</strong></p>
<p><strong>sergio.leo@valor.com.br</strong></p>
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		<title>Tucanos: quem leva?</title>
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		<pubDate>Wed, 07 May 2008 12:18:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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O esperto complexo ou o simples?
Blog de Nassif
A indicação de Geraldo Alckmin como candidato a candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo torna interessante o jogo de xadrez do governador José Serra.
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/05/tucanos-quem-leva/5048/" rel="attachment wp-att-5048" title="jose_serra_caricatura.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/jose_serra_caricatura.jpg" alt="jose_serra_caricatura.jpg" height="207" width="155" /></a><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/05/tucanos-quem-leva/5049/" rel="attachment wp-att-5049" title="alckmin_cavalo.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/alckmin_cavalo.jpg" alt="alckmin_cavalo.jpg" height="207" width="347" /></a></p>
<p><strong>O esperto complexo ou o simples?</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Blog de Nassif</strong></p>
<p>A indicação de Geraldo Alckmin como candidato a candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo torna interessante o jogo de xadrez do governador José Serra.</p>
<p>No passado, Serra se caracterizou pelo purismo nas alianças. Flertou com uma área do chamado PMDB autêntico, com partidos de centro-esquerda, juntou em torno um grupo grande com quem mantinha afinidades intelectuais. Havia &#8220;serristas&#8221; no PMDB autêntico, no PSB, no PDT, no PT moderado.</p>
<p>Apos as eleições de 2002, provavelmente julgou que esse purismo seria insuficiente. Mesmo com queixas em relação ao tratamento recebido do então presidente FHC, deixou-se guiar por ele e aí foi gradativamente se descaracterizando. Hoje é conduzido pela mão pelo pragmatismo de FHC. E é refém da pior parcela do jornalismo patrício.</p>
<p>Politica e administrativamente é  superior a Alckmin.</p>
<p>Alckmin quase hostilizava os prefeitos do interior. Um deles me contou que foi ao Palácio com um colega de uma cidade mais pobre. Lá, pediu para que determinada verba destinada à sua cidade pudesse ser repassada para a cidade do colega. Alckmin sacou do seu caderninho, conferiu suas anotações pessoais e concluiu que aquela cidade já recebera muito. E que o remanejamento deveria ser para outra cidade. Perdeu o aliado.</p>
<p>Serra montou uma base de apoio política competente em São Paulo. Eleito prefeito da cidade, entregou a sub-prefeituras a ex-prefeitos do interior. O Secretário Guilherme Afif Domingos montou uma base de dados ampla em que os dados do orçamento estão claramente fixados. O prefeito chega, conversa, coloca suas reivindicações e recebe resposta na hora, sem a necessidade dos rapapés ao governador.</p>
<p>Alckmin colocou Arnaldo Madeira com articulador político. Madeira tentou impor o presidente da Assembléia Legislativa. Usou de todos os meios mas foi fragorosamente derrotado pelo deputado Rodrigo Garcia, que fez campanha em dobradinha com Kassab. Eleito, Rodrigo foi até o Palácio e ofereceu a vitória ao governador – que pretendia derrotá-lo.</p>
<p>Serra fez dobradinha com Kassab a partir da qual pensava lançar as bases de uma nova aliança nacional com o DEM.</p>
<p>Um esbanja amadorismo, outro aparentemente esbanja profissionalismo. Quem leva?</p>
<p>Quem decide oe sua majestade, o eleitor. E aí Serra se enrola.</p>
<p>Nas útlimas campanhas presidenciais, Serra perdeu a indicação em parte por falta de vontade – sabia ser muito difícil vencer Lula. Mas também porque Alckmin passou a viver seu grande papel: o do homem simples, sem firulas, que se propõe a enfrentar os cardeais do partido. Foi quando cresceu e se tornou personagem nacional.</p>
<p>É evidente que contribuiu para isso o anti-lulismo arraigado da mídia, que escondeu a fraqueza administrativa do candidato – o homem do caderninho apresentado como gerente moderno.</p>
<p>Agora, se repete o enredo, mas de forma mais complicada para Serra. São Paulo talvez seja o último reduto de militância do PSDB. Para conseguir alguns minutos a mais de TV, Kassab-Serra fecharam com Orestes Quércia, político de baixa penetração na capital (a eleição não é para prefeito?) com altos índices de rejeição.</p>
<p>Agora se trata do homem só – Alckmin – e sua teimosia, contra uma geléia geral, que junta o DEM (baixa penetração em São Paulo), o PMDB de Quércia e&#8230; e&#8230; e não sei mais. Serra criou sua sinuca de bico. Não poderá fazer campanha a favor de Kassab, para não ser visto como traidor do partido. Ao mesmo tempo coloca seus homens para uma campanha de desgaste em cima de Alckmin – não apenas os políticos mas aceitando o anti-jornalismo mais desqualificado para ataques baixos contra adversários.</p>
<p>Quando sua majestade, o eleitor, se manifestar, será mais fácil para ele  entender as complexas estratégias políticas de Serra ou a simplicidade simplesinha de Alckmin?</p>
<p>É mais um passo da Serra em direção à descaracterização de sua proposta original. Poderá chegar às próximas campanhas repletos de aliados. Mas estará bem mais vazio de propostas.</p>
<p>enviada por Luis Nassif</p>
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		<title>Aquecido, setor de construção civil lidera criação de vagas</title>
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		<pubDate>Mon, 05 May 2008 10:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Trabalhadores atuam em obra da construção civil em Brasília (Foto: Roberto Fleury/UnB Agência)
VALOR
