19/03/2009 - 11:53h Bornhausen, o “natural” cabo eleitoral de Serra

Jorge Konder Bornhausen (Rio de Janeiro, 1 de outubro de 1937) é um advogado e político brasileiro.

Foi ministro-chefe da Casa Civil durante o governo de Fernando Collor[1]. Foi também governador biônico de Santa Catarina entre 1979 e 1983 e senador entre 1983 e 1991 e entre 1999 e 2007 pelo estado de Santa Catarina.

Em sua gestão como governador biônico, ocorreu a manifestação popular conhecida como Novembrada, em Florianópolis, quando da visita oficial do general-presidente João Figueiredo à Santa Catarina.

Foi presidente nacional do PFL, atual Democratas. Wikipedia

http://rsurgente.zip.net/images/bornhausen.jpghttp://3.bp.blogspot.com/_4mcHW7wpAUM/STXesNQHEKI/AAAAAAAAGzg/1_SEvv-apOQ/s400/olha_quem_fala%5B1%5D.jpg

”Candidatura natural tem um nome: Serra”

Bornhausen pede ”bom senso” e diz que ”erro não se repete”, numa referência à candidatura de Alckmin em 2006

Christiane Samarco – O Estado SP


Enquanto o PSDB discute prévias para escolher o candidato a presidente, o DEM declara sua preferência pelo governador paulista José Serra e prega o respeito dos tucanos a uma velha regra da política: a candidatura natural. “O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é um bom nome e merece o maior respeito, mas, como ex-presidente do DEM, membro da Executiva e do Conselho Político, sou obrigado a dizer que há uma candidatura natural e sua tradução é José Serra”, diz Jorge Bornhausen em entrevista ao Estado.

A despeito dos elogios a Aécio na reunião do Conselho Político do DEM, semana passada, em São Paulo, a preferência por Serra vem desde 2006, quando o PSDB optou pela candidatura de Geraldo Alckmin. “Erro não se repete”, adverte. Por isso mesmo, a aposta agora é em Serra.

Bornhausen pede “bom senso” ao tucanato. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O DEM recuou da posição inicialmente contrária às prévias do PSDB?

Não. Nós compreendemos a necessidade que tem o PSDB de dar uma boa solução para a escolha de seu candidato. Se eles entenderem que o caminho são as prévias, não há por que contestar. Queremos é que a solução seja boa.

E a preferência do DEM é…

Há uma regra em política sobre contrariar candidaturas naturais. Candidatura natural é aquela que tem a maior possibilidade de vitória e isto está constatado em todas as pesquisas. Se o PSDB vai decidir por prévias, ou não, a maioria do Conselho Político do DEM é pela candidatura natural, que tem um nome: José Serra.

Mas o que define o candidato natural são as pesquisas de opinião?

O candidato se define por pesquisas, pela densidade eleitoral do seu Estado, pela posição do Brasil em relação às circunstâncias da crise. Tudo isso indica a candidatura de Serra. Sem nenhum demérito ao governador Aécio, que faz boa administração em Minas, Serra é o melhor perfil para administrar na crise.

Tem candidato que larga com 3% nas pesquisas e acaba vencendo a eleição, como Fernando Collor (1989). O sucesso de gestão em Minas não torna Aécio competitivo?

Collor era candidato de um partido inexistente. Foi uma aventura política que deu certo, e em seguida deu errado. A escolha, agora, é de um partido grande, sólido, conceituado, com a responsabilidade de ganhar a eleição.

Os aecistas do PSDB dizem que ele é a melhor opção pela capacidade de agregar apoios, sobretudo em uma eleição de dois turnos.

Eu antevejo uma eleição bipolarizada. Tudo caminha na direção da candidata governista (ministra Dilma Rousseff) contra o candidato da oposição. É muito provável que esta eleição se defina no primeiro turno, porque será realmente um plebiscito em torno de quem poderá dirigir melhor o Brasil na crise.

A grande preocupação do PSDB é que Minas Gerais está fechada com Aécio. Tem como trazer Aécio para o projeto Serra sem prévias?

Se o caminho escolhido for o das prévias, será exatamente para atender o sentimento da maioria do partido.

O sr. acredita que a maioria do PSDB é Serra, assim como o DEM?

Eu acredito que a tese da candidatura natural não é a tese de um partido. É uma regra da política, e o bom senso me diz que esta regra será respeitada.

Na condição de parceiro do PSDB na sucessão presidencial, qual é o prazo máximo que o DEM defende para a definição da candidatura?

