17/06/2008 - 18:55h Acesso à vida

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access to life

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Access To Life/Russia

(© Alex Majoli/Magnum Photos)

O uso das drogas antiretrovirais, no início dos anos 90, marca um antes e um depois na luta contra a sida. Antes havia uma sentença de morte mais ou menos rápida. Depois houve uma forma de domar uma doença crónica. Mas este balão de oxigénio está longe, muito longe, de chegar a todos os que precisam dele. O preço dos comprimidos antiretrovirais e as dificuldades de os distribuir com eficácia nas zonas do globo mais complicadas fazem com que 95 por cento dos infectados com HIV fiquem de fora deste “cheque-oportunidade-de-vida-mais-alargada”.
Para tentar anular estas desigualdades foi criado, em 2002, o Global Fund to Fight AIDS, Tuberculosis and Malaria, que já tem programas em mais de 100 países. A iniciativa não está só a salvar vidas, mas a prevenir que a doença se espalhe ainda mais.

A partir do mote accesstolife, oito fotógrafos da Magnum (Paolo Pellegrin, Alex Majoli, Larry Towell, Jim Goldberg, Gilles Peress, Jonas Bendiksen, Steve McCurry, Eli Reed) foram convidados para registar casos de pessoas infectadas que passaram a ter acesso a antiretrovirais para controlar a doença. Em nove países, os fotógrafos da agência captaram o dia-a-dia do “antes” e o resultado do tratamento quatro meses depois. Em muitos casos, conseguiram recuperar-se as rotinas do trabalho, a convivência da família e, claro, a alegria de estar vivo. Noutros casos a ajuda chegou tarde demais.

Desde o início dos anos 80 já morreram perto de 30 milhões de pessoas por causa da sida.

Para ver os trabalhos dos oito fotógrafos da Magnum clique aqui.

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(© Jim Goldberg/Magnum Photos)

15/06/2008 - 23:51h Brasil busca supervacina dos trópicos

País desenvolve imunizante inédito contra malária e febre amarela

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Roberta Jansen – O Globo

Se tudo correr conforme o previsto, dentro de alguns anos o Brasil poderá conseguir vencer um dos maiores desafios mundiais na área da imunologia: o desenvolvimento de uma supervacina tropical contra a febre amarela e a malária, uma das doenças que mais matam no mundo e contra a qual nunca se conseguiu obter um imunizante eficaz.

Uma pesquisa inédita conduzida no Instituto Oswaldo Cruz (IOC) conseguiu produzir vírus recombinantes de febre amarela que seriam capazes de imunizar também contra a malária.

Uma vacina capaz de proteger ao mesmo tempo contra duas graves doenças que ocorrem em zonas geográficas semelhantes seria um avanço dos mais significativos em termos de saúde pública alcançados no mundo nas últimas décadas. E a idéia de reunir as duas num único produto partiu justamente da constatação de a vacina contra a febre amarela ser uma das mais bem-sucedidas do mundo há décadas enquanto que todas as tentativas de se criar um imunizante para a malária não vão adiante.

Gene do parasita se une ao vírus

Feita a partir de vírus atenuado, a vacina contra a febre amarela é usada com sucesso no Brasil há 80 anos. Foi com ela que o país conseguiu erradicar a doença dos centros urbanos e controlá-la na maior parte do território nacional.

— Atualmente essa é uma das vacinas mais exploradas pelo pessoal que trabalha na área da imunologia — conta a pesquisadora Myrna Cristina Bonaldo, do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, responsável pela linha de pesquisa. — Por ser tão eficaz, com um percentual de proteção muito alto, as pessoas tendem a estudá-la para entender de que forma um bom imunizante induz uma resposta protetora. Então a nossa idéia é justamente usar uma vacina que tem boa performance para imunizar contra um doença cujos imunizantes até agora não conseguiram proteção.

O desenvolvimento de uma vacina contra a malária representa um grande desafio para os cientistas porque o parasita causador da enfermidade adota diversas formas ao longo do ciclo da doença no organismo humano e apresenta vários mecanismos de escape às defesas produzidas. Além disso, o uso do próprio parasita atenuado como vacina (técnica mais comum na produção de imunizantes) mostrou-se inviável. Os cientistas partiram então para a identificação de moléculas de proteínas do parasita capazes de induzir uma resposta imunológica.

O grupo de Myrna conseguiu inserir no vírus da febre amarela genes do Plasmodium falciparum. Com isso, o vírus recombinante passou a fabricar proteínas do parasita, além das proteínas virais que já produzia. A idéia é que, a exemplo do que ocorre com a vacina simples da febre amarela, uma vez exposto às proteínas do parasita, o organismo tenha capacidade de montar uma resposta imunológica mais eficaz no caso de uma infecção.

— Agora estamos fazendo testes pré-clínicos, vendo como o vírus prolifera e se é eficaz — afirmou Myrna. — Em estudos iniciais com camundongos queremos ver se os animais apresentam uma resposta contra a febre amarela e a malária, se há a formação de anticorpos.

Dependendo dos resultados que obtivermos, começaremos a expandir os testes, inclusive em macacos.

Entre os próximos passos está a obtenção de um vírus recombinante também para o Plasmodium vivax.

O grupo trabalha também, numa linha de pesquisa paralela, com a criação de um outro vírus recombinante, dessa vez para atuar contra febre amarela e dengue. Embora nesse caso os resultados sejam ainda mais incipientes, fica a esperança de, no futuro, se conseguir uma vacina contra as três doenças.

— Potencialmente é possível, mas ainda é muito cedo para falarmos disso — afirmou a pesquisadora.