O setor de construção civil liderou a criação de vagas com carteira assinada no país no primeiro trimestre de 2008, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Do saldo de 554,4 mil postos de trabalho registrados no país [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/foto/0,,11415674-EX,00.jpg" alt="Foto" class="abc" id="img_abc" /></div>
<div align="center"><font size="1">Trabalhadores atuam em obra da construção civil em Brasília (Foto: Roberto Fleury/UnB Agência)</font></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>VALOR</strong></p>
<p>O setor de construção civil liderou a criação de vagas com carteira assinada no país no primeiro trimestre de 2008, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Do saldo de 554,4 mil postos de trabalho registrados no país entre janeiro e março, 99,6 mil foram no setor da construção. O número é 189% superior às vagas criadas no primeiro trimestre de 2007. Com o crescimento explosivo, o setor passou a responder por 18% da abertura de vagas de emprego formais no país, ante 8,6% no mesmo intervalo do ano passado.</p>
<p>&#8220;A indústria de construção pesada está muito aquecida. Só para as obras no Rio Madeira serão contratadas 9 mil pessoas&#8221;, diz Paulo Lacerda de Melo, vice-presidente de engenharia da Construtora Norberto Odebrecht, que atualmente conta com 51 mil funcionários. Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP) estima que no total as obras das duas hidrelétricas do Madeira exigirão a contratação de 31 mil profissionais da construção civil neste ano e em 2009. Para a construção do novo porto em Peruíbe (SP), serão necessários outros 30 mil operários. A expectativa é de que o setor registre um crescimento de 10,2% em 2008, considerando os investimentos já anunciados de R$ 180 bilhões em novos projetos, dos quais 45% são de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). &#8220;Existe uma falta de 200 mil profissionais qualificados para o setor de construção civil no país&#8221;, diz Ramalho.</p>
<p>Com a demanda por empregados aquecida, o setor da construção ultrapassa a área agrícola na criação de vagas no país. De janeiro a março, o saldo de criação de empregos formais no campo foi de 48,7 mil, 3,6% abaixo do registrado no primeiro trimestre do ano passado. O resultado está associado ao aumento do grau de mecanização da colheita e do fato de a safra de cana-de-açúcar não ter sido antecipada neste ano, como ocorreu em 2007. Até março, o setor agrícola respondeu por 8,8% do saldo de empregos criados no país, quase quatro pontos percentuais abaixo da participação que tinha no ano passado.</p>
<p>Entre os setores que registraram maior incremento na criação de postos de trabalho está a indústria de transformação, que apresentou um aumento de 32,8%, totalizando 153 mil novas vagas. No trimestre, o setor respondeu por 27,6% do saldo de vagas criadas no país, participação pouco inferior aos 28,8% verificados no mesmo intervalo de 2007. &#8220;Os setores metalúrgico, de tecnologia da informação, construção naval e siderurgia são os que mais buscam profissionais com formação no mercado. Muitos deles pedem diariamente ajuda ao governo para que qualifiquem os trabalhadores. Em alguns casos, pode-se dizer que se vive um apagão de mão-de-obra qualificada&#8221;, afirma Ezequiel Nascimento, secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego.</p>
<p>Ricardo Amorim, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), observa que a indústria havia perdido espaço enquanto empregadora nos anos 80 e 90, voltando a recuperar participação mais expressiva nesta década. &#8220;O que se percebe, de 2007 para cá, é que a demanda por trabalhadores cresceu rapidamente. No ano passado faltou mão-de-obra especializada para determinadas áreas e neste ano esse quadro ainda deve se manter&#8221;, afirma. De acordo com estimativas do Ipea, os setores que apresentam maior número de vagas em aberto são a indústria química e petroquímica (com um déficit de 25,4 mil trabalhadores), de produtos de transporte (23,9 mil), de produtos mecânicos (21,4 mil) e de minerais metálicos (15,8 mil).</p>
<p>&#8220;A maior demanda hoje não atendida pelo mercado é por trabalhadores com formação técnica, resultado da falta mesmo de cursos profissionalizantes na rede de ensino pública&#8221;, avalia Deyse Gomes, diretora de educação e desenvolvimento de pessoas da Vale. Segundo Deyse, faltam técnicos nos diversos segmentos que compõem a cadeia siderúrgica. Nos últimos três anos, a empresa investiu na formação de 18 mil profissionais de nível técnico, dos quais 5 mil foram incorporados à companhia e o restante foi absorvido por outras empresas ligadas à Vale. &#8220;Foi a maneira que a empresa encontrou de garantir oferta de mão-de-obra qualificada para os projetos que realiza&#8221;, diz Deyse. Até 2012, a Vale estima criar 62 mil empregos diretos e outros 152 mil indiretos no país para a realização de seus projetos de expansão, sendo 7 mil vagas dentro da empresa neste ano. Para isso, a Vale está destinando parte do orçamento de R$ 59 bilhões na realização de cursos em parceria com universidades, Senai e Cefets para qualificar a mão-de-obra disponível.</p>
<p>No primeiro trimestre deste ano, apenas dois setores reduziram a sua participação na criação de novas vagas. O segmento de serviços registrou um incremento de 26,6% no total de postos de trabalho gerados no país, o equivalente a 233,8 mil. No período, o setor respondeu por 42,2% das novas contratações, 4 pontos percentuais abaixo do registrado nos três primeiros meses do ano passado.</p>
<p>O comércio também arrefeceu o seu ritmo de contratações neste ano. No trimestre, o número de novas vagas ampliou-se em 30,7%, gerando um saldo de 19,3 mil postos. No período &#8211; um dos mais fracos para o comércio varejista &#8211; , o setor respondeu por 3,5% da geração de postos de trabalho, ante 3,7% em igual intervalo do ano passado. <strong>(CB)</strong></p>
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