Os dois governadores – Aécio e Serra – têm suas obrigações de bem administrar seus Estados. Portanto, exigir que haja uma antecipação desta decisão do PSDB não é o caminho mais correto, porque ainda estamos bem distantes da eleição. Se este assunto for resolvido no final do ano, acho que é o tempo hábil para que tenhamos condições de, com a coligação já formada com o DEM e o PPS, acrescentar mais partidos. E acho que a preocupação deve ser a de conquistar uma boa parcela do PMDB.

Sua aposta é que, mesmo em aliança oficial com o PT, na prática o PMDB não fecha com ninguém e uma parcela ficará com o PSDB?

A verticalização acabou (regra que obrigava os Estados a reproduzirem a aliança nacional). Portanto, o PMDB de Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco e Mato Grosso do Sul já está conosco (PSDB-DEM-PPS). Estará, portanto, na coligação do Serra. Isto está claro. O que não sei é que decisão o PMDB vai tomar em convenção.

Com ou sem prévias, o fim da reeleição ajudaria a fechar um acordo no PSDB?

Não acredito em reforma política, nem em reforma da Lei Eleitoral e da Lei Partidária e, muito menos, em mudança na Constituição para acabar com a reeleição. Acho que as regras da próxima eleição serão as mesmas da passada.

Mas pode haver acordo político para acabar com a reeleição, como o que o sr. patrocinou entre o governador José Roberto Arruda (DEM) e o vice Paulo Octávio (DEM) na sucessão do DF?

Acordo pode haver. E aí é um problema do PSDB. Não me compete interferir. Entendemos que precisa mudar a forma de administração que o PT vem dando ao País. Queremos melhorar e, por isto, queremos o candidato natural e, para isto, não estamos exigindo posição na chapa, embora tenhamos nomes à vontade.

O que o sr. acha de uma chapa “puro-sangue”, com Aécio como vice de Serra?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem sempre lembrado essa hipótese e eu não posso deixar de aceitar a inteligência política de FHC.

O lugar de vice na chapa do PSDB não está em aberto para atrair o PMDB?

A melhor solução para a vitória é a certeza da recuperação do Brasil, que está mal administrado e não está enfrentando a crise como deveria. O presidente não tomou medidas adequadas na hora oportuna.

Mas o povo está satisfeito e nunca houve um presidente com tanta aprovação popular nas pesquisas. Como o sr. explica esta contradição?

Esta popularidade vai começar a escassear. Um protesto dos produtores de café em Varginha reuniu 30 mil pessoas e Lula foi vaiado. O desemprego é grande e o dinheiro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) está sendo usado para piorar a situação, patrocinando fusões no setor da telefonia. Também há crise na pecuária, na siderurgia e no setor madeireiro.

E a oposição tem sido eficaz?

Há um erro no foco da oposição, concentrada no Congresso, que hoje não é bem visto pela opinião pública. É preciso partir para a sociedade. A atuação do presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do presidente da Fundação Liberdade e Cidadania, deputado José Carlos Aleluia (BA), convocando economistas para apresentar soluções construtivas para a crise, é elogiável. Devemos nos pautar por esse caminho e na fiscalização, acompanhando nos locais este plano de marketing denominado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e mostrando o que não sai do papel.

08/12/2008 - 12:30h Rio: “Finanças da prefeitura obrigarão a um decretão de ajuste fiscal”

 

Leo Pinheiro / Valor

Eduardo Paes sobre sua futura administração: “Não será um governo, no primeiro ano, de grandes obras”

Do Rio – VALOR


Valor: O prefeito Cesar Maia acha que o 2º turno da disputa entre o senhor e o deputado federal Fernando Gabeira (PV) foi no campo maísta, de seus ex-aliados, e que isso o cacifa para 2010. Como o senhor vê esse raciocínio?

Eduardo Paes: Já dizia minha avó que pretensão e água benta cada um serve quanto quer. Ele é político, tem três mandatos de prefeito, dois de deputado federal e todo o direito de pretender o que quiser. O que eu vi muito no 2º turno foi uma candidatura claramente posicionada contra o Cesar Maia, que era a minha, e outra que, apesar de ter o apoio (do prefeito), o escondia. Então, eu não diria que era do campo maísta. Os dois candidatos, na verdade, negavam a possibilidade de parceria com ele.

Valor: Pelo que já levantou como o senhor encontrará a Prefeitura?

Paes: Muito mal. São dados nos quais nos aprofundamos, mas vamos receber a prefeitura muito mal, a capacidade de investimento praticamente zerada, um orçamento superestimado, transformado em peça de ficção. Não tivemos acesso ao caixa, mas sabemos que existe um déficit operacional.