Mais de um milhão de mortes

A malária é hoje a doença tropical que mais causa problemas sociais e econômicos no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela atinge as áreas mais pobres do planeta, sobretudo na África, produzindo mais de um milhão de mortes por ano — um número que só é inferior ao de óbitos causados pela Aids.

Além de não haver uma vacina contra a doença, os tratamentos disponíveis se encontram muito ultrapassados.

Por se tratar de uma doença que atinge majoritariamente áreas pobres do planeta, os investimentos em pesquisa de drogas e imunizantes são poucos. No Brasil são registrados cerca de 500 mil casos por ano, sobretudo na região amazônica, mas a letalidade é baixa no país, não chega a 0,1% do total.

A malária é uma doença infecciosa que ataca os glóbulos vermelhos do sangue, provocando anemia. Em casos mais graves, bloqueia a circulação, levando à morte.

A doença é causada por protozoários do gênero Plasmodium, introduzidos no homem através da picada do mosquito anófeles.

18/10/2007 - 23:09h Malaria: Exterminate! Exterminate!

From The Economist print edition

New malaria vaccines—and a pep talk from the man who is paying for some of them—are raising the idea that malaria might be eliminated once and for all

Getty Images

“WE’VE made vaccines from pus and poop, we make them now using eggs—so why not make them in live mosquitoes?” So says Stefan Kappe, a researcher at the Seattle Biomedical Research Institute. To prove the point, his team is breeding millions of Anopheles mosquitoes (pictured above) and infecting them with malaria-causing parasites.

Not any old parasites, either. Those he uses have had some of their genes knocked out to stop them breeding in humans. Their destiny, like that of the “attenuated” viral strains grown in eggs, is to form part of a vaccine.

Once the parasites have had time to breed in the mosquitoes, the insects are killed and dissected under a microscope. The gold inside them is their salivary glands, the parts richest in parasites. These are extracted, processed and turned into what Dr Kappe hopes will become a successful vaccine. By injecting this vaccine of pared-down parasites into uninfected individuals, he intends to provoke an immune response to malaria that will be strong enough to kill a real infection before it gets going.

Provoking such a response is, of course, the idea behind any vaccine, and there are various ways of doing it. Dr Kappe’s looks promising in the laboratory, but has yet to undergo clinical trials. Another method, however, has been on trial for several years by Pedro Alonso of the Barcelona Centre for International Health Research. This week saw the publication in the Lancet of the latest results from those trials. They look very promising indeed.

Surface and depth

The vaccine created by Dr Alonso and his colleagues has been tested on infants aged under five months in a region of Mozambique where the disease is endemic. It did not provide complete protection, but the infection rate observed over the course of the subsequent six months was 65% lower than in members of a control group, who were given a hepatitis B vaccination instead. And it was also safe—an important consideration, since infants are both the people most vulnerable to malaria and those in whom it is easiest to provoke adverse reactions.

Unlike Dr Kappe’s vaccine, this one does not rely on injecting whole, attenuated parasites. Instead, some of the proteins that adorn the parasite’s surface have been made in bulk. The vaccine is thus, in effect, all surface. Since the immune system can see only the surface of even a whole parasite, that is the only part it can learn to recognise, so a vaccine consisting of parasite surface and nothing else should be good at stimulating an immune response—and it is.

Dr Alonso’s paper, then, is a bit of good news in an area—global health—that is more usually associated with misery. It is not, however, the only optimistic note as far as malaria is concerned. A newish and very effective drug called artemesinin is now being deployed, and the campaign to distribute insecticide-laced bed nets through large parts of Africa is also showing signs of success. A few people are therefore daring to whisper a word that has not been heard much in malaria circles since the 1960s: eradication.

On October 17th, the day Dr Alonso’s paper was published, someone dared do more than whisper the word. Bill Gates almost shouted it at a conference on the disease which was organised in Seattle by his foundation. The Gates Foundation helped to finance the trials in Mozambique and Mr Gates used their success to give a rousing speech to the gathered experts, challenging them to raise their sights. Rather than continue with today’s strategy of merely controlling malaria, he argued that it is time for the world to aspire to exterminate it altogether.

This is not a new idea. The last attempt to eradicate malaria began in 1955 (coincidentally, the year Mr Gates was born) and relied on a new wonder chemical called DDT to kill the mosquitoes. For a time, it was successful, but then evolution struck back, as natural selection favoured the spread of insecticide-resistant genes. Shortly afterwards, politics struck back, too, as the environmental movement successfully demonised DDT because of the damage it does to many other animals.

Given this history, cynicism about the idea of eradication is understandable. Steven Phillips, chief medical officer of Exxon Mobil, a firm whose African operations are inevitably affected by malaria, argues that eradication is technically impossible and favours emphasis on “bread and butter” disease control. But Regina Rabinovich and Tachi Yamada, the scientists responsible for running the Gates Foundation’s anti-malaria effort, argue that eradication was never seriously attempted in Africa in the past. They think that today’s money, technologies and political will are strong enough to make eradication a realistic aspiration.

Dr Phillips is right, in the sense that even the finest vaccine cannot do much good if it does not reach villages in endemic areas. However, things change—even in Africa. A report released this week by Unicef, the United Nations Children’s Fund, suggests several countries, including Ghana, Tanzania, Benin and Gambia, are making progress in spreading artemesinin and bed nets.

Eradication would not be cheap. A back-of-the-envelope estimate suggests it would cost about $9 billion a year for two or three decades to make and distribute the necessary vaccines, drugs and equipment. But that compares with $3 billion a year indefinitely, merely to contain the problem—not to mention the economic damage done by the disease. Big ideas have to await the right time to be realised. But for malaria that time may be now.