Valor: Então, o primeiro ano da gestão do senhor será um período de ajustes, de aperto?

Paes: Está cada vez mais claro que teremos que tomar medidas para conter despesas e, de alguma forma, aumentar receitas. Já nos primeiros dias de governo, devemos ter um decretão de ajuste fiscal-orçamentário para que possamos governar com tranqüilidade, sem que isso signifique, necessariamente, prejuízo aos serviços públicos. Ao contrário. Agora, vamos ter que priorizá-los, mas não será um governo, no primeiro ano, de grandes obras.

Valor: O senhor está trabalhando com expectativa de quebra de receita em decorrência da crise?

Paes: A prefeitura usa os mesmos parâmetros do governo federal para a definição do seu orçamento: inflação, taxa de crescimento etc. O orçamento já havia sido enviado à Câmara e não foram feitos ajustes. São R$ 12 bilhões, mas com uma grande margem de remanejamento. Vamos trabalhar para aumentar a receita sem aumentar a carga tributária.

Valor: O senhor vai reduzir pessoal?

Paes: Cargos em comissão. A prefeitura não tem uma máquina inchada. O Cesar (Maia) não perdeu completamente o controle disso. Agora, a gente quer trabalhar com metas de desempenho, queremos mandar o orçamento de 2009 já com metas, e vamos introduzir elementos de meritocracia.

Valor: Como harmonizar esse discurso de ênfase na gestão com o caráter político da administração pública? O senhor está formando uma equipe com pessoas de vários partidos…

Paes: Se você olhar, sem preconceito, a composição do meu governo, verá que é essencialmente técnico, embora tenha política. Acabei de designar uma técnica para a Fazenda, eleitora, inclusive, do meu adversário (a economista Eduarda La Rocque). Na Casa Civil coloquei um deputado federal (Pedro Paulo) que também é do PSDB, mas da minha cotíssima pessoal, não é negociação política. Então, nas funções essenciais, temos quadros essencialmente técnicos. E em algumas áreas, há quadros políticos, como é o caso da competente deputada federal Jandira Feghali (PSDB), na Cultura. Você tem quadros políticos sim, mas na gestão, todos são essencialmente técnicos. Acho até que exagerei no técnico.

Valor: Sua eleição fortalece a candidatura própria do PMDB para a Presidência em 2010?

Paes: Em primeiro lugar, o grande vitorioso aqui foi o governador Sérgio Cabral. Ele saiu fortalecido como personagem político do PMDB nacional.

Valor: O senhor acha que ele é um potencial candidato à Presidência?

Paes: Não estou dizendo isso. Nem acho que deva ser. O projeto dele, na minha opinião, é ser candidato à reeleição. Depois, se fizer um bom governo, pode pensar em tudo que quiser. Mas acho que ele sai fortalecido nessa coisa interna do PMDB nacional. E que o partido se fortalece, a partir de vitórias como a do Rio. O encaminhamento que imaginamos é uma aliança com o presidente, com o PT.

Valor: O senhor acha então que o partido não deve ter candidato próprio?

Paes: O ideal é que a gente permaneça em um projeto político único. É uma aliança de muito sucesso. Mas isso o tempo dirá, não quero me aventurar muito na política nacional.

Valor: O nome que neste momento o PT está colocando…

Paes: É a candidata do presidente Lula, do Sérgio Cabral e do Eduardo Paes, (a ministra) Dilma Rousseff. Nós vamos defender dentro do PMDB.

Valor: Nessas obras do PAC ela é fundamental para o Rio…

Paes: Não é por isso. Acho que o presidente pautou o nome dela para sua sucessão e acho que é um quadro muito competente.

Valor: O 2º turno da eleição do Rio não foi um lado apoiado pelo governador e outro, que votou no Gabeira, reagindo ao Cabral?

Paes: Não, acho que foi uma adesão ao Gabeira. Acho que ele foi muito competente em transmitir essa coisa da negação da política, embora seja político desde o tempo que eu não tinha título de eleitor. Eu faço o contrário, faço questão de dizer que sou político e que acredito no poder de transformação da política. Comecei na política aos 22 anos sem ser filho de político. Optei pela política.

Valor: Na sua visão, o que deve ser feito para resgatar a confiança da população nos políticos?

Paes: Acho que é trabalhar direito e prestar o serviço. Ao mesmo tempo, isso (o discurso da rejeição) é coisa até certo ponto festiva. Se você for pedir para a pessoa organizar seu raciocínio, sobre a razão pela qual está pensando daquela maneira, ela não consegue concatenar. Mas, enfim, houve essa coisa aí… pelo jeito, não chegou a ser uma onda. Perdeu! Foi difícil, porque o Gabeira, além de ser uma pessoa que eu adoro e respeito, faz o tipo frágil. E brigar com uma pessoa que faz o tipo frágil é duro! Eu gosto de uma boa briga política.

Valor: O Lula que o diga…

Paes: Não tenho nenhum tipo de restrição aos embates que travei na política. Há horas que se adjetiva demais. Foi a correção de rumo que fiz na campanha em relação à agressão ao filho do Lula. Agora, os mensaleiros, tirando a adjetivação, está tudo comprovado no relatório que escrevi.

(HM e CS)

20/11/2008 - 10:00h Prefeitura RJ: lei cria cota racial para cargos de confiança


Medida valerá nos órgãos da prefeitura, que destinarão 20% das vagas para os negros

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Eduardo Maia – O Globo

O sistema de cotas raciais chegou aos cargos de confiança dos órgãos da administração direta e indireta do Rio. A Câmara Municipal derrubou anteontem o veto do prefeito Cesar Maia ao Projeto de Lei 1.268/2007, que determina que 20% das vagas dos cargos comissionados em todos os órgãos da prefeitura sejam destinados a afro-descendentes.

O texto especifica que 10% das vagas sejam para negros e 10% para negras.

A lei entra em vigor imediatamente após sua publicação na Casa. Segundo o autor, o vereador Roberto Monteiro (PCdoB), a lei vale para todas as esferas dos poderes Executivo e Legislativo municipais. Os órgãos que ainda não tiverem esses percentuais mínimos deverão se adequar.

— O veto foi derrubado dois dias antes da comemoração da Consciência Negra. Acho que é uma oportunidade de incluirmos os negros nos níveis mais altos da sociedade, o que ainda não aconteceu totalmente 120 anos após a abolição da escravidão no Brasil.

Não estamos falando de concursados e sim de pessoas capacitadas para cargos de confiança.

Não é tão difícil encontrar negros capacitados para exercerem essas atividades por aí — disse o vereador.

Cesar: questão será decidida pelo futuro prefeito A lei vale ainda para empresas que participam de disputas de contratos para prestação de serviço com o Município.

— A partir da publicação da lei, todas os contratos de licitação da administração municipal deverão exigir essa cota mínima. A empresa que não cumprir, inclusive entre o contingente de funcionários destinados a trabalhar nesses serviços contratados, estará fora da lei — acrescentou Roberto.

Cesar já afirmou que a prefeitura pode recorrer da decisão na Justiça, mas que deixará a questão para ser decidida pela próxima administração municipal.

Em viagem de férias com a família à Europa, o prefeito eleito Eduardo Paes não se pronunciou sobre a nova lei.

01/10/2008 - 10:09h Rio: Eduardo Paes (PMDB) mantém a liderança, Crivella (PRB) e Gabeira (PV) disputam vaga no segundo turno.

Paes tem 33%, Crivella, 21%, e Gabeira, 19% dos VOTOS VÁLIDOS

http://www.alerj.rj.gov.br/fotos/futmulher_epaes_fv_24_09_07_new.jpg
Eduardo Paes (PMDB) (acima) lidera no Datafolha, Crivella e Gabeira (embaixo) disputam o segundo lugar
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DATAFOLHA

Eduardo Paes (PMDB) lidera a disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro, com 29% das intenções de voto, a cinco dias das eleições municipais. Ele mantém o mesmo índice do último levantamento, em 25 e 26 de setembro.

O adversário de Paes no segundo turno está indefinido: Marcelo Crivella (PRB) oscilou um ponto em relação à pesquisa anterior e agora tem 19%, enquanto Gabeira (PV), que já havia subido quatro pontos percentuais há quatro dias, oscilou mais dois pontos para cima e agora tem 17%.

Jandira Feghali (PCdoB) passou de 13% para 12% das intenções de voto.

Sem alterações significativas nas taxas de intenção de voto encontram-se os demais candidatos, com pouca probabilidade de continuar na disputa. Solange (DEM) obteve 5% das citações; Molon (PT), 4%; Chico Alencar (PSOL), 2%; e Paulo Ramos (PDT), 1%. Eduardo Serra (PCB), Filipe Pereira (PSC) e Vinícius Cordeiro (PTdoB) não alcançaram a taxa mínima.

Afirmam agora que votarão em branco ou anularão 7% dos eleitores, e ainda não souberam posicionar-se 4%.

Considerando-se apenas os votos válidos, Paes tem 33% das intenções de voto.Crivella aparece com 21%, empatado com Fernando Gabeira, que tem 19%.

A seguir, vêm Jandira, 13%, Solange, 5%, Molon, 4%, Chico Alencar, 3%, e Paulo Ramos, 1%.

No cálculo por votos válidos não estão incluídos os brancos, nulos e as abstenções. É com base nos votos válidos que a Justiça Eleitoral divulga os resultados oficiais da eleição. Para o cálculo desses votos, o Datafolha exclui da amostra, além dos votos brancos e nulos, os eleitores que se declaram indecisos.

O Datafolha ouviu 1311 eleitores cariocas de 16 anos ou mais, nos dias 29 e 30 de setembro de 2008. A margem de erro máxima, para o total da amostra, é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Eleitores de Paes e Crivella são os que mais cientes do número a ser digitado

A cinco dias da votação popular para o próximo prefeito, a taxa de conhecimento do número do candidato atinge 48%, quase a mesma observada na semana passada (45%).

Mostram-se mais cientes do número correto os eleitores de Paes (57%, ante 53% há quatro dias) e de Crivella (53%, sete pontos percentuais acima do verificado antes, 48%), em comparação aos eleitores de Gabeira (41%) e Jandira (38%).

78% estão totalmente decididos quanto ao voto

Enquanto 70% dos eleitores diziam-se totalmente decididos quanto à sua escolha há quatro dias, hoje essa parcela soma 78%.

Do eleitorado de Eduardo Paes, 82% votariam estão certos de seu voto. Entre os eleitores de Gabeira, 79% estão totalmente decididos a votar no candidato. Para a mesma projeção, 81% dos que dizem votar em Crivella estão totalmente decididos em relação ao seu voto.

Na pesquisa espontânea, quando não é apresentado aos eleitores o cartão com o nome dos candidatos, Paes também continua liderando, acima do obtido na última pesquisa: de 16%, ele atinge agora 20%.

Crivella, que aparecia sozinho em segundo lugar até semana passada, mantém 12%, e empata tecnicamente com Gabeira, que sobe de 10% para 13%.

Jandira Feghali tem 7%. Em relação aos demais candidatos, não são observadas mudanças significativas: Molon e Solange ficam com 2%, e Chico com 1% das menções espontâneas. Os demais não alcançam 1%, cada. Nesta situação, 8% reafirmam intenção de votar branco ou nulo e um terço (30%) revela-se indeciso.

Paes venceria adversários se segundo turno fosse hoje

Considerada a hipótese de segundo turno entre Paes e Crivella, amplia a vantagem do primeiro em relação ao segundo: há quatro dias, 53% escolheriam o primeiro e 32% o segundo, taxas que chegam agora, respectivamente, a 58% de opção pelo candidato do PMDB, ante 29% do candidato do PRB. Declaram voto em branco ou nulo 12%, enquanto 2% não souberam opinar.

Pela primeira vez, o Datafolha testou a hipótese de o segundo turno ocorrer entre Paes e Gabeira. Neste caso, Paes seria eleito, com 53%, contra 33% do candidato do PV. Outros 11% anulariam ou votariam em branco, 2% estariam indecisos.

Na terceira situação possível apresentada aos entrevistados, 51% escolheriam Paes e 37% optariam por Jandira, isto é, Paes também seria eleito. Assim como ocorre com Crivella, Paes aumenta a vantagem sobre a candidata do PCdoB, que tiveram 48% e 41% das menções na semana passada. Mostram-se sem candidato 12%, sendo 2% de indecisos e 10% os que afirmam que votariam branco ou nulo.

Por último, na quarta vez em que é testada a hipótese de disputa entre Crivella e Jandira, novamente Jandira aparece com vantagem: ela seria eleita com 50% dos votos, contra 36% do adversário.

Eleitores rejeitam mais Crivella e Solange

Como observado desde o início das pesquisas de intenção de voto no Rio de Janeiro este ano, Crivella é o candidato mais rejeitado: 38% dos eleitores cariocas não votariam nele de jeito nenhum, taxa que mantém-se estável em relação à semana passada.

Solange permanece como o segundo nome mais rejeitado desde agosto, agora por 26% dos eleitores, um ponto abaixo do obtido na pesquisa anterior (27%).

Compõem um terceiro grupo de candidatos que não seriam escolhidos pelos eleitores Gabeira (rejeitado por 24%), Jandira (19%), Paes (18%). Considerando-se esses resultados, Paes tem uma vantagem em relação a seu principais adversários na disputa.

Seguem-se, com 16% cada, Molon e Filipe Pereira; com 15% (cada), Paulo Ramos e Vinícius Cordeiro; com 14% (cada), Chico Alencar e Antonio Carlos; e, por último, Eduardo Serra com 13%.

Afirmam que votariam em qualquer um e não rejeitam nenhum 7%, 4% rejeitam todos e não votariam em nenhum, outros 5% não souberam posicionar-se.

Avaliação de maia continua regular
Eleitores atribuem nota 4,9 ao prefeito

Prestes a completar sete anos e nove meses à frente da prefeitura do Rio de Janeiro, Cesar Maia é aprovado, com avaliação ótima ou boa, por 23% dos eleitores cariocas, taxa que foi de 22% há quatro dias, em 26 de setembro, e que mostra-se estável, considerando a margem de erro, desde o início de julho, quando atingiu 26% de aprovação, a partir do que oscilou para baixo ou para cima.

Já, a parcela dos que o avaliam como regular (39%) mantém-se praticamente a mesma desde 17 e 18 de setembro, quando apresentou crescimento em relação ao início do mês (32% em levantamento dos dias 04 e 05).

Por outro lado, considerando o decorrer do mês de setembro, diminui seis pontos percentuais a taxa de reprovação ao prefeito do DEM: de 40% no início do mês para 36% semana passada, taxa que se mantém no atual levantamento.

Na presente pesquisa, Maia alcança 4,8 de nota média, atribuída pelos eleitores dentro de uma escala de zero a dez, aproximando-se um pouco mais do 5,1 obtido em 03 e 04 de julho.

São Paulo, 30 de setembro de 2008. Instituto Datafolha

09/09/2008 - 10:23h Além dos números

Merval Pereira – O Globo

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,12005448,00.jpgNOVA YORK. Um trabalho da equipe do cientista político da PUC do Rio de Janeiro Cesar Romero Jacob, que reúne pesquisadores brasileiros e franceses, publicado na edição de setembro da revista Alceu, dá boas indicações para se entender o que está acontecendo com os votos nas duas principais capitais do país, Rio e São Paulo, e que conseqüências podem ter as eleições municipais para a eleição presidencial de 2010. O artigo, com 50 mapas por zonas eleitorais do TRE, e por Áreas de Ponderação da Amostra, do IBGE, para os dados socioeconômicos, mostra a correlação entre a votação das eleições municipais de 2002 e a eleição presidencial de 2006, assim como já haviam feito com as eleições municipais de 1996 e 2000 e as presidenciais de 1998 e 2002.

Um primeiro ponto a destacar: diferentemente de eleições anteriores — quando se verificou um descompasso entre as votações dos candidatos a presidente pelo PSDB, Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e José Serra, em 2002, e o desempenho dos candidatos desse partido a prefeito, José Serra, em 1996, e Geraldo Alckmin, em 2000, com os candidatos do PSDB a presidente tendo ótimas votações na capital paulista e os seus postulantes a prefeito não tendo desempenho semelhante — houve uma convergência dos resultados obtidos por Serra, para prefeito em 2004, e por Alckmin, para presidente em 2006, “o que se constitui num fato novo na política paulistana”.

Esta mudança, segundo o estudo, deve-se ao enfraquecimento do malufismo, atingido por uma sucessão de denúncias de corrupção envolvendo os ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta.

Já no Rio, o descompasso entre as votações dos candidatos do PT, nesses dois níveis de eleição, se acentua. É grande a discrepância entre o bom desempenho de Lula, em 2006, e a reduzida votação de Jorge Bittar, em 2004, o que se deve, em parte, segundo o estudo da PUC do Rio, à divisão das forças de esquerda no pleito municipal.

Além disso, com o enfraquecimento do brizolismo, acentuado com a morte de Leonel Brizola, em 2004, e com a perda de expressão eleitoral do grupo de Anthony Garotinho, um “vácuo político” propiciou o bom desempenho de um candidato fora dos quadros partidários tradicionais, como o bispo licenciado Marcelo Crivella.

Na verdade, ressalta o estudo coordenado pelo cientista político Cesar Romero Jacob, este fato se constitui num elemento novo na política carioca, tradicionalmente dividida entre os diversos grupos da família brizolista: o próprio Brizola (PDT), Cesar Maia (PFL), Marcello Alencar (PSDB) e Garotinho (PMDB).

Com a vitória em 2004, Cesar Maia se afirmou como o principal herdeiro da família brizolista na cidade, ao vencer a quarta eleição consecutiva, como candidato (em 1992, 2000 e 2004) ou elegendo o seu sucessor (Luiz Paulo Conde, em 1996).

A candidatura de Crivella acabou provocando uma divisão de caráter religioso na cidade: os católicos fazendo voto útil em Cesar Maia e os evangélicos votando no irmão Marcelo Crivella.

Desse modo, “enquanto no Rio observou-se uma cidade dividida pela religião, em São Paulo verificou-se uma cidade polarizada pela política, numa acirrada disputa entre os dois maiores partidos brasileiros do momento, o PT e o PSDB”, destaca o estudo.

O trabalho dos pesquisadores da PUC do Rio de Janeiro não vai além dos dados das últimas eleições, mas com base neles é possível fazer-se algumas ilações. A forte votação de Marta Suplicy confirma uma situação recorrente, com os candidatos do PT a prefeito e a presidente tendo seus maiores percentuais de votos nos bairros populares. Vencendo, Marta Suplicy torna-se uma forte candidata à Presidência pelo PT, com uma base de votos importante na capital paulista.

Se confirmada a “cristianização” do candidato tucano Geraldo Alckmin em benefício da reeleição do prefeito Gilberto Kassab, com apoio de Serra, é possível prever-se uma boa votação do candidato tucano à Presidência da República em 2010, principalmente se ele for Serra. Indo Alckmin para o segundo turno, mesmo que derrote Marta, o PSDB estará irremediavelmente dividido. Terá sido uma vitória pessoal dele, e não do partido.
No Rio, dos 7 pleitos realizados desde 1982 para o governo estadual, 5 foram ganhos por políticos pedetistas ou que atuaram, em algum momento de sua vida política, nesse partido: Brizola (1982 e 1990), Marcello Alencar (1994), Garotinho (1998) e Rosinha Garotinho (2002)
.
Portanto, com exceção de Moreira Franco (1986) e Sérgio Cabral (2006), ambos do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), os demais poderiam ser considerados integrantes da “família brizolista”.

O crescimento da candidatura de Eduardo Paes, apoiado pelo PMDB do governador Sérgio Cabral, pode significar que uma nova era na política do Rio está se abrindo, com a máquina peemedebista sendo ajudada pelo fato de Paes ser oriundo da máquina da prefeitura, onde ele iniciou sua vida política com o prefeito Cesar Maia.

Assim como em 2004 o voto útil foi para Cesar Maia contra Crivella ainda no primeiro turno, agora estaria indo para Eduardo Paes, mesmo que seja previsível um segundo turno.

Os estudos da equipe da PUC do Rio revelam a existência em São Paulo de territórios eleitorais fiéis ao PT e ao PSDB, “num confronto político do tipo direita-esquerda mais clássico”. São Paulo continua sendo uma cidade polarizada pela política e não pela religião, como aconteceu na última eleição municipal do Rio de Janeiro, e continua acontecendo hoje.

Segundo o estudo, “a boa implantação dos dois maiores partidos brasileiros na capital paulista tem impedido que, pelo menos nas eleições para prefeito, questões de natureza religiosa se sobreponham a escolhas políticopartidárias”. No Rio, ao contrário, PT e PSDB são fracos politicamente.

E-mail para esta coluna: merval@oglobo.com.br

12/05/2008 - 11:05h Tática radical do DEM começa a assustar tucanos

Atitude de aliado no depoimento de Dilma foi vista como de “franco atirador” com “vocação de partido nanico”

Christiane Samarco – O Estado de São Paulo

Tucanos questionam a “vocação de nanicos” e querem distancia dos demos, que radicalizam contra Lula

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Apesar de PSDB e DEM sustentarem uma parceria na oposição ao governo Lula, a luz amarela acendeu nas hostes tucanas depois da intervenção do líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), durante o depoimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na Comissão de Infra-Estrutura da Casa, na quarta-feira. Os tucanos viram ali um sinal claro de que o DEM tende a radicalizar o enfrentamento com o governo, o que faria do aliado um “franco atirador” com “vocação de partido nanico”.

No Senado, Agripino lembrou que Dilma contara ter mentido, sob tortura, durante a ditadura militar e tentou fazer um paralelo com suas declarações sobre o dossiê dos gastos do ex-presidente FHC. Ela retrucou que se orgulhava de ter mentido naquelas circunstâncias para não provocar a morte de companheiros. E disse que não era possível comparar a ditadura com a democracia.

Lider do PSDB, José Anibal enviou abraço solidário a Dilma Roussef

Um deputado tucano que naquela noite pegou carona de volta para casa com o líder na Câmara, José Aníbal (SP) testemunhou um desabafo dele à ministra. “Fazer referência à tortura e tentar criar similitude é incabível”, disse Aníbal. Quando Dilma atendeu, ele foi direto ao ponto: “Estou telefonando para deixar o meu abraço solidário e dizer que achei que a senhora teve uma postura muito firme no depoimento.” Ao desligar, justificou-se ao carona: “Somos amigos. Sei o que ela passou quando estava na clandestinidade.”

No mesmo tom indignado de Aníbal, um senador da direção do PSDB avalia que, nestes termos, a aliança com o DEM não terá viabilidade e não levará a lugar algum. Setores do tucanato acham que o DEM monta uma agenda incompatível com o projeto de poder em torno dos governadores José Serra (SP) ou Aécio Neves (MG). Os presidenciáveis tucanos, cada um a seu jeito, recusam-se a atacar o presidente e preferem contornar sua popularidade falando no pós-Lula.

Enquanto líderes do DEM sustentam que não há diferença ideológica entre os dois partidos, tucanos insistem nas diferenças e revelam cansaço com a parceria.

AFINAR MAIS

O novo líder da minoria de oposição no Senado, Mário Couto (PSDB-PA), admite que é preciso “afinar mais os discursos e as ações”. Diz que falta conversa e articulação, mas defende a aliança entre os dois partidos. “Se nos dividirmos, ficaremos mais fracos”, preocupa-se.

O que mais incomoda segmentos da cúpula tucana é a aliança em São Paulo. A insatisfação passa pela eleição presidencial e por queixas de tucanos de Norte a Sul contra a hegemonia paulista. Para o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, o que está no centro da insatisfação é a velha prática de restringir decisões importantes a um grupo de meia dúzia de tucanos ilustres. “O sentimento real não é contra a hegemonia de São Paulo, é a favor da democracia interna e participação ampla nas decisões. Quando alguém fala em prévias, todo mundo apóia.”

04/05/2008 - 12:08h DEM perde força e pode virar partido nanico

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Legenda tem apenas um governador e dois prefeitos de capitais

Adriana Vasconcelos, Luiza Damé e Chico de Gois – O Globo

BRASÍLIA. Pouco mais de um ano depois de ter trocado de nome com o objetivo de promover uma renovação de sua imagem e também de seus quadros, o Democratas (DEM) corre o risco de se transformar num partido nanico. Com apenas um governador eleito e dois prefeitos de capitais, a legenda pode encolher ainda mais nas eleições de outubro próximo, depois de passar cinco anos na oposição ao governo Lula. Para tentar fugir desse calvário, a ordem do partido é não nacionalizar o discurso e evitar, assim, cair na armadilha dos adversários que vão explorar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tão bem avaliado pelas pesquisas, como principal cabo eleitoral.

O DEM tem realizado seminários pelo país para ajudar os candidatos a organizar suas campanhas. Líderes do partido reconhecem as dificuldades, mas salientam que mais importante que quantidade é a qualidade dos quadros. A senadora Kátia Abreu (TO), uma das coordenadoras eleitorais do partido, afirma: — A questão municipal é muito diferente. Ninguém tem intenção de nacionalizar as eleições — diz.

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), contesta as previsões sombrias.

— Quem aposta que vamos diminuir está incomodado com nossa atuação. O partido vai manter o tamanho que tem hoje, crescendo nos grandes centros e diminuindo nos municípios menores, onde a influência das políticas assistencialistas do governo federal é mais forte.

Maior aposta do partido é reeleição de Kassab em SP Atualmente o DEM tem 793 prefeitos, sendo apenas dois de capitais: Cesar Maia no Rio de Janeiro e Gilberto Kassab em São Paulo, que herdou a prefeitura depois que José Serra (PSDB) deixou o cargo para disputar e vencer o governo do estado.

Em alguns estados, como Alagoas e Roraima, o DEM tem apenas um prefeito. Cesar Maia foi reeleito e terá dificuldades para levar sua candidata, a deputada Solange Amaral, a um eventual segundo turno.

A grande aposta do partido é a reeleição de Kassab. Embora os democratas não tenham conseguido demover o ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB, de entrar na disputa, Kassab conta com o apoio do governador José Serra e conquistou na semana passada o apoio estratégico do PMDB paulista.

O deputado Paulo Bornhausen (SC), vice-presidente de comunicação do DEM e vice-líder na Câmara, afirma que o partido está mais interessado em qualidade que em quantidade.

— Nosso objetivo ao adotar uma postura de oposição permanente é chegar ao poder. Isso não se faz sem sacrifícios, que pode ser definhar num primeiro momento.